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Dedo em Gatilho: O que é? Causas, Sintomas e Tratamentos

2 de janeiro de 2023 by Dr. Carlos Roberto Babá

Dedo em gatilho é o travamento do dedo ou polegar por dificuldade do tendão flexor deslizar. Quadros leves melhoram com medidas conservadoras, tala ou infiltração, mas travamento fixo, dor progressiva, diabetes, artrite reumatoide ou vários dedos acometidos pedem avaliação mais cuidadosa.

Dedo em gatilho: como escolher o próximo passo

A decisão não depende só do nome do diagnóstico. Importa saber há quanto tempo trava, se o dedo destrava sozinho, se há dor na base do dedo, limitação para trabalhar, diabetes, doença inflamatória ou falha de tratamentos anteriores.

QuadroConduta comum a discutir
Sintomas leves e recentesAdaptação de atividades, anti-inflamatórios quando indicados e/ou tala.
Travamento doloroso recorrenteInfiltração com corticoide pode ser considerada.
Dedo preso ou falha de medidas iniciaisAvaliar liberação cirúrgica da polia.
Diabetes ou múltiplos dedosChance de recorrência e plano de tratamento podem mudar.

Como o tendão trava

O dedo em gatilho ocorre quando o tendão flexor e a polia A1, na base do dedo, deixam de deslizar sem atrito. O tendão pode engrossar e a polia estreitar, produzindo ressalto, clique ou bloqueio ao dobrar e estender o dedo. O dedo pode precisar da outra mão para destravar.

A causa nem sempre é identificável. O quadro é mais frequente em mulheres de meia-idade e em pessoas com diabetes ou artrite reumatoide; movimentos repetidos de preensão podem piorar os sintomas, mas não demonstram sozinhos a causa.

As opções de tratamento para o dedo em gatilho variam dependendo da gravidade da condição. Os casos leves geralmente podem ser tratados com repouso, medicamentos de venda livre e talas. Casos graves podem exigir injeções de esteroides ou cirurgia para aliviar os sintomas.

Sintomas

Dedo em Gatilho dor nos dedos
Dedo em Gatilho dor nos dedos
  • Travamento do dedo: o dedo travará em uma posição dobrada e não poderá ser endireitado.
  • Dor: a dor é sentida na base do dedo perto da palma.
  • Som de clique ou estalo: quando o dedo é dobrado, um som de clique ou estalo pode ser ouvido.
  • Sensibilidade: a área na base do dedo pode ser sensível ao toque.
  • Pode haver sensibilidade ou um pequeno nódulo na base do dedo, na palma; inchaço articular não é o achado que define o diagnóstico.
  • Rigidez: o dedo afetado pode parecer rígido e difícil de mover.
  • Dificuldade em segurar objetos: você pode ter dificuldade em segurar objetos.

Fatores associados e mecanismo

  • A causa de muitos casos não é clara. Movimentos repetidos de preensão podem estar associados ou agravar sintomas, mas não provam a causa.
  • Diabetes: está associado a maior chance de dedo em gatilho e pode reduzir a resposta à infiltração com corticosteroide.
  • Artrite reumatoide: é uma condição associada; dor e inchaço articular também podem explicar sintomas sem o travamento do tendão.
  • Gota: crises dolorosas e inchadas podem confundir a avaliação, mas não são uma causa usual do travamento mecânico na polia.
  • Amiloidose: é uma condição menos comum associada ao dedo em gatilho; um nódulo na base do dedo também pode ser espessamento do próprio tendão.
  • Lesão: um trauma pode causar dor ou limitar movimento por outros motivos; não se deve presumir que seja dedo em gatilho sem o padrão de ressalto.
  • Infecção não é uma causa comum de dedo em gatilho. Calor, vermelhidão, inchaço intenso ou febre pedem avaliação rápida para outra condição.
  • Mecanismo: o tendão pode engrossar e a polia A1 estreitar, criando incompatibilidade que dificulta o deslizamento; “inflamação” isolada não explica todos os casos.

Diagnóstico

O diagnóstico costuma ser clínico: a história do travamento e o exame da mão, incluindo sensibilidade sobre a polia na base do dedo e o movimento do tendão, geralmente bastam. Radiografia não confirma dedo em gatilho; pode ser solicitada quando a história ou o exame sugerem outra causa de dor.

O teste de Finkelstein é usado para investigar tenossinovite de De Quervain no punho; não é um teste diagnóstico de dedo em gatilho. Ultrassom ou outros exames de imagem ficam reservados a situações em que o exame clínico não esclarece o diagnóstico ou há suspeita de outra alteração.

A decisão depende da duração, do grau de travamento, da dor e do impacto funcional. Adaptação de atividade, tala noturna e infiltração com corticosteroide são opções; anti-inflamatórios podem aliviar dor, mas não corrigem por si só o estreitamento da polia.

O que se avaliaO que o achado pode esclarecer
Palpação da base do dedoSensibilidade ou espessamento sobre a polia A1.
Flexão e extensão ativaEstalido ou travamento durante o movimento do tendão.
Teste de FinkelsteinNão diagnostica dedo em gatilho; é usado na avaliação de dor compatível com De Quervain no punho.
Amplitude e funçãoGrau de rigidez e impacto na mobilidade do dedo.
Radiografia ou outros examesNão são necessários de rotina; podem investigar outra causa quando houver dúvida clínica.
UltrassomPode ser considerado quando o exame clínico não esclarece a alteração.

Outras causas de dor ou travamento na mão

  • Dor na bainha do tendão sem o ressalto típico pode ter outra origem; a localização e o exame ajudam a distinguir.
  • Artrite Reumatoide: Uma doença autoimune que causa inflamação das articulações.
  • Gota: crises articulares inflamatórias podem causar dor e inchaço, mas não produzem necessariamente o travamento mecânico típico.
  • Síndrome do túnel do carpo: a compressão do nervo mediano pode causar formigamento ou dormência, sem o ressalto do dedo.
  • Cisto ganglionar: um nódulo cheio de líquido perto de articulação ou tendão pode causar dor ou limitar movimento, mas é uma alteração diferente.
  • Tenossinovite de De Quervain: causa dor no lado do punho próximo ao polegar; o teste de Finkelstein pode fazer parte dessa avaliação, não da avaliação do dedo em gatilho.

Possibilidades iniciais de tratamento

O tratamento inicial para o dedo em gatilho pode incluir repouso, talas e medicamentos anti-inflamatórios. Descansar o dedo afetado é importante para reduzir a inflamação e a irritação. A imobilização do dedo pode ajudar a mantê-lo em uma posição reta, reduzindo as chances de travamento.

Anti-inflamatórios ou analgésicos podem aliviar dor em algumas pessoas, mas não abrem a polia estreitada; riscos, contraindicações e formulação devem ser considerados antes do uso.

Alongamentos suaves podem aliviar rigidez e preservar amplitude de movimento; se aumentarem a dor ou o travamento, não force o dedo. Tala noturna e ajuste de atividades podem ser discutidos conforme o padrão dos sintomas.

Injeções de medicamentos corticosteroides podem ser usadas para reduzir a inflamação e aliviar a dor.

Medicamentos para tratamento do dedo em gatilho

  • Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) esses medicamentos reduzem a inflamação, o inchaço e a dor associados ao dedo em gatilho.
  • Corticosteróides: Esses medicamentos reduzem a inflamação e permitem um melhor movimento do dedo afetado.
  • A lidocaína é anestésico local e não reduz a inflamação da bainha. A infiltração terapêutica para dedo em gatilho costuma usar corticosteroide; a composição e a indicação são definidas no procedimento.

Vou precisar de cirurgia?

O procedimento libera a polia A1 para dar mais espaço ao tendão; costuma ser considerado quando o quadro é intenso, o dedo fica bloqueado ou outras medidas não ajudam.

Após a liberação, o movimento dos dedos costuma ser iniciado conforme a orientação recebida. Dor e inchaço são possíveis; terapia da mão pode ser indicada se rigidez, inchaço ou dor persistirem.

Muitas pessoas melhoram após a liberação, mas o resultado, a recuperação e os riscos dependem do quadro e da técnica.

Como reduzir irritação durante as atividades

A causa exata nem sempre é conhecida. Movimentos repetitivos podem agravar sintomas, mas não provam que causaram a condição. Pausas ou ajustes de tarefa podem reduzir desconforto quando um gesto específico piora o travamento; não há exercício preventivo comprovado para todos.

Alongamento ou massagem não devem forçar o dedo nem ser apresentados como prevenção comprovada; interrompa se aumentarem a dor ou o travamento.

Se uma tarefa específica piora o travamento, altere temporariamente a forma de segurar o objeto ou faça pausas que reduzam a irritação. Isso pode ajudar no conforto, mas não previne todos os casos; artrite e diabetes precisam de cuidado próprio, sem promessa de que exercícios gerais evitem o dedo em gatilho.

Recuperação e acompanhamento

O prognóstico para o dedo em gatilho é geralmente bom, com a maioria dos casos respondendo bem ao tratamento. Geralmente, os sintomas podem ser controlados com medidas simples, como repouso, talas e evitar atividades que agravam a condição.

A cirurgia libera a polia para permitir o deslizamento do tendão. Muitas pessoas melhoram após o procedimento, mas o resultado, o tempo de recuperação e os riscos dependem do quadro e da técnica; não há um percentual único aplicável a todos.

Diabetes pode estar associado a maior chance de dedo em gatilho e a resposta menos previsível a algumas medidas. Isso não significa que o tendão esteja necessariamente se deteriorando; a decisão considera função, gravidade e resposta ao tratamento.

Após o tratamento, reavalie se o dedo destrava, se a dor e a amplitude mudaram e se a preensão voltou a permitir as tarefas habituais; persistência do bloqueio pede revisão do plano.

Quando procurar avaliação

Procure avaliação se o dedo fica preso, se há perda de função, dor progressiva, vários dedos acometidos, diabetes, artrite reumatoide, calor/vermelhidão importante, trauma ou falha de medidas iniciais após algumas semanas.

Como acompanhar o próximo passo

Acompanhe qual dedo trava, horário de piora, atividade que desencadeia, intensidade da dor e se destrava sozinho ou com ajuda. Essas informações orientam escolha entre adaptação, tala, infiltração e avaliação cirúrgica.

Fontes úteis

  • AAOS OrthoInfo: Trigger Finger
  • AAOS: Carpal Tunnel Syndrome
  • NHS: Ganglion cyst
  • Mayo Clinic: De Quervain tenosynovitis

Arquivado em: Ortopedia, Reumatologia, Sintomas de A-Z

Luxação ou fratura: diferenças e primeiros cuidados

2 de janeiro de 2023 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Fratura é quebra ou trinca no osso; luxação é perda do encaixe normal de uma articulação. As duas podem causar dor intensa, deformidade e incapacidade de mexer, e ambas podem exigir urgência quando há trauma, alteração de cor, dormência, ferida ou deformidade.

Por que luxação e fratura podem parecer iguais

Depois de uma queda ou pancada, dor, inchaço e deformidade podem aparecer tanto em fratura quanto em luxação. A diferença anatômica é importante: na fratura, o problema está no osso; na luxação, a articulação saiu do lugar. Mas na prática uma lesão pode vir acompanhada da outra, além de machucar ligamentos, nervos e vasos.

SinalPor que importa
Deformidade visívelPode ocorrer em luxação ou fratura deslocada.
Incapacidade de apoiar ou usarSugere lesão relevante.
Dormência ou mão/pé frioPode indicar comprometimento de nervo ou circulação.
Ferida sobre a lesãoRisco de fratura exposta ou infecção.
Dor progressiva e inchaço tensoPrecisa avaliação rápida.

Não tente “colocar no lugar” uma articulação deformada. A manobra errada pode piorar lesão de vaso, nervo, cápsula articular ou osso. O cuidado inicial é imobilizar como está, retirar anéis se houver inchaço em mão ou dedo, aplicar frio com proteção e procurar atendimento.

Como o médico diferencia

O exame físico avalia pulso, cor, sensibilidade, movimento, deformidade e dor localizada. Radiografia costuma ser o primeiro exame para confirmar fratura, luxação ou alinhamento. Em algumas situações, tomografia ou ressonância ajudam a ver detalhes articulares, cartilagem, ligamentos ou fraturas pequenas.

Depois da redução de uma luxação, ainda pode ser necessário reavaliar estabilidade, nervos e risco de recorrência. Depois de uma fratura, o plano depende de alinhamento, articulação envolvida, idade, desvio, estabilidade e função esperada.

O que muda a recuperação

Luxações tendem a exigir redução, imobilização e reabilitação para recuperar movimento e estabilidade. Fraturas podem precisar de tala, gesso, bota, cirurgia ou controle com radiografias. A volta ao esporte ou trabalho depende de cicatrização, força e segurança, não apenas de ausência de dor.

Uma lesão aparentemente simples no dedo, ombro, cotovelo, tornozelo ou joelho pode deixar rigidez se for negligenciada. Por outro lado, imobilização longa demais também atrasa recuperação. O equilíbrio entre proteção e reabilitação é parte do tratamento.

Na consulta, pergunte se houve lesão associada de ligamento, se precisa de nova imagem, quanto tempo de proteção é esperado e quais movimentos já podem começar.

Algumas pistas ajudam no primeiro momento. Dor no osso ao apertar um ponto específico, estalo seguido de incapacidade de apoiar, encurtamento aparente do membro ou rotação anormal sugerem lesão estrutural relevante. Já uma articulação “fora do lugar” ou que perdeu o alinhamento natural faz pensar em luxação.

Mesmo assim, a aparência engana. Fraturas pequenas do punho, pé, costela ou colo do fêmur podem ter pouca deformidade no início. Luxações podem voltar parcialmente ao lugar antes do atendimento e ainda deixar lesão de ligamento ou cartilagem. É por isso que a história do trauma e a função importam tanto.

O cuidado em casa deve ser limitado ao seguro: retirar objetos apertados, proteger a área, evitar apoiar, usar frio com barreira e manter a parte lesionada imóvel. Manipular, puxar, massagear forte ou “testar se mexe” pode piorar a lesão.

Depois do atendimento, a reabilitação tem objetivos diferentes. Fratura precisa consolidar; luxação precisa recuperar estabilidade e prevenir novo episódio. Dor reduzida antes do tecido estar pronto não autoriza retorno completo ao esporte ou trabalho físico.

Em crianças e idosos, a margem de segurança é menor. Crianças podem ter lesões na placa de crescimento; idosos podem fraturar com quedas aparentemente simples, especialmente quando há osteoporose ou uso de medicamentos que aumentam risco de queda.

O tempo de recuperação varia porque a lesão não é apenas “osso ou articulação”. Ombro luxado, dedo fraturado, tornozelo torcido com avulsão óssea e fratura do punho têm prazos, riscos e reabilitações diferentes. Comparar com outra pessoa costuma confundir mais do que ajudar.

Um bom plano pós-trauma deve indicar o que proteger, o que mover, quando revisar e qual sinal exige retorno. Essa sequência reduz rigidez, nova luxação e consolidação inadequada.

O controle da dor não deve apagar a vigilância. Se a região fica mais inchada, fria, azulada, dormente ou dolorosa apesar de imobilização, a circulação e os nervos precisam ser rechecados.

Em esportes de contato, queda, bicicleta, moto ou trabalho em altura, a energia do trauma também conta. Mecanismo de alta energia aumenta a chance de lesões associadas mesmo quando a radiografia inicial parece simples.

Por isso, revisão após alguns dias pode ser tão importante quanto o atendimento inicial, sobretudo se dor e inchaço não seguem a melhora esperada.

Fontes usadas

  • MedlinePlus: dislocation
  • MedlinePlus: broken bone

Mapa prático da dor

CaracterísticaO que anotar
InícioSurgiu após esforço, queda, treino, viagem, infecção ou foi gradual?
LocalizaçãoÉ pontual, em faixa, profunda, superficial ou irradia para braço, perna ou tórax?
FunçãoLimita caminhar, respirar, dormir, trabalhar, pegar peso ou fazer movimentos simples?
Sinais associadosDormência, fraqueza, febre, perda de peso, falta de ar ou inchaço mudam a urgência.
EvoluçãoMelhora em dias, volta sempre ou piora progressivamente?

O que pode ajudar a consulta

  • Leve uma escala simples de 0 a 10 para dor em repouso e movimento.
  • Anote remédios, compressas, exercícios ou repouso que ajudaram ou pioraram.
  • Evite insistir no movimento que reproduz dor forte ou perda de força.
  • Procure atendimento urgente se houver trauma importante, fraqueza progressiva, dor no peito, falta de ar ou alteração neurológica.

Por que a causa importa

Duas pessoas com dor no mesmo lugar podem precisar de condutas diferentes. A decisão pode envolver ajuste de carga, exercício progressivo, fisioterapia, medicação, exame ou investigação de sinais sistêmicos.

Quando a dor dura semanas, acorda à noite, volta sempre ou limita atividades básicas, vale deixar de tratar apenas o sintoma e investigar o padrão que mantém o problema.

A luxação ocorre quando um osso é deslocado de sua articulação. A urgência de tratamento é maior para as luxações do que para as fraturas, pois é necessário colocar o osso de volta em sua posição rapidamente. O tratamento inclui a redução, imobilização e recuperação, que podem ser feitos através de talas ou imobilizações circulares. O período de recuperação geralmente leva de quatro a seis semanas.

As fraturas ocorrem quando um osso é quebrado. O tratamento também inclui a redução, imobilização e recuperação, mas às vezes pode ser necessário o tratamento cirúrgico. O período de recuperação varia dependendo do tipo e gravidade da fratura.

É importante lembrar que ambas as luxações e fraturas exigem tratamento médico imediato. Não ignore esses problemas, pois eles podem levar a complicações graves se não forem tratados corretamente.”

Luxação: quando a articulação sai do lugar

Uma luxação é uma lesão que ocorre quando uma articulação (ponto de junção entre dois ossos) sai do lugar. Ela pode ser causada por um trauma direto, como uma pancada, ou por um trauma indireto, como um movimento brusco. A luxação pode ser classificada como aberta ou fechada, dependendo de se há ou não uma ferida na pele próxima à articulação.

Tratamento da Luxação

O tratamento da luxação inclui:

  • Redução da articulação
  • Imobilização
  • Recuperação

É importante que a redução da luxação seja feita o mais rapidamente possível, geralmente dentro de 30 a 60 minutos após o trauma, para evitar complicações. Após a redução, a articulação deve ser imobilizada para evitar que ela saia do lugar novamente e para permitir que a recuperação ocorra. A recuperação inclui exercícios de fortalecimento e alongamento para ajudar a restaurar a mobilidade e a força da articulação afetada.

É importante que a luxação seja tratada corretamente para evitar problemas futuros com a articulação. Se você sofreu uma luxação, é importante procurar um médico o mais rápido possível para iniciar o tratamento adequado.

Na luxação, a urgência é maior do que na fratura. Quando temos uma luxação, é importante reduzir imediatamente e imobilizar a articulação por um período. Isso pode ser feito através de talas ou imobilizações circulares. Se a luxação não puder ser colocada no lugar dentro das próximas 24 horas, podemos colocar uma imobilização provisória por algumas semanas até que possa ser tratada com fisioterapia.

De maneira geral, o período de recuperação para uma luxação é de quatro a seis semanas, mas às vezes podemos retirar a imobilização com duas semanas e iniciar a fisioterapia com cuidado. É importante lembrar que a luxação é um problema que requer tratamento imediato e não pode ser ignorado.

Fratura: quando o osso quebra

Uma fratura óssea é uma patologia médica na qual um osso está rachado ou quebrado. É uma lesão comum, principalmente entre atletas e idosos.

O tratamento para uma fratura óssea geralmente envolve a imobilização da área afetada com uma tala ou gesso, seguida de fisioterapia para restaurar a força e a mobilidade.

Em casos mais graves, a cirurgia pode ser necessária para reparar os ossos quebrados.


Tratamento de Luxações e Fraturas

O tratamento de luxações e fraturas é similar, mas há algumas diferenças importantes a considerar.

A primeira é que a luxação é geralmente considerada mais urgente do que a fratura, pois é preciso reduzir a luxação o mais rápido possível para minimizar os danos aos tecidos e articulações.

Por outro lado, a fratura pode esperar um pouco mais antes de ser tratada, desde que a dor seja controlada.

Além disso, o tratamento de luxações geralmente inclui uma fisioterapia mais precoce do que o tratamento de fraturas, pois é importante recuperar a força muscular o mais rápido possível para evitar problemas de mobilidade futuros.

Em geral, o objetivo do tratamento de luxações e fraturas é ajudar a pessoa a retornar à sua função normal o mais rápido possível, seja no trabalho ou nas atividades do dia a dia.

Como diferenciar sem se colocar em risco

Luxação é perda do encaixe normal de uma articulação; fratura é quebra parcial ou completa de um osso. Na vida real, elas podem acontecer juntas e os sintomas se sobrepõem: dor forte, deformidade, inchaço, incapacidade de mexer e hematoma. Por isso, tentar “colocar no lugar” ou testar movimento pode piorar lesão de nervos, vasos, ligamentos ou pele.

CaracterísticaLuxaçãoFratura
O que aconteceO osso sai da articulaçãoO osso quebra ou fissura
Sinal comumDeformidade articular e bloqueio de movimentoDor localizada, crepitação, inchaço ou instabilidade
ExameRaio-X pode confirmar posição e descartar fraturaRaio-X é o exame inicial mais comum
CondutaRedução por profissional e imobilizaçãoImobilização, redução, gesso ou cirurgia conforme caso

Primeiros cuidados antes do atendimento

  • Imobilize na posição encontrada, sem forçar alinhamento.
  • Retire anéis, pulseiras ou calçados apertados se houver inchaço e se isso for fácil.
  • Aplique frio local protegida por pano por períodos curtos.
  • Evite comida e bebida se houver chance de procedimento com sedação.
  • Procure atendimento, especialmente em deformidade, dor intensa ou incapacidade de apoiar.

Urgência: pele aberta com osso visível, dedos frios ou arroxeados, perda de sensibilidade, fraqueza, deformidade importante, dor após trauma de alta energia ou suspeita de coluna exigem atendimento imediato.

Depois do atendimento: recuperação também importa

Mesmo quando a redução da luxação ou a imobilização da fratura é bem-sucedida, o tratamento não termina na saída do pronto atendimento. A recuperação pode envolver controle de dor, cuidados com gesso ou tala, reavaliação para checar alinhamento, retorno para retirada de pontos quando há ferida, fisioterapia e progressão gradual de carga. Voltar ao esporte ou ao trabalho pesado cedo demais aumenta risco de nova lesão.

Durante a imobilização, observe circulação e sensibilidade. Dedos muito inchados, frios, arroxeados, dor que piora apesar do repouso, formigamento progressivo, mau cheiro no gesso ou sensação de aperto importante devem ser comunicados rapidamente. Em crianças, idosos, pessoas com diabetes, osteoporose ou uso de anticoagulantes, a margem para “esperar para ver” costuma ser menor.

  • Mantenha a imobilização seca e não introduza objetos para coçar.
  • Eleve o membro nos primeiros dias se houver inchaço e isso tiver sido orientado.
  • Não retire tala ou tipoia antes do prazo sem falar com o serviço de saúde.
  • Confirme quando retornar e quais movimentos estão liberados.

Explore também no Blog da Saúde

  • Dor
  • Ortopedia

Fontes úteis

Atualizado em 15/05/2026 para reforçar primeiros cuidados, necessidade de imagem e risco de manipulação caseira. Fontes: MedlinePlus – luxações, MedlinePlus – fraturas e MedlinePlus – primeiros cuidados em luxação.

Arquivado em: Ortopedia

Leucócitos baixos: causas e quando avaliar

2 de janeiro de 2023 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Definição e contexto

Índices sanguíneos abaixo do limites mínimos definidos conforme a faixa etária de cada paciente. Para adultos saudáveis os leucócitos devem estar dentro de 4500 a 11000 leucócitos/mm³ na corrente sanguínea.

O que muda a interpretação

ElementoPor que olhar
Valor de referênciaCada laboratório pode apresentar faixas próprias; estar fora da faixa nem sempre significa urgência.
TendênciaSubir, cair ou persistir alterado pode ser mais informativo do que um número único.
SintomasDor, febre, perda de peso, sangramento, falta de ar ou fraqueza mudam a prioridade.
MedicamentosAlguns remédios e suplementos alteram exames ou confundem a leitura.
Motivo do pedidoRastreamento, investigação e acompanhamento têm interpretações diferentes.

Leve estas informações

  • Resultado completo, não apenas o item alterado.
  • Exames anteriores para comparar tendência.
  • Lista de remédios, suplementos e doenças conhecidas.
  • Sintomas atuais e há quanto tempo começaram.

Quando conversar mais rápido com um profissional

Procure orientação mais breve se o exame alterado vem junto de sintomas importantes, piora rápida, resultado muito fora do esperado ou recomendação explícita do laboratório para contato médico.

Se você fez exame por conta própria, evite iniciar tratamento apenas pelo número. A etapa mais segura é entender por que o exame foi pedido e o que precisa ser confirmado.

Leucócitos baixos precisam ser interpretados com diferencial do hemograma, neutrófilos, linfócitos, sintomas, infecções recentes, medicamentos, doenças autoimunes, quimioterapia e tendência em exames anteriores. Febre com neutropenia exige avaliação rápida.

Causas possíveis

Presença de doenças autoimunes, leucopenia crônica idiopática benigna, patologias que afetam a medula óssea ou o baço, doenças hepáticas, doenças genéticas, câncer, uso de antibióticos, nutrição inadequada, HIV e situações frequentes de estresse.

Além disso, também pode ocorrer devido a índices insuficientes de vitamina B12 ou medicamentosa, como por exemplo em pacientes que usam medicamentos antirretrovirais ou que estão em tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia).

CausaDescrição
Infecção viralUma infecção viral pode causar uma diminuição nos glóbulos brancos do corpo. Infecções virais comuns incluem gripe, mononucleose e HIV.
CâncerO câncer também pode causar uma diminuição nos glóbulos brancos. Isso pode ser devido ao próprio câncer ou a tratamentos contra o câncer, como a quimioterapia.
Doenças autoimunesDoenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatóide, podem fazer com que o corpo ataque seus próprios glóbulos brancos.
MedicamentosCertos medicamentos também podem causar uma diminuição nos glóbulos brancos. Isso inclui antibióticos, anticonvulsivantes e medicamentos quimioterápicos.
Deficiências nutricionaisDeficiências nutricionais, como as causadas por níveis inadequados de vitamina B12 e folato, podem levar a uma diminuição dos glóbulos brancos.
Doenças da medula ósseaDoenças da medula óssea, como anemia aplástica, podem fazer com que a medula óssea não produza glóbulos brancos suficientes.

Sintomas principais

De maneira geral o baixo índice de leucócitos não causa sintomas, mas na literatura existem estudos que denotam:

  • Cansaço e falta de disposição;
  • Febre;
  • Dores de garganta acompanhadas ou não de tosse;
  • Dificuldade para respirar;
  • Náuseas e vômitos;
  • Problemas gástricos e digestivos;
  • Dor ao urinar;
  • Presença de sangue na urina; e
  • Feridas que demoram para cicatrizar ou não cicatrizam, por exemplo.

Exame para avaliar nível de leucócitos

Um hemograma completo é um exame de sangue comum usado para medir o número de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas no sangue. O hemograma também pode medir hemoglobina, hematócrito e outros componentes do sangue.

Os resultados do hemograma podem fornecer informações importantes sobre a saúde geral de uma pessoa e podem ajudar a diagnosticar e monitorar uma variedade de patologias.

ExameFinalidade
Hemograma completoAvalia também o número de glóbulos brancos (leucócitos) presentes no sangue.
Contagem diferencial de leucócitosAvalie a contagem e as proporções relativas dos tipos de leucócitos presentes no sangue.
ImunofenotipagemIdentifique os tipos específicos de leucócitos presentes no sangue.
feridas

Opções de tratamento

O tratamento varia para cada paciente e pode estar entre a prescrição de um antibiótico ou até mesmo uma internação. Irá depender da relação entre a causa e a intensidade e apenas o médico poderá definir qual será a conduta clínica mais coerente com o caso.

Os indicadores sanguíneos mostram se há algo errado com o corpo humano e é muito importante fazer acompanhamentos clínicos regulares. O tema da discussão de hoje são leucócitos abaixo dos níveis mínimos definidos.

O que são leucócitos?

É preciso que entendamos o que são os leucócitos e qual é a função principal deste grupo celular no corpo humano.

Os leucócitos são células sanguíneas de defesa, também chamadas de células brancas. As células de defesa têm um papel fundamental na manutenção da vida, visto que diariamente estamos expostos a diversos patógenos e precisamos dos leucócitos para que evitemos infecções e determinadas patologias.

Por isso é importante que verifiquemos com o médico regularmente se essas células estão nos níveis corretos, pois muitas vezes é possível verificar se existe alguma infecção ou patologia analisando os indicadores sanguíneos.

Algumas doenças são silenciosas e não apresentam muitos sintomas, então a maneira mais adequada de prevenir é contar com apoio clínico.

Leucócitos – parte do sistema imunológico humano

Os leucócitos fazem parte do sistema imunológico humano e são subdivididos em outros grupos celulares onde cada um deles possui uma função definida.

Os leucócitos não apenas atuam na defesa do organismo, eles combatem patógenos e possíveis ameaças constantemente, seja produzindo anticorpos ou até mesmo enviando um sinal para outros leucócitos de que algo está errado.

Subdivisão dos leucócitos

Em relação à subdivisão dos leucócitos, têm-se os seguintes grupos celulares: neutrófilos, basófilos, monócitos, eosinófilos e linfócitos.

Neutrófilos: São chamados de primeira linha de defesa do sistema imunológico do corpo humano, sua função é defender o corpo humano contra bactérias e fungos e estão envolvidos com outras respostas inflamatórias menores.

Os neutrófilos fagocitam o patógeno, ou seja, eles conseguem destruir os patógenos envolvendo-os dentro de si mesmos.

Basófilos: eles são responsáveis pela liberação enzimática quando há um patógeno no corpo, eles enviam um sinal para o sistema imune e podem fazer com que os leucócitos cheguem mais rapidamente ao local da invasão, eles promovem respostas inflamatórias mais simples.

Monócitos: Assim como os neutrófilos, os monócitos também realizam fagocitose e são responsáveis por estimular uma resposta imunológica mais rápida, eles estão presentes também com a função de eliminar células mortas.

Eosinófilos: Migram rapidamente até o local da infecção e fagocitam o patógeno. Eles podem aumentar a inflamação para que a resposta imune seja rápida.

Linfócitos: São divididos em linfócitos T e B, os linfócitos T são responsáveis por destruir as células infectadas e os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos que atacam as bactérias.

Por que os leucócitos diminuem?

Agora que entendemos um pouco mais sobre os leucócitos, é importante saber quais são os riscos de seu baixo índice em relação aos indicadores sanguíneos.

O corpo humano em seu estado de funcionamento normal, tende a ter entre 4500 a 11000 leucócitos/mm³ na corrente sanguínea, porém este valor pode ser alterado por algumas condições, como:

  • Presença de doenças autoimunes;
  • Patologias que afetam a medula óssea ou no baço;
  • Câncer;
  • HIV;
  • Uso de antibióticos;
  • Nutrição inadequada;
  • Doenças hepáticas;
  • Doenças genéticas;
  • Leucopenia crônica idiopática benigna; e
  • Situações frequentes de estresse.

Além disso, também pode ocorrer devido a índices insuficientes de vitamina B12 ou medicamentosa, como por exemplo em pacientes que fazem uso de medicamentos antirretrovirais ou que estão em tratamentos oncológicos (quimioterapia e radioterapia).

Um dos sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes com os níveis de leucócitos baixos é a grande incidência de infecções, afinal, as despesas orgânicas estão defasadas e isso certamente acarretará uma entrada facilitada para os patógenos.

Na literatura clínica, diante de ensaios e pesquisas mais aprofundadas, foram encontrados diversos sintomas apresentados pelos pacientes com leucócitos baixos, como:

  • Cansaço e falta de disposição;
  • Febre;
  • Dores de garganta acompanhadas ou não de tosse;
  • Dificuldade para respirar;
  • Náuseas e vômitos;
  • Problemas gástricos e digestivos;
  • Dor ao urinar;
  • Presença de sangue na urina; e
  • Feridas que demoram para cicatrizar ou não cicatrizam, por exemplo.

O tratamento dependerá das causas e da intensidade da contagem de leucócitos e apenas o médico poderá prescrever e alinhar tratamentos com o paciente.

É necessário que sejam feitos exames e investigações e que a conduta clínica correta seja tomada para que não haja outros problemas.

Alguns médicos optam por prescrever antibióticos, outros optam por internar o paciente para que ele não se exponha e não corra maiores riscos de se contaminar, mas a conduta e os direcionamentos são totalmente restritos ao médico.

Explore também no Blog da Saúde

  • Clínica Médica
  • Radiologia

Fontes úteis

  • MedlinePlus: como entender resultados de exames
  • MedlinePlus: testes médicos
  • MedlinePlus: contagem de leucócitos

Arquivado em: Biomedicina, Clínica Médica, Farmácia

Allegra ou Predsim para tosse? Diferenças e cuidados

2 de janeiro de 2023 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Falta de ar, urticária, inchaço, desmaio, confusão, sangramento ou piora importante depois de iniciar um remédio mudam a urgência.

Quando o assunto é automedicação, muitas pessoas emitem suas opiniões sobre quais medicamentos podem ser utilizados e o que deve ser feito em cada uma das diversas situações que podem acometer crianças, jovens, adultos e idosos.

O tema da discussão de hoje irá discorrer sobre dois medicamentos. Sendo um deles um antialérgico (Allegra, cuja composição é: cloridrato de fexofenadina) e outro um corticóide (Predsim, cuja composição é a prednisolona).

Os dois medicamentos possuem duas composições e classes farmacêuticas distintas, sendo suas apresentações facilmente encontradas na forma de comprimido ou xarope. Já no que diz respeito a faixa de administração de ambos, ela pode ser adulta ou pediátrica.


Indicações comuns do Allegra (fexofenadina)

IndicaçãoFexofenadina
Rinite AlérgicaSim
UrticáriaSim
Urticária Idiopática CrônicaSim
Conjuntivite alérgica sazonalSim
Urticária Idiopática CrônicaSim


Indicações comuns de Predsim (prednisolona)

IndicaçãoUsos
Reações alérgicasEle pode ser usado para tratar reações alérgicas, como anafilaxia, e para tratar condições causadas por um sistema imunológico enfraquecido, como asma e artrite reumatóide.
Condições inflamatóriasA prednisona também é usada para tratar condições inflamatórias, como colite ulcerativa, doença de Crohn e psoríase.
Condições de peleTambém pode ser usado para tratar problemas de pele como eczema, dermatite e psoríase.
Tratamento do CâncerA prednisona pode ser usada no tratamento de certos tipos de câncer, como linfomas.
Distúrbios autoimunesTambém pode ser usado para tratar distúrbios autoimunes, como lúpus, esclerose múltipla e artrite reumatóide.


Entendendo mais

Antes de iniciarmos a discussão sobre o uso para o quadro de tosse, devemos entender que os sintomas que o corpo humano nos dá servem para ficarmos atentos aos problemas que podem estar associados a eles.


Antes de tratar – O que pode ser tosse?

A tosse pode ser uma simples alergia ou até mesmo o sinal de uma doença crônica, como a bronquite. É indispensável que os médicos sejam consultados para que se faça o tratamento correto.

Muitos pacientes se automedicam e não levam em conta o fato de que podem estar com problemas mais sérios e que necessitam de tratamentos mais específicos e podem estar agravando patologias e gerando problemas mais sérios.

É importante que se avalie alguns quesitos quando a tosse aparece. Discutiremos sobre alguns quesitos norteadores, sendo eles: o paciente é portador de alguma patologia crônica conhecida? Há quanto tempo está com tosse?


Como é a tosse?

A tosse apresenta algum tipo de secreção? Se sim, qual é a coloração? Os quadros de tosse são frequentes? Quando os quadros de tosse duram semanas ou até mesmo meses, é importante que se busque apoio clínico o mais rápido possível.

Existem algumas causas comuns para o aparecimento da tosse, como: sinusite, problemas digestivos que causam refluxo, tuberculose, fibrose pulmonar, asma, pneumonia, bronquite, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), alergia, gastrite, dentre outras.

Para cada uma destas patologias é prescrito um tratamento diferente e apesar da tosse ser um sintoma comum a todas elas, o tratamento inadequado é ineficiente e prejudicial ao paciente.

tosse

Quando se trata de tuberculose, por exemplo, existem medicamentos tuberculostáticos que são administrados em esquemas terapêuticos definidos, já nos pacientes com gastrite, o suco gástrico sobe até a garganta e gera um reflexo de tosse, para gastrite são utilizados protetores gástricos (como  o omeprazol) e para os refluxos são utilizados medicamentos como bromoprida e magnésia bisurada.


Tosse – cuidado com automedicação

Veja também: riscos da automedicação.


Importância e usos do Allegra

O medicamento Allegra tem como princípio ativo a fexofenadina. Este medicamento é conhecido como anti-histamínico e serve para quadros alérgicos e também para rinites.

Além disso, é indicado para pacientes que não possuem alergia ao ativo e que estão apresentando um quadro alérgico típico: dor de garganta, tosse, coceira na garganta, obstrução nasal com ou sem secreção e espirros. É um medicamento de uso adulto e pediátrico.

Este medicamento pode ser encontrado em uma associação com outro princípio ativo chamado de pseudoefedrina (Allegra D), o qual faz com que o efeito descongestionante seja mais intenso e é bastante indicado para pacientes com rinite alérgica.


Importância e usos do Predsim

O Predsim, medicamento cuja composição farmacológica é a prednisolona, é um corticóide que, na literatura clínica, pode ser utilizado para várias condições clínicas, tais quais:

  • Tratamento de doenças endócrinas,
  • Osteoarticulares e osteomusculares,
  • Reumáticas,
  • Do colágeno,
  • Dermatológicas,
  • Alérgicas,
  • Oftálmicas,
  • Respiratórias,
  • Hematológicas,
  • Neoplásicas; e
  • Outras, que respondam à terapia com corticosteróides.

Em comparação com o Allegra, é um medicamento com usos mais abrangentes.

É uma droga que dentre outras finalidades tem propriedades antiinflamatórias e antialérgicas, mas na própria bula do medicamento está descrito que é um fármaco que pode mascarar alguns sinais de infecção e inclusive outras infecções podem acometer o paciente durante o tratamento.

Possível efeito colateralDescrição
Ganho de pesoPode levar a ganho de peso indesejado, pois a prednisolona pode causar aumento do apetite.
Alterações de humorPode causar alterações de humor, como sentimentos repentinos de raiva ou depressão.
Dor de cabeçaPode causar dores de cabeça e enxaquecas.
DiarreiaPode causar diarreia, náusea e vômito.
InsôniaPode causar dificuldade para dormir e insônia.
Erupção cutâneaPode causar erupções cutâneas ou urticária.
Problemas ocularesPode causar visão turva, dor nos olhos ou outros problemas oculares.

O uso em pacientes pediátricos e idosos requer muita cautela, porque em crianças pode ocasionar reações adversas graves como:

  • Obesidade;
  • Retardo no crescimento;
  • Redução do conteúdo de cálcio no sangue; e
  • Diminuição da produção de hormônios pelas glândulas supra renais.

Além disso é um grande auxílio para infeções, nos grupos de pessoas mais idosas são demonstradas muitas reações adversas na literatura clínica.


Conduta clínica

A conduta clínica pode ser variável, mas geralmente se insere um medicamento antialérgico e/ou anti histamínico no tratamento da tosse (Allegra e até mesmo loratadina, por exemplo) e quando não há resultado o corticóide pode ser uma segunda opção.

Mas as reações adversas devem ser mensuradas de acordo com o perfil clínico de cada paciente e isto deve ser observado exclusivamente pelo médico, muitas vezes com auxílio de exames de imagem e de laboratório.

A resposta para o título da discussão é específica para cada paciente, sendo fundamental o acompanhamento clínico do mesmo. O profissional médico mais indicado para o tratamento de doenças respiratórias é o pneumologista.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: medicamentos
  • FDA: uso seguro de medicamentos
  • Anvisa: medicamentos

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Alimentação na fibromialgia: limites e cuidados

2 de janeiro de 2023 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Alimentação entra no cuidado de pessoas com fibromialgia quando melhora energia, sono, peso, constipação, deficiência nutricional ou comorbidades, mas não é tratamento único nem tem dieta universal. O plano mais útil é identificar padrões individuais sem apresentar alimento ou suplemento como solução única.

Fibromialgia exige plano amplo, não dieta milagrosa

Fibromialgia envolve dor crônica generalizada, fadiga, sono não reparador, sensibilidade aumentada e sintomas cognitivos em muitos pacientes. Alimentação pode influenciar peso, disposição, intestino, glicemia, inflamação metabólica e deficiência de vitamina D, mas a evidência para dietas específicas ainda é limitada.

Objetivo nutricionalComo pode ajudar
Regularidade de refeiçõesEvita oscilações de energia e compulsão por fadiga.
Proteína suficienteApoia massa muscular e reabilitação.
Fibras e líquidosPodem melhorar constipação associada.
Vitamina D baixaSuplementação pode ser discutida se houver deficiência.
Cortes amplos sem critérioPodem aumentar ansiedade alimentar e reduzir nutrientes.

O erro é transformar relatos individuais em regra. Dieta sem glúten, low carb, jejum, anti-inflamatória ou suplementos podem ser úteis para algumas pessoas por motivos específicos, mas não devem ser apresentados como solução geral para fibromialgia.

Como testar sem virar restrição permanente

Se há suspeita de gatilho alimentar, registre dor, sono, intestino, energia e porções por algumas semanas. Mudanças devem ser graduais e avaliadas por resultado funcional: caminhar mais, dormir melhor, reduzir constipação, tolerar exercício ou diminuir crises.

Quando há obesidade, diabetes, doença celíaca, síndrome do intestino irritável, anemia, transtorno alimentar ou uso de muitos medicamentos, a orientação nutricional deve ser mais individual. A meta é sustentar reabilitação, não criar culpa por comer.

O tratamento efetivo costuma combinar atividade física progressiva, sono, manejo de estresse, educação sobre dor, medicações em casos selecionados e cuidado de comorbidades. Alimentação entra como suporte dessa estratégia.

Uma abordagem mediterrânea ou pouco ultraprocessada pode fazer sentido por melhorar qualidade global da dieta, mas a melhora da fibromialgia não deve ser atribuída a um único nutriente. O benefício pode vir de energia mais estável, peso, intestino e adesão a exercícios.

Suplementos merecem cautela. Vitamina D só faz sentido quando há deficiência ou risco aumentado; magnésio, creatina, SAMe e outros produtos têm evidência variável e podem interagir com medicamentos ou causar efeitos adversos.

Se a pessoa tem náusea, intestino irritável, dor ao mastigar, baixa renda ou fadiga intensa, o plano precisa ser simples. Preparações fáceis, proteína acessível e refeições previsíveis ajudam mais que regras complexas.

O acompanhamento deve medir função: sono, fadiga ao acordar, dor após atividade, constipação, tolerância ao exercício e crises. Sem marcadores, qualquer oscilação vira prova contra ou a favor de uma dieta.

Quando há compulsão alimentar, restrição rígida ou medo de comer, a prioridade é segurança psicológica. Dietas muito controladas podem piorar culpa, isolamento e dor percebida; nesses casos, nutrição e saúde mental precisam caminhar juntas.

O ponto prático é reduzir variáveis: ajustar café da manhã, proteína, fibras ou álcool separadamente. Quando tudo muda de uma vez, fica impossível saber o que ajudou, o que piorou e o que é sustentável.

Essa lógica protege o paciente de ciclos de restrição e frustração.

Fontes usadas

  • NIAMS: fibromyalgia
  • NCCIH: fibromyalgia in depth
  • NCCIH: complementary approaches for fibromyalgia

Comer uma dieta nutritiva, rica em vitaminas, minerais, antioxidantes e ácidos graxos essenciais, pode ajudar a reduzir a inflamação, melhorar os níveis de energia e aumentar a tolerância à dor. Além disso, certos alimentos podem ter um papel no alívio de sintomas específicos associados à fibromialgia, como fadiga, dores musculares e síndrome do intestino irritável.


Introdução

A FIBROMIALGIA define-se como uma síndrome reumática crônica, caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, cujos sintomas envolvem cefaleia, fadiga, transtornos de humor, distúrbios do sono, depressão, entre outros.

A fibromialgia doença predominantemente em mulheres entre 20 à 50 anos, atingindo cerca de 2,5% da população brasileira.

O diagnóstico da fibromialgia é essencialmente clínico, não existindo, até o momento, exames laboratoriais que comprovem a doença.

O tratamento é multidisciplinar, incluindo terapias farmacológicas e não farmacológicas, com o objetivo de aliviar a dor crônica e proporcionar qualidade de vida e bem-estar aos pacientes.


Papel da boa alimentação

alimentacao

Uma boa alimentação tem papel essencial no controle dos sintomas de doenças crônicas. Em se tratando de fibromialgia, estudos revelam que a nutrição também tem um impacto e pode influenciar positivamente no alívio dos sintomas da doença[1].

Por exemplo, pessoas com fibromialgia sofrem com distúrbios do sono, então a cafeína se apresenta como um fator que prejudica ainda mais essa condição. Logo, evitar o consumo de cafeína pode melhorar as condições de sono de pacientes com fibromialgia.


Estudos sobre alimentação e dor crônica

A alimentação é tão associada à qualidade de vida, que determinadas dietas podem agravar a sensibilidade à dor em pessoas com fibromialgia.

Em 2020, um estudo publicado na revista Pain Medicine classificou dois estilos divergentes de dieta, sendo uma delas a dieta anti-inflamatória, que abrange alimentos que combatem de forma natural os processos inflamatórios no organismo, como as frutas vermelhas, vegetais, azeite e nozes, e a dieta pró-inflamatória, na qual as citocinas presentes nos alimentos desencadeiam processos clínicos característicos da doença, como quadros de dor, fadiga e ansiedade[2].

O estudo afirma que o potencial inflamatório relacionado à dieta está associado ao agravamento dos sintomas da doença. Além disso, incluir uma dieta vegana rica em lactobactérias, ou uma dieta rigorosa com baixo teor de sal, fornece efeitos benéficos sobre esses sintomas. Então, pessoas que sofrem com fibromialgia devem promover estratégias de dietas anti-inflamatórias para reduzir a hipersensibilidade à dor[3].

ComidaBenefício para a dor da fibromialgia
Ácidos graxos ômega-3Reduz a inflamação e melhora a dor e a rigidez nas articulações
Vitamina DMelhorar dores musculares e fadiga
MagnésioReduzir a tensão muscular e dores nas articulações
CúrcumaReduzir inflamação, dor e fadiga
Verdes folhosos escurosAlto teor de magnésio e outras vitaminas e minerais que podem reduzir a dor nas articulações


Vídeo sobre Fibromialgia


Vitaminas, minerais e dor crônica

Vitamina B9, folato ou ácido fólico, e as diferenças entre eles

A baixa ingestão alimentar e a deficiência de vitaminas na dieta, como o magnésio e o cálcio, estão relacionados com a piora da dor crônica da fibromialgia, visto que as manifestações da doença são semelhantes aos sintomas da deficiência destes minerais[4].

Um estudo que comprova esse fato está publicado no periódico Advances in Rheumatology, onde 53 mulheres diagnosticadas com fibromialgia e 50 mulheres saudáveis participaram de uma pesquisa experimental para determinar a ingestão alimentar e os níveis séricos de magnésio e cálcio e relacioná-los com os sintomas e risco de depressão em mulheres com e sem a doença.

Os resultados dessa pesquisa mostraram que no grupo de mulheres com fibromialgia, quanto maior a ingestão de magnésio e cálcio, menor é a contagem de pontos sensíveis pelo corpo. Sendo assim, esses minerais desempenham um papel importante nos sintomas de fibromialgia, sendo aconselhável a sua ingestão por meio dos alimentos ou de suplementos.

Pacientes com fibromialgia devem fazer refeições balanceadas e nutritivas, manter uma boa hidratação, consumir multienzimáticos e suplementos nutricionais, quando necessários ao tratamento. A ênfase sobre as vitaminas acontece, pois geralmente elas são cofatores que auxiliam as enzimas na utilização de nutrientes fundamentais.

Cada vitamina necessária ao organismo influencia, de alguma forma, na melhora dos sintomas da fibromialgia. As vitaminas do complexo B reduzem o estresse. A vitamina D influencia na absorção de cálcio. O zinco melhora a função dos tecidos nervoso e muscular. O magnésio reduz a fadiga e pode prevenir câimbras musculares.

VitaminaBenefícios para dor crônica
Vitamina B1Pode ajudar a reduzir a dor do nervo e reduzir os efeitos de alguns danos nos nervos.
Vitamina B6Pode ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a função nervosa.
Vitamina B12Pode ajudar a reduzir a dor no nervo e melhorar a condução nervosa.
Vitamina CPode ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a cicatrização dos tecidos.
Vitamina DPode ajudar a reduzir a inflamação e reduzir a dor.
Vitamina EPode ajudar a reduzir a inflamação e reduzir a dor.

O consumo de peixes de água gelada, óleo de salmão e óleo de prímula podem influenciar no fluxo sanguíneo e na transmissão do impulso nervoso. A lecitina exerce função nos tecidos nervoso e muscular, no cérebro e sistema circulatório. O metilsulfonilmetano (MSM), um composto natural de enxofre orgânico, é capaz de reduz a dor nas articulações.

A glutamina pode melhorar a função muscular e o procianidólico oligômero (PCO) é conhecido por proteger os músculos.


Alterações gastrointestinais e fibromialgia

Pacientes com fibromialgia também costumam ter problemas gastrointestinais, normalmente atribuídos à síndrome do intestino irritável e distúrbios relacionados ao glúten, como a doença celíaca.

Inclusive, a síndrome da fadiga crônica, que é um dos sintomas da fibromialgia, pode ser agravada pela sensibilidade ao glúten.

SintomaDescrição
Dor AbdominalDor no abdômen, que pode variar de leve a grave.
InchaçoSensação de plenitude ou aperto no abdômen causada por gases ou inchaço.
ConstipaçãoDificuldade ou evacuação pouco frequente.
DiarreiaFrequentes fezes soltas ou aquosas.
Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)Uma condição na qual o ácido do estômago flui de volta para o esôfago, causando azia e outros sintomas.
NáuseaSensação de estar doente ou vontade de vomitar.
VômitoVômito é a contração involuntária do estômago que empurra o seu conteúdo para fora da boca.

Uma dieta sem glúten, com a ingestão de grãos integrais, aumento de legumes e redução da densidade energética dos alimentos, pode ajudar a melhorar os sintomas desses problemas gastrointestinais e, consequentemente, reduzir ou amenizar os sintomas da fibromialgia.


Peso, colesterol e estilo de vida na fibromialgia

colesterol

Alguns estudiosos da área também já comprovaram que o colesterol alto está associado com a maior duração da dor, com os pontos sensíveis, ansiedade e depressão decorrentes da fibromialgia.

Essas evidências são importantes para determinar que pacientes com fibromialgia devem modificar seu estilo de vida com uma alimentação mais saudável e adequada, acrescentado de um programa de exercícios físicos com estratégias de perda de peso, visto que o índice de Massa Corporal (IMC) e a obesidade estão relacionadas com a piora dos sintomas da fibromialgia.

O IMC aumentado exerce uma grande influência na qualidade do sono e hiperalgesia, que por sua vez, pode complicar o quadro clínico de quem tem fibromialgia, já que esses pacientes tendem a apresentar maiores níveis de dor, fadiga e rigidez, bem como menor vitalidade.


Outros suplementos, como Coenzima Q10

Evidências científicas também indicam que a suplementação com a coenzima Q10 (CoQ10) induz o aumento na biogênese mitocondrial e níveis de expressão de proteína. Pacientes com fibromialgia apresentam uma disfunção mitocondrial, então o tratamento com CoQ10 pode ser utilizado como terapia alternativa na fibromialgia e seus efeitos benéficos podem ser monitorados a nível celular.

Algumas pesquisas revelam que essa suplementação melhorou o sono e o estado de alerta mental, reduziu a dor nas articulações e no número de pontos sensíveis, e melhorou a fadiga e ansiedade em pacientes com fibromialgia.

No entanto, os estudos envolvendo a suplementação de CoQ10 envolveu uma amostra pequena em pacientes com a doença, então são necessários mais esclarecimentos sobre esse mecanismo de ação ligado às contribuições da CoQ10 para os processos patológicos e terapêuticos.

Benefício da Coenzima Q10 para Fibromialgia
Reduz a fadiga e a dor
Melhora a qualidade do sono
Aumenta os níveis de energia
Reduz a rigidez muscular
Melhora o funcionamento cognitivo
Melhora o humor
Promove o metabolismo celular saudável
Melhora a saúde do coração
Reduz a inflamação

Se você sofre com fibromialgia, modificar a sua dieta alimentar para hábitos mais saudáveis combinada a exercícios físicos regulares, são formas de tratamento não farmacológico eficazes para se obter melhora dos sintomas e, consequentemente, melhora da sua qualidade de vida e bem-estar!


REFERÊNCIAS

ANDRETTA, A. et al. Relation between magnesium and calcium and parameters of pain, quality of life and depression in women with fibromyalgia. Advances in Rheumatology, v. 59, n. 1, p. 1-6. 2019.

CORREA-RODRÍGUEZ, M. et al. Dietary inflammatory index scores are associated with pressure pain hypersensitivity in women with fibromyalgia. Pain Medicine, v. 21, n. 3, p. 586-594. 2020.

JATOBÁ, D. M. Alimentação como tratamento coadjuvante para pessoas com fibromialgia: uma revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 15, n. 1, p. 1-11. 2022. SILVA, A. F. Recomendações nutricionais para o tratamento da fibromialgia. Demetra: alimentação, nutrição e saúde, v. 12, n. 3, p. 751-765. 2017.

Referências bibliográficas4 fontes
  1. 1.
    Arranz LI, Canela MÁ, Rafecas M. Dietary aspects in fibromyalgia patients: results of a survey on food awareness, allergies, and nutritional supplementation. Rheumatology international. 2012 Sep;32(9):2615-21.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Field R, Pourkazemi F, Turton J, Rooney K. Dietary interventions are beneficial for patients with chronic pain: a systematic review with meta-analysis. Pain Medicine. 2021 Mar;22(3):694-714.
    Voltar [2]
  3. 3.
    Arranz LI, Canela MÁ, Rafecas M. Fibromyalgia and nutrition, what do we know?. Rheumatology international. 2010 Sep;30(11):1417-27
    Voltar [3]
  4. 4.
    Edwards AM, Blackburn L, Christie S, Townsend S, David J. Food supplements in the treatment of primary fibromyalgia: a double-blind, crossover trial of anthocyanidins and placebo. Journal of nutritional & environmental medicine. 2000 Jan 1;10(3):189-99.
    Voltar [4]

Arquivado em: Artigos, Dor, Reumatologia

Doença de Osgood-Schlatter – Aprenda Mais

2 de janeiro de 2023 by Dr. Carlos Roberto Babá

Fatos importantes

  • A doença de Osgood-Schlatter é uma causa comum de dor no joelho em adolescentes.
  • Pode ser causada por esforço repetitivo e uso excessivo do joelho.
  • A maioria das crianças apresenta os sintomas em apenas um joelho, mas algumas podem ter sintomas em ambos.
  • Os sintomas comuns da doença de Osgood-Schlatter são dor, inchaço e sensibilidade abaixo do joelho.
  • As opções de tratamento incluem repouso, exercícios de alongamento e fisioterapia.
  • A doença de Osgood-Schlatter geralmente desaparece no final da adolescência.

Mapa clínico: Osgood-Schlatter é dor de crescimento da inserção do tendão, não simples manha

Em resumo: a doença de Osgood-Schlatter costuma causar dor e caroço dolorido abaixo da patela em crianças e adolescentes ativos. A dor piora com corrida, salto, agachamento e escadas porque a tração do tendão patelar irrita a região de crescimento do osso.

Diagrama da doença de Osgood-Schlatter com crescimento rápido, corrida, salto e dor abaixo da patela.
O ponto dolorido costuma ficar na tuberosidade da tíbia.
Fluxo visual de retorno ao esporte na doença de Osgood-Schlatter com redução de carga, alongamento, fortalecimento e retorno sem mancar.
A meta é manter atividade possível sem insistir na dor forte.
AchadoO que sugereConduta comum
Dor abaixo da patela em adolescenteOsgood-Schlatter entra no diferencial.Avaliação clínica e ajuste de carga.
Dor durante salto ou corridaTração repetida irrita a área.Reduzir impacto temporariamente.
Dor intensa, trauma ou inchaço importantePode haver outra lesão.Avaliação mais rápida.
  • Observe esporte, volume de treino, fase de crescimento e se há mancar.
  • Use gelo, ajuste de carga e exercícios orientados quando recomendados.
  • Procure avaliação se houver trauma, febre, perda de movimento, dor noturna forte, inchaço importante ou incapacidade de apoiar.

Nota de segurança: radiografia pode ser necessária quando a história não é típica ou há suspeita de outra lesão.

Para continuar no tema: Ortopedia | Dor no joelho | Dor no joelho em adolescentes | Causas comuns de dor no joelho

Introdução

lesao-osgood-schlatter

A doença de Osgood-Schlatter é uma inflamação dolorosa do osso e da cartilagem na parte superior da tíbia. Também pode haver inflamação do tendão que se estende sobre a rótula, o tendão patelar.

A doença de Osgood-Schlatter é um tipo de lesão por uso excessivo que afeta o joelho. É mais comum em adolescentes que estão ativamente envolvidos em esportes. A doença é causada por esforço repetitivo ou estresse no joelho, muitas vezes devido a atividades como correr, pular ou chutar. A tensão causa inflamação do tendão patelar e da área onde o tendão se liga à tíbia, conhecida como tubérculo tibial.

O sintoma mais comum da doença de Osgood-Schlatter é a dor no joelho, principalmente quando o joelho está dobrado (fletido). Outros sintomas podem incluir inchaço, sensibilidade e uma protuberância ou inchaço visível na tíbia. A dor pode piorar ao realizar atividades como correr, pular e ajoelhar-se.

O stress repetitivo de contração e relaxamento do músculo quadríceps na coxa pode ser transmitido através do tendão patelar até a tuberosidade da tíbia, podendo resultar em micro-fraturas por avulsão (arrancamento) com um processo inflamatório do tendão. Pode resultar em um crescimento ósseo excessivo na tuberosidade, e produzir uma protuberância visível que pode ser dolorosa quando tocada ou quando o adolescente executa alguma atividade, como correr, agachar e ajoelhar.

Há relatos de que até 50% dos pacientes referiram ter sofrido algum tipo de trauma (contusão) que desencadeou os sintomas, embora a maioria dos adolescentes apresente encurtamento (alongamento ruim) da musculatura posterior da coxa e perda de força do músculo quadríceps (anterior da coxa).

O tratamento para a doença de Osgood-Schlatter inclui repouso, gelo e medicamentos anti-inflamatórios. Exercícios de fisioterapia também podem ajudar a fortalecer os músculos ao redor do joelho e reduzir a dor.

A cirurgia pode ser recomendada em casos graves. Com tratamento, a maioria das pessoas consegue retornar às suas atividades.

Sintomas

  • Dor na frente do joelho: este é o sintoma mais comum da doença de Osgood-Schlatter e geralmente piora com a atividade física.
  • Inchaço: pode ocorrer inchaço ao redor do joelho devido à inflamação.
  • Sensibilidade: a área pode ser sensível ao toque.
  • Rigidez do joelho: pode ocorrer rigidez após períodos de inatividade.
  • Estalido no joelho: Estalar ou estalar pode ocorrer na área do joelho.
  • Dificuldade para caminhar: pode ocorrer dificuldade para caminhar devido a dor e desconforto no joelho.
SintomaDescrição
DorDor e sensibilidade ao redor da patela.
InchaçoInchaço ao redor do joelho.
BombaProtuberância ou protuberância na tíbia, logo abaixo da patela.
RigidezRigidez no joelho.
TrituraçãoSensação ou som de trituração na articulação do joelho.

Causas comuns da doença de Osgood-Schlatter

A irritação da placa de crescimento ósseo leva à doença de Osgood-Schlatter. Os ossos não crescem no meio, mas nas extremidades, perto da articulação, em uma região conhecida como placa de crescimento.

Durante a infância, essas áreas de crescimento são compostas de cartilagem e não de osso.

Como a cartilagem nunca é tão forte quanto o osso, altos níveis de estresse podem fazer com que a placa de crescimento fique inflamada e dolorida.

Outros fatores de risco incluem:

  • Crescimento muito rápido: Quando os ossos e músculos crescem mais rápido que os tendões, isso pode fazer com que o tendão puxe o osso e cause a lesão.
  • Atividades repetidas: Atividades como correr, pular e chutar podem aumentar o estresse no joelho e causar lesões.
  • Tensão muscular: Músculos tensos (contratura) do quadríceps (reto femoral, vasto medial, vasto lateral, vasto intermédio) podem sobrecarregar o joelho.
  • Excesso de treinamento: Fazer muito, muito cedo (overtraining) pode colocar estresse desnecessário no joelho.
  • Calçado ruim: Sapatos muito pesados ​ou mal ajustados podem aumentar o estresse no joelho.
  • Músculos fracos: Quadríceps enfraquecido não consegue absorver o impacto repetitivo da atividade física, colocando estresse extra no joelho.
  • Pronação do pé: Quando o pé prona ou vira para dentro, pode aumentar o estresse no joelho.

Diagnóstico

A doença de Osgood-Schlatter é tipicamente diagnosticada por um exame físico.

Um raio-X também pode ser feito para descartar quaisquer outros diagnósticos possíveis. O médico procurará sinais físicos da doença, como sensibilidade, inchaço e um nódulo ósseo logo abaixo do joelho. O médico também pode pedir ao paciente para dobrar a perna para ver se causa dor.

Em determinadas situações, uma ressonância magnética ou ultrassonografia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico. O médico também pode solicitar um exame de sangue para ajudar a descartar outras causas de dor no joelho. Se o médico suspeitar de uma lesão mais séria, como um tumor ou infecção, ele poderá solicitar mais exames.

Nome do exameDescrição do exame
Raio-XPode detectar se há alguma alteração óssea na área.
Ressonância magnéticaPode identificar lesões ósseas, ou dano, ou alteração nos tecidos moles.
Exames de sangueAvalia sinais inflamatórios, alterações metabólicas, dentre outras, que podem justificar dores articulares.
Exame FísicoPode identificar qualquer inchaço, sensibilidade ou limitação de amplitude de movimento.

Diagnóstico diferencial da doença de Osgood-Schlatter

  • Lesão da placa de crescimento: Uma lesão da placa de crescimento é o diagnóstico diferencial mais comum para a doença de Osgood-Schlatter. É causada por uso excessivo ou trauma na área do joelho e pode levar a inflamação, inchaço e dor.
  • Tendinopatia Patelar: Afeta o tendão que conecta a patela ao osso da canela. É causada pelo uso excessivo e pode causar dor e inchaço na área do joelho.
  • Condromalácia patelar: desgaste e lesão que afeta a cartilagem da patela e pode causar dor na região do joelho. É causada pelo uso excessivo e também pode levar a inflamação, inchaço e dor.
  • Bursite: Esta é uma inflamação da bursa, um pequeno saco cheio de líquido que amortece a articulação do joelho. É causada pelo uso excessivo e pode causar dor, inchaço e rigidez na área.
  • Síndrome da banda iliotibial: Afeta a banda iliotibial, similar a um tendão que corre ao longo da parte externa da coxa. É causada pelo uso excessivo e pode causar dor e inchaço na área do joelho.
  • Lesão Meniscal: Lesão no menisco, uma cartilagem que amortece a articulação do joelho. É causada por trauma e pode causar dor, inchaço e rigidez na região do joelho.
  • Instabilidade Patelar: Lesão que afeta a patela e pode causar dor na região do joelho. É causada pelo uso excessivo e também pode levar a inflamação, inchaço e dor.

A doença de Osgood-Schlatter geralmente melhora com o tempo e repouso. Atividades esportivas que exijam corrida, salto ou outra flexão profunda do joelho devem ser limitadas até que a sensibilidade e o inchaço desapareçam.

Possibilidades iniciais de tratamento

As opções iniciais de tratamento para a doença de Osgood-Schlatter incluem fisioterapia, repouso e modificação da atividade.

  • A fisioterapia pode envolver exercícios de alongamento, fortalecimento e treinamento de marcha para melhorar a força muscular e a flexibilidade.
  • O repouso é importante para reduzir a dor e a inflamação na área afetada. A modificação da atividade pode incluir evitar atividades que agravam os sintomas, como correr, pular e ajoelhar-se.

Outros tratamentos incluem órtese, gelo e bandagens, medicamentos anti-inflamatórios e injeções de corticosteroides.

  • A órtese pode ser usada para fornecer suporte aos joelhos e reduzir o estresse e a tensão.
  • Gelo e bandagem podem ser usados ​para reduzir a inflamação e fornecer suporte para a área.
  • Medicamentos anti-inflamatórios, como ibuprofeno, cetoprofeno, aspirina e naproxeno, podem ajudar a reduzir a inflamação e a dor.
  • As injeções de corticosteroides podem proporcionar alívio temporário da dor e da inflamação.


Cirurgia é necessária?

A cirurgia raramente é necessária para a doença de Osgood-Schlatter e normalmente só é considerada quando todas as outras opções de tratamento falharam.

Em quase todos os casos, a cirurgia não é necessária. Isso ocorre porque a placa de crescimento da cartilagem eventualmente interrompe seu crescimento e se preenche com osso quando a criança para de crescer.

O osso é mais forte que a cartilagem e menos propenso a irritações. A dor e o inchaço desaparecem porque não há nova placa de crescimento para ser ferida. A dor ligada à doença de Osgood-Schlatter quase sempre termina quando o adolescente para de crescer.

Medicamentos para tratamento da doença de Osgood-Schlatter

  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): os AINEs reduzem o inchaço e a dor bloqueando a produção de prostaglandinas, substâncias que podem causar inflamação.
  • Corticosteroides: Os corticosteroides são medicamentos anti-inflamatórias potentes. Eles podem ser administrados em formas orais ou injetáveis.

Prevenção

A doença de Osgood-Schlatter é comum em adolescentes ativos e, embora não haja uma maneira segura de evitá-la, existem algumas etapas que podem reduzir o risco de desenvolvê-la.

Essas etapas incluem evitar atividades que envolvam a flexão repetida do joelho, como correr e pular, além de fortalecer os músculos ao redor do joelho para ajudá-los a gerenciar melhor a pressão da atividade física. O alongamento dos músculos quadríceps e isquiotibiais também pode ajudar a reduzir a tensão no joelho.

Também é importante usar técnica e equipamento adequados ao praticar atividades físicas. Sapatos e equipamentos adequados podem reduzir o risco de desenvolver a doença de Osgood-Schlatter, assim como monitorar a intensidade e a duração da atividade.

Descansar entre as atividades e usar gelo para reduzir qualquer inchaço ou desconforto no joelho também pode ajudar.

Qual ​é o prognóstico da doença de Osgood-Schlatter?

O prognóstico da Doença de Osgood-Schlatter é geralmente bom. Embora possa causar dor e desconforto na adolescência, os sintomas geralmente se resolvem sozinhos. A maioria dos casos desaparece dentro de 6 a 18 meses sem qualquer intervenção médica.

Em determinadas situações, a dor pode persistir e requerer tratamento ou cirurgia. Fisioterapia e repouso são os melhores tratamentos e podem ajudar a reduzir a dor e a inflamação.

A doença de Osgood-Schlatter não é uma patologia séria e não causa nenhum dano a longo prazo. Ela não aumenta o risco de desenvolver artrite ou qualquer outro problema nas articulações.

Embora possa ser desconfortável, a patologia não causa alterações permanentes na articulação do joelho.

Fontes úteis

Fontes de apoio: AAOS: Osgood-Schlatter disease | MedlinePlus: Osgood-Schlatter disease

Arquivado em: Doenças de A-Z, Ortopedia, Pediatria

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