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Grânulos de Fordyce: o que são e quando avaliar

18 de dezembro de 2022 by Dra. Juliana Toma Deixe um comentário

Os Grânulos de Fordyce são pequenas glândulas sebáceas (bolinhas de gordura) que aparecem em áreas do corpo com pele mais fina, como a boca ou região genital. Estes pequenos caroços (não mais do que 3 milímetros) não são perniciosos ou infecciosos. A lesão é de aspecto vermelho pálido, amarelo-claro ou cor da pele[1]Arnold HL. Fordyce spots. Archives of Dermatology. 1974 Nov 1;110(5):811-..

Assim, os grânulos de Fordyce são um problema estético que podem ser confundidos com uma doença sexualmente transmissível. No entanto, essas lesões cutâneas não representam um problema de saúde, além da questão estética[2]Leung AK, Barankin B. Fordyce Spots. Consultant. 2016;56:377-8.

Os Grânulos de Fordyce são muito comuns, tanto em mulheres quanto em homens de qualquer idade. Acredita-se que afetem cerca de 80% dos adultos em algum momento de suas vidas.


Grânulos de Fordyce são glândulas sebáceas consideradas uma variação anatômica normal mais comum em adultos sem nenhuma necessidade de tratamento.

Fotos de Grânulos de Fordyce

Granulos de Fordyce
Fonte: Lee JH, Lee JH, Kwon NH, Yu DS, Kim GM, Park CJ, Lee JD, Kim SY. Clinicopathologic manifestations of patients with fordyce’s spots. Annals of dermatology. 2012 Feb 1;24(1):103-6.

Granulos de Fordyce Foto
Fonte: Vigarios E, Sibaud V. Grains de Fordyce de la muqueuse buccale. Annales de Dermatologie et de Vénéréologie-FMC. 2021 Mar 1;1(2):88-90.

Foto de Granulo de Fordyce
Múltiplas pápulas amareladas em lábio superior. Fonte: Teixeira MA, de Morais Cavalcanti SM, de Medeiros AR, de França ER. Treatment of Fordyce granules with a CO2 laser: report of two cases.


Sintomas de Grânulos de Fordyce

São geralmente pequenas lesões indolores, e não costumam causar qualquer irritação[3]Lee JH, Lee JH, Kwon NH, Yu DS, Kim GM, Park CJ, Lee JD, Kim SY. Clinicopathologic manifestations of patients with fordyce’s spots. Annals of dermatology. 2012 Feb 1;24(1):103-6.. Em resumo, sintomas podem incluir:

  • Surgimento de pequenas espinhas, pontos ou pedaços de cor branca, ou amarelada.
  • Surgimento de grãos de forma isolada ou agrupada.


No que consistem os Grânulos de Fordyce?

Os grânulos de Fordyce são glândulas sebáceas ectópicas. Isso significa que são glândulas que estão localizadas na epiderme quando sua posição normal é a derme. Portanto, como a epiderme é a camada mais superficial da pele, elas são visíveis.

Seu nome se deve ao fato de que o dermatologista John Addison Fordyce foi a primeira pessoa a investigá-los. Essas manchas são, na realidade, glândulas sebáceas ectópicas responsáveis por sintetizar o abo que lubrifica e protege a pele.

De acordo com uma estudo publicada na revista científica Clinical Case Reports and Reviews, elas podem surgir em 70 a 80% dos adultos, ou seja, é muito comum.

IMPORTANTE: Os grânulos de Fordyce não são malignos ou infecciosos.

Quem apresenta estas pequenas lesões pode pensar nelas como uma infecção sexualmente transmissível. No entanto, essas manchas não têm relação com infecções sexualmente transmissíveis. Portanto, seu único impacto é estético e não representam um problema de saúde ou são transmissíveis.


Quando estes grânulos surgem?

Granulos de Fordyce foto
Fonte: Healthjade.net

O mais comum é que esses grãos são mais perceptíveis durante a adolescência devido às alterações hormonais que ocorrem durante esse período.

Isso implica que essa doença pode aparecer na pele de qualquer pessoa, embora as lesões em mulheres sejam menos frequentes do que nos homens e embora pessoas com pele oleosa sejam mais suscetíveis a ter essas espinhas.


Diagnóstico

A lesão pode ser diagnosticada por um clínico geral ou médico dermatologista.

É considerada de fácil diagnóstico clínico e não são necessários exames complementares.

Diagnósticos diferenciais podem incluir:

Diagnóstico Diferencial
Milia
Manchas de Koplik
Hiperplasia sebácea
Cistos epidermóides
Verrugas virais
Herpes simples
Sífilis
Líquen Plano
Leucoplasia


Como tratar?

Apesar da sua aparência, os grânulos não trazem consigo outros sintomas adicionais, como dor ou irritação.

Eles também não representam nenhuma ameaça à saúde; por isso não é necessário aplicar qualquer tratamento.

Em caso de dúvidas, é recomendado que um médico os examine e monitore sua evolução.

Sendo um problema cosmético, há tratamentos, citados abaixo:

  • Cremes: Pomadas com tretinoína e ácido diclorocártico são usadas para remover alterações da pele.
  • Curetagem com eletrocoagulação: esta técnica requer anestesia e consiste em remover os grânulos da pele através de sua auto-regeneração[4]Pallua N, Stromps JP. Micro-punch technique for treatment of Fordyce spots: a surgical approach for an unpleasant condition of the male genital. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic … Continue reading.
  • Laser: O laser de CO2 é indicado para remover grânulos de Fordyce. Pode não ser recomendado porque as cicatrizes podem permanecer[5]Ocampo‐Candiani J, Villarreal‐Rodríguez A, Quiñones‐Fernández AG, Herz‐Ruelas ME, Ruíz‐Esparza J. Treatment of Fordyce spots with CO2 laser. Dermatologic surgery. 2003 Aug;29(8):869-71..

Além disso, mesmo que sejam retirados, é possível que eles possam reaparecer. Assim, seu tratamento estético não é geralmente recomendado.


Recomendação

Quem tem lesões com Grânulos de Fordyce deve evitar espremer as lesões, pois pode aumentar o risco de infecção da pele.

Se você tem uma quantidade elevada de grânulos de Fordyce, pode ser bom consultar um médico dermatologista.

Como diferenciar de lesões que precisam de avaliação

Grânulos de Fordyce costumam ser múltiplos, pequenos, amarelados ou da cor da pele, sem dor, sem secreção e sem evolução rápida. A dúvida aumenta quando há ferida, bolha, verruga, úlcera, sangramento, dor, coceira intensa, crescimento progressivo ou lesão única diferente das demais.

Na região genital ou oral, a principal dificuldade é ansiedade por semelhança com ISTs. Se a pessoa não tem certeza, exame direto é melhor do que tentar espremer, cauterizar em casa ou usar pomadas irritantes. Tratamento estético só deve ser discutido se houver incômodo importante.

Fontes úteis

  • AAD: dermatologia para o público
  • MedlinePlus: pele, cabelo e unhas
  • FDA: dispositivos estéticos

Referências Bibliográficas[+]Referências Bibliográficas[−]

Referências Bibliográficas
↑1 Arnold HL. Fordyce spots. Archives of Dermatology. 1974 Nov 1;110(5):811-.
↑2 Leung AK, Barankin B. Fordyce Spots. Consultant. 2016;56:377-8
↑3 Lee JH, Lee JH, Kwon NH, Yu DS, Kim GM, Park CJ, Lee JD, Kim SY. Clinicopathologic manifestations of patients with fordyce’s spots. Annals of dermatology. 2012 Feb 1;24(1):103-6.
↑4 Pallua N, Stromps JP. Micro-punch technique for treatment of Fordyce spots: a surgical approach for an unpleasant condition of the male genital. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery. 2013 Jan 1;66(1):e8-11.
↑5 Ocampo‐Candiani J, Villarreal‐Rodríguez A, Quiñones‐Fernández AG, Herz‐Ruelas ME, Ruíz‐Esparza J. Treatment of Fordyce spots with CO2 laser. Dermatologic surgery. 2003 Aug;29(8):869-71.

Arquivado em: Dermatologia

Infecção urinária grave (Pielonefrite) – sintomas

18 de dezembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli Deixe um comentário

Sobre Infecção urinária grave (Pielonefrite) – sintomas: diferencie virose, infecção bacteriana, irritação e sinais de complicação. Febre persistente, falta de ar, piora rápida, desidratação, confusão, dor intensa ou sintomas em pessoas imunossuprimidas reduzem a segurança de observar apenas em casa.

A INFECÇÃO urinária, também conhecida como cistite ou infecção do trato urinário, é uma infecção causada por microrganismos patógenos, em especial as bactérias, que podem ocorrer na bexiga e em estruturas associadas, como rins, ureteres e uretra.

Mapa clínico: pielonefrite não é uma cistite simples

Em resumo: pielonefrite é infecção urinária que alcança o rim e pode causar febre, dor lombar ou no flanco, calafrios, náuseas e piora do estado geral. Precisa de avaliação e antibiótico adequado; gravidez, cálculo, imunossupressão, vômitos ou sinais de sepse aumentam a urgência.

Fluxo visual de pielonefrite com febre, dor no flanco, náuseas e mal-estar importante.
Sintomas gerais tornam o quadro diferente de ardor urinário isolado.
Diagrama de tratamento da pielonefrite com exame de urina, antibiótico prescrito e reavaliação.
Completar o tratamento reduz recaída e resistência.
SinalPor que preocupaConduta
Febre com dor lombarSugere acometimento renal.Procurar atendimento no mesmo dia.
Vômitos ou fraqueza importantePode impedir antibiótico oral e hidratação.Avaliar necessidade de medicação venosa.
Gravidez, cálculo ou rim únicoMaior risco de complicação.Não esperar evolução em casa.
  • Informe alergias, antibióticos recentes e histórico de cálculo renal.
  • Não interrompa antibiótico só porque a febre baixou.
  • Volte a procurar atendimento se febre, dor ou vômitos persistirem.

A edição deve deixar claro que pielonefrite merece mais urgência que cistite baixa, sem tratar todo ardor urinário como pânico.

Para continuar no tema: Urologia | Infectologia

Uma infecção urinária não complicada geralmente envolve apenas a bexiga.

É comum as infecções urinárias ocorrerem entre as idades de 16 e 35 anos, com 10% das mulheres contraindo uma infecção ao ano, e mais de 40% contraindo uma infecção pelo menos uma vez na vida.

Recorrências são bastante comuns e ocorrem pelo menos quatro vezes com mais frequência em mulheres do que em homens, devido à uretra mais curta, alterações hormonais e proximidade do ânus.

Nas mulheres, pode ocorrer também durante a gestação e, no caso dos homens, geralmente acontece na infância ou na quinta década de vida.

Infecção urinária se trata de uma infecção comum que é facilmente tratada com antibióticos.

No entanto, caso o tratamento adequado não seja realizado, ou até se o paciente decidir realizar uma automedicação, a infecção urinária pode se tornar grave, levando a complicações, como a infecção nos rins, doença conhecida como pielonefrite.

Nesse estágio, o problema já se tornou agressivo e, sem os devidos cuidados, pode até evoluir para uma infecção generalizada.

O que é pielonefrite?

sintomas infeccao urinaria

A pielonefrite é uma infecção bacteriana que causa inflamação renal, espalhando-se da bexiga para os rins.

A pielonefrite complicada ocorre com mais frequência em mulheres grávidas, pacientes com diabetes não controlado, transplantados renais, pacientes com anormalidades anatômicas urinárias, pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica, bem como pacientes imunocomprometidos e com infecções bacterianas adquiridas no hospital.

A pielonefrite é causada principalmente por bactérias gram-negativas. As mais comuns são a Escherichia coli, Proteus, Klebsiella e Enterobacter.

Dentre essas bactérias, a E. coli é a mais comum que causa pielonefrite, devido à sua capacidade única em aderir e colonizar o trato urinário e os rins.

Rins infectados com E. coli podem gerar uma resposta inflamatória aguda, levando à cicatrização do parênquima renal que, consequentemente, rompe as barreiras protetoras, levando a infecção localizada, hipóxia, isquemia e coagulação na tentativa de conter a infecção.

Em grande parte dos pacientes com pielonefrite, o microrganismo infectante virá de sua flora fecal. No entanto, outras causas estão atreladas à pielonefrite. Por exemplo, a obstrução do trato urinário causada por uma pedra nos rins também pode levar à pielonefrite.

Uma obstrução do fluxo de saída da urina acarreta em esvaziamento incompleto e estase urinária, fazendo com que as bactérias se multipliquem, sem serem eliminadas.

O refluxo vesicoureteral é uma causa menos comum de pielonefrite, que se refere a uma condição congênita onde a urina flui da bexiga para os rins.

Sintomas de pielonefrite

Os sintomas podem se manifestar dentro de algumas horas ou ao longo de um dia. Geralmente, os sinais e sintomas podem incluir:

  • Febre;
  • Calafrios;
  • Dor nas costas, na região lateral do tronco e na virilha;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Dor e ardência ao urinar;
  • Aumento da frequência de micções;
  • Urina turva;
  • Mal-estar generalizado;
  • Sangue na urina.

Em mulheres, geralmente os sintomas mais presentes são: disúria (dor ao urinar) e hematúria (sangue na urina). Em crianças, os sintomas comuns podem estar ausentes.

febre 4

Sintomas como déficit de crescimento, febre e dificuldade de alimentação são observados em recém-nascidos e crianças menores de 2 anos de idade. Idosos podem manifestar confusão mental, febre, deterioração e danos a outros sistemas de órgãos. 

Durante o exame físico, a aparência geral do paciente será variável, em que alguns parecerão doentes e desconfortáveis, enquanto outros poderão estar aparentemente saudáveis.

No caso de febre, geralmente é alta, muitas vezes acima de 40°C. A dor no ângulo costovertebral geralmente é unilateral sobre o rim afetado, porém, em alguns casos, ocorre dor bilateral.

Visto que a pielonefrite pode ser fatal, é essencial procurar atendimento médico imediato, em caso de suspeitas que você esteja nessa condição.

Diagnóstico da pielonefrite

O diagnóstico de pielonefrite envolve basicamente anamnese e exames físicos, mas estudos laboratoriais e de imagem também podem ser úteis. 

O médico irá solicitar exame de urina e cultura de urina. No exame de urina, será observado a presença de piúria, o achado mais comum em pacientes com pielonefrite.

A produção de nitrito revelará que a bactéria causadora é a E.coli. Proteinúria e hematúria microscópica também podem estar presentes no exame de urina.

Exames de sangue, como uma contagem completa de células sanguíneas, ajudam a procurar uma elevação nos glóbulos brancos. 

O exame de imagem de escolha para pielonefrite é a tomografia computadorizada abdominal/pélvica com contraste.

Normalmente, exames de imagem não são necessários para o diagnóstico dessa condição, mas são indicados para pacientes com transplante renal, pacientes em choque séptico, com diabetes mal controlado, pacientes com infecção urinária complicada, imunocomprometidos ou com toxicidade persistente por mais de 72 horas.

A ultrassonografia também pode ser realizada à beira do leito, pois não tem exposição à radiação e pode revelar anormalidades renais, contribuindo para a solicitação de exames adicionais ou tratamento definitivo.

Tratamento da pielonefrite

A base do tratamento envolve a administração de antibióticos, analgésicos e antipiréticos. Os anti-inflamatórios não esteróides também funcionam bem para tratar a febre e a dor associadas à pielonefrite. 

O tratamento com antibióticos deve ser ajustado de acordo com os resultados da cultura de urina. Casos complicados requerem tratamento antibiótico intravenoso até que haja uma melhora clínica. Pacientes não internados devem ser acompanhados para resolução dos sintomas em 1 a 2 dias.

Os resultados da cultura de urina de acompanhamento precisam ser obtidos apenas em pacientes que estejam em situação não complicada e, geralmente, não são necessários em mulheres saudáveis ​​e não grávidas.

Geralmente, o tratamento hospitalar é necessário para os pacientes que são muito jovens, idosos, imunocomprometidos, pacientes com diabetes não controlado, pacientes transplantados renais, pacientes com anormalidades nas estruturas do trato urinário, mulheres grávidas ou aqueles pacientes que não toleram a ingestão oral dos medicamentos.

Como prevenir a pielonefrite?

Algumas medidas podem ser tomadas para prevenir a infecção urinária e, consequentemente, a pielonefrite:

  • Beba bastante água, pois uma boa hidratação ajuda a eliminar os agentes infecciosos quando a pessoa urina;
  • Não segure sua urina, pois urina armazenada na bexiga pode se transformar em um foco de infecção;
  • Após a relação sexual, urine, para eliminar os agentes infecciosos que talvez tenham penetrado pela uretra;
  • Se estiver grávida, tenha cuidado redobrado;
  • Nunca se automedique, nem interrompa o tratamento para infecção urinária.

Como separar observação de avaliação

Em infecções, o erro comum é tratar todo sintoma como bacteriano ou todo quadro como simples. Para Infecção urinária grave (Pielonefrite) – sintomas, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.

DadoComo usar
Tempo de febrePersistência ou piora muda a urgência.
Sinais sistêmicosFalta de ar, confusão e desidratação preocupam.
AntibióticoSó faz sentido quando há indicação provável ou confirmada.
PrevençãoVacina, higiene e isolamento podem proteger outras pessoas.
Evite concluirPrefira diferenciar
“Toda febre precisa antibiótico”Causa provável e sinais de gravidade.
“Melhorou um pouco, acabou”Evolução, hidratação e retorno dos sintomas.
“Posso usar sobra de remédio”Indicação correta e resistência antimicrobiana.

A evolução nas primeiras 24 a 72 horas ajuda muito. Piora rápida, febre persistente, falta de ar, desidratação ou confusão não combinam com espera prolongada.

O acompanhamento fica mais útil quando há um critério claro de melhora, um sinal de piora e um prazo para reavaliar a decisão.

Fonte: CDC: antibiotic use.

Fontes úteis

Fontes de apoio: NIDDK: kidney infection | NIDDK: treatment

BELYAYEVA, M.; JEONG, J. M. Acute Pyelonephritis. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

BONO, M. J.; LESLIE, S. W.; REYGAERT, W. C. Urinary Tract Infection. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

Arquivado em: Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia

Sobrepeso: como avaliar riscos e próximos passos

18 de dezembro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira Deixe um comentário

Sobre Sobrepeso: como avaliar riscos e próximos passos: o contexto muda a interpretação. Tempo de evolução, intensidade, fatores que pioram, sintomas associados, idade, remédios e doenças conhecidas orientam a decisão. Piora rápida, dor intensa, falta de ar, desmaio ou alteração neurológica pedem avaliação.

O excesso de peso é definido como um aumento no peso corporal além do que é considerado normal ou saudável. Muitas vezes, é resultado do consumo de mais calorias do que o corpo pode queimar. Estar acima do peso pode levar a problemas de saúde, como pressão alta, diabetes, doenças cardíacas e certos tipos de câncer.

As Causas do Sobrepeso

A principal causa do sobrepeso está relacionada ao desequilíbrio energético entre as calorias consumidas e as calorias gastas.

Pessoas com sobrepeso possuem o hábito de ter uma maior ingestão de alimentos ricos em energia, gordura e açúcares.

Além disso, ocorre um aumento da inatividade física, em razão do estilo de vida sedentário imposto por diversas formas de trabalho atuais, além da mudança nos modos de transporte e aumento da urbanização, que trazem mais conforto à sociedade.

Outras causas do sobrepeso, que contribuem para a obesidade, incluem: predisposição genética; distúrbios endócrinos, em especial o desequilíbrio entre os níveis de leptina e grelina; alterações hormonais; problemas emocionais; e o uso de determinados medicamentos que favorecem o aumento de peso.

As Consequências do Sobrepeso

O sobrepeso pode levar à obesidade. As consequências disso envolvem um conjunto de queixas não fatais, que afetam a qualidade de vida, como problemas musculoesqueléticos e dificuldades respiratórias.

cardiacos

No entanto, existem também as queixas que podem levar a uma probabilidade aumentada de mortalidade, incluindo doenças como:

  • Diabetes mellitus;
  • Problemas cardiovasculares;
  • Doença da vesícula biliar;
  • Osteoartrite;
  • Apneia obstrutiva do sono;
  • Hipertensão arterial;
  • Dislipidemia;
  • Hiperlipidemia;
  • Acidente vascular cerebral; e
  • Tumores malignos.

Até mesmo durante a gravidez, deve-se tomar os devidos cuidados com relação ao sobrepeso e obesidade.

A gravidez, naturalmente, pode resultar em um ganho excessivo de peso e retenção de líquidos.

No entanto, estudos já demonstraram que pesos mais elevados do que o recomendado durante a gestação podem aumentar o risco de morte fetal tardia.

Além disso, um aumento de 10 vezes na prevalência de hipertensão e uma incidência de 10% de diabetes gestacional foram relatados em mulheres grávidas que estavam muito acima do peso.

Vale destacar também as consequências psicológicas causadas pelo sobrepeso e obesidade, que vão desde a baixa autoestima até crises de ansiedade e depressão.

De fato, o sobrepeso e a obesidade podem ser considerados epidemias globais que estão criando graves problemas de saúde em todo o mundo. E é bem evidente que essas condições estão associadas a uma carga enorme de doenças e custos de saúde.

Como forma de evitar tantos problemas de saúde como esses citados acima, a redução de peso pode salvar vidas.

Muitas doenças podem ser evitadas por meio da perda e manutenção do peso adequado. Sendo assim, a seguir apresentaremos algumas dicas que podem ajudá-lo a reduzir o sobrepeso e garantir a sua qualidade de vida.

Dicas para reduzir o sobrepeso

Sobrepeso e obesidade são condições evitáveis. As pessoas com sobrepeso e que querem prevenir essa condição podem:

  • Limitar o consumo de alimentos processados e com gorduras saturadas, açúcares e carboidratos: alimentos processados são fonte de calorias vazias. As gorduras saturadas contribuem para o aumento de peso. Ao invés de consumir gorduras saturadas, aumente a ingestão de gorduras saudáveis, que são as monoinsaturadas e poliinsaturadas, encontradas no abacate e azeite de oliva;
  • Aumentar a ingestão de frutas, legumes e vegetais, bem como leguminosas, grãos integrais e nozes: Tente comer pelo menos 5 porções de frutas e vegetais todos os dias. São alimentos de baixa caloria, que contêm quantidades significativas de nutrientes e diminuem o risco de obesidade. Além disso, as fibras contidas nesses alimentos o ajudarão a se sentir saciado por mais tempo, ajudando a prevenir o ganho de peso;
  • Praticar atividade física regularmente: Um adulto precisa fazer, em média, 30 minutos por dia de exercício físico, cinco dias por semana. A caminhada é um excelente exercício para manter um peso saudável.

O ambiente doméstico e o local de trabalho também podem influenciar diretamente nos comportamentos alimentares e nas atividades físicas. Por exemplo, passar muito tempo sentado assistindo televisão é um fator de risco para o sobrepeso e obesidade.

Estratégias potenciais para reduzir o tempo de televisão inclui estabelecer regras familiares que restrinjam a visualização de televisão por muitas horas ao dia, bem como o uso de celulares e outros dispositivos móveis.

Outras estratégias incluem: a compra de alimentos mais saudáveis, a prática de horários regulares para as refeições e a distribuição das refeições em porções individuais, para um melhor controle calórico.

Quando estiver indo ao trabalho, tente em alguns dias substituir o carro pela caminhada ou pelo transporte público. Troque o elevador pelas escadas. São atividades simples, mas que a longo prazo farão notáveis diferenças na vida e, em especial, na sua saúde!

Como observar evolução e sinais associados

Sintomas ficam mais claros quando são descritos por início, duração e evolução. Para Sobrepeso: como avaliar riscos e próximos passos, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.

SinalComo interpretar
InícioSúbito, progressivo ou recorrente muda as hipóteses.
IntensidadeDor forte, falta de ar ou desmaio reduzem a margem para esperar.
AssociaçãoFebre, perda de peso, sangramento ou fraqueza importam.
EvoluçãoMelhora, estabilidade ou piora orientam o próximo passo.
Evite concluirPrefira observar
“É só um sintoma comum”Intensidade, duração e sinais associados.
“Se melhorou, acabou”Recorrência e limitação funcional.
“Posso repetir a mesma solução”Resposta anterior, efeitos adversos e causa provável.

Ao buscar atendimento, descreva o sintoma com começo, duração, intensidade, localização, gatilhos, sinais associados e o que já foi tentado. Isso acelera o raciocínio clínico.

O acompanhamento fica mais útil quando há um critério claro de melhora, um sinal de piora e um prazo para reavaliar a decisão.

Fonte: MedlinePlus: medical encyclopedia.

Explore também no Blog da Saúde

  • Nutrição
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • WHO: alimentação saudável
  • USDA FoodData Central
  • MyPlate: grupos alimentares

Fontes úteis

AFRIDI, A. K. et al. Health Risks of Overweight and Obesity – An Over View. Pakistan Journal of Nutrition, v. 2, n. 6, p. 350-360. 2003.

ALI, Y. S. How to Prevent Obesity. Verywell Health, 2022. Disponível em: https://www.verywellhealth.com/obesity-prevention-4014175 Acesso em: 07 dez. 2022.

CHAN, R. S. M.; WOO, J. Prevention of Overweight and Obesity: How Effective is the Current Public Health Approach. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 7, p. 765-783. 2010.

IZQUIERDO, A. G. et al. Leptin, Obesity and Leptin Resistance: Where Are We 25 Years Later?. Nutrients, v. 11, n. 11, 2019.

MILANESCHI, Y. et al. Depression and Obesity: Evidence of shared biological mechanisms. Molecular Psychiatry, v. 24, n. 1, p. 18-33. 2019.

ROHDE, K. et al. Genetics and Epigenetics in Obesity. Metabolism, v. 92, p. 37-50. 2019.

WHO. Obesity and Overweight. 2021. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight Acesso em: 07 dez. 2022.

Arquivado em: Endocrinologia, Nutrição

Amoxicilina: de quantas em quantas horas tomar?

18 de dezembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park Deixe um comentário

Amoxicilina deve ser tomada no intervalo prescrito, porque dose e frequência dependem da infecção, idade, peso, função renal, apresentação e gravidade. Não existe um intervalo único seguro para todos. Algumas prescrições usam 8 em 8 horas, outras 12 em 12 horas, e algumas formulações têm regras próprias. O correto é seguir a receita e a bula do produto específico.

A pergunta “de quantas em quantas horas?” também precisa confirmar se a amoxicilina é necessária. Antibiótico não trata virose, gripe, resfriado ou dor sem infecção bacteriana. Usar sem indicação pode causar diarreia, alergia, candidíase, efeitos adversos e contribuir para resistência bacteriana.

O que define o intervalo

FatorPor que muda
Tipo de infecçãoOuvido, garganta, pele, urina ou pulmão podem ter esquemas diferentes.
Idade e pesoCrianças frequentemente usam dose calculada por peso.
Função renalPode exigir ajuste de intervalo ou dose.
FormulaçãoSuspensão, cápsula e comprimido podem ter concentrações diferentes.

Se esquecer uma dose

Em geral, não se deve dobrar a próxima dose para compensar sem orientação. O mais seguro é seguir a orientação da bula ou do prescritor, considerando quanto tempo passou e quando seria a próxima dose. Esquecimentos repetidos reduzem a chance de tratamento adequado e aumentam risco de falha.

Antes de iniciar, informe alergia a penicilinas ou cefalosporinas, uso de anticoagulantes, doença renal, gravidez, amamentação e medicamentos em uso. Urticária, inchaço, chiado ou falta de ar após antibiótico exigem avaliação rápida. Diarreia leve pode acontecer, mas diarreia intensa, com sangue ou persistente deve ser comunicada.

Também não guarde sobra para outra infecção. A próxima dor de garganta, sinusite ou dor de dente pode ter causa diferente e precisar de outro manejo. Antibiótico adequado depende de diagnóstico provável, resistência local, gravidade e histórico do paciente.

Na suspensão oral, confira a concentração no frasco e a medida indicada. Colher de cozinha, troca de apresentação ou reconstituição feita de modo errado podem mudar a quantidade recebida, especialmente em crianças.

Os antibióticos mudaram o tratamento de infecções que antes tinham alta mortalidade. Com o surgimento das penicilinas, o número de pessoas que puderam ser tratada com sucesso de doenças que, hoje, são comuns, aumentou muito.

A Amoxicilina é um antibiótico que pertence ao mesmo grupo da penicilina, medicamento descoberto pelo pesquisador Alexander Fleming, em 1928, e que até hoje, é muito utilizado. Confira abaixo mais informações sobre a amoxicilina e de quantas em quantas horas tomá-la.

O que é?

A Amoxicilina é um tipo de penicilina que pertence ao grupo dos antibióticos penicilânicos.

Ela pode ser encontrada nas drogarias como suspensão oral (doses entre 125 e 500 mg), cápsulas (500 mg) e comprimidos (875 mg). Sua venda só é permitida mediante apresentação de receita médica.


Tabela: Indicações da amoxacilina

IndicaçãoDescrição
Infecções bacterianasA amoxicilina é usada para tratar uma ampla variedade de infecções bacterianas, incluindo infecções do trato urinário, infecções de ouvido e infecções de pele.
Infecções respiratóriasA amoxicilina é usada para tratar uma variedade de infecções respiratórias, incluindo bronquite, pneumonia e sinusite.
Infecções gastrointestinaisA amoxicilina é usada para tratar uma variedade de infecções gastrointestinais, incluindo salmonelose, infecção por Helicobacter pylori e diarreia do viajante.

Para que serve?

Amoxicilina é um antibiótico indicado para o tratamento de infecções causadas por bactérias causadoras de diversos problemas, como:  

  • Infecções urinárias, como pielonefrite ou cistite;
  • Amigdalite;
  • Sinusite;
  • Vaginite;
  • Otite;
  • Faringite;
  • Infecção dos ouvidos;
  • Infecção da pele;
  • Infecções respiratórias, como pneumonia ou faringite estreptocócica;
  • Infecções articulares;
  • Infecções gastrointestinais, como febre tifoide;
  • Doença de Lyme

Este antibiótico também pode ser utilizado para prevenir infecções no coração durante e após procedimentos cirúrgicos.

Como age no organismo?

A amoxicilina possui excelente farmacocinética, o que significa que ela é rapidamente absorvida pelo organismo e distribuída pelo corpo até atingir o alvo da infecção. Ela atua impedindo que as bactérias se reproduzam ou as matando-as.


Tabela: Mecanismo de Ação da Amoxacilina

EtapaDescrição
1A amoxicilina se liga às proteínas de ligação à penicilina (PBPs) localizadas dentro da parede celular bacteriana.
2Os PBPs mudam sua conformação e formam uma ponte entre as fitas de peptidoglicano adjacentes, resultando na reticulação das fitas de peptidoglicano.
3A reticulação dos filamentos de peptidoglicano torna a parede celular mais rígida e evita que ela se expanda e se rompa.
4A parede celular torna-se impermeável à passagem de moléculas e íons essenciais, levando à morte da célula bacteriana.

O intervalo depende da receita

A quantidade de tomadas por dia depende da infecção, idade, peso, função renal, forma farmacêutica, gravidade, resultado de cultura quando existe e orientação da receita. Copiar um intervalo genérico pode levar a subtratamento, efeitos adversos ou uso desnecessário.

O ponto prático é manter regularidade no horário prescrito, completar o tempo indicado e reavaliar se há alergia, diarreia intensa, falta de melhora, piora clínica ou suspeita de que o quadro era viral.

O que fazer se me esquecer de usar este medicamento?

Se o paciente se esquecer de tomar alguma dose de Amoxicilina 500 mg, ele deve tomar assim que se lembrar. Porém, caso já esteja muito próximo do horário da dose seguinte, a dose esquecida deve ser ignorada.

É importante ressaltar que as doses de Amoxicilina nunca devem ser administradas em dobro ou em horários muito próximos.

Possíveis efeitos colaterais

Como todo medicamento, a Amoxicilina também pode causar efeitos colaterais. No entanto, felizmente, eles costumam ser leves e temporários. Dentre os efeitos colaterais que o paciente pode sentir, destaca-se:

  • Náuseas
  • Vômitos
  • Diarreia
  • Vermelhidão
  • Coceira na pele

Além disso, alguns pacientes relataram ter convulsões e mudança na cor da língua. Em casos muito raros, alguns pacientes podem ter alergia a amoxicilina ou a algum componente da fórmula.

Nesses casos, as reações adversas incluem dificuldade para respirar, garganta fechada, dor no peito, inchaço na boca, língua ou rosto, e urticária. Se isso acontecer, suspenda o uso e procure um médico imediatamente.

Quem não deve usar amoxicilina?

Pacientes que tenham alergia a Amoxicilina, ou outro antibiótico do tipo betalactâmicos, como penicilinas e cefalosporinas, não devem fazer uso deste medicamento.

Além disso, caso haja suspeita de que o paciente tenha mononucleose infecciosa, ele não deve ser tratado com amoxicilina, pois o rash eritematoso tem sido associado ao uso deste fármaco.

A amoxicilina pode ser utilizada na gravidez?

Felizmente, a amoxicilina é um antibiótico que pode ser utilizado na gravidez e por mulheres que estão amamentando.

gravidez

Por mais que parte do antibiótico possa ser excretado no leite e absorvido pelo bebê, seu uso não diminui a produção de leite e, portanto, não é contraindicado. Os médicos recomendam apenas que seja feito um acompanhamento criterioso.

A amoxicilina corta o efeito do anticoncepcional?

Não. A Amoxicilina pode ser administrada em mulheres que fazem uso de anticoncepcional hormonal. Não há evidência científica clara que comprove a redução do efeito da pílula.

Interações medicamentosas

Se o paciente estiver fazendo uso de alguns medicamentos, não é recomendado que seja tratado com amoxicilina, pois eles podem alterar ou reduzir o efeito da Amoxicilina. São exemplos de fármacos que interagem com a amoxicilina:

  • Probenicida
  • Alopurinol
  • Outros antibióticos
  • Anticoagulantes

Por conta disso, antibiótico deve ser usado apenas quando indicado. Se a receita não está clara, confirme intervalo, duração, o que fazer se esquecer e quais sinais pedem retorno.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: Amoxicillin
  • CDC: Antibiotic use

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades

Dor Na Clavícula – Causas, Sintomas e Tratamentos

18 de dezembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá Deixe um comentário

A dor na clavícula pode ser causada por uma variedade de condições. Pode ser resultado de fraturas, luxações, artrite, bursite, tendinite e compressão nervosa. Os sintomas da dor na clavícula incluem dor localizada na área, sensibilidade, inchaço e dificuldade em mover o braço afetado. As opções de tratamento variam dependendo da causa da dor e podem incluir repouso, fisioterapia, medicamentos e cirurgia.

A clavícula conecta tórax e ombro

A clavícula transmite força entre o braço e o tronco. Por isso dor nessa região pode ter origem no osso, nas articulações das extremidades, nos ligamentos, no músculo peitoral, no trapézio, no pescoço ou em estruturas profundas do tórax.

SituaçãoO que considerar
Queda sobre ombro ou mãoFratura de clavícula ou lesão acromioclavicular.
Caroço ou deformidade novaRadiografia e avaliação ortopédica.
Dor ao cruzar o braçoArticulação acromioclavicular pode estar envolvida.
Dor com formigamento no braçoPescoço ou plexo braquial entram no raciocínio.
Dor no peito ou falta de arNão tratar como dor muscular simples.

Fraturas costumam causar dor forte, inchaço, sensibilidade local e dificuldade de mover o braço. Muitas são tratadas com tipoia e acompanhamento, mas fraturas desviadas, expostas, com risco para pele ou lesão neurovascular exigem avaliação especializada.

Quando a dor não é fratura

Dor sem trauma pode vir de sobrecarga de treino, alterações da articulação esternoclavicular ou acromioclavicular, tensão cervical, costela, ombro ou inflamações. O exame compara mobilidade do ombro, dor ao toque, força, sensibilidade e sintomas respiratórios.

Evite insistir em treino de peito, ombro ou impacto enquanto há dor localizada e piora progressiva. A volta deve considerar dor, amplitude, força e imagem quando houve trauma.

Na articulação acromioclavicular, a dor costuma ficar no topo do ombro e piorar ao cruzar o braço à frente do corpo. Na esternoclavicular, dor e inchaço aparecem perto do centro do tórax, região que exige cuidado por estar próxima a estruturas profundas.

Quando a dor é referida do pescoço, pode vir acompanhada de rigidez cervical, formigamento, choque ou sintomas que mudam ao mover a cabeça. Essa diferença evita tratar todo desconforto na clavícula como problema ósseo.

Depois de fratura, o acompanhamento procura consolidação, alinhamento e retorno progressivo de movimento. Voltar cedo a impacto ou carga pode prolongar dor e prejudicar cicatrização.

Em crianças e adolescentes, fraturas podem remodelar melhor que em adultos, mas isso não elimina a necessidade de avaliar desvio, pele, dor e função. Em adultos ativos, demanda esportiva ou laboral pesa na decisão.

Dor sobre a clavícula sem trauma também pode vir de linfonodos, infecção, inflamação local ou dor referida. Caroço persistente, febre, suor noturno ou perda de peso não devem ser tratados como lesão esportiva.

Esses sintomas ampliam o diagnóstico diferencial.

Fontes usadas

  • AAOS: clavicle fracture
  • AAOS: clavicle fracture clinical practice guideline

Resposta direta: dor na clavícula pode vir de fratura, trauma, articulação acromioclavicular, músculo, postura, compressão nervosa, inflamação ou dor referida do pescoço e ombro. Deformidade, queda, incapacidade de mover o braço, falta de ar, dor no peito ou formigamento mudam a prioridade.

É formado por um conjunto de articulações chamados de complexo articular do ombro.

O ombro une os membros superiores ao esqueleto axial. As articulações do complexo articular do ombro possuem grande capacidade de amplitude de movimento. Dentre os ossos que compõe esse complexo, está a clavícula.


osso clavicula

Sobre a Clavícula

A clavícula conecta o membro superior ao tronco, formando a parte ventral da cintura escapular. É um osso longo, em formato de S, localizado horizontalmente acima da primeira costela. A clavícula mede aproximadamente 15 cm de comprimento.

Estando acima das costelas, esse osso une o esterno e a omoplata, articulando-se medialmente com o manúbrio do esterno e lateralmente com o acrômio da escápula.

A clavícula é dividida em extremidade medial e extremidade lateral. A extremidade medial liga-se ao esterno e à articulação esternoclavicular, já a extremidade lateral conecta o osso do ombro e a articulação acromioclavicular.


Funções da Clavícula

Visto que atua como suporte, a clavícula permite que a escápula e o membro superior se mantenham suspensos, separando-se do tórax e proporcionando ao braço liberdade máxima de movimentação.

Apesar de ser uma estrutura complexa, a clavícula fica próxima à pele, e isso a torna facilmente exposta a traumas, infecções e artrite.

As causas mais comuns relacionadas a dor na clavícula envolvem lesões. Entretanto, pode estar associada também a má postura, mediante determinadas posições de dormir, bem como outras patologias.

O principal sintoma da dor na clavícula é a sensação dolorosa ou latejante nessa área, que pode surgir gradual ou repentinamente.

Este artigo mencionará algumas causas de dor na clavícula, como pode ser diagnosticada e as opções de tratamento.


Causas de Dor Na Clavícula

As causas mais comuns são lesões por traumas e artrite. Posições inadequadas ao dormir também podem desencadear dor na clavícula. 

Normalmente, as causas traumáticas são sentidas imediatamente, envolvendo dor súbita e intensa no momento da lesão. Já as causas não traumáticas podem ir surgindo gradualmente, não sendo tão dolorosas, a não ser quando o paciente tenta locomover o braço ou ombro.

Muitas vezes, a causa não traumática é devido ao treino excessivo, como levantamento de pesos, academia e esportes.  

Quando a clavícula sofre fraturas, os sintomas são bem dolorosos, causando inchaços intensos e dificuldade de movimentação. Fratura na clavícula, apesar de ser um problema comum e simples de tratar, pode causar grande incômodo. Os sintomas vêm acompanhados de deformidades e estalos.

Pode acontecer ainda de haver um impacto direto no ombro ou no braço, resultando na lesão da articulação acromioclavicular. Essa condição leva a dor intensa, sensibilidade e dificuldade em movimentar o ombro.

É uma patologia traumática do ombro, na qual ocorre a alteração anatômica e biomecânica gerada por uma ruptura dos ligamentos coracoclaviculares. Lesões da articulação acromioclavicular acometem principalmente pessoas jovens.

A artrite pode levar ao desgaste da cartilagem que envolve a articulação esternoclavicular, causando dor, inflamação e rigidez nessa região.

A ingestão inadequada de vitamina D resulta em uma redução da quantidade de cálcio no corpo, ocasionando em deformação óssea, clavícula dolorida e inchada.

Alguns sinais antecedem um ataque cardíaco. Um deles é a dor nos ombros e na clavícula. Então, isso torna perigoso, simplesmente, ignorar aquela dor nos ombros sem motivo aparente. 


Vídeo sobre Dor na Clavícula


Tabela: causas comuns de dor na clavícula

CausaDescrição
FraturaUma ruptura na clavícula devido a um trauma, como uma queda ou lesão esportiva.
DeslocamentoA clavícula se separa da escápula após lesão esportiva ou fratura.
Lesão por uso excessivoEstresse repetitivo ou tensão na clavícula, muitas vezes devido a atividades como lançar uma bola ou levantar pesos
OsteoartriteDesgaste na articulação da clavícula devido ao envelhecimento ou lesão
TendiniteInflamação dos tendões na zona do ombro
BursiteInflamação dos pequenos sacos cheios de líquido (bursas) que amortecem as articulações
InfecçãoUma infecção na clavícula ou tecido circundante
Câncer ósseoUma causa rara de dor na clavícula, mas é possível que o câncer afete a clavícula

É importante observar que a dor na clavícula também pode ser causada por outras condições médicas ou lesões que afetam o ombro ou a parte superior do corpo, como lesões do manguito rotador ou distensões musculares.

Se você estiver sentindo dor na clavícula, é importante consultar um médico para determinar a causa e obter o tratamento adequado.


Dor referida da clavícula

A inflamação do abdômen, como cálculos biliares ou apendicite, pode desencadear dor em outras partes do corpo.

Uma das áreas mais comuns de dor referida de inflamação abdominal é a ponta do ombro ou a extremidade externa da clavícula.

Além disso, alguns casos de dor cardíaca (coração) podem se referir ao pescoço próximo à clavícula.


Fratura na clavícula

Uma clavícula fraturada representa cerca de 5% de todas as fraturas em adultos. Geralmente, uma ruptura é sentida imediatamente, causando dor intensa e inchaço no local da ruptura. Normalmente, um simples raio-X pode detectar uma fratura.

O tratamento depende se a rachadura ocorre no meio ou nas extremidades e quão separadas estão as duas extremidades da ruptura.

Geralmente, as fraturas no meio da clavícula com menor separação são tratadas com tipoia simples. Alternativamente, rachaduras nas extremidades com maior separação podem exigir cirurgia para fixar as duas extremidades.


Sintomas de fratura na clavícula

Os sintomas incluem:

  • Inchaço
  • Sensibilidade local ou hematomas
  • Dor ao mover o braço ou o ombro
  • Som de estalido quando se movem
  • Ombro mais caído em relação ao outro lado
  • Uma protuberância ou inchaço no local da fratura/lesão


Causas raras de dor na clavícula

Existem outras causas, mais raras, que podem estar associadas com a dor clavicular como é o caso da osteomielite.

A osteomielite é um processo inflamatório de origem infecciosa no osso. Essa infecção é provocada por bactérias ou fungos que entram no organismo, por meio de fraturas expostas, como ocorre quando um osso fraturado atravessa a pele.

A osteomielite fúngica geralmente está associada a pacientes diabéticos, imunocomprometidos ou usuários de cateteres, sendo a Candida sp. o agente fúngico mais comum, nesse caso.


Diagnóstico de Dor Na Clavícula

O diagnóstico para dor na clavícula é caracterizado por histórico do paciente e exame físico.

Alguns exames complementares podem ser solicitados, como a radiografia, que permite verificar ossos fraturados; tomografia computadorizada, que auxilia na verificação de fraturas ósseas e sangramentos internos; e as cintilografias ósseas, utilizadas para verificar danos e outras patologias ósseas associadas à dor na clavícula.

A ressonância magnética pode ser utilizada para se afastar outras causas de dores na região cervical, dorsal e ombro.


Diagnóstico diferencial

Outras opções de diagnóstico para dor no local incluem:

  1. Músculos tensos ou espasmo local no ombro, ou na parte superior do braço (dor miofascial)
  2. Fratura ou luxação da clavícula
  3. Osteoartrite da articulação do ombro
  4. Bursite ou tendinite do ombro
  5. Costocondrite
  6. Nervo comprimido no pescoço ou ombro
  7. Síndrome do desfiladeiro torácico
  8. Dor referida de outras áreas, como pulmões ou coração
  9. Síndrome de Tietze


Tratamento de Dor Na Clavícula

clavicula B

O tratamento de dor na clavícula dependerá da causa específica. 

Em alguns casos, pode ser realizado em casa antes de consultar um médico, para alívio dos sintomas.

Se a causa for traumática e houver suspeita de fraturas, o braço afetado deve ser imobilizado através de uma tipoia, enquanto o atendimento médico está sendo aguardado.

As opções de tratamento incluem:

  • Repouso e gelo no ombro
  • Cinta que encaixa sobre os ombros para ajudar a estabilizar a articulação.
  • Fisioterapia motora para alívio de dor
  • Eletroterapia (TENS) para analgesia
  • Anti-inflamatório para alívio de dor
  • Infiltrações e injeções de corticóide para analgesia
  • Acupuntura para tratamento de dor
  • Tratamento por Ondas de Choque para diminuição de edema ósseo e dor local.

Em caso de fraturas, o tratamento compreende imobilização por tipoia ou cintas para ombro. Pode ser indicado também um programa de fisioterapia.


Quanto tempo para recuperação?

A recuperação nesse caso dura cerca de 12 semanas. Em casos mais graves de fraturas na clavícula, a intervenção cirúrgica é recomendada para unir os pedaços quebrados novamente, processo que inclui a fixação de parafusos.

A cirurgia deve ser considerada em circunstâncias de fraturas expostas ou sobrepostas à pele, fraturas com lesão associadas a nervos próximos, fraturas em pessoas que possuem lesões graves e fraturas que desencadeiam instabilidade do tórax.

Se a causa for muscular ou entorse, é indicado repouso, aplicação de gelo no local, compressão e elevação.


Outras causas de dor no ombro

Diagnóstico diferencial inclui:

  • Tendinopatia do manguito rotador
  • Bursite do ombro
  • Tendinopatia calcária
  • Dor no trapézio
  • Dor no rombóide
  • Luxação acromioclavicular


Quando Devo Consultar Um Médico?

Consulte um médico diante de qualquer dor na região da clavícula que persista por mais de um dia, sem motivo aparente, sem sinal de melhora e que piora gradativamente.

Quando a dor vier acompanhada de alterações visíveis na área dos ombros e da clavícula, o serviço deve ser emergencial.

Caso sinta uma dor leve, mas que não mostra sinais de melhora ao longo dos dias, marque uma consulta com um médico ortopedista.

Em casos de dor crônica, o tratamento de reabilitação com um fisioterapeuta pode ajudar a fortalecer os músculos do ombro, braço e costas.


Referências

CARDINOT, T. M. et al. Anatomia e cinesiologia do complexo articular do ombro. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, v. 16, n. 5, p. 5-33. 2020.

FARIA, R. S. S. et al. Luxação acromioclavicular: avaliação pós-operatória dos ligamentos coracoclaviculares por ressonância magnética. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 50, n. 2, p. 195-199. 2015.

HEITZMANN, L. G. et al. Osteomielite crônica pós-operatória nos ossos longos – O que sabemos e como conduzir esse problema. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 54, p. 627-635. 2019.

Arquivado em: Dor, Ortopedia

Tenosinovite de De Quervain: sintomas e tratamento

18 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai Deixe um comentário

Resposta direta: tenossinovite de De Quervain é irritação dos tendões na base do polegar, geralmente com dor ao segurar objetos, torcer o punho ou mover o polegar. O tratamento costuma começar com redução de carga, tala, fisioterapia/terapia da mão e anti-inflamatórios quando indicados; infiltração ou cirurgia entram em casos persistentes.

Pergunta do pacienteO que muda a conduta
É só tendinite?Dor no polegar também pode vir de artrose, compressão nervosa ou outras lesões do punho.
Preciso parar tudo?Geralmente é melhor modificar movimentos dolorosos do que repouso absoluto prolongado.
Quando procurar avaliação?Dor progressiva, perda de força, formigamento, trauma ou limitação para trabalho/cuidados diários merecem consulta.

Também pode ajudar: tendinite do pulso, dedo em gatilho e epicondilite medial.

Fatos importantes sobre a tenossinovite de Quervain

  • A tenossinovite de Quervain é uma condição que afeta os tendões e suas bainhas na base do polegar.
  • É causada por atividades repetitivas que envolvem o polegar e o pulso.
  • Os sintomas incluem dor, sensibilidade e inchaço no polegar e no pulso.
  • É normalmente tratado com repouso, medicamentos anti-inflamatórios e talas.
  • Em alguns casos, injeções de esteróides ou cirurgia podem ser necessárias.

O que é a tendinite De Quervain?

A tendinite De Quervain é uma condição comum de uso excessivo (sobrecarga) que afeta os tendões localizados na parte de trás aspecto/exterior do polegar, caracterizada por inflamação e inchaço de um ou mais destes tendões.

É também conhecido como tenossinovite De Quervain ou síndrome De Quervain.


Anatomia do antebraço e punho

tendinite quervain

O antebraço é composto por dois ossos longos conhecidos como o rádio e a ulna. Estes ossos conectam-se com vários ossos pequenos no pulso que por sua vez se conectam com os pequenos ossos dos dedos.

Vários músculos que controlam o movimento do polegar se originam da parte de trás do antebraço (rádio e ulna).

Dois destes músculos são conhecidos como os extensores do polegar, o músculo abdutor breve do polegar e o músculo abdutor longo do polegar, e ligam o polegar através de seus respectivos tendões. Os tendões desses músculos atravessam a parte de trás/ externa do pulso para anexar o polegar aos ossos na parte de trás e no aspecto exterior do polegar.

Os tendões se encontram em estreita proximidade com uma proeminência óssea ou colisão no lado do polegar do pulso. Geralmente, estes são dois músculos responsáveis por levar o polegar para trás ou separar dos outros dedos. Eles também auxiliam com a atividade de agarrar e uso geral do polegar.


Como a tendinite ocorre?

Durante a contração desses músculos do polegar, a tensão é colocada através de seus respectivos tendões.

Além disso, os tendões podem se esfregar contra a proeminência óssea situada no pulso do lado do dedo polegar. Quando estas forças são excessivas, devido ao excesso de repetição ou de alta força, danos no tendões podem ocorrer.

Tendinite De Quervain é uma condição em que há lesões, como inflamação e degeneração subsequente a um ou mais tendões na parte de trás/aspecto exterior do polegar. Isso geralmente se deve ao desgaste gradual e o desgaste associado com o uso excessivo e pode afetar o extensor curto do polegar e /ou o abdutor longo do polegar.

Ocasionalmente, pode ser causada por um trauma devido a um incidente específico.


Causas da Tendinite De Quervain

A tendinite De Quervain ocorre mais comumente devido a atividades repetitivas ou prolongadas colocando pressão sobre os tendões na parte de trás aspecto/exterior do polegar.

Essas atividades podem incluir esportes como o golfe, esportes de raquete, boliche, remo ou canoagem, bem como o trabalho manual como carpintaria, pintura, cortar madeira, alvenaria, uso repetitivo de um martelo ou chave de fenda, dirigir, uso de maquinaria de vibração, costura e tricô, escrever ou trabalhar no computador.

Este tipo de tendinite também pode ocorrer devido a outras atividades envolvendo agarrar com força ou repetidamente.

É comum as pessoas desenvolverem esta condição após um aumento súbito nos exercícios que colocam estresse sobre os tendões do polegar ou devido a uma mudança nessas atividades.

Ocasionalmente, a tendinite De Quervain pode se desenvolver de repente. Isto pode ser devido a uma pancada direta na parte de trás do polegar e do pulso, uma queda ou devido a um movimento vigoroso envolvendo levantamento de peso, ou uma força de aperto através dos tendões polegar.

O histórico de lesões do polegar, pulso, cotovelo, ombro, pescoço ou parte superior das costas pode aumentar a probabilidade de um paciente desenvolver esta condição.


Sinais e sintomas da Tendinite De Quervain

Os sintomas associados a esta condição normalmente se desenvolvem gradualmente ao longo de um período de tempo. Inicialmente, os sintomas podem se apresentar como uma dor ou rigidez na parte de trás do punho e polegar após uma atividade agravante ou inusitada.

SintomaDescrição
DorDor no lado do polegar do pulso
InchaçoInchaço ao redor do lado do polegar do pulso
FraquezaFraqueza e dificuldade em segurar, beliscar e torcer
Diminuição da amplitude de movimentoDiminuição da amplitude de movimento no polegar e no pulso
TernuraSensibilidade ao toque no lado do polegar do pulso

Isto pode geralmente ser sentido a noite ou logo pela manhã e pode aumentar com o calor ou com movimentos.

Como a condição progride, a dor pode ser sentida nas atividades diárias que envolvem o pulso e o polegar como carregar compras, abrir um frasco, cozinhar ou usar o computador.

Os pacientes com tendinite De Quervain também podem experimentar inchaço, crepitação ou dor ao tocar firmemente os tendões do polegar afetado.

Sintomas da tenossinovite de Quervain

  • Dor: a dor é o sintoma mais comum da tenossinovite de Quervain e geralmente é sentida na base do polegar.
  • Sensibilidade: a área ao redor da base do polegar pode ser sensível ao toque.
  • Inchaço: pode ocorrer inchaço ao redor do polegar e do pulso.
  • Rigidez: o polegar e o pulso podem parecer rígidos e difíceis de mover.
  • Fraqueza: o polegar e o pulso podem parecer fracos e incapazes de realizar atividades.
  • Sensação de rangido: uma sensação de rangido ou rangido pode ser sentida quando o polegar ou pulso é movido.
  • Agarrando: o polegar e o pulso podem prender ou travar quando movidos em determinadas direções.
  • Clique: um som de clique pode ser ouvido quando o polegar e o pulso são movidos em determinadas direções.
  • Dormência: o polegar e o pulso podem ficar dormentes ou formigando.
  • Perda de amplitude de movimento: a amplitude de movimento no polegar e no pulso pode ser diminuída.


Diagnosticando Tendinite De Quervain

O diagnóstico da tenossinovite de De Quervain geralmente envolve um exame físico e um histórico médico completo. Durante o exame físico, o médico verificará se há sensibilidade ao longo do punho e do polegar, inchaço e amplitude de movimento limitada do polegar e do punho. Se o diagnóstico de tenossinovite de De Quervain ainda não estiver claro, exames de imagem, como radiografia, ressonância magnética ou ultrassonografia, podem ser solicitados para descartar outras causas de dor no punho e no polegar.

Se houver suspeita do diagnóstico de tenossinovite De Quervain, o médico pode realizar um teste de Finkelstein para confirmar o diagnóstico. Durante o teste de Finkelstein, o paciente formará um punho com o polegar dobrado dentro dos dedos e o pulso dobrado em direção ao dedo mínimo. O médico então moverá a mão na direção oposta, o que estica os tendões do polegar. Se o paciente sentir dor durante esse movimento, o diagnóstico de tenossinovite De Quervain é confirmado.

Em alguns casos, a tenossinovite De Quervain pode ser difícil de diagnosticar porque os sintomas podem ser semelhantes a outras condições, como a síndrome do túnel do carpo e a artrite.

Para diferenciar entre essas condições, o médico pode solicitar exames adicionais, como um eletromiograma (EMG) para medir a atividade elétrica dos músculos ou um estudo de condução nervosa para medir o quão bem os nervos estão conduzindo os sinais.

Os resultados desses testes podem ajudar o médico a determinar o diagnóstico correto e o tratamento adequado para o paciente.


Exames de Diagnóstico

Nome do exameDescrição
Teste de FinkelsteinO teste de Finkelstein é um exame físico para diagnosticar a tenossinovite de De Quervain. Isso é feito fechando o punho e girando o pulso em direção ao dedo mínimo.
Teste de TinelO teste de Tinel é usado para avaliar a presença de uma área dolorida na base do polegar. O paciente mantém o polegar em oposição ao dedo indicador e o médico aplica pressão sobre a área.
Raio XUm raio-X é um exame de imagem comum usado para diagnosticar a tenossinovite de De Quervain. Pode mostrar sinais de inchaço, esporões ósseos ou outras anormalidades nas estruturas do punho e da mão.
Tomografia Computadorizadaexame de imagem que usa raios-X para criar imagens transversais detalhadas do corpo. Pode mostrar os tendões, ligamentos e outras estruturas do punho e da mão.
Ressonância MagnéticaExame de imagem que usa fortes campos magnéticos e ondas de rádio para criar imagens detalhadas do corpo. Pode mostrar os tendões, ligamentos e outras estruturas do punho e da mão.
UltrassomO ultrassom é um exame de imagem que usa ondas sonoras para criar imagens do corpo. Pode mostrar os tendões, ligamentos e outras estruturas do punho e da mão.
EletroneuromiografiaUm EMG é um teste que mede a atividade elétrica dos músculos. Pode ajudar a diagnosticar a tenossinovite de De Quervain, mostrando espasmos musculares ou outras anormalidades.


Tratamento para a Tendinite De Quervain

A maioria dos casos de tendinite De Quervain se resolve bem com fisioterapia adequada. A taxa de sucesso do tratamento é, em grande média, ditada pela adesão do paciente. Um dos pontos chaves do tratamento é que o paciente descanse de qualquer atividade que aumente a sua dor o suficiente até que já não apresente sintomas ou dor.

Atividades que colocam grandes quantidades de stress nos tendões do polegar devem ser minimizadas, elas podem incluir: esportes como o golfe, esportes de raquete, remo e canoagem, atividades gerais que necessitem que os dedos façam o movimento de agarrar, transportar ou elevar.

Descansar de atividades que possam agravar a condição garante que o corpo possa começar o processo de cura na ausência de danos do tecido.

Uma vez que o paciente pode realizar suas atividades sem dor, é indicado um retorno gradual a essas atividades desde que não haja aumento dos sintomas. Ignorar os sintomas ou adotar uma atitude ‘sem dor, sem ganho’ faz com que o problema fique suscetível a se tornar crônico.

Tratamento imediato e adequado em pacientes com esta condição é essencial para garantir uma rápida recuperação. Uma vez que a condição é crônica, a cura diminui significativamente resultando no aumento acentuado do tempo de recuperação e um aumento da probabilidade de reincidência futuro.

Pacientes com tendinite De Quervain normalmente irão se beneficiar ao seguir o regime R.I.C.E. de tratamento. Este regime é benéfico na fase inicial da lesão (primeiras 72 horas), ou quando os sinais inflamatórios estão presentes (isto é, dor de manhã ou dor com o repouso).

O regime R.I.C.E envolve descansar de atividades agravantes (muitas vezes com a utilização de uma cinta de polegar ou tala), passar gelo normalmente, o uso de uma ligadura de compressão e manter o braço elevado. Medicamentos anti-inflamatórios também podem acelerar o processo de cura, reduzindo a dor e o inchaço associado com inflamação.

Terapia manual com o fisioterapeuta, tais como massagem, ponto de lançamento de gatilho, mobilização conjunta do pulso, polegar e mão, agulhamento seco, alongamento e eletroterapia podem também apressar a cura e melhorar a flexibilidade e a função em pacientes com tendinite De Quervain.

Pacientes com tendinite De Quervain devem realizar exercícios de alongamento e flexibilidade livres de dor como parte de sua reabilitação para garantir um bom resultado.  O fisioterapeuta pode aconselhar quais são os exercícios mais apropriados para o paciente e quando eles devem ser iniciados.

Nos estágios finais da reabilitação, um retorno gradual as atividades ou esportes é indicado desde que guiado pelo fisioterapeuta e que o profissional garanta que não há aumento nos sintomas.  Canetas de construção para aumentar o diâmetro do uso da caneta pode útil para pacientes que precisam retornar a atividades como escrever.


Prognostico da Tendinite De Quervain

tenosinovite de quervain

Com o tratamento adequado e fisioterapia, a maioria dos casos mais leves de tendinite De Quervain que não estão presentes a um longo tempo se recuperam em poucas semanas. 

Em casos mais severos e crônicos a recuperação pode ser um processo longo e levar mais de 6 meses naqueles que sofrem com a doença a mais tempo. 

Intervenção fisioterápica no estágio inicial é vital para recuperação. Em alguns casos raros que não respondem ao tratamento conservador, cirurgia ou outras intervenções podem ser indicadas.


Fatores que contribuem para o desenvolvimento da Tendinite De Quervain

Há vários fatores que podem predispor os pacientes a desenvolver esta condição. Eles precisam ser avaliados e corrigidos com orientação de um fisioterapeuta. Alguns desses fatores podem incluir:

  • Treino ou atividade excessiva
  • Fraqueza muscular
  • Rigidez muscular
  • Rigidez articular
  • Técnica esportiva ou equipamentos ruins
  • Má postura ou configuração ergonômica ruim
  • Aquecimento inadequado
  • Lesão no pescoço, parte superior das costas ou nervos


Fisioterapia para Tendinite De Quervain

O tratamento fisioterápico para Tendinite De Quervain é vital para acelerar o processo de cicatrização, garantir uma otimização dos resultados e diminuir a probabilidade de reincidência no futuro.

O tratamento pode compreender:

  • Massagem de tecidos moles
  • Eletroterapia
  • Órtese polegar ou talas
  • Bandagem do polegar
  • Mobilização das articulações
  • Gelo ou aplicação de calor
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade e força
  • Educação
  • Aconselhamento sobre o treinamento e modificação de atividades
  • Correção técnica
  • Elaboração de um retorno adequado ao plano de atividades


Quando devo procurar um médico?

Se você estiver com sintomas de tenossinovite de Quervain, é importante procurar atendimento médico. Os sintomas desta condição podem incluir dor e sensibilidade ao longo do lado do polegar do pulso, inchaço perto da base do polegar, dificuldade em fechar o punho ou beliscar, dor ao mover o polegar e o pulso e uma diminuição da capacidade de mover o polegar e o pulso .

Se esses sintomas persistirem ou piorarem, é importante procurar a avaliação de um médico. Sinais e sintomas adicionais que devem levar à avaliação de um médico incluem uma sensação de travamento no polegar e no pulso, dor que irradia para o antebraço, um caroço visível perto da base do polegar e uma sensação de fraqueza no polegar e no pulso. Se você tiver algum desses sintomas, é importante procurar orientação médica o mais rápido possível para obter o melhor resultado possível.


Outras intervenções para a Tendinite De Quervain

Apesar do tratamento fisioterápico adequado, alguns pacientes com tendinite De Quervain podem não melhorar adequadamente.

Quando isso ocorre, o médico pode aconselhar sobre o melhor curso de tratamento. Isso pode incluir novos exames como raios-X, ultrassom, ressonância magnética ou tomografia computadorizada, intervenção farmacêutica, injeção de corticóide, injeção autóloga de sangue ou encaminhamento para as autoridades médicas apropriadas que podem aconselhar sobre a intervenção apropriada para melhorar a condição.

Em casos raros, a intervenção cirúrgica pode ser indicada.

Fontes úteis

Fontes usadas nesta revisão: AAOS OrthoInfo: tenossinovite de De Quervain.

Arquivado em: Clínica Médica, Doenças de A-Z

Antidepressivos: efeitos, riscos e cuidados

18 de dezembro de 2022 by Priscila Beraldo Deixe um comentário

antidepressivos podem causar náusea, sonolência, insônia, alteração sexual, mudança de peso ou ansiedade inicial, dependendo da classe. Efeito adverso não significa fracasso, mas sintomas intensos, ideação suicida, mania ou reação alérgica exigem contato rápido.

Resposta direta: antidepressivos podem ser parte importante do tratamento de depressão, ansiedade e outras condições, mas não agem igual em todas as pessoas. Efeitos adversos podem aparecer antes da melhora, e interromper por conta própria pode causar piora, sintomas de retirada ou retorno do quadro.

Situação durante o tratamentoConduta segura
Náusea, sono, insônia ou disfunção sexualAnote início, intensidade e impacto; ajuste deve ser discutido com o prescritor.
Vontade de parar nos primeiros diasNão suspenda sozinho; muitas estratégias reduzem efeitos adversos sem abandonar o tratamento.
Agitação intensa, piora importante ou pensamentos suicidasProcure atendimento imediato ou contato urgente com o profissional responsável.

Também pode ajudar: antidepressivos para dores nas costas e pescoço, estimulação magnética transcraniana e gabapentina para ansiedade.

O consumo de antidepressivos no Brasil tem aumentado bastante, porém ao mesmo tempo a taxa de adesão ao tratamento não cresce muito, pelo contrário, grande parte dos pacientes dá início ao tratamento e ao longo de 5 – 7 dias interrompe a medicação, sendo um dos motivos o excesso de efeitos colaterais que aparecem antes mesmo do efeito antidepressivo propriamente dito[1]Predictable SE, Laurencic G, Malone D. Side effects of antidepressants: an overview. Cleveland Clin J Med. 2006 Apr;73(4):351..

Os medicamentos antidepressivos são importantes ferramentas para alguns tratamentos, como a depressão, porém como todo e qualquer medicamento, existe o desafio com os efeitos colaterais. Para obter bons resultados com o tratamento é necessário cumprir à risca a prescrição médica e ter paciência para que os benefícios se sobressaiam aos efeitos colaterais[2]Furukawa TA, McGuire H, Barbui C. Meta-analysis of effects and side effects of low dosage tricyclic antidepressants in depression: systematic review. Bmj. 2002 Nov 2;325(7371):991..


Qual é o mecanismo de ação dos antidepressivos?

Para entendermos sobre os efeitos colaterais, é importante entendermos brevemente sobre o mecanismo de ação deste fármaco.

É considerado uma classe de medicamento de origem psiquiátrica e indicado para o tratamento dos transtornos de estado do ânimo e do humor. Os antidepressivos são responsáveis por inibir a recaptação de alguns neurotransmissores a depender da classe terapêutica e propriedades farmacológicas do antidepressivo pode inibir serotonina, noradrenalina, dopamina resultando em um aumento de seus níveis nas sinapses, apresentando uma maior distribuição e disponibilização destes neurotransmissores no sistema nervoso central[3]Masand PS, Gupta S. Long-term side effects of newer-generation antidepressants: SSRIS, venlafaxine, nefazodone, bupropion, and mirtazapine. Annals of Clinical Psychiatry. 2002 Sep;14(3):175-82..

Mecanismo de açãoDescrição
Inibição da recaptação de serotonina (SSRI)Os ISRS funcionam bloqueando a recaptação de serotonina, o neurotransmissor envolvido na regulação do humor, pelo neurônio pré-sináptico, deixando mais serotonina disponível no espaço sináptico e levando a uma melhor comunicação entre os neurônios.
Inibição da recaptação de norepinefrina (NRI)Os NRIs funcionam bloqueando a recaptação de norepinefrina, o neurotransmissor envolvido na regulação do humor, pelo neurônio pré-sináptico, deixando mais norepinefrina disponível no espaço sináptico e levando a uma melhor comunicação entre os neurônios.
Inibição da monoamina oxidase (MAOI)Os MAOIs funcionam bloqueando a ação da enzima monoamina oxidase, que é responsável pela degradação da serotonina, norepinefrina e outros neurotransmissores. Ao bloquear a ação dessa enzima, os MAOIs aumentam a disponibilidade desses neurotransmissores no espaço sináptico, levando a uma melhor comunicação entre os neurônios.
Inibidor da recaptação de serotonina-norepinefrina (IRSN)Os SNRIs funcionam bloqueando a recaptação de serotonina e norepinefrina, os neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, pelo neurônio pré-sináptico, deixando mais de ambos os neurotransmissores disponíveis no espaço sináptico e levando a uma melhor comunicação entre os neurônios.
Antidepressivos tricíclicos (TCA)Os TCAs atuam bloqueando a recaptação da serotonina e da norepinefrina, os neurotransmissores envolvidos na regulação do humor, pelo neurônio pré-sináptico, bem como bloqueando a ação da enzima monoamina oxidase, que é responsável pela degradação da serotonina, norepinefrina e outros neurotransmissores. Ao bloquear a recaptação desses neurotransmissores e a ação da monoamina oxidase, os TCAs aumentam a disponibilidade desses neurotransmissores no espaço sináptico, levando a uma melhor comunicação entre os neurônios.
ANTIDEPRESSIVOS

Vale ressaltar que os antidepressivos não são indicados apenas para o tratamento da depressão, são indicados também para estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar, e até para doenças que não são de natureza mental como fibromialgia e tensão pré-menstrual.

Existem muitos grupos de antidepressivos, sendo basicamente as 7 grandes classes e principais fármacos que fazem parte:


GRUPOSPRINCIPAIS FÁRMACOS
Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina, Citalopram, Escitalopram
Inibidores Seletivos da Recaptação de Noroadrenalina (ISRN)Reboxetina, Viloxazina
Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina, Noroadrenalina (ISRSN)Venlafaxina, Duloxetina
Inibidores Seletivos da Recaptação de Dopamina (ISRD)Amineptina, Bupropion, Minaprina
Antidepressivos tricíclicos (ADT)Amitriptilina, Clomipramina Doxepina, Imipramina, Nortriptilina
Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)Iproniazida, Brofaromina, Toloxatona
Antidepressivos tetracíclicos (ADTC)Trazodona, Mirtazapina, Mianserina


Antidepressivos são excelentes e possuem uma elevadíssima eficácia terapêutica no tratamento da depressão, ao passo que alguns possuem uma atividade mediana outros uma atividade mais fraca. É diante desta atividade terapêutica que é escolhido o melhor fármaco para determinados tratamentos[4]Papakostas GI. Tolerability of modern antidepressants. J Clin Psychiatry. 2008 Jan 1;69(Suppl E1):8-13..

De acordo com o Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologia em Saúde (BRATS), foram analisados os efeitos adversos mais frequentes entre os medicamentos desta classe, sendo que os ISRS e os ADT apresentaram efeitos adversos maiores em comparação com placebo.

Enquanto para os ISRS estão associados à sudorese, insônia, boca seca e disfunção sexual, os ADT estão associados a tremores, sedação, tontura, vertigem, bradicardia. Estes estudos apontam que a maior incidência média de efeitos adversos estão mais frequentes entre os Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS)[5]Schweitzer I, Maguire K, Ng C. Sexual side-effects of contemporary antidepressants. Australian & New Zealand Journal of Psychiatry. 2009 Sep;43(9):795-808..

Portanto, apresentam maior ou menor incidência nos efeitos adversos, sendo frequentes, raros ou graves a depender da classe terapêutica, dosagem e mecanismo de ação:

  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina: diarreia, náusea, fadiga, dor de cabeça e insônia, sonolência, tontura, boca seca, distúrbios da ejaculação.
  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Noradrenalina: constipação, boca seca, enjoo, tontura, insônia, calafrios, vômito, taquicardia
  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina, Noradrenalina: insônia, dores de cabeça, boca seca, enjoo e vômito
  • Inibidores Seletivos da Recaptação de Dopamina: insônia, dores de cabeça, boca seca, enjoo e vômito
  • Antidepressivos tricíclicos: sonolência, cansaço, boca seca, visão borrada, dores de cabeça, tremor, palpitações, prisão de ventre, náusea, tontura, vômito, queda de pressão sanguínea, ganho de peso.
  • Inibidores da monoaminoxidase: tontura, dores de cabeça, boca seca, náusea, insônia.
woman in sweater on gray wall holds mug and pills with unhappy sad expression on face


Principais efeitos colaterais dos antidepressivos

  1. Sistema gastrintestinal: podem ser detectadas disfunções do metabolismo que impactam no sistema gastrintestinal como diarreia ou constipação intestinal, dores abdominais, náuseas, vômitos. Estes efeitos colaterais são provenientes principalmente pela paroxetina, fluoxetina e citalopram.
  2. Reações dermatológicas: frequentemente as reações de pele aparecem em forma de urticárias, que pode estar acompanhada por febre. Estes efeitos são mais frequentes com a fluoxetina.
  3. Efeitos psiquiátricos: os efeitos mais comuns são agitação, insônia, ansiedade, nervosismo, tremores. Estes efeitos aparecem comumente com doses mais elevadas dos ISRS, como por exemplo a fluoxetina.
  4. Alterações de peso: devido ao aumento do apetite pode fazer com que o paciente tenha um ganho de peso após iniciar o tratamento com antidepressivos. O inverso também por ocorrer, ocasionando em perda de peso.
  5. Disfunção sexual: pode haver impacto no desempenho sexual e reprodutivo do paciente, apresentando retardo ejaculatório em homens e anorgasmia em mulheres. O fármaco que está associado a uma maior incidência desses efeitos colaterais é a paroxetina.
  6. Alterações no sono: pode apresentar dificuldade para dormir gerando insônia ou sensação de sedação, em que o paciente apresenta excesso de sono.
  7. Sintomas de descontinuação (desmame): os sintomas de retiradas podem aparecer dentro de 1 a 10 dias após a retirada da medicação, embora estes sintomas dependam do perfil farmacocinético de cada medicamento. Os sintomas mais frequentes são tonturas, vertigens, náuseas, vômitos.
  8. Efeitos cardiovasculares: aumento da frequência cardíaca, taquicardia, hipotensão, queda brusca da pressão sanguínea com risco de quedas e sensação de desorientação.
  9. Sistema neurológico: estado de confusão mental, dificuldade para lembrar, gagueira, sensação de formigamento ou dormência nas mãos, pés, pernas e braços, e em casos raros convulsões.
  10. Síndrome serotoninérgica: é uma condição induzida pelo uso de fármacos serotoninérgicos, o paciente pode apresentar ansiedade, agitação, inquietação, delírio, espasmos musculares, frequência cardíaca aumentada, hipertensão arterial, sudorese, calafrios, vômitos e diarreia.


Efeitos colaterais a longo prazo

Muitas pessoas fazem uso de antidepressivos por muito tempo, fazendo com que os riscos extrapolem os benefícios, colocando estes pacientes em risco. Até o momento, existem poucos estudos sobre estratégias para descontinuar o uso dos antidepressivos em pacientes que fazem uso a longo prazo.

O que se sabe é que a parada repentina desta classe medicamentosa pode levar a um maior risco de a doença retornar e que a retirada gradual que dura de quatro a seis semanas tem sido o melhor protocolo até o momento.

Efeitos adversos a longo prazo do uso de antidepressivosDescrição
Ganho de pesoAumento não intencional da massa corporal devido a alterações no metabolismo
Disfunção sexualDificuldade em atingir ou manter uma ereção ou diminuição da libido
Perturbação do sonoDistúrbio dos padrões normais de sono que pode levar à insônia ou hipersonia
Letargia e fadigaApatia e cansaço que podem variar de leve a extremo
Problemas gastrointestinaisDores de estômago, diarreia e náuseas
Aumento do risco de suicídioPensamentos de autoagressão ou comportamento suicida

O que muda a segurança do uso

Em Antidepressivos: efeitos, riscos e cuidados, a segurança costuma depender menos da fama do produto e mais do encaixe clínico. Dois pacientes com o mesmo sintoma podem receber orientações diferentes se um usa anticoagulante, tem doença renal, está grávida, já teve alergia medicamentosa ou mistura vários remédios.

PontoPor que altera a decisão
IndicaçãoConfirma se o medicamento responde ao problema correto.
Dose e duraçãoReduz risco de uso insuficiente, excesso ou dependência.
InteraçõesEvita somar efeitos com álcool, sedativos, anticoagulantes ou anti-inflamatórios.
Efeitos adversosAjuda a separar reação esperada de sinal que pede revisão.

Antes de iniciar, suspender ou combinar medicamentos, organize nome, dose, horário, motivo do uso, alergias e doenças conhecidas. Essa lista encurta a consulta e reduz erro de comunicação.

Fontes úteis

Fontes usadas nesta revisão: NIMH: medicamentos de saúde mental; FDA: Medication Guides.

Referências Bibliográficas[+]Referências Bibliográficas[−]

Referências Bibliográficas
↑1 Predictable SE, Laurencic G, Malone D. Side effects of antidepressants: an overview. Cleveland Clin J Med. 2006 Apr;73(4):351.
↑2 Furukawa TA, McGuire H, Barbui C. Meta-analysis of effects and side effects of low dosage tricyclic antidepressants in depression: systematic review. Bmj. 2002 Nov 2;325(7371):991.
↑3 Masand PS, Gupta S. Long-term side effects of newer-generation antidepressants: SSRIS, venlafaxine, nefazodone, bupropion, and mirtazapine. Annals of Clinical Psychiatry. 2002 Sep;14(3):175-82.
↑4 Papakostas GI. Tolerability of modern antidepressants. J Clin Psychiatry. 2008 Jan 1;69(Suppl E1):8-13.
↑5 Schweitzer I, Maguire K, Ng C. Sexual side-effects of contemporary antidepressants. Australian & New Zealand Journal of Psychiatry. 2009 Sep;43(9):795-808.

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Terapia LED para pele: o que pode ajudar e limites

18 de dezembro de 2022 by Leandro Pessoa Dantas da Silva Deixe um comentário

Sobre Terapia LED para pele: o que pode ajudar e limites: causas diferentes podem ter aparência parecida. Cor, textura, tempo de evolução, coceira, dor, sangramento e localização orientam a avaliação. Produtos caseiros ou pomadas repetidas podem irritar e mascarar o quadro. Crescimento rápido, ferida persistente, pus ou mudança importante de cor merecem exame direto.

Nas últimas décadas a terapia com diodo emissor de luz (LED) vem sendo amplamente utilizada para tratamento de condições de pele. A ação terapêutica ocorre através das ondas coloridas de luz que podem penetrar a superfície da pele.

LED TERAPIA

A ação varia de acordo com o comprimento da onda de LED que for escolhida e o que se espera é que ele estimule as células a produzir trifosfato de adenosina (ATP), que é a forma de energia usada pelas células do corpo.

BenefícioDescrição
Seguro e não invasivoA terapia com LED é um tratamento não invasivo e indolor que não apresenta efeitos colaterais conhecidos.
Acelera a cicatrizaçãoA terapia com luz LED acelera o processo de cicatrização, ajudando a reduzir a inflamação, vermelhidão e promovendo uma cicatrização mais rápida.
Melhora a textura da peleA terapia com luz LED pode ser usada para melhorar a textura da pele, reduzir linhas finas e rugas e melhorar a aparência geral da pele.
Reduz os danos causados pelo solA terapia com luz LED pode reduzir os danos causados pelo sol, estimulando o processo de cicatrização natural da pele, ajudando a reduzir a pigmentação, manchas da idade e outras descolorações.

As células fibroblásticas na derme da pele consomem a ATP para produção de colágeno e elastina:  duas estruturas importantes que mantêm a firmeza e elasticidade da pele.  Assim, ao aumentar as reservas de ATP na pele, a terapia LED pode estimular a renovação do tecido conjuntivo e reduzir o aparecimento de envelhecimento precoce.

Que cor de LED utilizar?

A condição da pele é que vai determinar qual a cor de luz do LED que melhor se adequa ao tratamento. A terapia de luz LED vermelha, por exemplo, estimula a atividade celular e é usada para acelerar a cicatrização e estimular a produção de colágeno. 

O LED de luz vermelha contribui assim para reduzir a aparência de rugas e linhas finas, combate danos causados ​​pelo sol, além de reduzir estrias e tratar a vermelhidão.

Já a terapia com LED de cor azul pode ser usada para matar bactérias que provocam acne e a luz LED amarela, já foi clinicamente comprovada, pela sua potencialidade para aumentar a saúde geral da pele. 

A luz amarela também trata problemas de pele, ajuda no rejuvenescimento, acelera a cicatrização de feridas, melhora a circulação sanguínea nos tecidos e ainda reduz os sinais de envelhecimento, como linhas finas ou rugas.

Outros parâmetros de LED que são importantes observar no tratamento são: tipo e comprimento de onda, potência, tempo, área irradiada e modo, podendo ser contínuo ou pulsado.

Em cada um desses parâmetros existe uma faixa de dosagem, denominada janela terapêutica, em que os melhores efeitos terapêuticos poderão ser obtidos.

ledterapia

ESTUDOS

Os estudos científicos apontam para as melhorias de saúde da pele através da aplicação da terapia de LED, reduzindo a aparência de rugas, linhas finas e manchas escuras. Também pode ser útil no tratamento de acne ativa e cicatrizes residuais de acne. 

A terapia LED também é boa para melhorar o tom de pele irregular, reduzir o tamanho dos poros da pele e, assim, melhorar a finura da pele, rejuvenescer o brilho jovem da pele e clarear a pele.

Um estudo publicado no Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, usando luz LED com frequências de 415 nm (azul), 830 nm (infravermelho) e 633 nm (vermelho), apresentou resultados promissores para o tratamento de diferentes condições médicas da pele, dentre elas cicatrização de feridas, psoríase, acne vulgar, carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular in situ (doença de Bowen) e queratose actínica. 

A terapia LED também demonstrou resultados positivos significativos em aplicações cosméticas.

Em outro estudo, que foi publicado no Journal of Cosmetic and Laser Therapy, ficou demonstrado que o uso da luz LED pode promover o rejuvenescimento da pele. 

Esse artigo concluiu que a terapia com LED tem uso segura e é o único aparelho estético que pode ser usado em todos os tipos de afecções da pele, já que suas contraindicações são nulas.

Em suma, a terapia de luz LED, desde seus primeiros testes realizados pela NASA na década de 80 a partir de experimentos sobre o crescimento de plantas em um ônibus espacial, foi sendo estudada e hoje apresenta muitas aplicações em dermatologia. 

Atualmente nos serviços dermatológicos existem diversos equipamentos para a aplicação da Ledterapia.

O mecanismo do equipamento funciona através de cristais semicondutores emissores de LED que ao irradiar ondas de luz, realiza a penetração nos tecidos, sendo capaz de promover uma reação fotoquímica que desencadeia um aumento do metabolismo celular do local.

A terapia de LED se apresenta como um procedimento de tratamento não invasivo, seguro e eficaz, ideal para todos os tipos de pele. 

Com sua segurança e eficácia, não é de se admirar que a terapia esteja emergindo globalmente como um novo tratamento para a pele – como uma alternativa suave e segura a terapia laser.


Estudos:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5843358/

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16414908/

Quando a pele precisa de exame direto

A mesma mancha ou lesão pode pedir condutas diferentes conforme tempo, textura e crescimento. Para Terapia LED para pele: o que pode ajudar e limites, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.

AspectoPor que observar
Cor e bordaMudanças importantes pedem exame direto.
TexturaDescamação, pus, crosta ou ferida mudam a hipótese.
SintomaDor, coceira e sangramento ajudam a diferenciar causas.
Produto usadoÁcidos, corticoides e clareadores podem irritar.
Evite concluirPrefira observar
“Toda mancha é igual”Cor, borda, textura, crescimento e sintomas.
“Pomada forte resolve mais rápido”Diagnóstico antes de corticoide, ácido ou antibiótico.
“Se não dói, não importa”Ferida persistente ou mudança de pinta também conta.

Evite alternar muitos produtos ao mesmo tempo. Quando a pele piora, fica difícil saber se a causa foi alergia, irritação, excesso de tratamento ou progressão natural do quadro.

Quando a orientação precisa ser individual

A margem de segurança fica menor em crianças, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas, pacientes com doença renal, hepática, cardíaca ou quem usa vários medicamentos. Nesses casos, uma resposta geral ajuda a entender o tema, mas não substitui ajuste individual de dose, dieta, exame, treino ou tratamento.

Dados que tornam a decisão mais precisa

Para Terapia LED para pele: o que pode ajudar e limites, a diferença entre uma orientação útil e uma resposta genérica costuma estar nos detalhes. Não basta saber o nome do alimento, sintoma, exame ou produto; é preciso entender quantidade, duração, frequência, contexto e resposta do corpo.

Dado para registrarExemplo útil
InícioQuando começou e se foi súbito ou gradual.
FrequênciaTodo dia, em crises, após refeições, treino, remédio ou exposição.
RespostaO que melhorou, o que piorou e em quanto tempo.
ImpactoSono, trabalho, alimentação, treino, estudo ou autocuidado afetados.

Se já houve tentativa de cuidado, registre dose, produto, alimento, exercício, horário e duração. Isso ajuda a diferenciar falta de efeito, irritação, reação adversa, coincidência temporal ou progressão natural do quadro.

Fonte: American Academy of Dermatology: diseases and treatments.

Fontes úteis

  • FDA: dispositivos estéticos e cosméticos
  • American Academy of Dermatology: saúde da pele
  • MedlinePlus: cirurgia plástica e estética

Arquivado em: Notícias

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