Blog da Saúde

Informações sobre cuidados com a saúde

  • Sintomas
  • Doenças
  • Tratamentos
  • Exames e Medicamentos
  • Especialistas
  • Guias

Arquivos para 10 de novembro de 2022

Tireoidite de Hashimoto: alimentação ajuda?

10 de novembro de 2022 by Leilane Lilian Araújo Leal

Alimentação participa do cuidado geral da tireoidite de Hashimoto, mas não substitui levotiroxina quando ela é indicada nem “cura” a autoimunidade. O mais importante é acompanhar TSH, T4 livre, sintomas, uso correto do remédio, deficiência nutricional real e outras doenças autoimunes associadas.

Na tireoidite de Hashimoto, alimentação pode apoiar saúde geral, mas não substitui levotiroxina quando ela é indicada nem “cura” a autoimunidade. O foco é acompanhar TSH, T4 livre, sintomas, uso correto do remédio, deficiência nutricional real e doenças associadas.

Antes de tudo. A tireoide é uma glândula que fica localizada na área do pescoço, responsável pela produção de hormônios. Os hormônios tireoidianos têm diversas funções, desde funções no crescimento e o desenvolvimento do sistema nervoso, até regulação do metabolismo corporal, como regulação do gasto de energia e da temperatura do corpo.

A tireoidite de Hashimoto é uma inflamação crônica da tireoide, de origem autoimune. Tem esse nome em homenagem ao Dr. Hakaru Hashimoto, o primeiro a estudar a doença, em 1912. A doença afeta a produção dos hormônios tireoidianos e acaba por desenvolver também hipotireoidismo nos estágios finais da doença.

Ainda não é totalmente esclarecido o que causa a doença, mas sabe-se que resulta de uma interação entre fatores ambientais (ou seja, os hábitos de vida), condições genéticas e respostas imunológicas. É muito mais prevalente em mulheres. A incidência aumenta com a idade, sendo comum a história familiar de doenças tireoidianas.

tireoidite de hashimoto: a alimentação influencia

Entre hábitos que podem estar relacionados com o desenvolvimento da doença estão o tabagismo, consumo moderado de álcool, além de concentrações menores de ferro, magnésio e selênio no sangue. A deficiência de vitamina D também tem sido estudada como fator importante papel imune. Destaca-se o iodo, presente principalmente no sal de cozinha, que apresenta um papel importante na síntese e metabolismo de hormônios da tireoide.

Os sinais e sintomas da doença refletem o declínio das funções dos hormônios tireoidianos. Incluem fadiga, ganho de peso apesar da falta de apetite que surge, intolerância ao frio, rouquidão, constipação, fraqueza, pele seca, perda de cabelos e unhas quebradiças. O diagnóstico normalmente é feito a partir de exames laboratoriais e/ou de imagem.

Como a alimentação pode ajudar?

O tratamento base da doença inclui a reposição hormonal do hormônio T4 tireoidiano e tratar
as complicações que eventualmente possam surgir caso o hipotireoidismo for grave.

No que diz respeito à alimentação, o metabolismo dos nutrientes tem um impacto importante na função da tiroide, principalmente quando se fala de ingestão adequada de vitaminas e minerais.

Para uma normal função da tireoide verifica-se a necessidade de uma ingestão adequada de iodo, principalmente, e de outros micronutrimentos, como cobre, ferro, selênio, zinco e vitamina A e D.

As fontes alimentares de iodo são: marisco, algas marinhas, ovos, cereais, leite e produtos
lácteos. Além disso, no Brasil é obrigatória a adição de iodo no sal de cozinha.

fontes alimentares de iodo

O cobre é principalmente encontrado nos mariscos, miúdos, ovos, em algumas sementes e nas nozes. Os legumes, os cereais integrais, os cogumelos, as frutas secas, a batata e o chocolate também são boas fontes alimentares. O cacau puro possui alto teor de cobre.

Já os principais alimentos ricos em ferro são as carnes em geral, como as vermelhas, frango, peixes e crustáceos, além de gema de ovo, feijão e outras leguminosas e os vegetais verde escuros.

O selênio é encontrado no brócolis, alho e cebola, contudo os alimentos com maior teor são: ovo, cogumelos, castanha do Brasil, cereais e derivados além de carne vermelha e peixes como atum e sardinha.

As fontes alimentares de zinco são as carnes vermelhas e frango, leguminosas, nozes, castanhas, gema de ovo, abacate, sementes de abóbora, linhaça e gergelim, além de peixes e frutos do mar.

A vitamina A está presente em alimentos de origem animal: vísceras (principalmente fígado), gemas de ovos e leite integral e seus derivados (manteiga e queijo). Os vegetais são fontes de vitamina A sob a forma de carotenóides (precursores de vitamina). São ricos em carotenoides: frutas e legumes amarelos e alaranjados como manga, mamão, cajá, caju maduro, goiaba vermelha, abóbora/jerimum, cenoura, além de vegetais verde-escuros como acelga, espinafre, chicória, couve, salsa etc.

Já com relação à vitamina D, as fontes são o óleo de fígado de bacalhau, salmão, gema de ovo, manteiga, margarinas, peixes e moluscos, além de leite e produtos lácteos e cereais fortificados.

E quais alimentos evitar?

Não há motivo para orientar a retirada de água tratada por cloro como regra para tireoidite de Hashimoto. O cuidado mais importante é usar a medicação corretamente quando prescrita, acompanhar exames e evitar suplementar iodo, selênio ou outros nutrientes sem indicação.

Atenção também com o suco verde. O suco é feito, basicamente, com vegetais crucíferos (couve, couve-de-bruxelas, brócolis, repolho), na sua forma crua, que possuem glicosinolato, que atrapalham o bom funcionamento da tireoide, e por isso deve ser evitado. Quando cozidos, o glicosinolato perde a sua toxicidade para a tireoide, pois é desativado com o calor do fogo.

Outro componente que também pode alterar a função tireoidiana é a isoflavona (fitoestrógeno), levando ao hipotireoidismo. A soja e seus derivados, como leite de soja ou tofu, são fontes de fitoestrógenos e por isso devem ser consumidos com muita moderação. Outros alimentos que contêm fitoestrógenos são cevada, centeio, ervilha e algas.

Os alimentos ultra processados, como carnes defumadas, molhos prontos, sorvetes e salgadinhos de pacote, contêm alguns conservantes que, em excesso, atrapalham a absorção do iodo. Consequentemente, isso pode prejudicar o bom funcionamento da tireóide e pode causar o hipotireoidismo.

alimentos industrializados

O consumo excessivo de alimentos industrializados também é uma das principais causas do aumento de peso e gordura corporal. Um índice elevado de gordura corporal leva à inflamação e isso também dificulta a absorção de iodo na tireoide, podendo contribuir para o hipotireoidismo.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

Arquivado em: Artigos, Nutrição Marcados com as tags: alimentação saudável, hipotireoidismo, tireoide, vitamina D

Como o corpo elimina gordura: metabolismo explicado

10 de novembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

O corpo não “gasta gordura” em um botão único; ele mobiliza energia de forma contínua conforme gasto, sono, hormônios, estresse e composição da refeição. A decisão prática é: reduzir o saldo calórico de forma sustentável, sem zerar grupos alimentares.

Resposta prática: se a meta é composição corporal, o que importa é consistência semanal, proteína suficiente, sono e recuperação. Mudanças bruscas por 2 ou 3 dias não mostram tendência real.

O que observar para não se confundir

  • Oscilações de peso diário (água e sal) sem queda de medidas por semanas.
  • Fadiga excessiva, tontura, dor de cabeça ou ansiedade por restrição alimentar.
  • Sinais metabólicos fora do padrão em quem tem diabetes, uso de tireoidianos, corticóides ou álcool excessivo.

Próximo passo objetivo

Monitore 7 a 14 dias de ingestão e rotina de sono/treino. Se o peso não se move por 2 a 3 semanas, ajuste porção e distribuição, não o corte radical.

a gordura corporal é mobilizada quando o corpo precisa de energia e os triglicerídeos são quebrados. Parte sai como dióxido de carbono pela respiração e parte como água, mas o processo depende de balanço energético, massa muscular, hormônios, sono e adesão ao plano.

O corpo elimina gordura principalmente ao oxidar ácidos graxos para gerar energia; parte do carbono sai como dióxido de carbono pela respiração e parte como água. Isso não acontece por “queima localizada”: depende de balanço energético, massa muscular, sono, hormônios, treino e consistência alimentar.

Para entender esse questionamento, primeiro precisamos entender um pouco sobre composição corporal.

Mais de 70% do corpo humano é composto de água ou fluídos, como o sangue. Além de água, temos ossos, músculos, gordura e órgão e tecidos.

Antes de saber como se elimina gordura, também precisamos saber como o nosso corpo produz energia. A energia que necessitamos para viver vem dos alimentos. São eles os responsáveis por conceder substâncias que nos mantém vivos e ativos como, por exemplo, a glicose, a proteína, a gordura e os carboidratos, que são imprescindíveis para que o corpo funcione da maneira correta.

Você conhece a história dos mineiros chilenos soterrados? Em 2010, houve um acidente na mina San José, em Copiapó, na região do deserto do Atacama no Chile, no qual um desmoronamento interno bloqueou o túnel de passagem e soterrou 33 mineiros – 32 chilenos e 1 boliviano.

Durante o processo de salvamento, os mineiros conseguiram estocar alimentos e racionar o uso. Cada um alimentou-se de apenas duas colheres de atum, um pouco de leite e metade de um biscoito a cada 48 horas. Todos os mineiros sobreviveram e foram retirados do subsolo com vida, após incríveis 69 dias.
Com isso, entendemos que é a partir dos alimentos que também reservamos a energia necessária para sobreviver quando não temos o alimento como fonte de energia imediata.

Até duas primeiras semanas de jejum, o músculo utiliza como fonte de energia ácidos graxos e corpos cetônicos, uma vez que as quantidades de glicose e insulina para transportá-la não são suficientes. Ou seja, consumimos a gordura do nosso corpo.

Músculo e tecido adiposo como fonte de energia

Com o tempo, o corpo vai utilizando outras reservas como fonte de energia, consumindo músculo e também tecido adiposo. Até para tarefas mínimas como pensar ou dormir, nossas células utilizam energia. Para digerir o alimento que consumimos também gastamos energia. O cérebro usa a maior parte, porque ele é o responsável por controlar o restante do nosso corpo.

Em seguida, são os músculos
esqueléticos os maiores consumidores de energia. Eles consomem cerca de 18% da nossa energia total, devido as contrações musculares exigirem muita carga para serem executadas.

O restante de energia é dividido quase que igualmente pelo nosso corpo, sendo utilizada de acordo com a demanda, de forma a garantir o bom funcionamento de todas as partes necessárias para a nossa sobrevivência.

como o nosso corpo elimina a gordura

Quando fazemos exercícios, precisamos de mais energia devido ao aumento no consumo de oxigênio.

E como a gordura sai do corpo?

bbc-gordura-pulmao

A gordura sai do nosso corpo se transformando em energia ou calor. Já ouviu aquele pensamento que exercício bom é aquele no qual suamos muito, porque assim emagrecemos mais? Pois bem, a verdade é que a gordura não sai do nosso corpo no suor ou na forma de urina, ou fezes (não completamente). Mais de 80% da perda de gordura é exalada pelos pulmões, pois esse processo tem como resultado gás carbônico e água, e somente o restante é excretado através de urina, fezes e transpiração ou outros fluidos corporais[1].

Ao começar uma atividade física, o metabolismo não está preparado. É necessária uma adaptação para aguentar a demanda maior de energia proporcionada pelo exercício. Nesse primeiro momento de “emergência”, o organismo tende a usar primeiro a glicose (proveniente dos carboidratos). Essa glicose fica armazenada dentro do músculo (em forma de glicogênio) e também disponível na corrente sanguínea, de forma que fica mais fácil para ser usada.

exalada pelos pulmões

A gordura, por sua vez, precisa ser “quebrada” para ser utilizada como forma de energia. Ela é estocada pelo organismo em células adiposas (células de gordura), compostas pelos triglicerídeos, que são formados por hidrogênio, oxigênio e carbono. A quebra desses triglicerídeos é que gera energia: as moléculas de hidrogênio, oxigênio e carbono resultam no dióxido de carbono e na água (H2O) que serão eliminados pelo corpo pelo pulmão e pelas outras formas descritas, respectivamente.

Então, como saber que está queimando gordura?

Nas atividades básicas do dia a dia tendemos a utilizar a glicose como principal fonte de energia.
No caso da atividade física, os nutrientes que se constituem nas principais fontes durante o exercício físico são a glicose (dos carboidratos) e as gorduras

Teoricamente, exercícios aeróbicos moderados e leves utilizam gordura como fonte primária de energia. Já atividades intensas priorizam o consumo glicose, pois o corpo necessita de energia rápida. Estudos têm mostrado que modalidades aeróbicas como corrida, caminhada, ciclismo e natação, feitas em alta intensidade, são as mais eficientes para mobilizar os estoques de gordura. O motivo é que, mesmo que a gordura não seja o principal combustível, esse tipo de treino proporciona grande gasto calórico e gera um estresse muito grande no organismo, aumentando o metabolismo e auxiliando na queima de gordura.

ciclismo

Não é possível transformar gordura em músculo, como muitos acreditam. O exercício não destrói os depósitos de gordura. O que acontece é a queima de calorias provenientes da gordura, e essa gordura é quebrada e expelida do corpo como dito acima.

É perfeitamente possível emagrecer e ganhar massa muscular através de exercício físico, mas repare que uma coisa não está se transformando na outra.

Oxidação de gordura não é o mesmo que perder peso rápido

O corpo usa gordura como combustível em várias intensidades de esforço e também em repouso, mas perda de gordura corporal depende do balanço ao longo de dias e semanas. Jejum extremo, treino excessivo ou corte brusco de carboidratos pode reduzir peso na balança por água e glicogênio, sem significar perda proporcional de tecido adiposo.

MarcadorLeitura mais útil
Peso diárioOscila por água, sal, ciclo, intestino e glicogênio.
Medidas e roupasPodem refletir mudança corporal melhor que um único peso.
Força no treinoAjuda a preservar massa muscular durante déficit calórico.
Fome e compulsãoMostram se a estratégia é sustentável ou restritiva demais.
Ideia comumO que realmente pesa
Suor elimina gorduraSuor perde água e sais; gordura corporal muda com balanço energético ao longo do tempo.
Abdominal seca barrigaExercício fortalece músculos, mas não escolhe de onde a gordura sai.
Déficit extremoPode aumentar fome, perda de massa magra e abandono.
Treino e proteínaAjudam a preservar massa magra durante emagrecimento.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares
Referências bibliográficas1 fonte
  1. 1.
    Fat ‘breathed out’ of body via lungs, say scientists – BBC News
    Voltar [1]

Arquivado em: Clínica Médica

37 semanas de gravidez: meses, termo e sinais

10 de novembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Gestante na reta final da gravidez com 37 semanas

37 semanas de gestação correspondem ao início do 9º mês. Pela classificação obstétrica moderna, 37 semanas e 0 dias até 38 semanas e 6 dias é “termo inicial”; não é mais prematuridade, mas ainda existe diferença de maturidade em relação a 39-40 semanas. Por isso, quando mãe e bebê estão bem, muitas decisões sobre indução ou parto programado consideram benefícios e riscos de esperar um pouco mais.

O ponto clínico é simples: 37 semanas não é prematuridade, mas também não é igual a 39 semanas. ACOG classifica 37 semanas e 0 dias até 38 semanas e 6 dias como termo inicial; 39 semanas e 0 dias até 40 semanas e 6 dias como termo completo. Essa diferença orienta decisões sobre indução, cesárea programada e vigilância quando mãe e bebê estão bem.

Essa fase costuma trazer ansiedade, peso abdominal, contrações irregulares, sono difícil, pressão na pelve, urina mais frequente e dúvidas sobre quando ir à maternidade. A resposta mais segura vem do pré-natal, porque posição do bebê, pressão arterial, líquido amniótico, crescimento fetal e histórico materno mudam a conduta.

37 semanas em meses e classificação

Idade gestacionalEquivalência práticaClassificação
37 semanasComeço do 9º mêsTermo inicial.
39 a 40 semanas9º mês completoTermo completo, quando muitos bebês têm melhor maturidade pulmonar e neurológica.
41 semanasPós-termo inicial/tardio conforme diasExige vigilância obstétrica mais próxima.

A conta em meses é aproximada porque meses têm durações diferentes. Obstetras preferem semanas e dias, pois essa medida orienta exames, crescimento fetal e decisões de parto com mais precisão.

O que é comum sentir aos 37 semanas

  • Contrações de treinamento, que costumam ser irregulares e melhoram com repouso ou hidratação.
  • Mais pressão na pelve, principalmente se o bebê estiver encaixando.
  • Dificuldade para dormir e dor lombar.
  • Inchaço leve em pés e tornozelos, desde que não venha com sinais de alerta.
  • Saída do tampão mucoso, que pode acontecer dias antes do trabalho de parto.

Mesmo sintomas comuns devem ser relatados nas consultas se forem intensos, novos ou associados a mal-estar. Não use laxantes, analgésicos, anti-inflamatórios, chás ou pomadas por conta própria na reta final sem liberação do obstetra.

Quando ir à maternidade ou falar com o obstetra

SinalO que fazer
Bolsa rompida ou perda contínua de líquidoEntre em contato com a maternidade/obstetra, mesmo sem contrações.
Sangramento vivoProcure avaliação imediata.
Menos movimentos do bebêNão espere a próxima consulta; peça orientação no mesmo dia.
Dor de cabeça forte, visão turva, dor no alto do abdome, falta de ar ou inchaço súbitoPode sugerir complicação hipertensiva; procure atendimento.
Contrações regulares e progressivasSiga o plano combinado no pré-natal.

Aos 37 semanas, “já pode nascer” não significa que todo parto deva ser antecipado. A melhor decisão equilibra segurança materna, bem-estar fetal e indicação obstétrica real.

O que muda a decisão nessa fase

Aos 37 semanas, a decisão depende de movimentos fetais, pressão arterial, crescimento do bebê, líquido amniótico, placenta, diabetes, hipertensão, sangramento, bolsa rota, contrações e histórico obstétrico. Quando não há indicação médica, antecipar parto por conveniência antes de 39 semanas costuma ser evitado.

Procure maternidade ou orientação do obstetra se houver redução de movimentos fetais, perda de líquido, sangramento vivo, dor de cabeça forte, visão turva, dor no alto do abdome, falta de ar, inchaço súbito, febre ou contrações regulares e progressivas conforme o plano do pré-natal.

DúvidaResposta prática
37 semanas são quantos meses?Corresponde ao início do nono mês na contagem usual, mas a idade gestacional é acompanhada em semanas.
Já é seguro marcar parto?Depende de indicação materna ou fetal; quando está tudo bem, evita-se antecipação sem motivo clínico.
O bebê mexe menos?Redução percebida dos movimentos deve ser avaliada no mesmo dia.

A melhor preparação é ter um plano claro de contato: qual maternidade procurar, quando ligar para o obstetra, como agir se a bolsa romper e quais sinais justificam ir sem esperar. Essa organização é mais útil do que tentar induzir parto em casa com chás, laxantes, esforço físico ou remédios sem liberação.

Por que a conta em semanas é mais importante que meses

A conversão para meses ajuda o leitor a se localizar, mas decisões obstétricas usam semanas e dias. Uma diferença de poucos dias pode mudar classificação, plano de parto, necessidade de vigilância e interpretação de sintomas. Por isso, leve sempre a idade gestacional exata do cartão de pré-natal ou do ultrassom usado para datar a gestação.

Também vale lembrar que “bebê pronto” não é uma decisão isolada. O obstetra avalia mãe e bebê juntos: pressão, exames, crescimento fetal, placenta, líquido, diabetes, infecções, apresentação do bebê e histórico de cesárea ou parto anterior. Se surgir indicação médica, 37 semanas pode ser o momento certo; sem indicação, esperar pode ser mais seguro.

Se a data provável do parto foi ajustada por ultrassom, use a data aceita no pré-natal, não apenas a última menstruação. Isso evita confusão entre estar “no nono mês” e ter uma idade gestacional precisa para decisões de segurança.

Se houver divergência entre aplicativos, calculadoras e anotações antigas, a referência deve ser o pré-natal. Essa pequena conferência evita decisões baseadas em contagem aproximada.

O que observar ao chegar a 37 semanas

O acompanhamento costuma ficar mais prático quando a gestante sabe quais sinais observar e qual canal usar. Movimentos do bebê, contrações, perda de líquido, sangramento, pressão alta, dor de cabeça forte e sintomas visuais têm peso diferente de desconfortos comuns do fim da gravidez. Essa diferença deve estar combinada no pré-natal.

Também é uma fase para revisar exames pendentes, tipo sanguíneo, resultado de culturas quando solicitadas, local do parto, documentos, plano de analgesia, acompanhante e histórico de cesárea. Esses detalhes não mudam a contagem de meses, mas mudam a segurança logística do nascimento.

Antecipar o parto requer avaliação obstétrica. Cansaço, ansiedade e pressão familiar são comuns no fim da gestação, mas não substituem indicação materna ou fetal documentada.

37 semanas: o que vale observar nesta fase

Ao chegar a 37 semanas, observe movimentos do bebê, contrações regulares, perda de líquido, sangramento, dor de cabeça forte, alteração visual, dor na boca do estômago, falta de ar importante e inchaço súbito. Esses sinais mudam a decisão mais do que a conversão em meses.

Também é hora de confirmar logística: maternidade de referência, documentos, exames, plano para transporte, contato do obstetra e orientação sobre quando ir. Se existe cesárea ou indução programada antes de 39 semanas, vale perguntar qual indicação materna ou fetal justifica a data.

Fontes úteis

  • ACOG: Definition of Term Pregnancy
  • ACOG: Avoidance of nonmedically indicated early-term deliveries
  • CDC: preterm birth

Arquivado em: Artigos, Curiosidades, Ginecologia e Obstetrícia, Sintomas de A-Z Marcados com as tags: gestante, gravidez

Alimentos orgânicos são mais nutritivos?

10 de novembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Alimentos orgânicos não são automaticamente mais nutritivos do que os convencionais. O selo orgânico descreve um modo de produção e regras de certificação; a qualidade da dieta ainda depende de variedade, consumo de alimentos in natura, fibras, proteína, custo, acesso e redução de ultraprocessados.

Alimento orgânico é uma forma de produção e rotulagem; não é sinônimo automático de alimento mais nutritivo. A escolha pode fazer sentido por preferência ambiental, redução de certos resíduos ou modo de produção, mas o valor da dieta continua dependendo de variedade, fibras, proteína, ultraprocessados e porção.

Os alimentos orgânicos estão cada dia mais presentes nas mesas dos brasileiros, e o fato de seguirem regras específicas de produção e restrição de alguns insumos durante as etapas de produção é o principal motivo para que as pessoas os procurem cada vez mais.

Embora a produção orgânica restrinja muitos agrotóxicos sintéticos, isso não significa ausência absoluta de resíduos. Quando certificados, esses alimentos seguem normas específicas de manejo e não usam sementes transgênicas, mas ainda precisam ser higienizados e avaliados dentro do padrão alimentar completo.

No entanto, um questionamento frequente é: Os alimentos rotulados como orgânicos são mais nutritivos?

Orgânicos versus não orgânicos: Aspectos nutricionais encontrados pela ciência

A informação empírica de que os alimentos orgânicos são mais nutritivos que não orgânicos sempre existiu.

Todavia, essa informação confunde a cabeça do consumidor e contribui para que a imagem do alimento convencional seja prejudicada.

No entanto, não devemos esquecer que os alimentos não orgânicos podem ser produzidos em larga escala, sendo uma excelente alternativa para acabar com a insegurança alimentar e a fome.

Com relação aos aspectos nutricionais, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) informa que não existem diferenças nutricionais entre alimentos orgânicos e alimentos não orgânicos.

Todavia, a única diferença está na sustentabilidade que os orgânicos oferecem ao planeta.

Mercado

Composição química e energética

O valor nutricional está envolvido em aspectos como composição química e energética, por meio da quantidade de açúcares, gorduras, vitaminas e minerais.

Nesse sentido, os estudos revelam que não existem diferenças entre os alimentos orgânicos e não orgânicos no que diz respeito ao teor de vitaminas, minerais, carboidratos, gorduras e proteínas.

Além disso, os maiores perigos dos alimentos orgânicos são risco de intoxicações alimentares, bacterianas e virais que podem ser evitadas com correta higienização e controle.

Portanto, não existem evidências de que os alimentos orgânicos são mais nutritivos que os alimentos não orgânicos.

Todavia, as plantas absorvem os nutrientes do solo da mesma forma, seja na forma orgânica ou induzida.

Logo, a única necessidade para evitar discrepâncias está na avaliação do solo, para saber se ele fornece todos os nutrientes necessários para o crescimento das plantas.

Afinal de contas: Escolher alimentos orgânicos ou convencionais?

Esta dúvida povoa a cabeça de muita gente, principalmente daqueles que se preocupam com o dilema saúde e prevenção de doenças.

O preço dos alimentos orgânicos no Brasil é infinitamente maior que os alimentos convencionais.

Considerando o poder de compra da população brasileira, não é uma boa alternativa optar por alimentos orgânicos com preços mais elevados.

No entanto, não saber a procedência de um alimento convencional deixa dúvidas, com relação às técnicas de segurança no uso de agrotóxicos.

Logo, se você prefere consumir alimentos orgânicos, nada impede que você continue com tais hábitos.

Porém, saiba que os alimentos convencionais possuem as mesmas vitaminas e minerais que os orgânicos e contribuem diretamente para acabar com a fome no mundo todo.

O que muda o efeito na dieta

FatorComo avaliar
PorçãoCompare a quantidade do prato com a porção do rótulo ou da receita.
PreparoFritura, açúcar, creme, óleo e bebidas calóricas mudam bastante o resultado.
FrequênciaConsumo eventual e hábito diário têm impactos diferentes.
Condição clínicaDiabetes, doença renal, alergias, gestação e transtornos alimentares pedem ajuste próprio.

O que comparar além do selo orgânico

Para a saúde cotidiana, comer frutas, legumes e verduras suficientes costuma ser mais importante do que escolher apenas versões orgânicas. Se o orçamento é limitado, uma estratégia realista é priorizar variedade, higienização adequada, alimentos da estação e menor consumo de ultraprocessados.

O selo pode fazer sentido por valores ambientais, menor exposição a certos resíduos ou preferência pessoal. O erro é transformar “orgânico” em licença para excesso de açúcar, biscoitos, snacks ou produtos caros com baixa qualidade nutricional.

O que o selo orgânico muda, e o que ele não muda

A pergunta mais útil não é “orgânico ou convencional é mais saudável?”, mas qual alimento está entrando no prato e o que ele substitui. Uma fruta convencional costuma ser uma escolha melhor do que um biscoito orgânico ultraprocessado. Já comprar orgânicos pode fazer sentido para quem prioriza modo de produção, menor uso de certos insumos e preferência ambiental, desde que isso não reduza o consumo total de frutas, verduras e legumes por custo.

AspectoLeitura prática
NutriçãoAs diferenças entre orgânico e convencional variam por alimento e estudo; não justificam trocar variedade por selo.
ResíduosO selo orgânico reduz o uso de muitos pesticidas sintéticos, mas não significa ausência absoluta de resíduos ou risco zero.
Preço e acessoSe o custo limita a compra, priorize alimentos in natura bem higienizados em vez de reduzir frutas e verduras.
UltraprocessadosProduto orgânico ainda pode ter açúcar, gordura, sal e baixa fibra.

Como transformar isso em decisão

  • Compare o alimento, não só o rótulo: fruta, verdura, legume, grão, leite, carne ou produto embalado.
  • Leia lista de ingredientes quando for produto industrializado orgânico.
  • Higienize alimentos frescos e varie cores e tipos ao longo da semana.
  • Use o selo como um critério possível, não como substituto de dieta equilibrada.

Atenção: gestantes, crianças, pessoas imunossuprimidas e pacientes com restrições alimentares devem focar segurança, higiene, variedade e orientação individual quando houver risco específico.

Como comparar sem cair em “saudável por fama”

Uma bolacha orgânica continua podendo ser rica em açúcar, gordura e calorias. Um alimento convencional simples, como feijão, arroz, ovos, frutas e legumes, pode ser excelente dentro de um padrão alimentar equilibrado. A pergunta mais útil é o que aquele item substitui na rotina.

DecisãoMelhor critério
Comprar orgânicoPreferência, orçamento e disponibilidade.
Melhorar nutriçãoVariedade, fibras, proteína e menor ultraprocessamento.
Reduzir risco alimentarHigienização, armazenamento e procedência também importam.
Comparar rótulosAçúcar, sódio, gordura e porção continuam decisivos.

Fonte: FDA: Organic on Food Labels.

Conclusão

Não foram encontradas diferenças nutricionais e substanciais entre os alimentos orgânicos e os convencionais.

Dessa forma, os pesquisadores não identificaram frutas e legumes cuja versão orgânica se mostrou mais saudável e nutritiva que os cultivados de outra forma.

Fonte: https://www.simfruit.cl/bernhard-url-director-de-efsa-los-alimentos-organicos-no-son-mas-seguros-y-probablemente-tampoco-son-mas-nutritivos/

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

Arquivado em: Artigos, Curiosidades, Nutrição

Calorias, proteínas e vitaminas: onde consultar

10 de novembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Para consultar calorias, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais dos alimentos, use bases confiáveis e compare sempre a porção. O mesmo alimento pode mudar muito conforme marca, preparo, cozimento, óleo, molho, açúcar, sal e tamanho real da porção. Uma tabela sem contexto pode induzir erro.

O melhor uso dessas informações não é decorar números, mas responder uma decisão: montar uma refeição com proteína suficiente, reduzir açúcar adicionado, controlar sódio, comparar ultraprocessados ou corrigir uma deficiência. Caloria sozinha não diz qualidade nutricional.

Como comparar alimentos sem se perder

DadoComo usarErro comum
PorçãoConverter para o que você realmente come.Comparar 30 g com 100 g sem perceber.
ProteínaAvaliar refeição e meta diária.Olhar só um alimento isolado.
GorduraDiferenciar tipo e quantidade.Tratar toda gordura como igual.
Vitaminas/mineraisRelacionar com deficiência ou objetivo.Suplementar sem necessidade.

Fontes melhores que listas copiadas

Bases oficiais, como FoodData Central, ajudam a consultar alimentos in natura e preparados. Rótulos são melhores para produtos industrializados específicos, porque a formulação de uma marca pode mudar. Receitas caseiras precisam considerar ingredientes e rendimento final.

Para doenças como diabetes, doença renal, hipertensão, dislipidemia, alergias e doença celíaca, a informação nutricional deve ser lida com prioridade diferente. Uma pessoa pode precisar olhar carboidratos; outra, sódio, potássio, fósforo, gordura saturada ou glúten.

Se o objetivo é melhorar alimentação, escolha dois ou três marcadores para acompanhar. Tentar controlar todos os micronutrientes todos os dias costuma aumentar confusão e ansiedade, sem melhorar a decisão prática.

Em aplicativos e tabelas, revise se o alimento está cru, cozido, drenado, com óleo ou com casca. Pequenas diferenças de cadastro podem mudar bastante o resultado quando a pessoa soma tudo ao longo do dia.

Para receitas, pese ou estime o rendimento final. A porção pronta costuma ser o ponto em que a conta mais erra.

Para consultar calorias, gorduras, proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais dos alimentos, prefira bases de dados oficiais, rótulos regulamentados e materiais de instituições reconhecidas. O número isolado raramente conta a história inteira: porção, preparo, marca, fortificação e método de análise podem mudar bastante o resultado.

A mesma comida pode ter valores diferentes se estiver crua, cozida, frita, assada, com sal, com óleo ou em versão industrializada. Por isso, usar uma fonte confiável ajuda, mas interpretar a porção e o contexto continua essencial. Para quem tem doença renal, diabetes, alergias, gestação ou metas esportivas específicas, a consulta individual pode evitar erro de dose ou restrição desnecessária.

Rótulo nutricional usado para consultar nutrientes dos alimentos

Fontes úteis e seus limites

FonteBoa paraLimite
FoodData Central/USDAValores de alimentos genéricos e produtos cadastradosPode não refletir marca brasileira específica.
Rótulo do produtoInformação da marca e porção vendidaPorção pode ser menor que o consumo real.
NIH ODSVitaminas, minerais e suplementosNão substitui prescrição individual.
Aplicativos de dietaRegistro diário e comparaçãoDados podem ser cadastrados por usuários e ter erros.

Quando um aplicativo mostra calorias ou proteína, confira se o item corresponde ao alimento real: cozido ou cru, com pele ou sem, medida caseira ou gramas, marca correta e porção compatível. Pequenos erros diários podem virar uma diferença grande no fim da semana.

Como ler calorias e macronutrientes

NutrienteO que indicaComo usar
CaloriasEnergia total da porçãoCompare com fome, objetivo e rotina, não como número moral.
ProteínaAjuda saciedade, massa muscular e reparo tecidualNecessidade varia por peso, idade, treino e doença.
CarboidratosPrincipal fonte de energia em muitas dietasOlhe fibras e açúcares adicionados.
GordurasConcentram energia e ajudam absorção de vitaminasTipo de gordura importa mais que medo genérico.

Alimentos não são apenas soma de nutrientes. Feijão, iogurte, ovos, frutas, verduras, castanhas e cereais integrais entregam matriz alimentar, fibras, micronutrientes e saciedade. Por isso, duas opções com calorias parecidas podem ter efeitos bem diferentes no padrão alimentar.

Vitaminas e minerais: cuidado com excesso

Vitaminas e minerais podem aparecer em rótulos, tabelas e suplementos. Deficiência pode prejudicar saúde, mas excesso também pode causar problemas, especialmente com vitaminas lipossolúveis, ferro, iodo, selênio e outros nutrientes em dose alta. Não é boa ideia somar multivitamínico, pré-treino, fórmulas manipuladas e alimentos fortificados sem conferir a dose total.

  • Veja a unidade: mg, mcg/µg, IU/UI ou porcentagem do Valor Diário.
  • Confira se o nutriente foi adicionado ao alimento ou aparece naturalmente.
  • Desconfie de suplemento que promete substituir alimentação.
  • Informe suplementos ao médico antes de exames, cirurgias ou novos remédios.

Exemplo de decisão prática

DúvidaMelhor caminho
Quero comparar dois pãesUse rótulo por porção e por 100 g; observe fibras, sódio e ingredientes.
Quero saber proteína do feijãoUse base alimentar confiável e marque se está cozido.
Quero vitamina DPriorize exame e orientação quando houver risco ou sintoma.
Tenho diabetesConsidere carboidrato, fibra, medicação, horário e monitorização.

A melhor fonte é aquela que responde à pergunta certa. Para curiosidade geral, uma base alimentar basta. Para tratamento, dose de suplemento ou condição clínica, a interpretação precisa ser profissional.

Por que porção muda a interpretação

Um erro comum é comparar produtos olhando apenas a primeira linha da tabela, sem notar a porção. Um cereal pode parecer baixo em açúcar se a porção declarada for pequena, mas o consumo real pode ser duas ou três vezes maior. O mesmo vale para castanhas, granola, queijo, azeite e suplementos em pó. A tabela nutricional é útil, mas precisa ser traduzida para a quantidade que a pessoa realmente come.

ItemArmadilha comumComo corrigir
AzeiteUsar “um fio” sem medirUma colher de sopa já concentra bastante energia.
GranolaPorção no rótulo menor que a tigela realPesar uma vez ajuda a calibrar o olhar.
Proteína em póConfundir scoop com dose de proteínaVer gramas de proteína por porção, não só peso total.
Alimento cozidoUsar dado cru para alimento prontoÁgua muda peso e concentração por 100 g.

Para metas clínicas, a precisão necessária varia. Uma pessoa curiosa pode usar estimativas. Um paciente renal controlando potássio, fósforo ou proteína precisa de orientação mais fina. Uma pessoa com diabetes pode precisar olhar carboidratos, fibras, horário e resposta glicêmica. O número da tabela é começo, não fim.

Como evitar obsessão por números

Consultar nutrientes ajuda, mas pode virar fonte de ansiedade quando tudo passa a ser permitido ou proibido por cálculo. Um bom uso dos dados é comparar escolhas e corrigir distorções: perceber que uma bebida tem muito açúcar, que uma refeição tem pouca proteína ou que um produto “fit” tem pouca fibra. Um uso ruim é transformar cada alimento em ameaça.

  • Use dados para aprender padrões, não para punir refeições.
  • Avalie a semana, não apenas uma refeição isolada.
  • Combine números com fome, saciedade, exames e cultura alimentar.
  • Procure ajuda se contar calorias aumenta culpa, compulsão ou restrição extrema.

Como comparar dois alimentos

Quando a dúvida é prática, compare por 100 g e por porção real. Por 100 g mostra densidade nutricional; porção real mostra o que você realmente consome. Um queijo pode parecer salgado por 100 g, mas a porção ser pequena. Uma granola pode parecer moderada por porção, mas a tigela real ser três vezes maior. Essa dupla leitura evita conclusões apressadas.

CompareUse para decidir
Por 100 gQual produto é mais concentrado em sódio, açúcar, proteína ou fibra.
Por porção realQuanto entra no seu dia de verdade.
Lista de ingredientesQualidade do produto e grau de processamento.
Valor diárioSe o alimento pesa muito em sódio, açúcar adicionado ou gordura saturada.

Se o objetivo é checar informação nutricional confiável, combine bases oficiais com leitura de rótulo. Para colesterol, diabetes ou rim, a interpretação deve ser individual.

Quando o número muda a conduta

A informação nutricional é mais útil quando orienta uma troca concreta: reduzir sódio em hipertensão, ajustar carboidratos no diabetes, aumentar fibras, comparar proteína por porção ou evitar excesso de suplemento. Se o número não muda nenhuma decisão, ele pode virar apenas ruído.

Fontes úteis

  • USDA FoodData Central
  • FDA: como entender o rótulo nutricional
  • NIH ODS: fichas de vitaminas e minerais

Arquivado em: Nutrição

Tratamento para lipoma: O que você precisa saber

10 de novembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

A saúde é uma das nossas principais preocupações nos dias de hoje. Os avanços nos campos nutricionais, de produção de alimentos e na medicina, em conjunto com os avanços tecnológicos, possibilitaram que nossa longevidade tenha conseguido atingir níveis nunca antes vistos.

Porém, isso não significa que podemos ficar despreocupados com a nossa saúde. Para garantir essa longevidade, precisamos ativamente nos aproveitar desses avanços, para podermos tratar as doenças que acabamos por adquirir. E quanto mais precoce for o tratamento, maiores as chances de sairmos ilesos.

Em qualquer nódulo, o ponto principal é confirmar se o achado é compatível com lipoma ou se há sinais que exigem outra investigação. Crescimento rápido, dor progressiva, endurecimento, fixação aos planos profundos ou mudança de pele pedem avaliação direta.

Devido à agressividade de certos tipos de câncer, várias campanhas a nível nacional e internacional foram desenvolvidas para auxiliar as pessoas a encontrar os primeiros sinais de que um tumor está se desenvolvendo. E o mais famoso deles consiste na procura por um nódulo situado logo abaixo da pele, como no caso do câncer de mama.

Portanto, não é incomum que as pessoas suspeitem que qualquer condição com aparência semelhante seja um tipo de câncer, o que pode causar certo sofrimento psíquico. É importante reconhecer essa possibilidade e procurar atendimento médico rapidamente, mas deve-se saber também que nem todo nódulo subcutâneo consiste em um tumor maligno.

Um dos casos mais comuns disso é o lipoma. O lipoma é um nódulo benigno, isto é, que não apresenta tendência a se espalhar pelo corpo e a danificá-la. Mas sua aparência tende a causar bastante preocupação e desconforto visual.

Felizmente, existem diversos tratamentos que são capazes de remover o lipoma.


Fatores de risco para surgimento de lipoma

Fator de riscoDescrição
Predisposição genéticaTer um histórico familiar de lipomas aumenta o risco de desenvolvê-los.
ObesidadeEstar acima do peso ou obeso aumenta o risco de desenvolver lipomas.
IdadeOs lipomas são mais comuns em adultos entre 40 e 60 anos.
Exposição a certos produtos químicosA exposição a certos produtos químicos, como a dioxina, pode aumentar o risco de lipomas.
Exposição à radiaçãoA exposição à radiação, como a radioterapia para câncer, aumenta o risco de desenvolver lipomas.

Tratamento para lipoma

Um lipoma, como o nome descreve, consiste em uma massa de gordura que se acumula de forma anormal logo abaixo da pele. Por isso, geralmente são moles, mas é possível que tenham aspecto mais firme também.

Lipomas são muito comuns e, como dito anteriormente, são benignos. Isto é, não causam problemas de saúde, embora possam ser um pouco desconfortáveis. A gordura se acumula no local, mas não tende a se espalhar para outros tecidos ou prejudicar o funcionamento do organismo.

Geralmente, a formação da massa é o único sintoma, mas em alguns casos pode causar dor ou desconforto físico também. O tamanho tende a se estabilizar, mas em certos casos pode apresentar crescimento contínuo.

Na maioria dos casos, ele é absorvido naturalmente pelo corpo após algum tempo, portanto, nem sempre é necessário um tratamento para lipoma. Porém, se desejado ou necessário, também existem formas de acelerar sua absorção ou de removê-lo completamente.

Recuperação natural

De forma semelhante ao cisto sebáceo, o lipoma consiste no acúmulo de gordura em uma região do corpo devido à formação de uma cápsula impermeável. Essa impermeabilidade dificulta a dissipação da gordura, portanto, estimula sua acumulação.

Geralmente, o lipoma desaparece sozinho após certo tempo, embora o tempo necessário para isso possa variar de uma pessoa para outra. O que permite isso é a quebra e absorção espontânea dessa cápsula impermeável, possibilitando assim que a gordura acumulada seja absorvida pelo corpo posteriormente.

É importante, porém, não basear sua forma de lidar com isso em um autodiagnóstico. O lipoma apresenta certas semelhanças com alguns nódulos malignos, como o lipossarcoma. Portanto, deve-se buscar atendimento médico, pois apenas um dermatologista é capaz de diagnosticar corretamente a condição presente.

A quebra e absorção espontânea do lipoma tende a ser o melhor tratamento no caso de nódulos pequenos e discretos, isto é, que se situam em regiões menos expostas do corpo.

Porém, em alguns casos é recomendado ou desejável a realização de algum procedimento visando o tratamento mais rápido do mesmo. Isso é especialmente o caso quando:

  • O lipoma causa grande desconforto estético, por exemplo, por ter se formado no rosto, pescoço ou nos braços, especialmente se apresentar grandes dimensões;
       
  • Ele causa desconforto físico, especialmente dor, o que é mais comum quando apresenta maiores dimensões;
       
  • Não está claro se realmente se trata de um tumor benigno, por exemplo, por crescer rapidamente;
       
  • Ele está presente no corpo a muito tempo e causa certo incômodo, embora apresente pequenas dimensões.


Aplicação de medicamentos

Atualmente, não existe medicamento oral ou cremes ou pomadas que sejam um efetivo tratamento para lipoma. Porém, é possível estimular a quebra e absorção do nódulo através da injeção de corticosteroides.

Corticosteroides são hormônios importantes para a regulação do metabolismo, apresentando diferentes funções, mas sendo especialmente importantes durante situações mais intensas.

O principal exemplo é o cortisol. O cortisol é famoso por ser o “hormônio do estresse”, visto que é produzido em maior quantidade durante situações de estresse e de alta ansiedade.

Sua principal função é regular o organismo de forma a tornar mais fácil lidar com essa situação de estresse. Isso consiste principalmente em estimular o metabolismo das fontes de acúmulo de energia, como carboidratos e gordura, de forma a fornecer mais energia mais rapidamente para combater a causa do estresse.

Essa capacidade de estimular o corpo a quebrar a gordura é o que torna uma boa opção para tratar o lipoma. Ao ser injetado diretamente no nódulo, as células dos tecidos próximos são estimuladas a utilizarem a gordura ali presente para obter maior energia, o que, consequentemente, leva à sua diminuição.

Os corticosteroides também estimulam o metabolismo de proteínas, o que contribui para a destruição da cápsula impermeável que circunda o nódulo.

A desvantagem, porém, é que os corticosteroides não podem ser utilizados com muita frequência. Esses hormônios existem para lidar com situações de estresse apenas, e acabam levando as células ao limite para garantir a sobrevivência do corpo. O uso contínuo, portanto, causa complicações.

No caso, o uso contínuo de corticosteroides na pele tende a desidratá-la e afiná-la, além de dificultar sua regeneração. Consequentemente, torna a pele menos resistente e mais propensa a infecções.

Por isso, embora seja um tratamento minimamente invasivo, nem sempre é recomendado.

Intervenções cirúrgicas

As intervenções cirúrgicas consistem nas formas mais efetivas de tratamento para lipoma. Deve-se ter em mente, porém, que existe risco associado à realização de qualquer tipo de procedimento cirúrgico, pois aumenta-se as chances de infecções e complicações hospitalares.

Os cirurgiões e hospitais de confiança realizam todas as preparações necessárias para minimizar esses riscos, mas eles sempre existem. Por isso, busque realizar uma remoção cirúrgica de um lipoma apenas caso seja necessário.

Existem dois tipos de intervenções cirúrgicas para este caso: a lipoaspiração e a excisão.

Lipoaspiração

A lipoaspiração consiste em utilizar a mesma abordagem utilizada para o procedimento estético popular de mesmo nome.

Como o nome implica, a lipoaspiração consiste na sucção da gordura armazenada. O cirurgião realiza pequenos furos em determinadas regiões do lipoma e utiliza um aparelho especializado para a remoção da gordura através da sucção.

A lipoaspiração é muito efetiva em reduzir a quantidade de gordura acumulada, e apresenta a vantagem de ser um procedimento comum. Portanto, existem muitos profissionais qualificados para a sua realização.

Porém, a lipoaspiração está associada a várias possíveis complicações no pós-operatório. O método usado torna o procedimento menos invasivo, mas também apresenta menos controle sobre a remoção de gordura e a recuperação do local. Dessa forma, há mais chance de ocorrerem infecções bacterianas, remoção incompleta da gordura ou contaminação do sangue devido à gordura presente.

No caso específico do lipoma, a lipoaspiração pode também não ser capaz de solucionar o problema no longo prazo. A sucção do lipoma não ocasiona necessariamente a quebra ou remoção da cápsula impermeável. Portanto, a gordura pode voltar a se acumular no local, resultando na regeneração do lipoma, ainda que de forma parcial.

Excisão

A excisão se trata da remoção completa do nódulo, em conjunto com a remoção da cápsula, sendo, portanto, um ótimo tratamento para lipoma. O procedimento específico realizado depende do tamanho do lipoma, mas envolve a abertura e retirada manual do mesmo.

No caso de nódulos pequenos, é possível remover a cápsula em conjunto com o nódulo de gordura. Realiza-se um pequeno corte na pele sobre o lipoma, sem afetar a cápsula. Esse corte é então aberto, revelando-a. Dessa forma, é possível removê-la intacta com o auxílio de uma pinça.

Para um nódulo de maiores dimensões, realizar esse procedimento é mais difícil e arriscado, visto que envolve realizar uma abertura de grandes dimensões no local. Portanto, nesses casos, o processo é um pouco mais lento.

Realiza-se uma abertura que permite atingir diretamente a gordura, rompendo, portanto, a cápsula. A gordura é então retirada, deixando apenas a cápsula, que é retirada posteriormente. É um procedimento um pouco mais longo, mas o resultado é o mesmo.

A principal vantagem do procedimento é a remoção completa da gordura acumulada em conjunto com a remoção completa da cápsula, impedindo que o lipoma se forme novamente no mesmo local com a mesma facilidade.

É uma cirurgia relativamente simples, mas que deixa uma cicatriz no local em que foi realizada. Cremes cicatrizantes podem também ser receitados para auxiliar a recuperação.

Sobre o lipoma

Tratamento para lipoma

Não se sabe com precisão quais são as causas do lipoma. Porém, devido à sua maior prevalência em algumas famílias em comparação a outras, suspeita-se que haja certa predisposição genética envolvida. Algumas síndromes também aumentam a predisposição ao seu desenvolvimento, como a síndrome de Gardner, de Madelung e de Cowden.

Existem também algumas hipóteses em investigação, mas que ainda não apresentam evidências conclusivas, como a possibilidade de estar relacionada a impactos físicos na região, à obesidade e ao ganho rápido de gordura.

O lipoma se forma principalmente devido à formação espontânea de sua cápsula. Essa cápsula impermeável, por sua vez, se forma com o acúmulo de proteínas e outras substâncias logo abaixo da pele. Dentre essas proteínas se encontra, por exemplo, a queratina, substância impermeável que compõe a epiderme.

Esse acúmulo pode, portanto, surgir de uma dificuldade de escoar essas proteínas e substâncias produzidas pelo corpo durante sua manutenção natural.

A criação dessa cápsula então permite o acúmulo de outras substâncias que seriam naturalmente absorvidas pelo corpo ou posicionadas em algum outro local. No caso do cisto sebáceo, por exemplo, se trata do sebo naturalmente produzido pelo corpo.

PatologiaDescrição
Excesso de lipídeosLipomas são compostos de excesso de células de gordura que formam um nódulo na pele.
Maquiagem celularOs lipomas são compostos de células adiposas maduras, bem como de tecido fibroso e vascular.
Taxa de crescimentoOs lipomas geralmente crescem lentamente e podem permanecer do mesmo tamanho por anos.
LocalizaçãoOs lipomas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, mas são mais comuns no pescoço, ombros e costas.

No caso do lipoma, se trata de gordura, que seria normalmente armazenada no tecido adiposo ou utilizada pelo corpo para produção de energia.

Esse acúmulo não traz complicações. Porém, há a possibilidade do lipoma crescer rapidamente, atingir grandes proporções e ser doloroso, portanto, pode causar incômodo considerável à pessoa que o apresenta.

O aparecimento de um nódulo no corpo é motivo para buscar atendimento médico, especialmente caso seja notado que apresente crescimento rápido. Existe a possibilidade de se tratar de um tumor benigno, o que implica em menor necessidade de atenção sobre ele, mas também pode se tratar de um tumor maligno, o que exige ação imediata.

O lipoma pode ser facilmente confundido com o lipossarcoma, tipo raro de câncer que atinge as células do tecido de adiposo e também forma um tumor que contém gordura. Nos estágios iniciais, é difícil diferenciá-los, o que requer um processo diagnóstico especializado, podendo ser necessária a realização de uma biópsia para diagnóstico diferencial.

Conclusão

O lipoma é um nódulo benigno e inofensivo, sendo relativamente comum. Algumas pessoas apresentam predisposição genética a formá-los, e ele também pode ser formado por consequência de alguma outra condição.

Embora possa parecer com um tumor maligno, ele não causa prejuízo aos tecidos ao redor, nem tende a se espalhar para outras partes do corpo. Geralmente é solitário, mas é possível que uma pessoas apresente mais de um ao mesmo tempo, especialmente se apresentar predisposição a desenvolvê-los.

Mesmo sendo benignos, podem ser um tanto incômodos, especialmente caso apresentem maiores dimensões, estejam presentes em uma parte muito exposta do corpo, ou sejam dolorosos.

Esses nódulos tendem a desaparecer espontaneamente após certo tempo. Porém, caso desejado ou necessário, também existem alguns procedimentos capazes de removê-lo, cessando o incômodo físico e visual e, em certos casos, diminuindo drasticamente as chances dele se formar novamente.

É importante, porém, não basear sua saúde no autodiagnóstico. O lipoma apresenta grandes semelhanças com os estágios iniciais de alguns tipos de câncer, e apenas um dermatologista é capaz de realizar o diagnóstico preciso de um nódulo na pele.

O lipoma é perigoso?

Não, os lipomas não são perigosos. Lipomas são tumores benignos feitos de células de gordura que podem se formar em qualquer parte do corpo. Eles geralmente são macios e móveis e não causam dor, a menos que pressionem um nervo. Embora os lipomas não sejam cancerígenos, eles podem causar problemas estéticos dependendo de sua localização.

Lipomas podem voltar?

Sim, os lipomas podem recorrer. Os lipomas tendem a recorrer no mesmo local do tumor original, embora também possam se formar em locais diferentes. Eles também podem recorrer após serem removidos cirurgicamente, embora isso não seja comum. Se um lipoma for removido e ele recorrer, é importante que seja examinado por um médico para garantir que não, seja outra lesão.

Existem riscos na remoção dos lipomas?

Sim, para qualquer procedimento, pode haver um mínimo risco de infecção, sangramento local e cicatrização ruim. A remoção do lipoma, para a maioria dos casos, é um procedimento simples e seguro, realizado em consultório médico.Além disso, existe o risco de recorrência se o lipoma não for completamente removido. Por esse motivo, é importante discutir os riscos e benefícios da remoção do lipoma com um médico antes de prosseguir.

É possível prevenir lipomas?

Não, não há nada que possa ser feito para prevenir os lipomas. Lipomas são tumores benignos feitos de células de gordura que podem se formar em qualquer parte do corpo. A causa dos lipomas é desconhecida e não há nenhuma maneira conhecida de impedir sua formação. No entanto, é importante estar ciente de quaisquer alterações no tamanho ou na forma de um lipoma existente e entrar em contato com um médico se surgirem novos lipomas.

Arquivado em: Dermatologia Marcados com as tags: dermatologia, lipoma, lipossarcoma, tratamento

Gordura trans: o que é, riscos e como identificar

10 de novembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Desde 1º de janeiro de 2023, a Anvisa proíbe no Brasil a produção, a importação, o uso e a oferta de óleos e gorduras parcialmente hidrogenados em alimentos, e de alimentos que os contenham. É a gordura parcialmente hidrogenada que gera a gordura trans industrial, a que piora o perfil de colesterol e aumenta o risco cardiovascular. A hidrogenação total não é fonte de trans industrial, e ainda pode haver trans em pequena quantidade vindo do refino de óleos e de fontes naturais, como a gordura de ruminantes. Por isso, a lista de ingredientes continua valendo: se aparecer gordura vegetal parcialmente hidrogenada, o produto não deveria estar sendo vendido no país.

Gordura trans é um tipo de ácido graxo insaturado que pode aparecer naturalmente em pequenas quantidades em alimentos de ruminantes, mas o maior problema de saúde pública vem da gordura trans industrial, produzida principalmente por óleos parcialmente hidrogenados. Ela foi muito usada para melhorar textura, crocância, vida de prateleira e sabor de produtos ultraprocessados.

A gordura trans industrial não tem benefício conhecido para a saúde e deve ser evitada. O motivo é bem estabelecido: ela tende a aumentar o LDL, o “colesterol ruim”, reduzir o HDL, o “colesterol bom”, e aumentar risco de doença cardiovascular. Por isso, órgãos como OMS, OPAS e FDA tratam sua eliminação da cadeia alimentar como prioridade.

Coração em contexto de risco cardiovascular associado a gordura trans

Resumo visual

PontoO que significaComo agir
O que éGordura trans industrial vem da hidrogenação parcial de óleos; a hidrogenação total não gera trans industrial.Procure “parcialmente hidrogenado” na lista de ingredientes: esse ingrediente é proibido no Brasil desde 2023.
Por que preocupaAumenta LDL, reduz HDL e eleva risco cardiovascular.Se encontrar gordura parcialmente hidrogenada na lista, o produto não deveria estar no mercado brasileiro; prefira outra opção.
Onde apareceHistoricamente, biscoitos, massas prontas, recheios, frituras e margarinas. Hoje esses produtos não devem conter gordura parcialmente hidrogenada; a categoria, a textura ou o tamanho da porção não permitem supor que haja trans.Leia rótulos e lista de ingredientes.
Meta práticaQuanto menos gordura trans industrial, melhor.Prefira alimentos minimamente processados e gorduras melhores.

Por que ela é ruim para o organismo?

O problema não é uma molécula “entupindo” uma artéria de uma vez, mas um efeito metabólico acumulado. Quando a dieta tem gordura trans com frequência, o perfil de colesterol piora e o ambiente inflamatório e vascular fica menos favorável. Com o tempo, isso contribui para aterosclerose, que é o acúmulo de placas nas artérias e pode aumentar risco de infarto e AVC.

Essa explicação é importante porque evita medo teatral e foca no que muda risco de verdade: padrão alimentar, frequência, quantidade e substituições. Trocar gordura trans por azeite, abacate, castanhas, sementes, peixes, ovos, alimentos frescos e preparações caseiras tende a melhorar o conjunto da dieta.

Onde a gordura trans pode estar escondida?

ProdutoPor que verificarAlternativa melhor
Biscoitos recheados e wafersHistoricamente usavam gorduras para textura e recheio; hoje não devem conter gordura parcialmente hidrogenada.Fruta, iogurte, castanhas ou biscoito simples com rótulo melhor.
Massas prontas e salgadosHistoricamente precisavam manter crocância e validade; a presença de trans não se infere da textura ou da validade.Massa caseira, tapioca, pão simples, preparações assadas.
Pipoca de micro-ondas e snacksPodem ter gorduras e muito sódio; isso não indica gordura trans.Pipoca de panela com pouco óleo.
Margarinas e cremes vegetaisMuitas versões foram reformuladas; a lista de ingredientes é o que confirma, não a marca ou a categoria.Manteiga em pequena quantidade, azeite ou pasta de oleaginosas.

Como identificar no rótulo

Olhe duas áreas: a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Na tabela, procure “gorduras trans”. Na lista, procure gordura vegetal parcialmente hidrogenada, óleo parcialmente hidrogenado ou gordura hidrogenada parcialmente. Esses ingredientes são proibidos no Brasil desde 2023, então encontrá-los é sinal de que o produto não deveria estar sendo vendido. A lista de ingredientes costuma ser mais reveladora, porque porções pequenas podem diluir números na tabela. A hidrogenação total, por outro lado, não é fonte de trans industrial.

Também vale comparar produtos semelhantes. Dois biscoitos, margarinas ou massas prontas podem ter perfis muito diferentes. Se um produto usa alegações como “integral”, “fit” ou “zero açúcar”, isso não garante boa composição de gordura. Veja também conteúdos sobre gorduras saudáveis, colesterol LDL e HDL e rótulos nutricionais confiáveis.

Gordura saturada e trans são iguais?

Não. As duas podem aparecer em discussões sobre risco cardiovascular, mas não são a mesma coisa. Gordura trans industrial é especialmente indesejável e deve ser evitada. Gordura saturada aparece em carnes gordas, laticínios integrais, manteiga, óleo de coco e alguns ultraprocessados; sua recomendação depende do conjunto da dieta e da substituição feita. Trocar gordura saturada por carboidrato refinado não é a mesma coisa que trocar por azeite, castanhas ou alimentos ricos em fibra.

Checklist de compra

  • Procure “parcialmente hidrogenado” na lista de ingredientes: se aparecer, o produto não deveria estar no mercado brasileiro.
  • Compare produtos por porção e por 100 g quando possível.
  • Não confie apenas em palavras como caseiro, integral, fit ou natural.
  • Reduza ultraprocessados de consumo diário antes de se preocupar com exceções ocasionais.
  • Se você tem colesterol alto, diabetes ou doença cardiovascular, peça orientação individual.

“Zero gordura trans” no rótulo resolve?

Ajuda, mas não deve ser o único critério. A norma brasileira sobre hidrogenados não fixa, por si, um limiar de declaração de zero, e a lista de ingredientes continua importante. Se um alimento declara zero gordura trans, mas traz gordura parcialmente hidrogenada entre os ingredientes, o produto não deveria estar sendo vendido no país. Também é possível que o produto tenha pouca gordura trans por porção, mas seja consumido em quantidade maior que a porção indicada.

No Brasil, a disponibilidade de produtos mudou muito nos últimos anos, e desde 2023 a gordura parcialmente hidrogenada é proibida. Alguns alimentos que antes dependiam dela foram reformulados com outras gorduras. Isso pode reduzir um risco, mas não transforma automaticamente um ultraprocessado em alimento de consumo livre. Açúcar, sódio, gordura saturada, baixa fibra e alta densidade calórica também entram na conta.

Gordura trans natural também é o problema?

Pequenas quantidades de gordura trans podem ocorrer naturalmente em carnes e laticínios de ruminantes. A preocupação principal das políticas de saúde pública é a gordura trans industrial, especialmente a ligada a óleos parcialmente hidrogenados. É ela que a OMS busca eliminar da cadeia alimentar, porque pode ser removida por mudança tecnológica sem perda nutricional para a população.

Na prática, para a maioria das pessoas, o foco deve ser reduzir produtos ultraprocessados ricos em gorduras ruins e aumentar alimentos de melhor qualidade. Isso inclui feijão, verduras, legumes, frutas, cereais integrais, azeite, castanhas, sementes, peixes e preparações caseiras. A conversa sobre gordura trans funciona melhor quando vira decisão concreta de compra, não apenas medo de um nutriente.

Trocas simples no dia a dia

Hábito atualTroca mais seguraPor que ajuda
Biscoito recheado diárioFruta com iogurte, aveia ou castanhas.Mais fibra e menos gordura industrial.
Salgado frito frequenteSanduíche simples, tapioca ou refeição caseira.Reduz gordura, sódio e calorias concentradas.
Massa pronta congeladaPorção caseira congelada.Você controla óleo, sal e ingredientes.
Pipoca de micro-ondasPipoca de panela com pouco óleo.Menos aditivos e melhor controle de gordura.

Se a mudança parece grande, escolha o alimento que aparece mais vezes na semana. Reduzir um item diário tem mais impacto do que trocar uma exceção mensal. Em pessoas com LDL alto, a conversa deve incluir dieta inteira, atividade física, peso, tabagismo, histórico familiar e necessidade ou não de medicamento.

Como ler rótulo sem se perder

Comece pela lista de ingredientes, porque ela mostra do que o alimento é feito em ordem aproximada de quantidade. Depois olhe a tabela nutricional para comparar porções parecidas. Um biscoito pode parecer “baixo” em gordura trans por porção pequena, mas virar consumo relevante quando a pessoa come o pacote inteiro. Também vale observar se o produto troca gordura trans por muito sódio, açúcar ou gordura saturada. Se aparecer gordura parcialmente hidrogenada na lista, o produto não deveria estar sendo vendido no Brasil.

Para uso cotidiano, a pergunta mais útil não é “este alimento tem um nutriente proibido?”, e sim “este alimento aparece todo dia e ocupa espaço de comida melhor?”. Essa abordagem evita medo exagerado de uma exceção e ajuda a priorizar mudanças que realmente melhoram a dieta ao longo de semanas e meses.

No rótuloLeitura prática
IngredientesProcure gordura vegetal parcialmente hidrogenada; se aparecer, o produto não deveria estar no mercado brasileiro.
Porção pequena“Zero” pode esconder quantidade baixa por porção, mas a soma do dia importa; a norma brasileira não fixa, por si, limiar de zero.
Produto frequenteBiscoitos, massas, recheios e frituras têm maior impacto quando entram na rotina, mas a categoria não indica presença de trans.
Troca possívelPrefira preparos simples e gorduras insaturadas em vez de ultraprocessados.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Fontes úteis

  • WHO: Trans fat
  • FDA: Trans Fat
  • PAHO/WHO: Trans-fatty acids
  • CDC Preventing Chronic Disease: Global surveillance of trans-fatty acids

Arquivado em: Curiosidades, Nutrição

Últimos Posts

Botox para bruxismo: benefícios possíveis, evidência e riscos

Leia mais »

Menstruação prolongada com pouco fluxo: causas e avaliação

Leia mais »

Quem não menstrua mais pode engravidar?

Leia mais »

DIU Mirena e menstruação: escapes, redução e ausência do fluxo

Leia mais »

Saúde em palavras claras.

Artigos sobre sintomas, doenças, exames e tratamentos.

Artigos por e-mail

Receba uma seleção de artigos do Blog da Saúde.

Institucional

  • Sobre o Blog da Saúde
  • Equipe editorial
  • Especialistas
  • Contato

Critérios editoriais

  • Como produzimos conteúdo
  • Política editorial
  • Revisão médica
  • Critérios de fontes
  • Correções e atualizações

Leitura e acesso

  • Guias
  • Independência editorial e publicidade
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

2026 © Blog da Saúde.

Aviso médico: as informações fornecidas neste site visam melhorar, não substituir, a relação direta entre o paciente e os profissionais de saúde.

Pesquisar no Blog da Saúde

Exemplos vitamina D exame TGO dor de garganta
Ver todos os resultados