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Sódio em excesso: malefícios e como reduzir

13 de novembro de 2022 by Leilane Lilian Araújo Leal

Sódio em excesso aumenta retenção de líquido e pode piorar pressão arterial, risco cardiovascular e doença renal em pessoas suscetíveis. O problema costuma vir menos do sal colocado à mesa e mais da soma de ultraprocessados, embutidos, temperos prontos, pães, queijos e refeições prontas.

O sódio (também conhecido como sal ou cloreto de sódio) é um mineral que participa de funções básicas no corpo, como equilíbrio ácido/base, equilíbrio de água no organismo, contração muscular, impulsos nervosos, ritmo cardíaco, entre outros.

Contudo, com avanço da indústria alimentícia e o aumento do consumo de alimentos industrializados e ultra processados, normalmente riquíssimos em sódio, o excesso de sódio começou a causar alerta.

Onde é encontrado?

O sódio está presente principalmente no sal de cozinha, que é constituído de 60% de cloreto e 40% de sódio. Tradicionalmente, o sabor do “salgado” é muito valorizado na cultura brasileira. Esse mineral foi o primeiro tempero da civilização, e também é um dos conservadores mais antigos, tanto de uso doméstico como industrial, aumentando a vida de prateleira dos produtos processados. Por conta disso, o sódio é encontrado em quase todos os alimentos industrializados, mesmo os de sabor doce.

Entre os alimentos com maior teor de sódio estão os tabletes de caldo industrializados, macarrão instantâneo, pipoca de micro-ondas, salgadinhos industrializados, conservas, enlatados, embutidos e defumados, além de biscoitos recheados e gelatinas. Em 35g de pó para gelatina contém 520mg de sódio, ou seja, 26% do sódio diário recomendado pela Organização Mundial de Saúde para crianças.

salgadinhos industrializados

Porém, não apenas alimentos industrializados possuem sódio. Mais ou menos 10% de alimentos que consumimos durante o dia já contêm sódio naturalmente na sua composição (o chamado sódio intrínseco). A carne, o peixe, queijos, ovos e as algas são as principais fontes naturais deste mineral.

Por último, merece atenção o sal adicionado à comida (chamado de sal de adição), que representa cerca de 15% do consumo diário de sódio. Educar o paladar para apreciar alimentos com menos sal é de grande importância para o controle do consumo de sódio.

Quais os malefícios do sódio?

É importante começar esclarecendo que o sódio tem papel importante no organismo. Ele é responsável pelo equilíbrio osmótico e pela regulação do volume de fluídos (líquidos) corporais, como o sangue, além de atuar diretamente no funcionamento de músculos e nervos.

Os malefícios começam com o exagero.

Em excesso, o sódio favorece retenção de líquidos e pode dificultar o controle da pressão arterial. Ao longo do tempo, hipertensão, doença renal, diabetes, tabagismo e colesterol elevado aumentam risco cardiovascular; por isso a leitura correta é reduzir o excesso de sal dentro de um padrão alimentar mais equilibrado.

A ingestão alta de sódio está associada a maior risco de hipertensão, especialmente em pessoas predispostas. Reduzir sódio da dieta pode ajudar no controle da pressão arterial, junto com peso, atividade física, álcool, sono, medicamentos e outros fatores de risco cardiovascular.

você sabe os malefícios do sódio para o organismo

A excreção renal de sódio prejudicada também pode levar à hipertensão. Indivíduos saudáveis podem excretar uma carga de sódio sem elevação da pressão, porém pacientes com certa lesão renal podem apresentar essa dificuldade.

Consumo muito alto de sódio pode aumentar a excreção urinária de cálcio em alguns contextos, mas osteopenia e osteoporose dependem de muitos fatores, como idade, menopausa, vitamina D, proteína, atividade física, medicamentos e histórico familiar.

Não é preciso transformar o sódio em causa direta de alergia ou morte celular para reconhecer o problema. O consumo alto e frequente costuma vir de ultraprocessados, embutidos, temperos prontos e refeições muito salgadas, que também pioram a qualidade geral da dieta.

O envelhecimento e o risco cardiovascular dependem de muitos fatores; reduzir sódio é uma medida útil, mas não substitui controle de pressão, atividade física, sono, peso, glicemia e acompanhamento quando necessário.

Como controlar o consumo?

A Organização Mundial da Saúde indica que o consumo ideal de sal por dia é de apenas 5 gramas para um adulto, que equivale a 2000 mg de sódio, correspondendo a 1 colher de chá cheia.

Estudos mostram que o povo brasileiro consome, em média, 12 gramas ao dia. Uma mudança de hábitos é necessária para conseguir diminuir o consumo de sal, e, consequentemente, de sódio no dia a dia. Tirar o saleiro da mesa; substituir o sal por temperos naturais, como limão, azeite, vinagre, alho, cebola e ervas; equilibrar o consumo de alimentos industrializados com o aumento de alimentos frescos, frutas, legumes etc.

Aprenda a escolher produtos com menor teor de sódio na prateleira. Em uma única salsicha são encontrados 550 mg de sódio, você sabia? Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, é obrigado informar o teor do sódio dos alimentos. Procure a tabela de informação nutricional no rótulo do alimento e escolha aqueles produtos com menor teor do mineral. O mesmo tipo de queijo, por exemplo, pode ter uma grande variação a depender da marca.

Diversos nutrientes também podem atenuar os efeitos do sódio no organismo. O potássio pode diminuir os efeitos do sódio sobre a pressão arterial, presente em frutas, legumes, verduras, peixes e aves. O magnésio e o cálcio podem reduzir a pressão arterial, encontrado em leguminosas (grãos de vagens, como feijões, lentilhas, ervilhas), frutos secos (como nozes, amêndoas), verduras escuras e grãos integrais.

Frutas com alto teor de água podem ajudar na hidratação e substituir opções mais salgadas ou ultraprocessadas, mas não “desintoxicam” o corpo. Para os rins, o mais importante é hidratação adequada, controle da pressão, menor excesso de sódio e orientação individual quando há doença renal ou uso de diuréticos.

melancia

Frutas, verduras, feijões, água e refeições menos processadas ajudam mais do que apostar em chás para “retirar” substâncias do corpo. Hibisco e outros chás podem interagir com remédios ou não ser adequados para todos; o foco principal deve ser reduzir sal de adição e ultraprocessados.

Onde olharComo reduzir o excesso
RótuloCompare sódio por porção e por 100 g entre produtos parecidos.
Temperos prontosCaldo, shoyu e misturas prontas concentram sódio mesmo em pequena quantidade.
Pressão ou rimHipertensão, doença renal e insuficiência cardíaca exigem metas mais individualizadas.
PaladarRedução gradual com alho, cebola, ervas e especiarias costuma ser mais sustentável.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

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Exaustão Emocional: O Impacto na Saúde do Trabalhador

13 de novembro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

Prejuízo persistente no sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado indica necessidade de avaliação e apoio estruturado.

A vida profissional é motivo de satisfação ao adulto. Porém, determinadas vivências estressantes podem se revelar condições inadequadas.

Na sociedade vigente, as exigências e competitividade entre profissionais podem ser desencadeantes de sentimentos de insegurança e instabilidade.


Impacto no trabalho

Talvez, se mostre como desfecho da redução da satisfação no trabalho, questões de saúde, aumento do absenteísmo, baixos índices de produtividade e consequentemente aumento nos custos econômicos das empresas e sociedade geral.

No final da década de 1980, a crescente concorrência entre as organizações tornou-se constante com a
intensificação do comércio internacional e transações globais envolvendo o Brasil, inclusive no campo financeiro.

Dessa maneira, o relacionamento entre a organização e o funcionário transformou-se como perfil participante do processo de desenvolvimento não apenas profissional, mas também pessoal no negócio.


Trabalho e aprendizado

Assim, ao mesmo tempo em que as organizações estão dispostas a investirem com aprendizado aos funcionários, os empregados também esperam esse posicionamento de investimento da empresa para o seu desenvolvimento.

Atualmente as transformações tecnológicas trouxeram aumento de produtividade aos profissionais, gerando mais lucratividade as empresas.

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Outro desfecho interesse foi a necessidade avassaladora em ter que se atualizar e estudar constantemente. Entretanto, esse benefício culminou reveses negativos a saúde do trabalhador, sendo portanto, um alerta das pesquisas recentes sobre novas enfermidades resultantes ao mundo do trabalho.

Por consequência, diversos eventos no ambiente de trabalho e não alinhadas as características pessoais dos profissionais, eventualmente, podem contribuir para desprazeres, não trazendo bem-estar ao trabalho em termos que questões psicológicas aos colaboradores.


Estresse como ponto de partida

Pois bem, fala-se do estresse como ponto de partida em termos de representação de contexto desse
processo saúde-doença.

Quando o ambiente passa de satisfatório para inibitório de seus desejos e objetivos, influenciando nos planos de vida pessoal e profissional, o colaborador já não dispõe mais de capacidades para auxiliar e enfrentar a rotina de trabalho como antes.

Tal percepção fornece um sentimento negativo de inadequação individual e profissional, podendo influir sobre a postura do funcionário sobre o atendimento acerca da instituição negativamente.

O estresse de função é aquele correlacionado ao papel da pessoa na instituição, onde há ambiguidade de conduta e conflito de papéis.

A Exaustão Emocional é conhecida como redução ou ausência de energia atrelada ao esgotamento
emocional, se manifestando fisicamente e psicologicamente.


Síndrome de Burnout

É percebida como uma das etapas centrais da Síndrome de Burnout e pode-se dizer que, é uma condição acarretada devido estresse ocupacional crônico, onde há um ambiente de trabalho com alto teor de exigências e baixo nível de recursos disponíveis emocionalmente para lidar.

A Síndrome de Burnout é definida como resultado de estresse crônico derivado do ambiente de trabalho consistindo em 3 sintomas chaves: a Exaustão Emocional, a Despersonalização e a redução da Realização Pessoal.

Cientificamente a Exaustão Emocional é tida como indicador primário da Síndrome de Burnout. Por sua
vez, pesquisadores afirmam que a Exaustão Emocional seja precursora da Despersonalização como componente que impacte na diminuição da Realização Pessoal.

A Despersonalização se refere a ideia negativa acerca do cliente.

Seja no ambiente de trabalho ou na vida, o ser humano possui recursos denominados de energia emocional e suporte socioemocional, do qual estes elementos atuam na manutenção de si.

Contudo, se tratando do mundo do trabalho, as imposições desse ambiente podem oprimir esses mesmos recursos, levando a Exaustão Emocional.

As novas necessidades do trabalho moderno, físicas ou psicológicas, refletem estressores no trabalho, como a própria dissonância emocional, podendo haver altas taxas de recuperação.


Pesquisas e exaustão emocional

A Exaustão Emocional tem sido utilizada como medidor em diversas pesquisas de ambiente organizacional, devido suas inúmeras implicações no funcionamento da empresa e qualidade de vida dos empregados, sobre uma carga de distanciamento emocional e cognitivo do trabalho significativamente.

Estudos indicam que demandas emocionais construídas no trabalho estão intimamente relacionadas a regulação emocional e bem-estar psicológico, demonstrando haver um equilíbrio entre a capacidade de regulação das emoções e de estar bem consigo.

Basicamente a Exaustão Emocional é uma resposta a agravantes estressores tanto organizacionais quanto pessoais: sobrecarga de trabalho extenuante, contatos interpessoais insatisfatórios, papéis conflituosos nos relacionamentos entre pares, altos níveis de expectativas e de organização consigo e com a instituição.

Pesquisas sugerem que a Exaustão Emocional está correlacionada negativamente com a criatividade. Além do mais, estaria relacionada a ansiedade, depressão e somatizações. Experiências demonstram que profissionais são influenciados por uma atuação superficial ou por uma atuação profunda.

Isso quer dizer que, os colaboradores que trabalham horas a fio atendendo clientes se encontram em uma posição de maior Exaustão Emocional depois de horas trabalhadas, tendendo a não conseguirem ofertar mais de si para o trabalho.

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Aliás, os colaboradores que se sentem empáticos para exercerem sua função estão mais comprometidos com o serviço, todavia há propensão de Exaustão Emocional dado excesso de interações no serviço. Parece que há alguns perfis mais suscetíveis a Exaustão Emocional.

Indivíduos que se encontram em posição de limite operando nas necessidades da organização ao contrário de indivíduos que possuem espaço para escolher, podem experimentar níveis maiores de Exaustão Emocional.

Fator relevante é a ansiedade que está comumente relacionada a Exaustão Emocional. Esse elemento
dificulta o posicionamento de ir trabalhar, aumentando a frustração e irritabilidade dos profissionais frente ao serviço, segundo a percepção de que não conseguem ofertar mais o mesmo entusiasmo que antes aos clientes.

As consequências a saúde do trabalhador sobre a Exaustão Emocional são: resultados psicológicos
referentes ao serviço, vontade de largar o trabalho e comprometimento no desempenho profissional.

Também é relatado pelas pesquisas que, trabalhadores sofrem dificuldades de concentração, alterações no sono, irritação, enxaqueca, mudanças de humor e repercussões familiares significativas de cunho negativo.

Além disso, redução no bem-estar subjetivo é notável pois, a experiência emocional encontra-se esgotada, aliado a desânimo, preocupação excessiva, inflexibilidade e comorbidades clínicas.

A resiliência foi um dado significativo achado nas pesquisas como fator protetivo para amenizar os efeitos da Exaustão Emocional bem como seu início.

A inteligência emocional é outro elemento importante capaz de ajudar na regulação das emoções.
Os principais sintomas da Exaustão Emocional são: tristeza, angústia, desânimo, ausência de prazer, irritação, choro, ansiedade, alterações no sono, alterações na memória, dificuldades de concentração e cansaço.


Pandemia COVID-19 e exaustão emocional

A pandemia do vírus COVID-19 trouxe imprevisibilidade na rotina mundial, além de impactos a saúde
mental, sustando questões psicológicas importantes e determinantes as normas de convivência social.

Tais mudanças proporcionaram uma sobrecarga aos profissionais dos serviços essenciais em termos de cuidados. Por conta do número de infectados, o número de cuidados sofreu pressão exacerbada em ter que cuidar da população doente e com sintomas mentais.

Destacam-se serviços gerais de limpeza, entregadores de encomendas, seguranças, funcionários de empresas, motoristas de caminhão, ônibus ou carro e profissionais da área da saúde e assistência social.

Entre as consequências para quem trabalhou na linha de frente estão: carga horária acima da média, ausência de tempo com a família, pressão, ônus da mídia, falta de informações, frustrações pelas perdas e Exaustão Emocional.

O Tratamento para o sofrimento em Exaustão Emocional é multidisciplinar e requer o acompanhamento de profissionais de diversas áreas. Um psiquiatra, um psicólogo, um médico de família e demais especialistas de confiança que possam cuidar desse quadro delicado.

O apoio de familiares e amigos na construção de uma rede de laços de colaboração nesse momento em que o paciente sinta-se confiante e fortalecido para seguir em frente no tratamento e na vida.

O paciente precisará de encorajamento constamento, pensamento positivo, perspectivas realistas de um futuro melhor para si e a crença de que tudo ficará melhor. Sair de um quadro de estafa mental não
é tarefa fácil.

Tanto o corpo como a mente não corresponde mais positivamente a vida. Por isso, outras
comorbidades são factíveis como a depressão, a ansiedade e até mesmo os transtornos dissociativos.

Quando buscar apoio estruturado

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Quadro prático: padrão, intensidade e impacto

Em saúde mental, frequência, intensidade e prejuízo na rotina ajudam a separar emoção passageira de sofrimento persistente.

DimensãoO que observarPor que importa
PadrãoQuando aparece, quanto dura e o que costuma disparar.Diferencia reação pontual de ciclo repetido.
ImpactoSono, apetite, trabalho, estudo, vínculos e autocuidado.Mostra se há prejuízo funcional.
SegurançaIsolamento, álcool/drogas, autoagressão ou pensamentos de morte.Pode exigir ajuda imediata.
  • Anote situações que pioram e aliviam.
  • Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
  • Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.


Referências:

  1. Araújo, D. D. (2017). O papel mediador da exaustão emocional na relação indireta entre a ruminação e o presentismo (Doctoral dissertation).
  2. Babakus, E., Cravens, D. W., Johnston, M., & Moncrief, W. C. (1999). The Role of Emotional Exhaustion in Sales Force Attitude and Behavior Relationships. Journal of the Academy of Marketing Science, 27(1), 58–70.
  3. Ceribeli, H. B., Aguiar, T. C., & Maciel, G. N. (2021). Uma análise da relação entre supervisão abusiva, exaustão emocional e intenção de abandono da organização. Revista de Carreiras e Pessoas, 11(3).
  4. Ceribeli, H. B., & do Carmo Silva, L. K. (2020). Desenvolvimento profissional, exaustão emocional e intenção de permanência nas organizações.Revista de Carreiras e Pessoas,10(2).
  5. Ferreira, J. R. (2019). Exaustão emocional no setor da restauração: Implicações das redes sociais (TripAdvisor)(Doctoral dissertation).
  6. García-Romero A, Martinez-Iñigo D. Validation of an Attributional and Distributive Justice Mediational Model on the Effects of Surface Acting on Emotional Exhaustion: An Experimental Study. Int J Environ Res Public Health. 2021 Jul 14;18(14):7505.
  7. Gong Z, Sun F, Li X. Perceived Overqualification, Emotional Exhaustion, and Creativity: A Moderated-Mediation Model Based on Effort-Reward Imbalance Theory. Int J Environ Res Public Health. 2021 Oct 29;18(21):11367.
  8. Lee YH, R Richards KA, Washhburn NS. Emotional Intelligence, Job Satisfaction, Emotional Exhaustion, and Subjective Well-Being in High School Athletic Directors. Psychol Rep. 2020 Dec;123(6):2418-2440.
  9. Lima, S. O., da Silva, M. A., Santos, M. L. D., Moura, A. M. M., Sales, L. G. D., de Menezes, L. H. S., … & de Jesus, C. V. F. (2020). Impactos no comportamento e na saúde mental de grupos vulneráveis em época de enfrentamento da infecção COVID-19: revisão
    narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, (46), e4006-e4006.
  10. Panari C, Caricati L, Pelosi A, Rossi C. Emotional exhaustion among healthcare professionals: the effects of role ambiguity, work engagement and professional commitment. Acta Biomed. 2019 Jul 8;90(6-S):60-67.
  11. Rissardo, M. P., & Gasparino, R. C. (2013). Exaustão emocional em enfermeiros de um hospital público.Escola Anna Nery,17, 128-132.
  12. Soares, J., & Rocha, J. C. (2010). Exaustão Emocional dos cuidadores de doentes oncológicos-Eficácia de uma intervenção de grupo (Doctoral dissertation, Doctoral dissertation). Porto: Universidade do Porto, Faculdade de Psicologia e ciências de educação).
  13. Tamayo, M. R., & Tróccoli, B. T. (2002). Exaustão emocional: relações com a percepção de suporte organizacional e com as estratégias de coping no trabalho. Estudos de Psicologia (Natal), 7, 37-46.
  14. Wright, T. A., & Bonett, D. G. (1997). The contribution of burnout to work performance. Journal of Organizational Behavior, 18(5),491–499.

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Dor Abaixo do Umbigo: O que é? Causas e Sintomas

13 de novembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Resumo – O que é?

A dor abaixo do umbigo pode ser multicausal e precisa de um diagnóstico médico. Pode denotar um problema grave de saúde ou um evento simples, mas a prevenção é sempre a solução.

Mapa clínico: dor abaixo do umbigo pede localização e contexto

Em resumo: dor abaixo do umbigo pode vir de intestino, bexiga, músculos, hérnia, ciclo menstrual, próstata, testículos, útero, ovários ou infecção. O que muda a urgência é intensidade, duração, febre, vômitos, sangue, gravidez, dor ao urinar e defesa abdominal.

Fluxo visual de dor abaixo do umbigo com intestino, bexiga, órgãos pélvicos e músculos.
O mesmo local pode ter causas diferentes em homens e mulheres.
Diagrama de sinais de alerta na dor abaixo do umbigo com dor forte, febre, vômitos, sangue, gravidez e desmaio.
Dor abdominal forte ou progressiva precisa ser examinada.
PistaPossível caminhoO que observar
Dor com diarreia ou gasesIntestino pode participar.Alimentos, evacuação, febre e hidratação.
Dor ao urinarBexiga ou infecção urinária entram na lista.Ardor, urgência, sangue e febre.
Dor pélvica cíclicaCiclo menstrual ou causas ginecológicas podem influenciar.Data do ciclo, corrimento, gravidez e intensidade.
  • Anote localização exata, início, intensidade e fatores que pioram ou aliviam.
  • Procure atendimento rápido se houver dor intensa, febre, vômitos persistentes, sangue, desmaio ou gravidez.
  • Não masque dor abdominal progressiva com remédios repetidos sem avaliação.

Nota de segurança: dor abdominal intensa, rigidez da barriga, febre, vômitos persistentes, sangue ou suspeita de gravidez exigem avaliação imediata.

Para continuar no tema: Gastroenterologia | Urologia | Dor abdominal e vesícula

Causas

Pode ser causada por algumas patologias, como: problemas relacionados ao sistema reprodutor, cólicas menstruais, miomas uterinos, gravidez ectópica, aborto, doença inflamatória pélvica, infecção urinária, constipação, excesso de gases, hemorroidas, síndrome do intestino irritável, prostatite, diverticulite ou apendicite.

Sintomas

Os sintomas variam de acordo com cada patologia citada acima, porém a apendicite é a patologia com alto risco de óbito. É necessário que o paciente se desloque imediatamente em busca de atendimento médico. Para as demais patologias, os sintomas mais comuns são cólicas, desconfortos intestinais, ardência para urinar e os casos mais complexos de dão pelo aparecimento de sangue nas fezes ou na urina e ainda por fezes e urina escurecidos que denotam algum sangramento.

dor abaixo do umbigo

Tratamento

Atenção!

A automedicação não é recomendada!

Muitas doenças são agravadas e é possível ter graves complicações com essa prática. Consulte sempre um médico. O tratamento varia de acordo com cada patologia, mas podem ser administrados medicamentos para dor abdominal como a escopolamina + dipirona, ibuprofeno, dimenidrinato, ondansetrona e metoclopramida que servem para as náuseas.

Causas de dor no umbigo

A dor abaixo do umbigo pode ter algumas causas diferentes, mas deve ser avaliada pelo médico e entendida para então ser tratada.


Dismenorréia e dor abaixo do umbigo

A dor abaixo do umbigo é mais comum às mulheres – jovens e adultas – em idade reprodutiva, infelizmente pode denotar algum problema relacionado ao sistema reprodutor (útero, ovários e colo do útero, por exemplo) ou simplesmente podem estar relacionadas às famosas “cólicas menstruais”, também conhecidas na medicina como dismenorreias, dores na região inferior abdominal que precedem o período menstrual, sua intensidade é variável podendo ser leve, moderada ou alta e é geralmente acompanhada de outros sintomas, como náuseas, vômitos, tonturas, diarreia e sudorese.

SintomaDescrição
Cólicas menstruais (cramping)Dor tipo cólica intensa no baixo ventre durante a menstruação.
Dor na região lombar e abdominaisDor na parte inferior das costas que irradia para a região abdominal.
Náuseas e vômitosEnjoos, ânsia de vômito e vômitos durante a menstruação.
DiarreiaDiarreia antes ou durante o período menstrual.
TonturaSensação de tontura e vertigem durante as cólicas.
CefaleiaDor de cabeça, principalmente antes ou no início da menstruação.
FadigaCansaço extremo e falta de energia durante a síndrome dolorosa.


Endometriose

Algumas pacientes com endometriose também sentem este desconforto, mas geralmente ele é acompanhado de: diarréia ou constipação, sangramentos anormais e inespecíficos, inchaço abdominal, dor durante o ato sexual e pode fazer com que a paciente seja incapaz de se reproduzir.

SintomaDescrição
Dor pélvicaDor na região pélvica, especialmente durante a menstruação. A dor pode ser constante ou intermitente e variar de leve a severa.
DismenorreiaCólicas menstruais intensas e dolorosas.
Dor durante relações sexuaisSensação de dor na penetração durante o ato sexual, especialmente em determinadas posições.
Sangramento menstrual irregularSangramento menstrual excessivo, sangramento entre períodos menstruais ou menstruação ausente.
InfertilidadeDificuldade para engravidar devido a alterações nas trompas, ovários ou útero causadas pela endometriose.
Cansaço e fadigaSensação constante de cansaço, mesmo após uma noite de sono adequada.
Diarreia e/ou constipaçãoMudanças nos hábitos intestinais, especialmente antes ou durante a menstruação.


Miomas uterinos

Ainda em relação à saúde feminina, podem acontecer os chamados “miomas uterinos”, que são como se fora tumores (não cancerígenos no geral) que fazem com que a paciente sinta dor abaixo do umbigo, acompanhada de ciclos menstruais prolongados, dor nas costas, necessidade frequente de urinar e até mesmo incontinência.

SintomaDescrição
Sangramento menstrual excessivoMenstruação muito abundante, com coágulos, que dura mais de 7 dias.
DismenorreiaCólicas menstruais intensas e dolorosas.
Dor pélvicaSensação de pressão, peso ou desconforto na pelve.
Sangramento entre períodosSangramento vaginal irregular entre as menstruações.
InfertilidadeDificuldade para engravidar devido a alterações anatômicas no útero causadas pelo mioma.
Abortos de repetiçãoAbortos recorrentes, frequentemente no primeiro trimestre.
Dor durante as relações sexuaisSensação de dor na penetração durante o ato sexual.
Sintomas urináriosAumento da frequência e urgência urinária.


Investigação e outras causas

No que diz respeito à saúde feminina, a dor abaixo do umbigo precisa ser investigada para que a causa seja entendida, além das condições citadas, esse desconforto pode ser um sinal de outros problemas como: gravidez ectópica (quando o óvulo é fertilizado e está fora do útero e pode se ligar à qualquer lugar do abdome, causando dor intensa, sangramentos e outros desconfortos), aborto (quando a gestação chegou até aproximadamente vinte semanas e ocorre a perda do feto, causando uma intensa dor abaixo do umbigo e sangramento vaginal com restos fetais) e doença inflamatória pélvica (uma infecção sexualmente transmissível que é geralmente acompanhada de corrimento anormal e gera incômodos como dor durante o ato sexual e um odor fétido).

saúde feminina

Dor abaixo do umbigo em homens

Mas a dor abaixo do umbigo não é exclusiva somente para as mulheres, os homens podem sentir este desconforto que precisa de atenção.


Infecção urinária

Quando o paciente está com infecção urinária é comum que se sinta dor na região do baixo ventre, abaixo do umbigo. Geralmente acompanhada de outros sinais como: urina escurecida e ácida e um desconforto na uretra ao urinar, é extremamente importante que se faça o tratamento – que geralmente é feito por antibióticos por via oral – para que situações mais graves e mais difíceis de serem tratadas não ocorram.


Constipação, excesso de gases e hemorróidas

Problemas intestinais como constipação, excesso de gases e hemorróidas também podem gerar uma sensação dolorosa abaixo do umbigo, mas não é muito comum, a síndrome do intestino irritável também pode gerar uma dor abaixo do umbigo, pois o paciente frequentemente têm cólicas e episódios de diarréias após consumir determinados alimentos.

SintomaDescrição
Fezes endurecidas e ressecadasAs fezes ficam endurecidas, ressecadas e difíceis de serem eliminadas.
Esforço para evacuarNecessidade de fazer pressão e esforço excessivos para conseguir evacuar.
Sensação de evacuação incompletaSensação de que o intestino não esvaziou totalmente após a evacuação.
Evacuações infrequentesMenos de 3 evacuações por semana.
Dor ou desconforto abdominalDor, cólicas ou desconforto abdominal, especialmente ao evacuar.
Flatulência e distensão abdominalExcesso de gases, inchaço e distensão abdominal.
NáuseasÂnsia de vômito ocasional devido ao esforço para evacuar.
CefaleiaDor de cabeça ocasional após esforço para evacuar.


Prostatite

Nos homens, existe uma doença chamada de prostatite, que é uma inflamação tecidual prostática, a maioria dos homens acometida por ela relata um desconforto abaixo do umbigo, por isso o diagnóstico precisa ser feito por um urologista pois muitas vezes pode ser confundida com apendicite e problemas intestinais.

SintomaDescrição
Dor ao urinarSensação de ardência e dor durante a micção.
Micção frequenteAumento na frequência e no número de idas ao banheiro para urinar.
Micção noturnaNecessidade de levantar à noite diversas vezes para urinar.
Jato urinário fracoJato de urina mais fraco que o habitual.
Sangue na urinaUrina com traços de sangue ou avermelhada.
Dor ou desconforto na região pélvica ou perinealSensação de dor, pressão ou desconforto entre o escroto e o ânus.
Dor ao ejacularSensação de dor ou ardência durante a ejaculação.
Corrimento uretralSecreção mucosa ou purulenta pela uretra.


Diverticulite – acomete homens e mulheres

Outra situação clínica comum que acomete homens e mulheres é a diverticulite, que é uma inflamação intestinal causada por acúmulo de fezes nos divertículos, geralmente ocasionando dor abaixo do umbigo, febre, prisão de ventre e até fezes escurecidas pela presença de sangue.

problemas intestinais


Apendicite

Um dos motivos patológicos que também causam esse desconforto é a apendicite, que requer um diagnóstico rápido e uma intervenção assertiva, podendo levar o paciente a óbito caso não seja tratado adequadamente. A apendicite pode desencadear alguns sintomas como: náuseas, inchaço abdominal, dor abaixo do umbigo e na parte inferior direita do baixo ventre.

É uma inflamação que pode ser fatal. A dor se inicia na parte superior do abdome e depois para a região baixa, é uma dor contínua que faz com que o paciente apresente náuseas, vômitos e temperatura elevada. Por causa da localização fisiológica do apêndice, a dor está localizada abaixo do umbigo.


Importância da investigação

Ao sentir dor abaixo do umbigo, é necessário que fiquemos alertas aos sinais de urgência clínica: dor intensa, sangramento nas fezes ou na urina, febre, dor nos testículos e sangramentos anormais acompanhados de cólicas.

Caso os sintomas sejam agudos e intensos, é importante procurar ajuda médica imediatamente.

Quando descartada a apendicite, por exemplo, o tratamento médico para a maioria das patologias citadas inclui analgésicos que atuarão no controle da dor. As especialidades mais recomendadas são: urologista (homem), ginecologista (mulher), gastroenterologista e clínico geral.

A automedicação não é aconselhável para que os problemas não sejam agravados e os exames físicos e clínicos definirão o tratamento, após encontrar as causas.

Fontes úteis

Fontes de apoio: NHS: stomach ache symptoms | MedlinePlus: abdominal pain

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Ansiedade e suor nas mãos e pés: o que fazer

13 de novembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Sofrimento emocional merece atenção quando deixa de ser uma reação passageira e passa a afetar sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho, estudo ou autocuidado. A leitura mais útil observa duração, intensidade, prejuízo e presença de risco para a pessoa ou para terceiros.

O SUOR é um mecanismo natural que ajuda a regular a temperatura do corpo. Por ser um processo natural, acontece com todo mundo. Quando você se exercita praticando atividades físicas ou quando o clima esquenta, o corpo produz suor para ajudar a refrescar. No entanto, nem sempre o corpo produz suor nessas situações.

Por que a transpiração aumenta?

A transpiração pode também acontecer como uma resposta ao estresse, medo e ansiedade. Por isso, um dos sintomas físicos da ansiedade é o suor, especialmente nas mãos e nos pés.

A ansiedade é um distúrbio comum que acontece a partir de sentimentos negativos relacionados a medo e preocupação excessiva com o futuro ou perigos que o indivíduo possa sofrer. A ansiedade ativa as respostas de luta e fuga, desencadeando a liberação de neurotransmissores do tipo neuropeptídeos, gabaérgicos e serotoninérgicos.

Quando estamos ansiosos, é comum experimentar um aumento na transpiração devido às mudanças na resposta ao estresse. O corpo quando fica excessivamente estressado, pode agir de forma involuntária, causando sensações involuntárias e sintomas de estresse e ansiedade. O suor nas mãos e nos pés durante a ansiedade é resultado do estado hiperestimulado do seu corpo.


Importância do suor na fisiologia humana

O suor é ativado para ajudar a resfriar o seu corpo de toda essa energia estressante. Se não acontecesse isso, provavelmente superaqueceríamos e danificaríamos nossos músculos, enzimas e diversos fatores biológicos importantes do corpo que não podem operar em temperaturas tão altas. Por isso, a transpiração é saudável e até serve como uma proteção em situações de ansiedade e nervosismo.

Então, você agora já entendeu por que em uma reunião de trabalho importante ou durante a prova final da faculdade, as suas mãos suam tanto. O corpo está respondendo à energia extra e resfriando naturalmente para não danificar.

O problema é quando a transpiração acontece com muita frequência e de forma intensa em situações de estresse e ansiedade. Nesses casos, é importante buscar o tratamento adequado para a ansiedade.

suor nas mãos e nos pés: ansiedade

Tratamento da ansiedade

O tratamento baseia-se em medicamentos benzodiazepínicos e antidepressivos. O tratamento com antidepressivos é geralmente mantido por dois anos, dependendo do caso, e podem ser gradativamente retirados sob a orientação médica.


Psicoterapia

Além do tratamento medicamentoso, a psicoterapia é uma terapia importante para o controle da ansiedade. Dentro da psicoterapia, a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), juntamente com as alternativas farmacológicas, tem se mostrado efetivas no tratamento da ansiedade. É uma técnica que envolve o melhoramento de rotina do paciente, através de técnicas de relaxamento, mudança e controle total do sofrimento por antecipação a algum evento.


Meditação

A meditação é uma outra alternativa que possui função importante no controle dos sintomas da ansiedade. Meditar proporciona o melhoramento respiratório de frequências aceleradas do paciente, promovendo um relaxamento e bem-estar, tanto muscular quanto psíquico. Diante disso, ocorre a redução de sentimentos negativos associados ao estresse psicológico.


Acupuntura

A acupuntura é também muito utilizada para o tratamento da ansiedade, pois de acordo com a perspectiva chinesa, a ansiedade envolve um desalinhamento e desequilíbrio do eu. A acupuntura, portanto, consiste em atingir a harmonia entre o corpo e a mente através de estímulos em pontos específicos do corpo.

acupuntura para o tratamento da ansiedade

Fitoterapia

Tratamentos com medicamentos fitoterápicos também podem ser associados como alternativa para o controle da ansiedade. Medicamentos fitoterápicos não causam dependência e são considerados seguros, pois tem poucos efeitos colaterais. Passiflora incarnata e Valeriana officinalis são muito utilizadas para a ansiedade.

A Passiflora incarnata possui propriedades importantes, como fibras, polifenóis e ácidos graxos poli-insaturados, desencadeando uma atividade antidepressiva do sistema nervoso central, atuando nos distúrbios ansiosos. A Valeriana officinalis é também uma excelente opção terapêutica com ação ansiolítica como a Passiflora incarnata, fornecendo ação relaxante e calmante.


Importância dos exercícios para ansiedade

E sem dúvidas, os exercícios físicos são fundamentais para quem sofre com ansiedade. Durante a prática de exercícios físicos, ocorre a liberação de vários hormônios, como a endorfina (que promove a sensação de bem-estar e recompensa) e neurotransmissores.

Tudo isso melhora o fortalecimento muscular, o metabolismo, aumenta a imunidade, além de reparar e renovar a saúde mental.

No entanto, para a melhora da ansiedade, os exercícios físicos precisam ser realizados com cautela, pois é importante praticar de acordo com a aptidão de cada pessoa. Exercícios de alto impacto com aumento ventilatório descontrolado podem aumentar os níveis de lactato sanguíneo, trazendo o risco de um ataque de pânico.

Então, pratique exercícios físicos de forma controlada e sob supervisão de um profissional qualificado.

Referências:

ABRAHAM, M. Anxiety sweating – How to reduce it. CalmClinic. 2020.

ALMEIDA, D. P. et al. Ansiedade em graduandos da área da saúde: revisão bibliográfica. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Farmácia) – Faculdades Integradas de Fernandópolis – FIFE, Fernandópolis, 2020.

FOLK, J. Sweating – profuse, excessive, uncontrollable – Anxiety symptoms. Anxietycentre. 2021.

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

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Oito copos de água por dia: mito ou regra?

13 de novembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Oito copos de água por dia é uma referência simples, não uma regra igual para todo mundo. Necessidade de hidratação muda com calor, suor, atividade física, alimentação, gravidez, idade, doenças, medicamentos e cor da urina ao longo do dia.

Contudo, a alguns anos esta frase deixou de ser sinônimo de ideal, visto que entidades de saúde do mundo todo entenderam que as necessidades individuais de cada um não podem ser utilizadas para todos.

Todavia, não faz sentido que a mesma recomendação de ingestão de água de um atleta de alto rendimento seja igual para uma pessoa idosa de 65 anos.

O mesmo ocorre entre dizer que um bebê de 6 meses deve beber tanta água quanto um adolescente de 15 anos.    

Recomendações de ingestão hídrica atualizadas

Atualmente, as orientações para evitar a desidratação e manter a quantidade de água ideal no organismo baseiam-se na perda de líquidos no dia a dia, assim como o peso e a altura de cada pessoa.

Imagine que um pedreiro trabalha com objetos pesados o dia todo, certamente, ele deverá hidratar-se com mais frequência do que uma pessoa que trabalhe sem esforço físico constante.

No entanto, um dado é certo para todos: devemos evitar a desidratação ao máximo e para que isso ocorra, é necessário saber qual a quantidade certa de água ingerir diariamente.

Uma estimativa por peso pode ajudar a organizar a rotina, mas não deve ser tratada como prescrição fixa. Necessidade de líquidos muda com suor, calor, febre, vômitos, diarreia, gravidez, amamentação, doenças e medicamentos.

Pessoas idosas, assim como crianças podem tomar 35mls para cada quilo, enquanto pessoas com elevado gasto energético devem tomar valores mais próximos a 50 mls por quilo.

Além disso, é preciso saber que a água não é a única opção para evitar a desidratação, muitos alimentos são ricos em água e podem contribuir para a meta diária.

Portanto, tomar 8 copos de água por dia, pode dar certo para a maioria das pessoas, no entanto, a individualidade fisiológica e metabólica de cada um pode fazer com que seja necessário valores acima ou abaixo dessa meta.

Descomplicando e evitando a desidratação

Agua b

Veja um exemplo de como você deve basear sua meta diária de consumo de água para evitar a desidratação:

  • Suponha que você pesa 65 quilos e trabalha como vendedor(a) em uma loja, com nível de atividade física normal;
  • Você deve verificar se você costuma sentir sede frequentemente ou não;
  • Caso sinta sede poucas vezes ao dia, 35mls por cada quilo é um bom parâmetro para sua meta;
  • Então, 35 ml multiplicado por 65 quilos resulta em cerca de 2,3 litros como referência inicial, que deve ser ajustada pela sede, urina, calor, atividade física e orientação clínica quando houver doença.

Observação: sede intensa, treino prolongado, trabalho no calor, febre, vômitos ou diarreia podem aumentar a necessidade de líquidos. Já doença renal, insuficiência cardíaca e alguns remédios podem exigir limite individual.

Como você viu, 8 copos de água por dia podem ser suficientes para a maior parte das pessoas, no entanto, se você considera que este valor é abaixo do que precisa, o cálculo de ingestão por quilo é a melhor alternativa.

Sinais práticos para ajustar a hidratação

Em vez de perseguir exatamente oito copos, observe sinais simples ao longo do dia. A hidratação está adequada quando sede, urina, disposição e exposição ao calor fazem sentido juntos. Um sinal isolado pode enganar: vitaminas, alimentos, remédios e suplementos também mudam a cor da urina.

SituaçãoComo interpretar
Calor, suor ou exercícioA necessidade costuma subir; água ao longo do dia funciona melhor do que tentar compensar tudo no fim.
Febre, vômitos ou diarreiaHá perda maior de líquidos e eletrólitos; sinais de desidratação exigem mais atenção.
Urina muito escura e pouca frequênciaPode indicar baixa ingestão, mas deve ser lida junto com sede, remédios e sintomas.
Doença renal, cardíaca ou uso de diuréticoA meta de líquidos pode ser individual; aumentar água por conta própria nem sempre é seguro.

Manter hidratação demais em pouco tempo também pode causar problemas, principalmente quando há restrição clínica ou perda importante de eletrólitos. Para a maioria das pessoas saudáveis, o melhor ajuste é simples: beber ao longo do dia, aumentar em situações de perda e reduzir bebidas açucaradas como fonte principal de líquidos.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares
  • CDC: água e bebidas mais saudáveis
  • MedlinePlus: desidratação

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Hérnia de disco

13 de novembro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

A hérnia de disco denominada ainda como prolapso, ruptura e extrusão de disco, acontece devido à degeneração do disco, provocada pelo aumento da fadiga e carga mecânica. Que leva o anel a ficar mais fibroso e o núcleo passa a empurrá-lo para o canal medular e gera um desconforto significativo na vida do indivíduo acometido, em razão do impacto nos nervos da medula espinhal, o que pode causar fraqueza, dor, dormência e formigamento.

Uma hérnia de disco compromete a qualidade de vida do indivíduo devido ainda à sua relação existente com o nervo ciático que, por sua vez, perpassa por toda a coluna vertebral, até atrás da perna. Caso esse nervo seja comprometido, isso pode provocar graves problemas para realizar movimentos como levantar, caminhar, inclinar e virar a parte de cima do corpo, além de provocar muito desconforto na extremidade inferior.

Degeneração do disco – Hérnia de disco

Tensão cervical e angulos no disco

A degeneração do disco é o fator basilar que sugere a base patogênica para a hérnia, fator que envolve a diminuição do teor de água ou umidade no anel fibroso e no núcleo pulposo, perda da elasticidade do núcleo pulposo e incidências de fissuras anelares concêntricas.

As causas da hérnias de disco podem envolver lesões traumáticas cumulativas ocasionadas por repetições físicas e trabalho, sedentarismo, agachamento e esportes.


Fatores de risco para hérnia de disco

Outros fatores como anomalias lombossacrais congênitas, deformidades de hemivértebras, de articulação facetária e assimetria do processo articular podem aumentar a pressão do disco intervertebral, deixando o indivíduo vulnerável à degeneração e, portanto, à lesão. Ainda tem os fatores genéticos que incluem receptores de vitamina D, codificação de proteínas estruturais, metaloproteinases de matriz, fatores de crescimento e de apoptose.  

Também são considerados fatores associados à hérnia de disco, condições como diabetes, gestação, obesidade, hiperlipidemia, tabagismo e infecção.

Quadro clínico

Hérnia de disco: exame neurológico vale mais que botão de sintoma

Hérnia pode irritar raiz nervosa por compressão e inflamação, mas imagem alterada nem sempre explica a dor. O que muda a conduta é a combinação entre dor irradiada, força, sensibilidade, reflexos, função e sinais de compressão grave.

Radiculopatia

Dor em trajeto, formigamento, dormência ou fraqueza sugerem raiz nervosa envolvida e precisam ser correlacionados ao exame.

Imagem

Ressonância ajuda quando há déficit, dor persistente, planejamento de procedimento ou dúvida diagnóstica.

Urgência

Perda de controle urinário/fecal, anestesia em sela ou fraqueza progressiva exigem avaliação imediata.

A maioria dos quadros melhora sem cirurgia, mas déficit neurológico ou dor incapacitante persistente muda o plano e pode indicar avaliação especializada.

Fontes: AAOS: herniated disk in the lower back; Mayo Clinic: herniated disk.

Aonde a hérnia de disco é mais comum?

A hérnia de disco é mais comum na coluna lombar, seguida pela coluna cervical. Há uma maior incidência de hérnia de disco na coluna lombar e cervical dado às forças biomecânicas na parte flexível da coluna.

hérnia de disco

Diagnóstico de hérnia de disco

Hérnia de disco na coluna cervical

Na coluna cervical, a C6-7 é a hérnia de disco mais comum que causa sintomas, especialmente radiculopatia. No exame físico, atenção especial às fraquezas e distúrbios sensoriais e sua distribuição de miótomos e dermátomos, bem como deve-se estar alerta à qualquer sinal de disfunção da medula espinhal. Deve-se observar ainda se houve algum tratamento anterior. Apresenta-se no Quadro 1, achados típicos de lesão do nervo solitário por compressão por hérnia de disco na coluna cervical, cujas informações podem contribuir para fazer o seu diagnóstico.

Quadro 1: Achados típicos de lesão do nervo solitário por compressão por hérnia de disco na coluna cervical

C5 Nervo – dor no pescoço, ombro e escápula, dormência lateral do braço, fraqueza na abdução do ombro, rotação externa, flexão do cotovelo e supinação do antebraço. Reflexos afetados: bíceps e o braquiorradial.
C6 Nervo – dor no pescoço, ombro, escápula e lateral do braço, antebraço e mão, junto a dormência lateral do antebraço, polegar e dedo indicador. Fraqueza durante a abdução do ombro, rotação externa, flexão do cotovelo e supinação e pronação do antebraço. Reflexos afetados: bíceps e o braquiorradial.
C7 Nervo – dor no pescoço, ombro, dedo médio e dormência da palma.  Fraqueza no cotovelo, punho extensão radial, pronação do antebraço e flexão do punho. Reflexo afetado:  tríceps.
C8 Nervo – dor no pescoço, ombro e antebraço medial, com dormência no antebraço medial e na mão medial. A fraqueza durante a extensão do dedo, extensão do punho (ulnar), flexão distal do dedo, extensão, abdução e adução, junto a flexão distal do polegar. Nenhum reflexo é afetado.
Nervo T1 – dor no pescoço, braço medial e antebraço, dormência no braço anterior e antebraço medial. A fraqueza na abdução do polegar, flexão distal do polegar, abdução do dedo e adução. Nenhum reflexo é afetado.

Hérnia de disco na coluna torácica

A degeneração do disco intervertebral pode causar a síndrome da dor discogênica torácica. As lesões do disco torácico afetam especialmente a parte inferior da coluna torácica. São comuns incidências abaixo de T8, e T11-T12. A maior parte das hérnias discais torácicas são assintomáticas. Opostamente às hérnias discais lombares e cervicais, as hérnias discais torácicas evidenciam sintomas atípicos e por vezes é um diagnóstico de exclusão. Os pacientes podem apresentar alterações sensoriais. Achados graves envolvem anomalias cardiovasculares, distúrbios da marcha e paralisia. Sugere-se observar se houve algum tratamento anterior.

Hérnia de disco na coluna lombar

A hérnia de disco na espinha lombar apresenta sintomas, como anormalidades sensoriais e motoras localizadas a um miótomo específico. A dor começa e se irradia.  Um exame neurológico ajuda a localizar o grau da compressão.  A perda sensorial, fraqueza, localização da dor e perda de reflexos encontram-se relacionados. Sugere-se observar se houver algum tratamento anterior. O Quadro 2 expõe achados típicos de lesão do nervo solitário dado à compressão por uma hérnia de disco na coluna lombar, informações estas que podem contribuir para proceder o seu diagnóstico.

Quadro 2. Achados típicos de lesão do nervo solitário dado à compressão por uma hérnia de disco na coluna lombar

  Nervo L1 – dor e perda sensorial na região inguinal. É rara a fraqueza da flexão do quadril. Nenhum reflexo de estiramento é afetado.
  Nervos L2-L3-L4 – dor nas costas irradiando para a parte anterior da coxa e parte medial da perna, perda sensorial na parte anterior da coxa e por vezes na parte medial da perna. Fraqueza na flexão e adução do quadril e na extensão do joelho. Reflexo patelar reduzido.
  L5 Nervo – dorso que irradia para a nádega, coxa lateral, panturrilha lateral e dorso do pé, hálux. Perda sensorial na panturrilha lateral, dorso do pé, espaço entre o primeiro e o segundo dedo do pé, Fraqueza na abdução do quadril, flexão do joelho, dorsiflexão do pé, extensão e flexão dos dedos do pé, inversão e eversão do pé, redução do reflexo semitendinoso/semimembranoso.
  S1 Nervo – dorso que irradia para a nádega, lateral ou posterior da coxa, posterior da panturrilha, lateral ou plantar do pé. Perda sensorial na panturrilha posterior, aspecto lateral ou plantar do pé. Fraqueza na extensão do quadril, flexão do joelho, flexão plantar do pé. Tendão de Aquiles. Nádega medial, região perineal e perianal. A fraqueza pode ser mínima, com incontinência urinária e fecal e disfunção sexual.
  S2-S4 Nervos – dor sacral ou glútea que irradia para a face posterior da perna ou períneo, déficit sensorial na nádega medial, região perineal e perianal; bulbocavernoso ausente. Reflexo de piscadela anal.

Teste de elevação da perna estendida: paciente em decúbito dorsal, eleva-se devagar a perna do paciente em um ângulo crescente, mantendo-a reta na articulação do joelho. O teste é positivo diante de dor e parestesia características do paciente. 

Teste de elevação da perna estendida contralateral (cruzado): paciente deitado em decúbito dorsal eleva-se a perna assintomática. O teste é positivo se a manobra provocar a dor e parestesia características do paciente. Esse teste apresenta especificidade > 90%.

hérnia de disco

Quanto tempo leva para melhorar os sintomas?

A maioria dos pacientes com sintomas relacionados a uma hérnia de disco aguda tem o problema resolvido entre de 8 a 12 semanas sem tratamentos específicos. Mas, pacientes com exame neurológico anormal ou refratários a tratamentos conservadores necessitam de avaliação e tratamentos adicionais.  

Exames para diagnóstico de hérnia de disco

Raio-X: Acessíveis às clínicas e ambulatórios o Raio x é usado para avaliações de qualquer instabilidade estrutural. Se o raios-x mostrar uma fratura aguda, parte-se para investigar via tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM). 

Tomografia computadorizada: permite visualizar estruturas ósseas na coluna. Mostra ainda hérnias de disco calcificadas. Mas, não é tão acessível quanto o Raio-x. Entretanto, convém mais do que a ressonância magnética. Em pacientes com dispositivos implantados, a mielografia por TC pode ser feita para obter a imagem da hérnia de disco.

Ressonância Magnética: trata-se de um estudo provido de maior sensibilidade para visualizar a hérnia de disco, cujos achados irão ajudar os cirurgiões a fazer o planejamento   dos procedimentos possivelmente necessários.

Diagnóstico diferencial de hérnia de disco

Os diagnósticos diferenciais para uma hérnia de disco compreendem as seguintes condições.

  • Abscesso epidural
  • Amiotrofia diabética
  • Cisto discal
  • Cisto sinovial
  • Dor nas costas mecânica
  • Estenose espinhal degenerativa 
  • Hematoma epidural
  • Metástase
  • Neurinoma
  • Osteófitos
  • Síndrome da cauda equina

Tratamentos conservadores

Grande parte dos casos de hérnia de disco se resolve em algumas semanas após iniciar os sintomas.  Mas, as radiculopatias cervicais e lombares agudas procedentes de uma hérnia de disco devem receber tratamentos não cirúrgicos, como:

  • Anti-inflamatórios não-esteroidais – AINEs
  • Analgésicos comuns: para alívio da dor
  • Fisioterapia: não é recomendada no começo dos sintomas, torna-se necessário aguardar ao menos três semanas, esse recurso é ótimo para manejar a dor incapacitante.
  • Analgésicos opioides:  podem ser considerados em dor intensa e por curto período em situações selecionadas, sempre pesando sedação, constipação, dependência, interações e risco individual. 
  • Injeções epidurais translaminares e bloqueios seletivos de raízes nervosas:  são para sintomas que persistem por mais de quatro a seis semanas (segunda linha). 
  • Consulta cirúrgica reserva-se aos pacientes que não correspondem ao tratamento conservador ou pacientes com déficits neurológicos. 
  • Acupuntura, medicamentos para dor neuropática, analgesia de curto prazo, educação em dor e apoio psicológico podem ter papel em casos selecionados. Em geral, o plano conservador combina controle de dor, movimento progressivo, fortalecimento, ergonomia e acompanhamento dos sinais neurológicos.
tratamento hérnia de disco

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é proposto apenas como último recurso, os procedimentos cirúrgicos para uma hérnia de disco compreendem Laminectomias com discectomias para área cervical ou lombar. Um paciente com hérnia de disco na coluna cervical pode ser tratado, através de uma abordagem anterior que envolve descompressão cervical anterior e fusão. 

Uma alternativa de troca de disco artificial pode ser avaliada. Outros procedimentos cirúrgicos alternativos para a coluna lombar abrangem uma abordagem lateral ou anterior que demanda discectomia total e fusão. Os benefícios do tratamento cirúrgico são moderados, cuja tendência é diminuir com o passar do tempo após a realização da cirurgia.

Ressalta-se juntamente que a hérnia de disco torácica é uma doença rara e tecnicamente muito desafiadora para os cirurgiões, pois são vários os métodos disponíveis para o seu tratamento, mas que podem envolver distúrbios neurológicos, probabilidade de lesão iatrogênica do cordão e complicações relacionadas as abordagens cirúrgicas. 

Atualmente, pode-se contar com as cirurgias minimamente invasivas incorporadas no manejo de distúrbios da coluna, cujos cirurgiões devem estar cientes que o manejo dessas condições é raro e difícil. Mesmo assim, os resultados da cirurgia minimamente invasiva para essas condições são comumente favoráveis. Lembrando-se que a localização da hérnia é um fator relevante para fazer o planejamento cirúrgico.

Cita-se ainda um estudo que buscou determinar taxas de complicações cirúrgicas, reoperações e readmissões após cirurgia de hérnia de disco lombar e investigar o impacto de fatores sociodemográficos e comorbidade no percentual de eventos adversos.

Os dados de operações de hérnia de disco lombar foram retirados de um grande banco de dados médicos de procedimento e diagnóstico de todos os hospitais públicos da Noruega de 1999 a 2013. Os dados apontam que de 34.639 operações, 2,7% tiveram uma complicação cirúrgica, 2,1% tiveram cirurgia repetida em 90 dias, 2,4% tiveram reinternação não cirúrgica em 90 dias, e 6,7% evidenciaram pelo menos um desses eventos adversos que foram associados à idade avançada e comorbidade.

Os autores desse trabalho concluíram que as complicações cirúrgicas são menos constantes do que os mesmos pressupunham a priori. As associações entre as características sociodemográficas do paciente e eventos adversos são limitadas.


Complicações e prognóstico

Uma hérnia de disco pode apresentar complicações como o desenvolvimento de dor crônica nas costas. Alguns casos sintomáticos de hérnias de disco podem provocar até incapacidade laboral. São raros os casos não tratados que causam danos duradouros nos nervos na compressão severa da raiz nervosa. A maior parte das discectomias é bem-sucedida na restauração cirúrgica, entretanto, certos casos demandam repetir a intervenção.  São raras as ocorrências de complicações graves de cirurgia ou procedimentos de intervenção, entretanto casos de paralisia e morte vem sendo mostrados na literatura.

No prognóstico da hérnia de disco, muitos casos respondem ao tratamento conservador. A melhora costuma ocorrer ao longo de semanas ou meses, mas dor persistente, déficit neurológico, perda funcional importante ou sinais de compressão grave mudam a conduta. A cirurgia pode acelerar alívio em casos selecionados, enquanto outros pacientes evoluem bem sem operação.

A partir das considerações teóricas aqui apresentadas foi possível vislumbrar que a hérnia de disco é uma enfermidade comum no contexto clínico, mas que pode ocasionar grandes danos à saúde física e mental dos pacientes acometidos. Isso porque, a dor provocada por esse quadro tende a ser aguda ou ardente e irradiar na raiz nervosa comprimida. Ocorrendo dormência, formigamento, fraqueza e/ou sensação de instabilidade na deambulação. Diante disso, os médicos especialistas costumam adotar estratégias personalizadas baseadas em diagnósticos precisos e tratamentos eficazes para contornar os casos e restabelecer a qualidade de vida do paciente.  


Referências

  1. Rodrigues SG. Desenvolvimento de um disco intervertebral de silicone para a simulação em um biomodelo de coluna. 2021, 110f. (Dissertação Mestrado). Programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica. Faculdade de Engenharia Mecânica da UNESP, Ilha Solteira – SP, 2021, 110f. Disponível em: <https://repositorio.unesp.br/handle/11449/204937> Acesso em:  jun. 2021.
  2. Cheng ZX, Zheng YJ, Feng ZY, Fang HW, Zhang JY, Wang XR. Chinese Association for the Study of Pain: Expert consensus on diagnosis and treatment for lumbar disc herniation. World J Clin Cases. 2021 Mar 26;9(9):2058-2067. doi: 10.12998/wjcc.v9.i9.2058. PMID: 33850925; PMCID: PMC8017495
  3. Dydyk AM, Massa RN, Mesfin FB. Disc Herniation. StatPearls. NCBI Bookshelf (nih.gov). Last Update: January 18, 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441822/#article-20584.s8> Acesso em: jun. 2022.
  4. Silva LB, Castoldi RC, Marcelo, H.I, Fernandes RA, Zanuto EAC. Ballet clássico adaptado para mulher com hérnia de disco na região lombar: um relato de caso / Classical ballet adapted for women with disc herniation in the lower back: case report. Rev Med (São Paulo). maio-jun.;101(3):e-184897, 2022. Disponível em:<https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/download/184897/181709/553242.>Acesso:  jun. 2022
  5. Sharma SB, Kim JS. A Review of Minimally Invasive Surgical Techniques for the Management of Thoracic Disc Herniations. Neurospine. Mar,16(1):24-33, 2019. doi: 10.14245/ns.1938014.007. Epub 2019 Mar 31. PMID: 30943704; PMCID: PMC6449820. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30943704/> Acesso em: jun. 2022.
  6. Fjeld, O. R., Grøvle, L., Helgeland, J., Småstuen, M. C., Solberg, T. K., Zwart, J. A., & Grotle, M. (2019). Complications, reoperations, readmissions, and length of hospital stay in 34 639 surgical cases of lumbar disc herniation. The bone & joint journal, 101-B(4), 470–477. https://doi.org/10.1302/0301-620X.101B4.BJJ-2018-1184.R1 Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30929479/ Acesso em: jun. 2022.

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Equilíbrio Emocional: O Caminho do Autoconhecimento

13 de novembro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

Equilíbrio emocional não significa ficar calmo o tempo todo. Significa reconhecer emoções, regular impulsos, pedir ajuda quando necessário e tomar decisões sem ser dominado por medo, raiva ou culpa. Quando sofrimento afeta sono, trabalho, vínculos ou autocuidado, autoconhecimento sozinho pode ser insuficiente.

Nos dias de hoje é comum lidar com situações no automático. As emoções e sentimentos são manifestadas pelo organismo sem precedentes e esse modo de funcionamento traz malefícios quando não é uma operação homeostática de adaptação, sendo portanto um efeito negativo do estresse.

Do sentimento ao plano

PontoPergunta prática
FrequênciaIsso acontece em dias isolados ou virou padrão?
ImpactoAfeta sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado?
ControleA pessoa consegue escolher respostas diferentes ou se sente travada?
Rede de apoioHá alguém confiável para conversar sem julgamento?
RiscoExiste ameaça, violência, autoagressão, abuso de substâncias ou ideação suicida?

Passos pequenos e concretos

  • Nomeie o problema em comportamentos observáveis, não em rótulos.
  • Escolha um limite ou rotina simples para testar por uma semana.
  • Reduza exposição a situações que aumentam sofrimento sem resolver nada.
  • Procure ajuda imediata se houver risco de violência ou autoagressão.

Quando pedir ajuda

Ajuda profissional faz sentido quando o sofrimento é persistente, limita a vida, aumenta uso de álcool ou remédios, ou aparece com desesperança intensa.

Em contextos de escola, trabalho ou família, registrar fatos concretos e buscar uma conversa mediada pode ser mais efetivo do que tentar convencer todos de uma vez.

Fala-se de decisões simples do dia a dia como usar o celular demasiadamente ou fazer mais de uma refeição quando não se é necessário.

Escolher expectativas que não correspondem a necessidades reais geram frustrações assim prejudicando a autoestima. A insatisfação cria resultados negativos norteados pelo medo e insegurança atrapalhando o equilíbrio emocional fazendo com que todo o cilo emoções se reinicie.

O equilíbrio emocional independe do ambiente no qual se vive. Cada pessoa aprende a desenvolver o seu próprio equilibro emocional pois, acontece primeiro a partir do desenvolvimento pessoal e crença nas capacidades pessoais.

Um dos conceitos-chave sobre equilíbrio emocional advêm de que a pessoa está em movimento
confortável com as suas emoções tanto desagradáveis quanto agradáveis.

Faz parte do ser humano flutuar entre essas questões dinamicamente, entretanto, não se nasce pronto para gerenciar tais emoções, a construção é um caminho árduo e acaba sendo até um propósito para algumas pessoas.

Estar em equilibro emocional é um estado onde há uma plenitude frente as emoções, ocorrendo a
consciência das emoções focado no momento presente, havendo uma separação de respostas racionais de respostas emocionais, onde o comportamento é adequando e coerente as ações.


Sintomas do desequilíbrio emocional

Pacientes que apresentam desequilíbrio emocional geralmente descrevem dificuldade para:

  1. Problemas em lidar com emoções;
  2. Arrependimento ao tomar decisões por impulso e emoções processo de escolhas;
  3. Comportamento impulsivo e agressivo;
  4. Comportamento passivo e acomodado;
  5. Dificuldade para aprender com lições da vida;
  6. Lembranças e pensamentos ruins;
  7. Comprar para esquecer problemas;
  8. Dificuldade para gerenciar e reconhecer emoções;
  9. Ceder a tentações perante a emoções;
  10. Sentimento de estar perdido e desconectado de si;
  11. Necessidade de agradar e impressionar;
  12. Apresentar procrastinação em vários momentos;
  13. Comportamento de parecer feliz;
  14. Comportamento automático e esquecimento facilmente;
  15. Sentimentos de estar preso;
  16. Sentimentos de racionalidade e dificuldade de expressar se sente.

Pessoas com equilíbrio emocional não geram instabilidade emocional, elas buscam vivenciar as distintas
emoções de diferentes formas e intensidades, visto que são capazes de se acalmarem e estabilizarem da seguinte maneira: primeiro se reconhece a raiva, segundo percebe-se que precisa haver a calma, terceiro há o convencimento de que precisa se acalmar, quarto a condução de qualquer técnica para fazer o bem a si e por último a evitação do ciclo.

É natural para algumas pessoas realizar esse passo a passo, já para outras se encontra obstáculos.

Quem é emocionalmente equilibrado consegue com destreza navegar e aceitar diversos estados emocionais, havendo a percepção quando se estão emocionalmente carregadas; percepção de si objetiva, honesta com aceitação; flexibilidade emocional; saber as origens e efeitos das emoções e sua influência nas reações cognitivas emocionais; coerência consigo; e absorver experiências e mudanças de hábitos positivas.

A tarefa de conquistar o equilíbrio emocional não é fácil logo exigi autoconhecimento. Deve ser comparado a algo que pode ser desenvolvido e trabalhado dia a dia do que um elemento intrínseco só ser humano, e para isso acreditar que é possível desenvolver novas e capacidades é essencial as habilidades conquistadas.

A neuroplasticidade é um conceito bastante utilizado nesse sentido, ela representa a possibilidade do cérebro de se adaptar a estímulos novos como por exemplo: reflexões passadas a partir de comportamentos praticados; elevada consciência na prática de pensamentos, atitudes e sentimentos; uso de atenção plena; atividades que proporcionam mudanças no comportamento; desenvolvimento de inteligência emocional; e ressignificação de fases da vida.

O estímulo a atividade promove um padrão a repetição criando um hábito promovendo uma adaptando a um comportamento por meio de um treinamento focado e reflexivo de aceitação onde o resultado será o equilíbrio emocional.

Quando o desequilíbrio está acontecendo existem alguns passos importantes a serem seguidos:

A) Perceber o Desequilíbrio Emocional: Para que isso aconteça é fundamental prestar atenção nas
emoções, representação, frequência e recorrência de cada uma delas.

angry

B) Desconectar e Pausar: É feito um treinamento de interpretação entre o estímulo e a reação no propósito de observar as emoções e oferecer uma melhor resposta de gerenciamento.

C) Centralizar e Acalmar: Acalmar-se é um passo necessário no processo de equilíbrio emocional com o
objetivo de diminuir a agitação e euforia. Praticar respirações lentas e profundas pode ajudar a estar mais
consciente do estado presente desacelerando o sistema nervoso simpático responsável pelo comportamento de emoções exaltadas.

D) Reagir e Retomar: Uma das dificuldades emocionais que acarretam o desequilíbrio são as contrariedades que surgem entre valores e intenções, gerando insatisfações ao longo da vida. Por isso, ter clareza e conhecimento é primordial para lidar frente a ações, reações e manter-se equilibrado.


Como evitar ou amenizar o desequilíbrio emocional

A fim de evitar ou amenizar o desequilíbrio pode-se trabalhar alguns pontos relevantes como:

E) Desequilíbrios Internos: Dúvidas e medo de ser rejeitado; comportamento de julgamento constante;
atenção e aprovação demasiada e percepção otimista ou pessimista em grande escala de terceiros.

O ser
humano por natureza sente um pouco desses sentimentos e atitudes em si, porém basta olhar com
honestidade e acolhimento que a abertura é uma maneira sincera de garantir as pazes consigo.

F) Desequilíbrios Externos: Lidar com desequilíbrios externos é ter flexibilidades aos imprevistos.

G) Foco e Distração: A concentração é a chave para a produtividade de tarefas e quando isso é trabalhado com estímulos frequentes, o número de divagações reduz e os estados de ansiedade, preocupações e agitações também.

H) Bons Hábitos e Mindsets: O ser humano está em constante mudança e aprendizado e isso inclui reações condicionadas. Importante é aprender dentre de parâmetros realistas que possam ser concluídas e satisfatórias sem cobranças descabidas para que haja boas assimilações e mindsets.

Algumas estratégias podem ser listadas na colaboração do equilíbrio emocional e preservação da saúde
mental. O autocuidado serve como atitude elementar e salutar de adversidades.

Nem sempre uma prática necessariamente caberá para a outra pessoa, pois cada um tem sua individualidade. Cada atividade terá sua personalidade e também um ritmo, sendo que haverá aquela que dará mais prazer do que outras e aquela que fará mais sentido em detrimento de cada qual. Vejamos então os alicerces do autocuidado:

  • (1) Aceitação: Aprenda a aceitar as situações difíceis e a analisá-las de modo diversificado;
  • (2) Planejamento: Estabeleça rotina de horários e lista com prioridades quando possível;
  • (3) Exercício Físico: Auxilia a parte física, emocional e mental e aumenta repertório de movimentos corporais;
  • (4) Alimentação: Manutenção de refeições regulares e hidratação buscando evitar excessos;
  • (5) Sono: Manutenção da rotina de horário de sono e se possível manter nos finais de semana;
  • (6) Conexão: Busque contato pessoal com outra pessoa, transmitir afeto é positivo;
  • (7) Rotina: Manutenção de horários de trabalho x horários de lazer;
  • (8) Informações: Evite checar constantemente redes sociais com notícias em demasia, procure fontes
    confiáveis;
  • (9) Pensamentos: Aprenda a pensar diferente. Pense positivo em vez de negativo, isso ajuda na química
    cerebral;
  • (10) Boas Ações: Ser solidário é uma ótima oportunidade realizar atividade voluntária;
  • (11) Comunicação: Procure ser assertivo e gentil. Respeitar o tempo das pessoas é importante assim como ser empático;
  • (12) Apoio Emocional: Ter o apoio da família é essencial, porém ampliar a rede de conexões é importante.
    Nunca se sabe quando precisará de alguém novo;
  • (13) Prioridades: Veja e repense o que é verdadeiramente importante em seus hábitos;
  • (14) Interação: Cuide bem do seu espaço e do que está ao seu redor. Limpe e organize-se;
  • (15) Respiração: Pratique exercícios de respiração;
  • (16) Realização/Gratidão: Cultive o foco no presente e no lado positivo da vida, pensando o quanto é possível aprender com cada situação desafiadora trazendo realização pessoal;


Equilíbrio emocional – mudanças drásticas?

Para que ocorra o equilíbrio emocional não é necessário mudanças drásticas de vida ou de comportamento.

Entretanto, pequenos passos introduzidos auxiliam em alterações satisfatórias a qualidade de vida e quadros de saúde mental.

É desconfortável começar o processo, todavia pequenas alterações diárias trarão futuramente resultados maravilhosos sustentados semanalmente.

O caminho pode trazer desconfianças, desmerecimento, soberba e diversas expectativas. Lembre-se, valerá a pena cada minuto dispendido pelo caminho percorrido nessa jornada do autoconhecimento.

Quando buscar apoio estruturado

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Referências:

  1. Ebook: Como Conquistar Equilíbrio Emocional (Agilidade e Controle): Academia de Inteligência Emocional – Rafael
    Massao Tiba, edição 1, 70 páginas, 2019.
  2. Estratégias de Autocuidado/Equilíbrio Emocional – Margaret Araújo – [email protected]
    Ádhila C. O de Espírito – Psicóloga (CRP 109972) – Especialista em Saúde Mental

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Fontes úteis

  • CDC: saúde mental
  • CDC: manejando estresse
  • MedlinePlus: saúde mental

Arquivado em: Artigos, Psicologia

Impulsividade: Psicopatologia e Tratamento

13 de novembro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

Conceitar o termo Impulsividade é amplamente valorizado por diferentes vertentes psicológicas. Cada linha teórica utiliza a concepção de um dado modo.

Mapa clínico: impulsividade como padrão, não rótulo

Em resumo: impulsividade pode ser traço, reação ao estresse, parte de TDAH, transtorno do controle de impulsos, uso de substâncias, ansiedade, humor ou outro contexto. O que muda a conduta é frequência, prejuízo, risco e capacidade de reparar consequências.

Fluxo visual para impulsividade com gatilho, emoção e adiamento da decisão de risco.
A pausa curta pode evitar decisões que geram dano real.
Diagrama de impulsividade mostrando repetição, prejuízo e riscos como critérios de atenção.
A avaliação deve olhar o padrão, não apenas uma atitude impulsiva.
DimensãoO que observarPor que ajuda
GatilhoSono, álcool, conflito, frustração, internet, compras ou raiva.Mostra onde intervir antes do ato.
PrejuízoDívida, brigas, vergonha, risco físico, perda de trabalho ou isolamento.Diferencia traço de sofrimento clínico.
ControleQuanto tempo consegue esperar e reparar depois.Ajuda a planejar terapia, rotina e avaliação médica.
  • Crie uma regra de espera para compras, mensagens agressivas e decisões irreversíveis.
  • Procure ajuda se houver violência, dirigir em risco, sexo sem proteção recorrente ou uso de substâncias.
  • Busque urgência se houver risco de autoagressão, agressão a outros ou perda de controle intensa.

É importante evitar moralizar. Impulsividade é melhor compreendida como padrão de regulação e decisão que pode melhorar com avaliação, psicoterapia, rotina e tratamento quando indicado.

Para continuar no tema: Psicologia | Psiquiatria

Dessa maneira, tanto essa dificuldade em nomeá-la como em abordá-la em um diagnóstico faz com que a mesma seja tratada como fator independente. É importante deixar claro que a Impulsividade faz parte do ser humano com ou sem um diagnóstico em psiquiatria.


O que é impulsividade?

A Impulsividade é a base subjacente do comportamento inibitório de vários problemas de saúde mental.

A Impulsividade é caracterizada pelo comportamento não planejado, onde avaliações acerca de possíveis consequências não são consideradas total ou parcialmente em cada situação, havendo uma preocupação apenas do indivíduo com o momento imediato.

Apresenta atitude rápida sem premeditações, condutada variável onde o pensamento pode ser inadequado e tendência a agir com a ausência se julgamento como a maioria das pessoas, portanto considerando riscos na tomada de decisões.


Impulsividade – desequilíbrio no comportamento

Sendo compreendida como um fenômeno dinâmico, a Impulsividade é descrita pelo desequilíbrio de funções inibitórias e condutoras do comportamento.

É sabido que impulsos e desejos não acarretam alterações significativas de intensidade, entretanto, as operações inibitórias são desestruturadas e isso fornece perda de controle periódico.

O contrário também pode ser verdadeiro, os impulsos são tão intensos de modo recorrente que acabam por superar o controle inibitório.

A ciência identifica a Impulsividade como componente hereditário podendo ser também um traço de
personalidade e quem sabe adquirida por meio de lesão do sistema nervoso central.


Componentes da impulsividade

Ela pode ser entendida como 3 componentes: o primeiro seria atividade motora, responsável pelo comportamento do impulso momentâneo; o segundo é atenção focada na atividade em si e a terceira diz respeito ao planejamento, a falta deste leva a tarefa cuidadosa realizada de fato.

Existem fases importantes descritas no processo: a fase de intenção quando a influência inicial de impulsos e desejos iniciais inconscientes tendem a influenciar o comportamento, já a fase de deliberação faz com que a pessoa aprecie as condições de cada alternativa, a fase de decisão implica a conduta propriamente dita inicial de ação e por último, a fase de execução, onde há uma confluência dinâmica de atitudes combinadas para alcançar o objetivo proposto.


Diagnóstico clínico de impulsividade

Quando se fala de diagnóstico na clínica, a Impulsividade pode ser encontrada nos transtornos de
personalidade antissocial, borderline, histriônico e narcisista, carregando sintomas dos transtornos explosivo intermitente, transtorno afetivo bipolar e dependências.

As perversões e parafilias sexuais se mostram como exceção de maneira qualitativa aos impulsos, pois há uma obsessão pelo objeto e estereotipificação de conduta fora das normas sociais de forma rígida.

A tricotilomania (arrancar cabelos e pêlos sem controle) e a dermatotilexomania (escarificação neurótica da pele) são comportamentos impulsivos preocupantes.

Sobre transtornos mentais, a Impulsividade estava contida em Transtornos do Controle do Impulso.

Estes são denominados pela literatura científica como: transtorno explosivo intermitente (comportamento com dificuldade para resistir a impulsos agressivos, resultando em agressões e destruições), piromania (comportamento caracterizado pela gratificação em incendiar, aliviando tensão), cleptomania (dificuldade para conter o impulso de roubo desnecessário ou sem valor momante algum) e jogo patológico (comportamento mal adaptativo para apostas e jogos de azar).

Para a psiquiatria a categoria nosológica dos Transtornos do Controle do Impulso pode ser considerada um espectro do diagnóstico do transtorno obsessivo-compulsivo.


Outras questões da impulsividade

Existem outros comportamentos mais brandos que acabam fugindo da clínica, se escondem nos cuidados matinais e diários: examinar o próprio rosto para retirar fios brancos ou cravos para espremer ou até colocar piercing na orelha para se sentir socialmente aceito.

Tais comportamentos tanto excessivos quanto menos causadores a priori de sofrimento são fornecedores de impacto e evidências substancial a sociedade e ciência.

É importante salientar que o conceito de Impulsividade é diferente do conceito de compulsividade, embora ambos pertençam a dimensão semelhantes.

Porém a diferenciação desse modelo se faz pela seguinte forma: na Impulsividade ocorre a redução a sensibilidade de consequências negativas ao comportamento, antes dos estímulos serem totalmente processados há reações imprevistas e mal planejadas e não há responsabilidades frente as consequências futuras.


Sintomas possíveis

Pacientes impulsivos são descritos como os quais vivenciam sintomas irresistíveis patologicamente mesmo diante de esforços defensivos. Esse perfil possui baixa tolerância a frustração e grande dificuldade para adiar ações prontamente.

Levam em conta apenas os sentimentos do presente e alegam não ter controle ou ordem superior para tal.

Ocorre uma elevação na excitação e tensão gerando a intensificação para o ato que culmina no sentimento de alívio e gratificação, infelizmente negativamente reforçador, havendo culpa e remoroso após o comportamento praticado.

excited

Há notoriamente diminuição da instabilidade afetiva nesses pacientes juntamente a emoções negativas, dificuldade de planejamento e disfunção da atenção e execução também, e apresentam ausência de empatia e cm traços de conduta anti-social.

É bastante comum nos pacientes impulsivos fenômenos exacerbados de perda de controle sobre a agressividade e sobre os apetites e desejos.

O constructo de Impulsividade é complexo e sugere um fator multidimensional. Emoções básicas como
ansiedade, medo, tristeza e nojo estão contidos originalmente no curso da ação.

São refratários a ameaças e via de regra não se sentem desconfortáveis da presença de grandes riscos, usufruindo de atividades perigosas intensamente.

Há casos em que há alternância de afetos positivos e negativos auxiliando na organização do comportamento para reforçar ou inibir impulsos de memórias específicas de situações convenientes ao presente.

A espontaneidade tem um grau diferenciado assim como a velocidade para elaborar respostas na proporção que se é expressado o instinto por meio de ações em comparação as ações planejadas.

A cognição em detrimento da disfunção executiva mostra pacientes inteligentes, porém podem apresentar fracasso em alguns desafios da vida por não conseguirem responder de modo adequado.


Abordagem pela psicologia

Sobre o tratamento psicológico há indicações da terapia psicanalítica como forma de tratamento.

A abordagem deve conter traços solidários e expressivos, buscando promover a construção do ego, devido a estrutura egoica se fortalecer a partir da sabotagem de ataques ao funcionamento defensivo continuamente.

Já a terapia cognitivo comportamental se mostra eficaz para pacientes com Impulsividade trazendo mudanças no comportamento impulsivo.

A terapia comportamental dialética parece reduzir o número de episódios impulsivos. A gestão de contingências é um recurso utilizado também aliado ao processo de tratamento.

Simplesmente, envolvem tanto a avaliação das consequências positivas quanto a avaliação de consequências negativas para ponderar a ocorrência de um próximo comportamento alvo.

Esse procedimento acaba por ser relvante por incentivar a escolha da conduta menos imediatista possível do paciente.

Para a psiquiatria os Transtornos do Controle do Impulso são modulados por diversos neurotransmissores.

Nesses pacientes foram observados desregulação serotoninérgica e deficit pré-sináptico de serotonina.

O jogo patológico pode acarretar anomalias em receptores de dopamina e no sistema de recompensa cerebral, disfunção serotominérgica e noradrenérgica.

Na neurobiologia, a sensibilidade a saliência de estímulo denota maior ativação quando as pessoas preferem recompensas imediatas. Ainda sim, o córtex cingulado anterior dorsal e córtex préfrontal dorsolateral fazem parte de comparativos em alternativa e avaliação de desfechos.

O sistema frontal se mostra mais excitado quando há escolhas de recompensas atrasadas.

O uso medicamentoso também é bem-visto nos casos de Transtorno do Controle do Impulso. Tem-se como prescrição estabilizadores de humor, inibidores seletivos de recaptação de serotonina, anticonvulsivantes, psicoestimulantes e antagonistas β adrenérgicos.

Em quadros onde há evidências agressividade no paciente, o uso de antipsicóticos atípicos mostram-se úteis.

A motivação para o comportamento da Impulsividade deriva de dimensões controladoras influenciadas por questões genéricas ou específicas em cada situação.

Dada maleabilidade do conceito é plausível afirmar que o mecanismo não ocorre atividade compensatório ou adaptabilidade de comportamento.

Em quadros de uma síndrome impulsiva, possivelmente há um diagnóstico em particular predominante, no entanto, a perda de que controle é manifestada quando outra formas de Impulsividade secundária se manifesta também.

Referências:

  1. Aluja, A., & Blanch, A. (2007). Comparison of impulsiveness, venturesomeness and empathy (I-7) structure in English and Spanish samples: Analysis of different structural equation models. Personality and Individual Differences, 43(8), 2294-2305.
  2. Barreto, T, M, C, D, Z., Domingos, R, C., & Micelli, N, A. (2009). Intervenção cognitivo-comportamental em transtorno explosivo intermitente: relato de caso. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 5(1), 62-76.
  3. Congdon E, Canli T. A neurogenetic approach to impulsivity. J Pers. 2008 Dec;76(6):1447-84.
  4. Hollander, E., & Evers, M. (2001). New developments in impulsivity. The Lancet, 358(9286), 949-950.
  5. Hollander, E., & Rosen, J. (2000). Impulsivity. Journal of Psychopharmacology, 14(2_suppl1), S39-S44.
  6. Moeller, F. G., Barratt, E. S., Dougherty, D. M., Schmitz, J. M., & Swann, A. C. (2001). Psychiatric aspects of impulsivity. American journal of psychiatry, 158(11), 1783-1793.
  7. Poulton A, Hester R. Transition to substance use disorders: impulsivity for reward and learning from reward. Soc Cogn Affect Neurosci. 2020 Nov 10;15(10):1182-1191.
  8. Tavares, H., & Alarcão, G. (2008). Psicopatologia da impulsividade. Manual clínico dos transtornos do controle dos impulsos, 19-36.
  9. Whiteside, S. P., & Lynam, D. R. (2001). The five factor model and impulsivity: Using a structural model of personality to understand impulsivity. Personality and individual differences, 30(4), 669-689.

Fontes de apoio: NIMH: TDAH e impulsividade | NIMH: quando buscar ajuda

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