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Diabético pode comer cuscuz? Como ajustar a porção

24 de outubro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Em muitos casos, sim: a questão não é “pode ou não pode”, e sim quanto e com o que foi combinado com as refeições, medicação e sua rotina de glicemia.

Resposta prática curta: comece com porções menores, inclua proteína e fibras no prato e acompanhe resposta em glicemia conforme orientação do seu plano de tratamento.

Sinais de alerta e decisão médica

  • Hiperglicemia persistente, sintomas de sede intensa, urina frequente e cansaço excessivo.
  • Sinais de hipoglicemia: tremor, sudorese, palpitação, fraqueza.
  • Uso de insulina/secretagogos com sintomas incompatíveis ou variação grande de glicose.

Próximo passo objetivo

Se o ajuste de porção melhora a resposta por 7 a 14 dias, mantenha a estratégia. Se a glicemia continua fora de meta, traga os valores para revisão com endocrinologia ou diabetes educador.

pessoa com diabetes pode comer cuscuz em muitos casos, mas porção, acompanhamento, horário, glicemia, medicação e tipo de farinha mudam a resposta. A pergunta prática é como encaixar carboidrato com proteína, fibras e monitorização.

Quem tem diabetes pode comer cuscuz em muitos casos, desde que a porção e os acompanhamentos entrem no plano alimentar. Cuscuz é fonte de carboidrato; por isso, pode elevar a glicose, principalmente quando a porção é grande ou quando vem com açúcar, manteiga em excesso, leite condensado, embutidos ou outros alimentos calóricos.

A resposta não deve ser “proibido” nem “liberado”. O que muda a glicemia é o conjunto: quantidade, tipo de cuscuz, horário, remédios em uso, atividade física, meta de glicose e o restante da refeição.

Por que o cuscuz exige controle de porção?

O cuscuz nordestino, geralmente feito de flocão de milho, e o cuscuz marroquino, feito de trigo, entram no grupo dos alimentos ricos em carboidrato. O organismo transforma parte desses carboidratos em glicose. Isso não torna o alimento “ruim”, mas significa que ele precisa ser contado dentro da refeição.

Para muitas pessoas, uma porção menor de cuscuz combinada com proteína e vegetais produz resposta melhor do que um prato grande de cuscuz isolado. Quem usa insulina, sulfonilureia ou monitorização contínua pode precisar de orientação mais específica para ajustar quantidade e horários.

Como montar o prato com mais segurança

EscolhaEfeito prático
Porção moderada de cuscuzReduz a carga de carboidrato da refeição.
Ovos, frango, peixe, queijo em pequena quantidade ou feijãoProteína ajuda na saciedade e pode suavizar a resposta glicêmica.
Salada, legumes ou verdurasFibras aumentam volume da refeição sem concentrar carboidrato.
Evitar açúcar, leite condensado e recheios muito gordurososDiminui calorias extras e picos de glicose.
Medir a glicose quando indicadoMostra a resposta real do corpo, que varia entre pessoas.

Cuscuz engorda ou piora o diabetes?

O cuscuz não engorda sozinho e não piora diabetes por si só. O problema costuma aparecer quando ele aumenta muito o total de carboidratos e calorias do dia, substitui vegetais e proteínas ou vira parte de lanches grandes repetidos várias vezes por semana.

Também é diferente comer cuscuz como parte de um café da manhã com ovo e fruta em porção planejada, ou comer um prato grande com manteiga, queijo gorduroso, açúcar e bebida adoçada. O mesmo alimento pode ter impacto diferente conforme o preparo.

Preparos “simples” também podem mudar bastante. Cuscuz com leite e açúcar, cuscuz recheado, cuscuz com muita manteiga ou grandes porções repetidas ao longo do dia não têm o mesmo efeito de uma porção menor servida com proteína e vegetais. Para diabetes, o detalhe da receita importa, assim como o tamanho real medido no prato.

Quando a orientação precisa ser individual

  • Diabetes gestacional.
  • Uso de insulina com contagem de carboidratos.
  • Hipoglicemias frequentes ou glicemias muito altas após refeições.
  • Doença renal, colesterol alto ou pressão alta associada.
  • Perda de peso sem explicação, vômitos, muita sede, urina excessiva ou cansaço importante.

Como observar a resposta sem tratar comida como medo

Uma forma objetiva de avaliar o cuscuz é repetir uma refeição simples em dias parecidos e medir a glicose quando isso fizer parte do seu cuidado. Compare porção, acompanhamentos e valor depois da refeição. Se a glicose sobe muito com cuscuz puro, mas melhora quando há ovo, legumes e porção menor, o problema provavelmente não é “o cuscuz”, e sim a forma como ele entrou no prato.

Também observe fome nas horas seguintes. Um café da manhã só com cuscuz e café adoçado pode dar pouca saciedade para algumas pessoas; cuscuz com proteína, fibras e bebida sem açúcar costuma ser mais estável. Essa leitura é mais útil do que copiar uma lista genérica de alimentos proibidos.

O que evitar

  • Trocar orientação por “receitas milagrosas” para baixar glicose depois de comer.
  • Comer porções grandes porque o alimento parece simples ou caseiro.
  • Cortar todos os carboidratos sem plano, especialmente se usa insulina ou remédio que pode causar hipoglicemia.
  • Ignorar sintomas como sede intensa, urina excessiva, perda de peso ou visão turva.

Resposta prática

Se a glicose está estável e o plano alimentar permite carboidrato naquela refeição, o cuscuz pode entrar em porção moderada. Uma estratégia simples é deixar metade do prato para vegetais sem amido, um quarto para proteína e um quarto para carboidratos, ajustando a quantidade com seu nutricionista ou equipe de diabetes.

Se a glicose sobe muito depois do cuscuz, antes de excluir o alimento observe três pontos: tamanho da porção, acompanhamentos e frequência. Muitas vezes, reduzir a quantidade e trocar recheios muda mais do que proibir o alimento.

Como testar o cuscuz na rotina do diabetes

O cuscuz deve ser contado como fonte de carboidrato. Para testar melhor, escolha uma porção definida, evite açúcar e recheios muito calóricos no mesmo teste, combine com proteína ou fibras e observe a glicose no padrão recomendado pela equipe. Assim fica mais claro se o problema é o alimento, a quantidade ou a combinação.

Troca práticaPor que ajuda
Reduzir a porçãoDiminui a carga de carboidrato da refeição.
Adicionar ovo, frango ou queijo em quantidade moderadaAumenta saciedade e reduz refeição baseada só em amido.
Evitar açúcar, leite condensado e embutidos frequentesReduz calorias, gordura e picos glicêmicos.
Comparar glicose em dias parecidosEvita culpar um alimento por variações de sono, estresse ou remédio.

Se o cuscuz faz parte do café da manhã, compare o efeito de comer sozinho com o efeito de comer junto de ovo, queijo em quantidade moderada, frango desfiado ou outra fonte de proteína. Se entra no jantar, observe também se substitui ou soma com arroz, pão, macarrão, mandioca ou tapioca. A soma de carboidratos na refeição costuma explicar melhor a glicose do que um alimento isolado.

O que muda o efeito na dieta

FatorComo avaliar
PorçãoCompare a quantidade do prato com a porção do rótulo ou da receita.
PreparoFritura, açúcar, creme, óleo e bebidas calóricas mudam bastante o resultado.
FrequênciaConsumo eventual e hábito diário têm impactos diferentes.
Condição clínicaDiabetes, doença renal, alergias, gestação e transtornos alimentares pedem ajuste próprio.

Como encaixar cuscuz com menor pico de glicose

Para quem tem diabetes, a estratégia não é apenas liberar ou proibir cuscuz. A resposta glicêmica muda quando o carboidrato é consumido sozinho, em porção grande, com açúcar ou sem proteína. O prato fica mais previsível quando combina cuscuz com ovo, queijo, frango, feijão, salada ou outra fonte de fibra e proteína.

EscolhaEfeito provável
Cuscuz grande e café adoçadoMaior carga de carboidrato na mesma refeição.
Cuscuz menor com ovoMais proteína e saciedade.
Adicionar manteiga em excessoAumenta calorias sem necessariamente melhorar glicose.
Medir glicemia depoisMostra resposta individual ao horário e à porção.

Fontes úteis

  • CDC: planejamento de refeições no diabetes
  • CDC: escolhas de carboidratos
  • NIDDK: alimentação, atividade física e diabetes

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades Marcados com as tags: açucar, diabetes, glicose, sangue

Ansiedade causa enjoo? Por que acontece

24 de outubro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Prejuízo persistente no sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado indica necessidade de avaliação e apoio estruturado.

Sono, apetite, energia, concentração, uso de álcool, remédios e pensamentos de morte mudam a urgência. Sofrimento persistente ou risco de autoagressão pede ajuda imediata.

PROVAVELMENTE, você já está familiarizado com os sintomas emocionais da ansiedade: preocupação excessiva, nervosismo, medos irracionais, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, entre outros. Mas a ansiedade também vem acompanhada de sintomas físicos.

As náuseas, ou enjoos, são um deles.

Ansiedade – fuga ao estresse

Ansiedade é uma resposta de fuga ao estresse, que pode causar diversos sintomas psicológicos e físicos. Estudos propõem que a ansiedade está associada a uma ampla gama de neurocircuitos, envolvendo os dois principais centros reguladores encontrados nos hemisférios cerebrais: o hipocampo e a amígdala. Esses dois centros ativam o eixo hipotálamo-hipófise adrenocortical, que por sua vez, governam o armazenamento da memória e das emoções, entre outras funções.

Como a ansiedade surge?

O mecanismo de ação da ansiedade ainda não é totalmente esclarecido. Acredita-se que os sintomas e distúrbios da ansiedade aconteçam em razão da modulação interrompida no sistema nervoso central. As manifestações emocionais e físicas dessa desregulação são o resultado de uma excitação simpática aumentada em graus variados.

A ansiedade faz o organismo ativar o sistema nervoso simpático, responsável por nossa resposta de luta e fuga a uma ameaça. Ao nos deparamos com uma ameaça ou agente estressor, nosso sistema nervoso simpático libera hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina. Com isso, o corpo prioriza seus recursos para nos dar a melhor chance de sobrevivência imediata.

Sintomas de Ansiedade

Distúrbios do sonoIncapacidade de adormecer ou permanecer dormindo, geralmente com despertares matinais e/ou dormir demais.
IrritabilidadeExcesso de mau humor e frustração, muitas vezes com dificuldade em controlar a raiva.
InquietaçãoIncapacidade de ficar parado e dificuldade de concentração devido ao movimento constante.
FadigaExaustão crônica que não melhora com repouso ou sono.
Tensão muscularSensações físicas de aperto e dor que aumentam com o estresse.
Dificuldade de concentraçãoAtenção reduzida, dificuldade de concentração em tarefas e memória fraca.
Mudanças de apetiteComer demais ou não querer comer, muitas vezes com mudanças de peso.
NervosismoPreocupação e medo excessivos, geralmente acompanhados por sensações físicas como tremores e suor.

Cérebro e Intestino

Um fato interessante é que nosso cérebro e intestino estão interligados e um pode influenciar no outro. As paredes intestinais contêm neurônios que compõem o sistema nervoso gastrointestinal, que por sua vez, está ligado ao sistema nervoso central.

Essa conexão é bidirecional, onde em uma direção, o cérebro pode provocar respostas intestinais a pensamentos e emoções, enquanto na outra direção, o intestino pode desencadear uma resposta dentro dos centros emocionais e cognitivos do cérebro. 

Sendo assim, não é de se admirar que as pessoas sintam enjoos ou dor no estômago quando se sentem ansiosas. Durante um momento de ansiedade, como por exemplo, antes de ir a uma entrevista de emprego ou fazer uma apresentação pública, é comum então sentir-se um pouco enjoado.

Esse tipo de enjoo pode passar rapidamente. Porém, às vezes, o enjoo associado à ansiedade pode deixar o indivíduo doente do estômago, a ponto de até mesmo vomitar.

Causa da ansiedadeExplicação
Preocupação excessivaQuando uma pessoa se preocupa excessivamente, o corpo pode responder com sintomas físicos, como náuseas, como resultado da resposta de “luta ou fuga” do corpo.
Ataques de pânicoO início súbito de sintomas físicos e emocionais intensos associados a ataques de pânico pode levar a náuseas, desconforto estomacal e sensação de mal-estar.
EstresseQuando o corpo está sob estresse, ele libera um hormônio chamado cortisol, que pode levar a reações físicas como náuseas.
MedoO medo é uma resposta natural ao perigo e pode fazer com que o corpo entre no modo “lutar ou fugir”. Isso pode causar uma série de sintomas físicos, incluindo náusea.
Transtornos de ansiedadeOs transtornos de ansiedade podem causar uma variedade de sintomas físicos, como náuseas, como resultado da resposta do corpo ao estresse.


ansiedade causa enjoo


É normal sentir ansiedade ocasionalmente, mas se frequentemente você sente ansiedade acompanhada de enjoos, isso pode ser uma condição problemática.

A seguir você poderá ver algumas dicas que podem ser úteis para aliviar o enjoo causado por crises de ansiedade.


Dicas para aliviar as náuseas associadas à ansiedade

Se a sua ansiedade não estiver relacionada a uma verdadeira situação de emergência, e isso estiver causando náuseas, aqui estão algumas dicas que podem ajudar a aliviar e controlar a ansiedade e os enjoos associados.

Quando você sentir que a ansiedade quer tomar conta de você, tente se concentrar no presente, ao invés de se estressar com coisas que ainda nem aconteceram. Viva um dia de cada vez. Distraia-se com alguma atividade que você gosta, como ouvir música.

Realize exercícios longos e profundos de respiração. Nessas situações, é muito conveniente realizar a respiração diafragmática, onde o diafragma se contrai durante a inspiração, descendo dentro da cavidade abdominal, o que estimula o sistema nervoso parassimpático a relaxar, gerando uma sensação de alívio e descanso.

Medidas a longo prazo também são importantes, como: exercitar-se regularmente; adotar uma dieta mais saudável e equilibrada; limitar o consumo de álcool e cafeína; bem como dormir o suficiente a fim de ter um sono de qualidade.

Meditação e aromaterapia são terapias que podem ajudar a aliviar os sintomas de ansiedade, proporcionando sensação de bem-estar.

Acupuntura é benéfica em vários pacientes, para alívio dos sintomas agudos de ansiedade e controle do mal-estar.


ansiedade causa enjoo

Para aliviar as náuseas, ingerir líquidos gelados pode ser útil, bem como cheirar uma fatia de limão. Coma uma pequena quantidade de algum alimento seco, como por exemplo bolachas. Evite bebidas com cafeína e alimentos doces e gordurosos quando estiver sentindo enjoos.

Evite misturar alimentos frios e quentes. Ao deitar-se, evite posições desconfortáveis e movimentos bruscos. Mantenha-se sempre hidratado.


Quando é necessário consultar um médico

Se os enjoos associados à ansiedade estiverem interferindo na sua qualidade de vida, restringindo-o de realizar suas atividades diárias, você deve consultar um médico.

Em casos de ansiedade crônica, consulte seu médico para a realização de um check-up completo. 

Ele poderá encaminhá-lo para profissionais licenciados que o ajudarão a identificar seus gatilhos estressores, resolver seus problemas de ansiedade e ensiná-lo a controlar melhor essa condição.


Quando buscar apoio estruturado

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Quando o enjoo não deve ser atribuído só à ansiedade

Ansiedade pode causar náusea, mas enjoo persistente também pode vir de gastrite, refluxo, infecções, medicamentos, gravidez, labirintite, enxaqueca, hipoglicemia e outras causas clínicas.

Procure avaliação com mais urgência se houver vômitos repetidos, sangue, perda de peso, febre, dor abdominal forte, desmaio, dor no peito, falta de ar ou desidratação.

Fontes úteis

ADWAS, A. A. et al. Anxiety: Insights into signs, symptoms, etiology, pathophysiology and treatment. East African Scholars Journal of Medical Sciences, v. 2, n. 10, p. 580-591. 2019.

GUPTA, S. Can anxiety cause nausea?. Verywell Mind, 2022. Disponível em: https://www.verywellmind.com/is-nausea-a-symptom-of-anxiety-5203006

PIETRANGELO, A. Anxiety nausea: what you need to know to feel better. Healthline, 2022. SANTOS, G. R. Respiração em psicoterapia corporal: teorias e técnicas para uma prática integrativa. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Psicologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

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Sintomas de dengue: sinais e quando procurar ajuda

24 de outubro de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Dengue costuma causar febre de início súbito associada a dor no corpo, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, mal-estar, náuseas, manchas na pele ou dor nas articulações. A parte mais importante é reconhecer sinais de alarme, porque a piora pode acontecer justamente quando a febre começa a baixar.

A dengue é causada por quatro sorotipos de vírus transmitidos principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. Uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez ao longo da vida, e infecções posteriores podem ter risco maior de gravidade em alguns casos.

Sintomas comuns da dengue

  • Febre alta de começo repentino.
  • Dor de cabeça e dor atrás dos olhos.
  • Dores musculares, articulares ou sensação de “corpo quebrado”.
  • Náuseas, vômitos, falta de apetite ou dor abdominal leve.
  • Manchas vermelhas ou erupção na pele.
  • Cansaço importante, que pode persistir depois da fase febril.
sintomas de dengue

Os sintomas podem parecer gripe, covid, chikungunya, zika e outras infecções. Por isso, quando há febre em área com circulação de dengue, a avaliação clínica e, quando indicado, exames de sangue ajudam a orientar o cuidado.

Sinais de alarme: quando procurar urgência

Procure atendimento com rapidez se surgirem dor abdominal forte ou contínua, vômitos persistentes, sangramento no nariz ou gengiva, sangue nas fezes ou no vômito, tontura, desmaio, sonolência intensa, irritabilidade, falta de ar, pele fria, queda importante do estado geral ou redução importante da urina.

SituaçãoConduta
Febre e dores, sem sinais de alarmeProcure serviço de saúde para orientação, hidratação e acompanhamento.
Febre baixou, mas surgiu dor abdominal, vômitos ou sangramentoNão espere: esse período pode marcar piora.
Confusão, desmaio, falta de ar, pele fria ou sonolência intensaUrgência imediata.
Criança, idoso, gestante ou pessoa com doença crônicaMargem de segurança menor; avaliação mais precoce.

Diagnóstico e exames

O diagnóstico pode ser clínico em contexto de surto, mas exames de sangue podem confirmar dengue e também avaliar plaquetas, hematócrito e sinais de desidratação ou gravidade. O tipo de teste depende do tempo de sintomas: exames que detectam o vírus tendem a ser mais úteis no começo, enquanto sorologias costumam ser interpretadas conforme a fase da doença e histórico de infecções.

Um exame isolado não substitui acompanhamento. Na dengue, a evolução diária importa: temperatura, ingestão de líquidos, urina, dor abdominal, vômitos, sangramentos e disposição devem ser observados.

Por que o período de melhora da febre exige atenção?

Em muitos quadros, a pessoa interpreta a queda da febre como sinal de resolução. Na dengue, esse pode ser justamente o período em que sinais de alarme aparecem, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia de sintomas. Por isso, dor abdominal, vômitos persistentes, sangramento, tontura, sonolência ou piora importante depois da febre baixar não devem ser normalizados.

Hidratação também deve ser acompanhada de forma concreta. Boca muito seca, tontura ao levantar, pouca urina, urina muito escura, fraqueza intensa ou incapacidade de manter líquidos podem indicar necessidade de avaliação e reposição orientada.

sintomas de dengue

Tratamento: o que costuma ser indicado

Não há antiviral específico para dengue. O tratamento é de suporte: hidratação, repouso, controle de febre e acompanhamento da evolução. Paracetamol ou dipirona podem ser usados quando indicados por profissional, respeitando dose e contraindicações.

Evite automedicação com ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco e outros anti-inflamatórios sem orientação, porque podem aumentar risco de sangramento ou complicar o quadro. Pessoas com doença no fígado, uso de anticoagulantes, gravidez, doença renal ou sintomas intensos precisam de avaliação individual.

Quem precisa de margem de segurança maior?

Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas, pessoas com doença cardíaca, renal, hepática, diabetes, anemia falciforme ou uso de anticoagulantes devem ter avaliação mais precoce. Nesses grupos, desidratação, sangramento e piora do estado geral podem evoluir mais rápido ou aparecer de forma menos típica.

Prevenção e vacina

A prevenção continua dependendo de controle do mosquito: eliminar água parada, manter caixas d’água tampadas, limpar recipientes, usar telas, repelente e roupas que cubram a pele quando houver exposição.

Dentro de casa, pequenos depósitos também contam: pratos de plantas, calhas, ralos, bandejas de ar-condicionado, garrafas, brinquedos e recipientes esquecidos. Em períodos de maior circulação, a revisão semanal desses pontos costuma ser mais efetiva do que medidas isoladas feitas apenas durante surtos.

Repelente pode ajudar, mas precisa ser usado conforme rótulo e reaplicado quando indicado. Bebês, crianças pequenas, gestantes e pessoas com alergias devem seguir orientação específica para escolher produto, concentração e forma de aplicação adequados.

Vacinação contra dengue depende do produto disponível, idade, local, calendário público, histórico clínico e contraindicações. No Brasil, a recomendação pode mudar conforme campanhas e disponibilidade. Por isso, a orientação mais segura é verificar o serviço de saúde local em vez de assumir que a vacina é indicada ou contraindicada para todos.

Em resumo: dengue não deve ser acompanhada apenas pela febre. Se a febre baixa e aparecem dor abdominal, vômitos, sangramento, tontura, sonolência ou piora do estado geral, a prioridade é avaliação rápida.

Linha do tempo que muda a vigilância

A dengue costuma ter fase febril, fase crítica e recuperação. A fase crítica merece atenção porque pode começar quando a febre melhora, geralmente alguns dias após o início dos sintomas. Por isso, “a febre baixou” não é sempre sinônimo de fim do risco.

Durante a suspeita, acompanhe ingestão de líquidos, urina, tontura ao levantar, dor abdominal, vômitos, sangramentos e sonolência. Evite anti-inflamatórios como ibuprofeno e ácido acetilsalicílico quando dengue é possibilidade, salvo orientação médica, porque podem aumentar risco de sangramento. Paracetamol costuma ser a opção citada para febre e dor, respeitando dose e contraindicações individuais.

Diferença entre sintoma comum e sinal de alarme

Dor no corpo, febre e manchas podem aparecer em dengue sem gravidade. Sinal de alarme é diferente: indica maior risco de evolução desfavorável e muda a conduta. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento, tontura, sonolência, irritabilidade, falta de ar, pele fria ou pouca urina devem ser valorizados mesmo que a febre tenha melhorado.

Essa distinção evita dois erros: tratar toda dengue como emergência desde o primeiro sintoma ou, no extremo oposto, esperar em casa quando aparecem sinais de piora. A vigilância é mais importante entre o terceiro e o oitavo dia do início da febre.

O que torna dengue perigosa é a evolução, não só a febre

Dengue costuma começar como uma síndrome febril: febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos, dor de cabeça, mal-estar, náuseas e manchas na pele. O risco maior, porém, pode aparecer quando a febre começa a baixar. Essa fase, entre o terceiro e o sétimo dia em muitos casos, pode marcar o início da fase crítica.

Por isso, o acompanhamento deve olhar sinais de alarme e hidratação. A pergunta não é apenas “a febre baixou?”. A pergunta é: a pessoa está urinando bem, consegue beber líquidos, está alerta, sem dor abdominal importante, sem vômitos persistentes, sem sangramento e sem piora do estado geral?

AchadoComo interpretarPróximo passo
Febre, dor no corpo e dor atrás dos olhosCompatível com dengue, mas também com outras viroses.Observar evolução e buscar teste/orientação conforme contexto local.
Dor abdominal forte ou contínuaSinal de alarme possível.Procurar atendimento rápido.
Vômitos repetidos ou incapacidade de beberAumenta risco de desidratação e piora.Avaliação e hidratação orientada.
Sangramento, sonolência, irritabilidade, tontura ou pouca urinaPode indicar evolução desfavorável.Urgência, mesmo se a febre melhorou.

Exames: o tempo do sintoma muda o teste

Nos primeiros dias, testes que detectam o vírus ou antígeno, como NS1 ou métodos moleculares quando disponíveis, tendem a ser mais úteis. Depois de alguns dias, sorologia pode ganhar papel maior. Hemograma, hematócrito e plaquetas ajudam a acompanhar risco, mas não substituem avaliação clínica.

Uma queda de plaquetas isolada não define gravidade sozinha. O conjunto mais importante inclui sinais de alarme, pressão, pulso, hidratação, hematócrito, sangramentos, comorbidades e capacidade de retorno para reavaliação. Em dengue, exame “um pouco alterado” pode ser menos importante do que uma pessoa clinicamente piorando.

Hidratação e remédios: onde acontecem erros comuns

Hidratação é parte central do cuidado, mas deve respeitar tolerância, idade, doenças cardíacas ou renais e orientação recebida. Sinais simples ajudam a acompanhar: frequência urinária, sede intensa, tontura ao levantar, boca seca, prostração e capacidade de manter líquidos.

Anti-inflamatórios como ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco e ácido acetilsalicílico devem ser evitados quando dengue é possibilidade, salvo orientação médica específica, por risco de sangramento. Paracetamol e dipirona são opções comuns para febre e dor, mas também exigem dose correta e atenção a doença hepática, alergias, uso de álcool e outros medicamentos.

Quem não deve acompanhar de forma leve

Gestantes, crianças pequenas, idosos, pessoas com doença renal, cardíaca, hepática, diabetes, anemia falciforme, imunossupressão ou uso de anticoagulantes precisam de margem de segurança maior. O mesmo vale para quem mora sozinho, tem dificuldade de voltar ao serviço de saúde ou não consegue manter hidratação.

Dengue sem sinais de alarme pode ser acompanhada com orientação e retorno programado; dengue com dor abdominal, vômitos persistentes, sangramento, tontura, sonolência, falta de ar, pele fria, pouca urina ou piora importante deve ser reavaliada rapidamente.

Como organizar a vigilância em casa quando o caso é leve

Quando o serviço de saúde orienta acompanhamento domiciliar, a família pode usar uma rotina simples: anotar dia da febre, temperatura, líquidos ingeridos, urina, vômitos, dor abdominal, sangramentos e nível de alerta. Essa lista não substitui atendimento, mas ajuda a perceber mudança de padrão.

O retorno programado é importante porque a fase crítica pode começar quando a febre melhora. Se houver sinal de alarme antes do retorno, a orientação muda: não esperar a consulta marcada. Em crianças, a recusa persistente de líquidos, sonolência incomum, irritabilidade intensa e diminuição de urina merecem atenção especial.

O que acompanharPor que importaSinal de preocupação
UrinaAjuda a estimar hidratação.Pouca urina ou urina muito escura.
VômitosPodem impedir hidratação oral.Vômitos persistentes.
ComportamentoMudança neurológica pode acompanhar gravidade.Sonolência, irritabilidade ou confusão.
SangramentosDengue pode alterar vasos e coagulação.Sangue em gengiva, nariz, fezes, vômito ou urina.

Por que dengue não deve ser tratada como gripe comum

Gripe, Covid, chikungunya, zika, leptospirose e outras infecções podem começar com febre e dor no corpo. Em áreas com circulação de dengue, a distinção pode depender de exame, evolução e contexto epidemiológico. A automedicação com anti-inflamatórios é um dos motivos para ser prudente antes de assumir que é “só virose”.

A prevenção também faz parte do cuidado individual. Quem está doente deve evitar novas picadas porque o mosquito pode se infectar ao picar uma pessoa com dengue e transmitir para outras. Repelente, telas e eliminação de criadouros continuam relevantes mesmo depois do diagnóstico.

O que muda no atendimento presencial

No atendimento, a equipe avalia pressão, pulso, hidratação, dor abdominal, sangramentos, estado mental, comorbidades e possibilidade de retorno. Dependendo do grupo de risco, podem ser solicitados hemograma, hematócrito, plaquetas e exames específicos para confirmar dengue. Em determinadas situações, o resultado do exame específico não deve atrasar hidratação ou observação.

A classificação clínica orienta se a pessoa pode ir para casa com retorno, se precisa observação, hidratação venosa ou atendimento de maior complexidade. Essa decisão é dinâmica: alguém pode começar como caso leve e mudar de grupo se surgirem sinais de alarme.

Depois da melhora aparente

Na recuperação, a pessoa costuma voltar a se alimentar e se hidratar melhor, a diurese melhora e o estado geral se estabiliza. Mesmo assim, cansaço pode persistir por alguns dias. Retomar treino intenso ou rotina pesada cedo demais pode piorar mal-estar, principalmente se a hidratação ainda não voltou ao normal.

Se aparecem sangramentos, falta de ar, dor abdominal, vômitos, tontura importante ou piora do estado geral durante a recuperação, a orientação é reavaliar. A palavra “recuperação” não deve ser usada para ignorar sintoma novo.

Alimentação durante dengue

Não existe alimento capaz de resolver dengue. A alimentação deve ajudar hidratação, tolerância digestiva e manutenção de energia. Refeições leves, fracionadas, com água, soro de reidratação quando indicado, frutas, caldos, arroz, legumes, proteínas simples e alimentos que a pessoa consiga manter podem ser mais úteis do que regras rígidas.

Se houver vômitos, dor abdominal, sonolência, tontura ou piora, a prioridade deixa de ser escolher alimento e passa a ser avaliação. Chás, sucos, suplementos ou receitas caseiras não devem substituir hidratação orientada nem acompanhamento quando há sinais de alarme.

Vacina e prevenção não mudam o cuidado do episódio atual

Vacinação, quando indicada no calendário ou em campanha local, é uma medida preventiva. Ela não trata sintomas já iniciados. Quem está com suspeita de dengue deve seguir orientação clínica para aquele episódio e confirmar depois, com serviço de saúde, se tem indicação futura de vacina conforme idade, histórico e disponibilidade.

Também vale lembrar que dengue pode acontecer mais de uma vez, por sorotipos diferentes. Uma infecção anterior não deve ser usada como motivo para ignorar febre nova em período de circulação do vírus. O histórico ajuda o profissional a estimar risco, mas não dispensa avaliação quando surgem sinais de alarme.

Quando houver surto local, escolas, famílias e locais de trabalho precisam reforçar eliminação de criadouros. O cuidado individual melhora quando a comunidade reduz água parada, fecha recipientes e diminui o acesso do mosquito ao ambiente doméstico.

Fontes adicionais desta ampliação

  • CDC: sintomas e testes para dengue
  • CDC: sinais de alarme e classificação clínica
  • Ministério da Saúde: diagnóstico e manejo clínico da dengue
  • WHO: dengue and severe dengue

Fontes úteis

  • CDC: sintomas, sinais de alerta e testes para dengue
  • CDC: cuidado clínico da dengue
  • Ministério da Saúde: dengue
  • WHO: vacinas contra dengue

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Fontes de vitamina D e B12: alimentos, sol e suplementação

24 de outubro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

A vitamina D e a vitamina B12 têm funções diferentes, mas as duas aparecem com frequência em exames e dúvidas de consultório. A vitamina D participa da absorção de cálcio e da manutenção de ossos e músculos. A vitamina B12 é essencial para formação de glóbulos vermelhos, funcionamento neurológico e síntese de DNA. Deficiências podem causar sintomas importantes, mas o tratamento correto depende de dieta, exposição solar, absorção intestinal, idade, doenças e medicamentos em uso.

Em pessoas com deficiência confirmada, dieta pode ajudar, mas suplementação ou investigação médica podem ser necessárias.

Vitamina D: alimentos e sol

A vitamina D é encontrada naturalmente em poucos alimentos. Peixes gordurosos, óleo de fígado de bacalhau, sardinha, salmão, gema de ovo e fígado fornecem alguma quantidade. Em muitos países, leites, cereais e bebidas vegetais podem ser fortificados. Mesmo assim, a principal fonte para muitas pessoas é a produção na pele após exposição à radiação ultravioleta B do sol.

Dizer “basta tomar 10 minutos de sol” é simplificação excessiva. A produção depende de horário, estação do ano, latitude, cor da pele, idade, uso de roupas, protetor solar, poluição e tempo real de exposição. Além disso, exposição solar sem cuidado aumenta risco de dano cutâneo. Pessoas com histórico de câncer de pele, melasma, uso de medicamentos fotossensibilizantes ou orientação dermatológica específica devem individualizar a conduta.

Salmão, uma fonte alimentar de vitamina D

Vitamina B12: fontes alimentares

A vitamina B12 está presente principalmente em alimentos de origem animal: carnes, peixes, ovos, leite, iogurte, queijos e vísceras. Alimentos vegetais não fortificados, em geral, não são fontes confiáveis de B12 ativa para humanos. Por isso, pessoas veganas, vegetarianas estritas ou com baixa ingestão de alimentos animais precisam planejar a reposição com alimentos fortificados ou suplemento orientado.

Além da dieta, a absorção importa. Gastrite atrófica, cirurgia bariátrica, doença intestinal, uso prolongado de metformina ou inibidores de bomba de prótons e idade avançada podem reduzir absorção. Nesses casos, comer mais alimentos com B12 pode não ser suficiente.

Comparação rápida

NutrienteFontes principaisQuem tem maior risco de deficiência
Vitamina DSol, peixes gordurosos, gema, fígado, alimentos fortificadosPouca exposição solar, idosos, pele mais escura, obesidade, má absorção, doença renal/hepática
Vitamina B12Carnes, peixes, ovos, leite e derivados, fortificadosVeganos, bariátricos, idosos, usuários de metformina ou redutores de acidez, doenças intestinais

Alimentos fontes de vitamina D

  • Óleo de fígado de bacalhau e peixes gordurosos, quando fazem parte da dieta.
  • Salmão, sardinha, arenque, truta e atum.
  • Gema de ovo e fígado, em quantidades menores.
  • Leite, bebidas vegetais, cereais ou iogurtes fortificados, quando o rótulo confirma adição.

A vitamina D também conversa com o cálcio. Sem vitamina D adequada, a absorção de cálcio cai, o que afeta saúde óssea. Por isso, textos sobre vitamina D e fontes de cálcio além do leite devem ser lidos como temas complementares.

Alimentos fontes de vitamina B12

Fígado e alimentos de origem animal podem fornecer vitamina B12
  • Carnes bovina, suína e de aves.
  • Peixes e frutos do mar.
  • Ovos, leite, iogurte e queijos.
  • Alimentos fortificados, como algumas bebidas vegetais e cereais.

Quem não consome alimentos animais deve procurar rótulos com B12 adicionada e discutir suplementação. A deficiência de B12 pode causar anemia, formigamentos, alterações de memória, fraqueza, glossite e sintomas neurológicos. Quando há sintomas neurológicos, não é prudente tentar corrigir apenas com dieta sem avaliação.

Quando pedir exame ou considerar suplemento?

Converse com um profissional se você

  • Tem dieta vegana ou vegetariana estrita.
  • Fez cirurgia bariátrica ou tem doença intestinal.
  • Usa metformina, omeprazol ou similares por longo período.
  • Tem osteopenia, osteoporose, quedas, fraturas ou pouca exposição solar.
  • Apresenta anemia, formigamento, fraqueza ou dor óssea sem explicação.

Suplementos podem ser úteis, mas dose alta sem necessidade não é sinônimo de mais saúde. O ideal é confirmar deficiência, identificar causa e acompanhar resposta. Em nutrição clínica e prevenção, contexto vale mais do que uma lista isolada de alimentos.

Na prática, vitamina D e B12 pedem perguntas diferentes. Para vitamina D, o exame mais usado é 25-hidroxivitamina D, interpretado junto com risco ósseo, exposição solar, dieta, rim, fígado e medicamentos. Para B12, sintomas neurológicos, anemia, cirurgia bariátrica, dieta vegana, idade avançada, metformina e redutores de acidez mudam a urgência e a forma de reposição.

Se há formigamento, alteração de marcha, confusão, anemia importante, fratura, osteoporose ou deficiência recorrente, não trate apenas com lista de alimentos. A investigação da causa evita correção parcial e recaída.

Deficiência nem sempre é falta de comer

Uma pessoa pode ter deficiência de vitamina D por pouca exposição solar, mas também por má absorção, obesidade, doença renal, doença hepática ou uso de medicamentos que interferem no metabolismo. Da mesma forma, deficiência de B12 pode ocorrer em alguém que come carne, se houver baixa acidez gástrica, cirurgia bariátrica, gastrite autoimune ou uso prolongado de medicamentos que reduzem absorção.

Por isso, exames devem ser interpretados junto com história clínica. Um número baixo pede pergunta adicional: por que está baixo? Sem essa etapa, a pessoa pode suplementar por meses e voltar a cair, ou tomar dose inadequada para o seu risco. Em B12, sintomas neurológicos merecem atenção especial porque podem persistir se o tratamento demorar.

Como ler rótulos de alimentos fortificados

Produtos fortificados podem ajudar, mas é preciso conferir o rótulo. Procure a quantidade por porção e veja se a porção indicada corresponde ao que você realmente consome. Bebidas vegetais fortificadas devem ser agitadas antes de servir, porque parte dos minerais pode se depositar no fundo. Cereais fortificados podem trazer B12 e vitamina D, mas também açúcar; a escolha deve considerar o alimento inteiro, não apenas uma vitamina adicionada.

Em dietas veganas, a B12 é ponto não negociável. Algas, fermentados e cogumelos não devem ser usados como fontes principais sem comprovação de fortificação adequada. A forma mais segura costuma ser suplemento ou alimento fortificado com acompanhamento, especialmente para gestantes, lactantes, crianças e idosos.

Combinações que fazem sentido

Para saúde óssea, vitamina D funciona junto com cálcio, proteína, exercício resistido, equilíbrio e prevenção de quedas. Para B12, o plano pode envolver dieta, dose oral alta ou aplicação, conforme causa e gravidade. O objetivo não é perseguir megadoses, e sim corrigir deficiência, manter níveis adequados e tratar sintomas. Excesso de suplemento sem necessidade aumenta custo, confunde exames e pode dar falsa sensação de proteção.

Fontes úteis

  • NIH ODS: Vitamin D fact sheet
  • NIH ODS: Vitamin B12 fact sheet

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades, Nutrição

Escitalopram engorda? Peso, apetite e cuidados

24 de outubro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Escitalopram pode se associar a mudança de peso em algumas pessoas, mas o efeito varia. Depressão, ansiedade, sono, apetite, atividade física, dose, tempo de uso e outros remédios também interferem. Não suspenda antidepressivo por medo de peso sem orientação.

ESCITALOPRAM, conhecido também pelo nome comercial Lexapro, pertence aos medicamentos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, chamados de antidepressivos.

Escitalopram e peso: o que observar

Em resumo: Em escitalopram e peso, a resposta muda com indicação, tempo de uso, efeitos adversos, outras medicações, álcool, gravidez, idade e sintomas de alerta. A pergunta útil não é só se o remédio engorda, dá sono ou serve, mas quando o risco individual muda a orientação.

O que observarPor que muda a decisãoComo levar à consulta
Peso, sono, apetite e humorPodem ser efeito do remédio, da doença tratada ou de rotina.Anotar início, dose e mudança temporal.
Outros remédios e suplementosInterações podem aumentar efeitos indesejados.Levar lista completa.
Piora psíquica ou alergiaAlguns sinais exigem contato rápido.Não suspender por conta própria.
  • Anote dose, horário, início do tratamento e quando o sintoma apareceu.
  • Não interrompa antidepressivo, antibiótico, antifúngico ou analgésico sem orientação quando ele foi prescrito.
  • Procure ajuda rapidamente se houver alergia, falta de ar, desmaio, confusão, ideação suicida, sangramento ou piora intensa.

A lista transforma a dúvida em dados concretos: início, dose, horário, peso, sono, apetite, humor, álcool, outros remédios e momento em que o sintoma apareceu.

Para continuar no tema: Clínica Médica | Psiquiatria | Sintomas | Doenças

Essa classe de medicamentos é utilizada de forma bastante efetiva para o tratamento de várias doenças psiquiátricas como: transtorno de ansiedade, transtorno de fobia social, transtorno do pânico e depressão.

A depressão é um problema comum que pode influenciar na vida cotidiana, no humor, no apetite, na capacidade de trabalhar, gerando sentimento de culpa e baixa autoestima. É um problema de saúde mental que atinge pessoas em todo o mundo, sendo denominada como “mal do século” pela Organização Mundial de Saúde.

EscitalopramDescrição
O que é?O escitalopram é um medicamento antidepressivo que faz parte da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). Ele é utilizado no tratamento da depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Mecanismo de AçãoO escitalopram atua inibindo seletivamente a recaptação do neurotransmissor serotonina no cérebro. Isso ajuda a aumentar a disponibilidade da serotonina nas sinapses cerebrais, melhorando a comunicação entre as células nervosas e ajudando a regular o humor e a emoção.
Dosagem e AdministraçãoA dosagem do escitalopram varia de acordo com a condição a ser tratada e a resposta individual do paciente. Geralmente, a dose inicial recomendada é de 10 mg por dia, podendo ser aumentada para 20 mg por dia, se necessário. É importante seguir as instruções do médico e não ajustar a dose sem orientação profissional.

A depressão e outros transtornos mentais associados podem ser diagnosticados de forma confiável e tratados com medicamentos antidepressivos e psicoterapia.

A eficácia clínica dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina está relacionada a uma potencialização da transmissão serotoninérgica, aumentando a quantidade de serotonina do cérebro.

Escitalopram engorda?

Escitalopram e Ganho de PesoInformações
Efeito no PesoO escitalopram pode causar alterações no peso, sendo que em alguns casos pode ocorrer ganho de peso. No entanto, é importante destacar que nem todas as pessoas experimentam esse efeito colateral e os resultados podem variar de paciente para paciente.
MecanismoO mecanismo exato pelo qual o escitalopram pode causar ganho de peso não é totalmente compreendido. Acredita-se que isso possa ser devido a diferentes fatores, incluindo alterações no apetite, metabolismo e retenção de líquidos.
Fatores IndividuaisOutros fatores individuais, como estilo de vida, dieta e predisposição genética, também podem desempenhar um papel no potencial ganho de peso relacionado ao uso de escitalopram.
MonitoramentoSe você estiver tomando escitalopram e notar alterações significativas de peso, é importante informar ao seu médico. Ele poderá avaliar a situação e discutir opções de tratamento ou ajuste de medicamentos.
Estilo de Vida SaudávelAdotar um estilo de vida saudável, incluindo uma alimentação balanceada e prática regular de atividade física, pode ajudar a minimizar o ganho de peso e promover o bem-estar geral durante o tratamento com escitalopram.
Considerações FinaisEmbora o ganho de peso possa ser um efeito colateral do escitalopram em determinadas situações, é importante

O que é Serotonina?

Serotonina é uma substância química encontrada em várias espécies animais. Na espécie humana, encontra-se em diversos tecidos e órgãos, sendo que no sistema nervoso central contêm aproximadamente apenas 2% da serotonina total do corpo.

A serotonina é responsável por várias funções fisiológicas atuando, por exemplo, na regulação da função muscular, nos sistemas gastrointestinais e no controle do apetite.

SerotoninaDescrição
O que é?A serotonina, também conhecida como 5-hidroxitriptamina (5-HT), é um neurotransmissor que desempenha um papel fundamental no sistema nervoso central. Ela é sintetizada a partir do aminoácido triptofano e está envolvida em uma ampla gama de funções fisiológicas e comportamentais do corpo humano.
Síntese e MetabolismoA serotonina é produzida nos neurônios serotoninérgicos do sistema nervoso central e também em células do trato gastrointestinal. A síntese ocorre através de uma série de etapas enzimáticas, envolvendo a conversão do triptofano em 5-hidroxitriptofano (5-HTP) pela ação da enzima triptofano hidroxilase, seguida da conversão do 5-HTP em serotonina pela ação da enzima descarboxilase de aminoácidos aromáticos (AAAD).
FunçõesA serotonina desempenha diversas funções no organismo. Ela está envolvida no controle do humor, regulação do apetite, sono, cognição, sistema cardiovascular, função sexual e regulação da temperatura corporal. Além disso, a serotonina também desempenha um papel importante na transmissão de sinais neurais, permitindo a comunicação eficiente entre diferentes regiões do cérebro.
Receptores da SerotoninaA serotonina exerce seus efeitos através da ligação a diferentes tipos de receptores da serotonina presentes nas células-alvo. Existem vários subtipos de receptores da serotonina, incluindo os tipos 5-HT.

Tratamento com Escitalopram

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O medicamento Escitalopram pode influenciar tanto na perda quanto no ganho de peso. Se você analisar a bula do oxalato de Escitalopram, verá que um dos efeitos colaterais inclui o aumento do apetite. Então, quem utiliza Escitalopram, pode engordar em decorrência desse aumento de apetite[1].

Outro motivo que causa ganho de peso é o fato de que Escitalopram aumenta a serotonina e, com isso, o indivíduo passa a comer mais, conforme sua depressão ou transtorno de ansiedade diminui. Essas patologias afetam os hábitos alimentares, fazendo a pessoa ter menos apetite e prazer por comida.

O tratamento com Escitalopram faz esses sintomas diminuírem ou desaparecerem. Com isso, o indivíduo volta a sentir prazer em comer e, consequentemente, pode engordar.

escitalopram engorda

Estudo publicado pelo JAMA Psychiatry

Um estudo publicado em 2014 pelo JAMA Psychiatry investigou as alterações de peso ao longo de 12 meses em indivíduos que tomaram uma série de antidepressivos, incluindo Escitalopram. Os resultados indicaram que todos os medicamentos inibidores seletivos da recaptação da serotonina causaram um aumento gradual no peso dos participantes[2]. 

O ganho de peso mais significativo foi observado em homens jovens, incluindo aqueles que possuíam baixo índice de massa corporal antes de iniciar o tratamento.

O Escitalopram é o medicamento mais seletivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, sendo utilizado amplamente devido os seus efeitos antidepressivos e ansiolíticos, e por ser considerado uma droga segura. A sua administração se dá por via oral, em forma de comprimidos de 10 mg ou até 20 mg por dia.

Os comprimidos devem ser ingeridos uma vez ao dia, tomados em qualquer horário, preferencialmente sempre no mesmo horário. A dose recomendada pode variar dependendo do problema médico que deverá ser tratado.

Por exemplo, para o tratamento de depressão, a dose recomendada é de 10 mg por dia, sendo que essa dosagem pode ser aumentada para até 20 mg, dependendo da resposta individual do paciente. Normalmente, são necessárias 4 semanas para o paciente obter uma resposta antidepressiva.

Para tratar transtorno do pânico, a dose inicial é de 5 mg ao dia, sendo aumentada para 10 mg. Se o médico achar necessário, pode aumentar a dose até um máximo de 20 mg ao dia. A melhora dos sintomas é atingida após 3 meses e o tratamento é de longa duração.

Como o Escitalopram funciona?

Mecanismo de açãoDescrição
Inibição seletiva da recaptação de serotonina (SSRI)O escitalopram inibe seletivamente a recaptação de serotonina na fenda sináptica, aumentando a quantidade de serotonina disponível na fenda sináptica e permitindo uma melhor transmissão de serotonina.
Inibição da recaptação de serotonina-norepinefrina (SNRI)Escitalopram também inibe a recaptação de norepinefrina, resultando em aumento da disponibilidade de serotonina e norepinefrina na fenda sináptica.
Receptores de neurotransmissoresEscitalopram se liga a uma variedade de receptores de serotonina e norepinefrina no cérebro, incluindo os receptores 5-HT1A, 5-HT2A, 5-HT2C, 5-HT3, 5-HT6 e 5-HT7.
Sinalização NeuronalEscitalopram aumenta a sinalização neuronal aumentando a disponibilidade de serotonina e norepinefrina na fenda sináptica, resultando em melhor transmissão de serotonina e norepinefrina.
escitalopram engorda

Dose de Escitalopram

Grupo EtárioDosagem comum
Pediatria (12-17 anos)10 mg/dia a 20 mg/dia
Adultos (18 anos ou mais)10 mg/dia a 20 mg/dia


Contraindicações

O Escitalopram é contraindicado em casos de alergia a qualquer um dos componentes do medicamento. Não é recomendado usar Escitalopram juntamente com medicamentos inibidores da monoaminoxidase (IMAO), como alguns utilizados para o tratamento de Mal de Parkinson e o antibiótico linezolida.

Esteja atento também em casos de arritmia cardíaca, pois não se deve usar Escitalopram se o paciente estiver fazendo tratamento farmacológico sob essa condição.

Esse medicamento pode causar efeitos colaterais, então só o utilize sob prescrição médica. Alguns dos efeitos colaterais comuns, além da alteração no apetite, incluem: náuseas, coriza, constipação, boca seca, dores musculares, cansaço e distúrbios sexuais.

Busque avaliação médica se apresentar reações incomuns e encaminhe-se a um serviço de emergência se apresentar inchaço na língua, nos lábios ou na pele, acompanhado de falta de ar.

Tanto a perda quanto o ganho de peso podem causar problemas de saúde, afetando o bem-estar e a autoestima.

Por isso, se você estiver ganhando muito peso ao usar esse medicamento, procure um aconselhamento médico para que possa ser indicado algum medicamento alternativo para seu caso.

Mudanças no estilo de vida, incluindo uma dieta saudável e exercícios regulares, são essenciais na recuperação de problemas como depressão e transtornos de pânico e de ansiedade, ajudando a prevenir mudanças de peso indesejadas quando se faz uso de medicamentos antidepressivos.

REFERÊNCIAS:

BHOWMIK, D. et al. Depression – symptoms, causes, medications and therapies. The Pharma Innovation, v. 1, n. 3, 2012.

BLUMENTHAL, S. R. et al. An Electronic Health Records Study of Long-Term Weight Gain Following Antidepressant Use. JAMA Psychiatry, v. 71, n. 8, p. 889-896. 2014.

NETO, W. C. A. Efeitos do Escitalopram sobre a identificação de expressões faciais. 2008. Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2008. OXALATO DE ESCITALOPRAM. [bula]. São Paulo: EMS.

Fontes de apoio: MedlinePlus: escitalopram | FDA: Medication Guides

Referências bibliográficas2 fontes
  1. 1.
    Uguz F, Sahingoz M, Gungor B, Aksoy F, Askin R. Weight gain and associated factors in patients using newer antidepressant drugs. General hospital psychiatry. 2015 Jan 1;37(1):46-8.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Blumenthal SR, Castro VM, Clements CC, Rosenfield HR, Murphy SN, Fava M, Weilburg JB, Erb JL, Churchill SE, Kohane IS, Smoller JW. An electronic health records study of long-term weight gain following antidepressant use. JAMA psychiatry. 2014 Aug 1;71(8):889-96.
    Voltar [2]

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Restos de comida: por quanto tempo guardar?

24 de outubro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Restos de comida podem ser aproveitados com segurança quando são resfriados, armazenados e reaquecidos corretamente. O tempo para guardar depende do alimento, da temperatura, do recipiente e de quanto tempo a comida ficou fora da geladeira.

Contudo, o risco de proliferação de bactérias e microorganismos causadores de DTA (Doenças Transmitidas por Alimentos) elevam-se, quando a temperatura e o armazenamento das sobras é feito de forma incorreta.

Nesse sentido, é importante saber qual a melhor forma de guardar as sobras de comida e o mais importante, por quanto tempo é seguro consumi-las novamente.


Diferença entre congelar e manter sob refrigeração

O congelamento é feito em baixas temperaturas e tem a intenção de evitar a multiplicação de bactérias nos alimentos.

Logo, ele é a melhor opção quando os alimentos não são consumidos nos próximos dias, ou quando você quer impedir que eles apodreçam ou tornem-se perecíveis.

Em contrapartida, a refrigeração visa manter a temperatura dos alimentos fresca, impedindo contaminações ou que eles azedem.

Ela é indicada para alimentos que serão consumidos em até 3 dias após o preparo, e deve ser feita em acessórios específicos e limpos.


Tempo seguro na geladeira

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Os alimentos mantidos em refrigeração devem ser consumidos de 1 até 4 dias após o preparo.

Além disso, é necessário que eles sejam aquecidos ou fervidos em temperaturas acima de 80 graus toda vez que forem consumidos novamente.

Em contrapartida,alimentos congelados podem ser consumidos em uma fração bem maior de tempo, superiores a 6 meses.

No entanto, é necessário congelar estes alimentos assim que forem preparados e não devem ser descongelados e congelados novamente.


Dicas para armazenar e congelar os alimentos corretamente

Nunca congele comida ainda quente

Para armazenar ou congelar um alimento é preciso antes de mais nada, que ele esfrie por completo.

Sendo assim, espere que os alimentos fiquem mornos para evitar choques térmicos entre a temperatura dos alimentos e o refrigerador ou freezer.

Atenção aos alimentos crus

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Esses alimentos devem ser congelados uma única vez, seguindo a correta higienização de cada um deles.

Para isso, lave bem todas as folhas, cascas e as higienize com 1 colher de 5 mls de água sanitária para cada litro de água.

Assim, deixe-os imersos por 15 minutos e em seguida lave-os com água corrente antes de congelá-los.

Carnes e derivados

Devem ser armazenados frescos e livres de temperos, congele em porções menores e deixe-as no freezer.

Não os coloque sob a pia na hora de separar as porções, é indicado que eles saiam do mercado direto para o freezer sem contato com superfícies externas.

Frutas

Fatie as frutas em porções menores após higienizá-las. Se a fruta for consumida nos próximos dias pode ser colocada apenas sob refrigeração.

Em contrapartida, frutas que serão utilizadas para sucos devem ser colocadas no freezer, onde podem ficar armazenadas por até 6 meses.

Arroz e feijão

Devem ser mantidos refrigerados e consumidos no máximo em até 4 dias após o preparo.

Para isso, armazene-os em potes individuais para cada dia da semana, o congelamento é necessário nas porções que não serão consumidas nas próximas 24 horas.

Regra prática para sobras prontas

O maior erro é guardar a sobra tarde demais. Depois do preparo, o alimento deve sair da faixa de temperatura ambiente o quanto antes. Se ficou muitas horas na mesa, o risco não desaparece apenas porque depois foi para a geladeira.

SituaçãoConduta mais segura
Comida fora da geladeiraDescartar se ficou mais de 2 horas em temperatura ambiente; em calor forte, a margem é menor.
Sobra refrigeradaConsumir em 3 a 4 dias quando foi resfriada e armazenada corretamente.
CongelamentoAjuda a conservar por mais tempo, mas deve ser feito em recipiente limpo, porção pequena e com data.
Cheiro, cor ou textura alteradosNão prove para “testar”. Alteração sensorial é motivo para descartar.

Reaquecer bem reduz risco, mas não corrige armazenamento ruim. Crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas imunossuprimidas têm menor margem de segurança para alimentos mal refrigerados.

Para evitar dúvida, coloque data no pote, use recipientes rasos para resfriar mais rápido e guarde porções menores. Sobras misturadas, como arroz com carne ou molho, devem seguir a regra do ingrediente mais sensível, não do alimento que “parece” durar mais.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação quando o tema se liga a sintoma persistente, piora rápida, perda de função, febre, sangramento, falta de ar, dor intensa, alteração neurológica, uso de medicamentos ou decisão sobre exame e tratamento. O conjunto orienta diagnóstico, risco e acompanhamento.

Como acompanhar a evolução

  • Monte uma linha do tempo curta: início, evolução, fatores de piora e melhora.
  • Separe sintoma principal, sinais associados e impacto nas atividades.
  • Defina quando reavaliar se a melhora esperada não acontecer.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares
  • USDA FSIS: sobras e segurança alimentar
  • FDA: armazenamento seguro de alimentos

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Pomada para queimadura: como usar com segurança

24 de outubro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Pomada para queimadura só faz sentido depois de avaliar profundidade, extensão e local da lesão. Em queimaduras superficiais pequenas, o primeiro cuidado costuma ser resfriar a área com água corrente fria, proteger a pele e evitar produtos caseiros irritantes. Pomada não corrige uma queimadura profunda, infectada, química, elétrica ou extensa.

A decisão muda quando há bolhas grandes, pele esbranquiçada ou escurecida, dor intensa, perda de sensibilidade, queimadura em rosto, mãos, pés, genitais, articulações, ou quando a pessoa tem diabetes, imunossupressão ou dificuldade de cicatrização. Nesses cenários, escolher produto antes de examinar pode atrasar cuidado importante.

Quando pomada ajuda e quando atrapalha

SituaçãoLeitura práticaCuidado
Vermelhidão pequenaPode ser queimadura superficial.Resfriar e proteger antes de medicar.
Bolhas extensasMaior risco de dor e infecção.Não estourar por conta própria.
Pus, mau cheiro ou febrePossível infecção.Precisa avaliação.
Produto com antibióticoIndicação depende da lesão.Uso indevido pode irritar ou sensibilizar.

Como decidir o próximo passo

Evite manteiga, pasta de dente, óleo, receitas caseiras e gelo direto na pele. Se a queimadura é pequena e superficial, proteger com curativo limpo e observar dor, cor, bolhas e sinais de infecção costuma ser mais útil do que trocar de pomada várias vezes.

Produtos como sulfadiazina de prata têm usos específicos e não são necessários para toda queimadura leve. Já anestésicos, corticoides e antibióticos tópicos podem piorar irritação quando usados sem indicação. A pergunta central é: a pele está cicatrizando ou a lesão está piorando?

Procure atendimento se a queimadura for profunda, grande, circular, em área nobre, por produto químico ou eletricidade, ou se houver aumento de dor, vermelhidão se espalhando, secreção, febre ou dificuldade para movimentar a região.

Outro ponto é o tempo: uma queimadura superficial deve caminhar para melhora de dor e vermelhidão nos dias seguintes. Quando a pele parece pior, a área aumenta ou a pessoa precisa repetir analgésicos sem alívio, a questão deixa de ser “qual pomada” e passa a ser reavaliar profundidade e complicações.

Como funcionam as pomadas para queimaduras, como fazer uso delas e quais as melhores opções atualmente no mercado

As queimaduras na pele são lesões relativamente comuns, que podem atingir somente a camada externa da pele ou as camadas mais profundas, podendo até mesmo chegar às camadas dos músculos e ossos.

As queimaduras podem ser causadas por alguns fatores como por exemplo:

  • Excesso de calor
  • Excesso de frio
  • Descargas de eletricidade
  • Exposição a certos níveis de radiação
  • Contato com alguns tipos de produtos químicos
  • Pela fricção com alguns materiais.

Como tratar diferentes graus de queimadura

Antes de saber como tratar uma lesão por queimadura, é preciso entender de qual tipo de queimadura estamos falando, o que altera de maneira expressiva o tratamento necessário para ela.

Queimaduras de primeiro grau:

queimadura

São as queimaduras que atingem apenas a primeira camada mais exterior da pele, apresentando coloração avermelhada, sensação de calor e dores na região.

Para as queimaduras que se enquadram como sendo de primeiro grau, faça frio local nas primeiras horas após seu acontecimento e utilize pomadas na região, de maneira a manter a pele do local hidratada.

E caso haja muita dor, faça uso de medicamentos com ação analgésica.

Queimaduras de segundo grau:

São as queimaduras que geram bolhas e causam dores mais fortes. Nestes casos, as bolhas devem ser drenadas (jamais estouradas) e com ajuda médica, que posteriormente indicará a melhor pomada e medicações para seguir o tratamento e trazer alívio dos sintomas.

Queimaduras de terceiro grau:

O terceiro grau de queimaduras atinge todas as camadas da pele, destruindo até mesmo os terminais nervosos da região, fazendo com que possam ser indolores.

Este grau de queimadura pode causar sérios problemas e deformidades, sendo aconselhado a ida a um pronto socorro de maneira urgente, já que em alguns casos pode ser necessária a internação do paciente.

Qual pomada utilizar em queimaduras?

As opções abaixo se referem a queimaduras de primeiro grau. Queimaduras de segundo ou terceiro grau exigem avaliação médica.

  • Dexpantenol: pomadas compostas por Dexpantenol possuem a capacidade de auxiliar na regeneração das células da pele, além de hidratar e nutrir a camada, auxiliando no processo de cicatrização da lesão. Ela é muito conhecida pelo nome de mercado Bepantol, mas pode ser encontrada com diversos outros nomes quando vendido por outras farmacêuticas, e até mesmo de maneira genérica.
  • Desoximetasona: esta pomada pertence à família dos corticóides tópicos, possuindo ação anti-inflamatória, atuando na redução da vermelhidão, da irritação e da coceira na pele. Pode apresentar alguns efeitos colaterais, então antes de fazer seu uso leia bem a bula e entenda a posologia adequada para sua lesão.
  • Sulfadiazina de prata: esta é uma pomada que costuma ser associada ao tratamento de infecções e queimaduras, por possuir efeito anti inflamatório e antibacteriano, auxiliando no processo de cicatrização da pele e prevenindo possíveis infecções no local da lesão. A compra desta pomada costuma estar associada a necessidade de receita médica.
  • Sulfato de Neomicina + Bacitracina Zíncica: as pomadas compostas pela combinação de Sulfato de Neomicina e Bacitracina Zíncica representam uma combinação de dois compostos de ação antibiótica, prevenindo a aparição de infecções bacterianas, além de auxiliar no processo de cicatrização da lesão.

Além de ser comercializada com outros nomes e com a composição de maneira genérica, esta é uma pomada muito conhecida pelo nome de mercado Nebacetin, sendo muito utilizada para o propósito de ajudar na regeneração da pele após queimaduras de primeiro grau.

  • Colzen: além de ser capaz de acelerar o processo de cicatrização da pele, esta pomada possui ação antimicrobiana, auxiliando na prevenção de infecções no local da lesão. Possui colágeno, alginato de cálcio e nitrato de Cério em sua composição e seu uso costuma ser associado a indicação por parte de um profissional da área da saúde.

Quando não utilizar pomadas para queimadura?

Na maioria dos casos, as pomadas que são comercializadas sem a necessidade de uma receita médica, possuem poucas contra indicações e não conferem grandes perigos a quem estiver utilizando-as, porém, é importante manter a atenção para alguns possíveis casos antes de fazer uso delas:

  • Casos em que se apresenta sensibilidade a algum composto da formulação da pomada. Caso você saiba que tem uma sensibilidade com algo presente em sua composição, não faça uso do produto, e se reparar qualquer alteração ou piora do quadro após iniciar o uso de alguma pomada, descontinue seu uso imediatamente.
  • Mulheres grávidas ou em período de amamentação, que devem sempre buscar uma opinião médica antes de fazer uso de qualquer medicamento ou produto, mesmo que este seja de utilização tópica
  • Se tratando de queimaduras de segundo ou terceiro grau: busque auxílio médico.

Fontes úteis

  • AAD: dermatologia para o público
  • MedlinePlus: pele, cabelo e unhas
  • FDA: dispositivos estéticos

Fontes úteis

  • MedlinePlus: burns
  • MedlinePlus: minor burns aftercare
  • MedlinePlus: silver sulfadiazine topical

Arquivado em: Dermatologia

Nistatina com óxido de zinco clareia a pele?

24 de outubro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Nistatina com óxido de zinco não é clareador de pele. A pomada melhora vermelhidão, irritação, assadura ou candidíase cutânea quando há indicação correta; com isso, a pele pode parecer mais uniforme depois que a inflamação melhora. Isso é diferente de tratar melasma, manchas pós-inflamatórias, sardas ou hiperpigmentação com finalidade estética.

A pomada de  Nistatina + óxido de zinco é muito conhecida pela sua ampla gama de possibilidades de uso, mas é verdade que ela pode clarear a pele?

A pomada de nistatina com óxido de zinco é um medicamento de ação antifúngica, antibiótica, anti-inflamatória, cicatrizante e protetora da barreira natural da pele, tendo seu uso recomendado principalmente em casos de queimaduras, assaduras, candidíase na pele, psoríase, impetigo e eczema.

Ela pode ser encontrada em farmácias tanto como medicamento genérico com os nomes dos componentes Nistatina + óxido de zinco, ou com o nome comercial Dermodex. E por possuir uma formulação que permite uma baixa absorção por parte da pele, dispõe de uma baixa toxicidade e um baixo potencial de sensibilização de origem alérgica.


Mas afinal, é verdade que a Nistatina + óxido de zinco clareia a pele?

Esta é uma suposição que já circulou bastante pelos meios digitais, porém, não há comprovação alguma de que a Nistatina + óxido de zinco consiga efetivamente clarear a pele.

Uma vez que a pomada ajuda na restauração e no cuidado com a barreira cutânea, no caso de haver uma coloração diferente na pele devido à irritação de uma região tópica, pode ser que ao cuidar do local e restaurar a barreira de proteção natural da pele haja o clareamento da região, mas apenas se tratando deste caso envolvendo irritações cutâneas na área e não havendo relação direta com o clareamento, e sim com a redução dos sintomas da irritação.


Assim sendo, não é verdade que a  Nistatina + óxido de zinco possui a ação potencial de clarear a pele.

Além do que, no caso da presença de manchas na pele, há formas mais adequadas de amenizá-las e promover seu clareamento, utilizando compostos que possuam comprovação científica para tal efeito, como a vitamina C, e vários ácidos, como o kójico e o mandélico, de maneira que não há necessidade de se utilizar produtos sem potencial de clareamento comprovado.

Caso você deseje clarear alguma região do seu corpo que apresente manchas ou hiperpigmentações, busque por um profissional da área da dermatologia, que irá avaliar seu caso e lhe passará o produto ou tratamento mais adequado possível para gerar bons resultados em segurança.


Nistatina + óxido de zinco pode ajudar na cicatrização de espinhas?

Uma vez que a pomada de Nistatina + óxido de zinco possui ação anti-inflamatória e auxilia na proteção da pele, sim, pode-se dizer ela é capaz de auxiliar em alguns quadros de acne, por ser capaz de reduzir a inflamação e atuar na proteção da barreira natural da pele.

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Porém, é importante informar que existem diferentes tipos de acne e que ela pode ocorrer em diferentes graus, de maneira que é difícil qualificar um único produto para todas as formas e graus da doença.

Desta forma, a maneira mais adequada e direta de se lidar com a acne será sempre buscando por ajuda dermatológica, de maneira a identificar o tipo e grau em que ela está ocorrendo e iniciar um tratamento mais certeiro e responsável.


Modo de uso e indicações gerais ao fazer uso da pomada

A principal indicação de uso para a pomada de  Nistatina + óxido de zinco é a de limpar a região em que ela será utilizada, secar bem e aplicar uma fina camada do medicamento.

Dependendo do motivo de uso, a quantidade de aplicações por dia pode variar, costumando ter sua aplicação recomendada entre 1 e 3 vezes por dia dependendo da razão de seu uso.

Mesmo sendo a aplicação padrão da pomada, em alguns casos o médico responsável pode indicar modos de uso diferentes, nestes casos, siga sempre a indicação médica.


Contra indicações da Nistatina + óxido de zinco e possíveis efeitos colaterais envolvendo seu uso

A Nistatina + óxido de zinco não é indicada para pessoas que possuam hipersensibilidade a algum dos componentes presentes em sua formulação, e mulheres em período de gestação devem buscar sempre uma opinião médica ou de um cirurgião dentista antes de fazer uso de qualquer medicamento.

É também importante salientar que a pomada de  Nistatina + óxido de zinco foi formulada e é comercializada com o intuito de ser utilizada na pele, de maneira que sua ingestão é contra indicada, além de não ser recomendado o seu uso em regiões muito grandes de pele danificada ou ferida.

Em relação aos possíveis efeitos colaterais relacionados ao uso da pomada, mesmo sendo raros, podem incluir dermatites de contato, alergias a algum composto da formulação ou urticária na região em que ela foi aplicada.

Caso você desenvolva algum efeito adverso ao utilizá-la, como vermelhidão, coceira ou sensação de queimação na área de aplicação, suspenda seu uso de maneira imediata, limpe bem o local de maneira a retirar os resquícios do produto e busque o médico que a indicou para seu quadro original para relatar o ocorrido.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: medicamentos
  • FDA: uso seguro de medicamentos
  • Anvisa: medicamentos

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades

Nimesulida na gravidez: riscos e orientação

24 de outubro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Grávida não deve tomar nimesulida por conta própria. A nimesulida é um anti-inflamatório não esteroide, e essa classe exige cuidado especial na gestação, principalmente a partir de 20 semanas, quando anti-inflamatórios podem afetar rins do bebê e reduzir líquido amniótico. No fim da gravidez, também há preocupações fetais e obstétricas.

Se a grávida já tomou uma dose, o mais útil é não entrar em pânico e informar idade gestacional, dose, horário, motivo do uso e outros remédios ao obstetra. A orientação muda conforme trimestre, repetição de doses, dor, febre, doença de base e disponibilidade de alternativas mais seguras.

Por que o trimestre importa

MomentoLeitura práticaConduta
Antes de saber da gravidezUso isolado precisa contexto.Relatar ao obstetra.
Após 20 semanasRisco com anti-inflamatórios aumenta.Evitar sem orientação.
Final da gestaçãoMargem de segurança menor.Não automedicar.
Dor ou febre persistenteA causa também importa.Avaliar, não apenas trocar remédio.

O que discutir com o obstetra

Diga se há pressão alta, doença renal, sangramento, dor abdominal, febre, infecção suspeita, alergias, uso de anticoagulantes ou outros anti-inflamatórios. O médico pode orientar alternativa para dor ou febre e decidir se algum acompanhamento é necessário.

Não use nimesulida, ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, cetoprofeno ou outros anti-inflamatórios como se fossem equivalentes a analgésicos comuns na gestação. Eles pertencem a uma classe com riscos próprios.

Também é importante tratar a causa da dor. Dor de dente, sinusite, lombalgia, infecção urinária, febre e dor pélvica têm decisões diferentes na gravidez, e o remédio errado pode mascarar sinais relevantes.

Quando houver dor forte, febre ou inflamação na gravidez, a pergunta principal não é apenas qual analgésico usar. É preciso entender se há infecção, contrações, problema urinário, crise odontológica, pressão alta ou outra condição que muda o cuidado materno e fetal.

É sabido que mulheres, quando engravidam, precisam evitar o consumo de alguns medicamentos que podem fazer mal para o feto. Por conta disso, é fundamental que um médico seja consultado saber quais são permitidos durante essa fase e quais não são[1].

Como febre e dor são sintomas muito comuns em qualquer momento da vida, o uso de medicamentos para controlar esses sintomas é frequente, como é o caso da Nimesulida. Porém, antes de consumi-lo, é necessário entender tudo sobre o fármaco.

Advertências para mulheres grávidas que tomam nimesulida
Não tome nimesulida se estiver grávida ou planejando engravidar.
A nimesulida pode passar para o leite materno e prejudicar o bebê em amamentação.
Consulte seu médico antes de amamentar enquanto estiver tomando nimesulida.
A nimesulida pode causar danos ao feto em desenvolvimento.
Não use nimesulida durante a gravidez, a menos que seja recomendado pelo seu médico.

Confira abaixo para que serve a Nimesulida e se mulheres grávidas podem utilizar esse medicamento.

O que é Nimesulida?

A nimesulida é um anti-inflamatório não esteróide, com ação analgésica e antipirética. Sua função é inibir a produção da enzima responsável pela produção de substâncias inflamatórias no corpo.

Por conta disso, esse medicamento é indicado para aliviar dores, inflamações e febre[2].

Mecanismo de açãoDescrição
Inibição de COXA nimesulida é um anti-inflamatório não esteróide (AINE) que atua inibindo as enzimas ciclooxigenase (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas.
AntiinflamatórioA inibição da síntese de prostaglandinas reduz a inflamação ao diminuir a produção de mediadores pró-inflamatórios.
Alívio da dorA redução de prostaglandinas pode diminuir dor e inflamação; isso não torna o uso seguro na gestação sem orientação obstétrica.
AntipiréticoA nimesulida também é conhecida por reduzir a febre ao interferir no mecanismo de termorregulação do corpo, ajudando assim a reduzir a temperatura corporal.
nimesulida

Como é encontrado nas farmácias

Este medicamento pode ser encontrado em farmácias sob a forma de comprimidos, cápsulas, gotas, supositório ou pomada. Seu nome comercial mais comum é Nisulid e seu nome genérico é o próprio nome da substância ativa, Nimesulida.

Outros nomes comerciais comuns são Cimelide, Maxsulid, Nimesilam e Nortlid.

Para que serve a nimesulida

A Nimesulida pode ser utilizada no tratamento de diversas doenças ou sintomas, como:

  • Infecção urinária;
  • Dor de ouvido;
  • Dor de garganta;
  • Dor de dente;
  • Cólica menstrual;
  • Dor após cirurgia dentária;
  • Osteoartrite;
  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Dores nas articulações.

Sob a forma em gel ou pomada, a Nimesulida pode ser utilizada para aliviar dores musculares, dores nos tendões ou ligamentos, que tenham sido causadas por traumatismos.

Como a nimesulida age no organismo?

A nimesulida atua inibindo enzimas ciclo-oxigenases envolvidas na produção de prostaglandinas, substâncias relacionadas a dor e inflamação. Na gravidez, porém, entender o mecanismo não torna o uso seguro sem orientação obstétrica.

Inibindo a cicloxigenase, a nimesulida consegue atuar nas áreas afetadas pela inflamação, diminuindo sensação de dor.

A Nimesulida age muito rapidamente, dentro de aproximadamente 15 minutos após a ingestão para controle da dor. Quando usado na forma de pomada ou creme, sua ação demora um pouco mais.  Já em casos de febre, a atuação demora um pouco mais, mas o efeito dura cerca de 6 horas.

Qual a diferença entre nimesulida e ibuprofeno?

A Nimesulida e o ibuprofeno fazem parte do mesmo grupo de medicamentos: os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e, por isso, agem de maneira semelhante.

Contudo, a escolha entre um ou outro depende do médico, que avaliará o benefício em cada caso.

Quem não deve usar

Na gestação, o ponto principal é evitar automedicação com anti-inflamatórios. A partir de 20 semanas, a classe dos AINEs exige cautela maior por risco de alterações renais fetais e redução do líquido amniótico. Amamentação, doença renal, sangramento, pressão alta e uso de anticoagulantes também mudam a decisão.

Além disso, crianças menores de 12 anos, pacientes com úlcera no estômago, hemorragia ou sangramento no trato gastrointestinal, problemas de coagulação sanguínea, insuficiência cardíaca, renal ou hepática grave, pacientes com asma, rinite, insuficiência cardíaca grave, e distúrbios de coagulação graves não devem tomar este medicamento.

Pessoas que apresentem alergia a Nimesulida ou a qualquer outro componente da fórmula também não devem usar.

Advertências sobre nimesulida
Use com cautela
Pode causar danos ao fígado
Possíveis problemas gastrointestinais
Monitore a função hepática regularmente
Não use por mais de 15 dias
Não exceda a dose recomendada
Não é adequado para crianças menores de 12 anos

Efeitos colaterais da Nimesulida

Os efeitos colaterais da Nimesulida mais comuns são: diarreia, náuseas ou vômitos.

diarreia

Mais raramente, ou seja, que apareceram em menos de 1% dos pacientes sob tratamento, foram sintomas de coceira ou inchaço na pele, suor excessivo, prisão de ventre, aumento dos gases intestinais, gastrite, tonturas, vertigens ou aumento da pressão arterial.

Algumas pessoas relatam tontura ou sonolência com anti-inflamatórios, mas na gestação a discussão principal é segurança materno-fetal e indicação. Se houver mal-estar após uma dose, informe o obstetra e evite dirigir até estar bem.

Reações muitos raras, ou seja, que afetaram 1 a cada 10.000 incluem:

  • Urticária;
  • Edema angioneurótico;
  • Edema facial;
  • Eritema multiforme;
  • Dispepsia;
  • Estomatite;
  • Hemorragia gastrintestinal;
  • Cefaleia;
  • Outros distúrbios visuais e vertigem;
  • Falência renal;
  • Oligúria e nefrite intersticial;
  • Casos isolados de púrpura;
  • Pancitopenia;
  • Trombocitopenia;
  • Anafilaxia;
  • Hipotermia.

Lembre-se que não é recomendado se automedicar. Portanto, sempre consulte um médico para evitar que apresente algum efeito colateral ou que este medicamente interaja com algum outro que você estiver tomando.

Caso apresente qualquer um desses sintomas, seu médico deve ser informado e o uso desse medicamento suspendido.

Interações medicamentosas

Este medicamento não deve ser usado em conjunto com drogas que possam causar danos ao fígado.

Além disso, durante o tratamento com este medicamento, os pacientes devem evitar usar outros anti-inflamatórios não esteroidais, pois há risco de somação de efeitos, incluindo efeitos adversos, como a falência hepática quando utilizado no longo prazo.

Por conta disso, é fundamental que sempre consulte um médico antes de tomar qualquer medicamento, principalmente se estiver grávida ou amamentando.

Se tomou sem saber que estava grávida

Uso inadvertido de uma dose não deve virar pânico nem repetição por conta própria. A orientação mais útil é registrar nome do remédio, apresentação, quantidade, horário, idade gestacional, motivo do uso e sintomas que motivaram a tomada.

Após 20 semanas, uso repetido ou por mais de um dia merece contato mais rápido com o obstetra. Dor forte, febre, sangramento, pressão alta, dor abdominal, queda do estado geral ou suspeita de infecção precisam de avaliação da causa, não apenas troca de analgésico.

Fontes úteis

Referências citadas2 fontes
  1. 1.
    Ericson A, Källén BA. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs in early pregnancy. Reproductive toxicology. 2001 Jul 1;15(4):371-5.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Østensen ME, Skomsvoll JF. Anti-inflammatory pharmacotherapy during pregnancy. Expert opinion on pharmacotherapy. 2004 Mar 1;5(3):571-80.
    Voltar [2]
  • FDA: NSAIDs after 20 weeks of pregnancy
  • MedlinePlus: pregnancy and medicines
  • NCBI LiverTox: nimesulide

Arquivado em: Curiosidades, Clínica Médica, Dor

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