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Dor No Trapézio – Anatomia, Causas, Sintomas e Tratamentos

15 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dor no trapézio costuma ser uma dor muscular ou miofascial na região do pescoço, ombro e parte alta das costas, mas o diagnóstico muda quando há formigamento, perda de força, dor que desce pelo braço, trauma, febre ou dor no peito. O ponto central não é apenas “soltar o músculo”, e sim entender se o trapézio é a fonte principal da dor, se está compensando outro problema do pescoço ou ombro, ou se existe dor referida de outra estrutura.

O trapézio participa da posição da escápula, do controle do ombro e de movimentos do pescoço. Por isso, ele pode doer depois de sobrecarga no computador, treino, estresse postural, sono ruim ou aumento repentino de carga. Também pode ficar sensível quando há irritação cervical, disfunção escapular, cefaleia cervicogênica ou dor miofascial com pontos-gatilho.

Resposta rápida: quando a dor parece vir do trapézio?

A dor combina mais com trapézio quando fica na parte alta do ombro e pescoço, piora com postura sustentada, tensão, elevação dos ombros ou movimentos repetidos, e melhora parcialmente com calor, mudança de posição ou mobilidade leve. Ela deixa de ser uma hipótese simples quando irradia com dormência, fraqueza, falta de ar, dor torácica ou após trauma.

Padrão percebidoO que pode sugerirO que observar
Peso ou queimação no alto do ombroSobrecarga do trapézio superior ou dor miofascialRelação com computador, treino, sono, estresse e melhora com pausas
Dor no trapézio com dor de cabeçaTensão cervical, cefaleia tensional ou cervicogênicaRigidez do pescoço, dor na nuca, piora ao virar a cabeça
Dor com formigamento no braçoIrritação nervosa cervical ou desfiladeiro torácico, entre outras causasTrajeto do formigamento, perda de força, reflexos, sensibilidade
Dor após queda, pancada ou esforço súbitoLesão muscular, lesão cervical, ombro ou clavículaInchaço, deformidade, limitação intensa, hematoma

Use o padrão como orientação inicial, não como diagnóstico fechado. A avaliação muda quando sinais neurológicos, trauma ou sintomas sistêmicos entram na história.

Por que o trapézio dói tanto em quem usa computador ou treina?

O trapézio superior tende a trabalhar de forma constante quando a cabeça fica projetada para frente, os ombros sobem sem perceber ou a escápula perde apoio durante movimentos repetidos. Essa contração sustentada não precisa ser forte para incomodar. Horas de baixa intensidade podem irritar fibras musculares, tendões, articulações cervicais e áreas miofasciais sensíveis.

Em treino, a dor pode aparecer depois de remadas, encolhimentos, levantamento terra, barras, exercícios acima da cabeça ou retorno rápido após pausa. Nesses casos, a pergunta útil é: o tecido foi exigido acima da capacidade atual ou existe uma mecânica que está concentrando carga no trapézio?

Na dor miofascial, pontos-gatilho podem gerar dor local e dor referida. Revisões médicas descrevem a síndrome dolorosa miofascial como dor regional em músculos e fáscias, frequentemente associada a bandas tensas e pontos hipersensíveis. Isso ajuda a explicar por que a pessoa sente dor no trapézio, mas também no pescoço, nuca, ombro ou região entre as escápulas.

Mapa de movimentos: o que piora ajuda a separar causas
Teste do dia a diaSe piora maisInterpretação prática
Ficar sentado 30-60 minutosPeso no trapézio e nucaPostura sustentada e resistência cervical/escapular podem ser relevantes
Virar ou inclinar o pescoçoDor cervical, nuca ou irradiaçãoA coluna cervical precisa entrar no raciocínio
Elevar o braço acima da cabeçaDor no ombro, arco doloroso ou fraquezaOmbro e manguito rotador podem ser a fonte principal
Apertar o ponto doloridoDor local e dor que “espalha”Pode haver componente miofascial, mas ainda é preciso comparar com outras causas

Quando investigar pescoço, ombro ou nervos?

O trapézio raramente deve ser avaliado isoladamente. A região recebe influência da coluna cervical, escápula, ombro e nervos periféricos. Dor que desce pelo braço, choque, dormência, perda de força, alteração de sensibilidade ou piora clara ao movimentar o pescoço muda a hipótese para irritação nervosa cervical ou outra fonte neurológica.

Dor muito localizada no ombro, principalmente ao levantar o braço, pode ter relação com tendões do manguito rotador, bursite, capsulite ou articulação acromioclavicular. Já dor entre pescoço e escápula pode envolver trapézio, elevador da escápula, romboides, articulações cervicais e torácicas.

A avaliação clínica costuma combinar história, exame físico, força, sensibilidade, mobilidade cervical, testes do ombro e palpação. Exames de imagem entram quando há trauma, suspeita neurológica, falha de evolução, sinais de alerta ou quando o resultado pode mudar a conduta.

Tratamento: o plano depende do padrão dominante
SituaçãoConduta que costuma fazer sentidoLimite importante
Dor recente por sobrecargaReduzir carga por alguns dias, calor, mobilidade leve, sono e retorno progressivoRepouso absoluto prolongado pode piorar rigidez e medo de movimento
Dor recorrente no computadorPausas, ajuste de tarefa, exercícios de resistência cervical e escapularErgonomia sem fortalecimento costuma ser insuficiente
Ponto-gatilho persistentereabilitação, terapia manual, tratamento local em ponto-gatilho ou infiltração podem ser discutidosProcedimento não substitui diagnóstico e controle de carga
Dor com sinais neurológicosAvaliação médica, exame neurológico e decisão sobre imagem ou encaminhamentoNão tratar como “nó muscular” antes de diferenciar raiz nervosa

Diretrizes de dor cervical valorizam exercício, mobilidade e fortalecimento escapulotorácico em muitos quadros. Para dor miofascial, a literatura descreve abordagem multimodal, com tratamento do ponto doloroso e dos fatores que mantêm a sobrecarga.

O que acompanhar antes da consulta

  • Local exato da dor: alto do ombro, nuca, entre as escápulas ou ombro lateral.
  • Movimentos que pioram: virar o pescoço, elevar braço, empurrar, puxar, ficar sentado.
  • Sintomas associados: dor de cabeça, formigamento, fraqueza, tontura, dor no peito ou falta de ar.
  • Tempo de evolução: dias, semanas, meses, recorrente ou progressivo.
  • Resposta a medidas simples: calor, pausa, sono, redução de treino, fisioterapia.

O trapézio é um músculo enorme localizado nas costas, que inicia na base do pescoço e se estende pelos ombros, descendo até o centro das costas. Seu nome se dá devido a sua forma, que se assemelha realmente a um trapézio, com quatro lados, sendo dois paralelos.


Anatomia do Músculo Trapézio

musculo-trapezio

O músculo trapézio é dividido em 3 áreas:

  • Trapézio superior
  • Trapézio médio
  • Trapézio inferior

O trapézio possui grupos de fibras superiores, inferiores e médios. Os ramos ventrais de C3, C4 inervam a capacidade tátil do trapézio. O nervo craniano XI inerva a capacidade motora do trapézio.

A função desse músculo está relacionada com a postura e o movimento, permitindo que o indivíduo incline a cabeça.

Além disso, esse músculo ajuda a pessoa a ficar em pé, encolher os ombros ou puxá-los para trás. É o trapézio que controla a escápula quando se levanta o braço.

Os filamentos superiores do trapézio estão incluídos na menor parte do músculo, começando na base do pescoço e estendendo-se até o topo dos ombros.

Sua função é elevar e girar para cima a escápula e expandir o pescoço, ou seja, ajuda você a levantar os braços, girar e estender o pescoço e a cabeça, além de encolher os ombros.

Os filamentos centrais, ou filamentos médios, ficam localizados logo abaixo dos filamentos superiores. Ajuda a puxar os ombros para trás e estender os braços por trás, além de estabilizar os ombros ao movimentar os braços.

Já os filamentos inferiores empurram para baixo e ajudam os filamentos superiores a girar a escápula para cima.

Esses movimentos permitem que a escápula gire contra o elevador da escápula e os músculos rombóides. Esse giro é significativo, juntamente ao músculo deltoide, para arremessar objetos.


Movimentos do músculo trapézio

O trapézio é um dos músculos mais amplos e geralmente rasos (mais próximos da pele) da parte superior das costas e do tronco, significando que na análise de um cadáver ele é, muitas vezes, utilizado como um marco, pois é encontrado primeiro.

Quando se alonga demais o músculo, é comum que ocorra uma tensão ou distensão do trapézio, podendo até mesmo rasgar, em casos graves.

Algumas causas de dor no trapézio são pancadas, quedas, carga excessiva sobre o músculo, postura inadequada e realização de movimentos intensos e bruscos.


Má postura e movimentos repetitivos são fatores que contribuem para dores no pescoço e nos ombros, em grande parte causadas pela hiperatividade e rigidez do músculo trapézio.


Vídeo sobre Dor no Trapézio

Causas comuns de dores no músculo trapézio

Postura corporal: Se a má postura não for corrigida precocemente, ela pode se tornar permanente. Sentar ou ficar em pé de forma inadequada pode levar a dores no músculo trapézio que podem até irradiar para a coluna (vértebras espinhais) e músculos de suporte. Má postura pode gerar tensão no músculo. Por exemplo, quem ficam várias horas por dia trabalhando sentado na frente de um computador possui um risco aumentado de dor crônica no pescoço e nos ombros, afetando o trapézio.


Excesso de estresse e tensão: Stress crônico pode levar a uma maior tensão nos músculos, principalmente em músculos da cintura escapular (como o trapézio e os rombóides). Isso é causado principalmente pelo excesso de contração muscular, levando a dores musculares e dor. Esses sintomas também podem ser agravados por tensão mental e ansiedade que geralmente acompanham períodos estressantes.


Lesão muscular ou músculos estirados: Isso ocorre quando um músculo foi movido muito longe e muito rapidamente, resultando em lesão. Como a conexão entre os músculos foi cortada, a dor e a diminuição da amplitude de movimento são os resultados prováveis.


Pressão: Pressão forte ou apertada no trapézio, causando pressão no músculo, pode levar à dor. Isso pode ser induzido pelo uso de mochilas pesadas, bolsas de ombro ou até mesmo alças de sutiã apertadas.


Lesão acidental ou grave: A dor no músculo trapézio pode ocorrer devido a lesões agudas, como chicotadas (quando a parte superior do corpo é forçada repentinamente para trás e para frente) ou lesão direta na cabeça. A cabeça sendo forçada para trás e depois para a frente tensiona o músculo trapézio.


Uso excessivo (overtraining) e sobrecarga: Atividades repetitivas, como levantar objetos pesados ​​ou nadar, podem causar dor no trapézio. As pessoas que realizam trabalho repetitivo com os músculos do pescoço e do ombro correm um maior risco de apresentar dor e tensão no trapézio. Exercícios intensos, uso excessivo e, às vezes, até mesmo um acidente, podem gerar distensões musculares, no qual o trapézio acaba se esticando demais ou até rasgando.


Lesões nervosas: Caso o nervo que controla o trapézio seja lesionado, o músculo deixa de funcionar adequadamente. Em situações graves, todo o trapézio pode ficar paralisado.


Secundário a outras dores: Dor de cabeça crônica também pode resultar em tensão nos ombros, principalmente se os músculos tensionados pressionam o nervo que controla o trapézio.


Dentre as lesões que afetam o músculo trapézio, estão incluídas as distensões musculares, lesões nos nervos, aperto e quadros dolorosos.

Carga


Sintomas de dor no trapézio

Os sintomas mais comuns de dores no trapézio são:

  • Dor nos ombros e pescoço;
  • Rigidez nos ombros e pescoço;
  • Dor entre as escápulas;
  • Limitação na amplitude de movimentação dos ombros e braços;
  • Inchaço e sensibilidade no pescoço, ombros e costas.


Tabela: Sintomas comuns de dores no trapézio

SintomaDescriçãoGravidade
DorDor aguda, dolorida ou em queimação no pescoço, ombro ou parte superior das costas.Leve a grave
TensãoDoloroso ao toque.Leve a grave
RigidezDificuldade em mover o pescoço, ombro ou parte superior das costas.Leve a grave
Espasmos muscularesContrações musculares involuntárias no pescoço, ombro ou parte superior das costas.Leve a grave
Dor de cabeçaDor de cabeça na testa, têmpora ou nuca.Leve a grave


Como É O Diagnóstico Para Problemas No Músculo Trapézio?

O diagnóstico consiste em exame físico, porém dependendo dos sintomas e causas, o médico poderá solicitar exames de imagem, como ressonância magnética, para analisar se há danos no músculo.

O eletromiograma é indicado, caso haja suspeita de lesões nos nervos.


Dor no trapézio

O músculo trapézio superior, associado a outros músculos do ombro, como o infraespinal, tende a ser local comum para o surgimento de pontos-gatilho miofasciais dolorosos.

Pontos-gatilho são áreas de músculos tensos e sensíveis que podem causar dor em outras áreas do corpo quando tocados. Os pontos-gatilho no músculo trapézio são frequentemente associados a dores no pescoço, ombros e parte superior das costas.

Os pontos-gatilho comuns para a dor do trapézio incluem o trapézio superior, o trapézio médio e o trapézio inferior. A dor pode ser sentida no pescoço, ombro e parte superior das costas como resultado desses pontos-gatilho.


Tratamentos Para Lesões No Trapézio

Dependendo da causa, gravidade e localização da lesão, serão indicadas algumas medidas como:

  • Descanso, pois lesões pequenas podem ser curadas com repouso e descanso, evitando ao máximo certas atividades como levantar os braços ou encolher os ombros.
  • Mudança de atividades – Também pode ser útil abster-se de atividades atléticas regulares ou modificar seu plano de exercícios para descansar o músculo trapézio por alguns dias ou semanas.
  • Medicamentos – medicamentos analgésicos, relaxantes musculares e anti-inflamatórios podem ser úteis para dores agudas e dores crônicas
  • Medicamentos adjuvantes – para dor miofascial crônica do trapézio, pode ser necessário o uso de medicamentos com ação central na modulação da dor, como antidepressivos e anticonvulsivantes.
  • Medidas não invasivas, que pode ajudar a recuperar ou prevenir as lesões, aumentando a flexibilidade e promovendo relaxamento aos músculos tensionados;
  • Acupuntura, onde as agulhas podem trazer alívio e relaxamento aos quadros dolorosos no trapézio;
  • Ondas de Choque – tratamento minimamente invasivo para dores articulares e miofasciais
  • Infiltração de pontos gatilho – tratamento com infiltração de medicamentos no músculo, como anestésicos locais e corticóide com ação local
  • Mesoterapia – é um tratamento minimamente invasivo feito por meio de injeções de medicamentos e enzimas na camada de tecido de gordura que há embaixo da pele, a mesoderme.
  • tratamento local em ponto-gatilho – procedimento realizado com agulhas de acupuntura, para liberação da fáscia e bandas tensas com pontos-gatilho miofasciais.



Fisioterapia para dor no trapézio

A atividade física e o exercício demonstraram proporcionar o alívio da dor mais imediato e a longo prazo.

Meios físicos (calor, gelo) e eletroterapia (TENS) podem ser utilizados em fases agudas.

Tanto o treinamento geral de condicionamento físico quanto o treinamento específico de força geram efeitos significativos na diminuição da dor.


Tratamento cirúrgico é necessário?

Na grande maioria dos pacientes, com dor aguda ou crônica do músculo trapézio, o tratamento conservador é suficiente para analgesia.

O tratamento multidisciplinar associado com reabilitação, medicamentos e tratamentos como acupuntura possibilita analgesia local, relaxamento muscular e alívio das dores.

acupuntura-2

Outras opções terapêuticas – tratamento local em ponto-gatilho miofascial

Vale destacar ainda a importância do tratamento local em ponto-gatilho associado a liberação miofascial como tratamento para dores no trapézio. Um estudo publicado no BMJ Open avaliou os efeitos neurofisiológicos e analgésicos do tratamento local em ponto-gatilho profundo em pacientes com pontos-gatilho miofasciais no trapézio superior.

Esse método vem sendo cada vez mais utilizado como tratamento em pontos-gatilhos miofasciais. Envolve a inserção de uma agulha em um ponto miofascial no trapézio, sem injetar qualquer tipo de medicamento, tendo como objetivo reduzir a dor e a disfunção associada aos pontos-gatilhos miofasciais em um músculo.

Foram colocados em decúbito dorsal e a agulha foi inserida na pele sobre o ponto-gatilho do trapézio, avançando lentamente até atingir uma resposta de contração muscular. A identificação da dor e visualização da resposta de contração indicou a colocação apropriada da agulha.

Cada ponto-gatilho foi agulhado repetidas vezes por cerca de 2 minutos até que a dor fosse cessada.

Os resultados indicaram que os efeitos da técnica se mostraram eficazes nos pacientes analisados que sofriam com dores no músculo trapézio.


Recomendações

Para manter seus músculos fortalecidos e prevenir problemas no trapézio, algumas medidas no estilo de vida são sugeridas.

Mantenha um peso adequado, pois o sobrepeso aumenta a probabilidade de lesões e tensões musculares.

Realize exercícios físicos, mas não exagere. Se sentir dor, pare.

Não esqueça de se aquecer antes dos exercícios. Reserve alguns minutos para um alongamento e aquecimento adequado antes de se exercitar.

Se a dor no trapézio não melhorar em até dois dias, consulte seu médico, principalmente se houver sinais de fraqueza muscular grave ou dificuldades para movimentar os ombros e a cabeça.


Quando consultar um médico

Na maioria dos casos, a dor do trapézio pode ser tratada com sucesso com alongamentos, exercícios de fortalecimento e uso a curto prazo de analgésicos e aplicação de gelo/calor.

Mas é importante que você procure atendimento médico profissional se a dor no trapézio for grave e não melhorar com tratamentos caseiros.


Referências

ABBASZADEH-AMIRDEHI, M. et al. The neurophysiological effects of tratamento local em ponto-gatilho in patients with upper trapezius myofascial trigger points: study protocol of a controlled clinical trial. BMJ Open, v. 3, n. 5, 2013.

OURIEFF, J. et al. Anatomy, Back, Trapezius. National Library of Medicine, 2021.

Fontes e leitura útil

  • NCBI Bookshelf – Myofascial Pain Syndrome
  • JOSPT/APTA – Neck Pain Clinical Practice Guideline Revision 2017
  • Systematic review – tratamento local em ponto-gatilho for myofascial trigger points associated with neck pain

Arquivado em: Fisiatria, Medicina Esportiva, Sintomas de A-Z

Torsilax para que serve? Serve para dor de garganta?

15 de dezembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Remédios podem mudar de efeito conforme idade, gravidez, função do fígado e dos rins, álcool, alergias e interações. Sintomas como falta de ar, inchaço, urticária, desmaio ou confusão pedem avaliação rápida.

TORSILAX é um medicamento anti-inflamatório, analgésico e que possui ação de relaxante muscular. Em sua composição, existe a associação de 4 medicamentos: carisoprodol, cafeína, diclofenaco sódico e paracetamol.

Anti-inflamatórios não esteróides podem ser usados para reduzir a inflamação e o inchaço na garganta e para aliviar a dor. AINEs comuns incluem diclofenaco (presente no torsilax), ibuprofeno, naproxeno e aspirina. Leve essa dúvida à consulta antes de tomar qualquer anti-inflamatório, pois eles podem causar efeitos colaterais, incluindo problemas estomacais, zumbido nos ouvidos e danos ao fígado ou rins.


Componentes do Torsilax

  • O carisoprodol age como relaxante muscular, reduzindo indiretamente a tensão da musculatura esquelética. Também é usado para tratar o desconforto de curto prazo associado a condições musculares dolorosas, como síndrome dolorosa miofascial.
  • A cafeína estimula o sistema nervoso central, gerando um estado de alerta mental para corrigir a sonolência que o carisoprodol provoca. Além disso, a cafeína ainda possui ação contra a dor, atuando sobre a musculatura e tornando-a menos susceptível à fadiga.
  • O diclofenaco sódico é um anti-inflamatório que age também no combate a dor e no alívio de sintomas como a febre e inchaço localizados. Trata várias patologias, como dor de cabeça, dores musculares, artrite, dor nas costas, dores de dente, cólicas menstruais e ferimentos leves. Também é usado para reduzir a febre e tratar a dor associada a certas condições, como tendinites ou dores reumáticas
  • O paracetamol também possui ação analgésica e ação anti-inflamatória, atuando sinergicamente no controle da dor e da temperatura. O paracetamol é usado para aliviar a dor leve a moderada, reduzir a febre e tratar várias condições, como dores de cabeça, dores musculares, artrite, dores nas costas, dores de dente, resfriados e febres. Também é usado para reduzir a dor associada a certas condições, como osteoartrite ou artrite reumatóide.

Indicações do Torsilax

O Torsilax é indicado para o tratamento de reumatismo, que está associado a sintomas de dor e sinais inflamatórios como inchaço, calor local e limitações da mobilidade.

O reumatismo é caracterizado por um conjunto de doenças que afetam as articulações, músculos e o esqueleto.

Exemplos dessa doença incluem: lombalgia, osteoartrites, crise aguda de artrite reumatoide e outras artropatias reumáticas, bem como crise aguda de gota e estados inflamatórios agudos pós-traumáticos e pós-cirúrgicos.

Além disso, esse medicamento é recomendado para processos inflamatórios graves decorrentes de quadros infecciosos.

Torsilax para dor de garganta

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), como diclofenaco (presente no Torsilax) ou analgésicos como o paracetamol (também presente no Torsilax), podem ajudar a reduzir a inflamação na garganta e aliviar a dor.

Leve essa dúvida à consulta antes de tomar qualquer medicamento. Eles também podem recomendar outras opções, como pastilhas ou sprays para a garganta, para ajudar a reduzir o desconforto.


Qual a dose to Torsilax?

Geralmente, a dose mínima diária recomendada de Torsilax é um comprimido a cada 12 horas, mas cabe apenas ao médico analisar individualmente cada caso clínico, adaptando a melhor dosagem e a duração de tempo do tratamento, conforme a idade do paciente e suas condições gerais.

Normalmente, o tratamento com Torsilax não pode ultrapassar 10 dias.

Os comprimidos de Torsilax devem ser ingeridos inteiros e sem mastigar, juntamente com as refeições e com auxílio de líquido.

Uma queixa muito comum entre as pessoas e que, geralmente, não é motivo de preocupação é a dor na garganta. A causa mais comum de dor na garganta está relacionada a infecção viral, decorrente de um resfriado ou gripe, ou então alguma infecção bacteriana.

Muitas vezes, na falta de um medicamento apropriado em casa para dor de garganta, algumas pessoas buscam por outros medicamentos que possam aliviar os sintomas de dor e inflamação na garganta.

Surge então a dúvida: será que Torsilax, sendo um medicamento indicado para o tratamento de reumatismo, pode ser usado para dor de garganta?

Visto que nos componentes do Torsilax há um analgésico e um anti-inflamatório, esse medicamento pode reduzir os sintomas de dor e inflamação na garganta.

O anti-inflamatório pode acalmar a dor de garganta bloqueando substâncias no corpo que ajudam a criar dor e inflamação. Muitas vezes, este medicamento de venda livre pode ajudar a aliviar febres leves, dor e inflamação.


Efeitos adversos do Torsilax

Efeito colateralDescrição
GastrointestinaisDor de estômago, dor abdominal, azia, náusea, vômito, constipação, diarreia
CardiovascularPressão alta, risco aumentado de ataque cardíaco, derrame
Sistema Nervoso CentralDor de cabeça, tontura, sonolência, insônia, confusão, depressão, ansiedade
RimLesão renal, diminuição da função renal
FígadoDano hepático, icterícia, cirrose
Reações alérgicasErupção cutânea, comichão, inchaço, urticária, dificuldade em respirar
Retenção de líquidosInchaço nos pés, tornozelos, pernas, mãos e face

Como evitar os efeitos adversos do Torsilax e anti-inflamatórios?

1. Tome a medicação prescrita e siga as instruções do médico.

2. Tome o medicamento com alimentos para reduzir o risco de dores de estômago.

3. Tome o medicamento na menor dose eficaz.

4. Evite álcool enquanto estiver tomando a medicação.

5. Beba muitos líquidos para ajudar a eliminar o medicamento do corpo.

6. Pergunte ao seu médico sobre tomar um medicamento de venda livre para ajudar a reduzir quaisquer efeitos colaterais, como um antiácido ou antidiarreico.

7. Monitore sua saúde quanto a quaisquer efeitos colaterais e comunique-os ao seu médico imediatamente.


Como saber a causa da dor de garganta?

A melhor indicação é consultar um médico para avaliar as causas dessa dor na garganta e, assim, orientar melhor quanto ao tratamento mais adequado.

Até porque, somente um médico poderá dizer se a dor na garganta é causada por infecção viral, bacteriana ou se há outra causa associada, como alergias, doença do refluxo gastroesofágico, infecção pelo HIV ou tumores.

Se a causa for bacteriana, um medicamento analgésico e anti-inflamatório por si só não resolverá, pois será necessário que o paciente trate a condição com antibióticos.

Então, como a dor de garganta pode ter causas diferentes, o tratamento irá variar conforme o diagnóstico do médico.

Os remédios mais comuns para dor na garganta são: AAS, Azitromicina, Cataflam, Diclofenaco Potássico, Flanax, Ibuprofeno, Nimesulida e Paracetamol. Apesar das diversas opções de medicamentos para essa condição, siga sempre as orientações do médico e não se automedique.

O Torsilax até serve para trazer um alívio à dor na garganta, mas é melhor utilizar os medicamentos mais adequados para essa situação.

Apenas um médico poderá prescrever a medicação mais adequada de acordo com cada caso.

Além disso, existem opções mais naturais que podem aliviar a dor e a inflamação na garganta, mas alguns casos podem indicar problemas mais sérios. Na maioria dos casos, você só precisa consultar seu médico se a dor de garganta não melhorar após uma semana.

Por isso, consulte um profissional de saúde para receber o tratamento correto.

Resumo visual: segurança antes de usar

Medicamentos e suplementos exigem mais cuidado do que uma resposta rápida. Este resumo ajuda a organizar o que precisa ser confirmado antes de usar, associar ou suspender algo.

Torsilax para que serve? Serve para dor de garganta?
PontoComo observarPor que ajuda
Pergunta-chavePara que foi indicado e por quanto tempo?Reduz o risco de usar por motivo errado.
O que revisarAlergias, outros remédios, álcool, gestação e doenças prévias.Ajuda a antecipar interações e contraindicações.
Sinal de atençãoFalta de ar, inchaço, sangramento, sonolência intensa ou piora rápida.Pede avaliação urgente ou contato com profissional.
  • Não some medicamentos parecidos sem orientação.
  • Confira dose, intervalo e duração na prescrição ou bula.
  • Procure atendimento se houver reação intensa ou sintoma inesperado.

Fontes úteis

CLEVELAND CLINIC. 6 Sore Throat Remedies That Actually Work. 2022.

TORSILAX. [bula]. Anápolis: NeoQuímica. 

SMITH, C. 6 At-Home Remedies to Ease Your Sore Throat. Penn Medicine, 2022.

ZULHENDRI, F. et al. Antiviral, Antibacterial, Antifungal and Antiparasitic. Properties of Propolis: A Review. Foods, v. 10, n. 1360, p. 1-29. 2021.

Arquivado em: Artigos

Flancox para dor na coluna: quando faz sentido

15 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Flancox é etodolaco, um anti-inflamatório não esteroidal. Pode aliviar dor inflamatória ou mecânica em alguns quadros de coluna, mas não corrige hérnia, compressão nervosa, fratura, infecção ou perda de força. O risco depende de dose, duração, rim, estômago, coração, pressão e outros remédios.

O que o Flancox pode e não pode fazer pela coluna

Etodolaco pertence à classe dos anti-inflamatórios. Ele reduz mediadores inflamatórios e pode diminuir dor e rigidez por um período. Isso é diferente de tratar a causa estrutural da dor. Se a dor vem de irritação muscular ou articular, pode haver alívio. Se vem de compressão nervosa importante, infecção, fratura ou doença inflamatória ativa, o plano precisa de outro nível de avaliação.

SituaçãoLeitura clínica
Dor lombar leve após esforçoPode entrar por curto prazo, se não houver contraindicação.
Dor com formigamento e fraquezaPede triagem neurológica, não apenas analgésico.
Histórico de úlcera, rim, anticoagulante ou infartoRisco aumenta e exige orientação individual.
Dor recorrente que exige repetiçãoRevisar diagnóstico e plano funcional.
Febre, trauma ou perda de controle urinárioNão é cenário para automedicação.

O uso mais seguro é com indicação clara, menor tempo necessário e atenção a interações. Anti-inflamatórios podem irritar estômago, elevar pressão, piorar função renal e aumentar risco cardiovascular em algumas pessoas.

Como decidir se o remédio está ajudando

A melhora deve aparecer em função: dormir melhor, caminhar, levantar, trabalhar e reduzir espasmo sem sedação ou efeitos adversos. Se a dor só melhora enquanto toma e volta igual, o remédio está mascarando uma causa que precisa de reabilitação, diagnóstico ou mudança de carga.

Não combine anti-inflamatórios por conta própria. Usar etodolaco junto com ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco ou cetoprofeno aumenta risco sem necessariamente melhorar o efeito. O mesmo vale para uso junto de anticoagulantes, corticoides, álcool em excesso ou alguns remédios de pressão.

Quando a dor na coluna muda de categoria

Dor que desce para a perna com fraqueza, alteração de sensibilidade, anestesia em sela, perda urinária ou intestinal, febre, dor noturna progressiva, trauma ou histórico de câncer não deve ser tratada como dor comum de coluna. Nesses cenários, o medicamento pode atrasar a investigação.

Para dor mecânica simples, a base continua sendo movimento progressivo, fortalecimento, ajuste de carga, sono e prevenção de recorrência. O anti-inflamatório pode ser uma ponte curta para a pessoa se mover melhor, não o tratamento inteiro.

Na prática, pergunte: qual diagnóstico provável? por quantos dias? quais efeitos devo observar? que sinal exige parar ou reavaliar?

Outro ponto é o intervalo entre crise e reabilitação. Quando o anti-inflamatório reduz dor, a janela deve ser usada para retomar movimento tolerável, melhorar sono e iniciar exercícios graduais. Se a pessoa apenas repousa até a dor voltar, o ciclo tende a se repetir.

O remédio também não deve ser usado para “testar limite” em treino ou trabalho pesado. Dor amortecida por medicamento pode permitir carga maior do que a coluna tolera naquele momento. Isso aumenta a chance de piora no dia seguinte.

Se houver gastrite, doença renal, pressão alta difícil de controlar ou uso de anticoagulante, o risco pode pesar mais que o benefício. Nesses casos, outras estratégias de analgesia e reabilitação podem ser mais adequadas.

Também vale confirmar se o paciente está tomando o princípio ativo correto. Nomes comerciais parecidos e caixas antigas em casa são fontes comuns de erro.

Fontes usadas

  • MedlinePlus: etodolac
  • AAOS: low back pain

A dor na coluna parece ser o mal da nova geração. As longas jornadas de trabalhos sentados em frente a uma tela é um dos principais fatores que colaboram para o aumento no número de pessoas que se queixam diariamente de dor na coluna.

Para realizar o tratamento apropriado, é fundamental que o paciente busque avaliação médica para receber orientação e a prescrição correta do medicamento. No entanto, um dos remédios mais utilizados para o tratamento da dor na coluna é o Flancox.

O Flancox (etodolaco) é um medicamento anti-inflamatório não esteroide (AINE) usado para tratar a dor leve a moderada e ajuda a aliviar os sintomas da artrite (por exemplo, osteoartrite e artrite reumatóide), incluindo inflamação, inchaço, rigidez e dor nas articulações.

Confira abaixo mais informações sobre esse remédio.


Remédios para dor da coluna

Geralmente, os medicamentos indicados para o tratamento de dor na coluna são os anti-inflamatórios não esteróides, analgésicos, e relaxantes musculares.

Alguns exemplos dos remédios mais indicados são: ibuprofeno, paracetamol, ciclobenzaprina, e o Flancox.

No caso de dor crônica na coluna, os médicos podem indicar medicamentos antidepressivos ou injeções de corticóides, que ajudam a reduzir a dor e a inflamação, aliviando a sensação de rigidez nas costas ou dificuldade de ficar sentado ou andar.


O que é Flancox?

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Flancox® é o nome comercial de um medicamento que pode ser utilizado no tratamento de artrose e da artrite reumatoide (aguda ou crônica) e também para a dor na coluna.


Indicações comuns do Flancox – Além da Dor na Coluna

IndicaçãoDetalhes
OsteoartritePara o tratamento dos sinais e sintomas da osteoartrite.
LombalgiaPara alívio de espasmo muscular, rigidez e contratura na região baixa da coluna.
Dor miofascialAlivio de dor e inflamação aguda de dor miofascial (contratura muscular) na região lombar, sacral e glúteos
Artrite ReumatoidePara o tratamento dos sinais e sintomas da artrite reumatóide.
Espondilite AnquilosantePara o tratamento dos sinais e sintomas da Espondilite Anquilosante.
Dor agudaPara o tratamento da dor aguda.
Dismenorreia PrimáriaPara o tratamento da dismenorreia primária.


Como o Flancox funciona?

O princípio ativo do Flancox é o etodolaco, uma substância anti-inflamatória não-esteroide, que possui ação analgésica e anti-inflamatória.

Após sua ingestão, sua ação é rápida. Dentro de 30 minutos o paciente já pode sentir os efeitos da ação terapêutica.

O Flancox é um anti-inflamatório de nova geração. Inibidores seletivos da ciclo-oxigenase-2 (COX-2) ou ‘coxibs’ foram desenvolvidos para diminuir o problema de sangramento gastrointestinal superior que ocorre com anti-inflamatórios que inibem COX-1 e COX-2.


Etodolaco (Flancox) hernia de disco

Um estudo de 1999 avaliou mais de 80 pacientes com lombociatalgia (dor na coluna por hérnia de disco). Os pesquisadores encontraram que o etodolaco foi um medicamento efetivo e bem tolerado no tratamento deste tipo de dor na coluna[1].


Contraindicações do Flancox

Como todo medicamento, certo grupo de pessoas não devem fazer uso do Flancox. São eles:

  • Pacientes alérgicos ao etodolaco ou a qualquer um dos componentes de sua formulação
  • Pacientes com úlcera no estômago ou no duodeno
  • Pacientes com insuficiência hepática grave
  • Paciente com insuficiência renal grave
  • Pacientes menores de 15 anos

Como usar o Flancox?

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Os comprimidos de Flancox® (etodolaco) devem ser ingeridos, de preferência, após as refeições.

É importante se atentar as doses máximas que podem ser ingeridas diariamente. No caso de adultos com menos de 60 kg, deve ser administrado no máximo 20 mg por kg ao dia. Em pacientes adultos com mais de 60 kg, a dose indicada é de 1200 mg ao dia.

Caso o paciente se esqueça de tomar Flancox® no horário estabelecido pelo seu médico, ele deve tomar assim que se lembrar. No entanto, caso já esteja próximo do horário de tomar a próxima dose, o paciente deve pular a dose esquecida e tomar a seguinte.

Em nenhum momento o paciente deve tomar o medicamento duas vezes para compensar as doses esquecidas.


Reações adversas

Como todo medicamento, o Flancox® pode apresentar reações adversas nos pacientes, como:

  • Reações Comuns, ou seja, que afetam entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam este medicamento: tontura, calafrios, febre, depressão, nervosismo, manchas na pele, coceira, desconforto e dor abdominal, diarreia, flatulência, náusea, vômitos, constipação, perda de sangue nas fezes, gastrite, dor para urinar, fraqueza, embaçamento visual, tinido, e aumento do volume de urina.
  • Reações Incomuns, ou seja, que ocorre entre 0,1 % e < 1% dos pacientes que utilizam este medicamento: Anemia, asma, perda do apetite, arritmias, queda de cabelo, alucinações, reações alérgicas graves, meningite, insuficiência cardíaca, confusão mental, conjuntivite, falta de ar, manchas roxas na pele, inchaço, manchas, esofagite, diminuição da audição, dor de cabeça, vômito com sangue, perda de sangue na urina, falência hepática, hepatite, aumento da glicemia, pressão alta, infecções, insônia, nefrite, hemorragia uterina, pele amarelada, redução do número de glóbulos brancos, pancreatite, formigamentos, acometimento dos nervos das pernas, fobia a luz, reações na pele induzidas pela luz solar, infiltrado nos pulmões, sangramento retal, cálculo renal, insuficiência renal, urticária, necrose renal, distúrbios visuais e úlcera gastrointestinal.

Além disso, é importante que seja avaliada a função renal, principalmente em pacientes idosos ou com doenças no fígado, nos rins ou no coração e naqueles em uso de diurético. Recomenda-se que sejam realizados exames periódicos nos casos de tratamentos prolongados.

Os pacientes que tomarem Flancox também devem evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento, pois elas aumentam a chance de problemas gastrointestinais.


Interações medicamentosas

Pacientes que usarem Flancox não devem ingerir alguns medicamentos concomitantemente, como é o caso do:

  • Paracetamol
  • Ácido acetilsalicílico
  • Anti-inflamatórios (diclofenaco, diflunisal, fenoprofeno, floctafenina, flurbinofreno, ibuprofeno, indometacina, cetoprofeno, cetorolaco, meclofenamato, ácido mefenâmico, naproxeno, fenilbutazona, piroxicam, sulindaco, ácido tiaprofênico e tolmetina) com etodolaco.

medicamentos

Por conta dos diversos efeitos colaterais que este medicamento pode causar e dos diversos grupos de risco que devem evitar o Flancox, é fundamental que o paciente com dor na coluna consulte um especialista para avaliar se este é o medicamento mais adequado e qual a dose e o tempo de tratamento ideal para o seu problema.


Cuidados com o uso de Flancox para Dor na Coluna

Evite a automedicação e o uso além do tempo prescrito pelo médico, pelos riscos de efeitos adversos como os seguintes:

  1. Danos nos rins: O uso prolongado de Flancox e anti-inflamatórios pode causar danos aos rins, o que pode levar a uma diminuição da função renal.
  2. Danos hepáticos: o uso prolongado de Flancox pode causar danos ao fígado, o que pode levar a inflamação, cicatrização e, eventualmente, insuficiência hepática.
  3. Irritação do estômago e úlceras: O uso prolongado de Flancox pode causar irritação no revestimento do estômago, levando a úlceras e outros problemas digestivos.
  4. Aumento do risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral: O uso prolongado pode aumentar o risco de desenvolver um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.
  5. Aumento do risco de sangramento: O uso prolongado pode aumentar o risco de sangramento e causar eventos hemorrágicos.
  6. Reações alérgicas: O uso prolongado de Flancox pode causar reações alérgicas, como urticária, inchaço e dificuldade para respirar.
  7. Retenção de líquidos: O uso prolongado de Flancox pode causar retenção de líquidos, o que pode levar a inchaço nas extremidades.
  8. Pressão alta: o uso prolongado de Flancox e anti-inflamatórios pode causar pressão alta, o que pode levar a complicações posteriores.
  9. Anemia: O uso prolongado pode causar anemia, que é a falta de glóbulos vermelhos.
  10. Sistema imunológico enfraquecido: O uso prolongado pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando-o mais suscetível a doenças e infecções.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: medicamentos
  • FDA: uso seguro de medicamentos
  • Anvisa: medicamentos
Referências bibliográficas1 fonte
  1. 1.
    Hatori M, Kokubun S. Clinical use of etodolac for the treatment of lumbar disc herniation. Current medical research and opinion. 1999 Jan 1;15(3):193-201.
    Voltar [1]

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Cefaléia Crônica Diária – dor de cabeça persistente. Aprenda mais

15 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

A cefaleia crônica diária é identificada quando o paciente relata dores de cabeça por pelo menos 15 dias por mês, nos últimos três meses. Esta é uma síndrome que afeta muitas pessoas, provocando redução de sua qualidade de vida.

Se você está apresentando dores de cabeça crônicas diariamente, é importante consultar um médico para determinar a causa e desenvolver um plano de tratamento. Possíveis causas de dores de cabeça crônicas diárias podem incluir: enxaqueca, dores de cabeça do tipo tensional, uso excessivo de medicamentos, distúrbios do sono, ansiedade e depressão.

A dor pode ficar mais forte ou mais fraca a cada dia, mas está sempre presente. Existem medicamentos que podem lhe dar alívio. Ferramentas de controle da dor, como acupuntura, reabilitação, biofeedback e técnicas de relaxamento, também podem ajudá-lo a se sentir melhor.


CID Cefaléia e tipos

A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) especifica os diferentes tipos de cefaleia (G43-G44.8). Entre eles, estão: migrânea e seus subtipos; síndrome de Cluster; cefaleia vascular; tensional; crônica pós-traumática; induzida por drogas.

Os dois tipos com maior prevalência são: cefaleia tensional e migrânea.


O que é cefaleia crônica diária?

Dores de cabeça diárias crônicas ocorrem quando você tem dor de cabeça por 15 dias ou mais por mês durante um período de 3 meses. Tanto adultos quanto crianças podem ter dores de cabeça crônicas ou constantes.

Eles podem se tornar debilitantes e interferir nas atividades do dia a dia.

O primeiro passo ao se avaliar uma cefaleia crônica diária é investigar e excluir causas secundárias. Então, deve-se intervir buscando a atenuação das dores, com redução da frequência dos sintomas.

Não há uma definição precisa sobre as principais causas. Além disso, pode-se utilizar tratamento medicamentoso e terapias auxiliares.

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Uma cefaleia crônica diária pode ser dividida em distúrbios primários e secundários de cefaleia, dependendo de sua etiologia. Os distúrbios primários da cefaleia crônica não têm etiologia orgânica secundária.

Tipos primários de cefaléia crônica diária

  • Cefaleia tensional, com sensação de pressão ao redor da cabeça.
  • Episódios de enxaqueca, que parecem uma dor de cabeça latejante muito intensa que pode ocorrer em um ou ambos os lados da cabeça e às vezes pode ser precedida por uma coleção de sintomas chamados aura
  • Cefaleia em salvas, que pode ocorrer dentro e fora durante um período de semanas ou meses e pode causar dor intensa em um lado da cabeça, geralmente na área ao redor ou atrás de um olho
  • Hemicrania contínua, uma dor de cabeça constante ou diária que ocorre em um lado da cabeça e pode parecer semelhante à enxaqueca
  • Nova dor de cabeça persistente diária, que envolve dor de cabeça que surge repentinamente e continua a ocorrer diariamente, durando meses sem aliviar


Epidemiologia

Cefaleias são comuns e afetam 50% da população adulta geral, em qualquer momento, com prevalência mundial de 66% ao longo da vida conforme mostra estudo conduzido por Stovner (2007). Já a prevalência de cefaleia crônica diária, segundo Olesen (2006), é de 4% na população mundial.

Cefaleias são comuns e afetam 50% da população adulta geral, em qualquer momento, com prevalência mundial de 66% ao longo da vida conforme mostra estudo conduzido por Stovner (2007). Já a prevalência de cefaleia crônica diária, segundo Olesen (2006), é de 4% na população mundial.

Pesquisa de Bigal (2009) indicou que os fatores de risco para progressão de cefaleia migrânea episódica para cefaleia crônica são: obesidade, uso excessivo de medicamentos, eventos estressores, dificuldades respiratórias durante o sono e consumo excessivo de cafeína.

No Brasil, a prevalência de cefaleia do tipo migrânea foi de 15,2%. Em levantamento realizado por Queiroz (2009), este tipo de cefaleia foi 2,2 vezes mais prevalente em mulheres e 1,5 mais prevalente em sujeitos com mais de 11 anos de educação formal.

Também a prevalência foi 1,59 maior em pessoas com renda mensal menor que cinco salários mínimos. Além disso, foi 1,43 mais prevalente naqueles que não praticam exercícios físicos.


Diagnóstico

A avaliação de um paciente com cefaleia crônica diária deve prover informações sobre uso de medicamentos e condições neurológicas. Para isso, é preciso revisar o histórico do paciente e proceder com o exame físico específico.

Salvo se estiverem presentes sintomas sistêmicos, não há base para exames laboratoriais. Além disso, é importante verificar a presença de sinais de alerta, que podem sugerir causa secundária e, inclusive, indicar um quadro urgência.

Segundo Yancey (2014), alguns sinais de alerta são: cefaleia é agravada ou aliviada quando paciente modifica postura entre vertical e supinada; dores são provocadas quando utilizada manobra de Valsalva; histórico de início repentino; paciente com mais de 50 anos; presença lateralizada de sinais neurológicos; perda de peso, febres ou dores musculares; puerpério.

ExameImportância
Histórico médicoSeu médico fará perguntas sobre seus sintomas e estilo de vida para entender melhor sua condição.
Exame físicoSeu médico examinará sua cabeça, pescoço e outras partes do corpo para verificar se há anormalidades físicas que possam estar causando suas dores de cabeça.
Tomografia Computadorizada ou Ressonância MagnéticaEsses exames de imagem podem ajudar seu médico a determinar se há alguma anormalidade estrutural em seu cérebro ou em outras partes do corpo que esteja causando suas dores de cabeça.
Exames de sangueExames de sangue podem ajudar a descartar outras possíveis causas de dores de cabeça, como uma infecção ou deficiência de vitaminas.
Exame neurológicoEste exame avaliará seus reflexos, coordenação e outras funções neurológicas para verificar possíveis sinais de um distúrbio neurológico que pode estar causando suas dores de cabeça.
Raios-XOs raios-X podem ajudar a identificar quaisquer anormalidades ósseas ou problemas com a mandíbula que possam estar causando suas dores de cabeça.
Eletroencefalograma (EEG)Este teste pode ajudar a detectar qualquer atividade elétrica anormal no cérebro que possa estar causando suas dores de cabeça.
Angiografia cerebralEste teste é usado para examinar os vasos sanguíneos no cérebro para verificar se há bloqueios ou outras anormalidades que possam estar causando suas dores de cabeça.


Causas secundárias de cefaleia

As causas secundárias mais comuns de cefaleia são, segundo Halker (2011): infecções, como meningite e sinusite; alteração de pressão intracraniana; uso excessivo de medicamento; hemorragia intracraniana por uso excessivo de anticoagulantes; neuralgias occipital e trigeminal; traumatismo cranioencefálico; alterações estruturais; problemas vasculares, como urgência hipertensiva, aneurisma ou acidente vascular cerebral.

Se os sinais de alerta estiverem presentes, Dodick (2006) orienta para a utilização de exames de imagem durante a avaliação. O teste mais utilizado é a ressonância magnética, que é mais sensível do que a tomografia computadorizada.

  • Enxaqueca: um distúrbio de dor de cabeça recorrente caracterizado por dor latejante ou pulsante moderada a intensa, geralmente em um lado da cabeça. Os sintomas podem incluir náusea, sensibilidade à luz e ao som.
  • Cefaleia em salvas: um tipo de dor de cabeça caracterizada por dor intensa, geralmente em um lado da cabeça, ao redor do olho. Muitas vezes é acompanhada por nariz escorrendo ou entupido e olhos vermelhos.
  • Cefaleia tensional: um tipo de dor de cabeça causada por tensão muscular no pescoço, cabeça e mandíbula. Geralmente é caracterizada por uma dor incômoda tipo pressão.
  • Cefaleia por uso excessivo de medicamentos: um tipo de dor de cabeça causada pelo uso excessivo de certos medicamentos, como analgésicos de venda livre.
  • Cefaleia crônica diária: um tipo de dor de cabeça que ocorre mais de 15 dias por mês por pelo menos 3 meses.
  • Cefaleia cervicogênica: um tipo de dor de cabeça causada por um distúrbio da coluna cervical, como uma hérnia de disco.
  • Cefaléia hipnótica: um tipo de dor de cabeça que ocorre no meio da noite e geralmente dura pelo menos 15 minutos.
  • Cefaleia relacionada a hormônios: um tipo de dor de cabeça causada por alterações nos níveis hormonais, como durante a menstruação ou a menopausa.
  • Artrite de células gigantes: um tipo de distúrbio inflamatório que pode causar dores de cabeça e outros sintomas.
  • Malformação de Chiari: um tipo de distúrbio congênito que pode causar dores de cabeça, dor no pescoço e outros sintomas.
  • Hipertensão intracraniana idiopática: um tipo de distúrbio caracterizado pelo aumento da pressão no crânio e pode causar dores de cabeça.
  • Dores de cabeça vasculares: um tipo de dor de cabeça causada pelo fluxo sanguíneo anormal para o cérebro.
  • Cefalgia autonômica do trigêmeo: um tipo de dor de cabeça caracterizada por dor intensa em um lado da cabeça e acompanhada por outros sintomas como lacrimejamento, vermelhidão dos olhos e congestão nasal.< /li>



O que fazer em casa para tentar aliviar a dor de cabeça?

  • Beba muita água
  • Descanse bastante se tiver um resfriado ou gripe
  • Tente relaxar – o estresse pode piorar as dores de cabeça
  • Tomar paracetamol ou dipirona
  • Tente ficar em casa e evitar o contato com outras pessoas se você tiver uma temperatura alta ou se não se sentir bem o suficiente para realizar suas atividades normais

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico depende do tipo de cefaleia. Na crise de enxaqueca, as opções incluem paracetamol, anti-inflamatórios não esteroidais e triptanos; opioides, como o tramadol, não são recomendados para o tratamento agudo. Na cefaleia em salvas, o manejo é próprio e não segue esse esquema. A escolha do medicamento e a dose dependem de avaliação médica, porque o diagnóstico e as condições de cada pessoa mudam a conduta.

Para a cefaleia crônica diária, Goadsby (2002) recomenda tratamento profilático, sobretudo quando se suspeita de cefaleia decorrente do uso excessivo de outros medicamentos.


Amitriptilina e antidepressivos tricíclicos para cefaleia

Entre as opções de profilaxia, Goadsby (2002) cita amitriptilina e os antidepressivos tricíclicos. Em estudo de Couch (2011), a amitriptilina reduziu a duração e a severidade de cefaleias tensionais quando comparada ao efeito do placebo. Por outro lado, estudo de Moja (2008) mostrou que a classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como a fluoxetina, não teve efeitos positivos superiores ao placebo ou aos antidepressivos tricíclicos para cefaleia crônica.


Tratamento não farmacológico para cefaleia

Já as opções não farmacológicas para o tratamento de cefaleias crônicas diárias estão relacionadas com alterações comportamentais. Algumas modificações de comportamento podem trazer benefícios. Exemplo disso é a eliminação do consumo de cafeína ou tabaco, melhoria na qualidade do sono, alterações na dieta e regulação dos horários para alimentação. No entanto, Halker (2011) afirma que faltam evidências para confirmar a efetividade dessas modificações comportamentais.

Estudo de Jull (2002), que examinou esquemas de exercícios cervicais de baixa carga e manipulação osteopática sugeriu eficácia no tratamento da cefaleia cervicogênica. Este estudo, embora aborde um tipo não reconhecido pela Sociedade Internacional de Cefaleias, sugere novas pesquisas para avaliação da efetividade dos exercícios leves para os tipos de dor de cabeça já reconhecidos.


Acupuntura para dor de cabeça diária

A acupuntura também mostrou eficácia na redução da frequência de dores de cabeça em pessoas com enxaqueca ou cefaleia tensional. No entanto, como indicado por Linde (2009), não foram detectadas diferenças significativas entre a técnica e um procedimento falso aplicado.


Psicologia e sua importância

Além disso, existem evidências sobre técnicas psicoterapêuticas que podem ser eficazes na diminuição da incapacidade para indivíduos com cefaleia crônica diária. Alguns procedimentos incluem biofeedback e relaxamento, como sugere Devineni (2005). No que se refere à psicoterapia, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) possui evidências de efetividade. Nash (2004) e Thorn (2007) demonstraram que a TCC pode reduzir a frequência e a gravidade da dor de cabeça além de melhorar a qualidade de vida geral.


Complicações possíveis e abuso de analgésicos

As complicações mais comuns da cefaleia crônica são induzidas por efeitos adversos de medicamentos. Por isso, Goadsby (2009) orienta sobre a importância de explicar ao paciente o tipo, a dosagem ou o momento da farmacoterapia, com o objetivo de ajudá-lo a evitar o uso excessivo de medicamentos.

Nesse sentido, é necessário mantê-lo informado sobre as cefaleias causadas pelo uso excessivo de medicamentos, o que o paciente pode ter dificuldade de compreender. Fritsche (2010) demonstra que as intervenções educacionais podem impedir o uso abusivo de medicamentos e o consequente surgimento de enxaquecas.


Referências

Bigal ME, Lipton RB. (2009). What predicts the change from episodic to chronic migraine? Curr Opin Neurol, 22(3):269-276.

Couch JR, Amitriptyline Versus Placebo Study Group. (2011). Amitriptyline in the prophylactic treatment of migraine and chronic daily headache. Headache, 51(1):33-51.

Devineni T, Blanchard EB. (2005). A randomized controlled trial of an internet-based treatment for chronic headache. Behav Res Ther, 43(3):277-292.

Dodick DW. (2006). Clinical practice. N Engl J Med. 2006;354(2):158-165.

Fritsche G, Frettlöh J, Hüppe M, et al.; Study Group. (2010). Prevention of medication overuse in patients with migraine. Pain, 151(2):404-413.

Goadsby PJ, Boes C. (2002). Chronic daily headache. J Neurol Neurosurg Psychiatry, 72 suppl 2:ii2-ii5

Jull G, Trott P, Potter H et al. (2002). A randomized controlled trial of exercise and manipulative therapy for cervicogenic headache. Spine (Phila Pa 1976), 27(17): 1835-1843.

Linde K, Allais G, Brinkhaus B, Manheimer E, Vickers A, White AR. (2009). Acupuncture for migraine prophylaxis. Cochrane Database Syst Rev, 2009(1):CD001218.

Olesen J, Bousser MG, Diener HC, Dodick D, First M, Goadsby PJ, et al. (2006). Headache Classification Committee. New appendix criteria open for a broader concept of chronic migraine. Cephalalgia, 26:742–6.

Moja PL, Cusi C, Sterzi RR, Canepari C. (2005). Selective serotonin re-uptake inhibitors (SSRIs) for preventing migraine and tension-type headaches. Cochrane Database Syst Rev, (3):CD002919.

Nash JM, Park ER, Walker BB, Gordon N, Nicholson RA. (2004). Cognitive-behavioral group treatment for disabling headache. Pain Med, 5(2):178-186.

Queiroz LP, Peres MFP, Piovesan EJ, Kowacs F, Ciciarelli MC, Souza JA, Zukerman E. (2009). A Nationwide Population-Based Study of Migraine in Brazil. Cephalalgia, 29(6):642-9. doi: 10.1111/j.1468-2982.2008.01782.x.

Stovner LJ, Hagen K, Jensen R, et al. (2007). The global burden of headache: a documentation of headache prevalence and disability worldwide. Cephalalgia, 27(3):193-210.

Thorn BE, Pence LB, Ward LC, et al. (2007) A randomized clinical trial of targeted cognitive behavioral treatment to reduce catastrophizing in chronic headache sufferers.

J Pain, 8(12):938-949

Yancey Jr, Sheridan R, Koren Kg. (2014). Chronic Daily Headache: Diagnosis and Management. Am Fam Physician, 89(8):642-648.

Arquivado em: Neurologia

Gigantismo e acromegalia: sintomas e diagnóstico

15 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Gigantismo e acromegalia são quadros ligados ao excesso de hormônio do crescimento, geralmente por adenoma hipofisário. Em criança, pode haver crescimento acelerado; em adulto, mudança de mãos, pés, face, mordida, suor, cefaleia, ronco, visão ou metabolismo. A investigação costuma envolver IGF-1 e imagem da hipófise.

O gigantismo é uma condição muito rara que ocorre quando uma criança ou adolescente tem altos níveis de hormônio do crescimento em seu corpo, o que os faz crescer muito.

CondiçãoDefinição
GigantismoUma condição médica na qual uma pessoa cresce para um tamanho anormalmente grande devido a um excesso de hormônio do crescimento durante a infância.
AcromegaliaUma condição médica na qual uma pessoa desenvolve uma cabeça e mãos anormalmente grandes devido a um excesso de hormônio do crescimento na idade adulta.

O gigantismo é tratável, mas o diagnóstico precoce é crucial para evitar o excesso de altura e outras complicações.

  • O gigantismo é um crescimento anormalmente grande devido a um excesso de hormônio do crescimento (GH) durante a infância, antes que as placas de crescimento ósseo tenham se fechado (fusão epifisária).
  • Causa crescimento excessivo em altura, músculos e órgãos, tornando a criança extremamente grande para sua idade.
  • Outros sintomas podem incluir puberdade atrasada; visão dupla ou dificuldade com visão lateral (periférica); testa proeminente (protuberância frontal) e mandíbula proeminente; dor de cabeça; sudorese aumentada (hiperidrose); períodos irregulares; mãos e pés grandes com dedos grossos; espessamento das características faciais; e fraqueza.
  • Pode começar em qualquer idade antes da fusão epifisária.
  • A causa mais comum é um tumor não canceroso (benigno) da glândula pituitária, que pode fazer com que ela produza muito GH, mas pode ser causado por outras condições subjacentes (que podem causar um tumor pituitário), incluindo o complexo de Carney; síndrome de McCune-Albright; Neoplasia endócrina múltipla tipo 1 (MEN-1) e tipo 4; e Neurofibromatose.
  • Em determinadas situações, a doença é causada por alterações genéticas no gene GPR101.

Acromegalia

  • A acromegalia é uma condição causada pela superprodução do hormônio do crescimento.
  • Resulta em um aumento distinto das mãos, pés e características faciais.
  • Geralmente ocorre em adultos que passaram pelo fechamento da placa de crescimento.
  • É mais comumente causada por um tumor benigno na glândula pituitária.
  • Os sintomas da acromegalia incluem dores de cabeça, dores nas articulações, suor excessivo, fadiga e aumento da língua e dos órgãos.
  • Se não for tratada, a acromegalia pode ter consequências graves para a saúde, incluindo insuficiência cardíaca e renal, hipertensão e diabetes.
  • As opções de tratamento incluem medicamentos, cirurgia e radiação.

Sintomas de gigantismo

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Esses sintomas podem ser diferentes de pessoa para pessoa. Algumas pessoas podem ter mais sintomas do que outras e os sintomas podem variar de leves a graves.

Esta doença pode causar estes sintomas:

Maturação esquelética acelerada

Taxa anormalmente aumentada de maturação esquelética. A maturação esquelética acelerada pode ser diagnosticada com base na estimativa da idade óssea a partir de radiografias de ossos específicos do corpo humano.

Características faciais grosseiras

Ausência de aparência fina e acentuada de sobrancelhas, nariz, lábios, boca e queixo, geralmente devido a traços arredondados e pesados ou espessamento da pele com, ou sem espessamento dos tecidos subcutâneo e ósseo.

Concentração elevada de hormônio de crescimento circulante

A acromegalia é uma condição resultante da superprodução do hormônio do crescimento pela glândula pituitária em pessoas com epífises fechadas e consiste principalmente no aumento das partes distais do corpo. A circunferência do crânio aumenta, o nariz torna-se largo, a língua torna-se alargada, as características faciais tornam-se grosseiras, a mandíbula cresce excessivamente e os dentes tornam-se separados. Os dedos das mãos e dos pés crescem principalmente em espessura.

Excesso de crescimento

O excesso de crescimento, ou gigantismo, é uma condição resultante de níveis anormalmente altos de hormônio do crescimento no corpo de pessoas com epífises abertas. É caracterizada por estatura excessiva e aumento de outras partes do corpo.

Sintomas adicionais incluem

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  • Atraso na puberdade
  • Mudanças físicas semelhantes ao de pacientes com acromegalia, incluindo:
    • Aumento anormal das mãos e dos pés
    • Alargamento dos dedos e dos dedos dos pés
    • Mãos parecendo massa de pão
  • Mudanças nos traços faciais, que podem ser bastante prominentes:
    • Frontal e maxilar aumentado
    • Mordida pronunciada
    • Dentes se espalhando
    • Língua, nariz e lábios aumentados
  • Enfraquecimento da voz em homens
  • Mudanças na pele:
    • Aumento do número de pólipos cutâneos
    • Pele oleosa e suor excessivo
  • Aumento do tecido nos pulsos pode levar a compressão do nervo, o que pode causar síndrome do túnel do carpo
  • Artrite
  • Cefaléia

Condições graves relacionadas ao gigantismo/acromegalia de longa data, não tratadas, incluem:

  • Hipertensão arterial
  • Diabetes mellitus (diabetes de início na vida adulta ou tipo 2)
  • Doenças cardíacas, incluindo insuficiência cardíaca devido ao aumento do coração

Os gigantes têm maior risco de desenvolver outros tumores ou lesões no corpo:

  • O câncer da tireoide ocorre com maior frequência; leve essa dúvida à consulta sobre a triagem
  • Você também deve passar por colonoscopias regulares para rastrear polipos intestinais


Doença Genética

O gigantismo é uma doença genética, o que significa que é causada por um ou mais genes não funcionando corretamente.

Variantes que causam doença nos seguintes genes são conhecidas por causar esta doença: AIP, MEN1


Gigantismo: opções de tratamento

O tratamento ideal do gigantismo depende de vários fatores, incluindo:

  • Tamanho e localização do tumor; tumores invasivos podem não ser curados cirurgicamente
  • Sua idade e condição médica

Normalmente, mais de um especialista está envolvido no tratamento de adenomas hipofisários.

TratamentoDescrição
CirurgiaRemoção do tumor ou parte da glândula pituitária
MedicamentoMedicamentos podem ajudar a encolher o tumor e reduzir os níveis de GH
RadioterapiaAltas doses de radiação podem ajudar a encolher o tumor
Injeções de análogos da somatostatinaEsses hormônios ajudam a suprimir a produção de GH


Cirurgia para gigantismo

A remoção cirúrgica dos tumores selecionados oferece a melhor chance de cura. Você deve procurar o atendimento de um neurocirurgião experiente que realiza um grande volume de cirurgias de hipófise todos os anos.

O sucesso da cirurgia depende de vários fatores:

  • Os tumores que invadiram além dos limites da sela (o espaço onde fica a glândula pituitária normal) têm menor chance de cura cirurgicamente.
  • A primeira cirurgia oferece a maior chance de cura; a taxa de cura com uma segunda ou terceira cirurgia é muito menor.

Taxas de cura a longo prazo após cirurgia transesfenoidal (tumor hipofisário):

  • 80% a 85% ou pacientes com tumores menores (microadenomas)
  • 50% a 60% dos pacientes com tumores maiores (macroadenomas)

Tratamento medicamentoso para o gigantismo

O tratamento médico do gigantismo/acromegalia está melhorando e, em determinadas situações, os médicos usam medicamentos, e não cirurgia, como primeiro curso de tratamento. No entanto, terapias médicas e cirúrgicas podem ser necessárias para controlar a acromegalia.

Os medicamentos incluem:

  • As injeções de análogos da somatostatina (octreotida, lanreotida), geralmente administradas mensalmente, suprimem a produção do hormônio do crescimento em cerca de 70% dos pacientes.
    • Encolhimento significativo do tumor ocorre em 30 a 50 por cento dos pacientes.
    • As injeções geralmente melhoram os sintomas de inchaço dos tecidos moles, dor de cabeça, dores nas articulações e apneia do sono.
    • Os pacientes requerem tratamento vitalício com somatostatina.
  • Drogas que bloqueiam a ação do hormônio do crescimento nas células do fígado, como uma injeção diária de Pegvisomant. Quando eficaz, os níveis de IGF-1 podem normalizar, mas os hormônios de crescimento elevados permanecem.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: exames laboratoriais
  • Endocrine Society: pacientes
  • Ministério da Saúde

Arquivado em: Neurologia

Cefaléia por uso excessivo de analgésicos/medicamentos

15 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Cefaleia por uso excessivo de medicamentos pode acontecer quando uma pessoa com enxaqueca ou outra dor de cabeça usa remédios de crise com muita frequência. O ponto central não é culpar o analgésico, mas identificar o ciclo: mais dor leva a mais remédio, e mais remédio pode manter a dor.

Como definir um limite seguro

O limite de uso precisa considerar diagnóstico, tratamento preventivo, contraindicação, efeito adverso, posologia, risco de abstinência e acompanhamento. Em vez de alternar remédios sem regra, o plano deve dizer quantos dias por mês cada classe pode ser usada e o que fazer quando esse limite é ultrapassado.

Próximos passos para sair do ciclo

Registrar antes de trocar remédio

O diário deve separar dias com dor, intensidade, remédio usado, dose, cafeína, náusea, menstruação, sono e gatilhos. Esse registro mostra se há cefaleia em muitos dias do mês e se o uso de analgésico, triptano, anti-inflamatório, opioide ou combinação está alimentando o ciclo.

Prevenção não é só retirada

A retirada do medicamento de crise pode ser apenas uma parte do plano. Em enxaqueca ou cefaleia tensional frequente, o médico pode discutir profilaxia, controle de náusea, sono, hidratação, comorbidades psiquiátricas e retorno gradual a remédios de crise com limite mensal claro.

Como reconhecer o ciclo de rebote

AchadoPor que importaConduta mais segura
Dor em muitos dias do mêsA classificação internacional considera cefaleia em 15 ou mais dias por mês no contexto de uso excessivo.Registrar dias com dor e dias com remédio por pelo menos algumas semanas.
Uso frequente de remédio de criseO limite varia por classe: alguns entram em risco a partir de 10 dias por mês, outros a partir de 15.Não aumentar dose ou combinar classes por conta própria.
Piora ao tentar pararPode ocorrer abstinência ou retorno temporário da dor.Planejar retirada, ponte terapêutica e prevenção com profissional.

O que a avaliação precisa separar

O primeiro passo é confirmar qual era a cefaleia de base: enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia cervicogênica, sinusite verdadeira ou outra causa. Sem isso, a pessoa apenas troca um remédio por outro e mantém o mesmo padrão.

Também é importante listar todos os medicamentos usados para dor, inclusive combinações com cafeína, opioides, triptanos, anti-inflamatórios, paracetamol e remédios tomados para dores fora da cabeça. O uso somado pode contar, mesmo quando cada remédio isolado parece pouco frequente.

Quando não tentar resolver sozinho

A retirada pode ser simples em determinadas situações, mas precisa de supervisão quando há opioides, barbitúricos, benzodiazepínicos, doses altas, doença psiquiátrica, gestação, uso de anticoagulantes ou risco de desidratação por náuseas e vômitos.

Procure atendimento com mais rapidez se a dor começou de forma súbita e muito intensa, veio com febre, rigidez na nuca, fraqueza, confusão, alteração visual, trauma, câncer, imunossupressão ou mudança clara do padrão habitual.

Cefaléia por abuso de analgésicos – Resumo

  • Dor de cabeça devido ao abuso de analgésicos
  • Tipo de cefaleia secundária
  • Causada pelo uso excessivo de medicamentos para alívio da dor
  • Cefaleia rebote ou cefaléia por uso excessivo de medicamentos
  • Os sintomas incluem dor constante e latejante, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som
  • O tratamento envolve a redução ou eliminação do uso de analgésicos e outros medicamentos
  • Mudanças no estilo de vida e medicamentos preventivos também podem ser recomendados

Aquela dor de cabeça que nunca passa, na verdade, pode ter em sua raiz o uso constante de medicamentos para combatê-la. O problema afeta uma a cada 50 pessoas

Tudo em excesso faz mal, dizem por aí. Escute a sabedoria popular. Muito de qualquer coisa, por melhor que pareça, vai acabar te trazendo dor de cabeça. Às vezes, literalmente.

Se você é do time que não vive sem um analgésico para suas dores de cabeça constantes na bolsa e faz uso da sua cartelinhas todos os dias – ou dia sim, dia não – saiba que o que pode estar provocando suas dores, na verdade, é o próprio medicamento.

A cefaleia induzida por uso excessivo de analgésicos – ou “de rebote”, como também é chamada – é muito comum. Tanto que leva o terceiro lugar no pódio de causas maus frequentes para as dores de cabeça, perdendo apenas para a enxaqueca e a dor de cabeça tensional. Na verdade, essas duas com alguma frequência acabam sendo início de todo o processo.

A estimativa é de que o problema, um tanto inusitado, afete uma a cada 50 pessoas. Qualquer um pode sofrer dele, mas as evidências dão conta de que ele atinge mais mulheres que homens, e principalmente na faixa dos 30 aos 40 anos.

Além disso, pessoas que já têm enxaqueca ou alguma tendência a crises de dor de cabeça também parecem sofrer mais do diagnóstico do que as outras, mas o motivo para isso não é exatamente conhecido.

Remédios tipicamente usados contra enxaquecas, à base de codeína, parecem ser os principais agentes causadores das cefaleias de rebote, mas há quem desenvolva o problema mesmo usando medicamentos bem mais comuns, como o paracetamol.

Se você sente uma dor de cabeça que nunca passa completamente e vive recorrendo a comprimidos, leia mais sobre a cefaleia induzida pelo uso excessivo de medicamentos e veja se você é um possível paciente desse mal tão comum quanto desconhecido.

Dor de cabeça por uso de analgésico

dor de cabeca definicao ceflaeia

Estudos clínicos calculam que a enxaqueca afete 13% dos americanos, ou cerca de 13% de toda a população dos Estados Unidos.

Já a dor de cabeça de rebote, causada pelo excesso de analgésicos, atinge entre 1% e 2% da população mundial, conforme este estudo de 2014.

Causas da cefaleia por remédios

Tudo começa com uma dor de cabeça qualquer e para a qual você toma um remédio já de costume. Alguns dias depois, por qualquer motivo, a dor volta a aparecer e, novamente, você usa o medicamento. Em um mês, pode ser que isso se repita quatro, cinco ou seis vezes.

O que os especialistas acreditam sobre a cefaleia de rebote é que, passado algum tempo desde o início desse ciclo, a dor de cabeça que você passa a sentir deixa de ter sua raiz original – uma série de dores tensionais em um período de estresse, por exemplo – e passa a ser causada pela dependência dos medicamentos usados naquele intervalo de tempo.

Ou seja, o sintoma deixa de ser tensional e passa a ser de abstinência. A sua dor de cabeça, então, passar a ser causada pela falta do remédio, e não pela enxaqueca ou pela contração muscular. Assim, nem mesmo todo o remédio do mundo resolverá sua dor e você passará a ser um frequentador cada vez mais assíduo da farmácia em busca de renovar os estoques.

Os médicos acreditam que o que conta para o surgimento da dor crônica é o uso dos medicamentos por mais de dez dias em um mesmo mês para alguns medicamentos mais fortes, como os usados para enxaquecas, e mais de quinze para outros como paracetamol.

AnalgésicoMecanismo de açãoExplicação
IbuprofenoInibição da ciclooxigenase (COX)O ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroide (AINE) que inibe a COX, uma enzima que produz prostaglandinas, que são mediadores da inflamação e da dor.
ParacetamolInibe a COX-3O paracetamol é um AINE que inibe seletivamente a COX-3, uma isoforma da COX que é mais abundante no sistema nervoso central.
AspirinaInibe a COX-1 e a COX-2A aspirina é um AINE que inibe ambas as isoformas da COX. A inibição da COX-1 protege contra a formação de trombos, enquanto a inibição da COX-2 reduz a inflamação e a dor.
DipironaInibe a COX e a ciclooxigenase-2 (COX-2)A dipirona é um AINE que inibe ambas as isoformas da COX, bem como a fosfodiesterase.
NaproxenoInibe a COXO naproxeno é um AINE que inibe a COX, uma enzima que produz prostaglandinas, que são mediadores da inflamação e da dor.
CelecoxibInibe seletivamente a COX-2O celecoxib é um AINE que inibe seletivamente a COX-2, uma isoforma da COX que é mais abundante nos tecidos periféricos.
IndometacinaInibe a COXA indometacina é um AINE que inibe a COX, uma enzima que produz prostaglandinas, que são mediadores da inflamação e da dor.
CetoprofenoInibe a COXO cetoprofeno é um AINE que inibe a COX, uma enzima que produz prostaglandinas, que são mediadores da inflamação e da dor.
DiclofenacoInibe a COXO diclofenaco é um AINE que inibe a COX, uma enzima que produz prostaglandinas, que são mediadores da inflamação e da dor.

Assim, se você tem recorrido ao comprimidos mais de duas vezes por semana, mesmo que ainda não esteja sentindo dores crônicas, vale procurar um médico para investigar a causa das dores ou pedir uma indicação de via alternativa para aliviar os sintomas, como acupuntura.

Medicamentos que podem causar cefaleia de rebote

medicamentos cefaleia abuso analgesicos
  • Analgésicos simples: isso inclui aspirinas, anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e remédios para dor como o paracetamol, como o Tylenol, por exemplo.
  • Derivados do ergot: Medicamentos combinados que contém cafeína e um aliviante de dor chamado ergotamina.
  • Triptanos: uma classe de medicamento que constringe as veias sanguíneas e reduz, assim, a dor de cabeça. Muito usados para crises de enxaqueca.
  • Medicamentos combinados: alguns remédios contém cafeína, paracetamol, aspirina e cafeína, todos no mesmo comprimido. Esteja atento a eles.
  • Opioides: Esse tipo de medicamento, que inclui a codeína e tramadol, pode causar dependência. Tanto que os médicos costumam recorrer a eles apenas como última alternativa.

A maioria das pessoas com cefaleia induzida pelo uso de medicamentos toma os comprimidos, pelo menos, dez dias por mês.

No entanto, como o ser humano não é uma máquina exata, a dosagem de gatilho varia de pessoa para a pessoa e pode ser menor para indivíduos mais sensíveis. Por isso, sempre busque avaliação médica para uma avaliação mais individualizada.

Diagnóstico da cefaleia por medicamentos

Identificar a cefaleia pelo uso de medicamentos é importante, principalmente, porque quando ela está presente, outros tratamentos são menos prováveis de funcionar.

Para fechar o diagnóstico, o médico deve vai questionar sobre seus sintomas físicos e as medicações que você toma para aliviá-los. Quando responder a essa pergunta, seja sincero.

Esconder o hábito pode prolongar o tempo até o diagnóstico, estender o seu sofrimento e ainda levantar suspeitas sobre outras causas para sua dor, o que vai demandar exames adicionais.

Antes de bater o martelo sobre a causa das crises, é importante excluir outras possíveis causas para suas dores frequentes, como tumores, infecções ou outras condições neurológicas.

Mesmo que todas sejam eliminadas, só é possível dizer com certeza que a causa é o abuso dos analgésicos após, de fato, passar um período sem eles e sem dores. Ou seja, parando de tomar os comprimidos, lidando com a dor por um tempo e observando se as crises diminuem ou cessam por completo. Esse também vem a ser o único tratamento eficaz para o problema.

Sinais de alerta para a cefaleia de rebote:

  • Dor de cabeça por pelo menos 15 dias por mês
  • Dor que se agravou com o uso excessivo de medicação
  • A dor geralmente é pior pela manhã ou após exercícios físicos
  • Dor opressiva (sensação de aperto)

Analgésicos para outras dores não causam cefaleia

Por um mecanismo que a ciência não sabe exatamente explicar, a cefaléia induzida por medicação é muito menos provável de se desenvolver se você tomar analgésicos regularmente para outras condições dolorosas, como artrite e síndrome dolorosa miofascial.

O que se sabe é que ela só aparece se você tomar analgésicos ou triptanos especificamente para dores de cabeça ou enxaquecas.

Uma das possíveis explicações é que pessoas que já são propensas a ataques frequentes de enxaqueca ou dores de cabeça talvez sejam as mesmas, sendo mais propensas também a ter dor de cabeça induzida por medicação.

Complicações da cefaleia

  • A dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos pode levar a uma piora dos sintomas e da intensidade da dor de cabeça ao longo do tempo.
  • A cefaleia por abuso de analgésicos pode levar ao desenvolvimento de outras dores de cabeça crônicas, como cefaleia do tipo tensional crônica e enxaqueca.
  • A cefaleia por abuso de analgésicos pode fazer com que uma pessoa se torne cada vez mais dependente de analgésicos, o que pode levar ao vício e a outros efeitos adversos.
  • Pessoas com esta dor de cabeça podem sofrer de depressão, ansiedade e fadiga devido à natureza crônica e incapacitante de sua condição.
  • Cefaleia por abuso de analgésicos pode levar a sofrimento físico e emocional significativo.
  • É importante tratar o mais cedo possível para evitar mais complicações e reduzir a probabilidade de desenvolver outras condições de dor de cabeça crônica.

Tratamento da cefaleia por medicação

Feito o diagnóstico – ou possível diagnóstico, ao se excluir outras causas de dor de cabeça – só existe um tratamento possível e eficaz para as cefaléias causadas por analgésicos: eliminar a causa das dores. Ou seja, abdicar do uso do medicamento que vem servindo de gatilho para as crises, sejam eles os triptanos, as codeínas ou outros como ibuprofeno e paracetamol.

O médico, na verdade, deve elaborar um plano para o desmame dos comprimidos. Alguns vão preferir substituí-los por outras substâncias, a princípio. Outros aconselharão diminuir a frequência do uso. No entanto, o método mais eficiente, embora mais sofrido, parece ser a retirada total deles de uma só vez por um período de, pelo menos, um ou dois meses.

Não se iluda. O tempo que seu corpo leva para se desintoxicar pode ser bastante desconfortável e, claro, doloroso, já que as dores ainda devem incomodar por algumas semanas, inclusive de forma mais intensa do que o normal para suas crises.

Esse e outros sintomas são comuns da abstinência da medicação e podem incluir, ainda:

  • Náuseas
  • Sono de má qualidade
  • Inquietação
  • Diarreia ou outras alterações intestinais
  • Ansiedade

Os sintomas podem durar algumas semanas, mas é importante persistir. Até porque o veto total ao medicamento é apenas temporário. Eventualmente você poderá voltar a recorrer ao seu analgésico de confiança se for acometido por uma eventual crise dor de cabeça ou no corpo.

A segunda etapa do tratamento costuma focar na prevenção das crises, e deve ser orientada pelo médico. Alguns já começam antes mesmo dos dois meses de abstinência, mas isso varia.

Importante:

Conforme pontuado acima, é normal que suas dores pareçam muito mais fortes nos primeiros dias após a retirada dos comprimidos. O normal é que elas regridam a um padrão tolerável em cerca de sete dias, mas há casos em que isso pode levar semanas ou meses. Tenha paciência.

Tipos de cefaleia

As dores de cabeça podem ser de vários tipos e “doem” de formas diferentes. Veja o quadro:

Tipos de Cefaleia - Sinusite, Cefaleia, Tensão e Enxaqueca
Tipos de Cefaleia – Sinusite, Cefaleia, Tensão e Enxaqueca

Tratamentos adicionais

Uma boa forma de prevenir a cefaleia de rebote, causada pelo excesso de medicamentos, é escolher não tratar toda e qualquer dor de cabeça que aparecer. Algumas delas precisam apenas de uma boa noite de sono ou de hidratação para cessarem.

Assim, você economiza alguns comprimidos no mês e afasta o risco da dependência velada dos analgésicos.

Outra alternativa é recorrer a terapias de relaxamento para melhorar as dores, sobretudo as causadas por tensão.

A acupuntura também pode ser uma aliada para tratamentos de enxaqueca ou ainda durante o tratamento da própria cefaleia de rebote, para aliviar os sintomas da abstinência, como a ansiedade e o sono ruim.

Fontes e leitura útil

  • ICHD-3 – Medication-overuse headache
  • American Migraine Foundation – Medication Overuse Headache

Arquivado em: Neurologia

Espondilose dorsal: sintomas, causas e tratamento

15 de dezembro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

A ESPONDILOSE DORSAL é uma doença degenerativa caracterizada como um tipo de artrite que é causada pelo desgaste da coluna vertebral. O dorso está localizado na parte posterior do corpo abrangendo desde a área do pescoço até a região dos glúteos.

Dor dorsal e limitações funcionais

A avaliação da dor dorsal considera localização, irradiação, fatores de piora ou alívio e perda de função. Esses dados ajudam a distinguir sobrecarga, inflamação, irritação de nervo, trauma e dor persistente, além de identificar sinais que exigem avaliação mais rápida.

CaracterísticaO que anotar
InícioSurgiu após esforço, queda, treino, viagem, infecção ou foi gradual?
LocalizaçãoÉ pontual, em faixa, profunda, superficial ou irradia para braço, perna ou tórax?
FunçãoLimita caminhar, respirar, dormir, trabalhar, pegar peso ou fazer movimentos simples?
Sinais associadosDormência, fraqueza, febre, perda de peso, falta de ar ou inchaço mudam a urgência.
EvoluçãoMelhora em dias, volta sempre ou piora progressivamente?

Intensidade, resposta às medidas e sinais de alerta

  • Leve uma escala simples de 0 a 10 para dor em repouso e movimento.
  • Anote remédios, compressas, exercícios ou repouso que ajudaram ou pioraram.
  • Evite insistir no movimento que reproduz dor forte ou perda de força.
  • Procure atendimento urgente se houver trauma importante, fraqueza progressiva, dor no peito, falta de ar ou alteração neurológica.

Por que a causa importa

Duas pessoas com dor no mesmo lugar podem precisar de condutas diferentes. A decisão pode envolver ajuste de carga, exercício progressivo, fisioterapia, medicação, exame ou investigação de sinais sistêmicos.

Quando a dor dura semanas, acorda à noite, volta sempre ou limita atividades básicas, vale deixar de tratar apenas o sintoma e investigar o padrão que mantém o problema.

Em dor musculoesquelética, tratamento bom não é apenas escolher uma técnica. A decisão costuma combinar sinais de alerta, função perdida, carga de treino ou trabalho, exame físico, analgesia segura, exercício progressivo, fisioterapia e retorno gradual às atividades.

A espondilose dorsal manifesta-se através da degeneração dos discos e articulações em função dos esporões ósseos que crescem nas vértebras.

Alterações como essas prejudicam a movimentação da coluna e afetam os nervos e outras funções importantes.

Existem 3 tipos de espondilose: a espondilose cervical, que envolve a área do pescoço; a espondilose dorsal, que está na região torácica (entre a cervical e a lombar); e a espondilose lombar, que ocorre na região lombar.

Causas e fatores de risco associados a espondilose dorsal

A espondilose acontece com a degeneração dos discos e articulações à medida que o indivíduo envelhece.

A coluna tem como objetivo fornecer estrutura ao corpo e suportar a maior parte do peso corporal. Entre as vértebras da coluna estão as articulações que proporcionam flexibilidade à coluna.

Os discos intervertebrais também possuem um papel importante separando as vértebras e ajudando a obter movimentos suaves, amortecendo qualquer impacto aos ossos.

Conforme os anos passam e ao indivíduo envelhece, os discos intervertebrais ficam ressecados, finos e duros, então acabam perdendo a sua capacidade de amortecimento.

Essas estruturas enfraquecem, mudando de consistência e perdendo parte da sua utilidade. As vértebras tendem a sair do alinhamento adequado e passam a sofrer atrito umas nas outras.

Os discos intervertebrais deteriorados fazem com que os esporões ósseos (crescimento anormal dos ossos) surjam na coluna, comprometendo cada vez mais o movimento das costas.

Esse crescimento ósseo excessivo e o deslocamento vertebral diminuem o espaço por onde a medula e as raízes nervosas da coluna passam, comprimindo essas estruturas. Por isso, é bastante comum que uma pessoa idosa fique mais exposta a sofrer fraturas por compressão da vértebra.

Existem diversos fatores de risco que contribuem para a condição de espondilose, dentre elas, incluem: predisposição genética; sedentarismo; obesidade; ocupação que exija esforço repetitivo e excessivo da coluna; histórico de lesão ou trauma espinhal; intervenção cirúrgica na coluna; artrite psoriática; condições que envolvam a saúde mental, como depressão.

Sintomas

Geralmente, pessoas com espondilose associada à idade são assintomáticas. Os sintomas podem surgir por um tempo e depois cessar. Porém, algumas vezes, um movimento brusco pode desencadear os sintomas.

  • Dor lombar: Este é o sintoma mais comum da espondilose dorsal sendo causado pela compressão dos nervos espinhais ou degeneração dos discos e articulações da coluna vertebral. A dor pode estar localizada na parte inferior das costas ou irradiar para as pernas.
  • Rigidez na parte inferior das costas: Este é um sintoma de espondilose dorsal causada pela degeneração dos discos ou articulações da coluna vertebral. A rigidez é geralmente sentida durante a transição da posição sentada para a posição em pé ou ao tentar dobrar, ou torcer a região lombar.
  • Dificuldade em dobrar ou torcer a coluna: Este é outro sintoma da espondilose dorsal causada pela degeneração dos discos ou articulações da coluna vertebral. A dificuldade em dobrar ou torcer se deve à compressão dos nervos da região lombar, o que pode levar à dor.
  • Dor que irradia para as pernas: Isso é causado pela compressão dos nervos na parte inferior das costas, o que pode fazer com que a dor irradie para as pernas. Essa dor geralmente é pior ao dobrar, torcer ou ficar em pé por longos períodos.
  • Espasmos musculares: os espasmos musculares são causados pela compressão dos nervos na região lombar, o que pode levar a dor e rigidez. Espasmos musculares podem ocorrer ao tentar mover, dobrar ou torcer a região lombar.
  • Dormência ou formigamento nas pernas: Isso é causado pela compressão dos nervos na parte inferior das costas e pode levar a dormência ou formigamento nas pernas. Esse sintoma geralmente é pior ao dobrar, torcer ou ficar em pé por longos períodos.
  • Fraqueza nas pernas: Isso é causado pela compressão dos nervos na região lombar, o que pode levar a fraqueza nas pernas. Esse sintoma geralmente é pior ao dobrar, torcer ou ficar em pé por longos períodos.
  • Dificuldade para caminhar ou ficar em pé por longos períodos: Isso é causado pela compressão dos nervos na região lombar, o que pode levar à dificuldade para caminhar ou ficar em pé por longos períodos. Esse sintoma geralmente é pior ao dobrar, torcer ou ficar em pé por longos períodos.
  • Dificuldade para dormir devido à dor: Isso é causado pela compressão dos nervos na região lombar, o que pode levar à dificuldade para dormir devido à dor. A dor pode estar localizada na parte inferior das costas ou irradiar para as pernas.

A espondilose dorsal pode causar dor no tórax e no abdômen superior, bem como dormência, fraqueza e formigamento nas pernas.

Visto que a dor e o formigamento, geralmente, são sentidos nas pernas e nas nádegas, é difícil identificar a origem e a causa dos sintomas, pois pode-se confundir com problemas associados à região lombar, e não a uma fratura ou algum problema na parte dorsal da coluna.

Sintomas mais graves incluem sensação de estalo ao mover a coluna e perda de equilíbrio acarretando em dificuldades para andar.

Diagnóstico

O diagnóstico de espondilose dorsal baseia-se em exame físico e de imagens, onde o médico solicitará raios-X, que irá ajudá-lo a identificar possíveis alterações nos ossos da coluna.

  • Raio-X – os raios-X são usados para criar imagens dos ossos e articulações para detectar quaisquer anormalidades ou alterações na estrutura da coluna vertebral.  
  • Tomografia computadorizada – A tomografia computadorizada fornece imagens detalhadas dos tecidos moles e ossos da coluna e é usada para identificar qualquer área de dano ósseo ou articular.  
  • Ressonância Magnética – Usam ondas magnéticas para criar imagens detalhadas da coluna vertebral. Eles podem ser usados para detectar áreas de inflamação, hérnia de disco ou outras anormalidades da coluna vertebral.      
  • Eletromiografia (EMG) – EMG é um teste usado para medir a atividade elétrica dos músculos. Ele pode ser usado para detectar áreas de dano ou disfunção do nervo.  
  • Teste de velocidade de condução nervosa (NCV) – NCV é um teste usado para medir a rapidez com que os sinais elétricos são transmitidos através dos nervos. Pode ser usado para detectar danos ou disfunções nervosas.

Tratamento conservador

O tratamento dependerá da gravidade da condição. Seu médico recomendará o tratamento mais adequado conforme a sua situação.

Em casos leves, o médico poderá recomendar analgésicos de venda livre, como Advil e Tylenol para ajudar a aliviar a dor e inflamação.

Algumas pessoas podem necessitar de medicamentos prescritos como anti-inflamatórios não esteroides, corticosteroides, relaxantes musculares, antidepressivos ou anticonvulsivos.

É recomendado que se faça exercícios de baixo impacto para auxiliar na manutenção da flexibilidade e no fortalecimento dos músculos que sustentam a coluna.

A fisioterapia também pode trazer benefícios ao paciente através de exercícios específicos ou massagens. Caso os sintomas de inflamação sejam muito incômodos, tente descansar e apoiar as costas em um assento ou colchão adequado.

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Tratamento com calor, ultra-som e TENS são também eficazes em combinação com um programa de reabilitação. TENS consiste em um método fisioterápico que utiliza impulsos elétricos na pele, através de aparelhos específicos, para fornecer ação analgésica no sistema nervoso.

Fisioterapia para espondilose dorsal

O tratamento conservador por fisioterapia convencional e terapias manuais demonstram efeitos benéficos na melhora dos sintomas. As terapias manuais envolvem manipulação da coluna cervical, torácica e lombar, bem como o alongamento dos músculos afetados.

São importantes para o tratamento de espondilose os exercícios de estabilização lombopélvica, exercícios de fortalecimento dos músculos posturais axiais e exercícios de alongamento dos isquiotibiais e fáscia lombodorsal.


Opções cirúrgicas para espondilose dorsal

Quando o tratamento conservador não for suficiente para aliviar os sintomas, a intervenção cirúrgica será necessária para dispor mais espaço para os nervos espinhais, porém essa opção é em último caso, quando realmente não houver resultados com os tratamentos anteriores.

As opções cirúrgicas incluem: discectomia (para remover o disco que está lesionado), laminectomia (para remover os esporões ósseos), laminoplastia (para modificar a posição da lâmina do arco vertebral, possibilitando que haja mais espaço para o tecido nervoso dentro da coluna) e a fusão espinhal (para unir partes da coluna com um osso transplantado, com ou sem utilização de instrumentos como parafusos e hastes).

Atualmente, existem opções cirúrgicas minimamente invasivas para tratar a espondilose. Então, é importante que você consulte seu médico para a melhor escolha de acordo com a sua condição.

Explore também no Blog da Saúde

  • Dor
  • Ortopedia

Fontes úteis

  • MedlinePlus: dor
  • CDC: atividade física para adultos
  • NIAMS: lesões esportivas

Fontes úteis

HULTGREN, B. D. et al. Cervical dorsal spondylosis with spinal cord compression in a black swan (Cygnus atratus). Journal of Wildlife Diseases, v. 24, n. 4, p. 705-708. 1987.

JASSI, F. J. et al. Terapia manual no tratamento da espondilólise e espondilolistese: revisão de literatura. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 17, n. 4, p. 366-371. 2010.

ROLAND, J. Thoracic Spondylosis Symptoms and Treatment. Healthline, 2018. Disponível em: <https://www.healthline.com/health/thoracic-spondylosis>

Arquivado em: Doenças de A-Z, Dor, Reumatologia

Maltodextrina: para que serve, quando usar e cuidados

15 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Maltodextrina é um carboidrato complexo obtido através de alguns alimentos como o milho, o arroz e a mandioca que apresenta alto índice glicêmico e é muito utilizada como suplemento.

Por ser um carboidrato complexo, a Maltodextrina é um polissacarídeo, ou seja, ela é formada a partir de várias moléculas distintas de glicose que se reúnem em uma mesma cadeia de moléculas. 

A absorção de Maltodextrina pelo corpo é feita de maneira mais  rápida que os próprios alimentos, o que significa que ela fornece energia imediatamente após ser consumida. 

Por essa razão, a maltodextrina é muito utilizada como suplemento alimentar como forma eficiente de repor os estoques de glicogênio no fígado e nas fibras musculares.

BenefícioDescrição
Fonte de energia rápidaA maltodextrina é rapidamente absorvida pelo corpo e pode fornecer uma fonte imediata de energia.
Ganho de pesoA maltodextrina pode ajudar no ganho de peso, pois é uma fonte de calorias de carboidratos.
DigestãoA maltodextrina pode ajudar na digestão de outros alimentos, pois é um prebiótico que ajuda a alimentar bactérias benéficas no intestino.
Sistema ImunológicoA maltodextrina pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico e ajudar o corpo a combater infecções e doenças.
Desempenho do exercícioA maltodextrina pode ajudar a manter os níveis de energia durante o exercício, permitindo um melhor desempenho.

Então, após ser absorvida pelo intestino, ela passa primeiro pelo fígado para depois entrar nas células.

Neste processo, a cadeia distinta de glicose é rompida, liberando cada molécula para os tecidos e células do corpo, de maneira rápida e constante.


Maltodextrina E Pico de Insulina 

Durante a liberação da glicose para os tecidos, uma grande quantidade de açúcar entra na corrente sanguínea.

Para que este açúcar consiga penetrar nas células, é necessário moléculas de insulina, o hormônio que se liga aos receptores celulares que estimulam a passagem da glicose para a membrana das células. 

Dessa forma, quando consumimos Maltodextrina o açúcar na corrente sanguínea sobe de maneira rápida, onde o pâncreas precisa  produzir mais insulina para controlar os níveis de açúcar no corpo. 

Este processo se chama pico de insulina e é onde os atletas mais se beneficiam, pois a insulina é um hormônio totalmente anabólico.

O pico de insulina, por sua vez, estimula a entrada de nutrientes nas fibras musculares, acelerando a recuperação e promovendo a hipertrofia nos músculos.


Maltodextrina No Pós-treino 

É utilizada para melhorar as taxas de absorção das proteínas e dos outros nutrientes pelo tecido muscular.

Ela também repõe os estoques de glicogênio no fígado e músculos, pois durante as atividades físicas os níveis de glicogênio caem drasticamente.

BenefícioDescrição
Reidratação rápidaA maltodextrina pode reidratar rapidamente o corpo após uma sessão de treinamento de peso extenuante.
Aumentar a massa muscularA maltodextrina pode ajudar a aumentar a massa muscular quando combinada com uma dieta rica em proteínas.
Reduz a dor muscularA maltodextrina pode ajudar a reduzir a dor muscular causada pelo treinamento intenso com pesos, permitindo uma recuperação mais rápida.
Aumentar a ForçaA maltodextrina pode ajudar a aumentar a força quando consumida antes e depois de um treino.
Melhorar o desempenhoA maltodextrina pode ajudar a melhorar o desempenho, fornecendo uma fonte imediata de energia e melhorando a capacidade do corpo de se recuperar após um treino.


Maltodextrina Em Atividades Físicas Intensas

intenso

A maltodextrina também é utilizada durante as atividades de alta intensidade, como a corrida e a natação. 

Nestes casos, ela fornece energia de forma rápida e constante, garantindo energia para os músculos durante as sessões de exercícios ou competições.


Quais As Diferenças Entre Maltodextrina e Dextrose?

Uma das dúvidas mais comuns é se a Maltodextrina e a Dextrose são a mesma coisa e se elas apresentam diferenças notáveis.

A Dextrose é um outro tipo de carboidrato utilizado como suplemento entre os atletas e praticantes de musculação.  

Entretanto,a Dextrose consegue ter uma absorção ainda mais rápida que a Maltodextrina. Isso acontece porque a dextrose é um monossacarídeo, ou seja, ela possui apenas uma molécula de glicose na sua cadeia.

Outra diferença é que a dextrose após ser absorvida no intestino vai direto para a circulação, e não para o fígado como ocorre com a maltodextrina.

Para fins esclarecedores, tanto a maltodextrina quanto a dextrose produzem o pico de insulina com efeito anabólico, então ambas são ótimas fontes de energia.

O que muda é apenas a velocidade de absorção de cada carboidrato, porém, a maltodextrina oferece uma vantagem em relação a dextrose.

Devido a sua absorção mais lenta, ela acaba sendo uma fonte gradual e não tão concentrada como a dextrose.

Logo, a dextrose fornece bastante energia, porém por pouco tempo, já a maltodextrina fornece a mesma quantidade de energia, no entanto, em um intervalo de tempo bem maior.

Para finalizar as diferenças entre Maltodextrina e Dextrose, o pico de insulina desempenhado pela dextrose pode favorecer o acúmulo de gordura abdominal, principalmente em uma dieta sem controle de calorias.

Todavia, a maltodextrina eleva menos as taxas de glicose, o que envolve menos liberação de insulina durante o pico, reduzindo o risco de acúmulo de gordura na região do abdômen.


Quando Tomar Maltodextrina?

Se você quer suplementar Maltodextrina nos seus treinos é necessário saber alguns pontos sobre sua utilidade.

O primeiro é que, nas atividades de alta intensidade como corrida, ciclismo, natação ou crossfit ela deve ser suplementada antes e durante a atividade, para que ela consiga garantir uma dose de energia prolongada.

Entretanto, se você pratica musculação pode-se optar por suplementar tanto antes como após os treinos, mas, o ideal mesmo é ingerir uma outra fonte de carboidrato complexo de lenta digestão antes do exercício e deixar a Maltodextrina para o pós-treino. 


Por Que Devo Tomar A Maltodextrina Após O Treino?

postreino

Por que é no pós-exercício que você vai precisar mais da atuação da insulina como substância anabólica.

 Além de ser o momento em que seu corpo mais vai precisar de nutrientes visando a recuperação muscular.

Assim, a insulina produzida no seu pico vai turbinar a glicogênese, que é a produção de glicogênio a partir dos músculos e fígado contribuindo assim para estimular a absorção dos aminoácidos, bem como inibir o hormônio do estresse, o cortisol.

O cortisol, que é liberado em grandes quantidades após os exercícios, possui uma ação catabólica contrária à ação anabólica da insulina, o que pode impedir o ganho de massa muscular.


Como Tomar Maltodextrina? 

Como a Maltodextrina acelera a entrada de aminoácidos e outros nutrientes nas células imediatamente após os exercícios, ela pode ser combinada com outros suplementos como o Whey Protein, por exemplo.

Essa combinação é eficaz porque as células vão precisar de glicose para absorver os aminoácidos contidos no suplemento proteico.

Ela também pode ser combinada com a dextrose, na proporção de 1-1, ou seja, mesma quantia para ambas.

Pois os dois carboidratos em conjunto vão fornecer energia de maneira rápida e eficiente, além de evitarem o aumento acentuado nas taxas de glicose após o consumo.

Portanto, a melhor combinação para tomar Maltodextrina de forma segura é associá-la a uma fonte de proteína e a outro carboidrato. 

Entretanto, o nutricionista é o profissional que define as doses individuais, observando as características e os objetivos de cada paciente durante as consultas nutricionais.

Então, antes de começar a tomar Maltodextrina ou qualquer outro suplemento é necessário um acompanhamento com este profissional.


A Maltodextrina Apresenta Algum Efeito Colateral?

A Maltodextrina causa um excesso de insulina na circulação, o que pode causar episódios de hipoglicemia momentânea.

Por este motivo, a maltodextrina é contraindicada para diabéticos e pessoas que estejam com Síndrome Metabólica.

Outro possível efeito colateral do suplemento é o ganho de peso, quando o mesmo é utilizado em um plano alimentar rico em calorias e alimentos fontes de gordura.

Em geral, podem ocorrer outros efeitos, porém, em menor probabilidade para a maioria das pessoas da saudáveis:

  • Náuseas;
  • Diarreia;
  • Vômitos;
  • Formigamento de pés e mãos.

Possível efeito colateralDescrição
Dor de cabeçaPode ocorrer dor de cabeça após a ingestão de maltodextrina, variando em intensidade de leve a grave. Pode ser uma sensação latejante e incômoda ou uma dor aguda e lancinante.
NáuseaPode ocorrer náusea após a ingestão de maltodextrina, causando vontade de vomitar. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como tontura e sudorese.
DiarreiaPode ocorrer diarreia após a ingestão de maltodextrina, causando fezes aquosas frequentes. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como cólicas, inchaço e dor abdominal.
Cãibras no estômagoCãibras estomacais podem ocorrer após a ingestão de maltodextrina, causando dores agudas e intensas no abdômen. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como náuseas, vômitos e diarreia.
InchaçoO inchaço pode ocorrer após a ingestão de maltodextrina, causando uma sensação de plenitude e desconforto no abdômen. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como gases e constipação.
Gases abdominaisGases podem ocorrer após a ingestão de maltodextrina, causando arrotos, flatulência e inchaço abdominal. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como náuseas e cólicas estomacais.
ConstipaçãoA constipação pode ocorrer após a ingestão de maltodextrina, causando dificuldade para evacuar. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como dor abdominal e inchaço.
IrritabilidadePode ocorrer irritabilidade após a ingestão de maltodextrina, causando sentimentos de raiva, frustração e aborrecimento. Pode ser acompanhado por outros sintomas, como dores de cabeça e náuseas.

Arquivado em: Nutrição

Teanina – Para Que Serve

15 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

BenefícioDescrição
Alívio de estresseL-teanina ajuda a reduzir sentimentos de estresse e ansiedade.
Desempenho cognitivoDescobriu-se que a L-teanina melhora o estado de alerta mental e o foco.
Auxílio para dormirA L-teanina pode ajudar a induzir o relaxamento, o que pode ajudar a melhorar o sono.

O que a L-teanina pode e não pode prometer

A L-teanina pode ser discutida como suplemento para relaxamento em algumas pessoas, mas não deve ser apresentada como tratamento de ansiedade, insônia crônica, doença hepática ou emagrecimento. A utilidade depende de objetivo claro, dose, tolerância, uso de cafeína e outros medicamentos.

Em resumo: L-teanina é um aminoácido presente no chá e vendido como suplemento. Algumas pessoas usam para relaxamento, atenção ou sono, mas a evidência é limitada e o efeito pode variar. Ansiedade, insônia persistente e uso com sedativos pedem cuidado.

Nota de segurança: suplemento não é tratamento principal para transtorno de ansiedade, depressão ou insônia crônica.

Para continuar no tema: Nutrição | Insônia | Ansiedade | Rhodiola

Em sua forma de extrato e como suplemento alimentar, ela recebe o nome de L-teanina, sendo o tipo mais comum no mercado fármaco.

Todavia, existe a D-teanina, porém, esta não é utilizada como chá nem como suplemento.

Este aminoácido foi descoberto em 1949, sendo um dos principais componentes do chá-verde, passando a ser utilizado como alimento décadas depois.

Os efeitos benéficos da teanina para o organismo são notáveis e ela é usada para uma série de atributos como efeito calmante, melhora do desempenho cognitivo, saúde emocional, qualidade do sono e prevenção de algumas doenças.

Apesar de ser um composto funcional, a teanina ainda não é conhecida por muita gente, mas, nos últimos anos tem crescido seu uso para a obtenção de seus benefícios.


Como A Teanina Age Em Nosso Corpo 

A teanina proporciona o aumento da produção de serotonina e dopamina no cérebro. Tanto a dopamina quanto a serotonina são dois importantes neurotransmissores, que promovem a sensação de bem-estar e felicidade.

Todavia, a teanina apresenta um poder antioxidante muito elevado, e ela consegue aumentar as ondas alfa cerebrais.

AçãoDescrição
Aumenta ondas cerebrais alfaA L-teanina aumenta a produção de ondas alfa no cérebro, que está associada a um estado de espírito relaxado, mas alerta.
Reduz os hormônios do estresseL-teanina pode ajudar a reduzir a produção de cortisol e outros hormônios do estresse no corpo.
Reduz neurotransmissores excitatóriosDescobriu-se que a L-teanina reduz a produção de neurotransmissores excitatórios, como glutamato e dopamina.

Uma curiosidade é que a teanina consegue neutralizar os efeitos da cafeína, sendo interessante para as pessoas que sofrem com os sintomas do vício pela substância.

Veja agora 6 benefícios da teanina em nosso organismo.

6 benefícios da Teanina

1- Promove Relaxamento Nos Dias de Estresse 

Este é o principal benefício para usar a teanina, o relaxamento corporal.

Devido a sua capacidade de aumentar as ondas alfa no cérebro, o composto consegue relaxar a mente e o corpo sem nenhum efeito colateral.

2- Melhora da Capacidade Cognitiva

concentracao

A teanina tem sido muito utilizada para melhorar a concentração e o foco nas atividades do dia a dia. Em determinadas situações, associa-se o uso da teanina em conjunto com a cafeína, provocando melhoras no aprendizado e na capacidade de pensar mais rápido.

Através de um estudo, idosos que consumiram o chá-verde, que contém tanto a teanina quanto a cafeína, melhoraram a capacidade cognitiva em níveis notórios.

3- Equilíbrio das Emoções

Alguns sentimentos negativos como a tristeza, cansaço mental e desânimo são causados devido ao desequilíbrio entre a serotonina e a dopamina.

Dessa forma, a teanina, que proporciona aumento na produção desses dois hormônios, consegue equilibrar as emoções e os sentimentos, além de descansar a mente de maneira agradável e integral.

4- Melhora da Qualidade do Sono

Outro benefício que a teanina ocasiona é a promoção de um sono restaurador e de qualidade.

Através do relaxamento que o aminoácido causa, é possível fazer com que a mente descanse mais rapidamente, causando o sono.

Por essa razão, a teanina tem sido utilizada para melhorar quadros de insônia e dificuldades para adormecer.

5- O que ainda não dá para afirmar

Não é adequado afirmar que a teanina previne doenças do fígado ou protege pessoas que consomem álcool. Lesões hepáticas, alteração de enzimas do fígado e uso de álcool precisam de avaliação própria; chá ou suplemento não substitui redução de risco, exames e tratamento quando indicados.

6- Emagrecimento não deve ser a promessa

A teanina não deve ser usada como estratégia principal para reduzir apetite ou emagrecer. Se a queixa é fome excessiva, compulsão, insônia, ansiedade ou ganho de peso, o caminho mais útil é avaliar sono, alimentação, medicamentos, humor e rotina.

Onde É Encontrada A Teanina?

O chá-verde é a segunda bebida mais consumida no mundo, depois da água. Então, ele é o principal fornecedor de teanina para o organismo.

chaverde

Fora o chá-verde, existem muitas outras fórmulas de chás que contam com teanina na composição, além do cogumelo da espécie Xerocomus badius.

Entretanto, o que também fornece teanina diretamente são os suplementos isolados vendidos em farmácias e sites de produtos naturais.

Contudo, é necessário escolher uma marca que possua garantia para a comercialização da teanina, assim como só venda teanina que tenha sido testada e aprovada.

Contra-indicações da Teanina 

As gestantes não devem fazer o uso de teanina. Tudo porque não existem estudos seguros avaliando os efeitos da substância na gestação.

Também não é indicado o consumo de teanina para mulheres que estejam amamentando, pessoas que tenham pressão alta e crianças de 0 a 15 anos.

  • Gravidez: a L-teanina não deve ser tomada por mulheres grávidas, pois não foi estudada nessa população.
  • Amamentação: a L-teanina não deve ser tomada por mulheres que amamentam, pois não foi estudada nessa população.
  • Crianças menores de 12 anos: a L-teanina não foi estudada em crianças e deve ser usada com cautela.
  • Alergia à l-teanina ou a qualquer um de seus ingredientes: pessoas com alergia à l-teanina ou a qualquer um de seus ingredientes devem evitar tomá-la.
  • Doenças autoimunes: Pessoas com doenças autoimunes devem evitar tomar l-teanina, pois pode agravar sua condição.
  • Diabetes: Pessoas com diabetes não devem tomar l-teanina, pois pode afetar seus níveis de açúcar no sangue.
  • Pressão alta: pessoas com pressão alta não devem tomar l-teanina, pois pode piorar sua condição.
  • Distúrbios da tireoide: pessoas com distúrbios da tireoide não devem tomar l-teanina, pois isso pode afetar os níveis de hormônio tireoidiano.
  • Esquizofrenia: Pessoas com esquizofrenia não devem tomar l-teanina, pois pode piorar sua condição.
  • Tomar medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos: pessoas em uso de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos não devem tomar l-teanina, pois ela pode interagir com esses medicamentos.
  • Em uso de medicamentos sedativos: as pessoas que tomam medicamentos sedativos não devem tomar l-teanina, pois ela pode interagir com esses medicamentos.

Tempo de Efeito da Teanina

O tempo de ação da teanina no corpo após ser ingerida através de via oral é de 30 a 40 minutos após a ingestão.

O tempo de duração pode durar de 8 a 10 horas seguidas e as doses indicadas variam de acordo com o prescrito pelo médico.

Em geral, para problemas mais leves indica-se o consumo de 1 cápsula de 50 mg/dia. Porém, para problemas como insônia crônica ou desordens cognitivas acentuadas é necessário cápsulas mais elevadas, na casa de 1 cápsula de 200 mg/dia.

Caso você opte por utilizar o chá-verde, de 1 a 2 xícaras por dia já são suficientes para obter os efeitos.

Não existe um horário específico para a ingestão de teanina através de cápsulas, podendo ser feito a qualquer hora do dia.

No entanto, caso ela seja consumida através do chá-verde, não deve ser ingerida perto do almoço ou jantar, pois a cafeína diminui a absorção de ferro no organismo.

Possíveis Efeitos Colaterais

Não existem relatos de efeitos colaterais decorrentes do uso de teanina, entretanto, ele pode interagir com medicamentos para pressão e estimulantes cerebrais.

Nesses casos, recomenda-se ir ao médico e verificar se a teanina pode ser segura para pessoas que fazem o uso de algum desses tipos de medicamentos.

Porém, o chá-verde além da teanina também possui cafeína e esta substância pode gerar alguns efeitos colaterais como:

  • Náuseas;
  • Irritabilidade;
  • Dores no estômago;
  • Azia e queimação;
  • Efeito laxante.

Fontes úteis

Fontes de apoio: MSKCC: L-theanine | NCCIH: dietary supplements wisely

Arquivado em: Nutrição

Cólica sem menstruar é normal?

15 de dezembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

CÓLICAS são comuns durante o período menstrual, embora a menstruação não seja considerada o único motivo para sentir dores na região pélvica.

Algumas mulheres sentem cólicas antes de menstruar, a chamada TPM, ou durante a menstruação. Mas podem sentir dores em momentos diferentes que não estejam relacionadas a esse período. 

É normal se preocupar quando isso acontece, mas nem sempre é um problema grave.

Pode ser que você esteja sentindo dor em áreas próximas ao útero, como a bexiga ou o intestino, o que pode ser a razão pela qual você não está menstruando. Esta dor pode não ser exatamente uma cólica, mas outro tipo de desconforto que precisa ser investigado.

A dor pélvica fora do período menstrual pode ser causada por diversos fatores. Os mais comuns são ovulação, endometriose, mioma, doença inflamatória pélvica, adenomiose, estenose cervical e gravidez.

Lembrando que é importante consultar sua ginecologista, caso você esteja passando por essa situação. Mesmo sendo um problema simples de resolver, apenas um profissional capacitado poderá realizar o diagnóstico correto e o tratamento adequado para cada caso.

1. Ovulação

A ovulação é um processo fisiológico onde ocorre a ruptura e liberação do óvulo de seu ovário até a trompa de Falópio, onde tem o potencial de ser fertilizado.

Normalmente, esse processo acontece uma vez em cada ciclo menstrual, por volta do 14° dia de um ciclo típico de 28 dias.  

O processo de ovulação causa alguns sintomas característicos, incluindo: secreção vaginal transparente que se assemelha à clara de ovo; alterações na libido, fazendo o desejo sexual aumentar; alterações no colo do útero, que pode ficar mais alto e aberto; e dor pélvica, que se assemelha à uma leve cólica.

Muitas mulheres confundem a ovulação com o período fértil, mas não são a mesma coisa. Na ovulação, o óvulo é liberado para ser fecundado, já o período fértil é um conjunto de dias próximos ao dia da ovulação, que é o período em que a mulher tem mais chances de engravidar.

2. Gravidez

As cólicas durante a gravidez podem parecer com cólicas menstruais ou ser semelhante a uma sensação de puxão na região abdominal, de um lado ou em ambos.

As cólicas são uma queixa comum durante a gestação, em especial durante o primeiro trimestre, decorrentes de mudanças durante o desenvolvimento do bebê.

No segundo semestre da gestação, a causa comum das cólicas está relacionada à dor no ligamento redondo, um músculo que sustenta o útero.

Quando esse músculo se estica, é comum sentir uma dor aguda na parte inferior do abdômen. Outras causas de cólicas na gravidez incluem: constipação, gases e relação sexual.

No primeiro trimestre da gravidez, as cólicas geralmente são leves e ocasionalmente necessitam de tratamento. Para aliviar esse incômodo, é recomendado que a gestante adote algumas medidas simples, como: praticar exercícios leves, tomar banhos mornos, realizar massagens suaves no abdômen, aumentar o consumo de água, comer alimentos leves e frequentemente, evitar alimentos gordurosos e ricos em carboidratos, adotar medidas de relaxamento, como yoga e meditação e diminuir o estresse.

Entre em contato imediatamente com seu médico, caso sinta cólicas acompanhadas de dor intensa que não melhora, dor abdominal com contrações, sangramentos, tonturas e cãibras com dor no pescoço e ombros.

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3. Endometriose

A endometriose é uma doença crônica dependente de estrogênio, que é caracterizada pela implantação ectópica de tecido funcional que reveste o útero (glândulas endometriais e estroma) fora da cavidade uterina, ou seja, as células do tecido que revestem o útero (endométrio), ao invés de serem expulsas com a menstruação, acabam se direcionando para o lado oposto.

Os sintomas mais comuns são: dor pélvica (semelhante a cólicas intensas), dor durante as relações sexuais, diarreia e infertilidade. 

Outros sintomas de endometriose incluem:

  • Períodos dolorosos: sensação de cólicas, dor ou latejamento na parte inferior do abdome durante o ciclo menstrual.
  • Sexo doloroso: desconforto ou dor durante, ou após a relação sexual.
  • Dor lombar: dor incômoda ou intensa na região lombar, que pode piorar durante o ciclo menstrual.
  • Períodos abundantes ou irregulares: fluxo menstrual mais pesado do que o normal ou períodos mais longos ou mais curtos do que o normal.
  • Dor pélvica entre os períodos: sensação de dor persistente ou intermitente na região pélvica, que pode ser agravada pela atividade física ou relação sexual.
  • Defecações dolorosas ou ao urinar: desconforto ou dor durante as evacuações, ou ao urinar.
  • Infertilidade ou dificuldade em engravidar: incapacidade de engravidar ou dificuldade em engravidar após um ano de tentativas de engravidar.
  • Fadiga: sensação de cansaço ou esgotamento extremo que não é aliviado pelo repouso.
  • Náuseas: sensação de enjôo no estômago com vontade de vomitar.
  • Diarréia: aumento da frequência de fezes moles e aquosas.
  • Constipação: movimentos intestinais pouco frequentes ou difíceis.
  • Inchaço: sensação de plenitude no abdome e/ou aumento do tamanho do abdome.
  • Spotting entre períodos: sangramento vaginal fora de um ciclo menstrual normal.
  • Infecções fúngicas frequentes ou infecções do trato urinário: infecções recorrentes da vagina (infecções fúngicas) ou do trato urinário.

O tecido endometrial cai com mais frequência nos ovários, mas também pode ser encontrado nas trompas de Falópio, no trato gastrointestinal e, menos frequentemente, na pleura, pericárdio ou sistema nervoso central.

O tratamento pode ser farmacológico, consistindo em anti-inflamatórios não esteroidais, progestágenos ou contraceptivos hormonais combinados, ou então tratamento cirúrgico.

4. Mioma

Miomas uterinos são neoplasias benignas muito comuns em mulheres em idade reprodutiva. São raros antes da puberdade e sua probabilidade aumenta à medida que as mulheres envelhecem, chegando a 80% em algumas mulheres antes da menopausa.

Embora benignos, os miomas podem ter um impacto significativo no bem-estar físico e mental diário das mulheres que possuem esse problema.

Os fatores de risco incluem: menarca precoce; obesidade; entrada tardia na menopausa; nunca ter tido filhos ou gravidez com perda gestacional; e histórico familiar de casos de miomas uterinos.

Os sintomas mais comuns envolvem sangramento uterino anormal, dor pélvica que se assemelha a cólicas, ruptura das estruturas pélvicas circundantes (intestino e bexiga) e dor nas costas.

Geralmente, os miomas uterinos são vistos em três locais importantes: fora do útero, dentro do miométrio e dentro da cavidade uterina.

O diagnóstico é realizado através de exame físico e ultrassonografia, que possuem alta sensibilidade para esta condição.

O tratamento visa diminuir os sintomas de sangramento e dor, com base em anticoncepcionais hormonais, agonista de GnRH e a administração de anti-inflamatórios não esteroidais. Com o aumento da gravidade dos sintomas, é recomendado o tratamento cirúrgico.

5. Doença Inflamatória Pélvica

A Doença Inflamatória pélvica (DIP) é uma inflamação no trato genital superior causada por uma infecção em mulheres, especialmente jovens e sexualmente ativas. Esse problema atinge o útero, as tubas uterinas, os ovários, a superfície peritoneal e demais estruturas relacionadas à região pélvica.

Os principais agentes infecciosos causadores são Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, mas Mycobacterium tuberculosis ou demais agentes causadores de vaginose bacteriana também podem ser responsáveis pela Doença Inflamatória Pélvica.

Sintomas incluem:

  • Corrimento vaginal anormal: pode se referir a qualquer tipo de corrimento diferente do corrimento vaginal normal e saudável. Pode ser aguado ou espesso, amarelo ou verde e pode ter um odor desagradável.  
  • Dor ou sensibilidade na parte inferior do abdômen: Refere-se a qualquer tipo de dor ou desconforto na região abdominal inferior. Pode ser agudo ou opaco e pode ser constante ou intermitente.  
  • Dor ou sangramento durante o sexo: Dor ou sangramento durante a relação sexual pode ser um sinal de doença inflamatória pélvica. A dor pode ser sentida na parte inferior do abdômen ou na área genital.  
  • Febre: A febre é um sinal de infecção e pode ser um sintoma de doença inflamatória pélvicca.  
  • Micção dolorosa ou difícil: A micção dolorosa ou difícil pode ocorrer como um sintoma de doença inflamatória pélvica. Isso pode incluir uma sensação de queimação ou sensação de pressão ao urinar.  
  • Sangramento vaginal incomum (fora do período menstrual): qualquer sangramento que não ocorra durante o ciclo menstrual normal pode ser um sinal de doença inflamatória pélvica. Isso pode incluir manchas ou sangramento após o sexo.  
  • Evacuações dolorosas: evacuações dolorosas podem ocorrer como um sintoma de doença inflamatória pélvica. Isso pode incluir cólicas abdominais, inchaço ou desconforto.  
  • Calafrios: Os calafrios podem ser um sinal de infecção e podem ser um sintoma de doença inflamatória pélvica.  
  • Náuseas e vômitos: Náuseas e vômitos podem ocorrer como sintoma de doença inflamatória pélvica. Isso pode ser acompanhado por cólicas ou dor abdominal.

O tratamento consiste na administração de antibióticos para eliminar os agentes causadores da infecção. Quando essa doença é diagnosticada e tratada da forma adequada, os resultados são muito promissores, mas quando é ignorada, pode haver complicações de curto a longo prazo.

Quadro prático: ciclo, sintomas e momento de avaliar

Sintomas ginecológicos mudam conforme fase do ciclo, gestação, intensidade e sinais associados. Organizar esses dados melhora a conversa clínica.

O que situarComo anotarQuando muda a urgência
TempoData da última menstruação, atraso, fase do ciclo ou gestação.Ajuda a localizar o sintoma no contexto correto.
SintomasDor, sangramento, corrimento, febre, tontura, enjoo ou alteração urinária.Separa desconforto leve de sinal de alerta.
AlertaDor forte, sangramento intenso, febre, desmaio ou piora rápida.Não deve esperar apenas a evolução natural.
  • Anote duração, intensidade e sintomas associados.
  • Na gestação, evite remédios ou chás sem orientação individual.
  • Procure atendimento se houver sangramento intenso, febre ou dor forte.


Conclusão

As dores pélvicas são tipicamente localizadas na região inferior do abdômen e podem ser classificadas em três quadros clínicos diferentes: dores pélvicas agudas ou não cíclicas, dores pélvicas cíclicas e dores pélvicas crônicas.

A cólica que ocorre fora do período menstrual pode ser considerada normal se for causada pela ovulação. Esses casos ocorrem em mulheres com ciclos regulares e cólicas menstruais.


Fontes úteis

  • MedlinePlus: temas de saúde

Fontes úteis

BARJON, K.; MIKHAIL, L. N. Uterine Leiomyomata. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

HOLESH, J. E.; BAIXO, O. N.; LORD, M. Physiology, Ovulation. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

MELO, G. H. R. et al. Doença Inflamatória Pélvica: fisiopatologia, investigação diagnóstica e manejo terapêutico. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 10, p. 98440-98453. 2021.

TSAMANTIOTI, E. S.; MAHDY, H. Endometriosis. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

Arquivado em: Ginecologia e Obstetrícia, Sintomas de A-Z

Dor nas costelas: causas, sinais e quando avaliar

15 de dezembro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Dor nas costelas depois de uma pancada, de uma crise de tosse ou de um esforço pode vir dos músculos entre as costelas, da cartilagem ou do próprio osso. A dor da parede do tórax costuma piorar ao virar na cama, apertar um ponto ou inspirar fundo. Dor do pulmão ou do coração também pode ser sentida nessa região.

Ligue para o SAMU pelo 192 se houver pressão ou aperto novo no peito que dura alguns minutos ou vai e volta, falta de ar intensa ou desmaio. A dor pode se espalhar para braço, mandíbula ou costas e vir com suor frio ou náusea. Não é preciso ter todos esses sintomas para pedir ajuda. Depois de um acidente importante, falta de ar que piora ou tosse com sangue também exige atendimento de emergência.

O que o jeito de doer pode indicar?

As costelas se movem tanto na respiração quanto nos giros do tronco. Uma contusão pode doer no mesmo ponto a cada inspiração, porque a caixa torácica se expande. Já um esforço novo pode deixar uma faixa de músculo sensível de um lado do tórax. A relação entre o início da dor e o que aconteceu pouco antes ajuda a escolher o que examinar.

A localização sozinha pode enganar. Uma dor percebida perto das últimas costelas pode vir da parte alta do abdome. Outra, mais perto da coluna, pode se espalhar ao longo de uma costela. O que acontece ao caminhar, tossir, encher o peito de ar ou girar os ombros pode ser mais esclarecedor do que chamar tudo de “dor do lado esquerdo” ou “do lado direito”.

Como começou O que pode explicar O que pesa na avaliação
Um ponto dolorido após carregar peso ou tossir Músculos entre as costelas ou articulações da parede torácica Mudar com um gesto e doer ao toque favorece essa origem. Isso, por si só, não afasta doença cardíaca.
Dor logo após queda ou pancada Contusão ou fratura de costela A força da pancada e a presença de falta de ar importam mais que o tamanho do hematoma.
Pontada ao inspirar, com febre e tosse Infecção respiratória ou irritação da pleura, membrana que envolve o pulmão Se falta ar ou a pessoa piora rapidamente, é preciso avaliar a respiração sem demora.
Ardência ou pele muito sensível de um só lado O herpes-zóster pode começar antes das bolhas Vestir a roupa ou encostar um lençol pode doer em uma faixa de pele.

Por que respirar bem é parte do tratamento

Quando a dor faz a pessoa respirar curto, tossir menos ou evitar movimento por muitos dias, a recuperação pode ficar mais lenta. Em causas musculoesqueléticas, controlar dor o suficiente para respirar profundamente e se mexer com segurança é um objetivo clínico. Se respirar fundo piora muito, se há falta de ar ou se a dor surgiu após trauma, a avaliação deve vir antes de insistir em alongamentos ou anti-inflamatórios.

O que diferencia dor muscular, contusão e costocondrite?

Dor muscular, costocondrite e irritação das articulações costovertebrais costumam piorar com movimentos, respiração profunda, tosse, esforço ou palpação. A costocondrite é inflamação da cartilagem que liga costelas ao esterno e pode causar dor no peito que assusta.

Estrutura Um exemplo de movimento que pode provocar dor
Músculos intercostais, entre uma costela e outra Tossir repetidamente ou girar o tronco para pegar um objeto ao lado pode desencadear desconforto numa faixa curta.
Junção da costela com o esterno, o osso da frente do peito Pressionar a articulação ou estirar a parte anterior do tórax ao levantar os braços pode reproduzir a dor da costocondrite.
Costela após um impacto Uma contusão e uma fratura podem doer de forma parecida ao deitar sobre o lado atingido ou inspirar fundo. A aparência da pele não diferencia as duas com segurança.
Junção da costela com a coluna torácica Girar o tronco ou ficar muito tempo numa posição pode provocar dor atrás, perto da escápula, e às vezes ao longo da costela.

Causas frequentes

Treino novo, movimentos repetidos e tosse intensa podem sobrecarregar músculos e articulações. Às vezes é fácil identificar o gesto depois do qual a dor começou. Em outros casos, ela aparece mais tarde, quando virar na cama ou alcançar uma prateleira exige de novo o mesmo movimento.

Fratura de costela pode ocorrer após queda, acidente, impacto esportivo ou tosse forte em pessoas com fragilidade óssea. Mesmo quando não há deslocamento, a dor pode limitar respiração e aumentar risco de complicações respiratórias em alguns pacientes.

Quando pensar além da costela

Problemas pulmonares podem causar dor ao respirar, tosse, febre ou falta de ar. Refluxo e alterações digestivas podem gerar queimação ou dor alta no abdome. Dor cardíaca pode aparecer como aperto, peso ou pressão, às vezes irradiando para braço, mandíbula, costas ou acompanhada de náusea e suor.

Em uma suspeita de problema cardíaco, um eletrocardiograma e, conforme o caso, exames de sangue ajudam a verificar lesão no coração. Já dor súbita ao inspirar acompanhada de falta de ar pode levar à investigação de um problema pulmonar. Uma tentativa de alongamento em casa não serve para distinguir essas situações.

Depois de uma pancada, quando procurar atendimento?

  • Acidente importante ou piora da respiração. Vá a uma emergência. Dor no abdome ou em um ombro depois de uma lesão no tórax também pode indicar comprometimento além das costelas.
  • Dor que impede inspirar fundo ou tossir. Mesmo que a pancada tenha parecido pequena, é preciso avaliar se há lesão associada e como aliviar a dor o suficiente para respirar.
  • Febre, calafrios ou catarro novo nos dias seguintes. Esses sintomas justificam avaliação de possível infecção, principalmente se a respiração ficou mais curta.
  • Pessoa idosa, com osteoporose, doença pulmonar ou em uso de anticoagulante. Uma queda da própria altura pode ter consequências maiores. O mecanismo da queda, a respiração e os medicamentos ajudam a definir a urgência.

Cuidados quando parece musculoesquelético

Se a dor é leve a moderada, localizada, surgiu após esforço e não há sinais de alerta, pode fazer sentido reduzir carga, evitar movimentos que disparam dor, manter respiração confortável e observar evolução. Analgésicos devem respeitar histórico clínico, especialmente estômago, rim, fígado, pressão alta, anticoagulantes e alergias.

Imobilizar o tórax de forma apertada por conta própria pode atrapalhar respiração. A meta é controlar dor o suficiente para respirar bem e se movimentar com segurança.

O que o exame físico procura?

Na avaliação O que pode esclarecer
Ausculta e esforço para respirar Respiração trabalhosa e alterações nos sons pulmonares mudam a suspeita de complicações.
Inspeção após trauma Hematoma, deformidade e lesões em outras regiões ajudam a avaliar o impacto. Uma pele de aparência normal não exclui fratura.
Palpação e movimentos do tórax O ponto em que dói e os movimentos que reproduzem a dor ajudam a localizar a parede torácica envolvida.
História da dor e do tratamento Dor que aparece ao caminhar e melhora em repouso exige uma investigação diferente de uma pontada que só surge ao girar um ombro. O uso de anticoagulante modifica a avaliação após trauma.

Exames e avaliação

Uma pancada isolada sem sinais de complicação nem sempre exige radiografia. Confirmar uma fratura simples pode não mudar o tratamento. Depois de uma queda importante, ou se há falta de ar, a imagem pode mostrar se há ar ou sangue ao redor do pulmão. A tomografia costuma ficar para situações em que se suspeita de lesão mais extensa.

Dor ao respirar: por que importa

Quando a dor impede respirar fundo, a pessoa passa a respirar mais curto. Isso pode ser apenas defesa por dor, mas também pode acompanhar fratura, pneumonia, pleurite, embolia ou outra causa que precisa exame. A intensidade, a presença de febre, tosse, falta de ar e trauma orientam a urgência.

Se houve pancada, queda ou acidente, a avaliação considera fratura de costela, lesão pulmonar e outros traumas. Em idosos e pessoas com osteoporose, traumas menores podem ter consequências maiores.

Costocondrite e dor muscular

Na costocondrite, a dor costuma ficar na parte anterior do tórax, perto do esterno, e pode piorar ao pressionar a articulação costocondral. Pode assustar porque fica próxima ao coração. Conseguir reproduzir a dor ao apertar a costela não exclui sozinho um problema no coração, mesmo em quem nunca teve doença cardíaca.

Dor muscular intercostal aparece após tosse, esforço ou movimento. Costuma piorar ao virar, levantar braço, tossir ou respirar profundamente. A melhora deve ser progressiva; piora apesar de redução temporária da carga merece reavaliação.

Herpes zoster e dor em faixa

Algumas dores nas costelas começam como queimação, formigamento ou sensibilidade em faixa, antes de aparecerem bolhas. Isso pode acontecer no herpes zoster. Em idosos, imunossuprimidos ou dor intensa, avaliação precoce é importante porque a janela para medicamentos específicos é limitada.

Quando procurar ajuda durante a recuperação?

O que mudou desde a pancada ou o esforço Próximo passo
A cada dia está mais fácil andar, dormir e inspirar, mesmo com alguma dor A retomada dos movimentos pode continuar conforme a tolerância.
A dor não permite respirar fundo ou piora em vez de melhorar Procure avaliação do tórax e do controle da dor.
Começou febre, tosse com catarro ou mal-estar crescente Procure atendimento para investigar infecção respiratória.
Surgiram falta de ar importante, piora rápida ou tosse com sangue após trauma Acione o SAMU 192 ou procure atendimento de emergência.

Recuperação e retorno

Depois de contusão ou fratura simples, a melhora costuma ocorrer ao longo de algumas semanas. O NHS cita duas a seis semanas como intervalo habitual, mas uma fratura mais extensa ou doença pulmonar pode mudar esse curso. Andar e mover os ombros dentro do tolerável permite manter a mobilidade. Carregar peso, praticar esportes de contato ou fazer um exercício que agrava claramente a dor pode precisar esperar.

A volta às atividades depende do que a costela já permite fazer. Aproximar uma almofada do peito ao tossir pode diminuir o desconforto. Enfaixar o tórax para impedir seu movimento tem outro efeito: limita a expansão das costelas e dificulta a respiração. Uma dor que continua impedindo inspirações profundas apesar do cuidado proposto merece reavaliação.

Quando a dor parece vir da coluna torácica

Costelas se articulam com a coluna. Irritação dessas articulações pode gerar dor em faixa, pontada ao girar o tronco ou desconforto perto da escápula. Em quem trabalha muito sentado, tosse por dias ou treina movimentos repetidos, essa hipótese pode aparecer.

Depois de uma queda, a dor na parte de trás do tórax merece o mesmo cuidado com a respiração que a dor na frente. Quando não houve trauma e a dor vem acompanhada de dormência ou fraqueza que progride, o exame também precisa considerar a coluna e os nervos.

Pessoas com maior risco

Em quem tem osteoporose ou usa corticoide há muito tempo, o osso pode fraturar com menos força. Em quem tem doença pulmonar, a dificuldade de tossir e respirar fundo pode pesar mais na recuperação. Dor progressiva à noite, perda de peso sem explicação, história de câncer ou imunossupressão também justificam avaliação, ainda que não tenha havido uma pancada.

Por que repetir analgésico pode ser ruim

Quando a pessoa precisa aumentar dose, misturar remédios ou tomar analgésico por muitos dias para respirar ou dormir, isso indica que a causa precisa ser revista. Remédio pode aliviar, mas também pode esconder piora, provocar sonolência, irritar estômago ou afetar rim e fígado.

Como perceber a melhora?

Conseguir virar na cama, tossir ou caminhar um pouco mais que na semana anterior costuma indicar melhora funcional. Nem sempre a dor desaparece por completo antes de esses movimentos ficarem mais fáceis. Se a evolução muda de direção, a respiração piora ou surge uma nova limitação, o problema merece ser examinado de novo.

Fontes

  • Cleveland Clinic: costochondritis
  • Mayo Clinic: costochondritis symptoms and causes
  • Cleveland Clinic: rib fracture
  • AAFP: costochondritis rapid evidence review
  • NHS — contusão e fratura de costela, sinais de agravamento e recuperação
  • Ministério da Saúde — indicações para acionar o SAMU 192
  • NHS — sinais de emergência na dor no peito
  • CDC — manifestações clínicas de herpes-zóster

Arquivado em: Fisiatria, Ortopedia, Sintomas de A-Z

Dor nas pernas ao correr pode ser canelite. Conheça os sintomas

15 de dezembro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Dor nas pernas ao correr pode ser canelite quando aparece na borda interna da tíbia, piora com aumento de treino e melhora com redução de carga. Dor pontual no osso, dor noturna ou incapacidade de apoiar exige investigar fratura por estresse.

Canelite ou fratura por estresse

AchadoMais compatível com caneliteMais preocupante
Local da dorFaixa mais longa na borda interna da tíbia.Ponto muito localizado e doloroso no osso.
Durante o treinoPiora com aumento de volume ou intensidade.Dor cada vez mais cedo e que impede continuar.
Depois do treinoMelhora com redução temporária da carga.Dor em repouso, à noite ou ao caminhar.
EvoluçãoResponde a redução de carga e reabilitação.Não melhora ou piora apesar de descanso.

Retorno à corrida

Voltar ao treino exige ausência de dor nas atividades diárias, progressão lenta de volume e intensidade, fortalecimento de panturrilha, quadril e pé, revisão do calçado e atenção ao terreno. Trocar corrida por bicicleta, natação ou elíptico por algumas semanas pode manter condicionamento sem repetir o mesmo impacto.

Quando investigar melhor

  • Dor muito localizada no osso, dor noturna ou dor ao caminhar.
  • Inchaço importante, piora progressiva ou incapacidade de apoiar.
  • Dor que não melhora com redução de carga.
  • Dor com sensação de pressão, dormência ou fraqueza durante o exercício.

As dores nas canelas (canelite), também conhecidas como síndrome do estresse tibial medial, são uma lesão comum por uso excessivo da parte inferior da perna.

Ocorre quando há muita pressão ou tensão nos músculos, tendões e tecido ósseo ao redor da tíbia ou da tíbia. Isso pode causar dor e desconforto na parte inferior das pernas, que podem variar de leve a grave.

É mais comumente visto em atletas e corredores que não conseguem aquecer ou esfriar adequadamente, ou que treinam demais sem dar tempo suficiente ao corpo para descansar e se recuperar.

As dores nas canelas são uma condição dolorosa e desconfortável que afeta muitos atletas e corredores, especialmente aqueles que são novos nessas atividades. É uma lesão por uso excessivo, o que significa que é causada por estresse repetitivo e tensão nos músculos, tendões e tecido ósseo ao redor da tíbia ou da tíbia.

Os sintomas de dores nas canelas incluem dor e sensibilidade na parte inferior das pernas e podem variar de leve a grave.

Essa lesão é geralmente causada por períodos inadequados de aquecimento e resfriamento antes e depois do exercício, bem como overtraining sem dar ao corpo descanso adequado e tempo de recuperação.

Felizmente, as dores nas canelas podem ser controladas e evitadas com alongamento, fortalecimento e treinamento adequados.

O que é canelite?

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A Síndrome de estresse do medial tibial é o outro nome pelo qual a canelite é conhecida. Sua nomenclatura está relacionada com a área afetada: o osso tibial. A localização deste é a região antero-medial da perna, explicando o motivo das dores na área.

Pergunte àquele seu amigo que era sedentário até outro dia e resolveu, de um dia para o outro, virar corredor de rua, se ele não sentiu nenhuma dor incômoda nas canelas no meio da sua prática esportiva.

Ou ainda ao outro colega, atleta de fim de semana, se ele sente algum sintoma nessa parte do corpo antes mesmo do segundo tempo da partida.

A canelite é uma dor típica de pessoas que iniciam atividade física de impacto e repetição, como a corrida, de uma hora para outra. O tema fica ainda mais comum em tempos de incentivo à vida ativa e aos hábitos saudáveis.

Ela também pode ocorrer em atletas frequentes, maratonistas ou corredores que aumentam demais as distâncias, não respeitam descanso ou retomam treinos após um período longe das pistas, ruas ou esteira.

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Causas comuns de canelite

causas-canelite

A dor, que não costuma ser grave e nem incapacitante (porém pode facilmente te levar à desistência da vida de atleta), também responde pelos nomes de periostite da tíbia ou por síndrome do estresse tibial, sendo ocasionada por excesso de carga na musculatura da região.

Quando o músculo já não aguenta mais a carga imposta pelo impacto imposto da prática, a membrana que envolve o osso da tíbia, chamada periósteo, inflama e causa dor, inchaço e, em determinadas situações, vermelhidão na região da canela. Por isso é chamada de canelite.

Esse “excesso de carga” ao qual nos referimos está relacionada à experiência do atleta, a mecânica correta (ou incorreta, no caso) do exercício e ao tempo de descanso entre os treinos. Um trajeto curto que pode causar dores significativas em um iniciante, por exemplo, talvez não faça nada a um corredor experiente com a periodização adequada dos treinos.

Causas comuns para a canelite são a pouca experiência no esporte – as dores tendem a cessar conforme o preparo físico e o nível de atividade aumentam -, o início repentino nos treinos, e fatores externos como superfícies duras demais ou irregulares, com muitas subidas e descidas.

Outra coisa que pode influenciar nas dores é a pronação excessiva, ou seja, o “desabamento” dos pés para o lado externo durante a prática da corrida. Isso está relacionado ao tipo de pisada de cada indivíduo e pode ser amenizado com um tênis próprio para esse tipo de pé.

O seu tipo de pisada pode ser testado em lojas de equipamentos de corrida ou por alguns médicos do exercício.

Tabela: Possíveis causas de canelite

CausaExplicação
Uso excessivo (overuse)Correr ou pular em excesso pode causar dores nas canelas.
Desequilíbrio muscularA fraqueza nos músculos da parte inferior da perna pode fazer com que eles fiquem sobrecarregados e tensos.
Calçado ruimUsar sapatos que não fornecem amortecimento ou suporte adequado pode aumentar o risco de dores nas canelas.
Poucos hábitos de treinamentoAumentar a quilometragem ou a intensidade muito rapidamente pode levar a lesões por uso excessivo, como dores nas canelas.
Correr em superfícies durasCorrer em superfícies duras, como concreto ou asfalto, pode sobrecarregar excessivamente a parte inferior das pernas.
Músculos tensosMúsculos tensos podem limitar a amplitude de movimento na parte inferior da perna, levando a um aumento do estresse na canela.
Má posturaA má postura durante a corrida ou outras atividades pode aumentar o risco de dores nas canelas.
Fraqueza muscularA fraqueza nos músculos das pernas pode levar a um aumento da tensão e estresse na canela.
Desequilíbrios EstruturaisDiscrepâncias no comprimento das pernas e deformidades nos pés podem aumentar o risco de dores nas canelas.
Lesão anteriorLesões anteriores na parte inferior da perna podem aumentar a suscetibilidade a dores nas canelas.

Características da dor de canelite

A dor causada pela canelite é fácil de ser reconhecida. O mais comum é que elas ocorram durante a prática de exercícios, mas melhores ao repouso, logo que você interrompe a prática. 

Em casos de inflamação mais intensa, que podem ocorrer, por exemplo, se o atleta ignora os primeiros sinais da dor e contínua com as corridas, a canelite pode passar a incomodar mais e por mais horas, mesmo após a atividade física, quando o corpo já está frio.

A complicação mais grave da inflamação, se não for tratada, é uma fratura por estresse da tíbia.

Sintomas da canelite

  • Dor ao longo da tíbia (tíbia): é uma dor aguda, ardente ou dolorida, sentida ao longo da parte frontal da perna, sendo a tíbia ou tíbia.
  • Inchaço da parte inferior da perna: o inchaço é um acúmulo de líquido no tecido da parte inferior da perna, que faz com que a área pareça maior do que o normal.
  • Sensibilidade ou dor na parte inferior da perna: Sensibilidade é uma sensação de sensibilidade quando a pressão é aplicada na parte inferior da perna, e dor é uma sensação de dor incômoda na parte inferior da perna.
  • Sensação de aperto na parte inferior da perna: é uma sensação de aperto na parte inferior da perna, que pode causar desconforto ou dor.
  • Dor que piora com o exercício: a dor associada às dores nas canelas pode aumentar com a atividade física, como correr, correr ou qualquer exercício físico que envolva a parte inferior da perna.
  • Dor que aumenta ao caminhar em superfícies duras: a dor associada a dores nas canelas pode aumentar ao caminhar em superfícies duras, como calçada ou concreto.
  • Dor que diminui ao descansar: a dor associada a dores nas canelas pode diminuir ou ser aliviada ao descansar, ou evitar atividades que envolvam a parte inferior da perna.
  • Fraqueza na parte inferior da perna: a fraqueza na parte inferior da perna pode ocorrer devido à dor e ao inchaço associados às dores nas canelas.
  • Amplitude de movimento reduzida no tornozelo: a dor e o inchaço associados às dores nas canelas podem reduzir a amplitude de movimento no tornozelo, dificultando em certos movimentos.

Diagnóstico da canelite

As dores nas canelas são tipicamente diagnosticadas por um exame físico e uma revisão do histórico médico do paciente. O exame físico pode incluir palpação da área afetada e testes de amplitude de movimento.

Exames de imagem, como raios-X, ultrassom ou ressonância magnética, também podem ser usados para auxiliar no diagnóstico, pois podem ajudar a detectar fraturas, fraturas por estresse ou danos aos tecidos moles.

ExameDescrição
Exame FísicoDurante um exame físico, o médico inspeciona a área da canela e sente qualquer sensibilidade ou inchaço.
Testes de amplitude de movimentoO médico pode pedir ao paciente para realizar certos movimentos para verificar a amplitude de movimento dos tornozelos e pés.
Raios-XOs raios X são usados para examinar os ossos em busca de sinais de fraturas ou fraturas por estresse.
UltrassomO ultrassom fornece uma imagem dos tecidos moles e pode detectar qualquer sinal de inflamação ou dano.
Ressonância Magnética da PernaUma ressonância magnética pode ajudar a detectar qualquer dano ou fratura nos tecidos moles. Ele fornece uma imagem detalhada da área afetada.

Outros diagnósticos diferenciais

Dores na canela que podem estar relacionadas com a prática do exercício, infelizmente, não se restringem à canelite. A tendinite, por exemplo, é uma patologia que pode ter sintomas parecidos com o da canelite, como dores que pioram com o movimento.

A condição é caracterizada pela inflamação de um tendão pela execução de movimentos repetitivos, seja na prática de atividade física, tarefas cotidianas ou no trabalho.

Pessoas que passam muito tempo no computador e utilizam demais o mouse, por exemplo, são vítimas comuns desse tipo de inflamação.

As causas das tendinites são variadas e podem estar associadas à presença de muitas condições como:

  • Esforço físico intenso ou repetido
  • Traumas
  • Infecções
  • Doenças reumatológicas
  • Doenças do sistema imunológico
  • Distúrbios metabólicos
  • Processos degenerativos das articulações
  • Neuropatias que induzam alterações musculares
Controle médico nas pernas em um centro de fisioterapia. Foto gratuita
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Tratamento da canelite

Reduzir temporariamente a carga de corrida, caminhada ou salto costuma ser o primeiro passo. Gelo pode aliviar dor nas primeiras fases, mas a recuperação depende de corrigir volume de treino, calçado, superfície, força da panturrilha e retorno gradual. Dor localizada que piora ao impacto, dor em repouso ou piora progressiva exige avaliação para excluir fratura por estresse e outras causas.

Mas você pode começar tentando usar frio local por curto período no local por alguns minutos para controlar a inflamação e massagear as panturrilhas para relaxar a musculatura da região.

Outra técnica que pode ser benéfica é tentar se equilibrar em um pé só, três vezes ao dia, durante 30 segundos.

O uso de meias compressivas pelos corredores também não é apenas estilo. O acessório, na verdade, melhora o retorno do sangue e ajudam a amenizar a inflamação.

Outro método bastante usado por esportistas para aliviar os sintomas de canelite – geralmente com orientação de um fisioterapeuta ou de um médico especialista – é o uso de fitas de kinesio, técnica conhecida como kinesiologia.

Segundo um estudo publicado no início deste ano (2019) no periódica científico The Journal Medicine and Physical Fitness, pessoas que usaram as kinesio tapes por uma semana relataram sentir menos dores quando comparadas àquelas que usaram palmilhas.

A pesquisa apontou também que a canelite representa 13% de todas as lesões causadas pela corrida – ou seja, é bastante significativa entre os praticantes do esporte.


Fisioterapia para reabilitação de canelite

Possibilidades no tratamento incluem:

  • Exercícios de alongamento e fortalecimento – Um fisioterapeuta pode fornecer alongamentos e exercícios para ajudar a fortalecer os músculos ao redor da canela, reduzindo o estresse e a pressão na área.
  • Terapia manual – Um fisioterapeuta pode usar técnicas de terapia manual, como massagem, mobilização articular e mobilização de tecidos moles para reduzir a inflamação e a dor na área afetada.
  • Ultrassom – O ultrassom pode ser usado para aumentar o fluxo sanguíneo e reduzir a inflamação na área. Tem efeito analgésico local.
  • Taping – Taping ao redor da área pode ajudar a apoiar os músculos e proporcionar alívio.
  • Terapia com gelo/calor – A terapia com gelo ou calor pode ser usada para reduzir a dor e a inflamação.
  • Órteses – Órteses feitas sob medida podem ser usadas para fornecer amortecimento e suporte.
  • Estimulação elétrica – A estimulação elétrica (como o TENS) pode ser usada para reduzir a dor e a inflamação.
  • Terapia a laser – A terapia a laser pode ser usada para aumentar o fluxo sanguíneo e reduzir a dor e a inflamação.
  • Educação e orientações – Um fisioterapeuta pode orientar, educar e mostrar exercícios adequados de alongamento e fortalecimento e como prevenir problemas futuros de dores nas canelas.


Acupuntura pode ajudar na canelite?

Você também pode considerar combinar tratamentos tradicionais da medicina ocidental com os da medicina oriental, como a aplicação de acupuntura. Um estudo publicado na revista “Diário de Medicina Chinesa”, em 2002, constatou que atletas submetidos às agulhadas relataram níveis de dor menores que os tratados com medicação anti-inflamatória.

O mesmo estudo ainda revelou que, para os atletas adeptos da acupuntura, as dores de canelite interferiram menos na prática e rendimento do esporte.

Benefícios do tratamento por acupuntura podem incluir:

  • Estimulação do fluxo sanguíneo local: a acupuntura aumenta a circulação sanguínea na área lesionada, o que pode reduzir a inflamação e o inchaço.
  • Redução da dor: a acupuntura pode ajudar a reduzir a dor causada por dores nas canelas, pelos seus efeitos analgésicos locais e sistêmicos. Pode ser usada também para prevenção e no recovery.
  • Liberação de endorfinas: a acupuntura pode ajudar a liberar endorfinas, os analgésicos naturais do corpo, ajudando a reduzir a dor e acelerar a cicatrização.
  • Melhoria da saúde muscular e do tecido conjuntivo: a acupuntura pode ajudar a melhorar a saúde dos músculos e do tecido conjuntivo ao redor da canela, o que pode ajudar a reduzir o risco de novas lesões.
  • Melhor equilíbrio muscular: a acupuntura pode ajudar a melhorar o equilíbrio muscular ao redor da canela, o que pode ajudar a reduzir o risco de novas lesões.
  • Flexibilidade e amplitude de movimento aprimoradas: a acupuntura pode ajudar a melhorar a flexibilidade e a amplitude de movimento dos músculos afetados, o que pode ajudar a reduzir o risco de novas lesões.



Como prevenir a canelite?

Para prevenir a canelite, seguir recomendações básicas é o suficiente para que ela deixe de ser um incômodo na prática do esporte.

Tente, por exemplo, se alongar antes e depois da corrida, para garantir a recuperação muscular após o treino.

Exercícios de fortalecimento da musculatura da perna e o uso de calçados adequados para a corrida, para o terreno no qual você a pratica e para seu tipo de pisada também são fundamentais não apenas para afastar esse problema, mas também outras lesões até mais graves que podem ocorrer com treinamento inadequado.

Vale frisar, ainda, a importância de se ter o acompanhamento de um profissional para iniciar no esporte e do respeito aos intervalos de descanso entre cada prática.

Um profissional de fisioterapia pode ajudar a prevenir dores causadas por desalinhamentos e mecânica incorreta do movimento por meio de exercícios, além de avaliar a necessidade ou não do uso de palmilhas e tornozeleiras para maior estabilidade nas passadas.

Lembre-se que negligenciar os cuidados acima, do cuidado do equipamento ao acompanhamento profissional, poderá acarretar, além de lesões, na queda do seu desempenho no esporte e até na abreviação de sua “carreira” na vida de atleta.

Fontes e leitura útil

  • AAOS OrthoInfo – Shin Splints

Arquivado em: Fisiatria, Medicina Esportiva

Rhodiola rosea: desempenho físico, benefícios e riscos

15 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

A Rhodiola rosea é uma planta, conhecida como raiz dourada, ou raiz de ouro, com propriedades medicinais que se destacam.

Mapa clínico: Rhodiola pode ser estudada para fadiga, mas não substitui sono, treino e diagnóstico

Em resumo: Rhodiola rosea é um suplemento usado por algumas pessoas para fadiga e desempenho, mas a qualidade dos produtos e a força das evidências variam. Antes de usar, vale revisar sono, treino, alimentação, ansiedade, medicamentos, pressão, palpitações e objetivos realistas.

Diagrama sobre Rhodiola com sono, descanso, carga de treino, produto e dose.
A causa da fadiga deve ser investigada antes de empilhar suplementos.
Fluxo visual antes de usar Rhodiola com ansiedade, insônia, pressão, palpitações e medicamentos.
Produtos naturais também podem causar efeitos indesejados.
ObjetivoPergunta útilCuidado
PerformanceO treino e a recuperação estão adequados?Evitar compensar excesso de treino.
FadigaExiste anemia, tireoide, sono ruim ou depressão?Investigar causa persistente.
SuplementaçãoProduto tem procedência?Revisar interações e efeitos.
  • Não use Rhodiola para mascarar fadiga persistente, perda de peso, febre ou falta de ar.
  • Evite combinar suplementos estimulantes sem orientação.
  • Suspenda e procure orientação se houver palpitação, insônia intensa, ansiedade pior, tontura, alergia ou pressão descontrolada.

Nota de segurança: suplemento não deve substituir avaliação médica quando a fadiga é nova, intensa ou progressiva.

Para continuar no tema: Nutrição | Teanina | Valeriana | Sono excessivo

Sendo assim, a Rhodiola rosea é uma planta que se adapta ao funcionamento do nosso organismo, contribuindo para as funções fisiológicas e metabólicas.

Dentre as suas propriedades mais conhecidas estão aumento da resistência física, redução dos níveis de estresse e contribuição para o funcionamento cerebral.

Contudo, além destas utilidades, a Rhodiola rosea é útil para muitos outros problemas de saúde como resfriados, depressão, anemia, dores musculares, fadiga mental e até impotência sexual.

Assim, ela é concentrada em farmácias e lojas de produtos naturais, sob a forma de extrato seco ou em cápsulas de diferentes variações de gramatura.

Por isso, veja a seguir um pouco mais sobre os principais benefícios do uso da planta para a saúde.

Benefícios da Rhodiola Rosea

BenefíciosDescrição
Aumenta o desempenho físicoRhodiola rosea demonstrou aumentar o desempenho físico e a resistência, bem como reduzir a fadiga e melhorar o tempo de recuperação após o exercício.
Melhora a função cognitivaRhodiola rosea demonstrou melhorar a memória, o foco e a concentração, além de reduzir a fadiga mental e melhorar o desempenho cognitivo geral.
Reduz o estresse e a ansiedadeRhodiola rosea demonstrou reduzir os níveis de estresse e ansiedade, além de melhorar o humor, a qualidade do sono e o bem-estar geral.
Melhora a função imunológicaRhodiola rosea demonstrou melhorar a função do sistema imunológico, reduzir a inflamação e aumentar a resistência à infecção.
Melhora a função sexualRhodiola rosea demonstrou melhorar o desempenho sexual, a libido e a satisfação sexual geral.

Melhora do Desempenho Físico

desempenho

Vários estudos apontam para a associação entre a ingestão de Rhodiola rosea e a melhora da performance esportiva.

Em um deles, um grupo de mulheres saudáveis receberam 1500 mg/dia da planta por 3 dias e 500mg, minutos antes do treino no quarto dia.

Então, o desempenho físico das mulheres foi melhorado, principalmente a potência anaeróbica que obteve um aumento significativo.

Contudo, em outro estudo, 14 atletas masculinos foram submetidos a um teste de exaustão cardiopulmonar.

Na ocasião, eles receberam 170 mg/dia de Rhodiola rosea por 4 semanas ininterruptas.

Ao final, os pesquisadores verificaram que os níveis de lactato e creatina quinase diminuíram consideravelmente entre os atletas que receberam a suplementação quando comparados ao grupo que não recebeu as cápsulas da planta.

Além disso, o estudo demonstrou uma redução dos parâmetros de lesão do músculo esquelético após as sessões de exercícios exaustivos.

Portanto, conclui-se que os benefícios de Rhodiola rosea para melhora da performance física e diminuição da fadiga são verídicos e comprovados cientificamente.

Redução do Estresse E Ansiedade

A Rhodiola rosea consegue atuar sobre a diminuição do estresse e também na ansiedade.

Tal benefício ocorre porque a planta contém compostos que aumentam a ação das endorfinas, substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar e controle das emoções.

Estímulo A Capacidade de Memória E Concentração

O uso de Rhodiola rosea pode ajudar quem tem problemas de concentração, memória e déficit de aprendizagem.

Isso porque a planta consegue fornecer um maior suprimento de sangue para o cérebro, melhorando o fluxo sanguíneo das regiões responsáveis pelo processamento e percepção das informações que recebemos.

Proteção do Coração

A Rhodiola rosea é rica em compostos antioxidantes que previnem o dano oxidativo das células do coração.

Dessa forma, a planta atua também controlando os batimentos cardíacos e a pressão das artérias devido aos antioxidantes existentes na composição química.

Aumento da Imunidade

A rosavina e salidroside são os principais compostos antioxidantes da Rhodiola rosea. Ambas contribuem para o aumento da imunidade devido ao caráter protetor que elas oferecem às células de defesa.

Todavia, existem estudos que afirmam que o uso cotidiano da planta pode promover aumento das células naturais killer e das células T, componentes indispensáveis para combater bactérias e agentes estranhos no organismo.

Por essa razão a Rhodiola rosea é vista como uma planta que melhora o nosso sistema imunológico.

Qualidade do Sono

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A Rhodiola rosea pode combater as desordens associadas à falta de sono. Todavia, estudos feitos em altas altitudes afirmaram que ela regula o ciclo de sono-vigília, sem causar sintomas como dormência ou moleza.

Por isso, a Rhodiola rosea pode contribuir para melhorar  a insônia e a dificuldade em dormir quando consumida algumas horas antes de deitar.

Controle do Diabetes

A infusão feita com as folhas de Rhodiola rosea é capaz de aumentar a eficiência da insulina, o que é fundamental para o controle da glicose no diabetes.

Além disso, seus compostos ativos ajudam a proteger as células produtoras de insulina, as células beta, impedindo o pâncreas de parar de produzir o hormônio.

Ao mesmo passo que alguns estudos afirmam que a planta diminui a absorção dos carboidratos, mantendo os níveis de glicose mais controlados e impedindo os picos de glicose que podem causar convulsões.

Combate a Depressão E Ao Cansaço Mental

Estudos sugerem que ingerir extrato de Rhodiola rosea pode diminuir o cansaço mental e físico diante de situações estressantes.

Então, o extrato quando ingerido por estudantes em épocas de prova ou mesmo trabalhadores noturnos  provou ser eficaz no combate a esse sintoma.

Alguns autores sugerem que seis semanas de tratamento com Rhodiola rosea pode atenuar os sintomas de depressão leve a moderada em pacientes diagnosticados.

Contra-indicações da Rhodiola Rosea

O uso de Rhodiola rosea não deve ser feito para pessoas que integram estes grupos:

  • Crianças;
  • Mulheres grávidas;
  • Mulheres amamentando;
  • Pacientes com quadros alérgicos recentes;

Qual A Dosagem Recomendada Para Obter Os Benefícios?

A medicina tradicional chinesa indica que para obter os benefícios da Rhodiola rosea para a saúde deve-se ingerir de 3 a 6 gramas do pó da raiz ao dia.

Contudo, na medicina atual, os médicos prescrevem a planta para todos os benefícios descritos acima.

Entretanto, a dose regularmente indicada é de 5 a 10 gotas do extrato de Rhodiola rosea de 2 a 3 vezes por dia.

Assim, deve-se tomar por 10 a 20 dias seguidos, cerca de 15 a 30 minutos antes das principais refeições.

Para tratamento coadjuvante de depressão, deve-se consultar um médico para estabelecer as doses para cada paciente.

Possíveis Efeitos Adversos

As doses de extrato ou suplementação de Rhodiola rosea nos estudos científicos demonstraram ausência de qualquer efeito colateral adverso em decorrência do uso equilibrado.

Porém, a indústria farmacológica sugere que o consumo de extrato de Rhodiola rosea acima de 1,5 grama por dia  pode causar insônia por vários dias seguidos.

Então, o uso de medicamentos preparados a partir da Rhodiola rosea são seguros para a saúde de modo geral.

Assim como é inexistente a evidência de que ocorra interação entre o consumo da planta e a absorção de nutrientes ou medicamentos.

O que significa que tanto o extrato, quanto as cápsulas ou o chá podem ser consumidos em conjunto com outros agentes nutritivos, ou medicamentos.


Conclusão

Rhodiola rosea é uma erva que tem sido usada para melhorar o desempenho físico e mental por séculos. Foi demonstrado que aumenta a resistência física e diminui a fadiga, aumenta o desempenho cognitivo, diminui o estresse e a ansiedade, estimula o sistema imunológico e melhora o desempenho sexual.

É mais comumente consumido como suplemento, mas também pode ser consumido como chá ou tintura. Rhodiola rosea pode interagir com certos medicamentos e não deve ser tomado em quantidades excessivas.

Antes de tomar Rhodiola rosea, é aconselhável consultar um profissional médico.

Fontes úteis

Fontes de apoio: NCCIH: Rhodiola | MSKCC: Rhodiola

Arquivado em: Nutrição

Fibras vermelhas e brancas: diferenças no músculo

15 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Fibras musculares vermelhas e brancas são formas simplificadas de falar sobre fibras de contração mais lenta e mais rápida. Na vida real, músculos têm mistura de tipos, e desempenho depende de treino, genética, idade, nutrição, sono, sistema nervoso e recuperação.

O que significa fibra vermelha e branca

Fibras tipo I, chamadas de lentas ou oxidativas, têm mais mitocôndrias, capilares e mioglobina. Por isso parecem mais “vermelhas” e resistem melhor à fadiga. Fibras tipo II geram contrações mais rápidas e potentes, com subtipos que variam entre perfil mais oxidativo e mais glicolítico. A divisão vermelho/branco ajuda a entender, mas simplifica demais.

Nenhum músculo humano é feito de um tipo único de fibra. Panturrilha, quadríceps, glúteos, costas e braços misturam fibras conforme função. O sistema nervoso recruta unidades motoras conforme a tarefa: postura, caminhada, corrida, salto ou levantamento pesado.

TipoCaracterísticaExemplos de uso
Tipo IMais resistente à fadiga.Postura, caminhada longa, endurance.
Tipo IIaRápida com alguma resistência.Treino intervalado, força moderada.
Tipo IIxMais explosiva e fatigável.Sprint, salto, esforço máximo.
MistoComportamento treinável.A maioria das atividades reais.

Treino muda fibras?

Treino não transforma uma pessoa em outro organismo, mas altera características musculares. Treino de resistência melhora capacidade oxidativa, capilarização e tolerância à fadiga. Treino de força e potência melhora recrutamento neural, área muscular, coordenação e capacidade de produzir força. Mudanças entre subtipos de fibras rápidas podem ocorrer com treinamento e desuso.

Por isso, não faz sentido dizer que alguém “nasceu só para endurance” ou “não tem fibra para força”. Genética importa, mas treino bem dosado muda desempenho de forma relevante.

Vermelhas: mais oxidativas e resistentes.
Brancas: mais rápidas e potentes.
Músculo real: mistura de tipos e controle neural.
Treino: adapta força, resistência e coordenação.

Como aplicar isso ao treino

Para saúde, combine força, condicionamento e mobilidade. Para performance, o treino precisa refletir a demanda: corredores precisam resistência e força; idosos precisam força rápida para evitar quedas; atletas de potência precisam explosão e descanso; pessoas com dor precisam progressão tolerável.

A fibra muscular é parte da explicação, não a explicação inteira. Sono, proteína suficiente, energia, recuperação e consistência muitas vezes pesam mais do que tentar classificar o corpo por tipo de fibra.

Por que isso importa para saúde, não só performance

Com envelhecimento, sedentarismo e doença, perde-se força, potência e massa muscular. Fibras rápidas tendem a ser especialmente importantes para levantar da cadeira, subir escadas, reagir a tropeços e evitar quedas. Por isso, treino de força e potência adaptada não é apenas estética; é prevenção funcional.

Fibras resistentes também importam para caminhar, manter postura e tolerar atividades longas. Um programa de saúde precisa das duas dimensões: capacidade de sustentar esforço e capacidade de produzir força quando necessário.

Treino por objetivo

Endurance melhora quando há volume aeróbico progressivo. Força melhora com resistência suficiente e progressão. Potência melhora com movimentos rápidos e seguros, quando a base permite. Hipertrofia depende de tensão mecânica, volume, proteína, energia e recuperação. Misturar estímulos é possível, mas a prioridade deve refletir o objetivo.

Para iniciantes, o melhor treino é o que pode ser repetido sem lesão. Para atletas, detalhes de intensidade, volume e descanso ficam mais importantes. Para pessoas com dor ou doença, adaptação e supervisão podem ser necessárias.

O que não concluir

Não conclua que uma pessoa “não tem fibra” para determinado esporte apenas pela aparência ou por um teste simples. Biópsias e testes laboratoriais não fazem parte da rotina da maioria. Na prática, consistência, programação e recuperação explicam grande parte da melhora possível.

Como isso aparece no dia a dia

Uma pessoa com boa resistência consegue caminhar por muito tempo, mas pode ter dificuldade para levantar carga pesada. Outra é forte em esforços curtos, mas cansa em atividades prolongadas. Essas diferenças refletem mistura de fibras, sistema nervoso, condicionamento cardiovascular, técnica e hábito de treino.

Em reabilitação, entender isso ajuda a escolher estímulo. Quem perde potência precisa treinar força rápida com segurança. Quem perde tolerância precisa construir base aeróbica. Quem tem dor precisa de progressão que respeite sintomas, sem abandonar fortalecimento.

Nutrição e recuperação

Músculo adapta quando recebe estímulo e recupera. Proteína suficiente, energia adequada, sono e descanso entre sessões influenciam força e resistência. Treino intenso com baixa recuperação aumenta fadiga e reduz qualidade do movimento. Fibras musculares não melhoram por teoria; melhoram por estímulo repetido e recuperado.

Mensagem prática

Para a maioria das pessoas, não é necessário descobrir a porcentagem de fibras. O que vale é treinar capacidades diferentes ao longo da semana: força, resistência, equilíbrio e potência adequada à idade. Essa combinação protege saúde muscular melhor do que focar em um tipo de fibra.

Se há queda de desempenho, perda rápida de força, dor persistente ou fadiga desproporcional, a explicação pode ser clínica, nutricional ou de recuperação, não apenas muscular.

Para quem está começando, o mais importante é construir base: duas a três sessões semanais de força, atividade aeróbica tolerável e descanso. O refinamento por tipo de fibra vem depois, se fizer sentido para esporte ou performance.

Consistência vence rótulos. Entender fibras ajuda, mas o corpo melhora com treino bem programado, alimentação suficiente e recuperação, não com classificação simplista.

Como isso aparece no treino

Fibras mais resistentes participam de esforços prolongados; fibras mais potentes participam de movimentos rápidos e intensos. A adaptação ocorre com estímulo repetido, progressão de carga e recuperação, mas há limites biológicos individuais.

ResistênciaTreinos aeróbicos e repetidos favorecem eficiência e tolerância ao esforço.
PotênciaForça, velocidade e explosão dependem de carga, técnica e recuperação.
SaúdeIdosos e pessoas sedentárias se beneficiam de força e equilíbrio, não só caminhada.

Fibras vermelhas e brancas são uma simplificação de tipos de fibras musculares com funções diferentes. Fibras mais resistentes à fadiga ajudam em atividades prolongadas; fibras mais rápidas participam de força e potência. O treino muda a capacidade do músculo, mas não transforma o corpo em um único tipo de fibra.

As fibras musculares do organismo são compostas por dois tipos principais: fibras vermelhas e fibras brancas.

Enquanto a fibra vermelha, também chamada de tipo 1 produz uma contração mais lenta, as fibras brancas, ou tipo 2, possuem uma contração mais rápida.

Por sua vez, as fibras vermelhas são mais vascularizadas, por essa razão possuem a cor mais avermelhada no músculo que as compõem.

As fibras vermelhas utilizam o oxigênio para produzir mais energia e são muito resistentes ao cansaço muscular, o que facilita na hora de praticar esportes de longa duração, como futebol ou corrida.

Em contrapartida, as fibras brancas apresentam uma contração mais rápida que possibilita movimentos potentes e mais ágeis.

Sendo assim, elas são mais importantes em atividades de impacto, como saltos, arranque ou esportes de força.

Do que as fibras musculares são formadas?

As fibras musculares são células pertencentes ao sistema muscular, que é composto por miofibrila, um conjunto de filamentos contráteis que contém miosina e actina.  

Dessa forma, esses filamentos de miosina e actina são proteínas que permitem a contração muscular, possibilitando o encurtamento ou alongamento de cada músculo do corpo.

No entanto, esses componentes precisam de nutrientes, oxigênio e energia para funcionar, daí a importância de serem alimentadas por minerais e glicose constantemente.

Então, minerais como potássio, magnésio e fosfato são essenciais para as atividades de qualquer fibra muscular.

Fibras vermelhas e fibras brancas: O que são e quais as diferenças entre elas

Com relação a geração de energia, a glicose e o oxigênio são indispensáveis, onde cada fibra muscular capta a energia proveniente deles através das mitocôndrias, que são responsáveis pela respiração celular, funcionando como se fossem usinas de energia.

Portanto, as fibras musculares são compostas por actina e miosina e a cor característica de cada uma, as classificam como fibras vermelhas e fibras brancas. 

Fibras vermelhas 

Apresentam um menor diâmetro e recebem maior aporte de sangue, que justifica a cor avermelhada deste tipo de fibra.

As fibras vermelhas funcionam melhor através da oxigenação, com atividade aeróbia constante e produção de energia às custas do oxigênio.

Além disso, elas possuem uma contração mais lenta, por isso também costumam ser chamadas de fibras lentas oxidativas.

São mais comuns em atletas de esportes aeróbicos de longa duração, como nadadores e corredores.

Contudo, as fibras vermelhas possuem uma maior dificuldade para a hipertrofia quando comparadas às fibras brancas, por exemplo. 

fibras vermelhas e fibras brancas

Fibras brancas 

Possuem um diâmetro maior e recebem menos fluxo sanguíneo, dando um aspecto esbranquiçado na coloração.

O metabolismo das fibras brancas é totalmente anaeróbico, ou seja, não depende de oxigênio, sendo mais atuantes em atividades de curta duração e alta intensidade.

Nesse sentido, quando precisamos desempenhar atingir  velocidade e a força é tipo de fibra que é utilizada, onde elas utilizam o glicogênio muscular como fonte de energia.

Por essa razão, a fadiga muscular acontece mais rapidamente em alguns esportes do que em outros.

Por serem mais grossas que as fibras vermelhas, as fibras brancas têm maior facilidade para aumentarem o volume, por meio da hipertrofia.

Sendo assim, atletas corredores de velocidade e levantadores de peso possuem mais fibras brancas do que fibras vermelhas, por exemplo.


Diferenças entre fibras vermelhas e brancas

  1. As fibras musculares vermelhas são compostas por fibras musculares de contração lenta, que são usadas para atividades como caminhar, correr e andar de bicicleta. As fibras musculares brancas são compostas por fibras musculares de contração rápida, que são usadas para atividades como corrida e levantamento de peso.
  2. As fibras musculares vermelhas têm uma alta capacidade aeróbica, o que significa que podem usar o oxigênio de forma eficiente para produzir energia. As fibras musculares brancas têm uma capacidade aeróbica baixa, o que significa que dependem da energia armazenada para produzir energia rapidamente.
  3. As fibras musculares vermelhas contêm uma grande quantidade de mioglobina, o que lhes confere a cor vermelha. As fibras musculares brancas não contêm mioglobina, e é por isso que aparecem brancas.
  4. As fibras musculares vermelhas têm uma taxa de contração lenta, o que significa que demoram mais para responder a um estímulo. As fibras musculares brancas têm uma taxa de contração rápida, o que significa que respondem rapidamente a um estímulo.
  5. As fibras musculares vermelhas são resistentes à fadiga. As fibras musculares brancas fadigam rapidamente.

Quando procurar avaliação

Procure orientação quando a dúvida alimentar envolve diabetes, doença renal, gestação, criança, perda de peso não intencional, alergia, transtorno alimentar, exames muito alterados ou uso de remédios que mudam apetite e glicemia. Nesses casos, porção, preparo e substituição precisam ser definidos com critérios.

Como acompanhar a evolução

  • Anote porção real, frequência semanal, preparo e o que esse alimento substitui.
  • Compare fome, saciedade, sintomas digestivos, glicemia ou exames quando forem relevantes.
  • Evite proibições amplas sem um motivo clínico claro.

O que isso muda no treino

Treinos de resistência melhoram eficiência, capilarização e tolerância ao esforço prolongado. Treinos de força e potência recrutam unidades motoras maiores e ajudam explosão, velocidade e preservação de massa muscular. Para idosos e pessoas em reabilitação, força e equilíbrio costumam ser tão importantes quanto condicionamento.

ObjetivoFoco prático
ResistênciaVolume progressivo e intensidade sustentável.
ForçaCarga controlada, técnica e recuperação.
PotênciaMovimentos rápidos, quando seguros e bem orientados.
EnvelhecimentoEvitar perda de massa, quedas e perda funcional.

Fonte: NCBI Bookshelf: skeletal muscle physiology.

Fontes usadas nesta revisão

  • NIH ODS: exercise and athletic performance
  • CDC: physical activity benefits
  • WHO: physical activity

Fontes e leitura útil

  • NCBI Bookshelf: Physiology, Skeletal Muscle
  • NCBI Bookshelf: Anatomy of Skeletal Muscle
  • PMC: muscle fiber type transitions with exercise
  • PMC: skeletal muscle fiber type review

Arquivado em: Artigos, Clínica Médica Marcados com as tags: fibras musculares, sistema muscular

Meralgia parestésica: queimação e dor na região anterolateral da coxa

15 de dezembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

O que é meralgia parestésica?

A meralgia parestésica é uma neuropatia, ou seja, um transtorno do sistema nervoso. Mais especificamente, ela atinge um nervo na região anterolateral da coxa.

A palavra meralgia está construída por dois termos originários do grego: meros e algos. O primeiro significa coxa e o segundo dor. Já parestesia é composta por para (se referindo a funcionamento anormal) e esthesia, que denota sensibilidade.

Essa condição clínica foi descrita em 1878 por Bernhardt (neuropatologista alemão) e depois renomeada em 1895 por Roth (neurologista russo). Por isso ela é também chamada síndrome de Bernhardt-Roth.

Vários nervos se projetam para o interior do corpo a partir da coluna vertebral. Um deles é o nervo cutâneo lateral femoral (NCLF). A função desse nervo é receber os estímulos sensoriais da parte anterior e lateral da coxa e levar esses estímulos ao cérebro, onde são interpretados.

O nervo cutâneo lateral femoral deixa a coluna e faz um trajeto para a parte baixa do corpo. Geralmente a partir das raízes lombares L2–L3, o nervo cruza o osso ilíaco, passa sobre o músculo da coxa chamado sartório e se divide em dois ramos: anterior e posterior.

Se algum trecho desse nervo sofre um trauma físico ou está sob compressão, o nervo passa a transmitir impulsos nervosos de forma desordenada. Então, aparecem sensações desagradáveis.

Sintomas de meralgia parestésica

meralgia-parestesica
Meralgia parestésica – dor e queimação na região anterior da coxa

A maioria dos acometidos por meralgia parestésica relata um ou mais desses sintomas:

  • Dor
  • Dormência ou formigamento
  • Coceira
  • Queimação ou sensação de frio.

Geralmente o problema aparece em uma perna, embora sintomas nos dois lados possam ocorrer. A intensidade varia de discreta a bastante incômoda e pode limitar atividades rotineiras.


Dores secundárias

Área de Dor na Meralgia Parestésica - Dor na Coxa
Fonte: Ivins, Gregory. Annals of Surgery (2000)

Algumas pessoas relatam dor também no quadril, joelho ou panturrilha. Esses locais não pertencem ao território sensitivo típico do nervo cutâneo lateral femoral e devem levar à reavaliação de outras causas, em vez de serem atribuídos automaticamente à meralgia.

Mudar a marcha para evitar dor pode causar desconforto em outros locais, mas não permite afirmar que dor abaixo do joelho seja apenas compensação. Fraqueza, dor lombar irradiada, alteração vascular, edema ou sintomas fora da coxa anterolateral precisam ser avaliados no contexto clínico.


Posições que aliviam a dor na meralgia

Os sintomas podem ser exacerbados quando o quadril é estendido e os pacientes podem evitar ficar ereto ou podem ter dificuldade para dormir.

Sentar-se pode aliviar os sintomas em alguns pacientes, mas exacerbá-los em outros.

Eventualmente, pode não haver posição que forneça alívio.

Frequência da meralgia parestésica

Dor e queimação na região lateral da coxa
Fonte: Cheatham et al. International Journal of Sports Physical Therapy (2013)

As estimativas de ocorrência variam conforme o país e o método. Um estudo populacional dos Estados Unidos encontrou 32,6 casos novos por 100.000 pessoas-ano; outro estudo de atenção primária nos Países Baixos relatou 4,3 por 10.000 pessoas-ano. Diabetes e obesidade apareceram associados em estudos observacionais, mas esses dados não provam a causa em uma pessoa.

Patogênese

A meralgia parestésica pode surgir após intervenções pélvicas ou inguinais, inclusive por laparoscopia, ou após retirada de enxerto ósseo da crista ilíaca. O mecanismo envolve lesão ou compressão do nervo próximo ao trajeto operado.

Além do contato direto com instrumentos ou estruturas da operação, o posicionamento prolongado pode comprimir o nervo. Isso ajuda a explicar relatos após procedimentos distintos, como cirurgia ortopédica, cesárea e correção de hérnia. A relação temporal é uma pista; o território sensitivo e o exame ajudam a distinguir essa neuropatia de outras causas de dor após cirurgia.

Algumas condições e hábitos resultam em uma compressão do nervo cutâneo lateral femoral. Nesse caso existe um fator físico envolvido. Por exemplo, depois de se submeter a uma cirurgia bariátrica, a maioria dos pacientes perde peso.

Essa perda de peso pode predispor o paciente à meralgia parestésica. Isso porque a camada de tecido adiposo protetora da região da virilha diminui. Então, o nervo cutâneo femoral lateral está mais exposto a pressões mecânicas.

O excesso de peso ou mesmo o ganho natural de peso durante a gestação pode resultar em compressão desse nervo.

Outros exemplos de fatores que levam ao desenvolvimento da meralgia parestésica:

  • Uso frequente de cintos e de roupas muito apertadas
  • Lesão por cinto de segurança durante um acidente
  • Desenvolvimento de tumor na região abdominal
  • Diabetes não tratada
  • Obesidade (Índice de massa corpórea acima de 30)
  • Alcoolismo
  • Hipotireoidismo
  • Exposição frequente a chumbo

Causas mais raras de fatores de risco para meralgia parestésica, de acordo com a literatura médica

  • Degeneração da sínfise púbica
  • Dismetria de membros inferiores
  • Em crianças – sarcoma osteóide, osteotomia pélvica e fraturas pélvicas
  • Fatores metabólicos – intoxicação por chumbo
  • Lepra
  • Iatrogenia em procedimentos ortopédicos


O que é o nervo cutâneo femoral lateral?

sacro e coccix
Anatomia do Sacro e Cóccix

O nervo cutâneo femoral lateral faz parte do plexo lombar.

É um nervo puramente sensitivo, em geral derivado de L2–L3. Fraqueza motora importante não é característica de meralgia e pede investigação de outra causa.

Classicamente, a meralgia parestésica é descrita como uma síndrome de disestesia ou anestesia na distribuição do nervo cutâneo femoral lateral

Os sintomas podem ser leves e resolver-se espontaneamente ou podem limitar severamente o paciente por muitos anos.

Diagnóstico

A meralgia parestésica, embora descrita há muito tempo, ainda se caracteriza por ser de diagnóstico desafiador.

O histórico do paciente, que é avaliado através das descrições dos sintomas e de seus hábitos, além do exame do local, é de extrema importância.

O motivo do nervo estar sendo comprimido, no caso dele não ter sido lesado, precisa ser elucidado. Então, o médico poderá solicitar exames com o objetivo de descartar patologias que estejam provocando a compressão.

Alguns dos exames são:

  • Radiografia do quadril e da região pélvica
  • Ressonância magnética
  • Eletroneuromiografia


Eletroneuromiografia para meralgia parestésica

O exame de eletromiografia consiste na disposição de eletrodos na forma de pequenas agulhas na coxa e no quadril. É pedido que o paciente realize alguns movimentos curtos afim de que os eletrodos detectem os sinais emitidos pelos músculos.

No exame de eletroneuromiografia, alguns sensores são colocados sobre a pele do paciente. Em seguida, ele recebe pequenos estímulos elétricos que ativam nervos e músculos. A resposta dessas estruturas é registrada pelos sensores e avaliada posteriormente.


Outros exames para afastar causas secundárias

Outros exames que podem ser necessários para eliminar doenças:

  • Exames de sangue para verificar se o paciente apresenta diabetes e/ou se uma gravidez ainda não percebida está em curso
  • Ultrassom pélvico ou abdominal pode ser útil conforme sintomas, mas não exclui endometriose nem confirma meralgia parestésica.
  • Ressonância magnética: é capaz de detectar tumores, processos inflamatórios

Neurografia por ressonância não é exame confirmatório de rotina; pode ser considerada quando há dúvida anatômica ou diagnóstica. Não há um percentual único de confiabilidade que permita usá-la para confirmar ou excluir meralgia isoladamente.

Um bloqueio do nervo cutâneo lateral femoral com anestésico local pode apoiar a hipótese em casos selecionados, mas não confirma o diagnóstico sozinho nem substitui exame e exclusão de outras causas.

Quando indicado, o profissional aplica anestésico próximo ao nervo cutâneo lateral femoral, com ou sem orientação por ultrassom. Alívio temporário é interpretado junto com território sensitivo, exame e hipóteses alternativas; um intervalo de tempo pré-definido não prova o diagnóstico.

Tratamento da meralgia parestésica

Estão disponíveis duas categorias de tratamento: conservador e cirúrgico. A maioria dos pacientes alcança uma melhora significativa ao se submeter ao tratamento conservador.

Tratamento inicial inclui

  • Uso de medicamentos anti-inflamatórios
  • Repouso e proteção da área
  • Redução de atividades que podem comprimir o nervo


Opções de Tratamento Farmacológico para Dor Recorrente e Dor Crônica

  • Medicamentos para dor neuropática: em sintomas persistentes, o médico pode discutir opções como antidepressivos tricíclicos ou gabapentinoides. A evidência específica para meralgia é limitada; escolha, dose, interações e efeitos adversos exigem prescrição e reavaliação.
  • Analgésicos: podem ser considerados para uma crise dolorosa conforme a causa e o histórico clínico. Opioides como codeína não são tratamento de rotina para meralgia parestésica e não devem ser iniciados sem avaliação.
  • Gabapentinoides: gabapentina ou pregabalina podem ser avaliadas em casos selecionados de dor neuropática, considerando benefício funcional, sonolência, tontura, edema, interações e reavaliação.
  • Medidas tópicas: alguns produtos tópicos podem oferecer alívio localizado em situações selecionadas, mas não eliminam a compressão nem substituem a investigação da causa.


Tratamento não farmacológico para Meralgia Parestésica

  1. Fisioterapia e movimento: podem ser discutidos quando a avaliação encontra limitação de mobilidade, padrão de movimento ou uma atividade que aumenta a compressão. A evidência específica é limitada, portanto o programa deve ter uma meta funcional individual, sem prometer alívio.
  2. Acupuntura: pode ser uma preferência de algumas pessoas para manejo de dor, mas faltam estudos específicos de boa qualidade para apresentá-la como tratamento comprovado de meralgia.
  3. Yoga: pode ser adaptada como atividade física geral se não agravar os sintomas; não há garantia de benefício específico para o nervo.
  4. Pilates: pode ser escolhido por preferência e tolerância, com adaptações para evitar posições ou faixas que comprimam a virilha; não é tratamento estabelecido por si só.
  5. Massagem: pode oferecer conforto muscular adjacente para algumas pessoas, mas não descomprime o nervo nem substitui investigação de sintomas persistentes.
  6. Calor ou frio: podem ser usados apenas como conforto, protegendo a pele e interrompendo se piorarem os sintomas. Não há evidência de que restaurem o nervo.
  7. Evitar compressão: roupas mais soltas, ajuste de cinto ou equipamento e revisão de uma atividade que agrava a dor são medidas conservadoras mais diretamente ligadas ao mecanismo de muitos casos.
  8. TENS: não tem benefício específico bem estabelecido para meralgia parestésica. Se for testado como recurso de conforto, deve ser acompanhado e não substitui a abordagem da causa.


Em casos de dor ou falha de tratamento – Bloqueio e infiltração para meralgia parestésica

Quando o manejo conservador não basta e o diagnóstico é compatível, pode-se discutir bloqueio do nervo cutâneo lateral femoral. Não é bloqueio de raiz nervosa e a indicação depende do território sensitivo, exame e causas alternativas.

O procedimento aplica anestésico ao redor do nervo, por vezes com corticosteroide, conforme avaliação especializada. A necessidade de repetir, a técnica e o intervalo não seguem um calendário universal: dependem de resposta, riscos e diagnóstico.


Vou precisar de cirurgia para meralgia parestésica?

Quando sintomas intensos e bem caracterizados persistem apesar de medidas conservadoras adequadas, uma equipe especializada pode discutir descompressão ou neurectomia do nervo cutâneo lateral femoral. A decisão considera mecanismo, território, perda sensitiva esperada, função, riscos e a limitação da evidência; não depende apenas de encontrar um “fator anatômico”.

Cirurgia é rara e pode ser discutida em sintomas persistentes e bem caracterizados, inclusive após trauma, conforme mecanismo, função e riscos.

Reabilitação de meralgia parestésica

Existem poucos estudos randomizados controlados na literatura.

Como o nervo é puramente sensitivo, não existe “reabilitação motora do nervo” nesta condição. Fisioterapia pode trabalhar uma limitação ou atividade associada quando encontrada na avaliação; ultrassom, laser e TENS não têm benefício específico comprovado para recuperar o nervo cutâneo lateral femoral.

Iliopsoas, reto femoral, sartório e tensor da fáscia lata podem ser examinados quando uma tarefa ou limitação de quadril participa dos sintomas. Não há uma lista fixa de músculos que precise ser “tratada” para todas as pessoas com meralgia.

Exercícios de mobilidade, força ou estabilidade podem ser selecionados para uma meta funcional identificada na consulta. Eles não devem ser usados para prometer descompressão do nervo nem atrasar investigação quando há sinais atípicos.

Quadro prático: território sensitivo, função e sinais de alerta

O território típico é a face anterolateral da coxa. O quadro ajuda a separar esse padrão de sinais que sugerem outra origem e merecem avaliação.

Ponto observadoO que anotarComo isso ajuda
TerritórioQueimação, formigamento ou dormência na face anterolateral da coxa, sem fraqueza.É compatível com o trajeto sensitivo do nervo cutâneo lateral femoral, mas ainda requer exame.
ContextoRoupas/cinto, ganho de peso, gestação, cirurgia, trauma, posição e atividades que pioram ou aliviam.Ajuda a procurar compressão e a escolher medidas conservadoras proporcionais.
AlertaFraqueza, dor lombar irradiada importante, alteração urinária ou intestinal, febre, edema, déficit progressivo ou trauma relevante.Esses achados não são explicados por um nervo puramente sensitivo e pedem avaliação sem demora.
  • Anote a distribuição da alteração sensitiva e a relação com roupas, posições ou carga; isso é mais útil que tentar identificar uma “fase” de lesão.
  • Afrouxar uma fonte de compressão e ajustar atividade é diferente de repouso completo ou de tratar por conta própria toda dor da perna como meralgia.
  • Procure avaliação sem demora se surgir fraqueza, déficit progressivo, sintomas abaixo do joelho com outros sinais neurológicos, febre, edema importante, alteração urinária/intestinal ou trauma relevante.

Fontes consultadas

  • Onat SS, Ata AM, Özçakar L. Ultrasound-Guided Diagnosis and Treatment of Meralgia Paresthetica. 2016.
  • Scholz C et al. Meralgia Paresthetica: Relevance, Diagnosis, and Treatment. 2023.
  • Parisi TJ, Mandrekar J, Dyck PJ, Klein CJ. Meralgia paresthetica: relation to obesity, advanced age, and diabetes mellitus. Neurology. 2011.
  • Grossman MG, Ducey SA, Nadler SS, Levy AS. Meralgia paresthetica: diagnosis and treatment. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons. 2001.
  • Cheatham SW et al. Meralgia paresthetica: a review of the literature. 2013.

Arquivado em: Neurologia

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