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Anorexia nervosa: sinais, riscos e tratamento

22 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

A anorexia nervosa é uma doença complexa acompanhada de transtornos alimentares. A condição é caracterizada pelo desejo deliberado do paciente de reduzir seu próprio peso. 

Mapa clínico: anorexia nervosa é transtorno alimentar grave, não escolha estética

Em resumo: anorexia nervosa envolve restrição alimentar, medo intenso de ganhar peso, distorção da imagem corporal e riscos clínicos importantes. Pode ocorrer mesmo quando a pessoa não parece “muito magra”. O tratamento combina cuidado médico, nutricional, psicológico e familiar conforme o caso.

Diagrama de anorexia nervosa com restrição alimentar, medo de engordar e prejuízo físico e mental.
A gravidade depende de comportamento, exames, sinais vitais e sofrimento.
Fluxo visual de tratamento da anorexia com avaliação médica, plano nutricional, psicoterapia e família.
A prioridade inicial pode ser estabilizar o corpo antes de metas de longo prazo.
SinalPor que importaAção
Restrição intensaPode causar desnutrição e alterações cardíacas.Avaliação médica.
Exercício compulsivoAumenta risco físico.Revisar segurança e limites.
Desmaio, fraqueza ou pulso baixoPode indicar instabilidade.Urgência.
  • Leve a sério restrição alimentar, medo de engordar, vômitos, laxantes, compulsão por exercício ou perda menstrual.
  • Evite comentários sobre aparência; foque segurança, sofrimento e função.
  • Procure urgência se houver desmaio, dor no peito, confusão, desidratação, ideação suicida, vômitos persistentes ou fraqueza intensa.

Nota de segurança: anorexia tem risco médico real e pode exigir cuidado intensivo; não é tema para dieta ou força de vontade.

Para continuar no tema: Psiquiatria | Transtornos alimentares | Compulsão alimentar | Depressão

Vários médicos estão envolvidos no exame e tratamento desta doença em simultâneo – um psiquiatra, um psicólogo, um nutricionista, um pediatra.

Descrição da anorexia nervosa

o que é anorexia nervosa

A anorexia em crianças é menos comum do que em adultos – 4-6% versus 8-15%. Segundo as estatísticas, o problema ocorre não antes de 11 a 12 anos. 

As meninas são predominantemente afetadas. No entanto, nos últimos anos, o número de meninos que apresentaram anorexia na adolescência vem aumentando (de 0,29% para 1,14%).


A anorexia é uma doença que hoje levanta mais perguntas do que respostas. A patologia é difícil de identificar nos estágios iniciais do desenvolvimento, pois a própria criança não entende imediatamente que se recusa deliberadamente a comer. 

Os cientistas acreditam que os dados oficiais não revelam totalmente o quadro completo da disseminação do problema, uma vez que as estatísticas consideram apenas casos clinicamente significativos (complicados) quando uma criança precisa de cuidados intensivos.


A anorexia nervosa é uma doença caracterizada pela combinação de um distúrbio psicológico/psiquiátrico com distúrbios somáticos. 

No contexto de uma mudança no comportamento de uma criança devido à falta de nutrientes no corpo, ocorrem várias mudanças negativas e perigosas. Eles afetam o funcionamento de quase todos os órgãos e sistemas. 

Dependendo da perda de peso corporal, os seguintes graus de gravidade da doença são distinguidos:

І – déficit de peso corporal é de 10 a 19%;

II – 20-29%

ІІІ – mais de 30%.

O perigo da anorexia em crianças está no funcionamento inadequado dos órgãos e sistemas internos no contexto da desnutrição. Isso ameaça o desenvolvimento de consequências como exaustão geral, desenvolvimento prejudicado do sistema nervoso, doenças do sistema musculoesquelético, infertilidade, disfunção gastrointestinal e outros.


Ao identificar sinais de anorexia nervosa infantil, é recomendável não perder tempo tentando em vão consertar algo por conta própria. Somente a assistência qualificada de vários especialistas ao mesmo tempo alcançará um bom resultado terapêutico. 

E quanto mais cedo o tratamento for iniciado, mais cedo a recuperação virá.

Sintomas de anorexia nervosa

O principal sintoma da anorexia infantil é a magreza excessiva da criança. A detecção precoce da doença nem sempre é fácil. Especialmente se a criança não for submetida a exames médicos regulares, durante os quais são feitas as medidas antropométricas. 

A maioria dos pacientes chega ao conhecimento de especialistas já em casos avançados, quando é necessário tratamento médico sério.

Além da falta de peso, a anorexia pode se manifestar das seguintes maneiras:

  • perda de apetite e falta de vontade de comer;
  • fraqueza geral;
  • distúrbios de sono;
  • pele pálida devido à anemia;
  • irritabilidade;
  • ataques bulímicos – desejo excessivo de comer;
  • deterioração da condição do cabelo, unhas, pele;
  • aumento dos episódios de infecções respiratórias;
  • má cicatrização mesmo de pequenas lesões.

Além dos sinais acima, o quadro clínico pode ser acompanhado por sintomas de disfunção de órgãos internos. Na maioria das vezes, as crianças queixam-se de palpitações, falta de ar, aparecimento de edema nas extremidades inferiores e náuseas.

SintomaDescrição
Perda de pesoPerda de peso inesperada e rápida devido à restrição severa da ingestão de alimentos
Alterações de humorMudanças extremas e repentinas de humor, muitas vezes acompanhadas de irritabilidade e depressão
Baixa autoestimaSensação de inutilidade e falta de confiança em si mesmo
Pensamentos obsessivosPreocupação constante com alimentação, dieta e imagem corporal
Isolamento socialEvitação de situações sociais devido ao medo de julgamento ou crítica
FadigaExaustão mesmo após uma noite inteira de sono, possivelmente devido à falta de nutrição
Distúrbio do sonoInsônia, incapacidade de adormecer ou permanecer dormindo ou sono excessivo

Causas da Anorexia Nervosa em Crianças

anorexia nervosa

A causa da anorexia nervosa infantil é considerada a insatisfação dos adolescentes com seus corpos. 

Devido à constante influência da mídia, o cultivo de certos ideais de beleza, a demonstração do sucesso de representantes individuais do show business, os estereótipos são formados nos adolescentes. 

Eles se avaliam e tentam ser como seus ídolos. Como resultado de tais comparações, surge a insatisfação com o próprio corpo.

 Uma das opções para resolver o problema aos olhos de um adolescente é a recusa intencional de uma boa alimentação.


Psicólogos e psiquiatras no decorrer da pesquisa descobriram que a maioria dos pacientes com anorexia nervosa é hipersocial. 

Isso significa que é muito importante para eles:

– ser o centro das atenções;

– receber feedback positivo sobre suas atividades e aparência;

– alcançar o sucesso nos empreendimentos diários.

60-65% dos adolescentes que sofrem desta doença são os líderes da classe, círculo ou outras reuniões. 

Muitos pacientes têm um “excelente complexo estudantil”. Portanto, se não atendem aos critérios de seu ideal, tais adolescentes estão propensos a medidas radicais para atingir a meta. Uma delas é a recusa de alimentos para perda de peso mensurável.


Os psicólogos também apontam para possíveis problemas na família quando os pais são muito exigentes com a criança e constantemente dão o exemplo a outras crianças ou mesmo adultos.

O problema é que nos estágios iniciais da doença é muito difícil distingui-la dos desentendimentos habituais dos adolescentes com os adultos. Isso causa a progressão da anorexia e alterações graves nos órgãos internos. 

Infelizmente, na maioria dos casos, pacientes com formas já avançadas de anorexia vêm à consulta. Por isso, os pais devem dedicar mais tempo ao trabalho e conversar com os filhos. E se forem identificados quaisquer problemas ou reclamações suspeitas, não se deve pensar que passarão por si. 

É importante procurar ajuda a tempo, até que mudanças irreversíveis se desenvolvam nos órgãos e sistemas.

Diagnóstico de anorexia nervosa em crianças

O diagnóstico da anorexia envolve uma análise abrangente da condição da criança, considerando vários fatores. O médico que conduz a recepção se comunica em detalhes tanto com o próprio paciente quanto com seus pais.


Ao coletar uma anamnese, atenção especial é dada aos seguintes pontos:

– duração das alterações existentes nos transtornos alimentares;

– dinâmica de crescimento, peso corporal (desde o início da doença até o momento presente);

– mudanças no ciclo menstrual em meninas;

– o uso de métodos físicos ou medicamentosos para perda de peso – provocando um reflexo de vômito, tomando laxantes, etc .;

– a presença de comorbidades.

Depois disso, o paciente é pesado, o índice de massa corporal (IMC) é calculado. O médico avalia a presença de distúrbios digestivos. Para avaliar completamente a função do corpo, o paciente passa por uma série de testes laboratoriais:

  • exame de sangue geral e bioquímico;
  • exame de urina (Urina I)
  • exame de sangue para glicose
  • análise para um grupo infeccioso (HIV, sífilis, hepatite B, C).

Na presença de desvios no funcionamento do trato gastrointestinal ou do sistema cardiovascular, eletrocardiograma (ECG) e fibroesofagogastroduodenoscopia (FEGDS) são realizados adicionalmente.


O paciente também é consultado por psiquiatra, psicólogo, nutricionista. Com base nas informações recebidas, é estabelecido um diagnóstico de anorexia nervosa em crianças, a causa mais provável é identificada e um programa de tratamento abrangente é elaborado.

Tratamento da anorexia nervosa em crianças

dieta anorexia nervosa

A anorexia em crianças é uma condição clínica grave que requer uma abordagem passo a passo para o tratamento do paciente. A terapia é realizada com a ajuda de dieta, medicação e psicoterapia. Individualmente, nenhum desses métodos tem o resultado desejado.


Todo o processo de tratamento conservador de pacientes com anorexia pode ser dividido em três grandes etapas:

  1. Não específico. Esta é a fase inicial do tratamento. Consiste na correção das funções vitais do corpo. Os médicos com a ajuda de medicamentos normalizam o equilíbrio salino-água, a concentração de eletrólitos no sangue. A tolerância alimentar normal é restaurada gradualmente (o corpo se acostuma e “aprende” a aceitar e assimilar adequadamente). O principal objetivo desta etapa é retomar o funcionamento de todos os órgãos e sistemas. A duração deste período varia de 7 a 14 dias.
  2. Específico. Nesta fase, o déficit de peso corporal é corrigido. Quando o corpo está pronto para comer, os nutricionistas desenvolvem um cardápio individual para cada paciente. Além disso, um psicoterapeuta lida diariamente com a criança para corrigir os motivos psicoemocionais da recusa alimentar, para encontrar maneiras de resolver o problema que surgiu. O objetivo desta fase é restaurar o peso corporal normal do paciente e eliminar a causa da anorexia. A duração do estágio é de até 1 mês.
  3. Reabilitação. Nesta fase, a criança já está em casa. Ele volta ao ritmo normal da vida. O psicoterapeuta pode manter contato com o paciente, prestando a assistência psicológica necessária visando à prevenção da recaída. O objetivo desta fase é consolidar o resultado alcançado.

O tratamento da anorexia em crianças não é apenas trabalho dos médicos, mas também dos pais. Eles se tornam os principais assistentes da criança na fase de reabilitação.


É importante lembrar que prevenir o desenvolvimento da anorexia é muito mais fácil do que tratá-la. Portanto, os pais devem sempre ouvir seus filhos, não ignorar seus problemas e experiências, e buscar ajuda psicológica qualificada a tempo.

A literatura considera que a anorexia nervosa é uma doença psiquiátrica potencialmente mortal que se desenvolve predominantemente em mulheres por volta da puberdade, mas está sendo cada vez mais reconhecida como também afetando meninos, homens e mulheres ao longo da vida.

A base de evidências para o tratamento da anorexia nervosa está avançando, embora de forma desigual. As evidências apontam para o benefício do tratamento baseado na família para os jovens.

Para adultos, nenhuma abordagem específica mostrou superioridade e, atualmente, uma combinação de realimentação e psicoterapia, como tratamento clínico de suporte especializado, terapia cognitivo-comportamental ou psicoterapia interpessoal, é recomendada.

Os ECRs não abordaram suficientemente as abordagens de tratamento mais complexas vistas em ambientes de prática de rotina, como tratamento multidisciplinar ou nível de atendimento, nem investigaram especificamente o tratamento em populações etnicamente diversas.

Desafios metodológicos que impedem o progresso na pesquisa controlada para anorexia nervosa são explicados.

A revisão destaca modalidades de tratamento promissoras e baseadas em evidências para a anorexia nervosa e apresenta uma análise triangulada, incluindo pesquisas controladas, diretrizes práticas e tratamentos emergentes para informar e apoiar a tomada de decisões clínicas.

Fontes úteis

Fontes de apoio: NIMH: eating disorders | MedlinePlus: eating disorders

Arquivado em: Pediatria, Psiquiatria

Como é o tratamento da fibromialgia?

22 de dezembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

O tratamento da fibromialgia costuma combinar educação, exercício gradual, sono, manejo de estresse, terapia psicológica quando indicada e medicamentos selecionados. O objetivo é melhorar função e qualidade de vida sem vender cura rápida.

A FIBROMIALGIA é uma síndrome reumatológica crônica, caracterizada por um quadro de dor musculoesquelético generalizado, acompanhada por outros múltiplos sintomas como cefaleia, fadiga, distúrbios do sono e depressão, afetando a qualidade de vida do paciente.

Apesar dos sintomas, não há evidências de processos inflamatórios articulares ou musculares em quem convive com essa condição[1].

O termo “fibromialgia” é derivado do latim fibro (tecido fibroso) e do grego mio (tecido muscular), algos (dor) e ia (condição).

É uma doença que tende a se manifestar já na vida adulta, e em sua maioria, entre o gênero feminino. Porém, a fibromialgia pode também afetar crianças e adolescentes, além de pacientes de qualquer faixa etária e gênero.

Como é o tratamento da fibromialgia?

fibromialgia dor no ombro

Embora o tratamento da fibromialgia seja ainda um forte desafio para os profissionais de saúde, atualmente, diversos tratamentos já se encontram disponíveis, tanto farmacológicos como não farmacológicos.

O tratamento deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo medidas farmacológicas e não farmacológicas combinadas e singulares. Importante ressaltar que os tratamentos para a fibromialgia não permitem uma remissão completa dos sintomas, pois a doença não tem cura, mas em geral, beneficiam o estado de saúde dos portadores da doença[2].

Vídeo sobre Fibromialgia – Aprenda mais

Tratamentos farmacológicos para fibromialgia

medicamento remedio antidepressivo

Dentre os tratamentos farmacológicos, falaremos um pouco sobre os antidepressivos tricíclicos; inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina; anticonvulsivantes; analgésicos; sedativos; e tratamentos complementares como suplementos.

Antidepressivos tricíclicos

Os antidepressivos tricíclicos foram os primeiros medicamentos a serem intensamente estudados para o tratamento da fibromialgia, e atualmente, são os que apresentam a mais forte evidência de eficácia farmacológica para a doença.

Os principais representantes desses fármacos utilizados para o tratamento da fibromialgia são a Amitriptilina, Cloridrato de Ciclobenzaprina, Imipramina e Nortriptilina. São medicamentos que, independentemente da ação antidepressiva, fornecem um efeito analgésico para os pacientes com fibromialgia[3].

Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina são medicamentos que conseguem manter elevados níveis de serotonina e noradrenalina no sistema nervoso central. Muitos estudos clínicos já relataram uma melhoria na qualidade de vida e no bem-estar geral em pacientes com fibromialgia, que fazem uso desses medicamentos, mostrando ser eficazes na redução da fadiga e rigidez muscular.

A Duloxetina e Milnacipran são exemplos dessa classe de medicamentos, aprovados e licenciados pela Food and Drug Administration (FDA), para o tratamento da fibromialgia.

MedicamentoUsos para fibromialgia
PregabalinaA pregabalina é usada para tratar a dor causada pela fibromialgia, bem como convulsões e dores nos nervos.
GabapentinaA gabapentina é usada para tratar a dor do nervo causada pela fibromialgia, bem como convulsões.
AmitriptilinaA amitriptilina é usada para tratar dores nervosas causadas por fibromialgia, bem como depressão.
DuloxetinaA duloxetina é usada para tratar dores nervosas causadas por fibromialgia, bem como depressão e ansiedade.
VenlafaxinaA venlafaxina é usada para tratar dores nervosas causadas por fibromialgia, bem como depressão e ansiedade.
ParacetamolO paracetamol é usado para tratar a dor causada pela fibromialgia.
DipironaA dipirona é usada para tratar a dor causada pela fibromialgia.
CiclobenzaprinaA ciclobenzaprina é usada para tratar dores musculares causadas pela fibromialgia.
Outros medicamentosOutros medicamentos, como AINEs, tramadol e opioides, também podem ser úteis no controle da dor da fibromialgia.

Anticonvulsivantes

Os anticonvulsivantes são fármacos que mostram efetiva redução da dor, da fadiga e melhoria da qualidade do sono em pacientes com fibromialgia.

A Pregabalina, medicamento com atividade analgésica, ansiolítica e anticonvulsivante, foi o primeiro medicamento a ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), para o tratamento da fibromialgia[4].

Analgésicos

Os analgésicos associados a alguns anti-inflamatórios são constantemente utilizados na prática clínica para o alívio de dor em pacientes com fibromialgia. O mecanismo de ação dos analgésicos consiste em inibir a ação do ácido araquidônico, bem como a síntese de prostaglandinas, mediadores celulares que são responsáveis pela manifestação dos quadros de dor[5].

No tratamento da fibromialgia, a associação entre o Tramadol com Paracetamol tem mostrado melhores resultados quando comparado com o uso em monoterapia. O Tramadol, um opioide de ação central, é indicado nas fases agudas da doença, enquanto o Paracetamol é outro analgésico potente, que também possui efeito antipirético.

Sedativos

Entre os sedativos que já mostraram significativos resultados para o tratamento da fibromialgia, estão as benzodiazepinas, o Clonazepam, Alprazolam e o Oxibato de Sódio. O Clonazepam e o Alprazolam são os mais prescritos para a doença.

Já as recomendações e guidelines, desaconselham a utilização de benzodiazepinas na abordagem terapêutica da fibromialgia, mas essa classe de medicamentos psicotrópicos continua sendo prescrita, por apresentarem eficiência no controle das perturbações do sono.

O Oxibato de Sódio, apesar dos efeitos adversos como tonturas, náuseas e espasmos musculares, mostrou ter efeito sobre a dor e os distúrbios do sono.

Canabidiol (CBD) para fibromialgia

O CBD não é uma cura mágica para a fibromialgia. No entanto, alguns estudos sugerem que o CBD pode ter benefícios terapêuticos para controlar a dor crônica e a insônia causadas por esta doença complexa.

Estudos sugeriram que o CBD reduz a atividade das células gliais. A atividade excessiva dessas células causa aumento da reação à sensação. Este é um sintoma da fibromialgia[6].

Há evidências de que o canabidiol pode tratar a síndrome do intestino irritável e enxaquecas. Estas são síndromes de sensibilidade central como a fibromialgia.

Temos um sistema de receptores em todo o nosso sistema nervoso central e periférico e em muitos outros órgãos e tecidos do nosso corpo chamado sistema endocanabinóide (ECS), este sistema funciona no seu melhor quando os canabinóides se comunicam com ele.

O sistema endocanabinóide é vital para o incrível equilíbrio do nosso bem-estar que nosso corpo faz automaticamente chamado homeostase. Nosso corpo produz nossos próprios canabinóides, o mais conhecido é chamado anandamida, que tem influência em muitas coisas, incluindo nosso humor, nos faz sentir bem.

Suplementos

O uso de suplementos já estimularam a realização de algumas pesquisas relacionadas ao quadro clínico da fibromialgia. A melatonina, por exemplo, que é uma hormona com propriedades reguladoras do sono, possui efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, ansiolíticos e antidepressivos.

Os suplementos vitamínicos também vêm sendo apontados como possíveis soluções para o tratamento da fibromialgia. No entanto, mais estudos precisam ser realizados para investigar seu mecanismo de ação e doses a serem aplicadas para o tratamento da sintomatologia da doença.

Tratamento não farmacológico para fibromialgia

reabilitação motora

Com relação às formas de tratamento não farmacológico para a fibromialgia, estes apresentam um melhor custo-benefício quando comparados aos tratamentos farmacológicos, além de serem mais seguros e proporcionar benefícios à saúde do paciente.

Entre as práticas não farmacológicas estão a reabilitação, acupuntura, educação alimentar, os exercícios físicos, hidroterapia, eletroestimulação transcutânea, Terapia Cognitivo Comportamental, entre outros.

TécnicaDescrição
Exercício regularmenteO exercício regular pode ajudar a manter a saúde geral, melhorar a força e flexibilidade e reduzir a dor.
Descanse o suficienteO descanso e o sono adequados são essenciais para controlar os sintomas da fibromialgia.
Coma uma dieta saudávelComer uma dieta equilibrada e nutritiva pode ajudar a reduzir a inflamação e fornecer ao corpo nutrientes essenciais necessários para a cura.
Pratique técnicas de relaxamentoO estresse pode piorar os sintomas da fibromialgia, portanto, técnicas de relaxamento como yoga, respiração profunda e imaginação guiada podem ajudar.
Tome medicamentoMedicamentos como AINEs, relaxantes musculares e antidepressivos podem ser prescritos para ajudar a reduzir a dor e a fadiga associadas à fibromialgia.
Participe de terapia cognitiva comportamentalA TCC pode ajudar a gerenciar a dor e melhorar a qualidade de vida, ajudando a identificar e mudar padrões de pensamento negativos.
Procure apoioO apoio da família, amigos e de um provedor de cuidados de saúde pode ajudar as pessoas a lidar com os sintomas da fibromialgia.

Tratamento por camadas, não por uma medida única

Fibromialgia envolve dor difusa, fadiga, sono não reparador e maior sensibilidade à dor. Por isso, um único remédio raramente resolve tudo. O plano costuma funcionar melhor quando combina medidas físicas, psicológicas e medicamentosas com metas funcionais claras.

Camada do tratamentoObjetivo
Educação sobre a síndromeReduzir medo, entender flutuações e evitar exames repetidos sem indicação.
Exercício aeróbico e fortalecimento gradualMelhorar função e tolerância sem provocar piora por excesso de carga.
Sono e saúde mentalTratar insônia, ansiedade, depressão ou trauma quando coexistem.
Medicamentos selecionadosReduzir dor, sono ruim ou sintomas associados em alguns pacientes.

Quando reavaliar o diagnóstico ou o plano

Febre, perda de peso inexplicada, inflamação articular objetiva, fraqueza progressiva, alteração neurológica, anemia importante ou dor claramente localizada e progressiva não devem ser explicados automaticamente por fibromialgia.

Na prática, acompanhe dois ou três marcadores: sono, capacidade de caminhar ou trabalhar, número de crises, uso de resgate e recuperação após atividade. Se o plano só aumenta repouso, exames e remédios sem melhorar função, merece revisão.

Quando procurar avaliação ou revisar o plano

Reavalie o diagnóstico se surgirem febre, perda de peso, inflamação articular visível, fraqueza progressiva, alteração neurológica, anemia importante, dor noturna progressiva ou limitação nova e localizada. Esses achados podem indicar outra condição junto ou no lugar da fibromialgia.

O que observar no tratamento

MarcadorComo usar
SonoQualidade do sono costuma influenciar dor e fadiga.
FunçãoCaminhar, trabalhar e cuidar da casa importam mais que só nota de dor.
Piora após exercícioPode indicar progressão rápida demais, não falha do tratamento.
Efeitos de remédiosSonolência, tontura e ganho de peso podem mudar a escolha.

Fisioterapia para fibromialgia

O tratamento com fisioterapia envolve exercícios terapêuticos, como massagem, alongamento muscular, crioterapia e termoterapia, de modo a controlar os sintomas da fibromialgia e recuperar as funções comprometidas causadas pela doença, proporcionando a melhoria da qualidade de vida do paciente.

Em 2002, Marques e colaboradores relataram, por meio dos resultados de uma revisão da literatura, que a fisioterapia tem um papel importante na diminuição do impacto dos sintomas da fibromialgia, melhorando os quadros de dor, a capacidade funcional, e restabelecendo a capacidade física dos pacientes.

Canabidiol (CBD) para fibromialgia: O que observar no tratamento

O óleo de canabidiol é um remédio natural cada vez mais popular para muitas condições, incluindo a fibromialgia. Acredita-se que funcione ligando-se aos receptores canabinóides no corpo, o que pode reduzir a inflamação e reduzir a dor. Pode ser usado com ou sem THC, que é o componente psicoativo da cannabis.

Quando usado para tratar a fibromialgia, acredita-se que o óleo CBD reduza a dor crônica, diminua os espasmos musculares e melhore o sono. Também pode ajudar a reduzir a depressão e a ansiedade associadas à doença. Além disso, acredita-se que melhore o apetite, reduza a inflamação e reduza a fadiga geral.

É importante observar que a pesquisa sobre a eficácia do óleo CBD para fibromialgia ainda é limitada. É melhor discutir os riscos e benefícios potenciais do óleo CBD com seu médico antes de usá-lo como opção de tratamento.

Benefícios possíveis do CBD
Reduz a inflamação
Alivia a dor
Melhora o sono
Alivia a ansiedade
Reduz náuseas

Acupuntura para fibromialgia

A acupuntura, uma técnica milenar originada na China, vem se destacando como um tratamento não farmacológico da fibromialgia. Essa técnica já demonstrou ser eficaz no controle da dor e de outros sintomas causados pela doença. Consiste na estimulação dos pontos energéticos vitais, por meio da inserção de agulhas em pontos específicos do corpo, trazendo alívio e diminuição das dores.

Os pacientes diagnosticados com fibromialgia apresentam um quadro de desequilíbrio energético nos rins, baço e fígado, o que leva ao excesso de energia e aparecimento dos sintomas de dor crônica no sistema musculoesquelético. A técnica da acupuntura reequilibra e libera o fluxo de energia acumulada nesses pontos[7].

A quantidade de sessões é definida pelo profissional médico de acordo com os sintomas do paciente, e cada sessão dura entre 30 a 40 minutos.

A acupuntura pode ter efeito analgésico local e central (sistema nervoso central, sistema supressor descendente de dor) para alívio das dores da fibromialgia.

Educação alimentar

A educação alimentar relaciona a alimentação do paciente com sua saúde geral.

Vários estudos já comprovaram que uma alimentação saudável é capaz de prevenir e até curar certas doenças, devido suas propriedades nutracêuticas.

Em se tratando da fibromialgia, realizar refeições equilibradas e nutritivas, mantendo um bom nível de hidratação, pode aliviar alguns sintomas da doença.

Conclusão

Todos os medicamentos e tratamentos não-farmacológicos apresentados ajudam a controlar os sintomas.

No entanto, ainda não existem medicamentos e tratamentos não farmacológicos que sejam totalmente eficazes para a fibromialgia, da mesma forma que não existe um medicamento específico. É importante que esses tratamentos sejam combinados entre si, de forma individualizada.

Consulte sempre seu médico antes de utilizar quaisquer dos medicamentos citados, pois existem algumas preocupações de segurança relacionadas à alguns fármacos, como é o caso dos antidepressivos tricíclicos, e apenas um profissional especializado poderá determinar as doses e o tempo de uso, levando em conta as condições específicas de cada paciente.

Fontes e leitura útil

  • NIAMS: Fibromyalgia
  • EULAR patient summary: Managing fibromyalgia
Referências bibliográficas7 fontes
  1. 1.
    Sarzi-Puttini P, Giorgi V, Marotto D, Atzeni F. Fibromyalgia: an update on clinical characteristics, aetiopathogenesis and treatment. Nature Reviews Rheumatology. 2020 Nov;16(11):645-60.
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  2. 2.
    Rooks DS. Fibromyalgia treatment update. Current Opinion in Rheumatology. 2007 Mar 1;19(2):111-7.
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  3. 3.
    O’Malley PG, Balden E, Tomkins G, Santoro J, Kroenke K, Jackson JL. Treatment of fibromyalgia with antidepressants. Journal of general internal medicine. 2000 Sep;15(9):659-66.
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  4. 4.
    Häuser W, Ablin J, Fitzcharles MA, Littlejohn G, Luciano JV, Usui C, Walitt B. Fibromyalgia. Nature reviews Disease primers. 2015 Aug 13;1(1):1-6.
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  5. 5.
    Macfarlane GJ, Kronisch C, Dean LE, Atzeni F, Häuser W, Fluß E, Choy E, Kosek E, Amris K, Branco J, Dincer Fİ. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Annals of the rheumatic diseases. 2017 Feb 1;76(2):318-28.
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  6. 6.
    Berger AA, Keefe J, Winnick A, Gilbert E, Eskander JP, Yazdi C, Kaye AD, Viswanath O, Urits I. Cannabis and cannabidiol (CBD) for the treatment of fibromyalgia. Best Practice & Research Clinical Anaesthesiology. 2020 Sep 1;34(3):617-31.
    Voltar [6]
  7. 7.
    Martin DP, Sletten CD, Williams BA, Berger IH. Improvement in fibromyalgia symptoms with acupuncture: results of a randomized controlled trial. InMayo Clinic Proceedings 2006 Jun 1 (Vol. 81, No. 6, pp. 749-757). Elsevier.
    Voltar [7]

Arquivado em: Dor, Reumatologia

Dor nas costas do lado esquerdo: causas e alertas

22 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Dor nas costas do lado esquerdo não é um diagnóstico: pode ser muscular, articular, nervosa, renal, abdominal ou sinal de doença sistêmica. O lado ajuda a localizar a queixa, mas a urgência depende de trauma, febre, sintomas urinários, perda de força, alteração de sensibilidade, perda de peso e evolução.

O lado esquerdo ajuda, mas não fecha a causa

Dor que piora ao dobrar, carregar peso, girar o tronco ou ficar muito tempo sentado sugere origem musculoesquelética. Pode envolver músculos paravertebrais, quadrado lombar, articulações facetárias, sacroilíaca ou disco. Ainda assim, dor unilateral também pode vir de rim, abdome, pelve ou raiz nervosa.

A pergunta clínica é: a dor muda com movimento ou vem em cólica? Irradia para a perna? Vem com febre, náusea, sangue na urina, ardor ao urinar ou mal-estar? Começou depois de queda? Esses detalhes mudam a prioridade.

PadrãoHipótese a considerarO que muda a conduta
Dor ao mover/carregarMúsculo, articulação ou disco.Função e evolução.
Cólica em flancoCálculo renal possível.Sangue na urina, vômitos, febre.
Dor para pernaRaiz nervosa possível.Força, reflexos e sensibilidade.
Febre/perda de pesoCausa sistêmica possível.Investigar sem esperar.

Quando pode observar e quando não deve

Quadro leve, recente, sem trauma, sem febre, sem sintomas urinários e sem perda de força pode ser observado por curto período com atividade tolerada, calor, ajuste de carga e analgesia segura quando apropriada. Repouso absoluto prolongado costuma atrasar recuperação.

Procure atendimento rápido se houver fraqueza progressiva, anestesia em sela, retenção urinária, perda de controle de urina ou fezes, febre com dor lombar, trauma importante, histórico de câncer, perda de peso inexplicada, dor intensa que não melhora ou dor em cólica com vômitos e sangue na urina.

Mecânica: piora com postura e carga.
Renal: cólica, urina e náusea pesam.
Nervo: irradiação, força e sensibilidade.
Alerta: febre, trauma, perda de controle.

Exames não são automáticos

Radiografia, tomografia ou ressonância podem ser úteis quando há trauma, déficit neurológico, suspeita de infecção, câncer, fratura ou dor persistente sem melhora. Em lombalgia comum recente, exames precoces podem mostrar alterações antigas que não explicam a dor atual.

Urina e exames de sangue podem ser mais úteis quando há suspeita renal, infecção ou inflamação sistêmica. O tipo de exame deve responder a uma pergunta, não apenas “ver tudo”.

Como acompanhar evolução

Anote início, local, irradiação, movimentos que pioram, sintomas urinários, febre, remédios usados e impacto em sono, marcha e trabalho. Se melhora semana a semana, a conduta costuma ser diferente de dor que migra, piora ou passa a limitar força.

Muscular, nervosa ou renal: como o padrão ajuda

Dor muscular geralmente é mais localizada e muda com postura, contração ou palpação. Dor de raiz nervosa pode descer para nádega, coxa, perna ou pé, com formigamento, choque ou perda de força. Dor renal costuma ser mais profunda, em flanco, muitas vezes em ondas, e pode vir com náusea ou alteração urinária.

Mesmo assim, padrões se sobrepõem. Uma pessoa pode ter lombalgia e cálculo renal em momentos diferentes. Por isso, sintomas associados e evolução pesam mais do que tentar adivinhar apenas pelo lado.

Medicamentos e limites do autocuidado

Anti-inflamatórios podem ser inadequados para quem tem doença renal, gastrite, anticoagulantes, pressão descontrolada ou doença cardíaca. Relaxantes podem dar sono. Analgésico pode permitir movimento, mas não deve mascarar piora neurológica, febre ou dor em cólica intensa.

Se a dor melhora com caminhada leve e piora com repouso prolongado, manter atividade tolerada pode ajudar. Se cada movimento piora rapidamente, há febre ou sintomas urinários importantes, o plano muda.

Como voltar às atividades

Quando não há alerta, volte por tarefas pequenas: caminhar, levantar da cadeira, dobrar menos o tronco, alternar posições e retomar carga aos poucos. Ficar imóvel até “zerar” a dor pode aumentar medo e perda de condicionamento.

Se a dor impede dormir, trabalhar ou andar, mesmo sem alerta clássico, vale avaliação programada. Função também é critério clínico.

Não confunda lado com gravidade

Dor à esquerda pode ser leve ou importante; dor no meio também. Gravidade vem da combinação entre intensidade, evolução, sinais neurológicos, sinais sistêmicos e contexto pessoal. Idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas com câncer prévio merecem margem maior.

Se a dúvida é recorrente, leve exames antigos e descreva episódios anteriores. Saber se é padrão repetido ou dor nova muda a investigação.

Se a dor é nova e diferente das crises anteriores, trate como novo episódio. Histórico ajuda, mas não deve impedir reavaliação quando o padrão muda.

Quando houver dúvida entre rim e coluna, sintomas urinários e exame físico ajudam a escolher o caminho.

Compare com episódios prévios.

Reavalie se o padrão mudar.

Em muita gente, a dor é mecânica: piora com movimento, postura, esforço, treino ou tempo sentado. Mas dor lateral profunda, em cólica, associada a náusea, sangue na urina ou ardor ao urinar pode apontar para rim ou vias urinárias.

Como separar dor esquerda por camadas

Dor nas costas do lado esquerdo fica mais clara quando é lida por camadas. A primeira camada é mecânica: músculo, articulação facetária, disco, sacroilíaca ou dor miofascial. A segunda é neurológica: dor que irradia, formigamento, alteração de força ou reflexos. A terceira é visceral: rim, vias urinárias, intestino, pâncreas, pleura ou outros órgãos podem projetar dor para costas e flanco.

Essa separação evita dois erros comuns: tratar toda dor como “mau jeito” ou pedir imagem da coluna para um quadro que parece renal, abdominal ou infeccioso. O exame físico e a evolução orientam qual caminho faz mais sentido.

CamadaPistas úteisO que muda
MecânicaPiora ao dobrar, girar, levantar peso ou ficar sentado.Movimento graduado e reabilitação tendem a pesar mais.
NervoDor descendo para perna, dormência, perda de força.Exame neurológico e reavaliação se piora progressiva.
Rim/flancoCólica, náusea, sangue na urina, ardor ou febre.Urina, imagem ou avaliação clínica podem ser mais relevantes que ressonância lombar.
SistêmicaFebre, perda de peso, câncer prévio, dor noturna progressiva.A margem para observar em casa fica menor.

O que torna o acompanhamento mais objetivo

Use marcadores funcionais: tempo sentado sem piorar, distância caminhando, qualidade do sono, capacidade de levantar da cadeira e presença de irradiação. Se a dor reduz, mas a perna fica mais fraca, isso não é melhora segura. Se a nota de dor continua parecida, mas a pessoa anda melhor e dorme melhor, pode haver recuperação funcional real.

Primeira separação: lombar ou flanco?

PadrãoMais compatível comAtenção
Piora ao dobrar, levantar peso ou girarDor mecânica/muscular.Acompanhar função e melhora gradual.
Dor em cólica, profunda, indo para virilhaCálculo renal pode entrar no diferencial.Observar urina, náusea e intensidade.
Dor com febre e mal-estarInfecção ou inflamação sistêmica.Avaliação mais rápida.
Dor com fraqueza ou perda de sensibilidadeCompressão neurológica ou outro quadro.Não esperar apenas com repouso.

Causas musculoesqueléticas comuns

Sobrecarga muscular, irritação facetária, hérnia de disco, sacroilíaca, contratura e dor miofascial podem causar dor de um lado. A dor pode travar movimentos, piorar ao levantar da cadeira ou irradiar para glúteo e perna.

Nesses casos, repouso absoluto prolongado costuma atrasar retorno funcional. O cuidado geralmente envolve adaptação temporária de esforço, analgesia quando indicada, mobilidade leve e progressão gradual. Se a dor não melhora, volta sempre ou irradia com formigamento, a avaliação ajuda a ajustar o plano.

Causas renais e abdominais

O rim fica na região posterior do abdome, e problemas como cálculo ou infecção podem ser percebidos como dor nas costas ou no flanco. Dor forte em ondas, náusea, vômitos, sangue na urina, ardor, urgência urinária ou febre mudam a leitura.

Gases e constipação podem causar desconforto, mas não devem explicar automaticamente dor intensa, persistente ou associada a febre, vômitos, barriga rígida, sangue nas fezes ou perda de peso.

Sinais de alerta

  • Fraqueza progressiva, dormência em sela ou perda de controle urinário/fecal.
  • Febre, calafrios ou dor associada a infecção.
  • Trauma, queda ou dor em pessoa com osteoporose.
  • Câncer prévio, perda de peso ou dor noturna progressiva.
  • Sangue na urina, cólica intensa ou vômitos persistentes.

O que observar por alguns dias

Se a dor é leve a moderada, sem sinais de alerta, registre o que piora, o que alivia, se há irradiação, qual movimento limita e se a função melhora. A melhora funcional é mais útil que apenas “dor 0 a 10”. Conseguir caminhar melhor, dormir melhor e voltar a atividades simples indica direção favorável.

Quando exames entram

Nem toda dor lombar precisa de imagem imediata. Exames são mais úteis quando há sinal neurológico, trauma, suspeita de infecção, câncer, cálculo renal, dor persistente sem melhora ou decisão terapêutica dependente do resultado. Fazer ressonância cedo demais pode encontrar alterações que não explicam a dor.

O objetivo é conectar história, exame físico e evolução. Dor do lado esquerdo não é uma sentença; é uma pista que precisa ser lida com o restante do quadro.

O que costuma ser feito no exame físico

O profissional avalia postura, marcha, amplitude de movimento, pontos dolorosos, força, reflexos, sensibilidade, sinais de irritação neural e abdome/flanco quando a história sugere rim ou órgão interno. Essa avaliação evita reduzir todo quadro a “mau jeito”.

Se a dor irradia para perna com formigamento, perda de força ou alteração de reflexos, a hipótese neural ganha peso. Se a dor é muito localizada no flanco, com sintomas urinários, urina escura ou náuseas, o caminho muda para rins e vias urinárias.

Cuidados iniciais seguros

Para dor mecânica sem alerta, manter atividade leve costuma ser melhor que ficar imóvel. Caminhadas curtas, calor local ou gelo conforme alívio, sono adequado e evitar carga provocativa ajudam a atravessar a fase aguda. A volta a treino deve ser progressiva.

Anti-inflamatórios podem aliviar, mas não são inofensivos. Histórico de gastrite, doença renal, pressão alta, anticoagulantes, doença cardíaca e idade avançada mudam segurança. Relaxantes musculares podem dar sono e não devem ser combinados com álcool ou direção sem cuidado.

Quando procurar urgência

SinalPossível preocupação
Perda de controle urinário ou fecalCompressão neurológica importante.
Febre com dor lombarInfecção precisa ser descartada.
Sangue na urinaCálculo ou outra causa urinária.
Dor após queda em idosoFratura pode ocorrer com trauma menor.

Como saber se está melhorando

Melhora real aparece como mais tolerância para caminhar, sentar, virar na cama e realizar atividades básicas. Se a dor apenas muda de lugar, aumenta a área, começa a descer para a perna ou passa a acordar à noite, a reavaliação é mais importante que trocar de remédio.

Dor que desce para a perna

Quando a dor lombar esquerda desce para glúteo, coxa, perna ou pé, pode haver irritação de raiz nervosa, como no ciático. Formigamento leve e transitório tem leitura diferente de perda de força, pé caindo, dormência progressiva ou dor incapacitante.

O tratamento inicial pode envolver manter movimento tolerável, ajustar carga e controlar dor, mas sinais neurológicos progressivos pedem reavaliação. O objetivo é preservar função, não apenas reduzir a intensidade por algumas horas.

Trabalho, treino e sono

Dor lombar frequentemente piora quando a rotina combina muito tempo sentado, sono ruim, retorno brusco ao exercício e carga repetitiva. Ajustar pausas, altura de tela, técnica de levantamento e progressão do treino pode ser tão importante quanto remédio.

Se a dor só melhora durante o repouso absoluto e volta em qualquer atividade, o plano precisa evoluir para reabilitação graduada.

Quando voltar à atividade

Voltar a caminhar, trabalhar ou treinar deve seguir tolerância. Uma dor que reduz durante o movimento leve e não piora no dia seguinte costuma permitir progressão gradual. Dor que aumenta em ondas, acorda à noite ou derruba a função pede revisão.

Para quem tem crises recorrentes, o objetivo não é só passar a crise atual. É identificar padrões de carga, fraqueza, mobilidade, ergonomia, estresse e sono que deixam a lombar vulnerável.

Fontes usadas nesta revisão

As fontes abaixo ajudam a conferir definições, sinais de alerta, limites do cuidado e pontos de acompanhamento citados no artigo.

  • AAOS: low back pain
  • Cleveland Clinic: flank pain
  • NIDDK: kidney stones symptoms and causes
  • AAFP: mechanical low back pain

Fontes e leitura útil

  • AAOS: low back pain
  • AAFP: mechanical low back pain
  • ACP: noninvasive low back pain treatments
  • NIDDK: kidney stone symptoms

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Whey protein: concentrado, isolado ou hidrolisado

22 de dezembro de 2022 by Cassia Góes

O melhor whey é o que encaixa na necessidade de proteína, tolerância digestiva, orçamento e objetivo. Concentrado, isolado e hidrolisado não “hipertrofiam” por si só; o efeito depende do total de proteína do dia, treino, sono, calorias e regularidade.

Se você está em dúvida sobre qual o Whey Protein é o melhor para a sua dieta, então, está no lugar certo.

Quantas vezes você se viu perdido(a) em meio a tanta variedade de marcas, tipos, embalagens e preços? E a pergunta que fica é: qual vai dar mais resultado? Qual vai hipertrofiar mais? Certo?

SURPRESA!

Se eu te disser que em primeiro lugar o whey protein não é exclusivo para quem treina! Exatamente isso!
O whey protein pode e deve ser administrado como um nutriente essencial à dieta.
O que é Whey protein?

Algumas pessoas pensam que whey protein é a principal proteína do leite e isso é um erro bem comum, pois, a principal proteína do leite chama-se caseína, que por sua estrutura grande é um tanto quanto “indigesta” e inflamatória para o nosso intestino.

O whey protein é sim uma proteína obtida do soro do leite, de baixo peso molecular e, portanto, não faz mal ao intestino.

Superinteressante

Você sabia que o whey protein possui uma quantidade considerável de BCAA? O BCAA é uma importante proteína, presente nosso corpo, que auxilia na manutenção do bom funcionamento orgânico e que pode se traduzir em longevidade.

Além disso, o whey protein contém uma globulina chamada lactoferrina, que atua no sistema imunológico e protege você contra doenças virais.

Feitas essas observações superinteressantes, vamos continuar e responder o porquê você não deve comprar whey sem antes ver isso?

Ao chegar em uma loja nos deparamos com várias marcas, tipos… E nos perguntamos qual seria o melhor e as diferenças?

Existem basicamente 3 tipos de whey:

  • Concentrado;
  • Isolado;
  • Hidrolisado.

Existe Whey Protein de diferentes marcas, porém, de boa qualidade e não sendo fraudado o torna suficiente para nos atender.


Diferenças entre Whey Protein Concentrado, Isolado e Hidrolisado

Esclarecendo a diferença entre eles:

WHEY PROTEIN CONCENTRADO

Ele é considerado a porta de entrada dos Whey Protein mais populares. Possui oitenta por cento (80%) de concentração de proteínas e presença de carboidratos.

Dentre eles, a lactose, que pode gerar intolerância ou se a pessoa já for intolerante, pode ser prejudicial. Então fique “ligado”!

Resumindo: o whey protein concentrado é excelente e tem alto valor biológico. Porém, possui carboidratos em um nível maior que os outros, dentre os carboidratos a lactose (dissacarídeo) presente no leite.

E pode conter traços de caseína em maior quantidade que os demais. Logo, pode ser mais indigesto em comparação aos outros e impróprio para intolerantes a lactose.

WHEY PROTEIN ISOLADO

Ele tem maior quantidade de proteínas que o concentrado, no mínimo noventa por cento (90%) e NÃO possui lactose.

Ou seja, menor quantidade de carboidrato, não causa problemas para intolerantes a lactose e as gorduras que já são poucas, tem ainda menos, tornando-as irrelevantes.

Uma observação muito importante é que o isolamento da proteína deve ser feito através do processo conhecido como cross-flow- método de isolar a proteína whey e que vai garantir que ela não desnature. Verifique na embalagem essa informação.

WHEY PROTEIN HIDROLISADO

Nada mais é do que um whey que passou por processo de pré-digestão. Sendo assim os aminoácidos que estavam em moléculas maiores, são quebrados em partículas menores, tudo fora do seu corpo e com isso o processo digestivo é muito mais rápido.

O principal aqui é a facilidade de absorção. O que difere esse whey- hidrolisado- de um isolado, não é exatamente o tanto de proteína absorvida e sim a velocidade de absorção.

Este whey é indicado principalmente para pessoas com problema de digestão de proteínas, como os idosos… E para os que fizeram cirurgia bariátrica.

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Outras Variações

Existem ainda os blends- 2W, 3W e até 4W

• São a mistura de diferentes tipos de whey.

Para você saber qual o tipo em maior quantidade, verifique quem aparece em primeiro lugar na composição descrita no rótulo, porém, é muito importante lembrar que haverá a presença nessas variações da lactose, se tornando impróprio para intolerantes a esta molécula e para quem necessita de proteína em moléculas menores, também terão dificuldade em utilizar essas variações.

Dicas de Ouro

• O whey protein deve ser utilizado não só por quem pratica exercício, pois, seus benefícios nutricionais/funcionais são para todos, inclusive atuando contra a sarcopenia- condição associada a longevidade.

• Para quem pratica o exercício, a diferença na hora da escolha deve ser principalmente pelas questões: presença de lactose (intolerância), necessidade de auxílio para absorção (menor molécula). Fora isso, fica a critério a compra do tipo.

Pois, a quantidade de proteína a ser consumida será a mesma, a variação será na quantidade de produto, para se conseguir a quantidade proteica ideal. Em relação aos carboidratos e gorduras, muitos nutricionistas consideram irrelevante.

• Em relação ao blend- talvez seja contraproducente o seu uso, visto que ele possui um mix de whey e consequentemente lactose e macromoléculas.

• Procure sempre um profissional capacitado para a prescrição de suplementos e nutracêuticos, a fim de, não causar distúrbios e ter o resultado esperado do produto.

O que muda o efeito na dieta

FatorComo avaliar
PorçãoCompare a quantidade do prato com a porção do rótulo ou da receita.
PreparoFritura, açúcar, creme, óleo e bebidas calóricas mudam bastante o resultado.
FrequênciaConsumo eventual e hábito diário têm impactos diferentes.
Condição clínicaDiabetes, doença renal, alergias, gestação e transtornos alimentares pedem ajuste próprio.

Como escolher entre concentrado, isolado e hidrolisado

TipoQuando pode fazer sentidoLimite
ConcentradoCusto menor e boa opção para quem tolera lactose.Tem mais carboidrato e gordura que o isolado.
IsoladoMaior teor de proteína por dose e menos lactose.Geralmente custa mais.
HidrolisadoProteína parcialmente quebrada; pode ser usado em contextos específicos.Não garante maior hipertrofia para a maioria.
Sem wheyOvos, carnes, leite, iogurte, leguminosas ou proteína vegetal podem cumprir o papel.Depende do total diário e da distribuição das refeições.

Quem tem doença renal, alergia à proteína do leite, intolerância importante, doença hepática ou usa dieta muito restritiva deve individualizar. Suplemento também precisa de rótulo claro, dose coerente e ausência de promessas exageradas.

Fontes: MedlinePlus: proteínas na dieta; FDA: suplementos alimentares.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

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Prednisona Engorda? Faz retenção de líquidos?

22 de dezembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Prednisona pode aumentar apetite, retenção de líquido e peso, principalmente em doses maiores ou uso prolongado. Também pode alterar glicemia, pressão, sono e humor. O risco muda conforme dose, tempo, doença tratada e outros remédios; não suspenda corticoide de uso contínuo por conta própria.

Mudanças de peso durante o uso de prednisona podem envolver a dose, o tempo de uso, o apetite e a retenção de líquidos. Converse com o médico antes de alterar o tratamento.

Existe um mito por trás de muitos medicamentos sobre “engordar” o paciente que faz uso.

Corticoides podem ser muito úteis, mas o risco muda com dose e tempo de uso: glicose, pressão, sono, humor, estômago, infecções, pele e ossos precisam de atenção. Uso prolongado não deve ser interrompido de repente sem plano profissional.

Seja por condições genéticas como uma doença autoimune, seja por um quadro clínico pontual de inflamações ou por quaisquer outros tratamentos, os corticoides são muito indicados pela sua eficiência e até mesmo pelo seu custo acessível aos pacientes, a prednisona nas doses de 5mg e de 20mg inclusive estão na lista da Remume (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais) e podem ser retiradas nos postos de saúde distribuídos pelas regiões e pertencentes ao Sistema Único de Saúde – gratuitamente, mas é válido ressaltar que as prescrições devem estar dentro dos padrões de validação e dentro do prazo de vigência.

O ganho de peso é um efeito colateral comum da prednisona (principalmente após uso prolongado). A prednisona também pode causar uma redistribuição de gordura na face, nuca e abdômen, embora essas mudanças variem de pessoa para pessoa[1].

De um modo geral, quanto maior a dose e quanto mais longo o tratamento, maiores as alterações.

Tratamentos devem ser prescritos por um médico

prednisona-ganho-de-peso

Não é correto falar que um medicamento faz com que o paciente ganhe massa gorda ou atribuir à prednisona a capacidade de engordar sem que sejam associadas outras questões, mas devemos fazer uma análise farmacológica mais abrangente para entendermos algumas reações adversas que podem acontecer com o uso desta droga[2].

É válido ressaltar que todos os tratamentos devem ser prescritos por um profissional médico habilitado e o acompanhamento da evolução do quadro, exames clínicos e ter uma rede de apoio credenciada irá definir o sucesso do plano clínico[3].

prednisona engorda

Todos os medicamentos podem causar reações adversas e é de extrema relevância que o médico seja informado de intercorrências durante o tratamento, além disso, o farmacêutico é um profissional habilitado para tirar dúvidas sobre os medicamentos, reações adversas e até mesmo verificar inconsistências nas prescrições.


Engordar é sobre aumento de peso e medidas

Quando falamos em engordar, estamos falando sobre aumento de peso e medidas, mas para que isso aconteça é necessária a junção de diversos fatores.

Sobre o questionamento proposto, devemos analisar alguns aspectos de farmacodinâmica dos corticoides e entender que podem haver alterações as quais estão infelizmente associadas ao uso dos mesmos – e também de  outras classes medicamentosas, como antidepressivos e contraceptivos, por exemplo e não somente estes -, colaborando então com a retenção de líquido por meio da retenção de água e sódio que podem dar a sensação de aumento de gordura.

Porém é apenas um acúmulo de líquido nos tecidos gerando o que chamamos na medicina de edema (inchaço).

Então para o questionamento proposto, a resposta é:

Prednisona não gera nenhum aumento de massa gorda (gordura) ou magra (tecido muscular), mas colabora com a retenção de líquidos dando uma sensação de ganho de massa, alterando o volume corporal.


Função base da Prednisona

indicacoes-da-prednisona

A função base da prednisona como corticoide é reduzir a inflamação sistêmica e como fora mencionado, é utilizada em muitos casos: lúpus, problemas renais, problemas endócrinos, alergias graves, artrite e inflamações, para cada uma das patologias é recomendada uma dose e também um período de tratamento, variáveis e que seguem critérios clínicos exclusivos do profissional médico.

Na literatura é possível observar relatos de pacientes que tiveram uma considerável retenção de líquidos e também o que chamamos de “face de lua”, além de inchaço abdominal. Discutiremos então um pouco sobre essas situações.

O que é a Síndrome de Cushing?

Com o uso prolongado e com doses elevadas dos corticoides, dentre eles o uso da prednisona, existe uma síndrome chamada de “face de lua” – clinicamente também chamada de Síndrome de Cushing e também de hipercortisolismo, resumidamente refere-se à exposição prolongada aos corticóide – também chamados nesta classe de corticosteróides – que ocorre pelo aumento do cortisol – que é um hormônio produzido pelas glândulas adrenais que estão acima dos rins e é conhecido como o “hormônio do estresse”.

SintomaDescrição
Ganho de pesoGanho de peso inexplicável, principalmente na face, abdômen e parte superior das costas.
Pressão altaPressão arterial frequentemente alta, difícil de controlar.
Rosto vermelho e inchadoRosto vermelho, redondo e inchado, principalmente pela manhã.
Suor excessivoSuor excessivo, especialmente à noite ou quando se sente calor.
Pele finaPele fina no rosto, braços e pernas, que se machuca facilmente.
Estrias roxasEstrias roxas no abdômen, coxas e seios.
FadigaFadiga e fraqueza muscular.
Dor de cabeçaDor de cabeça e dores no corpo.
Mudanças de humorAlterações de humor, depressão e irritabilidade.

A síndrome de Cushing não ocorre apenas com o uso da prednisona e não é uma regra que todos os pacientes que fazem uso terão essa síndrome, mas é uma reação relatada na literatura devido ao uso prolongado e elevado de corticóides. O uso de corticóides por períodos curtos geralmente não está associado ao aumento de peso ou à síndrome descrita e também não é uma regra que isso aconteça, irá variar de acordo com a exposição dentro da relação dose versus período.

inchaço abdominal

Outra questão relacionada ao uso dos corticóides é a perda da massa magra devido ao balanço nitrogenado negativo por conta do catabolismo proteico, ou seja, dependendo do nível de exposição aos corticóides os pacientes relatam perda de massa magra ou massa muscular, especialmente aqueles que praticam atividades físicas regularmente.

Mas o ganho de peso estará relacionado a diversos fatores e o progresso positivo do tratamento depende desta junção entre benefícios, reações adversas e efeitos prejudiciais: aumento da retenção de líquido, perda de massa magra, aumento no apetite, falta de prática de atividades físicas, dentre outros efeitos prejudiciais.

Porém a medicina e a saúde caminham unidas, não há nada que não seja possível reverter ou atenuar se houver comprometimento por parte do paciente e um trabalho assertivo da equipe multidisciplinar. Outro fato importante de relatar é a necessidade de seguir o tratamento prescrito.

Muitos pacientes cessam o uso da prednisona quando se sentem “inchados”, dependendo da dose, é necessário fazer um “desmame”, ou seja, parar gradualmente com um esquema terapêutico de decrescente.

Outros efeitos adversos da prednisona

Efeito colateralDescrição
Dor de cabeçaDor na cabeça
NáuseaSensação de enjôo
Retenção de líquidosExcesso de líquido no corpo
InsôniaDificuldade para dormir
Mudanças de humorMudanças repentinas nas emoções
Ganho de pesoAumento inesperado no peso corporal
AcneErupções cutâneas
Fraqueza muscularPerda de força nos músculos

O que muda a segurança do uso

Anticoagulantes, doença renal, gravidez e antecedentes de alergia medicamentosa podem mudar a escolha do tratamento.

PontoPor que altera a decisão
IndicaçãoConfirma se o medicamento responde ao problema correto.
Dose e duraçãoReduz risco de uso insuficiente, excesso ou dependência.
InteraçõesEvita somar efeitos com álcool, sedativos, anticoagulantes ou anti-inflamatórios.
Efeitos adversosAjuda a separar reação esperada de sinal que pede revisão.

Antes de iniciar, suspender ou combinar medicamentos, organize nome, dose, horário, motivo do uso, alergias e doenças conhecidas. Essa lista encurta a consulta e reduz erro de comunicação.

Explore também no Blog da Saúde

  • Farmácia
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • MedlinePlus: medicamentos, ervas e suplementos
  • MedlinePlus: segurança de medicamentos
  • NCCIH: uso seguro de produtos complementares
  • MedlinePlus: corticosteroides
  • MedlinePlus: prednisona
Referências bibliográficas3 fontes
  1. 1.
    Bollet AJ, Black R, Bunim JJ. Major undesirable side-effects resulting from prednisolone and prednisone. Journal of the American Medical Association. 1955 Jun 11;158(6):459-63
    Voltar [1]
  2. 2.
    van Everdingen AA, Jacobs JW, Siewertsz van Reesema DR, Bijlsma JW. Low-dose prednisone therapy for patients with early active rheumatoid arthritis: clinical efficacy, disease-modifying properties, and side effects: a randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial. Annals of internal medicine. 2002 Jan 1;136(1):1-2.
    Voltar [2]
  3. 3.
    Ton FN, Gunawardene SC, Lee H, Neer RM. Effects of low‐dose prednisone on bone metabolism. Journal of Bone and Mineral Research. 2005 Mar;20(3):464-70.
    Voltar [3]

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Fadiga muscular: causas, recuperação e prevenção

22 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Fadiga muscular é a redução da capacidade de produzir força ou sustentar esforço; pode ser resposta esperada ao treino, mas também pode sinalizar recuperação inadequada, excesso de carga, doença sistêmica ou lesão muscular grave. O contexto decide se é adaptação normal ou alerta.

Fadiga não é tudo igual

Fadiga muscular após treino intenso pode ser normal. Já fraqueza verdadeira, queda de desempenho por semanas, falta de ar, febre, perda de peso, dor intensa ou urina escura pedem outra leitura. Também é diferente de dor muscular tardia, câimbra ou sonolência geral.

A fadiga pode ter mecanismos periféricos, como alterações de energia, íons e contração muscular, e mecanismos centrais, como menor recrutamento neural, sono ruim, dor, calor, estresse e motivação. Por isso, “falta de força de vontade” é explicação pobre.

PadrãoLeituraConduta
Após treino forteResposta esperada.Recuperar e progredir.
Por semanas com queda de performanceOverreaching/overtraining possível.Revisar carga e saúde.
Fraqueza focalNervo/músculo possível.Avaliar.
Dor intensa + urina escuraRabdomiólise possível.Urgência.

Carga, recuperação e adaptação

Treino cria fadiga; recuperação transforma estímulo em adaptação. Quando carga, sono, alimentação, hidratação e descanso estão desproporcionais, o corpo acumula fadiga e perde rendimento. O erro é insistir com mais intensidade quando o problema é recuperação.

Overtraining pode envolver queda persistente de performance, alteração de humor, sono ruim, frequência cardíaca alterada, maior percepção de esforço e infecções repetidas. Diagnóstico exige contexto, mas reconhecer o padrão evita meses de piora.

Normal: fadiga proporcional e recuperável.
Investigar: fraqueza nova, assimetria, sintomas sistêmicos.
Urgência: urina escura, dor intensa, confusão.
Prevenir: carga gradual, sono, proteína e hidratação.

Quando pode ser doença ou remédio

Hipotireoidismo, anemia, infecções, diabetes, doença renal, doença cardíaca, deficiência nutricional, depressão, distúrbios do sono e medicamentos podem se manifestar como fadiga. Estatinas, corticoides, sedativos e outros remédios também podem influenciar músculos em alguns pacientes.

Se a fadiga é nova, progressiva, desproporcional ao treino ou vem com perda de peso, febre, falta de ar, palpitações, dor no peito ou fraqueza objetiva, procure avaliação.

Retorno ao treino

Depois de uma fase de fadiga intensa, reduza volume e intensidade, mantenha movimento leve e retorne por etapas. Acompanhe sono, dor, desempenho, humor e recuperação entre sessões. O plano deve restaurar capacidade, não testar limite todos os dias.

Fadiga esperada depois do treino

Após uma sessão mais pesada, é esperado sentir redução temporária de força, dor muscular tardia e menor disposição por um ou dois dias. Isso deve melhorar com sono, alimentação, hidratação e treino leve. A fadiga esperada acompanha a carga feita.

Quando a fadiga é desproporcional, aparece sem treino, piora apesar de descanso ou vem com sintomas sistêmicos, ela deixa de ser apenas “treino bom”. A investigação deve olhar corpo inteiro.

Rabdomiólise não é dor muscular comum

Depois de esforço extremo, calor, desidratação ou treino muito acima do hábito, dor muscular intensa, inchaço, fraqueza marcada e urina escura podem indicar lesão muscular grave. Nessa situação, esperar passar pode colocar rim em risco.

Esse alerta é especialmente importante em desafios de academia, treinos militares, provas no calor e retorno abrupto após pausa longa.

Como ajustar sem parar tudo

Se a fadiga parece de treino, reduza volume por alguns dias, mantenha mobilidade, priorize sono e retorne com progressão. Se o rendimento despencou, faça uma semana mais leve antes de aumentar carga novamente.

Se a fadiga não melhora com descanso, investigue. Persistir no mesmo plano pode transformar sobrecarga recuperável em ciclo de piora.

Nutrição e hidratação

Carboidrato insuficiente, proteína baixa, pouca ingestão de líquidos e álcool podem piorar fadiga e recuperação. Em treinos longos ou calor, eletrólitos também podem importar. Não é preciso suplementar tudo; é preciso cobrir o básico.

Se há restrição alimentar, perda de peso rápida ou compulsão, o plano deve incluir orientação nutricional. Energia insuficiente derruba desempenho e aumenta risco de lesão.

Em atletas e trabalhadores braçais, planilha de treino ou carga de trabalho ajuda muito. Anote volume, intensidade, calor, sono, alimentação e dias de descanso. Sem esse mapa, a fadiga parece misteriosa, mas muitas vezes segue a carga acumulada.

Se a fadiga vem com dor torácica, falta de ar, desmaio, febre persistente ou fraqueza neurológica, a prioridade deixa de ser treino e passa a ser avaliação. Esses sinais podem apontar para problemas sistêmicos ou neurológicos.

Após virose, infecção ou período de cama, retorno ao exercício também deve ser gradual. O corpo pode perder condicionamento rapidamente, e insistir no volume anterior aumenta risco de recaída e lesão.

Embora muito progresso tenha sido feito no estudo da fadiga muscular, somos em grande parte incapazes de afirmar com certeza por que um indivíduo fica fatigado sob várias condições.


O que é fadiga muscular?

A fadiga muscular, ao que parece, pode referir-se a um déficit motor, uma percepção ou um declínio na função mental, pode descrever a diminuição gradual da capacidade de força do músculo ou do ponto final de uma atividade sustentada, e pode ser medido como uma redução na força muscular, uma mudança na atividade da eletromiografia ou um esgotamento da função contrátil.

Tal uso amplo é problemático, no entanto, porque a fadiga neste contexto pode abranger vários fenômenos que são cada um, uma consequência de diferentes mecanismos fisiológicos, reduzindo a probabilidade de que a causa da fadiga muscular pode ser identificada.


fadiga muscular

Sintomas de Fadiga Muscular

Sintomas comuns de fadiga muscular
Dor muscular
Cãibras musculares
Fraqueza muscular
Diminuição da amplitude de movimento
Falta de energia
Dificuldade para realizar atividades


Para contornar essa limitação, a maioria dos investigadores invoca uma definição mais focada de fadiga muscular como uma redução induzida pelo exercício na capacidade do músculo de produzir força ou potência, seja ou não a tarefa pode ser sustentada.

Uma característica crítica desta definição é a distinção entre a fadiga muscular e a capacidade de continuar a tarefa. Assim, a fadiga muscular não é o ponto de falha na tarefa ou o momento em que os músculos ficam exaustos. Em vez disso, a fadiga muscular é uma diminuição da força ou potência máxima que os músculos envolvidos podem produzir, e se desenvolve gradualmente logo após o início da atividade física sustentada.

Um protocolo comum usado para quantificar o desenvolvimento da fadiga muscular é interromper o exercício fatigante com contrações máximas breves (voluntárias ou evocadas eletricamente) para estimar o declínio na capacidade de força máxima.

Da mesma forma, a quantidade de fadiga muscular causada por uma intervenção pode ser quantificada como o declínio na força ou potência máxima medida imediatamente após a contração fatigante.


Exames para avaliação

Investigação inicial pode incluir:

ExameDescrição
Exames de sanguePara verificar anemia, função da tireoide, níveis de eletrólitos ou função renal e hepática.
Exames de imagemMRI ou tomografia computadorizada para verificar qualquer anormalidade estrutural nos músculos ou articulações.
Exames NeurológicosPara descartar condições médicas mais graves, como doenças neurológicas.


Como a fadiga influencia a função muscular?

Por definição, um músculo começa a sentir fadiga assim que seu máximo de força ou capacidade de potência começa a declinar. Quando a tarefa envolve sustentar uma contração máxima, o declínio do desempenho é paralelo ao aumento da fadiga. Quando a tarefa requer uma contração submáxima, no entanto, o início de fadiga provavelmente não está associado ao término da tarefa.

Como a maioria das atividades da vida diária envolve forças submáximas, o início da fadiga pode não limitar a capacidade de um indivíduo para realizar uma tarefa e, além disso, falha na tarefa pode não ser causada por fadiga dos principais músculos envolvidos na tarefa.

Nos esportes em que o desempenho deve ser sustentado por um período prolongado, a fadiga é representada pela incapacidade de sustentar a taxa de trabalho exigida. Este declínio na capacidade física coincide com o início de fadiga foi definida como uma capacidade reduzida de gerar o nível de força necessário.

As evidências disponíveis sugerem que existe uma ligação clara entre o ritmo de trabalho dos jogadores dentro de um jogo e suas capacidades físicas. As capacidades físicas de um indivíduo são parcialmente predeterminadas por sua ou seu potencial genético, embora a exposição ao treinamento sistemático também seja crucial. Esta sugestão pode ser ilustrada dentro de um contexto específico do futebol pelas relações observadas por Mohr e colaboradores entre as mudanças sazonais nas taxas de trabalho de partidas e a quantidade de treinamento completado por equipes de elite.

A taxa de trabalho durante as partidas, indicada pela corrida de alta intensidade, foi maior na fase da época em que os treinos eram mais frequentes. O congestionamento de equipamentos resultou em menos sessões de treinamento e um declínio subsequente no desempenho. Essas observações sugerem que um programa de treinamento bem estruturado e apropriado pode atuar como uma contramedida útil à fadiga durante os jogos.


esportes


Diagnóstico diferencial de fadiga muscular crônica

CondiçãoSintomasTestes de diagnóstico
Miastenia GravisFraqueza muscular, fadiga, visão dupla, pálpebras caídasExames de sangue, eletromiografia, eletromiografia de fibra única, tomografia computadorizada, ressonância magnética
Esclerose MúltiplaFraqueza muscular, fadiga, dormência, formigamento, visão turva, problemas de equilíbrioExames de sangue, punção lombar, ressonância magnética, teste de potencial evocado
PolimiositeFraqueza muscular, fadiga, dificuldade para engolir, dor nas articulaçõesExames de sangue, eletromiografia, biópsia muscular, tomografia computadorizada, ressonância magnética
FibromialgiaDor muscular, fadiga, dor de cabeça, dificuldade para dormirExames de sangue, ressonância magnética, teste de ponto de pressão
Síndrome da Fadiga CrônicaFraqueza muscular, fadiga, dor de cabeça, dificuldade para dormirExames de sangue, ressonância magnética, exame físico, polissonografia


Tratamentos possíveis em uma fase inicial

O fornecimento de carboidratos na preparação para um jogo e no dia de um jogo gerou muito interesse desde que os dados iniciais de Saltin demonstraram a importância do glicogênio muscular adequado nos músculos da coxa. Há um grande volume de literatura baseada em outros esportes de resistência para enfatizar a importância da ingestão de carboidratos. Especificamente, foi a ingestão diária de carboidratos para garantir que os jogadores devem adaptar sua ingestão de carboidratos diariamente para garantir combustível adequado para fins de treinamento e recuperação.


Tratamentos para fadiga muscular
Descansar
Alongamento
Massagem
Terapia de gelo/calor
Exercício corretivo
Mudanças nutricionais/dietéticas
Carboidratos
Cafeína

A cafeína tem sido usada em eventos de resistência para estimular a mobilização de gordura como combustível para exercícios e reservas de glicogênio. A creatina provou ser benéfica em exercícios repetitivos de curta duração em uma bicicleta ergométrica.

A evidência de que a fadiga ocorre durante um jogo de futebol competitivo é abrangente. O fenômeno ocorre em partidas de ritmo acelerado, bem como em ligas mais baixas, exigindo que os jogadores tenham um ritmo adequado para durar todo o jogo.

Vários meios estão disponíveis para ajudar a reduzir as consequências potencialmente adversas da fadiga e a eficácia de novas intervenções deve ser explorada. Ao administrar qualquer uma dessas estratégias disponíveis, o ritmo apropriado de esforço ao longo de todo o jogo deve ser considerado.


Fisioterapia e exercícios para fadiga muscular

ModalidadeDescrição
CrioterapiaA aplicação de frio ou gelo para reduzir a inflamação e reduzir a dor.
UltrassomO uso de ondas sonoras para penetrar na pele e proporcionar um efeito de massagem profunda.
Estimulação ElétricaO uso de corrente elétrica para estimular os músculos, reduzir o espasmo e promover a cicatrização.
TENSEstimulação nervosa elétrica transcutânea. O uso de corrente elétrica para impedir que os sinais de dor sejam enviados ao cérebro e modular dor local.
MassagemManipulação manual dos músculos para ajudar a melhorar a circulação e reduzir a dor.
AlongamentoAlongar os músculos para melhorar a amplitude de movimento, reduzir a rigidez e melhorar a flexibilidade.


Importância do diagnóstico e avaliação médica

A importância da investigação médica para determinar a causa da fadiga muscular não pode ser exagerada. Os médicos não podem diagnosticar e tratar com precisão a condição sem ele. Os médicos podem identificar as causas subjacentes da fadiga muscular, como uma condição médica subjacente, deficiências nutricionais, certos medicamentos ou esforço excessivo, por meio de investigação médica.

Um médico pode solicitar exames de sangue para verificar anemia, função da tireoide, níveis de eletrólitos ou função renal e hepática, por exemplo. Além disso, um médico pode solicitar exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, para detectar qualquer anormalidade estrutural nos músculos ou articulações.

As investigações médicas podem ajudar a identificar a causa precisa da fadiga muscular, permitindo que os médicos administrem um tratamento mais eficaz. Por exemplo, se uma condição médica subjacente for identificada, o tratamento será modificado de acordo.

Se forem descobertas deficiências nutricionais, modificações e suplementos dietéticos podem ser sugeridos. Se for determinado que os medicamentos estão contribuindo para a fadiga muscular, o médico pode ajustar a dosagem ou mudar para um medicamento diferente.

Além disso, exames médicos podem auxiliar na exclusão de condições médicas mais graves, como doenças neurológicas, que podem causar fadiga muscular.


Conclusão

Em conclusão, a fadiga muscular pode ser uma condição frustrante e difícil de controlar. No entanto, é possível reduzir os efeitos da fadiga muscular e retornar à saúde ideal com a ajuda de mudanças adequadas no estilo de vida e técnicas de fisioterapia.

Crioterapia, ultrassom, estimulação elétrica, estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), massagem e alongamento podem reduzir a dor e melhorar a circulação, facilitando o controle da fadiga muscular.

Com a combinação certa de modificações no estilo de vida e fisioterapia, você pode melhorar significativamente sua qualidade de vida.

Fontes e leitura útil

  • PMC: muscle fatigue review
  • PMC: central and peripheral fatigue
  • PubMed: overtraining syndrome statement
  • CDC/NIOSH: rhabdomyolysis

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

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Cominho Faz Mal para a Saúde?

22 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Cominho usado como tempero culinário costuma ser seguro para a maioria das pessoas. O cuidado muda com extratos concentrados, cápsulas, uso exagerado, alergia, gestação, anticoagulantes, remédios para diabetes ou cirurgia programada.

O cominho é um ingrediente culinário proveniente das sementes de Cuminum cyminum, uma espécie de planta vinda do sudeste asiático.

Cominho faz mal?

Para a maioria das pessoas, cominho usado como tempero culinário é diferente de cápsulas, extratos ou grandes quantidades. O ponto principal é observar tolerância individual: ardor, refluxo, náusea, alergia, uso de suplementos e doenças digestivas podem mudar uma recomendação que parece simples.

Tempero, suplemento ou irritação?

SituaçãoComo pensar
Uso culinárioPequenas quantidades em comida costumam ter impacto baixo e servem principalmente para sabor.
Extratos e cápsulasProdutos concentrados não devem ser tratados como se fossem apenas tempero de cozinha.
Sintomas digestivosSe piora refluxo, queimação, enjoo ou diarreia, reduza e observe o padrão.
AlergiaCoceira, inchaço, urticária, falta de ar ou chiado após consumir exigem avaliação.
Gestação e medicamentosEvite doses altas ou suplementos sem orientação, especialmente se há doença crônica ou remédios contínuos.

Como testar tolerância sem exagero

  • Use pequenas quantidades e evite misturar muitos temperos novos ao mesmo tempo.
  • Anote se o sintoma aparece sempre após o cominho ou apenas em pratos gordurosos/picantes.
  • Não use suplemento de cominho para tratar doença sem orientação profissional.
  • Procure atendimento se houver sinais de alergia ou falta de ar.

Como diferenciar tempero de problema de saúde

Quando o desconforto aparece após uma refeição temperada, nem sempre o cominho é o único responsável. Gordura, pimenta, alho, cebola, fritura, volume da refeição, álcool e comer muito perto de deitar também podem causar refluxo, gases ou náusea. Uma forma mais confiável de investigar é simplificar a refeição por alguns dias e reintroduzir o tempero em pequena quantidade, observando se o padrão se repete.

Se a queixa principal é perda de peso, anemia, dor abdominal persistente, sangue nas fezes, vômitos frequentes ou diarreia prolongada, a conversa muda: o foco deixa de ser apenas retirar um tempero e passa a ser avaliar a causa do sintoma. Temperos podem incomodar, mas não explicam sozinhos sinais persistentes ou progressivos.

Outro cuidado é não confundir alimento com remédio. Cominho pode deixar preparações mais saborosas e ajudar a reduzir excesso de sal em algumas receitas, mas isso não significa que controle glicose, colesterol, pressão ou inflamação por si só. Se a intenção é tratar uma condição, o tempero entra no contexto da alimentação, não como substituto de diagnóstico, acompanhamento ou medicação indicada.

Na cozinha, a melhor função do cominho é melhorar adesão a refeições simples: feijão, legumes, sopas, carnes, ovos e preparações caseiras. Quando o tempero ajuda a comer melhor sem aumentar sal ou ultraprocessados, ele pode ser útil no padrão alimentar, mas continua sendo apenas uma peça pequena do conjunto, junto de sono, atividade física, hidratação e escolhas consistentes ao longo da semana.

Sendo assim, ele é usado para dar mais sabor e apetite em pratos à base de proteínas, legumes, molhos, pães e vários outros alimentos.

O cominho é estudado por compostos aromáticos e possíveis efeitos digestivos, mas o uso culinário deve ser visto principalmente como tempero, não como tratamento anti-inflamatório ou antioxidante.

No entanto, existem situações em que o cominho pode piorar sintomas ou exigir cautela, especialmente em doses altas, suplementos, alergia, gastrite, refluxo ou uso de medicamentos.

O que diz a ciência sobre o uso do cominho 

O uso de doses elevadas e sem controle de cominho na forma de suplemento ou tempero deve ser evitado.

Isso acontece porque em doses acima de 1 grama usadas em estudos, o tempero teve uma capacidade de provocar alergia severa em alguns grupos.

Com relação ao extrato de cominho, muitas pessoas relatam sentir náusea, vômitos, dor no estômago e tontura após usar o extrato da planta.

Outros efeitos colaterais potenciais incluem azia, dor de cabeça e irritação da pele.

Sendo assim, você deve evitar o excesso de cominho assim como suspender o uso, caso observe a incidência de sintomas indesejáveis após o consumo do tempero.

Cominho faz mal para a saúde?

Possíveis efeitos nocivos em algumas pessoas 

Problemas hemorrágicos

Não há motivo para tratar pequenas quantidades culinárias como risco hemorrágico geral. A cautela faz mais sentido com cápsulas, extratos, doses altas ou uso de anticoagulantes.

Quem usa anticoagulante, tem distúrbio de coagulação ou fará cirurgia deve perguntar sobre suplementos e doses altas; tempero em pequena quantidade costuma ser outra situação.

Uma alternativa seria substituir por outros temperos como alecrim, orégano, salsa ou curry.

Interferência na ação de medicamentos

Interações medicamentosas são mais plausíveis com produtos concentrados do que com pitadas em comida. Ainda assim, vale informar uso de suplementos ao profissional que acompanha o tratamento.

Pessoas com diabetes que usam medicamentos devem evitar suplementos sem orientação, porque qualquer produto que prometa mexer na glicose pode atrapalhar o controle. Cominho culinário não deve ser tratado como causa automática de hipoglicemia.

Quem usa antibiótico, anticoagulante, remédio para diabetes ou muitos medicamentos deve evitar cápsulas e extratos sem orientação.

Estudos de interação não devem ser traduzidos como regra para todo prato temperado. O cuidado principal é não usar produto concentrado junto de tratamento sem conferir segurança.

Se surgir diarreia intensa, alergia, falta de ar, piora importante ou reação após medicamento, a prioridade é avaliar o tratamento, não culpar um tempero isolado.

Outros grupos que devem evitar o uso de cominho 

Pessoas que vão fazer cirurgias

Se você vai se submeter a uma cirurgia de qualquer magnitude, recomenda-se que evite usar o cominho nas duas semanas que antecedem o procedimento.

Antes de cirurgia, o cuidado principal é informar remédios, suplementos e produtos concentrados. Temperos culinários não costumam ter o mesmo peso de cápsulas ou extratos.

Gestantes e lactantes 

Por precaução as gestantes e lactantes não devem fazer o uso de cominho na gestação e na lactação.

Não existem dados confiáveis que apontem para o uso seguro de cominho nessas condições, o que justifica a restrição durante estes períodos. 

lactantes não devem fazer o uso de cominho

Portadores de doenças graves 

Como o cominho pode atrapalhar algumas áreas do organismo quando usado em excesso, quem sofre de alguma doença grave deve consultar o médico para saber se o uso do tempero não vai atrapalhar no tratamento das patologias.

Entretanto,  as pessoas saudáveis podem continuar usando o cominho no dia a dia, sem excessos e com controle da alimentação.

Cominho pode interagir com certos medicamentos, incluindo sedativos, medicamentos para pressão alta, antifúngicos e antibióticos. É importante conversar com seu médico antes de tomar este suplemento, especialmente se estiver tomando algum medicamento.

SituaçãoOrientação prática
Tempero na comidaPequenas quantidades costumam ter baixo risco.
Cápsula ou extratoDose concentrada não deve ser tratada como alimento comum.
Anticoagulantes ou cirurgiaVale avisar o médico antes de usar suplementos.
DiabetesNão substitui dieta, remédios ou monitorização.

Fontes úteis

  • USDA FoodData Central
  • NCCIH: uso seguro de produtos complementares

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Chá de girassol emagrece? Evidências e riscos

22 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Chá de girassol não deve ser tratado como recurso para emagrecer. Não há motivo para esperar perda de gordura por uma infusão de girassol. Quando alguém perde peso ao trocar bebidas adoçadas por chá sem açúcar, a explicação mais provável é redução calórica, não efeito específico da planta.

Também é preciso perguntar qual parte da planta está sendo usada: sementes, folhas, pétalas ou produto industrializado. Sementes de girassol são alimento calórico e nutritivo; chá de partes da planta é outra exposição, com composição e segurança menos claras.

Peso, chá e expectativa realista

AfirmaçãoLeitura críticaCuidado
“Desincha”Pode ser percepção de líquidos.Não é gordura.
“Acelera metabolismo”Promessa comum sem prova prática.Evitar exagero.
“Natural”Não garante segurança.Checar remédios e gestação.
“Substitui lanche”Reduz calorias, mas pode piorar fome.Manter proteína e fibras.

Quando a estratégia de peso precisa mudar

Se a pessoa depende de chás para pular refeições, usar diuréticos ou compensar compulsões, o plano está frágil. Controle de peso precisa de alimentação sustentável, sono, movimento, saúde mental e investigação de doenças ou remédios que influenciam peso.

Gestantes, lactantes, pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae, doença renal, uso de diuréticos, anticoagulantes ou vários medicamentos devem evitar uso medicinal sem orientação. Chá não é automaticamente inofensivo quando usado diariamente.

Se houver tontura, palpitação, diarreia, desidratação, fraqueza ou perda de peso rápida, a prioridade é interromper a lógica de “emagrecer a qualquer custo” e revisar segurança.

Quando o conteúdo fala em “chá de girassol”, o leitor também precisa saber se há produto padronizado, origem confiável e instrução clara de preparo. Misturas compradas sem identificação podem conter outras plantas, cafeína, laxantes ou contaminantes.

Se o peso é a preocupação principal, registre fome, beliscos, bebidas calóricas e sono antes de procurar outro chá. Esses dados costumam explicar mais do que a troca entre infusões.

Quando há diabetes, pressão alta, doença renal ou uso de remédios contínuos, a escolha de qualquer produto “para emagrecer” deve ser mais cautelosa. O que parece apenas chá pode mudar hidratação, apetite e adesão ao tratamento.

Girassol é mais conhecido como alimento pelas sementes e pelo óleo. Chá feito com folhas ou pétalas é outra exposição, menos padronizada e com evidência clínica limitada. Não há evidência clínica suficiente para indicar a bebida como tratamento para peso, pulmão, feridas, febre, colesterol ou câncer.

O que diz a ciência

Não há boa evidência de emagrecimento com chá de girassol. Se a pessoa troca refrigerante, suco adoçado ou sobremesa líquida por uma infusão sem açúcar, pode reduzir calorias. Isso não é efeito específico da planta e não substitui plano alimentar.

Também é importante separar semente, óleo, flor, folha e cápsula. Sementes de girassol são alimento, com gordura, proteína, fibras e calorias; óleo de girassol é gordura culinária; chá de folhas ou pétalas é uma infusão com composição menos previsível. Uma conclusão sobre sementes não autoriza promessa sobre chá.

Promessa comumLeitura objetiva
EmagreceNão há prova de perda de gordura pela infusão.
DesinchaPercepção de líquido não equivale a emagrecimento.
Limpa pulmõesTosse, falta de ar ou catarro persistente pedem avaliação.
Trata feridasFerida, picada ou mordida não deve ser tratada com chá.
Chá de Girassol emagrece?

Quando não usar chá como atalho

Febre alta, falta de ar, chiado, dor no peito, ferida com pus, mordida de animal, picada com reação intensa, perda de peso rápida, desidratação ou palpitação mudam a prioridade. Nesses cenários, chá não é cuidado principal.

Quem tem diabetes, doença renal, usa diuréticos, anticoagulantes, remédios de pressão ou tem alergia a plantas da família Asteraceae deve ter cautela com uso medicinal repetido. Natural não significa dose conhecida nem ausência de interação.

Se o objetivo é peso, acompanhe marcadores que realmente mudam conduta: fome, beliscos, bebidas calóricas, ultraprocessados, sono, álcool, atividade física, medicamentos e medidas corporais ao longo de semanas. Chás podem entrar como bebida sem açúcar, mas não corrigem compulsão, hipotireoidismo, resistência à insulina, menopausa, dor crônica ou uso de remédios que favorecem ganho de peso.

Para sintomas respiratórios, a pergunta também é outra. Catarro persistente, falta de ar, febre, dor torácica, chiado, sangue no escarro ou piora em idoso e imunossuprimido pedem avaliação. Uma bebida quente pode dar conforto temporário, mas conforto não é tratamento da causa.

Como fazer chá de girassol

Ingredientes

  • 2 colheres de sopa de folhas de girassol desidratadas 
  • 1 litro de água filtrada 
  • Raspas de gengibre 
  • Raspas de limão 

Preparo 

Ferva 2 colheres de sopa de folhas de girassol em 1 litro de água, por aproximadamente 30 minutos.

Em seguida, adicione sobre o chá as raspas de gengibre e de limão sobre a xícara de servir e tome em até 30 minutos após a fervura.

chá de girassol

Pode comer as pétalas das flores do girassol?

Talvez nem todos saibam, mas o girassol é uma planta comestível e suas pétalas podem ser consumidas em saladas, arroz e risotos.

Por sua vez, até mesmo o botão da flor pode ser cozido e servido como se fosse aspargos, no entanto, as sementes de girassol são o grande destaque desta planta.

Além de serem ricas em vitaminas e minerais, são um dos alimentos que mais contém fibras no mundo, indispensável para a saúde do intestino.

Como usar a informação com critério

Para feridas e picadas, o risco é atrasar limpeza adequada, vacina quando indicada, antibiótico em situações específicas ou atendimento para alergia e veneno. Pele aberta, pus, listras vermelhas, febre, dor progressiva, mordida, picada com falta de ar ou inchaço de face não combinam com tentativa caseira.

Se a pessoa ainda quer tomar por gosto, a decisão é diferente: use como bebida ocasional, sem açúcar, sem prometer efeito terapêutico, e observe tolerância. O problema aparece quando o chá vira substituto de refeição, remédio, curativo ou atendimento.

Em resumo, o chá pode ser uma escolha culinária, mas não uma ferramenta clínica. A diferença entre essas duas leituras evita tanto medo exagerado quanto promessa sem base. Quando houver doença ou remédio contínuo, essa diferença fica ainda mais importante.

Fontes úteis

  • NCCIH: supplements marketed for weight loss
  • FDA: tainted weight loss products
  • NCCIH: how medications and supplements can interact

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FTA-ABS para sífilis: para que serve o exame

22 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

O teste FTA-ABS é usado para detectar anticorpos contra a bactéria Treponema pallidum, que causa a sífilis. O sangue é retirado de uma veia (punção venosa), geralmente da parte interna do cotovelo ou do dorso da mão. Uma agulha é inserida na veia e o sangue é coletado em um frasco hermético ou em uma seringa.

Dentre as doenças mais preocupantes que existem estão as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Há muitos anos, elas foram pautadas em muitas notícias.

No entanto, com o aumento no uso da camisinha, a transmissão dessas doenças diminuiu… ou tinha diminuído até o momento.

Como a diminuição das notícias sobre a diminuição na transmissão de DST, as pessoas acreditam que isso tenha melhorado a situação e que não há mais risco. Mas não é bem assim. As DST voltaram a aumentar nos últimos anos causando preocupação nos órgãos de saúde. Dentre as DST, a sífilis é uma das mais preocupantes.

Confira abaixo mais informações sobre a doença e sobre o exame para detectá-la: o FTA-ABS.

O que quer dizer a sigla FTA-ABS?

Em inglês, FTA– ABS Test = Fluorescent Treponemal Antibody Absorption Screening Test, podendo ser traduzido como Teste de Triagem de Absorção de Anticorpos Treponêmicos Fluorescentes

O exame cresceu com ampla aceitação como um protocolo padrão pelo qual o diagnóstico de sífilis é confirmado.

O sufixo ABS refere-se particularmente a uma etapa de processamento que remove anticorpos antiespiroquetas não específicos presentes no soro normal. Se o paciente foi infectado pela sífilis, seus anticorpos antiespiroquetas se ligarão à bactéria.

O FTA-ABS torna-se reativo 4-6 semanas após a infecção. Ao contrário dos testes não treponêmicos, uma vez que o teste FTA-ABS se torna reativo, ele permanecerá reativo por muitos anos.

Geralmente é feito se esses testes de triagem inicial forem positivos para sífilis. O teste FTA-ABS pode ajudar a confirmar se os resultados desses testes são precisos.

O que é sífilis?

A sífilis é causada pela infecção de uma bactéria chamada Treponema pallidum.

Ela pode ser transmitida entre parceiros sexuais e também da mãe para o filho no momento do nascimento. O contato com as feridas causadas pela sífilis transmite a doença de uma pessoa para outra. Essas feridas estão frequentemente localizadas no pênis, na vagina ou no reto. No entanto, elas nem sempre são visíveis.

Por conta disso, o paciente pode nem saber que está infectado. Além disso, é muito comum que pacientes com sífilis também apresentem HIV.

FTA-ABS

Sintomas da sífilis

Dentre os sintomas da doença, podemos citar:

  • Lesão ulcerada genital, indolor
  • Lesões cutâneas do tipo exantema palmoplantar
  • Febre
  • Adenomegalia
  • Eritema
  • Alopecia

Estágios da Sífilis

SintomaDescrição
Estágio PrimárioFeridas indolores ou feridas no local onde a bactéria entrou no corpo
Estágio SecundárioFebre, gânglios linfáticos inchados, dor de garganta, perda de cabelo irregular, dores de cabeça, perda de peso, dores musculares e fadiga
Estágio LatenteSem sintomas presentes, porém a infecção ainda está presente no corpo
Fase TerciáriaDanos nos órgãos, paralisia, dormência, cegueira gradual e distúrbios mentais


Como diagnosticar a sífilis?

Um dos testes mais populares para verificar se o paciente é positivo para sífilis é o FTA-ABS, sigla para teste de absorção de anticorpos treponêmicos fluorescentes. Ele, assim como outros testes como o TPHA e ELISA, são testes chamados de treponêmicos. Ou seja, são específicos e qualitativos para a detecção do antígeno para a bactéria causadora da doença, o Treponema pallidum.

A sensibilidade desse exame é de cerca de 85% para sífilis primária e sobre para 99% na sífilis secundária. Uma vez que o paciente testou positivo, ele nunca mais voltará a ser negativo, pois já houve a produção de IgG.


TPHA Teste

Por que meu médico pediu este exame?

Este teste também pode ser solicitado pelo seu médico se você tiver sintomas de sífilis, como:

  • Cancros (pequenas feridas arredondadas) nos órgãos genitais.
  • Queda de cabelo devido à febre
  • Articulações doloridas (inflamadas)
  • Nódulo linfático inchando, uma erupção pruriginosa nas mãos e pés.


Por que um teste de sangue FTA-ABS é realizado?

O teste de FTA-ABS é geralmente realizado após outros testes que detectam a sífilis, como testes de recuperação rápida de plasma (RPR) e de pesquisa de doença venérea (VDRL). Esses primeiros testes são chamados de triagem inicial. Caso eles testem positivo, o médico irá solicitar o FTA-ABS para ajudar na confirmação da doença.

Além disso, alguns médicos solicitam esse exame para pacientes que já estiverem serem tratados por outra DST ou se estiver grávida, isso porque a grande maioria dos pacientes com sífilis são concomitante infectados pelo HIV.

IndicaçãoExame FTA-ABS
Suspeita de sífilisDetecta anticorpos para Treponema pallidum
Diagnóstico de sífilisConfirma o diagnóstico de sífilis
Triagem para sífilisVerifica os primeiros sinais de infecção


Comparação com outros exames

Confira abaixo a sensibilidade de cada exame de acordo com o avanço da sífilis:

ExameSífilis primáriaSífilis secundáriaSífilis terciária
FTA-ABS85%99%98%
VDRL85%99%70%

É importante ressaltar que, independentemente do exame, falso-negativos podem ocorrer na sífilis tardia. Para se ter uma ideia, entre 1% e 40% dos resultados de VDRL são falso-positivos principalmente no grupo de pacientes idosos, portadores de doenças auto-imunes, pacientes positivos para malária, mononucleose, brucelose, hanseníase, hepatites, portadores HIV, leptospirose, e em pacientes que são viciados em drogas, apresentam outras infecções bacterianas, e em pacientes que estão grávidas.

Por outro lado, a taxa de indivíduos saudáveis que apresentam um teste FTA-ABS positivo é menor que 1%. Porém, falso-positivos podem ocorrer em pacientes que apresentam doenças auto-imunes, hanseníase, malária, mononucleose, leptospirose e infecções por outros treponemas, e em pacientes grávidas.


Como se preparar para o exame FTA-ABS

Para fazer este teste, o paciente não precisa estar em jejum e deve estar alimentado com uma refeição leve.

No entanto, como esse exame é realizado através de uma punção lombar, alguns cuidados são necessários:

  • É indicado que o paciente traga um acompanhante e venham, preferencialmente, de carro para que o paciente não tenha de caminhar até a casa;
  • Recomenda-se repouso absoluto por pelo menos 2h após o exame e que o paciente beba muito líquido;
  • Não é recomendado que o paciente agende compromissos ou viagens após as 72h após a coleta.

exame FTA-ABS

Interpretação do exame FTA-ABS

Resultados normais

Um resultado negativo para a presença de anticorpos contra a T. pallidum indica que seu teste teve um resultado normal, ou seja, significa que você não está infectado com sífilis e nunca foi infectado com a doença.

Resultados anormais

Já resultados que indiquem a presença de anticorpos para T. pallidum é um resultado anormal. Isso significa que você teve ou teve uma infecção por sífilis.

Importante – cuidados na interpretação do exame FTA-ABS

Os anticorpos FTA não devem ser usados para acompanhar a atividade da doença ou a resposta ao tratamento, pois a fluorescência não tem relação com a atividade da doença. Além disso, os níveis de anticorpos permanecerão elevados por toda a vida.

Resultados falso-positivos foram associados a globulinas aumentadas ou anormais, anticorpos antinucleares, gravidez, infecções por HSV, reagentes de fase aguda elevados, aglutininas frias, anticorpos contra Mycoplasma, idade superior a 65 anos e dependência de drogas.

Até 2% da população em geral pode ser falsamente positiva. Resultados limítrofes são resultados inconclusivos e não podem ser interpretados.


Tratamento para sífilis

Quanto antes a doença for diagnosticada, melhor as chances de tratamento. Por mais que você nunca mais obtenha um exame negativo para a presença de T. pallidum, os sintomas externos na pele podem sumir. Geralmente, o tratamento envolve injeções de penicilina.

TratamentoMedicamentoDosagem
Infecção PrimáriaPenicilina G benzatina2,4 milhões de unidades IM em dose única
Infecção latente precocePenicilina G benzatina2,4 milhões de unidades IM em dose única
Infecção Latente Tardia e Infecção TerciáriaPenicilina G benzatina2,4 milhões de unidades IM, 1 dose por semana durante 3 semanas consecutivas

Fontes úteis

  • MedlinePlus: exames laboratoriais
  • Endocrine Society: pacientes
  • Ministério da Saúde

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Torcicolo: sintomas, causas e tratamento

22 de dezembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Torcicolo é dor e rigidez no pescoço com limitação para virar ou inclinar a cabeça. A maioria dos episódios é muscular e melhora em dias, mas trauma, febre, dor intensa, dor irradiada, dormência, fraqueza, perda de equilíbrio ou dor que não melhora mudam a conduta.

Quando torcicolo parece simples e quando não parece

O torcicolo comum costuma vir após dormir em posição ruim, esforço, estresse muscular ou movimento brusco. A dor piora ao virar a cabeça, pode irradiar para ombro e costuma limitar atividades por alguns dias. Mesmo assim, a avaliação muda quando há queda, acidente, febre, rigidez muito intensa, dor que desce para o braço, formigamento ou perda de força.

O diagnóstico clínico separa contratura muscular, distensão ligamentar, dor facetária, irritação de raiz cervical, hérnia de disco, infecção, doença inflamatória e causas neurológicas. Essa separação evita tratar todos os casos como “mau jeito”.

PadrãoO que sugerePróximo passo
Dor local após esforço ou sono ruimContratura ou distensão leve.Movimento leve, analgesia segura e observação.
Dor que desce para braçoIrritação de raiz nervosa.Avaliar força, reflexos e sensibilidade.
Febre ou rigidez intensaInfecção ou inflamação entra no diferencial.Avaliação rápida.
Trauma ou quedaLesão óssea/ligamentar precisa ser descartada.Critérios de imagem e exame presencial.

Como acompanhar melhora

O melhor marcador não é apenas a nota da dor, mas recuperar rotação do pescoço, sono, direção, trabalho no computador e capacidade de olhar para os lados sem travar. Repouso absoluto prolongado tende a aumentar rigidez; forçar alongamentos agressivos durante dor forte também pode piorar.

Primeiras 48 horas: reduzir dor e manter movimentos toleráveis.
Depois: recuperar amplitude, força e controle postural.
Evite: manipulação brusca se houver trauma, dormência ou fraqueza.
Reavalie: se piora, irradia ou não melhora no tempo esperado.

Atendimento é mais importante quando há fraqueza, dormência progressiva, perda de coordenação, dor após trauma, dor de cabeça intensa, febre, perda de peso, câncer prévio, imunossupressão ou dor persistente que não acompanha a evolução esperada.

  • O torcicolo é um tipo de dor no pescoço causada por tensão muscular, disfunção articular ou uma combinação dos dois.
  • Geralmente é causada por má postura, movimentos repetitivos ou uma lesão no pescoço.
  • Sintomas comuns incluem rigidez, amplitude de movimento limitada e dor que se irradia do pescoço para o ombro ou braço.
  • Os tratamentos para torcicolo podem incluir reabilitação, medicamentos, acupuntura, exercícios e mudanças no estilo de vida.
  • É importante procurar atendimento médico se a dor persistir por mais de alguns dias ou se for acompanhada por outros sintomas como dormência, formigamento ou fraqueza.

O TORCICOLO é um fenômeno comum que acontece quando os músculos do pescoço sofrem espasmos, causando dor e dificuldade ao torcer o pescoço para o lado. Não indica uma doença, apenas um sinal físico.

Estima-se que 90% dos indivíduos apresentarão ao menos um episódio de torcicolo ao longo da vida. Geralmente, o torcicolo apresenta rotação e flexão anormais, porém há diversas outras posições que podem incluir flexão, extensão e inclinação para direita ou para esquerda[1]. 

O torcicolo pode ser benigno, que é o caso do torcicolo congênito, ou pode ser maligno (raro). Ocorre geralmente em virtude de mecanismos neuromusculares locais disfuncionais, chamados de distonia focal. 

As estruturas musculares do pescoço participam de um sistema bastante complexo, onde dois níveis são distinguidos: superficial, envolvendo músculos longos do pescoço, e profundo, envolvendo os músculos paravertebrais.

O esternocleidomastoideo é o principal músculo envolvido no torcicolo. Esse músculo está localizado na região anterior do pescoço, onde forma uma massa visível e palpável. As funções do esternocleidomastoideo envolvem realizar rotação contralateral, inclinação ipsilateral e flexão da cabeça.

Além do esternocleidomastoideo, outros músculos do pescoço estão envolvidos no torcicolo, a saber: o trapézio, o esplênio, a escápula e os escalenos.


Causas e tipos de torcicolo

Geralmente, o torcicolo é um problema agudo, resultado de um grande acúmulo de tensão muscular e emocional, o que pode provocar rigidez no pescoço. A dor surge de repente e tende a cessar sozinha dentro de uma semana[2].

dor na cervical

Estresse, ansiedade, dirigir por muito tempo, posicionamento inadequado da cabeça durante o sono e passar longos períodos na frente de um computador podem desencadear o torcicolo.

O torcicolo também pode se apresentar como sintoma de outras condições médicas. É classificado em vários tipos e pode estar relacionado a doenças complexas e graves[3].

  • Torcicolo congênito: ocorre durante a gestação ou nascimento, decorrente de algum trauma, causando edema no músculo. Essa condição gera fibrose congênita do músculo esternocleidomastoideo, provocando um encurtamento das suas fibras.
  • Torcicolo dermatogênico: ocorre quando existe uma lesão na pele do pescoço, levando a limitação de movimento. Normalmente, esse tipo de torcicolo acontece em situações de cicatrizes ou queimaduras.
  • Torcicolo ocular: ocorre quando há paralisia dos músculos envolvidos com a inclinação e rotação da cabeça relacionados ao envolvimento dos músculos extraoculares.
  • Torcicolo reumatológico: ocorre quando está associada a doenças reumatológicas.
  • Torcicolo vestibular: ocorre quando envolve a orelha interna responsável pelo equilíbrio.
  • Torcicolo neurogênico: ocorre quando está associado a qualquer distúrbio neurológico, como trauma ou acidente vascular cerebral.
  • Torcicolo espasmódico (distonia): esse tipo de torcicolo é a causa mais comum de rigidez do pescoço, resultando do aumento do tônus ​​​​muscular. Os fatores que frequentemente desencadeiam o torcicolo espasmódico incluem estresse emocional, movimento brusco e sobrecarga física.


Quais são os sintomas de torcicolo?

Os sintomas podem variar de acordo com o indivíduo, mas abaixo estão listados os sintomas mais comuns de torcicolo:

  • Dor muscular no pescoço;
  • Rigidez no pescoço;
  • Dor na coluna;
  • Incapacidade de virar a cabeça para o lado;
  • Inchaço nos músculos do pescoço;
  • Inclinação do queixo para um lado;
  • Em determinadas situações, algumas pessoas podem ter problemas de equilíbrio, alterações na visão ou tremores.

SintomasDescrição
RigidezTensão ou dificuldade para mover o pescoço.
Amplitude de movimento limitadaDificuldade em virar o pescoço ou movê-lo para cima e para baixo.
DorDor aguda ou aguda no pescoço que pode irradiar para o ombro ou braço.


Torcicolo – quando me preocupar?

Bandeiras vermelhasDescrição
Perda de pesoA perda de peso inexplicável deve ser discutida com um médico.
Dor NoturnaA dor que persiste ou aumenta à noite é uma preocupação.
Dormência ou formigamentoQualquer dormência ou formigamento associado à dor no pescoço deve ser avaliada por um médico.
FraquezaFraqueza nos braços ou pernas pode ser um sinal de uma doença grave.
FebreA febre acompanhada de dor no pescoço pode ser um sinal de infecção.

Diferenças entre Torcicolo agudo e Dor Crônica no Pescoço

TorcicoloDor Crônica no Pescoço
Início súbitoPersistente, diária
A dor é intensaA dor é moderada a intensa
Causa de origem musculoesqueléticaPode ocorrer devido à dor miofascial, artrite, patologias neurológicas (como hérnia de disco e estenose)
Mais localizadoDor referida
Movimento limitado, rigidezMovimento mais restrito
Os sintomas desaparecem rapidamenteOs sintomas podem durar meses ou anos
A dor pode ser causada por trauma ou tensãoA dor pode ser causada por processo degenerativo
Tratamento com analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes muscularesTratamento multimodal – medicamentos adjuvantes de dor (antidepressivos, anticonvulsivantes) associado à reabilitação, acupuntura, tratamento local em ponto-gatilho, ondas de choque, exercícios
Alívio dos sintomas em 3-10 diasPatologia crônica recorrente, com dor persistente.

Diferenças entre Torcicolo e Hérnia de Disco Cervical

Tipo de dor no pescoçoSintomasLocalização da dorSintomas associados
TorcicoloAgudo e repentinoPrincipalmente na nucaDor de cabeça, dor no ombro, tontura, náusea
Dor no pescoço com hérnia de discoSem graça e doloridoGeralmente irradia do pescoço para o braçoDormência e formigamento nos braços, fraqueza nos braços e mãos, dificuldade em usar os braços e mãos

Diagnóstico de Torcicolo

Em sua maioria, a apresentação clínica e o exame físico podem confirmar o diagnóstico de torcicolo, no qual o médico avaliará a postura do paciente, a presença de limitações de movimento, inclinações da cabeça e sensibilidade óssea ou muscular diante de palpação[4].

O diagnóstico de torcicolo é simples quando há inclinação lateral e rotação contralateral do pescoço, porém quando o paciente apresenta imobilização da coluna, a rotação ou inclinação da cabeça pode ser um caso isolado.

A solicitação de exames de imagem é individualizada, conforme apropriado, incluindo radiografia (raio-X), tomografia computadorizada, ultrassonografia, ressonância magnética ou análise laboratorial de sangue.

ExameDescrição
Raio-XUm raio-X pode ser usado para identificar danos nos ossos do pescoço, como fraturas.
Tomografia computadorizadaAvalia ossos e articulações em seu pescoço. Pode ajudar seu médico a detectar até mesmo pequenas alterações nos ossos e ajudar a ver calcificações.
Ressonância magnética cervicalPode fornecer imagens detalhadas da coluna e das estruturas adjacentes.
EletroneuromiografiaPode ser usado para avaliar a função dos músculos do pescoço, avaliar dores neuropáticas e radiculopatia (cervicobraquialgia).
UltrassomO ultrassom pode ser usado para detectar qualquer anormalidade nos tecidos moles do pescoço.

Quando o torcicolo é espasmódico, a dor é unilateral e geralmente irradia para o ombro, causando rigidez muscular.

A análise da coluna cervical e cintura escapular deve ser realizada observando a mobilidade ativa da coluna e a dor no movimento muscular.

Exames de radiografia e tomografia computadorizada podem ser úteis para identificar qualquer anormalidade anatômica, como fraturas.

Em casos de torcicolo persistente, é necessário observar se há estrabismo ou outros sinais neurológicos focais. Torcicolo persistente acompanhado de vômitos indica um sinal de alerta, exigindo exame neurológico completo.

Exames de neuroimagem são importantes para descartar lesões intracranianas. É necessário também que o paciente marque uma consulta ao oftalmologista, quando houver movimentos extraoculares anormais nos olhos.

A tomografia computadorizada é indicada quando há suspeita de abscesso retrofaríngeo. A ressonância magnética e a cintilografia são exames de imagem adicionais que podem auxiliar no diagnóstico, bem como exames laboratoriais, em alguns casos.

Em crianças, se o torcicolo for persistente e não for tratado adequadamente, é provável que prejudique a coluna cervical e o desenvolvimento facial.


Tratamento de torcicolo

O torcicolo tem como uma de suas principais causas o estresse e a tensão muscular. Sabendo disso, e se esse for o seu caso, é importante conhecer os fatores estressores do dia a dia que desencadeiam o torcicolo, para então eliminar ou reduzir da rotina[5].

O tratamento propriamente dito envolve relaxamento e repouso. Massagem e aplicação de temperatura podem ajudar a aliviar os sintomas. O gelo auxilia no alívio da dor, enquanto o calor relaxa os músculos.

Em relação ao tratamento farmacológico, podem ser administrados analgésicos, relaxantes musculares e anti-inflamatórios.

Em casos específicos, podem ser recomendados benzodiazepínicos (para o tratamento de espasmos) ou anticolinérgicos (para o combate à acetilcolina, um neurotransmissor do sistema nervoso). Para casos crônicos, relaxantes musculares e antidepressivos podem ser prescritos[6].

A injeção de toxina botulínica é outra opção que pode ser útil para o tratamento de torcicolo e é geralmente recomendada em pacientes que apresentam casos frequentes de torcicolo espasmódico.

A fisioterapia e osteopatia são excelentes opções de tratamento conservador, desempenhando um papel essencial no tratamento da grande maioria das diferentes formas de torcicolo.

Importância da reabilitação motora na recuperação do torcicolo

  • Reduz a tensão muscular e a inflamação.
  • Melhora a amplitude de movimento, flexibilidade e coordenação.
  • Alivia o estresse e a tensão.
  • Ajuda a reduzir a dor e a rigidez.
  • Melhora a postura e o equilíbrio.
  • Fortalece os músculos do pescoço.
  • Melhora a postura e a mecânica corporal adequada.
  • Diminui o risco de mais lesões.
  • Melhora a circulação.
  • Aumenta a mobilidade.

Indicações para o tratamento medicamentoso

Abaixo, estudamos alguns dos principais tipos de analgésicos comuns.

Analgésicos de Venda Livre

Os medicamentos AVL são geralmente usados ​​para tratar dores menos intensas, como dor de cabeça (cefaléia tensional), enxaqueca, dores musculares (dor miofascial, torcicolo), dor de dente, dor menstrual e dor de garganta. Os medicamentos mais comuns são dipirona, ibuprofeno, paracetamol e aspirina.

Analgésicos Opiáceos

Os medicamentos opiáceos são usados ​​para tratar dores intensas e crônicas. Eles são mais frequentemente usados ​​para tratar dores associadas ao câncer, artrite reumatoide e outras doenças crônicas dolorosas, bem como para dores agudas, como dor após cirurgia ou trauma. Exemplos incluem morfina, codeína, tramadol e metadona.

Anti-inflamatórios Não-Esteroidais (AINE)

Os medicamentos AINE são usados ​​para tratar a dor, bem como a inflamação associada a condições inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, artrite psoriática, espondilite anquilosante, lombalgia e tendinite. Os medicamentos AINE mais comuns são ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco e aspirina.

Analgésicos Adjuvantes

Os medicamentos analgésicos adjuvantes são usados ​​para tratar dores crônicas. Eles não têm um efeito analgésico direto, mas podem ajudar a reduzir a dor quando usados ​​em conjunto com outros medicamentos, particularmente opiáceos. Exemplos incluem antidepressivos, anticonvulsivantes, corticosteróides e relaxantes musculares.

DrogaClasse FarmacológicaDosagem
ParacetamolAnalgésico (não opioide)325-650 mg a cada 4-6 horas, máximo de 4 g/dia
DipironaAnalgésico (não opioide)200-400 mg a cada 4-6 horas, máximo de 1,2 g/dia
TramadolOpioide25-100 mg a cada 4-6 horas, máximo de 400 mg/dia
CodeínaOpioide15-60 mg a cada 4-6 horas, máximo de 360 mg/dia
AmitriptilinaAntidepressivo10-150 mg ao deitar
GabapentinaAnticonvulsivante100-800 mg até três vezes ao dia
NaproxenoAINE250-500 mg até duas vezes ao dia
IbuprofenoAINE200-800 mg até três vezes ao dia
CelecoxibeAINE100-200 mg duas vezes ao dia
CetoprofenoAINE50-100 mg até três vezes ao dia
DiclofenacoAINE25-50 mg até três vezes ao dia
PiroxicamAINE10-20 mg uma vez ao dia
MeloxicamAINE7,5-15 mg uma vez ao dia
MeclofenamatoAINE50-100 mg até três vezes ao dia
IndometacinaAINE25-50 mg três vezes ao dia

Tratamento Não Farmacológico

Acupuntura, tratamento local em ponto-gatilho e tratamento por ondas de choque são opções modernas de tratamentos minimamente invasivos para torcicolo.


tratamento local em ponto-gatilho e Acupuntura para alívio de torcicolo

acupuntura-3
  • O tratamento local em ponto-gatilho e acupuntura podem reduzir a dor associada à dor mecânica no pescoço.
  • Pode aumentar a amplitude de movimento, a flexibilidade e reduzir a inflamação.
  • Também pode reduzir a tensão muscular e ajudar a reeducar os músculos.
  • Ele pode restaurar padrões de movimento adequados, melhorar a postura e reduzir espasmos musculares.
  • Finalmente, pode melhorar a função nervosa.


Ondas de Choque para dor

Extracorporeal Shockwave Therapy ESWT.Non-surgical treatment.Phy
  • A terapia por ondas de choque pode reduzir a dor a curto e longo prazo.
  • Pode melhorar a cicatrização dos tecidos, reduzir a inflamação e aumentar a circulação sanguínea.
  • Pode reduzir espasmos musculares, melhorar a mobilidade articular e melhorar a função nervosa.
  • Ele pode quebrar o tecido cicatricial e estimular o crescimento de um novo tecido saudável.
  • Funciona enviando ondas acústicas de alta energia para o corpo, que estimulam o processo de cura natural do corpo.
  • Essas ondas causam uma onda de choque que ajuda a quebrar o tecido, reduzir a inflamação e promover a cicatrização.


Cirurgia

A intervenção cirúrgica pode ser necessária em casos de torcicolo congênito (para correção do músculo) e dermatogênico (para correção da pele).

Atualmente, é feita em raros casos com dor persistente e depende da patologia.

Automassagem para liberação miofascial

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Aprenda a praticar a automassagem nos pontos-gatilho

Então, como você pode relaxar seus músculos tensos? A pressão nos pontos-gatilho, conhecida como automassagem, é um ótimo começo para se fazer em casa.

A pressão simples pode ajudar os músculos a relaxar.

Veja como praticar a automassagem:

  • Localize os pontos tensos (geralmente não é preciso procurar muito).
  • Use os dedos (ou ferramentas como rolos de espuma e bolas de massagem) para pressionar firmemente os pontos de gatilho.
  • Repita por três a cinco minutos, idealmente, quantas vezes forem necessárias ao longo do dia. Precisa fazer parte da rotina diária.
  • Que pressão aplicar? É variável. Algumas pessoas podem lidar com pressão intensa; outras preferem pressões mais leves. Sinta-se à vontade para apertar – é improvável que você pressione com tanta força a ponto de causar danos.

Ainda assim, pode não ser uma sensação agradável. O desconforto faz parte do processo. Mas a dor intensa não é.

Se você sentir uma picada ou formigamento, pode ter uma lesão que vai além da tensão muscular. Nesse caso, pare as pressões e consulte um médico.

Prevenção de Torcicolo

  • Use uma boa postura: ao ficar de pé e sentado, mantenha os ombros em linha reta sobre os quadris e as orelhas diretamente sobre os ombros. Ao usar telas pequenas, como um telefone celular ou tablet, mantenha a cabeça erguida e segure o dispositivo reto, em vez de dobrar o pescoço para olhar para baixo.
  • Faça pausas frequentes: se você viaja longas distâncias ou trabalha por longos períodos no computador, levante-se, movimente-se e alongue o pescoço e os ombros. Isso ajudará a reduzir a tensão e a fadiga no pescoço.
  • Ajuste sua mesa, cadeira e computador: posicione o monitor no nível dos olhos e certifique-se de que seus joelhos estejam ligeiramente abaixo dos quadris. Use os apoios de braço da cadeira para fornecer suporte e reduzir a tensão no pescoço.
  • Pare de fumar: fumar aumenta o risco de desenvolver dor no pescoço, portanto, se você fuma, pare.
  • Não carregue bolsas pesadas: evite carregar bolsas pesadas com alças sobre o ombro, pois o peso pode esticar o pescoço.
  • Durma em uma posição saudável: verifique se a cabeça e o pescoço estão alinhados com o corpo e use um pequeno travesseiro sob o pescoço. Tente dormir de costas com as coxas elevadas em travesseiros, o que pode ajudar a achatar os músculos da coluna.
  • Aumente seu nível de atividade: o exercício pode ajudar a fortalecer os músculos do pescoço e dos ombros, portanto, se você não se movimentar muito, aumente seu nível de atividade.


Quando procurar um médico?

Quando os sintomas forem intensos e persistentes, é importante consultar um médico. Casos em que a dor não melhora após semanas ou quando não é possível controlar os sintomas através de analgésicos comuns, são sinais de alerta para investigar melhor a condição.

Apenas um médico poderá ajudar e prescrever os melhores medicamentos e tratamentos para o seu caso.

Apesar de o torcicolo parecer uma condição simples de ser resolvida, pode surgir devido a doenças emocionais. Nesses casos, a solução está na causa e os problemas emocionais precisam, então, ser tratados adequadamente com a ajuda conjunta de um psicoterapeuta.

Fontes e leitura útil

Referências citadas6 fontes
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  3. 3.
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    Binder A. The diagnosis and treatment of nonspecific neck pain and whiplash. Europa medicophysica. 2007 Mar 1;43(1):79-89.
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    Hoving JL, Gross AR, Gasner D, Kay T, Kennedy C, Hondras MA, Haines T, Bouter LM. A critical appraisal of review articles on the effectiveness of conservative treatment for neck pain. Spine. 2001 Jan 15;26(2):196-205.
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    Borenstein DG. Chronic neck pain: how to approach treatment. Current pain and headache reports. 2007 Dec;11(6):436-9.
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  • AAOS OrthoInfo: Neck Sprains and Strains
  • Mayo Clinic: Neck pain symptoms and causes
  • Healthdirect Australia: Torticollis

Arquivado em: Fisiatria, Reumatologia, Sintomas de A-Z

Acupuntura para ansiedade: como funciona e cuidados

22 de dezembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Acupuntura para ansiedade pode ser considerada como apoio quando há tensão corporal, dor, insônia ou estresse persistente. Pânico, depressão importante, pensamentos de morte, abuso de álcool ou prejuízo intenso pedem avaliação em saúde mental. A resposta deve ser acompanhada por sintomas concretos: crises, sono, tensão, evitação e capacidade de funcionar.

Quando a acupuntura faz sentido na ansiedade

A acupuntura pode ser considerada quando ansiedade vem acompanhada de tensão muscular, dor, insônia, palpitações ou dificuldade de relaxar. Ela entra como recurso complementar, principalmente quando há sintomas corporais relevantes.

Não deve ser usada para atrasar avaliação em casos de pânico incapacitante, depressão importante, pensamentos de morte, uso abusivo de álcool ou drogas, dor no peito, falta de ar intensa ou perda funcional progressiva.

Sinais de resposta e sinais de limite

A melhora deve aparecer fora da sessão: menos crises, sono mais regular, menor tensão corporal, menos evitação e mais capacidade de trabalhar, estudar ou sair de casa.

Sensação de calma por algumas horas pode ser útil, mas não basta para dizer que o quadro está controlado. Se não há ganho funcional após um ciclo definido, a conduta precisa ser revista.

Onde a acupuntura entra no cuidado da ansiedade

A ansiedade pode ser definida como uma condição orientada para o futuro, caracterizada pela apreensão relacionada à percepção de não ser capaz de controlar ou prever eventos potencialmente aversivos. Além disso, os pacientes apresentam sintomas corporais de tensão e uma mudança no foco de atenção para eventos potencialmente aversivos ou para respostas afetivas.

Ansiedade pode aparecer como preocupação persistente, tensão muscular, insônia, palpitação, sintomas gastrointestinais, falta de ar, evitação e prejuízo no trabalho ou nos vínculos. Antes de escolher uma intervenção, é importante diferenciar estresse passageiro, transtorno de ansiedade, pânico, depressão associada, uso de substâncias e causas clínicas.

A acupuntura pode ser considerada como cuidado complementar para algumas pessoas, especialmente quando há tensão corporal, dor associada ou preferência por estratégias integrativas. Ela entra melhor ao lado de psicoterapia, avaliação médica, tratamento medicamentoso quando indicado e atendimento urgente quando há crise grave.

A evidência para acupuntura é mais consistente em algumas condições de dor do que para ansiedade isolada. Em casos selecionados, a acupuntura pode complementar o tratamento para alívio dos sintomas.


Acupuntura ajuda na ansiedade?

A acupuntura originou-se na China entre os anos 2000 e 100 aC. Esta modalidade envolve perfurar a pele com agulhas curtas e finas em locais específicos chamados pontos de acupuntura[1].

Os equipe do estudo escutam, com frequência, perguntas como “Quão eficaz a acupuntura é para a ansiedade?” ou “Quantas sessões de acupuntura eu vou precisar para tratar a minha ansiedade?”.

Do ponto de vista fisiológico, a acupuntura consegue tratar a ansiedade porque interage e acalma o sistema nervoso simpático de modo a nos tirar de respostas do tipo “bater ou correr”. Por causa disso, muitas pessoas sentem-se mais calmas durante a sessão.

Lista: Benefícios da Acupuntura na Ansiedade

  • Reduz os níveis de estresse: a acupuntura ajuda a induzir o relaxamento e reduzir os níveis de estresse, permitindo que as pessoas gerenciem sua ansiedade de forma mais eficaz.
  • Melhora o humor: a acupuntura ajuda a aumentar a liberação de endorfinas no cérebro, o que ajuda a melhorar o humor e reduzir a ansiedade.
  • Melhora a qualidade do sono: a acupuntura pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, reduzindo o estresse e a tensão, permitindo que as pessoas tenham um sono mais reparador.
  • Aumenta a imunidade: a acupuntura ajuda a estimular o sistema imunológico do corpo, o que pode ajudar a reduzir os sintomas físicos da ansiedade.
  • Reduz a dor: a acupuntura pode ajudar a reduzir a dor física, o que pode ter um efeito positivo na saúde mental e ajudar a reduzir a ansiedade. É comumente usado para tratar a dor, como dor crônica, dores de cabeça (enxaqueca, cefaléia tensional) e osteoartrite, além de dor miofascial e tendinopatias.
  • Promove o relaxamento: a acupuntura pode ajudar a induzir um estado de relaxamento profundo, o que pode ajudar a reduzir os níveis de ansiedade.
  • Reduz os sintomas da depressão: a acupuntura também pode ajudar a reduzir os sintomas da depressão, o que pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.


Pontos de Acupuntura e seus benefícios

Acredita-se que os pontos de acupuntura se correlacionam com os locais onde os estímulos externos resultam em um estímulo sensorial maior, por exemplo, pontos motores dos músculos e feixes nervosos periféricos.

A acupuntura é capaz de estimular o sistema nervoso através da regulação do equilíbrio bioquímico no corpo[2].

Evidências recentes mostram que o principal mecanismo de ação no manejo dos transtornos de ansiedade é pela forma como é capaz de aumentar neurotransmissores e hormônios como endorfinas, serotonina, dopamina e noradrenalina[3].

Além disso, uma grande vantagem da acupuntura sobre os tratamentos convencionais é que a acupuntura não causa efeitos colaterais na grande maioria dos pacientes[4].

Mas há mais do que isso na acupuntura. Como médicos e especialistas em Medicina Tradicional Chinesa, nós olhamos a pessoa como um todo e fazemos a pergunta: “Porque esta pessoa está apresentando a ansiedade desta forma?”.

O que acontece durante a sessão de acupuntura para ansiedade?

acupuntura dor relaxar

Durante a consulta, seu médico pode perguntar como é que você vivencia a ansiedade. O que significa que perguntará como ela se manifesta nos âmbitos físico, mental e emocional.

O médico faz um exame clínico geral, avaliando a pessoa como um todo.

Pode, em determinadas situações, ajudar a desvendar as circunstâncias que levaram ao desenvolvimento da ansiedade.

Mas estamos interessados mesmo é no que aconteceu, ou está acontecendo, dentro de você. Estamos interessados no momento em que o desequilíbrio aconteceu e começou a privá-lo de sua resiliência, e que agora, o impede de seguir. Queremos ir além da resposta “bater ou correr”.

Técnicas relacionadas, incluindo acupuntura auricular (pontos de acupuntura na orelha), acupuntura a laser (estimulação de pontos de acupuntura com terapia a laser de baixa intensidade) e acupressão (pressão aplicada nos pontos de acupuntura) também podem ser usadas.


Tabela: Possibilidades numa sessão de acupuntura

EtapaDescrição
1O médico primeiro perguntará sobre seu histórico médico e o motivo da visita.
2O médico fará um exame físico detalhado
3O profissional da consulta irá inserir agulhas muito finas em pontos específicos do corpo.
4As agulhas podem ser suavemente manipuladas ou aquecidas.
5As agulhas permanecerão no local por 10 a 30 minutos.
6O profissional da consulta médica removerá as agulhas e poderá aplicar calor, pressão ou medidas não invasivas na área.
7O profissional da consulta pode recomendar mudanças no estilo de vida.

Maneiras diferentes da ansiedade afetar as pessoas

Os sintomas que podemos monitorar de semana a semana são numerosos, e podem incluir:

  • Incapacidade de relaxar, de ter um raciocínio circular, presença de aversão à eventos sociais
  • Irritabilidade, raiva, pensamento obsessivo, medos e fobias.
  • Palpitações cardíacas, mãos suadas, dificuldade de respirar e falta de fôlego
  • Insônia, sono agitado, pesadelos
  • Dor
  • Intestino irritado (diarreia, constipações, inchaços, indigestão)
  • Alta frequência urinária e incontinência.
  • Queda de cabelo, isolamento social


Transtornos de ansiedade, incluindo transtorno de pânico com ou sem agorafobia, transtorno de ansiedade generalizada, fobias específicas e transtorno de ansiedade de separação são os transtornos mentais mais prevalentes e estão associados com imensos custos de saúde e uma alta carga de doenças.

Quantas sessões costumam ser necessárias?

Em geral, recomendamos um programa de 4 a 6 sessões para haver melhoras significativas[5].

Cada sessão tem duração média de 30 a 45 minutos. Os pacientes costumam sentir-se mais relaxados durante e logo após cada tratamento. Com frequência percebemos que o relaxamento se estende, também, por períodos longos após cada sessão[6].

Os pacientes relatam que se sentem “como eles mesmos de novo”. Um pouco de cada vez, as pessoas começam a desenvolver um maior otimismo e confiança. Sorriem mais vezes e riem de forma mais genuína. Acupuntura para insônia também pode ser benéfica.

Em geral, os pacientes descobrem que cuidar deles mesmos (comer bem, se exercitar e estabelecer limites) se torna mais fácil quando a sensação de ansiedade reduz.

Quão eficaz a acupuntura é para tratar a ansiedade?

acupuntura ansiedade relaxar

Estudos atuais continuam a mostrar que a acupuntura é bem significativa na redução da ansiedade em uma ampla gama de situações e condições[7].

O estudos observaram mulheres sob tratamento de Fertilização In Vitro, pacientes a caminho de cirurgias e estudantes se preparando para as provas, e notou-se que todos se beneficiaram da acupuntura como tratamento para a ansiedade.

Os resultados da acupuntura foram, de forma significativa, melhores que os efeitos da acupuntura sham para todos os casos.

Embora o mecanismo de tratamento da ansiedade com acupuntura não esteja claro até agora, mais e mais evidências sugerem o efeito da acupuntura no tratamento da ansiedade.

Acupuntura para ansiedade: papel complementar

Acupuntura pode reduzir sintomas de ansiedade em alguns estudos, mas a evidência ainda deve ser lida com cautela: protocolos, controles, qualidade dos estudos e comparação com tratamentos padrão variam. Para o paciente, isso significa que ela pode ser complemento, não substituto automático de psicoterapia, atividade física, sono, tratamento medicamentoso ou manejo de crises.

CenárioComo decidir
Ansiedade leve a moderadaPode ser testada como apoio quando há sintomas corporais e reavaliação definida.
Pânico, depressão importante ou ideação suicidaPrioridade é avaliação em saúde mental; acupuntura não deve atrasar cuidado.
Uso de anticoagulante ou imunossupressãoExige cautela por risco de sangramento ou infecção.
Medo de agulhaPode piorar ansiedade; outras estratégias podem ser melhores.

Acompanhe resposta de forma objetiva: sono, crises, evitação, uso de álcool ou calmantes, frequência cardíaca percebida, funcionamento no trabalho e capacidade de retomar atividades. Se nada muda após um período combinado, o plano deve ser revisto.

Fontes e leitura útil

  • NCCIH: anxiety and complementary health approaches
  • NCCIH: acupuncture effectiveness and safety

Fontes úteis

  • NCCIH: Acupuncture Effectiveness and Safety
  • PubMed: Acupuncture for anxiety systematic review
Referências bibliográficas7 fontes
  1. 1.
    Zhao ZQ. Neural mechanism underlying acupuncture analgesia. Progress in neurobiology. 2008 Aug 1;85(4):355-75.
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Arquivado em: Acupuntura

Dor Crônica – O que é? Causas, Sintomas, Tratamentos

22 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dor crônica geralmente é dor que persiste por mais de três meses ou além do tempo esperado de cicatrização. Ela pode ser secundária a uma doença ou lesão identificável, ou pode se tornar um problema principal, com alterações de sensibilidade, sono, humor, movimento e função.

O tratamento deve mirar função, sono, movimento e participação, não apenas zerar a nota de dor. Uma boa avaliação procura sinais de doença ativa, irritação de nervo, sensibilização, perda de força, impacto no sono, medo de movimento, uso de remédios e objetivos realistas.

CamadaExemploPor que muda o plano
Fonte periféricaArtrose, tendinopatia, neuropatia, inflamação.Pede diagnóstico e tratamento do gerador de dor.
SensibilizaçãoDor desproporcional, difusa ou persistente.Educação, sono e exposição gradual ganham peso.
FunçãoTrabalho, marcha, autocuidado, lazer.Mostra se o plano está realmente ajudando.

Resumo sobre Dor Crônica

  • A dor crônica é definida como qualquer dor que dura mais de 12 semanas.
  • Pode ser causado por uma lesão, uma condição médica ou um distúrbio de saúde mental.
  • Pode ser leve, intensa, constante ou intermitente.
  • Ele pode interferir na capacidade de uma pessoa trabalhar ou realizar atividades diárias.
  • Pode causar sofrimento emocional, como depressão, ansiedade e raiva.
  • Muitas vezes é tratado com medicamentos, fisioterapia e mudanças no estilo de vida.

O nosso dia a dia já é tão cheio de problemas e preocupações que qualquer coisa que nos tira a saúde acaba se tornando algo ainda pior. Dentre as coisas que afetam nossa saúde e que se torna um fardo está a dor crônica. A dor crônica costuma aparecer como um problema aparentemente simples, mas que parece não sanar de forma alguma e persiste por meses, anos às vezes[1].

As pessoas costumam relacionar a intensidade desta dor com a gravidade da doença. Mas, no caso da dor crônica, a relação não funciona assim. Dores muito intensas podem estar relacionadas a nenhuma doença específica[2].

A definição de dor elaborada pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) é “a dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual real ou potencial, ou descrita em termos de tal dano”. Esta é uma definição amplamente usada e aceita de dor aguda de curto prazo e dor crônica.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que aproximadamente 30% da população sofre com a dor crônica. Além disso, a dor crônica é causadora de impactos bastante negativos na população como morbidade, absenteísmo e incapacidade temporária ou permanente no mercado de trabalho, o que gera custos elevados para os sistemas de saúde.

Somado a isso, há impacto no sono, no trabalho, na mobilidade, no humor e na rotina familiar. Um dos fatores que complica ainda mais a situação é que a maioria dos casos de dor crônica parece não haver um motivo para a dor persistir. Isso dificulta o tratamento apropriado e, por isso, é um importante problema de saúde pública[3].

Confira abaixo mais detalhes sobre o que é a dor crônica e como administrá-la.


A dor é sempre uma experiência pessoal influenciada em graus variados por fatores biológicos, psicológicos e sociais.


O que é dor crônica?

sistema nervoso cerebro neurotransmissores

A dor crônica é caracterizada pela dor que persiste ou ocorre com frequência por mais de três meses, embora outros critérios sejam utilizados.

Em determinadas situações, classifica-se como dor crônica a dor persistente por pelo menos seis meses ou aquela que persiste após o período estimado para a recuperação normal de uma lesão, estimado em semanas. E esta dor pode ser agravada por traumatismos ou posições forçadas, ou incorretas, por exemplo[4].

A dor crônica é geralmente dividida em dois tipos: a dor nociceptiva e a dor neuropática. A dor nociceptiva é aquela ligada a um dano no tecido, enquanto a dor neuropática é a dor ligada aos nervos.


O sistema sensorial da dor é projetado para a sobrevivência. Se um sinal de dor persistir, a programação padrão é que a ameaça à sobrevivência continua sendo uma preocupação urgente. Assim, o objetivo do sistema de dor é tirá-lo do caminho do perigo aumentando a intensidade e o desconforto do sinal de dor.


Quais as causas da dor crônica?

A dor crônica costuma estar associada com doenças caracterizadas como crônicas, como é o caso do câncer, da artrite reumatoide e da diabetes.

Pode estar associada também com lesões, como hérnia de disco, ligamento rompido e doenças primárias, como dor neuropática, fibromialgia, cefaleia crônica, artrite reumatoide e hérnia de disco. Nesses casos, o agente da dor é classificado como oculto ou remoto. Este tipo de dor costuma ser mais difícil de tratar[5].

No entanto, até mesmo lesões leves podem causar dor persistente. Nesses casos, dizemos que o agente da dor é evidente, como uma dor crônica após torcer o pé.

A grande maioria dos casos de dor crônica está ligado a um processo físico, como dores causadas pelo câncer. No entanto, até mesmo fatores psicológicos podem aumentar a intensidade ou a duração da dor persistente. Nesses casos, o nível da dor crônica pode ser desproporcional aos processos físicos que estão relacionados a ela.

Consequentemente, a dor crônica pode provocar ou exacerbar problemas psicológicos como a depressão e a ansiedade[6].


Causas comuns de dor crônica incluem:

DiagnósticoDescrição
FibromialgiaUm distúrbio crônico caracterizado por dor musculoesquelética generalizada, fadiga e sensibilidade em áreas localizadas.
OsteoartriteUma doença articular degenerativa que causa rigidez e dor nas articulações.
EnxaquecaUm distúrbio de dor de cabeça recorrente que geralmente é caracterizado por intensa dor latejante ou pulsante em uma área da cabeça.
Dor NeuropáticaUm distúrbio de dor crônica causado por dano ou doença nos nervos.
Síndrome Dolorosa MiofascialUma condição crônica caracterizada por dor e sensibilidade nos músculos e tecidos moles.


Processamento da dor no sistema nervoso periférico e central

A fisiologia do processamento da dor compreende funcionalmente quatro etapas: transdução, transmissão, modulação e percepção. Esses processos são clinicamente relevantes, pois cada um fornece alvos para o tratamento e prevenção da dor.

  • A transdução é a geração de um potencial de ação a partir de um estímulo químico, mecânico ou térmico nocivo.
  • A transmissão é a propagação do sinal através da via aferente do nociceptor ao córtex sensorial.
  • A modulação é a modificação positiva ou negativa do sinal de dor ao longo da via aferente.
  • A percepção é a integração do sinal de dor na consciência.

O processo de dor no corpo começa com a estimulação de nociceptores, que estão presentes nas terminações nervosas livres do corpo. Esses nociceptores detectam lesões teciduais por estímulos nocivos, enviando impulsos nervosos elétricos para os gânglios da raiz dorsal. A partir daí, o sinal viaja para a medula espinhal, o tálamo e, finalmente, o córtex cerebral, que determina a localização exata da dor. Isso permite que os humanos reconheçam a dor e tomem as medidas necessárias para evitar mais danos.


Fatores de risco para dor crônica

  • Ser do gênero feminino
  • Ter mais de 60 anos
  • Baixo nível socioeconômico e de instrução
  • Obesidade e sobrepeso
  • Localização anatômica: lombar e cervical, cabeça e membros são as regiões mais frequentemente afetadas
  • Problemas como ansiedade e depressão
  • Desemprego


Sintomas da dor crônica

fibromialgia dor cronica

A dor crônica provoca, com frequência, sinais vegetativos. Exemplos de sinais vegetativos são o cansaço, falta de apetite, problemas de sono, diminuição da libido, constipação intestinal. Esses sintomas vão se desenvolvendo gradualmente.

Com o tempo, a dor constante que limita a movimentação do paciente afetado por levar a problemas psicológicos como depressão e ansiedade.

Decorrente disso, os pacientes se isolam e se afastam da sociedade. E como resultado final, estas pessoas costumam sair do trabalho, gerando, além do impacto na saúde pública, impacto econômico.

SintomaDescrição
Dores de cabeçaAs dores de cabeça crônicas podem variar de leves a graves e podem durar horas ou dias.
Dor nas ArticulaçõesA dor crônica nas articulações é uma dor persistente e muitas vezes duradoura que pode afetar qualquer articulação do corpo.
Dores muscularesA dor muscular crônica é uma dor persistente, geralmente de longa duração, que pode afetar qualquer músculo do corpo.
FadigaA fadiga crônica pode durar semanas, meses ou até anos e pode ser debilitante.
Problemas de sonoProblemas crônicos de sono podem incluir dificuldade em adormecer, permanecer dormindo ou ter um sono restaurador suficiente.
Mudanças de humorA dor crônica pode causar sentimentos de tristeza, ansiedade e depressão.


Quais os tratamentos para dor crônica?

Uma das principais dificuldades do tratamento para dor crônica é que os remédios convencionais geralmente não funcionam e podem até mesmo piorar a situação.

O simples repouso contínuo que é frequentemente indicado pelos médicos não é indicado para dores crônicas. Isto porque pode levar a uma deficiência circulatória grave e até mesmo reduzir a mobilidade do paciente. Essa limitação de movimentação gera ainda sentimentos de impotência que, consequentemente, pode levar a depressão.

Por isso, uma das tentativas de tratamento nesses casos é o envolvimento de vários especialistas, o que chamamos de tratamento interdisciplinar.

O tratamento interdisciplinas envolve além de médicos, psicólogos e fisioterapeutas e medicamentos analgésicos, combinados com métodos físicos, e tratamentos psicológicos.

MedicamentoComo funcionaEfeitos colaterais comuns
Anti-Inflamatórios Não Esteoidais (ibuprofeno, aspirina, cetoprofeno, celecoxibe, trometamol)Reduz a inflamação e diminui a dor.Náusea, vômito, dor de estômago, constipação, azia, dor de cabeça, tontura, erupção cutânea.
Analgésicos (dipirona, paracetamol)Atuar no sistema nervoso central para aliviar a dor.Sonolência, tontura, confusão, constipação, náusea, vômito.
Opioides (tramal, codeina, metadona, morfina)Ligue-se a receptores opioides no cérebro e na medula espinhal para reduzir as mensagens de dor.Náusea, vômito, constipação, tontura, sedação, confusão e depressão respiratória.
Antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, venlafaxina, duloxetina)Atua no sistema nervoso central para reduzir a dor e melhorar o humor.Náusea, boca seca, constipação, sonolência, tontura, dor de cabeça, visão turva, disfunção sexual.
Anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina, carbamazepina)Estabilize a atividade elétrica no cérebro para reduzir a dor.Sonolência, tontura, confusão, náusea, vômito, ganho de peso, visão turva, depressão, tremor.
Medicamentos Tópicos (capsaicina)Aplicar medicação através da pele para reduzir a dor.Irritação da pele, vermelhidão, coceira, erupção cutânea, dor de cabeça, náusea, tontura.
Anestésicos tópicos (patch de lidocaína)Reduza os sinais nervosos para reduzir a dor.Irritação da pele, vermelhidão, coceira, erupção cutânea.
CanabidiolLiga-se a receptores no cérebro e na medula espinhal para reduzir a dor.Sonolência, boca seca, náusea, fadiga, tontura.

Os médicos geralmente indicam anti-inflamatórios, antidepressivos, analgésicos ou anticonvulsivantes[7]. Em determinadas situações, pode até ser sugerido procedimentos de intervenção, como radiofrequência ou bloqueios anestésicos, além de atividades físicas, acupuntura, psicoterapia e outros.

Outra sugestão dos médicos para tratar dores crônicas é uma mudança radical no estilo de vida, como dieta balanceada, mais atividades físicas, atividades de lazer e bem-estar, que promovem o equilíbrio do corpo[8].

Tratamentos não farmacológicos para dor crônicaExplicação
reabilitaçãoExercícios personalizados para ajudar a melhorar a mobilidade e reduzir a dor
ExercícioExercício regular para melhorar a força e reduzir a dor
Terapia de calor ou frioUso de calor ou frio para reduzir a inflamação e a dor
YogaAlongamento consciente para reduzir a tensão e melhorar a flexibilidade
medidas não invasivasManipulação manual dos músculos para reduzir a tensão e a dor
acupunturaInserção de agulhas para estimular o fluxo de energia e reduzir a dor
Técnicas de relaxamentoMeditação e respiração profunda para reduzir o estresse e a dor
Terapia Cognitiva ComportamentalTerapia para mudar padrões de pensamento negativo e melhorar o enfrentamento
BiofeedbackUso de tecnologia para monitorar e controlar respostas fisiológicas

Mesmo quando a dor crônica não desaparece completamente, é possível reduzir impacto, melhorar função e ajustar o plano com mais segurança. Isso pode favorecer sono, mobilidade, participação social e retorno gradual do paciente, interagindo com pessoas e voltando ao mercado de trabalho.


Diagnóstico para dor crônica

Sempre há maior probabilidade de a dor crônica ser decorrente de uma causa física. Por isso, o primeiro passo é identificá-la com o auxílios de testes físicos e exames.

Além disso, é importante estimar o efeito da dor na vida do paciente. Pode ser até mesmo necessário a avaliação por um psiquiatra forma no caso de suspeita de algum problema psicológico preexistente. Se for este caso, eles precisam ser tratados para que a administração da dor tenha maior sucesso.

  • Exame Físico: Será realizado um exame físico para avaliar a localização, intensidade e tipo de dor crônica. Este exame também pode incluir uma amplitude de movimento, teste de reflexo e uma avaliação de quaisquer condições médicas subjacentes.
  • Exame neurológico: um exame neurológico pode ser usado para avaliar a função do nervo e descartar condições como síndrome do túnel do carpo, neuropatia periférica e danos nos nervos.


Exames complementares para dor crônica

  • Exames laboratoriais: exames de sangue podem ser usados para detectar inflamações ou infecções, como hemograma completo (CBC), proteína C reativa (PCR), velocidade de hemossedimentação (ESR) e fator reumatoide (FR).
  • Exames de imagem: Testes de imagem, como raios-X, tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem ajudar a identificar quaisquer problemas estruturais subjacentes que possam estar contribuindo para a dor crônica. Isso pode incluir fraturas ósseas, hérnia de disco e artrite.
  • Diagnóstico Diferencial: O diagnóstico diferencial é uma parte importante do diagnóstico da dor crônica. Isso envolve restringir as possíveis causas de dor para determinar o diagnóstico mais provável. O diagnóstico diferencial pode incluir testes como eletromiografia (EMG) ou estudos de condução nervosa (NCS) para avaliar a função nervosa e uma avaliação psicossocial para avaliar o impacto psicológico da dor.


Consequências da dor crônica

Entre as principais consequências da dor crônica podemos citar:

  • Incapacidade física e funcional
  • Limitação de movimentos
  • Dependência de amigos e familiares
  • Isolamento social
  • Sensação de incapacidade
  • Alterações na libido
  • Mudanças na dinâmica familiar
  • Problemas econômicos
  • Problemas psicológicos
  • Falta de esperança


A dor de cada pessoa é diferente, e há muitas causas de agravamento da dor. Estresse, depressão, raiva, ansiedade ou medo e isolamento podem criar mais sinais de dor no corpo. Colocar-se no comando ajuda a manejar melhor a dor crônica.

Fontes usadas nesta revisão

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Arquivado em: Doenças de A-Z, Dor

Síndrome do piriforme: Causa comum de dor no quadril

22 de dezembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Síndrome do piriforme é uma possível causa de dor profunda no glúteo com irradiação para a perna, mas não deve ser confundida automaticamente com qualquer ciatalgia. Coluna lombar, quadril, sacroilíaca, tendões glúteos e nervos periféricos também podem produzir sintomas semelhantes.

A síndrome do piriforme é uma desordem neuromuscular incomum, que é causada quando o músculo piriforme comprime o nervo ciático. O músculo piriforme é um músculo plano, como uma faixa, localizado nas nádegas perto do topo da articulação do quadril[1].

Este músculo é importante nos movimentos da parte inferior do corpo, pois estabiliza as articulações dos quadris e eleva e gira a coxa para fora do corpo. Esse movimento faz com que seja possível andar, trocar nosso peso de um pé para outro e manter o equilíbrio.

Também é usado em esportes que envolvem elevar e girar as coxas; na prática, participa de muitos movimentos dos quadris e das pernas[2].

O nervo ciático é um nervo do corpo grosso e longo. Ele passa ao lado ou através do músculo piriforme, vai para baixo da parte de trás da perna e eventualmente ramifica-se em nervos menores que terminam nos pés. A compressão do nervo pode ser causada por espasmos do músculo piriforme[3].


O músculo piriforme também pode irritar o nervo ciático próximo e causar dor, dormência e formigamento na parte de trás da perna e no pé (semelhante à dor ciática).


O que, afinal é piriforme?

sindrome-do-piriforme

O piriforme, vale dizer, embora tenha um nome pouco conhecido da população, nada mais é que um músculo localizado nas nádegas e que atua como abdutor e flexor do quadril, com importante papel na estabilidade postural na caminhada e quando estamos de pé. É por causa dele que rotacionamos as coxas para o lado de fora.

Na maioria da população – mais de 90% da pessoas – o nervo ciático sai do orifício ciático mais profundo, ao longo da superfície do músculo piriforme, sem causar a ele nenhuma pressão anormal.

Já para algumas pessoas – até 22%, conforme estudos estatísticos -, o ciático passa por entre o músculo, como se o perfurasse, ou o divide. Essa condição anatômica não é exatamente um defeito, mas predispõe os indivíduos que a possuem à síndrome do piriforme, porque acaba favorecendo a compressão do nervo mais do que nas pessoas com anatomia “normal”.

Alguns sintomas da patologia ocorrem como resultado de uma inflamação no local e congestão causada pela compressão muscular de pequenos nervos e vasos, como o pudendo (principal nervo do períneo, que saem na borda inferior medial do piriforme.


Sintomas de síndrome do piriforme

MUSCULO-PIRIFORME

A principal característica síndrome do piriforme é a dor intensa na região dos glúteos e do quadril causada pela inflamação do nervo ciático na região onde passa pelo músculo – por isso recebe esse nome.

Esse nervo, que sai da coluna lombar e inerva a região que vai até o dedão do pé (leia mais sobre as patologias do ciático aqui), pode ser inflamado por uma contratura ou lesão do músculo piriforme.

Além de dor nas nádegas com piora significativa após períodos maiores de 15 ou 20 minutos sentado, alguns pacientes ainda relatam formigamento das coxas, espasmos musculares, dificuldade de andar e dor ao rotacionar a perna, como ao caminhar com as pernas cruzadas (“andar de bêbado”). Os sintomas podem ter início súbito ou evoluir gradualmente, piorando com o tempo caso não sejam tratados.

Outras queixas podem incluir incapacidade de ficar sentado e manter apenas uma posição e ainda queimação nas regiões afetadas.

Também não é raro que os pacientes reclamem de sono prejudicado, já que a dor pode piorar no período noturno, trazendo prejuízos até mesmo para a qualidade de vida.


Sintomas de Dor do Piriforme
Dor nas nádegas
Dor irradiando para a parte de trás da perna
Dor que piora ao ficar sentado por muito tempo
Dor que piora ao subir escadas, correr ou caminhar
Formigamento ou dormência nas nádegas ou na parte de trás da perna
Fraqueza na perna afetada
Dificuldade de equilíbrio ou coordenação
Dificuldade em se levantar de uma posição sentada


Causas

SINDROME DO PIRIFORME DOR CIATICA

A síndrome do piriforme pode ter início por muitos motivos, sejam inflamações, exercícios físicos extenuantes ou até mesmo por sentar em cima da carteira, pressionando o nervo através do músculo. Aposto que você nunca tinha pensado nisso.

Causas relativamente comuns, por exemplo, são treinos de corrida ou caminhada em terrenos muito irregulares, com alternância de subidas e descida constantes, ou ainda o excesso de treino muscular para os glúteos, já que a hipertrofia muscular nessa região pode, algumas vezes pressionar o nervo e disparar o início dos sintomas.

Algumas outras causas para a síndrome do piriforme incluem:

  • Passar muito tempo sentado: Passar muito tempo sentado sobre as nádegas contribui para o surgimento da síndrome, além de poder causar outros problemas, sobretudo se aposição for aliada à má postura da coluna.
  • Exercícios para os glúteos em excesso: Sabe-se que a hipertrofia da musculatura do bumbum pode resultar em compressão e pinçamento do nervo ciático, levando ao aparecimento da dor. O ideal é realizar os exercícios com acompanhamento de um profissional e com as cargas e repetições recomendadas.
  • Variações anatômicas: Se o nervo ciático do indivíduo passar pelo ventre do músculo piriforme, como vimos acima, o nervo fica mais exposto a compressões e, consequentemente, inflamações.
  • Traumas: Como quedas ou acientes.
  • Espasmo muscular local: Pode ser uma irritação ou contratura do próprio músculo piriforme, ou ainda de estruturas adjacentes, como o quadril ou a articulação sacro-ilíaca (na região lombar).
  • Esportes: Alguns atletas como ciclistas e triatletas costumam apresentar a síndrome do piriforme com mais frequência, pois essas práticas exigem muito da musculatura piriforme, além de expor os praticantes a traumas.
  • Sentar em cima da carteira: A pressão exercida por sentar na carteira em cima dos glúteos pode levar à uma compressão do músculo piriforme, causa que acaba sendo comum para dores nessa área, mas é muitas vezes negligenciada.

Diferença entre dor ciática e síndrome do piriforme

CondiçãoFisiopatologiaTipo de Dor
Síndrome do piriformeUma compressão do nervo ciático causada por um músculo piriforme contraído.Dor nas nádegas.
CiáticaRadiculopatia causada por hérnia de disco, estreitamento do canal espinhal ou tumor.Sensação aguda, aguda ou de queimação na perna.

Diferença entre tendinopatia dos glúteos e síndrome do piriforme

CondiçãoFisiopatologiaTipo de Dor
Síndrome do piriformeInflamação, rigidez ou espasmo do músculo piriforme, um pequeno músculo localizado profundamente na nádega, que pode comprimir o nervo ciático e causar dor ciática.Dor aguda e lancinante na nádega, irradiando para a parte de trás da coxa e panturrilha.
Tendinopatia glúteaDor e inflamação no tendão glúteo máximo e médio, causada por uso excessivo ou lesão.Dor incômoda na nádega, que pode se estender pelas costas da perna.


Diagnosticando a síndrome do piriforme

Em geral, uma boa avaliação clínica costuma ser suficiente para diagnosticar o problema, que deve levantar desconfiança no médico em qualquer caso de dor lombar que exclua um quadro de patologia lombossacra da coluna vertebral.

Não há um exame definitivo para a síndrome do piriforme. Em determinadas situações, há uma história de trauma na área, atividade repetitiva e vigorosa como corridas de longa distância, ou o paciente passa muito tempo sentado[4].

O diagnóstico da síndrome piriforme é feito através de relatos dos sintomas pelo paciente e por exames físicos usando uma variedade de movimentos para descobrir a dor do músculo piriforme. Em determinadas situações, um músculo piriforme contraído ou sensível pode ser encontrado no exame[5].

Porque os sintomas podem ser semelhantes em outras condições, testes radiológicos, tais como radiografias da coluna e quadril, além da ressonância magnética do quadril ou lombossacra podem ser necessários para descartar outras causas de compressão do nervo ciático como uma hérnia de disco.

Embora muitos fatores possam contribuir para o desenvolvimento da síndrome do piriforme, as causas exatas permanecem desconhecidas. Possíveis fatores contribuintes incluem espasmos musculares, aperto, inchaço ou sangramento do músculo piriforme devido a irritação, ou lesão traumática no músculo piriforme ou no quadril. Qualquer uma dessas condições pode levar à síndrome do piriforme.

Embora a síndrome do piriforme não seja uma condição grave, é importante que o especialista faça uma análise cuidadosa para excluir outros diagnósticos com sintomas semelhantes, entre eles:

Diagnóstico DiferencialExplicação
CoccidíniaDor dentro e ao redor do cóccix, geralmente causada por trauma ou inflamação.
Disfunção da Articulação SacroilíacaDor e rigidez na região lombar causada pelo desalinhamento das articulações sacroilíacas.
Radiculopatia lombarCompressão de uma raiz nervosa na região lombar, que pode causar dor, formigamento e fraqueza na região lombar, quadris e pernas.
Hérnia de discoUm disco protuberante ou rompido na parte inferior das costas, que pode causar dor, formigamento e fraqueza na parte inferior das costas, quadris e pernas.
Estenose EspinhalEstreitamento do canal espinhal, que pode causar dor, formigamento e fraqueza na parte inferior das costas, quadris e pernas.
Compressão do Nervo CiáticoCompressão do nervo ciático pelo músculo piriforme ou outras estruturas, que pode causar dor, formigamento e fraqueza na parte inferior das costas, quadris e pernas.
Espondilose lombarMudanças degenerativas na região lombar, que podem causar dor e rigidez na região lombar.
OsteoartritePode gerar rigidez, dor local na articulação do quadril
Dor MiofascialDor muscular na região paravertebral, lombar e glútea, com rigidez, dor local e/ou irradiada para a perna (posteriormente).

Pontos gatilhos miofasciais associados em alguns casos

Em muitos pacientes com dor crônica no piriforme, é comum a presença de bandas tensas e pontos gatilhos miofasciais.

Locais comuns incluem:

MúsculoPonto de GatilhoPadrão de dor
PiriformeProfundamente dentro do ventre muscularA dor se irradia para a região glútea, parte posterior da coxa e, às vezes, até a panturrilha
Quadrado LombarTrigger point localizado na borda inferior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Gêmeo SuperiorBorda lateral superior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Gêmeo InferiorBorda lateral inferior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Obturador internoMedial, borda inferior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Obturador ExternoTender point localizado na borda inferior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Glúteo MédioBorda lateral superior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Glúteo mínimoBorda lateral inferior do músculoA dor irradia para a região lombar e do quadril
Tensor da fáscia lateralBorda lateral superior do músculoA dor irradia para a parte inferior das costas, quadril e região externa da coxa
SartórioBorda medial superior do músculoA dor irradia do quadril até o joelho


Tratamento da síndrome do piriforme

SÍNDROME-DO-PIRIFORME

O tratamento da síndrome do piriforme é dividido em duas fases, sendo uma para controle e redução da dor, e outra para aumento da flexibilidade, o que previne novas crises ou que a cronificação dos sintomas.


Fase 1: Reduzir a dor

Compressas quentes e frias

Essa fase do tratamento costuma se vale de técnicas de relaxamento muscular por meio de aplicações de gelo ou calor, eletroterapia, massagem e alongamento.

O gelo deve ser aplicado nos casos de dor aguda, para ajudar a reduzir o espasmo muscular.

Já para dores crônicas, o melhor é fazer aplicações de compressas quentes, para relaxamento do músculo dolorido. Vale dizer que lesões agudas, inflamações ou lacerações musculares não devem receber tratamentos de calor, sob o risco de piora do inchaço e da inflamação no local.

Você pode aplicar o calor no banho mesmo ou com garrafas de água quente aplicadas no local da dor por aproximadamente 20 minutos, três vezes ao dia. A temperatura mais alta ajuda a liberar o fluxo sanguíneo e, assim, acelerar a recuperação.

As compressas também podem ser aplicadas antes de exercícios, sobretudo os de alongamento, fazendo com eles sejam ainda mais eficazes, pois a técnica potencializa o relaxamento dos músculos.

Massagens e fisioterapia

Massagens esportivas feitas por um fisioterapeuta, eletroterapia com ultrassom ou ainda massagens relaxantes podem ser usadas na fase de dor para liberar os espasmos do músculo que causam a dor.

Também é importante interromper temporariamente atividades que pioram os sintomas, como corridas e outras atividades que envolvam sobrecarga de peso aos glúteos.


Fase 2: Força e flexibilidade

Se a dor permitir, os médicos indicam a realização de alongamentos da musculatura piriforme, a fim de que o relaxamento e o aumento da flexibilidade da região suavizem a pressão sobre o nervo que causa a dor.

Cada exercício de alongamento deve ser mantido por, em média, 20 segundos, e feitos pelo menos três vezes por dia.

Outras opções terapêuticas incluem aplicação toxina botulínica (botox) para redução dos espasmos musculares, medicamentos para dor ou relaxantes musculares, corticosteroides ou injeções analgésicas.

Existem opções cirúrgicas de tratamento, mas elas são indicadas apenas em casos bem raros que não respondem ao tratamento convencional. Um das mais populares é o corte do tendão piriforme onde ele se prende ao quadril.

Infiltração de pontos gatilhos

Um técnica que pode ajudar no controle da dor é a infiltração de pontos gatilhos com agulhas de acupuntura, a seco ou com lidocaína, procedimento realizado pelo médico fisiatra.

Por essa técnica, o especialista localiza o músculo e faz a infiltração diretamente no piriforme para diminuir o espasmo e a contratura muscular, podendo com chances de alívio da dor por um período prolongado.

Acupuntura

Outra aliada importante no controle da dor causada pela síndrome é a acupuntura, na qual o médico realiza um tratamento individualizado, a fim de alcançar os efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes da prática e para a contratura muscular.

Um estudo de 2009conduzido conjuntamente por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP – Ribeirão Preto) e da Universidade Ibirapuera (São Paulo), concluiu que o uso da acupuntura associado à medidas não invasivas pode trazer melhoras significativas dos sintomas.

No estudo, os médicos trataram nove atletas de corrida, de ambos os sexos e com idade média de 44,5 anos, com uma associação de acupuntura e shiatsu. Ao fim do estudo, os acadêmicos notaram melhora significativa da dor e da flexibilidade, com rápido restabelecimento da função muscular e retorno aos treinos.


Síndrome do piriforme e gestação

Na gestação, a mulher começa a secretar o hormônio chamado “relaxina”, que aumenta o estiramento pélvico e pode potencialmente abrir espaço nas articulações sacroilíacas.

Além disso, a coluna vertebral da gestante também tende a aumentar a lordose (curvatura da lombar), o que acaba por naturalmente inclinar sua pélvis para a frente.

A combinação desses dois fatores fazem com que o grupo de músculos glúteos dos quadris fiquem mais alongados e tensos, sobretudo os músculos profundos, como o piriforme.

A notícia desanimadora é que o quadro tende a piorar a medida que a gestação avança e muito remédios acabam ficando fora de cogitação nessa fase, pelos perigos que podem representar ao bebê em desenvolvimento.

O que pode ajudar, nesses casos, é o treinamento da postura, medidas não invasivas de conforto e acupuntura para aliviar os sintomas ou evitar o agravamento deles.


Prevenção da síndrome piriforme

Desde que a síndrome do piriforme é geralmente causada por esportes ou movimentos repetidos que salientam o músculo piriforme, como corrida, a prevenção é muitas vezes relacionada a boa forma. Evite correr ou se exercitar em colinas ou terrenos irregulares.

Se aqueça propriamente antes de começar a atividade e aumente a intensidade do exercício gradualmente. Mantenha um boa postura enquanto correr, caminhar ou se exercitar. Se tiver dor, pare a atividade e descanse até que a dor diminua. Consulte um médico caso seja necessário[6].

Estratégias preventivasDescrição
Alongar e fortalecer os músculosAlonge os músculos do quadril e das nádegas e fortaleça os músculos ao redor da pélvis.
Postura adequadaMantenha uma boa postura ao sentar, levantar e caminhar.
DescansarDescanse se sentir dor ou desconforto nas atividades.
Use sapatos adequadosUse sapatos com bom suporte de arco e amortecimento.
Corrija sua posturaCorrija sua postura ao sentar, ficar de pé e caminhar.


Convivendo com a síndrome do piriforme

Você pode achar que a síndrome do piriforme vem e vai, dependendo do seu nível de atividade.

Tente reconhecer as atividades que parecem desencadeá-lo. Dessa forma, você pode ter certeza de fazer exercícios para alongar os músculos piriformes antes e depois dessas atividades.


Perguntas frequentes sobre a síndrome de piriforme:

Quais exercícios devo evitar?

Os especialistas recomendam que se evite, durante o tratamento, principalmente a corrida, em função do impacto sobre a musculatura. É comum que os pacientes se queixem de piora da dor poucos minutos após o início dos treinos.

Outro exercício do qual convém manter distância na crise é a bicicleta, pois o assento pode aumentar a pressão na região e, além disso, o movimento repetitivo de flexão e extensão das coxas pode agravar o quadro.

Qual o tempo de recuperação?

Não há uma regra geral quanto ao tempo de recuperação e cada paciente terá sua cura em um determinado período, a depender da extensão da lesão, grau de contratura muscular e os tratamentos prévios já realizados.

No entanto, com diagnóstico precoce, o prognóstico costuma ser bastante bom. Evite adiar a visita ao médico, sob risco de tornar sua dor crônica, bem mais difícil de tratar com os métodos convencionais.

Vou precisar de cirurgia?

A necessidade de cirurgia é rara, visto que cerca de 95% dos casos respondem bem a tratamentos clínicos.

Associar atividades físicas, tratamento medicamentosos, quando necessários, e técnicas como fisioterapia e massagens costumam ser suficientes para o alívio das dores.


Infográfico – Dor no Piriforme

Infografico - Dor no quadril

Piriforme: diagnóstico clínico e exclusões

Síndrome do piriforme é uma causa possível, mas não a mais comum, de dor no glúteo com irradiação para a perna. O ponto crítico é não transformar toda “ciatalgia” em piriforme: hérnia de disco, estenose lombar, sacroilíaca, quadril, tendões glúteos e neuropatias periféricas podem parecer semelhantes.

AchadoInterpretação
Dor profunda no glúteo ao sentarPode apontar para região do piriforme, mas não é exclusivo.
Irradiação abaixo do joelhoExige pensar em raiz nervosa lombar e nervo ciático.
Fraqueza, perda de reflexo ou dormência progressivaFavorece investigação neurológica ou lombar.
Melhora com reabilitação específicaApoia hipótese mecânica, mas resposta deve ser medida por função.

O plano costuma começar por ajustar carga, mobilidade de quadril, fortalecimento de glúteos e controle de irritação neural. Infiltrações e toxina botulínica aparecem na literatura para casos selecionados, mas a evidência é variável; fazem mais sentido quando o diagnóstico foi bem testado e outras causas foram consideradas.

Fontes úteis

Referências citadas6 fontes
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  • PubMed: Surgical and non-surgical treatment options for piriformis syndrome

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Cefaleia Tensional – Dor de cabeça recorrente em pressão

22 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Segundo a Sociedade Brasileira em Cefaleia e a International Headache Society, a Cefaleia do Tipo Tensional (CTT, CID G44.2) é uma das principais causas de dor de cabeça do mundo, afligindo cerca de 38 a 74% dos brasileiros [1].

A epidemiologia da doença sugere uma maior prevalência dessa cefaleia em mulheres, e tendo seu pico na idade adulta (entre 30 a 40 anos) [1-4] – mas também acometendo homens, idosos [5], crianças e adolescentes [6].

Classificação da Cefaléia Tensional

estatistica cefaleia tensional

Podendo ser classificada em Cefaleia do Tipo Tensional episódica ou crônica [7], essa cefaleia pode afetar a qualidade de vida dos seus portadores de maneira mais ou menos intensa de acordo com seu subtipo [1, 8].

Com causa e fisiopatologia ainda não muito conhecidas, seu diagnóstico é baseado especialmente na presença de dores não pulsantes em forma de pressão na cabeça de forma bilateral, e seu tratamento é dividido em tratamento agudo ou profilático [7].

Pacientes com diagnóstico de cefaleia tensional apresentam um bom prognóstico, com o tratamento medicamentoso e não-medicamentoso eficazes no controle da dor e na diminuição da frequência de crises  [9-11].

ClassificaçãoDescrição
Cefaleia do tipo Tensão EpisódicaDores de cabeça que ocorrem menos de 15 dias por mês
Cefaléia tipo tensão crônicaDores de cabeça que ocorrem 15 ou mais dias por mês




Fisiopatologia da Cefaléia Tensional

cefaleia tensional

 A fisiopatologia da cefaleia tensional ainda é bastante discutida. Inicialmente, propunha-se que a contração muscular advinda de reações físicas a quadros e episódios estressantes desencadeariam uma isquemia, sendo esse o gatilho para a dor de cabeça.

Entretanto, mais recentemente e por meio de investigações com exames de eletromiografia (EMG), foi demonstrado que essa relação da contração muscular e do quadro de cefaleia tensional não é a melhor definição para a fisiopatologia dessa doença [1, 12, 13].

Adicionalmente, também não se considera uma relação direta e única de psicopatologias como desencadeante para a cefaleia tensional [13].

 Atualmente, propõe-se uma relação de mecanismos periféricos e centrais nesse quadro. Nos mecanismos periféricos, estima-se que a contração muscular excessiva estimula a membrana de músculos miofaciais pericranianos[12, 14] e de suas fibras nervosas [1] que, por sua vez, são responsáveis pela liberação de toxinas que afetam a terminação nervosa livre[15], e pode culminar em episódios de inflamação [16], diminuição no fluxo sanguíneo e atrofia muscular [17], levando à hipersensibilidade à dor.

FisiopatologiaDescrição
Alterações da pressão intracranianaO início da cefaléia tensional é freqüentemente precedido por um aumento na pressão intracraniana. Acredita-se que isso se deva ao aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano, que pode ser causado por vários fatores, incluindo desidratação, estresse e fadiga.
Disfunção da coluna cervicalOs músculos do pescoço e da parte superior das costas podem ficar tensos e tensos devido a uma variedade de fatores, como má postura, estresse e desequilíbrios musculares. Isso pode levar ao aumento da pressão e tensão nos músculos e nervos do pescoço, resultando em uma dor de cabeça tensional.
Disfunção vascularAs dores de cabeça tensionais são frequentemente acompanhadas por alterações no fluxo sanguíneo para a cabeça e o pescoço. Isso pode ser causado por alterações na pressão sanguínea, constrição dos vasos sanguíneos ou diminuição na quantidade de oxigênio que chega ao cérebro.
Disfunção neuromuscularOs músculos da cabeça e do pescoço podem ficar excessivamente tensos, levando a um aumento da pressão nos nervos e músculos, resultando em uma dor de cabeça tensional.


Sistema Nervoso Central e Cefaleia do Tipo Tensional

Oxi: riscos, efeitos e dependência

Em mecanismos relacionados ao Sistema Nervoso Central, propõe-se a relação da cefaleia tensional com a sensibilização central. Esse quadro pode ocorrer pela modulação anormal e excessiva de interneurônios de comunicação entre o nervo trigêmeo e o corno dorsal da medula espinal, tendo consequências na diminuição do limiar de dor[12, 13, 17, 18].

Neuroanatomicamente, essa hipótese é sustentada pela diminuição do volume de substância cinzenta especialmente em pacientes que apresentam cefaleia tensional crônica[5, 8].


Neurotransmissores e Cefaleia do Tipo Tensional

Propõe-se, também, que mecanismos centrais da cefaleia tensional estejam ligados a mecanismos bioquímicos como o desbalanço de neurotransmissores e de neuromoduladores.

Dentre eles, destacam-se alterações no sistema serotonérgico, na produção de óxido nítrico e de prostaglandinas – estes últimos, responsáveis pelo aumento da excitabilidade das células afetadas [18].

  • Serotonina – Os níveis de serotonina desempenham um papel importante no desenvolvimento de dores de cabeça tensionais devido à sua capacidade de modular a atividade dos neurônios sensíveis à dor.
  • Norepinefrina – A norepinefrina é responsável por causar a liberação de outras substâncias químicas que afetam a sensibilidade dos receptores de dor no cérebro, levando a dores de cabeça tensionais.
  • Histamina – A histamina é um neurotransmissor envolvido em dores de cabeça tensionais, pois acredita-se que contribua para a inflamação frequentemente associada a uma dor de cabeça.
  • Substância P – A substância P é um neurotransmissor envolvido na transmissão de sinais de dor e acredita-se que desempenhe um papel nas dores de cabeça tensionais.
  • Glutamato – O glutamato é um neurotransmissor envolvido na regulação dos sinais de dor e acredita-se que esteja envolvido nas dores de cabeça tensionais.


Fatores desencadeantes de Cefaléia

cefaleia tensional

Como quadros estressantes, depressão e ansiedade podem ser fatores desencadeadores para episódios de Cefaleia do Tipo Tensional – mas não necessariamente de forma direta -, supõe-se a relação desse quadro com o sistema de controle de dor descendente do sistema límbico [19] e aumento de excitabilidade de vias nociceptivas centrais [18, 19].

O baixo nível de endorfina no líquor, observada nos pacientes, também pode estar relacionado com a fisiopatologia da cefaleia tensional, podendo ser a principal responsável pela alodinia prolongada [1].


Causa da Cefaleia do Tipo Tensional

 Embora as causas da cefaléia tensional sejam pouco conhecidas, sabe-se que o estresse físico e/ou psicológico é o fator desencadeante mais comum das crises dolorosas, seguido por quadros de depressão e ansiedade [2, 20, 21], especialmente na cefaleia tensional crônica [14].

A má postura e falta de posicionamento ergonômico de trabalho podem contribuir para os quadros de CTT por afetar a tensão dos músculos do pescoço e do ombro [14, 22].

Outros fatores, como alteração climática, presença de noites mal dormidas, má alimentação, bruxismo, dificuldades para enxergar, menstruação e desidratação podem levar a episódios de CTT [1, 14, 23-25].

Em relação ao histórico familiar do paciente, ainda se discute qual o papel da genética nesse quadro [26, 27], podendo ou não a cefaleia tensional ter um componente hereditário.

CausaDescrição
EstresseO estresse e a tensão podem desencadear dores de cabeça, especialmente se forem frequentes e intensos.
Tensão muscularO aperto dos músculos do pescoço e do couro cabeludo pode causar dores de cabeça tensionais.
PosturaMá postura pode sobrecarregar os músculos do pescoço, resultando em dores no pescoço e na cabeça.
DormirNão dormir o suficiente ou a má qualidade do sono pode causar dores de cabeça tensionais.
CafeínaA cafeína pode atuar como estimulante e causar dores de cabeça tensionais, especialmente se você consumir muito.
ÁlcoolBeber álcool pode causar desidratação, o que pode levar a dores de cabeça tensionais.


Sintomas da Cefaleia do Tipo Tensional

De acordo com a frequência de aparecimento de sintomas e duração da crise, o quadro de CTT pode ser classificado em pouco frequente, muito frequente ou crônico [16, 21]. Seus sintomas geralmente duram de 30 minutos a 7 dias, sendo que a cefaleia tensional crônica deve ocorrer por mais de 15 dias por mês para receber esse diagnóstico [26].

O principal sintoma da cefaleia tensional é a dor leve a moderada em forma de pressão na cabeça, localizada geralmente de forma bilateral [7].

O episódio doloroso geralmente se inicia na região occipital ou frontal lateral, se espalhando pela região temporal e parietal em ‘forma de faixa’, podendo também irradiar para a região cervical [1], nuca ou testa [7].

Há relatos de sensação de pressão atrás dos olhos e sensibilidade excessiva no ombro [14] e pescoço [28], além de fadiga crônica e dificuldade de concentração [29] durante as crises. Sensibilidade à palpação em músculos pericraniais também são observados nos pacientes com cefaleia tensional [1].

Geralmente não há sintomas gastrointestinais envolvidos, e também não há a presença de episódios de áurea, e o quadro doloroso não é agravado por atividades físicas – principais diferenças observadas para com a crise de enxaqueca [15, 30, 31].


E Enxaqueca? Quais seriam os sintomas?

Sintomas Enxaqueca
  • A enxaqueca é um tipo de dor de cabeça caracterizada por fortes dores de cabeça recorrentes.
  • É três vezes mais comum em mulheres do que em homens.
  • Pode causar dor moderada a intensa, geralmente em um lado da cabeça.
  • As enxaquecas podem durar até 72 horas e podem ser acompanhadas por outros sintomas, como náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som.
  • A enxaqueca geralmente é desencadeada por certos alimentos, estresse e alterações nos padrões de sono ou hormônios.
  • Não há cura para a enxaqueca, mas existem tratamentos disponíveis para controlar os sintomas.


Diagnóstico diferencial: Cefaléia Tensional x Enxaqueca

EnxaquecaDor de cabeça tensional
Geralmente afeta um lado da cabeçaGeralmente afeta os dois lados da cabeça
Pode durar até 72 horasGeralmente dura algumas horas
A dor é latejante ou pulsanteA dor é constante e incômoda
Pode ser acompanhado por outros sintomas como náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao som (Aura)Geralmente não acompanhado de outros sintomas (Sem Aura)
Desencadeado por certos alimentos, estresse e alterações nos padrões de sono ou hormôniosDesencadeado por tensão muscular, estresse e ansiedade



Comorbidades da Cefaléia

Adicionalmente, também são descritas algumas comorbidades associadas à CTT, como a disfunção temporomandibular [32], e depressão e ansiedade [19].

Não está claro, entretanto, se a depressão e ansiedade causam a CTT, ou atuam de maneira bidirecional nesse processo, sendo causa e consequência desse quadro clínico [4, 33].

Outras possibilidades incluem:

  • Dor no pescoço
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Distúrbios do sono
  • Fadiga
  • Tontura
  • Náusea
  • Visão embaçada
  • Irritabilidade


Diagnóstico da cefaléia tensional

ressonancia cefaleia enxaqueca

 Não há a presença de biomarcadores para o diagnóstico dessa cefaleia [13], sendo as diretrizes para seu diagnóstico propostas pela International Headache Society, que considera as características das dores de cabeça, sua duração e possível presença de fatores agravantes [15].

Frequentemente são realizados diagnósticos de exclusão, especialmente de enxaqueca, pela ausência e/ou quase ausência de sintomas gastrointestinais, fotofobia, fonofobia e presença de aura nas crises [4, 15, 30, 31].

Além do histórico do paciente, o diagnóstico de cefaleia tensional também é baseado em exames clínicos, neurológicos e, em determinadas situações, de neuroimagem.

Exames de sangue, que podem ser utilizados inicialmente, para triagem:

Teste de laboratórioFinalidade
Hemograma completoPara descartar anemia e outras condições que possam estar causando a dor de cabeça.
Hormônio estimulante da tireoide (TSH)Para verificar anormalidades da tireoide, que podem causar dores de cabeça.
Proteína C-Reativa (PCR)Para rastrear inflamações e infecções, que podem causar dores de cabeça.
Teste de função hepáticaPara verificar danos no fígado, que podem causar dores de cabeça.
Nível de vitamina B12Para descartar uma deficiência, que pode levar a dores de cabeça tensionais.
Nível de ácido úricoPara verificar se há níveis elevados de ácido úrico, que podem causar dores de cabeça tensionais.


Exame físico para cefaléia tensional

Dentre os exames físicos, destaca-se a palpação manual de músculos pericraniais e a avaliação da postura do paciente [21, 23, 34]. Exames clínicos e de neuroimagem são importantes para descartar outras patologias com sintomatologia similar [34].


Exames complementares para diagnóstico

Hemograma, tomografia computadorizada e de ressonância magnética são feitos a fim de obter um diagnóstico diferencial especialmente de presença de tumores cerebrais, sinusite, hipertensão intracraniana e desordem temporomandibular [23, 35], sendo especialmente recomendados quando há a presença de um padrão atípico de dores de cabeça, convulsões e/ou doenças sintomáticas associadas [31, 36].

É importante observar que há pacientes com quadros de cefaleia mista (episódios de enxaqueca conjugada à CTT), o que pode dificultar o diagnóstico correto do quadro clínico [1, 13, 34].

Adicionalmente, o diagnóstico da CTT em crianças e adolescentes é mais complexo pela sobreposição com sintomas de enxaqueca [6].


Tratamento da cefaléia

Como a fisiopatologia da Cefaleia do Tipo Tensional não é bem conhecida, o seu tratamento varia de acordo com a causa, podendo ser medicamentoso ou não medicamentoso. Ainda, o tratamento pode ser classificado como preventivo ou sintomático [7].

O tratamento sintomático tem como principal objetivo abortar as crises. As principais classes de fármacos utilizados para tal finalidade são os anti-inflamatórios não-esteroidais e os analgésicos, destacando-se o uso do ibuprofeno e do paracetamol[1, 9, 21, 37].

Tais medicamentos já foram descritos como capazes de controlar os sintomas dolorosos até duas horas depois da sua administração[9], tendo seu efeito potencializado caso administrado juntamente com cafeína [34].

O uso de relaxantes musculares são desencorajados tanto pela baixa eficácia comprovada, como pelo risco de habituação[23]. Também são eficazes para ajudar no controle da dor a aplicação de frio local na testa, massagem no couro cabeludo e aplicação de calor no pescoço e na nuca [14].


Tratamento preventivo

cefaleia cronica tensional

Já o tratamento preventivo é usado com objetivo de impedir que as crises ocorram.  Nesse sentido, destacam-se, no panorama geral, o tratamento dentário, melhoria nas condições de trabalho, na postura, e em hábitos alimentares e de sono.

Estudos demonstram uma eficácia de fisioterapia [38], terapia cognitivo comportamental [39] e biofeedback [34] no controle preventivo a dores. Em relação ao tratamento preventivo medicamentoso, destaca-se o uso de antidepressivos tricíclicos e inibidores de recaptação de serotonina [40], sendo o primeiro mais eficaz a longo prazo [10] e ambos com efeitos profiláticos relacionados à diminuição da frequência e da duração da cefaleia tensional crônica, mas não da episódica [5].

Dentre os antidepressivos com maior eficácia, destaca-se a amitriptilina [11], cujo mecanismo de ação pode envolver a inibição da recaptação de serotonina, antagonismo de NMDA, e potencialização de opioides endógenos[23], sendo efetivo ao longo do tempo e mais eficaz que o uso de inibidores seletivos de recaptação de serotonina nesse quadro de cefaleia crônica.

Para quadros refratários, alguns estudos propõe o uso de injeção de toxina botulínica, mas sua eficácia no tratamento profilático ainda é discutida[14, 23, 41-43].

Embora esse quadro de cefaleia seja o mais prevalente na população em geral, os pacientes com cefaleia tensional procuram menos ajuda médica do que os com quadros de enxaqueca (aproximadamente 16% vs. 56%, respectivamente), justamente devido à intensidade leve e moderada da crise, que leva à automedicação dos pacientes [13, 23, 44].

Entretanto, é importante frisar que o tratamento errado e/ou o excesso de medicação podem cronificar o quadro doloroso, dificultando a profilaxia posterior[34].

Além do uso indiscriminado de medicamentos, a cronificação da cefaleia tensional pode ser consequência da exposição prolongada a fatores estressantes e desencadeadores, além de quadros de ansiedade e depressão [5, 45].


Prognóstico

De forma geral, o prognóstico de pacientes com cefaleia tensional episódica e crônica é considerado bom, sendo o tratamento medicamentoso e não-medicamentoso eficazes no controle da dor e na diminuição da frequência das crises  [9-11].


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Arquivado em: Neurologia, Doenças de A-Z, Dor

Fibromialgia é hereditária? O que se sabe

22 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Fibromialgia pode ocorrer em famílias, mas não é uma doença hereditária simples em que um único gene define quem terá o quadro. O risco parece combinar predisposição genética, processamento da dor, sono, estresse, comorbidades, história de trauma, atividade física, saúde mental e outros fatores ambientais.

Genética aumenta risco, não fecha destino

Quando várias pessoas da mesma família têm dor crônica, enxaqueca, síndrome do intestino irritável, fadiga ou fibromialgia, é natural perguntar se “vem de família”. Estudos sugerem agregação familiar e contribuição genética, mas isso não significa transmissão direta como cor dos olhos. O mais correto é falar em suscetibilidade.

Essa distinção muda a forma de lidar com o tema. Ter mãe, irmã ou filha com fibromialgia não significa que a pessoa terá fibromialgia. Também não significa que sintomas novos devam ser atribuídos automaticamente à herança familiar.

FatorComo pode influenciarO que fazer
História familiarAumenta suspeita, não confirma.Observar padrão e sintomas.
Sono ruimPiora dor e fadiga.Investigar e tratar.
Estresse/traumaPode amplificar sintomas.Plano de cuidado, não culpa.
Sedentarismo ou excesso de cargaReduz tolerância funcional.Progressão gradual.

Por que duas pessoas da família podem ser diferentes

Uma pessoa pode ter dor difusa e sono não reparador; outra pode ter fadiga, cefaleia e névoa mental; outra pode ter dor regional por outro diagnóstico. Famílias compartilham genes, mas também hábitos, sono, estressores, acesso a cuidado, alimentação, trabalho e formas de interpretar dor.

Avaliação clínica continua necessária porque fibromialgia não é confirmada por exame único. Exames podem ser pedidos para procurar anemia, tireoide, doenças inflamatórias, neuropatias, miopatias ou outras causas quando há pistas.

Não é determinista: predisposição não é destino.
Não é imaginário: há alteração de processamento da dor.
Não é exame único: diagnóstico é clínico.
Não é uma medida só: cuidado é multimodal.

Quando a história familiar ajuda

História familiar ajuda a reconhecer padrão de dor crônica, sono ruim, fadiga e sintomas associados. Também ajuda a perguntar sobre comorbidades, enxaqueca, intestino irritável, ansiedade, depressão, hipermobilidade, distúrbios do sono e uso de medicamentos. Mas ela deve orientar perguntas, não encerrar investigação.

Se a pessoa tem febre persistente, perda de peso, articulação inchada, fraqueza objetiva, alteração neurológica, dor noturna progressiva ou exames muito alterados, o fato de haver fibromialgia na família não deve atrasar avaliação de outras doenças.

Como reduzir risco funcional

Não há estratégia comprovada para “impedir geneticamente” fibromialgia. O que faz sentido é proteger sono, tratar comorbidades, manter atividade física progressiva, evitar ciclos de repouso prolongado, manejar estresse, reduzir álcool quando relevante e procurar cuidado quando a dor começa a limitar vida.

Em famílias com muitas pessoas com dor, a conversa pode ser mais útil quando sai da pergunta “herdei isso?” e entra em “como reconheço cedo, o que posso modificar e quando devo investigar outra causa?”.

Como falar com familiares

Se há vários casos na família, a conversa deve evitar dois extremos: medo de que todos terão a doença e negação de sintomas reais. O melhor é reconhecer predisposição, cuidar do sono, manter atividade gradual e procurar avaliação quando dor, fadiga ou névoa mental começam a limitar estudo, trabalho ou autocuidado.

O que observar em quem tem predisposição

Observe duração da dor, distribuição pelo corpo, qualidade do sono, fadiga, memória, sensibilidade a toque, cefaleia, sintomas intestinais e piora após esforço. Esses dados ajudam a reconhecer um padrão compatível com fibromialgia, mas também mostram quando algo não se encaixa.

Se a dor é localizada, surgiu depois de trauma ou vem com inchaço articular, a investigação deve seguir outra linha. História familiar pode acelerar a suspeita, mas não substitui exame físico nem avaliação de causas tratáveis.

Genética não tira autonomia

Falar em predisposição pode assustar, mas também pode organizar prevenção funcional. Sono regular, atividade progressiva, tratamento de ansiedade/depressão quando presentes, redução de ciclos de sedentarismo e acompanhamento precoce de crises ajudam a diminuir impacto. O foco não é mudar genes; é reduzir amplificadores de dor e fadiga.

Quando investigar antes de aceitar o rótulo

Se a pessoa tem dor difusa e parentes com fibromialgia, ainda assim vale revisar sinais que apontam para outra causa: rigidez inflamatória prolongada, articulação inchada, queda de força, formigamento progressivo, anemia, alterações de tireoide ou sintomas neurológicos. O diagnóstico correto evita tratar tudo como herança.

Também é útil perguntar quando começou, se houve infecção, trauma, mudança de sono, luto, sobrecarga de trabalho ou início de medicamento. Esses eventos não “causam geneticamente” fibromialgia, mas podem precipitar ou amplificar sintomas em pessoas predispostas.

Fibromialgia é hereditária? Não há evidências conclusivas que sugiram que a fibromialgia seja hereditária. No entanto, alguns estudos familiares sugerem que fatores genéticos e familiares podem desempenhar um papel na etiopatogenia da fibromialgia.

Nos últimos anos, houve um aumento na pesquisa sobre as causas e mecanismos subjacentes da fibromialgia. Atualmente, pensa-se que uma combinação de diferentes fatores desempenha um papel no desenvolvimento desta doença.

A fibromialgia é uma doença reumática cujo principal sintoma é a dor crônica generalizada acompanhada de um conjunto de sintomas como distúrbios do sono, depressão, fadiga crônica, entre outros.

Sua fisiopatologia é complexa, de origem multifatorial, incluindo a influência de fatores genéticos. A fibromialgia não é transmitida diretamente de pais para filhos, mas o distúrbio parece se agrupar nas famílias[1].

As chances de desenvolver fibromialgia são várias vezes maiores nas famílias de pessoas com fibromialgia do que em famílias onde ninguém tem a doença.

Recentemente, estudos de DNA de membros da família de pessoas com fibromialgia e outras síndromes de dor crônica revelaram uma série de genes que podem ajudar a explicar porque esses distúrbios parecem ocorrer em famílias[2].


Fibromialgia – aprenda mais

fibromialgia sintomas

A doença é mais comum no sexo feminino do que no masculino, com uma proporção de 2:1 semelhante a outras condições de dor crônica, e pode ocorrer em qualquer idade.

Como as mulheres apresentam menor limiar de dor e sintomas mais graves do que os homens, a maioria das pesquisas se concentra em mulheres.

A dificuldade em identificar uma via fisiológica específica também vem acompanhada de dificuldades no diagnóstico da fibromialgia[3]


Causas da fibromialgia

Fibromialgia infografico

Além do sexo, outros fatores importantes que parecem afetar a fibromialgia são se você sofreu maus-tratos no passado (negligência, abuso emocional, transtorno de estresse pós-traumático) e se apresenta ansiedade ou depressão crônica.

Doenças como artrite reumatóide ou fibromialgia são frequentemente categorizadas como “epigenéticas”, o que significa que elas permanecem latentes nos genes do paciente antes de serem “ligadas” por certos fatores ambientais[4].

Isso significa que algumas pessoas podem ter uma versão latente da doença. E, como outras doenças que podem ser herdadas, os pacientes podem transmiti-la aos filhos, mesmo que a doença nunca seja ativada neles mesmos.

Conceitos atuais vêem fibromialgia como o resultado da disfunção do sistema nervoso central, resultando na amplificação da transmissão e interpretação da dor.

Os fatores que contribuem para a fisiopatologia dessa condição médica incluem função anormal dos sistemas autonômico e neuroendócrino, influências genéticas e fatores ambientais, como a exposição a estressores.

Evidências crescentes apoiam uma predisposição genética para a fibromialgia e o desencadeamento desse distúrbio por fatores ambientais.


Vídeo sobre Fibromialgia


Estudos

Vários estudos ao longo dos anos apontaram para a fibromialgia sendo transmitida através de gerações nas famílias. Um estudo, realizado em 1989 e atualmente publicado nos Arquivos de Medicina Física e Reabilitação, descobriu que pelo menos 52% dos indivíduos que têm pais ou irmãos com fibromialgia também apresentaram vários sinais e sintomas da doença, mesmo quando não receberam um diagnóstico formal. Vinte e dois por cento da população do estudo também apresentou consistência muscular anormal, mas sem sintomas de fibromialgia[5].

Outro estudo em 2004 também apresentou evidências de fibromialgia como doença hereditária. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Cincinnati e foi publicado na revista Arthritis and Rheumatism. Descobriu-se que os indivíduos que tinham parentes com fibromialgia eram pelo menos 8 vezes mais propensos a desenvolver a doença do que aqueles sem parentes com fibromialgia[6].

Apesar de não terem desenvolvido formalmente a doença, o estudo descobriu que aqueles que tinham familiares com fibromialgia tendiam a sentir mais dor do que outros indivíduos.

Algumas pessoas geneticamente predispostas à fibromialgia podem ser desencadeadas por estresse como uma doença, acidente ou crise emocional. Não está claro como isso acontece, mas pode causar uma mudança na resposta do corpo ao estresse, o que pode levar a sintomas de fibromialgia.

As experiências da primeira infância e da infância têm sido associadas a mudanças duradouras nos circuitos nociceptivos e aumentam a sensibilidade à dor no organismo mais velho. Por exemplo, eventos adversos durante a vida neonatal e infantil, como nascimento prematuro, abuso físico e sexual, demonstraram possivelmente contribuir para uma alteração do limiar de dor na idade adulta e o desenvolvimento do início da fibromialgia.


Novos estudos

fibromialgia tratamento

Pesquisas nos últimos anos postularam um possível papel para polimorfismos de genes nos sistemas serotoninérgicos, dopaminérgicos e catecolaminérgicos na etiopatogenia da fibromialgia.

Esses genes são importantes para a função de neurotransmissores (como a noradrenalina e a serotonina) envolvidos no processamento físico e psicológico da dor. Mas não existe um “gene da fibromialgia” que seja inteiramente responsável pelos sintomas.

Muitos estudos familiares foram realizados demonstrando um risco aumentado de desenvolver fibromialgia em parentes de primeiro grau; estudos de genes candidatos destacaram potenciais mecanismos envolvidos na patogênese da fibromialgia, identificando SNPs associados à doença: sensibilização central à dor e comprometimento do eixo hipotálamo-pituitário-adrenal[7].

Genética não é destino na fibromialgia

Fibromialgia pode aparecer em famílias, mas hereditariedade não significa causa única nem destino inevitável. O quadro envolve processamento de dor, sono, fadiga, humor, atividade física, estresse, outras doenças e experiências prévias de dor.

A pergunta prática para quem tem familiares com fibromialgia é observar padrões persistentes: dor difusa por meses, sono não reparador, fadiga, sensibilidade aumentada, piora com estresse e impacto funcional. Isso ajuda a procurar avaliação com uma história mais clara.

CamadaComo interpretar
História familiarAumenta suspeita, mas não fecha diagnóstico.
Sono ruimPode amplificar dor e fadiga, mesmo sem lesão nova.
Dor difusa persistenteDiferente de dor localizada por sobrecarga isolada.
Doenças associadasTireoide, anemia, inflamação e outras causas precisam ser diferenciadas.

Fontes e leitura útil

  • PMC: Genetics of fibromyalgia
  • AAFP: Fibromyalgia Diagnosis and Management
  • American College of Rheumatology: Fibromyalgia
  • Mayo Clinic: Fibromyalgia Symptoms and Causes
  • CDC Archive: Fibromyalgia


Conclusão

Sintomas da fibromialgia

O desenvolvimento da síndrome fibromiálgica é uma confluência de fatores genéticos e ambientais.

Muitas pessoas com fibromialgia também têm parentes com dores de cabeça, síndrome do intestino irritável, disfunção da articulação temporomandibular e outras condições que causam dor crônica.

Esses distúrbios podem se agrupar em famílias em parte porque compartilham alguns fatores de risco genéticos com a fibromialgia.

Se outros membros da sua família o tiverem, você corre um risco maior. Para quem está preocupado com sua predisposição genética para desenvolvê-la, é recomendável considerar o fato de que a doença sempre difere em grau de gravidade de um indivíduo para outro.

Em outras palavras, só porque um parente seu tem sintomas graves não significa que sua experiência será tão ruim. Se você suspeitar ou se perguntar que tem, busque avaliação médica.

Fontes úteis

Referências citadas7 fontes
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    Ablin JN, Cohen H, Buskila D. Mechanisms of disease: genetics of fibromyalgia. Nature Clinical Practice Rheumatology. 2006 Dec;2(12):671-8.
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As fontes abaixo apoiam conceitos gerais de dor, função e saúde musculoesquelética. Fibromialgia exige interpretação clínica do conjunto de sintomas, com exclusão de causas que imitam o quadro.

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Dor, Fisiatria, Reumatologia

Bursite: O que é? Sintomas, Causas e Tratamentos

22 de dezembro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Bursite é inflamação de uma bursa, uma estrutura que reduz atrito entre tendões, ossos e pele. A causa pode ser sobrecarga, pressão repetida, trauma, gota, artrite ou infecção. Vermelhidão, calor local, febre, ferida ou dor progressiva mudam a urgência.

Sobre a Bursite

A bursa é uma bolsa cheia de fluido que amortece uma área de fricção entre os tecidos, como o tendão e o osso. As bursas reduzem o atrito entre as partes móveis do corpo, como as que ficam em torno das articulações do ombro, cotovelo, quadril, joelho, e região adjacente ao tendão de Aquiles no calcanhar.

O número varia, mas a maioria das pessoas tem cerca de 160 bursas em todo o corpo. Elas são revestidas com células especiais, chamadas células sinoviais, que secretam um fluido rico em colágeno e proteínas. Este fluido sinovial atua como lubrificante quando o corpo se move. A inflamação de uma bursa é chamada de bursite.

Quais são as causas da bursite?

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As causas mais comuns de bursite são movimentos repetitivos (por exemplo, arremessar uma bola repetidas vezes), traumas (ajoelhar por muito tempo ou bater o joelho em algum lugar), infecções e afecções reumatoides pré-existentes.

1. Trauma

Traumas causam bursite inflamatória devido a lesões repetitivas ou impacto direto.

  • Bursite crônica: A causa mais comum de bursite crônica é um pequeno trauma que pode ocorrer na bursa do ombro (subdeltoide) por causa de movimentos repetitivos, por exemplo, arremessar bolas. Outro exemplo é a bursite pré-patelar (na frente do joelho) de ajoelhar-se por longos períodos ou repetidas vezes em uma superfície dura, como para esfregar o chão ou instalar um carpete.
  • Bursite aguda: Um golpe direto (como bater sem querer o joelho em uma mesa) pode fazer com que sangue vaze para a bursa. Isto causa inflamação com dor, bem como inchaço.


2. Infeccões

As bursas mais próximas da superfície da pele são as mais propensas a serem infectadas por bactérias, uma afecção chamada de bursite séptica. As bactérias mais comuns a causar bursite séptica são Staphylococcus aureus ou Staphylococcus epidermis.

Pessoas com diabetes, alcoólatras, com certas doenças renais, com sistema imunológico debilitado, às vezes causado por medicamentos à base de cortisona (tratamentos esteroides), e aqueles com feridas na pele logo acima de uma bursa têm maior risco de desenvolver bursite séptica.

CondiçãoCausa
BursiteInfecção e inflamação da bursa.
InfecçãoMicrorganismos como bactérias, vírus ou fungos.
MicrorganismosPode entrar no corpo através de pele quebrada, uma ferida perfurante ou uma incisão cirúrgica.
Pele lesionadaO risco de infecção aumenta quando a pele é exposta a sujeira, objetos contaminados ou fluidos corporais.
Ferimentos perfurocortantesAs perfurações são causadas por objetos pontiagudos que entram no corpo, como agulhas, pregos ou lascas.
Incisão cirúrgicaIncisões cirúrgicas podem ser infectadas se bactérias ou outros microrganismos forem introduzidos durante o procedimento.

Cerca de 85% dos casos de bursite séptica ocorre em homens.

Mulheres idosas com dor. Foto gratuita
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3. Doenças reumatológicas

Pessoas com certas doenças reumatoides como gota e pseudogota podem desenvolver bursite por depósitos de cristal.

Quando estes cristais se formam em uma bursa, causam uma inflamação que leva a bursite.

Distúrbio reumatológicoMecanismo
Artrite ReumatoideInflamação das membranas sinoviais resultando em inchaço da bursa
GotaAcúmulo de cristais de ácido úrico ao redor da bursa, levando a irritação e inflamação
OsteoartriteDegeneração da cartilagem e da membrana sinovial, levando à quebra das estruturas de suporte bursal
Lúpus Eritematoso SistêmicoAtaque do sistema imunológico à bursa, causando morte celular e inflamação
Polimialgia reumáticaInflamação dos tecidos conjuntivos e do revestimento da bolsa, levando a inchaço e aumento da bolsa


4. Outras causas para bursite incluem:

  • Má postura ou maneira de caminhar
  • Estresse nos tecidos moles em decorrência de ossos ou articulações em posição precária (como diferenças de comprimento das pernas ou deformações das articulações)
  • Alguns tipos de artrite e patologias relacionadas (artrite reumatoide, osteoartrose e gota)
  • Doenças metabólicas como a diabetes
  • Efeitos colaterais a certos medicamentos

Como a dor ocorre perto de uma articulação, estas patologias são, às vezes, confundidas com artrite.


Quais são os fatores de risco para bursite?

Os fatores de risco para bursite incluem atividades repetitivas, gota, pseudogota, artrite reumatoide, trauma e infecções cutâneas.

Fator de riscoDescrição
Movimentos repetitivosEngajar-se em certas atividades repetidamente pode causar inflamação da bursa.
Lesões préviasSofrer uma lesão, como uma pancada no joelho ou no cotovelo, pode causar bursite. Tendinopatias não tratadas também aumentam o risco
Condições médicasCertas patologias, como gota, artrite reumatóide e diabetes, podem aumentar o risco de bursite.
IdadeAdultos mais velhos são mais propensos a desenvolver bursite em comparação com indivíduos mais jovens.
Distúrbios do sistema imunológicoTer um distúrbio do sistema imunológico pode aumentar o risco de desenvolver bursite.
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Quais são os sintomas e sinais de bursite?

Esta afecção causa inflamação, sensibilidade e dor em áreas em torno da articulação, como nos tendões, ligamentos, bursas e músculos.

Algumas delas podem ocorrer sem aviso, duram dias ou mais e costumam ser resolvidas com repouso ou tratamento. Também podem voltar a ocorrer na mesma área do corpo.

SinaisSintomas
InchaçoDor ao mover a área afetada
TernuraRigidez ou diminuição da amplitude de movimento
VermelhidãoDor ou sensação de queimação
Calor ao toqueFraqueza na área
Dor quando a pressão é aplicadaMobilidade limitada ou bloqueio da articulação

Ombro

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No ombro, a bursa subacromial (bursa subdeltoide) impede que o tendão supraespinhal se sobreponha ao osso e ao músculo deltoide. A inflamação desta bursa costuma resultar de lesão nas estruturas circundantes, sendo o manguito rotador o mais comum. Limita a amplitude de movimento do ombro resultando na “Síndrome de Impacto”. A condição causa dor no lado ou na frente do ombro.

  • Atividades em que se é necessário elevar os braços acima da cabeça ou esticá-los são desconfortáveis.
  • A dor é muitas vezes pior à noite.
  • O ombro costumar apresentar menor amplitude de movimento e ser sensível em pontos específicos.

Cotovelo

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Bursite da ponta do cotovelo, a bursite olecraniana, é a forma mais comum de bursite.

  • A dor pode aumentar se o cotovelo for dobrado porque a tensão aumenta sobre a bursa.
  • Esta bursa é propensa a sofrer traumas diretos (bater o braço) ou movimentos repetidos de dobrar e estender o cotovelo (pintura, por exemplo).
  • É comum acontecer uma infecção nesta bursa.

Joelho

bursite-joelho
  • Bursite na frente da rótula (pré-patelar): O inchaço na frente da rótula pode ser causado por trauma crônico (como de se ajoelhar) ou um golpe agudo no joelho. O inchaço pode ocorrer de sete a dez dias após um único impacto na área, geralmente a partir de uma queda. A bursite pré-patelar também foi chamada de joelho de carpete, joelho de empregada doméstica e joelho de clérigo.
  • Bursite anserina: A bursa pes anserinus (pata de ganso) possui formato de leque e se encontra entre três dos maiores tendões do joelho interno.
    • Este tipo de bursite é mais comum em pessoas com artrite, em especial mulheres de meia idade com excesso de peso e osteoartrite.
    • A dor da bursite anserina costuma ocorrer quando o joelho é dobrado. Também costuma causar mais dor à noite. As pessoas muitas vezes procuram conforto dormindo com uma almofada entre as coxas.
    • A dor pode irradiar para o interior da coxa e meio da panturrilha e costuma aumentar ao subir escadas e em situações extremas de flexão e extensão.
    • A Bursite “Pata de Ganso” também ocorre em atletas como resultado de uso excessivo ou traumas, em particular com corredores de longa distância.

Tornozelo

A bursite retrocalcânea ocorre quando a bursa sob o tendão de Aquiles, na parte de trás do calcanhar, torna-se inflamada. Costuma ser causada por trauma local associado a um sapato de formato ruim (em geral, saltos altos) ou andar por longos períodos. Também pode ocorrer junto da tendinite de Aquiles.

Bursite nesta parte do corpo, muitas vezes, ocorre como uma lesão por uso excessivo em jovens atletas, como patinadores, e com pessoas que estão começando programas de exercícios novos, como caminhar ou saltar.

A dor costuma ser na parte de trás do calcanhar e aumenta com extensão passiva ou flexão resistida.

Glúteos

A Bursite isquioglútea causa inflamação da bursa isquial, que se encontra entre o fundo do osso pélvico e o músculo glúteo máximo (um lado das nádegas). A inflamação pode vir de sentar-se por um longo tempo em uma superfície dura ou de pedalar.

A bursite isquioglútea também é chamada de “bumbum de tecelã” porque é comum de acontecer devido à posição usada nesta função.

  • A dor ocorre quando se está sentado ou andando.
  • Haverá sensibilidade na região do osso púbico, que pode ser agravada ao dobrar ou estender a perna.
  • A dor pode irradiar para a parte de trás da coxa.
  • Pressão direta na área causa dor aguda.
  • A pessoa pode ter a dor na nádega elevada quando sentada.
  • A dor é pior quando a pessoa está deitada, e o quadril está passivamente dobrado.
  • A pessoa pode ter dificuldade em ficar na ponta do pé do lado afetado.

Quadril

A bursa iliopsoas é a maior do corpo.

Localiza-se na frente e para dentro da articulação do quadril. Bursite aqui costuma ter associação com problemas no quadril como artrite ou lesões (especialmente em decorrência de correr).

  • A dor da bursite iliopsoas irradia para baixo das áreas frontal e média da coxa até o joelho, e é aumentada quando se estende ou rotaciona o quadril.
  • A extensão do quadril durante a caminhada causa dor, e a pessoa pode limitar a passada no lado afetado, optando por um passo mais curto.
  • Pode haver sensibilidade na zona da virilha.
  • Às vezes, uma massa pode ser sentida, e assemelha-se a uma hérnia. A pessoa também pode sentir dormência ou formigamento se os nervos adjacentes forem comprimidos pela bursa inflamada.

Coxa

Bursite-Trocanterica

A bursa trocantérica, na coxa exterior sobre o quadril, pode ficar inflamada e causar bursite trocantérica. A bursite trocantérica é muito comum e ocorre com mais frequência em mulheres com excesso de peso e meia-idade.

  • A bursite trocantérica causa dor profunda e dolorosa no quadril, comete toda a lateral e pode estender-se para as nádegas ou para a lateral do joelho.
  • A dor é agravada por atividade, pressão local ou alongamento.
  • A dor é muitas vezes pior à noite e pode tornar difícil que se durma sobre o lado acometido.

Quais são os sintomas de bursite isquial?

A bursite isquial é uma inflamação da bursa que separa o músculo glúteo máximo da proeminência óssea subjacente ao osso em que nos sentamos, a tuberosidade isquiática.

A bursite isquial é uma forma de bursite que é passível de ocorrer por ficar por longo tempo em superfícies duras que pressionam os ossos das regiões nádegas.

Quando procurar atendimento

Como a bursite pode ser infecciosa e precisa ser tratada com antibióticos, é melhor consultar um médico assim que se reconhece os sintomas. 

Se a dor não melhorar com os cuidados em casa, o seu médico poderá oferecer algumas alternativas, como injeções de cortisona.

Febre é um sinal definitivo para se procurar cuidados médicos imediatos, porque pode significar infecção. Tenha atenção a outros sinais de aviso de infecção, como calor constante ou vermelhidão em torno da articulação ou sensibilidade severa. Infecções na pele em torno da área (celulite) podem significar que a bursa também está infectada.

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Exames para diagnosticar bursite

  • Histórico: O médico costuma iniciar a investigação por pedir um histórico detalhado do início dos sintomas e vai querer saber que movimentos ou atividades faz você sentir mais ou menos dor. Você precisará comunicar outros problemas médicos que possa ter.
  • Remoção de fluidos: O médico pode retirar líquido da bursa com uma agulha e enviar para análises laboratoriais. Esta análise ajudará a determinar se a bursite é devido a uma infecção, patologia reumatológica ou trauma. Bursite no joelho e no cotovelo são mais propensas a infecções. A remoção do fluido pode aliviar parte da dor.
  • Raios X: Não costumam ser úteis, mas o médico pode realizá-las caso outras afecções estejam sob suspeita como fraturas ou deslocamentos. IRM e Tomografias costumam ser requeridas caso haja a necessidade de excluir mais causas.
  • Exames de Sangue: O médico pode pedir um hemograma para excluir infecção ou outras condições, como artrite reumatoide.

Quais são os tratamentos para bursite?

Bursites e tendinites podem desaparecer com o tempo. Em caso negativo, o médico irá concentrar-se na redução da dor e inflamação e na preservação da mobilidade para prevenir a deficiência e reincidência. Ele ou ela pode encaminhá-lo para um reumatologista, um cirurgião ortopédico ou um fisioterapeuta para tratamento especializado, se necessário.

Quando tratadas da maneira adequada, a maioria destas condições não resultam em danos permanentes nas articulações, nem em invalidez.

O tratamento da bursite pode ser decorado com o seguinte anagrama: P-R-I-C-E-M.

  • Proteção (Protection): proteger a bursa com invólucros acolchoados, em especial as mais próximas da superfície da pele como cotovelos e joelhos.
  • Repouso (Rest): caso seja possível,  repousar, descansar  a área afetada pode ser útil. Escolha tipos alternativos de atividades físicas. Opte por algo que elimine os movimentos dolorosos. Nadar pode ajudar em vez de machucar.
  • Gelo (Ice): o gelo é muito eficaz na redução da inflamação e da dor. Pequenas compressas de gelo, até mesmo embalagens de alimentos congelados, quando aplicadas na área durante 10 minutos, por pelo menos duas vezes ao dia podem ajudar a diminuir a inflamação.
  • Compressão (Compression) e Elevação (Elevation): são úteis quando é possível comprimir a área. Uma bandagem elástica pode ser utilizada (em especial nos joelhos e cotovelos). Manter a área elevada acima do coração para evitar que o sangue se acumule lá.
  • Medicação (Medication): anti-inflamatórios podem ser úteis para reduzir a inflamação e dor. Consulte um médico antes de tomar estes medicamentos caso use anticoagulantes, ou se tiver antecedentes de úlceras gástricas ou doenças renais.
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Fisioterapia para bursite

Um fisioterapeuta pode realizar tratamentos de meios físicos ou cinesioterapia para bursite. Em resumo, algumas das possibilidades:

  • Tratamentos com calor/frio, ultrassons, terapia com laser e com água
  • Eletroestimulação com TENS
  • Mobilização dos tecidos moles ou das articulações (terapia manual)
  • Órteses ou aparelhos para alívio da pressão em braços e pernas.
  • Um programa de exercícios personalizado
  • Análise da postura e da marcha
  • Educação sobre atividades apropriadas para permitir que a cura ocorra.

Qual é o tratamento médico para bursite?

Se a bursite não for infecciosa, o médico pode injetar um corticosteroide na bursa para reduzir a inflamação.

Se a bursite for infecciosa, a bursa será drenada com uma agulha. O médico irá prescrever antibióticos por via oral. Se a infecção for muito grave, não responder a antibióticos orais, ou se o seu sistema imunológico estiver enfraquecido por outra razão, você pode precisar ser internado para receber antibióticos por IV. A maioria das causas de bursite infecciosa, no entanto, pode ser controlada, com segurança, em casa. Em alguns casos será necessário a remoção cirúrgica da bursa.

Depois de sair do consultório médico, tente modificar as atividades que causaram a bursite:

Use sapatos diferentes. Use joelheiras quando se ajoelhar para fazer exercícios ou trabalhar.

Descanse a área e aplique gelo pelo menos duas vezes por dia, mantendo a área elevada quando possível.

Marque o retorno ao médico para a semana seguinte. Se a bursite for infecciosa, o retorno pode ser preciso em 3 ou 4 dias ara uma reavaliação adequada, e talvez, retirada de fluido.

Um terapeuta ocupacional pode recomendar modificações nas atividades diárias e nos hábitos de trabalho para prevenir a reincidência da lesão. Também pode criar imobilizações de mão e pulso e sugerir dispositivos auxiliares para ajudar a facilitar as atividades diárias.

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Há alguma forma de prevenir bursite?

Uma das melhores maneiras de cuidar de uma bursite ou da tendinite é assumir um papel proativo em seu próprio tratamento – um processo chamado autogestão. Como estas afecções são causadas principalmente pelo uso excessivo, a melhor maneira de impedi-las de voltar a acontecer é evitar ou modificar atividades que causam o problema.

Se uma determinada atividade o fez desenvolver bursite, então limite-a ou use medidas de proteção. Use joelheiras ou almofadas para se apoiar durante a jardinagem ou a limpeza do chão. Trabalhadores como encanadores, estofadores e telhadores devem usar proteção no joelho. Escolha sapatos mais apropriados ou amorteça os tornozelos com proteção.

Um médico, um fisioterapeuta ou um terapeuta ocupacional podem fornecer sugestões sobre a modificação das atividades diárias. Manter um peso saudável pode ajudar a tirar a pressão das articulações dolorosas e inchadas. Os exercícios para aumentar a amplitude de movimento podem ajudar a melhorar a flexibilidade e reduzir a rigidez.

Tenha atenção ao tônus muscular se sua bursite costuma voltar. Um programa de reabilitação física pode guiá-lo com exercícios adequados para fortalecer os músculos enfraquecidos.

Qual é o prognóstico da bursite?

A maioria das pessoas responde ao tratamento em três a quatro dias, e a consulta de retorno pode ser marcada para uma semana. No entanto, se a bursite for infecciosa, a área pode precisar ser drenada a cada três a cinco dias até o fluido infeccioso desaparecer de vez.


Foto de bursite:

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Foto 1: Bursite infecciosa aguda (bursite séptica) do cotovelo.

Cortesia do Dr. Christopher Kabel.

Bursite: inflamação, sobrecarga ou infecção?

Bursite é inflamação de uma bursa, uma pequena bolsa que reduz atrito entre tendões, ossos e pele. A causa pode ser sobrecarga repetitiva, pressão local, trauma, artrite, gota ou infecção. Por isso, “tomar anti-inflamatório” não responde a todos os casos.

ContextoLeitura clínica
Dor após repetição ou apoioSugere sobrecarga mecânica e pede ajuste de atividade.
Vermelhidão, calor, febre ou feridaLevanta suspeita de bursite infecciosa e muda urgência.
Dor lateral no quadrilNem sempre é só bursa; tendões glúteos e coluna podem participar.
RecorrênciaPede revisar técnica, carga, ergonomia, doença inflamatória ou gota.

Tratamento costuma começar por reduzir gatilho, gelo/calor conforme fase, analgesia segura e fisioterapia quando há alteração de carga ou movimento. Infiltração, aspiração ou antibiótico dependem do diagnóstico. Dor intensa progressiva, febre ou articulação muito limitada não deve esperar apenas com medidas caseiras.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: Bursitis
  • AAOS: Hip Bursitis

Arquivado em: Medicina Esportiva, Ortopedia

Benefícios do colágeno: o que a evidência mostra

22 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Colágeno pode ter benefícios modestos em alguns estudos para pele e sintomas de osteoartrite, mas não deve ser apresentado como solução para envelhecimento, emagrecimento, queda de cabelo ou dor articular sem diagnóstico. Ele é um suplemento proteico específico, não um substituto de alimentação adequada, treino, sono, proteção solar ou tratamento médico.

Como acompanhar resposta

A resposta deve ser acompanhada por marcadores simples: dor, função, rigidez, hidratação percebida da pele, tolerância digestiva, proteína total da dieta e custo mensal. Se houver contraindicação, efeito adverso, alergia, piora de sintomas, ausência de benefício após prazo combinado ou conflito com doença renal e restrição proteica, o suplemento deve ser revisto.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se a dor articular vem com inchaço, calor, rigidez prolongada, deformidade, perda de força, febre, perda de peso, limitação progressiva ou piora apesar de redução temporária da carga. Esses sinais podem indicar inflamação, lesão, doença reumatológica ou outra causa que não deve ser tratada apenas com suplemento.

Queda de cabelo intensa, unhas quebradiças persistentes, cansaço, anemia, alteração menstrual, diarreia crônica ou emagrecimento sem explicação também exigem investigação. Colágeno não deve ser usado para mascarar deficiência nutricional, doença da tireoide, inflamação, efeito de medicamento ou baixa ingestão proteica total.

Próximos passos antes de comprar

  • Defina a meta: pele, dor de osteoartrite, proteína total ou outro motivo concreto.
  • Compare proteína total do dia, vitamina C, treino de força, sono e proteção solar antes de atribuir tudo ao suplemento.
  • Leia dose por porção, tipo de colágeno, origem animal, adoçantes, sódio, açúcar e possíveis alérgenos.
  • Combine prazo de teste realista e critério de resposta; sem melhora mensurável, o suplemento merece revisão.

Onde a evidência é mais e menos plausível

Uso buscadoO que dá para dizerLimites e cuidados
Pele e hidrataçãoRevisões de ensaios clínicos sugerem melhora pequena em elasticidade ou hidratação em alguns grupos.Não prometer rejuvenescimento, preenchimento ou efeito imediato.
Articulações e osteoartriteMeta-análises recentes sugerem melhora de dor e função em osteoartrite de joelho, com heterogeneidade entre estudos.Não substituir exercício, perda de peso quando indicada e plano de dor.
Cabelo, unha, intestino e pesoA relação é menos direta e pode depender de deficiência nutricional, proteína total ou outra doença.Investigar causas antes de recomendar suplemento como resposta principal.

Como interpretar o suplemento

Quando ingerido, o colágeno é digerido em aminoácidos e peptídeos. O corpo usa esses componentes conforme necessidade, mas isso não significa que o pó ingerido vá diretamente para a pele, cabelo ou cartilagem.

A pergunta prática é se a pessoa já atinge proteína suficiente, se há vitamina C e outros nutrientes adequados, se existe dor articular com diagnóstico definido e se o produto tem rótulo claro. Sem esse contexto, a compra pode virar gasto sem meta mensurável.

Quem deve ter mais cautela

Pessoas com doença renal, restrição proteica, alergia a peixe, boi, frango ou outros componentes do produto, gestantes, lactantes e quem usa muitos suplementos devem discutir o uso com profissional de saúde.

Sinais como perda de peso involuntária, queda de cabelo intensa, unhas muito frágeis, dor articular inflamada, inchaço, calor local ou rigidez prolongada pedem investigação. Nesses casos, colágeno não deve atrasar diagnóstico.

O colágeno está em alta e muita gente tem tomado o suplemento, por algum dos seus benefícios.

Por ser uma proteína abundante no organismo, o colágeno corresponde a um terço da massa total de proteínas do nosso corpo.

Todavia, esta proteína é essencial para a saúde dos ossos, da pele, cabelos, unhas, cartilagens, tendões e muito mais.

Promessa comumLeitura mais correta
Pele, elasticidade e hidrataçãoEnsaios e revisões sugerem melhora modesta em alguns desfechos, mas não efeito rápido nem rejuvenescimento garantido.
ArticulaçõesPode ter benefício em alguns estudos de osteoartrite, principalmente como complemento; não substitui exercício, controle de carga e tratamento da causa da dor.
Cabelo, unha, intestino e emagrecimentoA evidência é mais fraca ou indireta; se houver queda de cabelo, unhas frágeis ou perda de peso, investigue causas antes de atribuir ao colágeno.

Assim, nos tecidos do organismo, o colágeno tem como função constituir as fibras que nos oferecem a sustentação dos tendões, articulações, músculos e dos ossos.

A palavra colágeno deriva do grego e quer dizer “cola”, razão pela qual ele desempenha esta função com maestria.

Contudo, após os 30 anos, a produção de colágeno vai diminuindo a cada ano. Por essa razão, pessoas dessa faixa etária em diante apresentam mais problemas como rugas, flacidez e linhas de expressão.

Tudo porque o colágeno promove a elasticidade e a regeneração das células da nossa pele. 

Daí, a importância de consumirmos alimentos que estimulam a produção de colágeno diariamente, assim como o uso do suplemento, com o avançar da idade.

Entretanto, o colágeno também contribui para a saúde das cartilagens e articulações, pois a medida que vamos ficando mais velhos, as  cartilagens se desgastam, provocando dores e muito desconforto. 

Esses são apenas alguns dos motivos que justificam o porquê do uso do colágeno estar tão em alta atualmente.

Entretanto, os benefícios do colágeno não param por aqui, eles abrangem muitos outros, por isso veja a seguir os principais benefícios do colágeno para a nossa saúde.

9 Benefícios do Colágeno Para O Corpo

1 – Prevenção da Osteoporose

Uma das funções do colágeno é atuar na construção e regeneração dos ossos.

Então, um dos maiores benefícios da suplementação da proteína é a compensação que ela promove diante da diminuição da produção natural pelo corpo com a idade.

Os ossos terão, assim, combustível para suprir a diminuição da produção de colágeno ocorrida nas regiões dos ossos através do tempo.

Importância do colágeno para a saúde óssea e prevenção da osteoporose
O colágeno é essencial para a formação dos ossos, dando-lhes força e estrutura.
Ajuda a manter os ossos unidos, tornando-os mais resistentes a fraturas.
O colágeno é necessário para produzir novo tecido ósseo e promover a cicatrização óssea.
Ajuda a manter os ossos flexíveis, permitindo que absorvam choques e reduzindo o risco de fraturas.
O colágeno auxilia na absorção de minerais, como cálcio e fósforo, necessários para ossos fortes.
Ajuda a prevenir a degradação do tecido ósseo existente e pode retardar a progressão da perda óssea relacionada à idade.

2 – Saúde dos Cabelos E das Unhas

A queda na produção de colágeno  pode promover queda de cabelos e unhas quebradiças, provocando uma diminuição da autoestima das mulheres.

Logo, ao consumir colágeno como suplemento, seu cabelo e suas unhas terão mais nutrientes para se regenerarem e crescerem com mais naturalidade.

3 – Ajuda Na Cicatrização

Como já dissemos, a regeneração celular é um dos grandes feitos atribuídos ao colágeno.

Por este motivo, a proteína pode acelerar o processo de cicatrização de machucados e cortes, bem como na recuperação de cirurgias e após o parto.

Importância do colágeno para cicatriz de pele
O colágeno desempenha um papel fundamental na cicatrização de danos à pele causados por cirurgia ou lesão.
Ajuda a pele a reconstruir o tecido perdido, reduzindo o aparecimento de cicatrizes.
Também ajuda a manter a flexibilidade e força da pele, ajudando a prevenir futuras cicatrizes.
O colágeno ajuda a manter a pele hidratada, reduzindo a visibilidade das cicatrizes existentes.
Ajuda a acelerar o processo de cicatrização, diminuindo a gravidade e longevidade das cicatrizes.
O colágeno ajuda a promover a produção de elastina, uma proteína que ajuda a manter a firmeza e a elasticidade da pele.

4 – Diminuição da Inflamação

A inflamação nas articulações é uma condição comum entre os idosos. Dessa forma, o colágeno regenera os tecidos conjuntivos desses locais, oferecendo ao corpo articulações mais fortes, redução da inflamação e dos atritos entre os ossos.

Com isso, observa-se a diminuição de dores e inchaços nesses locais.

5 – Melhora do Sono E da Ansiedade 

O colágeno é rico em glicina, um aminoácido essencial para alívio do estresse, ansiedade e para o sono.

Então essas disfunções podem ser melhoradas com a suplementação de colágeno em pó, pois a glicina ainda atua como equilibrador hormonal.

6 – Prevenção do Envelhecimento Precoce

envelhecimento

Esse é um dos benefícios mais conhecidos do colágeno. A renovação das células da pele depende muito dos níveis de colágeno presentes no corpo.

Além disso, um estudo de 2014 demonstrou que o consumo de colágeno em pó hidrolisado consegue reparar os danos ocorridos pela exposição ao sol, equilibrando os níveis de oleosidade na pele, bem como a hidratando e a tonificando. 

Importância do colágeno para a aparência da pele
O colágeno é essencial para manter a estrutura e a elasticidade da pele.
Ajuda a criar uma aparência suave e sem rugas.
Está envolvido no processo de renovação das células da pele e ajuda a manter a hidratação da pele.
O colágeno ajuda a proteger a pele dos danos ambientais e da radiação UV.
Reduz o aparecimento de cicatrizes e estrias.

7 – Melhora da Digestão

O colágeno possibilita que ocorra a manutenção da integridade da parede do intestino. Isso promove uma melhora na absorção de nutrientes nesta região.

Assim, com um intestino com uma taxa de absorção sem defeitos, nós reduzimos o risco de contrairmos doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn e a Disbiose.

BenefícioDescrição
Absorção aprimoradaO colágeno ajuda a aumentar a absorção de nutrientes essenciais, ajudando a melhorar a digestão.
Reduz a inflamaçãoAjuda a reduzir a inflamação no trato digestivo, melhorando a saúde digestiva.
Suporta músculos digestivosSuporta os músculos do trato digestivo, auxiliando na digestão e ajudando a prevenir problemas digestivos.
Promove um microbioma saudávelAjuda a promover um equilíbrio bacteriano saudável no trato digestivo, ajudando a melhorar a digestão geral.

8 – Proteção Para Os Dentes e Gengivas 

Os dentes são estruturas indispensáveis para a nossa alimentação e a nutrição começa sempre pela boca com o mastigar.

Dessa forma, é necessário que eles fiquem fortes e apresentem condições para fixarem-se perfeitamente na região que envolve as gengivas.

Neste caso, o colágeno está presente, mantendo as gengivas e os dentes fixos e seguros.

9 – Aumento do Metabolismo

Quando aumentamos os níveis de colágeno no corpo através da suplementação, aumentamos também nossa taxa de metabolismo.

Logo, nosso corpo consegue degradar e construir mais moléculas de energia com mais facilidade, seja para perder as reservas de gordura ou mesmo para aumentar o volume muscular.

Dica: para evitar o aumento dos níveis de radicais livres induzidos pelos exercícios, recomenda-se consumir colágeno, de preferência hidrolisado e que possua vitamina C ou E na composição.

Como tomar colágeno com mais critério

O colágeno pode ser suplementado através da mistura do mesmo a sucos, vitaminas, shakes e bebidas à base de leite.

shake

Ele também pode ser tomado em associação a ingestão de vitaminas e outros suplementos como Whey Protein ou Albumina.

BenefícioProteína WheyAlbumina
Construção muscularSimNão
Perda de pesoSimNão
Suporta sistema imunológicoSimSim
Melhora o metabolismoSimSim
Melhora a saúde intestinalSimNão

Tipos de suplementos de colágeno e origens

Tipo de suplemento de colágenoDescrição
Colágeno MarinhoDerivado das escamas ou da pele dos peixes de água salgada, o colágeno marinho é composto de moléculas peptídicas menores, facilitando sua decomposição e absorção pelo corpo. O colágeno marinho é especialmente benéfico para a saúde da pele, cabelos, unhas e articulações.
Colágeno bovinoDerivado de vacas, o colágeno bovino é composto de moléculas peptídicas maiores, tornando mais difícil para o corpo quebrar e absorver. O colágeno bovino é excelente para a saúde dos ossos e articulações e para a promoção de ossos fortes.
Colágeno de AvesDerivado de aves, esse tipo de colágeno é composto por moléculas peptídicas de tamanho intermediário, tornando-o mais fácil de quebrar e absorver do que o colágeno bovino. O colágeno de aves é benéfico para a saúde muscular e articular, além de promover o bem-estar geral.
Colágeno à base de plantasEste tipo de colágeno é derivado de plantas, como trigo e arroz. É composto de moléculas peptídicas menores para fácil absorção e digestão. O colágeno à base de plantas é benéfico para a saúde da pele, cabelo e unhas.

Dicas de Uso 

  1. Aconselha-se um jejum de 3 horas antes de ingerir o colágeno, para um melhor efeito no organismo;
  2. Também não é aconselhável consumir nenhum outro alimento durante os primeiros 20 minutos após o consumo;
  3. O colágeno não é indicado para menores de 18 anos, nem para aqueles entre 18 a 30 anos, sem supervisão médica ou nutricional.

Como Preparar O Colágeno Em Pó?

Preparar o colágeno em pó é fácil e prático. Basta dissolver a quantidade de colágeno indicada pelo fabricante no rótulo em um copo de água ou leite de 250 mls.

  • Adicione o colágeno em pó a um copo.
  • Despeje uma pequena quantidade de líquido quente (água, suco, etc.) no copo.
  • Mexa a mistura com uma colher até que o pó esteja totalmente dissolvido.
  • Se necessário, adicione mais líquido até que o colágeno esteja totalmente dissolvido.
  • Beba a mistura.

Como escolher colágeno no mercado

Existem muitos fabricantes de colágeno no mercado, porém é necessário prestar atenção na hora de escolher a melhor marca.

Para isso, opte por marcas com registro na Anvisa e que possuam selos de certificação e evite as marcas que apresentem muitos corantes ou conservantes na composição.

O colágeno em pó de sabor pode conter esses elementos que não são tão saudáveis para o organismo, opte por marcas de colágeno com sabor que utilizam ingredientes naturais para saborizar o suplemento. 

Perguntas frequentes sobre o Colágeno e Suplementação

Quanto tempo leva para o colágeno fazer efeito?

Pode levar várias semanas a vários meses para que os suplementos de colágeno comecem a funcionar. Como acontece com qualquer suplemento, os resultados podem variar de pessoa para pessoa. É importante lembrar de sempre seguir as instruções do fabricante e falar com um médico antes de tomar qualquer suplemento.

Por que tomar colágeno a noite?

Tomar colágeno à noite pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, pois o colágeno pode ajudar a reduzir a inflamação, o que pode levar a uma melhor qualidade do sono. Além disso, tomar colágeno à noite aumenta a quantidade de tempo que ele permanece em seu sistema antes de ser decomposto e usado, o que pode aumentar sua eficácia.

Qual a diferença entre colágeno e coenzima Q10?

O colágeno é um tipo de proteína encontrada naturalmente no corpo, enquanto a Coenzima Q10 (CoQ10) é um antioxidante que ajuda a proteger as células dos danos causados pelos radicais livres. Ambas as substâncias desempenham papéis importantes na manutenção da saúde da pele e de outros tecidos do corpo, mas são bem diferentes. O colágeno fornece suporte estrutural para células e tecidos, enquanto a CoQ10 ajuda a aumentar a produção de energia e proteger as células contra danos.

Quais os sintomas de falta de colágeno?

Os sintomas da falta de colágeno são inespecíficos e variam de pessoa a pessoa. Podem incluir pele seca, cabelos e unhas quebradiços, rugas, dores nas articulações, ligamentos e tendões enfraquecidos e cicatrização lenta de feridas.

Existem evidências sobre o uso do colágeno oral?

As evidências de que o colágeno tomado via oral pode aumentar a sua produção na literatura médica são insuficientes

Fontes e leitura útil

  • PubMed – Hydrolyzed collagen for skin aging systematic review and meta-analysis
  • Clinical and Experimental Rheumatology – Collagen supplementation in knee osteoarthritis meta-analysis

Arquivado em: Clínica Médica, Farmácia, Nutrição

Anti-inflamatórios para esporão de calcâneo

22 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Anti-inflamatórios podem aliviar dor no calcanhar por curto período, mas não removem o esporão nem corrigem a sobrecarga da fáscia plantar, tendão de Aquiles ou apoio do pé. O tratamento depende da causa da dor e do risco individual do remédio.

Procure avaliação se a dor começou após trauma, impede apoiar o pé, progride à noite, acompanha febre, vermelhidão, ferida, formigamento ou perda de sensibilidade, ou se você tem diabetes. Para acompanhar a resposta, observe a dor no primeiro passo, o tempo até melhorar, a caminhada tolerada e os sintomas no dia seguinte; alívio apenas enquanto o remédio age não confirma que a causa foi resolvida.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno ou naproxeno, podem aliviar dor em algumas pessoas por curto período, mas não removem o esporão. Paracetamol e dipirona são analgésicos, não AINEs, e não reduzem inflamação. A escolha depende do histórico de saúde, outros medicamentos e riscos; veja também efeitos adversos dos AINEs.

Por que o esporão do calcâneo dói?

O pé é formado por 26 ossos que se interligam entre os músculos e as articulações, possibilitando movimentos anatômicos de dorsiflexão e flexão plantar, eversão e inversão. O maior osso do pé é o calcâneo, sendo ele o que recebe toda a carga do corpo.

O esporão do calcâneo é uma projeção óssea junto ao calcâneo; sua presença não comprova que seja a causa da dor. Dor plantar do calcanhar frequentemente envolve sobrecarga da fáscia plantar. Rigidez da panturrilha pode aumentar a tensão nessa região, mas não há uma única causa mecânica para todos. Veja também edema ósseo.

Rigidez do tendão de Aquiles, formato do pé e mudanças recentes na atividade podem contribuir para dor plantar, mas não explicam cada esporão encontrado em imagem.


Diminuição da elasticidade e dor

O coxim gorduroso sob o calcanhar ajuda a amortecer a carga. Com o envelhecimento ou a sobrecarga, mudanças na espessura e na capacidade de absorção podem influenciar a dor; esse mecanismo é diferente da projeção óssea chamada esporão.

A dor plantar do calcanhar pode ocorrer em diferentes idades e níveis de atividade; corrida ou longos períodos em pé podem aumentar a carga. Não há um padrão confiável de pré-menopausa que permita atribuir a dor ao esporão.

Excesso de carga, calçado com pouco amortecimento e longos períodos em pé podem influenciar sintomas. Diabetes pode alterar sensibilidade e cicatrização, o que muda a avaliação de dor no pé.

anti-inflamatórios para esporão

Na fasciopatia plantar, a dor costuma ficar na sola do calcanhar e pode ser pior nos primeiros passos da manhã ou após repouso. O padrão pode melhorar com movimento e piorar após carga prolongada; dor em repouso, trauma ou perda de sensibilidade pede avaliação de outras causas. Veja também causas de dor persistente e dor sob o calcanhar ao pisar.

O esporão pode existir sem vermelhidão ou sinais visíveis e é comum em pessoas sem dor. A fáscia plantar pode estar irritada ou degenerada sem que a projeção óssea seja a origem direta. Saiba mais sobre a fáscia plantar.

O coxim gorduroso sob o calcâneo amortece parte da carga ao caminhar. Sensibilidade nessa região pode coexistir com dor da fáscia plantar, mas não deve ser confundida com a projeção óssea vista na radiografia. O padrão dos sintomas e o local mais doloroso ajudam a separar essas possibilidades; uma imagem isolada não identifica qual estrutura está causando a limitação.

Como é diagnosticado o esporão do calcâneo?

A avaliação clínica procura localizar a dor e diferenciar fáscia plantar, coxim do calcanhar, tendão de Aquiles e outras causas.

O médico irá descobrir a causa no decorrer da avaliação, considerando alguns fatores, como: idade, calçado inapropriado, tipos de pé e de pisada, alteração na postura, desequilíbrio muscular, presença ou não de rigidez na região do tendão do calcâneo.

A dor plantar típica costuma ser diagnosticada pela história e pelo exame físico; radiografia não é necessária em todos os casos. Ela pode mostrar um esporão, mas esse achado não altera necessariamente o tratamento. Imagem é considerada quando há trauma, evolução atípica ou suspeita de outra causa.

Quais anti-inflamatórios posso utilizar para esporão do calcâneo?

O plano costuma começar com medidas conservadoras; AINE não é necessário para todos os casos.

O objetivo é aliviar a dor e reduzir a irritação, não dissolver a saliência óssea. AINEs, como naproxeno ou ibuprofeno, podem aliviar dor; acetaminofeno (paracetamol) não é AINE e atua como analgésico e antitérmico.

O naproxeno inibe a síntese de prostaglandinas e pode reduzir dor e inflamação, mas tem contraindicações e riscos próprios. Paracetamol pode aliviar dor, sem efeito anti-inflamatório.

Opções de anti-inflamatórios para esporão do calcâneo

Exemplo de AINEPossível papelRiscos importantes
IbuprofenoAlívio sintomático de curto prazo em pessoas para quem é apropriado.Risco digestivo, renal, cardiovascular e de interação.
NaproxenoAlívio sintomático de curto prazo em pessoas para quem é apropriado.Risco digestivo, renal, cardiovascular e de interação.
CelecoxibeUso depende da indicação e do perfil clínico.Também pode afetar rim, pressão e risco cardiovascular.
DiclofenacoUso depende da indicação e do perfil clínico.Também pode causar efeitos digestivos, renais e cardiovasculares.

Ibuprofeno

O ibuprofeno é um anti-inflamatório de venda livre comum e popularmente usado. Ele reduz a produção de prostaglandinas. Mesmo em uso curto, pode causar irritação, úlcera ou sangramento digestivo e afetar rins, pressão ou sistema cardiovascular. Não existe dose ou duração adequada para todas as pessoas; o uso deve seguir a bula e considerar contraindicações, outros medicamentos e risco individual.

Naproxeno

O naproxeno é outro anti-inflamatório não esteroidal que bloqueia moderadamente as prostaglandinas. Naproxeno também pode causar úlcera ou sangramento digestivo, elevar a pressão e afetar rins e sistema cardiovascular; não se pode classificar o risco como muito baixo para todos.

Corticoides e injeções na dor plantar

Corticoides por via oral, como a prednisona, não são tratamento de rotina para esporão ou dor plantar. Embora reduzam inflamação em doenças indicadas, podem causar efeitos sistêmicos e precisam de decisão clínica. Veja também corticoides e controle da dor.

anti-inflamatório

Injeções de corticoides (anti-inflamatórios)

Injeção de corticoide pode ser considerada em casos selecionados de dor plantar persistente, mas não é uma aplicação que remova ou trate o esporão ósseo.

O alívio pode ser temporário e não tem duração fixa. A decisão deve ponderar riscos, inclusive ruptura da fáscia plantar e atrofia do coxim gorduroso do calcanhar.

Por esses riscos, injeção não deve ser usada rotineiramente nem repetida sem reavaliação.

Injeções de corticoides

O alívio medicamentoso não corrige por si só a sobrecarga ou a causa da dor; o plano pode combinar adaptação de carga e reabilitação conforme o exame.

Quando um AINE é apropriado, a orientação regulatória é usar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário. Não combine ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco ou outro AINE por conta própria: a associação pode elevar riscos sem resolver a causa mecânica da dor. O fato de um produto ser vendido sem receita não elimina riscos digestivos, renais, cardiovasculares ou de interação.

Como meu médico escolhe um anti-inflamatório certo para mim?

Ao planejar seu tratamento, seu médico analisa a eficácia e os riscos desses medicamentos. A decisão considera histórico de úlcera ou doença renal, pressão e risco cardiovascular, gestação, alergias, outros medicamentos, localização e duração da dor. Exame de imagem ou sangue não é necessário para todo caso típico; pode ser solicitado se a avaliação indicar.

Se o uso for prolongado ou houver fatores de risco, a equipe pode acompanhar pressão e função renal e rever o tratamento. A necessidade de exames depende do medicamento, da duração e do estado clínico.


Efeitos adversos com o uso de anti-inflamatórios

O uso repetido ou prolongado de AINE pode causar úlcera e sangramento digestivo, aumentar a pressão e afetar rins e risco cardiovascular; sangramento também pode levar a anemia. Veja mais sobre pressão alta e doença renal crônica.

Na dor plantar típica, o plano pode combinar ajuste temporário da atividade que agrava os sintomas, calçado tolerável e exercícios progressivos para a fáscia plantar e a panturrilha. A diretriz clínica de 2023 recomenda alongamentos específicos da fáscia e do complexo gastrocnêmio-sóleo para melhorar dor e função; a intensidade deve ser compatível com a irritabilidade do quadro. Fisioterapia pode orientar a execução e integrar fortalecimento e mobilidade quando o exame encontra essas limitações.

O retorno à caminhada ou corrida deve acompanhar a resposta funcional: distância tolerada, dor durante a atividade e como o calcanhar fica depois e na manhã seguinte. Se a carga maior reativa claramente os sintomas, reduza essa etapa e retome progressivamente. A dor persistente apesar de um plano bem ajustado pede reavaliação da hipótese diagnóstica e das medidas usadas, em vez de aumentar o anti-inflamatório por conta própria.

Revise também o que mantém a região sob carga: longos períodos em pé, aumento recente de caminhada ou corrida, piso e calçado. Ajustar temporariamente a exposição mais provocadora pode reduzir a irritação sem exigir imobilidade completa. Um calçado confortável que não comprima o calcanhar pode facilitar a marcha; palmilhas são um recurso possível, não uma solução obrigatória nem capaz de remover o esporão. Se forem usadas, vale verificar se ajudam a caminhar ou a tolerar a atividade; o efeito funcional é mais relevante que a imagem do esporão.

Idade avançada, úlcera ou sangramento digestivo prévios, uso de anticoagulantes ou corticoides e consumo regular de álcool aumentam a preocupação com sangramento gastrointestinal. Na gestação, a segurança depende do momento; evite iniciar AINE sem orientação. Uma revisão da lista de medicamentos ajuda a identificar combinações e fatores de risco.

Vou precisar de cirurgia?

Cirurgia raramente é necessária para dor plantar do calcanhar. Em quadros persistentes, a conduta depende de confirmar o diagnóstico e tentar medidas conservadoras adequadas, como ajuste de carga, calçado, alongamento específico e fortalecimento; palmilhas ou outros recursos são escolhidos conforme a avaliação.

Referências

AZEVEDO, L. F.; VENEZIANO, L. S. N. A importância do fisioterapeuta no tratamento do esporão de calcâneo. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 5, p. 1033-1042. 2022.

NAXOTEC. [bula]. DF: União Química.

PARACETAMOL. [bula]. São Paulo: EMS.

Referências clínicas: consenso do American College of Foot and Ankle Surgeons sobre dor plantar do calcanhar; diretriz APTA de 2023; AAOS: fasciopatia plantar; FDA: riscos e uso cauteloso de AINEs.

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Paralisia cerebral: sinais, causas e acompanhamento

22 de dezembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Fatos importantesDescrição
Incidência2-2,5 por 1.000 nascidos vivos
CausaA maioria dos casos de paralisia cerebral é causada por problemas que ocorrem antes, durante ou logo após o nascimento.
Idade de inícioA maioria dos casos é diagnosticada antes dos 2 anos de idade.
TiposEspástico, discinético, atáxico e misto.
Expectativa de vidaA maioria das pessoas com paralisia cerebral vive até a idade adulta.

A Paralisia Cerebral (PC) engloba manifestações clínicas para quem apresenta dificuldade motora em consequência a uma lesão cerebral.

Este tipo de lesão pode acontecer no nascimento, ou no período que segue. Entretanto, ela não se agrava ou progride, mas pode limitar a atividade.

No geral ela pode afetar 2 em cada 1000 indivíduos. No entanto, este problema é comum nas crianças. Esta incapacidade mais visível é na motora, pois dificulta a mobilidade. Neste caso, as crianças podem ter problemas de marcha ou uso dos braços e mãos.

Além disso, as crianças com paralisia cerebral pode apresentar outras lesões como, problemas de cognição, comunicação, percepção, atenção e concentração.

Estilo de vida da criança em cadeira de rodas Foto gratuita
Paralisia foto criado por freepik – br.freepik.com

O que é

Quando a criança apresenta a lesão ela demonstra uma perturbação do controle da postura e movimento. Isto ocorre devido à lesão ou anomalia cerebral.

Existem casos que pode causar perturbações que pode refletir no modo de andar, falar ou utilizar as mãos. Entre os agravantes, algumas demonstram incapacidade motora grave, problema em andar e falar.

Sintomas da Paralisia Cerebral

As manifestações são variáveis de criança para criança, pois ocorre devido à gravidade de extensão da lesão, caso a área neurológica demonstre comprometida. Este denominador é o distúrbio motor.

Todos os pacientes apresentam comprometimento motor; 80% têm espasticidade. Outros distúrbios do movimento observados são distonia, atetose, coreia (todos os quais são tipos de paralisia cerebral discinética) e ataxia.

Além deste sintoma é possível apresentar crises convulsivas, dificuldades visuais, dificuldades de fala, problemas para alimentação e função respiratória, deficiência auditiva, deficiência mental, entre outros.

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Distúrbio motor da Paralisia Cerebral

As alterações motores são decorrentes ao local lesionado, elas podem classificar conforme a dificuldade.

Espástica:

Garante a paralisia e aumento de tonicidade dos músculos. Pode haver um lado do corpo afetado e os quatro membros afetados (tetraparesia) ou os membros inferiores (diplegia).

Disquinésia:

Neste caso pode causar movimentos involuntários e variações na tonacidade muscular.

Ataxia:

Diminuição da tonicidade muscular, coordenação dos movimentos e equilíbrio deficiente, além de lesão ou anomalia no cerebelo.

A criança com paralisia cerebral pode ter inteligência normal ou acima, no entanto, pode apresentar atraso. Todavia os esgares da face e deficiência na fala e descontrole dos movimentos pode representar um atraso mental que não existe.

Além da perturbação motora, pode ter défices sensoriais, deficiência visuais e auditivos, dificuldades perceptivas, deficiência na fala e epilepsia.

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Causas da Paralisia Cerebral

A causa não é devido à deficiência nos pais ou doença hereditária. Ela pode ocorrer por hemorragias, deficiência na circulação cerebral ou falta de oxigénio no cérebro, traumatismo, infecções, nascimento prematuro ou icterícia grave neonatal.

Prevenção

Para prevenção os médicos pedem para as mulheres grávidas fazerem o acompanhamento pré-natal regular. Mas infelizmente a causa não é conhecida por isto é difícil prevenir.

Em todo caso apesar das significativas melhorias no cuidado obstétrico e neonatal nos anos recentes, a incidência não diminuiu. Com isto é preciso fazer mais pesquisas das causas para prevenir estas desordens.

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Tratamento

Embora a paralisia cerebral seja uma deficiência vitalícia, existem muitas intervenções que podem ajudar a reduzir seu impacto no corpo e na qualidade de vida do indivíduo.

Uma intervenção é um serviço que visa melhorar a condição da paralisia cerebral e a experiência do dia-a-dia da pessoa que a convive.

As crianças com paralisia cerebral podem ser apoiadas por uma equipe de profissionais, incluindo profissionais de saúde e serviços de apoio comunitários que trabalham juntos para ajudar a criança e a família a alcançar seus objetivos.

No final da adolescência e início dos 20 anos, muitos jovens assumem responsabilidade crescente por sua própria saúde e bem-estar. Sua equipe pode incluir profissionais de saúde e provedores da comunidade tradicional, como treinadores de fitness.

Médico indicado

O acompanhamento adequado exige uma equipe de especialistas que ajuda na coordenação dos movimentos e diminui o desconforto e a dor para evitar qualquer complicação.

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Intervenções para problemas de movimento

Medicamento:


Especialistas médicos podem prescrever medicamentos auxiliando em problemas de movimento. Alguns medicamentos são tomados por via oral (por exemplo, diazepam) e outros são injetados ou administrados por bombas implantadas cirurgicamente (por exemplo, baclofeno).

Muitas crianças com paralisia cerebral se beneficiam de injeções de toxina botulínica tipo A nos músculos afetados pela espasticidade. Esta intervenção é usada a partir dos dois anos e é mais eficaz quando usada em conjunto com a terapia motora.

Procedimentos cirúrgicos:

A Rizotomia Dorsal Seletiva é um procedimento neurocirúrgico usado em uma pequena porcentagem de crianças com paralisia cerebral para reduzir permanentemente a espasticidade em suas pernas.

Fisioterapia e Terapia Ocupacional:

Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais se concentram em incentivar as habilidades de movimento do dia-a-dia de uma pessoa, como sentar, andar, brincar, vestir-se e ir ao banheiro.

Eles usarão uma série de intervenções especializadas, como treinamento de movimento e equipamentos, por exemplo. Andadores, cadeiras de rodas, assentos de apoio, calçados e órteses.

Intervenções para problemas comportamentais e emocionais

Terapia Comportamental e Psicologia:

Os psicólogos podem oferecer avaliação e apoio para desafios emocionais e comportamentais, que podem incluir terapia comportamental e terapia cognitivo-comportamental.

Os assistentes sociais apoiam as pessoas com paralisia cerebral e suas famílias de várias maneiras, incluindo aconselhamento baseado em pontos fortes e trabalho em grupo de ajuda mútua.

Intervenções para distúrbios do sono

Medicamentos para tratamento de insônia:

Especialistas médicos podem prescrever medicamentos ou tratar os problemas associados que afetam o sono. Antidepressivos, medicamentos neurolépticos podem ser iniciados para tratamento de distúrbios de sono em crianças.

Terapia comportamental:

Os psicólogos podem ajudar na terapia comportamental ou ajudar as famílias a estabelecer rotinas para ajudar a resolver os problemas de sono das crianças.

Distúrbios de sono:

Para crianças com problemas posturais que dificultam o sono, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas podem prescrever sistemas especiais de sono para ajudar as crianças a se sentirem mais confortáveis na cama.

Fontes úteis

  • CDC: desenvolvimento infantil
  • HealthyChildren.org
  • MedlinePlus: saúde infantil

Arquivado em: Neurologia, Pediatria

Café da manhã: é obrigatório comer mesmo sem fome?

22 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

O café da manhã pode ser uma refeição útil, prática e nutritiva, mas não é obrigatório comer logo ao acordar se você não sente fome. A ideia de que todo mundo deve tomar café da manhã imediatamente para “acelerar o metabolismo” é mais rígida do que as evidências permitem afirmar: o que pesa é o conjunto do dia, não o horário isolado da primeira refeição.

Café da manhã emagrece ou evita ganho de peso?

Essa é uma das afirmações mais repetidas sobre o tema. Porém, uma revisão sistemática publicada no BMJ, que avaliou ensaios clínicos randomizados em adultos, não encontrou evidência forte de que comer café da manhã promova perda de peso, nem de que pular o café da manhã cause ganho de peso por si só.

Na vida real, o peso depende do conjunto da alimentação, gasto energético, sono, atividade física, rotina, medicações, saúde mental e muitos outros fatores. Uma pessoa pode pular o café da manhã e compensar com excesso de calorias à noite. Outra pode tomar um café da manhã rico em açúcar, farinhas refinadas e bebidas adoçadas e ainda assim ter pior qualidade alimentar. O horário da refeição importa menos do que parece quando a qualidade e o total do dia estão ruins.

Por isso, não é correto dizer que “pular café da manhã engorda” como regra. O que pode acontecer é: se a pessoa chega ao almoço ou ao fim da tarde com muita fome, ela tende a escolher alimentos mais calóricos, comer mais rápido e ter menos controle da saciedade. Nesse cenário, um café da manhã simples pode ajudar como estratégia de organização alimentar.

E se eu acordar sem fome?

Acordar sem fome pode ser normal, especialmente em quem janta tarde, comeu muito à noite, dormiu pouco, está ansioso ou simplesmente tem um ritmo alimentar mais tardio. Não há necessidade de forçar uma refeição grande logo ao levantar se isso causa enjoo ou desconforto.

Uma solução intermediária é adiar a primeira refeição para quando a fome aparecer e planejar algo nutritivo. Isso evita dois extremos: comer sem vontade apenas por regra, ou ficar muitas horas sem se alimentar e depois compensar com opções de baixa qualidade.

Quando pular café da manhã pode fazer mal?

Alguns grupos precisam de mais cuidado com jejuns longos ou refeições atrasadas. Nesses casos, a orientação individual é mais importante do que regras gerais.

  • Pessoas com diabetes que usam insulina ou sulfonilureias: atrasar ou pular refeições pode aumentar o risco de alterações da glicose, incluindo hipoglicemia em algumas situações.
  • Quem tem sintomas de hipoglicemia: tremor, suor frio, tontura, fome intensa, confusão, palpitação ou fraqueza merecem avaliação, especialmente se melhoram ao comer.
  • Gestantes: náuseas, diabetes gestacional, ganho de peso, vômitos e tolerância alimentar precisam ser acompanhados com orientação profissional.
  • Crianças, adolescentes e pessoas em crescimento: a rotina alimentar deve sustentar aprendizado, atividade física e desenvolvimento.
  • Pessoas que treinam cedo ou fazem trabalho fisicamente exigente: pode ser necessário ajustar horário, tipo e quantidade de alimento para evitar queda de desempenho ou mal-estar.

Fome no fim do dia: por que acontece?

Quem passa muitas horas sem comer pode chegar ao fim do dia com mais fome. Isso não acontece porque o metabolismo “travou”, mas porque o corpo tenta recuperar energia. Hormônios de fome e saciedade, rotina de sono, estresse e disponibilidade de alimentos influenciam esse comportamento.

Se você costuma pular o café da manhã e depois sente muita vontade de doces, lanches ultraprocessados ou grandes porções à noite, vale testar uma primeira refeição menor, com proteína e fibra. Não precisa ser um café da manhã tradicional. Pode ser iogurte natural com fruta e castanhas, ovos com legumes, aveia, uma fruta com pasta de amendoim, pão integral com queijo, ou feijão com tortilla, por exemplo.

O que comer no café da manhã?

O melhor café da manhã é aquele que ajuda você a passar as próximas horas com energia estável e boa saciedade. Em geral, isso acontece quando a refeição combina proteína, fibra, carboidrato de melhor qualidade e alguma gordura saudável.

  • Proteínas: ovos, iogurte natural, queijo, leite, tofu, frango desfiado, grão-de-bico ou outras leguminosas.
  • Fibras e carboidratos melhores: frutas, aveia, pão integral, tapioca com recheio proteico, raízes, cereais integrais e leguminosas.
  • Gorduras saudáveis: castanhas, sementes, abacate, azeite ou pasta de amendoim sem excesso de açúcar.
  • O que limitar: bebidas açucaradas, biscoitos, bolos, cereais muito adoçados e pães doces como base diária.

Quem quer melhorar o peso ou a composição corporal deve olhar o dia todo, não apenas a manhã. Uma dieta muito restritiva, por exemplo, pode aumentar fome, irritabilidade e compulsão em algumas pessoas. Já uma rotina com refeições bem distribuídas, sono adequado e alimentos mais saciantes tende a ser mais sustentável.

Como decidir se você deve comer pela manhã?

Observe por uma ou duas semanas: horário da fome, energia, concentração, humor, treino, sono, compulsões e qualidade das refeições seguintes. Se pular o café da manhã não causa sintomas e você consegue manter uma alimentação equilibrada no restante do dia, pode não ser um problema. Se você sente fraqueza, tontura, irritação, queda de concentração ou exagera mais tarde, a primeira refeição pode ajudar a organizar energia, fome e regularidade alimentar.

Procure orientação profissional se houver sintomas frequentes, diabetes, gestação, transtorno alimentar, uso de medicamentos que mexem com a glicose, perda de peso involuntária ou dificuldade persistente para comer de forma adequada.

Dicas práticas para quem não sente fome cedo

  1. Não force uma refeição grande. Comece com algo pequeno, se necessário.
  2. Deixe uma opção pronta para comer mais tarde, como iogurte, fruta, sanduíche simples ou aveia.
  3. Evite transformar o café da manhã em sobremesa diária. Açúcar em excesso dá energia rápida, mas pouca saciedade.
  4. Se treina cedo, teste uma opção leve antes do exercício e uma refeição melhor depois.
  5. Se usa remédios para diabetes, combine horários de refeições e medicação com sua equipe de saúde.

Resumo visual: porção, preparo e frequência

O quadro abaixo organiza o que observar antes de concluir que um alimento é bom ou ruim para você: porção real, preparo, frequência e o efeito no restante do dia.

Café da manhã: é obrigatório comer mesmo sem fome?
PontoComo observarPor que ajuda
O que compararPorção real, preparo e frequência na semana.Evita concluir apenas pelo nome do alimento.
O que muda a respostaFritura, açúcar, álcool, molhos e objetivo de peso.Mostra por que duas pessoas podem ter orientações diferentes.
Quando individualizarSintomas persistentes, restrições, gestação ou doença crônica.Ajuda a saber quando buscar orientação personalizada.
  • Compare a porção usual com a porção eventual.
  • Observe o padrão da semana antes de mudar tudo por um único alimento.
  • Evite regras rígidas quando há sintomas ou tratamento em andamento.

Explore também no Blog da Saúde

  • Nutrição
  • Clínica Médica

Referências gerais

  • WHO: alimentação saudável
  • USDA FoodData Central
  • MyPlate: grupos alimentares

Fontes úteis

  • BMJ: Effect of breakfast on weight and energy intake
  • Harvard Health: What’s a healthy breakfast?
  • Harvard Health: Adults who skip morning meal likely to miss out on nutrients
  • NIDDK: Low Blood Glucose

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