Doença de Sever é dor no calcanhar em crianças e adolescentes em crescimento, causada por irritação da placa de crescimento do calcâneo. Costuma piorar com corrida, salto e esportes, e melhora com redução temporária de carga, alongamento e ajuste de atividade.
Por que acontece
Durante o crescimento, a região posterior do calcâneo ainda está amadurecendo. Tração do tendão de Aquiles, impacto repetido, chuteiras ou tênis inadequados, aumento rápido de treino e encurtamento de panturrilha podem irritar a apófise. Não é “frescura” nem fratura típica; é sobrecarga em fase de crescimento.
É comum em crianças ativas, especialmente em esportes com corrida e salto. Pode afetar um ou ambos os calcanhares.
| Pista | O que sugere | Conduta |
|---|---|---|
| Dor no calcanhar após esporte | Apofisite possível. | Reduzir carga. |
| Dor ao apertar o calcâneo | Sinal comum. | Avaliação clínica. |
| Dor em repouso/noite | Menos típico. | Investigar. |
| Febre ou inchaço importante | Sinal de alerta. | Avaliação rápida. |
Tratamento
O tratamento costuma incluir redução temporária de impacto, gelo após atividade, alongamento de panturrilha, fortalecimento, ajuste de calçado, palmilha ou calcanheira em alguns casos. Imobilização é reservada para dor intensa ou casos persistentes.
A criança pode continuar ativa se a dor permite, mas insistir em treino intenso com dor progressiva prolonga o quadro. O retorno deve ser gradual, guiado por sintomas e função.
O que dizer aos pais e treinadores
A meta não é tirar o esporte definitivamente, mas ajustar carga enquanto o calcanhar amadurece. Dor que altera a passada ou faz a criança mancar deve ser respeitada. Programar descanso é parte do desenvolvimento esportivo.
Como diferenciar de outras dores no calcanhar
Fratura por estresse, tendinite do Aquiles, fascite plantar, verruga, infecção e problemas inflamatórios podem causar dor no pé. Dor após trauma, dor noturna, febre, perda de peso, inchaço importante ou incapacidade de apoiar não devem ser atribuídos automaticamente à doença de Sever.
O diagnóstico costuma ser clínico, mas imagem pode ser usada quando o quadro é atípico ou persistente. O objetivo é não exagerar exames em caso típico, mas também não banalizar sinal estranho.
Retorno ao esporte
Volte quando a criança caminha sem mancar, pula sem dor importante e tolera treino leve no dia seguinte. A progressão deve começar por volume menor, superfície mais amigável e pausa se a dor voltar. Treinadores precisam saber que insistir durante crescimento pode prolongar a recuperação.
A frase correta não é “pare tudo”; é “ajuste a carga”. Atividade sem dor relevante pode continuar, mas competição em dor progressiva não ajuda.
Calçado, superfície e volume
Chuteiras rígidas, campo duro, aumento rápido de treinos e muitos saltos podem piorar dor. Ajustar calçado, usar calcanheira em alguns casos, variar superfície e reduzir temporariamente impacto ajudam a manter a criança ativa sem forçar a placa de crescimento.
Alongar panturrilha pode ajudar quando há encurtamento, mas não deve ser feito com dor intensa. Fortalecer e melhorar controle de tornozelo e quadril também pode reduzir sobrecarga no retorno.
Prognóstico
A doença de Sever costuma melhorar quando a placa de crescimento amadurece, mas pode recorrer durante períodos de crescimento e carga alta. Isso exige manejo de temporada, não pânico. O importante é evitar que a criança associe esporte apenas a dor.
O que a criança pode fazer em casa
Aplicar gelo após atividade, alongar panturrilha de modo leve, usar calçado adequado e reduzir temporariamente corrida e saltos podem aliviar. Analgésicos devem ser usados conforme orientação, não para permitir competir com dor forte.
Se a criança manca, muda a passada ou evita apoiar, a carga está alta demais. Voltar antes de controlar sintomas costuma prolongar o ciclo.
Escola e esporte
A educação física pode precisar de adaptação temporária. Trocar corrida por atividades de menor impacto por algumas semanas preserva condicionamento e reduz irritação. O plano deve envolver pais, criança e treinador.
Quando encaminhar
Encaminhe se a dor não melhora com ajuste de carga, se há incapacidade de apoiar, dor noturna, trauma, febre, inchaço importante ou dúvida diagnóstica. Também vale avaliar quando a criança abandona atividade por medo ou dor recorrente. O objetivo é manter esporte saudável, não forçar silêncio.
Pais devem observar se a criança muda humor, evita brincar ou pede colo após treino. Crianças nem sempre descrevem dor com precisão; comportamento pode mostrar excesso de carga.
O retorno deve respeitar calendário escolar e sono, porque recuperação não depende apenas do treino.
Se a dor volta sempre ao reiniciar o esporte, a progressão foi rápida ou a base ainda está fraca. Reduzir e reconstruir é melhor que repetir o ciclo.
Crianças devem participar da decisão: explicar que a dor vem de crescimento e carga reduz medo e melhora adesão ao plano. O objetivo é voltar melhor, não apenas voltar rápido.
Se a temporada exige jogar todo fim de semana, talvez seja necessário negociar pausas. Desenvolvimento saudável vale mais que uma sequência curta de partidas.
Essa negociação evita transformar dor de crescimento em abandono precoce do esporte.
Retorno gradual protege crescimento.
A força é aumentada devido a períodos de crescimento rápido e atividade excessiva. Em casos raros, o trauma pode levar à fratura por avulsão total.
Os fatores que contribuem para a doença de Sever incluem: atividades esportivas longas e excessivas, principalmente esportes que exigem corridas e saltos repetitivos; rigidez do tendão do calcanhar; dorsiflexão fraca do tornozelo; calçados mal ajustados ou desgastados; e corrida em superfícies duras.
Alguns fatores biomecânicos adicionais podem contribuir para a baixa absorção de choque contra o osso calcâneo, como o pé cavo, pé plano, geno varo e antepé varo.
É comum que a doença de Sever ocorra durante um período de crescimento rápido em crianças e adolescentes ativos entre 9 e 12 anos.
Geralmente, atinge indivíduos do sexo masculino, apresentando-se mais frequentemente em uma idade média de 12 anos em meninos e 11 anos em meninas.
Os esportes que mais causam a doença de Sever são aqueles que exigem corridas e saltos repetitivos, como futebol, atletismo, basquete, cross country e ginástica.
| Causa da dor no calcanhar: doença grave |
|---|
| Definição: a doença de Sever é uma inflamação da placa de crescimento no calcanhar, causada por estresse repetitivo ou trauma no calcanhar |
| Sintomas: Dor e sensibilidade na parte de trás do calcanhar, inchaço no calcanhar, dificuldade para caminhar ou correr |
| Fatores de risco: crianças de 9 a 12 anos, atividades que envolvam correr e pular, pés chatos ou arcos altos, tendão de Aquiles rígido, calçados que não se ajustam corretamente |
| Tratamento: Repouso, alongamento, aplicação de gelo, palmilhas, órteses, fisioterapia, medicamentos |
A doença de Sever, também conhecida como apofisite do calcâneo, trata-se de uma inflamação na apófise do calcâneo (placa de crescimento).
Fisiopatologia da doença de Sever

Durante o período de desenvolvimento na adolescência, o crescimento ósseo excede a capacidade da unidade músculo-tendínea de se estender ao ponto de acompanhar a maior adaptabilidade, o que gera uma pressão expandida na apófise não ossificada ou não totalmente solidificada.
A apófise é o ponto mais frágil na conexão músculo-tendão-osso (em oposição ao tendão em um adulto) e, portanto, está em risco de lesão por uso excessivo por esforço repetitivo.
A pressão excessiva e repetitiva do calcanhar de Aquiles resulta em microtrauma e inflamação constante, causando espessamento e quadro doloroso na apófise.
Sintomas da doença de Sever

Os sintomas podem ser unilaterais, mas até 60% dos casos podem apresentar dor bilateral. Podem incluir:
- Inchaço, vermelhidão e quadro doloroso em um ou ambos os calcanhares;
- Desconforto, caso o calcanhar seja pressionado;
- Dor no calcanhar que piora durante e após a atividade, e melhora com repouso. Geralmente a dor é ausente pela manhã;
- Dificuldades para andar, exigindo que a criança ou adolescente ande ou corra mancando ou na ponta dos pés.
| Sintomas da doença de Sever |
|---|
| Dor e sensibilidade na parte de trás do calcanhar |
| Inchaço no calcanhar |
| Dificuldade para caminhar ou correr |
| Rigidez no calcanhar |
| Dor quando o calcanhar é comprimido em ambos os lados |
Diagnóstico da doença de Sever
O diagnóstico da doença de Sever é clínico. Geralmente, exames de imagem não são necessários.
Caso os sintomas sejam atípicos, persistentes ou graves, o médico solicitará a obtenção de radiografias simples para descartar infecção, neoplasia ou fratura oculta.
Exames de radiografias simples ajudam a mostrar fragmentação, esclerose ou aumento da densidade da apófise do calcâneo, porém essas alterações também podem ser observadas em variantes normais.
Se o médico solicitar radiografias, serão analisadas imagens bilaterais para comparar anormalidade óssea e variante normal.
Ressonância magnética pode ser solicitada para avaliação de edema ósseo, ligamentos e outras estruturas.

Evolução dos sintomas
A longo prazo, a dor pode avançar em uma gravidade suficiente para restringir as atividades. A avaliação física deve ser negativa para eritema ou equimose, mas sensibilidade e edema leve podem estar presentes no calcanhar de Aquiles. A avaliação também pode revelar dor com dorsiflexão da perna afetada.
O exame também pode revelar dor com dorsiflexão passiva do tornozelo. A dor é estimulada por meio de compressão do calcâneo posterior (teste de compressão) e agravada ao ficar na ponta dos pés (sinal de Sever).
Má flexibilidade do cordão do calcanhar ou fraqueza com dorsiflexão podem estar presentes como fatores predisponentes.
Tratamento: Evolução dos sintomas
A doença de Sever não causa problemas nos pés a longo prazo, pois os sintomas, normalmente, tendem a desaparecer após alguns meses, resolvendo-se com a maturação e fechamento da apófise.
Não há necessidade de tratamento cirúrgico no manejo da doença de Sever.
O tratamento indicado é conservador, incluindo descanso e períodos de inatividade. Isso inclui a suspensão e redução dos esportes, até que os sintomas desapareçam e a dor melhore.
Quando voltar a praticar os esportes, é indicado que retorne gradualmente.

Como parte do tratamento, o médico recomendará:
- Aplicação de compressas de gelo, três vezes ao dia, por vinte minutos (não diretamente na pele);
- Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides para o alívio da dor, como cetoprofeno, ibuprofeno;
- Meias de compressão para reduzir o inchaço e a dor;
- Calçados de suporte que reduzem o estresse no osso do calcanhar;
- Os calçados desgastados devem ser substituídos e bem conservados;
- Programa de exercícios de reabilitação com foco em alongamento do cordão do calcanhar e fortalecimento dos dorsiflexores;
- Utilização de palmilhas e dispositivos ortopédicos, em casos de pé pronado, arcos altos ou planos;
- Imobilização, incluindo a aplicação de gesso ou o uso de bota ortopédica, para que o calcanhar descanse, dependendo da gravidade dos sintomas e se o tratamento conservador não responder às medidas citadas acima.
Geralmente, os sintomas são autolimitados, demonstrando melhora entre 6 e 12 meses, e resolução completa com fechamento apofisário.
Na maioria dos casos, o tratamento é conservador, com ajuste de carga, controle da dor e retorno gradual ao esporte. Sintomas persistentes, dor intensa ou dúvida diagnóstica justificam reavaliação.
Como a doença de Sever pode ser prevenida?
A doença de Sever não retorna quando a taxa de crescimento do seu filho atinge o seu tamanho máximo. No entanto, pode ocorrer novamente se seu filho permanecer muito ativo. Algumas medidas podem ajudar seu filho a evitar a condição, se ele:
- Usar sapatos de apoio e palmilhas com absorção de choque;
- Alongar as panturrilhas, calcanhares e isquiotibiais;
- Evitar correr e bater em superfícies duras;
- Perder alguns quilos extras (caso esteja acima do peso ideal), o que ajudará a reduzir a pressão adicional nos calcanhares;
- Manter uma boa hidratação, dieta e sono adequados;
- Dar preferência aos esportes que não pressionam o calcanhar, como natação ou andar de bicicleta, caso a criança quiser permanecer ativa.
Como a doença de Sever é relativamente comum em jovens, muitas vezes não chama a atenção, por ser autolimitada. É essencial que enfermeiros e médicos estejam familiarizados com essa condição, pois às vezes é confundida com fascite plantar. A placa de crescimento costuma fechar em algum momento entre os 8 aos 14 anos.
Os pacientes, incluindo pais e familiares devem ser informados sobre a incidência relativamente alta de recorrência de sintomas em jovens, até que ocorra a maturação esquelética e o fechamento da apófise.
Fontes úteis desta atualização
Referências
SMITH, J. M.; VARACALLO, M. Sever Disease. NCBI Bookshelf, 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441928/>.









































