Resposta direta: artrose interfacetária é desgaste das pequenas articulações posteriores da coluna. Pode causar dor lombar ou cervical, rigidez e piora com extensão/rotação, mas achados em imagem nem sempre explicam a dor. O diagnóstico depende da história, exame físico e exclusão de sinais neurológicos ou outras causas.
Imagem de artrose não basta para explicar dor
As facetas ajudam a guiar movimento e estabilizar a coluna. Com envelhecimento, sobrecarga, alterações do disco ou osteoartrite, elas podem ficar dolorosas. Ainda assim, muitas pessoas têm artrose facetária em exames sem dor relevante. O exame deve conectar achado, padrão de dor e função.
| Sinal clínico | Leitura prática |
|---|---|
| Dor pior ao estender ou girar a coluna | Pode sugerir componente facetário. |
| Dor que desce abaixo do joelho com formigamento | Raiz nervosa ou estenose entram no raciocínio. |
| Rigidez e melhora com movimento leve | Padrão mecânico ou degenerativo possível. |
| Fraqueza, perda de sensibilidade ou alteração urinária | Não tratar como artrose simples. |
| Febre, câncer prévio ou perda de peso | Exigem investigação de outras causas. |
O tratamento costuma começar por educação, atividade adaptada, fortalecimento, mobilidade, sono e manejo de crises. O objetivo não é “desgastar menos” ficando parado, e sim melhorar tolerância da coluna a movimentos e tarefas reais.
Quando pensar em bloqueios ou procedimentos
Medicações podem aliviar fases, mas precisam considerar idade, rim, estômago, pressão, coração e outros remédios. Fisioterapia deve mirar função: caminhar, sentar, levantar, girar, carregar peso e dormir. Quando há suspeita facetária persistente, bloqueios diagnósticos podem ajudar a confirmar a fonte de dor em casos selecionados.
Procedimentos como radiofrequência têm papel em alguns pacientes, mas não devem vir antes de uma boa hipótese clínica. Se a dor é dominante por hérnia, estenose, sacroilíaca, quadril ou dor miofascial, tratar faceta isoladamente pode frustrar.
Acompanhamento deve medir melhora funcional, não só intensidade da dor. Se a pessoa se move melhor, dorme melhor e reduz crises, o plano está funcionando mesmo que o exame ainda mostre artrose.
O que perguntar quando o laudo fala em facetas
Um laudo pode citar artrose interfacetária, hipertrofia facetária ou espondiloartrose. A pergunta clínica é se aquilo combina com a dor. Dor facetária costuma ser mais localizada, pode piorar com extensão e rotação e nem sempre desce como choque para a perna.
Se há dor irradiada, formigamento, perda de força ou piora ao caminhar com alívio ao sentar, outras estruturas entram no diagnóstico. Disco, canal estreito, raiz nervosa, quadril e sacroilíaca podem coexistir com facetas alteradas.
Antes de procedimentos, vale testar se movimento dosado, fortalecimento e controle de carga mudam a função. Procedimento bem indicado deve responder a uma hipótese específica, não a um laudo isolado.
Na consulta, descreva quais movimentos pioram: ficar em pé parado, caminhar, estender a coluna, girar no carro, levantar da cadeira ou carregar peso. Esse mapa funcional é mais útil do que dizer apenas “tenho artrose”. Ele aproxima o laudo da vida real.
Se um bloqueio diagnóstico for considerado, o resultado precisa ser medido nas horas seguintes com atividades que normalmente provocam dor. Alívio inespecífico em repouso ajuda pouco; o que importa é testar a função que antes era limitada.
Quando o bloqueio reduz claramente a dor durante movimentos provocativos, ele pode fortalecer a hipótese facetária. Quando não muda nada, insistir na mesma explicação fica menos convincente.
Essa lógica protege o paciente de uma sequência de procedimentos baseada apenas na imagem. A coluna pode ter várias alterações ao mesmo tempo, e o tratamento precisa priorizar a que melhor explica o quadro.
Também é útil revisar ergonomia, pausas, força de tronco e tolerância a caminhadas. Facetas dolorosas costumam piorar com certas posições, mas o corpo precisa recuperar capacidade de se mover, não apenas evitar movimento.
A meta é reduzir crises e aumentar autonomia, não perseguir uma imagem perfeita da coluna.
Função vem primeiro.
Sempre.
Na prática.
A artrose interfacetária pode causar dores e incômodos bem insistentes em algumas pessoas, mas do que se trata este tipo de artrose e como tratá-la?
A artrose interfacetária representa um desgaste na região das articulações da coluna, podendo ser motivo de dores nas costas e até mesmo redução da flexibilidade e mobilidade da coluna[1]Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. The Journal of the American Society of Anesthesiologists. 2007 Mar 1;106(3):591-614..
Vamos entender por que ela acontece e como tratá-la. Mas para isto, primeiro de tudo, precisamos entender o que é artrose de maneira geral.
O que é artrose e por que ela acontece?

A artrose, que também pode ser chamada de osteoartrite, é um fenômeno que representa o desgaste gradual das cartilagens, o tecido de proteção localizado nas extremidades dos ossos, podendo ser acompanhada pela alteração das próprias estruturas ósseas vizinhas às cartilagens degeneradas[2]Cohen SP, Bhaskar A, Bhatia A, Buvanendran A, Deer T, Garg S, Hooten WM, Hurley RW, Kennedy DJ, McLean BC, Moon JY. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a … Continue reading.
A artrose pode acontecer por diferentes motivos, algumas das causas podendo incluir o avanço da idade, o excesso de esforços físicos repetitivos e a obesidade.
Pode também ocorrer devido a algumas causas secundárias, como traumas, necroses ósseas, doenças que levam a um comprometimento nervoso, doenças reumatológicas inflamatórias e entre outras.
Em relação à ocorrência da artrose com o avanço da idade, foi analisado que entre 80 e 90% das pessoas que já passaram dos 40 anos, apresentam em algum nível sinais de artrose ao realizarem exames de raio-X, porém, em muitos dos casos não há a apresentação de sintomas do desgaste, com as queixas aumentando de maneira progressiva com o passar dos anos[3]Manchikanti L, Singh V. Review of chronic low back pain of facet joint origin. Pain physician. 2002;5(1):83..
Como saber se eu tenho artrose?

Os sintomas da artrose costumam englobar:
- Dores nas regiões de articulações
- Rigidez local e diminuição da mobilidade do membro ou da região
- Possíveis inchaços
- Redução da flexibilidade no local
Caso você acredite que possa estar sofrendo de artrose, procure por ajuda médica ortopédica, que seguirá com os exames adequados e com tratamentos para redução e controle dos sintomas[4]Odonkor CA, Chen Y, Adekoya P, Marascalchi BJ, Chaudhry-Richter H, Tang T, Abruzzese C, Cohen BK, Cohen SP. Inciting events associated with lumbar facet joint pain. Anesthesia & Analgesia. 2018 … Continue reading.
O que significa ter artrose interfacetária?

A artrose pode acometer diferentes áreas de articulação do corpo, como as mãos, os joelhos e a coluna. A artrose interfacetária, nada mais é do que o desgaste entre as articulações facetárias, que permitem a movimentação da coluna.
As articulações facetárias estão presentes ao longo de toda a extensão da nossa coluna, fazendo com que possa haver a ocorrência da artrose em diversos pontos da mesma. Porém, na maior parte dos casos, este tipo de artrose tende a ocorrer na região lombar inferior, ou da cervical inferior.
Osteoartrite da coluna: muitos nomes, uma doença
A osteoartrite que se desenvolve na coluna pode ter muitos nomes diferentes, incluindo:
- Artrite da articulação facetária
- Síndrome da articulação facetária
- Artropatia facetária
- Artrite da articulação zigapofisária
Quais as causas da artrose na coluna?
Já falamos sobre as principais causas da artrose, porém, quando falamos especificamente da artrose que pode ocorrer nas articulações da coluna, alguns itens a mais precisam ser mencionados.
Primeiramente, a principal causa da artrose interfacetária constitui o desequilíbrio e a sobrecarga de peso nas costas, além da questão genética, que pode aumentar as chances de sua ocorrência.
A fraqueza da musculatura presente no tronco também pode aumentar as chances de ocorrência de um artrose na região, uma vez que sem uma boa estabilidade por parte dos músculos, é possível que as cartilagens acabem sofrendo mais desgastes do que seria ideal.
Por fim, a manutenção de uma má postura pode também acabar piorando quadros de artrose interfacetária, principalmente quando atuando junto a outras causas de degeneração das cartilagens entre tais articulações.
Como tratar a artrose interfacetária

O que muda a avaliação clínica
Em Artrose interfacetária: sintomas e tratamento, o raciocínio clínico começa pela combinação entre início, duração, padrão de piora, sintomas associados e histórico. O mesmo diagnóstico pode ser leve em uma pessoa e exigir cuidado rápido em outra por idade, imunidade, doenças crônicas ou sinais de perda de função.
| Dado | Como orienta a decisão |
|---|---|
| Início e duração | Diferenciam quadro súbito, recorrente ou progressivo. |
| Sintomas associados | Febre, perda de peso, falta de ar, fraqueza ou sangramento mudam prioridade. |
| Histórico | Doenças, cirurgias, medicamentos e exames anteriores explicam risco. |
| Impacto funcional | Mostra se o problema limita atividades, sono, trabalho ou autocuidado. |
Levar uma linha do tempo curta costuma ajudar: quando começou, o que piora, o que alivia, o que já foi tentado e qual mudança mais preocupa. Essa organização evita tanto atraso quanto intervenções sem alvo claro.
Não há um tratamento que consiga retroceder ou retardar os desgastes decorridos de artroses, porém, há algumas maneiras de melhorar a qualidade vida, reduzir e controlar os seus sintomas.
Uma das maneiras mais relatadas para o controle dos sintomas da artrose incluem a construção ou manutenção de um condicionamento físico, utilizando-se de atividades de baixo impacto e sem muitos movimentos fortes e repetitivos, como as caminhadas ou a natação.
Ainda relacionado a atividades físicas, os exercícios que conferem estabilidade à região da coluna podem ser muito bem vindos, porém, é sempre recomendado que para isto haja uma avaliação e os exercícios sejam passados por um profissional da área[5]Chambers H. Physiotherapy and lumbar facet joint injections as a combination treatment for chronic low back pain. A narrative review of lumbar facet joint injections, lumbar spinal mobilizations, … Continue reading.
Para reduzir os sintomas mais agudos, pode-se recorrer a medicamentos de ação analgésica como o ácido acetilsalicílico e a dipirona, reduzindo as dores e trazendo certo alívio de maneira temporária.
Em casos que a artrose interfacetária pode acarretar em inflamações, medicamentos de ação anti inflamatória podem também ser receitados, auxiliando no controle de possíveis inflamações locais.

No mais, algumas ações que podem trazer conforto e ajudar em casos de artrose envolvem, por exemplo:
- Tomar cuidado com movimentos bruscos envolvendo o local da artrose
- Controlar o ganho de peso
- Incluir alças de apoio em banheiros e escadas que possam haver dentro de casa
- Utilizar bons sapatos que ofereçam um apoio adequado ao corpo
- Fazer uso de bengalas ou andadores caso estes sejam capazes de conferir uma maior autonomia e possibilidade de movimentação por parte da pessoa com artrose.
O que muda a segurança do movimento
O local da dor ajuda, mas o impacto na rotina costuma orientar melhor a conduta. Para Artrose interfacetária: sintomas e tratamento, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.
| Sinal | O que muda |
|---|---|
| Função | Dor que impede caminhar, dormir ou trabalhar pesa mais. |
| Irradiação | Formigamento ou fraqueza sugerem avaliação neurológica. |
| Trauma | Queda ou pancada forte muda a segurança de observar. |
| Carga | Resposta ao treino orienta progressão ou pausa. |
| Evite concluir | Prefira avaliar |
|---|---|
| “Se dói, devo parar tudo” | Carga tolerável e retorno gradual. |
| “Imagem alterada explica toda dor” | História, exame físico e função. |
| “Formigamento é normal” | Força, sensibilidade e reflexos quando houver irradiação. |
Use dois marcadores simples: o que a dor impede e como ela responde à carga. Se limita sono, marcha, trabalho ou força, a investigação tende a ser mais importante.
O acompanhamento fica mais útil quando há um critério claro de melhora, um sinal de piora e um prazo para reavaliar a decisão.
Fonte: AAOS OrthoInfo.
Fontes úteis
Referências Bibliográficas
| ↑1 | Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. The Journal of the American Society of Anesthesiologists. 2007 Mar 1;106(3):591-614. |
|---|---|
| ↑2 | Cohen SP, Bhaskar A, Bhatia A, Buvanendran A, Deer T, Garg S, Hooten WM, Hurley RW, Kennedy DJ, McLean BC, Moon JY. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a multispecialty, international working group. Regional Anesthesia & Pain Medicine. 2020 Jun 1;45(6):424-67. |
| ↑3 | Manchikanti L, Singh V. Review of chronic low back pain of facet joint origin. Pain physician. 2002;5(1):83. |
| ↑4 | Odonkor CA, Chen Y, Adekoya P, Marascalchi BJ, Chaudhry-Richter H, Tang T, Abruzzese C, Cohen BK, Cohen SP. Inciting events associated with lumbar facet joint pain. Anesthesia & Analgesia. 2018 Jan 1;126(1):280-8. |
| ↑5 | Chambers H. Physiotherapy and lumbar facet joint injections as a combination treatment for chronic low back pain. A narrative review of lumbar facet joint injections, lumbar spinal mobilizations, soft tissue massage and lower back mobility exercises. Musculoskeletal Care. 2013 Jun;11(2):106-20. |









































