O DIU Mirena pode deixar a menstruação mais leve, irregular ou ausente; nos primeiros três a seis meses, escapes são frequentes. Parar de menstruar não acontece com todas as usuárias, e continuar sangrando não significa, por si só, que o dispositivo perdeu o efeito contraceptivo.
A evolução do padrão é mais informativa que um dia isolado de sangramento. Pequenos escapes logo após a inserção têm interpretação diferente de um fluxo intenso que começa depois de muitos meses estáveis, especialmente quando acompanhado de dor ou febre.
O que o Mirena faz no revestimento do útero?
O dispositivo libera levonorgestrel, um progestagênio que age principalmente no útero. Sua ação reduz o crescimento do endométrio, a camada que se desprende durante a menstruação. Com menos tecido para descamar, o volume de sangue costuma diminuir ao longo do uso.
A ausência de fluxo não significa que o sangue esteja preso ou acumulado no útero. Também não comprova que a mulher deixou de ovular: muitas usuárias mantêm ciclos ovulatórios. A proteção envolve efeitos como espessamento do muco do colo e interferência na passagem e função dos espermatozoides, sem depender exclusivamente de bloquear a ovulação.
Escapes no começo e redução do fluxo depois
Na adaptação, podem ocorrer dias alternados de pequenas manchas, sangramento mais frequente ou um ciclo difícil de prever. Com a continuidade, tende a haver menos sangramento. Isso não obriga a pessoa a tolerar indefinidamente um efeito que prejudica sua rotina.
A informação oficial do fabricante nos Estados Unidos descreve ausência de menstruação em aproximadamente 20% das usuárias ao fim de um ano. Esse dado se refere ao Mirena e não garante o resultado individual nem deve ser transferido automaticamente para todos os DIUs hormonais.
Quem continua menstruando pode estar usando o método adequadamente. Já o DIU de cobre não libera esse hormônio e pode aumentar o fluxo, sobretudo no início. Comparar a experiência de uma usuária de cobre com a de Mirena sem distinguir os dispositivos produz expectativas incorretas.
Quando investigar o sangramento
Sangramento intenso ou prolongado é menos característico do uso contínuo do DIU hormonal e merece investigação, principalmente se surgiu após um período estável. Entre as possibilidades estão deslocamento do dispositivo, gravidez, infecção, pólipos, miomas e alterações da tireoide quando há outros sinais compatíveis.
A avaliação começa pelo padrão e pelo exame clínico. Teste de gravidez, investigação de infecção e ultrassonografia entram conforme a suspeita; não é necessário fazer todos os exames em toda pessoa com um escape discreto. O texto sobre como confirmar se o DIU saiu do lugar explica os limites dos sintomas e da percepção dos fios.
Febre, dor pélvica forte, secreção com mau cheiro ou sangramento volumoso exigem atendimento mais rápido. Teste de gravidez positivo com DIU requer avaliação para localizar a gestação. Dor intensa acompanhada de tontura ou desmaio é urgência, mesmo sem um teste positivo prévio.
Se a menstruação sumiu, preciso fazer teste todo mês?
Não costuma ser necessário repetir testes mensalmente quando a ausência de sangramento já foi avaliada e permanece como efeito esperado do método. Uma mudança abrupta de padrão, suspeita de expulsão ou sintomas de gravidez pode justificar um teste e reavaliação.
O sangramento não funciona como relógio da validade do dispositivo. A data de troca deve seguir o produto, a indicação e o plano registrado na inserção, mesmo que a mulher continue sem menstruar.
Há tratamento para escapes persistentes?
Primeiro é preciso identificar se existe outra causa e esclarecer o objetivo da usuária: continuar com o DIU, tratar o incômodo ou escolher outro método. Não há um remédio universal para interromper escapes do Mirena; os estudos de tratamentos específicos têm resultados limitados ou inconsistentes.
Acrescentar hormônios, anti-inflamatórios ou medicamentos para reduzir sangramento sem considerar contraindicações pode trazer riscos. Se houver preferência pela retirada, é importante organizar a contracepção seguinte para evitar um intervalo sem proteção.