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Kóide D dá sono? Efeitos e cuidados

29 de agosto de 2023 by Dra. Juliana Toma

Kóide D pode dar sono porque formulações desse tipo costumam combinar um anti-histamínico, como dexclorfeniramina, com um corticoide, como betametasona. O anti-histamínico é a parte mais associada à sonolência, lentidão, boca seca e atenção reduzida. Confirme sempre a composição no rótulo ou na bula.

Ao mesmo tempo, corticoides podem causar efeitos diferentes, como agitação, alteração de humor, aumento de apetite, piora de glicemia ou dificuldade para dormir em algumas pessoas. Por isso, “dar sono” não explica todos os efeitos possíveis.

Efeitos que merecem atenção

EfeitoComponente mais relacionadoImplicação prática
Sonolência e lentidãoDexclorfeniraminaNão dirija nem opere máquinas se a atenção estiver reduzida
Boca seca, tontura ou visão turvaAnti-histamínicoAvise o prescritor se forem intensas; idosos podem ser mais vulneráveis
Alterações de humor, sono ou glicemiaBetametasona pode produzir efeitos sistêmicosO risco depende do tratamento e da condição clínica; diabetes pede cautela

Quando não tratar como antialérgico simples

Informe ao prescritor sobre diabetes, glaucoma, pressão alta, obstrução urinária, infecção, gravidez ou amamentação e sobre álcool, sedativos e outros antialérgicos. A dexclorfeniramina pode somar sedação com álcool e alguns medicamentos; a betametasona exige atenção a infecções, glicemia e uso repetido. Diabetes e gravidez não são descritos na bula como motivo para uso sem avaliação: o xarope contém sacarose e o médico deve avaliar riscos e benefícios.

A bula indica Kóide D como tratamento adjuvante de doenças alérgicas respiratórias, cutâneas e oculares; não o apresenta como tratamento genérico para tosse, sinusite ou qualquer sintoma respiratório. A indicação e a duração precisam corresponder ao quadro que está sendo tratado.

Falta de ar, inchaço de língua ou rosto, desmaio ou piora rápida exigem atendimento de urgência. Febre persistente durante o uso também merece avaliação, porque o corticosteroide pode reduzir sinais de infecção.

Se os sintomas voltam logo após o tratamento ou levam a repetir a combinação, registre quando reaparecem e reavalie a causa e o tratamento de base com o prescritor. Isso não prova “dependência”: a associação contém corticoide sistêmico e não deve ser repetida por conta própria.

A bula orienta não dirigir nem operar máquinas durante o tratamento, pois a habilidade e a atenção podem ficar prejudicadas. Mudar o horário ou a dose para contornar a sonolência deve ser discutido com o prescritor.

Kóide D reúne um anti-histamínico e um corticosteroide e é indicado como tratamento adjuvante para quadros alérgicos específicos descritos na bula, incluindo rinite alérgica, doenças alérgicas da pele e inflamações alérgicas oculares.

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Por que Kóide D pode dar sono

A bula do xarope descreve sonolência leve a moderada como o efeito adverso mais frequente da dexclorfeniramina. O intervalo de 1% a 10% aparece na bula para a categoria de reações comuns atribuídas à betametasona; a bula não informa uma frequência isolada para sonolência.

Acima de 60 anos, a bula recomenda cautela porque anti-histamínicos podem causar sedação, vertigem e hipotensão e esses pacientes são mais vulneráveis a reações adversas.

Para algumas indicações existem alternativas sem a mesma combinação de anti-histamínico sedativo e corticosteroide. A troca depende do diagnóstico e deve ser prescrita; comparar apenas a sonolência ignora a presença e os riscos da betametasona.

É verdade que Kóide D engorda? 

Kóide D não causa ganho de peso inevitável. A betametasona, como outros corticosteroides, pode alterar apetite e metabolismo; corticosteroides estão entre os medicamentos que podem favorecer ganho de peso, sobretudo em tratamentos prolongados ou repetidos. Esse efeito não permite prever o que ocorrerá em cada pessoa.

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Composição do Kóide D 

Na apresentação em xarope descrita na bula consultada, cada 5 mL contêm 2 mg de maleato de dexclorfeniramina e 0,25 mg de betametasona; o mesmo volume contém sacarose e outros excipientes. Confira a apresentação da embalagem, pois a concentração não deve ser presumida para outra forma farmacêutica.

Quem pode tomar o Kóide D?

O xarope é indicado para adultos e crianças acima de 2 anos; a idade, sozinha, não define a dose. A quantidade e a duração devem seguir a bula da apresentação e a prescrição.

Nesse sentido, Kóide D pode ser usado para tratar:

  1. Alergias do sistema respiratório: rinite alérgica e asma brônquica grave 
  2. Doenças de pele: eczema, dermatite atópica, doença do soro, reações a medicamentos, dermatite de contato 
  3. Afecções alérgicas e inflamatórias dos olhos, como ceratite, conjuntivite, uveíte e iridociclite

Como usar com segurança

A dose, o intervalo e a duração devem seguir a prescrição e a bula da apresentação usada. Não ajuste horário ou dose apenas para contornar a sonolência: a combinação reúne um anti-histamínico sedativo e um corticosteroide com riscos diferentes.

Efeitos adversos descritos

A bula não atribui a mesma frequência a todos os efeitos. Sonolência leve a moderada é o efeito mais frequente da dexclorfeniramina; a betametasona pode produzir reações gastrintestinais, musculoesqueléticas, endócrinas, metabólicas, neurológicas e psiquiátricas.

  • Com dexclorfeniramina: sonolência, secura da boca, nariz e garganta; tontura e visão turva também podem ocorrer com anti-histamínicos.
  • Com betametasona: efeitos variáveis podem envolver sono e humor, glicemia, metabolismo, estômago e outros sistemas; a bula e o período de uso orientam o risco.

Reações Alérgicas Graves 

  • Falta de ar, inchaço de língua ou rosto, urticária disseminada, desmaio ou sensação de garganta fechada após o uso exigem atendimento de emergência.

Contraindicações e cautelas

Kóide D é contraindicado para menores de 2 anos, prematuros e recém-nascidos. A bula também contraindica infecção sistêmica por fungos, tratamento com IMAO e hipersensibilidade a componentes da fórmula.

Dúvidas frequentes

O que acontece se eu parar de tomar Kóide D antes das orientações médicas?

A bula alerta que a retirada rápida pode causar insuficiência suprarrenal secundária e descreve redução gradual para prevenir esse problema. Isso é especialmente relevante após tratamento prolongado ou doses altas; a interrupção deve seguir orientação do prescritor.

Em quanto tempo o remédio começa a agir?

O tempo para perceber melhora depende da indicação, da dose e da resposta individual; não é possível garantir o início em 30 minutos para todas as pessoas. Se não houver melhora, não antecipe nem repita a dose: siga a prescrição e reavalie se houver piora.

Posso trocar por outro xarope?

Não troque por outro xarope apenas por ter efeito “parecido”. Produtos para alergia e resfriado podem combinar anti-histamínicos, corticoides, descongestionantes, analgésicos e açúcar, mudando risco de sono, pressão, glicemia e interação.

Quanto tempo devo tomar Kóide D para combater a alergia?

O tempo de uso deve ser definido na prescrição. Se os sintomas persistem, voltam logo ao parar ou exigem repetição frequente, é melhor reavaliar a causa da alergia ou inflamação.

Fontes úteis

  • ANVISA-hosted Kóide D patient leaflet
  • MedlinePlus: chlorpheniramine
  • MedlinePlus: drug reactions
  • Bula do paciente: Kóide D (Anvisa)
  • Corticosteroides e peso (NIDDK)

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades

Azia constante: causas, cuidados e alertas

29 de agosto de 2023 by Dra. Celia Yunes Portiolli

A azia constante é um sintoma incômodo e que pode ser um sinal de alguma doença ou condição anormal no funcionamento do estômago.

No entanto, é difícil diagnosticar um problema de saúde apenas com a descrição desse sintoma. Dessa forma, a azia constante deve ser avaliada por um especialista, que neste caso é o gastroenterologista.

O que é azia?

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A azia é caracterizada pela sensação de queimação na região entre a parte inferior do esôfago e estômago.

Geralmente ela vem acompanhada de dores e de um incômodo, que tende a aumentar conforme mais tempo ela dura.

Dentre as causas mais comuns da azia está o refluxo gástrico, a hérnia de hiato e algumas alterações hormonais ocorridas na gravidez.

No entanto, a alimentação tem um grande peso na ocorrência da azia, visto que existem muitos alimentos que podem provocá-la ou facilitar o aparecimento.

Quando a azia é considerada constante?

A azia é constante quando dura um espaço longo de tempo, ou seja, quando ocorre de forma frequente.

É comum sentir azia após comer alguns alimentos de risco, como os alimentos cítricos e ácidos. Porém, isso só ocorre quando exageramos nesses alimentos. Nesse caso, a azia ocasional tende a desaparecer entre alguns dias.

Sendo assim, a azia constante demora para desaparecer e está relacionada a ocorrência de algum problema de saúde mais grave.

Por isso, veja a seguir o que pode ser a causa da azia constante e o que fazer para amenizar este sintoma.

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1- Gastrite 

A gastrite é uma doença que causa irritação na parede do estômago, devido a uma inflamação ou lesão.

Ela é causada por estresse, infecção por Helicobacter pylori, uso de alguns medicamentos ou abuso de alguns alimentos ácidos.

Sendo assim, a sensação de azia constante pode sinalizar a existência da doença. Para diminuir este sintoma você deve evitar temperos e comidas apimentadas, ricos em gordura, com  álcool e cafeína, por exemplo.

2- Refluxo 

Também conhecido como refluxo gastroesofágico acontece quando o conteúdo alimentar que está no estômago volta em direção ao esôfago.

Quando isso acontece, a azia se manifesta, devido ao conteúdo ácido que volta em direção ao órgão.

Para amenizar a sensação de azia causada pelo refluxo você deve evitar se deitar após as refeições, e evitar o excesso de alimentos ácidos e cítricos.

3- Esofagite 

A esofagite é a inflamação do esôfago, sendo uma das consequências do refluxo gastroesofágico.

No entanto, ela também pode ocorrer devido ao uso de alguns medicamentos, causando sintomas parecidos com os da gastrite.

A azia constante é um dos sintomas mais comuns relacionados à esofagite. A alternativa para amenizar a doença baseia-se na descoberta do agente que causou a inflamação.

Além disso, ajustes na alimentação devem ser feitos com a ajuda de uma nutricionista, assim como a identificação de alimentos que pioram a azia.

4- Hérnia de Hiato 

A hérnia de hiato acontece quando ocorrem protuberâncias estomacais (hérnias) no diafragma, situado ao redor da parte inferior do esôfago e superior do estômago.

Um dos principais sintomas da doença é o refluxo e a azia constante. Contudo, ela está mais relacionada às pessoas acima do peso, fumantes e sedentários.

Quem sofre de hérnia de hiato deve mastigar bem os alimentos, evitar refeições pesadas próximas ao horário de dormir e evitar o excesso de alimentos ricos em gordura.

5- Gravidez 

A gravidez pode resultar no aumento de episódios de azia constante, causado principalmente pelo crescimento da barriga e por alterações hormonais.

A maior produção de progesterona faz com que a musculatura do estômago relaxe mais facilmente, provocando a subida de ácidos até o esôfago.

Para que a azia constante não vire um incômodo na gravidez é fundamental comer mais vezes em menor volume, evitar ingerir líquidos nas refeições ou deitar-se com o estômago cheio.

6- Roupas muito apertadas 

As roupas apertadas fazem com que a pressão do estômago aumente, o que facilita a subida de ácidos até o esôfago, causando azia. Evite usar roupas muito apertadas e passar grande parte do dia com elas.

7- Intolerâncias Alimentares

Diversos alimentos estão envolvidos na intolerância alimentar e uma das consequências da má recepção e absorção desses alimentos é a azia constante.

Neste caso, a única alternativa é restringir o consumo desses alimentos, já que podem causar outros sintomas mais graves como o choque anafilático.

No entanto, isso só é possível através da identificação de qual alimento é o responsável pela intolerância.

8- Beber líquido entre as refeições

Uma das práticas mais comuns também é um dos responsáveis pela sensação de azia constante.

Beber líquido no almoço e jantar provoca a diluição dos sucos gástricos e das enzimas responsáveis pela digestão.

Este fato faz com que distensão abdominal e queimação surjam logo após. Para evitar que isso ocorra, a melhor alternativa é tomar líquido pelo menos 30 minutos antes ou após as principais refeições.

9- Exagerar em comidas ácidas e sucos cítricos

Vinagrete, salada de tomate com cebola, molhos diferentes e alho cru podem irritar a parede do estômago, causando azia.

O mesmo vale para suco de limão, laranja pera, salada de frutas, ou qualquer outro alimento cítrico.

Para evitar que a azia seja consequência, prefira esses alimentos junto de outros pratos mais leves e evite exagerar no consumo.

O que fazer para evitar azia?

É preciso analisar os alimentos ingeridos e observar se a azia vai se manifestar após a ingestão dos mesmos.

Além disso, é preciso consultar um médico sempre que outros sintomas como indigestão, dores e cólicas aconteçam de forma frequente, pois esses sintomas podem acompanhar diferentes causas de azia.

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O tratamento para azia constante é feito com o uso de antiácidos ou outros medicamentos que bloqueiam a sensação de incômodo.

Além disso, existem frutas que contribuem para evitar a azia constante como melão, maçã, banana, pera, goiaba e abacate.

O mesmo acontece com alguns chás como chá de gengibre, chá de funcho, espinheira santa ou chá de alcaçuz.

Fontes úteis

  • MedlinePlus
  • WHO: temas de saúde
  • Ministério da Saúde

Arquivado em: Clínica Médica, Gastroenterologia, Sintomas de A-Z

Proteína engorda? Como interpretar porção e treino

29 de agosto de 2023 by Dr. João Arthur Ferreira

Proteína não provoca ganho de peso por si só: o peso depende do balanço de energia ao longo do tempo. A porção e o que ela substitui ou acrescenta importam; shakes, barras e receitas podem adicionar calorias sem substituir outra parte da refeição. Para massa muscular, a proteína funciona junto com treino de força e recuperação.

A pergunta correta é: proteína está substituindo ou somando calorias?

O mesmo alimento pode ter efeitos diferentes na rotina. Se substitui um lanche mais calórico e aumenta saciedade, pode facilitar o controle da ingestão; se entra como shake ou barra além das refeições, pode elevar o total de calorias. Essa diferença é de porção e substituição, não de uma propriedade “emagrecedora” da proteína.

SituaçãoLeitura prática
Proteína em refeição equilibradaAjuda saciedade e manutenção muscular.
Shake além da dietaPode aumentar calorias sem perceber.
Treino de forçaAumenta utilidade da proteína para massa muscular.
Doença renalMeta deve ser individualizada.
Dietas muito restritivasProteína ajuda, mas não corrige falta de energia e micronutrientes.

A recomendação de 0,8 g/kg/dia é a RDA de referência para adultos saudáveis; ela não é uma prescrição para atletas, gestantes, pessoas idosas frágeis ou pacientes com doença renal ou hepática. Essas situações podem mudar a meta e pedem avaliação específica.

Como ajustar proteína sem exagero

Distribuir fontes proteicas nas refeições pode facilitar o alcance da meta diária, mas não há obrigação de comer proteína em intervalos rígidos. Para ganhar massa, o estímulo do treino e a recuperação importam; para perder peso, a ingestão total de energia continua decisiva. A quantidade adequada depende da população e do objetivo.

Ovos, leite, iogurte, carnes, peixes, leguminosas, tofu e whey são exemplos de fontes proteicas. Elas diferem em calorias, gordura, fibras, sódio, açúcar e tolerância; nenhuma é obrigatória para todas as pessoas.

Perda de peso involuntária, dificuldade para comer, baixa massa muscular, doença renal ou recuperação de cirurgia podem alterar a necessidade e a forma de atingir a meta. Nesses contextos, a estratégia deve considerar diagnóstico, estado nutricional e tratamento, em vez de copiar uma meta de academia.

A composição da fonte muda a refeição: embutidos podem ter mais sódio, cortes e laticínios variam em gordura, e barras ou shakes podem trazer açúcar e calorias adicionais. O rótulo permite comparar proteína, energia, açúcar, gordura e sódio por porção.

Distribuir proteína ao longo do dia pode ser mais prático do que concentrá-la em uma refeição. Em pessoas com pouco apetite ou em recuperação, porções menores podem ser mais viáveis; a meta deve acompanhar força, ingestão total e estado clínico, sem transformar horários em regra universal.

Para quem usa whey, o encaixe importa: um scoop com água tem composição diferente de uma vitamina com leite, banana, aveia, pasta de amendoim e mel. O suplemento pode facilitar a rotina quando existe necessidade ou conveniência, mas não tem vantagem automática sobre comida se a alimentação já atinge a meta.

Proteína não substitui treino de força: sem estímulo progressivo e recuperação, seu potencial para aumentar massa muscular fica limitado. Em perda de peso, a quantidade adequada pode ajudar a preservar massa magra, mas não compensa uma ingestão de energia incompatível com o objetivo.

Proteínas fornecem aminoácidos necessários à formação e manutenção de tecidos, enzimas e outras moléculas. Essa função explica sua importância nutricional, mas não determina isoladamente se o peso aumenta ou diminui.

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Proteína e Ganho de Peso

Não existe uma regra universal de que pelo menos 15% das calorias de toda dieta devam vir de proteína. Percentuais calóricos não substituem uma meta adequada à pessoa, que depende de idade, estado clínico e objetivo.

Nesse sentido, as proteínas ingeridas pelos alimentos são quebradas em aminoácidos para que possam ser absorvidas.

No entanto, os aminoácidos tem alguns caminhos para seguir:

  • Parte dos aminoácidos é usada na síntese de proteínas do corpo e em outras funções celulares.
  • O nitrogênio dos aminoácidos é convertido principalmente em ureia no fígado e eliminado pelos rins.
  • Quando a ingestão total de energia supera o gasto ao longo do tempo, o organismo pode armazenar energia; esse balanço, e não a proteína isolada, explica o ganho de peso.

Uma grande porção de proteína pode contribuir para ganho de peso se aumentar o total de energia consumido. O excedente não se converte automaticamente em gordura por ser proteína: a porção, o restante da dieta e o gasto energético importam.

O teor de gordura varia muito entre as fontes animais: peixes, carnes magras, embutidos, queijos e leite integral não têm o mesmo perfil. A energia da refeição depende do alimento e do preparo, não da categoria “animal” por si só.

Como decidir na prática

Em excesso calórico sustentado, qualquer combinação de macronutrientes pode contribuir para o armazenamento de energia. A proteína, assim como carboidratos, gorduras e bebidas calóricas, precisa ser interpretada dentro da ingestão total e da rotina.

Fontes magras tendem a facilitar o controle calórico porque entregam proteína com menos gordura, mas ainda assim precisam entrar na conta do dia. Nenhum alimento é neutro quando a porção aumenta muito ou quando soma calorias sem substituir outra escolha.

Na prática, o ganho de peso depende do excedente calórico total. Carboidratos, gorduras, álcool, bebidas calóricas e alimentos proteicos podem todos participar desse excedente, conforme porção, frequência e contexto.

O que muda o efeito da proteína

1- Doença renal: quando individualizar

O fígado transforma o nitrogênio dos aminoácidos principalmente em ureia, que é eliminada pelos rins. Na doença renal, a quantidade apropriada de proteína pode mudar conforme estágio, tratamento e estado nutricional.

Doença renal exige uma meta individual: tanto excesso quanto restrição sem acompanhamento podem ser inadequados. Em adultos saudáveis, ensaios de alguns meses com ingestões acima da RDA não mostram comprometimento renal consistente, mas isso não prova segurança para qualquer dose, duração ou pessoa.

Insuficiência renal tem causas variadas e não pode ser atribuída automaticamente ao consumo de proteína. Edema, pressão alta e alterações urinárias têm várias explicações e não servem, isoladamente, para diagnosticar doença renal.

Dietas restritivas, doença prévia e uso de suplementos ou anabolizantes mudam o contexto clínico; não são evidência de que proteína, sozinha, cause insuficiência renal em pessoas saudáveis.

Suplementos podem resolver uma necessidade de proteína ou praticidade, mas rótulo, dose e origem importam. Produtos com substâncias adicionais não devem ser avaliados apenas pela quantidade de proteína anunciada.

2- Alterações Hepáticas 

O fígado participa do metabolismo de nutrientes, mas não é correto dizer que proteína em excesso causa lesão hepática em toda pessoa. Doença hepática prévia, álcool, medicamentos e dieta total mudam a orientação.

Esteatose hepática não deve ser atribuída automaticamente à proteína; metabolismo, álcool, outras doenças, medicamentos e composição global da dieta também entram na avaliação. Uma doença hepática já diagnosticada pode exigir meta nutricional própria.

3- Minerais e ossos: evite conclusões automáticas

Doença renal ou hepática pode mudar a meta de proteína. Em pessoas sem essas condições, não há base para afirmar que proteína, por si só, reduz o cálcio e causa osteoporose; a saúde óssea depende de outros fatores e de uma dieta adequada.

4- Complicações no sistema intestinal

Gases, diarreia ou distensão após um suplemento podem vir de lactose, adoçantes ou mudança brusca da dieta; sintomas não demonstram que a proteína tenha causado doença inflamatória intestinal.

Quais são as melhores fontes de proteína?

Fontes proteicas diferem em composição, custo, preparo e tolerância; a escolha depende do conjunto da refeição e não de uma classificação única entre “melhores” e “piores”.

Feijões, lentilhas, soja, ovos, laticínios, peixes e carnes oferecem proteína em combinações diferentes de fibras, gorduras e sódio. Embutidos podem concentrar sódio; compare porções e rótulos.

Dessa forma, atualmente, as fontes de proteína mais indicadas e saudáveis são:

  • Proteínas de origem vegetal: Soja e derivados, leguminosas como feijão, lentilha e grão de bico, cogumelos como champignon, Portobello e Paris, queijo tofu.
  • Oleaginosas como amendoim, castanha, nozes, amêndoas.
  • Peixes.
  • Carnes de aves, como frango, peru, pato e ganso; coelho é outra fonte de proteína animal.
  • Cortes como patinho, lagarto, coxão mole, contra-filé, alcatra e músculo têm teores de gordura diferentes; compare o corte e o preparo.
  • Ovos.
  • Leite e derivados desnatados.
  • Grãos como quinoa, linhaça, gérmen de trigo e aveia.

Suplementos de proteína engorda? 

Suplementos isolados, concentrados ou hidrolisados podem ter composições diferentes, mas nenhum formato é automaticamente “melhor para não engordar”. O que define o efeito é dose, calorias, objetivo, tolerância e restante da dieta.

Um suplemento pode contribuir para ganho de peso se for somado ao dia sem substituir outra fonte calórica. Deve ser usado quando há necessidade real de proteína, praticidade ou meta de treino.

Suplementos de proteína podem ser úteis quando a alimentação não atinge a meta proteica ou quando a praticidade é importante. O ganho de massa depende de treino, ingestão total de energia, proteína suficiente, sono e progressão de carga.

Contudo, existe uma grande variedade de marcas no mercado, e é importante estar atento(a) às informações no rótulo desses produtos.

Na prática, compare o rótulo: quantidade de proteína por porção, calorias, açúcar, gordura, lactose, adoçantes e ingredientes adicionais. A melhor opção depende do objetivo e da tolerância, não de ser “100% proteica”.

Qual a melhor maneira de controlar a ingestão de proteínas e evitar o excesso?

Para evitar suplementação desnecessária, compare a meta diária com a proteína já presente nas refeições e considere treino, objetivo, função renal e hepática e ingestão total de energia.

Doença renal ou hepática diagnosticada pode exigir acompanhamento nutricional e metas específicas; a frequência depende da doença e do tratamento.

O plano deve ser revisto quando há doença renal ou hepática, perda de peso involuntária, baixa massa muscular ou uso de vários suplementos. Não há necessidade de contar cada grama para todas as pessoas.

Você pode fazer isso com um plano alimentar individualizado feito por um profissional ou com a ajuda de aplicativos e tabelas de alimentos.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: Dietary Proteins
  • WHO: Healthy diet

Fontes e leitura útil

  • ISSN: protein and exercise
  • CDC: adult physical activity guidelines
  • RDA de proteína — National Academies
  • Proteína e desempenho — NIH Office of Dietary Supplements
  • Balanço calórico e peso — NIDDK
  • Composição de alimentos — TACO (NEPA/Unicamp)

Arquivado em: Nutrição, Medicina Esportiva

Intestino Irritável – O que comer e não comer?

29 de agosto de 2023 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio comum do trato gastrointestinal, caracterizado por dor abdominal e alteração nos padrões intestinais. Existem três tipos principais de SII: constipação predominante, diarréia predominante e tipo misto.

A diarréia é definida não só pela frequência das evacuações, mas também pela consistência das fezes. No SII com diarréia, as fezes tendem a ser tipos 5, 6 ou 7 na Escala de Bristol, caracterizadas por serem amolecidas ou completamente aquosas. Também ocorrem mais de 3 evacuações por dia.

Fisiopatologia

A fisiopatologia da síndrome do intestino irritável envolve interações complexas entre o cérebro e o intestino, incluindo alterações na motilidade, sensibilidade visceral, microbiota intestinal e processamento central da informação visceral. Fatores psicossociais como eventos adversos na vida e estresse também desempenham um papel importante.

Sintomas do Intestino Irritável

  • Dor abdominal – pode surgir em qualquer parte do abdômen
  • Cólicas ou espasmos abdominais
  • Distensão abdominal ou inchaço
  • Sensação urgente de evacuar

Os sintomas da síndrome do intestino irritável incluem dor abdominal, cólicas, distensão abdominal e sensação de urgência para evacuar. É uma condição muito comum, afetando cerca de 10 a 15% da população.

Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome do intestino irritável é baseado nos critérios de Roma IV, que incluem dor abdominal recorrente associada a alterações nos hábitos intestinais. É importante uma avaliação cuidadosa para excluir doenças orgânicas, como doença inflamatória intestinal, câncer colorretal e outros. No entanto, exames de rastreamento limitados são suficientes na ausência de sinais de alarme.

O subtipo da patologia (diarreia, constipação ou misto) é determinado pelas características das fezes usando a Escala de Bristol. A frequência dos sintomas também deve ser considerada, com critérios mais rigorosos identificando casos mais severos.

Causas da Síndrome do Intestino Irritável

  • Genética
  • Estresse emocional ou físico
  • Alterações na microbiota intestinal
  • Infecção gastrointestinal prévia
  • Distúrbios nos ácidos biliares
  • Dieta ocidental rica em gorduras e processados

Opções de tratamentos

O tratamento é multifacetado e personalizado. Mudanças no estilo de vida como exercícios, higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental podem ajudar. Medicamentos anti-diarreicos, antidepressivos, antiespasmódicos e antibióticos também são opções.

A dieta de baixo teor de FODMAP desenvolvida pela Universidade Monash, na Austrália, mostrou-se eficaz no tratamento dos sintomas da diarréia da síndrome do intestino irritável. FODMAP é um acrônimo em inglês que se refere a carboidratos de cadeia curta fermentáveis que podem causar má absorção intestinal e diarreia osmótica. Exemplos incluem frutose, lactose, frutanos e galactanos.

A dieta consiste em uma fase inicial de restrição dos alimentos ricos em FODMAP por 4-6 semanas. Isso melhora significativamente os sintomas em cerca de 70% dos pacientes com síndrome do intestino irritável. Em seguida, os alimentos são reintroduzidos gradualmente para determinar os níveis individuais de tolerância.

A dieta de baixo FODMAP inclui carnes, ovos, nozes específicas, grãos sem glúten, frutas como banana e blueberry, vegetais como cenoura e pepino, e laticínios sem lactose. Alimentos ricos em FODMAP como cebola, alho, trigo e lactose devem ser evitados inicialmente.

A reintrodução cuidadosa dos alimentos é importante para não restringir a dieta por períodos prolongados. O acompanhamento com nutricionista é essencial para o sucesso da dieta de baixo FODMAP no tratamento dos sintomas da diarréia no intestino irritável.

Tratamento

O tratamento é multifacetado e personalizado. As principais estratégias incluem:

  • Modificações no estilo de vida: exercícios, sono adequado, terapia cognitivo-comportamental
  • Medicamentos: antidiarreicos, antidepressivos, antiespasmódicos, sequestradores de ácidos biliares, antibióticos
  • Estratégias para modular a microbiota: probióticos, prebióticos, antibióticos
  • Dieta com foco em fibras solúveis

Tratamento Farmacológico

  • SII com diarreia: loperamida, rifaximina, antiespasmódicos, antidepressivos tricíclicos.
  • SII com constipação: laxantes osmóticos, lubiprostona, linaclotida, antidepressivos tricíclicos.
  • Dor abdominal: antiespasmódicos, antidepressivos tricíclicos, antidepressivos IRS.
  • Sintomas refractários: alosetrona, terapias cognitivo-comportamentais.

Terapias Comportamentais

  • Terapias cognitivo-comportamentais, hipnoterapia e aplicativos móveis podem ser muito eficazes, especialmente em casos moderados a graves.

Dieta com restrição de FODMAPs

A dieta de baixo FODMAP envolve uma primeira fase de restrição rigorosa desses carboidratos por 4-6 semanas. Depois, os alimentos com alto teor de FODMAPs são reintroduzidos gradualmente para determinar a tolerância individual.

Os principais grupos de alimentos com baixo teor de FODMAPs incluem:

  • Carnes, ovos, nozes específicas
  • Leite e iogurtes sem lactose, queijos firmes
  • Grãos sem glúten
  • Frutas como banana, blueberry, laranja, kiwi
  • Vegetais como cenoura, pepino, alface
  • Café, chás, água

Já os grupos com alto teor de FODMAPs são:

  • Leite, iogurtes e sobremesas lácteas
  • Trigo, cevada, centeio
  • Cebola, alho, coco
  • Maçã, manga, pêra e frutas secas
  • Brócolis, couve-flor, aspargos

A dieta com baixo teor de FODMAPs demonstrou ser eficaz para controlar os sintomas do intestino irritável com diarreia em diversos estudos. A reintrodução gradual dos alimentos é importante para equilibrar os efeitos no microbioma intestinal.

O acompanhamento com um nutricionista é recomendado para o sucesso da dieta.

O que comer?

No 10. Amêndoas

As amêndoas são ricas em gorduras saudáveis e vitaminas essenciais que ajudam a reduzir a inflamação no corpo e aliviar os sintomas da SII. Elas contêm magnésio e potássio, que são benéficos para a saúde digestiva. As amêndoas também são ricas em prebióticos, que alimentam as bactérias benéficas no intestino. Comer amêndoas pode ajudar a melhorar a digestão, reduzir a inflamação e proteger contra certas doenças gastrointestinais.

As amêndoas podem ajudar no tratamento da SII. Elas são ricas em fibra, o que ajuda a manter um sistema digestivo saudável. Elas também contêm polifenóis que reduzem a inflamação e podem ajudar no alívio de sintomas da SII, como dor abdominal e inchaço.

Um estudo de 2019 descobriu que comer amêndoas diariamente por oito semanas reduziu sintomas de SII como dor abdominal, inchaço e constipação. Além disso, uma metanálise de vários estudos descobriu que o aumento da ingestão de fibra pode reduzir a gravidade dos sintomas da SII.

Então, adicione amêndoas à sua dieta. Coma-as cruas como lanche, misture-as em saladas ou iogurte, use-as no preparo de bolos ou faça manteiga ou leite de amêndoas. As amêndoas também podem ser usadas para fazer smoothies, mingaus de aveia, barras de granola caseiras e bolas de energia.

No 9. Aveia

A aveia é rica em fibra e pode ajudar com a SII. A aveia contém antioxidantes que fornecem benefícios anti-inflamatórios para o revestimento do intestino, reduzindo a dor causada pelos surtos de SII. Ela contém beta-glucana, um tipo de fibra que pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver certas doenças crônicas e melhorar a saúde digestiva.

A beta-glucana também ajuda a reduzir os níveis de colesterol, manter os níveis de açúcar no sangue estáveis e promover o crescimento de bactérias saudáveis no intestino, ajudando a prevenir prisão de ventre e outros problemas digestivos. No entanto, nem todos os tipos de aveia são bons para a saúde digestiva.

Enquanto o farelo de aveia e cereais integrais de aveia têm inúmeros benefícios para a saúde, outras formas de aveia, como a aveia laminada ou de cozimento rápido, podem ser mais propensas a causar problemas digestivos devido ao seu alto índice glicêmico.

Comer grãos processados pode levar a inchaço e gases, então, para obter os melhores benefícios da aveia, é recomendado que você escolha farelo de aveia simples ou aveia em flocos em vez das variedades instantâneas.

A fibra solúvel da aveia ajuda a diminuir a digestão, impedindo que os intestinos se tornem superativos e causem inflamação ou espasmos. Além disso, estudos descobriram que comer alimentos com baixo índice glicêmico, como a aveia, pode ajudar a melhorar os sintomas da SII.

De acordo com pesquisas, o aumento da ingestão de fibra dietética por meio do consumo de aveia pode reduzir dor abdominal, inchaço e diarreia em pacientes com SII. Além disso, estudos mostraram que comer aveia sem glúten regularmente pode melhorar a saúde digestiva geral em pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não celíaca.

Um estudo publicado em 2014 na revista Gastroenterology Research and Practice analisou como o consumo diário de aveia afetou os sintomas de SII nos participantes. Os resultados mostraram que aqueles que consumiram aveia diariamente tiveram mais melhorias nos sintomas de SII relatados e satisfação geral com os movimentos intestinais do que aqueles que não consumiram.

Além disso, os pesquisadores concluíram que comer uma xícara de aveia cozida por dia é benéfico na redução dos sintomas da SII.

A aveia pode ser adicionada à sua dieta de várias maneiras. O mingau de aveia é, é claro, a maneira mais comum de consumir aveia e pode ser feito com água ou leite. Outras opções populares incluem aveia overnight, panquecas de aveia ou muffins e adicionar aveia a smoothies para um impulso de fibra e proteína.

No 8. Bananas

potassio banana

As bananas são ricas em fibra dietética, o que ajuda na digestão e protege o estômago da irritação associada aos sintomas da síndrome do intestino irritável. Foi demonstrado que o consumo de fibra solúvel, incluindo bananas, está ligado a uma melhor saúde digestiva e a uma redução dos sintomas da SII.

De acordo com um estudo, pessoas que consumiam uma dieta rica em fibras com mais de 25 gramas de fibra por dia apresentavam menos sintomas de síndrome do intestino irritável do que aquelas que consumiam menos fibra. As bananas são uma boa fonte de fibra dietética, fornecendo cerca de 3 gramas por banana de tamanho médio.

Comer bananas também pode ajudar a apoiar o crescimento e a atividade de bactérias benéficas no microbioma intestinal. As bananas provavelmente são um dos lanches mais convenientes para viagem. Elas são pequenas o suficiente para caber na sua bolsa e levá-las para onde quer que vá. Elas também fazem um excelente lanche quando a fome bate entre as refeições.

Comece seu dia com fatias de banana no seu cereal. Você também pode adicioná-las a smoothies para uma dose diária de nutrição e sabor delicioso para manter seu nível de energia pela manhã. Cubra sua torrada com bananas amassadas. Por fim, use bananas para fazer doces caseiros. Incorporar bananas em muffins, panquecas ou biscoitos pode adoçar seu dia.

Mas primeiro, uma palavra de cautela: devido ao seu alto teor de açúcar e carboidratos, bananas maduras não são recomendadas para diabéticos. Comer uma banana madura pode aumentar rapidamente os níveis de glicose no sangue em indivíduos diabéticos, potencialmente levando a sérias complicações de saúde.

No 7. Brócolis

O brócolis é ricamente nutritivo. Ele é rico em vitaminas C, K e A, todas as quais têm propriedades antioxidantes que ajudam a reduzir a inflamação em todo o corpo, incluindo sintomas de síndrome do intestino irritável, como inchaço e gases.

O brócolis contém compostos de sulforafano que estimulam o reparo celular nas membranas mucosas dos intestinos, ajudando no alívio dos sintomas da SII. Tem baixo teor de gordura e alto teor de fibras, o que ajuda a manter o sistema digestivo funcionando suavemente.

O brócolis também contém fibra solúvel e insolúvel, que podem ajudar a aliviar sintomas como dor abdominal e inchaço. O brócolis é um bom alimento para comer se você tem síndrome do intestino irritável, pois pode ajudar com a prisão de ventre. Ele contém compostos prebióticos que promovem o crescimento de bactérias benéficas intestinais e ajudam a apoiar a saúde digestiva.

Misture floretes de brócolis com azeite, sal e pimenta e depois assar por 2 a 25 minutos a 400°F. Pincele o brócolis levemente com azeite e grelhe em fogo médio por cerca de 8 minutos ou até ficar tenro e ligeiramente carbonizado ao redor das bordas. O brócolis fresco também pode ser cortado em pedaços pequenos e refogado com alho, gengibre, óleo de gergelim e molho de soja até ficar crocante, cerca de 5 a 7 minutos. Também pode ser cozido a vapor ou misturado em saladas.

Existem tantas maneiras de adicionar este incrível vegetal à sua dieta. Este alimento de baixa caloria e alto valor nutricional é imbatível para quem sofre de SII.

No 6. Maçãs

Proteja Seu Coração Com Uma Maçã Por Dia

As maçãs são uma excelente fruta para incluir em uma dieta amiga da síndrome do intestino irritável. Elas contêm vitaminas, minerais e antioxidantes essenciais que podem beneficiar a saúde geral. As maçãs não só mantêm você saciado por mais tempo, mas também promovem a regularidade intestinal, o que ajuda aqueles que sofrem de constipação devido ao seu alto teor de fibras.

Em 2019, um estudo analisou os efeitos da suplementação dietética com concentrado de suco de maçã sobre o microbioma intestinal e os sintomas gastrointestinais em pacientes com SII. Os resultados sugeriram que o concentrado de suco de maçã pode beneficiar a saúde intestinal modulando a composição do microbioma intestinal, mas mais pesquisas são necessárias para confirmar essas descobertas.

Além disso, a pectina encontrada nas maçãs acalma as partes irritadas de seus intestinos, ao mesmo tempo que proporciona alívio das cãibras. As maçãs são baixas em FODMAPs ou oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis. Isso as torna uma boa opção para pessoas com SII que precisam limitar a ingestão de carboidratos de cadeia curta.

Além disso, as maçãs contêm fibra solúvel, que pode ajudar na redução da constipação e no amolecimento das fezes associadas à síndrome do intestino irritável. Finalmente, os polifenóis encontrados nas maçãs demonstraram reduzir a inflamação em todo o corpo, bem como ajudar a proteger contra danos oxidativos dos radicais livres. Dois fatores que foram associados a problemas gastrointestinais, como sensibilidades digestivas ou SII.

Então, o que está esperando? Inclua maçãs na sua rotina matinal. Combine-as com iogurte, smoothies, aveia ou cereal. Também é delicioso com manteiga de amendoim como um lanche saudável entre as refeições. Faça maçãs assadas caseiras ou adicione-as a saladas e, para uma sobremesa saborosa, grelhe-as e polvilhe-as com canela.

No 5. Gengibre

O gengibre há muito tempo é usado para deter problemas gastrointestinais, como náuseas ou enjoos. Ele funciona principalmente estimulando a produção de saliva, o que aumenta as secreções gástricas, resultando em melhor digestão, algo com que muitos pacientes com síndrome do intestino irritável têm dificuldade.

O gengibre tem sido conhecido por ajudar a aliviar alguns dos sintomas da síndrome do intestino irritável. Ele ajuda a reduzir a inflamação no sistema digestivo, que é uma causa comum da SII. Estudos também mostraram que comer gengibre pode acelerar o movimento dos intestinos e reduzir a dor no estômago que vem com a SII.

Em 2015, o Journal of Ethnopharmacology publicou uma revisão sistemática que analisou os resultados de seis ensaios clínicos randomizados que analisaram como o gengibre afetou os sintomas da SII. A revisão descobriu que tomar suplementos de gengibre fez com que os sintomas da SII, como dor no estômago, inchaço e diarreia desaparecessem.

Em 2016, o Journal of Medicinal Food publicou os resultados de uma revisão sistemática que analisou os efeitos do gengibre na dispepsia funcional, uma condição semelhante à SII. Esta revisão analisou os resultados de sete ensaios clínicos randomizados. A revisão descobriu que pessoas com dispepsia funcional que tomaram suplementos de gengibre tiveram menos indigestão, gases e dor no estômago.

Em geral, o gengibre foi estudado em uma série de ensaios clínicos randomizados que analisaram como ele afetou os sintomas da SII e os resultados foram na maioria positivos. No entanto, é importante notar que, embora alguns estudos mostrem que o gengibre pode ajudar a aliviar os sintomas da SII, ele não substitui o atendimento médico regular.

O gengibre pode interagir com alguns medicamentos, então é melhor conversar com seu médico antes de usar gengibre como tratamento para síndrome do intestino irritável. O gengibre é considerado geralmente seguro para a maioria das pessoas quando ingerido em pequenas quantidades, mas quantidades excessivas podem causar efeitos colaterais como azia, diarréia e irritação estomacal. Portanto, é importante moderar seu consumo.

No 4. Cúrcuma

curcuma anti inflamatorio artrite

Alguns estudos também mostraram que a cúrcuma pode ajudar a manter os músculos do trato digestivo equilibrados, o que pode ajudar com sintomas como dor no estômago e gases.

As curcuminóides são um grupo de poderosos compostos anti-inflamatórios e antioxidantes encontrados na cúrcuma. Esses compostos são conhecidos por sua capacidade de reduzir a inflamação, melhorar a função cerebral, baixar os níveis de açúcar no sangue, prevenir doenças cardíacas, combater células cancerígenas e fazer outras coisas.

As curcuminóides e a cúrcuma funcionam no corpo de uma maneira semelhante à aspirina. Elas previnem e tratam inflamações intestinais, o que ajuda a aliviar alguns sintomas comuns.

A cúrcuma é uma especiaria popular em muitos tipos diferentes de culinária e você pode comer cúrcuma de algumas maneiras diferentes. Ela pode ser adicionada a sopas, guisados, curries e refogados. Você também pode fazer chá de cúrcuma fervendo água e adicionando pó de cúrcuma e um pouco de mel para um toque de doçura.

A cúrcuma também está disponível na forma de suplemento, como cápsulas, comprimidos e líquidos. Suplementos com cúrcuma podem ser comprados em lojas de produtos naturais ou on-line.

Por último, você também pode fazer leite dourado. O leite dourado é uma bebida quente feita com cúrcuma que é popular em muitos lugares ao redor do mundo. Leite quente geralmente é misturado com cúrcuma e especiarias como canela, gengibre, pimenta preta e mel para adoçar. A bebida tem sido usada por centenas de anos para tratar inflamação e ajudar o corpo a digerir os alimentos. Também pode ser servida com gelo como uma bebida fria para refrescar.

Mas apenas uma pequena palavra de cautela, embora a cúrcuma seja geralmente considerada segura, é importante saber que doses altas podem causar problemas digestivos como mal-estar estomacal. Também pode interagir com alguns medicamentos, então é sempre melhor conversar com seu médico primeiro para ter certeza de que é seguro e adequado para você.

No 3. Lentilhas

As lentilhas são um tipo de leguminosa que é rica em fibras, proteínas e outros nutrientes. Alguns estudos sugerem que elas podem ajudar pessoas com síndrome do intestino irritável ou SII.

As lentilhas contêm fibras solúveis e insolúveis, que são importantes para o funcionamento adequado dos nossos intestinos. Elas também contêm minerais como manganês que ajudam pessoas com condições crônicas como a síndrome do intestino irritável a manter os níveis de energia.

As lentilhas também ajudam o corpo a absorver melhor os nutrientes, o que significa que menos resíduos são produzidos e há menos problemas. A fibra é importante para manter os intestinos se movendo regularmente e prevenir a prisão de ventre, o que pode ajudar a aliviar sintomas da SII como dor no estômago.

Adicionalmente, as lentilhas são uma boa fonte de proteína, o que pode ajudar a manter os músculos do trato digestivo equilibrados e aliviar sintomas como dor no estômago e gases. Mas é importante lembrar que a SII de cada um é diferente e o que ajuda uma pessoa pode não ajudar outra.

Algumas pessoas com síndrome do intestino irritável podem achar que as lentilhas pioram seus sintomas, enquanto outras podem achar que elas ajudam. Existem muitas maneiras diferentes de comer lentilhas. Por exemplo, a sopa de lentilha é nutritiva e pode ser feita com muitos legumes, especiarias e ervas.

As lentilhas podem ser usadas em saladas como substituição da carne. Elas são ricas em proteínas. Adicionar lentilhas a ensopados e curries fornecerá ao seu corpo mais proteínas e fibras. As lentilhas cozidas e servidas como acompanhamento, simples ou com especiarias e ervas, são outra opção.

Lentilhas assadas com especiarias fazem um lanche crocante e rico em proteínas. Lentilhas, farelo de pão e especiarias podem ser misturados para fazer hambúrgueres e almôndegas sem carne.

No 2. Alimentos fermentados

Os probióticos são bactérias benéficas que podem ajudar a melhorar a saúde intestinal. Eles são encontrados em alimentos fermentados como iogurte, kefir, chucrute e kimchi. Alguns estudos mostraram que os probióticos podem ajudar os sintomas da SII como dor no estômago, inchaço e diarreia.

Isso ocorre porque os probióticos incentivam o crescimento de bactérias saudáveis, o que pode melhorar a saúde do intestino e fazer com que os sintomas da SII desapareçam. No entanto, algumas pessoas com SII podem ser sensíveis a alimentos fermentados e descobrir que eles pioram seus sintomas.

Um estudo descobriu que tomar um suplemento probiótico com as bactérias lactobacillus acidophilus e bifidobacterium bifidum pode ajudar a reduzir os sintomas da SII. O Yakult, uma bebida probiótica fermentada com bilhões de bactérias Lactobacillus casei shirota, mostrou-se eficaz em manter o intestino saudável.

O Yakult é feito para ajudar na digestão e os probióticos que contém demonstraram reduzir os sintomas da síndrome do intestino irritável, estimulando o crescimento de bactérias saudáveis no intestino.

Ao tomar probióticos, as pessoas podem mudar os tipos de bactérias em seus intestinos e ajudar as bactérias saudáveis a crescerem. Então, adicione uma colher de chucrute ou kimchi às suas saladas, sanduíches e wraps ou faça seus próprios picles e leve-os com você como um lanche rápido.

Beba kombucha entre as refeições. Coma iogurte no café da manhã ou como lanche durante o dia. Adicione pasta de miso a sopas, guisados e pratos saborosos ou use tempeh, um alimento tradicional indonésio feito pela fermentação de soja. O tempeh é rico em proteínas e fibras. Tem gosto de nozes e cogumelos e pode ser usado em muitos pratos, como salteados, wraps e curries.

No 1. Sementes de chia

As sementes de chia são pequenas sementes pretas e brancas em formato oval da planta do deserto Salvia hispanica. Elas são duras e crocantes com um sabor aveludado.

As sementes de chia são ricas em fibras, proteínas, antioxidantes e gorduras saudáveis como ômega-3. Elas também são livres de glúten, então pessoas alérgicas ou sensíveis ao glúten podem consumi-las com segurança.

Aqueles com síndrome do intestino irritável podem se beneficiar muito comendo sementes de chia. Essas pequenas sementes são ricamente nutritivas. A fibra nas sementes de chia pode ajudar a melhorar a saúde intestinal e reduzir sintomas da SII como constipação, inchaço e dor abdominal.

A fibra das sementes de chia também pode ajudar a controlar os movimentos intestinais, amolecer as fezes e tornar mais fácil a passagem. As sementes de chia também contêm fibra solúvel que pode funcionar como um prebiótico, o que pode ajudar as bactérias benéficas a crescerem no intestino. Isso pode melhorar a saúde intestinal e fazer com que os sintomas da SII desapareçam.

Além disso, as sementes de chia contêm compostos anti-inflamatórios que podem ajudar a reduzir a inflamação no intestino e aliviar sintomas da SII como dor abdominal. Em um ensaio clínico, descobriu-se que adicionar essas sementes à dieta pode ajudar pessoas com SII que têm prisão de ventre a se sentir melhor e ter menos sintomas.

As sementes de chia são fáceis de comer e podem ser adicionadas à sua dieta de várias maneiras. Você pode fazer um delicioso pudim com sementes de chia, leite, iogurte e o adoçante de sua escolha. Basta combinar em uma tigela grande e deixar a mistura descansar por 15 minutos a 1 hora para que as sementes de chia absorvam o líquido e engrossem.

Para muffins, pães e outros produtos de padaria, misture as sementes de chia na massa. As sementes de chia também podem ser polvilhadas em mingau de aveia, panquecas ou waffles. Quanto às saladas, um punhado de sementes de chia não só dará uma textura crocante como também adicionará mais nutrientes.

Você também pode adicioná-los aos seus smoothies, molhos, molhos para salada ou patês para dar mais textura.

A experiência de cada um com a síndrome do intestino irritável é única, então o que ajuda uma pessoa pode não ajudar outra. Portanto, é melhor discutir quaisquer alterações na dieta que você gostaria de fazer com seu médico ou nutricionista.

Quadro prático: porção, preparo e frequência

Perguntas sobre alimentação ficam mais úteis quando a pessoa compara quantidade, preparo e padrão da semana, em vez de classificar um alimento isolado como bom ou ruim.

O que compararComo observarPor que muda a resposta
PorçãoQuantidade real consumida e se é eventual ou frequente.A mesma comida pode ter impacto diferente conforme volume e repetição.
PreparoFritura, açúcar, álcool, sal, molhos e acompanhamentos.O preparo muda densidade calórica, digestibilidade e segurança.
ContextoDiabetes, doença renal, alergias, gestação, perda de peso ou remédios.Algumas situações exigem orientação individual.
  • Observe o padrão alimentar da semana antes de mudar tudo por um item isolado.
  • Compare versões simples, fritas, adoçadas ou ultraprocessadas.
  • Individualize se houver doença crônica, gestação ou sintomas persistentes.

Arquivado em: Gastroenterologia, Nutrição

Doença inflamatória intestinal: manifestações fora do intestino

29 de agosto de 2023 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Doença inflamatória intestinal pode afetar mais do que o intestino. Manifestações em articulações, pele, olhos, fígado ou boca podem aparecer antes, durante ou depois dos sintomas digestivos e devem ser comunicadas ao gastroenterologista.

As manifestações extraintestinais mais comuns são as musculoesqueléticas, dermatológicas e oftalmológicas.

Retocolite vs Doença de Crohn

A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn são as duas principais formas de doença inflamatória intestinal.

Em primeiro lugar, acredita-se que a retocolite ulcerativa seja duas vezes mais comum que a doença de Crohn, com taxas de incidência de 10 a 20 por 100.000 pessoas por ano, em comparação com 5 a 10 por 100.000 pessoas por ano na doença de Crohn. Ambas podem ocorrer em qualquer idade, embora sejam mais comumente diagnosticadas na faixa etária entre 15 e 30 anos. Em média, a doença de Crohn é encontrada alguns anos antes da retocolite ulcerativa.

Alguns estudos mostram que a retocolite ulcerativa é mais comum em homens, enquanto a doença de Crohn é mais comum em mulheres. Tanto a retocolite ulcerativa quanto a doença de Crohn são tipicamente mais comuns em países desenvolvidos e do norte.

Outra diferença entre as duas é que a retocolite ulcerativa está confinada ao cólon e ao reto, enquanto a doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Isso significa que os sinais e sintomas podem ser diferentes.

Em geral, os sintomas da retocolite ulcerativa e da doença de Crohn são a presença de diarreia crônica ou episódica, que pode apresentar sangramento retal devido à ulceração da parede intestinal; dor ou cólicas abdominais; urgência para evacuar; e uma sensação de esvaziamento incompleto do reto, chamada tenesmo.

Outros sintomas gerais podem incluir perda de peso, febre, suores noturnos e fadiga. Mais especificamente, a retocolite ulcerativa tem maior probabilidade de causar diarreia com sangue do que a doença de Crohn, assim como o risco de megacólon tóxico, uma condição em que o cólon fica inchado e aumentado devido à inflamação e aos danos ao plexo mioentérico do intestino, impedindo-o de passar o conteúdo intestinal. Isso leva ao acúmulo de gases e fezes, com risco de perfuração e sepse.

Como dissemos, a doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, mas é mais comumente encontrada afetando o íleo terminal e o cólon proximal. Existem vários subtipos, incluindo uma variante inflamatória que pode apresentar úlceras, erosões e abcessos; um tipo estenosante que pode levar a obstruções; e uma variante mais penetrante, levando a fístulas.

A doença de Crohn também pode ter efeitos significativos na absorção de nutrientes, dependendo de onde está afetando. Como o íleo terminal e o cólon proximal são as localizações mais comuns, há frequentemente má absorção de sais biliares e vitamina B12. Outras deficiências podem incluir ferro, cálcio e vitamina D.

Sintomas

Uma das manifestações extraintestinais mais comuns é a ocular. Pacientes podem apresentar olho vermelho, dor ocular e alterações visuais. Existem conjuntivites e inflamações em outras estruturas do olho, como a úvea, que podem ser perigosas e afetar a visão. Essas manifestações oftálmicas devem ser investigadas e tratadas especificamente, pois nem sempre respondem ao mesmo tratamento usado para o intestino.

A manifestação extraintestinal mais frequente, no entanto, é a articular. Existem três tipos principais de manifestações articulares:

  1. Inflamações ou dor nas articulações de médio e grande porte, como punhos, cotovelos, ombros, tornozelos e joelhos. Não ocorre em todas as articulações ao mesmo tempo, podendo migrar. Algumas vezes há inchaço, calor, vermelhidão (artrite), outras vezes apenas dor.
  2. Dor na região lombar ou sacroilíaca, caracterizando lombalgia inflamatória. O paciente acorda com rigidez e melhora com a mobilização.
  3. Dor nas pequenas articulações das mãos e pés, de forma simétrica. Também há rigidez matinal com melhora progressiva. Mais comum em pacientes com doença de Crohn e cálculo renal.

Outras manifestações extraintestinais incluem problemas hepáticos como esteatose, colelitíase e colangite esclerosante primária. Alterações renais como nefrolitíase também podem ocorrer.

Manifestações Musculoesqueléticas

Raio-X da coluna lombar com problema

As manifestações musculoesqueléticas mais comuns são artrite periférica (30% dos pacientes) e espondilite anquilosante (10% dos pacientes). A artrite periférica acomete principalmente as grandes articulações como joelhos e cotovelos, com um padrão não erosivo. Já a espondilite anquilosante pode ser erosiva e acomete articulações axiais como as sacroilíacas.

O tratamento da artrite periférica consiste inicialmente no controle da inflamação intestinal com corticoides, tiopurinas ou anti-TNF. Se a DII estiver em remissão, podem ser usados antiinflamatórios não esteroidais (AINEs), sulfassalazina ou metotrexato. Para a espondilite anquilosante, os AINEs e anti-TNF são as principais opções terapêuticas, uma vez que fármacos como sulfassalazina e metotrexato são ineficazes.

Para a artrite periférica, as opções de tratamento incluem:

  • Corticosteroides: podem ser usados para controlar a inflamação intestinal ativa.
  • Tiopurinas: azatioprina e 6-mercaptopurina podem ser utilizadas se a artrite persistir após remissão da doença intestinal.
  • Anti-TNF: infliximabe, adalimumabe e golimumabe têm eficácia comprovada tanto para a doença intestinal quanto para a artrite periférica.
  • Anti-IL-12/23: ustekinumabe mostrou melhora da artrite associada à doença de Crohn.
  • AINEs: devem ser usados com precaução e PPI em pacientes com DII controlada.
  • Sulfassalazina: pode ser uma opção após falha de AINEs.
  • Metotrexato: tanto a via oral quanto parenteral podem ser utilizadas.

Para espondilite anquilosante as opções incluem:

  • AINEs: primeiro tratamento, com precaução gastrointestestinal.
  • Anti-TNF: infliximabe, adalimumabe, certolizumabe e golimumabe são efetivos.
  • Secuquinumabe: bloqueador de IL-17 não é recomendado devido ao risco de induzir DII.

Manifestações Dermatológicas

As manifestações dermatológicas mais comuns são o eritema nodoso e a pioderma gangrenosa. O eritema nodoso consiste em nódulos eritematosos e dolorosos, mais comuns nas superfícies de extensão dos membros inferiores. Acomete cerca de 2 a 10% dos pacientes com DII. Já a pioderma gangrenosa são úlceras dolorosas, com bordos violáceos irregulares, mais comuns nas porções distais dos membros inferiores. Ocorre em aproximadamente 1 a 2% dos pacientes.

O eritema nodoso melhora com o controle da atividade intestinal, enquanto a pioderma gangrenosa segue um curso independente. O tratamento tópico com corticoides ou tacrolimo pode ser suficiente para formas leves de pioderma gangrenosa. Nos casos mais graves ou refratários, podem ser necessários corticoides sistêmicos e anti-TNF como infliximabe ou adalimumabe.

Para pioderma gangrenosa leve, podem ser utilizados:

  • Corticosteroides tópicos de alta potência.
  • Inibidores tópicos de calcineurina como tacrolimo ou pimecrolimo.

Nas formas graves ou refratárias as opções incluem:

  • Corticosteroides orais: prednisona ou equivalente.
  • Anti-TNF: infliximabe e adalimumabe têm eficácia comprovada.
  • Anti-IL-1: anakinra e canaquinumabe são alternativas em casos refratários.

Manifestações Oftalmológicas

As manifestações oftalmológicas mais comuns são episclerite, esclerite e uveíte. A episclerite consiste em hiperemia difusa da conjuntiva e episclera, sem comprometimento visual. Já a esclerite cursa com dor ocular intensa e hiperemia em um ou mais quadrantes da esclera. A uveíte é uma inflamação intraocular que pode levar a complicações como catarata, glaucoma e edema macular.

Episclerite e esclerite respondem bem ao tratamento da inflamação intestinal. Já a uveíte requer manejo específico com corticoides tópicos ou injeções intraoculares de corticoide, podendo necessitar de anti-TNF nos casos refratários.

Concluindo, manifestações extraintestinais são comuns na doença inflamatória intestinal. O paciente deve estar atento e comunicar ao médico qualquer sintoma aparentemente não relacionado, pois pode ser necessário ajuste no tratamento. O reconhecimento e manejo adequado das manifestações sistêmicas é fundamental para o controle da doença e prevenção de sequelas.

Para episclerite e esclerite, o tratamento consiste em:

  • Colírios com corticosteroides.
  • Controle da inflamação intestinal com imunossupressores ou biológicos.

Para uveíte, as opções incluem:

  • Colírios com corticosteroides.
  • Injeções periódicas intraoculares de corticosteroide.
  • Anti-TNF: infliximabe ou adalimumabe nos casos graves ou refratários.

Por que estas patologias se desenvolvem?

Então, como ocorrem de fato a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn? Acredita-se que seja uma interação entre suscetibilidade genética combinada com fatores ambientais e impacto no microbioma intestinal, juntamente com ativação imune inapropriada.

Os fatores de risco incluem tabagismo, que é protetor na retocolite ulcerativa; certos medicamentos, incluindo exposição a antibióticos; a pílula anticoncepcional oral; e anti-inflamatórios não esteroides. Procedimentos como amigdalectomia e apendicectomia parecem aumentar o risco de doença de Crohn. Uma dieta rica em gorduras saturadas e viver em regiões mais urbanizadas também são fatores de risco.

Há também implicação de autoanticorpos, com p-ANCA na retocolite ulcerativa e anticorpos anti-Saccharomyces cerevisiae na doença de Crohn.

Opções de tratamentos

O tratamento geralmente envolve o uso de corticosteroides, embora não na doença de Crohn estenosante, pois isso pode piorar. Aminossalicilatos como a mesalazina mostraram ser eficazes na retocolite ulcerativa e tiopurinas como a mercaptopurina ou azatioprina também são usadas.

Imunomoduladores como a ciclosporina e o metotrexato podem ser usados em alguns casos e, mais recentemente, agentes biológicos como o anti-TNF alfa infliximabe ou o inibidor da janus quinase tofacitinibe também foram introduzidos.

Antibióticos também são considerados se o paciente apresentar um quadro séptico. Nos casos de doença de Crohn envolvendo o trato gastrointestinal superior, os inibidores de bomba de prótons também podem ser usados.

A cirurgia é feita em casos refratários ou graves, o que geralmente envolve ressecção e anastomose intestinal. É claro que uma proctocolectomia total é curativa na retocolite ulcerativa.

Fontes úteis

  • MedlinePlus
  • WHO: temas de saúde
  • Ministério da Saúde

Arquivado em: Gastroenterologia, Reumatologia

Intestino irritável e cirurgia de hemorroidas: cuidados

29 de agosto de 2023 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Intestino irritável não impede automaticamente uma cirurgia de hemorroidas, mas o padrão intestinal muda bastante o planejamento. Constipação, esforço para evacuar, diarreia, urgência e dor abdominal podem aumentar desconforto no pós-operatório, dificultar higiene, piorar medo de evacuar e confundir a avaliação de sangramento ou dor. Por isso, o ponto central não é apenas operar a hemorroida; é chegar ao procedimento com fezes mais previsíveis e um plano para os primeiros dias.

A síndrome do intestino irritável é um distúrbio funcional do intestino, geralmente marcado por dor abdominal associada a alteração do hábito intestinal. Algumas pessoas têm predomínio de constipação, outras de diarreia, e muitas alternam entre os dois padrões. Hemorroidas, por sua vez, podem causar sangramento vermelho vivo, prolapso, coceira, dor, escape de muco ou sensação de volume anal, mas nem todo sintoma anal é hemorroida.

Essa distinção importa porque cirurgia de hemorroidas trata a doença hemorroidária selecionada, não corrige automaticamente intestino preso, diarreia crônica, dor abdominal, distensão ou urgência evacuatória. Quando o intestino irritável continua descompensado, o paciente pode ter a impressão de que a cirurgia “não resolveu tudo”, mesmo que a hemorroida tenha sido tratada tecnicamente.

Por que o intestino interfere no pós-operatório

Após procedimentos anorretais, evacuar costuma ser uma das maiores preocupações. Fezes muito ressecadas exigem esforço, aumentam dor e podem irritar a ferida operatória. Fezes muito líquidas ou evacuações repetidas também incomodam porque aumentam ardor, umidade, limpeza excessiva e sensação de urgência. O melhor cenário costuma ser uma evacuação macia, formada, sem esforço e sem muitas idas ao banheiro.

Quem tem intestino irritável pode oscilar justamente nesse ponto. Em um dia há constipação; em outro, diarreia após ansiedade, alimento gatilho, antibiótico, laxante ou mudança de rotina. Essa variação não contraindica a cirurgia por si só, mas deve ser discutida antes, porque muda orientações de dieta, medicação, analgesia, laxativos, antidiarreicos e data de retorno.

Padrão intestinal Como pode afetar a cirurgia O que precisa estar combinado
Constipação Mais esforço, medo de evacuar e risco de fezes endurecidas. Fibra, líquidos, ajuste de remédios e laxativo quando indicado.
Diarreia Mais ardor, limpeza repetida, urgência e irritação local. Investigar gatilhos, hidratação e quando usar medicação.
Alternância Maior imprevisibilidade nos primeiros dias. Plano escrito para mudar conduta conforme consistência das fezes.
Dor abdominal e gases Pode aumentar ansiedade e confundir a percepção de dor cirúrgica. Diferenciar dor intestinal de dor anal e registrar evolução.

Antes da cirurgia: estabilizar o intestino

O pré-operatório deve mapear como o intestino funciona na vida real, não apenas no dia da consulta. Vale anotar por uma ou duas semanas: frequência das evacuações, consistência das fezes, presença de urgência, esforço, sensação de evacuação incompleta, sangue, dor, muco, alimentos gatilho, uso de laxantes e remédios que prendem ou soltam o intestino.

Essa preparação ajuda o cirurgião a separar três problemas diferentes: a doença hemorroidária que será tratada, o intestino irritável que precisa de manejo contínuo e sinais que podem indicar outro diagnóstico. Sangramento, por exemplo, pode vir de hemorroidas, mas também pode exigir avaliação adicional se houver anemia, perda de peso, alteração progressiva do hábito intestinal, dor noturna, histórico familiar de câncer colorretal ou sangue misturado às fezes.

Quando há constipação predominante, o foco é reduzir esforço. Isso pode envolver fibra solúvel, aumento gradual de líquidos, rotina de banheiro, atividade física conforme tolerância e laxativos ou amolecedores prescritos. Quando há diarreia predominante, o objetivo é identificar gatilhos, evitar desidratação, revisar cafeína, álcool, adoçantes, gordura, medicamentos e considerar investigação se houver sinais de alerta.

O que a cirurgia de hemorroidas pode e não pode resolver

Procedimentos para hemorroidas podem reduzir sangramento, prolapso, desconforto e sintomas relacionados ao tecido hemorroidário. A escolha entre medidas conservadoras, procedimentos em consultório e cirurgia depende do grau da hemorroida, sintomas, exame físico, resposta a tratamentos anteriores e presença de doença externa associada.

Mas a cirurgia não muda a sensibilidade intestinal, a dor abdominal típica do intestino irritável nem a tendência individual a constipação ou diarreia. Se o paciente opera sem alinhar essa expectativa, pode interpretar qualquer desconforto intestinal como falha do procedimento. A pergunta mais útil é: qual sintoma vem da hemorroida e qual vem do funcionamento do intestino?

Sintoma Mais ligado a hemorroida Mais ligado ao intestino irritável
Sangue vermelho vivo ao evacuar Pode ocorrer, especialmente com esforço ou prolapso. Não é típico de intestino irritável e merece avaliação.
Dor abdominal que melhora após evacuar Não costuma ser o principal. É uma pista comum em intestino irritável.
Urgência e várias evacuações no dia Pode irritar a região anal. Pode fazer parte do padrão diarreico.
Prolapso ou volume anal Pode ser sintoma hemorroidário. Não é explicado pelo intestino irritável.

Constipação: o ponto que mais costuma atrapalhar

Depois da cirurgia, alguns fatores favorecem intestino preso: medo de evacuar, menor ingestão alimentar, pouca mobilidade, dor, mudança de rotina e certos analgésicos. Se a pessoa já tem constipação, isso precisa ser previsto. Esperar vários dias sem evacuar pode tornar a primeira evacuação mais difícil e dolorosa.

O plano deve ser individual, mas costuma incluir orientação clara sobre fibra, líquidos, medicação para dor, amolecedor de fezes ou laxativo quando necessário. O paciente também precisa saber quando avisar a equipe: dor progressiva, retenção urinária, febre, sangramento importante, incapacidade de evacuar ou evacuação muito dolorosa apesar das medidas combinadas.

Um erro comum é aumentar fibra de uma vez na semana da cirurgia. Em algumas pessoas isso melhora o bolo fecal; em outras aumenta gases, distensão e cólica. Quando o paciente tem intestino irritável, mudanças dietéticas grandes devem ser feitas com antecedência ou sob orientação, para que o pós-operatório não vire um teste de tolerância alimentar. O objetivo é previsibilidade, não uma dieta perfeita.

Outro ponto é o uso de remédios para dor. Analgésicos mais fortes podem prender o intestino em alguns pacientes. Anti-inflamatórios podem não ser adequados para todos, especialmente em doença renal, gastrite, uso de anticoagulante ou risco de sangramento. Por isso, a conversa deve incluir não apenas “qual remédio tomar”, mas como evitar que o remédio escolhido piore o padrão intestinal.

Diarreia e urgência também precisam de plano

O outro extremo também merece atenção. Diarreia repetida no pós-operatório pode causar ardor, dificuldade de limpeza e ansiedade. O paciente pode passar a limpar demais a região, usar produtos irritantes ou evitar comer por medo de evacuar. Isso piora a experiência de recuperação.

Se a diarreia é frequente antes da cirurgia, vale discutir se há necessidade de investigar infecção, doença inflamatória intestinal, intolerâncias, uso de medicamentos, excesso de laxativos ou outro diagnóstico. Intestino irritável é comum, mas não deve ser usado como rótulo automático quando há sangue misturado às fezes, febre, perda de peso, anemia, dor noturna ou início recente em idade mais avançada.

Na prática, diarreia pós-operatória deve ser lida por intensidade e contexto. Uma evacuação mais amolecida pode acontecer por mudança alimentar ou medicação. Várias evacuações líquidas, febre, dor abdominal forte, sinais de desidratação ou sangue em volume maior exigem contato com a equipe. O paciente não deve alternar laxante e antidiarreico por conta própria tentando “regular” o intestino sem critério.

Urgência evacuatória também muda a logística da recuperação. O paciente pode precisar ficar perto de banheiro, evitar deslocamentos longos nos primeiros dias e planejar alimentação de forma mais regular. Isso é especialmente importante para quem trabalha fora de casa, cuida de outras pessoas ou tem dificuldade de acesso rápido a banheiro.

Quando pode ser melhor adiar ou revisar o plano

Nem toda oscilação intestinal cancela cirurgia, mas algumas situações justificam reavaliar data ou estratégia. Diarreia aguda com febre, suspeita de infecção, desidratação, crise intensa de dor abdominal, constipação grave sem controle, anemia não explicada ou sangramento de origem incerta devem ser discutidos antes do procedimento. Operar no meio de um quadro instável pode dificultar tanto a recuperação quanto a interpretação de sintomas.

Também vale revisar quando o diagnóstico de hemorroida ainda não está bem documentado. Dor anal intensa pode ser fissura; secreção pode sugerir fístula ou abscesso; sangramento pode exigir investigação colorretal; coceira pode ter dermatite, higiene excessiva ou infecção associada. O tratamento correto depende do diagnóstico correto.

A decisão também depende do quanto o sintoma hemorroidário pesa na rotina. Sangramento ocasional leve em pessoa com intestino muito instável pode pedir primeiro controle do hábito intestinal. Já prolapso importante, crises repetidas, falha de medidas conservadoras ou sintomas externos relevantes podem justificar procedimento mesmo quando o intestino irritável continuará em acompanhamento. O objetivo é ordenar prioridades, não buscar uma condição intestinal perfeita antes de qualquer tratamento.

Esse equilíbrio deve ser documentado no prontuário e entendido pelo paciente. Quando a expectativa é realista, a recuperação tende a ser menos angustiante: melhora do sintoma hemorroidário é uma meta, enquanto regularidade intestinal segue como tratamento paralelo.

Se houver dúvida, uma consulta de retorno antes da data cirúrgica costuma ser mais útil do que improvisar no pós-operatório.

Isso reduz surpresas, ajusta remédios e deixa claro quem acionar se evacuação, dor ou sangramento saírem do esperado.

Como conversar com o cirurgião

Uma consulta boa deve transformar sintomas em decisões práticas. Em vez de perguntar apenas “posso operar?”, leve dados que mudam o plano: quantas vezes evacua por semana, se faz força, se as fezes são duras ou líquidas, se há urgência, quais laxantes usa, quais alimentos pioram, como é o sangramento e quais remédios costuma tomar.

Pergunta Por que importa
Preciso ajustar fibra ou laxativo antes da cirurgia? Reduz risco de fezes endurecidas no início da recuperação.
O que faço se tiver diarreia nos primeiros dias? Evita automedicação e irritação local por limpeza excessiva.
Qual sangramento é esperado e qual é alerta? Ajuda a diferenciar evolução comum de complicação.
Quando devo retornar antes da revisão marcada? Dá um critério claro para febre, dor, retenção urinária ou sangramento.
Meu quadro precisa de colonoscopia ou outro exame? Importante quando há sinais de alerta ou diagnóstico incerto.

Cuidados práticos no pós-operatório

O cuidado pós-operatório deve seguir a orientação da equipe que operou, porque técnica, extensão da cirurgia e risco individual mudam bastante. Em geral, o foco é controlar dor sem prender demais o intestino, manter evacuação macia, evitar esforço, fazer higiene suave, reconhecer sinais de alerta e retornar no prazo combinado.

Banho de assento, pomadas, analgésicos, anti-inflamatórios, laxativos ou antidiarreicos não devem ser usados como pacote universal. O que ajuda um paciente pode atrapalhar outro, especialmente em pessoas com doença renal, gastrite, uso de anticoagulantes, alergias, gravidez, imunossupressão ou múltiplos medicamentos.

Registro simples para levar ao retorno: dia da cirurgia, dias sem evacuar, consistência das fezes, dor de 0 a 10, sangramento, febre, remédios usados, efeitos colaterais e o que piora ou melhora. Esse registro mostra se o problema principal é cicatrização, dor, constipação, diarreia, medo de evacuar ou outro fator.

Como diferenciar dor esperada de problema novo

Algum desconforto após cirurgia anorretal pode ser esperado, mas a tendência deve ser acompanhada. Dor que oscila e melhora com o plano costuma ser diferente de dor que piora progressivamente, vem com febre, secreção, retenção urinária ou incapacidade de evacuar. O intestino irritável pode aumentar cólicas e gases, mas não deve explicar sozinho sinais de infecção, sangramento importante ou piora sistêmica.

A localização também ajuda. Dor abdominal em cólica, associada a gases e alteração de fezes, sugere componente intestinal. Dor anal intensa ao evacuar, sensação de corte, ardor local, volume doloroso ou secreção apontam mais para a região operada ou para outro problema anal. Essa separação não substitui exame, mas ajuda o paciente a relatar melhor o que está acontecendo.

Perguntas frequentes

Quem tem intestino irritável pode operar hemorroidas? Pode, se houver indicação e avaliação adequada. O intestino irritável precisa entrar no planejamento porque constipação, diarreia e urgência podem mudar a recuperação.

A cirurgia resolve o intestino irritável? Não. Ela trata a doença hemorroidária selecionada. Dor abdominal, gases, constipação e diarreia recorrentes precisam de manejo próprio.

É melhor prender o intestino para não doer? Não. Evitar evacuar por medo pode endurecer as fezes e piorar a primeira evacuação. O objetivo costuma ser evacuar de forma macia, sem esforço, conforme orientação da equipe.

Todo sangramento depois da cirurgia é normal? Pequenas quantidades podem acontecer dependendo do procedimento, mas sangramento intenso, tontura, coágulos, piora progressiva ou dúvida sobre volume exigem contato com a equipe.

Quando a avaliação deve ser mais rápida

Procure orientação com mais rapidez se houver sangramento intenso, tontura, febre, dor anal progressiva, secreção com mau cheiro, retenção urinária, incapacidade de evacuar apesar do plano, diarreia intensa com desidratação, vômitos persistentes ou piora importante do estado geral. Esses sinais não significam necessariamente complicação grave, mas não devem ser resolvidos apenas com tentativa em casa.

Também é prudente reavaliar quando a dor abdominal muda de padrão, surge à noite, vem com perda de peso, anemia, febre ou sangue misturado às fezes. Intestino irritável pode coexistir com hemorroidas, mas não deve esconder sinais que pedem investigação.

Resumo para decisão

Intestino irritável interfere na cirurgia de hemorroidas principalmente por meio da consistência das fezes e da frequência das evacuações. O melhor resultado depende de tratar a hemorroida certa, controlar constipação ou diarreia, alinhar expectativa e ter um plano escrito para os primeiros dias. A cirurgia pode melhorar sintomas hemorroidários, mas o intestino continua precisando de acompanhamento quando há padrão recorrente de dor, gases, urgência ou alteração das fezes.

Fontes consultadas

  • NIDDK: Irritable Bowel Syndrome.
  • NIDDK: Symptoms and Causes of IBS.
  • NIDDK: Treatment for Irritable Bowel Syndrome.
  • American Society of Colon and Rectal Surgeons: Hemorrhoids Expanded Information.
  • ASCRS Clinical Practice Guideline: Management of Hemorrhoids, 2024.

Arquivado em: Gastroenterologia, Curiosidades

Meditação Mindfulness para Dor Crônica

29 de agosto de 2023 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

O que é mindfulness?

Mindfulness é o estado de consciência plena do momento presente, sem julgamentos ou críticas. É a capacidade de estar atento e consciente de cada momento à medida que ele passa. Essa prática se originou do budismo e da meditação budista, mais de 2.600 anos atrás.

Dor crônica e impacto na rotina

A avaliação da dor crônica considera localização, irradiação, fatores de piora ou alívio e perda de função. Esses dados ajudam a distinguir sobrecarga, inflamação, irritação de nervo, trauma e dor persistente, além de identificar sinais que exigem avaliação mais rápida.

CaracterísticaO que anotar
InícioSurgiu após esforço, queda, treino, viagem, infecção ou foi gradual?
LocalizaçãoÉ pontual, em faixa, profunda, superficial ou irradia para braço, perna ou tórax?
FunçãoLimita caminhar, respirar, dormir, trabalhar, pegar peso ou fazer movimentos simples?
Sinais associadosDormência, fraqueza, febre, perda de peso, falta de ar ou inchaço mudam a urgência.
EvoluçãoMelhora em dias, volta sempre ou piora progressivamente?

Intensidade, resposta às medidas e sinais de alerta

  • Leve uma escala simples de 0 a 10 para dor em repouso e movimento.
  • Anote remédios, compressas, exercícios ou repouso que ajudaram ou pioraram.
  • Evite insistir no movimento que reproduz dor forte ou perda de força.
  • Procure atendimento urgente se houver trauma importante, fraqueza progressiva, dor no peito, falta de ar ou alteração neurológica.

Por que a causa importa

Duas pessoas com dor no mesmo lugar podem precisar de condutas diferentes. A decisão pode envolver ajuste de carga, exercício progressivo, fisioterapia, medicação, exame ou investigação de sinais sistêmicos.

Quando a dor dura semanas, acorda à noite, volta sempre ou limita atividades básicas, vale deixar de tratar apenas o sintoma e investigar o padrão que mantém o problema.

O Buda ensinou que o sofrimento pode ser causado não apenas pela dor física, mas também pela nossa reação a essa dor. Podemos treinar a nossa mente para controlar nossa reação à dor, mesmo que não possamos controlar a dor em si.

Por que praticar mindfulness para lidar com a dor crônica?

Existem evidências científicas de que a prática da meditação mindfulness traz benefícios mentais e físicos. Mentalmente, pode ajudar a aliviar o estresse, reduzir a ansiedade e melhorar o humor. Fisicamente, pode aumentar a energia, melhorar o sono e reduzir a dor crônica.

Essa prática tem sido eficaz no tratamento de várias condições de dor crônica, como dor lombar, fibromialgia, dores de cabeça, dor pélvica crônica e síndrome do intestino irritável.

Como a meditação mindfulness funciona?

cerebro e antidepressivo

A ciência mostra que a prática da meditação mindfulness leva a mudanças no cérebro. Estudos com ressonância magnética funcional (fMRI) mostram que pessoas naturalmente mais mindfulness apresentam menor sensibilidade à dor.

Além disso, pessoas que praticaram mindfulness por um curto período também demonstraram ativação de áreas responsáveis pelo controle de pensamentos e emoções. Essa prática pode promover a desconexão entre a área do cérebro responsável pela percepção da dor e áreas relacionadas à emoção, resultando em uma redução da dor ao longo do tempo.

Do ponto de vista psicológico, a dor pode levar ao medo e à catatrofização, o que aumenta a percepção da dor. Isso pode levar à evitação de atividades e generalização do medo, aumentando a incapacidade. A autoeficácia, isto é, a percepção da habilidade de gerenciar os sintomas, é crucial. Pessoas com alta autoeficácia se recuperam mais rapidamente de episódios agudos de dor.

Em termos neurológicos, a amígdala e o córtex orbitofrontal estão envolvidos na aprendizagem associativa do medo. A antecipação da dor ativa a rede de saliência, especialmente o córtex insular anterior e córtex cingulado médio. Quanto mais ativas, mais recursos cognitivos são direcionados à antecipação da dor.

O córtex cingulado médio também detecta conflitos cognitivos e emocionais. Quando a dor distrai da tarefa em questão, essa região sinaliza a necessidade de redirecionar a atenção, recrutando a rede frontoparietal de controle executivo. Pacientes com dor crônica muitas vezes têm menor atividade nessa rede, associada a mais catastrofização e ansiedade.

O córtex pré-frontal medial está envolvido na resolução de conflitos emocionais e pode contribuir para a extinção cognitiva do medo. Essa rede parece desregulada na depressão, frequentemente comórbida à dor crônica.

Diferença entre meditação mindfulness e relaxamento

As pesquisas mostram que os benefícios da meditação mindfulness são específicos para essa prática. Estudos compararam a meditação mindfulness com grupos placebos ou relaxamento, e os resultados indicam que a prática real de mindfulness leva a uma maior redução da dor em comparação com esses grupos. Além disso, a meditação mindfulness também demonstrou influenciar o sistema imunológico, reduzindo a inflamação, marcador associado a doenças como câncer e Alzheimer.

Como praticar meditação mindfulness?

relaxamento ansiedade

A prática de meditação mindfulness pode ser dividida em duas categorias: informal e formal. Na prática informal, você foca sua atenção plena na atividade que está realizando no momento. Na prática formal, você reserva um tempo específico para realizar a meditação.

A meditação mindfulness pode progredir em estágios, começando pela atenção à respiração e expandindo gradualmente a consciência para o ambiente e, posteriormente, para a compaixão.

Gerenciando dor com meditação

A meditação pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a lidar com a dor crônica ou aguda. Apesar de a meditação não eliminar a sensação de dor, ela pode ajudar a mudar a maneira como a dor é vivenciada. Através de técnicas de respiração, imaginação guiada e foco mental, a meditação pode reduzir o estresse associado à dor e promover um senso de calma e relaxamento.

Para começar a usar a meditação para lidar com a dor, é recomendável encontrar uma posição confortável, seja sentado ou deitado. Feche os olhos e comece a prestar atenção na respiração, inspirando profundamente pelo nariz e expirando calmamente pela boca. À medida que a respiração se torna mais profunda e regular, a atenção pode ser direcionada às sensações físicas associadas à dor.

Ao invés de reagir ou resistir à dor, a meditação ensina a observá-la com uma atitude de aceitação e curiosidade compassiva. A dor pode ser vista como ondas que sobem e descem, fluxo e refluxo. Ao visualizar a dor desta maneira, é possível desenvolver um senso de espaço ao seu redor, observando-a com calma, sem se identificar excessivamente com ela.

Técnicas de imaginação guiada também podem ser incorporadas à meditação para lidar com a dor. Visualizar uma praia ensolarada, com ondas suaves que sobem e descem na areia, pode promover sensações de calma e relaxamento que contrabalançam a dor. O sol aquecendo a pele, a brisa fresca, o cheiro e o som do oceano podem distrair a mente da dor.

À medida que a meditação se aprofunda, a atenção pode se voltar para partes específicas do corpo onde a tensão está armazenada. Enviando gentilmente a respiração para essas áreas, é possível relaxar e liberar a tensão muscular associada à dor. Com prática regular, a meditação pode ensinar novas maneiras de lidar e conviver com a dor crônica.

Pontos-Chave sobre Mindfulness e Dor

  • Várias revisões e metanálises indicam que intervenções baseadas em mindfulness podem reduzir as classificações de intensidade da dor em pacientes com dor crônica, com tamanhos de efeito pequenos a médios. Os benefícios são mais consistentes para amostras clínicas de dor[1].
  • As intervenções baseadas em mindfulness podem ser particularmente úteis para a fibromialgia, uma condição hipotetizada como envolvendo sensibilização central. A mindfulness pode influenciar vias descendentes envolvidas na modulação da dor[2].
  • Um breve treinamento em mindfulness (4 dias) reduziu a intensidade da dor em 40% e a sensação desagradável em 57% em um estudo. Isso sugere potencial como terapia adjuvante. No entanto, os benefícios provavelmente aumentam com maior experiência.
  • A mindfulness pode separar o aspecto sensorial da dor de seus componentes cognitivos/emocionais, como originalmente proposto para a redução do estresse baseada em mindfulness.
  • Imagens cerebrais mostram que a mindfulness reduz a ativação relacionada à dor no córtex somatossensorial primário e aumenta a ativação em regiões executivas como o córtex cingulado anterior, ínsula e córtex orbitofrontal.
  • A ativação de regiões corticais e subcorticais (talâmicas) permite a modulação de sinais sensoriais ascendentes antes da percepção consciente da dor.
  • A mindfulness provavelmente compartilha vias comuns de modulação da dor com outras abordagens cognitivas como distração, manipulação de expectativa e placebo. Mas é um estado induzido voluntariamente.

Ansiedade e Depressão Ligadas à Dor Crônica

Efeitos_Ansiedade

A ansiedade e a depressão são condições comuns que afetam muitas pessoas que vivem com dor crônica. A relação entre dor crônica, ansiedade e depressão é bidirecional – a dor pode piorar os sintomas de ansiedade e depressão, e esses sintomas podem exacerbar a percepção da dor. É importante abordar todos os aspectos dessa complexa interação para um tratamento eficaz.

As emoções têm um propósito – elas nos dizem algo importante. Felicidade indica que as coisas estão bem, tristeza sinaliza perda, raiva aponta para injustiça e preocupação revela incerteza sobre o futuro. É normal sentir emoções contraditórias ao mesmo tempo, como gratidão e frustração. Chamo isso de “salada de frutas emocional”.

Precisamos validar nossas emoções, não suprimi-las. Quando uma emoção é invalidada, ela se torna mais intensa para chamar nossa atenção. É saudável sentir a gama completa de emoções humanas.

No entanto, se nossa “xícara emocional” estiver muito cheia, pequenos contratempos podem fazer com que transborde. É importante esvaziar a xícara regularmente, expressando e processando nossas emoções. Caso contrário, podemos bloqueá-las, perdendo a capacidade de sentir alegria.

Há um contínuo de saúde emocional. No topo, podemos funcionar normalmente apesar das flutuações. No meio, o estresse nos faz reagir excessivamente. Na parte inferior, há prejuízo significativo no funcionamento, indicando ferimento emocional ou transtorno mental. Nesses casos, o suporte profissional é essencial.

Ansiedade é caracterizada por tensão, pensamentos de preocupação e mudanças físicas. Ela existe para nos proteger, mas pode se tornar excessiva. As principais causas são incerteza e perguntas não respondidas, que criam um “disco riscado” na mente. Para lidar com isso, valide a emoção, foque no que pode controlar e busque suporte adicional se necessário.

Depressão envolve tristeza persistente e perda de interesse nas atividades. Pode estar ligada a lutos não reconhecidos pelas perdas resultantes de doenças crônicas. Quando perdemos nossa motivação, as coisas ficam mais difíceis de fazer, o que piora nosso humor. É importante distinguir entre sentir-se motivado e estar motivado. Podemos fazer coisas úteis mesmo sem vontade, o que melhora o humor. Atividades agradáveis liberam químicos cerebrais benéficos.

Em ambos os casos, apoio prático e emocional é crucial. Conexões significativas melhoram o gerenciamento da dor e do estresse. Se as relações próximas não puderem oferecer isso, busque grupos de apoio.

Lidar com a dor crônica é como subir uma escada, apenas para eventualmente descer por uma cobra – é um caminho irregular. Precisamos validar nossas emoções negativas para construir resiliência e continuar avançando.

Tenha autocompaixão e vá devagar. Comece rotulando suas emoções e reservando 5 minutos por dia para senti-las plenamente. Construa lentamente a confiança para se abrir com amigos de confiança. Obtenha ajuda profissional se a depressão ou ansiedade interferirem seriamente em suas atividades diárias. Trabalhando nessas áreas ao mesmo tempo, você pode interromper o ciclo vicioso e melhorar seu bem-estar geral.

Conclusão

A meditação mindfulness é uma prática eficaz para lidar com a dor crônica. Ela oferece benefícios tanto mentais quanto físicos, aliviando o estresse, reduzindo a ansiedade e melhorando o humor.

A prática também pode gerar mudanças no cérebro, resultando em uma redução da sensibilidade à dor ao longo do tempo. É recomendado praticar mindfulness diariamente e reservar um tempo dedicado à prática formal. Ao incorporar a atenção plena no dia a dia, é possível obter os benefícios dessa prática terapêutica e viver uma vida plena, apesar da dor crônica.

Explore também no Blog da Saúde

  • Dor
  • Ortopedia

Fontes úteis

  • MedlinePlus: dor
  • CDC: atividade física para adultos
Referências bibliográficas2 fontes
  1. 1.
    Reiner K, Tibi L, Lipsitz JD. Do mindfulness-based interventions reduce pain intensity? A critical review of the literature. Pain Medicine. 2013 Feb 1;14(2):230-42.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Chiesa A, Serretti A. Mindfulness-based interventions for chronic pain: a systematic review of the evidence. The journal of alternative and complementary medicine. 2011 Jan 1;17(1):83-93.
    Voltar [2]

Arquivado em: Neurologia, Dor

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