Quem não menstrua pode engravidar em várias situações, porque a ausência de sangramento não comprova que a ovulação parou definitivamente. A resposta muda quando se trata de menopausa confirmada, uso de anticoncepcional, amamentação, doença que interrompe o ciclo ou retirada do útero.
Amenorreia é o nome dado à ausência de menstruação. Ela descreve um sinal, e não uma causa única nem um teste de infertilidade. Se existe possibilidade de gravidez, esse é um dos primeiros diagnósticos a verificar.
É possível ovular antes de a menstruação voltar?
Sim. A ovulação ocorre antes do sangramento que iniciaria o ciclo seguinte. Se a atividade ovariana retorna depois de um período sem menstruação e há fecundação, a pessoa pode engravidar sem ter visto uma nova menstruação antes.
Isso é relevante no pós-parto e em situações de ovulação irregular. Síndrome dos ovários policísticos, alterações da tireoide, perda importante de peso e outros problemas podem reduzir a frequência de ovulação, mas não fornecem proteção contraceptiva confiável. Tratar a causa também pode permitir o retorno da fertilidade.
Menopausa é diferente de alguns meses de atraso
A menopausa natural é reconhecida retrospectivamente após 12 meses sem menstruação, quando não há outra causa que explique a ausência. Na transição, chamada perimenopausa, podem existir intervalos longos sem fluxo e ainda ocorrer ovulação.
Por segurança contraceptiva, orientações do NHS recomendam manter contracepção por um ano após a última menstruação natural a partir dos 50 anos e por dois anos entre 40 e 49 anos. Esses critérios não podem ser aplicados apenas contando sangramentos de quem usa hormônios que alteram o ciclo.
Depois da menopausa confirmada, não se espera gravidez espontânea. Tratamentos de reprodução assistida com óvulos doados ou embriões previamente congelados são uma situação diferente, que exige avaliação própria. Insuficiência ovariana antes da idade habitual também precisa de investigação e não deve ser presumida apenas pelo atraso.
Amamentar e não menstruar garante proteção?
Não isoladamente. O método da amenorreia lactacional exige que o bebê tenha menos de seis meses, que a menstruação não tenha retornado e que a amamentação seja exclusiva ou quase exclusiva, frequente durante o dia e a noite. A introdução de outros alimentos e intervalos maiores entre mamadas podem reduzir essa proteção.
A ausência de fluxo por meses durante a amamentação não autoriza prolongar automaticamente esse método. Uma nova gestação pode ocorrer antes da primeira menstruação pós-parto. A escolha de contracepção deve considerar o tempo desde o parto e a amamentação.
Anticoncepcional e cirurgia também mudam a resposta
Implantes, alguns comprimidos, injetáveis e DIUs hormonais podem reduzir ou suspender o sangramento. Nesse cenário, a proteção depende do uso correto e das características do método, não da menstruação ter desaparecido. Para o implante, há uma explicação específica sobre como verificar as condições de funcionamento do Implanon.
Já quem retirou o útero não tem como manter uma gestação dentro dele. Preservar os ovários pode preservar produção hormonal e óvulos, mas não restitui o útero. Por isso, não menstruar após histerectomia é uma situação diferente de não menstruar por um medicamento.
Quando testar e investigar
Se não é possível prever a próxima menstruação, o NHS orienta fazer teste de gravidez pelo menos 21 dias depois da última relação sem proteção. Um resultado negativo muito precoce pode precisar de repetição. Se a relação foi recente e a gestação não é desejada, procure orientação imediatamente sobre contracepção de emergência, sem esperar esse intervalo.
Ausência inexplicada de menstruação por três meses, sobretudo em quem tinha ciclos regulares, merece investigação. Ela pode incluir teste de gravidez, avaliação de tireoide e prolactina, outros hormônios e ultrassom conforme os achados. Dor abdominal forte, sangramento com tontura ou desmaio exigem urgência, pois podem ocorrer em uma gravidez ectópica, inclusive antes de a gestação ter sido reconhecida.
Referências
- NICHD — possibilidade de gravidez com amenorreia.
- NHS — menopausa e duração da contracepção.
- OMS — menopausa e reprodução assistida.
- NHS — fertilidade e contracepção após o parto.
- NHS — momento do teste de gravidez.
- ASRM — investigação da amenorreia.
- NHS — efeitos da retirada do útero.
- NHS — sinais de gravidez ectópica.