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Temperatura normal do corpo – Quando é febre?

11 de dezembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Qual é a temperatura corporal média de uma pessoa?

O local da medida muda o número

Temperatura oral, axilar, retal, timpânica e frontal não são exatamente equivalentes. Termômetro mal posicionado, suor, banho quente, exercício, ambiente muito quente ou medida logo após bebida quente/fria podem distorcer o resultado.

SituaçãoComo interpretar
37,2 ºC no fim do diaPode estar dentro da variação normal, se não há sintomas.
38 ºC ou maisGeralmente entra como febre em adultos.
Febre com prostração intensaEstado geral pesa mais que décimos no termômetro.
Bebê pequeno com febreMargem de segurança é menor.
Febre persistente ou recorrentePrecisa de avaliação organizada.

Febre é sinal, não diagnóstico. Infecções são causas frequentes, mas inflamações, medicamentos, calor ambiental e outras doenças também podem elevar a temperatura. O padrão ajuda: início súbito, calafrios, tosse, dor ao urinar, dor abdominal, manchas na pele, dor de garganta ou diarreia orientam caminhos diferentes.

Quando o número preocupa mais

Procure avaliação com mais rapidez se houver falta de ar, confusão, rigidez na nuca, manchas roxas, dor intensa, desidratação, piora progressiva, imunossupressão, gestação, febre após viagem de risco ou febre em bebê pequeno. Em idosos, infecções podem aparecer com temperatura menos alta e mais alteração de comportamento.

Antitérmico pode reduzir desconforto, mas não deve esconder piora clínica. Se a pessoa melhora, bebe líquidos e mantém boa disposição, a conduta é diferente de alguém sonolento, desidratado ou com sinais respiratórios.

Fontes usadas

  • MedlinePlus: body temperature norms
  • MedlinePlus: fever

Resumo

  • A temperatura corporal pode mudar ao longo do dia.
  • A temperatura corporal pode estar anormal devido à febre (alta temperatura) ou hipotermia (baixa temperatura).
  • Uma temperatura acima de 38 °C geralmente significa que você tem febre causada por infecção ou doença.
  • É geralmente aceito do ponto de vista médico que a temperatura corporal normal varia entre 36,5 °C e 37,7 °C.

Resposta direta: temperatura normal varia com pessoa, idade, horário, atividade e local de medida. Em adultos, febre costuma ser considerada a partir de cerca de 38 ºC, mas o número isolado vale menos que contexto: idade, estado geral, duração, sintomas associados e doenças de base.

Você já deve ter ouvido falar que a temperatura corporal “normal” é de 37 °C. Mas esse número é apenas uma média. A temperatura do seu corpo pode ser um pouco superior ou inferior[1].

Uma medida de temperatura corporal acima ou abaixo da média não significa automaticamente que você está doente. Vários fatores podem influenciar sua temperatura corporal, incluindo sua idade, sexo, hora do dia e nível de atividade física[2].


Ao contrário da crença popular, a gravidade da febre não está necessariamente relacionada à gravidade da doença – por exemplo, a meningite com risco de vida pode causar apenas um pequeno aumento de temperatura.


A maioria dos casos de febre leve se resolve sozinha em alguns dias.

Uma febre leve (até 39°C) pode realmente ajudar o sistema imunológico a se livrar de uma infecção. Em crianças entre 6 meses e 6 anos, a febre pode desencadear convulsões.

Uma febre de 42,4°C ou mais, principalmente em idosos, pode danificar permanentemente o cérebro.


Uma temperatura corporal normal pode variar de 36,1ºC a 37,5ºC

A verdade é que não existe uma temperatura corporal “normal” exata e, dependendo da sua idade, da hora do dia e de quão ativo você é, é mais preciso descrever uma temperatura corporal normal como um intervalo.

A temperatura pode variar entre os indivíduos. A faixa normal para a grande maioria das pessoas está entre 36,1°C e 37,5°C.


Temperaturas médias por idade

quando se preocupar febre

A capacidade do seu corpo de regular as mudanças de temperatura à medida que envelhece[3].

Pessoas com mais de 64 anos geralmente têm mais problemas para se ajustar a mudanças repentinas de temperatura tão rapidamente quanto as pessoas mais jovens.

Em geral, os idosos têm mais dificuldade em conservar o calor. Eles também são mais propensos a ter temperaturas corporais mais baixas.

IdadeTemperatura normal (Celsius)
Recém-nascidos (0-2 meses)36,4 – 37,4
Bebês (3-11 meses)36,4 – 37,5
Crianças (1-3 anos)36,4 – 37,5
Crianças (3-12 anos)36,4 – 36,9
Adolescentes (13-18 anos)36,4 – 36,9
Adultos (19 anos ou mais)36,1 – 36,9

Como medir a temperatura?

Verificar se há febre é simples quando uma pessoa tem um termômetro.

Existem alguns tipos diferentes de termômetros disponíveis. As seções a seguir irão descrevê-los com mais detalhes.

Termômetro oral

Termômetros orais medem a temperatura na boca. A maioria dos termômetros orais modernos são digitais. Eles geralmente apitam quando terminam uma leitura, o que os torna muito fáceis de usar para a maioria das pessoas.

Os termômetros orais são mais fáceis de usar em adultos, pois exigem que uma pessoa feche a boca e mantenha o termômetro no lugar por cerca de 20 segundos para obter uma leitura precisa.

O termômetro deve ficar embaixo da língua e o mais próximo possível do centro da boca. Após ter feito a leitura, ele exibirá a temperatura da pessoa.

Termômetro de ouvido

Termômetros de ouvido medem a temperatura do tímpano. Eles são mais comuns em consultórios médicos, mas também estão disponíveis versões caseiras.

Um termômetro de ouvido é um dispositivo portátil que mede a temperatura do tímpano usando um sensor infravermelho.

Os termômetros timpânicos estão disponíveis na maioria das mercearias, farmácias e lojas de suprimentos médicos. Como não são invasivos, os termômetros de ouvido são uma opção popular para pais de crianças pequenas.

Termômetro de testa

Os termômetros de testa estão se tornando mais populares para uso doméstico. Eles tendem a ser precisos, mas não tão precisos quanto os termômetros retais.

Os termômetros de testa são uma boa opção para uso em crianças, pois não exigem que elas fiquem paradas por muito tempo.

Termômetro retal

Um termômetro retal mede a temperatura do reto. Embora possa não ser a opção mais fácil ou confortável, fornece leituras altamente precisas.

Como alguns pesquisadores observam, os termômetros retais fornecem leituras mais precisas do que os termômetros de ouvido ou orais.

Termômetros retais podem ser a melhor opção ao cuidar de bebês. Obter uma leitura precisa é importante quando um bebê pode ter febre ou precisar de atenção médica.


O que é classificado como febre?

A temperatura do seu corpo varia ligeiramente ao longo do dia. Uma temperatura alta também é conhecida como febre. Geralmente, uma febre é um aumento da temperatura corporal acima da variação diária normal[4].

A temperatura normal varia dependendo da pessoa, do local do corpo onde a temperatura é medida e da hora do dia.

A temperatura real que causa febre varia entre diferentes pessoas e depende de qual é a temperatura habitual. Geralmente concorda-se que uma pessoa com temperatura de 38 °C ou mais tem febre.

No entanto, uma temperatura acima de 37,8 °C pode ser considerada febre em muitas crianças. Febres podem ocorrer em crianças e adultos e podem ser muito comuns. As febres são frequentemente acompanhadas de sudorese.


Sintomas de febre

Os sintomas da febre podem incluir:

  • Sensação de mal-estar
  • Sensação de calor intenso, suor
  • Calafrios, tremores
  • Batedeira de dentes
  • Apatia, irritabilidade

SintomaDescrição
Alta temperaturaUma temperatura de 37,8°C ou mais
Corpo doloridoSensação de desconforto geral ou mal-estar com músculos doloridos
ArrepiosSensação de frio acompanhada de calafrios
SuandoSuor excessivo, mesmo em repouso
Dores de cabeçaDor na cabeça em aperto, latejante
Perda de apetiteFalta de interesse pela comida


Faixas de febre e sintomas

37,8–38,9 °C – febre leve

Com uma febre leve, você pode ter as bochechas coradas, sentir-se um pouco letárgico e estar quente ao toque. Você geralmente será capaz de realizar atividades diárias normais.

39–39,9 °C – febre alta

Com febre alta, você pode não se sentir bem o suficiente para ir trabalhar, pode ter dores e sentir calor ao toque.

40 °C ou mais – febre muito alta

Com uma febre muito alta, você geralmente vai querer ficar na cama ou ficar inativo – você não se sentirá bem o suficiente para realizar atividades normais. Você pode ter perdido o apetite. Você vai se sentir quente ao toque.


Sugestões de tratamento caseiro para febre

febre

Sugestões para tratar a febre incluem:

  • Tome dipirona ou paracetamol (analgésicos comuns, antipiréticos) em doses adequadas para ajudar a baixar a temperatura.
  • Beba bastante líquido, principalmente água.
  • Evite álcool, chá e café, pois essas bebidas podem causar uma leve desidratação.
  • Esfregue a pele exposta com água morna. Para aumentar o efeito de resfriamento da evaporação, você pode tentar ficar na frente de um ventilador.
  • Evite tomar banhos frios. A pele reage ao frio contraindo seus vasos sanguíneos, que retêm o calor do corpo. O frio também pode causar calafrios, o que pode gerar mais calor.
  • Tente descansar, com repouso na cama.



Quando procurar ajuda médica para uma febre

No entanto, se você for um adulto com outras condições médicas significativas ou se sua temperatura for superior a 39,4 °C, procure atendimento médico.

Se seu filho tiver menos de três meses e tiver febre, ou se você ou seu filho tiverem febre por mais de alguns dias, você deve procurar atendimento médico.

Se você tiver outras condições crônicas de saúde, uma febre pode significar um curso de ação diferente. Leve essa dúvida à consulta sobre o que observar e quando procurar atendimento.


Que temperatura corporal é muito baixa?

Algumas pessoas têm uma temperatura corporal naturalmente baixa, inferior a 37 °C. A temperatura corporal subnormal também pode ser causada por certas condições médicas, incluindo uma infecção.

A hipotermia é uma emergência médica em que a temperatura do corpo cai perigosamente abaixo de 35°C. Essa condição geralmente resulta da exposição prolongada ao frio ou submersão em água fria, momento em que o corpo começa a perder mais calor do que pode gerar.

Em temperaturas abaixo de 35°C, os diferentes sistemas de órgãos do corpo não podem funcionar adequadamente. Sem tratamento, isso pode resultar em falência de órgãos e até morte.


Tabela de temperatura da febre
Medição da temperatura (retal, esofágico, etc.)
ClassificaçãoCelsiusFahrenheit
Hipotermia<35,0° C95.0 °F
Normal36,5 – 37,5 °C97.7 – 99.5 °F
Febre / Hipertemia>37,5 ou 38,3 °C99.5 ou 100.9 °F
Hiperpirexia>40,0 ou 41,5 °C104.0 ou 106.7 °F


Febre na gravidez

Se estiver grávida e tiver uma temperatura de 38,5 °C – ou qualquer febre com duração de três dias, ou mais – deve consultar o seu médico.

É importante monitorar os efeitos da febre em seu bebê.


Quando procurar serviço de emergência por febre?

Consulte o seu médico ou dirija-se imediatamente ao Serviço de Urgência se notar os seguintes sintomas (juntamente com febre):

  • Alucinações
  • Vômito ou náuseas
  • Erupção cutânea
  • Frequência cardíaca rápida.
  • Desmaios
  • Febre com duração maior que 3 dias
  • Dificuldade em respirar e dor no peito, especialmente se tiverem sintomas de COVID-19
  • Dor intensa ou inchaço

Também obtenha ajuda médica se a pessoa tiver uma convulsão (ataque) ou tiver sinais de uma convulsão prestes a acontecer, como espasmos musculares.

Se a febre do adulto for acompanhada de náusea, confusão ou erupção cutânea, ele deve procurar atendimento de emergência, pois esses sintomas podem ser causados por meningite.

Referências citadas4 fontes
  1. 1.
    Mackowiak PA. Concepts of fever. Archives of internal medicine. 1998 Sep 28;158(17):1870-81.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Kluger MJ, Kozak W, Conn CA, Leon LR, Soszynski D. Role of fever in disease. Annals of the new York Academy of Sciences. 1998 Sep;856(1):224-33.
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  3. 3.
    Norman DC. Fever in the elderly. Clinical Infectious Diseases. 2000 Jul 1;31(1):148-51.
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  4. 4.
    Dalal S, Zhukovsky DS. Pathophysiology and management of fever. The Journal of supportive oncology. 2006 Jan 1;4(1):9-16.
    Voltar [4]

Arquivado em: Clínica Médica

Neuralgia occipital (Neuropatia de Arnold)

11 de dezembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Resposta direta: Neuralgia occipital, ou neuropatia de Arnold, pode ser a causa quando a dor vem em choques na nuca e no couro cabeludo. O diagnóstico precisa diferenciar enxaqueca, dor cervical e pontos-gatilho, especialmente quando o toque no nervo reproduz dor.

Critérios que fortalecem a hipótese

Dado clínicoInterpretação
Dor em crises de segundos a minutosCombina mais com neuralgia do que com dor muscular contínua.
Qualidade em choque, facada ou pontadaÉ típica de dor neuralgiforme.
Alodinia ou dor ao tocar o couro cabeludoMostra irritação sensitiva no território do nervo.
Alívio temporário com bloqueio anestésicoAjuda a confirmar o nervo envolvido, embora não dispense julgamento clínico.

O que pode imitar neuralgia occipital

Dor vinda das articulações cervicais altas, tensão muscular suboccipital, cefaleia cervicogênica, enxaqueca, herpes-zóster e alterações estruturais da transição crânio-cervical podem produzir dor na nuca e no couro cabeludo. Por isso, o exame do pescoço, sensibilidade, força, reflexos e história de trauma ou infecção são parte da avaliação.

Tratamento em camadas

O tratamento pode combinar educação, manejo cervical, medicamentos para dor neuropática, bloqueios diagnósticos ou terapêuticos e, em casos refratários, procedimentos como radiofrequência, toxina botulínica, crioterapia ou neuromodulação. O objetivo não é aplicar tudo, mas escolher o nível de intervenção proporcional ao diagnóstico e à resposta.

Dores intensas e crônicas que surgem na região da nuca e irradiam até o ápice do couro cabeludo caracterizam a neuralgia occipital.

RESUMO:

  • A neuralgia occipital é um distúrbio que causa dor intensa na parte de trás da cabeça, pescoço e couro cabeludo.
  • A dor pode ser desencadeada por certos movimentos da cabeça e do pescoço, ou mesmo pelo toque na área afetada.
  • A causa mais comum de neuralgia occipital é a compressão do nervo occipital pelo tecido ou osso circundante.
  • As opções de tratamento para neuralgia occipital podem incluir medicamentos, fisioterapia ou até mesmo cirurgia.
  • Procure avaliação se a dor na nuca ou no couro cabeludo vem em choques, piora ao tocar o trajeto do nervo, aparece após trauma ou vem com febre, déficit neurológico, perda de força ou alteração visual.

Embora a neuralgia occipital não seja uma condição clínica que evolui gerando danos neurológicos irreversíveis, compromete a realização de atividades diárias pelo paciente, por causa dos seus sintomas desconfortáveis e debilitantes[1].


A neuralgia occipital é um tipo distinto de dor de cabeça caracterizada por dor crônica penetrante, latejante ou tipo choque elétrico na parte superior do pescoço, na parte de trás da cabeça e atrás das orelhas, geralmente em um lado da cabeça. Normalmente, a dor da neuralgia occipital começa no pescoço e depois se espalha para cima.

O que é neuralgia occipital?

Neuralgia Occipital
Cesmebasi A, Muhleman MA, Hulsberg P, Gielecki J, Matusz P, Tubbs RS, Loukas M. Occipital neuralgia: anatomic considerations. Clinical Anatomy. 2015 Jan;28(1):101-8.

A neuralgia occipital ocorre quando o nervo occipital maior, cuja origem anatômica encontra-se na região da nuca, é comprimido ou lesionado, desencadeando um quadro doloroso intenso que se estende em toda área inervada por essa estrutura.

Destacamos que além da nuca, o couro cabeludo, entre sua porção medial e seu ápice, é inervado pelo nervo em questão. Isto explica a alteração de sensibilidade percebida durante a escovação do cabelo ou ao pressionar o topo da cabeça, por exemplo.

Ainda, é possível que apenas um dos lados da cabeça do paciente seja afetado pela condição, ou os dois. Ou seja, a localização e consequente percepção dos sintomas podem ser diferentes nos casos em que a condição clínica se faz presente.

Mais um fator importante é a variedade de sintomas, os quais são similares aos de uma cefaleia tensional ou uma enxaqueca. Por isso, é frequente confundir a neuralgia occipital com estas ocorrências.

Logo, é essencial buscar um diagnóstico profissional. Afinal, embora essa neuropatia não acarrete danos neurológicos irreversíveis, costuma ser debilitante para o paciente, por causa da intensidade e constância dolorosa que impede a realização de atividades cotidianas.

É relevante citarmos também que outros nomes associados a esse quadro clínico na prática médica são: neuralgia C2 e neuralgia de arnold.


Sintomas

SintomaDescrição
DorDor aguda, ardente ou latejante na parte de trás da cabeça ou pescoço.
SensibilidadeDolorido ao toque na parte de trás da cabeça ou pescoço.
Dor de cabeçaDor de cabeça na base do crânio.
DormênciaDormência ou formigamento na parte de trás da cabeça ou pescoço.
Espasmos muscularesEspasmos musculares ou aperto na parte de trás da cabeça ou pescoço.
Sensibilidade à luzSensibilidade à luz, som ou movimento.

Padrão de dor

  • Dor na parte de trás da cabeça e pescoço
  • Dor de cabeça atrás do olho
  • Dor ou sensibilidade no couro cabeludo
  • Dor irradiando para o ombro e braço
  • Dor ao virar a cabeça
  • Dor aguda e repentina no pescoço
  • Dor ao movimento do pescoço
  • Dor com atividade extenuante
  • Dor em um lado da cabeça, pescoço e ombro
  • Dor que piora pela manhã

Causas comuns de neuralgia occipital

Dores de cabeca

Como ocorre nos outros tipos de neuralgias, a causa é ou um dano inicial desencadeado no nervo, ou a compressão do mesmo por outra estrutura anatômica ou patológica[2].

Especificamente em relação à neuralgia occipital, ela é comumente relacionada à má postura e a traumas localizados, que surgem a partir de quedas ou pancadas por exemplo, dentre os quais citamos as fraturas na região cervical[3].

Porém, existe uma série de doenças que apresentam associação com a neuralgia C2. A seguir elencamos algumas delas:

  • diabetes;
  • fibromialgia;
  • osteoartrite;
  • gota;
  • vasculite;
  • hérnia de disco cervical.

Além disso, a presença de tumores e/ou processos infecciosos próximos ao nervo occipital pode desencadear o seu pinçamento, compressão ou lesioná-lo.

Enfim, há uma diversidade de causas possíveis para o surgimento da neuralgia de arnold e, por isso, quando os sintomas associados são percebidos é preciso buscar ajuda médica para identificar o motivo inicial que gerou o quadro.

Diagnóstico da neuralgia occipital

PORQUE-FAZER-RESSONANCIA-MAGNETICA

O médico faz o diagnóstico da neuralgia occipital coletando dados do histórico do paciente e dos sintomas relatados, assim como dos sinais identificados no exame físico, o qual pode ser constituído por teste de palpação e de analgesia do nervo C2[4].

A partir destas avaliações detecta-se a presença de dor ao toque ou a ausência de sintomas quando o nervo perde sua sensibilidade, respectivamente.

Logo, verifica-se uma associação dos sinais com o próprio nervo occipital, o que já indica a neuropatia[5].

Porém, para encontrar sua causa específica é comum que sejam pedidos exames complementares, sanguíneos e de ressonância magnética em geral, porque por meio deles identifica-se a presença de alguma patologia ou outro quadro clínico. 

Destacamos, mais uma vez, importante compreender o que faz surgir a neuralgia de arnold para que o tratamento selecionado seja eficiente em eliminá-la completamente e impedir recidivas.

Sintomas de neuralgia occipital também acompanhados de diminuição da sensação de picada e toque nesse lado do couro cabeludo. Pacientes com neuralgia occipital podem, às vezes, relatar dor atrás do olho no mesmo lado da cabeça onde têm dor no couro cabeludo.

Critérios diagnósticos para neuralgia occipital

O comitê para os estudos de cefaléia da International Headache Society propôs critérios para as nevralgias occipitais, a saber:

A- dor referida na distribuição dos nervos occipitais maior ou menor;

B- dor em pontadas mas pode persistir sensação dolorosa entre os paroxismos;

C- sensação dolorosa à palpação sobre o nervo afetado;

D- dor aliviada temporariamente pelo bloqueio anestésico local do nervo apropriado

Diagnóstico Diferencial para Neuralgia Occipital

CondiçãoSintomas
Cefaléia CervicogênicaCefaléia que se origina do pescoço, irradiando-se para a região occipital
Enxaqueca em ClusterCefaléia de intensidade severa, unilateral, com sintomas autonômicos, ocorrendo em clusters
Cefaléia de TensãoCefaléia de intensidade leve a moderada, bilateral, com dor constritiva ou pressionante
EnxaquecaDor de intensidade moderada a severa, pulsátil, que piora com a atividade física e está geralmente associada a náuseas e sensibilidade à luz e ao som
Neuralgia do TrigêmeoDor aguda e pontiaguda no rosto e na mandíbula
Distúrbio da Articulação Temporomandibular (ATM)Dor na mandíbula, pescoço e ombros

Sintomas da neuralgia occipital

cefaleia neuralgia occipital

A neuralgia C2 caracteriza-se por dor intensa, similar a pontadas ou choques elétricos, na região posterior da cabeça, que começa na nuca e atinge o topo do couro cabeludo. Outras áreas que podem apresentar dor são: a testa e os olhos em sua porção posterior.

Junto a dor, mais sinais comumente relatados pelos pacientes são:

  • alteração da sensibilidade na área acometida – aumento ou diminuição;
  • sensação de ardência, queimação e/ou formigamento na cabeça;
  • dificuldade para movimentar o pescoço – rotacionar e/ou flexionar;

Mas, vale ressaltar, que esses mesmos sintomas também podem estar presentes em casos de enxaqueca ou cefaleias de origem primária, o que dificulta o diagnóstico da neuralgia occipital e exige, portanto, uma avaliação bastante detalhada em consultório.

Salientamos que todos esses sinais são incômodos e comprometem a rotina do paciente, impedindo-o muitas vezes de realizar seu trabalho e outras atividades diárias. Portanto, é essencial realizar um tratamento específico e adequado.

Tratamento da neuralgia occipital

virose

Devido ao sintoma principal da neuralgia de arnold ser a dor intensa e em geral debilitante, um dos objetivos do tratamento é o alívio da mesma. Mas, além disso, é primordial tratar a causa, para evitar recidivas do quadro doloroso[6].

Visando reduzir as dores podem ser indicadas as seguintes abordagens:

  • uso de anti-inflamatórios ou relaxantes musculares;
  • medicamentos opioides;
  • realização de compressas quentes;
  • sessões de medidas não invasivas, acupuntura e/ou reabilitação;
  • bloqueio neural através de injeção de analgésico no nervo occipital;
  • utilização de órteses cervicais para reduzir a mobilidade da área.

Em conjunto com as ações acima, com o intuito de minimizar as alterações ocorridas no nervo, podem ser utilizados medicamentos antiepiléticos, antidepressivos, neuromodulares, bem como a técnica de estimulação elétrica transcutânea.

Nome do medicamentoExplicação
Antidepressivos tricíclicosPrescritos para reduzir os sinais de dor no cérebro e, portanto, são frequentemente usados para tratar condições de dor crônica, como neuralgia occipital.
Relaxantes MuscularesUsado para reduzir espasmos musculares e aliviar a dor associada.
Medicamentos anti-convulsivosUsado para reduzir a dor relacionada ao nervo, como a experimentada com neuralgia occipital.
CorticosteróidesPrescrito para reduzir a inflamação e a dor na área afetada.
Bloqueios nervososUm anestésico local é injetado ao redor do nervo occipital para reduzir temporariamente os sinais de dor que ele envia.

Toxina botulínica como complemento

A toxina botulínica do tipo A pode ser uma opção de tratamento complementar para casos refratários[7].

Mecanismo do botox para dor de cabeça e enxaqueca
Botox funciona bloqueando a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina, que envia sinais de dor do cérebro para os músculos do rosto e da cabeça.
Ao bloquear a liberação de acetilcolina, o Botox ajuda a relaxar os músculos da face e da cabeça, diminuindo a intensidade das dores de cabeça e enxaquecas.
Botox também reduz a inflamação nos músculos, o que pode ajudar a reduzir a dor associada a dores de cabeça e enxaquecas.


Tratamentos Não Farmacológicos

Ainda, como é frequente existir uma correlação entre neuralgia occipital e má postura, tratamentos para a correção postural e exercícios físicos como pilates, RPG e Yoga, podem ser medidas efetivas tanto na prevenção como na solução dessa neuropatia.

  • Ajuste quiroprático: envolve manipulações da coluna vertebral que ajudam a reduzir a irritação do nervo e restaurar a função normal.
  • Acupuntura: inserção de agulhas finas em pontos de pressão do corpo para reduzir a inflamação e aumentar o fluxo sanguíneo.
  • Injeções de ponto de gatilho: injetar um anestésico local em músculos doloridos para reduzir a dor.
  • Fisioterapia: Exercícios de fortalecimento da musculatura do pescoço e das costas, além de alongamentos e correção postural.
  • Massagem: aplicação de pressão nos músculos doloridos para aliviar a dor e reduzir a tensão.
  • Técnicas de relaxamento: incluindo meditação, respiração profunda ou atenção plena para reduzir o estresse e promover o relaxamento.
  • Terapia de calor/frio: colocar calor local ou fria na área afetada para reduzir a dor e o inchaço.
  • Terapia cognitivo-comportamental: identificar padrões de pensamento e comportamentos negativos e substituí-los por positivos.

Procedimentos para casos refratários

Procedimentos invasivos ficam reservados para casos persistentes e bem selecionados, quando medidas conservadoras e bloqueios não controlam a dor. O objetivo é modular ou interromper sinais dolorosos, mas não há garantia de eliminar todos os sintomas.

Salientamos que existe uma ampla variedade de técnicas aplicadas e à título de exemplo citamos:

  • a neurectomia, que consiste na retirada de parte do nervo;
  • a rizotomia, caracterizada pelo uso de substâncias químicas ou radiofrequência nas raízes neurais, o que impede a sensibilidade neural geral;
  • a neurólise, cujo objetivo é a destruição total do nervo.

Sinais de alerta na neuralgia occipital

  • Dor de cabeça súbita e muito intensa, febre, rigidez na nuca ou confusão.
  • Fraqueza, alteração visual, perda de sensibilidade progressiva ou dificuldade para falar.
  • Dor após trauma, histórico de câncer, imunossupressão ou piora contínua sem padrão em crises.

Conclusão

É importante lembrar que a neuralgia occipital é uma condição séria que pode causar dor na nuca e na nuca. Pode ser causada por trauma ou lesão, ou por um distúrbio do sistema nervoso central. Os sintomas da neuralgia occipital podem variar de leve a grave e incluem dor aguda e aguda, sensações dolorosas e latejantes na parte de trás da cabeça e pescoço.

O tratamento para neuralgia occipital pode incluir educação, manejo cervical, medicamentos, fisioterapia, bloqueios ou procedimentos em casos refratários. A escolha depende de confirmar o padrão da dor, diferenciar enxaqueca e dor cervical e avaliar resposta às etapas anteriores.

Com diagnóstico e tratamento adequados, a neuralgia occipital pode ser controlada e a dor que ela causa pode ser aliviada.

Fontes e leitura útil

Referências citadas7 fontes
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    Dugan MC, Locke S, Gallagher JR. Occipital neuralgia in adolescents and young adults. New England Journal of Medicine. 1962 Dec 6;267(23):1166-72.
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  4. 4.
    Sodde P, Tunstall RG. Occipital Neuralgia and its treatment. InNerves and Nerve Injuries 2015 Jan 1 (pp. 35-51). Academic Press.
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    Finiels PJ, Batifol D. The treatment of occipital neuralgia: Review of 111 cases. Neurochirurgie. 2016 Oct 1;62(5):233-40.
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    Taylor M, Silva S, Cottrell C. Botulinum Toxin Type‐A (BOTOX®) in the Treatment of Occipital Neuralgia: A Pilot Study. Headache: The Journal of Head and Face Pain. 2008 Nov;48(10):1476-81.
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  • ICHD-3 – Occipital neuralgia
  • NCBI Bookshelf – Occipital Neuralgia

Arquivado em: Dor, Doenças de A-Z, Neurologia

Terapia nutricional no diabetes: como ajuda

11 de dezembro de 2022 by Raísa Vitena da Silva Araújo

Terapia nutricional no diabetes não é uma lista de proibições; é um plano para controlar glicemia, reduzir risco cardiovascular, preservar nutrição e encaixar alimentação, medicamentos e rotina. O efeito de uma refeição depende de porção, tipo de carboidrato, fibras, proteína, gordura, horário, atividade física e remédios em uso.

O que a alimentação muda no diabetes

Carboidratos elevam glicose de formas diferentes conforme quantidade, fibra, processamento e combinação com outros alimentos. Uma bebida açucarada age de modo distinto de feijão com arroz em porção ajustada, legumes e proteína. A terapia nutricional ajuda o paciente a reconhecer padrões, não a decorar medo de alimentos.

O plano também considera peso, colesterol, pressão, rim, hipoglicemia, cultura alimentar, renda, horários de trabalho, apetite e medicamentos. Quem usa insulina ou sulfonilureia precisa cautela com restrição brusca, porque pode haver hipoglicemia.

FerramentaQuando ajudaCuidado
Método do pratoSimplifica refeições.Precisa adaptar por fome e meta.
Contagem de carboidratosÚtil com insulina em muitos casos.Exige educação e monitorização.
Fibras e baixo índice glicêmicoPodem reduzir picos.Porção ainda importa.
Perda de pesoAjuda quando há excesso de peso.Não deve sacrificar massa muscular.

Como transformar em rotina

Uma estratégia prática é começar pela refeição que mais desorganiza a glicemia: café da manhã, jantar tarde, beliscos, bebida adoçada ou fim de semana. Depois, medir resposta com glicemias, A1C, fome, energia e hipoglicemias. Mudar tudo de uma vez pode ser menos sustentável.

O método do prato pode ser um ponto de partida: vegetais sem amido, proteína, carboidrato em porção planejada e bebida sem açúcar. Em alguns pacientes, contagem de carboidratos e ajuste de insulina são mais precisos. Em outros, regularidade, porção e qualidade já melhoram muito.

Levar: glicemias, remédios, hipoglicemias e rotina alimentar.
Evitar: dieta extrema sem ajuste de medicação.
Priorizar: fibras, proteína, porções e consistência.
Individualizar: rim, gestação, idosos, GLP-1 e insulinoterapia.

Quando a orientação precisa ser individual

Doença renal, gestação, idosos frágeis, transtorno alimentar, cirurgia bariátrica, uso de GLP-1, perda de peso involuntária ou hipoglicemias frequentes mudam o plano. A orientação nutricional deve melhorar saúde sem aumentar culpa, medo de comer ou cortes inviáveis.

O que observar depois de mudar a dieta

Observe glicemias antes e depois das refeições quando indicado, episódios de hipoglicemia, fome, saciedade, constipação, energia e peso. Se a glicose melhora à custa de fraqueza ou restrição extrema, o plano não está equilibrado.

O objetivo é criar uma rotina que o paciente consiga repetir, não uma semana perfeita seguida de abandono.

Como interpretar carboidratos sem criar medo de comida

No diabetes, carboidrato não é inimigo único. O que importa é quantidade total, qualidade, velocidade de absorção e contexto da refeição. Arroz, pão, fruta, leite, feijão, mandioca e aveia podem ter papéis diferentes conforme porção, fibra, proteína, horário e medicação. A mesma porção pode gerar resposta distinta em pessoas diferentes, por isso o acompanhamento deve combinar orientação e dados reais do paciente.

Quando há monitorização capilar ou sensor, vale observar padrões em vez de reagir a um ponto isolado. Um pico ocasional após refeição muito diferente não significa fracasso. Picos repetidos após a mesma refeição mostram oportunidade de ajustar porção, trocar combinação, caminhar depois de comer ou revisar medicamento.

Risco cardiovascular e rim também entram no prato

Terapia nutricional para diabetes não mira apenas glicose. Pressão, LDL, triglicerídeos, função renal e peso corporal mudam a recomendação. Uma pessoa com doença renal pode precisar ajustar proteína, sódio, potássio ou fósforo; alguém com risco cardiovascular alto se beneficia de padrão alimentar com menos ultraprocessados, gordura trans e excesso de sódio. Por isso, a orientação deve olhar exames e medicamentos, não só a pergunta “pode comer?”.

O melhor plano é mensurável: A1C, glicemias, hipoglicemias, peso, circunferência, energia, fome e adesão. Se a dieta melhora um número e piora qualidade de vida, ela precisa ser revista. Sustentabilidade faz parte da segurança.

Como evitar extremos comuns

Um erro é transformar todo carboidrato em ameaça. Outro é ignorar que porção e bebida açucarada podem desorganizar a glicemia por dias. A orientação equilibrada reconhece que arroz, cuscuz, pão ou fruta podem caber no plano, mas exige contexto: quanto, com o quê, em que horário e com qual resposta glicêmica.

Dietas muito restritivas podem reduzir calorias e glicose por pouco tempo, mas também aumentar compulsão, perda de massa muscular, hipoglicemia e abandono. Em pacientes idosos ou com doença renal, restrições sem acompanhamento são especialmente problemáticas. O plano deve preservar proteína adequada, fibras, hidratação e prazer possível em comer.

O papel dos medicamentos na leitura da dieta

Metformina, insulina, sulfonilureias, inibidores de SGLT2, agonistas de GLP-1 e outros remédios mudam fome, peso, risco de hipoglicemia, hidratação e tolerância gastrointestinal. Quando o medicamento muda, a dieta também pode precisar de ajuste. Sintomas como náusea, baixa ingestão ou hipoglicemia devem ser relatados, não compensados com cortes aleatórios.

Quando encaminhar para nutricionista

Encaminhamento é especialmente útil quando há A1C fora da meta apesar de tratamento, hipoglicemias, doença renal, gestação, perda de peso involuntária, obesidade com múltiplas tentativas frustradas, transtorno alimentar, uso de insulina ou dúvida persistente sobre porções. O nutricionista não serve apenas para entregar cardápio; ele traduz metas clínicas em rotina possível.

Resultado bom é aquele que o paciente consegue repetir

Uma refeição considerada perfeita, mas inviável para trabalho, família e orçamento, raramente se mantém. O plano deve caber na compra, no tempo de preparo e nos alimentos culturais da pessoa. Trocas simples, feitas todos os dias, costumam ter mais valor clínico do que regras difíceis mantidas por pouco tempo.

A insulina é um hormônio anabólico sintetizado pelas células betapancreáticas que está envolvido no metabolismo dos carboidratos, proteínas e gordura.

No caso do Diabetes Mellitus Tipo 1, a hiperglicemia ocorre pela deficiência na secreção de insulina, que progride para ausência total deste hormônio.

No Diabetes Mellitus Tipo 2, a hiperglicemia é resultado tanto da resistência à ação da insulina como por deficiência na secreção deste hormônio.

Os gastos médicos relacionados ao tratamento do paciente a nível hospitalar, ambulatorial e o cuidado total em domicílio, além do custo indireto, como a incapacidade, a perda do emprego e a morte prematura são bastante elevadas.

Dessa forma, o aporte da terapia nutricional no tratamento do diabetes representa um grande potencial para reduzir custos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes devido à redução do risco de complicações e mortalidade prematura.


Importância da Nutrição

Importância da dieta e nutrição para diabetes tipo 2
Manter uma dieta saudável e seguir as orientações nutricionais pode ajudar as pessoas com diabetes tipo 2 a controlar seus níveis de açúcar no sangue, reduzir o risco de complicações e se sentir melhor.
Comer uma variedade de alimentos ricos em nutrientes nas proporções certas pode ajudar a prevenir flutuações de açúcar no sangue.
Escolher alimentos com baixo índice glicêmico ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue estáveis.
Limitar o tamanho das porções e comer lanches saudáveis pode evitar comer demais.
Manter-se hidratado bebendo quantidades adequadas de água pode ajudar a manter os níveis de açúcar no sangue sob controle.
Reduzir a ingestão de sódio pode ajudar a melhorar a pressão arterial.
Incluir alimentos ricos em fibras na dieta ajuda a retardar a absorção de glicose.
Consumir gorduras saudáveis pode ajudar a reduzir os níveis de colesterol.


Influência do Diabetes Mellitus no metabolismo e estado nutricional

como tratar diabetes

A disglicemia, termo que se refere a uma anormalidade na estabilidade da glicose sanguínea, resulta em consequências no metabolismo energético. Na incapacidade de usar a glicose como fonte de energia, por ausência de insulina, o organismo utiliza as proteínas e gorduras como substrato energético.

Assim, essa alteração metabólica causa frequentemente perda de peso involuntária no indivíduo, compromete seu estado nutricional e pode piorar o quadro de hiperglicemia, desenvolver cetoacidose diabética e até coma.

A desnutrição em decorrência da hiperglicemia e do catabolismo orgânico pode levar ao comprometimento do sistema imunológico e aumentar o risco de infecções, o que piora o estado geral do paciente.

Já nos casos em que há resistência dos tecidos periféricos à ação da insulina, o corpo provoca um aumento de glucagon com estímulo à proteólise e à lipólise, consequentemente, desenvolve o quadro de hiperglicemia. Entretanto, a cetose é raramente encontrada e o paciente mantém um estado nutricional de eutrofia ou na faixa de sobrepeso e obesidade.


Impacto do estado nutricional no desenvolvimento do Diabetes Mellitus

acucar e diabetes

O estado nutricional tem impacto tanto no desenvolvimento quanto na evolução do diabetes. Existe um risco maior de desenvolvimento do diabetes tipo 2 em pessoas com sobrepeso ou obesidade.

Em pacientes com excesso de peso e resistência à insulina, a intervenção dietética, com a restrição energética e redução no consumo de gorduras saturadas, associado à prática de atividade física regular e redução moderada de peso, definida como a redução sustentada de 5 a 7% do peso corporal inicial, melhoram a sensibilidade à insulina, logo, contribuem no controle glicêmico.

Então, a avaliação do estado nutricional nos indivíduos com Diabetes Mellitus é uma ferramenta importante para identificar e tratar possíveis alterações no peso. Os dados usados para avaliação antropométrica na prática clínica compreendem o peso, altura, índice de massa corporal, pregas cutâneas e circunferências.

Nos adultos, em especial, a circunferência da cintura considerada elevada (Homens ≥ 102 e Mulheres ≥ 88), pode estimar o risco cardiovascular que é a principal causa de mortalidade no Diabetes tipo 2.

Por isso, é fundamental classificar a obesidade com base na distribuição da gordura corporal, e não apenas através do índice de massa corporal.

Pacientes com Diabetes Mellitus Tipo 2 que não são classificados com obesidade, segundo o IMC, quase sempre apresentam aumento no percentual de gordura corporal, sobretudo na região abdominal.


Quando indicar a terapia nutricional?

A indicação da Terapia Nutricional, independente da sua via de administração (oral, enteral ou parenteral), leva em consideração os mesmo parâmetros para os pacientes não diabéticos: no geral em situações de contraindicação da via oral e/ou enteral; ou quando a via oral for insuficiente, mesmo com a prescrição de suplemento oral; e com a função gastrintestinal preservada ou não.

O que difere é que normalmente os pacientes diabéticos seguem um regime alimentar específico.

Além disso, para atingir seus objetivos, a terapia nutricional deve ser individualizada e ajustada às necessidades de cada paciente, pois a manutenção do adequado estado nutricional pode sofrer interferência, como nos casos de aumento das necessidades nutricionais pelo estresse catabólico, uso de medicações que interferem no controle glicêmico e inapetência causada pela doença.


Terapia Nutricional Clínica para Diabetes

rotulos-dos-alimentos

Por muito tempo, foi encorajada a prescrição nutricional restritiva e com exclusão total de alimentos com sacarose. De fato, o consumo de carboidrato influencia diretamente os níveis de glicose pós-prandial, sendo este o macronutriente de maior atenção no manejo glicêmico.

No entanto, a terapia nutricional está mais focada no equilíbrio dos macronutrientes para a manutenção de um bom controle metabólico.

Atualmente, o tratamento dietético no diabetes engloba uma abordagem não somente prescritiva, mas também de caráter mais subjetivo, ter um olhar comportamental, colocando o paciente no centro do cuidado.

Esse manejo considera o quão disposto o paciente está para mudar, suas preferências pessoas, possibilitando, adaptações às recomendações e realizando uma tomada de decisão conjunta (profissional e paciente).

O Guia Alimentar para a População Brasileira incentiva o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias em vez de alimentos ultraprocessados, visando o consumo saudável e o combate à obesidade.

Para auxiliar na prescrição nutricional, existem algumas diretrizes baseadas em evidências científicas, que descrevem as recomendações nutricionais nos pacientes com diabetes, levando em consideração o controle metabólico e glicêmico.

Veja a seguir algumas das principais recomendações de macronutrientes:


Quadro 1. Recomendação das necessidades nutricionais para pessoas com diabetes mellitus

VETCHOSacarosePTNLIPFibrasVitaminas e minerais
Projeto Diretrizes, 2005De acordo com as necessidades individuais55% do VET–12-16% do VETmenos de 30% do VET20 a 35g/dSeguem as recomendações da população sem diabetes
ADA, 2019De acordo com as necessidades individuaisDe acordo com as necessidades individuaisOs Açúcares são fortemente desencorajados1-1,5 g/kg/dia (15-20% do VET)20 a 25% do VETMínimo 14g/1.000 kcalSeguem as recomendações da população sem diabetes
SBD, 2019-2020De acordo com as necessidades individuais45 a 60%; é possível usar padrões alimentares com menor teor de carboidratos para DM2 de forma individualizada e acompanhada por profissional especializadoMáximo 5 a 10% do VET1-1,5 g/kg/dia (15-20% do VET)20 a 35% do VETMínimo 14g/1.000 kcal para DM1;  20g/1.000 kcal para DM2Seguem as recomendações da população sem diabetes
BRASPEN, 202025 a 35 kcal/kg de peso, em Hospitalização ou terapia nutricional domiciliar45-60%, mas é essencial que a distribuição seja individualizadamenos de 5% do VET1-1,5 g/kg/diamenos de 30% do VETMínimo 14g/1.000 kcalSeguem as recomendações da população sem diabetes

VET: valor energético total; CHO: carboidrato; PTN: proteína; LIP: lipídeos.

ADA: American Diabetes Association; SBD: Sociedade Brasileira de Diabetes;

BRASPEN: Brazilian Society of Parenteral and Enteral Nutrition

 

Na leitura de hoje, você conferiu a importância da terapia nutricional no tratamento do diabetes, melhorando a qualidade de vida do indivíduo, seu quadro clínico e contribuindo para a prevenção de complicações da doença.

Fontes e leitura útil

  • ADA: Standards of Care in Diabetes
  • Diabetes Care: health behaviors and nutrition standards
  • CDC: healthy eating with diabetes
  • American Diabetes Association: meal planning
  • Diabetes Canada: nutrition therapy

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

Arquivado em: Nutrição

Mancha no peito: tipos, sinais e quando avaliar

11 de dezembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Alterações de pele, unhas ou cabelo precisam ser avaliadas por evolução, localização, cor, textura, dor, coceira, sangramento, produtos usados e resposta a tentativas anteriores. Procedimentos, ácidos, pomadas ou antibióticos fazem mais sentido depois de separar irritação, infecção, inflamação, trauma e alterações persistentes.

Mancha no peito pode ter causas benignas, como atrito, micose, alergia ou alteração hormonal, mas também precisa ser observada quando muda de cor, cresce, sangra, coça muito, forma ferida ou aparece junto de alteração na mama.

A partir dos 50 anos, é comum surgir manchas escuras nos seios da mulher, chamadas manchas de idade, que ocorrem pelo deterioramento das células. A gravidez é outro motivo para as manchas nos seios, pois é uma fase marcada por mudanças físicas, psicológicas e hormonais.


Fatores que Contribuem para Manchas nos Seios

Doenças como pitiríase versicolor e lentigos também podem causar manchas nos seios. A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica que surge de forma superficial na pele causando o aparecimento de manchas ovais ou redondas em várias partes do corpo, como também nos seios. Lentigos são manchas pigmentadas marrons que podem aparecer nos seios como resultado do aumento do funcionamento dos melanócitos.

Uma nova mancha na pele, em muitos casos, pode até não indicar sérios riscos à saúde, mas é muito importante ficar atento a possíveis alterações na pele que possam revelar algum tipo de câncer.

mancha no peito

Como Identificar Sinais de Câncer de Mama

O câncer de mama é o mais comum diagnosticado em mulheres, sendo a segunda maior causa de morte por câncer entre as mulheres no mundo. Esse tipo de câncer evolui silenciosa e é geralmente descoberto por meio de exames de rotina. No entanto, a doença com o tempo começa a manifestar sintomas como um nódulo mamário, alteração da forma e do tamanho da mama, secreção mamilar e manchas nos seios.

Vermelhidão ao redor dos seios ou no mamilo são sinais de câncer de mama. As manchas podem se manifestar em colorações mais escuras, amareladas ou até roxas, acompanhadas de coceira e descamação. Se você notar essas alterações de cor e não houver nenhum outro motivo aparente, não hesite em consultar um médico.

Fatores de risco para câncer de mama

  • Idade: As chances de desenvolver câncer de mama aumentam com o avanço da idade da população feminina;
  • Sexo: Existe o câncer de mama masculino, mas a maioria dos cânceres de mama acontece em mulheres;
  • Histórico de câncer de mama: Um histórico de câncer em uma das mamas aumenta as chances de um segundo câncer na mama contralateral;
  • Histórico familiar e fatores de risco genéticos: Parentes de primeiro grau de pacientes com câncer de mama possuem um risco maior de desenvolver a doença. Muitos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores genéticos;
  • Fatores de risco reprodutivos: Os processos reprodutivos que aumentam a exposição ao estrogênio ao longo da vida de uma mulher também aumentam as chances de desenvolver o câncer de mama, incluindo o início da menarca antes dos 12 anos, primeiro parto após os 30 anos e menopausa após os 55 anos de idade;
  • Utilização de hormônios exógenos: Estrogênio e progesterona terapêuticos usados ​​para contracepção e terapia de reposição hormonal contribuem para o desenvolvimento do câncer de mama.

Como é o tratamento para o câncer de mama?

Existem vários tipos de tratamentos para a doença. O tratamento escolhido dependerá do tipo e estágio da doença.

O tratamento local inclui a cirurgia e radioterapia. A cirurgia e radioterapia tem o papel de controlar localmente a doença. A mastectomia radical remove todo o tecido mamário com grande parte da pele e os gânglios linfáticos axilares, preservando os músculos peitoral maior e menor. A mastectomia simples remove apenas a mama sem dissecção axilar. A radioterapia é um tratamento que traz benefícios em tumores grandes, maiores do que 5 cm, ou se o tumor invadir a pele ou a parede torácica.

Quando há o risco de metástase, o tratamento sistêmico é indicado na forma de quimioterapia, terapia hormonal ou imunoterapia, envolvendo medicamentos que são administrados por via oral ou diretamente no sangue para atingir as células cancerígenas em qualquer área do corpo. Quando o câncer está localmente avançado, o tratamento sistêmico é utilizado como terapia paliativa com um papel pequeno ou nenhum para a cirurgia. Estudos recentes demonstraram que o uso prolongado de tamoxifeno diminui os riscos de recorrência e mortalidade por câncer de mama.

radioterapia

Pacientes com câncer de mama são aconselhadas a realizarem acompanhamento por toda a vida para detectar recorrências e disseminação. Para isso, a mamografia é recomendada anualmente.

Se você possui histórico familiar e faz parte dos fatores de risco, é recomendado que faça o autoexame das mamas mensalmente, no 7º ou 8º dia após o início da menstruação, de preferência. Se você tem entre 20 e 40 anos, realize o exame das mamas a cada 3 anos. Se possui mais de 40 anos, é indicado realizar o exame anualmente.

Se a mancha no seio não estiver associada ao câncer de mama, o médico deverá avaliar as causas para indicar o melhor tratamento, o que poderá incluir o uso de cremes despigmentantes, peeling ou sessões de laser.

A pele reflete como está a saúde do nosso corpo, então fique sempre atento a qualquer alteração que surgir. Consulte um médico de confiança e permita com que esse profissional realize um diagnóstico que lhe proporcionará o tratamento mais adequado.

O que observar na pele

Em Mancha no peito: tipos, sinais e quando avaliar, aparência isolada raramente conta toda a história. Tempo de evolução, crescimento, mudança de cor, sangramento, dor, coceira, exposição solar, atrito e produtos usados ajudam a separar irritação, infecção, inflamação, acne, alergia e lesões que precisam de exame direto.

DadoUso na avaliação
TempoLesões recentes e antigas têm hipóteses diferentes.
MudançaCrescimento, ferida persistente ou sangramento merecem cautela.
ProdutosÁcidos, corticoides, clareadores e antibióticos podem irritar ou mascarar sinais.
Fotos seriadasAjudam a comparar evolução com luz semelhante.

Evite alternar muitos produtos ao mesmo tempo. Quando há piora após uma intervenção, registrar exatamente o que foi usado facilita identificar irritação, alergia, infecção ou expectativa irrealista.

Fontes úteis

ALKABBAN, F. M.; FERGUSON, T. Breast Cancer. National Library of Medicine. StatPearls. 2021.

OLIVEIRA, J. R. Pitiríase Versicolor. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 77, n. 5, p. 611-618. 2002.

  • AAD: dermatologia para o público
  • MedlinePlus: pele, cabelo e unhas
  • FDA: dispositivos estéticos

Arquivado em: Dermatologia, Ginecologia e Obstetrícia

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