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Dor Crônica – O que é? Causas, Sintomas, e Patologias que podem causar

21 de março de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Dor que persiste ou recorre por mais de três meses é considerada crônica. Fibromialgia, dor lombar, cefaleias e algumas doenças inflamatórias são exemplos, com mecanismos e tratamentos diferentes. Localização, evolução, sintomas associados e perda de função orientam a investigação; a duração sozinha não identifica a causa.

Como a dor se torna persistente

Dor aguda frequentemente acompanha lesão ou inflamação e pode ter função protetora. Na dor persistente, ainda pode haver lesão, inflamação ou doença do sistema nervoso; em outros casos, mecanismos de sensibilização e modulação participam. Nenhum desses mecanismos é universal.

Nociceptiva, neuropática e nociplástica são descrições de mecanismos que podem orientar avaliação e tratamento. Uma pessoa pode ter mais de um mecanismo ao mesmo tempo.

Como a dor afeta a vida diária

Dor crônica pode afetar trabalho, sono, mobilidade e relações. Analgésicos e anti-inflamatórios têm indicações e riscos próprios; alguns medicamentos podem causar uso problemático, mas isso não permite chamar toda pessoa tratada de dependente nem substituir investigação clínica por uma explicação única.

  • Deficiência física – A dor crônica pode levar a deficiências físicas, incluindo músculos e articulações enfraquecidos devido à falta de atividade, redução da amplitude de movimento e diminuição da resistência. Essas deficiências podem complicar ainda mais a capacidade de um indivíduo realizar atividades diárias.
  • Diminuição da qualidade de vida – Pessoas com dor crônica podem sofrer uma diminuição na qualidade de suas vidas, pois podem não conseguir participar de atividades normais, como esportes, hobbies ou socialização. Isso pode levar a sentimentos de isolamento e depressão.
  • Redução do desempenho no trabalho – A dor crônica pode afetar a capacidade de um indivíduo de realizar o trabalho, levando à diminuição da produtividade, ausências e até mesmo perda do emprego.
  • Aumento do risco de problemas de saúde mental – Pessoas com dor crônica geralmente sofrem de depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental devido à sua condição. Esses problemas podem complicar ainda mais o processo de controle da dor crônica.

A dor persistente pode aumentar a necessidade de consultas, afastamentos e adaptações no trabalho. O impacto depende do diagnóstico, da intensidade e das condições de vida; duas pessoas com a mesma doença podem precisar de apoios diferentes.

A prevalência de dor crônica varia muito conforme a definição, a população e o método de pesquisa. Esses números não devem ser usados para estimar o risco individual.

O acesso ao tratamento, as exigências profissionais e o apoio social influenciam a possibilidade de recuperar atividades. Avaliar esses fatores ajuda a construir um plano viável, sem atribuir a persistência da dor a falta de esforço.

Dor, nocicepção e sofrimento

A IASP define dor como experiência sensitiva e emocional desagradável associada, ou semelhante à associada, a lesão tecidual real ou potencial. Dor e sofrimento se influenciam, mas não são sinônimos: sofrimento é o impacto pessoal e social da experiência dolorosa.

A dor aguda é aquela que ocorre em resposta a um estímulo nocivo, sendo importante para alertar o indivíduo sobre possíveis lesões e funcionando como um mecanismo de defesa.

A classificação distingue dor crônica primária de formas secundárias, incluindo as relacionadas a câncer, cirurgia ou trauma, doenças neuropáticas, cefaleias e doenças viscerais ou musculoesqueléticas. Na forma primária, sofrimento emocional ou limitação funcional acompanham a dor, sem outra condição que explique melhor o quadro; isso não elimina a possibilidade de doenças coexistentes.

Dor crônica, depressão e comorbidades

A relação entre dor crônica e depressão é complexa, e ainda não se sabe exatamente o que causa o quê. Em algumas situações clínicas, a dor crônica pode levar a um quadro de depressão, enquanto em outras, a depressão pode preceder e contribuir para o desenvolvimento da dor crônica.

Além disso, é possível que dor crônica e depressão coexistam como comorbidades, com um quadro clínico influenciando e agravando o outro.

O papel do sistema nervoso e a percepção da dor

A atividade do sistema nervoso participa da percepção da dor, que também é influenciada por experiências anteriores, atenção, emoções e contexto. Isso não transforma a dor em uma escolha. Sofrimento é uma dimensão mais ampla, relacionada ao que a experiência representa e às perdas que provoca; não é outro nome para a percepção dolorosa.

Sensibilização e Cronificação da Dor

Sensibilização descreve aumento da resposta do sistema nociceptivo. Ela pode contribuir para alguns quadros persistentes, mas não é uma explicação obrigatória para toda dor crônica. Maior dor diante de um estímulo doloroso e dor provocada por um estímulo normalmente indolor são manifestações diferentes, que não identificam sozinhas o mecanismo envolvido.

Vários mecanismos contribuem para a sensibilização, incluindo:

  • Sensibilização periférica: mediadores da inflamação podem reduzir o limiar e aumentar a resposta de nociceptores no tecido. Esse processo ajuda a explicar a sensibilidade de uma região inflamada, sem demonstrar que toda dor persistente mantém inflamação local.
  • Sensibilização central: corresponde ao aumento da resposta de neurônios nociceptivos no sistema nervoso central. A interpretação clínica exige contexto; um sintoma isolado não mede diretamente a atividade desses neurônios.
  • Modulação descendente: redes do cérebro e do tronco encefálico podem inibir ou facilitar a transmissão nociceptiva. Alterações desse equilíbrio são investigadas em grupos de pacientes, com variação entre doenças e pessoas.

Esses processos podem coexistir e contribuir para dor que continua após a recuperação de uma lesão. Em outras situações, a dor persiste porque há doença ativa, inflamação ou lesão nervosa. Identificar uma possibilidade não elimina a necessidade de procurar as demais quando a história e o exame indicam.

Plasticidade é a capacidade de o sistema nervoso modificar sua atividade. Algumas mudanças podem favorecer persistência da dor; outras participam da adaptação e recuperação. A passagem de três meses define a duração crônica, mas não comprova uma mudança estrutural irreversível no cérebro.

Distinguir mecanismos ajuda a escolher o tratamento. Dor nociceptiva envolve dano ou ameaça a tecido não neural; dor neuropática decorre de lesão ou doença do sistema somatossensorial; dor nociplástica envolve nocicepção alterada sem evidência clara suficiente daqueles mecanismos para explicar o quadro. Combinações são possíveis.

Dor aguda frequentemente sinaliza uma agressão recente. Já uma dor persistente pode perder parte dessa relação direta com o dano inicial, ou acompanhar uma doença ainda ativa. Intensidade, duração e achados de imagem precisam ser interpretados em conjunto: uma imagem alterada não mede sofrimento, e imagem normal não invalida a dor.

O componente emocional da dor crônica é significativo e pode contribuir para quadros de depressão e ansiedade. A dor crônica também pode levar a mudanças comportamentais e reduzir atividade, sono e participação social, o que pode perpetuar incapacidade e sofrimento. Isso ocorre tanto no nível neurofisiológico quanto no psicológico e emocional.

O plano pode combinar tratamento da doença de base e recuperação de função. Se predominam limitação física, sono ruim ou sofrimento emocional, essas necessidades são abordadas de maneira específica. A equipe acompanha atividades concretas — caminhar, trabalhar, dormir — além da intensidade da dor, e revê o diagnóstico quando surgem sinais novos.

Papel do Sono na Dor

Sono insuficiente e dor podem se reforçar. Estudos experimentais mostram mudanças de sensibilidade após privação de sono, enquanto pacientes com dor também podem dormir pior. Isso não permite concluir que toda dor resulta de insônia ou que regular o sono elimina a causa.

Ansiedade, depressão e preocupação persistente com a dor podem afetar sono, atividade e enfrentamento. O cuidado psicológico busca reduzir sofrimento e ampliar recursos para lidar com sintomas; sua indicação não exige considerar a dor imaginária ou exclusivamente emocional.

1- FIBROMIALGIA

Fibromialgia costuma combinar dor generalizada, fadiga, sono não reparador e dificuldades cognitivas. A intensidade e o impacto variam. O diagnóstico é clínico, considerando o conjunto de sintomas e a possibilidade de outras doenças coexistentes.

A fibromialgia envolve alterações do processamento da dor, com participação de fatores biológicos e ambientais. Não é definida como inflamação dos músculos nem por deficiência obrigatória de um neurotransmissor. Exames são escolhidos para esclarecer hipóteses alternativas, não para procurar um marcador único de fibromialgia.

FisiopatologiaExplicação
Desregulação NeurológicaMudanças na forma como o sistema nervoso processa os sinais de dor
Sensibilização CentralPercepção aumentada da dor devido ao aumento da sensibilidade no sistema nervoso central
Modulação por neurotransmissoresSistemas como serotonina e noradrenalina participam da modulação da dor; isso não implica um déficit mensurável e uniforme em todas as pessoas com fibromialgia.
Hipóteses em estudoAlterações neuroendócrinas e imunológicas foram estudadas, mas não definem uma causa única nem um exame diagnóstico de fibromialgia.
Distúrbios do sonoAlterações nos padrões de sono, como dificuldade em adormecer, despertar frequente e dificuldade em manter o sono
Condições que podem coexistirDeficiências específicas e distúrbios endócrinos podem causar sintomas próprios e são investigados quando a história ou o exame sugerem; não são causa estabelecida de toda dor crônica

Educação, exercício adaptado e terapia psicológica podem integrar o tratamento conforme necessidade e preferência. Em um ensaio de 2017, 230 adultos com fibromialgia participaram de oito sessões de terapia de consciência e expressão emocional (EAET), TCC ou educação. Aos seis meses, a EAET não foi superior à TCC no desfecho principal de intensidade da dor nem na maioria dos resultados secundários. Houve vantagens em alguns resultados secundários, o que não demonstra superioridade geral nem equivale a apenas “desabafar”.

Opções de tratamento incluem:

  • Exercício – Participar de atividades físicas regulares, como exercícios aeróbicos de baixo impacto, pode ajudar a reduzir a dor e a fadiga associadas à fibromialgia.
  • Manejo de estresse – Técnicas de relaxamento, como ioga, atenção plena e tai chi, podem ajudar a reduzir os níveis de estresse.
  • Higiene do sono – Criar uma rotina calmante na hora de dormir e evitar telas antes de dormir pode ajudar a melhorar a qualidade do sono.
  • Alimentação – Uma alimentação adequada apoia saúde geral; não há dieta comprovada para curar fibromialgia.
  • Calor ou frio – Podem trazer alívio temporário a algumas pessoas, sem tratar a causa da síndrome.
  • Massagem – Pode ser uma estratégia de conforto para algumas pessoas; benefício e tolerância variam.
  • Acupuntura: pode ser considerada como complemento para alívio, com benefício variável e evidência menos consistente que a de exercício adaptado; não há promessa de tratar a causa da fibromialgia.
  • Terapia cognitivo-comportamental – A TCC pode ajudar a reduzir a dor e melhorar o humor ensinando estratégias de enfrentamento e identificando padrões de pensamento negativo.

Vídeo sobre Fibromialgia

Mulher com as mãos nas têmporas

2- DOR PÉLVICA CRÔNICA:

Dor pélvica crônica pode ou não variar com o ciclo menstrual. Endometriose, alterações urinárias, intestinais, musculoesqueléticas e neuropáticas são exemplos de possibilidades que precisam ser diferenciadas pela história e pelo exame.

A frequência varia entre estudos e não define a causa de uma dor individual. Estratégias psicológicas podem integrar o cuidado, mas não substituem a investigação de causas ginecológicas, urinárias, intestinais, musculoesqueléticas ou neurológicas.

FisiopatologiaExplicação
Inflamação NeurogênicaMediadores liberados por terminações nervosas podem participar da inflamação e da sensibilidade em certos quadros; não é mecanismo demonstrado em toda dor pélvica crônica.
Pontos-gatilho miofasciaisFaixas apertadas de fibras musculares localizadas nos músculos pélvicos que podem causar dor referida quando comprimidas.
Dor NeuropáticaDor decorrente de lesão ou doença do sistema somatossensorial; sintomas e distribuição ajudam a investigar nervos envolvidos, sem atribuir toda dor pélvica a neuropatia.
Hipersensibilidade visceralUm aumento da sensibilidade dos órgãos internos, que pode causar dor quando submetido a pressão ou estimulação fisiológica normal.
Fatores hormonais e do cicloA relação com o ciclo pode orientar a investigação, inclusive de endometriose; não permite atribuir toda dor pélvica a um “desequilíbrio hormonal”.
Pessoa com desconforto abdominal

3- SINDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL:

Síndrome do intestino irritável combina dor abdominal recorrente e alteração do hábito intestinal. O diagnóstico considera o padrão de sintomas, sinais de alarme e possibilidades alternativas. Sangramento, perda de peso involuntária ou anemia exigem investigação; não são atribuídos automaticamente à síndrome.

Estratégias de alimentação, rotina, manejo de estresse e medicamentos podem ser consideradas conforme o subtipo e a avaliação clínica.

Pessoa com dor nas costas

4- DOR LOMBAR:

Dor lombar é comum, mas sua evolução varia e percentuais gerais não predizem quem terá dor persistente. Piora progressiva, febre, trauma relevante, perda de força ou alterações urinárias/intestinais precisam de avaliação rápida.

Na lombalgia crônica primária, educação, exercício e programas adaptados à pessoa são componentes do cuidado. Algumas terapias adicionais oferecem alívio sintomático, com diferenças entre diretrizes. A escolha depende do objetivo, da resposta e dos riscos; não existe uma técnica que corrija uma causa única de todas as lombalgias.

  • Exercício – Atividades de baixo impacto como ioga, tai chi e pilates podem ajudar a melhorar sua flexibilidade, força e amplitude de movimento.
  • Fisioterapia: avalia movimentos e tarefas limitados, organiza progressão de exercícios e adapta cargas. Força, resistência e confiança no movimento podem ser trabalhadas sem impor uma postura ideal.
  • Calor ou frio: podem oferecer conforto temporário para algumas pessoas. É preciso proteger a pele e evitar temperaturas extremas, especialmente se houver sensibilidade reduzida; alívio não comprova redução de inflamação.
  • Medidas não invasivas – A massagem pode ajudar a reduzir a tensão muscular e reduzir a dor.
  • Acupuntura: pode ser considerada para alívio em situações selecionadas, conforme diretriz e preferência. A resposta é variável e não substitui investigação ou atividade progressiva.
  • Terapia manual: pode integrar um plano com exercício, com objetivo de alívio e melhora de função. Não demonstra reposicionamento permanente da coluna nem correção obrigatória de postura.
  • Técnicas de relaxamento – Técnicas de relaxamento como meditação e exercícios respiratórios podem ajudar a reduzir o estresse e melhorar seu bem-estar geral.
  • Ioga: combina movimentos, respiração e atenção. As posições precisam ser adaptadas à capacidade e aos sintomas; não é necessário executar posturas difíceis para participar.

Medicamentos para dor lombar dependem da hipótese, duração, outras doenças e riscos. AINEs podem ter lugar em situações selecionadas, mas não são isentos de efeitos gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Relaxantes musculares e opioides não são solução padrão para dor persistente; a necessidade de qualquer um deve ser reavaliada com o profissional que acompanha o caso.

Ilustração de sintomas dolorosos

5- DORES DE CABEÇA

Cefaleias têm causas e tratamentos diferentes. Início súbito e muito intenso, febre, rigidez de nuca, déficit neurológico, alteração visual nova ou mudança importante de padrão exigem avaliação urgente.

Causa da dor de cabeçaSintomas detalhados
EnxaquecaDor latejante e pulsante, geralmente em um lado da cabeça, náusea, vômito, sensibilidade à luz/som
TensionalUma pressão surda e não latejante, frequentemente sentida em ambos os lados da cabeça, dor no pescoço e nos ombros
ClusterDor intensa, muitas vezes unilateral, geralmente ao redor dos olhos, congestão nasal, rubor facial, lacrimejamento dos olhos
Uso excessivo de medicamentosCefaleia em pelo menos 15 dias por mês, em pessoa com cefaleia prévia e uso excessivo regular de medicação por mais de três meses. O padrão pode ser tensional ou migranoso.
CervicogênicoDor referida da coluna cervical, geralmente iniciada no pescoço e irradiando para a cabeça; piora pode ocorrer com movimento cervical.

6- Doenças inflamatórias, autoimunes e neurológicas: quando a dor pede investigação específica

Lúpus e artrite reumatoide podem produzir dor por inflamação. Outras doenças afetam nervos, glândulas ou intestino e exigem investigação própria. A tabela reúne padrões que ajudam a orientar essa investigação; não permite diagnosticar uma doença a partir de fadiga ou dor isoladas.

Apoio psicológico, estratégias de atenção plena ou biofeedback podem ser discutidos para lidar com estresse, humor e sintomas persistentes. Eles não substituem tratamento dirigido à doença autoimune ou neurológica quando ela está presente.

Em um pequeno estudo com 40 pessoas com esclerose múltipla remitente-recorrente, treinamento de relaxamento foi comparado com o mesmo treinamento acrescido de biofeedback. Não houve diferença entre os grupos em ansiedade e depressão ao final; melhoras observadas dentro de um grupo não demonstram, sozinhas, vantagem do biofeedback. Essas intervenções abordam sintomas e enfrentamento, sem substituir o tratamento da esclerose múltipla.

Condição a diferenciarSintomas
Lúpus Eritematoso SistêmicoFadiga, dor e inchaço nas articulações, erupções cutâneas, febre, anemia, queda de cabelo
Artrite ReumatoideDor e inchaço nas articulações, rigidez, fadiga, febre, anemia
PsoríaseLesões de pele vermelhas, escamosas e irregulares
Síndrome de SjögrenOlhos e boca secos, fadiga, dor nas articulações, erupções cutâneas, glândulas salivares inchadas
Tireoidite de HashimotoQuando há hipotireoidismo: fadiga, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca, constipação e dores musculares/articulares; pode não haver sintomas no início.
Doença de GravesPerda de peso, tremor, intolerância ao calor e palpitações; algumas pessoas apresentam alteração ocular, como olhos proeminentes ou visão dupla.
Doença CelíacaDiarreia, inchaço, dor abdominal, fadiga, anemia, perda de peso
Diabetes Tipo 1Sede e micção excessivas, fadiga, visão embaçada, perda de peso
Doença de AddisonPerda de peso inexplicável, fadiga, fraqueza muscular, pressão arterial baixa, escurecimento da pele
Esclerose MúltiplaDormência e formigamento, distúrbios visuais, fraqueza muscular, fadiga, comprometimento cognitivo
Doença Inflamatória IntestinalDiarréia, dor abdominal e cólicas, fadiga, perda de peso, anemia, febre
Polimialgia reumáticaDor e rigidez em ombros, pescoço e quadris, sobretudo após repouso, em geral após os 50 anos. Cefaleia nova precisa de avaliação rápida; alteração visual exige atendimento imediato por possível arterite associada.
Síndrome de Guillain-BarréFraqueza progressiva, por vezes após infecção, com alterações sensitivas; dificuldade de respirar ou engolir exige atendimento imediato.
Miastenia GravisFraqueza flutuante, visão dupla ou queda das pálpebras; comprometimento respiratório ou de deglutição exige atendimento imediato.

Referências

  • IASP — terminologia da dor
  • NICE NG193 — dor crônica
  • ACR — fibromialgia
  • ACOG — dor pélvica crônica
  • ACP — diretriz de lombalgia
  • Finan et al., 2013 — sono e dor
  • Lumley et al., 2017 — EAET, TCC e educação em fibromialgia
  • Biofeedback e esclerose múltipla — ensaio
  • NIDDK — síndrome do intestino irritável
  • ICHD-3 — cefaleia tensional
  • ICHD-3 — enxaqueca
  • ICHD-3 — cefaleia em salvas
  • ICHD-3 — uso excessivo de medicamentos
  • ICHD-3 — cefaleia cervicogênica

Arquivado em: Dor, Neurologia

Lesões esportivas comuns: prevenção e sinais

21 de março de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

As lesões esportivas mais comuns variam por modalidade, carga de treino, idade, técnica, sono, recuperação e histórico prévio. O mais importante não é decorar a lista, e sim reconhecer dor que muda função, inchaço, perda de força, instabilidade ou retorno rápido demais ao treino.

O termo lesão esportiva, no sentido mais amplo, refere-se aos tipos de lesões que ocorrem mais comumente durante a prática de esportes ou de exercícios.

Algumas lesões esportivas resultam de acidentes; outras se devem a execução errada durante um treino, equipamento inadequado, falta de condicionamento, ou aquecimento e alongamento insuficientes.

Toda vez que você pisa em campo, seja qual for o esporte ou exercício e independente da localização, sempre correrá o risco de algum tipo de lesão.

Por mais remota que seja essa possibilidade, a qualquer momento, o desgaste repetido do seu corpo acaba se acumulando, levando a um estresse excessivo nos músculos e articulações que levam a lesões.

Por via de regra, ouça seu corpo e faça o melhor possível para distinguir a dor boa (como a fadiga comum), das dores, formigamentos e choques ruins; a fadiga excessiva.

Esforçar-se para fazer as últimas repetições pode parecer uma boa ideia a curto prazo, mas pode arruinar o progresso a longo prazo com uma lesão prejudicial e persistente.

Veja também: lesões mais comuns em maratonistas.

File:Projectional radiography of calcaneal spur.jpg - Wikimedia Commons

1. Fascite Plantar

Muitas vezes é o resultado indesejado de estresse repetido nos pés, a fascite plantar é uma condição dolorosa que ocorre quando o tendão que se estende ao longo do arco do pé sofre tensão, provocando a sensação de aperto e de que ele não está tão flexível como deveria.

Os sintomas variam, mas muitos com a condição relatam sentir dores incômodas ou mesmo agudas a cada passo dado. Que por sua vez, é algo que poderia fazê-lo ter ciúmes de alguém capaz de andar sem dor, então faça tudo ao seu alcance para evitá-lo.

Causas:

Um regime que inclui muita corrida ou arrancadas é, muitas vezes,  a causa.| Junte isso a outros fatores como ter pés chatos ou usar calçados inadequados que não fornecem apoio suficiente, e terá uma receita para o desastre. Outros fatores podem incluir: obesidade, trauma ou algo simples como permanecer tempo demais de pé — daí a razão pela qual já foi chamada pelos americanos de “calcanhar do policial”.

Dicas de reabilitação:

Infelizmente, a fascite plantar não desaparece do dia para a noite. É um processo gradual, e é necessário ser paciente. Role o arco de seu pé sobre uma bolinha, uma garrafa de água congelada, ou um rolo de massa por cinco minutos de cada vez, para esticar o tendão tensionado. Usar à noite uma tala prescrita por um podólogo, trocar os tênis a cada dois meses, usar meias mais grossas e esticar seu tendão de Aquiles também deve ajudar a devolver a confortabilidade aos seus pés.

2. Torção de tornozelo

Causas: Uma torção de tornozelo refere-se a uma lesão de tecidos moles, em geral dos ligamentos” ao girá-los durante a atividade física.

Como se é sabido, a torção do tornozelo é aquela lesão comum nos esportes que costuma resultar de se torcer o tornozelo — talvez de aterrissar, de forma incorreta, de um salto, pisar em falso, ou apenas de se perder o equilíbrio durante uma corrida.

Dicas de reabilitação: o método RICE (Rest, Ice, Compression and Elevation) — descanso, gelo, compressas e elevação — para lidar com as torções de tornozelo de forma eficaz. Assim que a dor diminuir, volte a fazer exercícios como: usar uma bicicleta ergométrica e, em seguida, passe para exercícios estáticos de equilíbrio enquanto também fortalece o quadríceps, os isquiotibiais e os glúteos para aumentar a estabilidade do tornozelo.

Exercícios leves de pliometria antes de retornar de vez comas atividades regulares. Retomar a rotina regular, logo após a recuperação, só traz um maior risco de sofrer outra torção, o que poderia ser ainda mais doloroso e prejudicial para os ligamentos do tornozelo.

Lesão do ligamento cruzado anterior ou LCA, já ouviu falar? | Bauerfeind  Brasil

3. Distensão do ligamento cruzado anterior (LCA)

O ligamento cruzado anterior é um ligamento que se estende por trás do joelho, entre o fêmur (osso da coxa) e da tíbia (osso da canela). Distensões podem servir como um lembrete para buscar o fortalecimento das pernas assim que se consegue voltar à forma anterior a distensão.

Causas: A maioria das distensões do LCA pode ser atribuída à desaceleração repentina, como tentar parar rápido demais, ou mudar de direção depressa, ou de hiperextensão do joelho, ou de girar o corpo no lugar. Diversos esportes produzem estresse para a área inferior a este ligamento, então se você não está com o físico apto para um esporte como o basquete ou o futebol, pode ser arriscado se jogar de cabeça nessas atividades.

Dicas de reabilitação: A prioridade do praticante deve ser alongar os isquiotibiais. Fortalecer o quadríceps e os glúteos também é importante. A recuperação ativa deve começar com “deslizar o calcanhar sobre um peso, levantamentos de perna estendida em diversas posições… exercícios de perna com elástico e exercícios para os posteriores da coxa.

5. Distensão dos isquiotibiais

Causas: De forma simples, as lesões nos isquiotibiais acontecem quando se alonga demais os músculos. Arrancadas e qualquer esporte que exija uma grande carga de estresse nas pernas colocam os praticantes em risco de uma distensão deste tipo. Esportes que demandam correr, pular e chutar causam a maioria das lesões de tendão.

Como na distensão do quadríceps, a distensão dos posteriores pode variar muito em gravidade, de torções musculares (lesões de grau 1) a rompimentos totais do músculo (grau 3).

Dicas de reabilitação: Uma grande parte da recuperação destas lesões é feita por certificar-se de fazer exercícios que reconstruam o músculo em vez de permitir a formação de tecido cicatricial, prevenindo de forma eficaz a reincidência da lesão.

O processo de reabilitação ativa começa com exercícios isométricos que contraem os músculos, mas não movimentam as articulações e, em seguida, passar para exercícios com pesos leves antes de partir para um exercício mais vigoroso, de modo que o retorno a forma anterior à lesão seja estável. E, com sorte, seja com um fortalecimento extra para evitar problemas futuros.

O que é bursite trocantérica ou do quadril? - SBQ | Sociedade Brasileira do  Quadril

6. Bursite do Quadril

A bursite do quadril causa dor no lado externo da parte superior da coxa. A condição refere-se a bursa, que é um saco repleto de líquido que torna possível o movimento eficiente entre duas superfícies irregulares.

Quando o saco da bursa sobre a parte externa do quadril fica inflamado, impede o funcionamento eficaz, tornando o ato de mover-se doloroso.

Causas: A bursite do quadril é comum em indivíduos mais velhos, mas também afeta pessoas mais jovens que são muito ativas. Embora, muitas vezes, possa acontecer depois de um impacto forte no quadril, ainda é mais um exemplo de uma lesão causada por uso excessivo, proveniente de atividades como correr, andar de bicicleta, ou caminhar longas distâncias.

Dicas de reabilitação: Aumentar a força e a coordenação nos músculos dos glúteos e do quadril permite que o fêmur mova-se de maneira mais suave na cavidade do quadril e pode ajudar a reduzir o atrito na bursa.

7. Lombalgia

Causas: Muitas lesões podem causar dor lombar, e é uma condição que pessoas mais ativas têm familiaridade em diversos graus. Marque uma visita ao seu médico se vivenciar um início mais doloroso dessa dor do que o de costume. Contudo, em geral é algo a se manter atento.

A maioria destas lesões lombares ocorre pela execução incorreta de exercícios de levantamento de peso entre outros exercícios, de trauma, de esportes ou até mesmo por dormir de mau jeito.

Dicas de reabilitação:

Há várias coisas que você pode fazer para estabilizar as costas depois que uma crise de dor o incapacitar de algum modo. Se parecer grave, consulte o médico. Então, quando for possível, volte a exercitar os glúteos, os isquiotibiais e o trapézio.

Exercícios de mobilidade da coluna vertebral como alongamento com as posições do gato/camelo e “open book” (pilates), prancha, e aplicar a técnica e a posição corretas em várias atividades são necessárias para evitar mais problemas nas costas.

8. Cotovelo de tenista / Dor de cotovelo / epicondilite lateral

Causas: O cotovelo de tenista é uma condição causada pelo uso excessivo dos músculos do braço, antebraço e mão. Refere-se a uma lesão da área de músculos e tendões que envolvem parte externa do cotovelo. Claro, muitas vezes afeta tenistas com técnica pobre de “backhand”, mas fazer várias outras atividades que exigem muito dos músculos em questão também pode acarretar tal lesão.

Dicas de reabilitação:

Primeiro e acima de tudo, comece com repouso. É importante deixar os músculos e tendões se curarem por conta própria, e exercícios para devolver seu braço a sua condição prévia envolvem o fortalecimento dos músculos opostos, fazendo uma série de rotinas de treino diferentes para os antebraços.

Como decidir se a lesão precisa de avaliação

A mesma dor pode ser apenas adaptação de treino ou sinal de lesão que precisa mudar carga. O que pesa é função: conseguir apoiar o pé, correr sem mancar, levantar o braço, agachar, dormir, manter força e voltar ao movimento sem piorar no dia seguinte.

SinalConduta
Dor leve que melhora ao aquecer e não piora depoisReduzir carga e observar resposta.
Inchaço, hematoma ou estalo com dorSuspender treino intenso e avaliar.
Instabilidade ou falseioPensar em lesão ligamentar ou articular.
Dor óssea localizada progressivaConsiderar fratura por estresse, especialmente em corredores.

Prevenção realista

Prevenção não é apenas alongar. Envolve progressão de carga, descanso, técnica, força, mobilidade suficiente, sono, alimentação e escolha de calçado/equipamento. Aumentos bruscos de volume, retorno apressado após dor e treino intenso em fadiga são causas comuns de recaída.

Para voltar ao esporte, use critérios: dor controlada, amplitude funcional, força próxima do lado oposto, confiança no gesto esportivo e tolerância ao treino leve antes de competir.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Medicina Esportiva

Queda de Cabelos – Aprenda Mais. Causas e Tratamentos

21 de março de 2022 by Dra. Juliana Toma

  • A queda de cabelo é uma condição comum que pode ser causada por vários fatores.
  • Causas comuns de perda de cabelo incluem genética, alterações hormonais, doenças, medicamentos e fatores de estilo de vida.
  • O tipo mais comum de queda de cabelo é a alopecia androgenética, causada por uma combinação de genética e hormônios.
  • Outros tipos de queda de cabelo incluem alopecia areata, eflúvio telógeno e alopecia por tração.
  • O tratamento da queda de cabelo pode envolver uma combinação de intervenções médicas, de estilo de vida e cosméticas.

Os cabelos são um elemento importante tanto para mulheres como para homens quando o assunto é estética e autoestima. Por isso, a queda de cabelos é um problema que afeta ambos os sexos, apesar de haver diversos fatores associados à causa.

Antes de tudo, entenda que há uma perda de cabelos considerada normal, isto é, caem naturalmente cerca de 50 a 100 fios por dia. Parece muito, mas esta queda é normal e cada indivíduo apresenta mais perda de fios do que outros. O importante é ficar atento à linha tênue entre a queda normal e anormal de cabelos.

Tipo de queda de cabeloTaxa normal de perda de cabeloQuando é patológico?
Perda de cabelo de padrão feminino50-100 cabelos por diaMais de 100 cabelos por dia
Perda de cabelo de padrão masculino50-100 cabelos por diaMais de 100 cabelos por dia
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Causa da queda de cabelos

Não há somente um motivo que explique porque os cabelos caem, veja os principais fatores:

  • Alimentação desequilibrada;
  • Idade;
  • Hereditariedade;
  • Problemas emocionais (principalmente estresse e ansiedade);
  • Consumo de drogas;
  • Consumo exagerado de álcool;
  • Tabagismo;
  • Medicamentos;
  • Tratamentos quimioterápicos;
  • Alterações hormonais (ex: pós-parto em mulheres e excesso de testosterona em homens);
  • Excesso de químicos (muitos procedimentos estéticos podem contribuir com a queda, ex: tintura, descoloração, temperatura alta de aparelhos, etc).

O que acontece fisiologicamente com a queda dos cabelos é que a raiz se desprende do folículo. O folículo capilar é o local de onde se origina o fio, possui formato tubular, é composto por diferentes partes: o bulbo (onde o fio literalmente se fixa); papila (situada no fundo do bulbo, responsável por alimentar as células capilares) e matriz (conjunto de células capilares).

CURIOSIDADE: Cada pessoa possui cerca de 100 mil folículos no couro cabeludo.

Assim, pode haver diversos motivos para que o folículo não consiga manter o fio fixado no bulbo. Um destes motivos pode ser uma doença autoimune, chamada alopecia areata, em que o organismo combate o folículo capilar.

Outras doenças podem estar relacionadas, como a própria calvície feminina e masculina.

Diagnóstico diferencial de queda de cabelo recorrente

Diagnóstico DiferencialDescrição
Alopécia androgenéticaEsta é a causa mais comum de perda de cabelo e é caracterizada por uma calvície e queda de cabelo no topo da cabeça.
Alopécia AreataEsta é uma doença autoimune caracterizada por início súbito, perda de cabelo irregular no couro cabeludo e no corpo.
Eflúvio TelógenoEste é um tipo de perda de cabelo causada por uma interrupção no ciclo normal do cabelo, geralmente desencadeada por um grande estressor, como uma doença, cirurgia ou trauma físico ou emocional.
Alopecia por traçãoEsta é uma forma de perda de cabelo causada por puxões repetidos ou tensão nos folículos pilosos, geralmente causada por certos penteados ou acessórios de cabelo.
Anemia ferroprivaA anemia por deficiência de ferro pode causar queda de cabelo devido à falta de ferro no corpo.
HipotireoidismoEssa condição ocorre quando a glândula tireoide não produz hormônios suficientes e pode causar queda de cabelo.
HipertireoidismoEssa condição ocorre quando a glândula tireoide produz muito hormônio e pode levar à queda de cabelo.
TricotilomaniaEste é um distúrbio compulsivo caracterizado por uma pessoa arrancar o próprio cabelo.
MedicamentosCertos medicamentos podem causar queda de cabelo, incluindo anticoagulantes, betabloqueadores, antidepressivos e pílulas anticoncepcionais.
Deficiências nutricionaisA falta de certas vitaminas ou minerais no corpo pode causar queda de cabelo.
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Tratamento para queda dos cabelos

De fato, o tratamento mais adequado e eficaz para a queda dos cabelos é a prevenção, o que inclui massagens no couro cabeludo, que faz estimular a circulação sanguínea e – com isso – maior nutrição da raiz, também é prevenção: ter uma alimentação rica em vitaminas, fazer ingestão de água adequada e evitar alisar, secar, tingir, descolorir com tanta frequência.

Por outro lado, muitas soluções para a queda dos cabelos consistem em administração medicamentosa prescrita por um dermatologista, suplementos naturais, suplementação de vitaminas, utilização de shampoos apropriados e antiqueda.

TratamentoDescrição
MinoxidilPensa-se que a aplicação tópica de minoxidil, um vasodilatador, ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo para o couro cabeludo e estimula os folículos pilosos a produzir novos cabelos.
FinasteridaEste medicamento oral é um inibidor da 5-alfa-redutase e é usado para reduzir os níveis do hormônio dihidrotestosterona (DHT). Altos níveis de DHT podem contribuir para a queda de cabelo.
CorticosteróidesEsses medicamentos são usados para reduzir a inflamação no couro cabeludo e podem ajudar a reverter parte da queda de cabelo associada à alopecia androgenética.
Suplementos vitamínicosCertas vitaminas, como biotina e vitamina D, podem ajudar a reduzir a queda de cabelo e promover o crescimento saudável do cabelo.

Em casos mais raros, pode-se fazer viável a cirurgia de implante capilar, geralmente isto é feito em casos de calvície, os pacientes que escolhem passar por este procedimento geralmente são homens mais velhos.

ATENÇÃO: Há muitos produtos e medicamentos no mercado que prometem solucionar a queda capilar, muitos destes são realmente eficazes, porém não se recomenda a automedicação, é sempre muito importante buscarmos ajuda médica quando a queda é identificada como anormal em relação à quantidade esperada por dia. O médico poderá identificar a causa da queda dos cabelos e assim adotar o tratamento mais adequado para cada caso.

Quais medicamentos podem dar queda de cabelos?

MedicamentoDescrição
AnticoagulantesUsados para diluir o sangue e reduzir o risco de coágulos sanguíneos e podem causar queda de cabelo.
Beta-bloqueadoresMedicamentos são usados para tratar pressão alta e também podem causar queda de cabelo como efeito colateral.
AntidepressivosCertos antidepressivos, como os ISRSs, podem causar queda de cabelo como efeito colateral.
Pílulas anticoncepcionaisPílulas anticoncepcionais hormonais podem causar queda de cabelo temporária devido a alterações nos níveis hormonais.
QuimioterapiaUsadas para tratar o câncer e podem causar queda de cabelo temporária ou permanente.

Vitaminas e Minerais – relação com queda de cabelo

Minerais/VitaminasBenefícios para queda de cabelo
ZincoProtege os folículos dos danos do DHT, reduz a inflamação e ajuda a manter o crescimento saudável do cabelo.
FerroAjuda a transportar oxigênio para os folículos capilares, previne a queda de cabelo e promove o crescimento saudável do cabelo.
Vitamina APromove o crescimento saudável do folículo e a produção de sebo, ajuda a proteger o cabelo contra danos.
Vitamina CAjuda a absorver o ferro, promove a produção de colágeno e ajuda a promover o crescimento saudável do cabelo.
Vitamina EIncentiva a circulação, hidrata o couro cabeludo e ajuda a proteger o cabelo dos danos ambientais.
Vitaminas do Complexo BPromove o crescimento celular saudável, ajuda a quebrar as proteínas e ajuda a prevenir a queda de cabelo.
Ácidos graxos ômega-3Promove a saúde do couro cabeludo e do cabelo, reduz a inflamação e ajuda a proteger o cabelo contra danos.
SelênioProtege os folículos capilares dos danos oxidativos, ajuda a reduzir a inflamação e ajuda a promover o crescimento saudável do cabelo.
CálcioFortalece os folículos pilosos, ajuda a promover o crescimento do cabelo e ajuda a protegê-lo contra danos.
SílicaAjuda a fortalecer os folículos capilares, ajuda a proteger o cabelo contra danos e ajuda a promover o crescimento saudável do cabelo.

Conclusão

Em conclusão, a perda de cabelo é uma condição comum que pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo genética, hormônios, doenças, medicamentos e fatores de estilo de vida. O tipo mais comum de perda de cabelo é a alopecia androgenética, embora outros tipos de perda de cabelo, como alopecia areata, eflúvio telógeno e alopecia por tração também possam ocorrer.

O tratamento da queda de cabelo pode envolver uma combinação de intervenções médicas, de estilo de vida e estéticas.

Para reduzir o risco de queda de cabelo, é importante manter uma dieta e estilo de vida saudáveis, bem como evitar certos medicamentos que podem ser responsáveis pela condição.


Perguntas Frequentes sobre Queda de Cabelos

O que causa a queda de cabelo?

A perda de cabelo pode ser causada por vários fatores, incluindo genética, hormônios, estresse e idade.

Quais são os melhores tratamentos para queda de cabelo?

Os melhores tratamentos para queda de cabelo incluem medicamentos, mudanças no estilo de vida e produtos para queda de cabelo.u003cbru003e 

A dieta tem um papel na queda de cabelo?

A dieta pode ser um fator importante na queda de cabelo, pois certas deficiências nutricionais podem contribuir para a queda de cabelo.

Como posso estimular o crescimento de novos cabelos?

Estimular o crescimento de novos cabelos pode ser alcançado por meio de uma combinação de tratamentos e mudanças no estilo de vida.

Existem remédios caseiros para queda de cabelo?

Massagem, óleos e receitas caseiras não tratam sozinhos alopecia androgenética, eflúvio telógeno, alopecia areata, deficiência de ferro, alterações da tireoide ou queda por medicamentos. O mais útil é identificar padrão, duração, áreas afetadas, coceira, descamação e exames necessários.

A queda de cabelo é reversível?

A perda de cabelo é muitas vezes reversível com o tratamento certo e mudanças no estilo de vida. É importante a avaliação e diagnóstico da causa da queda de cabelos.

Existem medicamentos que podem ajudar na queda de cabelo?

Certos medicamentos, como o minoxidil, demonstraram ser eficazes no tratamento da queda de cabelo. Só um médico dermatologista pode avaliar e realizar um plano de tratamento.

Existem tratamentos para queda de cabelo genética?

Os tratamentos para queda de cabelo genética incluem medicamentos, mudanças no estilo de vida e cirurgia de transplante de cabelo.

Quais mudanças no estilo de vida podem ajudar a prevenir a queda de cabelo?

Comer uma dieta saudável, reduzir o estresse e evitar certos estilos de cabelo pode ajudar a prevenir a queda de cabelo.

Arquivado em: Dermatologia, Sintomas de A-Z

Síndrome do Trato Iliotibial – O que é? Causas, Sintomas e Tratamentos

21 de março de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

A síndrome do trato ou banda iliotibial pode ser prevenida com controle de carga, fortalecimento de quadril, revisão de técnica, terreno e retorno gradual ao esporte. Causas, sintomas e tratamento precisam ser avaliados quando a dor lateral no joelho aparece em corrida ou ciclismo.

Como diferenciar de outras causas

O exame físico compara dor no trato iliotibial com diagnóstico diferencial de menisco, tendão do bíceps femoral, dor femoropatelar, quadril e coluna. Imagem pode ser útil quando há trauma, derrame, bloqueio, fratura por estresse ou falha de reabilitação; sem esses sinais, o acompanhamento costuma priorizar função, carga e resposta ao tratamento.

Próximos passos para prevenir recorrência

Ajustar treino

Reduza temporariamente descidas, pista inclinada, tiros, pedal pesado e aumentos bruscos de quilometragem. Retorne por blocos pequenos, observando se a dor aparece no mesmo minuto, distância ou carga; esse padrão ajuda a dosar progressão.

Revisar biomecânica

Fraqueza de abdutores do quadril, queda pélvica, rotação interna do fêmur, excesso de pronação e cadência muito baixa podem aumentar estresse lateral em algumas pessoas. A correção depende do achado individual, não de um exercício universal.

O que observar na dor lateral do joelho

SituaçãoO que sugereConduta inicial
Dor lateral que aparece durante corridaSobrecarga do trato iliotibial ou estruturas laterais.Reduzir volume, descidas e inclinações temporariamente.
Dor com estalo, bloqueio ou derrameMenisco, cartilagem ou outra lesão intra-articular.Avaliação antes de insistir em treino.
Fraqueza de quadril ou queda da pelveControle de quadril pode estar contribuindo.Fortalecimento progressivo de abdutores e rotação externa.

Prevenção não é só alongamento

A literatura descreve a síndrome como lesão de sobrecarga com participação de biomecânica, treino e tolerância tecidual. Por isso, prevenção envolve progressão de volume, descanso, fortalecimento, cadência, superfície, tênis e resposta dos sintomas.

Fortalecer glúteo médio e músculos do quadril pode ajudar, mas o exercício precisa ser bem dosado. Fazer muitas repetições dolorosas, manter descidas longas ou aumentar quilometragem durante a crise costuma atrasar a recuperação.

Quando a dor lateral não é trato iliotibial

Nem toda dor lateral do joelho é síndrome do trato iliotibial. Lesão meniscal, tendinopatia do bíceps femoral, dor femoropatelar, fratura por estresse, dor irradiada do quadril ou coluna e lesões ligamentares podem parecer parecidas.

Procure avaliação se houver trauma, inchaço importante, bloqueio, falseio, incapacidade de apoiar, dor noturna progressiva, febre, vermelhidão, perda de força ou ausência de melhora após ajuste de carga e reabilitação bem conduzida.

O que é a Síndrome do Trato Iliotibial?

A síndrome do trato iliotibial é uma lesão por uso excessivo causada pela flexão e extensão repetitiva do joelho, resultando em inflamação do trato iliotibial (ao redor da coxa, na região lateral e estruturas circundantes.

A dor é geralmente sentida na face lateral do joelho e pode piorar ao correr ladeira abaixo, correr em superfícies inclinadas e sentar em uma posição flexionada. Outros sintomas podem incluir uma sensação de estalo, espessamento do trato iliotibial e sensibilidade no epicôndilo lateral do fêmur.

O diagnóstico é geralmente feito no exame clínico, confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia, ressonância magnética ou tomografia computadorizada. Os diagnósticos diferenciais incluiriam lesão do ligamento colateral lateral, bursite da pata de ganso e lesão meniscal lateral.

O tratamento para a síndrome do trato iliotibial é tipicamente conservador e deve começar com repouso, gelo e medicamentos anti-inflamatórios. Modificações nas atividades da vida diária, como evitar ficar sentado por muito tempo e subir escadas por muito tempo, também podem ajudar a reduzir a dor.

A fisioterapia também pode ser benéfica para reduzir a inflamação e melhorar a amplitude de movimento. Exercícios como alongamento do trato iliotibial e fortalecimento dos abdutores do quadril podem ser usados para diminuir os sintomas.

Se os sintomas persistirem, o encaminhamento ortopédico pode ser indicado para avaliação adicional e possível injeção.

Causas

A causa exata da síndrome do trato iliotibial não é totalmente compreendido. No entanto, acredita-se que seja resultado de estresse repetitivo na banda iliotibial devido ao uso excessivo.

Esse uso excessivo pode ocorrer como resultado de vários fatores, como:

  • Correr em superfícies inclinadas
  • Músculos do quadril fracos
  • Calçado impróprio
  • Pronação excessiva ou supinação do pé

Quando a banda iliotibial se esfrega na parte externa do joelho, ela pode ficar inflamada e irritada, resultando em dor e desconforto. Isso pode ser especialmente problemático ao correr ou praticar qualquer atividade que envolva flexão e extensão repetitiva do joelho, pois a banda iliotibial se esfrega contra a face lateral do fêmur, causando mais irritação e dor.

O tratamento da síndrome do trato iliotibial normalmente inclui repouso inicial em fase aguda. Após o alívio da inflamação inicial, alongamento e fortalecimento são recomendados para tratar de quaisquer deficiências musculoesqueléticas subjacentes que possam estar contribuindo para a cronificação da lesão.

Sintomas da Síndrome do Trato Iliotibial

A síndrome é causada pela inflamação da banda iliotibial, que é uma banda espessa de tecido fibroso que corre ao longo da parte externa da coxa, do quadril até a canela. Quando o joelho é flexionado e estendido repetidamente, a banda iliotibial se esfrega contra a porção externa da articulação do joelho, causando irritação e inflamação.

O sintoma mais comum da lesão no trato iliotibial é a dor na parte externa do joelho, frequentemente descrita como uma sensação aguda ou de queimação.

A dor pode ser sentida durante ou após o exercício e pode piorar com a atividade prolongada.

Outros sintomas de irritação no trato iliotibial incluem:

  • Inchaço ou aperto na parte externa do joelho
  • Sensação de estalo ou clique ao dobrar ou esticar o joelho
  • Dor que piora ao caminhar ou correr ladeira abaixo
  • Dor que melhora com repouso
SintomaDescrição
Dor na lateral do joelhoDor dolorida ou em queimação na parte externa do joelho que piora com a atividade, principalmente ao correr.
Sensibilidade localDor ou sensibilidade ao toque ao longo da banda iliotibial logo acima ou abaixo do joelho.
Sensação de travamento localUma sensação de aperto ou inflexibilidade ao longo da banda iliotibial.
InchaçoInchaço ocasional pode estar presente na lateral do joelho.
RigidezAmplitude de movimento limitada na articulação do joelho.
EstalidoUma sensação de estalo ou clique pode ser sentida quando o joelho é dobrado e esticado.
FraquezaSensação de fraqueza ou instabilidade da articulação do joelho.

Padrão de dor

  • Dor na parte externa do joelho
  • Dor na região do quadril e da coxa
  • Dor ao flexionar ou estender o joelho
  • Dor no início de uma corrida ou ao subir e descer escadas
  • Dor quando o ângulo da articulação do quadril e do joelho muda
  • Dor ao correr ladeira abaixo
  • Dor ao ficar sentado por muito tempo
  • Dor quando a pressão é aplicada no joelho ou quadril

Exames para Diagnóstico

A imagem radiográfica do joelho é uma parte importante do processo de diagnóstico da dor lateral do joelho. As radiografias simples são úteis para descartar outras causas desse tipo de dor, como osteoartrite, fratura ou mau alinhamento da patela. Na ausência de outra patologia, as imagens aparecerão normais.

Se o diagnóstico permanecer incerto após a história e o exame físico do paciente, a ressonância magnética do joelho pode confirmar o diagnóstico. Em uma ressonância magnética, o epicôndilo lateral pode mostrar hiperecogenicidade, com uma banda iliotibial distal espessada.

O ultrassom é outra modalidade que pode ser usada para diagnosticar a patologia, pois pode mostrar espessamento anormal da banda iliotibial distal. É um procedimento de baixo custo e baixo risco em comparação com a ressonância magnética.

Exame de imagemMecanismoLesão avaliada
Raio XUsa radiação eletromagnética para criar uma imagemAnormalidades ósseas, degeneração articular
Tomografia ComputadorizadaUsa feixes de raios-x para criar imagens transversaisDanos nos tecidos moles, fraturas ósseas
Ressonância MagnéticaUsa campo magnético e ondas de rádio para criar imagens detalhadasInflamação dos tecidos, danos nos tecidos moles
UltrassomUsa ondas sonoras de alta frequência para criar imagensEdema dos tecidos moles, derrame articular

Dor ciática ou trato iliotibial

As duas patologias podem resultar em dor nos glúteos, região lateral e posterior das coxas. No entanto, a etiologia, a causa da dor (lesão neuropática vs lesão osteomuscular), sinais e sintomas, além dos tratamentos são diferentes.

PatologiaPadrão de dorCausaSintomas
Síndrome da banda iliotibial (ITBS)A dor geralmente está localizada na lateral do joelho.Causada pelo uso excessivo ou incorreto da banda iliotibial, que é uma faixa de tecido que conecta o quadril e o joelho.Dor ao caminhar, correr ou andar de bicicleta; inchaço na parte externa do joelho; aperto ou sensibilidade na parte externa do quadril.
CiáticaA dor geralmente se irradia da região lombar para as nádegas, coxas e panturrilhas.A ciática é causada pela compressão do nervo ciático, que é o nervo mais longo do corpo.Dor que irradia para a perna; fraqueza muscular; formigamento; dormência; dificuldade para andar.

Tratamento – Orientações gerais

Para tratar a síndrome do trato iliotibial, é importante identificar a causa subjacente e abordar quaisquer fatores contribuintes. Isso pode incluir descanso, alongamento, rolamento de espuma, exercícios corretivos, massagem e aplicação de gelo.

Em determinadas situações, órteses ou modificação de atividade podem ser necessárias. O alongamento regular da banda iliotibial, flexores do quadril e músculos do quadríceps pode ajudar a reduzir o risco de episódios agudos de síndrome do trato iliotibial.

Além disso, é importante garantir que os sapatos sejam substituídos regularmente e ajustados corretamente.

Tratamento inicial

Quando se trata de tratar a lesão do trato iliotibial, o objetivo é reduzir a inflamação, aliviar a dor e melhorar a flexibilidade e a força. Dependendo da gravidade da condição, as opções de tratamento podem incluir repouso e gelo, reabilitação, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), injeções de corticosteroides ou cirurgia.

  • Repouso e gelo são normalmente a primeira linha de tratamento para a lesão. Isso pode ajudar a reduzir a inflamação e aliviar a dor. É importante evitar atividades que causem dor ou desconforto, pois podem agravar a condição.
  • A fisioterapia também é uma opção de tratamento eficaz para a síndrome do trato iliotiibial. Um fisioterapeuta pode desenvolver um programa de alongamento e fortalecimento adaptado às necessidades do indivíduo. Isso pode ajudar a melhorar a flexibilidade e a força da banda iliotibial e dos músculos circundantes, o que pode reduzir a dor e melhorar a função geral.
  • Para alívio da dor, medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), podem ser úteis. Os AINEs funcionam reduzindo a inflamação e aliviando a dor.
  • As injeções de corticosteroides também são uma opção para casos graves que não respondem a outros tratamentos.

Em casos raros, a cirurgia pode ser necessária para tratar a síndrome. A cirurgia é normalmente reservada para casos graves que não respondem a outros tratamentos.

Medicamentos e infiltrações

Remédios para dor podem ajudar por curto período, mas não corrigem a causa mecânica da síndrome do trato iliotibial. Anti-inflamatórios, analgésicos ou infiltrações devem considerar estômago, rins, pressão arterial, anticoagulantes, histórico de alergia, competição esportiva e outras doenças.

Dor que exige medicação repetida para treinar é sinal de que o plano de carga precisa ser revisto. O tratamento principal costuma ser reduzir o gatilho, recuperar tolerância e fortalecer quadril e membro inferior antes de voltar ao volume anterior.

Exercícios para Prevenção

Estes exercícios simples irão aumentar a força do seu quadril e ajudar a evitar esta lesão comum em decorrência da corrida.

Se você está procurando por exercícios específicos para a prevenção da síndrome da banda iliotibial, veja a seguir alguns movimentos que podem ser adicionados a sua rotina de modo fácil.

O primeiro é perfeito para os dias que você tem pouco tempo para se exercitar.

O segundo foi comprovado, através de pesquisas, ser um dos exercícios mais eficazes para fortalecimento do quadril.

Os dois estimulam o glúteo médio, músculo responsável pela estabilidade da pelve e ajuda a prevenir o desnível de quadril (hip-drop) que causa a Síndrome Iliotibial.

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Passada lateral na esteira

Todos passamos por dias que, se tivermos sorte, conseguiremos fazer uma corrida de 30 minutos.

Quando isso acontece, é fácil deixar “o extra” de fora, ou seja, os exercícios de força e flexibilidade que podem nos ajudar a prevenir lesões. A passada lateral é um exercício simples que pode ajudar no seu período de resfriamento. Veja como fazer:

  • Diminua a velocidade para 1,5km e aumente a inclinação para algo entre 4 e 5%.
  • Pise na lateral, fora da lona da esteira. Segure nas barras laterais e gire seu corpo para a direita, pise de lado na esteira, primeiro como o pé esquerdo.
  • Mantenha os dedos apontados para a sua frente enquanto faz a passada lateral, e lembre-se de sempre iniciar uma nova passada com o calcanhar esquerdo, assim como empurrar com o calcanhar direito (Lembre-se das aulas de educação física da escola, quando corríamos de lado em torno da quadra). Mantenha a passada lateral por um minuto em para cada lado.
  • Repita duas vezes. (Não esqueça de inverter o pé inicial ao trocar de lado).
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Elevação lateral de perna (abdução de quadril)

Apesar de esse exercício parecer coisa de preguiçoso, estudos comprovaram ser um dos mais eficientes para ativar o glúteo médio. É um exercício simples que permite que você aja em cima de um grupo muscular específico.

Se você pretende executar algum exercício complicado na posição de pé, que pede equilíbrio e grupos musculares de apoio, o músculo alvo pode perder espaço enquanto os grupos dominantes são estimulados durante o exercício. Saiba que o simples pode ser mais eficaz, ainda mais se você quer fortalecer os glúteos. Veja como fazer:

  • Comece pelo lado direito, com seu quadril esquerdo alinhado ao direito e seu corpo em linha reta
  • Posicione a mão esquerda no chão para ter apoio, erga a perna livre, segure por dois segundos, e então abaixa devagar (leve de dois a três segundos para a perna voltar a posição inicial)
  • Eleve seu calcanhar primeiro, e os dedos logo atrás (seu pé vai ficar transversal a sua perna e não esticado).
  • Faça de duas a três séries de 15 a 20 repetições de cada lado

Às vezes, a solução é mais simples que o problema. Adicione estes exercícios para fortalecimento do quadril em sua rotina regular para aumentar sua estabilidade e reduzir o risco de sentir-se dolorido, com dores locais ou ter lesões mais a frente.

Perguntas Frequentes

A síndrome do trato iliotibial pode ser evitada?

Sim, a síndrome do trato liotibial pode ser evitada tomando medidas para reduzir o risco de lesões por uso excessivo, como alongamento antes do exercício, uso de calçados adequados e aumento gradual da intensidade de seus treinos.

Posso continuar a me exercitar se tiver síndrome do trato liotibial?

Geralmente é seguro continuar se exercitando com síndrome do trato liotibial, mas pode ser necessário modificar seus treinos e tomar medidas para reduzir a tensão em sua banda iliotibial.

Quanto tempo leva para se recuperar da síndrome do trato liotibial?

A duração do tempo de recuperação para síndrome do trato liotibial varia dependendo da gravidade da condição e da eficácia do tratamento. Em casos leves, a recuperação pode levar algumas semanas, enquanto casos graves podem levar vários meses.

Conclusão

A síndrome da banda iliotibial é comum e afeta muitos corredores e atletas. Embora possa ser frustrante e dolorosa, existem várias opções de tratamento disponíveis para aliviar a lesão.

Em resumo, as opções de tratamento para síndrome do trato iliotibial dependem da gravidade da condição.

Os casos leves podem responder ao repouso e ao gelo, enquanto os casos mais graves podem exigir reabilitação, medicamentos anti-inflamatórios, injeções de corticosteroides ou mesmo cirurgia.

É importante trabalhar com seu médico para desenvolver o melhor plano de tratamento para você.

Fontes e leitura útil

  • American Family Physician – Iliotibial Band Syndrome
  • PubMed – Conservative treatment for iliotibial band syndrome scoping review
  • PubMed – Conservative treatment strategies for ITBS systematic review

Arquivado em: Ortopedia, Doenças de A-Z, Medicina Esportiva

Estudo Relata que muitos Médicos Desconhecem a Fibromialgia

21 de março de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

A fibromialgia é um distúrbio de dor crônica mais comumente encontrado em mulheres, especialmente aquelas com mais de 60 anos. Embora a causa exata da fibromialgia ainda seja desconhecida, pesquisas sugerem que os mecanismos de processamento da dor no sistema nervoso central podem ser disfuncionais.

Isso é apoiado por experimentos que indicam que pacientes com fibromialgia experimentam 50% mais dor no mesmo nível de estímulo doloroso do que controles saudáveis ou pacientes com dor lombar. Também foram encontrados sinais anormais no cérebro, como aumento de glutamato e glutamina na amígdala direita, que podem estar associados à fibromialgia.

Embora ainda haja muito a aprender sobre esse distúrbio, a pesquisa atual fornece uma visão sobre essa condição debilitante.

Fibromialgia afeta mais mulheres

A fibromialgia afeta 7,7% das mulheres e 4,9% dos homens. Embora seja mais comum em mulheres, não se restringe a uma determinada faixa etária ou país. Pesquisas atuais sugerem que os mecanismos de processamento da dor no sistema nervoso central podem ser disfuncionais, levando a um aumento da sensibilidade à dor.

Estudos de ressonância magnética também encontraram sinalização anormal em áreas do cérebro envolvidas no processamento de dor e emoções. Embora ainda haja muito a aprender sobre a fibromialgia, a pesquisa atual fornece informações sobre as causas e efeitos desse distúrbio.

Causas da fibromialgia

A causa da fibromialgia ainda é desconhecida, mas acredita-se que esteja ligada a fatores psicológicos e sociais, componentes genéticos e equilíbrio alterado entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios na medula espinhal. Um estudo de ligação do genoma de pessoas de 116 famílias americanas com múltiplos casos de fibromialgia relatou um risco 13,6 vezes maior de desenvolver a doença em comparação com a população em geral.

Verificou-se que amostras de líquido cefalorraquidiano de pacientes com fibromialgia contêm concentrações mais altas de substância P e níveis mais baixos de metabólitos de serotonina, noradrenalina e dopamina do que amostras de controles saudáveis.

Estudos sobre a fibromialgia estão em andamento e espera-se que novos insights sejam obtidos em um futuro próximo. Atualmente, a melhor maneira de controlar a fibromialgia é por mudanças no estilo de vida, como exercícios e relaxamento, bem como medicamentos e terapias para reduzir a dor e a fadiga.

Também é importante buscar apoio de familiares e amigos, bem como de grupos de apoio ou aconselhamento. Com o manejo e tratamento corretos, é possível reduzir os sintomas da fibromialgia e viver uma vida plena e saudável.

Sintomas da Fibromialgia além da Dor

SintomaExplicação
Dor generalizadaA dor é o sintoma mais comum da fibromialgia. Ela é difusa, ou seja, não está localizada em um único lugar, e pode ser de leve a grave. A dor pode ser constante ou intermitente, e piorar com o estresse, o frio ou o movimento.
Sensibilidade à dorAs pessoas com fibromialgia são mais sensíveis à dor do que as pessoas que não têm a doença. Isso significa que elas podem sentir dor com estímulos que não causariam dor em uma pessoa normal.
Fraqueza muscularA fraqueza muscular é outro sintoma comum. Ela pode ser generalizada ou afetar apenas alguns grupos musculares. A fraqueza pode piorar com o uso dos músculos ou com o estresse.
Distúrbios do sonoAs pessoas com fibromialgia costumam ter problemas para dormir. Elas podem ter dificuldade para pegar no sono, para manter o sono ou para ter um sono reparador. Os distúrbios do sono podem piorar a dor e a fadiga.
FadigaA fadiga é um sintoma comum da fibromialgia. Ela pode ser tão grave que impede as pessoas de realizar suas atividades diárias. A fadiga pode ser pior no final do dia ou depois de um período de atividade física.
Problemas de memória e concentraçãoAs pessoas com fibromialgia podem ter problemas de memória e concentração. Isso pode ser devido à dor, à fadiga ou a outros problemas que estão associados à fibromialgia. Os problemas de memória e concentração podem piorar com o estresse.
Dores de cabeçaAs dores de cabeça são um sintoma comum da fibromialgia. Elas podem ser de leve a grave e podem ser constantes ou intermitentes. As dores de cabeça podem ser piorar com o estresse, o frio ou o movimento.
Sensação de formigamento ou dormênciaA sensação de formigamento ou dormência é um sintoma comum da fibromialgia. Ela pode afetar qualquer parte do corpo, mas é mais comum nas mãos, nos pés e nas extremidades. A sensação de formigamento ou dormência pode piorar com o estresse, o frio ou o movimento.
Problemas gastrointestinaisAs pessoas com fibromialgia podem ter problemas gastrointestinais, como dor abdominal, constipação, diarreia ou náusea. Os problemas gastrointestinais podem piorar com o estresse ou com o consumo de certos alimentos.
Problemas de humorAs pessoas com fibromialgia podem ter problemas de humor, como depressão, ansiedade ou irritabilidade. Os problemas de humor podem ser devido à dor, à fadiga ou a outros problemas que estão associados à fibromialgia.

Depressão e ansiedade afetam diferentemente os sintomas de fibromialgia

Depressão e ansiedade influenciam de diferentes modos os sintomas corporais manifestados por pacientes com fibromialgia, de acordo com um estudo realizado na University of Iowa.

Pesquisadores afirmam que isto pode explicar por que os tratamentos multidisciplinares incluindo intervenções psicológicas para fibromialgia são efetivos apenas para uma subpopulação de pacientes, sugerindo que o tratamento deve ser ajustado conforme os sintomas individuais que cada paciente manifesta.

Diante disso, mais pesquisas se azem necessárias para avaliar se este tipo de abordagem ajustada é benéfico para os pacientes com fibromialgia.

O estudo que relata os achados, “Somatic symptoms presentations in women with fibromyalgia are differentially associated with elevated depression and anxiety”, foi publicado no Journal of Health Psychology. Pesquisadores recrutaram 191 mulheres com diagnóstico de fibromialgia. A maioria das pacientes (65%) tinha a doença há mais de 5 anos.


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Metade das participantes do estudo relataram serem afetadas por depressão ou ansiedade. Esta subpopulação era constituída da seguinte forma: 24% teve altos níveis de depressão e ansiedade; 17% relataram altos níveis de ansiedade sem níveis elevados de depressão; e 9% disseram estarem deprimidas, mas sem ansiedade.

Além de examinar os níveis de depressão e ansiedade, a equipe de pesquisa mediu a fadiga, presença de perturbações do sono, catastrofização da dor (exagero), medo de movimento e intensidade da dor, usando ferramentas validadas.

Os dados mostraram que a catastrofização da dor, medo da dor e intensidade da dor estavam ligados com ambas, ansiedade e depressão, e ambas influenciavam independentemente a dor e os sintomas relacionados com a dor. Por outro lado, o efeito não era viciante.

Isto foi uma surpresa para os membros da equipe, os quais pensavam que a ansiedade e a depressão—quando presentes em simultâneo—exerciam um efeito amplificador que levava a sintomas ainda mais graves. 

Jovem Em Pijamas Com Dor De Cabeça Pela Manhã

Em contraste, a fadiga e os problemas de sono pareceram ser influenciados apenas pela depressão.

Embora alguns estudos tenham sugerido que os problemas do sono podem deflagrar depressão em pacientes com fibromialgia, pode haver outras explicações para esta associação.

Os pesquisadores disseram que outra possibilidade é mecanismos comuns—como inflamação ou sensibilização do sistema nervoso central—poderem originar tanto problemas de sono como depressão, além da fibromialgia.

As observações feitas pela equipe sugerem que os tratamentos multidisciplinares em uso atualmente, incluindo intervenções psicológicas, podem ser mais efetivos para pacientes com níveis baixos de ansiedade e depressão, enquanto as abordagens mais moderadas são necessárias para os pacientes com níveis mais altos de depressão/ansiedade.


fibromialgia


Segundo os pesquisadores, “Estes resultados sugerem o possível benefício proporcionado pelos tratamentos dirigidos ajustados para o controle dos sintomas em indivíduos com fibromialgia. As diferenças identificadas em termos de fadiga e qualidade do sono em relação à depressão versus ansiedade  fornecem uma direção para estas intervenções clínicas dirigidas.”  

Estudos futuros deverão se concentrar em avaliar se as intervenções dirigidas aos pacientes com fibromialgia que apresentam vários níveis de depressão e ansiedade são mais efetivas do que as abordagens em uso atuais.

Lady Gaga @ Estádio do Morumbi - SP | Segundo show da turnê … | Flickr

Fibromialgia: a dor crônica que impediu a turnê de Lady Gaga

Em setembro de 2017, foi anunciado que Lady Gaga cancelou sua turnê europeia, que deveria começar na semana seguinte, por causa de uma “forte dor física que havia comprometido sua habilidade de se apresentar”.

Ela tem fibromialgia e produziu um documentário no Netflix— Gaga: Five Foot Two—para despertar a consciência sobre esta condição de longa duração.

Uma declaração diz: “Ela planeja passar as próximas 7 semanas trabalhando proativamente com seus médicos, para se curar disto e dos traumas do passado que ainda afetam seu dia a dia e resultam em uma forte dor física no corpo. Ela quer dar aos fãs a melhor versão do show que criou para eles, quando a turnê for retomada.”

Todos ouvimos falar da Lady Gaga, porém a síndrome da fibromialgia (SFM) pode ser mais misteriosa. Trata-se de uma condição difícil de diagnosticar, explicar ou tratar. E muitas pessoas que sofrem desta condição dizem que lutam para encontrar profissionais médicos que levem seus sintomas a sério.

A SFM é uma condição de longa duração que causa dor disseminada.

Seus sintomas debilitantes incluem cansaço extremo, dores musculares, dificuldade para dormir e se concentrar; cefaleias e inchaço também são comuns. No caso da Lady Gaga, é fácil ver como ela a princípio pode ter suprimido estes problemas para fazer a turnê e se apresentar.

Entretanto, a fadiga e as dores persistem mesmo quando você descansa, e podem causar um esgotamento bem maior do que o cansaço normal. 


Vídeo sobre Fibromialgia



Recensie: Lady Gaga: visueel spektakel zonder betekenis (concert) | OOR


Pessoas com síndrome fibromiálgica frequentemente percebem que uma lesão bastante inócua, como um machucado na ponta do dedo do pé, dói mais intensamente e por um tempo maior do que deveria.

E até mesmo um toque de leve, que não deveria machucar, pode produzir uma sensação dolorosa desagradável. A fadiga significa que você precisa dormir muito, mas acorda se sentindo grogue, rígido e dolorido.

Até mesmo os processos mentais parecem vagarosos, de modo que se torna um enorme esforço se concentrar ou aprender algo novo, e sua fala pode soar lenta e um pouco confusa.

Os pacientes chamam isto  “fibro-névoa”, e não está claro se Lady Gaga sofre disso ou não.

A síndrome fibromiálgica tipicamente é diagnosticada em pessoas como Lady Gaga: do sexo feminino e na faixa etária de 30-50 anos (ela tem 31 anos). Pode afetar até 1 pessoa em cada 20, no entanto não há testes definitivos, por isso é difícil fazer estimativas numéricas.

Também pode haver um componente genético aliado a fatores ambientais. A SFM certamente é diagnosticada com mais frequência hoje do que quando foi identificada pela primeira vez, como causa de uma dor crônica e incapacitante, em 1976. Pode coexistir com outras condições causadoras de dor articular, incluindo artrite reumatoide e lúpus.

Embora você possa pensar que, por não haver cura, não há justificativa para o diagnóstico, as pessoas que vivem com dor e múltiplos sintomas inexplicáveis durante muitos anos costumam achar que saber que com síndrome fibromiálgica as ajuda. 

O diagnóstico é baseado em uma história de dor amplamente disseminada e pontos de pressão. Um examinador o estimula em 18 locais (aplicando uma pressão suficiente para empalidecer a unha do examinador).

Se 11 dos 18 pontos estiverem inusitadamente sensíveis, isto sustenta o diagnóstico. 

Ninguém sabe a causa da síndrome fibromiálgica.

É provável que exista algum distúrbio no modo como a dor é processada no cérebro das pessoas que têm esta condição. existe um ciclo em que a dor torna a pessoa deprimida e ansiosa, e isto piora ainda mais a experiência dolorosa.

Os céticos podem dizer que “é tudo coisa da cabeça”,  mas toda dor é processada no cérebro, por isso este tipo de observação depreciativa e desdenhosa não faz sentido. Há sugestões de que a síndrome fibromiálgica é mais comum entre pessoas que sofreram abuso físico, emocional e sexual na infância; a evidência é fraca, mas esta é uma área que necessita de mais estudos.

Lady Gaga tem sido bastante aberta quanto ao fato de ter sido estuprada aos 19 anos e sua música anti-estupro, Swine, fala do trauma que ele viveu.


Lady Gaga @ Estádio do Morumbi - SP | Segundo show da turnê … | Flickr


Como não cura apresenta específica, viver com síndrome fibromiálgica significa estar consciente dos deflagradores (estresse, luto, outras doenças ou cirurgia, mudanças de tempo, viagem e privação do sono, por exemplo) que podem causar uma exacerbação, e descobrir um modo de viver, trabalhar, praticar exercícios e se alimentar que dê certo para você.

Exercício, fisioterapia, adaptações no local de trabalho, aconselhamento e técnicas de gerenciamento do estresse podem ajudar. O tratamento farmacológico com anti-inflamatórios, antidepressivos e fármacos usados no tratamento da epilepsia já foram, todos, experimentados, mas nenhum se ajusta facilmente.

Entretanto, Lady Gaga – e seus milhões de fãs – pode criar coragem diante do fato de que, não importa o quão ruins forem os sintomas, a síndrome fibromiálgica não causa dano articular a longo prazo e muitas pessoas melhoram com o passar do tempo.

Todavia, não é possível prever quanto tempo a recuperação pode demorar, ou se os sintomas irão voltar, por isso é tão difícil saber quando ela poderá se sentir pronta para voltar a se comprometer com sua turnê outra vez. 

Arquivado em: Dor, Neurologia

Fatos Sobre Dor Lombar (Lombalgia)

21 de março de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Lombalgia é dor na parte baixa das costas. Músculos, articulações, discos e nervos podem contribuir; com menor frequência, há causas urinárias, vasculares, infecciosas ou inflamatórias. A localização, a irradiação, a função e a evolução orientam a avaliação sem tentar adivinhar a causa apenas pela intensidade.

Uma dor ligada a carga ou posição, sem febre e sem perda de força, costuma permitir movimento tolerável e observação inicial. Dor que desce pela perna com formigamento pede exame de força e sensibilidade. Fraqueza progressiva, anestesia em sela, retenção nova ou perda de controle urinário/fecal exigem emergência; dor no flanco com febre, vômitos ou sangue na urina não deve ser tratada como lombalgia comum. Se a função não melhora em semanas, ou há trauma, perda de peso, febre persistente, câncer prévio ou imunossupressão, a hipótese e a necessidade de exames devem ser revistas.

Qual é a anatomia da região lombar?

A anatomia ajuda a localizar sintomas e a entender por que dor na mesma região pode ter origens diferentes.

Estruturas importantes da região lombar que podem ser relacionadas aos sintomas de dor incluem a parte óssea da espinha lombar (vértebras), os discos entre as vértebras, os ligamentos ao redor da coluna vertebral e dos discos, a medula espinhal e os nervos, os músculos da região lombar, os órgãos internos do abdome e da pelve, e a pele que cobre a região.

A parte óssea da coluna lombar é projetada de modo que as vértebras “empilhadas” juntas, uma acima da outra, possam fornecer uma estrutura de suporte móvel e, ao mesmo tempo, proteger as estruturas nervosas. A medula espinhal se estende do cérebro e, na maioria dos adultos, termina por volta de L1–L2; abaixo desse ponto, o canal lombar contém o feixe de raízes nervosas chamado cauda equina.

Cada vértebra possui um processo espinhoso, uma proeminência óssea posterior que serve de inserção para músculos e ligamentos. O arco vertebral delimita o canal que protege a medula na região em que ela está presente e, mais abaixo, as raízes nervosas.

As vértebras também têm um forte “corpo” ósseo (corpo vertebral) em frente à medula espinhal que garante uma plataforma adequada para o suporte do peso de todos os tecidos acima das nádegas. As vértebras lombares se empilham em cima do sacro, que está situado entre as nádegas. De cada lado, o sacro encontra o osso ilíaco da pelve para formar as articulações sacroilíacas das nádegas.

Os discos intervertebrais ficam entre os corpos vertebrais; distribuem cargas e permitem movimento.

Cada disco tem núcleo pulposo mais macio e anel fibroso externo, mais firme.

A parte central do disco é capaz de se romper (herniar, como em hérnia de disco) através do anel externo, causando irritação do tecido nervoso adjacente e ciático como descrito abaixo. Os ligamentos são tecidos moles fibrosos e fortes, que unem com firmeza ossos a outros ossos. Os ligamentos unem cada uma das vértebras entre si e envolvem cada um dos discos.

Ilustração de hérnia discal lombar junto a uma raiz nervosa

Raízes lombares e sacrais contribuem para sensibilidade e movimento das pernas e saem por aberturas ósseas chamadas forames.

Muitos grupos musculares responsáveis ​​por flexionar, estender e girar a cintura, bem como movimentar as extremidades inferiores, fixam-se à coluna lombar através de inserções tendinosas.

A aorta e os vasos sanguíneos que transportam o sangue de e para as extremidades inferiores passam em frente à coluna lombar no abdômen e pelve. Ao redor desses vasos sanguíneos ficam gânglios linfáticos (glândulas linfáticas) e tecidos do sistema nervoso periférico importantes na manutenção do controle da bexiga e intestino.

O útero e os ovários são estruturas pélvicas importantes na área frontal da pelve das mulheres. A próstata é uma estrutura pélvica significativa nos homens. Os rins ficam na região posterior do abdome, um de cada lado da coluna, acima da pelve. A pele sobre a região lombar é suprida por nervos que vêm de raízes nervosas que saem da coluna lombar.

Qual é a função da região lombar?

A parte inferior das costas, ou região lombar, possui várias funções importantes para o corpo humano. Essas funções incluem suporte estrutural, movimento e proteção de certos tecidos do corpo.

Quando estamos de pé, a parte inferior das costas está trabalhando para aguentar o peso da parte superior do corpo. Quando nos curvamos, estendemos ou giramos na cintura, esta parte está envolvida no movimento. Portanto, lesões nas estruturas importantes para a sustentação de peso, como na parte óssea da coluna, nos músculos, nos tendões e nos ligamentos, muitas vezes podem ser detectadas quando o corpo está ereto ou é usado em vários movimentos.

Proteger os tecidos moles do sistema nervoso e da medula espinhal, bem como os órgãos próximos, da pelve e do abdômen, é uma função crítica da coluna lombar e dos músculos adjacentes da região.

Quais são as causas mais comuns de lombalgia?

Causas comuns de lombalgia (dor lombar) incluem sobrecarga lombar, irritação nervosa, radiculopatia lombar, intrusão (encroachment) e patologias dos ossos e articulações. Cada um deles será revisado abaixo.

CausaRelevância e Importância
Hérnia de discoOcorre quando o núcleo gelatinoso de um disco intervertebral rompe através do anel fibroso exterior. Pode causar sintomas quando o achado de imagem corresponde a dor radicular e ao exame; hérnias também são frequentes em pessoas sem dor e não explicam a maioria das lombalgias inespecíficas.
Estenose espinhalEstreitamento do canal que pode causar dor ou peso nas pernas ao caminhar, muitas vezes aliviados ao sentar ou flexionar o tronco; nem toda estenose na imagem é sintomática.
EspondilolisteseDeslizamento para frente de uma vértebra sobre outra. Pode estar relacionada a defeito da pars, degeneração ou outras causas; ocorre em atletas, mas não é exclusiva desse grupo.
TraumaLesões como fraturas, entorses e distensões musculares podem causar dor lombar aguda.
ArtroseAlterações degenerativas das articulações intervertebrais podem coexistir com dor, mas precisam ser correlacionadas com sintomas e exame; imagem isolada não define a causa.
InfecçõesInfecções vertebrais são raras e podem causar dor localizada; febre pode estar presente, mas não é obrigatória.
Espondilite anquilosanteDoença inflamatória crônica que causa rigidez progressiva da coluna. Afeta mais homens jovens.
FibromialgiaCondição que causa dor músculo-esquelética generalizada. A dor lombar é comum.
CâncerTumores primários ou metastáticos que afetam a coluna são raros, mas graves.
OsteoporosePerda de massa óssea que enfraquece vértebras e pode causar fraturas. Comum em mulheres na pós-menopausa.
Distúrbios congênitosAnomalias congênitas podem ser assintomáticas ou se associar a sintomas conforme o tipo e a repercussão neurológica; dor lombar não é automática desde o nascimento.
Doença de PagetDoença óssea que enfraquece e deforma os ossos, incluindo as vértebras.
Excesso de pesoPode se associar a maior chance de lombalgia, mas não mede a intensidade da dor nem explica sozinho cada quadro.
GravidezO peso do feto e alterações hormonais podem causar dor lombar, especialmente no 3o trimestre.
Má posturaPosições sustentadas e tarefas podem modificar sintomas, mas não há uma postura isolada que cause automaticamente lombalgia.
Depressão/ansiedadeFatores psicológicos podem ampliar a percepção de dor lombar existente.
Artrite reumatoideNão deve ser presumida como causa de dor facetária lombar; dor inflamatória persistente e outros sinais precisam de avaliação reumatológica.
Aumento de lordoseUma variação de curvatura que precisa ser interpretada no exame; não explica automaticamente a dor.
Estenose de canal lombarEstreitamento do canal que pode ser congênito ou adquirido por alterações degenerativas; só é relevante quando compatível com sintomas e exame.
EspondiloseDesgaste das articulações da coluna. Comum em idosos e pode comprimir nervos.

Sobrecarga lombar (agudo, crônica): a sobrecarga lombar é uma lesão por estiramento dos ligamentos, tendões e/ou músculos da região lombar. O estiramento resulta em desgastes microscópicos de vários graus nesses tecidos. A sobrecarga lombar é considerada uma das causas mais comuns de dor na lombar. A lesão pode ocorrer por causa do uso excessivo, uso inadequado ou trauma.

A lesão dos tecidos moles é, em geral, classificada como “aguda” se estiver presente há dias ou semanas. Se a distensão durar mais de três meses, é referida como “crônica”” A sobrecarga lombar ocorre com mais frequência em pessoas na faixa dos 40 anos, mas pode acontecer em qualquer idade. A condição é caracterizada por desconforto localizado na região lombar com início após um evento causador de estresse mecânico nos tecidos lombares.

A gravidade da lesão varia de leve a grave, dependendo do grau de estiramento e dos espasmos subsequentes dos músculos da região lombar. O diagnóstico de sobrecarga lombar é baseado em histórico de lesões, a localização da dor e exclusão de lesão do sistema nervoso.

Em geral, exames de raios X só são úteis para excluir anormalidades ósseas.

Homem com a mão na região lombar

Em uma sobrecarga sem sinal de alerta, o objetivo é atravessar a fase dolorosa sem transformar repouso em imobilização: reduzir temporariamente a carga que provocou a crise, manter movimentos e caminhadas toleráveis, usar calor se trouxer alívio e retomar tarefas de modo gradual. Exercícios de recondicionamento podem ajudar quando a dor permite; devem ser ajustados ao padrão de sintomas e à função.

Remédios não substituem a avaliação da causa e não devem ser escolhidos por uma lista de nomes. Uma pessoa com risco gastrointestinal, renal, cardiovascular, de queda, interação medicamentosa ou uso de anticoagulante precisa de decisão individual. Para dor lombar inespecífica, a diretriz NICE não recomenda paracetamol isolado como tratamento e orienta que anti-inflamatórios, quando apropriados, sejam usados na menor dose eficaz e pelo menor período possível.

OpçãoQuando pode fazer sentidoLimite e segurança
Anti-inflamatório oralPode ser considerado por profissional para crise de lombalgia inespecífica, após ponderar benefício e risco.Menor dose eficaz e menor tempo possível; risco gastrointestinal, renal e cardiovascular muda a decisão.
Opioide fracoEm dor lombar aguda, apenas em situação selecionada quando um anti-inflamatório não é possível, não é tolerado ou falhou.Não é opção rotineira e não deve ser mantido para lombalgia crônica; mesmo “fraco” pode causar sedação, constipação, queda, tolerância e dependência.
Gabapentinoides, corticosteroide oral, benzodiazepínico ou antidepressivoNão são tratamento geral de lombalgia; algumas dessas classes podem ter indicação para outro diagnóstico, que precisa ser estabelecido separadamente.A NICE orienta não oferecer gabapentinoides, corticosteroides orais ou benzodiazepínicos para ciática; efeitos adversos e retirada exigem condução clínica.
Injeção epidural ou toxina botulínicaNão tratam lombalgia inespecífica. Epidural com anestésico e corticoide pode ser considerada em cenário especializado de ciática aguda e intensa.Não é um atalho para dor lombar comum; a indicação depende de sintomas, exame e diagnóstico.
ReabilitaçãoManter atividades conforme tolerância e programas de exercício orientados têm papel mais consistente para muitos quadros, depois de excluir sinais de doença específica.O plano precisa ser revisto se houver piora neurológica, febre, trauma relevante ou perda de função.

Longos períodos de inatividade na cama não são mais recomendados, pois podem, na verdade, retardar a recuperação.

Descobriu-se que manipulação vertebral por períodos de até um mês pode ser útil em alguns pacientes que não apresentam sinais de irritação do nervo. As lesões futuras são evitadas usando técnicas para proteção da coluna durante atividades e dispositivos de apoio, conforme necessário, em casa ou no trabalho.

Irritação dos nervos e radiculopatia lombar causam dor lombar.

Irritação do nervo: Os nervos da coluna lombar podem sofrer irritação por pressão mecânica (impacto) do osso ou de outros tecidos, ou por doença, em qualquer lugar ao longo do caminho, desde as raízes nervosas — abaixo de L1–L2, na cauda equina — até os tecidos periféricos.

Estas condições incluem doenças dos discos da lombar (radiculopatia), intrusão óssea e inflamação dos nervos causada por uma infecção viral (herpes-zóster). Veja abaixo as descrições destas condições.

Radiculopatia lombar: Radiculopatia lombar é disfunção de uma raiz nervosa; pode ocorrer por hérnia de disco, estreitamento foraminal ou do canal, espondilolistese, inflamação, trauma ou outras causas. Tais danos ocorrem devido a degeneração (“desgaste”) do anel externo do disco, lesão traumática ou ambos.

Como resultado, a porção central e mais macia do disco pode se romper (herniar) para através do anel externo do disco e encostar em uma raiz da cauda equina ou em uma raiz ao sair da coluna; a medula normalmente termina em L1–L2.

Essa ruptura é o que causa o que muitas pessoas chamam de “ciática”, dor de uma hérnia de disco que irradia da região lombar e das nádegas e desce para as pernas. A ciática pode ser precedida por histórico de dor lombar localizada ou pode vir após uma sensação de “estalo” além de ser acompanhada de dormência e formigamento.

É comum que a dor aumente com a movimentação da cintura e pode aumentar com tosse ou espirros. Anestesia em sela, nova alteração do controle da bexiga ou intestino, ou fraqueza progressiva exigem atendimento de emergência, pois podem sinalizar compressão grave das raízes nervosas. A ciática da radiculopatia lombar afeta, de modo mais comum, apenas um lado do corpo, o esquerdo ou direito, e não ambos.

A radiculopatia lombar é cogitada com base nos sintomas acima. Dor irradiada e crescente ao erguer as extremidades inferiores apoia o diagnóstico.

Exame dos nervos (EMG/ eletromiograma) – pode ser útil para avaliação funcional e avaliar o grau de disfunção nervosa.

Homem carregando caixas

Causas de intrusão óssea na dor lombar

Alterações ósseas ou de alinhamento podem estreitar o canal ou os forames lombares e afetar raízes da cauda equina ou raízes nervosas; abaixo de L1–L2 não há medula espinhal no canal lombar.

Causas de intrusão óssea dos nervos espinhais incluem estreitamento foraminal (estreitamento das entradas pelas quais o nervo espinhal passa da coluna vertebral, fora do canal espinhal para o corpo, em geral como resultado de artrite) espondilolistese (escorregamento de uma vértebra em relação à outra) e estenose espinhal (estreitamento do canal ou dos forames por alterações ósseas, discos ou ligamentos, capaz de afetar raízes nervosas).

A compressão espinhal nestas condições pode levar a dor ciática que irradia para as extremidades inferiores. A estenose espinhal pode causar sintomas nas pernas ao caminhar ou ficar em pé, que frequentemente aliviam ao sentar ou flexionar o tronco. Claudicação vascular é diagnóstico diferente e merece avaliação própria.

O tratamento destes males varia, depende de sua gravidade, e pode envolver exercício e manejo de sintomas. Para claudicação neurogênica por estenose central, a NICE não recomenda epidural de rotina; cirurgia é discutida quando sintomas e imagem concordam e o manejo não cirúrgico não basta.

Disfunções ósseas e articulares causadoras de lombalgia

Disfunções ósseas e articulares: condições que levam à dor lombar incluem aquelas que existem desde o nascimento (congênitas), aquelas que resultam de desgaste (degenerativas) ou por lesão, e aquelas que surgem devido à inflamação das articulações (artrite).

Condições ósseas congênitas: causas presentes desde o nascimento incluem algumas formas de escoliose e espinha bífida; porém a escoliose também pode ser idiopática, degenerativa ou funcional. A escoliose é uma curvatura lateral da coluna que pode ser causada quando uma extremidade inferior é mais curta que a outra (escoliose funcional) ou devido a uma arquitetura anormal da coluna (escoliose estrutural). As crianças que são muito afetadas pela escoliose estrutural podem necessitar de tratamento com órtese e/ou cirurgia para a coluna vertebral.

Em adultos, órteses podem ser usadas de forma seletiva para conforto ou suporte; não são um benefício geral comprovado para toda escoliose. A espinha bífida é um defeito congênito no arco vertebral ósseo sobre o canal vertebral, com frequência pela ausência do processo espinhoso.

Este defeito de nascença é mais comum de afetar a vértebra lombar mais baixa e o topo do sacro. Às vezes, há estranhos tufos de pêlos na pele da área afetada. A espinha bífida pode ser uma anomalia óssea menor sem sintomas. No entanto, a condição também pode ser acompanhada por anormalidades nervosas graves das extremidades inferiores.

Condições ósseas e articulares degenerativas: À medida que envelhecemos, a quantidade de água e proteína nas cartilagens do corpo muda. Essa alteração resulta em uma cartilagem atenuada, mais fina e mais frágil. Como os discos e as articulações que alinham as vértebras (facetas articulares) são, em parte, compostos por cartilagem, essas áreas estão sujeitas a desgaste ao longo do tempo (alterações degenerativas).

A degeneração do disco é chamada espondilose. A espondilose pode ser notada em raios x da espinha como um estreitamento do “espaço discal” normal entre as vértebras. É a deterioração do tecido do disco que predispõe o disco à herniação e à dor lombar localizada (“lumbago”) em pacientes idosos.

Pessoa segurando o punho

Alterações degenerativas nas articulações facetárias podem aparecer em radiografias, mas o achado isolado não identifica a origem da dor. A avaliação combina história, exame físico e, quando necessário, imagem para excluir uma causa específica. O manejo costuma priorizar manter atividades toleradas e exercício orientado; calor pode aliviar algumas pessoas no curto prazo, sem substituir reabilitação ou avaliação quando há sinais de alerta.

Lesão nos ossos e articulações: Fraturas (quebra óssea) da coluna lombar e do sacro afetam com mais frequência pessoas idosas com osteoporose, em especial aqueles que tomaram cortisona a longo prazo. Para esses indivíduos, em determinadas situações, mesmo o mínimo de estresse na coluna (como se curvar para amarrar os sapatos) pode levar a fratura do osso.

Nesse cenário, a vértebra pode entrar em colapso (fratura de compressão vertebral). A dor costuma ser localizada, pode surgir de modo agudo ou gradual conforme o mecanismo e tende a piorar com o movimento; sua intensidade varia. Dor em faixa ao redor do tronco pode ocorrer, e sintomas nas pernas exigem avaliar também envolvimento neural ou outra causa. Em pessoas jovens, fraturas podem ocorrer após trauma importante, mas lesão por estresse, doença óssea ou outras causas também precisam ser consideradas conforme o contexto.

Mãos com conta-gotas sobre a pele

A recuperação de uma fratura vertebral varia conforme estabilidade, causa, dor e risco ósseo. Analgesia e adaptação temporária da atividade podem ser necessárias; repouso prolongado não é uma regra e o plano deve ser individualizado.

Vertebroplastia ou cifoplastia podem ser discutidas apenas em casos selecionados de dor intensa, persistente e concordante com fratura recente, apesar de tratamento clínico adequado; benefícios e incertezas precisam ser avaliados com especialista.

Artrite: As espondiloartropatias são tipos inflamatórios de artrite que podem afetar a região lombar e as articulações sacroilíacas. Exemplos de espondiloartropatias incluem artrite reativa (Doença de Reiter), espondilite anquilosante, artrite psoriática e a artrite associada à doença inflamatória intestinal. Cada uma dessas doenças pode levar a dor lombar e rigidez, comum ser pior de manhã.

Essas condições começam, em geral, na segunda e terceira décadas de vida. São tratadas com medicamentos para diminuir a inflamação. Medicamentos biológicos podem controlar atividade inflamatória e melhorar sintomas em pessoas selecionadas; resposta, riscos e efeito estrutural variam e exigem acompanhamento reumatológico.

Quais são as outras causas de dor lombar?

Outras causas de dor lombar incluem problemas renais, gravidez, problemas nos ovários e tumores.

Problemas renais – Infecções renais, cálculos e sangramento traumático do rim (hematoma) podem aparecer com dor lombar. O diagnóstico pode exigir análise de urina, ultrassom ou outros exames de imagem do abdômen.

Gravidez – A gravidez costuma levar à dor lombar por estresse mecânico na coluna lombar, mudança da curvatura e posicionamento do bebê. Relaxina, estrogênio e afrouxamento de ligamentos também podem contribuir. Exercícios e alongamentos de inclinação pélvica podem ajudar, sempre conforme orientação profissional.

Problemas nos ovários – Cistos ovarianos, miomas uterinos e endometriose também podem causar dor lombar. O diagnóstico preciso pode exigir avaliação ginecológica e exames direcionados.

Tumores – A lombalgia pode ser causada por tumores benignos ou malignos que se originam na coluna, pelve ou medula espinhal, ou por tumores de outros órgãos que se espalham para essas áreas.

Os sintomas variam de dor localizada a dor irradiada intensa, perda de função neurológica e, em casos específicos, alterações urinárias ou fecais. A investigação costuma envolver exames de imagem, como radiografia, cintilografia óssea, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Mulher ao lado de ponto de interrogação e texto Dores Lombar

Quais são as causas incomuns de dor lombar?

Causas incomuns de dor lombar incluem doença óssea de Paget, sangramento ou infecção na pelve, infecção da cartilagem e/ou dos ossos da coluna vertebral, aneurisma da aorta e herpes-zóster.

Doença óssea de Paget

A doença óssea de Paget é uma condição em que a formação óssea fica fora de sincronia com a remodelação normal. Pode enfraquecer e deformar ossos, causando dor localizada em determinadas situações, embora muitas pessoas não tenham sintomas.

Ela é mais comum após os 50 anos. Quando há espessamento de áreas ósseas na coluna lombar, pode ocorrer dor irradiada para os membros inferiores por estreitamento ou irritação de estruturas nervosas.

Radiografias e fosfatase alcalina ajudam na avaliação; cintilografia óssea pode mapear a extensão da doença. Biópsia não é etapa rotineira e fica para dúvida diagnóstica.

Fosfatase alcalina ajuda a avaliar atividade e acompanhar o quadro. Para dor óssea atribuída à doença de Paget, bisfosfonatos são o tratamento específico; a diretriz de 2019 identifica zoledronato como opção com resposta favorável para dor. Escolha e seguimento dependem de sintomas, função renal e avaliação especializada.

Sangramento ou infecção na pelve

O sangramento na pelve sem trauma significativo é raro e, em geral, é visto em pacientes que tomam medicamentos para afinar o sangue, como varfarina (Varfarina Sódica). Nesses pacientes, uma dor ciática de início rápido pode ser sinal de sangramento na parte posterior da pelve e no abdômen que comprime os nervos espinais na região em que se ligam às extremidades inferiores.

Infecção da pelve é pouco frequente, mas pode ser uma complicação de doenças como diverticulite, doença de Crohn, colite ulcerativa, doença inflamatória pélvica com infecção das trompas de Falópio ou útero, e até mesmo apendicite. Infecção pélvica é uma complicação grave dessas condições e é muitas vezes associada a febre, baixa de pressão sanguínea e uma situação de risco de vida.

Infecção de cartilagem e/ou osso da coluna vertebral

Infecção dos discos (discite séptica) e osso (osteomielite) é muito raro. Estas condições podem causar dor localizada; febre pode estar ausente, especialmente em pessoas idosas ou imunossuprimidas. As bactérias encontradas quando esses tecidos são testados com culturas de laboratório incluem Staphylococcus aureus e o bacilo de Koch (bactéria causadora da tuberculose ). Tuberculose na coluna é chamada de doença de Pott.

Essas são patologias muito sérias que exigem longos períodos de antibióticos. As articulações sacroilíacas raramente são infectadas por bactérias. A brucelose é uma infecção bacteriana que pode envolver as articulações sacroilíacas e, pode ser transmitida por produtos não pasteurizados de diferentes animais ou por exposição ocupacional a animais infectados.

Aneurisma de aorta

Nos idosos, a aterosclerose pode causar enfraquecimento da parede do maior vaso sanguíneo arterial (aorta) no abdômen. Fatores como idade, tabagismo, sexo masculino e história familiar aumentam o risco; o aneurisma é um abaulamento da parede da aorta. Enquanto a maioria dos aneurismas não causa sintomas, alguns causam uma dor na lombar do tipo pulsante. Aneurismas maiores ou em crescimento podem exigir vigilância especializada ou reparo. Dor súbita e intensa no abdome ou costas, desmaio, palidez ou colapso exigem emergência imediata por possível ruptura.

Herpes-Zóster

O herpes-Zóster é uma infecção aguda dos nervos responsáveis pela sensibilidade da pele. Em geral ocorre em um ou vários níveis espinhais e apenas de um lado do corpo (direito ou esquerdo). Pacientes com herpes-zóster costumam ter contraído catapora em um momento anterior. Após a catapora, o vírus varicela-zóster permanece latente em gânglios sensitivos e pode reativar mais tarde.

Em pessoas com herpes-zóster, este vírus é reativado e causa infecção ao longo do nervo sensorial, o que causa dor e, em muitos casos, um surto de herpes (bolhas e erupções no mesmo lado do corpo e região do nervo em questão).

A dor na região lombar, em pacientes com herpes-zóster, pode aparecer alguns dias antes da erupção cutânea. Pequenas bolhas podem surgir em sequência e formar crostas ao longo de uma ou duas semanas.

Alguns pacientes desenvolvem dor persistente no nervo, chamada neuralgia pós-herpética. O tratamento pode envolver alívio sintomático, antivirais como aciclovir e medicamentos para dor neuropática, conforme avaliação clínica.

Quais são os fatores de risco para lombalgia?

Os fatores de risco para dor lombar incluem atividades esportivas, levantamento e arremesso de peso, movimentação de bagagem, lesão traumática, infecção renal, gravidez, osteoporose e envelhecimento.

Pessoa segurando termômetro digital

Sintomas associados à dor lombar

A dor lombar pode causar uma grande variedade de sintomas e sinais, dependendo da causa precisa da dor, como revisto acima.

Os sintomas que merecem ser descritos na consulta incluem dormência ou formigamento na perna, fraqueza, alteração de marcha, perda de massa muscular percebida, febre, calafrios, perda de peso sem explicação, dor abdominal, ardor para urinar, sangue na urina, dor articular e fadiga. Incontinência ou retenção urinária/fecal nova, principalmente com dormência em sela ou fraqueza progressiva, não é sinal para observação em casa: exige emergência.

Como os médicos diagnosticam a dor lombar?

O diagnóstico de lombalgia envolve a análise do histórico de doenças e condições médicas subjacentes, bem como exame físico. É essencial que um histórico completo da dor nas costas seja feito, inclusive um histórico de lesões, condições agravantes e atenuantes, sintomas associados (febre, dormência, formigamento, incontinência, etc.), bem como a duração e a progressão dos sintomas.

Além das avaliações rotineiras do abdômen e das extremidades, exames retais e pélvicos podem, em determinadas situações, ser necessários.

Outros testes para o diagnóstico de lombalgia podem ser requisitados como exames de sangue e urina, raios x simples, tomografia computadorizada, ressonância magnética, varredura óssea e exames específicos para as terminações nervosas como eletromiograma (EMG) e velocidade de condução nervosa (NCV).

Qual é o tratamento para dor lombar?

Então, como é tratada a dor lombar? O plano depende muito da causa específica, da duração, das limitações e dos riscos individuais. Na lombalgia inespecífica sem sinais de alerta, educação, continuidade das atividades possíveis e um programa de exercício podem formar a base. Terapia manual, massagem ou abordagem psicológica podem entrar como parte de um pacote que inclua exercício, não como promessa de corrigir uma única estrutura.

Enfim, deve-se notar que as condições listadas acima são destinadas a um quadro geral. Existem muitas outras causas de dor nas costas, inclusive na parte superior, que não foram discutidas.

Termômetro entre comprimidos e cápsulas

Qual é o prognóstico para dor lombar?

A perspectiva de dor lombar depende da causa específica. Muitas crises musculoesqueléticas melhoram com tempo, atividade adaptada e reabilitação; isso não permite prever o curso de cada pessoa. Fratura, infecção, tumor, déficit neurológico progressivo ou compressão de raízes têm outra urgência e outro tratamento. Quando há ciática persistente com sintomas compatíveis e uma alteração de imagem que explica esses sintomas, a descompressão pode ser discutida com especialista; cirurgia não é uma resposta automática para lombalgia crônica inespecífica.

É possível prevenir a dor lombar?

Evitar lesões na região lombar é um método de prevenção da lombalgia. Além disso, programas de exercícios e condicionamento desenvolvidos para fortalecer a área lombar e os tecidos adjacentes podem ajudar a minimizar o risco de lesões na região lombar. Programas específicos para aliviar e prevenir a dor nas costas podem ser projetados com a ajuda de fisioterapeutas e outros profissionais de saúde.

Ilustração com palavras Fato e Mito e sinais de positivo e negativo

A verdade sobre dor nas costas

Dor nas costas é comum, mas seus sintomas e suas causas variam muito entre as pessoas.

A dor pode ser forte ou atenuada. Mitos sobre dor nas costas também são comuns. Você consegue reconhecer os mitos e fatos que se seguem?

Mito: Sempre sente-se com a coluna reta

Não há uma postura sentada universalmente “ruim”. Ficar muito tempo na mesma posição pode piorar sintomas em algumas pessoas; alternar posições e fazer pausas costuma ser mais útil que tentar permanecer rígido. Para aliviar a dor nas costas após uma sessão prolongada, experimente inclinar-se de novo na cadeira com os pés no chão, formando uma ligeira curva na região lombar. Além disso, permaneça em pé por uma parte do dia quando possível (por exemplo, enquanto estiver no telefone ou lendo).

Mito: Repouso na cama é a melhor cura

Ficar na cama pode ajudar com uma distensão nas costas aguda ou outra lesão. Mas não é verdade que você deva ficar na cama. Às vezes, permanecer deitado e imóvel pode piorar a dor.

Mito: A dor é causada por ferimentos

Dor nas costas pode ter causas musculoesqueléticas, neurológicas, infecciosas ou inflamatórias. Espondilite anquilosante não é uma condição simplesmente “herdada”; fatores genéticos contribuem, mas não definem sozinhos o diagnóstico.

Peso pode influenciar carga e saúde, mas não mede a dor sozinho

Atividade física e condicionamento podem apoiar função e bem-estar, mas não garantem prevenir lombalgia nem explicam toda piora. Excesso de peso pode se associar a maior chance de lombalgia, mas dor também ocorre em pessoas magras e ativas; condicionamento não garante proteção. Aqueles que só se exercitam de tempos em tempos (guerreiros de fim de semana) correm maior risco de sofrer lesões nas costas.

Mito: Ser magro significa estar livre de dor

As pessoas que são muito magras também podem correr risco de ter dores nas costas, em especial aquelas com transtornos alimentares e osteoporose.

Mito: Fazer exercícios é ruim para dor nas costas

Exercícios regulares são uma boa forma de prevenir dores nas costas. Na verdade, para aqueles com alguma lesão aguda na região, às vezes é recomendado algum programa de exercícios leves e sob orientação. É normal se iniciar com exercícios leves e aos poucos aumentar a intensidade.

Acupuntura e outras abordagens complementares

Para lombalgia com ou sem ciática, a NICE não recomenda acupuntura de rotina. Yoga, relaxamento e terapia cognitivo-comportamental podem ser discutidos conforme o quadro, as preferências e a disponibilidade; para dor persistente, abordagens físicas e psicológicas costumam ser organizadas junto com exercício, sem sugerir que a dor seja “só emocional”.

Mito: Um colchão firme é melhor

As pessoas diferem em sua resposta à firmeza do colchão. Não há um colchão universal para prevenir ou tratar lombalgia; vale priorizar conforto, suporte percebido e uma posição que permita dormir, em vez de assumir que um colchão muito firme é superior.

Fato: dor lombar é frequente e tem muitas apresentações

Dor lombar é uma experiência comum ao longo da vida, mas frequência não significa que toda dor tenha a mesma causa. Um episódio que melhora e permite retomar a rotina é diferente de dor acompanhada por febre, trauma, sintomas urinários, perda de força ou piora progressiva.

Fato: a medula espinhal termina na parte superior da região lombar.

Abaixo de L1–L2 existem raízes da cauda equina. Elas podem ser comprimidas em situações específicas; sinais neurológicos novos exigem urgência. Na maioria dos casos, dores nas costas muito intensas nem sempre indicam um problema que poderia levar à paralisia.

Exemplos de casos raros em que a paralisia pode ser um risco incluem tumores, infecções e fraturas instáveis ​​da coluna vertebral.

Fato: intensidade da dor não mede sozinha a gravidade de uma lesão

Na dor aguda e na dor lombar persistente, a intensidade é uma informação importante, mas não um termômetro direto de dano estrutural. O exame clínico, a evolução, a função e os sinais de alerta definem melhor quando é preciso investigar uma causa grave. Por convenção, dor persistente por mais de três meses é chamada de crônica.

Fato: Embora seja verdade que indivíduos com melhor condicionamento físico sejam menos propensos a experienciar dor nas costas do que indivíduos sedentários, a dor nas costas pode afetar todas as pessoas, apesar do nível de atividade.

Alguns esportes são mais propensos a causar dores nas costas, como golfe, vôlei e ginástica. Em todos os casos, porém, a coluna deve ser considerada uma prioridade no condicionamento, porque cria uma plataforma estável a partir da qual os braços e pernas trabalham.

Mito: A coluna é delicada e facilmente lesionada.

Fato: A coluna e seus músculos, tendões e ligamentos circundantes compreendem uma estrutura bem projetada que é incrivelmente forte, flexível e de suporte. Para ajudar a preservar coluna e espinha, é necessário um condicionamento adequado. Inclusive fortalecimento, flexibilidade e condicionamento aeróbico. Embora existam algumas exceções à regra (como uma fratura instável da coluna vertebral), as costas não precisam ser superprotegidas após a recuperação de um episódio comum de dor nas costas.

Mito: Se tiver dores ou problemas nas costas quando for jovem, vai piorar à medida que envelhece.

Fato: frequência e prevalência de lombalgia variam por estudo e idade. A OMS descreve que a prevalência aumenta com a idade até cerca de 80 anos; o maior número absoluto de casos ocorre por volta de 50–55 anos. Alterações discais aumentam com a idade e nem sempre são dolorosas.

Mito: Meus pais tiveram dores e outros problemas nas costas, então é provável que eu também tenha.

Fato: fatores genéticos podem contribuir para alguns problemas de coluna, mas não determinam que uma pessoa terá dor lombar.

Mito: Um exame de ressonância magnética ou outro teste de diagnóstico é necessário para diagnosticar meu problema nas costas.

Fato: A maioria dos profissionais de saúde pode desenvolver uma abordagem de tratamento bem-sucedida com base no histórico clínico completo e exame físico.

Ressonância ou outros exames são considerados quando há sinais de alerta, déficit neurológico, suspeita de causa específica ou quando o resultado pode mudar a conduta; falta de melhora isolada não torna a ressonância automática.

Mito: O problema de anormalidade/dor no meu exame de ressonância magnética precisa ser curado.

Fato: Uma anormalidade observada em um exame de imagem (ressonância magnética, tomografia computadorizada) nem sempre causa dor nas costas ou outros sintomas.

Alterações discais e degenerativas podem aparecer em pessoas sem dor e tornam-se mais frequentes com a idade; a proporção depende do achado e da população, e devem ser interpretadas junto com sintomas e exame. Para pacientes com lombalgia, muitas pessoas melhoram sem cirurgia, mas o prognóstico depende da causa, dos déficits neurológicos e da resposta ao tratamento.

Mito: Se nenhum problema específico nas costas for encontrado, minha dor deve ser psicológica.

Fato: A maioria dos casos de dor nas costas não segue a abordagem médica típica do diagnóstico e tratamento estrutural específico, mas a dor ainda é real.

Embora fatores psicológicos, como depressão e insônia, muitas vezes precisem ser incluídos como parte de um programa abrangente de tratamento para dores nas costas, há também uma variedade de opções de cuidados não-cirúrgicos que podem ajudar a aliviar a dor.

Além disso, sintomas persistentes de dor nas costas devem ser investigados por um especialista qualificado em coluna para descartar problemas graves, como tumores ou infecção.

Mito: Existe uma “cura” padrão para a maioria das causas de dor nas costas e no pescoço.

Fato: Há diretrizes para muitos cenários de dor lombar, mas o plano varia conforme a causa, sinais neurológicos, duração e objetivos da pessoa.

Médicos de diferentes especialidades podem divergir sobre o diagnóstico e sobre o plano de tratamento mais apropriado para as dores e demais problemas de coluna, e especialistas em uma mesma disciplina também discordam com frequência.

Alguns diagnósticos de dor, como resultado de um problema nas costas, são relativamente diretos (como um tumor espinhal, infecção ou fratura) e geralmente há mais consenso para o diagnóstico e tratamento desses problemas nas costas.

Mito: O descanso é a chave para a recuperação de dores nas costas e problemas nas costas.

Fato: As duas principais razões pelas quais repouso em uma cama pode ser recomendado para dor nas costas são: reduzir a pressão nos discos da coluna e interromper as tensões mecânicas que são irritantes aos receptores de dor.

Em uma crise comum, permanecer imóvel por tempo prolongado tende a atrasar a volta às atividades. Isso não exige “forçar” movimentos dolorosos: significa alternar posições, caminhar pequenas distâncias quando possível e aumentar a atividade à medida que os sintomas permitem. A pessoa que não consegue se movimentar, tem dor fora do padrão ou apresenta sinais de alerta precisa de avaliação, não de uma regra doméstica de repouso.

Com isso considerado, um programa de exercícios para a lombar pode ajudar a limitar a dor nas costas.

Mito: Calor e massagem provocam bem-estar, então deve ajudar com dor e problemas nas costas.

Fato: Estas terapias podem reduzir a dor aguda nas costas a curto prazo, mas não fornecem uma solução duradoura.

São usados ​​para controlar a dor durante a recuperação, permitindo que os pacientes concluam um programa de reabilitação e participem das atividades diárias.

Mito: Dor a longo prazo indica que eu preciso de cirurgia nas costas para meus problemas.

Fato: Cirurgia não é indicada apenas porque a dor persiste. Ela pode ser útil em situações definidas, como compressão neural com sintomas e imagem concordantes, fratura instável, infecção ou tumor; a decisão precisa explicar o objetivo, as alternativas e os riscos.

Referências

  • WHO. Low back pain.
  • NIAMS. Back pain.
  • Paget Association. Clinical guideline, 2019.
  • NHS. Abdominal aortic aneurysm.
  • NICE NG59. Low back pain and sciatica.
  • NICE TA279. Vertebroplasty and kyphoplasty for osteoporotic vertebral compression fractures.

Arquivado em: Dor, Medicina Esportiva, Ortopedia

Luz artificial e sono: como reduzir o impacto

21 de março de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Luz artificial à noite pode atrapalhar o sono porque sinaliza ao cérebro que ainda é hora de ficar alerta. O impacto costuma ser maior quando há telas fortes, iluminação intensa, horários irregulares e dificuldade para desacelerar antes de dormir.

A exposição à luz artificial à noite também estimula o estado de alerta – e isso pode representar um sério problema para um sono saudável, abundante e revigorante. A exposição à luz durante a noite pode dificultar o sono. Escuridão insuficiente durante a noite pode levar a despertares frequentes e prolongados[1].

As evidências para os benefícios de saúde de sono adequado e reparador são evidentes.

Décadas de pesquisas mostram que dormir entre 7 e 9 horas por noite pode aliviar o stress, reduzir o risco de muitas doenças crônicas, melhorar a memória e função cognitiva e ainda pode ajudar com perda de peso[2].

Como muitos de nós sabemos até agora, recebendo adequada, sono de qualidade é uma das etapas mais importantes, ainda subestimado você pode tomar para melhorar sua saúde e bem-estar total.

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Apesar de tudo que sabemos sobre os benefícios do sono, existem milhões de brasileiros que sofrem ainda com sono não reparador e insônia. 35% dos brasileiros relatam menos de 7 horas de sono por noite e 63% das pessoas dizem que suas necessidades de sono não são suficientes durante a semana.

Os efeitos negativos da privação de sono são graves: dormir menos de 7 horas está associado a fatores de risco cardiovascular e doenças como diabetes, depressão, problemas de aprendizagem e memória e um aumento geral na mortalidade.

Eletrônicos à noite e qualidade do sono

Então o que está causando essa epidemia de perturbação do sono no nosso país? Muitos especialistas pensam que nosso uso excessivo de tecnologia de comunicações (por exemplo, telefones celulares, laptops, televisão.) está levando a este nível significativo de privação do sono.

Se este for o caso, não é de admirar então que muitos lutam contra um sono pobre, uma vez que 95% relataram usar algum tipo de aparelho eletrônico pelo menos algumas noites por semana, dentro de uma hora antes de dormir, como verificar e-mail, assistir seu seriado favorito de noite ou responder a uma mensagem na cama[3].

Parece inofensivo, mas as perturbações de sono causadas por estes dispositivos emissores de luz é significativa e pode ser prejudicial à saúde.


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Pesquisas demonstram que a exposição à luz noturna suprime a produção de melatonina, o principal hormônio secretado pela glândula pineal que controles de dormir e ciclo de acordar.

Portanto, uma redução de melatonina à noite está associada a níveis elevados de insônia, mas a supressão de melatonina tem consequências muito piores do que um sono pobre: demonstrou-se sua relação com aumento do risco de câncer, prejudicar o funcionamento do sistema imunológico e possivelmente levar a consequências cardiometabólicas, tais como o diabetes tipo 2, síndrome metabólica, obesidade e doenças cardíacas com consequências graves[4].

Assim, impedir a supressão de melatonina deve ser uma prioridade em qualquer estilo de vida saudável.

Supressão de luz e melatonina azul

Está bem estabelecido que comprimento de onda curta ou luz “azul” é o mais supressor de melatonina.

Este é o tipo de luz normalmente emitida por dispositivos como celulares, televisores e telas de computador. Para produzir a luz branca, estes dispositivos eletrônicos devem emitir luz em comprimentos de onda curtos, perto da sensibilidade de pico de supressão de melatonina[5].

Isso significa que os produtos tais como smartphones são as principais fontes para a supressão de melatonina à noite.

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Junto com a luz azul emitida por dispositivos eletrônicos, pesquisas mostraram que estar exposto a níveis normais de iluminação do quarto podem ter efeitos negativos semelhantes na melatonina.

Um estudo mostrou que uma hora de exposição à luz brilhante moderada (1000 lux) foi suficiente para suprimir a melatonina noturna para níveis durante o dia. Como a supressão de melatonina é dependente de intensidade, os pesquisadores encontraram que intensidades inferiores podem ter efeitos similares de supressão em durações mais longas; por exemplo, duas horas em 500 lux teria um efeito similar como uma hora a 1000 lux.

Como evitar a supressão de melatonina

Como a luz azul é a que mais afeta a supressão de melatonina, deve-se tentar diminuir a exposição à esta onda ou tentar suprimí-la.

Foi demonstrado que bloquear ou diminuir a luz azul é eficaz em reduzir os efeitos da luz intensa, ou luz azul supressora de melatonina.

Há algumas soluções possíveis para reduzir sua exposição ao azul de luz à noite.

Programas como o f.Lux, e configurações em aparelhos celulares modernos com sistema iOS e Android permitem regular a luz quente e fria da tela.


Existe algum momento em que dormir com as luzes acesas é melhor?

Quase sempre é melhor dormir no escuro; no entanto, você pode querer um pouco de luz ao fazer uma pausa curta para descanso durante o dia.

Os cochilos geralmente são os mais refrescantes quando menos de 30 minutos, e ter as luzes acesas pode impedir que você durma demais e se acomode em um sono mais profundo do que o pretendido.


Que outras medidas podem melhorar o sono e o ritmo circadiano?

Se você tiver problemas de sono duradouros que estão afetando sua energia, pensamento ou humor, leve essa dúvida à consulta que pode determinar melhor a causa, incluindo qualquer possível distúrbio do ritmo circadiano.

Além disso, você pode tomar medidas para melhorar sua higiene do sono e redefinir seu ritmo circadiano.

Evitar o excesso de cafeína, ter um horário de sono consistente e fazer exercícios regulares são exemplos de como seus hábitos e rotinas podem apoiar um sono saudável.


O corpo precisa de tempo para se preparar para dormir. Uma rotina de sono que inclua um ambiente de escurecimento gradual pode ajudar.


O que fazer para dormir melhor?

  • Diminua as luzes uma hora antes de dormir para encorajar seu corpo a iniciar sua progressão fisiológica em direção ao sono.
  • Use um interruptor dimmer nas luzes do teto para controlar seu brilho ou instale lâmpadas reguláveis de baixo watt.
  • Evite usar aparelhos eletrônicos uma hora antes de dormir: desligue a televisão, desligue computadores e tablets e guarde o telefone durante a noite.
  • A luz dos dispositivos digitais contém altas concentrações de luz azul, um comprimento de onda de luz que a pesquisa mostrou ser especialmente prejudicial ao sono.

Fontes úteis

Referências citadas5 fontes
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    Aulsebrook AE, Jones TM, Mulder RA, Lesku JA. Impacts of artificial light at night on sleep: a review and prospectus. Journal of Experimental Zoology Part A: Ecological and Integrative Physiology. 2018 Oct;329(8-9):409-18.
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    Raap T, Pinxten R, Eens M. Artificial light at night disrupts sleep in female great tits (Parus major) during the nestling period, and is followed by a sleep rebound. Environmental Pollution. 2016 Aug 1;215:125-34.
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    Paksarian D, Rudolph KE, Stapp EK, Dunster GP, He J, Mennitt D, Hattar S, Casey JA, James P, Merikangas KR. Association of outdoor artificial light at night with mental disorders and sleep patterns among US adolescents. Jama Psychiatry. 2020 Dec 1;77(12):1266-75.
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    Czeisler CA. Perspective: casting light on sleep deficiency. Nature. 2013 May;497(7450):S13-.
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    Cho Y, Ryu SH, Lee BR, Kim KH, Lee E, Choi J. Effects of artificial light at night on human health: A literature review of observational and experimental studies applied to exposure assessment. Chronobiology international. 2015 Oct 21;32(9):1294-310.
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  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

Arquivado em: Clínica Médica

Tai chi, exercício aeróbico e fibromialgia: benefícios

21 de março de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Tai chi e exercício aeróbico podem ajudar algumas pessoas com fibromialgia, mas o valor está na prática regular, progressiva e tolerável, não em escolher uma modalidade “milagrosa”. A fibromialgia envolve dor generalizada, fadiga, sono ruim, sensibilidade aumentada e impacto emocional; por isso, movimento precisa ser dosado para melhorar função sem provocar piora prolongada.

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Por que tai chi pode fazer sentido

Tai chi combina movimento lento, equilíbrio, atenção, respiração e coordenação. Para fibromialgia, isso pode ser útil porque reduz a barreira de entrada: a pessoa se move sem impacto alto, aprende a regular esforço e trabalha equilíbrio. O componente mente-corpo também pode ajudar quem piora com estresse, sono ruim e medo de movimento.

Exercício aeróbico continua sendo uma base importante, mas muitas pessoas com fibromialgia abandonam quando começam forte demais. Caminhada, bicicleta, água, dança leve ou tai chi podem ser caminhos diferentes para o mesmo objetivo: aumentar capacidade funcional de modo sustentável.

OpçãoVantagemCuidado
Tai chiBaixo impacto, equilíbrio e ritmo gradual.Precisa regular duração e frequência.
CaminhadaAcessível e fácil de medir.Pode piorar se volume subir rápido.
Exercício na águaMenos carga articular.Depende de acesso e temperatura.
Fortalecimento leveAjuda função e proteção articular.Começar abaixo do limite de piora.

Como começar sem disparar crise

O erro comum é usar metas de pessoas sem fibromialgia. O início pode ser de 5 a 10 minutos, duas ou três vezes por semana, com aumento lento. O critério de sucesso não é “sentir dor zero”, mas não ter piora forte por 24 a 48 horas e conseguir repetir a sessão.

Se a pessoa melhora disposição, sono ou mobilidade, mantém. Se fica exausta, com dor ampliada ou perde função no dia seguinte, reduz duração, intensidade ou complexidade. A progressão deve ser pequena e previsível.

O que os estudos sugerem

Ensaios clínicos e revisões indicam que tai chi pode melhorar sintomas e qualidade de vida em parte dos pacientes, com resultados comparáveis ou favoráveis em relação a exercício aeróbico em alguns estudos. A evidência, porém, não significa que todos responderão igual nem que tai chi substitua acompanhamento médico.

Fibromialgia costuma exigir plano multimodal: educação sobre dor, sono, atividade física, manejo de comorbidades, saúde mental quando necessário e medicamentos em casos selecionados. Tai chi entra como ferramenta de movimento e autorregulação, não como tratamento único.

Comece baixo: 5-10 minutos podem ser suficientes no início.
Meça resposta: dor, fadiga, sono e função no dia seguinte.
Progrida devagar: uma variável por vez.
Integre: sono, força, educação em dor e tratamento médico.

Quem precisa adaptar

Pessoas com tontura, quedas, neuropatia, artrose avançada, dor no peito, falta de ar desproporcional, doença cardíaca, gestação ou crises intensas devem adaptar a prática. Aulas para iniciantes, apoio próximo, movimentos menores e pausas são melhores do que insistir em sequências longas.

Também é importante não culpar o paciente quando há oscilação. Fibromialgia flutua. O plano precisa prever semanas ruins, reduzir carga sem abandonar rotina e retomar progressão quando o corpo estabiliza.

Resumo prático

Tai chi pode ser uma boa porta de entrada para movimento em fibromialgia porque combina baixa intensidade, equilíbrio e atenção. Exercício aeróbico também é útil, desde que dosado. A melhor opção é a que a pessoa consegue repetir sem crise prolongada e que melhora função ao longo de semanas.

Antes de escolher modalidade, defina o marcador: caminhar mais, dormir melhor, reduzir rigidez matinal, voltar a tarefas domésticas ou diminuir medo de se mover. Quando o exercício serve a uma função concreta, ele deixa de ser conselho genérico e vira parte do tratamento.

Como lidar com piora pós-esforço

Algumas pessoas com fibromialgia têm aumento de dor e fadiga depois de esforço acima do tolerado. Isso não significa que movimento é proibido; significa que a dose precisa ser recalibrada. Reduzir tempo, amplitude, velocidade ou frequência pode permitir continuidade sem tratar cada sessão como crise.

Uma regra prática é manter a primeira meta abaixo do que parece possível. Se a pessoa acha que consegue 20 minutos, começar com 8 ou 10 pode ser mais inteligente. A progressão vem depois de repetição estável, não depois de uma sessão heroica.

Quando combinar com outros cuidados

Se sono ruim, ansiedade, depressão, enxaqueca, síndrome do intestino irritável ou dor regional intensa estão dominando o quadro, o exercício sozinho pode parecer insuficiente. Nesses casos, o plano precisa combinar educação em dor, manejo de sono, ajuste de medicamentos quando indicados e acompanhamento psicológico ou fisioterapêutico conforme necessidade.

Também vale adaptar metas à vida real. Uma pessoa que trabalha muitas horas em pé pode precisar de recuperação antes de adicionar treino. Outra, muito sedentária, pode começar com mobilidade leve em casa. O critério é função: fazer mais com menos piora, não apenas cumprir uma aula.

Como comparar tai chi e caminhada

A caminhada é fácil de dosar por tempo, distância e passos. O tai chi é mais difícil de medir, mas pode ser melhor tolerado por quem sente medo de impacto, piora com ritmo rápido ou precisa trabalhar equilíbrio. Nenhuma escolha é obrigatória. A melhor modalidade é aquela que aumenta movimento total sem reduzir a vida nos dias seguintes.

Em uma semana prática, a pessoa pode fazer duas sessões curtas de tai chi, duas caminhadas leves e pequenos blocos de força. Se isso é demais, começa com uma única modalidade. A fibromialgia responde melhor a consistência baixa e crescente do que a planos grandes que duram apenas uma semana.

O acompanhamento deve valorizar pequenas vitórias funcionais: tomar banho com menos exaustão, caminhar até o mercado, levantar com menos rigidez, dormir melhor ou reduzir medo de sair. Em fibromialgia, esses ganhos concretos valem mais do que comparar desempenho com pessoas sem dor crônica.

Se uma modalidade gera prazer e adesão, ela tem vantagem prática. Tratamento que a pessoa abandona não produz benefício sustentado.

Por isso, preferência do paciente também é dado clínico.

Ela influencia adesão, frequência e continuidade.

Tai chi é uma prática tradicional chinesa de mente e corpo que combina meditação com respiração profunda, relaxamento e movimentos suaves. Pesquisas anteriores descobriram que o tai chi diminuiu a dor e melhorou a saúde física e mental em pacientes com fibromialgia.

Se você sofre de fibromialgia, uma nova pesquisa sugeriu que tai chi pode ser uma alternativa ou complemento ao exercício aeróbico para aliviar sua dor crônica[1].

“O tratamento mente-corpo do Tai chi resulta em melhora semelhante ou superior no tratamento dos sintomas do que a prática de exercício aeróbico, o atual tratamento não medicamentoso mais comum, para uma variedade de resultados para pacientes com fibromialgia”, os autores do estudo escreveram.


Tai Chi e Fibromialgia

 A Fibromialgia afeta cerca de 2 a 4 por cento dos adultos em todo o mundo. As pessoas com o distúrbio podem ficar muito cansadas e desenvolver rigidez muscular. Também podem ter problemas para dormir e sofrer de depressão[2].

“O tratamento para a fibromialgia em geral inclui exercícios aeróbicos, mas isso pode ser um desafio para muitos pacientes quando os sintomas aumentam.”, explicaram os pesquisadores. Estudos anteriores sugerem que o tai chi é promissor como terapia para a fibromialgia.

tai chi chuan

Para investigar os possíveis benefícios do tai chi, pesquisadores liderados pelo Dr. Chenchen Wang, do Centro de Medicina Alternativa e Integrativa da Universidade de Tufts, em Boston, compararam os efeitos dessa arte meditativa com o exercício aeróbico.

O estudo incluiu 226 adultos que receberam o diagnóstico de fibromialgia há cerca de nove anos. Os pacientes tinham uma idade média de 52 anos. A grande maioria era de mulheres e 61% eram brancos. Nenhum dos participantes havia praticado tai chi ou qualquer outro tipo de terapia alternativa nos seis meses antecedentes ao estudo.

Quando o estudo começou, os pesquisadores questionaram os pacientes sobre seus sintomas físicos e mentais, inclusive acerca da intensidade da dor, capacidade de movimento, fadiga, depressão, ansiedade e bem-estar geral.

Sintomas da fibromialgia

Em seguida, os pacientes foram encaminhados, de forma aleatória, para sessões de exercícios aeróbicos ou tai chi. O grupo de exercícios atendia a duas sessões supervisionadas a cada semana por um total de 24 semanas. Aqueles que praticaram o tai chi seguiram um dos quatro planos de tratamento: uma ou duas sessões por semana, num total de 12 ou 24 semanas.

Os pesquisadores acompanharam os sintomas dos participantes a intervalos regulares. Durante esse tempo, os pacientes continuaram tomando a medicação e fizeram visitas regulares ao médico. Todos os pacientes experimentaram algum alívio de seus sintomas, mas as melhorias foram muito maiores entre aqueles nos grupos de tai chi no final de 24 semanas, segundo o estudo.


Tai Chi Chuan para outras patologias

Pesquisas mostram que os movimentos lentos e focados do Tai chi, juntamente com a respiração profunda, podem aliviar a dor nas costas[3].

A prática ajuda de várias maneiras que incluem: Fortalecimento dos músculos do abdômen e das áreas pélvicas que ajudam a apoiar a região lombar. Melhorar o equilíbrio e a flexibilidade.

Tai Chi Chuan para Dor crônica

O Tai Chi Chuan é um exercício aeróbico adequado para pessoas de todas as idades. O Tai Chi Chuan é amplamente utilizado no campo de doenças crônicas, como osteoartrite de joelho, dor de cabeça, lombalgia e fibromialgia[4].

Meta-análises mostraram que o Tai Chi suficiente tem efeito imediato sobre lombalgia crônica e Tai Chi Chuan é mais eficaz a curto prazo melhora da dor e incapacidade do que nenhum tratamento ou cuidados de rotina[5].

Portanto, o Tai Chi Chuan tem o potencial de melhorar as condições de dor crônica.

Fontes úteis

Referências citadas5 fontes
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  • NCCIH: tai chi for fibromyalgia research result
  • NCCIH: mind and body practices for fibromyalgia
  • NCCIH: tai chi evidence overview
  • PMC: randomized trial of tai chi for fibromyalgia
  • BMJ: tai chi versus aerobic exercise for fibromyalgia
  • NCCIH: fibromyalgia in depth
  • CDC: physical activity for adults
  • NCCIH PDF: tai chi and qi gong
  • CDC: atividade física para adultos
  • American Heart Association: exercício de força
  • MedlinePlus: exercício e saúde

Arquivado em: Dor, Reumatologia

Corrida e cérebro: benefícios e limites

21 de março de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Correr pode melhorar o humor, reduzir sintomas de ansiedade e contribuir para memória e saúde cerebral. Esses efeitos envolvem adaptações ao exercício e aspectos da rotina, como sono, convívio e recuperação. A corrida não precisa ser exaustiva para ser útil, e o benefício não é exclusivo dela: caminhada e outras atividades aeróbicas também contam.

Por que a corrida aparece nos estudos sobre evolução humana?

Daniel Lieberman discute em The Story of the Human Body: Evolution, Health and Disease a relação entre atividade física e evolução. Em trabalho com Dennis Bramble, propôs que a capacidade de correr longas distâncias teve importância na evolução do gênero Homo. É uma hipótese apoiada em anatomia comparada e no registro fóssil, não uma demonstração de que uma única atividade produziu todas as características humanas.

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Tendões que armazenam e devolvem energia, pernas alongadas e mecanismos de estabilização da cabeça e do tronco ajudam a explicar a eficiência da corrida de resistência. Esses traços permitem discutir como nossos ancestrais se deslocavam e obtinham alimento. Já atribuir o tamanho ou a estrutura atual do cérebro diretamente à corrida exige evidência que essa hipótese anatômica, sozinha, não fornece.

A perspectiva evolutiva também não estabelece uma obrigação de correr. A capacidade física, as limitações articulares, as preferências e as oportunidades de movimento variam. O que interessa à saúde atual é a atividade que pode ser mantida com segurança, e não reproduzir uma interpretação do modo de vida ancestral.

Humor e resposta ao estresse

O exercício modifica a atividade de sistemas envolvidos na resposta ao estresse. Um deles é o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal, que participa da liberação de cortisol. O próprio esforço é um estímulo fisiológico: a resposta durante uma sessão não é igual à adaptação depois de semanas de treinamento. Intensidade, duração, horário e condicionamento interferem nessa resposta.

A revisão Nascidos para correr: a importância do exercício para a saúde do cérebro, publicada em 2017, discute esse eixo e outros mecanismos. Ela reúne pesquisas anteriores; não é um ensaio que acompanhou um único grupo de corredores. Por isso, seus achados não permitem afirmar que toda corrida reduz o cortisol de repouso ou que um nível isolado desse hormônio mede o benefício mental do treinamento.

O exercício aeróbico também é estudado por sua relação com neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. Eles participam de redes de motivação, atenção e regulação emocional. Noradrenalina e norepinefrina são nomes da mesma substância. Mudanças nesses sistemas são parte da explicação investigada, mas não permitem calcular quanto uma pessoa vai melhorar nem reduzir depressão à falta de um neurotransmissor.

Homens E Mulheres De Camiseta Vermelha Estão Prontos Para Correr No Campo De Atletismo

Na experiência cotidiana, correr pode criar um horário de pausa, contato com outras pessoas ou tempo sozinho. O percurso concentra a atenção em uma tarefa e pode interromper períodos de ruminação. Esses componentes ajudam a entender por que duas pessoas com o mesmo treino podem relatar efeitos emocionais diferentes: uma encontra uma rotina agradável; outra enfrenta pressão para atingir um desempenho que não deseja.

Corrida ajuda no tratamento da depressão?

Uma revisão sistemática com metanálise em rede publicada no BMJ em 2024 encontrou redução de sintomas depressivos com modalidades de exercício, incluindo caminhada ou corrida. Os estudos reunidos tinham diferenças de participantes, programas e comparação, e a confiança em várias estimativas foi baixa. O resultado sustenta incluir exercício nas opções de cuidado, sem afirmar que correr equivale a qualquer antidepressivo em toda situação.

A gravidade dos sintomas, o risco de suicídio, a possibilidade de adesão e os tratamentos já em curso mudam a decisão. Quando levantar, sair de casa ou manter uma rotina se torna difícil, o plano precisa ser viável e acompanhado, sem transformar a atividade física em cobrança. Corrida pode integrar o tratamento; não é motivo para interromper psicoterapia ou medicamentos que estejam indicados.

Memória, hipocampo e formação de neurônios

O hipocampo participa da memória e da aprendizagem. Estudos em camundongos mostraram que a corrida voluntária aumentou a formação de novos neurônios no giro denteado, uma de suas regiões. Também foram investigadas mudanças na plasticidade sináptica, isto é, na capacidade de modificar a força das conexões entre neurônios. Esses experimentos ajudam a estudar mecanismos em condições controladas.

Em humanos, a interpretação é diferente. Um ensaio com 120 adultos mais velhos comparou treinamento aeróbico com alongamento e encontrou aumento de aproximadamente 2% no volume do hipocampo anterior no grupo aeróbico, acompanhado de melhora da memória espacial. O programa envolvia caminhada; não demonstrou que corrida intensa seja necessária. A medida de volume por ressonância tampouco permite contar novos neurônios ou identificar sozinha qual alteração celular ocorreu.

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Neurogênese, formação de novas conexões, fatores neurotróficos e adaptações vasculares são processos relacionados, mas não intercambiáveis. Estudos de mecanismos procuram explicar como a atividade pode influenciar o cérebro. Já a avaliação clínica pergunta se a pessoa melhora memória, funcionamento ou sintomas. Uma alteração experimental não garante todos esses benefícios em um indivíduo.

A depressão também não é definida por uma contagem reduzida de neurônios no hipocampo. Há diferentes manifestações e fatores associados. A hipótese de plasticidade ajuda a pesquisar a doença e seus tratamentos, mas não permite concluir que correr simplesmente “reverte” um cérebro deprimido.

E quanto ao risco de demência?

Atividade física regular está associada à saúde cognitiva e pode reduzir o risco de declínio cognitivo e demência, segundo o CDC. Parte desse benefício pode envolver a saúde cardiovascular e metabólica, além de mecanismos cerebrais ainda estudados. Redução de risco não é prevenção garantida: uma pessoa ativa ainda pode desenvolver demência, e não há base para atribuir a doença à falta de esforço de quem adoeceu.

O que as pesquisas celulares mostram sobre o exercício?

O trabalho de Powers, Talbert e Adhihetty, publicado em 2011, aborda espécies reativas de oxigênio e nitrogênio como sinais dentro do músculo esquelético. Além de poderem causar dano quando em excesso, essas moléculas participam de vias de adaptação ao exercício. A revisão discute, entre outras, NF-κB e PGC-1α, relacionadas à expressão de genes e à adaptação metabólica muscular.

Esse mecanismo explica por que chamar toda produção de radicais livres de prejudicial é uma simplificação. Entretanto, o tecido estudado importa: uma via demonstrada no músculo não comprova que uma corrida vigorosa gere o mesmo efeito no cérebro humano. Biogênese mitocondrial, atividade antioxidante e melhora de humor são desfechos diferentes, que precisam de estudos próprios.

Como manter a atividade sem transformar o treino em sobrecarga

Regularidade é mais útil quando a carga cabe na recuperação. Para quem começa, alternar caminhada e trote permite observar a tolerância ao impacto e ao esforço. A duração pode ser acompanhada em minutos, sem exigir determinada distância. Aumentar intensidade, frequência e duração ao mesmo tempo dificulta reconhecer qual mudança provocou uma piora.

O CDC recomenda, para adultos, pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 de atividade vigorosa, além de fortalecimento em dois ou mais dias. Esse é um objetivo geral de saúde pública, não uma quantidade obrigatória de corrida nem uma dose necessária para sentir melhora mental. Pessoas com baixa capacidade inicial podem começar abaixo desse volume e progredir conforme a tolerância.

O sono, a dor e a disposição no dia seguinte ajudam a acompanhar o efeito da rotina. Um treino isolado cansativo tem significado diferente de semanas com piora do sono, irritação e queda de desempenho. Nessa segunda situação, reduzir carga e investigar o que mudou é mais útil que insistir para cumprir o calendário.

Resposta observada Interpretação útil
Melhora do humor após a atividade Pode ser um efeito agudo; observar também sono e funcionamento ao longo das semanas.
Irritação, exaustão ou piora persistente do sono Rever volume, intensidade e recuperação; sintomas persistentes também podem ter outras causas.
Dor que reaparece no mesmo ponto Adaptar o impacto e avaliar a evolução, principalmente se muda a marcha ou piora a cada sessão.
Treinar lesionado ou para compensar alimentação Investigar a relação com exercício e alimentação; aumentar a cobrança pode agravar o problema.

Correr em grupo pode favorecer o vínculo e a continuidade; correr sozinho pode oferecer um momento de regulação. A escolha deve considerar segurança e preferência, sem obrigar socialização nem desempenho competitivo. Quando faltar a um treino provoca angústia intensa, ou a pessoa corre apesar de lesão e exaustão, vale discutir essa relação com o exercício no cuidado de saúde mental.

Dor persistente que limita a marcha, piora progressiva ou sintomas que não cedem após adaptação merecem avaliação. Dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa durante esforço exigem interromper a atividade e buscar atendimento. O objetivo do acompanhamento é tornar o movimento uma parte sustentável da vida, preservando o benefício sem ignorar sinais de doença ou lesão.

Referências

  • Bramble DM, Lieberman DE. Endurance running and the evolution of Homo. Nature. 2004.
  • Vorkapic-Ferreira C et al. Nascidos para correr: a importância do exercício para a saúde do cérebro. 2017.
  • Noetel M et al. Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2024.
  • Erickson KI et al. Exercise training increases size of hippocampus and improves memory. PNAS. 2011.
  • Van Praag H, Kempermann G, Gage FH. Running increases cell proliferation and neurogenesis in the adult mouse dentate gyrus. 1999.
  • Powers SK, Talbert EE, Adhihetty PJ. Reactive oxygen and nitrogen species as intracellular signals in skeletal muscle. 2011.
  • CDC. Physical Activity Boosts Brain Health. 2025.

Arquivado em: Medicina Esportiva

Herpes zoster: sintomas, tratamento e vacina

21 de março de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

O herpes-zóster, ou cobreiro, costuma começar com ardor ou dor em uma faixa de pele de um só lado do corpo. Dias depois, podem surgir grupos de bolhas no mesmo lugar. A causa é a reativação do vírus da catapora. Quando as bolhas aparecem, vale buscar avaliação logo nos primeiros dias, enquanto o antiviral tem maior efeito sobre a erupção.

Bolhas na testa, na pálpebra ou no nariz, olho vermelho ou mudança da visão pedem atendimento de urgência no mesmo dia. O nervo atingido pode estar ligado ao olho, e o tratamento precoce ajuda a proteger a córnea. A ausência de bolhas na ponta do nariz não exclui essa complicação.

Por que as bolhas aparecem em uma faixa?

Depois da catapora, o vírus varicela-zóster permanece em grupos de células nervosas próximos à coluna ou à base do crânio. Ele pode ficar inativo por décadas. Quando volta a se multiplicar, percorre um nervo sensitivo até a área de pele ligada a ele. Essa área é chamada de dermátomo.

Isso explica por que alguém pode sentir queimação nas costas e depois ver bolhas contornando apenas um lado das costelas até a barriga. Em geral, a erupção para perto da linha do meio do corpo. A região do peito é comum, mas o rosto e outras partes do corpo também podem ser atingidos.

Como a pele e a dor mudam ao longo dos dias?

A pele pode coçar, formigar ou doer antes de haver qualquer marca. O atrito de uma camiseta às vezes provoca uma dor desproporcional ao toque. Essa sensibilidade, chamada alodinia, vem da inflamação do nervo. No começo, pode ser difícil distinguir o zóster de outra causa de dor localizada.

As bolhas pequenas, com líquido, surgem em grupos sobre a pele inflamada. É possível que algumas já estejam secando quando outras ainda aparecem. Novas bolhas costumam se formar por três a cinco dias. A erupção em geral cicatriza em duas a quatro semanas e pode deixar uma área de cor diferente. Cansaço, dor de cabeça e febre baixa podem acompanhar as lesões.

Lesões de herpes-zóster agrupadas em faixa em um dos lados do tronco.
Herpes-zóster no tronco no terceiro dia de sintomas. Fotografia de melvil, CC BY-SA 4.0.

A distribuição das bolhas e a dor na mesma faixa geralmente permitem reconhecer o zóster no exame da pele. O herpes simples é causado por outro vírus e também pode provocar bolhas agrupadas. Dermatite de contato, impetigo e reações a medicamentos são outras possibilidades, sobretudo quando a distribuição foge do padrão.

Se a distinção muda o tratamento, um exame chamado PCR pode identificar o material genético do vírus em uma amostra da bolha ou da crosta. Antes da erupção, uma queimação isolada não confirma o diagnóstico.

Quem tem maior risco de ter herpes-zóster?

O risco cresce com a idade, conforme diminui a proteção que mantinha o vírus inativo. A reativação também é mais frequente em quem tem HIV, alguns tipos de câncer, como linfomas e leucemias, ou recebeu um transplante. Quimioterapia e medicamentos que reduzem a resposta imune, incluindo certos esquemas com corticoides, também pesam nessa avaliação.

O cobreiro pode surgir em alguém que se sentia bem. Nem sempre é possível identificar um motivo para o episódio. Há estudos que observaram mais casos depois de um trauma recente na região afetada. Essa associação não permite atribuir um episódio isolado a uma pancada, a uma cirurgia de coluna ou ao que a pessoa comeu.

Quem mora comigo pode pegar?

O líquido das bolhas pode transmitir o vírus a quem ainda não tem proteção contra a varicela. A pessoa exposta pode desenvolver catapora. O cobreiro que algumas pessoas apresentam anos depois resulta da reativação do vírus. A vacinação contra a catapora diminui a chance de adquirir a infecção.

O vírus pode passar pelo contato com o líquido ou por partículas que se desprendem das lesões. Enquanto houver bolhas úmidas, cobri-las com roupa ou curativo que não grude, lavar as mãos depois de tocá-las e separar a toalha que encosta nas feridas ajudam a reduzir a exposição. Quando todas as bolhas viram crostas, termina o período de transmissão.

Nesse intervalo, convém evitar contato próximo com gestantes sem proteção conhecida contra a catapora, recém-nascidos e pessoas com imunidade muito baixa. Se já houve contato com as lesões, a equipe de saúde pode avaliar a exposição no mesmo dia. Para alguns contatos vulneráveis, há medidas preventivas cujo benefício depende do tempo desde a exposição.

Quando começar o antiviral?

O tratamento com antiviral reduz a formação de novas bolhas e pode encurtar a fase de dor aguda. O benefício costuma ser maior quando ele é iniciado nas primeiras 72 horas após o aparecimento da erupção. Se ainda surgem bolhas, a dor é forte ou há imunossupressão, pode haver indicação mesmo depois desse período.

Aciclovir, valaciclovir e fanciclovir são opções por via oral. A escolha leva em conta a idade, a função dos rins e a extensão das lesões. Uma pessoa com doença renal pode precisar de outra dose ou de intervalos maiores. Na infância, durante a gestação ou em quem está com a imunidade muito baixa, a avaliação deve ocorrer no mesmo dia para definir a necessidade do antiviral e a via de administração. Se a infecção se disseminou, é preciso atendimento hospitalar e pode ser necessário usar aciclovir pela veia.

Que mudanças durante a crise pedem nova avaliação?

SituaçãoQuando procurar atendimento
Bolhas perto do ouvido, com dor no ouvido ou alteração da audiçãoProcure atendimento no mesmo dia. O zóster nessa região pode atingir o nervo que movimenta o rosto.
Bolhas que se espalham por várias partes do corpo, fora da faixa inicialProcure um pronto-socorro, sobretudo se a imunidade estiver baixa. É preciso avaliar se a infecção se disseminou.
Confusão, fraqueza súbita ou dificuldade para respirarProcure emergência imediatamente. Esses sinais exigem investigação mesmo que já exista um diagnóstico de zóster.
Dor que impede dormir ou piora apesar dos analgésicosPeça reavaliação para ajustar o controle da dor. Se surgiram outras lesões, é importante reexaminar a pele também.

Analgésicos ajudam a controlar a dor enquanto a pele cicatriza. Compressas frescas e roupas folgadas podem aliviar o incômodo do contato com o tecido. Antibióticos só entram na avaliação se houver uma infecção bacteriana associada, como quando aparece pus junto de vermelhidão crescente ao redor da ferida.

Por que a dor pode continuar depois que as bolhas secam?

A pele pode estar cicatrizada enquanto o nervo atingido ainda provoca queimação, choques ou dor ao toque do lençol. O antiviral trata a fase de multiplicação do vírus, mas a dor pode persistir mesmo em quem começou o tratamento cedo. Quando continua na área da erupção por mais de 90 dias a partir do início das lesões, recebe o nome de neuralgia pós-herpética.

Não é preciso esperar três meses para tratar uma dor que impede dormir ou vestir a roupa habitual. Conforme o padrão da dor e os outros medicamentos em uso, podem ser indicados tratamentos que atuam no nervo, como gabapentina, ou um adesivo com anestésico local sobre a pele já cicatrizada. Sonolência, risco de queda e problemas renais influenciam a escolha, sobretudo em pessoas mais velhas.

Para quem a vacina contra herpes-zóster é indicada?

No Brasil, a vacina recombinante contra o zóster, Shingrix, é indicada a partir dos 50 anos e também dos 18 anos para quem tem risco aumentado. Ela contém uma proteína do vírus e não contém vírus vivo. Uma doença autoimune ou o uso de corticoide, por si só, não impede receber essa vacina. A doença e o tratamento em curso ajudam a definir o melhor momento para que a proteção seja adequada.

A bula brasileira prevê duas doses, em geral com dois meses de intervalo. Se for necessário ajustar as datas, a segunda pode ser feita entre dois e seis meses depois da primeira. Em algumas pessoas imunossuprimidas ou que vão iniciar tratamento imunossupressor, a equipe pode programá-la em um a dois meses.

Quem já teve cobreiro pode ter outro episódio. A vacinação pode ser indicada depois da recuperação. Ela também pode ser usada por quem recebeu anteriormente a vacina de vírus vivo atenuado, Zostavax. As restrições dessa formulação antiga para pessoas imunossuprimidas são diferentes das da vacina recombinante. A vacina previne episódios futuros e não trata as bolhas de uma crise em curso.

Referências

  • Anvisa — indicação da vacina recombinante contra herpes-zóster no Brasil
  • GSK Brasil — bula da Shingrix (PDF)
  • Ministério da Saúde — tratamento do herpes-zóster
  • CDC — como o zóster se transmite
  • CDC — evolução da erupção, diagnóstico diferencial e complicações
  • CDC — diagnóstico e tratamento do herpes-zóster
  • CDC — vacinação contra o zóster
  • MedlinePlus — herpes-zóster
  • Health Service Executive — indicação e momento dos antivirais (PDF)
  • NHS — sinais que exigem avaliação rápida
  • NHS — tratamento da neuralgia pós-herpética
  • Zhang e colaboradores — estudo sobre trauma recente e herpes-zóster

Arquivado em: Dor, Neurologia

Esportes individuais e lesões por uso excessivo em crianças

21 de março de 2022 by Diene Oliveira Cruz

Entre jovens que treinavam uma única modalidade durante a maior parte do ano, as lesões por uso excessivo foram mais frequentes nos esportes individuais. Isso apareceu em um estudo com atletas de 7 a 18 anos atendidos em clínicas. Os praticantes de esportes individuais também treinavam mais horas por semana. Para uma criança que gosta de tênis ou ginástica, o resultado ajuda a pensar em quanto e como ela treina, sem que precise trocar de esporte.

O que o estudo encontrou em esportes individuais e coletivos?

Dos 1.190 participantes da pesquisa de Jacqueline Pasulka, Cynthia LaBella e colegas, 313 praticavam um único esporte e treinavam naquela modalidade por mais de oito meses no ano. Foi nesse grupo que os pesquisadores compararam os atletas de esportes individuais com os de esportes coletivos. Tênis, ginástica e dança foram as modalidades com maior proporção de jovens especializados.

Entre esses atletas especializados, a proporção com lesão por uso excessivo foi de 44,3% nos esportes individuais e 32,2% nos coletivos. Os que praticavam modalidades individuais haviam começado a se dedicar a uma só modalidade mais cedo, em média aos 11,2 anos, e treinavam em média 11,8 horas por semana. Nos coletivos, as médias foram de 12 anos e 10,3 horas semanais. Nesse segundo grupo, foram mais frequentes as lesões agudas, como a torção de tornozelo em um lance de jogo.

Os pesquisadores recrutaram atletas lesionados em serviços de medicina esportiva e jovens sem lesão em consultas de atenção primária. Por isso, os percentuais descrevem os grupos examinados. Não são a probabilidade de uma criança se machucar ao se matricular em uma aula de tênis. LaBella, uma das autoras, apontou o maior volume de treino e o início mais cedo como possíveis explicações para a diferença. O estudo não separa por completo o efeito dessas características do efeito da modalidade.

Duas meninas correm lado a lado em uma quadra ao ar livre.

Como a repetição machuca uma região ainda em crescimento?

Uma lesão aguda costuma ter um momento reconhecível, como uma queda sobre a mão. Na sobrecarga, cada sessão solicita um pouco a mesma região. Se os intervalos permitem recuperação, os tecidos se adaptam. Quando saques, saltos ou quilômetros aumentam mais depressa do que essa capacidade, pequenas agressões se acumulam. A dor pode começar depois das aulas, muito antes de impedir um movimento.

Nos ossos em crescimento existem áreas de cartilagem mais vulneráveis a certos esforços. Onde um tendão se prende ao osso, a tração repetida pode irritar essa região. O calcanhar dolorido ao correr ou saltar e a dor na saliência logo abaixo do joelho são exemplos de apofisite, nome dessa irritação. Outras dores do joelho se concentram ao redor da patela, especialmente em movimentos que exigem dobrar o joelho sob carga. O local exato da dor e o movimento que a reproduz ajudam a distinguir esses quadros das lesões esportivas agudas.

A região mais solicitada muda com o gesto. Séries de natação e saques no tênis repetem movimentos acima da cabeça. Arremessos de bola exigem ombro e cotovelo. Na corrida e nos saltos, impactos repetidos podem lesar o osso por estresse. Em um jovem ginasta, a dor lombar que aparece ao inclinar o tronco para trás também pode ter origem óssea, como na espondilólise. Nem toda dor nesses locais tem a mesma causa. Dor óssea bem localizada que volta a cada treino merece avaliação antes de insistir no impacto.

Quando a dor pede mudança de treino ou atendimento?

O momento em que o incômodo aparece faz diferença. Uma dor que antes só surgia na volta para casa e agora começa na metade da aula está interferindo cada vez mais cedo na atividade. Ela pode até aliviar durante o aquecimento e reaparecer depois. Esse alívio passageiro, por si só, não mostra que a região tolerou a sessão.

SituaçãoO que ela sugereComo agir
Dor depois do treino, sempre no mesmo pontoA carga pode estar irritando uma região específica, mesmo que a próxima aula comece sem dor.Reduzir ou retirar o gesto que provoca a dor. Se ela voltar ou persistir com o descanso, procurar avaliação.
Dor que faz mancar, poupar o braço ou modificar a técnicaO movimento já está limitado. Continuar a sessão exige compensar com outra parte do corpo.Interromper a atividade que provoca a dor e buscar avaliação antes de retomar esse esforço.
Dor que persiste em repouso ou vem com inchaço e limitaçãoA queixa já interfere além do esporte e pode ter outra causa.Suspender o treino que exige a região até que a causa seja examinada.

Se a criança de repente não consegue caminhar ou apoiar o peso do corpo, a avaliação deve ser em um serviço de urgência. Uma articulação dolorida e inchada, com movimento limitado e febre, também requer atendimento imediato. Nesse contexto, o exame precisa investigar outras causas, inclusive infecção articular. Já a dor localizada que acorda a criança repetidamente merece ser examinada, mesmo que ela ainda consiga andar.

Às vezes o primeiro indício é visível para quem acompanha. A criança para de usar um braço na natação, encurta a passada ou evita a parte da aula de que mais gostava. Perguntar em qual movimento a dor começou costuma esclarecer mais do que exigir uma nota de zero a dez. Saber se a dor voltou quando corria no recreio, por exemplo, ajuda a perceber quanto o problema já interfere fora do treino. O medo de perder uma vaga pode fazer com que ela conte sobre o incômodo só depois do jogo.

Quantas horas de treino são demais?

Em outra análise clínica, duas situações estiveram associadas a lesões por sobrecarga mais sérias em jovens atletas. Uma era passar mais horas semanais em esporte organizado do que a própria idade em anos. A outra era dedicar ao esporte organizado mais que o dobro do tempo gasto em brincadeiras esportivas livres. São comparações observadas em grupos de atletas. Não há um número de horas que, sozinho, libere a participação ou determine o afastamento.

Para uma criança de 10 anos, três treinos de duas horas na escola mais quatro de duas horas no clube já somam 14 horas semanais, antes de contar uma competição. Cada equipe pode estar vendo apenas uma parte dessa agenda. Um treino técnico sem impacto tem exigências diferentes de um torneio com vários jogos no mesmo dia. A conta ajuda a localizar onde houve aumento de esforço, inclusive quando a criança começa a treinar por duas equipes ou muda de categoria.

A mesma agenda também pesa de forma diferente depois de algumas semanas sem treinar, de uma lesão ou de um estirão de crescimento. Uma viagem para competir e provas na escola podem encurtar o tempo de sono disponível, mesmo sem acrescentar treino. Nas semanas em que a dor aparece, saber o que foi acrescentado ou retirado do calendário ajuda a escolher uma mudança concreta. Às vezes é a sessão extra de saques que precisa sair, enquanto as atividades que não forçam o ombro podem continuar conforme a lesão.

Como organizar descanso e preparação física durante a temporada?

A Academia Americana de Pediatria recomenda pelo menos um dia por semana sem esporte organizado e dois a três meses ao longo do ano sem praticar cada modalidade específica. As pausas anuais podem ser divididas. Um dia livre do clube continua ocupado se nele houver jogo por outra equipe. Uma pausa no tênis, por sua vez, pode deixar espaço para uma atividade agradável com outros movimentos, desde que ela seja compatível com a condição física da criança.

Há diferenças entre modalidades que ajudam a distribuir o treino. Para um corredor, aumentar ao mesmo tempo distância, velocidade e número de dias torna difícil saber qual esforço passou a provocar dor. Para quem arremessa, as regras de limite de lançamentos por idade e de intervalo entre jogos precisam considerar as duas equipes, quando houver. No tênis, uma sessão pode trabalhar deslocamento e posicionamento em vez de repetir saques. No basquete e na ginástica, o treino de equilíbrio e de aterrissagem dá à criança a oportunidade de praticar como recebe o peso do corpo após um salto.

Aquecimento, exercícios de força com supervisão adequada à idade, mobilidade e prática do gesto técnico entram no tempo disponível de preparação. Somar tudo depois de um treino já longo pode aumentar o problema que se pretendia resolver. Há também uma diferença entre a criança que escolhe repetir um movimento para aperfeiçoá-lo e a que o repete para manter a vaga embora esteja com dor. Ter espaço para brincar, descansar ou experimentar outra atividade permite que o interesse pelo esporte continue sendo dela.

Quando o cansaço vai além da dor local

A queda de rendimento acompanhada de irritabilidade, sono ruim, cansaço persistente ou perda de prazer pode indicar que as exigências estão maiores do que a recuperação. Esses sintomas também podem ter outras causas. O esgotamento esportivo envolve uma mudança na relação com o esporte. Uma adolescente pode continuar a comparecer às aulas, mas sentir que já não consegue cumprir as exigências e passar a evitar qualquer ocasião de competir.

Perda de peso não planejada, restrição alimentar, alterações menstruais ou lesões ósseas repetidas são outros motivos para avaliação. Quando a alimentação não acompanha o crescimento e o gasto com os treinos, pode faltar energia para a saúde óssea e para o funcionamento hormonal. Uma adolescente que vinha menstruando e passa a ficar sem menstruar não deve presumir que isso é simplesmente consequência esperada de ser atleta. A investigação considera também outras causas e ajuda a decidir como adaptar alimentação e atividade.

Como voltar ao treino após uma lesão por sobrecarga?

O retorno depende do tecido lesionado e do que a modalidade exige. Uma lesão óssea por estresse e um tendão sensível podem doer no mesmo movimento, mas exigir tempos e restrições diferentes. Durante a recuperação, atividades que não provocam dor nem solicitam a região afetada podem ser mantidas quando a avaliação permite. Uma criança que manca no trajeto até a escola ainda está poupando a perna em uma tarefa mais leve do que o treino.

A melhora no cotidiano é uma primeira referência. Antes de voltar ao jogo completo, também importam a força, a amplitude de movimento, a ausência de inchaço e a capacidade de executar os gestos da modalidade sem compensar. Um tenista que movimenta o ombro sem dor pode começar com exercícios controlados antes de repetir saques fortes. No futebol, correr em linha reta é diferente de frear e mudar de direção. A passagem de exercícios isolados para uma parte do treino e depois para a competição permite observar essas diferenças.

Se a dor reaparece a cada tentativa de aumentar o esforço, a etapa anterior e o diagnóstico precisam ser revistos. Reduzir a dor com um analgésico para conseguir jogar não demonstra recuperação da força nem da função. Na presença de dor no quadril que altera a passada, por exemplo, conseguir terminar um treino mancando é motivo para interromper a progressão.

Referências

  • Pasulka e colaboradores — especialização esportiva e lesões em atletas de 7 a 18 anos
  • Lurie Children’s Hospital — interpretação dos resultados pela equipe do estudo
  • Jayanthi e colaboradores — horas de treino, brincadeira livre e lesões por sobrecarga
  • Jayanthi e colaboradores — acompanhamento de atletas jovens e especialização
  • American Academy of Pediatrics — lesões por sobrecarga, excesso de treino e esgotamento
  • HealthyChildren, da American Academy of Pediatrics — organização do treino e das pausas
  • American Medical Society for Sports Medicine — sobrecarga e esgotamento no esporte juvenil
  • American Academy of Orthopaedic Surgeons — lesões por repetição na infância
  • Royal Children’s Hospital Melbourne — criança que manca ou não consegue apoiar o peso
  • Female Athlete Triad Coalition — recomendações sobre energia disponível, ciclo menstrual e saúde óssea
  • American Academy of Orthopaedic Surgeons — sinais de lesão e critérios para retorno ao esporte

Arquivado em: Clínica Médica, Fisioterapia

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