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Fibromialgia além da dor: sintomas e sinais

7 de setembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Fibromialgia não é apenas dor difusa: fadiga, sono não reparador, rigidez, sensibilidade aumentada, dificuldade de concentração, cefaleia, sintomas intestinais e piora após esforço também podem fazer parte do quadro. Esses sintomas são reais, mas precisam ser diferenciados de doenças inflamatórias, neurológicas, hormonais e efeitos de medicamentos.

Por que tantos sintomas aparecem juntos

Fibromialgia envolve alteração no processamento da dor e maior sensibilidade do sistema nervoso. Isso ajuda a explicar por que dor, sono, fadiga, atenção, humor e tolerância ao esforço podem piorar em conjunto. Não é sinal de fraqueza nem prova de que “está tudo na cabeça”.

Ao mesmo tempo, sintomas fora da dor não devem ser jogados automaticamente na conta da fibromialgia. Anemia, hipotireoidismo, apneia do sono, doenças autoimunes, neuropatias, depressão grave e medicamentos podem produzir sintomas parecidos.

SintomaNa fibromialgia pode serQuando investigar mais
FadigaCansaço persistente e oscilante.Perda de peso, febre, anemia.
Sono ruimAcordar sem recuperar.Ronco intenso, pausas respiratórias.
Fibro fogLentidão mental e atenção baixa.Confusão aguda ou déficit neurológico.
RigidezCorpo travado pela manhã.Articulação quente/inchada.

Fadiga e sono

A fadiga da fibromialgia não é apenas preguiça. Ela pode vir mesmo depois de dormir, piorar após esforço e limitar tarefas simples. Sono não reparador alimenta dor e reduz tolerância ao movimento, criando ciclo de piora.

Investigar insônia, apneia, pernas inquietas, horários irregulares, ansiedade, álcool e medicamentos sedativos pode melhorar o tratamento. Dormir melhor não cura todos os sintomas, mas muda a capacidade de lidar com eles.

Dor: é só uma parte do quadro.
Sono: afeta dor, memória e energia.
Cognição: fibro fog é reconhecida.
Alerta: sintomas novos pedem revisão.

Cognição e humor

Fibro fog pode aparecer como dificuldade de lembrar palavras, organizar tarefas, manter foco, estudar ou trabalhar por blocos longos. Humor ansioso ou depressivo pode coexistir e piorar sofrimento, mas não invalida a dor.

O tratamento pode incluir educação, exercício gradual, sono, psicoterapia quando indicada e medicamentos selecionados. A meta é melhorar função e reduzir crises, não prometer desaparecimento completo de todo sintoma.

Como acompanhar sintomas além da dor

Registre sono, fadiga, atividade, crises, concentração, humor e resposta a remédios. Se só a nota de dor é acompanhada, parte importante do tratamento fica invisível. Função diária é um marcador mais útil para ajustar o plano.

Quando reavaliar

Se sintomas mudam abruptamente, se surge fraqueza objetiva, febre, perda de peso, desmaio, alteração de fala, articulação inchada ou confusão, o diagnóstico de fibromialgia deve ser rechecado. Ter fibromialgia não protege contra outras doenças.

Sintomas autonômicos e sensibilidade

Algumas pessoas relatam tontura ao levantar, palpitações, sensibilidade a luz, sons, cheiros, frio, calor ou toque. Esses sintomas podem coexistir com fibromialgia, mas precisam ser descritos com cuidado para avaliar pressão, sono, ansiedade, medicamentos e outras condições.

A sensibilidade aumentada também pode fazer procedimentos, massagens fortes ou treinos intensos gerarem crise. Isso não significa fragilidade permanente; significa que a progressão precisa ser mais gradual.

Como montar metas

Escolha dois ou três marcadores além da dor: acordar menos cansado, caminhar mais minutos, reduzir faltas no trabalho, conseguir ler, diminuir crises pós-esforço ou reduzir uso de analgésico. Metas funcionais ajudam a ver progresso quando a dor não desaparece completamente.

Por que o pós-esforço confunde

Muitas pessoas com fibromialgia pioram depois de atividade acima da tolerância. Isso pode levar a evitar movimento, o que reduz condicionamento e aumenta sensibilidade. O plano precisa encontrar uma dose inicial baixa o suficiente para ser repetida.

Progredir devagar não é fazer pouco para sempre. É permitir que o corpo aprenda tolerância sem tratar cada tentativa como crise de dois dias. Essa lógica vale para caminhada, musculação, tarefas domésticas e trabalho.

Também vale revisar efeitos de medicamentos. Remédios para dor, sono, alergia ou ansiedade podem melhorar um sintoma e piorar sonolência, memória ou boca seca. Ajuste deve mirar função global.

O plano deve incluir dias ruins. Ter uma estratégia para reduzir carga, manter movimento leve e retomar gradualmente evita o ciclo de crise, repouso total e medo de voltar.

Essa previsibilidade reduz culpa e ajuda família, trabalho e equipe a entenderem que os sintomas oscilam. Também melhora adesão e planejamento diário.

Os sintomas da fibromialgia são caracterizados por dor muscular e sensibilidade. Esse distúrbio amplifica a maneira pela qual o cérebro recebe sinais de dor de diferentes estímulos e causa dor generalizada no sistema musculoesquelético.

Além da dor em várias partes do corpo, a fibromialgia geralmente causa graves alterações de humor, depressão, fadiga crônica e distúrbios do sono devido ao nível de dor experimentado. Todos esses fatores se combinam para diminuir a qualidade de vida daqueles que foram diagnosticados com esse distúrbio.

Como o nome indica, a fibromialgia refere-se a um padrão de dor generalizada em todo o corpo, sem sinais visíveis de inflamação ou alteração. Pessoas de todas as idades sofrem desta condição, mas as mulheres são mais propensas a sofrer com isso.

A fibromialgia pode ocorrer sozinha ou se sobrepor a várias doenças e síndromes.

Ilustracao Fibromialgia

Principais sintomas e complicações da fibromialgia


Os principais sintomas da fibromialgia são dor dolorida; ternura ao toque; e rigidez nos músculos, tendões e ligamentos.

O pescoço, ombros, abdômen, parte inferior das costas, braços e coxas são as partes mais propensas a serem afetadas.

A dor pode se espalhar uniformemente por uma grande área.


Outros sintomas da fibromialgia

Outros sintomas da fibromialgia além da dor

A fibromialgia também pode causar fadiga crônica, ansiedade e depressão, dores de cabeça, problemas intestinais e problemas respiratórios.


SintomasCausas e Explicação
FadigaA fadiga é um dos sintomas mais comuns e debilitantes da fibromialgia. É caracterizada por uma sensação avassaladora de exaustão que persiste mesmo após repouso ou sono. A causa exata desse sintoma é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a níveis anormais de hormônios e neurotransmissores no corpo.
Deficiência cognitivaO comprometimento cognitivo, também conhecido como “fibro nevoeiro”, é um sintoma comum da fibromialgia. É caracterizada por problemas de concentração, memória e raciocínio. A causa desse sintoma é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a mudanças na química e na estrutura do cérebro.
Distúrbios do sonoOs distúrbios do sono são um sintoma comum da fibromialgia. Eles incluem dificuldade para dormir, acordar com frequência durante a noite e sentir-se inquieto após uma noite inteira de sono. A causa desse sintoma é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações nos níveis hormonais e na atividade do neurotransmissor.
Síndrome do intestino irritável (SII)IBS é um sintoma comum de fibromialgia. É caracterizada por dor abdominal, inchaço, gases, constipação e diarréia. A causa desse sintoma é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações no sistema nervoso autônomo e nas bactérias intestinais.
Sensibilidade à luz e ao somPessoas com fibromialgia geralmente apresentam sensibilidade à luz e ao som. É caracterizada por uma sensibilidade excessiva à luz e ao som, que pode ser dolorosa ou desconfortável. A causa desse sintoma é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a mudanças na química do cérebro.


Muitas vezes não há dor, sensibilidade, vermelhidão ou calor nas articulações das pessoas que apresentam esses outros sintomas.

A fibromialgia também pode ser expressa através de vários sintomas não específicos que levam muitas vezes a um diagnóstico errôneo de osteoartrite, síndrome do intestino irritável, bursite ou tendinite.

Esses sintomas inespecíficos incluem:

  • Sintomas da síndrome do intestino irritável, como dor de estômago, constipação,
  • inchaço e diarreia
  • Micção frequente
  • Sensibilidade à mudança de temperatura e luz

  • Secura nos olhos, nariz e boca
  • Rigidez em todo o corpo
  • Dores de cabeça

A fibromialgia também pode coexistir com uma série de condições médicas, como:

  • Síndrome da fadiga crônica
  • Distúrbios da Articulação Temporomandibular
  • Enxaqueca e/ou dores de cabeça tensionais
  • Dor crônica
  • Síndrome de taquicardia postural
  • Síndrome da dor regional
  • Síndrome da bexiga dolorosa
  • Síndrome do intestino irritável


Sintomas da fibromialgia

A depressão é o sintoma mais difícil da fibromialgia para a maioria dos pacientes.

Como resultado, quem sofre de fibromialgia pode ficar incapaz de funcionar. Seus relacionamentos se deterioram e outras situações em sua vida podem sair do controle.

  • Fadiga: A fadiga pode ser um sintoma difícil de descrever para os outros, porque todos sabem como é estar cansado. No entanto, a fadiga da fibromialgia é muito mais do que apenas estar cansado. É uma exaustão generalizada e abrangente que pode interferir até mesmo nas atividades diárias mais básicas e simples.
  • Alterações no humor (ansiedade, depressão): São comuns, afetando mais de 50% das pessoas que sofrem da fibromialgia. A presença de sintomas e alterações no humor atrasa e pode atrapalhar o processo de reabilitação.
  • Alterações na concentração (fibro fog): Sensação de cabeça vazia, pensamento mais lento, dificuldades de concentração, perda de performance no trabalho também são queixas comuns.
  • Alodinia: isso significa que algo que não deveria ser doloroso, como a sensação da água do chuveiro em seus ombros, pode ser traduzido pelo seu cérebro e sentido como dor.
  • Hiperalgesia: pacientes com fibromialgia são mais sensíveis à dor, o que significa que algo que deveria causar apenas uma dor mínima pode parecer uma lesão grave.
  • Síndrome do Intestino Irritável: problemas digestivos e intestinais são comuns em pacientes com fibromialgia, causando diarreia, constipação e outros problemas relacionados.
  • Bexiga irritável: como na Síndrome do Intestino Irritável, os problemas da bexiga podem ser comuns, o que significa que os pacientes podem precisar ir ao banheiro com mais frequência.
  • Problemas com o sono (insônia): estar com dor, assim como os outros sintomas que a acompanham, pode, compreensivelmente, dificultar o sono. Mesmo quando o sono é possível, muitas vezes não é reparador, o que significa que não sentimos nenhum benefício com isso.
  • Alterações no controle de temperatura: a fibromialgia pode dificultar o controle de sua temperatura, o que significa que estamos muitas vezes com muito frio ou com ondas de calor.


Como é diagnosticada a fibromialgia?

A dor é a marca registrada da fibromialgia e é usada no diagnóstico dessa condição. De acordo com as diretrizes de diagnóstico do American College of Rheumatology, os indivíduos devem estar com dor generalizada e contínua por pelo menos 3 meses para serem considerados como diagnósticos por um médico.

A fibromialgia imita várias condições médicas (como várias formas de doenças reumáticas, transtornos mentais e distúrbios neurológicos) com base no compartilhamento de sintomas comuns. Não existe um teste diagnóstico específico para a fibromialgia, embora um médico possa prescrever um conjunto de testes para descartar outras condições.

Acredita-se agora que a fibromialgia seja, pelo menos em parte, um distúrbio do processamento central da dor que produz respostas aumentadas a estímulos dolorosos (hiperalgesia) e respostas dolorosas a estímulos não dolorosos (alodinia).


Um diagnóstico difícil: por que a fibromialgia é subtratada

Como a fibromialgia não tem exames de imagem ou de laboratório, seu diagnóstico pode ser demorado.

Os médicos geralmente só chegam a um diagnóstico de fibromialgia após descartarem muitos outros possíveis problemas de saúde. Infelizmente, familiares, amigos e até médicos de pacientes com fibromialgia podem questionar os sintomas ou a extensão da dor.

O tratamento da fibromialgia envolve medidas não farmacológicas (fisioterapia, alimentação, reabilitação, psicologia) e tratamentos farmacológicos (antidepressivos, anticonvulsivantes, neurolépticos, analgésicos).

Tratamento pela psicologia

Terapias psicológicas e cursos de autogerenciamento são benéficos para pessoas que vivem com fibromialgia. A educação sobre a natureza da condição pode fornecer a base para terapias psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que são normalmente baseadas no comportamento e lidam com a ligação entre dor, pensamentos (humor) e comportamento (estratégias negativas de enfrentamento).

Estudos também descobriram que combinar elementos de educação, exercícios e TCC em intervenções multicomponentes pode ter efeitos positivos de curto prazo nos principais sintomas da fibromialgia. Além disso, há evidências moderadas de uma revisão sistemática e um resumo de revisões sobre o benefício das terapias mente-corpo, incluindo hipnoterapia, biofeedback e redução do estresse.

Viver com uma doença crônica como a fibromialgia pode ser uma experiência difícil e avassaladora, mas terapias psicológicas e cursos de autogerenciamento podem fornecer o alívio necessário. A educação pode servir como uma base importante para terapias psicológicas, como a TCC, que pode ajudar a reduzir a dor, o humor negativo e a incapacidade.

Busque avaliação médica especialista em dor.

Fontes e leitura útil

  • AAFP: Fibromyalgia Diagnosis and Management
  • American College of Rheumatology: Fibromyalgia
  • Mayo Clinic: Fibromyalgia Symptoms and Causes

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Dor, Neurologia

Déficit calórico: como calcular sem exageros

7 de setembro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Déficit calórico significa consumir menos energia do que o corpo gasta, mas calcular isso com precisão perfeita é impossível na vida real. O mais útil é criar um déficit moderado, sustentável e acompanhado por sinais de saúde, fome, força, sono e relação com comida.

Como calcular sem exagerar

Fórmulas estimam gasto energético, mas erram em indivíduos. Aplicativos também erram por porção, rótulo e registro incompleto. Por isso, use cálculo como ponto de partida, não como verdade absoluta. A resposta do corpo ao longo de semanas vale mais do que um número isolado.

Déficits muito agressivos podem aumentar fome, compulsão, perda de massa magra, queda de desempenho, irritabilidade e abandono. Déficit moderado, proteína adequada, fibras, treino de força e sono costumam ser mais sustentáveis.

MarcadorBom sinalRevisar se
PesoTendência gradual.Queda rápida demais.
ForçaMantém ou cai pouco.Despenca.
FomeControlável.Compulsão/obsessão.
SaúdeSono e exames estáveis.Tontura, fraqueza, amenorreia.

Quando não calcular sozinho

Gestantes, adolescentes, idosos frágeis, pessoas com transtorno alimentar, diabetes em uso de remédios, doença renal, atletas em temporada e pacientes com perda de peso involuntária precisam de orientação individual. Nesses casos, cortar calorias sem contexto pode ser perigoso.

Também é importante evitar transformar alimento em moral. Déficit é ferramenta fisiológica, não julgamento. O plano precisa preservar vida social, prazer possível e adequação nutricional.

Começo: estimativa, não certeza.
Priorizar: proteína, fibras, força e sono.
Evitar: corte extremo e culpa alimentar.
Acompanhar: tendência e sintomas.

Como criar déficit sem perder qualidade

Uma estratégia prática é ajustar primeiro bebidas calóricas, porções muito grandes, beliscos frequentes e ultraprocessados de alta densidade energética. Depois, aumentar saciedade com proteína, legumes, frutas, grãos integrais e refeições mais previsíveis. O déficit aparece do conjunto, não de um alimento isolado.

Treino de força ajuda a preservar massa magra. Caminhada e atividade diária aumentam gasto sem exigir sempre treinos exaustivos. Sono ruim e estresse podem aumentar fome e reduzir adesão, então também fazem parte do plano.

Quando o cálculo está atrapalhando

Se contar calorias gera ansiedade intensa, culpa, isolamento, episódios de compulsão ou medo de comer, a ferramenta deixou de ajudar. Nesse cenário, acompanhamento nutricional e psicológico pode ser mais importante do que apertar a planilha.

O corpo também adapta gasto e fome. Platôs são comuns. Antes de cortar mais, revise registro, passos, força, sono, constipação, ciclo menstrual, álcool e fins de semana. Muitas vezes o ajuste é comportamental, não matemático.

Déficit não deve virar desnutrição

Mesmo quando há objetivo de perder gordura, o corpo precisa de proteína, vitaminas, minerais, gordura essencial e carboidrato suficiente para rotina e treino. Cortar grupos inteiros sem necessidade aumenta risco de constipação, queda de energia, compulsão e abandono.

O déficit também não precisa ser igual todos os dias. Algumas pessoas aderem melhor com média semanal, refeições sociais planejadas e rotina mais simples nos outros dias. Rigidez excessiva pode funcionar por duas semanas e falhar por meses.

Como saber se está funcionando

Acompanhe tendência de peso por várias semanas, medidas, roupas, força, energia, fome, sono e exames quando indicados. Peso diário oscila por água, sal, ciclo menstrual, intestino e treino. Decidir por um dia isolado costuma gerar ajustes ruins.

Se nada muda por semanas, revise porções reais, bebidas, fins de semana, beliscos, gasto diário e adesão. Se tudo está correto e ainda assim há estagnação, pode ser hora de ajustar calorias, aumentar atividade ou investigar fatores clínicos.

Quando a meta é saúde, não só peso

Em pessoas com diabetes, hipertensão, gordura no fígado, apneia do sono ou dor articular, pequenas perdas sustentáveis já podem melhorar marcadores. Mas o plano deve preservar massa muscular e função. Em idosos, emagrecer sem força pode piorar fragilidade.

Por isso, “comer menos” é uma frase incompleta. O alvo real é mudar composição corporal e risco metabólico com segurança.

Estimativa prática de início

Em vez de procurar o número perfeito, comece com pequenas mudanças mensuráveis por duas a quatro semanas: reduzir bebida açucarada, ajustar porção de óleo e doces, aumentar proteína no café da manhã ou padronizar um lanche. Se a tendência melhora sem sofrimento excessivo, o déficit está funcionando.

Se a pessoa já come pouco, tem histórico de dieta sanfona ou treina pesado, cortar mais pode piorar. Nesses casos, às vezes o primeiro passo é organizar refeições e aumentar força antes de reduzir calorias.

O que evitar

Evite déficits extremos, pular refeições até perder controle da fome, treinar pesado sem recuperação e usar laxantes, diuréticos ou fórmulas para acelerar resultado. Esses atalhos podem reduzir peso na balança por água ou perda muscular, mas pioram saúde e manutenção.

Manutenção também é fase do tratamento

Depois de perder peso, o corpo tende a defender parte do peso anterior com mais fome e menor gasto. Planejar manutenção por algumas semanas ou meses pode ser mais inteligente do que seguir cortando calorias sem pausa. Sustentar resultado é uma habilidade própria.

Quem recupera peso não “fracassou” automaticamente; muitas vezes faltou plano de manutenção, treino de força, sono ou suporte para rotina real.

O déficit calórico pode ser definido como o estado em que o organismo consome menos calorias do que ele gasta em um período.

Assim, o balanço energético no déficit calórico é negativo, visto que nosso corpo vai queimar mais energia do que ingeri-las através da alimentação.

As calorias dos alimentos são indispensáveis para qualquer organismo. São elas que fazem com que os processos metabólicos e fisiológicos possam funcionar de maneira constante.

Contudo, o déficit calórico pode ser benéfico só organismo em algumas situações, como quando apresentamos um quadro de obesidade ou sobrepeso.

Assim, quando ele ocorre, nossas células são obrigadas a consumir as reservas de gordura e glicogênio, provocando o emagrecimento e diminuição do percentual de gordura.

Contudo, o déficit calórico não é obtido apenas quando comemos pouco, ele também pode ser atingido através da prática de exercícios físicos intensos.

Por isso veja neste artigo, como atingir o déficit calórico, caso você precise emagrecer ou diminuir seu percentual de gordura.


Como Calcular O Déficit Calórico de Maneira Correta?

O déficit calórico deve ser atingido através de equilíbrio e segurança, por isso é indicado que um nutricionista esteja supervisionando sua aplicação.

Para calcular o déficit calórico, primeiramente, devemos considerar a taxa metabólica basal do nosso organismo.

Esta taxa, também chamada de TMB, é o mínimo de energia que nosso corpo necessita para executar suas funções físicas, químicas e biológicas em um dia.

Ela é calculada a partir de variáveis como a idade, sexo e peso de um indivíduo e pode ser calculada a partir dos dados abaixo:

Mulheres

  • 18 a 30 anos: 14,7 x peso + 496
  • 31 a 60 anos: 8,7 x peso + 829
  • Acima de 60 anos: 10,5 x peso + 596

Homens

  • 18 a 30 anos:15,3 x peso + 679
  • 31 a 60 anos: 11,6 x peso + 879
  • Acima de 60 anos: 13,5 x peso + 487

Como podemos ver, o cálculo da TMB é fácil e pode ser feito por qualquer pessoa, entretanto, a aplicação do resultado deve ser feita por um(a) nutricionista.

Isso porque, o conhecimento sobre a distribuição de nutrientes em um plano alimentar é essencial para evitar deficiência de nutrientes, vitaminas e minerais.

Então, só um profissional habilitado sabe como aplicar o déficit calórico de maneira segura, sem comprometer a saúde da pessoa.

A partir da TMB, direciona-se o que vamos fazer para atingir este patamar. Para isso, nossa atividade física e alimentação diária devem ser investigadas profundamente.


Déficit Calórico: O que interfere no cálculo

Calorias Ingeridas

As calorias ingeridas serão as calorias de todos os alimentos que vamos consumir em um dia todo.

Logo, deve-se somar a caloria dos alimentos e ao final, teremos o total de calorias consumidas em 24 horas.

Pacientes com sobrepeso e obesidade geralmente apresentam um total de calorias ingeridas acima de 2500 em um dia.

Fator de Atividade Física

exercicios_corrida

O fator de atividade física é um valor que é acrescentado na Taxa Metabólica Basal para acrescentar a energia extra advinda das atividades físicas que uma pessoa realiza diariamente.

Mesmo quem é sedentário(a), mas realiza atividades leves como caminhar até o trabalho, limpar a casa ou varrer o chão, também apresenta um valor correspondente ao fator de atividade física.

Consequentemente, quanto maior for o nível de atividades físicas realizadas em um dia, maior será o fator de atividade física de uma pessoa.


Valores do Fator de Atividade Física Por Sexo

Mulheres: Déficit Calórico: O que interfere no cálculo

  • 10 a 18 anos: Leve: 1,50

                        Moderada: 2,20

                        Pesada: 6,00

  • 18 a 65 anos: Leve: 1,56

                        Moderada:1,64

                        Pesada: 1,82

  • Acima de 65 anos: Leve: 1,40

                                 Moderada: 1,60

                                 Pesada: 1,80


Homens: Déficit Calórico: O que interfere no cálculo

  • 10 a 18 anos:Leve: 1,60

                       Moderada:2,50

                       Pesada: 6,00

  • 18 a 65 anos:Leve: 1,55

                       Moderada: 1,78

                       Pesada: 2,10

  • Acima de 65 anos:Leve: 1,40

                                Moderada: 1,60

                                Pesada: 1,90

Aplicando O Déficit Calórico

Após calcular a taxa metabólica basal e multiplicar pelo fator de atividade física, obtemos o GET, Gasto Energético Total.

O GET é o resultado que revela quantas calorias nosso corpo precisa ingerir no decorrer de um dia,e qualquer valor abaixo do GET em calorias, já deixa nosso organismo em déficit calórico.

Por exemplo, se o seu gasto energético total diário é de 2200 calorias, consumindo apenas 1800 calorias por dia em alimentos, você já está em déficit calórico.

Daí, é só distribuir os alimentos na dieta no decorrer do dia, certificando que o total de calorias ingeridas pela alimentação seja sempre menor que o total de calorias gastas pelo seu organismo, calculado através do GET.

Portanto, é possível entrar em Déficit Calórico sem a ajuda de um profissional, porém, as chances de fracasso e deficiência de nutrientes se elevam bastante.

A recomendação é que você sempre conte com um profissional formado em nutrição para apoio, suporte e um plano alimentar com déficit calórico eficiente e seguro.


Curiosidades Sobre O Déficit Calórico

1- Pessoas que realizam atividade física intensa e não estão acima do peso não devem se submeter ao déficit calórico, pois caso isso ocorra, elas perderão peso e colocarão o organismo em risco;

2- Quanto maior a diferença entre o GET e o total de calorias ingeridas diariamente, maior é a porcentagem de emagrecimento;

3- Mesmo no déficit calórico, nenhuma dieta deve ser abaixo da taxa metabólica basal, pois valores abaixo da TMB ocasionam problemas como perda de massa muscular, dificuldade no metabolismo e hipoglicemia;

4- Deve-se ofertar todos os nutrientes em uma dieta de baixo valor calórico para não aumentar os riscos de deficiência de vitaminas e minerais;

5- A água não tem calorias, portanto, ela não tem influência sobre o Déficit Calórico e a perda de peso;

6- Dietas muito restritivas não são a melhor opção em 99% das vezes, o emagrecimento saudável deve ser feito em pequenos passos;

7- As fibras não ficam armazenadas no organismo, portanto elas não têm capacidade de engordar;

8- O conteúdo deste artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta nutricional.

O que muda o efeito na dieta

Em Déficit calórico: como calcular sem exageros, o efeito final aparece no conjunto da alimentação. Porção, preparo, frequência e substituição importam mais do que classificar o item como bom ou ruim de forma isolada. Uma troca simples pode melhorar saciedade; uma adição calórica sem perceber pode dificultar controle de peso ou glicemia.

FatorComo avaliar
PorçãoCompare a quantidade do prato com a porção do rótulo ou da receita.
PreparoFritura, açúcar, creme, óleo e bebidas calóricas mudam bastante o resultado.
FrequênciaConsumo eventual e hábito diário têm impactos diferentes.
Condição clínicaDiabetes, doença renal, alergias, gestação e transtornos alimentares pedem ajuste próprio.

Uma boa decisão alimentar precisa caber no orçamento, na fome, no horário e no prazer de comer. Cortes amplos sem necessidade podem reduzir variedade e aumentar culpa sem melhorar exames ou sintomas.

Fontes e leitura útil

  • CDC: losing weight
  • NIDDK: safe weight-loss program
  • MedlinePlus: weight control
  • NIMH: eating disorders

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

Arquivado em: Nutrição, Medicina Esportiva

Otimismo E Cura – Uma Receita de Sucesso

7 de setembro de 2022 by Thiago Moretti F.

Otimismo contribui para enfrentamento, adesão ao tratamento e suporte emocional, mas não deve ser apresentado como cura. Uma pessoa pode ter boa atitude e ainda precisar de diagnóstico, medicação, cirurgia, psicoterapia, reabilitação ou cuidado paliativo. Saúde mental positiva não substitui tratamento indicado.

VOCÊ é uma pessoa otimista ou pessimista? Dependendo da sua resposta, saiba que o modo como você encara as situações da vida pode influenciar significativamente na sua saúde geral.

Como transformar a reflexão em ação útil

Em “Otimismo E Cura – Uma Receita de Sucesso”, é fácil cair em frases motivacionais ou julgamentos pessoais. Uma leitura mais útil observa comportamento, contexto, sofrimento, função e apoio disponível. O foco deve ser entender o que está acontecendo, quais limites ou mudanças são possíveis e quando a situação precisa de ajuda profissional.

Do sentimento ao plano

PontoPergunta prática
FrequênciaIsso acontece em dias isolados ou virou padrão?
ImpactoAfeta sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado?
ControleA pessoa consegue escolher respostas diferentes ou se sente travada?
Rede de apoioHá alguém confiável para conversar sem julgamento?
RiscoExiste ameaça, violência, autoagressão, abuso de substâncias ou ideação suicida?

Passos pequenos e concretos

  • Nomeie o problema em comportamentos observáveis, não em rótulos.
  • Escolha um limite ou rotina simples para testar por uma semana.
  • Reduza exposição a situações que aumentam sofrimento sem resolver nada.
  • Procure ajuda imediata se houver risco de violência ou autoagressão.

Quando pedir ajuda

Ajuda profissional faz sentido quando o sofrimento é persistente, limita a vida, aumenta uso de álcool ou remédios, ou aparece com desesperança intensa.

Em contextos de escola, trabalho ou família, registrar fatos concretos e buscar uma conversa mediada pode ser mais efetivo do que tentar convencer todos de uma vez.

O estudo sobre o otimismo cresceu ao longo das décadas com o aparecimento da Psicologia Positiva.

Seligman e Csikszentmihalyi, em um artigo publicado na American Psychologist Journal, salientam que o campo da Psicologia, nos anos de 1990, já relacionava com prioridade as questões de cura e reparação de lesões a aspectos como esperança, coragem, fé e otimismo, que inclusive estavam sendo ignorados por profissionais da área da saúde.

Os impactos que o otimismo pode ter na saúde física vêm sendo discutidos há algum tempo. Acredita-se que esse sentimento traz resultados relevantes para a saúde e bem-estar geral.

Existem evidências de que o otimismo estimula a pessoa a tomar medidas proativas para proteger a própria saúde. Já o pessimismo está relacionado a comportamentos desfavoráveis à saúde.

Pessoas otimistas são aquelas que esperam que coisas boas aconteçam a elas, mesmo diante de dificuldades em suas vidas. Os pessimistas já pensam diferente. São aqueles que sempre acreditam que coisas ruins acontecerão a qualquer momento.

O otimismo pode ser conceituado de diversas maneiras, mas basicamente refere-se ao humor ou estado mental relacionado a uma expectativa favorável de um evento desejado no futuro.

Estudos apontam que o otimismo pode ser essencial para a saúde mental e física, até mesmo aliviando os sintomas de doenças crônicas.

Quando uma pessoa é diagnosticada com uma doença grave, geralmente fica sob um estado onde a sua realidade é invertida, evitando sua rotina diária. Seu mundo vira de cabeça para baixo e fica fora de controle.

Pessimista

Nessas condições em que se encontra, o pior caminho é deixar se abater, mas acreditar que esse problema terá uma solução.

O primeiro passo deve ser procurar um atendimento médico, além de aceitar e envolver a confiança, o otimismo e a fé como estratégias para o tratamento.

Algumas doenças não têm cura, mas o otimismo pode ser um grande aliado da saúde, fazendo bem para a imunidade, melhorando a resposta a processos quimioterápicos e ajudando a combater ansiedade, depressão e insônia.

Diversos recursos têm sido procurados para o tratamento de patologias, através de medicamentos ou terapias, porém a utilização do otimismo é fundamental, pois ao adicioná-lo ao tratamento clínico submetido, diminui as chances da pessoa se isolar e sentir que é o fim, desenvolvendo pensamentos negativos e até mesmo tentar a autodestruição, ou alguma outra atitude prejudicial para si mesmo e para pessoas próximas.

O otimismo e a esperança são componentes-chave que ajudam a combater e lidar com qualquer doença.

Especialistas percebem que é mais provável um paciente se recuperar de uma lesão ou vencer uma doença, como o câncer, quando o otimismo prevalece.

Uma revisão sistemática publicada na Psychooncology salientou que o otimismo parece estar fortemente associado às respostas individuais ao câncer, promovendo ajuste emocional e comportamental, além de diminuir os sintomas de ansiedade e depressão, tanto em nível individual quanto relacional.

Na pesquisa realizada, os autores defenderam que a atitude positiva resulta em melhores ajustes nas fases posteriores da doença.

O otimismo pode também intervir, mesmo que indiretamente, sobre a saúde cardiovascular, influenciando comportamentos saudáveis relacionados a hábitos alimentares, disposição para a realização de exercícios físicos e tratamentos tanto farmacológicos quanto comportamentais.

Chida e Steptoe, em um estudo meta-analítico publicado na Psychosomatic Medicine, confirmaram que uma visão positiva está associada à redução da mortalidade cardiovascular em indivíduos saudáveis e doentes.

Segundo o estudo, afetos positivos como alegria e felicidade possuem uma associação mais próxima com o sistema nervoso central modulando, então, o sistema, no que diz respeito à variabilidade da frequência cardíaca e o sistema neuroendócrino.

Quanto ao otimismo e sentimentos de esperança, esses parecem ter influência na modulação de estratégias de enfrentamento em situações estressantes.

Estudos sobre os efeitos do otimismo e da psicologia positiva também levaram a conclusões de que o otimismo está associado à diminuição da incidência de doença arterial coronariana e da taxa de mortalidade.

Pessoas otimistas apresentam um melhor perfil de fatores de proteção para doenças cardíacas, bem como uma melhor condição de saúde, por exemplo, sem colesterol alto, sem hipertensão e sem depressão.

Relacionando o otimismo ao colesterol, um estudo publicado pela American Journal of Cardiology, testou a hipótese de que o otimismo está associado a um perfil lipídico mais saudável.

Os resultados dessa pesquisa indicaram que um maior otimismo está associado a níveis mais altos de HDL (colesterol bom) e níveis mais baixos de triglicerídeos.

Isso pode ser explicado, em parte, pelos comportamentos mais saudáveis que as pessoas otimistas adotam, e menor índice de massa corporal.

Com relação a doenças pulmonares, Popa-Velea e Purcarea estudaram o papel do otimismo na determinação da função pulmonar em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.

Os resultados apontaram que pacientes com alto otimismo demonstraram menos comprometimento funcional em comparação aos pacientes com baixo otimismo. Quem sofre com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica sabe que a motivação para o autocuidado é essencial.

Pulmao 1

O otimismo e a esperança estão relacionados a essa atitude de melhor autocuidado, possibilitando aumentar a percepção subjetiva de bem-estar e estimulando comportamentos mais saudáveis.

Um estudo na Health Psychology Journal, realizado por Hart e colaboradores, examinou o otimismo como mediador da melhora de sintomas depressivos em pacientes com esclerose múltipla, visto que muitos sofrem com problemas psicológicos e emocionais.

Os autores chegaram à conclusão de que o otimismo leva a resultados positivos de saúde física em pacientes nessas condições, pois eles passam a buscar oportunidades para modificar suas experiências com relação a doença, aumentando sua descoberta de benefícios ao longo do tempo.

Vários outros estudos comprovam que o otimismo pode ser um remédio de sucesso. Se você é uma pessoa pessimista, não se preocupe, você não irá desenvolver uma lista de doenças por isso, até porque o pessimismo não é a única causa para as inúmeras doenças que existem.

No entanto, vale destacar que o otimismo pode ser aprendido e desenvolvido, além de o ajudar muito a prevenir doenças, facilitar a sua recuperação e, em determinadas situações, até mesmo levar à sua cura.  

Quando buscar apoio estruturado

Em Otimismo E Cura – Uma Receita de Sucesso, a linha de cuidado aparece quando o sofrimento deixa de ser episódio isolado e passa a limitar decisões, sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado. A intensidade importa, mas duração e prejuízo funcional costumam orientar melhor a necessidade de ajuda.

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Explore também no Blog da Saúde

  • Psicologia
  • Psiquiatria

Fontes úteis

  • CDC: saúde mental
  • CDC: manejando estresse
  • MedlinePlus: saúde mental

Fontes úteis

AVVENUTI, G. et al. Optimism’s explicative role for chronic diseases. Frontiers in Psychology, v. 7, n. 295, p. 1-9. 2016.

BOEHM, J. K. et al. Relation between optimism and lipids in midlife. American Journal of Cardiology, v. 15, n. 111, p. 1425-1431. 2013.

CHIDA, Y.; STEPTOE, A. Positive psychological well-being and mortality: a quantitative review of prospective observational studies. Psychosomatic Medicine, v. 70, n. 7, p. 741-756. 2008.

COSTA, J. W. N. et al. A fé como propulsora para enfrentar doenças do Novo Século. Colloquium Humanarum, v. 12, n. Especial, p. 10-16. 2015.

HART, S. L. et al. Relationships Among Depressive Symptoms, Benefit-Finding, Optimism, and Positive Affect in Multiple Sclerosis Patients After Psychotherapy for Depression. Health Psychology Journal, v. 27, n. 2, p. 230-238. 2008.

O’BRIEN, C. W.; MOOREY, S. Outlook and adaptation in advanced cancer: a systematic review. Psychooncology, v. 19, n. 12, p. 1239-1249. 2010.

POPA-VELEA, O.; PURCAREA, V. L. Psychological factors mediating health-related quality of life in COPD. Journal of Medicine and Life, v. 15, n. 7, p. 100-103. 2014.

SCHIAVON, C. C. et al. Optimism and hope in chronic disease: a systematic review. Frontiers in Psychology, v. 7, n. 2022, p. 1-10. 2017.

SELIGMAN, M. E.; CSIKSZENTMIHALYI, M. Positive Psychology: An Introduction. American Psychologist, v. 55, n. 1, p. 5-14. 2000.

Arquivado em: Artigos, Curiosidades

Conheça as opções de tratamento para xantelasma

7 de setembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Apesar de ser uma doença ainda pouco conhecida pela população em geral, existem diferentes opções de tratamento para xantelasma.

Procedimento deve vir depois do diagnóstico da pele

Em dermatologia estética, o nome do aparelho ou da técnica não basta. Fototipo, cicatrização, tendência a queloide, inflamação ativa, uso de anticoagulantes, gravidez, isotretinoína recente, herpes recorrente e expectativa de resultado mudam indicação, intervalo e risco. O objetivo é escolher um plano proporcional ao problema, não empilhar procedimentos. No xantelasma, também vale discutir perfil lipídico e risco cardiovascular, porque a placa na pálpebra pode coexistir com alterações de colesterol em parte dos pacientes.

Antes de aceitar uma sequência de procedimentos, vale definir prioridade: textura, volume, pigmento, relevo, cicatriz ou flacidez. Cada objetivo tem mecanismo, tempo de resposta, risco e limite próprio. Um bom plano também define o que seria melhora suficiente e quando parar.

AchadoComo interpretar
Lesão elevada, dolorida ou em mudançaPrimeiro confirmar diagnóstico; depois discutir retirada, laser, infiltração ou outro método.
Pele escura ou histórico de mancha pós-inflamatóriaAumenta a importância de preparo, energia conservadora e proteção solar.
Queloide ou cicatriz hipertrófica préviaMuda risco de corte, laser, peeling e procedimentos agressivos.
Dor intensa, palidez ou alteração visual após preenchimentoÉ sinal de urgência, não efeito esperado.

O que vale registrar

  • Diagnóstico provável, objetivo do procedimento e resultado realista esperado.
  • Fototipo, tendência a queloide, herpes, alergias, remédios e procedimentos recentes.
  • Tempo de recuperação, número provável de sessões e cuidados antes/depois.
  • Sinais que exigem contato rápido, especialmente dor fora do esperado, secreção, ferida ou alteração de cor.

Atenção: não faça preenchimento, laser, peeling ou cauterização em lesão sem diagnóstico claro. Procedimentos estéticos também têm contraindicações e complicações; a decisão deve considerar pele, saúde geral e expectativa.

Como esclarece o acervo da biblioteca virtual da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o xantelasma consiste em um pequeno depósito de gordura e colesterol que ocorre logo abaixo da superfície da pele, normalmente mais especificamente no entorno dos olhos.

É o subtipo mais comum de xantoma, um depósito de colesterol que pode ocorrer em qualquer parte do corpo, a exemplo das nádegas, mãos, pés e articulações. Recebem o nome de xantelasma quando ocorrem na região periorbital.

Nota-se a ocorrência mais frequente da patologia em pacientes de ascendência asiática ou mediterrânea.

Mesmo que essas lesões benignas causem apenas incômodo estético, não trazendo maiores preocupações para a saúde, muitos pacientes buscam o acompanhamento de um médico dermatologista desejando tratar o problema.

Essa doença tem como característica o desenvolvimento lento e progressivo, chegando ao ponto de não progredir mais. 

Contudo, os xantelasmas não costumam regredir de forma espontânea, isso só é verificado em casos raros, desse modo o tratamento é ainda mais importante.

Caso deseje saber mais sobre o xantelasma e quais os tratamentos para essa doença dermatológica, continue a leitura deste artigo e fique por dentro dessas e de outras informações importantes sobre esse assunto. 

Tratamento para xantelasma: saiba as opções

O objetivo do tratamento para xantelasma é destruir as lesões cutâneas, para realizar essa aniquilação o dermatologista pode optar por diferentes métodos, até mesmo a remoção cirúrgica, caso julgue necessário.

Entre as principais opções de tratamento para xantelasma, além da cirurgia, podemos destacar a eletrocauterização, cauterização química e o procedimento com lasers.

Para determinar qual o tratamento mais indicado para cada pessoa, o médico dermatologista deve avaliar cada caso de modo individualizado e também a extensão das lesões.

Quadros clínicos que envolvem outras doenças base podem requerer um tratamento prévio dessas condições para que possa haver uma melhora significativa do xantelasma.

A seguir, confira como funciona cada uma das opções de tratamento do xantelasma:

Eletrocauterização 

Esse tipo de procedimento é bastante utilizado no tratamento de xantelasma e também de outras condições, a exemplo das hiperplasias sebáceas e siringomas.

Sua principal vantagem consiste na retomada das atividades rotineiras do paciente geralmente no mesmo dia, desde que sejam tomados alguns cuidados básicos determinados pelo médico.

O processo de cicatrização após a realização do tratamento costuma acontecer entre sete e dez dias, quando as crostas formadas nos locais das lesões começam a cair espontaneamente.

A eletrocauterização é realizada com a pessoa sob efeito de um anestésico injetável, podendo também ser administrado um vasoconstritor para evitar que ocorram sangramentos, assim por meio da eletricidade e do calor, o xantelasma é carbonizado.

Para evitar maiores complicações de saúde e se obter resultados satisfatórios com este tipo de tratamento, após o procedimento o paciente deve evitar tomar sol, assim como proceder com a higienização cuidadosa da área tratada e suspender o uso de produtos abrasivos no local.

Cauterização química

O procedimento da cauterização química possui similaridade com o tratamento explicado anteriormente. No entanto, enquanto a eletrocauterização tem como princípio básico a utilização da eletricidade e do calor, na cauterização química a destruição do xantelasma se dá por meio da aplicação de um produto com propriedades cáusticas ou ácidas.

Normalmente, a substância mais utilizada pelos dermatologistas para esse tipo de tratamento é o ácido tricloroacético. Devido à aplicação do ácido pode ocorrer o embranquecimento ou mesmo o amarelamento das lesões.

Alguns dias após a realização do procedimento a coloração da pele da região tratada pode sofrer alterações para um tom avermelhado, além de apresentar inchaço e irritação.

Outros sinais podem incluir o enrijecimento da área por conta da morte celular e consequente formação de crosta.

Contudo, após cerca de quinze dias todos os indícios característicos da realização da cauterização química tendem a desaparecer completamente.

Em alguns quadros, a depender da extensão dos xantelasmas, pode ser necessário realizar mais de uma sessão de tratamento.

O paciente também deve seguir as orientações médicas e tomar cuidados simples, a exemplo da limpeza da área, para que bons resultados sejam obtidos e evitar complicações evitadas. 

Procedimento com laser

Comumente os tipos de laser mais usados para tratar de xantelasma são o CO2 ou o Erbium YAG.

Esses lasers, utilizados em vários tratamentos cutâneos, estimulam um processo inflamatório na pele que colabora para o aumento da produção de colágeno e também para cicatrização, apresentando resultados significativos na melhoria do xantelasma.

Os tratamentos com lasers podem ser feitos no consultório do médico dermatologista tendo o paciente sob o efeito de um anestésico com alto poder de absorção.

Quando os pacientes possuem tons de pele mais claros, os feixes do laser devem ser devidamente ajustados.

Devemos sempre ter em mente que o organismo de cada paciente responde de forma individual ao tratamento, por isso a recuperação de cada pessoa tem desenvolvimento próprio.

Após o tratamento para xantelasma com laser, costuma-se notar a formação de edemas na pele durante os dias iniciais, assim como uma textura e cor diversas.

Quando o processo de renovação das células ocorre, também é possível perceber a descamação da pele. Todo esse período de recuperação da área tratada leva em média de uma semana a dez dias. 

Durante esse tempo, é indispensável que o paciente siga à risca as recomendações do médico responsável por acompanhar seu caso, essas orientações podem incluir a realização de compressas com água fria para diminuir o desconforto, a utilização de filtro solar e a hidratação rotineira da pele.

Remoção cirúrgica

A remoção cirúrgica do xantelasma pode ser considerada pelo dermatologista em casos em que as lesões são muito extensas e numerosas. Inclusive, a depender das particularidades do quadro, o médico pode optar por realizar o tratamento em mais de uma etapa.

Apesar de ser um método mais invasivo dos que anteriormente apresentados, a remoção cirúrgica tem como principal benefício o menor risco de recorrência da doença, uma vez que não haja recidiva do problema.

Esse procedimento requer sedação anestésica e compreende na excisão completa da lesão, podendo haver sutura das bordas ou cicatrização por segunda intenção, ou seja, a ferida cirúrgica cicatriza de modo espontâneo.

Desde que as recomendações médicas sejam seguidas corretamente pelo paciente, a recuperação ocorre de modo tranquilo e satisfatório em um período que varia de uma a duas semanas.

Entendendo as causas do xantelasma 

Mais frequentes em mulheres com idade acima dos 40 anos, as causas do aparecimento do xantelasma estão na maioria das vezes associadas com níveis elevados de colesterol LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim, e taxas baixas de colesterol bom.

No entanto, outras condições crônicas de saúde, a exemplo da diabetes, alguns tipos de câncer, cirrose hepática, hipertireoidismo e outras doenças do metabolismo também podem estar relacionadas com o surgimento do xantelasma.

A utilização contínua de determinados medicamentos como corticoides e retinoides orais também podem estar ligados a formação dos xantelasmas.

Os xantelasmas formam-se devido a alterações na metabolização de gorduras ou quando os lipídeos presentes na nossa corrente sanguínea se aderem ao tecido cutâneo. 

O sistema imunológico busca eliminar essa gordura, no entanto, quando os macrófagos não conseguem, as células adiposas terminam se acumulando na pele, dando origem ao xantelasma.

Sintomas do xantelasma

Por ser basicamente uma doença assintomática, o sintoma essencial do xantelasma é sua característica estética.

Assim, identificar essa patologia dermatológica é simples pela visualização das placas de gorduras formadas nas proximidades das pálpebras oculares. 

Com cerca de 7,5 centímetros de diâmetro, as lesões do xantelasma têm uma consistência maior do que a pele saudável, sendo vagamente saliente e amarelada, além de possuir bordas claramente delimitadas e com coloração mais escura.

Sintomas como coceira, maior sensibilidade na área ou mesmo dor não costumam ser associados a patologia.

No entanto, o paciente pode se queixar de incômodo no momento de abrir e fechar os olhos, uma vez que a depender da localização e extensão das lesões pode provocar interferência nesse ato simples.

Saiba como é feito o diagnóstico de xantelasma

Em geral, não é necessária a realização de exames complementares, como exames de imagem ou biópsia, para concluir o diagnóstico do xantelasma. Assim, normalmente basta apenas uma avaliação clínica do médico dermatologista.

Além de avaliar o histórico da pessoa, o médico pode fazer uma série de perguntas básicas, a exemplo de seus hábitos, início do surgimento das lesões, dor ou outro sintoma associado, bem como sobre a existência de alterações em outros locais do corpo.

Ao fazer uma inspeção das lesões, o dermatologista irá avaliar suas características e excluir a ocorrência de outras patologias dermatológicas.

Caso o paciente tenha histórico de doenças crônicas, como a diabetes, isso pode facilitar a confirmação do diagnóstico apenas com a análise das lesões.

No entanto, o médico pode julgar válido solicitar um exame anatomopatológico para confirmar o diagnóstico e esclarecer as causas das lesões.

Lesões que tenham surgido mais recentemente podem ser submetidas a testes em laboratório para verificação dos níveis de lipídios e glicose. 

Prevenção e possíveis complicações do xantelasma

Apesar de alguns desconfortos no campo oftalmológico e o incômodo estético para o paciente, o xantelasma não acarreta maiores agravamentos para a saúde.

No entanto, essa patologia pode ser o indício de que algo não está bem no organismo da pessoa e que é necessário intensificar os cuidados para o quadro clínico geral não se agravar.

O surgimento de xantelasma pode ser, por exemplo, o indicativo de outras condições mais sérias como doenças metabólicas e insuficiência hepática.

Porém, não existe um modo de prevenir o aparecimento do xantelasma por si só. O que podemos fazer neste sentido é cuidar da saúde como um todo, buscando controlar índices e taxas, como triglicérides, colesterol e lipídios, que estão diretamente associadas a outras doenças, como a cirrose e diabetes.

Assim, cuidar da qualidade de vida, por meio de uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras e carnes magras, abdicar de maus hábitos, como o tabagismo e o alcoolismo, praticar exercícios físicos regularmente, assim como fazer um check-up médico periodicamente são medidas importantes.

Contudo, cabe ressaltar que mesmo alguns pacientes que possuem as taxas lipídicas dentro dos limites recomendados sofrem com o surgimento do xantelasma.

Conclusão

Como você pode constatar ao longo deste conteúdo, existem diversas opções de tratamento para o xantelasma.

Entre os principais procedimentos para tratar esse tipo de lesão benigna destacam-se a eletrocauterização, cauterização química, procedimentos por meio de laser e remoção cirúrgica.

Após a confirmação do diagnóstico, a escolha do melhor método para o tratamento do xantelasma caberá ao médico dermatologista, após considerar fatores como localização das lesões, tamanho e tipo de pele do paciente.

É importante ressaltar que independentemente do tipo de tratamento escolhido, caso o paciente não siga corretamente todas as orientações médicas para manter sob controle suas taxas de colesterol e mudar hábitos de vida, o xantelasma pode sim retornar.

Caso você note alguma das lesões características do xantelasma ou de outra condição dermatológica, não deixe de procurar acompanhamento médico.

Lembre-se que o dermatologista é o profissional mais indicado para cuidar de lesões cutâneas e que o diagnóstico precoce de muitas doenças permite o início ágil do tratamento mais indicado, evitando maiores complicações de saúde.

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  • Dermatologia
  • Doenças de A-Z

Fontes úteis

  • MedlinePlus: condições de pele
  • AAD: cuidados com pele acneica
  • MedlinePlus: infecções de pele

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