Blog da Saúde

Informações sobre cuidados com a saúde

  • Sintomas
  • Doenças
  • Tratamentos
  • Exames e Medicamentos
  • Especialistas
  • Guias

Arquivos para 8 de novembro de 2022

Sífilis na boca: sinais, transmissão e testes

8 de novembro de 2022 by Dra. Juliana Toma


Resposta direta: sífilis pode causar ferida nos lábios, língua, gengiva, garganta ou mucosa oral, especialmente após contato sexual oral com lesão infecciosa. A aparência isolada não confirma nem exclui o diagnóstico. A conduta correta é testar, avaliar estágio, tratar quando confirmado e orientar parceiros conforme recomendação profissional.

A ferida da sífilis primária pode ser pouco dolorosa e desaparecer sozinha. Isso engana muita gente: sumir não significa que a infecção acabou. Em fases posteriores, podem aparecer lesões em mucosas, manchas no corpo, queda de cabelo em placas, febre, mal-estar ou linfonodos aumentados.

Como a sífilis pode aparecer na boca

A lesão oral pode parecer afta, trauma por mordida, herpes, candidíase, irritação por prótese ou até alteração que precisa descartar câncer de boca. Por isso, a história importa: contato sexual, tempo de evolução, presença de lesões genitais ou anais, manchas na pele, exames anteriores e tratamento de parceiros.

Situação Leitura segura Próximo passo
Ferida firme e pouco dolorosa Entra no diferencial de sífilis primária. Teste e exame clínico.
Lesões na boca com manchas na pele Pode sugerir fase secundária. Avaliar outras ISTs também.
Ferida desapareceu Não confirma resolução. Testar se houve risco.
Gestação ou tentativa de gravidez Risco fetal muda a urgência. Atendimento sem adiar.

Transmissão e testes

A sífilis é transmitida por contato direto com lesões infecciosas durante sexo vaginal, anal ou oral. Não é uma infecção que se interpreta por copos, talheres ou assentos sanitários. A confirmação envolve exame clínico e testes sanguíneos, que podem incluir testes treponêmicos e não treponêmicos.

Quando há suspeita recente, pode ser necessário repetir exames conforme a janela de detecção e a avaliação clínica. Também é comum investigar HIV, hepatites e outras infecções sexualmente transmissíveis, porque exposições podem ocorrer juntas.

Tratamento e acompanhamento

O tratamento depende do estágio, de alergias, gestação e histórico prévio. Penicilina é referência em muitos cenários, mas a decisão e o esquema são médicos. Depois do tratamento, é importante acompanhar queda de títulos em exames quando indicado e reduzir risco de reinfecção.

Parceiros precisam ser avaliados. Tratar apenas uma pessoa, sem orientar contatos e sem confirmar resposta, aumenta a chance de reinfecção e transmissão contínua.

O que não fazer

  • Não use antibiótico por conta própria para “secar” a ferida.
  • Não exclua sífilis porque a lesão não dói.
  • Não use aparência da boca como único critério.
  • Não adie avaliação se houver gestação, sintomas neurológicos, visuais ou auditivos.

Sinais que mudam a urgência

Procure atendimento com mais rapidez se houver alteração de visão, dor ocular, perda auditiva, zumbido intenso, dor de cabeça forte, confusão, fraqueza, manchas nas palmas ou plantas, ferida persistente, gravidez, exposição de recém-nascido ou sintomas em parceiro.

Uma ferida na boca pode ter várias causas, mas quando existe risco sexual recente, a investigação é objetiva e útil. O melhor artigo não tenta diagnosticar pela foto; ele ajuda o leitor a entender que teste e acompanhamento são o caminho seguro.

Por que a boca confunde o diagnóstico

A mucosa oral reage de forma limitada a muitas agressões. Feridas por mordida, aftas, herpes, candidíase, trauma por aparelho, queimadura, irritação química e sífilis podem parecer semelhantes para quem olha no espelho. A diferença costuma vir da história e dos exames.

Uma lesão única, firme, com base endurecida e pouco dolorosa após exposição sexual merece teste. Lesões múltiplas, dor intensa, bolhas, placas brancas removíveis ou ferida que não cicatriza abrem outros caminhos. Mesmo assim, a aparência não substitui exame direto.

Depois do teste positivo

Um resultado positivo precisa ser interpretado com tipo de teste, título, história prévia de sífilis, tratamento antigo e sintomas atuais. Algumas pessoas mantêm testes treponêmicos positivos por muito tempo, mesmo após tratamento. Por isso, o profissional combina informações para definir se há infecção ativa, reinfecção ou cicatriz sorológica.

Durante avaliação e tratamento, pode ser necessário evitar contato sexual até orientação segura. Também é prudente avisar parceiros conforme recomendação, porque a pessoa pode não ter sintomas visíveis e ainda assim precisar de teste.

Gestação muda a prioridade

Sífilis na gestação exige atenção especial porque pode atingir o bebê. Qualquer suspeita, exame alterado ou parceiro com diagnóstico deve levar a atendimento. Não é um tema para esperar a ferida “ver se melhora”.

Em recém-nascidos e bebês, a investigação segue outro protocolo. O artigo para adulto não deve ser usado para decidir conduta em criança exposta.

Neurosífilis, sífilis ocular e auditiva

Algumas formas de sífilis podem envolver sistema nervoso, olhos ou audição. Dor de cabeça persistente, alteração visual, dor ocular, perda auditiva, zumbido importante, tontura, confusão, fraqueza ou alteração de sensibilidade exigem avaliação mais rápida. Esses sinais não devem ser tratados como ferida comum na boca.

Quando há suspeita de acometimento neurológico, ocular ou auditivo, a investigação e o tratamento podem mudar. Por isso, é importante contar todos os sintomas, mesmo os que parecem não ter relação com a boca.

Como evitar reinfecção

Após tratamento, a pessoa precisa entender prazo de retorno, exames de controle e orientação sobre parceiros. Camisinha reduz risco, mas não cobre todas as áreas de contato. Feridas ativas em boca, genitais ou ânus aumentam transmissão, inclusive quando são pouco dolorosas.

Fontes usadas nesta revisão

As fontes abaixo ajudam a conferir definições, sinais de alerta, limites do cuidado e pontos de acompanhamento citados no artigo.

  • CDC: about syphilis
  • CDC: STI treatment guidelines, syphilis
  • Ministério da Saúde: sífilis
  • WHO: syphilis fact sheet

Arquivado em: Dermatologia, Infectologia Marcados com as tags: DSTs, sífilis

Abstinência de nicotina: sintomas, duração e o que fazer

8 de novembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

A abstinência de tabaco ou nicotina acontece quando uma pessoa reduz ou para uma exposição regular à nicotina, presente em cigarros, vape, tabaco aquecido, narguilé e alguns outros produtos. O corpo e o cérebro se adaptam à nicotina; quando ela sai de cena, aparecem sintomas como fissura, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações do sono e aumento do apetite.

Esses sintomas são desconfortáveis, mas são esperados e tendem a melhorar com o tempo. Entender a lógica da abstinência ajuda a não confundir desconforto temporário com “fracasso”. A fissura costuma vir em ondas. Ela cresce, atinge um pico e passa, especialmente quando a pessoa usa estratégias de enfrentamento.

Resumo visual dos sintomas

SintomaPor que aconteceO que ajuda
Vontade intensa de fumarCérebro esperando nicotinaAtrasar 5 minutos, respirar, manter hidratação, mudar de ambiente.
Irritabilidade e ansiedadeReajuste de neurotransmissoresAtividade física leve, sono, apoio e técnicas de respiração.
InsôniaMudança no estímulo nicotínicoRotina de sono e reduzir cafeína à tarde.
Fome e ganho de pesoPaladar melhora e apetite aumentaLanches planejados, proteína, fibra e movimento.
TosseVias aéreas eliminando secreçõesHidratação; avaliar se houver falta de ar, febre ou sangue.

O que muda no cérebro?

A nicotina ativa receptores nicotínicos e influencia dopamina, noradrenalina e outros sistemas ligados a recompensa, atenção e humor. Com uso repetido, o cérebro se adapta. Quando a nicotina some, há um período de desequilíbrio: menos sensação de recompensa, mais irritação, mais desejo de buscar alívio rápido.

Isso explica por que o cigarro parece “acalmar” algumas pessoas. Muitas vezes ele reduz temporariamente a abstinência que ele mesmo ajudou a criar. Romper esse ciclo exige passar por alguns dias ou semanas de desconforto, com suporte adequado.

Linha do tempo aproximada

PeríodoO que pode acontecerEstratégia
Primeiras 24hFissura, irritação, inquietaçãoEvitar gatilhos e planejar substituições.
2 a 3 diasSintomas podem ficar mais intensosUsar apoio, medicação se prescrita, rotina curta.
1 a 2 semanasFissuras ainda vêm em ondasIdentificar horários críticos.
Semanas seguintesHumor e sono melhoram gradualmentePrevenir recaídas e reforçar motivos para parar.

Sintomas comuns

  • Vontade de fumar ou usar nicotina.
  • Ansiedade, irritabilidade ou sensação de inquietação.
  • Insônia ou sono fragmentado.
  • Dificuldade de concentração.
  • Aumento do apetite.
  • Dor de cabeça, constipação, tosse ou desconforto no peito.

O que fazer quando vem a fissura?

GatilhoResposta planejada
Café, álcool ou pausa do trabalhoMude o ritual por alguns dias: caminhe, escove os dentes, beba água.
EstresseUse respiração lenta, escreva o problema e adie decisão impulsiva.
Conviver com fumantesAvise que está parando e peça para não oferecerem.
Fissura forteLembre que ela passa; use reposição de nicotina se foi orientada.

Medicamentos e terapia de reposição de nicotina podem ajudar algumas pessoas. Adesivos, gomas, pastilhas e medicamentos prescritos reduzem sintomas e aumentam chance de sucesso quando bem indicados. Converse com profissional de saúde, especialmente se você tem depressão, ansiedade importante, usa muitos medicamentos ou já teve recaídas frequentes.

Por que recaídas acontecem?

Recaída não significa falta de caráter. Nicotina combina dependência química, hábito, rotina social e resposta emocional. A pessoa pode associar cigarro a café, trânsito, pausa do trabalho, álcool, estresse ou sensação de recompensa. Quando um desses gatilhos aparece, o cérebro antecipa alívio rápido.

Por isso, um plano bom não depende apenas de força de vontade. Ele muda ambiente, reduz acesso, avisa pessoas próximas, cria respostas para gatilhos e usa tratamento quando indicado. Se houve recaída, a pergunta útil é: qual gatilho venceu o plano e como ajustar para a próxima tentativa?

Reposição de nicotina não é trocar um vício por outro?

Produtos de reposição de nicotina entregam nicotina de forma mais controlada e sem a fumaça do cigarro, que contém milhares de substâncias tóxicas. Eles podem reduzir fissura enquanto a pessoa rompe o hábito de fumar. Não são indicados para todo mundo, e devem seguir bula e orientação profissional, mas podem ser parte importante do tratamento.

Também existem medicamentos sem nicotina usados em cessação do tabagismo. A escolha depende de histórico médico, contraindicações, gravidez, saúde mental, intensidade da dependência e preferências da pessoa.

Plano de 24 horas sem fumar

  1. Remova cigarros, isqueiros e cinzeiros do ambiente.
  2. Escolha três respostas para fissura: caminhar, água gelada, respiração lenta.
  3. Avise uma pessoa de confiança.
  4. Evite álcool e situações de alto risco no primeiro dia.
  5. Durma cedo e celebre cada bloco de poucas horas sem fumar.

Quando procurar ajuda?

Procure atendimento se houver falta de ar importante, dor no peito, tosse com sangue, piora intensa do humor, ideias de autoagressão, crise de ansiedade incapacitante ou sintomas que impedem trabalhar e dormir por vários dias. Também vale procurar apoio antes de parar se você usa grandes quantidades de nicotina, vape com alta concentração, ou se tem doença cardiovascular, pulmonar ou psiquiátrica.

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para reduzir risco cardiovascular, câncer, doença pulmonar e piora de dor crônica. Conteúdos sobre estresse e tabagismo, crise de ansiedade e insônia podem ajudar no plano de suporte.

Como diferenciar abstinência de outro problema?

Abstinência costuma ter relação temporal clara com redução ou pausa da nicotina. A fissura vem em ondas, a irritabilidade aparece nos primeiros dias e alguns sintomas melhoram gradualmente. Já dor no peito forte, falta de ar progressiva, febre, tosse com sangue, confusão mental ou piora importante de depressão não devem ser atribuídos automaticamente à abstinência.

Outra diferença é a intensidade. É comum ter desconforto, sono ruim e ansiedade leve a moderada. Mas se a pessoa não consegue se alimentar, dormir por vários dias, cuidar de si mesma ou controlar impulsos de autoagressão, precisa de ajuda. O objetivo não é “aguentar tudo”; é atravessar a fase difícil com suporte e segurança.

Registrar horários de fissura por alguns dias também ajuda. Muitas pessoas descobrem padrões previsíveis, como após café, refeições, trabalho ou discussões. Quando o gatilho fica claro, o plano deixa de ser genérico.

O que preparar antes da data de parar

Escolher uma data ajuda, mas o preparo dos dias anteriores costuma definir o primeiro obstáculo. Remova produtos de nicotina do ambiente, combine apoio com alguém próximo, identifique horários de maior risco e deixe substitutos simples à mão, como água, chiclete sem açúcar, caminhada curta ou banho. Se você fuma ao dirigir, depois das refeições ou ao beber álcool, planeje exatamente o que fará nesses momentos.

Para quem já tentou parar várias vezes, vale conversar sobre tratamento medicamentoso antes da nova tentativa. Isso não diminui o mérito; aumenta a chance de atravessar a fase de abstinência com menos sofrimento.

Resumo visual: risco, prevenção e próxima ação

Em temas de prevenção, vacina, notícia ou risco populacional, a melhor leitura separa risco real, medida prática e quando procurar atendimento.

Abstinência de nicotina: sintomas, duração e o que fazer
PontoComo observarPor que ajuda
RiscoQuem é mais vulnerável e qual exposição importa?Evita aplicar a mesma regra para todos.
PrevençãoVacina, higiene, ambiente, proteção ou acompanhamento.Mostra o que pode ser feito de forma concreta.
Próxima açãoSintomas, atraso de vacina, contato de risco ou dúvida persistente.Ajuda a decidir quando falar com um serviço de saúde.
  • Confira calendários e orientações locais quando o tema envolver vacina.
  • Priorize medidas comprovadas antes de soluções improvisadas.
  • Procure atendimento se houver sinais de gravidade ou exposição relevante.

Fontes úteis

Conteúdo revisado e ampliado em maio de 2026 para explicar sintomas de abstinência, linha do tempo, estratégias de enfrentamento e sinais de alerta.

  • CDC: 7 Common Withdrawal Symptoms
  • Smokefree.gov/NCI: Nicotine Withdrawal
  • Cleveland Clinic: Nicotine Withdrawal
  • Mayo Clinic: Nicotine dependence

Arquivado em: Clínica Médica, Sintomas de A-Z

Qual Remédio Para Dor de Cabeça Grávidas Podem Tomar?

8 de novembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

ENJOOS, vômitos, dor lombar, inchaço, cólicas, aumento do sono… Muitos são os sintomas que estão associados à uma gravidez, inclusive a dor de cabeça.

Como acompanhar sintomas ginecológicos com mais clareza

A avaliação considera a fase do ciclo, os contraceptivos em uso, a possibilidade de gestação e a presença de dor, sangramento ou corrimento.

Informações que mudam a interpretação

Ponto observadoPor que importa
Relação com o cicloDor, corrimento ou sangramento podem mudar de significado conforme a fase do ciclo.
Intensidade e duraçãoSintomas fortes, progressivos ou persistentes merecem avaliação mais objetiva.
Exames anterioresPreventivo, ultrassom, laudos e tratamentos prévios ajudam a comparar tendência.
Gestação ou tentativa de engravidarMuda a urgência, os exames possíveis e as opções de tratamento.
Sinais associadosFebre, dor pélvica intensa, sangramento importante, desmaio ou secreção com odor forte mudam a prioridade.

Como se preparar para a consulta

  • Anote data da última menstruação e padrão dos últimos ciclos.
  • Leve resultados de preventivo, ultrassom, exames de sangue e medicações usadas.
  • Registre dor, sangramento, corrimento, febre, sintomas urinários e relação com relações sexuais.
  • Procure atendimento rápido se houver dor pélvica intensa, sangramento volumoso, desmaio, febre ou suspeita de gravidez com dor.

Por que individualizar faz diferença

Uma mesma queixa pode ter condutas diferentes conforme idade, desejo reprodutivo, histórico de endometriose, infecções, contraceptivos, gestação e exames prévios.

Evite usar antibiótico, hormônio ou ducha vaginal por conta própria. Esses caminhos podem mascarar sintomas, irritar a mucosa ou atrasar o diagnóstico correto.

Dores de cabeça podem surgir de diferentes formas e devem ser acompanhadas por um médico especialista. No entanto, muitas gestantes têm dúvidas quanto aos medicamentos que podem tomar para aliviar a dor.

A gravidez é uma fase especial e que, muitas vezes, foi planejada cuidadosamente por um casal. Então, é natural – e de bom senso – ter preocupações e dúvidas, até porque um medicamento contraindicado pode trazer graves prejuízos à saúde do bebê e da mãe[1].

Na gestação, a escolha de um medicamento para dor de cabeça depende da causa da dor e exige orientação profissional.

O problema está na causa

Antes de buscar medicamentos para o alívio da sua dor de cabeça, tente entender o que pode estar causando essas dores.

No primeiro trimestre, é normal as gestantes experimentarem dores de cabeça tensionais. Isso se dá devido as flutuações hormonais. No segundo trimestre, geralmente as dores diminuem, pois os hormônios já estão constantemente altos[2].

Além da questão hormonal, existem outros motivos que podem levar à dor de cabeça na gravidez. Analise o que você consome na sua dieta, pois as dores de cabeça podem estar sendo estimuladas por algum alimento que você tem ingerido.

No terceiro trimestre, com o peso adicional que a gestante precisa carregar, a postura fica comprometida. A má postura é outro fator que pode estar causando a dor de cabeça. Tensão muscular, no pescoço e nos ombros, pode gerar espasmos e irritar os nervos na parte de trás da cabeça, causando as dores[3].

Algumas vezes, a desidratação pode ser a causa da sua dor de cabeça. Durante a gravidez, ocorre um alto fluxo sanguíneo uterino que nutre o bebê em desenvolvimento.


Causas de dor de cabeça na gestação

Segundo uma revisão sistemática publicada em 2017 no The Journal of Headache and Pain, “A dor de cabeça durante a gravidez pode ser primária e secundária e, no último caso, pode ser um sintoma de uma condição com risco de vida[4].

As cefaleias secundárias mais comuns são acidente vascular cerebral, trombose venosa cerebral, hemorragia subaracnóidea, tumor hipofisário, coriocarcinoma, eclâmpsia, pré-eclâmpsia, hipertensão intracraniana idiopática e síndrome de vasoconstrição cerebral reversível.”


water

Não ingerir água suficiente pode causar uma pressão em algumas partes do corpo, levando a dores de cabeça. Então, tente aumentar a sua ingestão de água.


Quais medicamentos uma gestante pode tomar para tratar dor de cabeça?

Durante a gestação, a alternativa terapêutica preferencial deve ser sempre a não farmacológica. Porém, uma dor de cabeça mal gerenciada pode causar privação de sono, má nutrição e depressão, trazendo consequências negativas para o bebê e para a mãe[5].

Se as alternativas não farmacológicas forem insuficientes, deve-se consultar um médico para ele fazer a escolha mais adequada do medicamento a ser utilizado para o seu caso. A regra básica é sempre administrar a menor dose eficaz e menor duração possível.

O paracetamol é o analgésico e antitérmico mais utilizado para dores de cabeça durante a gestação e no período de puerpério, na lactação. É considerado um medicamento sem efeitos teratogênicos, sendo considerado o analgésico mais seguro durante essa fase.

Há uma grande experiência no uso do paracetamol durante a gestação, então este continua sendo o analgésico de primeira escolha durante a gravidez, desde que seja na dosagem e tempo recomendados. A dosagem e o tempo de administração devem ser prescritos sempre pelo médico.

Os anti-inflamatórios não esteróides são, frequentemente, utilizados para tratar enxaquecas. No entanto, alguns pequenos estudos descrevem que o uso desses medicamentos no início da gravidez tem sido associado a abortos e malformações congênitas.

Estudo com 241 mulheres publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology (2018)[6]

Para avaliar os efeitos do uso de AINEs no início da gravidez, recrutou-se 241 mulheres que tomaram apenas AINEs na época da concepção e durante as primeiras 20 semanas de gravidez, 391 que tomaram apenas paracetamol durante esse período e 465 mulheres que não tomaram nenhum tipo. de medicação

Depois de contabilizar outros fatores que podem influenciar o risco de aborto, incluindo idade, ingestão de cafeína, tabagismo durante a gravidez, uso de multivitamínicos, febres e outros problemas de saúde, os pesquisadores descobriram que, em geral, as mulheres que tomaram AINEs tiveram um risco 59% maior de aborto do que as mulheres. que não tomou analgésicos.

As usuárias de AINEs também tiveram um risco de aborto 45% maior do que as usuárias de paracetamol.

Fonte: American Journal of Obstetrics & Gynecology


Devido a esse risco, os anti-inflamatórios não esteroides devem ser idealmente evitados no primeiro trimestre da gestação.

No segundo trimestre, a administração de doses únicas de anti-inflamatórios não esteróides para o tratamento de crises agudas de enxaqueca apenas são justificadas quando as alternativas não farmacológicas e o paracetamol não resolverem.

No terceiro trimestre, esses medicamentos devem ser evitados durante a gravidez devido a vários riscos adversos tanto para o feto quanto para a mãe.

No feto, os anti-inflamatórios não esteroides estão associados ao fechamento prematuro do ducto arterial, oligoidrâmnio e hemorragia intracraniana. Na mãe, os efeitos adversos no terceiro trimestre podem incluir trabalho de parto prolongado e hemorragia pós-parto.

A administração de ácido acetilsalicílico (AAS), quando necessária, deve ser feita em baixas doses (< 100 mg/dia) e apenas sob a supervisão de um médico. Doses altas de aspirina devem ser evitadas, especialmente no terceiro trimestre de gravidez.


Nota do FDA (Food and Drug Administration) dos EUA, publicado em 15 de outubro de 2020

Em 15 de outubro de 2020, a FDA alertou que o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) por volta de 20 semanas ou mais na gravidez pode causar problemas renais raros, mas graves, em um feto. Isso pode levar a baixos níveis de líquido amniótico ao redor do bebê e possíveis complicações.

Após cerca de 20 semanas de gravidez, os rins dos fetos produzem a maior parte do líquido amniótico, de modo que os problemas renais podem levar a baixos níveis desse líquido. O líquido amniótico fornece uma almofada protetora e ajuda os pulmões, o sistema digestivo e os músculos do feto a se desenvolverem.

Fonte: fda.gov


Alternativas para tratar naturalmente a dor de cabeça na gravidez

Somente um médico pode prescrever o medicamento e a dosagem certa a ser utilizada por uma gestante. No entanto, pode acontecer de não ser possível ir ao médico de imediato.

Então, para aliviar os sintomas de dor de cabeça na gravidez, sem precisar tomar medicamentos, tente as seguintes sugestões:

  • Massagem: Fazer massagens em pontos estratégicos, como no topo da cabeça, nuca, e têmporas, pode trazer alívio e relaxamento a essa região, ajudando ainda a controlar os níveis de estresse, que podem estar causando as dores de cabeça;
  • Compressa de água fria: Colocar uma compressa de água fria na nuca e na testa pode ajudar a aliviar as dores de cabeça, pois ajuda no processo de contração dos vasos sanguíneos. Com isso, ocorre a diminuição do volume sanguíneo, o que leva ao alívio das dores de cabeça;
  • Compressa de água morna: Caso a dor de cabeça seja causada por uma congestão nasal, como a sinusite, o melhor método é aplicar uma compressa de água morna em torno dos olhos e do nariz. A evaporação da água morna ajuda a soltar o muco nasal, aliviando a sensação incômoda do nariz entupido. Fazendo isso, você também sentirá um alívio da dor de cabeça.
  • Acupuntura: tratamento seguro, indicado para prevenção e alívio de cefaléia cervicogênica, cefaléia tensional e enxaqueca na gestação.

compressa_quente


Como prevenir dores de cabeça durante a gravidez

Adotar alguns hábitos na sua rotina pode ajudar a evitar sentir aquelas dores de cabeça durante a gestação, incluindo: manter uma alimentação equilibrada; alimentar-se a cada 3 horas; beber bastante água para evitar desidratação; ter sono de qualidade, adotando um horário regular; e fazer exercícios físicos regularmente, considerando suas circunstâncias e, principalmente, a permissão do seu médico.

Sentir dor de cabeça durante a gravidez é comum. Entretanto, se essa dor for muito intensa e prolongada, consulte seu médico, pois existem outras condições associadas que causam dores de cabeça, como a pressão alta.

Apenas um médico pode recomendar o medicamento apropriado e a dosagem certa para você!

Durante a gravidez e amamentação a estratégia terapêutica preferencial para o tratamento das cefaleias primárias deve ser sempre a não farmacológica. O tratamento não deve ser adiado, pois uma dor de cabeça mal gerenciada pode levar ao estresse, privação do sono, depressão e má ingestão nutricional que, por sua vez, pode ter consequências negativas para a mãe e o bebê.

Headache and pregnancy: a systematic review. The Journal of Headache and Pain

Explore também no Blog da Saúde

  • Ginecologia e Obstetrícia
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • MedlinePlus: saúde da mulher
  • MedlinePlus: menstruação
  • MedlinePlus: endometriose
  • MedlinePlus: acetaminofeno/paracetamol
  • MedlinePlus: gravidez
Referências bibliográficas5 fontes
  1. 1.
    AMUNDSEN, S. et al. Pharmacological treatment of migraine during pregnancy and breastfeeding. Nature Reviews Neurology, v. 11, n. 4, p. 209-219. 2015.
    Voltar [1]
  2. 2.
    ARAGÃO, F. F.; TOBIAS, A. F. Pharmacological treatment of pain in pregnancy. Brazilian Journal of Pain, v. 2, n. 4, p. 374-380. 2019.
    Voltar [2]
  3. 3.
    NEGRO, A. et al. Headache and pregnancy: a systematic review. The Journal of Headache and Pain, v. 18, n. 106, p. 1-20. 2017
    Voltar [3]
  4. 4, 5.
    Negro A, Delaruelle Z, Ivanova TA, Khan S, Ornello R, Raffaelli B, Terrin A, Reuter U, Mitsikostas DD. Headache and pregnancy: a systematic review. The journal of headache and pain. 2017 Dec;18(1):1-20.
    Voltar [4] Voltar [5]
  5. 6.
    Li DK, Ferber JR, Odouli R, Quesenberry C. Use of nonsteroidal antiinflammatory drugs during pregnancy and the risk of miscarriage. American journal of obstetrics and gynecology. 2018 Sep 1;219(3):275-e1.
    Voltar [6]

Arquivado em: Dor, Ginecologia e Obstetrícia

Desregulação (Descontrole) Emocional: Conceito e Tratamento Psicológico

8 de novembro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

As emoções fazem parte do comportamento humano. Elas são capazes de perceber, responder e direcionar processos de comunicação consigo e com o outro. Isso quer dizer que, as emoções possuem papel diretamente nas interações sociais e expressão emocional.

Do sentimento ao plano

PontoPergunta prática
FrequênciaIsso acontece em dias isolados ou virou padrão?
ImpactoAfeta sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado?
ControleA pessoa consegue escolher respostas diferentes ou se sente travada?
Rede de apoioHá alguém confiável para conversar sem julgamento?
RiscoExiste ameaça, violência, autoagressão, abuso de substâncias ou ideação suicida?

Passos pequenos e concretos

  • Nomeie o problema em comportamentos observáveis, não em rótulos.
  • Escolha um limite ou rotina simples para testar por uma semana.
  • Reduza exposição a situações que aumentam sofrimento sem resolver nada.
  • Procure ajuda imediata se houver risco de violência ou autoagressão.

Quando pedir ajuda

Ajuda profissional faz sentido quando o sofrimento é persistente, limita a vida, aumenta uso de álcool ou remédios, ou aparece com desesperança intensa.

Em contextos de escola, trabalho ou família, registrar fatos concretos e buscar uma conversa mediada pode ser mais efetivo do que tentar convencer todos de uma vez.

Um funcionamento mal adaptativo das emoções não necessariamente está ligado a carga de emoções negativas ou intensidade das emoções.

Uma dada fase pode ser propicia para episódios de desregulação emocional, isso porque tal processo é característico de influências internas e externas sob a experiência e externalização de emoções na obtenção de objetivos.

A desregulação emocional é entendida como consequência de vulnerabilidade emocional devido dificuldade para manejar emoções.

De modo geral, tem sido conceituada como a falta de estratégias adaptativas para respostas emocionais em direção a metas ou métodos, caracterizando relacionamentos interpessoais não saudáveis, incapacidade de concentração, sentimento de opressão e comportamentos destrutivos.

Pesquisas encontram percentual na população geral de 13,9% no que se refere aos adultos. A definição de desregulação emocional se dá por intermédio da carência de repertório para respostas emocionais funcionais dificultando as relações do indivíduo de diferentes maneiras, colocando-o possivelmente em
comportamentos de risco e denotando psicopatologias como estresse, ansiedade e depressão.

Não obstante, com a regulação emocional é possível que estratégias de reavaliação cognitiva e supressão emocional ajudem no equilíbrio das emoções.

Porém, alguns autores cogitam que a desregulação emocional não signifique, a priori, a ausência de regulação emocional apenas uma diferença no que diz respeito a má operacionalização das emoções.

A regulação emocional pode ser implícita, acontecendo de modo automático como processamento
emocional ou explícita, sendo intervenções conscientes capazes de alterar respostas de cunho emocional.

Tal agrupamento de procedimentos possibilitam a manutenção, diminuição e intensificação de um ou mais elementos individuais para dada resultado emocional que decorre em três níveis.

Na dimensão fisiológica a atividade de regulação emocional redireciona, controla e modifica a ativação emocional propiciando manejos adaptativos em situações ativadoras emocionalmente para o indivíduo.

Na dimensão cognitiva o indivíduo faz uma revisão da situação modificando o significado das emoções com o propósito de regulação e transformação das ações emocionais

E a dimensão comportamental tem reações de ora promover o controle de maneira a expressar ou suspender e ora gerenciar as situações que escolha se expor.

Na regulação emocional há três componentes centrais: o estágio da identificação, onde ocorre a tomada de decisão pela qual haverá a regulação de uma das emoções; o estágio da seleção que é responsável por selecionar e escolher as estratégias; e o estágio de implementação que é decido um recurso e implementado uma estratégia.

O processo de regulação emocional permeia habilidades importantes que, quando não adaptadas frequentemente o surgimento de dificuldades acerca do equilíbrio é evidente, entre elas:

  1. Capacidade para controlar o comportamento de ordem impulsiva;
  2. Capacidade para orientar o comportamento a objetivos mesmo diante de emoções desagradáveis;
  3. Capacidade para flexibilizar utilizando diferentes estratégias de regulação emocional ponderando objetivos, custos e benefícios.

As emoções ocupam papel fundamental no processo de desregulação emocional. Elas influem sobre a
qualidade das respostas comportamentais, pois seja por atitudes e/ou posturas, repercutem por meio de estímulos de predisposição biológica, como: a alegria, o amor, o nojo, a tristeza, o medo, a vergonha, a raiva, por exemplo.

A desregulação emocional traz alguns questionamentos relevantes acerca do comportamento adaptativo que estão envoltas sobre a não aceitação da resposta emocional, a incompreensão e inconsciência das emoções, a incapacidade para ter os objetivos em pauta, problemas com o controle dos impulsos, limitação da aquisição a estratégias de regulação das emoções e ausência de clareza frente as emoções.

Sendo um conceito multidimensional, a desregulação emocional tem sido alvo das intervenções cognitivas comportamentais de terceira onda, devido o seguinte fato de que, essas psicoterapias atuais atuem em tratamento transdiagnóstico e acreditem no princípio na falta habilidades para lidar com o processo excitatório das emoções.

Do ponto de vista cognitivo, discutir o melhor tratamento de acordo com a gravidade emocional significa
avaliar os prós e contras de cada abordagem.

Evidentemente que, o paciente pode escolher aquele que se sentir mais confortável e empático.

Tratando-se do modelo subjacente que envolve o processo de desregulação emocional, parte-se do pressuposto que, as angústias ocupariam o lugar de crenças fundamentais negativas baseadas na rejeição e no abandono provavelmente decorrentes de apego que forjam vulnerabilidades para desregular emocionalmente na adultez.

A Terapia Comportamental Dialética é uma intervenção psicológica que tem como base de estudo a teoria biossocial e a psicopatologia dialética. Enquanto terapia, acredita que no processo de desregulação emocional tem raízes na associação entre vulnerabilidades biológicas, ambientais e sociais advindo de problemas nucleares.

Assim, a proposta da Terapia Comportamental Dialética é instigar mudanças significativas no repertório direcionado ao comportamento de modo que tragam bem-estar na vida da pessoa.

Esse tipo de intervenção se mostra importante pelo fato de trabalhar com o desenvolvimento de habilidades comportamentais, tais: Observação e Atenção (Mindfulness); Efetividade Interpessoal; Regulação Emocional; e Tolerância ao Mal-estar.

Meditação Mindfulness para Dor Crônica

A Terapia de Esquemas também se demonstra auxiliar como modelo de intervenção psicológica. Tem como foco a função das emoções, principalmente aquelas vivenciadas na infância e que se reativam em experiências do cotidiano.

Há quatro pontos a serem considerados na Terapia de Esquemas: Seleção da Situação; Modificação da Situação; Desenvolvimento da Atenção; Avaliação; e Modulação de Resposta.

A aliança terapêutica é imprescindível no processo imbuída de técnicas relacionais, experienciais, cognitivas e comportamentais para que a pessoa possa suprir necessidades emocionais primárias.

O primeiro passo na terapia é lidar com os modos de enfrentamento disfuncionais substituindo-os por alternativas mais adaptáveis.

Principais características do setting terapêutico são:

  1. As sessões devem transpassar um lugar seguro em que o paciente sinta confiança para explorar suas emoções e
    necessidades relacionadas promovendo respostas novas;
  2. A relação terapêutica pode trazer gatilhos de situações da infância para o presente de maneira não punitiva ou
    abusiva;
  3. O terapeuta ajudará a reconhecer necessidades da primeira infância invalidada para que isso ocorre nas relações do
    presente, havendo a criação de um elo entre passado e presente e o desenvolvimento de esquemas;
  4. O terapeuta fornece um espaço de cuidado onde a criança interna funcional do paciente possa ser atendida para
    tornarem-se adultos saudáveis, usando técnicas de modelagem, ensinando o paciente a regular as emoções;
  5. Quando o paciente é hábil para manejar emoções, o trabalho terapêutico de diálogos, escrita e imagens é introduzido;
    O sentimento de que o paciente está protegido pelo terapeuta é importante, isso faz com que o ensine a se proteger
    também. Se faz necessário evitar que a versão internalizada dos pais machuque a criança interior punido;
  6. O processo de reestruturação cognitiva começa quando se tem uma base no processo terapêutico. Se o paciente
    confia é possível estabelecer um objetivo comum na terapia e então há crítica sobre o que está sendo falado, pode-se
    construir uma estrutura cognitiva sólida;
  7. É relevante colocar em prática o que tem se aprendido dentro das sessões no dia a dia.

A Terapia Focada na Emoção é um tipo de método com base na inteligência emocional e teoria do apego. O terapeuta atua com a função de treinar o paciente a ser mais efetivo e funcional frente a reações emocionais.

A relação terapêutica estabelecida entre paciente e terapeuta modula aspectos de desempenho na vez de regular afetos diante de processos de apego, os quais podem ser vistos também como práticas da terapia cognitivo comportamental.

O ambiente que se propõe durante a terapia focada na emoção é um alicerce fundamental para apaziguar emoções difíceis ou desafiadoras que necessitam de tolerância de sofrimento.

Por fim, a meditação tipo Mindfulenss tem como princípio o cultivo da atenção plena ao momento presente, sem pensamentos de não julgamento e cultura de aceitação. Aliada a desfechos de saúde mental reduz sintomas psicológicos e traz bem-estar.

Também atua em processamento afetivo e cognitivo cerebral com mudanças de estados emocionais. Pesquisas indicam que Mindfulness tem sido uma técnica de apoio promissor na melhora da autoestima, maior afeto positivo, menor ruminação e diminuição da desregulação das emoções.

Explore também no Blog da Saúde

  • Psicologia
  • Psiquiatria

Fontes úteis

  • CDC: saúde mental
  • CDC: manejando estresse
  • MedlinePlus: saúde mental

Fontes úteis

Cabral, J. A. R. (Des) regulação Emocional, Saúde Mental e Desempenho Profissional: Um Estudo em Trabalhadores Portugueses.
(Doctoral dissertation, Instituto Politecnico do Porto (Portugal), 2020.

Cheung RYM, Ke Z, Ng MCY. Dispositional mindfulness and mental health in Chinese emerging adults: A multilevel model with
emotion dysregulation as a mediator. PLoS One, 2020.

Cole PM, Ashana Ramsook K, Ram N. Emotion dysregulation as a dynamic process. Dev Psychopathol. Aug;31(3):1191-1201, 2019.

Dadomo H, Panzeri M, Caponcello D, Carmelita A, Grecucci A. Schema therapy for emotional dysregulation in personality disorders:
a review. Curr Opin Psychiatry Jan;31(1):43-49, 2018.

Freitas, L. D. P. P., Marçal, L. S., Barroso, A. P. N. B., dos Santos, J. A., & Ferraz, T. C. P. Conhecendo as habilidades de regulação
emocional em Terapia Comportamental Dialética (DBT). ANALECTA-Centro Universitário Academia, 6(3), 2021.

Leahy, R. L., Tirch, D., & Napolitano, L. A. Regulação emocional em psicoterapia: um guia para o terapeuta cognitivocomportamental.
Artmed Editora, 2013.

Mocaiber, I., Oliveira, L. D., Pereira, M. G., Machado-Pinheiro, W., Ventura, P. R., Figueira, I. V., & Volchan, E. Neurobiologia da
regulação emocional: implicações para a terapia cognitivo-comportamental. Psicologia em estudo,13, 531-538, 2008.

Moreira, P. M. G. Desregulação emocional, ansiedade, depressão e stress na adolescência: contributos de variáveis
sociodemográficas, académicas e extracurriculares.(Doctoral dissertation), 2018.

Neacsiu AD, Smith M, Fang CM. Challenging assumptions from emotion dysregulation psychological treatments. J Affect Disord.
Sep;219:72-79, 2017.

Prakash RS. Mindfulness Meditation: Impact on Attentional Control and Emotion Dysregulation. Arch Clin Neuropsychol. Oct
13;36(7):1283-1290, 2021.

Santos, M. M. Os Esquemas Precoces Maladaptativos e a Desregulação Emocional na Adolescência. (Doctoral dissertation,
Universidade de Lisboa (Portugal), 2020.

Yalvaç EBK, Gaynor K. Emotional dysregulation in adults: The influence of rumination and negative secondary appraisals of emotion.
J Affect Disord. Mar 1;282:656-661, 2021.

Arquivado em: Psicologia

Dieta para emagrecer: ainda preciso exercitar?

8 de novembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Sim: vale a pena se exercitar mesmo quando a dieta já está produzindo perda de peso. É possível emagrecer apenas com um déficit de energia na alimentação, mas o exercício acrescenta resultados que a balança não mostra bem: melhora do condicionamento, força, mobilidade, pressão arterial e controle da glicose, além de ajudar a preservar massa muscular durante o emagrecimento.

Isso não significa que seja preciso começar com corrida intensa ou “compensar” cada refeição. Dieta e exercício cumprem papéis diferentes. A alimentação organiza a ingestão de energia e nutrientes; a atividade física aumenta o gasto, treina coração e músculos e ajuda a manter função. A melhor combinação é aquela que cabe na rotina sem produzir fome extrema, dor persistente, exaustão ou abandono em poucas semanas.

Emagrecimento e composição corporal

Perder peso significa reduzir a massa total do corpo. Essa redução pode incluir gordura, água e tecido magro, como músculo. Por isso, dois programas que diminuem o mesmo número de quilos podem ter efeitos diferentes sobre força, cintura, condicionamento e saúde metabólica.

ObjetivoO que mais contribui
Reduzir peso corporalDéficit energético sustentável, que pode vir principalmente da alimentação e ser apoiado pela atividade física.
Preservar músculos e forçaExercício resistido, ingestão nutricional adequada e recuperação.
Melhorar fôlego e saúde cardiovascularAtividade aeróbica regular, com progressão compatível com o condicionamento.
Manter o peso perdidoRotina alimentar possível de sustentar, movimento diário e exercício regular.
O número da balança é apenas uma das medidas do processo.

Uma revisão sistemática de 2025 comparou dieta isolada com dieta associada a exercício resistido em adultos com sobrepeso ou obesidade. O treino de força não aumentou necessariamente a perda total de peso, mas ajudou a reduzir a perda de massa livre de gordura, aumentou a perda de gordura e melhorou a força; a certeza foi moderada para massa livre de gordura, alta para gordura e baixa para força. Esse é um exemplo claro de benefício que pode ocorrer mesmo sem diferença grande na balança. [BMJ Open Sport & Exercise Medicine, 2025]

Déficit energético

Para que o peso diminua ao longo do tempo, a ingestão de energia precisa ficar abaixo do gasto. Esse é o déficit calórico. Ele pode ser obtido com diferentes padrões alimentares; não exige eliminar todos os carboidratos, todas as gorduras ou qualquer alimento isolado.

A diretriz NICE de 2025 recomenda uma alimentação nutricionalmente equilibrada, flexível e ajustada às preferências, condições clínicas e realidade financeira. Dietas muito restritivas e desequilibradas podem gerar deficiência de nutrientes, perda muscular, fadiga e maior chance de abandono. A pergunta prática não é apenas “quantas calorias tem?”, mas “essa forma de comer controla a fome, mantém variedade e pode continuar depois da fase de perda?”. [NICE NG246, 2025]

  • Porção: pequenas diferenças repetidas todos os dias podem alterar o déficit.
  • Preparo: óleo, fritura, açúcar, molhos e bebidas mudam a densidade energética.
  • Saciedade: refeições com alimentos in natura ou minimamente processados, fibras e fontes adequadas de proteína tendem a sustentar melhor o plano.
  • Substituição: acrescentar um alimento “saudável” sem retirar outra fonte de energia pode não criar déficit.
  • Adesão: uma estratégia moderada mantida costuma ser mais útil do que ciclos de restrição extrema e interrupção.

O PCDT brasileiro para sobrepeso e obesidade em adultos trata o cuidado como um conjunto de alimentação, atividade física e apoio comportamental, com avaliação de condições associadas. Isso evita reduzir obesidade a falta de força de vontade ou a uma conta isolada.

Por que o exercício continua importante

Mulher pulando corda ao ar livre

O exercício não precisa ser o maior responsável pelo déficit para ser clinicamente valioso. O gasto de uma sessão pode ser modesto em relação ao consumo diário, mas o treinamento repetido modifica capacidades que importam no longo prazo.

  • Atividade aeróbica: caminhar em ritmo ativo, pedalar, nadar ou correr aumenta a capacidade cardiorrespiratória e contribui para reduzir gordura corporal e circunferência da cintura.
  • Exercício resistido: musculação, exercícios com elásticos ou com o peso do corpo ajudam a preservar força e massa muscular.
  • Movimento cotidiano: deslocamentos a pé, escadas, tarefas domésticas e pausas do tempo sentado somam gasto e reduzem inatividade.
  • Treino de equilíbrio e mobilidade: ganha relevância em idosos, pessoas com limitação funcional ou histórico de quedas.

Uma meta-análise de 116 ensaios clínicos encontrou associação dose-resposta entre mais minutos semanais de exercício aeróbico supervisionado e reduções médias de peso, cintura e gordura corporal, com análise até 300 minutos por semana. Os efeitos médios foram modestos e variáveis: exercício ajuda, mas não oferece uma quantidade garantida de quilos. [JAMA Network Open, 2024]

Benefícios sem perda na balança

Uma pessoa pode treinar por algumas semanas, melhorar o fôlego, ganhar força e reduzir cintura sem ver grande mudança no peso. Isso não torna o exercício inútil. A diretriz NICE recomenda aumentar a atividade física mesmo quando não ocorre emagrecimento, porque os benefícios de saúde permanecem.

MarcadorO que observar
Capacidade aeróbicaMesmo percurso com menos falta de ar ou mais distância no mesmo tempo.
ForçaMais repetições, melhor técnica ou progressão gradual da carga.
FunçãoSubir escadas, carregar compras e levantar-se com menos esforço.
Composição corporalCircunferência da cintura, caimento das roupas e avaliação de massa muscular quando indicada.
RecuperaçãoMenos cansaço desproporcional e retorno ao estado habitual até o treino seguinte.
Use mais de um marcador para julgar se o plano está funcionando.

Quanto exercício fazer

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira e a diretriz da Organização Mundial da Saúde recomendam, para adultos, de 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente. A OMS também recomenda fortalecimento dos principais grupos musculares em pelo menos dois dias por semana.

Esses números são uma referência de saúde pública, não um teste de entrada. Quem está inativo se beneficia ao começar abaixo deles e progredir. Uma caminhada curta, feita de modo repetido, é mais útil do que esperar pelo momento de completar um programa perfeito. Os minutos podem ser distribuídos pela semana e somados em blocos que caibam na rotina.

Intensidade moderada costuma permitir conversar em frases, mas com respiração mais rápida; na vigorosa, falar frases longas fica difícil. Medicamentos que alteram a frequência cardíaca, condicionamento muito baixo, calor, altitude e doenças cardiopulmonares reduzem a utilidade de perseguir um número fixo de batimentos.

Como começar

O primeiro programa deve partir do que a pessoa já consegue fazer. Para quem está parado, “começar” pode significar caminhar em blocos curtos em dias alternados e praticar movimentos básicos de força com técnica controlada. Para quem já treina, pode significar organizar progressão, recuperação e alimentação em vez de apenas acrescentar sessões.

  1. Defina o ponto de partida: quantos dias você se movimenta, quanto tempo tolera e quais movimentos causam dor ou falta de ar.
  2. Escolha uma modalidade repetível: caminhada, bicicleta, dança, natação, treino resistido ou outra atividade disponível e segura.
  3. Progrida uma variável por vez: aumente duração, frequência ou intensidade, não todas ao mesmo tempo.
  4. Acompanhe a recuperação: dor que altera o movimento, fadiga que se acumula e queda persistente de desempenho pedem ajuste.
  5. Reavalie pelo conjunto: peso, cintura, força, fôlego, sono, fome e adesão contam.

Não é obrigatório correr. Para muitas pessoas, caminhar com progressão e fazer treino de força é uma combinação mais tolerável. Quem gosta de corrida pode usá-la, desde que carga, calçado, superfície e recuperação sejam ajustados. Veja os mitos e verdades sobre corrida.

Platô de perda de peso

Platô não significa perder muitos quilos e recuperá-los logo depois. É uma fase em que o peso deixa de cair ou passa a cair mais lentamente apesar de o plano parecer igual. À medida que o corpo fica menor, ele precisa de menos energia para se manter e mover; fome, gasto espontâneo e adesão também podem mudar. Uma revisão sistemática sobre termogênese adaptativa encontrou esse ajuste em muitos estudos, mas os valores foram menores ou não significativos nos desenhos metodológicos mais robustos e tenderam a diminuir depois da estabilização do peso.

Antes de cortar drasticamente a comida ou dobrar o treino, vale revisar o que realmente mudou:

  • porções, bebidas, fins de semana e lanches que deixaram de ser percebidos;
  • redução do movimento fora do treino por cansaço;
  • retenção de líquido, ciclo menstrual, constipação ou variação de horário da pesagem;
  • sono insuficiente, dor ou recuperação ruim que diminuem desempenho;
  • medicamentos ou condições clínicas que alteram apetite, peso ou capacidade de exercício.

Se a ingestão já parece muito baixa, a resposta não é necessariamente comer menos. Dietas de baixa ou muito baixa energia têm indicações específicas, prazo e acompanhamento, conforme a diretriz NICE. Para dúvidas sobre discrepância entre relato e evolução do peso, veja por que alguém pode pensar “como pouco e não emagreço”.

Quando o plano precisa mudar

Diabetes tratado com insulina ou sulfonilureias, doença cardiovascular, limitação respiratória, lesão recente, gestação e uso de medicamentos para obesidade mudam alimentação, hidratação, risco de hipoglicemia e progressão do treino. Nesses contextos, o ajuste deve responder ao problema concreto: horário da medicação, sintomas durante o esforço, tolerância alimentar, carga articular e recuperação.

Interrompa o exercício e procure atendimento diante de pressão ou dor no peito, desmaio, falta de ar intensa e desproporcional, palpitação acompanhada de mal-estar importante ou fraqueza neurológica súbita.

Exercício usado para “pagar” comida, restrição que provoca tontura ou episódios de compulsão, medo intenso de descansar e treino apesar de lesão são sinais de que a estratégia deixou de ser saudável. A diretriz de obesidade do NICE orienta avaliar transtornos alimentares e alimentação desordenada antes de prescrever dietas muito restritivas.

Dúvidas frequentes

Consigo emagrecer só com dieta?

Sim. Um déficit energético pela alimentação pode reduzir o peso sem exercício. O custo é abrir mão dos benefícios do treinamento para condicionamento, força, função e preservação muscular.

Qual exercício emagrece mais?

O exercício aeróbico tende a contribuir diretamente para gasto e redução de gordura; o resistido protege força e massa magra. A combinação costuma cobrir melhor os objetivos. Na prática, a modalidade que pode ser repetida com progressão e recuperação adequada vence uma opção teoricamente superior que é abandonada.

Se o peso não caiu, o treino falhou?

Não necessariamente. Verifique cintura, força, fôlego e regularidade antes de concluir. Também confira se o aumento de fome ou compensações alimentares neutralizou o gasto adicional.

Preciso evitar frutas por causa do açúcar?

Não como regra geral. Frutas inteiras fazem parte de uma alimentação equilibrada; porção, contexto clínico e o que elas substituem importam. Entenda melhor por que não é necessário evitar frutas apenas porque contêm açúcar.

Fontes

  • Ministério da Saúde: Guia de Atividade Física para a População Brasileira.
  • Ministério da Saúde: SAMU 192 — quando chamar.
  • Ministério da Saúde: PCDT para sobrepeso e obesidade em adultos.
  • Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.
  • Organização Mundial da Saúde: Guidelines on physical activity and sedentary behaviour, 2020.
  • NICE NG246: Physical activity and diet, 2025.
  • Jayedi A et al. Aerobic Exercise and Weight Loss in Adults: systematic review and dose-response meta-analysis, 2024.
  • Effect of resistance exercise during dietary weight loss: systematic review and meta-analysis, 2025.
  • Nunes CL et al. Does adaptive thermogenesis occur after weight loss in adults? A systematic review, 2022.
  • NIDDK: Eating & Physical Activity to Lose or Maintain Weight.

Arquivado em: Nutrição, Curiosidades

Legumes frescos ou congelados: qual opção é mais saudável?

8 de novembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Legumes frescos não são automaticamente melhores do que legumes congelados. A melhor escolha depende de quando foram colhidos, como foram armazenados, quanto tempo ficaram na geladeira, se têm molhos ou sal adicionados e como serão preparados. Na prática, legumes frescos, congelados e até enlatados podem fazer parte de uma alimentação saudável quando escolhidos com critério.

Preparo dos legumes frescos e congelados

PontoComo usar na prática
PorçãoCompare a quantidade consumida com o objetivo do dia; pequenas porções e repetições frequentes têm impactos diferentes.
PreparoFritura, açúcar, molhos, óleo e acompanhamentos podem mudar mais o resultado do que o alimento isolado.
SaciedadeCombinar fibras, proteína e alimentos pouco processados costuma ajudar mais do que cortar um item sem plano.
RotinaO padrão da semana pesa mais do que uma escolha isolada em uma refeição.
Condição individualDiabetes, doença renal, gestação, alergias, colesterol alto e medicamentos podem exigir orientação própria.

Quantidade, composição e rótulo

  • Este alimento está substituindo uma opção pior ou apenas somando calorias ao dia?
  • A refeição tem vegetais, proteína e fonte de fibras suficientes?
  • O rótulo mostra muito açúcar, sódio, gordura ou ingredientes ultraprocessados?
  • Existe alguma condição de saúde que muda a recomendação para mim?

Quando vale buscar orientação

Procure nutricionista ou médico quando houver perda ou ganho de peso sem explicação, compulsão alimentar, restrições muito rígidas, diabetes, doença renal, gestação, sintomas digestivos persistentes ou uso de muitos suplementos.

Se a dúvida envolve emagrecimento, o ponto mais importante é consistência. Um alimento raramente define o resultado sozinho; o conjunto de sono, atividade física, rotina alimentar e saúde emocional costuma explicar melhor a evolução.

Como o artigo original era mais curto, vale reforçar a leitura prática: procure padrões repetidos, compare com sua rotina e evite decisões definitivas a partir de um único sinal. O objetivo é transformar informação em perguntas melhores e em escolhas mais seguras.

Também é útil separar o que você pode observar em casa do que precisa de avaliação. Observação inclui frequência, gatilhos, evolução e impacto; avaliação entra quando há piora, risco, sintomas persistentes ou dúvida sobre tratamento.

Essa resposta é importante porque muitas pessoas deixam de comer vegetais por achar que só vale se forem frescos, bonitos e comprados no dia. Se o congelado ajuda a manter rotina, reduzir desperdício e colocar mais legumes no prato, ele pode ser uma excelente opção.

Legumes congelados prontos para preparo

Legumes frescos: vantagens e limites

Legumes frescos costumam ter melhor textura em saladas, refogados rápidos e preparações em que crocância importa. Quando são consumidos logo após a compra e armazenados corretamente, oferecem ótimo valor nutricional. O problema é que “fresco” no supermercado nem sempre significa recém-colhido. Transporte, exposição, luz, temperatura e dias na geladeira podem reduzir qualidade e algumas vitaminas sensíveis.

Isso não torna o legume fresco ruim. Apenas mostra que frescor real depende da cadeia inteira. Uma cenoura guardada adequadamente na geladeira tende a durar mais; folhas esquecidas por muitos dias perdem textura e parte do valor sensorial. O melhor legume fresco é aquele que você consegue usar antes de estragar.

Legumes congelados: o que muda?

Legumes congelados geralmente são processados pouco tempo após a colheita. Muitos passam por branqueamento, isto é, aquecimento rápido para reduzir enzimas e preservar cor, sabor e segurança antes do congelamento. Esse processo pode reduzir um pouco vitaminas sensíveis ao calor, como vitamina C, mas o congelamento ajuda a conservar outros nutrientes por mais tempo.

A principal diferença percebida costuma ser textura, não nutrição. Ao descongelar, alguns vegetais ficam mais moles porque a água dentro das células forma cristais de gelo. Para sopas, cremes, arroz, omeletes e refogados, isso raramente é problema. Para saladas cruas, o fresco tende a ser melhor.

Comparação prática

CritérioFrescoCongelado
NutrientesÓtimos quando bem armazenados e consumidos logoGeralmente preservados, especialmente se sem molhos
TexturaMelhor para saladas e crocânciaMelhor para preparações cozidas
PraticidadeExige lavar, cortar e usar rápidoPronto para porcionar e reduz desperdício
CustoVaria por estação e regiãoPode ser econômico fora da safra
AtençãoEstraga mais rápidoEvitar versões com sal, queijo, creme ou molho pronto em excesso

Como escolher melhor no mercado

  • No fresco, prefira cor viva, cheiro agradável e ausência de mofo ou partes viscosas.
  • No congelado, leia ingredientes: o ideal é conter apenas o legume ou mistura de legumes.
  • Evite pacotes com muito gelo solto, que podem indicar descongelamento e recongelamento.
  • Compare sódio quando o produto tiver tempero, molho ou preparo pronto.
  • Compre quantidade realista para evitar desperdício.

Regra simples

O legume mais saudável é o que entra no prato com regularidade. Se o fresco estraga na gaveta e o congelado vira sopa, arroz, omelete ou acompanhamento três vezes por semana, o congelado ganhou no mundo real.

Preparo também conta

Cozinhar por muito tempo em água e descartar a água pode reduzir vitaminas solúveis. Cozinhar no vapor, refogar rapidamente ou usar a água do cozimento em sopas ajuda a preservar melhor. No caso dos congelados, muitas vezes não é necessário descongelar antes; levar direto à panela melhora textura e reduz perda de água.

Também vale lembrar que legumes são fontes de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. Para entender melhor como avaliar informação alimentar na internet, veja como saber se informações nutricionais são confiáveis e leia sobre minerais na saúde.

Refrigerados, enlatados e prontos

Legumes refrigerados pré-cortados podem ajudar muito na rotina, mas estragam mais rápido depois de cortados. Enlatados podem ser opção útil, especialmente leguminosas e vegetais, desde que se observe sódio e açúcar adicionados. Lavar alguns enlatados pode reduzir parte do sódio. O ponto não é demonizar formas de conservação, mas escolher versões simples e preparar de modo saudável.

Erros comuns que reduzem qualidade

O primeiro erro é comprar fresco demais e perder parte na geladeira. Desperdício também é problema nutricional: alimento que estraga não alimenta. O segundo erro é comprar congelado com molhos prontos, muito sódio ou gordura e comparar com legume fresco simples. O terceiro é cozinhar demais até perder textura, cor e prazer de comer.

Para melhorar, planeje duas categorias: legumes frescos para saladas e preparações da semana, e congelados para emergências saudáveis. Brócolis, ervilha, milho, espinafre, cenoura e mix de legumes podem salvar refeições rápidas. Se a rotina é corrida, ter congelados sem molho pode ser melhor do que depender de delivery ou pular vegetais.

Segurança alimentar em casa

Legumes frescos devem ser lavados e armazenados conforme o tipo. Folhas precisam de cuidado com umidade; raízes duram mais; alimentos cortados estragam mais rápido. Congelados devem permanecer congelados até o preparo e não devem ficar longos períodos fora do freezer. Se descongelaram totalmente por falha de energia, odor, textura e tempo fora de refrigeração precisam ser considerados antes de consumir.

No caso de gestantes, idosos, imunossuprimidos ou crianças pequenas, higiene e cozimento adequado ganham importância. A discussão não é apenas vitamina; também envolve risco de contaminação, conservação e manipulação.

Como deixar congelados mais saborosos

Use panela quente, pouco tempo de cocção e temperos simples. Alho, cebola, ervas, azeite em pequena quantidade, limão e pimenta podem melhorar sabor sem depender de molhos prontos. Para sopas, os congelados podem ir direto para a panela. Para refogados, evitar excesso de água ajuda a manter textura. Misturar fresco e congelado também funciona: folhas frescas com ervilhas congeladas, arroz com legumes, omelete com espinafre ou macarrão com brócolis.

Explore também no Blog da Saúde

  • Nutrição
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • WHO: alimentação saudável
  • USDA FoodData Central
  • MyPlate: grupos alimentares

Fontes úteis

Texto revisado em 15/05/2026 para equilibrar nutrição, armazenamento e praticidade. Fontes: MedlinePlus, USDA Food Buying Guide e Consumer Reports.

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades, Nutrição

Vasinhos na perna: causas, sintomas e tratamento

8 de novembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Alterações de pele, unhas ou cabelo precisam ser avaliadas por evolução, localização, cor, textura, dor, coceira, sangramento, produtos usados e resposta a tentativas anteriores. Procedimentos, ácidos, pomadas ou antibióticos fazem mais sentido depois de separar irritação, infecção, inflamação, trauma e alterações persistentes.

Vasinhos nas pernas: o que são e como avaliar

Vasinhos na perna costumam ser telangiectasias, pequenas veias superficiais avermelhadas ou arroxeadas. Eles podem ser apenas estéticos, mas dor, inchaço, varizes, peso nas pernas, feridas ou piora progressiva mudam a avaliação.

Estas telangiectasias, ficam em maior evidência em pessoas de pele clara, devido ao menor grau de pigmentação natural da pele, são mais comuns em mulheres e podem ser um indicativo de algumas doenças e problemas de saúde que merecem certa atenção e cuidados, podendo ser um indicativo de sífilis, lúpus ou cirrose, por exemplo.

Mesmo podendo ocasionalmente estar relacionado a alguns problemas de saúde, na maior parte dos casos estes vasinhos não significam grandes problemas, sendo muitas vezes apenas incômodos estéticos.

Como Saber Se São Vasinhos Ou Varizes

Tanto os vasinhos na perna como as varizes possuem a mesma causa e são basicamente a mesma coisa, com apenas uma grande e importante exceção.

A principal diferença entre os dois, e uma forma de descobrir de qual se trata, é a partir do tamanho dos vasos que estão aparentes na perna, os vasinhos costumam ter um tamanho que varia entre 1 e 3mm aproximadamente, enquanto as varizes são conhecidas por afetarem vasos sanguíneos maiores e mais profundos, possuindo mais de 3 mm de tamanho.

Vasinhos na perna não podem progredir e se tornarem varizes, uma vez que o vaso no qual ocorrem já tem um tamanho único e estabelecido. Porém, o que pode ocorrer é uma pessoa apresentar vasinhos e varizes ao mesmo tempo.

Por Que Algumas Pessoas Tem Vasinhos Nas Pernas?

No geral, estes vasinhos se tratam de capilares sanguíneos que por algum motivo se dilatam, ficando localizados bem na superfície da pele, tornando- se mais visíveis.

vasinhos

Isso pode ocorrer devido a problemas venosos ou outros fatores, podendo ou não haver uma raiz genética, mas na grande maioria das vezes não estão relacionados a nenhum grande problema de saúde, se tratando apenas de uma questão estética.

Algumas das principais causas para o aparecimento desde vasinhos são, por exemplo:

  • Ficar muitas horas em pé consecutivamente, muito comum em profissionais cabeleireiras, professoras e vendedoras
  • Administração de hormônios, como pílulas do dia seguinte, anticoncepcionais ou anéis vaginais
  • Consumo excessivo e regular de álcool
  • Estar acima do peso
  • Envelhecimento, com os vasinhos sendo algo que pode acontecer naturalmente com o passar dos anos
  • Redução da irrigação sanguínea nas pernas, como ocorre naturalmente durante o período de gravidez

Mesmo não costumando estar associado a grandes problemas, é importante que a pessoa busque por ajuda médica com um profissional angiologista caso acredite que os vasinhos não estão com uma aparência usual, ou caso surjam muitos de uma só vez, averiguando com ajuda especializada do que se trata seu aparecimento.

Como acabam se tornando um fator de incômodo para as pessoas que apresentam tais vasinhos na perna, em grande maioria mulheres a partir da fase adulta, há algumas maneiras de reduzir a aparência destes vasos e até mesmo prevenir seu aparecimento.


Como Tratar Os Vasinhos na Perna

Alguns possíveis tratamentos para estes vasinhos, ou telangiectasias, são:

  • Escleroterapia: realizado por angiologistas, a escleroterapia para telangiectasias funciona a partir de injeções de uma substância esclerosante, que irá interromper o fluxo sanguíneo do vaso aparente, fazendo com que o sangue busque novos caminhos e o vasinho na perna desapareça.
  • Laser: Os tratamentos a laser para telangiectasias funcionam a partir da conversão de energia luminosa em energia térmica, ocasionando na destruição das paredes do vaso ao qual foi direcionado, melhorando a aparência dos vasinhos na perna.
  • Aplicação de cremes tópicos: Uma opção menos invasiva que as citadas acima, algumas vezes o médico responsável pode aconselhar a aplicação de alguns cremes ou pomadas tópicas na região, principalmente os que ocasionam em uma mudança de temperatura quando aplicados, como os cremes de efeito refrescante, como os voltados para dores e pernas cansadas ou pesadas, de forma a reduzirem a aparência dos vasinhos na perna.
  • Administração de remédios fitoterápicos: Esta opção pode funcionar muito bem quando unida à utilização de pomadas ou cremes como citado acima. Os remédios fitoterápicos indicados para estes casos, são aqueles que possuem ação na melhora da circulação sanguínea, como por exemplo é o caso da centella asiática, da castanha-da-índia, do extrato de gilbardeira; do extrato de morugem, das cápsulas de alho, ou do ginkgo biloba.

Como Prevenir O Aparecimento Ou Agravamento Dos Vasinhos na Perna

Há alguns métodos que têm o potencial de prevenir o aparecimento de vasinhos nas pernas, além de serem altamente recomendados para pessoas que realizaram alguns dos tratamentos citados acima, de maneira a manter o resultado e reduzir as chances de aparecerem novos vasinhos.

Alguns destes cuidados preventivos são, por exemplo, não passar longos períodos em pé ou com as pernas cruzadas, realizar caminhadas frequentes e manter uma alimentação balanceada com uma boa ingestão de água.

standingup

Meias de compressão também podem ser utilizadas para prevenir o aparecimento de telangiectasias, uma vez que favorecem a circulação sanguínea da região.

Para pessoas que trabalham sentadas, ficando nesta posição por muitas horas seguidas, é recomendado que se apoie os pés em alguma superfície, podendo ser caixas de madeira, tablados, ou qualquer material de fácil acesso, de maneira a fazer com que os joelhos mantenham uma posição de 90 graus.

Além disso, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, não fumar e se manter em um peso saudável podem ser de grande ajuda na prevenção da aparição de vasinhos na perna.

Praticar atividades físicas com certa regularidade, também pode auxiliar e muito na prevenção, uma vez que exercícios físicos estão associados a ativação da circulação sanguínea, ajudando a manter a saúde em dia e reduzir as chances de vasinhos na perna aparecerem.


É importante lembrar que em casos graves ou que haja dores ou maiores incômodos, é necessária a busca por ajuda médica, assim como caso seja um caso apenas estético, mas haja a procura por método de tratamento, sendo necessário que se busque por um médico angiologista especializado.

Fontes úteis

  • AAD: dermatologia para o público
  • MedlinePlus: pele, cabelo e unhas
  • FDA: dispositivos estéticos

Arquivado em: Dermatologia, Sintomas de A-Z

Últimos Posts

Botox para bruxismo: benefícios possíveis, evidência e riscos

Leia mais »

Menstruação prolongada com pouco fluxo: causas e avaliação

Leia mais »

Quem não menstrua mais pode engravidar?

Leia mais »

DIU Mirena e menstruação: escapes, redução e ausência do fluxo

Leia mais »

Saúde em palavras claras.

Artigos sobre sintomas, doenças, exames e tratamentos.

Artigos por e-mail

Receba uma seleção de artigos do Blog da Saúde.

Institucional

  • Sobre o Blog da Saúde
  • Equipe editorial
  • Especialistas
  • Contato

Critérios editoriais

  • Como produzimos conteúdo
  • Política editorial
  • Revisão médica
  • Critérios de fontes
  • Correções e atualizações

Leitura e acesso

  • Guias
  • Independência editorial e publicidade
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

2026 © Blog da Saúde.

Aviso médico: as informações fornecidas neste site visam melhorar, não substituir, a relação direta entre o paciente e os profissionais de saúde.

Pesquisar no Blog da Saúde

Exemplos vitamina D exame TGO dor de garganta
Ver todos os resultados