Qual Remédio Para Dor de Cabeça Grávidas Podem Tomar?

ENJOOS, vômitos, dor lombar, inchaço, cólicas, aumento do sono… Muitos são os sintomas que estão associados à uma gravidez, inclusive a dor de cabeça.

Dores de cabeça podem surgir de diferentes formas e devem ser acompanhadas por um médico especialista. No entanto, muitas gestantes têm dúvidas quanto aos medicamentos que podem tomar para aliviar a dor.

A gravidez é uma fase especial e que, muitas vezes, foi planejada cuidadosamente por um casal. Então, é natural – e de bom senso – ter preocupações e dúvidas, até porque um medicamento contraindicado pode trazer graves prejuízos à saúde do bebê e da mãe[1]AMUNDSEN, S. et al. Pharmacological treatment of migraine during pregnancy and breastfeeding. Nature Reviews Neurology, v. 11, n. 4, p. 209-219. 2015..

Para sanar as dúvidas e conseguir aliviar as dores de cabeça de uma maneira segura durante a sua gestação, preparamos um artigo que irá responder qual medicamento para dor de cabeça uma mulher grávida pode tomar.

O problema está na causa

Antes de buscar medicamentos para o alívio da sua dor de cabeça, tente entender o que pode estar causando essas dores.

No primeiro trimestre, é normal as gestantes experimentarem dores de cabeça tensionais. Isso se dá devido as flutuações hormonais. No segundo trimestre, geralmente as dores diminuem, pois os hormônios já estão constantemente altos[2]ARAGÃO, F. F.; TOBIAS, A. F. Pharmacological treatment of pain in pregnancy. Brazilian Journal of Pain, v. 2, n. 4, p. 374-380. 2019..

Além da questão hormonal, existem outros motivos que podem levar à dor de cabeça na gravidez. Analise o que você consome na sua dieta, pois as dores de cabeça podem estar sendo estimuladas por algum alimento que você tem ingerido.

No terceiro trimestre, com o peso adicional que a gestante precisa carregar, a postura fica comprometida. A má postura é outro fator que pode estar causando a dor de cabeça. Tensão muscular, no pescoço e nos ombros, pode gerar espasmos e irritar os nervos na parte de trás da cabeça, causando as dores[3]NEGRO, A. et al. Headache and pregnancy: a systematic review. The Journal of Headache and Pain, v. 18, n. 106, p. 1-20. 2017.

Algumas vezes, a desidratação pode ser a causa da sua dor de cabeça. Durante a gravidez, ocorre um alto fluxo sanguíneo uterino que nutre o bebê em desenvolvimento.


Causas de dor de cabeça na gestação

Segundo uma revisão sistemática publicada em 2017 no The Journal of Headache and Pain, “A dor de cabeça durante a gravidez pode ser primária e secundária e, no último caso, pode ser um sintoma de uma condição com risco de vida[4]Negro A, Delaruelle Z, Ivanova TA, Khan S, Ornello R, Raffaelli B, Terrin A, Reuter U, Mitsikostas DD. Headache and pregnancy: a systematic review. The journal of headache and pain. 2017 … Continue reading.

As cefaleias secundárias mais comuns são acidente vascular cerebral, trombose venosa cerebral, hemorragia subaracnóidea, tumor hipofisário, coriocarcinoma, eclâmpsia, pré-eclâmpsia, hipertensão intracraniana idiopática e síndrome de vasoconstrição cerebral reversível.”


water

Não ingerir água suficiente pode causar uma pressão em algumas partes do corpo, levando a dores de cabeça. Então, tente aumentar a sua ingestão de água.


Quais medicamentos uma gestante pode tomar para tratar dor de cabeça?

Durante a gestação, a alternativa terapêutica preferencial deve ser sempre a não farmacológica. Porém, uma dor de cabeça mal gerenciada pode causar privação de sono, má nutrição e depressão, trazendo consequências negativas para o bebê e para a mãe[5]Negro A, Delaruelle Z, Ivanova TA, Khan S, Ornello R, Raffaelli B, Terrin A, Reuter U, Mitsikostas DD. Headache and pregnancy: a systematic review. The journal of headache and pain. 2017 … Continue reading.

Se as alternativas não farmacológicas forem insuficientes, deve-se consultar um médico para ele fazer a escolha mais adequada do medicamento a ser utilizado para o seu caso. A regra básica é sempre administrar a menor dose eficaz e menor duração possível.

O paracetamol é o analgésico e antitérmico mais utilizado para dores de cabeça durante a gestação e no período de puerpério, na lactação. É considerado um medicamento sem efeitos teratogênicos, sendo considerado o analgésico mais seguro durante essa fase.

Há uma grande experiência no uso do paracetamol durante a gestação, então este continua sendo o analgésico de primeira escolha durante a gravidez, desde que seja na dosagem e tempo recomendados. A dosagem e o tempo de administração devem ser prescritos sempre pelo médico.

Os anti-inflamatórios não esteróides são, frequentemente, utilizados para tratar enxaquecas. No entanto, alguns pequenos estudos descrevem que o uso desses medicamentos no início da gravidez tem sido associado a abortos e malformações congênitas.

Estudo com 241 mulheres publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology (2018)[6]Li DK, Ferber JR, Odouli R, Quesenberry C. Use of nonsteroidal antiinflammatory drugs during pregnancy and the risk of miscarriage. American journal of obstetrics and gynecology. 2018 Sep … Continue reading

Para avaliar os efeitos do uso de AINEs no início da gravidez, recrutou-se 241 mulheres que tomaram apenas AINEs na época da concepção e durante as primeiras 20 semanas de gravidez, 391 que tomaram apenas paracetamol durante esse período e 465 mulheres que não tomaram nenhum tipo. de medicação

Depois de contabilizar outros fatores que podem influenciar o risco de aborto, incluindo idade, ingestão de cafeína, tabagismo durante a gravidez, uso de multivitamínicos, febres e outros problemas de saúde, os pesquisadores descobriram que, em geral, as mulheres que tomaram AINEs tiveram um risco 59% maior de aborto do que as mulheres. que não tomou analgésicos.

As usuárias de AINEs também tiveram um risco de aborto 45% maior do que as usuárias de paracetamol.

Fonte: American Journal of Obstetrics & Gynecology


Devido a esse risco, os anti-inflamatórios não esteroides devem ser idealmente evitados no primeiro trimestre da gestação.

No segundo trimestre, a administração de doses únicas de anti-inflamatórios não esteróides para o tratamento de crises agudas de enxaqueca apenas são justificadas quando as alternativas não farmacológicas e o paracetamol não resolverem.

No terceiro trimestre, esses medicamentos devem ser evitados durante a gravidez devido a vários riscos adversos tanto para o feto quanto para a mãe.

No feto, os anti-inflamatórios não esteroides estão associados ao fechamento prematuro do ducto arterial, oligoidrâmnio e hemorragia intracraniana. Na mãe, os efeitos adversos no terceiro trimestre podem incluir trabalho de parto prolongado e hemorragia pós-parto.

A administração de ácido acetilsalicílico (AAS), quando necessária, deve ser feita em baixas doses (< 100 mg/dia) e apenas sob a supervisão de um médico. Doses altas de aspirina devem ser evitadas, especialmente no terceiro trimestre de gravidez.


Nota do FDA (Food and Drug Administration) dos EUA, publicado em 15 de outubro de 2020

Em 15 de outubro de 2020, a FDA alertou que o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) por volta de 20 semanas ou mais na gravidez pode causar problemas renais raros, mas graves, em um feto. Isso pode levar a baixos níveis de líquido amniótico ao redor do bebê e possíveis complicações.

Após cerca de 20 semanas de gravidez, os rins dos fetos produzem a maior parte do líquido amniótico, de modo que os problemas renais podem levar a baixos níveis desse líquido. O líquido amniótico fornece uma almofada protetora e ajuda os pulmões, o sistema digestivo e os músculos do feto a se desenvolverem.

Fonte: fda.gov


Alternativas para tratar naturalmente a dor de cabeça na gravidez

Somente um médico pode prescrever o medicamento e a dosagem certa a ser utilizada por uma gestante. No entanto, pode acontecer de não ser possível ir ao médico de imediato.

Então, para aliviar os sintomas de dor de cabeça na gravidez, sem precisar tomar medicamentos, tente as seguintes sugestões:

  • Massagem: Fazer massagens em pontos estratégicos, como no topo da cabeça, nuca, e têmporas, pode trazer alívio e relaxamento a essa região, ajudando ainda a controlar os níveis de estresse, que podem estar causando as dores de cabeça;
  • Compressa de água fria: Colocar uma compressa de água fria na nuca e na testa pode ajudar a aliviar as dores de cabeça, pois ajuda no processo de contração dos vasos sanguíneos. Com isso, ocorre a diminuição do volume sanguíneo, o que leva ao alívio das dores de cabeça;
  • Compressa de água morna: Caso a dor de cabeça seja causada por uma congestão nasal, como a sinusite, o melhor método é aplicar uma compressa de água morna em torno dos olhos e do nariz. A evaporação da água morna ajuda a soltar o muco nasal, aliviando a sensação incômoda do nariz entupido. Fazendo isso, você também sentirá um alívio da dor de cabeça.
  • Acupuntura: tratamento seguro, indicado para prevenção e alívio de cefaléia cervicogênica, cefaléia tensional e enxaqueca na gestação.

compressa quente


Como prevenir dores de cabeça durante a gravidez

Adotar alguns hábitos na sua rotina pode ajudar a evitar sentir aquelas dores de cabeça durante a gestação, incluindo: manter uma alimentação equilibrada; alimentar-se a cada 3 horas; beber bastante água para evitar desidratação; ter sono de qualidade, adotando um horário regular; e fazer exercícios físicos regularmente, considerando suas circunstâncias e, principalmente, a permissão do seu médico.

Sentir dor de cabeça durante a gravidez é comum. Entretanto, se essa dor for muito intensa e prolongada, consulte seu médico, pois existem outras condições associadas que causam dores de cabeça, como a pressão alta.

Apenas um médico pode recomendar o medicamento apropriado e a dosagem certa para você!

Durante a gravidez e amamentação a estratégia terapêutica preferencial para o tratamento das cefaleias primárias deve ser sempre a não farmacológica. O tratamento não deve ser adiado, pois uma dor de cabeça mal gerenciada pode levar ao estresse, privação do sono, depressão e má ingestão nutricional que, por sua vez, pode ter consequências negativas para a mãe e o bebê.

Headache and pregnancy: a systematic review. The Journal of Headache and Pain

Referências Bibliográficas

Referências Bibliográficas
1 AMUNDSEN, S. et al. Pharmacological treatment of migraine during pregnancy and breastfeeding. Nature Reviews Neurology, v. 11, n. 4, p. 209-219. 2015.
2 ARAGÃO, F. F.; TOBIAS, A. F. Pharmacological treatment of pain in pregnancy. Brazilian Journal of Pain, v. 2, n. 4, p. 374-380. 2019.
3 NEGRO, A. et al. Headache and pregnancy: a systematic review. The Journal of Headache and Pain, v. 18, n. 106, p. 1-20. 2017
4, 5 Negro A, Delaruelle Z, Ivanova TA, Khan S, Ornello R, Raffaelli B, Terrin A, Reuter U, Mitsikostas DD. Headache and pregnancy: a systematic review. The journal of headache and pain. 2017 Dec;18(1):1-20.
6 Li DK, Ferber JR, Odouli R, Quesenberry C. Use of nonsteroidal antiinflammatory drugs during pregnancy and the risk of miscarriage. American journal of obstetrics and gynecology. 2018 Sep 1;219(3):275-e1.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM 158074 / RQE 65523, 65524 | Médico especialista em Acupuntura e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP. Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

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Dr. Marcus Yu Bin Pai

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CRM 158074 / RQE 65523, 65524 | Médico especialista em Acupuntura e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP. Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

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