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Suplementos alimentares: quando são indicados

25 de outubro de 2022 by Priscila Beraldo

Suplemento alimentar é indicado quando existe uma lacuna concreta: deficiência, baixa ingestão, maior necessidade, restrição alimentar, doença que reduz absorção ou objetivo clínico/nutricional bem definido. Ele não deve ser tratado como atalho geral para energia, imunidade, emagrecimento, massa muscular ou “equilíbrio do organismo”.

A decisão boa responde quatro perguntas: qual nutriente ou substância falta, como isso foi identificado, qual dose será usada e quando reavaliar. Sem esses pontos, o leitor fica exposto a custo, interação, excesso de dose e falsa sensação de segurança.

Quando o suplemento costuma fazer sentido

CenárioExemploO que confirmar
Deficiência documentadaFerro, B12, vitamina D em contexto adequado.Exame, sintomas e causa.
Restrição alimentarVeganismo, alergias, baixa variedade.Plano alimentar realista.
Maior necessidadeGestação, pós-operatório, atletas selecionados.Dose e duração.
Doença ou remédioMá absorção, bariátrica, metformina.Acompanhamento e interações.

O que exige mais cautela

Vitaminas lipossolúveis, minerais em dose alta, ervas, estimulantes, produtos para emagrecer e combinações “pré-treino” merecem leitura mais rigorosa. Alguns suplementos podem interagir com anticoagulantes, antidepressivos, remédios de pressão, diabetes, sedativos e tratamentos hormonais.

Outro ponto é qualidade. Suplementos não passam pelo mesmo processo de aprovação de eficácia que medicamentos. Rótulo, dose, lote, alegações permitidas e presença de substâncias não declaradas fazem diferença, especialmente em produtos comprados pela internet.

Antes de escolher um suplemento, identifique o problema que ele pretende resolver. Se não há problema definido, a chance de marketing ocupar o lugar da medicina aumenta.

Quando há doença renal, doença hepática, gestação, idade avançada, criança, imunossupressão ou uso de muitos remédios, a margem para testar por conta própria é menor. Nessas situações, dose e interação importam tanto quanto o nome do produto.

Também vale revisar duplicidade: multivitamínico, pré-treino, whey enriquecido e produto “para imunidade” podem repetir o mesmo nutriente em doses somadas.

Os suplementos alimentares são produtos utilizados para complementar a alimentação, por carência de ingestão de nutrientes, dificuldade no metabolismo em absorver os nutrientes durante o processo digestivo, aumento da demanda por algum problema de saúde, ou tratamento médico e até mesmo equilibro do organismo.

Além disso, estes produtos estão muito presentes no dia a dia de atletas e praticantes de atividades desportivas que desejam melhorar a performance, ganho de massa muscular, ou até mesmo reposição de nutrientes perdidos ao longo da realização dos exercícios, tais como as vitaminas, minerais, fibras, proteínas ou aminoácidos.

Apesar de os suplementos alimentares, estarem presentes na rotina dos praticantes de atividades físicas, é válido lembrar que também podem suprir as necessidades de qualquer faixa etária, atendendo a necessidades individuais, desde que recomendados por profissionais especializados.

Comercialmente os suplementos estão disponíveis em diferentes apresentações sob forma de cápsulas, pós, pastilhas, líquidos, sopas, tabletes, todos com características nutricionais idênticas ou similares às dos alimentos, porém não são nutricionalmente completos, e por este motivo tem o objetivo de complementar a dieta.

A recomendação nutricional dos suplementos, é baseada na Ingestão Diária Recomendada (IDR), ou seja, valores de referência por grupo populacional que são diferenciados pela faixa etária, a fim de estabelecer padrões quanto a porcentagem de atendimento específico às necessidades populacionais de cada grupo.

Um recente levantamento realizado pela ABIAD – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais, apontou que 59% dos lares brasileiros possuem ao menos uma pessoa consumindo suplemento alimentar.

Ainda na mesma pesquisa mostrou que a pandemia COVID -19 colaborou com o aumento do consumo desses produtos, e que 72% dos entrevistados que já fazem uso destes suplementos, aumentaram seus cuidados com a alimentação e seguirão utilizando quando a pandemia acabar.

Os dados mostram que o mercado de suplementos alimentares e vitamínicos são um importante expoente da indústria de alimentos e bebidas, além disso no contexto atual tem sido um tema muito discutido por profissionais da saúde, estilo de vida da sociedade, que por sua vez, procuram por uma alimentação mais saudável e prática.

Quais são as desvantagens no uso dos suplementos alimentares?

Há uma preocupação com relação ao uso de suplementos alimentares, devido ao aumento do consumo deste tipo de produto de forma auto prescritiva, ou seja, pessoas que acabam aderindo ao uso dos suplementos como forma de aumentar a imunidade, melhorar performance física ou por achar que está com falta de determinado nutriente.

Essa preocupação tem fundamento técnico-científico, pois algumas vitaminas como por exemplo A e D podem causar intoxicação, Cálcio e Proteínas podem aumentar riscos de formação de cálculo renal, ou apresentar intolerância a algum nutriente.

Portanto, o que é necessário entender é que cada suplemento tem um limite específico com relação a dosagem, e que varia de acordo com a faixa etária do usuário, estilo de vida ou deficiência de nutrientes específicos.

Outro ponto relevante, os suplementos quando consumidos sem a real necessidade, em excesso ou de forma indiscriminada, além de provocar sobrecarga dos órgãos responsáveis por metabolizar os nutrientes (em sua maioria fígado e rins), os nutrientes do suplemento podem não ser absorvidos pelo organismo e serem eliminados e desperdiçados.

Quais são os efeitos adversos, quando consumidos em excesso

calculo_renal
  • Cálculo renal
  • Dores de cabeça
  • Reações cutâneas
  • Fadiga
  • Sobrecarga de órgãos responsáveis pelo metabolismo dos nutrientes (fígado e rim)
  • Insônia
  • Má absorção dos nutrientes
  • Distúrbios gastrointestinais
  • Síndrome metabólica
  • Resistência à insulina
  • Doenças cardiovasculares
  • Fraqueza muscular

Quais são as vantagens no uso dos suplementos alimentares?

Os suplementos alimentares em geral, podem oferecer vários benefícios à saúde, além de valor nutricional em sua composição, desempenham um papel na manutenção da saúde, devido ao potencial de redução de riscos de doenças crônicas, como diabetes por exemplo.

Vale ressaltar que é imprescindível a recomendação e orientação de um profissional da saúde, para avaliar se é necessário o uso ou qual é o suplemento mais indicado, de acordo com os hábitos alimentares dos pacientes e necessidades nutricionais.

Atualmente, os suplementos de vitaminas, minerais e proteínas lideram os grupos dos produtos mais consumidos dentro da categoria de suplementos.

Sabemos que as vitaminas e minerais, proteínas, aminoácidos são fundamentais para saúde humana e podem ser encontrados em diversos alimentos, entretanto, uma dieta inadequada, uma doença, um tratamento médico, treinos de alta intensidade podem levar a deficiência do aporte destes nutrientes, necessitando de suplementação.

Os benefícios quando utilizados de forma correta e com acompanhamento do médico ou nutricionista podem beneficiar em vários aspectos.

Lembrando que os suplementos alimentares, não podem ter o objetivo de tratar e/ou curar doenças, pois são produtos destinados a pessoas saudáveis, contudo como consequência da melhor qualidade de vida que podem proporcionar ao paciente, poderá auxiliar no tratamento.

Além disso, podem auxiliar no tratamento de pacientes com câncer, portadores de doenças de má absorção dos nutrientes, na recuperação cirúrgica de alguns pacientes, pacientes com quadro de caquexia (perda de peso intensa), sarcopenia (perda de massa muscular), eliminação dos radicais livres, equilíbrio do organismo, dentre outras.

Comercialização e publicidade de suplementos alimentares no Brasil

É possível notar dificuldade, por parte tanto dos profissionais de saúde e do comércio, como dos consumidores, em se diferenciar o que é suplemento vitamínico e/ou mineral de medicamento à base de vitaminas e/ou minerais.

Esse quadro pode levar os consumidores mais desavisados ao risco de consumir produtos com doses acima das recomendadas, sem real necessidade.

A importância de se diferenciarem os suplementos dos medicamentos, uma vez que as dosagens de micronutrientes contidos nos medicamentos são sempre muito superiores, podendo ser prejudiciais à saúde de quem os ingere sem a real necessidade e sem a devida orientação, causando problemas de intoxicação. 

Devido às mudanças no padrão alimentar da população e o aumento do uso de suplementos alimentares, foi observado a necessidade de implementação de políticas públicas, por parte da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para promover o esclarecimento da população, profissionais de saúde e do comércio sobre o assunto.

Além de reforçar que os profissionais de saúde, principalmente médicos, nutricionistas e farmacêuticos, orientem os pacientes sobre as diferenças, benefícios e riscos para que o consumo e recomendação sejam cada vez mais conscientes.

Como decidir se vale usar

Suplemento é indicado quando há necessidade específica: deficiência documentada, risco alto de baixa ingestão, fase da vida com maior demanda, restrição alimentar, doença que reduz absorção ou objetivo clínico claro. Sem essa pergunta, o produto vira custo e ruído.

Também é preciso revisar segurança. Suplementos podem interagir com medicamentos, especialmente anticoagulantes, antidepressivos, sedativos, remédios para pressão, diabetes, tireoide e tratamentos hormonais. Produtos para emagrecimento, desempenho sexual e ganho de massa merecem cautela adicional por risco de ingredientes ocultos.

Fontes úteis

  • NIH ODS: dietary supplements
  • NCCIH: how medications and supplements can interact
  • FDA: mixing medications and dietary supplements can endanger your health

Arquivado em: Farmácia, Nutrição

Hiporexia em idosos: causas e cuidados

25 de outubro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Hiporexia em idosos não deve ser tratada como “falta de vontade” para comer. Perda de apetite pode envolver remédios, dor, depressão, constipação, disfagia, alteração de paladar, doença aguda, demência, solidão e dificuldade para comprar ou preparar comida.

A ingestão de alimentos sofre mudanças substanciais ao longo da vida, implicando em variações nos reservatórios de energia corporal. Sendo essencial para a execução de qualquer atividade, a preservação do estado geral da energia corporal é fundamental para o sucesso do envelhecimento.

De fato, uma violação no estado nutricional torna o idoso mais vulnerável a fatores internos e/ou externos estressores, que podem afetar gravemente a saúde geral e a qualidade de vida.

O termo “anorexia do envelhecimento” ou “hiporexia em idosos” foi cunhado para indicar a diminuição multifatorial no apetite e/ou ingestão de alimentos que ocorrem no final da vida.

Sintomas de hiporexia em idosos
Perda de apetite
Perda de peso
Desnutrição
Anorexia
Fraqueza
Fadiga
Confusão
Depressão
Insônia
Mobilidade reduzida
Atividade diminuída


Nutrição e desnutrição no idoso

Porque a desnutrição representa o ponto final do descompasso entre a ingestão alimentar e as demandas energéticas, esse distúrbio foi reconhecido como uma síndrome geriátrica específica que pode levar à desnutrição se não diagnosticada e tratada adequadamente.

Além das alterações do estado nutricional, outros correlatos clínicos relevantes da anorexia do envelhecimento incluem perda de peso corporal (ou seja, caquexia e sarcopenia), baixa resistência, desempenho físico reduzido, velocidade de marcha lenta e mobilidade prejudicada.

Déficits nutricionais seletivos podem afetar o estado de saúde também na ausência de sintomas evidentes de desnutrição. Por exemplo, a ingestão insuficiente de proteínas aumenta o risco de desenvolver sarcopenia e está associada à morbidade e mortalidade.

Além disso, a anorexia demonstrou ter impacto na sobrevida em adultos mais velhos, independentemente da idade, sexo e multimorbidade.

Embora o aconselhamento nutricional deva ser considerado em qualquer fase como um elemento-chave para preservar a boa saúde, esforços especiais devem ser direcionados para aumentar a conscientização de profissionais de saúde sobre distúrbios nutricionais específicos para idosos.


dieta-3

Além disso, a atenção deve ser dada aos idosos em ambientes de cuidados agudos e pós-agudos, pois eles correm maior risco de incorrer em resultados adversos à saúde.

Assim, a adoção das avaliações nutricionais como componente de rotina da avaliação geriátrica precisa ser priorizada para facilitar a tomada de decisão terapêutica.

Dados os resultados negativos de saúde associados à anorexia do envelhecimento, a avaliação do estado nutricional e a identificação de fatores de risco para desnutrição sempre devem ser incluídos como parte da avaliação do paciente idoso.

Até o momento, triagem validada existem ferramentas disponíveis para identificar a anorexia em pessoas idosas ou em risco.

Dentre destes, o Questionário de Avaliação Nutricional Simplificada (SNAQ) é uma ferramenta de triagem nutricional de autoavaliação que permite identificar idosos em risco desnutridos ou desnutridos.

A Avaliação Funcional da Anorexia and Cachexia Therapy versão abreviada de 12 perguntas (FAACT) pode ser usado para identificar sintomas relacionados à anorexia e classificar sua gravidade.


Programas de triagem e avaliação

Programas de triagem/avaliação em várias etapas destinados a identificar e abordar os fatores de risco para anorexia do envelhecimento são particularmente úteis para o manejo da anorexia.

O primeiro passo envolve a identificação de indivíduos em risco de desenvolver a condição usando ferramentas de avaliação geriátrica de segunda e terceira geração.

O Conjunto de Dados Mínimos – Inter Resident Assessment Suite representa um conjunto poderoso de instrumentos abrangentes de avaliação geriátrica que cobrem um amplo espectro de fatores clínicos, psicológicos, socioeconômicos e ambientais em diferentes serviços de saúde.

Independente do instrumento de avaliação adotado, uma vez condição anoréxica for identificada, ajustes nos padrões de alimentação podem ser suficientes casos mais leves, enquanto uma revisão dietética completa é necessária em casos mais avançados.


Acompanhamento e intervenção

Após a implementação de uma intervenção, as avaliações de acompanhamento devem ser realizadas para avaliar a eficácia do plano de tratamento e programar ações futuras.

O manejo ideal de pessoas idosas com anorexia requer uma intervenção e a eliminação preliminar de todos os fatores potencialmente reversíveis fatores.

Manipulação de alimentos, correção de fatores de risco ambientais e farmacológicos e tratamento de comorbidades estão entre as ações a serem realizadas.

Em particular, a manipulação de alimentos implica a otimização da textura e palatabilidade dos alimentos, realce de sabor, variedade alimentar e assistência alimentar conforme necessário, enquanto as intervenções ambientais dependem da promoção do convívio, especialmente em idosos institucionalizados.


Tratamento medicamentoso

Dado o impacto que várias terapias farmacológicas têm na diminuição apetite e favorecendo a perda de peso, uma avaliação criteriosa dos medicamentos prescritos e de venda livre é fundamental.

Os medicamentos mais comumente prescritos que podem interferir com o apetite são:

  • Cardiovascular (por exemplo, digoxina, amiodarona e espironolactona);
  • Psicotrópico (por exemplo, fenotiazinas, lítio, amitriptilina, fluoxetina e outros inibidores seletivos da recaptação da serotonina);
  • Medicamentos antirreumáticos (não agentes anti-inflamatórios).

DrogaExplicação
Acetato de MegestrolUm hormônio progesterona sintético usado para melhorar o apetite e aumentar a ingestão calórica em pacientes idosos com anorexia.
DronabinolUma forma sintética de THC, o componente ativo da maconha, usado para melhorar o apetite e aumentar a ingestão calórica em pacientes idosos com anorexia.
Hormônio da tireoideUm hormônio usado para aumentar a taxa metabólica, auxiliando assim no ganho de peso para pacientes idosos com anorexia.
MirtazapinaUm antidepressivo usado para melhorar o apetite e aumentar a ingestão calórica em pacientes idosos com anorexia.
CorticosteróidesUm tipo de hormônio esteróide usado para reduzir a inflamação e melhorar o apetite em pacientes idosos com anorexia.
polifarmacia

Comorbidades no idoso

As comorbidades que podem contribuir para a perda de peso precisam ser tratadas adequadamente.

Este é o caso de distúrbios de deglutição (por exemplo, boca seca, perda de dentes, lesões na boca), dispepsia (por exemplo, gastrite e úlcera), síndromes de má absorção (por exemplo, supercrescimento bacteriano, enteropatia por glúten, insuficiência pancreática), distúrbios neurológicos (por exemplo, acidente vascular cerebral), distúrbios endócrinos (por exemplo, hiperparatireoidismo), distúrbios psiquiátricos (por exemplo, depressão, delírio), doenças respiratórias (por exemplo, doença pulmonar obstrutiva crônica) e doenças cardiovasculares (por exemplo, insuficiência cardíaca congestiva).

O manejo da anorexia do envelhecimento é até hoje um desafio para os geriatras, considerando seu impacto na qualidade de vida, morbidade e mortalidade.

Ferramentas de avaliação geriátrica de segunda geração e terceira geração são eficazes na identificação de idosos em maior risco de anorexia e desnutrição.

Esses instrumentos também permitem descobrir e possivelmente eliminar os fatores reversíveis subjacentes à anorexia, impedindo sua progressão para a desnutrição.

Na ausência de antianorexígenos eficazes medicamentos, as intervenções multidimensionais dentro dos planos de cuidados ajustados ao contexto representam atualmente a única opção disponível para garantir o fornecimento de quantidades adequadas de alimentos, limitar a perda de peso e prevenir resultados adversos à saúde em adultos mais velhos.

Fontes úteis

  • MedlinePlus
  • WHO: temas de saúde
  • Ministério da Saúde

Arquivado em: Clínica Médica, Geriatria

Diabetes pode comer arroz? Como ajustar

25 de outubro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Quem tem diabetes pode comer arroz em muitos casos, mas a porção precisa entrar no planejamento dos carboidratos da refeição. Arroz não é “proibido” por definição e também não é “livre” quando é integral. O que muda a glicose é a quantidade, o restante do prato, o horário, o tratamento em uso e a resposta individual medida no dia a dia.

O erro mais comum é transformar a pergunta em uma regra absoluta. Para diabetes, a pergunta útil não é apenas “pode comer arroz?”, e sim: quanto arroz cabe no prato, com qual proteína, com quais vegetais, em que frequência e o que acontece com a glicose depois? Essa resposta pode ser diferente para uma pessoa que usa insulina, para outra que usa apenas metformina, para uma gestante com diabetes, para alguém com doença renal ou para quem tem hipoglicemias.

Arroz é carboidrato da refeição

Durante a digestão, parte do amido do arroz é quebrada em glicose. Isso vale para arroz branco, integral, parboilizado, japonês, arbóreo e outros tipos. O arroz integral costuma ter mais fibras e micronutrientes, mas ainda contém carboidrato. Trocar branco por integral pode ajudar algumas pessoas na saciedade e qualidade alimentar, mas não transforma uma porção grande em escolha neutra para a glicemia.

A glicose pós-refeição depende do conjunto. Arroz com feijão, legumes, salada e proteína tende a se comportar de modo diferente de arroz em grande volume com bebida açucarada e pouca fibra. Comer rápido, repetir porção sem perceber, pular refeições e chegar com muita fome também influenciam.

Fator Como muda a glicose Decisão prática
Porção Quanto maior a quantidade, maior a carga de carboidrato. Comece medindo a porção real que costuma usar.
Combinação Proteína, vegetais e feijão podem melhorar saciedade. Evite prato centrado quase só em arroz.
Tipo de arroz Integral pode ter mais fibra, mas ainda eleva glicose. Escolha qualidade sem ignorar quantidade.
Tratamento Insulina e alguns remédios exigem plano mais preciso. Não mude dose por conta própria.

Como montar o prato sem cortar arroz

Um método simples é usar o prato como referência prática: metade com vegetais sem amido, um quarto com proteína e um quarto com carboidrato de qualidade. O arroz pode ocupar essa parte do carboidrato, sozinho ou dividido com feijão, batata, mandioca, milho ou outro alimento rico em amido. O ponto é evitar somar vários carboidratos grandes na mesma refeição sem perceber.

Na prática brasileira, arroz e feijão podem caber em um plano alimentar, desde que a quantidade seja ajustada. O feijão também tem carboidrato, mas traz fibras e proteína vegetal. O problema costuma aparecer quando a porção de arroz cresce, o feijão entra em grande volume, há farofa, batata, suco, sobremesa e pouca salada. O prato inteiro importa mais do que demonizar um item isolado.

Medida caseira ajuda porque “uma colher” muda muito de pessoa para pessoa. Quem serve arroz com colher grande de servir pode colocar o dobro do que imagina. Em um primeiro momento, pesar ou medir por alguns dias pode servir como calibração visual; depois, a pessoa volta a montar o prato sem balança, mas com noção mais precisa da porção.

Também vale observar o horário. Algumas pessoas têm glicose mais alta pela manhã e toleram menos carboidrato no café da manhã; outras têm maior elevação no jantar por sedentarismo, estresse ou dose de medicamento. O arroz do almoço pode não ter o mesmo efeito do arroz à noite. Por isso, a resposta individual vale mais do que uma regra copiada.

Arroz branco, integral ou parboilizado?

Não existe um único melhor arroz para todos. O arroz branco é mais refinado e pode ser digerido mais rapidamente em algumas refeições. O integral preserva mais estrutura do grão e fibras. O parboilizado tem processamento diferente e pode ter resposta intermediária para algumas pessoas. Ainda assim, a porção e a combinação do prato costumam pesar mais do que a troca isolada.

Se a pessoa não gosta de arroz integral, forçar a troca pode piorar adesão e levar a compensações. Uma estratégia mais sustentável pode ser reduzir a porção de arroz branco, combinar com feijão, acrescentar legumes, mastigar mais devagar e acompanhar a glicose. A melhor escolha é a que melhora controle e cabe na rotina.

Como testar a sua porção

Quando o paciente tem glicosímetro ou sensor, o teste mais útil é comparar refeições parecidas. Anote a porção de arroz, os acompanhamentos, horário, atividade física, remédios e glicose conforme o plano orientado. O objetivo não é medir por medo, mas descobrir padrões: qual quantidade sobe demais, qual combinação funciona melhor e quando há hipoglicemia.

Uma medida isolada não conta a história toda. Estresse, sono ruim, infecção, ciclo menstrual, exercício, álcool, dose de medicamento e horário da refeição podem mudar a resposta. Por isso, a avaliação deve olhar repetição de padrões, não apenas um número depois de um prato.

Teste caseiro organizado O que anotar O que decidir
Refeição padrão Quantidade de arroz, feijão, proteína, salada e bebida. Identificar o prato-base.
Glicose conforme orientação Medida antes e/ou depois, se indicado. Ver se a porção cabe no plano.
Saciedade Fome depois de 2 a 4 horas. Ajustar fibra, proteína e volume.
Repetição Comparar em dias diferentes. Evitar decisão por um resultado isolado.

Se a glicose sobe acima do alvo definido pela equipe, o primeiro ajuste nem sempre é retirar todo arroz. Pode ser reduzir porção, dividir carboidrato ao longo do dia, trocar bebida, retirar sobremesa, aumentar vegetais, caminhar conforme orientação ou revisar remédios. Se a glicose cai demais depois, especialmente em quem usa insulina ou remédios que aumentam insulina, o problema pode ser excesso de medicação para pouca comida.

O diário deve incluir sintomas. Tremor, suor frio, fome intensa, confusão, palpitação ou fraqueza podem sugerir hipoglicemia e exigem plano específico. Já sede intensa, urinar muito, visão turva e cansaço após refeições podem acompanhar hiperglicemia. O paciente precisa saber o que fazer em cada cenário, não apenas receber uma lista de alimentos.

Arroz não é o único carboidrato do prato

Muitas dúvidas sobre arroz escondem outra questão: a soma dos carboidratos. Feijão, lentilha, mandioca, batata, inhame, milho, macarrão, pão, frutas, leite, iogurte, sucos e doces também entram na conta. Um prato com pouca quantidade de arroz pode ter carga alta se vier com farofa, batata e refrigerante. Um prato com arroz moderado pode funcionar melhor se vier com salada, feijão em porção ajustada e proteína.

Isso não quer dizer que todos os carboidratos sejam iguais. Alimentos com fibras, menor processamento e melhor densidade nutricional costumam ser preferíveis dentro de um padrão alimentar. Mas, para glicose pós-refeição, quantidade total continua importante. A qualidade melhora saúde e saciedade; a porção ajuda a controlar pico glicêmico.

Atividade física e rotina mudam a resposta

Movimento antes ou depois das refeições pode mudar a glicose, conforme segurança individual. Uma caminhada leve depois do almoço pode ajudar algumas pessoas, enquanto exercício intenso, jejum prolongado ou uso de insulina pode aumentar risco de hipoglicemia em outras. Quem tem neuropatia, doença cardíaca, retinopatia avançada, dor no pé ou histórico de queda deve individualizar exercício.

Sono e estresse também entram na equação. Dormir mal, ter infecção ou passar por período de estresse pode elevar glicose mesmo com refeição parecida. Quando isso acontece, culpar apenas o arroz pode levar a cortes alimentares desnecessários e não resolver o fator principal.

Quando a orientação precisa ser individual

Alguns cenários pedem mais cuidado: uso de insulina, sulfonilureias, hipoglicemias, doença renal crônica, gestação, perda de peso não intencional, cirurgia bariátrica, gastroparesia, transtorno alimentar, atletas, idosos frágeis e crianças. Nesses casos, a quantidade de carboidrato pode precisar ser calculada, distribuída ou combinada com medicação de forma específica.

Na doença renal, por exemplo, a conversa muda: feijão, proteína, potássio, fósforo, sódio e função renal entram no plano. Em gestação, o controle pós-refeição costuma ter metas próprias. Em quem usa insulina rápida, a contagem de carboidratos pode ser necessária. Por isso, copiar a porção de outra pessoa com diabetes pode ser inadequado.

O que costuma piorar o controle

  • Servir arroz sem perceber a quantidade real.
  • Somar arroz, farofa, batata, pão, suco e sobremesa na mesma refeição.
  • Trocar para arroz integral e aumentar muito a porção.
  • Comer pouca proteína e poucos vegetais, ficando com fome logo depois.
  • Usar glicose isolada para criar medo de comida.
  • Ajustar remédio por conta própria para “compensar” comida.

Exemplos de ajuste sem proibir

Um paciente que come grande quantidade de arroz no almoço pode começar reduzindo a porção e aumentando legumes e proteína. Outro pode manter pequena porção de arroz e retirar bebida açucarada. Uma pessoa que sente fome à tarde pode melhorar proteína e fibra no almoço em vez de cortar todo carboidrato. Quem tem pico de glicose após arroz branco pode testar porção menor, integral ou combinação com feijão e vegetais.

O ajuste deve ter critério. “Cortar arroz” sem substituir bem pode gerar fome, compulsão, hipoglicemia em quem usa certos medicamentos ou abandono do plano. O diabetes costuma responder melhor a estratégia repetível do que a restrição intensa por poucos dias.

Situação Possível ajuste Como avaliar
Glicose sobe muito após almoço Reduzir arroz e revisar bebida/sobremesa. Comparar resposta em refeições parecidas.
Fome logo depois Aumentar vegetais e proteína. Observar saciedade e lanches impulsivos.
Hipoglicemia Rever remédio e distribuição de carboidratos. Procurar equipe; não improvisar dose.
Dificuldade de adesão Escolher porção viável e culturalmente aceitável. Plano que se repete é mais útil.

Outro exemplo é o almoço fora de casa. Em restaurante por quilo, o arroz pode parecer pequeno, mas a soma com massas, carnes empanadas, molhos doces e sobremesa muda bastante a refeição. Uma estratégia simples é montar primeiro salada e legumes, depois proteína, e só então escolher a porção de carboidrato. Isso reduz a chance de preencher o prato inteiro antes de chegar aos vegetais.

Em casa, deixar arroz já porcionado pode ajudar quem repete automaticamente. Usar prato menor, guardar a panela antes de sentar ou combinar arroz com legumes picados são estratégias comportamentais simples. Elas não substituem orientação nutricional, mas ajudam a transformar uma decisão abstrata em rotina concreta.

Perguntas para a consulta

  • Qual quantidade de carboidrato por refeição faz sentido para meu tratamento?
  • Devo contar carboidratos ou usar o método do prato?
  • Como interpretar minha glicose depois de arroz?
  • Tenho algum motivo para limitar feijão, proteína, potássio ou sódio?
  • Meu remédio aumenta risco de hipoglicemia se eu reduzir carboidrato?

Perguntas frequentes

Arroz integral pode comer à vontade? Não. Ele pode ser uma escolha melhor para algumas pessoas, mas ainda é carboidrato. A porção continua importante.

Arroz com feijão é ruim para diabetes? Não necessariamente. A combinação pode fazer parte de uma refeição equilibrada. O ponto é ajustar quantidade e observar a resposta glicêmica.

Preciso trocar arroz por couve-flor ou outro substituto? Só se isso fizer sentido para sua rotina e preferência. Substitutos podem reduzir carboidrato, mas não são obrigatórios. Um plano alimentar precisa ser sustentável.

Se a glicose subiu, devo nunca mais comer arroz? Não. Primeiro confirme porção, bebida, sobremesa, horário, remédios e repetição do padrão. Uma resposta alta orienta ajuste, não pânico alimentar.

Como adaptar para a família

Quando a casa inteira come arroz, costuma ser mais fácil ajustar o prato do que cozinhar uma refeição completamente separada. A família pode manter arroz, feijão, salada e proteína, enquanto a pessoa com diabetes regula porção e evita bebidas açucaradas. Isso reduz isolamento e melhora adesão.

Também é útil evitar comentários de culpa à mesa. Diabetes exige decisões frequentes; transformar comida em julgamento aumenta ansiedade e pode piorar relação com alimentação. O objetivo é criar ambiente previsível: opções simples disponíveis, horários possíveis e porções compreensíveis.

Quando o arroz vira sinal de que o plano precisa mudar

Se pequenas porções de arroz geram picos repetidos mesmo com prato equilibrado, pode ser hora de revisar o tratamento, horários, sono, atividade física e outras fontes de carboidrato. Às vezes o problema não é o arroz, mas diabetes mal controlado no conjunto, infecção, ganho de peso, remédio insuficiente ou baixa adesão ao plano.

O oposto também importa. Se a pessoa reduz arroz e começa a ter hipoglicemia, fome intensa ou compulsão, o plano ficou agressivo demais para aquele tratamento. Ajuste alimentar e ajuste medicamentoso precisam conversar. A meta é controle glicêmico com segurança, energia e rotina possível.

O que observar em crianças, idosos e gestantes

Crianças e adolescentes precisam de energia para crescimento e atividade; restrição sem acompanhamento pode atrapalhar desenvolvimento e relação com comida. Idosos podem ter menor apetite, risco de perda muscular e maior perigo de hipoglicemia. Gestantes com diabetes têm metas e horários de monitorização próprios. Nesses grupos, a pergunta sobre arroz deve ser respondida com plano individual, não com regra de internet.

Também é importante considerar acesso e cultura alimentar. Arroz é barato, familiar e presente em muitas refeições brasileiras. Um plano que ignora isso pode parecer tecnicamente bonito, mas falhar na prática. Ajustar quantidade e composição costuma ser mais realista do que substituir toda a base alimentar de uma vez.

Resumo para decisão

Quem tem diabetes pode comer arroz quando a porção é planejada dentro da refeição e do tratamento. O caminho mais seguro é ajustar quantidade, combinar com vegetais e proteína, observar resposta glicêmica e individualizar quando há insulina, gestação, doença renal ou hipoglicemias. Arroz não precisa ser vilão, mas também não deve ser tratado como detalhe sem impacto.

Fontes consultadas

  • American Diabetes Association: Meal Planning.
  • American Diabetes Association: Tips for Eating Well.
  • CDC: Healthy Eating and Diabetes Meal Planning.
  • American Diabetes Association: Plan Your Plate.

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Nariz entupido: o que ajuda e sinais de alerta

25 de outubro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Nariz entupido costuma melhorar com lavagem nasal com soro, hidratação, umidade adequada e tratamento da causa quando há alergia, resfriado ou sinusite. Falta de ar, febre persistente, dor facial forte, secreção com sangue, sintomas em bebê pequeno ou piora importante mudam a urgência.

O que ajuda sem mascarar sinal de alerta

Medidas simples podem aliviar congestão, mas descongestionantes, antialérgicos e corticoides nasais têm indicações diferentes. Usar vasoconstritor por muitos dias pode piorar congestão de rebote.

Alívio inicialSoro fisiológico, banho com água morna, hidratação e elevar a cabeceira se ajudar.
CautelaDescongestionante nasal por vários dias, pressão alta, gestação, criança pequena ou múltiplos remédios.
AvaliarFalta de ar, febre alta, dor intensa, secreção unilateral fétida, sangue ou sintomas prolongados.

Sintomas de nariz, ouvido, boca, garganta e vias respiratórias precisam considerar duração, secreção, febre, dor, falta de ar, alergias, exposição, medicamentos e recorrência. Sinais persistentes ou progressivos têm leitura diferente de um quadro curto e autolimitado.

CHEGA aquela época do ano em que todos começam a dar algumas fungadas, não é mesmo? O nariz entupido, ou congestão nasal, pode ser bastante incômodo e frustrante, pois afeta o dia a dia.

Uma congestão nasal é, geralmente, resultado de vasos sanguíneos inflamados nos seios da face, ocasionados por algum resfriado, gripe, infecção sinusal ou alergia, que inflamam esses vasos sanguíneos.

Essa inflamação surge em decorrência da reação do corpo a uma substância estranha, como vírus ou poeira, iniciando então uma resposta imune.

Em vez de assoar o nariz sem parar, existem algumas maneiras fáceis de aliviar o nariz entupido.

Inalação a vapor

O vapor ajuda a diluir o muco e drená-lo do nariz, seja através de um banho quente ou uma xícara de chá. O calor e a umidade são calmantes para as membranas nasais, promovendo alívio temporário.

Evite inclinar o rosto sobre tigelas com água quente, especialmente em crianças, idosos ou pessoas com limitação de mobilidade, porque há risco de queimadura. Um banho com água morna, hidratação, lavagem nasal com soro e umidificação segura do ambiente costumam ser opções mais prudentes para aliviar ressecamento e secreção.

Óleos essenciais e produtos aromáticos podem irritar vias respiratórias, olhos e pele, principalmente em crianças, pessoas com asma ou rinite intensa. Se o nariz entupido for persistente, unilateral, com sangue, febre alta ou dor facial forte, o ideal é investigar a causa em vez de repetir medidas irritantes.

o que é bom para desentupir o nariz

Lavagem nasal

A lavagem nasal ajuda a liberar poeira e outros detritos que estejam causando inflamação nas passagens nasais. Além de contribuir para o alívio de sintomas associados a alergias, a lavagem nasal ajuda a prevenir infecções sinusais.

Lave o interior do nariz com um kit de lavagem nasal utilizando soro fisiológico a 0,9%. Existem aparelhos específicos para esse procedimento ou você também pode utilizar uma seringa sem agulha. O higienizador nasal, também chamado de pote neti, é o melhor equipamento para a realização de lavagem nasal. Você pode adquirir em sua farmácia local.

Se for utilizar a seringa sem agulha, encha-a com 10 ml de soro. Durante a lavagem, abra a boca e respire por ela, inclinando o corpo para frente e mantendo a cabeça ligeiramente para o lado. Insira a seringa na entrada de uma narina e pressione até o soro sair pela outra narina. Realize esse procedimento umas 3 vezes em cada narina, de acordo com as suas necessidades.

Umidificador de ar

Um umidificador de ar pode ser uma alternativa rápida e fácil de desentupir o nariz e reduzir a dor sinusal. Esse aparelho tem como função climatizar o ambiente ajudando a tornar o ar mais úmido e fácil de respirar.

Respirar esse ar mais úmido ajuda a aliviar os tecidos irritados e inflamados do nariz e dos seios nasais, além de contribuir na drenagem do muco congestionado.

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o que é bom para desentupir o nariz?

Hidratação

Manter-se hidratado, ingerindo grande quantidade de líquidos no decorrer do dia, pode ajudar a diluir o muco das passagens nasais. Isso acontece porque os fluidos são empurrados para fora do nariz, reduzindo então a pressão nos seios nasais. Menos pressão indica menos irritação e inflamação.

Hidratação adequada pode evitar que as secreções fiquem mais espessas, mas não substitui medidas locais quando a congestão vem de rinite, resfriado, sinusite, desvio de septo ou uso excessivo de descongestionante. Lavagem nasal com soro fisiológico, vapor morno sem queimadura, controle de alérgenos e uso correto de medicamentos indicados tendem a ser mais úteis do que receitas caseiras ingeridas.

O que evitar como solução caseira

Vinagre de maçã não deve ser tratado como antibiótico para congestão nasal. A causa mais comum de nariz entupido está na inflamação da mucosa nasal, alergia, infecção viral, sinusite ou irritantes ambientais; ingerir vinagre não desentope os seios da face e pode piorar refluxo, azia ou irritação na garganta.

O cuidado seguro é escolher medidas que atuem na mucosa nasal: soro fisiológico, lavagem nasal quando bem tolerada, evitar fumaça e cheiros fortes, umidificação moderada do ambiente e avaliação quando houver febre alta, dor facial importante, secreção com pus, sangue, falta de ar ou sintomas por mais de alguns dias.

Medicamentos

Alguns medicamentos de venda livre podem ajudar a limpar as vias nasais, fornecendo alívio da congestão.

Descongestionantes reduzem o inchaço e aliviam a dor associada à irritação nas passagens nasais. A maioria deles estão disponíveis sem receita médica em farmácias locais e apresentam-se em forma de spray nasal, comprimidos e gotas.

Mas tenha cuidado ao utilizá-los. Evite usar por mais de 3 dias e sem supervisão médica, pois se utilizar por muito tempo, a congestão poderá piorar.

Anti-histamínicos ou medicamentos para alergia são úteis se a congestão nasal for resultado de alguma reação alérgica, contribuindo para desobstruir os seios nasais. Ao utilizar esses medicamentos, siga as instruções cuidadosamente.

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Quando devo consultar um médico?

Geralmente, a congestão nasal é algo temporário e fácil de tratar em casa. No entanto, se os sintomas persistirem ou surgir sintomas adicionais, é importante buscar ajuda médica para um tratamento mais eficaz.

Algumas condições que causam congestão nasal podem ocasionar complicações para a saúde, como é o caso de uma infecção no ouvido ou bronquite.

Por isso, fique atento se sentir dor no ouvido, dor de cabeça, muco de coloração verde, febre, tosse ou aperto no peito.

Somente um médico poderá fornecer um diagnóstico preciso e o melhor tratamento em casos de complicações.

Como acompanhar a evolução

Febre persistente, piora rápida, falta de ar, sonolência incomum ou sinais de desidratação justificam avaliação.

MarcadorO que observar
Tempo de febreAjuda a diferenciar quadro autolimitado de infecção que precisa avaliação.
Respiração e hidrataçãoFalta de ar e pouca urina reduzem segurança de observar em casa.
Dor localizadaPode apontar foco específico de infecção ou complicação.
Grupo de riscoCrianças pequenas, gestantes, idosos e imunossuprimidos exigem menor espera.

Não use antibiótico antigo ou de outra pessoa para tentar encurtar sintomas. Antibiótico errado pode atrasar diagnóstico, causar efeitos adversos e dificultar tratamento futuro.

Fontes usadas nesta revisão

  • Mayo Clinic: nasal congestion definition
  • Mayo Clinic: nasal congestion causes
  • Mayo Clinic: when to see a doctor for nasal congestion

Fontes usadas nesta revisão: Mayo Clinic; Mayo Clinic News Network.

Fontes úteis

AMBARDEKAR, N. 5 Ways to Get Rid of a Stuffy Nose. WebMD, 2022.

HOLLAND, K. How to Clear a Stuffy Nose. Healthline, 2021.

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Pedra na vesícula: sintomas e sinais de alerta

25 de outubro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Pedra na vesícula pode ficar silenciosa por anos; quando causa sintomas, costuma provocar dor forte no alto do abdome, especialmente à direita ou no centro, às vezes irradiando para costas ou ombro direito. Febre, icterícia, vômitos persistentes ou dor prolongada mudam a urgência.

Pedra silenciosa versus crise de vesícula

Muitas pedras na vesícula não causam sintomas e são descobertas por acaso. Quando uma pedra bloqueia temporariamente a saída da vesícula, pode ocorrer cólica biliar: dor forte em quadrante superior direito ou epigástrio, com náusea, vômito e irradiação para costas ou ombro direito.

Gases, refluxo e indigestão podem confundir, mas dor biliar típica é mais intensa, dura minutos a horas e pode aparecer após refeições gordurosas. O diagnóstico não deve depender de um sintoma isolado.

SinalO que pode sugerirUrgência
Dor episódica no alto abdomeCólica biliar.Avaliação programada/rápida conforme intensidade.
Dor persistente + febreColecistite possível.Atendimento.
Icterícia/urina escuraObstrução biliar possível.Urgência.
Dor + vômitos intensosComplicação possível.Não esperar.

Complicações que não devem esperar

Quando a pedra obstrui ductos, pode causar inflamação da vesícula, infecção, obstrução biliar ou pancreatite. Febre, calafrios, pele ou olhos amarelados, fezes claras, urina escura, confusão, pressão baixa e dor que não passa são sinais de alerta.

Receitas caseiras para “limpar vesícula” podem atrasar atendimento e não resolvem obstrução. Se há sinal de complicação, a prioridade é avaliação médica, exames e conduta apropriada.

Silenciosa: pode não precisar tratar.
Sintomática: precisa avaliação.
Alerta: febre, icterícia, vômitos, dor persistente.
Diagnóstico: ultrassom e exames conforme quadro.

Como é investigado e tratado

Ultrassom costuma ser exame inicial. Exames de sangue ajudam quando há suspeita de inflamação, infecção, obstrução ou pancreatite. Tratamento varia: pedras assintomáticas podem ser observadas em muitos casos; crises recorrentes e complicações podem exigir cirurgia.

Gestantes, idosos, imunossuprimidos e pessoas com doenças importantes merecem margem de segurança maior. A decisão depende de sintomas, risco cirúrgico, complicações e recorrência.

Dor depois de comer gordura é pista, não prova

Crises após refeições gordurosas são compatíveis com vesícula, mas refluxo, gastrite, úlcera, pancreatite e problemas intestinais também podem causar desconforto no alto abdome. A localização, duração, intensidade e sinais associados guiam a investigação.

Se a dor passa rapidamente e é leve, a avaliação pode ser programada. Se é forte, prolongada ou acompanhada de febre, icterícia ou vômitos, a conduta precisa ser mais rápida.

Por que icterícia muda tudo

Pele ou olhos amarelados sugerem que a bile pode estar obstruída ou que há outro problema no fígado/vias biliares. Urina escura e fezes claras reforçam essa possibilidade. Nesses casos, não basta “comer leve e esperar”.

Obstrução pode evoluir com infecção e pancreatite. A avaliação define se há necessidade de internação, antibiótico, procedimento endoscópico ou cirurgia.

Onde costuma doer

A dor biliar costuma ficar no lado direito superior do abdome ou no centro alto, mas pode irradiar para costas e ombro direito. Dor apenas nas costas, sem sintomas abdominais, pode ter outras causas. Dor à esquerda não exclui abdome, mas torna a leitura menos típica para vesícula.

Náusea e vômito podem acompanhar a crise. O padrão repetido após refeições ajuda, mas ultrassom e avaliação clínica confirmam melhor.

O que perguntar após o ultrassom

Pergunte se há pedra, lama biliar, sinais de inflamação, dilatação de vias biliares e se os sintomas combinam com o achado. Muitas pessoas têm pedra silenciosa; operar ou observar depende de sintomas, risco e complicações.

Pedra na vesícula e costas

A dor pode irradiar para costas, mas geralmente parte do alto do abdome. Se a dor é exclusivamente lombar, muda com movimento e não tem náusea, vômitos ou sintomas digestivos, outras causas ficam mais prováveis. Ainda assim, o exame clínico decide.

Se já existe diagnóstico de pedra e surgem febre ou icterícia, não trate como uma crise igual às anteriores. Complicação pode aparecer mesmo em quem já conhece a dor.

Depois de uma crise, leve ao médico duração da dor, relação com refeições, presença de febre, vômitos, icterícia, exames prévios e uso de remédios. Esses dados ajudam a decidir entre observar, investigar mais ou encaminhar para cirurgia.

Se a pessoa usa anticoagulante, está grávida ou tem doença hepática, renal ou imunossupressão, a margem de segurança para esperar deve ser menor. O mesmo vale para idosos com dor abdominal e confusão.

Evite jejum prolongado ou dietas extremas por conta própria depois de uma crise. Mudanças alimentares podem reduzir desconforto em determinadas situações, mas não removem cálculo nem tratam obstrução.

Se a dor vem com febre ou icterícia, não espere a próxima consulta.

Urgência muda o risco.

PEDRA NA VESÍCULA, conhecida também como cálculos biliares ou colelitíase, são pedras formadas por colesterol e bilirrubina que se formam na vesícula biliar. Essas pedras ocorrem quando as substâncias na bile atingem seus limites de solubilidade. 

Conforme a bile se concentra na vesícula biliar, ela se torna supersaturada, precipitando-se em pequenos cristais. Esses cristais ficam presos no muco da vesícula biliar. A bile, quando não é totalmente drenada da vesícula biliar, precipita-se e se transforma em cálculos biliares. 

A maioria dos pacientes com pedra na vesícula é assintomática, sendo que 10% desses indivíduos desenvolverão sintomas dentro de cinco anos e 20%, dentro de 20 anos após o diagnóstico. A prevalência de pedra na vesícula aumenta com a idade, e estudos já apontaram que mais de um quarto das mulheres com mais de 60 anos terão cálculos biliares. 

Existem dois tipos de cálculos biliares, que podem ser formados por: colesterol e bilirrubinato de cálcio.

Os cálculos biliares de colesterol formam a maioria dos cálculos biliares, tendo como principal componente dessas pedras, o colesterol. Já os cálculos de bilirrubinato são formados por bilirrubina. 

sintomas de pedra na vesícula

A obstrução biliar pode ocorrer por diversos motivos, como estenoses no ducto biliar ou neoplasias, que também pode levar a cálculos biliares. No entanto, a causa mais comum se dá pela precipitação de colesterol. Os cálculos biliares pigmentados são a segunda forma mais comum de cálculo biliar, que se formam por meio da quebra dos glóbulos vermelhos.

Existe ainda os cálculos pigmentados mistos, considerados o terceiro tipo de cálculos biliares, caracterizados pela combinação de substratos de cálcio, como carbonato de cálcio ou fosfato de cálcio, colesterol e bile. O quarto tipo de pedra são as pedras de cálcio, formadas devido à precipitação do cálcio sérico em pacientes com hipercalcemia.

Os fatores de risco para pedra na vesícula incluem: obesidade; fatores genéticos; síndrome metabólica; ficar muito tempo em jejum; rápida perda de peso; estase da vesícula biliar; uso de certos medicamentos como estrogênios e fibratos; cirurgia bariátrica e Doença de Crohn. Pessoas do sexo feminino são mais propensas a ter pedras na vesícula.

A gravidez também é um fator de risco, pois a progesterona diminui a contratilidade da vesícula biliar, levando à estase. Mulheres que fazem uso de anticoncepcionais contendo estrogênio são duas vezes mais propensas a terem cálculos biliares em comparação com os homens.

Quais são os sintomas de pedra na vesícula?

Na maioria dos casos, as pedras na vesícula são assintomáticas, geralmente descobertas por acaso em exames de rotina. Quando há sintomas, os pacientes apresentam dor abdominal superior direita após a ingestão de alimentos gordurosos ou condimentados, náuseas e vômitos.

A dor pode ainda estar presente na região epigástrica, irradiando para a escápula direita ou para o meio das costas.

sintomas de pedra na vesícula

Os pacientes assintomáticos podem permanecer assim por meses ou até mesmo anos, até que se descubra a existência das pedras na vesícula. A colecistite aguda (inflamação na vesícula) apresenta-se de forma semelhante, mas é mais grave. 

A icterícia pode ser um sinal de obstrução do ducto biliar comum por um cálculo biliar aprisionado. Quando há icterícia e dor abdominal, geralmente, o procedimento indicado é remover o cálculo para evitar mais sequelas. 

Tratamento de pedra na vesícula

O tratamento de pedra na vesícula só é necessário se estiver causando sintomas como dor abdominal e complicações, incluindo icterícia ou pancreatite aguda. Quando os cálculos biliares são pequenos, podem até mesmo ser eliminados do organismo por conta própria.

Quando isso não é possível, a abordagem laparoscópica é o padrão de tratamento. 

A colecistectomia laparoscópica é a cirurgia mais comum para essa condição, na qual o médico insere o laparoscópio na área abdominal do paciente através de um pequeno corte para retirar a vesícula biliar através de outro pequeno corte. Geralmente, o paciente vai para casa no mesmo dia.

Quando a colecistectomia é aberta, o médico faz cortes maiores para realizar a remoção da vesícula biliar e o paciente fica no hospital por alguns dias, até receber alta. A colecistectomia aberta é a opção adequada quando não é prático ou aconselhável fazer um procedimento laparoscópico. 

sintomas de pedra na vesícula

Não é indicado remover apenas os cálculos biliares, pois eles se repetem após cerca de um ano. Então, por isso, retira-se a vesícula biliar.

Como prevenir a pedra na vesícula?

Para prevenir os cálculos biliares e evitar o surgimento dos seus sintomas desagradáveis, algumas mudanças no estilo de vida podem trazer benefícios e ser úteis para diminuir os riscos.

Praticar exercícios físicos regularmente, por pelo menos 30 minutos algumas vezes por semana, pode ajudar a prevenir os cálculos biliares. É importante também adotar uma dieta saudável rica em fibras e gorduras boas.

Estudos como o que foi publicado no periódico Alternative Medicine Review, em 2009, indicam que a suplementação de fibra com 10-50g por dia diminui a saturação de colesterol da bile. Nesse mesmo estudo, é enfatizado que o consumo de uma dieta vegetariana, particularmente de proteína vegetal, pode diminuir o risco do desenvolvimento de pedras na vesícula.

Mulheres com alto risco de desenvolver pedras na vesícula, talvez por histórico familiar ou outra condição de saúde, devem conversar com seus médicos sobre o uso de anticoncepcionais hormonais.

Mantenha um peso adequado de acordo com a sua estatura física. Evite fumar. E realize exames regulares para medir os seus níveis de colesterol e verificar se estão equilibrados.

Referências:

GABY, A. R. Nutritional Approaches to Prevention and Treatment of Gallstones. Alternative Medicine Review, v. 14, n. 3, p. 258-267. 2009.

JONES, M. W.; WEIR, C. B.; GHASSEMZADEH, S. Gallstones (Cholelithiasis). National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

Fontes e leitura útil

  • NIDDK: gallstones
  • NIDDK: gallstone symptoms
  • NICE: gallstone disease

Quanto tempo leva para uma pedra se formar na vesícula

Não existe um prazo único. Cálculos podem se formar e crescer ao longo de meses ou anos, muitas vezes sem sintomas. Um ultrassom normal não garante que nenhuma pedra surgirá depois, e descobrir uma pedra hoje não permite calcular quando começou.

Como o cálculo começa

A bile contém colesterol, sais biliares, pigmentos e água. Quando há excesso de colesterol, desequilíbrio dos sais ou esvaziamento reduzido da vesícula, pequenos cristais precipitam. Muco atua como matriz, e os cristais se agregam até formar lama e cálculos.

Pedras de pigmento têm mecanismos diferentes, associados a hemólise, infecção biliar e cirrose em alguns casos. A composição não costuma ser determinada apenas pelo ultrassom.

Lama biliar é uma pedra em formação?

Lama é uma suspensão de cristais e material. Pode desaparecer quando o fator transitório termina, permanecer ou evoluir para cálculos. Gravidez, jejum prolongado, nutrição parenteral, perda rápida de peso e doença grave favorecem.

Ela também pode causar cólica, pancreatite e colecistite. “Ainda não é pedra” não significa sem risco quando existem sintomas compatíveis.

Fatores que aceleram

Perda de peso muito rápida aumenta colesterol na bile e reduz esvaziamento. Cirurgia bariátrica é um contexto conhecido, e alguns protocolos usam medicamento preventivo por período definido. Obesidade, gestação, estrogênio, diabetes e história familiar também elevam risco.

Hemólise crônica pode formar cálculos pigmentares mais cedo, inclusive em jovens. Idade aumenta prevalência porque exposição aos fatores se acumula.

Uma pedra cresce quantos milímetros por ano?

Não há taxa confiável para cada pessoa. Medidas pequenas variam com aparelho, jejum e operador. Dois ultrassons com diferença de um ou dois milímetros não provam crescimento real. Número de pedras também pode ser subestimado quando se agrupam.

O seguimento de cálculo assintomático não se baseia em medir crescimento anual de rotina para todos. Sintomas e complicações têm maior peso que uma pequena mudança de diâmetro.

Pedras podem desaparecer

Cálculos verdadeiros raramente somem espontaneamente. Lama e pequenos depósitos podem deixar de aparecer. Medicamentos com ácido ursodesoxicólico dissolvem alguns cálculos de colesterol em situações selecionadas, ao longo de meses, com recorrência possível depois.

Não são opção para toda pedra, especialmente calcificada, grande ou em vesícula que não funciona. “Limpeza da vesícula” com óleo e sucos não remove cálculo e pode provocar dor, vômitos e atraso de tratamento.

Quando o cálculo causa sintomas

Uma pedra pode permanecer silenciosa por anos. Cólica biliar ocorre quando obstrui temporariamente a saída: dor forte no alto à direita ou no centro, muitas vezes após refeição, durando de dezenas de minutos a horas. Pode irradiar para costas ou ombro.

Dor contínua com febre e sensibilidade sugere colecistite. Pele amarela e urina escura levantam obstrução do canal biliar. Dor que atravessa para as costas com vômitos pode ser pancreatite. Esses cenários exigem avaliação rápida.

Quando operar

Cálculo assintomático geralmente é observado, com exceções específicas. Cólica recorrente e complicações favorecem colecistectomia. A cirurgia remove a vesícula inteira, porque retirar apenas pedras permite formação de novas.

O risco operatório, idade e doenças associadas entram na decisão. Esperar outro episódio depois de uma complicação importante pode ser menos seguro que cirurgia planejada.

Alimentação impede formação?

Manter peso estável, evitar emagrecimento extremo e seguir alimentação equilibrada reduz alguns fatores. Não existe alimento capaz de garantir prevenção. Gordura pode desencadear contração e cólica em quem já tem cálculo, mas não criou a pedra naquela refeição.

Dietas sem nenhuma gordura podem prejudicar esvaziamento e não são solução universal. Ajuste temporário reduz sintomas enquanto o plano definitivo é estabelecido.

Como interpretar dois ultrassons diferentes

Jejum adequado distende a vesícula e melhora visão. Um exame pode chamar lama de microlitíase e outro não. Guardar imagens e repetir em serviço experiente ajuda quando a decisão cirúrgica depende do achado.

O dado principal continua clínico: cólica típica, inflamação, canal dilatado e exames do fígado. O “tempo de formação” é biologicamente interessante, mas raramente muda tratamento.

Pedra pequena é menos perigosa?

Não necessariamente. Pedras pequenas podem migrar para o canal biliar e desencadear pancreatite; pedras grandes podem permanecer na vesícula. O risco não é uma escala simples pelo diâmetro. Sintomas, número e anatomia entram na decisão.

Uma pedra assintomática de qualquer tamanho costuma ser manejada de forma diferente de microlitíase que já causou pancreatite. O histórico clínico pesa mais que escolher “a menor”.

Gravidez acelera formação?

Hormônios reduzem contração da vesícula e aumentam saturação de colesterol, favorecendo lama e cálculos ao longo da gestação. Muitos achados regridem depois do parto, mas cólica e inflamação podem ocorrer durante esse período.

Dor persistente, febre ou icterícia na gestação precisa de avaliação; ultrassom não usa radiação e é o exame inicial. Cirurgia pode ser realizada quando necessária, com planejamento obstétrico. Adiar toda complicação até o parto nem sempre é a opção mais segura.

A diferença entre cálculo e outro achado da parede aparece em pólipo na vesícula, enquanto dor posterior é detalhada em pedra e dor nas costas.

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Referências desta atualização

  • European Association for the Study of the Liver. Clinical practice guidelines on gallstones. https://easl.eu/wp-content/uploads/2016/10/EASL-CPG-Gallstones.pdf
  • National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. Gallstones. https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/gallstones

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Tipos de Tosse

25 de outubro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Febre persistente, falta de ar, piora rápida, desidratação, confusão, dor intensa ou sintomas em pessoas imunossuprimidas reduzem a segurança de observar apenas em casa.

A TOSSE é uma das queixas mais comuns encontradas em consultórios médicos. É responsável por aproximadamente 30 milhões de consultas clínicas por ano. A tosse consiste em um reflexo primitivo e inato, atuando como parte do sistema imunológico para proteger o organismo contra agentes estranhos. 

Mapa clínico: tipo de tosse ajuda, mas não fecha diagnóstico

Em resumo: tosse seca, com catarro, em crises, noturna ou persistente dá pistas, mas o contexto decide: duração, febre, falta de ar, chiado, sangue, tabagismo, asma, refluxo, remédios e exposição a vírus ou irritantes mudam a investigação.

Fluxo visual de tosse por duração: dias, semanas e tosse persistente.
Uma tosse que não melhora muda a pergunta clínica.
Diagrama de sinais de alerta na tosse com falta de ar, dor no peito, sangue, febre e perda de peso.
O tipo da tosse não vale mais que sinais de gravidade.
Tipo de tossePista comumO que observar
SecaIrritação, virose, refluxo, alergia ou remédio.Gatilhos, horário, azia e medicamentos.
Com catarroSecreção em vias aéreas.Cor não decide sozinha antibiótico; veja febre e estado geral.
Noturna ou com chiadoPode sugerir asma, refluxo ou gotejamento nasal.Sono, falta de ar e resposta a tratamentos prévios.
  • Anote há quantos dias a tosse começou e se está melhorando ou piorando.
  • Procure atendimento se houver falta de ar, dor no peito, sangue, desmaio ou lábios arroxeados.
  • Evite usar antibiótico ou xarope forte sem entender a causa provável.

Nota de segurança: tosse com falta de ar, dor no peito, sangue, febre persistente ou perda de peso precisa de avaliação médica.

Para continuar no tema: Clínica médica | Resfriado em bebê

Vale lembrar que a tosse é um mecanismo de defesa básico, sendo assim, algumas vezes, a diminuição do reflexo da tosse pode ter impactos prejudiciais para a recuperação da doença que esteja causando a tosse.

A tosse é classificada de acordo com a sua duração. Se durar até três semanas, é caracterizada como aguda. Se a tosse durar entre três e oito semanas, é subaguda. Se a sua duração for superior a oito semanas, passa a ser crônica.

Tosse AgudaTosse crônica
Curta duraçãoDuração mais longa
OcasionalPersistente
Geralmente autolimitadoMuitas vezes associado à causa subjacente
Sem dificuldade para respirarPode envolver dificuldade para respirar
Muitas vezes temporárioPode ser contínuo
Pode ser causado por vírus ou bactériasPode ser causado por fatores ambientais
Normalmente se resolve sozinhoMuitas vezes requer tratamento médico

Tosse aguda

As condições que comumente mais causam tosse aguda em adultos é o resfriado comum e a bronquite aguda. Outras causas incluem rinossinusite aguda, rinite alérgica, asma e pneumonia.

A rinossinusite aguda é caracterizada por uma inflamação no revestimento dos seios paranasais. Geralmente, é causada por um agente viral se durar menos de dez dias, mas também pode estar relacionada a uma infecção bacteriana se a duração for superior a dez dias.  

A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal devido a uma irritação alérgica do ambiente. Essa irritação leva a uma secreção excessiva de muco e gotejamento pós-nasal. A tosse aguda da rinite alérgica é resultado desse gotejamento pós-nasal.

A asma é uma doença pulmonar que causa inflamação, obstrução das vias aéreas e estreitamento dos brônquios. O aumento das secreções mucosas é o que induz o indivíduo a apresentar a tosse aguda.

tipos de tosse

A pneumonia pode ser viral ou bacteriana. A tosse da pneumonia pode manifestar-se com ou sem catarro. Os sintomas desaparecem dependendo da gravidade e da duração do tratamento, mas a maioria dos pacientes se recupera em cerca de duas semanas, embora seja comum que alguns permaneçam com a tosse por alguns dias após o tratamento.

Tosse subaguda

A tosse subaguda é pós-infecciosa, ou seja, manifesta-se em pacientes que tiveram alguma infecção respiratória recente, na qual não foram identificadas outras causas.

A tosse subaguda, assim como a tosse aguda, são doenças autolimitadas que normalmente requerem apenas medidas de suporte.

Quando a etiologia pós-infecciosa é descartada, as medidas de tratamento serão as mesmas utilizadas para a tosse crônica.

Tosse crônica

Quando a tosse é crônica, o diagnóstico se torna mais difícil.

Geralmente exigindo um encaminhamento a um especialista em tosse ou pneumologista. As causas mais prováveis de tosse crônica incluem: refluxo gastroesofágico, bronquite crônica (onde a tosse está presente por mais de três meses consecutivos), bronquite eosinofílica não asmática, doenças pulmonares intersticiais, apneia obstrutiva do sono, sinusite crônica, tosse psicossomática e doenças malignas.

Vale destacar que a tosse psicossomática refere-se ao ato de tossir como um hábito, fazendo parte de uma condição psicológica subjacente, e não como o sintoma de alguma doença. Sendo um hábito, essa tosse perdura por um longo tempo.

tipos de tosse

Diagnóstico dos tipos de tosse

Tosse aguda e subaguda não requer estudos diagnósticos.

Devem ser tratadas sintomaticamente, a menos que o médico suspeite de alguma doença mais grave que esteja associada. Uma radiografia de tórax pode ser indicada se a tosse for grave ou se o paciente parecer extremamente cansado e doente.

A tosse crônica exige medidas diagnósticas.

Incluindo geralmente uma radiografia de tórax e testes de função pulmonar. Pacientes com tosse crônica, mas que apresentam radiografia de tórax e espirometria normais podem necessitar de encaminhamento a um pneumologista para uma avaliação mais aprofundada. Algumas vezes, a tosse crônica pode ser resultado de múltiplos processos patológicos.  

Nos casos de tosse crônica, pode ser necessário que o paciente realize broncoscopia com visualização direta das cordas vocais, traqueia e outras vias aéreas para descartar qualquer massa ou lesão nas cordas vocais, bem como massa endotraqueal ou endobrônquica. 

Se a tosse for pontual e acontecer principalmente à noite e o paciente manifestar sintomas que indiquem apneia obstrutiva do sono, o médico poderá solicitar um estudo do sono para confirmar o diagnóstico e tratar a apneia do sono da forma adequada.

tipos de tosse

Tratamento

O tratamento da maioria dos casos de tosse aguda visa aliviar e tratar o sintoma através de medicamentos para tosse e resfriado vendidos sem receita médica. 

Os supressores de tosse são utilizados para diminuir a tosse, e os expectorantes são úteis para as tosses com catarro. Os supressores de tosse mais usados são o dextrometorfano e a guaifenesina. Quando a tosse for de origem infecciosa, deve-se administrar antibioticoterapia adaptada ao patógeno. 

Se a tosse for crônica, o tratamento baseia-se em atingir a doença subjacente sempre que possível a fim de reduzir a tosse, em vez de suprimi-la. Por exemplo, quando a tosse é causada por refluxo gastroesofágico, essa condição deve ser tratada, não a tosse em si.

Para isso, deve-se evitar substâncias que contribuem para o refluxo, incluindo chocolate, cafeína, álcool e tabaco. O paciente deve elevar a cabeceira da cama e evitar comer algumas horas antes de dormir.


Medicamentos

MedicamentosExplicação
DextrometorfanoUm supressor de tosse que funciona bloqueando sinais no cérebro que causam tosse
CodeínaMedicamento opioide usado para parar a tosse e tratar a dor
GuaifenesinaExpectorante que ajuda a diluir e soltar o muco na garganta e no peito, facilitando a tosse

Quando devo procurar um médico?

As causas de tosse são variadas e a maioria é benigna. Porém, a tosse também pode ser causada por doenças malignas e infecções graves.

Então, quando a tosse for persistente e estiver associada a outros sintomas, é importante consultar um médico para tratar a doença que esteja causando a tosse.

O recomendado é que o paciente se encaminhe a um pneumologista ou otorrinolaringologista para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.

Fontes úteis

Fontes de apoio: MedlinePlus: cough | NHS: cough symptoms

SHARMA, S.; HASHMI, M. F.; ALHAJJAJ, M. S. Cough. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

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Desenvolvimento infantil: marcos, variações e alertas

25 de outubro de 2022 by Eduarda Moro

Texto escrito em parceria com Raica Moterle – CRP 07/36515. Psicóloga e Pós-Graduanda em Psicanálise com Crianças e Adolescentes

Existe muita coisa que não cabe mais nos tempos em que vivemos, mas que ainda insistimos em cultuar e, de algum modo, preservar, principalmente no que tange o desenvolvimento infantil. Quando uma criança chega à família, junto de sua “chegança”, parece reacender nos familiares que a recebem desejos que são particulares desses. Adjacente a isso, esses mesmos familiares tornam-se responsáveis por traduzir e apresentar o mundo ao bebê. Assim, constrói-se um entorno, que é composto por concepções acerca da vida, crenças e ideologias, que é repassado ao novo membro familiar.

Na infância, esse processo de tradução do mundo é feito de forma mais sutil, mas não menos prejudicial. A criança que chega é recebida com um universo de coisas cor-de-rosa ou de cor azul. Os brinquedos que ganha, costumam ser definidos por seu sexo biológico. De modo que, sua chegada, serve também como um propósito de atualização de crenças e costumes familiares. Funciona tal como um rito, e é do desejo da família que a criança integre esse processo, para que então possa integrar à família.

Integrar é um verbo importante para compreender a complexidade das relações familiares. Integrar é sobre fazer parte de algo, incluir-se em um grupo ou espaço, compor com outros. A família, como sabemos, é o primeiro grupo no qual somos integrados e é neste meio que, pouco a pouco, vamos constituindo nossa identidade. É também a partir do núcleo familiar que aprendemos, primeiramente, sobre o que é considerado característica de um homem e de uma mulher. Não porque, de fato, existam características determinantes, mas porque a sociedade as constrói e a família então repete.

A importância de refletir sobre esses processos, que se repetem nas famílias quando um bebê chega, relaciona-se com o entendimento de que os primeiros anos do desenvolvimento infantil merecem mais atenção. Durante os primeiros anos, tem-se o costume de infantilizar a criança. Isso parece estar correto, certo?! Mas não é bem assim que funciona. Infância e infantilização não são termos complementares, ou ao menos, não deveriam ser.

Tal como ocorre no processo de alfabetização, no qual a criança é inserida na linguagem, é preciso compreender que seu processo de integração à família perpassa pela mesma via. Tomar consciência da criança em sua integralidade, trata-se também de validá-la enquanto um sujeito que está aprendendo sobre o mundo, a partir do que lhe é ensinado. Dado que é a partir do imaginário e das concepções sociais da família que a criança descobre o mundo e então passa a significá-lo, é de suma importância que a família entenda sua influência nessa etapa do desenvolvimento. Nessa fase se introjeta aquilo que vê, que ouve e percebe, traduzindo isso em uma leitura do mundo.

Desenvolvimento infantil: a criança enquanto indivíduo

criancas


Há algumas coisas nas quais precisamos nos colocar a pensar:

– O que falha na família na hora de receber novos integrantes?

– De que modo reafirmamos funções sociais no desenvolvimento infantil e como evitar que aconteça?

– Quais mitos, comportamentos e concepções têm sido repassados, de geração para geração?

Para que a criança possa se desenvolver de forma saudável e íntegra, não importa a ela de que modo se configura a família. Se são dois pais ou duas mães, se são pais biológicos ou adotivos, ou qualquer outro rearranjo familiar que se componha. O que importa e produz diferença nessa fase é que seja respeitada enquanto sujeito.

Tendo isso em vista, vale também questionar: qual e como é o mundo que apresentamos para as crianças? Se o que é ensinado é traduzido como primeira concepção da sociedade, a família está ativamente imbricada no modo como a criança constitui-se subjetivamente. Quando se sugere que a menina brinca de casinha e o menino pode aventurar-se, está se ensinando sobre o papel social do homem e da mulher. É nesse espaço-cronológico que se produz mitos e irrealidades, que tornam-se reais pela ênfase e repetição de discursos e ações. É também aí que se inventam narrativas como a do instinto materno, por exemplo, quando se ensina uma menina a cuidar de uma boneca, amamentá-la, trocar sua fralda.

O sujeito é sempre constituído a partir do encontro com outro humano. Considerando isso, pode-se dizer que a linguagem é o que emancipa esse novo sujeito, a partir do intermédio entre linguagem, criança e o outro. Esta tem papel fundamental nesse encontro, do sujeito com o mundo, e é quem ampara, estrutura, e condiciona a subjetividade humana. Reafirmamos assim a noção de que a inscrição da criança na sociedade, experimentada primeiramente por meio da integração à família, é também carregada pelo que lhe é atribuído culturalmente, de forma muito particular e diversa nos inúmeros modos de existir e se relacionar no mundo. É nesse lugar, na relação com um Outro que nos atravessa a existência, que atribuímos sentidos, significados e que nomeamos as coisas do mundo.

Conclui-se então que o desenvolvimento infantil depende de um contexto familiar que tenha consciência de seu papel ativo na tradução e na apresentação da sociedade e de tudo que compõe a vida humana. É necessário, sobretudo, que seja concebida, como já citado anteriormente, enquanto um indivíduo, assim como pontua Winnicott:

“Desde o início é possível a um observador perceber que a criança já é um ser humano, uma unidade. Com um ano, a maioria das crianças já adquiriu de fato o status de indivíduo. Em outras palavras, a personalidade tornou-se integrada. É claro que isto nem sempre é verdade, mas pode-se dizer que, em certos momentos, ao longo de certos períodos e em certas relações, a criança de um ano é uma pessoa inteira. Mas a integração não é algo automático, é algo que deve desenvolver-se pouco a pouco em cada criança individual. Não é mera questão de neurofisiologia, pois, para que seu processo se desenrole, há a necessidade da presença de certas condições ambientais […] (2011, p. 6)”

Por fim, cabe dizer que acreditamos que a criança não pode ser tomada pelo significado que já lhe foi atribuído nos tempos antigos, como o “infan”, termo que se refere àqueles que não tem voz ou lugar de fala. O desenvolvimento infantil está inteiramente relacionado as condições sociais e humanizadoras a que a criança é exposta, não basta somente um, tampouco outro. Há necessidades básicas que precisam ser supridas para que eticamente se possa viver e se desenvolver.  


Referência:

D.W. Winnicott. A família e o desenvolvimento individual. Martins Fontes, 2011.

Cuidados em ciclos, gestação e infância

ContextoPor que muda a orientação
Criança ou adolescenteCrescimento, puberdade e dose por peso precisam ser considerados.
GestaçãoAlguns sintomas e medicamentos têm risco diferente.
Ciclo menstrualPadrão, duração, fluxo e dor ajudam a separar variação de alerta.
Doenças préviasAnemia, diabetes, pressão alta e imunossupressão reduzem margem de espera.

Anote datas, intensidade, medicamentos usados, exames anteriores e mudanças recentes. No atendimento pediátrico ou ginecológico, essa sequência costuma ser mais útil que uma descrição genérica do sintoma.

Fontes úteis

  • CDC: desenvolvimento infantil
  • HealthyChildren.org
  • MedlinePlus: saúde infantil

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Como Diminuir a Ansiedade

25 de outubro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

A ansiedade, muitas vezes, está associada a uma preocupação excessiva e antecipação de uma ameaça futura, que pode ainda trazer efeitos grandes e negativos em nossas vidas diárias, afetando os relacionamentos, trabalho e privação do lazer.

A ansiedade envolve um determinado medo e se manifesta como um estado de humor focado no futuro que consiste em um complexo sistema de resposta cognitiva, afetiva, fisiológica e comportamental. É um dos distúrbios psiquiátricos mais comuns, mas um fato interessante é que sua verdadeira prevalência não é conhecida, pois muitas pessoas não procuram ajuda terapêutica ou então os médicos não conseguem realizar o devido diagnóstico.

Quem nunca teve uma crise de ansiedade diante de algum evento estressante? Muitas pessoas lidam com a ansiedade diariamente em razão de fatores que envolvem trabalho, conflitos familiares, preocupações com a saúde e questões financeiras. Reduzir e limitar os elementos estressores da vida diária é de extrema importância para a saúde geral.

A ansiedade manifesta-se a partir de sintomas emocionais e físicos. Emocionalmente, a ansiedade pode causar irritabilidade, ataques de pânico, inquietação, concentração diminuída, distúrbios do sono, entre outros. Fisicamente, causa dor de cabeça, dores musculares e articulares, aumento da frequência cardíaca, falta de ar, sudorese, dor no peito e problemas gastrointestinais.

Sintomas comuns de ansiedade incluem

ApreensãoSensação de asfixiaFadiga
AgitaçãoTonturaTensão muscular
Frequência cardíaca rápidaInsônia Dormência ou formigamento
SuandoIrritabilidade Falta de ar
TrêmuloPreocupação excessiva 

Quando a ansiedade não é controlada, essa condição pode afetar nossas vidas de forma muito negativa, interrompendo a vida diária, causando isolamento, aumentando o risco de depressão e suicídio, bem como o risco de sintomas físicos desagradáveis. Além, claro, de afetar o indivíduo mentalmente, levando-o a tomadas de decisões malfeitas e má comunicação.

Exercícios físicos

O exercício físico é capaz de aliviar a ansiedade por reduzir os níveis de hormônios do estresse no corpo e por permitir que o indivíduo se concentre na tarefa de se exercitar, distraindo-o de pensamentos estressantes.

O exercício regular ajuda a reduzir os sintomas de ansiedade, como coração acelerado, falta de ar e inquietação. Também libera endorfinas, que são conhecidas por reduzir o estresse e melhorar o humor. O exercício também oferece uma oportunidade de fazer uma pausa nos pensamentos ansiosos e mudar o foco para a atividade física. Além disso, pode ajudar a desenvolver um sentimento de realização e aumentar a autoconfiança.

Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine analisou os efeitos dos exercícios físicos na ansiedade através de oito ensaios clínicos randomizados que compararam o exercício com os tratamentos padrão de ansiedade. Os resultados revelaram que o exercício, por si só, foi menos eficaz do que os tratamentos padrão de ansiedade, como a medicação ou terapia de fala. Em contrapartida, o exercício combinado com esses tratamentos mostrou ser mais eficaz do que os tratamentos sozinhos.

6 Benefícios do exercício para diminuir ansiedade

  1. Reduz o estresse: o exercício é uma maneira eficaz de reduzir o estresse e a ansiedade. Aumenta os níveis de endorfinas, substâncias químicas naturais do cérebro que promovem uma sensação de bem-estar.
  2. Melhora o humor: o exercício pode melhorar o humor e reduzir os sintomas da depressão. Também pode ajudá-lo a se sentir mais confiante e enérgico.
  3. Aumenta o foco: o exercício pode melhorar sua concentração e facilitar o foco nas tarefas.
  4. Fornece distração: O exercício pode proporcionar uma distração agradável das preocupações e tensões da vida.
  5. Melhora o sono: o exercício regular pode ajudar a melhorar a qualidade do sono e reduzir a insônia.
  6. Melhora a auto-estima: Praticar atividade física pode melhorar a auto-estima e ajudá-lo a se sentir melhor consigo mesmo.
como diminuir a ansiedade

Exercícios de respiração diafragmática

A respiração diafragmática é uma técnica de respiração profunda que contrai o diafragma e ajuda a reduzir os níveis de cortisol em adultos saudáveis. Para aliviar a ansiedade, o indivíduo pode praticar o exercício de respiração diafragmática por 10 minutos várias vezes ao dia.

Para realizar a técnica, a pessoa deve deitar de costas com os joelhos dobrados e as solas dos pés no chão. Em seguida, deve colocar uma mão na parte superior do tórax e a outra mão no estômago, logo abaixo da caixa torácica.

Deve-se respirar profundamente pelo nariz, puxando a respiração para baixo em direção ao estômago. A expiração deve ser lenta e feita com os lábios franzidos, puxando o umbigo para baixo em direção ao chão. A mão no estômago deve retornar à sua posição original, enquanto a mão no peito permanece imóvel.


Mindfulness

A atenção plena pode ser uma ferramenta eficaz para controlar a ansiedade. Mindfulness envolve estar ciente de seus pensamentos e sentimentos no momento presente sem julgamento. Pode nos ajudar a tomar consciência de nossos pensamentos e sentimentos ansiosos sem sermos dominados por eles. Ao praticar a atenção plena, podemos aprender a observar nossos pensamentos e sentimentos ansiosos sem reagir a eles. Isso pode nos ajudar a ficar menos sobrecarregados por nossos pensamentos e sentimentos ansiosos e mais capazes de lidar com eles.

A atenção plena também pode nos ajudar a nos tornar mais conscientes de nossos gatilhos e respostas à ansiedade. Ao prestar atenção aos nossos pensamentos e sentimentos no momento presente, podemos nos tornar mais conscientes das coisas que desencadeiam nossa ansiedade e as maneiras pelas quais respondemos a ela. Isso pode nos ajudar a desenvolver estratégias de enfrentamento mais saudáveis para controlar nossa ansiedade.

Além disso, a atenção plena pode nos ajudar a ficar mais conscientes de nossos pensamentos e sentimentos em geral, o que pode facilitar a identificação de quando estamos nos sentindo ansiosos e tomar medidas para lidar com isso.

A atenção plena também pode nos ajudar a ficar mais conscientes das reações físicas do nosso corpo à ansiedade, como aumento da frequência cardíaca e respiração superficial. Ao nos conscientizarmos dessas reações físicas, podemos aprender a administrá-las e reduzir nossa ansiedade.

Ioga

Uma revisão publicada no Journal of Psychiatric Research analisou os efeitos da ioga no sistema nervoso. Nos 25 estudos abordados na revisão, comprovou-se que a ioga reduziu a frequência cardíaca, a pressão arterial e os níveis de cortisol – o famoso “hormônio do estresse”, envolvido na resposta ao medo de lutar ou fugir. Quando os níveis de cortisol estão altos na corrente sanguínea, a ansiedade pode ficar acentuada.

Outros estudos revelam que a ioga, além de reduzir os sintomas de ansiedade, também reduz de depressão, bem como os níveis de citocinas no sangue, liberadas pelo sistema imunológico em resposta ao estresse.


Tablela: Benefícios da Ioga na Ansiedade

Benefícios da ioga para ansiedadeExplicação
RelaxamentoO yoga usa respiração profunda, meditação e posturas físicas para relaxar o corpo e a mente, ajudando a reduzir os níveis de estresse e ansiedade.
Atenção plenaA ioga incentiva a atenção plena ou a consciência do momento presente, o que pode ajudar a reorientar a mente e desviar a atenção de pensamentos e preocupações ansiosos.
Melhora do sonoA ioga promove o relaxamento e ajuda a reduzir a fadiga mental e física, o que pode melhorar a qualidade e a duração do sono.
Aumento da autoconsciênciaA ioga pode ajudar a aumentar a autoconsciência, o que pode ajudar a identificar e entender as causas da ansiedade e como gerenciá-la melhor.
como diminuir a ansiedade

Terapia de Fala

É importante procurar a ajuda de um psicólogo caso a ansiedade se torne persistente e comece a interferir na sua vida. Essa opção de tratamento refere-se à terapia de fala, que envolve conversar com um profissional de saúde que cuida da mente.

Algumas terapias de fala que tratam a ansiedade incluem aconselhamento, psicoterapia e terapia cognitiva comportamental (TCC).


Desafiar ou combater pensamentos negativos

Desafiar pensamentos negativos pode ser uma ferramenta importante para controlar a ansiedade. Os pensamentos negativos podem ser um dos principais contribuintes para a ansiedade, pois podem nos tornar mais propensos a nos sentirmos ansiosos em diferentes situações. Ao desafiar os pensamentos negativos, podemos nos tornar mais conscientes de como nosso pensamento está afetando nossos níveis de ansiedade. Isso pode nos ajudar a identificar os pensamentos que estão causando nossa ansiedade e tomar medidas para resolvê-los.

Desafiar pensamentos negativos também pode nos ajudar a ficar mais conscientes de como nossos pensamentos estão afetando nossas emoções e comportamento. Isso pode nos ajudar a identificar padrões em nosso pensamento que podem estar contribuindo para nossa ansiedade e tomar medidas para mudá-los. Ao fazer isso, podemos começar a pensar de forma mais positiva, o que pode ajudar a reduzir nossos níveis de ansiedade.

Finalmente, desafiar os pensamentos negativos pode nos ajudar a desenvolver estratégias de enfrentamento mais saudáveis para controlar nossa ansiedade. Ao reconhecer nossos pensamentos negativos, podemos aprender a desafiá-los e substituí-los por pensamentos mais positivos. Isso pode nos ajudar a gerenciar melhor nossa ansiedade em diferentes situações e pode nos ajudar a desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com nossa ansiedade.

Medicamentos

Associado à terapia de fala, às vezes o médico pode prescrever medicamentos para controlar a ansiedade. A buspirona, por exemplo, é um tranquilizante suave de ação lenta que funciona aumentando a atividade de serotonina – que por sua vez eleva o humor e diminui sentimentos de ansiedade. Os benzodiazepínicos são utilizados para o controle da ansiedade a curto prazo, sendo bastante eficazes na promoção do relaxamento e no alívio da tensão muscular, bem como em outros sintomas.

Quando a ansiedade exigir o uso de medicamentos, lembre-se de que apenas um médico especializado poderá prescrever o tratamento, a dosagem e a duração adequados para cada caso!


Opções medicamentosas iniciais incluem:

AntidepressivoIndicação
ISRS (Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina)Transtorno de ansiedade generalizada
SNRI’s (inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina)Transtorno de ansiedade social
Antidepressivos tricíclicosTranstorno do Pânico
MAOIs (inibidores da monoamina oxidase)Transtorno Obsessivo-Compulsivo
como diminuir a ansiedade

Alimente pensamentos positivos. Organize melhor o seu dia. Distraia a mente com coisas que gosta. Durma bem. Essas são atitudes que podem parecer simples, mas são determinantes para prevenir crises de ansiedade.

Tentar apenas uma vez não será suficiente, então desenvolva esses hábitos a longo prazo. Dessa forma, você conseguirá gradualmente reeducar seu cérebro e suas emoções e controlar a ansiedade!

Referências:

CHAND, S. P.; MARWAHA, R. Anxiety. National Library of Medicine. StatPearls, 2022.

JAYAKODY, K.; GUNADASA, S.; HOSKER, C. Exercise for anxiety disorders: systematic review. British Journal of Sports Medicine, v. 48, n. 3, p. 187-196. 2014.

PASCOE, M. C.; BAUER, I. E. A systematic review of randomised control trials on the effects of yoga on stress measures and mood. Journal of Psychiatric Research, v. 68, p. 270-282. 2015.

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