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Manga carlotinha: benefícios, porção e cuidados

21 de dezembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

A manga carlotinha deve ser avaliada como fruta dentro da rotina alimentar: porção, frequência, maturação e combinação com a refeição mudam mais o efeito prático do que a lista de “benefícios”.

A Manga Carlotinha é uma das várias espécies de manga cultivadas no Brasil, sendo uma espécie de porte médio com folhas grossas e de cor verde opaca.

Dessa forma, a manga carlotinha é uma espécie bem diferente dos outros tipos, pois é uma fruta suculenta de sabor doce, aromático e acidulante.

Cada fruta desta espécie mede entre 5 a 7 centímetros, com formato pequeno e arredondado, de casca fina e lisa.

Além disso, a semente da manga carlotinha representa 13% do tamanho da fruta, pesando mais de 25 gramas.

Além de ser saborosa, a manga carlotinha pode fazer parte de uma alimentação variada. Os pontos abaixo devem ser lidos como possíveis contribuições nutricionais, não como tratamento.

7 pontos nutricionais da manga carlotinha

1- Pode compor uma dieta cardiometabólica melhor

Como fruta, a manga carlotinha fornece água, fibras, carboidratos e compostos bioativos. Ela pode entrar em uma dieta cardiometabólica melhor quando substitui ultraprocessados, mas não controla pressão sozinha.

Colesterol, pressão e risco de infarto dependem de dieta completa, peso, atividade física, sono, genética, tabagismo e medicamentos quando indicados.

Manga Carlotinha: Conheça 7 benefícios

2- Rica em antioxidantes

A manga carlotinha possui muitos antioxidantes que combatem a ação dos radicais livres na pele e nas células do corpo.

Antioxidantes participam da proteção celular, mas não impedem rugas, flacidez ou câncer por consumo de uma fruta específica.

3- Rica em vitaminas 

A vitamina C participa da imunidade e da formação de colágeno, mas não previne gripes e resfriados por si só.

Cabelo e unhas dependem de proteínas, ferro, zinco, tireoide, medicamentos, doenças e rotina. A manga não deve ser usada como solução para queda de cabelo ou unhas fracas.

4- Possui pectina, uma importante fibra 

A pectina é a principal fibra encontrada na manga carlotinha, por isso, ela consegue atuar sobre os níveis de glicose no organismo.

Dessa maneira, fibras podem ajudar a modular a resposta glicêmica da refeição. Pessoas com diabetes devem observar porção, horário, combinação com outros alimentos e glicemias.

rica em vitamina C

5- Evita a desidratação

Por conter água, a manga ajuda na ingestão de líquidos junto com outros alimentos. Ainda assim, hidratação depende principalmente de água, clima, suor e rotina.

Ela não deve ser tratada como isotônico natural. Em suor intenso, treino prolongado, calor extremo ou vômitos/diarreia, a reposição precisa considerar água, sódio e contexto clínico.

6- Melhora o funcionamento do intestino

As fibras da fruta podem ajudar o trânsito intestinal, especialmente quando a dieta também tem água, feijões, verduras, movimento e rotina regular.

Fibras não fazem “limpeza de toxinas”. Em algumas pessoas, frutas também podem piorar gases ou refluxo se a porção for grande ou se houver sensibilidade digestiva.

7- Pode ajudar saciedade, sem emagrecer sozinha

Por ter água e fibras, pode ajudar saciedade quando entra em porção adequada. O efeito no peso depende do total de calorias, do restante da dieta e da frequência.

As fibras podem favorecer uma microbiota mais diversa, mas não expulsam bactérias nocivas de forma direta.

Composição Nutricional

Em cada 100 gramas de manga carlotinha só tem 65 calorias, das quais 15 gramas são de carboidratos, 0,5 grama de proteínas e apenas 0,2 gramas de gordura.

Com relação aos micronutrientes, em 100 gramas da fruta temos 53 mg de vitamina C, 12 mg de Cálcio e 0,8 mg de ferro, sendo esses os micronutrientes mais numerosos.

Forma de consumoComo interpretar
Fruta inteiraMantém fibras e costuma dar mais saciedade que suco.
Suco ou doceConcentra açúcar e reduz mastigação.
DiabetesPorção e combinação com proteína ou fibra ajudam a resposta glicêmica.
BenefíciosVitaminas e compostos bioativos somam na dieta, mas não tratam doença.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

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Neuroma de Morton – O que é? Causa comum de dor nos pés

21 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Neuroma de Morton é irritação e espessamento benigno de um nervo interdigital no antepé, geralmente percebido como queimação, choque, dormência ou sensação de pedra no sapato. Não é tumor maligno, mas precisa ser diferenciado de metatarsalgia, fratura por estresse, artrite e neuropatia.

Por que parece uma pedra no sapato

O nervo interdigital passa entre os ossos metatarsos. Quando há pressão repetida, calçado estreito, salto, sobrecarga do antepé ou alterações mecânicas, esse nervo pode ficar irritado e espessado. O espaço mais comum é entre o terceiro e quarto dedos.

O sintoma típico é dor em queimação ou choque no antepé, com dormência ou formigamento nos dedos. Muitas pessoas param, tiram o sapato e massageiam o pé. Sapato apertado ou salto costuma piorar; biqueira larga pode aliviar.

Dor no antepéPistasO que diferenciar
Neuroma de MortonQueimação, choque, pedra no sapato.Espaço interdigital.
MetatarsalgiaDor sob cabeças metatarsais.Carga e calosidade.
Fratura por estresseDor óssea progressiva.Impacto e inchaço.
NeuropatiaDormência difusa.Diabetes e sensibilidade.

Diagnóstico e exames

O exame físico pode reproduzir dor ao comprimir o antepé ou palpar o espaço interdigital. Radiografia não mostra o neuroma, mas pode ajudar a excluir fratura por estresse, artrite ou deformidades. Ultrassom e ressonância podem ser usados quando há dúvida.

Nem toda dor no antepé é neuroma. Em pessoas com diabetes, perda de sensibilidade, feridas ou dor após trauma, a avaliação muda. O diagnóstico correto evita injeções ou cirurgia para a causa errada.

Primeiro: calçado largo e reduzir pressão.
Apoio: metatarsal pad ou palmilha.
Escalar: injeção pode ajudar alguns casos.
Cirurgia: apenas persistentes e bem diagnosticados.

Tratamento passo a passo

Medidas iniciais incluem biqueira larga, evitar salto alto, ajustar volume de caminhada/corrida, usar almofada metatarsal e tratar fatores de sobrecarga. Injeções com anestésico e corticoide podem aliviar alguns casos, mas a resposta varia e a evidência não permite prometer resultado para todos.

Procedimentos e cirurgia entram quando dor persiste apesar de tratamento conservador e o diagnóstico está bem estabelecido. Neurectomia ou liberação podem aliviar dor, mas podem deixar dormência, cicatriz dolorosa, dor residual ou recidiva.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se há incapacidade de apoiar, inchaço importante, ferida, febre, diabetes com perda de sensibilidade, dor após trauma ou dor progressiva apesar de trocar calçado. Quanto mais cedo a causa é separada, menor a chance de cronificar por compensação.

Calçado e palmilha: por que ajudam

Biqueira larga reduz compressão lateral dos metatarsos. Almofada metatarsal bem posicionada pode redistribuir carga e abrir espaço no antepé. O efeito depende de posição correta: se a almofada fica no lugar errado, pode piorar dor.

Saltos altos aumentam pressão no antepé. Reduzir salto e alternar calçados pode ser suficiente em casos leves. Para corredores, pode ser necessário revisar volume, terreno, largura do tênis e ritmo de progressão.

Quando infiltração entra na conversa

Infiltração pode reduzir inflamação e dor em alguns pacientes, mas não deve ser a primeira resposta sem confirmar diagnóstico e ajustar calçado/carga. Repetir infiltrações sem benefício claro aumenta risco de efeitos indesejados e atrasos.

O paciente deve perguntar qual espaço será tratado, qual substância será usada, quais riscos existem, quando avaliar resposta e qual é o próximo passo se a dor voltar.

O que observar antes da consulta

Teste se a dor muda com tênis largo, descalço, salto, caminhada longa e compressão do antepé. Anote quais dedos formigam e se há alívio ao tirar o sapato. Esse padrão ajuda o profissional a localizar o espaço interdigital mais provável.

Se há dormência constante, ferida ou diabetes, não trate como simples neuroma sem exame. Perda de sensibilidade muda risco e cuidado com os pés.

Retorno à caminhada ou corrida

Depois de reduzir dor, aumente distância aos poucos e observe o antepé no dia seguinte. Se a dor volta sempre no mesmo ponto, revise calçado, palmilha e diagnóstico. Em corredores, treino de panturrilha, pé e controle de carga pode ser necessário.

O objetivo é voltar a apoiar sem proteger o pé o tempo todo, porque compensações podem gerar dor em joelho, quadril ou lombar.

Quando o alívio depende apenas de tirar o sapato, a causa mecânica merece atenção. Ajustar biqueira e pressão pode evitar que uma irritação intermitente vire dor diária.

Alívio parcial já é informação útil, porque mostra que pressão mecânica provavelmente participa.

Também é conhecida como metatarsalgia de Morton ou neuroma interdigital.

No neuroma de Morton, um nervo do pé sofre irritação e engrossa, o que pode causar dor severa.

A condição pode acontecer em um ou em ambos os pés. Em geral, afeta o nervo entre o terceiro e o quarto dedo, mas algumas vezes é o nervo entre o segundo e o terceiro dedo que é afetado.

O neuroma de Morton pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em mulheres de meia idade. O que pode ser explicado, pois as mulheres tendem a usar sapatos apertados ou de saltos muitos altos, que por sua vez, colocam muita pressão nos pés.

Também vem se tornando um diagnóstico cada vez mais comum entre corredores, talvez por causa da crescente pressão nos dedos que ocorre durante uma corrida.

Recovery & scars from Morton's Neuroma Surgery | Chris Freeland | Flickr

Sintomas do neuroma de Morton

É possível que você, a princípio, tenha uma sensação de formigamento no espaço entre os dedos, e que piora com o tempo. Esse formigamento culmina em uma dor em forma de pontada na planta do pé ou na base dos dedos. Também pode ocorrer dormência nos dedos.

Esta dor, com frequência, piora ao andar ou ao usar sapatos que apertam os pés. Algumas pessoas descrevem o caminhar com o neuroma de Morton como “andar com uma pequena pedra presa embaixo do pé”. Tirar os sapatos e esfregar o pé pode reduzir a dor.

Sintomas de Neuroma de Morton
Dor na planta do pé
Formigamento ou sensação de queimação nos dedos dos pés
Dormência nos dedos dos pés
Dor aguda e aguda que irradia para os dedos dos pés
Dor que piora ao caminhar, correr ou usar sapatos apertados

Diagnóstico

ExameFinalidade
Exame FísicoPara identificar quaisquer sinais e sintomas do neuroma de Morton
Raio XPara descartar outras causas de dor no pé, como esporões ósseos ou artrite
UltrassomPara criar uma imagem dos tecidos moles do pé
Ressonância MagnéticaPara criar uma imagem detalhada dos nervos e tecidos moles do pé


Diagnóstico Diferencial – Outras causas de dor nos pés

Diagnóstico DiferencialCaracterísticas clínicas
MetatarsalgiaDor na região do metatarso sem massa palpável
Fratura por EstresseDor na região do metatarso com sensibilidade à palpação
Lesão do nervoDor na região do metatarso com massa palpável
TendiniteDor na região do metatarso com sensibilidade à palpação
Dor Neuropática devido ao DiabetesDor na região do metatarso com ou sem massa palpável
Fasceíte PlantarDor na região do calcanhar com sensibilidade à palpação
GotaDor na região do metatarso com inchaço e vermelhidão

Quando procurar aconselhamento médico

É uma boa ideia marcar uma consulta com um podólogo (especialista em problemas nos pés) se você apresentar sintomas persistentes de neuroma de Morton, já que é uma condição improvável de melhorar por conta própria. Você também pode visitar seu clínico geral, que por sua vez, pode encaminhá-lo para um podólogo.

Seu clínico ou podólogo pode examinar seu pé e fazer algumas perguntas para descobrir:

  • sobre a dor e com o que ela parece;
  • quando os sintomas começaram;
  • que tipo de sapatos costuma usar;
  • sobre seu trabalho, estilo de vida e atividades esportivas.

Também podem sugerir algumas coisas simples de serem testadas em casa para aliviar os sintomas, ou recomendar outros tratamentos.

Foto Em Tons De Cinza De Um Homem Pensando Em Frente A Um Relógio De Parede Analógico

O que causa o neuroma de Morton?

O neuroma de Morton ocorre quando um dos nervos entre os ossos dos dedos fica irritado, o que provoca um engrossamento dele. A causa exata da irritação é desconhecida, mas pode ser causada pelo esmagamento (compressão), estiramento ou lesão no nervo.

A condição pode ter ligação com:

  • usar sapatos apertados, com bico fino ou saltos altos
  • ser ativo e/ou praticar esportes — em particular corrida ou esportes que envolvam corrida e pressão nos pés como em esportes com raquete
  • outros problemas nos pés, como pé chato, arcos altos, joanetes, e dedos do pé em martelo

Não está claro se essas condições são causas diretas ou se apenas agravam os sintomas.

CausaDescrição
Sapatos apertados ou mal ajustadosSapatos muito apertados ou com um ajuste ruim podem pressionar o nervo, causando irritação e inflamação.
Salto altoO uso de salto alto pode causar alterações na forma como o pé se move ao caminhar, levando a um aumento da pressão sobre o nervo.
Trauma no péUm golpe direto no pé ou tornozelo pode causar inchaço e aumento da pressão no nervo, causando desconforto.
Deformidade do péCertas deformidades, como joanete ou dedo do pé em martelo, podem levar a mudanças na forma como o pé se move, pressionando o nervo.
Atividade repetitiva que pressiona o nervo, como correr ou dançarCertas atividades, como correr ou dançar, podem exercer pressão repetida sobre o nervo, causando irritação e inflamação.

Tratando o neuroma de Morton

O tratamento inicial típico para o neuroma de Morton consiste em repouso, gelo e medicamentos anti-inflamatórios. Para aliviar a pressão na área afetada, podem ser necessárias modificações nos sapatos, como usar sapatos com mais espaço.

Além disso, usar suportes de arco ou dispositivos ortopédicos pode ser vantajoso.

Se esses tratamentos não reduzirem a inflamação, podem ser administradas injeções de corticosteroides. Em determinadas situações, a remoção do nervo pode exigir cirurgia.

Tratamentos Não Cirúrgicos

Em princípio, o seu médico pode recomendar:

  • trocar seu calçado — sapatos com uma área mais larga para os dedos podem ajudar a diminuir a pressão no nervo afetado.
  • órteses — uma almofada macia para planta do seu pé pode aliviar a pressão no nervo.
  • analgésicos — tomar analgésicos anti-inflamatórios de venda livre, como ibuprofeno, pode ajudar a diminuir a dor e a inflamação.
  • perder peso — se você está acima do peso, perder peso pode reduzir a tensão no pé.
  • injeções — injeções de esteroides ou solução alcóolica em conjunto com anestésico local podem gerar algum alívio para a dor.

Descansar o pé e massagear os dedos também pode ajudar a aliviar a dor. Algumas pessoas também encontram alívio ao colocar uma bolsa de gelo no pé. Um procedimento relativamente novo chamado criocirurgia (ou crioterapia), em que uma pequena sonda é inserida no pé e usada para destruir o tecido endurecido do nervo congelando-o, também é usado, às vezes, para tratar o neuroma de Morton.

No entanto, ainda é um tanto experimental e não está disponível em todo o território britânico. Em geral, o paciente terá que pagar para fazer particular.

Cirurgiões Realizando Cirurgia

Cirurgia

Submeter-se à cirurgia para neuroma de Morton só costuma ser recomendada caso a pessoa esteja com dor severa, ou se os tratamentos acima citados não obtiveram resultado. Sendo assim, seu clínico geral pode encaminhá-lo para um podólogo ou cirurgião ortopédico para avaliar se a cirurgia é ou não o caminho para o seu caso.

Na operação, uma pequena incisão é feita na parte superior ou na inferior do seu pé para que o cirurgião possa ter acesso ao nervo afetado. Em seguida, ele fará uma das duas coisas:

  • aumentar o espaço ao redor do nervo ao remover parte do tecido circundante;
  • remover parte do nervo — neste caso, a área ao redor dos seus dedos ficará dormente de modo permanente

O procedimento costuma ser feito sob anestesia geral ou anestesia local. Não costuma ser necessário passar a noite no hospital.

Após o procedimento a pessoa precisa usar um calçado especial de proteção até que a área afetada tenha cicatrizado o bastante para permitir o uso de calçados normais. Será possível andar logo após a cirurgia, contudo uma recuperação total leva semanas ou até meses para acontecer.

A maior parte das pessoas que se submetem a cirurgias para tratar de um neuroma de Morton conseguem obter resultados positivos e redução da dor após o procedimento.

Contudo, assim como em todos os tipos de cirurgia, há a possibilidade de complicações como inchaço, infecção e dor. Você deve discutir os riscos com o cirurgião antes de passar pelo procedimento.

Fontes e leitura útil

  • AAOS: Morton neuroma
  • NICE CKS: Morton neuroma
  • NCBI Bookshelf: Morton neuroma
  • Mayo Clinic: Morton neuroma treatment
  • Cleveland Clinic: Morton neuroma
  • PMC: current concepts review
  • PubMed: Cochrane Morton neuroma treatments
  • PubMed: injection/neurolysis/neurectomy review
  • PubMed: non-surgical treatments review
  • PubMed: infiltrative treatment review
  • NHS Right Decisions: Morton neuroma

Arquivado em: Ortopedia, Reumatologia

Fibromialgia: O que é, causas, sintomas e tratamentos

21 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Fibromialgia é uma condição de dor crônica generalizada que pode vir acompanhada de fadiga, sono não reparador, dificuldades de concentração e maior sensibilidade a estímulos. A dor é real e pode limitar trabalho, estudo, autocuidado e convivência. Ela não significa que músculos ou articulações estejam sendo destruídos, nem que a pessoa esteja “imaginando” os sintomas.

O que é fibromialgia

A fibromialgia é entendida como uma síndrome de dor crônica em que o sistema nervoso processa e modula a dor de modo diferente. Pesquisas apontam para sensibilização da dor, mas não há uma única causa, exame de imagem ou alteração laboratorial que explique todos os casos. Fatores biológicos, sono, estresse, humor, experiências de vida e contexto social podem influenciar sintomas sem estabelecer uma causa psicológica única.

Ela pode coexistir com outras condições. Ter artrite, apneia do sono, enxaqueca, depressão ou uma lesão anterior não invalida o diagnóstico, mas exige que cada problema seja avaliado e tratado pelo seu próprio mérito. O cuidado evita dois erros: atribuir toda dor à fibromialgia sem investigar mudanças novas e tratar a fibromialgia como se fosse apenas uma doença inflamatória articular.

O que se sabe sobre mecanismos e fatores associados

O modelo mais aceito descreve amplificação da dor e alteração da modulação dolorosa no sistema nervoso. Em linguagem simples, estímulos que em outras circunstâncias seriam toleráveis podem ser percebidos como mais intensos. Estudos de neuroimagem e de processamento da dor ajudam a estudar esse fenômeno em grupos, mas não servem para diagnosticar uma pessoa nem provam lesão em músculo, tendão ou articulação.

História familiar pode apontar susceptibilidade, mas não significa que a fibromialgia “altere genes” ou que um familiar necessariamente desenvolverá a condição. Infecções, traumas, alterações de sono, estresse físico ou emocional e outras doenças podem preceder sintomas em algumas pessoas; em muitas outras não há evento identificável. Esses fatores podem influenciar início ou piora, mas não justificam tratar a síndrome como consequência de fraqueza psicológica.

Ansiedade e depressão são mais frequentes em pessoas com dor crônica e podem amplificar sofrimento, sono ruim e incapacidade. Reconhecê-las permite cuidado adequado. Não são prova de que a dor tenha origem imaginária, nem uma explicação suficiente para um quadro complexo.

Aspecto estudadoO que pode significarLimite para a consulta
Sensibilização da dorMaior intensidade dolorosa diante de estímulos habituais.Não identifica uma causa única nem substitui exame clínico.
Modulação descendentePesquisas investigam como o cérebro e a medula reduzem ou amplificam sinais dolorosos.Não há teste de rotina que a meça individualmente.
Neuroimagem funcionalMostra diferenças médias de processamento da dor em grupos estudados.Não diagnostica fibromialgia nem mostra lesão muscular.
Sono e humorPodem influenciar percepção de dor, fadiga e função.São alvos de cuidado, não explicação moral da síndrome.
dor cronica fibromialgia

Sintomas e impacto no dia a dia

A dor costuma ser descrita como espalhada por várias regiões do corpo e pode mudar de intensidade. Rigidez, dor de cabeça, sensação de formigamento, desconforto intestinal, hipersensibilidade a luz ou ruído e palpitações podem ocorrer, mas não são exclusivos da fibromialgia. Fadiga e sono não reparador são frequentes: dormir muitas horas não garante que a pessoa acorde descansada.

Dificuldade de concentração ou de encontrar palavras às vezes é chamada de “névoa mental”. Ela pode piorar em fases de dor, sono ruim, ansiedade, depressão ou sobrecarga. Em vez de supor que tudo deriva da fibromialgia, a consulta deve revisar medicamentos, sono, humor e outras causas possíveis.

A intensidade também pode oscilar. Uma pessoa pode ter um dia em que consegue trabalhar e outro em que levantar, vestir-se ou manter atenção exige muito mais energia. Essa variação não torna o quadro menos legítimo. Ajuda registrar quais atividades, noites mal dormidas, infecções, mudanças de rotina ou períodos de estresse precedem pioras, para que o plano seja ajustado sem reduzir toda a explicação a um único gatilho.

fibromialgia
A ilustração reúne também queixas inespecíficas. Febre, dor ao urinar ou um déficit neurológico novo exigem avaliação própria e não devem ser atribuídos automaticamente à fibromialgia.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico: história, exame físico, distribuição da dor, sintomas associados e impacto funcional. Os critérios revisados em 2016 consideram sintomas presentes, em geral, há pelo menos três meses, dor em pelo menos quatro de cinco regiões corporais e uma combinação de extensão da dor com gravidade de fadiga, sono não reparador e dificuldade cognitiva. Essa combinação é interpretada na consulta; uma queixa isolada ou uma contagem de pontos não confirma a condição. O antigo requisito de 11 de 18 pontos dolorosos não é necessário para diagnosticar fibromialgia e não deve ser usado sozinho para excluir alguém.

Não existe exame que confirme a condição. Exames de sangue, radiografia ou ressonância podem ser solicitados quando a história ou o exame sugerem outra causa, como doença inflamatória, alteração de tireoide, anemia ou lesão estrutural. Uma ressonância não mostra “alterações musculares da fibromialgia”. Polissonografia não é ultrassom: registra parâmetros do sono e pode ser indicada se houver suspeita de apneia ou outro distúrbio; ela não diagnostica fibromialgia. Eletroneuromiografia pode ajudar quando há suspeita de neuropatia, não como teste de rotina.

Procure avaliação mais rápida se houver febre persistente, articulação claramente inchada, fraqueza progressiva, perda de peso sem explicação, perda de sensibilidade delimitada, alteração nova de controle urinário ou intestinal, ou dor após trauma importante. Esses sinais não são explicados automaticamente pela fibromialgia.

O exame físico também importa para localizar dor, movimento, força e sinais inflamatórios ou neurológicos. A fibromialgia não é um diagnóstico de “tudo normal e nada a fazer”: ele organiza sintomas e tratamento quando os critérios clínicos são atendidos e outras explicações relevantes foram consideradas. Uma pessoa pode ter fibromialgia e, ao mesmo tempo, precisar de investigação para uma queixa nova.

Como interpretar os exames usados na investigação

Exames são escolhidos pela hipótese clínica. Hemograma, marcadores inflamatórios, função tireoidiana ou outros testes podem ajudar a procurar anemia, doença inflamatória ou alteração metabólica quando os sintomas sugerem essas possibilidades. Resultados normais não diminuem a experiência de dor; apenas tornam algumas causas alternativas menos prováveis.

Radiografia e ressonância podem investigar alterações estruturais quando há dor focal, trauma, déficit neurológico ou outro achado específico. Achados comuns de desgaste na imagem nem sempre explicam dor disseminada. Polissonografia registra sono, respiração e movimentos quando há suspeita de distúrbio do sono. Eletroneuromiografia avalia nervos e músculos em suspeitas selecionadas de neuropatia ou radiculopatia.

ExameQuando pode ajudarO que não responde
Exames de sangueInvestigar causas alternativas sugeridas pela história.Não confirmam fibromialgia por si só.
Radiografia ou ressonânciaTrauma, dor localizada ou suspeita estrutural.Não mostra alteração muscular própria da fibromialgia.
PolissonografiaSuspeita de apneia ou outro distúrbio de sono.Não estabelece o diagnóstico de fibromialgia.
EletroneuromiografiaSuspeita de lesão de nervo ou raiz nervosa.Não é exame de rotina para dor disseminada.
https://www.youtube.com/watch?v=DxAcqF2RSws

Tratamento: metas funcionais e cuidado graduado

O tratamento começa com informação clara, metas que importam para a pessoa e revisão de fatores que agravam a rotina. A recomendação forte da EULAR é exercício, adaptado à capacidade atual. Isso não significa “forçar apesar da dor”: começar com pouco, aumentar de forma gradual e ajustar depois de pioras evita o ciclo de fazer demais, piorar e abandonar tudo.

Caminhada, exercício na água, bicicleta, fortalecimento, tai chi, alongamento e outras atividades podem ser escolhidos conforme preferência, acesso e limitações. O objetivo pode ser voltar a caminhar até o mercado, tolerar uma jornada de trabalho, dormir melhor ou realizar tarefas com menos interrupções. Fisioterapia ou educação em atividade física podem ajudar a adaptar o plano.

Em dias ruins, reduzir duração ou intensidade costuma ser mais sustentável que interromper toda atividade por longos períodos, desde que não haja sinal de outra lesão ou orientação contrária. A pessoa pode começar com poucos minutos, manter uma frequência tolerável e só então aumentar. Não existe meta numérica obrigatória: a progressão deve levar em conta fadiga, dor pós-esforço, sono, segurança e o que é viável na rotina.

Organizando o tratamento em etapas

Na primeira etapa, a equipe confirma o diagnóstico clínico, identifica condições associadas e define uma ou duas metas funcionais. Na segunda, combina educação, sono, atividade graduada e uma estratégia para enfrentar pioras. Na terceira, revisa o que melhorou, o que piorou e se algum medicamento ou intervenção deve ser mantido, ajustado ou suspenso. Essa sequência evita começar muitas medidas ao mesmo tempo sem saber o que é útil.

Nem toda pessoa precisa dos mesmos profissionais ou do mesmo número de consultas. Reumatologista, fisiatra, clínico, fisioterapeuta, psicólogo, psiquiatra, educador físico e terapeuta ocupacional podem contribuir conforme dor, função, sono, humor e necessidades de trabalho ou casa. O importante é uma comunicação coerente, para que não se recebam orientações contraditórias.

fibromialgia dor

Sono, sofrimento emocional e apoio

Tratar insônia, ansiedade, depressão, apneia do sono e outras condições associadas pode melhorar a capacidade de lidar com dor e fadiga. Psicoterapia, especialmente abordagens que trabalham enfrentamento e atividade graduada, pode ser útil para algumas pessoas. Isso não significa que trauma, conflito ou “conversão” causem fibromialgia; significa que saúde mental e dor crônica se influenciam e merecem cuidado sem estigma.

Família, amigos e equipe podem ajudar quando reconhecem limites reais, combinam tarefas e evitam interpretar dias difíceis como falta de esforço. Registrar sono, atividades, dor e gatilhos pode orientar ajustes, mas não deve virar vigilância ou culpa.

Educação sobre a condição é parte do tratamento porque reduz medo e decisões extremas, como repouso total por semanas ou tentar muitas terapias ao mesmo tempo. Hábitos como horários mais regulares de sono, pausas no trabalho, planejamento de tarefas e apoio social podem ajudar algumas pessoas, mas não substituem cuidado clínico e não devem ser apresentados como cura.

Medicamentos: decisão individual e reavaliação

Alguns medicamentos podem ser considerados para sintomas específicos, como dor, sono ou depressão, quando estratégias não farmacológicas não bastam. A escolha depende de benefícios esperados, efeitos adversos, outras doenças e interações. Não há medicamento que “reponha neurotransmissores” ou uma combinação universal para fibromialgia.

Duloxetina e milnaciprano são antidepressivos; amitriptilina é um antidepressivo tricíclico. Pregabalina e gabapentina pertencem aos gabapentinoides, mas a evidência para fibromialgia é diferente: a EULAR admite pregabalina como opção selecionada, com recomendação fraca, enquanto considera a gabapentina apenas para pesquisa por evidência insuficiente. Ciclobenzaprina é relaxante muscular. A prescrição, a troca e a interrupção precisam de acompanhamento. Misturar antidepressivos, tramadol, sedativos ou outros remédios por conta própria pode aumentar riscos, inclusive sonolência, quedas e interações. Opioides não são uma solução de rotina para fibromialgia.

ClassePossível alvoRiscos e reavaliação
Antidepressivos selecionadosDor, humor ou sono, conforme o medicamento e o quadro.Náusea, alteração de pressão, sonolência ou sintomas na interrupção; avaliar interação.
Pregabalina (gabapentinoide)Pode reduzir dor ou melhorar sono em parte dos pacientes; recomendação fraca da EULAR. Gabapentina tem evidência insuficiente para uso como tratamento estabelecido da fibromialgia.Tontura, sonolência, edema e maior risco com outros depressores do sistema nervoso.
Relaxante muscularSono ou tensão muscular em situações selecionadas.Boca seca, sonolência e queda; não é uso universal.
Analgésicos/anti-inflamatóriosOutra causa de dor associada, quando indicada.Não tratam de forma confiável o mecanismo central da fibromialgia.

A reavaliação considera mais do que uma nota de dor: sono, fadiga, atenção, humor, capacidade de se movimentar e efeitos adversos. Se um medicamento não traz benefício relevante depois de tempo suficiente para avaliação, a equipe pode reconsiderá-lo em vez de apenas somar novos remédios. Isso é especialmente importante quando há tontura, ganho de peso, constipação, sonolência ou dificuldade de concentração.

Analgésicos simples ou anti-inflamatórios podem ser usados por outro diagnóstico concomitante em situações específicas, mas não tratam o mecanismo central da fibromialgia de forma confiável. Tramadol e outros opioides podem interagir com antidepressivos e aumentar riscos; não devem ser a resposta automática à dor persistente. A pessoa deve levar todos os medicamentos, suplementos e álcool em uso à consulta antes de qualquer mudança.

Pessoa Massageando O Ombro Do Homem

Como acompanhar a evolução

Uma consulta de revisão deve perguntar o que mudou na vida diária: sono, fadiga, tempo de caminhada, capacidade de banho, concentração, participação social e efeitos adversos. Se uma estratégia aumenta demais os sintomas ou não oferece ganho funcional, o plano pode ser ajustado. A melhora costuma ser gradual e varia entre pessoas; a meta é ampliar função e autonomia, não prometer ausência completa de dor.

A EULAR recomenda exercício de forma forte; para várias outras intervenções, inclusive algumas terapias complementares, a evidência é mais limitada, heterogênea ou exige decisão individual. Acupuntura, massagem e suplementos podem ser discutidos com a equipe, mas não substituem atividade graduada, sono e tratamento de condições associadas. Evite iniciar suplementos ou múltiplas terapias ao mesmo tempo, pois fica difícil saber o que ajudou ou causou efeitos adversos.

Referências

  • American College of Rheumatology. Fibromyalgia.
  • Macfarlane GJ et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia.

Wolfe F et al. 2016 Revisions to the 2010/2011 fibromyalgia diagnostic criteria.

Arquivado em: Doenças de A-Z, Dor, Neurologia, Reumatologia

Exercícios para definir glúteos: escolhas e limites

21 de dezembro de 2022 by Cassia Góes

Definir glúteos depende de treino progressivo, técnica, recuperação, alimentação, sono, genética e percentual de gordura. Nenhum exercício isolado garante resultado. Agachamento, avanço, levantamento terra, hip thrust e abduções podem ajudar quando carga, execução e frequência são ajustadas ao nível da pessoa.

Exercícios para definir glúteos funcionam melhor quando combinam técnica, progressão de carga, regularidade e recuperação. A escolha do exercício importa, mas o resultado depende também de composição corporal, alimentação, sono e constância ao longo das semanas.

O interesse por exercícios para glúteos costuma misturar estética, força e função. A escolha dos exercícios depende da musculatura a ser trabalhada, da técnica e da capacidade de progredir com segurança.

Esses padrões mudam, mas os glúteos não importam apenas pela estética. Eles participam da estabilidade do quadril, da marcha, do agachamento, da corrida e de movimentos de potência.

Os glúteos incluem músculos importantes para extensão, abdução e estabilidade do quadril. Por isso, o treino pode ter objetivos estéticos, esportivos, funcionais ou preventivos, conforme a pessoa.

Nas academias, aulas e treinos de membros inferiores costumam combinar exercícios de glúteo, abdômen, coxa e core. A escolha depende de nível de treino, histórico de dor, equipamento disponível e objetivo.

O trabalho de core envolve músculos de pelve, quadril, abdômen, lombar e tronco. Quando bem planejado, ajuda estabilidade e controle de movimento, o que pode melhorar a execução dos exercícios para glúteos.

O treinamento de core e de membros inferiores pode contribuir para glúteos mais fortes quando faz parte de um programa com progressão, descanso e técnica adequada.

A seguir, os exercícios devem ser entendidos como opções de treino, não como promessa isolada de resultado.

Ao treinar glúteos, os resultados variam conforme genética, carga, técnica, frequência, alimentação, sono e tempo de adaptação.

Sete exercícios que trabalham os glúteos

Balanço de kettlebell

keetlebell

O posicionamento é semelhante ao do agachamento.

  • a- Em pé, com eles separados e na direção dos ombros, posicione um kettlebell (acessório de ginástica) ou um peso adaptado no chão entre os eles;
  • b- Na sequência, faça o movimento de agachar- dobrando os joelhos e “jogando o quadril” para trás, como se fosse sentar em uma cadeira, pegue o acessório com as duas mãos;
  • c- Eleve o peso à frente na altura dos ombros, simultaneamente com a extensão do quadril (levantar-se);
  • d- Em seguida volte a agachar e desça o acessório até a altura das panturrilhas.

Agachamento livre

  • a- Bastante semelhante ao balanço do kettlebell;
  • b- Observe as pontas dos pés ligeiramente para fora;
  • c- E o peso estará em uma barra nos ombros, ou, pesos nas mãos;
  • d- Agache até 90° (articulação de joelhos), jogando o quadril para trás- movimento de sentar-se na cadeira;
  • e- Retorne a posição inicial.

Lembre-se de manter o abdômen contraído ao descer.

Levantamento terra

  • a- Coloque uma barra a sua frente, no chão;
  • b- Flexione os joelhos (ver posicionamento agachamento);
  • c- Pegue a barra, puxe junto ao tronco para cima, simultaneamente com a extensão das pernas;
  • d- “Jogue” seu quadril para frente elevando a barra com as duas mãos;
  • e- Após isso retorne à posição inicial mantendo a barra próxima ao corpo.

Extensão de quadril em quatro apoios

  • a- Em posição de quatro apoios (joelhos e cotovelos dobrados, encostados no chão), estenda a perna para trás até ficar alinhada com o quadril e depois retorne aos quatro apoios.
  • Alterne as pernas e utilize tornozeleira ou faixas elásticas.

Ponte isométrica invertida

• Elevação pélvica simples;

• Ponte invertida;

• Trabalha o bumbum sem comprimir a coluna.

  • a- Deite-se com abdômen para cima, joelhos flexionados, pés e as mãos apoiados no chão;
  • b- Em seguida, eleve o quadril, contraindo os glúteos, ficando reto, sem curvar a lombar;
  • c- Mantenha a posição por um 1 a 2 minutos e retorne ao início.

Afundo no step

  • a- Um pé no step e joelho flexionado sem passar a ponta do pé;
  • b- O outro pé no chão, afastado para trás, joelho flexionado “apontando” para baixo;
  • c- Abdômen contraído, com as costas retas;
  • d- Repito: o joelho da perna no step não ultrapassa a ponta do pé.

Prancha lateral com abdução

  • a- Deite-se de lado com o cotovelo apoiado;
  • b- A perna de cima fica esticada;
  • c- A de baixo apoiada e flexionada;
  • d- Eleve a perna lateralmente
  • e- Alterne os lados

Dicas de segurança e constância

  • Mantenha regularidade suficiente para progredir, sem ignorar recuperação.
  • Comece com frequência tolerável e ajuste conforme dor, fadiga e adaptação.
  • Organize séries, carga e descanso de acordo com nível de treino.
  • Priorize técnica antes de aumentar peso ou repetições.
  • Interrompa ou ajuste se houver dor articular, fisgada ou perda de força.
  • Procure profissional de educação física para individualizar carga e execução.

Como progredir sem perder técnica

Para definir glúteos, a progressão precisa ser mensurável. Aumentar carga, repetições ou amplitude só faz sentido quando o movimento continua controlado e sem compensação exagerada na lombar, joelhos ou quadril.

MarcadorComo usar
TécnicaPriorize controle do tronco, alinhamento do joelho e contração dos glúteos antes de aumentar peso.
ProgressãoSuba uma variável por vez: carga, séries, repetições, pausa ou amplitude.
RecuperaçãoDor muscular leve pode ocorrer; dor articular, fisgada ou perda de força pede ajuste.
ResultadoMedidas, fotos padronizadas e desempenho no treino são melhores marcadores do que sensação do dia.

O que muda a avaliação da dor

ObservaçãoPor que importa
FunçãoMostra impacto real em marcha, força, sono, treino e trabalho.
IrradiaçãoAjuda a suspeitar de nervo, articulação, músculo ou dor referida.
EvoluçãoMelhora gradual sugere caminho diferente de piora progressiva.
Sinais neurológicosFraqueza, dormência extensa ou perda de controle urinário mudam urgência.

Anote início, gatilho, movimento que piora, movimento que alivia, resposta a repouso, remédios e fisioterapia. Esse registro ajuda a ajustar carga com base em função, duração da dor e resposta no dia seguinte.

Quando ajustar carga e técnica

ObservaçãoPor que importa
FunçãoMostra impacto real em marcha, força, sono, treino e trabalho.
IrradiaçãoAjuda a suspeitar de nervo, articulação, músculo ou dor referida.
EvoluçãoMelhora gradual sugere caminho diferente de piora progressiva.
Sinais neurológicosFraqueza, dormência extensa ou perda de controle urinário mudam urgência.

Anote início, gatilho, movimento que piora, movimento que alivia, resposta a repouso, remédios e fisioterapia. Esse registro ajuda a ajustar carga com base em função, duração da dor e resposta no dia seguinte.

Carga, músculos e progressão no treino de glúteos

Para desenvolver glúteos, o treino precisa estimular principalmente glúteo máximo, glúteo médio e glúteo mínimo. Extensão do quadril, abdução, rotação externa, estabilidade pélvica e sobrecarga progressiva são mais importantes do que repetir muitos exercícios sem controle de carga.

ObjetivoComo aplicar
HipertrofiaProgredir carga ou repetições mantendo amplitude e técnica.
EstabilidadeIncluir controle de joelho, pelve e tronco em apoio unilateral.
Prevenção de dorEvitar aumento brusco quando há dor lateral no quadril, lombalgia ou tendinopatia.
Resultado visívelCombinar treino, proteína suficiente, sono e redução gradual de gordura quando indicada.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Educação Física

Intolerância ao glúten: sintomas, diagnóstico e dieta

21 de dezembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Em glúten, o primeiro passo não é trocar pão por produto sem glúten: é entender se há doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade não celíaca. A dieta muda de rigor conforme o diagnóstico.

Glúten: antes de cortar, diferencie três diagnósticos

“Intolerância ao glúten” é um termo popular. Na prática, é preciso separar doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten/trigo não celíaca. Cortar glúten antes de testar pode atrapalhar exames para doença celíaca.

PontoLeitura clínica
Doença celíacaAutoimune; pode causar dano intestinal e exige dieta sem glúten rigorosa e contínua quando confirmada.
Alergia ao trigoReação alérgica; pode envolver urticária, vômitos, chiado, inchaço ou anafilaxia.
Sensibilidade não celíacaSintomas parecidos, sem marcadores de celíaca; diagnóstico exige excluir outras causas.

Nota: Se há perda de peso, anemia, diarreia persistente, sangue, atraso de crescimento, osteopenia ou sintomas após pequena exposição, a avaliação deve vir antes de uma dieta por conta própria.

Glúten não deve ser tratado como vilão universal nem como detalhe irrelevante. Para quem tem doença celíaca, a restrição precisa ser rigorosa; para quem tem sensibilidade não celíaca, o plano depende de sintomas, exclusão de outros diagnósticos e qualidade da dieta.

Cansaço, náusea, inchaço ou diarreia após alimentos com trigo podem ter várias causas. Podem envolver doença celíaca, alergia ao trigo, sensibilidade ao glúten/trigo, síndrome do intestino irritável, lactose, FODMAPs ou outro problema digestivo.

O Que É Intolerância Ao Glúten?

A intolerância ao glúten é um termo abrangente, integrando três tipos de distúrbios associados ao glúten. De modo geral, é chamada de sensibilidade ao glúten não celíaca, mas também integra a doença celíaca e alergia ao trigo.

Muitas pessoas confundem sensibilidade ao glúten não celíaca, alergia ao trigo e doença celíaca, mas não são a mesma coisa. Embora tenham sintomas semelhantes, como diarreia, inchaço e vômitos, existe uma série de fatores que diferenciam essas condições.


Doença Celíaca X Alergia ao Trigo X Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca

A doença celíaca refere-se a uma enteropatia autoimune, causada por fatores genéticos e ambientais, onde o próprio sistema imunológico ataca células saudáveis, provocando um processo inflamatório, de modo que quando um indivíduo ingere o glúten, seu corpo libera anticorpos que atacam a parede intestinal.

A prevalência é estimada em 1% da população mundial.

O diagnóstico da doença celíaca geralmente é realizado através de exame sorológico. Se os resultados apontarem a presença de certos anticorpos, a pessoa pode ter doença celíaca.

A doença celíaca não é caracterizada somente por sintomas, mas também por manifestações extraintestinais, incluindo algumas que envolvem uma consequência direta de respostas de autoimunidade, como dermatite herpetiforme, e outras que podem envolver consequências indiretas da anemia.


Sintomas da doença celíaca

Os sintomas podem se manifestar através de inflamação intestinal, atrofia das vilosidades, aumento da infiltração por linfócitos intraepiteliais, perda de peso e diarreia crônica.

A diarreia normalmente leva a outros problemas de saúde, como desidratação e fadiga. Devido à má absorção de nutrientes, geralmente celíacos apresentam anemia, fezes pálidas e malcheirosas.

Sintomas
Problemas gastrointestinais (diarréia, inchaço, gases, constipação)
Dores de cabeça e enxaquecas
Fadiga
Dor nas articulações
Erupções cutâneas
Depressão e ansiedade
Névoa cerebral
Anemia por deficiência de ferro

Existe uma teoria de que celíacos possuem um sistema nervoso supersensível geneticamente, e por esse motivo, eles ativam em menor proporção os neurônios sensoriais que causam dores musculares e articulares.

Outro sintoma relacionado à doença celíaca é a dormência nos membros superiores e inferiores. Depressão e ansiedade também costumam ser condições relatadas por pacientes celíacos.

A alergia ao trigo é definida como uma alergia alimentar mediada por IgE (anticorpo conhecido como imunoglobulina E, presente em concentrações baixas no soro, atuando em processos alérgicos), provocando uma sensibilização a alérgenos proteicos do trigo.


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Os sintomas manifestam-se dentro de algumas horas, mas diferentemente da doença celíaca, não causam danos gastrointestinais ou em outros órgãos permanentes.

Alérgicos a trigo podem experimentar erupções cutâneas, problemas digestivos, diarreia, inchaço, congestão nasal e até mesmo anafilaxia, que é uma reação alérgica grave que pode ser fatal se não for tratada a tempo.


Sensibilidade ao glúten não celíaca

A Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca (SGNC) também não tem relação com doença autoimune e anticorpos, não havendo danos ao revestimento intestinal. Os sintomas podem envolver dor abdominal, distensão abdominal, desconforto, diarreia e fadiga.

Muitas pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca experimentam dores de cabeça ou ataques de enxaqueca em determinados períodos. Outro sintoma é a névoa cerebral, sensação de incapacidade de pensar com clareza, envolvendo esquecimento e fadiga mental.

Essa condição é mais diagnosticada em adultos do que em crianças. Geralmente, a sensibilidade ao glúten não celíaca manifesta-se poucas horas depois do consumo de alimentos que contém glúten.

Dados revelam que pacientes com sensibilidade ao glúten não celíaca podem apresentar deficiências nutricionais e uma diminuição da densidade mineral óssea quando comparados com indivíduos que não apresentam essa condição.

Alguns estudos já apontaram que o glúten pode causar ansiedade, depressão, esquizofrenia e autismo em pacientes com sensibilidade ao glúten não celíaca, sendo que a psicose também pode ser uma manifestação dessa patologia.


Como Aliviar Os Sintomas da Intolerância Ao Glúten?

Atualmente, a intolerância ao glúten se tornou uma questão importante, pois a incidência de pessoas diagnosticadas com essa condição vem aumentando.

Sendo assim, há uma necessidade de abordagens mais eficazes e inovadoras para tratar distúrbios relacionados ao glúten.

Na doença celíaca, a dieta sem glúten é o tratamento central e deve ser rigorosa. Na sensibilidade não celíaca, a retirada pode melhorar sintomas em algumas pessoas, mas o diagnóstico exige excluir doença celíaca, alergia ao trigo e outras causas.

Na literatura, ainda há poucas informações sobre doses mínimas de glúten que podem ser ingeridas de forma segura para pacientes com intolerância ao glúten.

TratamentoDescrição
Dieta sem glútenA eliminação de todas as fontes de glúten da dieta é o único tratamento para a intolerância ao glúten.
SuplementaçãoA suplementação com vitaminas, minerais e probióticos pode ajudar a manter a saúde digestiva.
MedicamentosMedicamentos prescritos podem ser usados para tratar sintomas específicos associados à intolerância ao glúten.
Acompanhamento nutricionalAjuda a evitar deficiência de fibras, ferro, folato, cálcio, vitamina D e excesso de ultraprocessados sem glúten.

Porém, o que se sabe hoje é que deve-se situar entre 10-50 a 100 mg de ingestão diária.

Apesar de, atualmente, existir no mercado alimentos livres de glúten, uma dieta plenamente desprovida de glúten pode ser irreal, pois produtos sem glúten à base de amido ainda apresentam alguns vestígios de glúten.

Existe a contaminação cruzada e a presença de pequenas quantidades de glúten em alimentos e até mesmo medicamentos.

Mesmo assim, sempre leia cuidadosamente os rótulos dos alimentos e bebidas que você compra em supermercados, analisando se os ingredientes contêm glúten e suas porcentagens.

Uma pessoa que procura evitar o glúten deve estar atenta à isso, para que não piore sua situação. Produtos rotulados como “sem glúten” reduzem risco, mas quem tem doença celíaca ainda precisa atenção a contaminação cruzada, preparo e leitura de rótulos.


Substituições Saudáveis Para Intolerantes Ao Glúten

Muitos profissionais de saúde não consideram uma dieta livre de glúten como algo saudável. Isso porque, geralmente, produtos sem glúten são feitos com farinhas refinadas com baixo teor de fibras.

O consumo de quantidades de fibra dietética está associado a importantes benefícios para a saúde. Então, uma dieta totalmente livre de glúten pode levar a deficiências nutricionais em fibras.

Sendo assim, o ideal é que pacientes com intolerância ao glúten façam uso de fontes de pseudocereais de fibra além de produtos sem glúten, para manter o nível necessário de teor de fibra.

É recomendado consumir frutas e vegetais ricos em vitaminas e substâncias antioxidantes até cinco vezes ao dia.


frutas_vegetais

Estudos comprovaram ainda que os produtos de cereais sem glúten contêm quantidades menores de folato, havendo a necessidade de suplementação adicional de folato.

Recomenda-se também a ingestão de cereais isentos de glúten como quinoa, sorgo e amaranto, que são seguros e ricos em ácido fólico, vitaminas (riboflavina, vitamina C e vitamina E) e minerais.


Recomendações

A intolerância ao glúten abrange três condições diferentes que podem ter sintomas semelhantes. Se você experimenta alguns desses sintomas, pode ter intolerância ao glúten.

Converse com o seu médico para descobrir qual a sua condição específica, para que ele defina a melhor opção de tratamento para você.


Fontes desta revisão

  • NIDDK: celiac disease
  • MedlinePlus: gluten sensitivity
  • ACG: celiac, non-celiac gluten sensitivity and gluten-free diets

Fontes úteis

  • WHO: alimentação saudável
  • USDA FoodData Central
  • MedlinePlus: doença celíaca

BALAKIREVA, A. V.; ZAMYATNIN, A. Properties of Gluten Intolerance: Gluten structure, evolution, pathogenicity and detoxification capabilities. Nutrients, v. 8, n. 644, p. 1-27. 2016.

Arquivado em: Clínica Médica, Doenças de A-Z, Nutrição

Consciência corporal: como desenvolver com segurança

21 de dezembro de 2022 by Cassia Góes

Consciência corporal não deve ser vendida como caminho rápido para “corpo dos sonhos”. O conceito é mais útil quando ajuda a perceber movimento, respiração, dor, equilíbrio, fadiga e limites para treinar com segurança e constância.

Consciência corporal útil é segurança, não promessa estética

Na prática, desenvolver consciência corporal significa reconhecer como o corpo responde a carga, descanso, postura, coordenação e dor. Isso pode melhorar treino e autocuidado, mas não substitui progressão de força, atividade aeróbica, sono e alimentação.

Sinal durante o treinoComo usar
Dor articular ou pontadaReduzir carga e avaliar técnica; se persistir, procurar orientação.
Fadiga que muda o movimentoEncerrar ou adaptar antes de compensar com técnica ruim.
Tontura, falta de ar incomum ou dor no peitoParar e buscar avaliação, especialmente se for novo.
Melhora gradual de controlePode indicar que a progressão está adequada.

Iniciamos nossa conversa com uma afirmação um tanto quanto controversa, de que a consciência corporal é o que te separa do corpo dos sonhos.

Essa colocação se deve a descobertas muito recentes referentes a consciência corporal e como ela está ligada a uma estrutura interna de mentalidade.

Exatamente isso… Quando falamos em consciência corporal devemos ter em mente que não se trata somente de corpo mecânico e sim da percepção dos eventos e como o corpo responde a eles.

Com certeza você ou algum conhecido já deve ter esbarrado em coisas, errado a boca na hora de beber algo, chutado grama ao invés da bola… Muitas situações são engraçadas, não é mesmo?

Porém, a repetição de situações como bater nas coisas quando está andando, má postura, sensação de ser “desastrado(a)”, não é muito agradável! E o que pode estar acontecendo?

Estando tudo bem clinicamente, podemos afirmar que provavelmente se trata de uma falta de conscientização corporal.

A consciência corporal está ligada diretamente aos mecanismos de percepção dos estímulos (a visão de uma bola, o toque em algo quente, a distância entre as coisas, de onde vem um determinado som…) ou seja, os estímulos captados pelo nosso corpo, o processamento dessas informações e a interação do corpo com o meio em relação a eles.

Exemplo na academia:

  • Um exercício a ser feito;
  • Uma postura adequada para execução;
  • Observamos os movimentos, mas, na hora de executar, mostramos uma descoordenação acentuada.

Apesar de isso ser normal inicialmente, ao longo do tempo e com a devidas correções, deve-se conseguir executar e ter os resultados pretendidos.

Porém, muitas vezes, mesmo com as correções e repetições, a execução continua com problemas. Em geral, trata-se de uma falta de consciência corporal, ocasionada por algum elemento que compõe este sistema- estímulo corpo-resposta.

Necessariamente o problema não precisa ser físico, pelo contrário, na maioria das vezes, salvo momentos pontuais como: picos de crescimento na infância, na adolescência, picos hormonais e alguma debilidade ou sequela, trata-se de uma inconsciência gerada por diversos fatores como:

  • Falta de atenção;
  • Distrações;
  • Falta de estímulo;
  • A maneira que a pessoa percebe o estímulo (grau de importância);
  • Atitude;
  • Decisão; e
  • Conhecimento de suas próprias proporções.

Com base nessas informações, podemos entender a afirmação de que a consciência corporal é o que te separa do corpo dos sonhos.

Na realidade a falta dela é que provoca isso. Imagine a seguinte situação: você está se exercitando e não está consciente de como o seu corpo se encontra, literalmente, não tem a noção de proporção, postura, movimentos que está realizando.

Associe a isso a ansiedade de resultados rápidos e está pronta a fórmula que pode te causar, lesões, frustrações, cansaço demasiado e consequentemente te afastar do seu objetivo, seja emagrecer, desenvolver músculos etc. E não é isso que queremos, certo?

Como desenvolver a consciência corporal e alcançar a sua meta.

Aqui delimitamos alguns passos básicos, siga-os e com certeza evitará sérios problemas e ainda melhor, conseguirá o que muitos tentam e não conseguem… A realização de sua meta… O corpo dos sonhos!

Passo 1:

espelho

O passo mais importante para desenvolver a consciência corporal é o da observação a si mesmo. Exatamente! Se olhar no espelho… as proporções, perceber a postura e ter um parâmetro definido- modelo. Não se trata de estereótipos e sim de posturas adequadas.

Passo 2:

Observar ao seu redor com atenção e o que está acontecendo. Fazer de forma proposital e consciente.
Localize as coisas, movimentos, dinâmica… E com o passar do tempo isso se tornará automático e imperceptível. Trata-se de captar que existe um ritmo nas manifestações.

Passo 3:

Nos treinamentos prescritos pelo seu professor/preparador:

  • Pergunte como se executa o movimento;
  • Observe com atenção;
  • Realize para que ele se certifique que está o mais correto possível.

Um truque todo especial: se observe no espelho! Não somente se o abdômen está chapado, peitoral trincado… Observe como você executa o exercício.

Quanto melhor a execução do exercício, melhor é para o sistema proprioceptivo- sistema responsável por trocas de informação da parte neuromuscular do nosso corpo e a relação espacial.

Pois, ele atuará te auxiliando no desenvolvimento das tarefas, na dinâmica das musculaturas, estruturas necessárias para o movimento, posicionamentos adequados…

Imprescindível!

Há diversos fatores que interagem na questão da consciência corporal e para mais informações você deve procurar sempre um profissional capacitado que lhe dará todo apoio e irá prescrever um treinamento adequado à sua meta e com elementos necessários para atingi-la.

Tenha sempre em mente que você deve assumir o compromisso não só de executar as tarefas, mas, de se dedicar a MELHOR execução possível!

Pois, através da MENTALIDADE E CONSCIÊNCIA CORPORAL desenvolvida é que você obterá os resultados de maneira mais fácil e estimulante.

Quando procurar avaliação

Pare o treino e procure avaliação se houver dor no peito, falta de ar fora do habitual, desmaio, tontura forte, queda, dor articular progressiva, formigamento com perda de força ou dor que altera o movimento por vários dias.

Como acompanhar o próximo passo

Acompanhe carga, dor, sono e recuperação. Um treino útil permite progredir sem compensar técnica por fadiga; se a execução piora, reduza carga ou amplitude antes de insistir. Consciência corporal deve melhorar decisão, não servir para ignorar sinal de lesão.

Fontes e leitura útil

  • CDC: Adult physical activity guidelines
  • NIDDK: Tips for starting physical activity

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Educação Física

Doença de Sever – Causas, Sintomas e Tratamentos

21 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Doença de Sever é dor no calcanhar em crianças e adolescentes em crescimento, causada por irritação da placa de crescimento do calcâneo. Costuma piorar com corrida, salto e esportes, e melhora com redução temporária de carga, alongamento e ajuste de atividade.

Por que acontece

Durante o crescimento, a região posterior do calcâneo ainda está amadurecendo. Tração do tendão de Aquiles, impacto repetido, chuteiras ou tênis inadequados, aumento rápido de treino e encurtamento de panturrilha podem irritar a apófise. Não é “frescura” nem fratura típica; é sobrecarga em fase de crescimento.

É comum em crianças ativas, especialmente em esportes com corrida e salto. Pode afetar um ou ambos os calcanhares.

PistaO que sugereConduta
Dor no calcanhar após esporteApofisite possível.Reduzir carga.
Dor ao apertar o calcâneoSinal comum.Avaliação clínica.
Dor em repouso/noiteMenos típico.Investigar.
Febre ou inchaço importanteSinal de alerta.Avaliação rápida.

Tratamento

O tratamento costuma incluir redução temporária de impacto, gelo após atividade, alongamento de panturrilha, fortalecimento, ajuste de calçado, palmilha ou calcanheira em alguns casos. Imobilização é reservada para dor intensa ou casos persistentes.

A criança pode continuar ativa se a dor permite, mas insistir em treino intenso com dor progressiva prolonga o quadro. O retorno deve ser gradual, guiado por sintomas e função.

Idade: fase de crescimento.
Carga: corrida e salto irritam.
Alívio: reduzir impacto e alongar.
Alerta: dor noturna, febre, trauma ou incapacidade.

O que dizer aos pais e treinadores

A meta não é tirar o esporte definitivamente, mas ajustar carga enquanto o calcanhar amadurece. Dor que altera a passada ou faz a criança mancar deve ser respeitada. Programar descanso é parte do desenvolvimento esportivo.

Como diferenciar de outras dores no calcanhar

Fratura por estresse, tendinite do Aquiles, fascite plantar, verruga, infecção e problemas inflamatórios podem causar dor no pé. Dor após trauma, dor noturna, febre, perda de peso, inchaço importante ou incapacidade de apoiar não devem ser atribuídos automaticamente à doença de Sever.

O diagnóstico costuma ser clínico, mas imagem pode ser usada quando o quadro é atípico ou persistente. O objetivo é não exagerar exames em caso típico, mas também não banalizar sinal estranho.

Retorno ao esporte

Volte quando a criança caminha sem mancar, pula sem dor importante e tolera treino leve no dia seguinte. A progressão deve começar por volume menor, superfície mais amigável e pausa se a dor voltar. Treinadores precisam saber que insistir durante crescimento pode prolongar a recuperação.

A frase correta não é “pare tudo”; é “ajuste a carga”. Atividade sem dor relevante pode continuar, mas competição em dor progressiva não ajuda.

Calçado, superfície e volume

Chuteiras rígidas, campo duro, aumento rápido de treinos e muitos saltos podem piorar dor. Ajustar calçado, usar calcanheira em determinadas situações, variar superfície e reduzir temporariamente impacto ajudam a manter a criança ativa sem forçar a placa de crescimento.

Alongar panturrilha pode ajudar quando há encurtamento, mas não deve ser feito com dor intensa. Fortalecer e melhorar controle de tornozelo e quadril também pode reduzir sobrecarga no retorno.

Prognóstico

A doença de Sever costuma melhorar quando a placa de crescimento amadurece, mas pode recorrer durante períodos de crescimento e carga alta. Isso exige manejo de temporada, não pânico. O importante é evitar que a criança associe esporte apenas a dor.

O que a criança pode fazer em casa

Usar frio local por curto período após atividade, alongar panturrilha de modo leve, usar calçado adequado e reduzir temporariamente corrida e saltos podem aliviar. Analgésicos devem ser usados conforme orientação, não para permitir competir com dor forte.

Se a criança manca, muda a passada ou evita apoiar, a carga está alta demais. Voltar antes de controlar sintomas costuma prolongar o ciclo.

Escola e esporte

A educação física pode precisar de adaptação temporária. Trocar corrida por atividades de menor impacto por algumas semanas preserva condicionamento e reduz irritação. O plano deve envolver pais, criança e treinador.

Quando encaminhar

Encaminhe se a dor não melhora com ajuste de carga, se há incapacidade de apoiar, dor noturna, trauma, febre, inchaço importante ou dúvida diagnóstica. Também vale avaliar quando a criança abandona atividade por medo ou dor recorrente. O objetivo é manter esporte saudável, não forçar silêncio.

Pais devem observar se a criança muda humor, evita brincar ou pede colo após treino. Crianças nem sempre descrevem dor com precisão; comportamento pode mostrar excesso de carga.

O retorno deve respeitar calendário escolar e sono, porque recuperação não depende apenas do treino.

Se a dor volta sempre ao reiniciar o esporte, a progressão foi rápida ou a base ainda está fraca. Reduzir e reconstruir é melhor que repetir o ciclo.

Crianças devem participar da decisão: explicar que a dor vem de crescimento e carga reduz medo e melhora adesão ao plano. O objetivo é voltar melhor, não apenas voltar rápido.

Se a temporada exige jogar todo fim de semana, talvez seja necessário negociar pausas. Desenvolvimento saudável vale mais que uma sequência curta de partidas.

Essa negociação evita transformar dor de crescimento em abandono precoce do esporte.

Retorno gradual protege crescimento.

A força é aumentada devido a períodos de crescimento rápido e atividade excessiva. Em casos raros, o trauma pode levar à fratura por avulsão total.

Os fatores que contribuem para a doença de Sever incluem: atividades esportivas longas e excessivas, principalmente esportes que exigem corridas e saltos repetitivos; rigidez do tendão do calcanhar; dorsiflexão fraca do tornozelo; calçados mal ajustados ou desgastados; e corrida em superfícies duras.

Alguns fatores biomecânicos adicionais podem contribuir para a baixa absorção de choque contra o osso calcâneo, como o pé cavo, pé plano, geno varo e antepé varo.

É comum que a doença de Sever ocorra durante um período de crescimento rápido em crianças e adolescentes ativos entre 9 e 12 anos.

Geralmente, atinge indivíduos do sexo masculino, apresentando-se mais frequentemente em uma idade média de 12 anos em meninos e 11 anos em meninas.

Os esportes que mais causam a doença de Sever são aqueles que exigem corridas e saltos repetitivos, como futebol, atletismo, basquete, cross country e ginástica.


Causa da dor no calcanhar: doença grave
Definição: a doença de Sever é uma inflamação da placa de crescimento no calcanhar, causada por estresse repetitivo ou trauma no calcanhar
Sintomas: Dor e sensibilidade na parte de trás do calcanhar, inchaço no calcanhar, dificuldade para caminhar ou correr
Fatores de risco: crianças de 9 a 12 anos, atividades que envolvam correr e pular, pés chatos ou arcos altos, tendão de Aquiles rígido, calçados que não se ajustam corretamente
Tratamento: Repouso, alongamento, aplicação de gelo, palmilhas, órteses, fisioterapia, medicamentos


A doença de Sever, também conhecida como apofisite do calcâneo, trata-se de uma inflamação na apófise do calcâneo (placa de crescimento).


Fisiopatologia da doença de Sever

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Durante o período de desenvolvimento na adolescência, o crescimento ósseo excede a capacidade da unidade músculo-tendínea de se estender ao ponto de acompanhar a maior adaptabilidade, o que gera uma pressão expandida na apófise não ossificada ou não totalmente solidificada.

A apófise é o ponto mais frágil na conexão músculo-tendão-osso (em oposição ao tendão em um adulto) e, portanto, está em risco de lesão por uso excessivo por esforço repetitivo.

A pressão excessiva e repetitiva do calcanhar de Aquiles resulta em microtrauma e inflamação constante, causando espessamento e quadro doloroso na apófise.


Sintomas da doença de Sever

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Os sintomas podem ser unilaterais, mas até 60% dos casos podem apresentar dor bilateral. Podem incluir:

  • Inchaço, vermelhidão e quadro doloroso em um ou ambos os calcanhares;
  • Desconforto, caso o calcanhar seja pressionado;
  • Dor no calcanhar que piora durante e após a atividade, e melhora com repouso. Geralmente a dor é ausente pela manhã;
  • Dificuldades para andar, exigindo que a criança ou adolescente ande ou corra mancando ou na ponta dos pés.


Sintomas da doença de Sever
Dor e sensibilidade na parte de trás do calcanhar
Inchaço no calcanhar
Dificuldade para caminhar ou correr
Rigidez no calcanhar
Dor quando o calcanhar é comprimido em ambos os lados


Diagnóstico da doença de Sever

O diagnóstico da doença de Sever é clínico. Geralmente, exames de imagem não são necessários.

Caso os sintomas sejam atípicos, persistentes ou graves, o médico solicitará a obtenção de radiografias simples para descartar infecção, neoplasia ou fratura oculta.

Exames de radiografias simples ajudam a mostrar fragmentação, esclerose ou aumento da densidade da apófise do calcâneo, porém essas alterações também podem ser observadas em variantes normais.

Se o médico solicitar radiografias, serão analisadas imagens bilaterais para comparar anormalidade óssea e variante normal.

Ressonância magnética pode ser solicitada para avaliação de edema ósseo, ligamentos e outras estruturas.

sever


Evolução dos sintomas

A longo prazo, a dor pode avançar em uma gravidade suficiente para restringir as atividades. A avaliação física deve ser negativa para eritema ou equimose, mas sensibilidade e edema leve podem estar presentes no calcanhar de Aquiles. A avaliação também pode revelar dor com dorsiflexão da perna afetada.

O exame também pode revelar dor com dorsiflexão passiva do tornozelo. A dor é estimulada por meio de compressão do calcâneo posterior (teste de compressão) e agravada ao ficar na ponta dos pés (sinal de Sever).

Má flexibilidade do cordão do calcanhar ou fraqueza com dorsiflexão podem estar presentes como fatores predisponentes.


Tratamento: Evolução dos sintomas

A doença de Sever não causa problemas nos pés a longo prazo, pois os sintomas, normalmente, tendem a desaparecer após alguns meses, resolvendo-se com a maturação e fechamento da apófise.

Não há necessidade de tratamento cirúrgico no manejo da doença de Sever.

O tratamento indicado é conservador, incluindo descanso e períodos de inatividade. Isso inclui a suspensão e redução dos esportes, até que os sintomas desapareçam e a dor melhore.

Quando voltar a praticar os esportes, é indicado que retorne gradualmente.

futebol

Como parte do tratamento, o médico recomendará:

  • Aplicação de compressas de gelo, três vezes ao dia, por vinte minutos (não diretamente na pele);
  • Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides para o alívio da dor, como cetoprofeno, ibuprofeno;
  • Meias de compressão para reduzir o inchaço e a dor;
  • Calçados de suporte que reduzem o estresse no osso do calcanhar;
  • Os calçados desgastados devem ser substituídos e bem conservados;
  • Programa de exercícios de reabilitação com foco em alongamento do cordão do calcanhar e fortalecimento dos dorsiflexores;
  • Utilização de palmilhas e dispositivos ortopédicos, em casos de pé pronado, arcos altos ou planos;
  • Imobilização, incluindo a aplicação de gesso ou o uso de bota ortopédica, para que o calcanhar descanse, dependendo da gravidade dos sintomas e se o tratamento conservador não responder às medidas citadas acima.  

Geralmente, os sintomas são autolimitados, demonstrando melhora entre 6 e 12 meses, e resolução completa com fechamento apofisário.

Na maioria dos casos, o tratamento é conservador, com ajuste de carga, controle da dor e retorno gradual ao esporte. Sintomas persistentes, dor intensa ou dúvida diagnóstica justificam reavaliação.


Como a doença de Sever pode ser prevenida?

A doença de Sever não retorna quando a taxa de crescimento do seu filho atinge o seu tamanho máximo. No entanto, pode ocorrer novamente se seu filho permanecer muito ativo. Algumas medidas podem ajudar seu filho a evitar a condição, se ele:

  • Usar sapatos de apoio e palmilhas com absorção de choque;
  • Alongar as panturrilhas, calcanhares e isquiotibiais;
  • Evitar correr e bater em superfícies duras;
  • Perder alguns quilos extras (caso esteja acima do peso ideal), o que ajudará a reduzir a pressão adicional nos calcanhares;
  • Manter uma boa hidratação, dieta e sono adequados;
  • Dar preferência aos esportes que não pressionam o calcanhar, como natação ou andar de bicicleta, caso a criança quiser permanecer ativa.

Como a doença de Sever é relativamente comum em jovens, muitas vezes não chama a atenção, por ser autolimitada. É essencial que enfermeiros e médicos estejam familiarizados com essa condição, pois às vezes é confundida com fascite plantar. A placa de crescimento costuma fechar em algum momento entre os 8 aos 14 anos.

Os pacientes, incluindo pais e familiares devem ser informados sobre a incidência relativamente alta de recorrência de sintomas em jovens, até que ocorra a maturação esquelética e o fechamento da apófise.

Fontes e leitura útil

  • AAOS: Sever’s disease
  • Cleveland Clinic: Sever’s disease
  • Nemours KidsHealth: Sever’s disease
  • AAFP: heel pain diagnosis and management

Referências

SMITH, J. M.; VARACALLO, M. Sever Disease. NCBI Bookshelf, 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441928/>.

Arquivado em: Medicina Esportiva, Ortopedia

Escoliose – O que é? Quando me preocupar?

21 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Escoliose é uma curvatura tridimensional da coluna, geralmente medida pelo ângulo de Cobb, e a importância clínica depende de idade, grau da curva, crescimento restante, sintomas e progressão. Muitas curvas leves são acompanhadas, mas dor intensa, piora rápida, alteração neurológica, assimetria progressiva ou curvas maiores exigem avaliação mais cuidadosa.

O que muda a gravidade da escoliose

A palavra escoliose não diz tudo. Uma curva pequena em adolescente que ainda vai crescer tem leitura diferente de uma curva estável em adulto. O risco de progressão depende do grau, maturidade esquelética, localização da curva, sexo, histórico familiar e velocidade de crescimento. Por isso, radiografias seriadas e exame físico podem ser mais importantes do que uma foto isolada da postura.

Em adolescentes, a escoliose idiopática muitas vezes aparece sem dor importante. Em adultos, pode vir junto de degeneração, dor lombar, desequilíbrio do tronco ou sintomas nas pernas. O plano muda conforme idade e objetivo: acompanhar, usar colete, reabilitar, controlar dor ou discutir cirurgia em casos específicos.

AchadoLeitura práticaPróximo passo
Curva leve e sem progressãoFrequentemente acompanhamento.Revisar crescimento e sintomas.
Crescimento rápidoMaior risco de piora.Acompanhamento mais próximo.
Dor intensa ou neurológicaPode haver outra causa associada.Exame médico e possível imagem.
Curva alta/progressivaRisco funcional e cosmético maior.Ortopedia de coluna.

Tratamento não é igual para todos

Observação pode ser suficiente em curvas leves. Colete pode ser considerado em adolescentes em crescimento com curvas em determinada faixa, com objetivo de reduzir progressão. Exercícios específicos e fisioterapia podem ajudar postura, dor, função, controle motor e adesão, mas não substituem monitoramento quando há risco de progressão.

Cirurgia é reservada para curvas maiores, progressivas ou com impacto importante, e deve envolver conversa sobre objetivo, riscos, níveis de fusão, recuperação e expectativa. A decisão não deve ser tomada apenas por estética ou medo; precisa comparar história natural, sintomas e risco individual.

Medir: ângulo de Cobb e maturidade esquelética.
Acompanhar: crescimento, assimetria e progressão.
Tratar: observação, colete, exercício ou cirurgia conforme risco.
Alertas: fraqueza, dormência, dor noturna ou piora rápida.

O que perguntar na consulta

Pergunte qual é o grau da curva, se ainda há crescimento, qual risco de progressão, quando repetir raio-X e que sinais mudam a urgência. Para adultos, pergunte se a dor vem da curva, de degeneração, disco, quadril, sacroilíaca ou musculatura. Essa distinção evita atribuir toda dor à escoliose.

O plano precisa distinguir entre acompanhamento, reabilitação, colete, avaliação cirúrgica ou investigação de outra causa. A escoliose merece precisão, não alarme automático.

Esporte e rotina

Na maioria dos casos leves, atividade física é permitida e pode melhorar força, autoestima e função. Restrições devem ser individualizadas. Dor ou medo não devem afastar automaticamente a pessoa de escola, esporte ou vida social.

Quando há colete, adesão e ajuste são parte do tratamento. Desconforto, vergonha e dificuldade na rotina precisam ser conversados, porque o melhor colete no papel não funciona se não é usado.

Apesar de se manifestar em qualquer idade, frequentemente é diagnosticada em crianças e adolescentes.

O ângulo da curvatura pode ser pequeno, intermediário ou grande. É considerado escoliose quando mede mais de 10 graus em um raio-X.

Nem sempre a escoliose é perceptível, mas algumas pessoas tendem a se inclinar para um lado ou apresentar ombros, ou quadris irregulares, justamente devido à curvatura da coluna.


Tipos de escoliose

escoliose-coluna

A escoliose pode ser estrutural ou não-estrutural. Quando é estrutural, as curvas são irreversíveis com presença de rotação vertebral. Já a não-estrutural acontece quando a curva pode ser corrigida através do posicionamento corporal e, nesse caso, não se observa rotação vertebral.

A escoliose pode ser classificada segundo a sua origem de formação, dividindo-se basicamente em: escoliose idiopática, escoliose congênita, escoliose neuromuscular, escoliose degenerativa.

A escoliose idiopática não possui uma causa esclarecida e os médicos não encontram uma razão exata para a coluna curvada, mas é o tipo mais comum de escoliose, correspondendo a aproximadamente 70% das ocorrência de escoliose. Nesse tipo está incluída a escoliose infantil, juvenil e do adolescente.

O risco de progressão na curva é maior na puberdade precoce, afetando 1 a 4% dos adolescentes e desproporcionalmente mulheres jovens. Normalmente, esse tipo de escoliose é assintomático e passa despercebido por muitos anos.

Tipo de escolioseDescrição
Escoliose idiopáticaO tipo mais comum de escoliose, causada por fatores desconhecidos e geralmente encontrada em crianças.
Escoliose congênitaPresente ao nascimento, devido a uma malformação das vértebras.
Escoliose neuromuscularResultante de fraqueza muscular ou anormalidades nervosas, geralmente causadas por uma condição médica.
Escoliose DegenerativaDesenvolvendo-se mais tarde na vida devido à degeneração da coluna relacionada à idade.

A escoliose congênita já inicia antes do nascimento. Os médicos, geralmente, detectam essa condição rara logo quando o bebê nasce, mas também pode ser percebida anos depois, apenas na adolescência.

A escoliose neuromuscular é causada por algum distúrbio neurológico ou muscular, como a paralisia cerebral ou uma lesão na medula espinhal. Essas condições, quando danificam os músculos, fazem as costas se curvarem.

A escoliose degenerativa é o tipo que afeta os adultos. Conforme os anos passam, esse tipo de escoliose desenvolve-se na parte inferior das costas, devido ao desgaste dos discos e articulações da coluna.


Quais são os sintomas da escoliose?

dor_lombar

Geralmente, a escoliose se manifesta desde a infância ou adolescência. Mas ao decorrer dos anos, os sintomas podem variar de acordo com a idade do paciente. Os sinais e sintomas da escoliose incluem:

  • Curva visível nas costas;
  • Ombros irregulares;
  • Cintura e quadril irregular;
  • Escápula que parece mais proeminente que a outra;
  • Dor lombar;
  • Dormência nas pernas;
  • Fadiga devido à tensão nos músculos.

A coluna geralmente pode girar ou torcer, além de curvar de um lado para o outro. Em adolescentes, é comum as roupas não vestirem uniformemente e as pernas terem comprimentos ligeiramente diferentes.

Quando a escoliose é notada em bebês, as mães observam que o corpo fica curvado mais para um lado, quando a criança está deitada.

Em casos graves, bebês podem apresentar problemas pulmonares e cardíacos, levando a dor no peito e falta de ar. Se o bebê não receber o tratamento adequado, correrá riscos de ter problemas a longo prazo, na vida adulta, como insuficiência cardíaca.

Adultos mais velhos frequentemente relatam dores nas costas, que raramente é grave e não causa nenhuma grande incapacidade para a maioria dos indivíduos.


Tabela: alguns dos sintomas da escoliose

SintomaExplicação
Desvio lateral da coluna vertebralA coluna vertebral pode se desviar para o lado, formando uma curva lateral na parte superior ou inferior das costas.
Assimetria dos quadris ou ombrosComo quadris ou ombros podem parecer irregulares ou em alturas diferentes, devido à curvatura lateral da coluna vertebral.
Mudança na altura da cintura ou da cabeçaA curvatura lateral da coluna vertebral pode causar uma mudança na altura da cintura ou da cabeça.
Dor nas costas ou nas pernasA escoliose pode causar Dor nas costas ou nas pernas devido à compressão dos nervos e dos músculos pelas curvas da coluna vertebral.
Fadiga ou dificuldade para respirarA escoliose pode causar fadiga ou dificuldade para respirar devido à compressão dos pulmões pelas curvas da coluna vertebral.

É importante lembrar que esta tabela é apenas informativa e que os sintomas da escoliose podem variar de pessoa para pessoa. Se você tiver algum desses sintomas, é recomendável consultar um médico para um diagnóstico preciso.


Causas e fatores de risco da escoliose

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A escoliose é uma doença causada por uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, atuando por meio de mecanismos integrativos biológicos e biomecânicos.

Quando a coluna funciona normalmente, mas parece curvada, a escoliose pode ser causada por comprimentos diferentes nas pernas, espasmos musculares e inflamações, como apendicite. Tratando essas condições, a escoliose geralmente desaparece.

Quando a curva da coluna é rígida e não pode ser revertida, as causas podem envolver distrofia muscular, paralisia cerebral, defeitos congênitos, tumores e condições genéticas, como Síndrome de Down.

A osteoporose também pode causar escoliose, em virtude da degeneração óssea. Além dessas causas citadas, também é importante citar a má postura, lesões que causam curvaturas da coluna vertebral e o hábito de carregar mochilas muito pesadas.

Os fatores de risco incluem: a idade, pois geralmente a escoliose inicia-se durante um surto de crescimento pouco antes da puberdade; sexo, sendo que as mulheres possuem mais tendência a sofrer de escoliose do que os homens; e genética, pois a escoliose comumente surge entre parentes da mesma família.

Fator de riscoDescrição
GêneroAs meninas são mais propensas a desenvolver escoliose do que os meninos.
História FamiliarSe um dos pais ou irmão tiver escoliose, o risco aumenta.
IdadeA maioria dos casos de escoliose se desenvolve entre as idades de 10 e 15 anos.
Outras condições médicasCertas condições médicas, como paralisia cerebral e distrofia muscular, são fatores de risco para escoliose.

Se você ou alguém da sua família tem escoliose, certifique-se de que seus filhos sejam examinados regularmente para essa condição.


Diagnóstico

O diagnóstico para escoliose consiste em exame físico da coluna, costelas, ombros e quadris. O médico verificará o grau de escoliose através de um equipamento chamado inclinômetro. Quando o grau é maior que 10, indica escoliose.

Exames complementares de imagem (raio-x, tomografia computadorizada e ressonância magnética) podem ser solicitados para auxiliar o médico a analisar a forma, direção e ângulo da curvatura.

O exame de raio-x mensura o grau que a escoliose apresenta, onde por meio da imagem obtida, mensura-se o Ângulo de Cobb, que é uma medida universal utilizada para quantificar o ângulo frontal da escoliose em uma radiografia de incidência ântero-posterior.

A ressonância geralmente é solicitada para descartar outras patologias, como um tumor que pode estar inclinando e curvando a coluna.


Tabela: exames que podem ser usados para diagnosticar a escoliose:

ExameExplicação
Raio-XUm raio-X da coluna vertebral pode mostrar as curvas e os desvios laterais da coluna.
Ressonância magnética (RM)A ressonância pode mostrar as curvas da coluna vertebral em detalhes, além de verificar se há compressão dos nervos e dos músculos.
Tomografia computadorizada (TC)Pode mostrar a forma e o tamanho do canal vertebral, seu conteúdo e as estruturas ao seu redor. Muito bom em visualizar estruturas ósseas.


Tratamento

  1. Acompanhamento: Dependendo da gravidade da escoliose, seu médico pode recomendar um período de observação para monitorar a progressão da curva.
  2. Órtese: Dependendo da gravidade da escoliose, uma órtese pode ser recomendada para ajudar a prevenir o agravamento da curva.
  3. Exercício: O exercício pode ajudar a melhorar a postura, fortalecer os músculos e aumentar a flexibilidade.
  4. Fisioterapia: A fisioterapia pode ajudar a melhorar a postura, fortalecer os músculos e aumentar a flexibilidade.

O tratamento clínico da escoliose é realizado com base na magnitude e progressão da curva espinhal, sendo que se a curva piorar, o paciente poderá desenvolver problemas futuros, como dor, aumento da deformidade, aumento do risco de mortalidade precoce e problemas psicossociais negativos.

Geralmente, a magnitude da curvatura aumenta, ao longo da vida do paciente.

Para escoliose leve, durante a infância e adolescência, não é necessário nenhum tipo de tratamento. Crianças com escoliose leve são monitoradas regularmente com raios-x para acompanhar se a curva está apresentando piora.

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Dependendo do grau de curvatura da coluna, se o tratamento for necessário, pode ser recomendado uma combinação de órtese e fisioterapia. O objetivo da órtese é evitar que a curva progrida para uma gravidade que exija cirurgia, antes que o paciente atinja a maturidade esquelética.

Com esse tratamento, o risco de progressão da curva e o risco de uma cirurgia diminuem bastante. O tratamento mais comum envolve o uso de uma órtese rígida, como uma órtese toracolombosacral.

Para pacientes de alto risco, é recomendado que utilizem a órtese por mais de 13 horas por dia, até atingirem a maturidade esquelética. O tempo médio utilizando uma cinta é de aproximadamente 3 anos, mas isso não impede o indivíduo de continuar realizando as suas atividades rotineiras.

Quando a escoliose é mais grave, essa condição pode reduzir a quantidade de espaço dentro do tórax, o que dificulta o funcionamento apropriado dos pulmões. Mas isso acontece em casos raros.

Quando acontece, o tratamento é cirúrgico com o objetivo de restaurar o alinhamento da coluna e prevenir as consequências a longo prazo de grandes deformações da coluna e do tórax, que podem incluir dor, desfiguração e redução da capacidade pulmonar.


Importância da reabilitação motora no tratamento da escoliose

  1. Melhora a postura: A fisioterapia pode ajudar a melhorar a curvatura da coluna causada pela escoliose ao te ensinar diversos exercícios posturais.
  2. Aumenta a flexibilidade: A fisioterapia ajuda a alongar a coluna e outros músculos, o que pode aumentar a flexibilidade e ajudar a reduzir a dor.
  3. Fortalece os músculos: A fisioterapia ajuda a fortalecer os músculos da coluna, o que pode ajudar a reduzir a curvatura da coluna e reduzir a dor.
  4. Melhora o equilíbrio: A fisioterapia ajuda a melhorar o equilíbrio ensinando exercícios para ajudar a manter o centro de gravidade.
  5. Reduz a dor: A fisioterapia ajuda a reduzir a dor por meio de exercícios de fortalecimento e alongamento, que podem ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a circulação.
  6. Previne novas curvaturas: A fisioterapia ajuda a prevenir novas curvaturas da coluna, ensinando-lhe exercícios para ajudá-lo a manter uma boa postura.
  7. Melhora a mobilidade: A fisioterapia ajuda a melhorar a mobilidade, ensinando-lhe exercícios para ajudá-lo a mover-se com maior facilidade e conforto.
  8. Melhora a qualidade de vida: A fisioterapia ajuda a reduzir impacto na rotina, aliviando a dor e melhorando a mobilidade.


Fontes e leitura útil

  • AAOS: scoliosis overview
  • AAFP: adolescent idiopathic scoliosis
  • Scoliosis Research Society: idiopathic scoliosis
  • AAOS: scoliosis surgery considerations

Referências

BLASIUS, V. A. Verificação do índice de escoliose nos acadêmicos da 10ª fase do Curso de Fisioterapia da UNESC. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Fisioterapia) – Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2010.

CHENG, J. C. et al. Adolescent idiopathic scoliosis. Nature Reviews Disease Primers, v. 1, n. 1, p. 1-20. 2015.

TURRA, P. Qualidade de vida de indivíduos com escoliose idiopática. 2015. Monografia (Especialização em Reabilitação Físico-Motora) – Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2015.

Arquivado em: Ortopedia, Doenças de A-Z

Artrose Acromioclavicular

21 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Resposta curta: Artrose Acromioclavicular fica mais claro quando a dor é descrita por localização, início, movimento que piora, função perdida e sinais associados. Tratamento não é só “tirar a dor”: também precisa recuperar movimento, reduzir sobrecarga e evitar que o problema volte.

Mais útil do que rotular a dor rápido é observar onde ela aparece, o que piora, o que alivia, qual movimento ficou limitado e se há perda de força, formigamento ou piora funcional.

Por que a articulação acromioclavicular dói

A articulação acromioclavicular fica no topo do ombro, entre clavícula e acrômio. Quando dói, atividades como cruzar o braço na frente do corpo, apoiar peso, fazer supino ou dormir sobre o ombro podem piorar. O raio-x pode mostrar desgaste, mas a decisão depende da correlação com exame físico e função.

A articulação acromioclavicular é uma articulação diartrodial entre as áreas da clavícula e o acrômio. A sua estabilidade se torna possível em virtude da cápsula, ligamentos e disco intra-articular.

Osteoartrite (ou artrose) é a causa mais comum de dor no ombro acometida pela articulação acromioclavicular, sendo frequente em pacientes com mais de 50 anos de idade.

Um estudo publicado pela Archives of Gerontology and Geriatrics revelou que cerca de 57% dos pacientes idosos apresentam nos exames radiográficos evidências de artrose acromioclavicular[1].


O Que Causa A Artrose Acromioclavicular?

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Devido ao uso constante do ombro durante as atividades do dia a dia, a tensão resultante torna a artrose acromioclavicular um problema bastante comum.

Pessoas que fazem uso demasiado dos ombros, colocando tensão constante nessa região, são as mais propensas a desenvolverem artrose acromioclavicular ao longo do tempo[2].

Levantadores de peso frequentemente sofrem com essa patologia, muitas vezes, em uma idade ainda jovem.

A artrose acromioclavicular também pode se desenvolver após uma lesão na articulação, pancadas ou acidentes no ombro que causem deslocamento dessa articulação, resultando em quadros dolorosos futuros.


As separações da articulação acromioclavicular são normalmente causadas por trauma direto no ombro como resultado de uma queda ou durante esportes de contato quando o braço do paciente é aduzido.

O acrômio é geralmente impactado pela força na direção superolateral para inferomedial, pois a clavícula tende a manter sua posição anatômica, levando a um espectro de rupturas dos ligamentos acromioclavicular e coracoclavicular.


Anatomia do ombro

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O ombro é extremamente móvel e composto por várias articulações que trabalham juntas. A escápula, clavícula e úmero são os ossos do ombro. A articulação glenoumeral é a articulação principal e é mais como uma bola de golfe em um tee.

A articulação acromioclavicular liga a clavícula ao acrômio, que faz parte da omoplata ou escápula. Não há muito movimento nesta articulação, mas quando há uma lesão nesta região, a dor pode ser incapacitante.

Os ligamentos no ombro são todos nomeados após os ossos que conectam.

A clavícula tem dois ligamentos envolvendo o ombro que ajudam a estabilizá-lo nas estruturas ósseas próximas: o ligamento acromioclavicular e o ligamento coracoclavicular ambos estabilizam a clavícula na omoplata.


Sintomas da Artrose Acromioclavicular

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Ilustração: Ombro com Artrose, desgaste e osteófitos

A lesão do ombro pode causar sintomas como:

  • Dor
  • Movimento limitado no ombro
  • Inchaço
  • Contusão
  • Vermelhidão na parte superior do ombro

Esse tipo de artrose é consequência natural do envelhecimento do músculo esquelético, então nem sempre as pessoas sentem ou sentirão dor e redução da função devido a essa patologia.   

Porém, quando há sintomas, os pacientes com artrose acromioclavicular frequentemente apresentam uma limitação na amplitude de movimento, acompanhada de dor na articulação e no ombro, principalmente em movimentos de rotação.

É observada uma dor na área deltóide ao cruzar o corpo, provavelmente causada por irritação da bursa subacromial subjacente.

Quando a região é apalpada, é possível sentir dor, inchaço e calor na área da articulação.


Tipos de lesões da articulação acromioclavicular

O tipo de separação do ombro depende de quanto você rompe a articulação acromioclavicular (AC) ou os ligamentos coracoclaviculares (CC) que mantêm a articulação no lugar.

  • Tipo I = o ligamento AC está levemente rompido, mas não há danos ao ligamento CC está ileso.
  • Tipo II = o ligamento AC está completamente rompido e há pouca ou nenhuma ruptura no ligamento CC.
  • Tipo III = ambos os ligamentos AC e CC estão completamente rompidos. Neste caso, a clavícula se separa da extremidade da omoplata.


Diagnóstico da Artrose Acromioclavicular

É vital um diagnóstico preciso da localização da artrose na articulação acromioclavicular para determinar o tratamento adequado, a fim de evitar a persistência do quadro doloroso no ombro[3].

Durante o exame físico, a articulação acromioclavicular mostra-se sensível à palpação. Geralmente, o médico realiza o teste de adução do corpo cruzado, onde ele estabiliza o ombro, flexionando-o para frente em um movimento de 90° com o cotovelo pronado.

Depois, leva o membro superior para a frente do corpo em direção contralateral. Se houver dor, o resultado do teste é positivo para artrose acromioclavicular.

A patologia na articulação acromioclavicular também pode ser confirmada através da injeção de um anestésico local. A injeção de lidocaína a 1% ou 2% ou de bupivacaína a 0,25 ou 0,5% na articulação acromioclavicular é capaz de reduzir os sintomas dolorosos.

Se a dor persistir após a injeção anestésica, fica claro que se trata de outra patologia no ombro, como a síndrome do manguito rotador.

Outro método diagnóstico é a injeção de lidocaína a 1% na região subacromial. Se a dor persistir na articulação acromioclavicular após a injeção, o resultado do teste é positivo.


Exames de imagem para diagnóstico

A radiografia é a técnica inicial de escolha para o diagnóstico, pois é capaz de demonstrar alterações degenerativas, cistos subcondrais, esclerose, osteófitos, e estreitamento do espaço articular.

A tomografia computadorizada mostra-se um método interessante na avaliação de alterações ósseas artríticas na articulação acromioclavicular, como estreitamento da articulação, erosões e cistos subcondrais.

A ressonância magnética torna possível detectar hipertrofia capsular, derrames e edema. Embora a ultrassonografia seja utilizada para detectar derrames articulares na articulação acromioclavicular, não consegue fazer a diferenciação entre derrames associados a processos inflamatórios agudos e alterações degenerativas, tornando-o então menos eficaz na avaliação da artrose acromioclavicular.

Além da artrose, o diagnóstico diferencial de dor na articulação acromioclavicular inclui tendinite calcificada, artrite glenoumeral e a síndrome do manguito rotador.

DiagnósticoDescrição
Artrose AcromioclavicularUma condição causada pela degeneração da cartilagem entre o acrômio e os ossos da clavícula da articulação do ombro.
Raio XUm exame de imagem usado para procurar sinais de dano articular e estreitamento do espaço articular.
Tomografia ComputadorizadaUma tomografia computadorizada pode ser usada para procurar esporões ósseos e outros sinais de artrose.
Ressonância MagnéticaA ressonância magnética é usada para procurar alterações nos tecidos moles, como rupturas ou inchaço da articulação.
UltrassomOndas sonoras de alta frequência são usadas para procurar sinais de inflamação nas articulações.
Exames de sangueExames de sangue podem ser usados para procurar sinais de inflamação no corpo.


Tratamento da Artrose Acromioclavicular

Não há cura para a artrose acromioclavicular, mas o tratamento pode melhorar os sintomas.

Tratamento de lesão articular AC tipo I ou II

Os tratamentos para lesões do tipo I e II incluem:

  • Usar frio local por curto período no ombro.
  • Colocar o braço em uma tipoia para diminuir o movimento.
  • Tomar AINEs, como ibuprofeno ou naproxeno, para ajudar com a dor.


Tratamento conservador

À princípio, o tratamento para artrose acromioclavicular é não cirúrgico. Inclui modificação das atividades, medicamentos anti-inflamatórios não esteróides, reabilitação, TENS e injeção articular de anestésicos ou corticosteróides.

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Fisioterapia e exercícios para artrose acromioclavicular

A modificação das atividades envolve evitar movimentos que causam a dor, como mergulhos, exercícios de supino e flexões. A fisioterapia inclui um programa de exercícios para manter a amplitude de movimento ativa, aumentando a força muscular para a estabilização escapular.

Entretanto, a fisioterapia é mais eficaz para a síndrome do manguito rotador do que para a artrose acromioclavicular.

IntervençãoDescrição
Terapia ManualTécnicas práticas, como mobilização articular, massagem de tecidos moles e alongamento para aumentar a amplitude de movimento e diminuir a dor.
ExercíciosExercícios específicos desenvolvidos para fortalecer os músculos ao redor da articulação e melhorar a amplitude de movimento.
Educação PosturalOrientação sobre postura adequada, mecânica corporal e ergonomia para reduzir o estresse na articulação afetada.
Terapia de gelo/calorUso de frio e/ou calor para reduzir a dor e a inflamação.
UltrassomUso de ondas sonoras para reduzir a dor e a inflamação.
Estimulação ElétricaUso de corrente elétrica para reduzir a dor e a inflamação.
GravarUso de fita para fornecer suporte e estabilidade à articulação afetada.


Corticoides injetáveis

A administração de injeções de corticoides é indicada quando a reabilitação e o fortalecimento muscular não deram resultados satisfatórios. O efeito das injeções é potente e prolongado.

Se todos os procedimentos não cirúrgicos falharem, não minimizando os sintomas, a opção de tratamento passa a ser cirúrgica.


Tratamento de lesão articular AC tipo III

O seu médico decidirá o melhor curso de tratamento, com base na extensão do dano à articulação.

Você pode ter que usar uma tipoia e fazer fisioterapia.

Em determinadas situações, seu médico pode sugerir cirurgia para reparar os ligamentos rompidos.



É necessário cirurgia para artrose acromioclavicular?

Deve-se tentar pelo menos 6 meses de tratamento conservador, para então optar pelo procedimento cirúrgico[4].

A base do tratamento cirúrgico para a artrose acromioclavicular é a excisão distal da clavícula. Nesse procedimento, é retirado um fragmento da clavícula e o disco articular afetado.

O espaço residual passa a ser preenchido por fibrose cicatricial. Essa cirurgia pode ser realizada de modo aberto ou por artroscopia.

É essencial que o médico explique ao paciente as vantagens e desvantagens de cada técnica.

Após a cirurgia, o paciente deve imobilizar o membro por aproximadamente 3 semanas, para depois realizar uma fisioterapia de reabilitação.


Referências bibliográficas4 fontes
  1. 1.
    HORVATH, F.; KERY, L. Degenerative deformations of the acromioclavicular joint in the elderly. Archives of Gerontology and Geriatrics, v. 3, n. 3, p. 259-265. 1984.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Beitzel K, Cote MP, Apostolakos J, Solovyova O, Judson CH, Ziegler CG, Edgar CM, Imhoff AB, Arciero RA, Mazzocca AD. Current concepts in the treatment of acromioclavicular joint dislocations. Arthroscopy: The Journal of Arthroscopic & Related Surgery. 2013 Feb 1;29(2):387-97.
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Arquivado em: Ortopedia

Tendinite do calcâneo: sintomas, causas e tratamento

21 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Tendinite do calcâneo geralmente se refere à dor no tendão de Aquiles ou na região posterior do calcanhar. Pode surgir por aumento de treino, rigidez de panturrilha, calçado, terreno, sobrepeso, medicamentos, idade ou doença inflamatória. O tratamento depende de localização e tolerância à carga.

O tendão de Aquiles precisa de carga na dose certa

O tendão de Aquiles conecta panturrilha e calcanhar. Ele transmite força para caminhar, correr, saltar e subir escadas. Quando a carga aumenta mais rápido que a capacidade de adaptação, pode aparecer dor, rigidez matinal, espessamento e piora após exercício.

PadrãoComo interpretar
Dor e rigidez ao acordarTendinopatia do Aquiles é uma hipótese comum.
Dor na inserção no calcanharCalçado, esporão, bursite e insercional entram no raciocínio.
Estalo súbito e incapacidade de ficar na ponta do péRuptura precisa ser descartada.
Dor que esquenta e depois pioraCarga ainda pode estar excessiva.
Vermelhidão, febre ou feridaPensar além de tendinite simples.

Repouso absoluto prolongado pode reduzir condicionamento do tendão. Por outro lado, insistir em corrida, salto ou subida durante piora mantém irritação. A reabilitação costuma usar redução temporária de carga, fortalecimento progressivo da panturrilha e retorno gradual.

O que muda o tratamento

Tendinopatia no meio do tendão e dor na inserção no osso podem responder a exercícios diferentes. Alongamento agressivo nem sempre é adequado na dor insercional. Palmilhas, ajuste de calçado, elevação temporária do calcanhar e fisioterapia podem ajudar em casos selecionados.

Anti-inflamatórios podem aliviar dor por curto período, mas não reorganizam a capacidade do tendão. Infiltrações ao redor do Aquiles exigem cautela porque o tendão tem risco de ruptura. Ondas de choque ou outras intervenções só fazem sentido depois de confirmar diagnóstico e falha de medidas bem feitas.

Procure avaliação se houver dor súbita com estalo, falha para apoiar, aumento importante de inchaço, dor progressiva apesar de reduzir treino, uso recente de fluoroquinolona ou corticoide, ou doença inflamatória conhecida.

Como acompanhar a recuperação do Aquiles

A melhora deve aparecer em rigidez matinal, dor ao iniciar caminhada, tolerância a escadas e capacidade de ficar na ponta do pé. Se a pessoa só melhora enquanto usa analgésico, mas continua piorando com carga, o tendão ainda não está adaptado.

Exercícios de panturrilha precisam ser graduais. Começar pesado demais aumenta dor; fazer leve demais pode não estimular adaptação. O fisioterapeuta ajusta amplitude, velocidade, carga e frequência conforme a localização da dor e a resposta no dia seguinte.

O retorno à corrida deve começar por caminhada sem dor importante, depois trote curto em terreno plano. Subidas, tiros e saltos entram depois. Dor que muda a passada é sinal para reduzir, não para “aquecer melhor”.

Também é útil observar o calçado no ponto de atrito. Dor na inserção pode piorar com contraforte rígido ou compressão direta do tênis. Em outros casos, mudança brusca de drop, aumento de subida ou treino de velocidade sobrecarrega o tendão.

O objetivo não é zerar toda sensação antes de se mover, mas manter sintomas dentro de uma faixa tolerável e sem piora acumulada. Dor que cresce semana a semana indica que a progressão está rápida demais.

Se a rigidez matinal diminui e a função melhora, a carga provavelmente está mais bem dosada.

Se a rigidez aumenta, a dor aparece mais cedo no treino ou o tendão fica mais espesso e sensível, a progressão precisa ser revista antes de acrescentar intensidade.

Esse ajuste precoce costuma evitar pausas mais longas depois.

Principalmente em corredores.

E em saltadores.

Também.

Progressivamente.

  • A tendinite do calcâneo é a inflamação dos tendões no calcanhar do pé.
  • Causas comuns de tendinite no calcanhar incluem uso excessivo, calçados inadequados e pés chatos.
  • Os sintomas da tendinite do calcâneo podem incluir dor, inchaço e dificuldade para caminhar.
  • O tratamento da tendinite do calcâneo pode incluir repouso, aplicação de gelo, medicamentos, fisioterapia e órteses.
  • As complicações da tendinite do calcanhar podem incluir ruptura do tendão de Aquiles, fascite plantar e bursite.

O Que É Tendinite do Calcâneo?

O TENDÃO do calcâneo, também conhecido como Tendão de Aquiles, é uma área de tecido na parte de trás da perna. Esse é o maior e mais resistente tendão do corpo humano, ligando os músculos da panturrilha (que são os músculos gastrocnêmio e sóleo) ao osso do calcanhar.

O músculo gastrocnêmio flexiona o joelho e o tornozelo, enquanto o sóleo flexiona o pé quando apontamos os dedos para baixo. Em cada perna, possuímos um tendão de Aquiles.

As lesões no tendão do calcâneo estão associadas, aproximadamente 70% das vezes, com algum tipo de atividade esportiva, sendo mais frequente em atletas que participam de corridas de médias e longas distâncias, jogadores de voleibol e futebol.

Isso se explica porque o atleta sobrecarrega a funcionalidade dos sistemas musculoesquelético, tegumentar e nervoso, contribuindo para um desgaste mais intenso dessas estruturas.

Dessa forma, surgem processos inflamatórios e esfoliação das proteínas que causam lesões. O diagnóstico mais comum dessas lesões consiste em tendinites.

A tendinite é uma condição dolorosa e crônica, acompanhada por uma resposta inflamatória.


Causas, Formas e Sintomas da Tendinite do Calcâneo

tendinite_cacaneo

A tendinopatia do calcâneo costuma estar ligada a aumento de carga, repetição, rigidez de panturrilha, calçado, terreno, recuperação insuficiente e, em determinadas situações, fatores metabólicos ou medicamentosos. O ponto principal é ajustar a carga do tendão e investigar sinais que mudem o diagnóstico.

Sintomas de tendinopatia do calcâneo

SintomaDescrição
DorDor aguda na parte de trás do calcanhar
InchaçoSensibilidade e inflamação ao redor do calcanhar e do tendão de Aquiles
RigidezFlexibilidade reduzida no tornozelo
TernuraDor quando a área é tocada ou pressionada
VermelhidãoA pele ao redor do calcanhar pode ficar vermelha e quente ao toque
Dor PulsanteUma dor surda que pode ir e vir

Erros de treinamento, bem como trabalhos monótonos e assimétricos também são fatores adicionais associados à tendinite do calcâneo.

A tendinite no tendão do calcâneo pode se manifestar na forma aguda e crônica. Na forma aguda, os sintomas consistem em dor aguda ou entorpecimento no terço distal da perna, além de endurecimento da panturrilha ao acordar pela manhã.

Durante a atividade física, as sensações são de diminuição da mobilidade articular e inflamação. Na forma crônica, ocorre dor intensa, rigidez no tendão, edema difuso e redução do movimento, que acaba impossibilitando o atleta de continuar suas atividades esportivas, como de costume.


Como É Realizado O Diagnóstico da Tendinite do Calcâneo?

O diagnóstico é clínico. O médico faz um exame físico analisando a região, verificando a presença de esporões ósseos e inchaço. O diagnóstico também pode ser confirmado por meio de exame radiológico, ultrassonografia e ressonância magnética.

O exame radiológico, ou raios-x, não necessariamente revela a tendinite do calcâneo, mas permite visualizar imagens dos ossos do calcanhar para descartar causas de dor associadas aos ossos.

Com a ultrassonografia, é possível ver os danos e inflamação associados ao tendão.

Os exames de ressonância magnética criam imagens detalhadas e transversais do tecido na região, detectando rupturas e degeneração, a fim de determinar a extensão do dano. Isso ajudará o médico na decisão sobre o tratamento mais apropriado.

O diagnóstico é fundamental para a escolha adequada do tipo de terapia a ser utilizado, pois em cada fase da tendinite do calcâneo, há alterações celulares.

Exame de diagnósticoFinalidade
Exame FísicoPara avaliar a área de sensibilidade, inchaço e amplitude de movimento
Raio XPara identificar quaisquer condições ósseas subjacentes que possam estar contribuindo para a dor. Avalia fraturas, calcificações
Ressonância magnéticaPara examinar os tecidos moles da área e fornecer imagens mais detalhadas das estruturas
UltrassomPara avaliar os tendões e músculos da área. Exame dinâmico, avalia fissuras e edema em articulações e tendões.
Exames de sanguePara descartar quaisquer outras condições médicas, como patologias reumatológicas.


Como É O Tratamento da Tendinite do Calcâneo?

Os tratamentos para tendinite do calcâneo são diversos e amplamente discutidos na literatura.

Dependendo da condição da tendinite, se está na forma aguda ou crônica, o tratamento pode variar, incluindo: a administração de medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides; exercício excêntrico e concêntrico; fisioterapia por meio de crioterapia; hipertemia; redução das atividades intensas na região; imobilização; repouso; ultra-som; laserterapia e outros procedimentos de reabilitação.

Geralmente, a administração de medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides associados aos exercícios excêntricos são os tratamentos prioritários, pois oferecem bons resultados a curto e longo prazo.

O uso de gelo controla a dor e o edema, reduzindo o fluxo sanguíneo local e as demandas metabólicas do tecido. A terapia por ondas de choque, gelo e plasma associados aos anti-inflamatórios possibilitam a redução da dor e são efetivos, mas a curto prazo.

Alguns estudos também revelaram que injeções de corticosteróides podem ter efeitos danosos no tendão, favorecendo sua ruptura.

Em determinadas situações, quando todos os tratamentos forem realizados, não havendo melhora em pelo menos 6 meses e o quadro permanecer, então a cirurgia pode se tornar necessária.


Importância da reabilitação motora na reabilitação

  • Redução da dor e a inflamação associadas à tendinite no calcanhar.
  • Melhorar a mobilidade, força e flexibilidade na área afetada.
  • Evitar mais lesões no calcanhar fornecendo suporte biomecânico adequado.
  • Promoção da cicatrização adequada, melhorando a extensibilidade do tecido e reduzindo o tecido cicatricial.
  • Aumento a circulação no calcanhar para ajudar na cicatrização.
  • Orientar o paciente sobre alongamento adequado, exercícios de fortalecimento e modificação de atividades.
  • Uso de dispositivos ortopédicos para apoiar e proteger o calcanhar.

Opções complementares – acupuntura e eletroacupuntura

A Eletroacupuntura é uma especialidade moderna da Acupuntura, unindo os conceitos da Medicina Tradicional Chinesa com a bioeletricidade, utilizando corrente elétrica.

Esse tratamento apresenta uma resposta terapêutica satisfatória à recuperação do sistema musculoesquelético, por proporcionar efeito analgésico sinérgico e miorrelaxante, favorecendo ainda o retorno do atleta as suas atividades esportivas.


É Possível Prevenir A Tendinite do Calcâneo?

Sim, existem algumas medidas que podem diminuir o risco de ter tendinite no calcâneo. Medidas simples, porém que podem fazer toda a diferença.

Antes de malhar ou praticar exercícios, primeiro aqueça os músculos e alongue os seus tendões de Aquiles. Fique em pé com a perna esticada, inclinando-se para a frente e mantendo o calcanhar no chão. Alongue a sua panturrilha.

alongamento

Reduza o estresse e a sobrecarga na região dos tendões.

Dê atenção aos seus calçados. Se você utiliza algum par de calçados há muito tempo, considere substituí-los. Dê preferência a calçados com amortecedores, para aliviar a tensão do tendão do calcâneo.


Considerações Finais

Se você desenvolver dor na parte de trás da sua perna, entre a panturrilha e o calcanhar, procure logo atendimento médico.

Se for tendinite de Aquiles e não for devidamente tratada, poderá progredir para uma condição mais grave e crônica, como a tendinose de Aquiles, uma patologia degenerativa que causa alterações permanentes.


Fontes úteis

  • AAOS: Achilles tendinitis
  • AAOS: heel pain

FRANÇA, D. et al. Tendinite do tendão de Aquiles tratado por eletroacupuntura associado a cinesioterapia. Fisioterapia Brasil, v. 7, n. 4, p. 307-311. 2006.

SOUZA, R. V. Eficácia do treinamento excêntrico no reparo tecidual de indivíduos com tendinopatia de Aquiles: uma revisão bibliográfica. 2015. Monografia (Especialização em Fisioterapia com ênfase em Ortopedia) – Universidade Federal de Minas, Belo Horizonte, 2015.

VIEIRA, F. F. et al. Tendinopatia do tendão calcâneo. Publicatio UEPG: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 16, n. 1, p. 35-42. 2010.

Arquivado em: Ortopedia, Reumatologia

Dermatite Perioral: O que é? Causas, Sintomas e Tratamentos

21 de dezembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Dermatite perioral é uma inflamação com pequenas pápulas, vermelhidão e ardor ao redor da boca, nariz ou olhos. Um ponto essencial é investigar gatilhos, especialmente corticoide tópico no rosto, cosméticos irritantes e produtos muito oclusivos. Usar mais corticoide pode aliviar por pouco tempo e depois piorar o ciclo.

O tratamento costuma combinar retirada orientada dos gatilhos, rotina de pele simples e medicamentos tópicos ou orais quando necessário. Em pessoas que usaram corticoide por tempo prolongado, pode haver piora de rebote; por isso a retirada deve ser orientada quando há dependência ou inflamação intensa.

SituaçãoComo interpretar
Piora após corticoide facialÉ pista forte para dermatite perioral/periorificial.
Lesões ao redor dos olhos ou narizO termo periorificial pode ser mais preciso que perioral.
Acne comum juntoO tratamento muda; nem toda “bolinha” é igual.
Ardor e sensibilidadeRotina agressiva de pele pode manter a inflamação.

Fatos importantes sobre a Dermatite Perioral

  • A dermatite perioral é uma doença de pele que causa uma erupção cutânea vermelha ao redor da boca.
  • Afeta comumente mulheres jovens, mas homens e crianças também podem ser afetados.
  • A causa da dermatite perioral é desconhecida, mas alguns gatilhos podem piorá-la, como esteróides tópicos, certos cremes faciais e maquiagem.
  • O tratamento geralmente envolve evitar gatilhos, usar sabão neutro e água para limpar a área afetada e aplicar um creme ou pomada tópica.
  • Em determinadas situações, antibióticos podem ser prescritos para tratar a doença.

Introdução

A dermatite perioral é uma condição comum da pele que afeta o rosto, geralmente ao redor da boca, nariz e olhos[1]. É caracterizada por erupção cutânea vermelha, escamosa e com coceira. É mais comum em mulheres jovens, mas pode afetar pessoas de todas as idades e sexos. A causa da dermatite perioral é desconhecida, mas acredita-se que seja causada por uma combinação de fatores ambientais e genéticos[2].

O sintoma mais comum da dermatite perioral é uma erupção cutânea que aparece como uma mancha vermelha com uma borda escamosa ao redor da boca, nariz e olhos. A erupção também pode se espalhar para outras áreas do rosto, como testa e queixo. Outros sintomas podem incluir queimação, picadas e coceira na área afetada. Em determinadas situações, a erupção pode se espalhar para o peito, costas e braços.

O tratamento para dermatite perioral depende da gravidade da condição e da resposta do indivíduo ao tratamento. Casos leves podem ser controlados com medicamentos tópicos e ajustes no estilo de vida, como evitar certos produtos para cuidados com a pele e irritantes.

Casos mais graves podem exigir medicamentos prescritos e tratamento mais intensivo. É importante consultar um médico para diagnóstico e tratamento adequados[3].

Sintomas da Dermatite Perioral

dermatite perioral
  • Erupção cutânea: uma erupção de inchaços ou lesões vermelhas geralmente aparece ao redor da boca e pode se espalhar para o nariz, queixo e testa.
  • Coceira: sensações de coceira e queimação podem ocorrer ao redor da erupção cutânea.
  • Secura: as áreas da pele afetadas pela erupção cutânea podem ficar secas, escamosas e espessas.
  • Queimação: sensações de queimação podem ser sentidas nas áreas afetadas.
  • Inchaço: a área ao redor da erupção pode ficar inchada.
  • Protuberâncias cheias de pus: Protuberâncias cheias de pus podem aparecer ao redor da boca.
  • Dor: pode ocorrer dor nas áreas afetadas pela erupção cutânea.
  • Crostas: a pele pode desenvolver uma textura crocante nas áreas afetadas pela erupção cutânea.
Sintoma
Erupção facial
Coceira na pele
Vermelhidão e inchaço
Lesões de pele
Secura


A doença está limitada à pele. Lesões cutâneas ocorrem como grupos de pápulas avermelhadas, pápulovesículas e pápulopústulas em uma base eritematosa com um possível aspecto confluente.

As pápulas e pústulas têm principalmente localizações periorais, mas aparecem frequentemente na testa, bochechas, queixo, nariz e parte superior do tórax.


Causas da dermatite perioral

dermatite perioral no nariz
  • Infecções bacterianas: bactérias como Staphylococcus aureus, Fusiform spirilla podem causar dermatite perioral.
  • Infecções fúngicas: fungos da família da Candida podem estar relacionadas
  • Alterações hormonais: alterações hormonais, como durante a gravidez ou a menopausa, podem desencadear a condição.
  • Alergias: certos cosméticos e produtos para a pele podem causar uma reação alérgica.
  • Estresse: o estresse pode causar um surto da doença.
  • Exposição ao sol: muita exposição ao sol pode agravar a condição.
  • Contraceptivos orais: alguns tipos de anticoncepcionais orais podem contribuir para a dermatite perioral.
  • Mudanças climáticas: o tempo frio e seco pode piorar a condição.
  • Cremes com corticoides: o uso prolongado de cremes com esteroides tópicos pode causar dermatite perioral.

Epidemiologia

A dermatite perioral afeta principalmente mulheres, que representam aproximadamente 90% dos casos.

Acredita-se que o número de pacientes do sexo masculino esteja aumentando devido a mudanças nos seus hábitos cosméticos.

É possível que ocorra dermatite perioral em crianças, mas é raramente diagnosticada. A grande maioria dos pacientes são mulheres entre 20 e 45 anos.


Diagnóstico

A dermatite perioral é uma condição da pele que afeta a área ao redor da boca. A causa dessa condição é desconhecida, mas acredita-se que seja causada por certos gatilhos, como irritantes ambientais, certos produtos para cuidados com a pele e o uso de esteroides tópicos.

O diagnóstico é geralmente feito por meio de exame físico, avaliação da pele e histórico do paciente. Em determinadas situações, uma biópsia de pele pode ser necessária para descartar outras condições.

O tratamento para dermatite perioral geralmente envolve evitar os gatilhos que podem ter causado a condição e usar produtos de limpeza e hidratantes suaves e suaves. Antibióticos orais podem ser prescritos se houver um componente bacteriano na condição. Cremes antibióticos tópicos e cremes com corticosteroides também podem ser usados, embora o uso prolongado deva ser evitado.

Nome do exameDescrição do exame
Exame DermatológicoExame da pele para vermelhidão, descamação e outros sinais de dermatite perioral.
Testes de alergiaExames de pele ou sangue para identificar alergias que podem estar desencadeando a dermatite perioral.
Biópsia de peleRemoção de uma amostra de pele que pode ser estudada em laboratório para identificar quaisquer condições subjacentes que possam estar causando a dermatite perioral.

Diagnóstico Diferencial de Dermatite Perioral

  • Dermatite atópica: patologia inflamatória da pele que geralmente se apresenta com pele seca, com coceira e escamosa.
  • Dermatite seborreica: patologia comum da pele que pode apresentar vermelhidão, descamação e coceira.
  • Rosácea: patologia crônica da pele que pode apresentar vermelhidão, caroços e espinhas.
  • Dermatite de contato: patologia inflamatória da pele causada pelo contato com um irritante ou alérgeno.
  • Foliculite: infecção dos folículos pilosos que pode apresentar inchaços vermelhos, coceira e dor.
  • Dermatite de contato alérgica: uma reação alérgica a uma substância que causa vermelhidão, coceira e inchaço.
  • Dermatite actínica crônica: patologia da pele causada pela exposição prolongada à radiação ultravioleta.
  • Granulomatose perioral: patologia rara da pele que pode se apresentar com placas escamosas vermelhas e saliências.

Possibilidades iniciais de tratamento

A dermatite perioral é uma condição da pele que afeta a boca e a área ao redor dela. O tratamento para dermatite perioral geralmente envolve medicamentos tópicos, como hidrocortisona, antibióticos ou retinoides tópicos[4].

Antibióticos orais também podem ser prescritos.

Outras terapias que podem ser recomendadas incluem mudanças no estilo de vida, como evitar irritantes da pele e evitar o uso de produtos faciais como maquiagem, hidratantes e protetores solares[5].

O objetivo do tratamento da dermatite perioral é reduzir a inflamação e recuperar a barreira da pele. O tratamento também pode envolver evitar certos produtos ou atividades que podem estar causando a condição. Por exemplo, se a condição estiver ligada ao uso de um determinado produto facial, o paciente pode ser instruído a mudar para um produto diferente.

Se a condição for causada por exposição excessiva ao sol, o paciente pode ser aconselhado a ficar longe do sol ou usar protetor solar com FPS 30, ou superior.

Em determinadas situações, o tratamento inicial para dermatite perioral pode incluir esteróides tópicos, antibióticos ou uma combinação de ambos. Antibióticos orais também podem ser prescritos, dependendo da gravidade da condição. Em muitos casos, a condição desaparecerá dentro de algumas semanas ou meses de tratamento. No entanto, se a condição não melhorar com o tratamento inicial, outros tratamentos podem ser necessários. Isso pode incluir terapia fotodinâmica, terapia a laser ou outras formas de terapia tópica.

Medicamentos para tratamento de Dermatite Perioral

  • Corticosteróides tópicos: Esses medicamentos reduzem a inflamação e podem ser usados ​em casos leves de dermatite perioral.
  • Antibióticos orais: esses medicamentos podem ser usados ​para tratar infecções bacterianas que podem acompanhar a dermatite perioral.
  • Isotretinoína Oral: Este medicamento é usado para casos graves de dermatite perioral e pode ajudar a reduzir a inflamação.

Prevenção

A dermatite perioral pode ser prevenida de várias maneiras.

Em primeiro lugar, é importante identificar os gatilhos que podem estar causando o agravamento da condição. Isso pode incluir certos cosméticos, produtos para cuidados com a pele, sabonetes e outros irritantes que podem causar inflamação na pele. Se determinados produtos estiverem causando a condição, é importante interromper o uso deles imediatamente.

Outras medidas preventivas incluem evitar o uso de corticosteroides tópicos fortes, aplicar protetor solar com FPS 30 ou superior, lavar o rosto com um limpador suave, evitar tocar ou esfregar o rosto e evitar produtos que contenham álcool, fragrâncias e outros irritantes.

Qual ​é o prognóstico da dermatite perioral?

A dermatite perioral é uma condição da pele que geralmente se apresenta com uma erupção cutânea ao redor da boca. O prognóstico da dermatite perioral geralmente é bom, embora os sintomas possam ir e vir. O tratamento pode ser necessário para controlar a condição e reduzir o risco de recorrência. Com tratamento e manejo adequados, o prognóstico para dermatite perioral geralmente é positivo.

Se não for tratada, a dermatite perioral pode durar meses ou até anos. Em determinadas situações, a condição pode se tornar crônica, o que significa que pode ir e vir com o tempo.

No entanto, com tratamento e manejo adequados, a condição pode ser controlada e o prognóstico geralmente é bom.

O tratamento geralmente inclui evitar irritantes da pele, usar medicamentos tópicos prescritos e controlar as crises com cuidados adequados com a pele.

Fontes usadas nesta revisão

  • DermNet: dermatite periorificial
  • NCBI Bookshelf/StatPearls: Perioral Dermatitis
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