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Raiva e temperamento explosivo: como lidar

16 de novembro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

Prejuízo persistente no sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado indica necessidade de avaliação e apoio estruturado.

O ser humano possui como base de interações ao ambiente as emoções e tal influência é importante na
saúde física e mental. Esses estados emocionais vivenciados fazem parte do processamento de informações, reações e comportamentos codificados em determinadas situações pelo indivíduo.

A raiva é uma expressão que representa por vezes injustiça, ofensa e sensação de algum tipo de dano, indicando que objetivos pessoais estão sendo ameaçados, podendo abranger uma variedade de sentimentos e até chegar a um leve aborrecimento, a fúria.


Raiva – emoção comum

A raiva é uma das emoções mais comuns, no entanto é aquela que propicia maior potencial destrutivo,
chegando a se tornar um problema de saúde pública por arcar com questões sociais, físicas e psicológicas.

A raiva pode ser classificada como experiência e expressão. Como experiência, a raiva é caracterizada por 2 componentes principais: o primeiro seria o estado da raiva, representando os sentimentos que oscilam em intensidade e acompanham tensão muscular e excitação; e o segundo se baseia no traço de raiva, na predileção a percepção de momentos como desagradáveis ou não, o tipo de reação, frequência e intensidade.

Elementos básicos – Raiva

Já relacionada a expressão, a raiva tem 3 elementos básicos: expor a emoção da raiva para fora direcionada a pessoas e objetos; reprimir a raiva e controlar a raiva referente a expressão da ira.

Cada indivíduo tem a sua forma de vivenciar a raiva dependendo do temperamento individual e experiências pessoais.

Quando a raiva foge o controle o resultado é costumeiro em hostilidade, agressões e comportamentos de risco, podendo ocasionar consequências significativas ao redor.

Estudos indicam que elevados níveis de excitação emocional resultam em comportamento explosivo, enquanto excitação em menor escala causa dissociação, como dificuldade de reconhecer e expressar necessidades e aquilo que se precisa como apoio.


Sinais de raiva e temperamento explosivo

A raiva pode ser presenciada como um sinal de vigor e força em detrimento de seus próprios valores e motivações.

É essencial para que ocorre o manejo da raiva e o temperamento explosivo o planejamento de ações
adaptativas. Para tal, ter consciência e reconhecimento das emoções que interferem no dia a dia é fundamental.

Pode-se começar pela reflexão de possíveis causas de irritação buscando uma alteração efetiva no
comportamento. Outo passo importante é pensar e iniciar controle de emoções perturbadoras, em vez de compensação e evitação.

O temperamento se refere a dimensões comportamentais manifestando como padrões gerais do
desenvolvimento; surge durante a infância e faz parte constituinte da biologia da personalidade; se manifesta relativamente com estabilidade ao longo do tempo; possui componente biológico; e questões fatoriais podem influenciar a expressão do temperamento.

O Transtorno Explosivo Intermitente se caracteriza por situações isoladas de explosões agressivas de
caráter desproporcional ao evento em si, geralmente causados por fatores estressantes e constituídos por comportamento do tipo: agressão verbal, agressão física e destruição de objetos ou propriedades.


Frequência dos episódios

Especificamente, a manifestação do transtorno costuma ocorrer na frequência de 2 vezes por semana, quando em explosões leves, e 3 vezes por ano, quando em explosões graves, havendo consequências emocionais como angústia, desfuncionalidade social, dificuldades profissionais e problemas financeiros, gerando até transtornos concomitantes.

explosao

Fatores preditores desse tipo de comportamento indicam múltiplos fatores como questões neuroquímicas, genéticas e psicossociais.


Diagnóstico

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o Transtorno Explosivo
Intermitente é uma questão de saúde mental grave e merece atenção.

Para tanto, há alguns critérios listados:

A. Explosões comportamentais recorrentes representando uma falha em controlar impulsos agressivos, conforme manifestado por um dos seguintes aspectos:

  • Agressão verbal (p. ex., acessos de raiva, injúrias, discussões ou agressões verbais) ou agressão física dirigida a propriedade, animais ou outros indivíduos, ocorrendo em uma média de duas vezes por semana, durante um período de três meses. A agressão física não resulta em danos ou destruição de propriedade nem em lesões físicas em animais ou em outros indivíduos.
  • Três explosões comportamentais envolvendo danos ou destruição de propriedade e/ou agressão física envolvendo lesões físicas contra animais ou outros indivíduos ocorrendo dentro de um período de 12 meses.

B. A magnitude da agressividade expressa durante as explosões recorrentes é grosseiramente desproporcional em relação à provocação ou a quaisquer estressores psicossociais precipitantes.

C. As explosões de agressividade recorrentes não são premeditadas (i.e., são impulsivas e/ou decorrentes de raiva) e não têm por finalidade atingir algum objetivo tangível (p. ex., dinheiro, poder, intimidação).

D. As explosões de agressividade recorrentes causam sofrimento acentuado ao indivíduo ou prejuízo no funcionamento profissional, ou interpessoal ou estão associadas a consequências financeiras, ou legais.
E. A idade cronológica é de pelo menos 6 anos (ou nível de desenvolvimento equivalente).

F. As explosões de agressividade recorrentes não são mais bem explicadas por outro transtorno mental (p. ex., transtorno depressivo maior, transtorno bipolar, transtorno disruptivo da desregulação do humor, um transtorno psicótico, transtorno da personalidade antissocial, transtorno da personalidade borderline) e não são atribuíveis a outra condição médica (p. ex., traumatismo craniano, doença de Alzheimer) ou aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento). No caso de crianças com idade entre 6 e 18 anos, o comportamento agressivo que ocorre como parte do transtorno de adaptação não deve ser considerado para esse diagnóstico.

*Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.


Nota: Este diagnóstico pode ser feito em adição ao diagnóstico de transtorno de defícit de atenção/ hiperatividade, transtorno da conduta, transtorno de oposição desafiante ou transtorno do espectro autista nos casos em que as explosões de agressividade impulsiva recorrente excederem aquelas normalmente observadas nesses transtornos e justificarem atenção clínica independente.

A indicação de intervenções cognitivos comportamentais baseadas em psicoeducação são bem-vindas e eficazes para esses casos.

Os ensinamentos são voltados para a identificação de sinais envolvidos na ativação emocional de processos físicos, emocionais, cognitivos e comportamentais que possam auxiliar a reagir de modo mais adaptativo.


Medicamentos utilizados

Os medicamentos mais utilizados no tratamento de pacientes com as explosões comportamentais e impulsividade são: estabilizadores do humor, antiepiléticos, antipsicóticos e betabloqueadores.


Tratamento pela psicologia

Na terapia cognitivo comportamental a etapa a principal etapa do tratamento é o vínculo. Estabelecer uma relação de confiança aumenta a colaboração do paciente com o processo terapêutico, diminuindo autodefesas e negações pessoais.

O treino do controle da raiva é uma ferramenta importante dentro da modalidade, como aprender a ter a percepção das sensações físicas e emocionais que acontecem antes da expressão da raiva; trabalhar a reestruturação cognitiva com o objetivo de propor mudanças nas distorções avaliativas no processo de raiva em excesso; exercício de respiração controlada e relaxamento podem ajudar diminuindo o momento de excitação fisiológica; e a busca do autocontrole da raiva.

A psicopatologia do Transtorno Explosivo Intermitente aponta que oscilações de sentimentos e emoções são um fator de risco, reforçando a influência que o desequilíbrio tem ao falhar no controle da impulsividade.

Terapias para relaxamento

Psicoterapias orientadas ao relaxamento, treinamento de habilidades sociais e enfrentamento de problemas tem demonstrado resposta positiva no tratamento desses pacientes.

Parece que o mais interesse é uma abordagem eclética e flexível constituindo elemento de: habilidades de resolução de problemas, técnicas de reestruturação cognitiva e prevenção de recaída, trabalhando o pensamento e as atitudes organizadamente com maiores chances de sucesso.

A participação da família no tratamento é fundamental ao processo terapêutico. Por vezes, o comportamento desmedido pode trazer consequências a família também, sendo afetado por meio de conflitos e discussões.

A psicoterapia, mais uma vez, pode contribuir com a reconciliação e resolução de desentendimentos.


Quando buscar apoio estruturado

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Referências:

Galvão, D. O., Pereira, C. T. D., & Forti, M. D. C. P. (2015). Transtorno explosivo intermitente-revisão de literatura. Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria, 19(2).

Ito, P. D. C. P., & Guzzo, R. S. L. (2002). Temperamento: características e determinação genética. Psicologia: Reflexão e Crítica,15, 425-436.

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.

Oliveira, S., Silva, K., & Souza, G. (2021). Projeto de Intervenção-Transtorno Explosivo Intermitente.

Rech, D. L., Schmidt, K. E. S., Rudnicki, T., & Schmidt, M. M. (2022). Técnicas para Manejo da Emoção de Raiva: Uma Revisão Sistemática. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 22(1), 292-307.

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

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Insegurança Emocional: A Maleabilidade do Conceito

16 de novembro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

A condição de insegurança carrega a conotação de perigo e falta de confiança em torno de onde se está e em si gerando ansiedade. Tal sensação é algo natural e uma expressão subjetiva de proteção e sobrevivência.

Do sentimento ao plano

PontoPergunta prática
FrequênciaIsso acontece em dias isolados ou virou padrão?
ImpactoAfeta sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado?
ControleA pessoa consegue escolher respostas diferentes ou se sente travada?
Rede de apoioHá alguém confiável para conversar sem julgamento?
RiscoExiste ameaça, violência, autoagressão, abuso de substâncias ou ideação suicida?

Passos pequenos e concretos

  • Nomeie o problema em comportamentos observáveis, não em rótulos.
  • Escolha um limite ou rotina simples para testar por uma semana.
  • Reduza exposição a situações que aumentam sofrimento sem resolver nada.
  • Procure ajuda imediata se houver risco de violência ou autoagressão.

Quando pedir ajuda

Ajuda profissional faz sentido quando o sofrimento é persistente, limita a vida, aumenta uso de álcool ou remédios, ou aparece com desesperança intensa.

Em contextos de escola, trabalho ou família, registrar fatos concretos e buscar uma conversa mediada pode ser mais efetivo do que tentar convencer todos de uma vez.

Pode-se dizer que, esse tipo de comportamento está diretamente ligado a respostas emocionais de risco.
Atualmente, situações relacionadas a violência são mencionadas como grandes propulsoras de insegurança nacional.

Por sua vez, são reprodutoras de impressões de ameaça e vulnerabilidades, além de preocupações
diárias acerca de bens materiais e preservação da vida. Pois bem, essas reações são características da
insegurança emocional.

Pesquisas indicam que mulheres expressam mais insegurança emocional do que os homens publicamente.

Outro dado interessante é que fatores sociais também influenciam essa tendência, uma vez que, culturalmente, tem se o público feminino como encorajador para temer seus medos e anseios.


Insegurança e ansiedade

Socialmente, a expressão acerca do seu gênero foi construída de modo a ser representada com imagens apropriada e inapropriada de violência, abuso e medo.

O medo da violência é a insegurança de agressões perpetradas por homens especificamente em espaços públicos. Simbolicamente, esse medo enfatiza que as mulheres estão se sujeitando a subordinação de uma espécie de prisão invisível em que seus papéis se limitam a serem apenas de vítimas.

Focar apenas no medo pode eliminar a gama de repostas emocionais comparadas a tristeza e raiva, assim afetando a qualidade de vida.

Todavia, ele pode também ser eficaz quando adaptável a situações no preparo para manejar riscos.

A insegurança emocional tem sido percebida como um conceito que integra respostas cognitivas avaliativas de probabilidade derivado de potencial sofrimento emocional ou vitimado bem como comportamento protetivo.

É um constructo de difícil operacionalização e ambiguidade, oferecendo paradoxos em sua percepção subjetiva.


Insegurança emocional – Sintomas

A insegurança pode ser tida como um sentimento de inferioridade e incapacidade e seus principais sintomas são: baixa autoestima, pessimismo, dificuldade na tomada de decisões, medo da rejeição, medo do fracasso e comportamento antissocial.

A dúvida é algo que abala as capacidades e funcionalidades com a insegurança emocional pois, a autoimagem demonstra-se fragilizada.

A percepção que o outro é mais inteligente e capaz também prejudica, as comparações diminuem o senso de autoeficácia.

Deixar de planejar quando se está inseguro é um fato que pode acontecer por vezes categoricamente ou continuamente.

Na adolescência a insegurança emocional se encontra ainda mais fragilizada. Evidências científicas
corroboram afirmando que adolescentes tendem a maiores estímulos emocionais excitatórios, devido
suscetibilidade dopaminérgica da fase, com impulsos, aceleração e reatividades, respondendo com certo tom ameaçador de irritação, o que é natural nesse período também.

O cerne a insegurança emocional se inicia na infância. A relação que a criança estabelece com os pais será
um preditor dos mecanismos futuros utilizados pelos adulto em associações que fará frente conflitos possíveis entre familiares e problemas externos que enfrentará sozinho.

Todavia, geralmente crianças que foram expostas a conflitos entre seus pais intensamente podem sofrem de insegurança emocional a longo prazo, com graves prejuízos em externalizar os sentimentos em níveis como: comportamento reativo emocional forte e prolongado; caracterizado por medo e angústia; tentativa de confortar os pais nas relações interpessoais quando há envolvimento em conflitos; e comportamentos de raiva, coerção e controle como reflexo de desregulação comportamental.

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Embora estudos venham auxiliando na descrição da insegurança emocional, ainda é um conceito
multifacetado composto de reações emocionais, cognitivas e comportamentais.

Sabe-se que a insegurança apresenta efeitos psicológicos relevantes na vida da pessoa e isso salienta o quanto sintomas como desconfiança, ansiedade e até alienação são presentes na rotina.

Por exemplo, o medo de sair de casa ou do bairro em que se reside, acaba por restringir o morador a suas atividades de costume. Pessoas mudam de região e essa insegurança emocional diminui o sentimento de envolvimento e solidariedade com as pessoas a sua volta.

O risco de perder o emprego também traz insegurança emocional. O impacto do desemprego gera
desdobramentos como o estresse ocupacional.

Dessa forma, a insegurança no emprego proporciona estados emocionais que afetam bem-estar e saúde dos colaboradores da organização, e consequentemente comprometendo a satisfação e rendimento com o trabalho.

A insegurança emocional também pode aparecer nos relacionamentos afetivos. Antes de haver o ciúme
propriamente dito, o parceiro sente que está desconfortável no relacionamento amoroso por algum motivo real ou fantasioso.

Conversar pode ajudar a descobrir o que está trazendo este desconforto para um ou para ambos. Ás vezes, o ambiente da relação altera para uma tensão fugaz que traz mal-estar e desgastes a longo prazo.

Quem está pela primeira vez aprendendo a dirigir ou aprendendo algo novo em sua vida experimentará a
sensação se insegurança emocional também.

Aquela desconfiança nas próprias habilidades e potencialidades são colocadas em jogo e então ocorre aquela descarga de adrenalina, independentemente da idade.

É a resposta do organismo para enfrentar uma situação importante, preparando em estado de alerta e atenção, aptando seus recursos aprendidos ou não para momento em questão. Mesmo que seja a primeira vez o corpo responderá perfeitamente, pois ele é pleno.

Portanto, sabendo que a insegurança emocional é algo desenvolvido no decorrer da história de cada
indivíduo, algumas pessoas podem necessitar de ajuda psicológica e até psiquiátrica em casos como esse.


Insegurança emocional – Como tratar

Cuidar dos sentimentos, ou melhor de estados psicológicos, é aferir cuidado de saúde mental e qualidade de vida.

O psicólogo tem o objetivo que propor um atendimento no qual a pessoa possa trabalhar as questões que envolvam a insegurança emocional como queixa principal, sendo esse o norteador do tratamento.

Por meio de técnicas cognitivas e comportamentais, o terapeuta auxiliará o paciente a conduzir seu processo terapêutico personalizado e delimitado, sempre com o suporte emocional de demandas recorrentes.

A estrutura das sessões é focada na queixa primária, a insegurança emocional, priorizando que o paciente possa se fortalecer de suas defesas emocionais e egoicas e também reconhecer suas capacidades e descobrir novos potenciais.

Quando falase de insegurança emocional, o papel do vínculo de confiança deve ser trabalhado e fortificado a cada sessão para então o paciente se sentir um pouco confiante nas pessoas e na vida.

Algumas tarefas de casa são recomendadas para promover compreensão do autocuidado e autoconhecimento.

O paciente precisa se sentir confortável nas sessões. Momentos de tensão existirão, porém existe a hora exata pata tal, até porque o indivíduo se encontra vulnerável e frágil. O mais importante é respeitar o tempo do paciente. Mostrar segurança, respeito e validade.

A melhor abordagem psicológica é aquela a qual o paciente se identifica. O psiquiatra faz prescrição medicamentosa e escuta terapêutica. Há uma série de medicamentos psiquiátricos atualmente de última geração que não afetam a cognição tanto quanto outros antigamente.

Esse avanço melhora a qualidade de vida a longo prazo e o tratamento desses pacientes mais graves. Lembrando que, apenas um especialista poderá avaliar e dizer a necessidade do uso ou não.

O sentimento de insegurança emocional pode ser percebido por todos. Pelo menos em algum momento
alguém já sentiu, porém não soube nomeá-lo. É difícil ao mesmo tempo descrever o que sente e escrever o que se é. Essa é a maleabilidade do conceito da insegurança emocional.

A complexidade repercute em vários campos e está sendo discutida para além daquilo que já se sabe sobre. Novas pesquisas estão a caminho e o futuro desse assunto não se esgotará. A insegurança emocional é um tema intrigante e sem precedentes.


Referências:

  1. Almanza Avendaño AM, Romero-Mendoza M, Gómez San Luis AH. From harassment to disappearance: Young
    women’s feelings of insecurity in public spaces. PLoS One. 2022 Sep 7;17(9):e0272933.
  2. Carrard, R. P. (2022).A insegurança no emprego: um olhar nas pessoas em um processo de fusão e aquisição (Doctoral dissertation).
  3. Cassas, L. P. (2019). Sentimento de insegurança: um ensaio metapsicológico (Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo).
  4. Colmán, L., & Souza, R. (2009). Violência, sentimento de insegurança e incivilidade. Revista Senso Comum, 1(1), 38-46.
  5. Davies PT, Pearson JK, Cicchetti D, Martin MJ, Cummings EM. Emotional insecurity as a mediator of the moderating role of dopamine genes in the association between interparental conflict and youth externalizing problems. Dev Psychopathol. 2019 Aug;31(3):1111-1126.
  6. Ebook – Insegurança Emocional – Raphael Santos (CRP 04/55010).
  7. Schermerhorn AC, Nguyen PK, Davies PT. The interplay among interparental conflict, children’s emotional insecurity, neurophysiological correlates of processing interparental conflict cues, and externalizing symptoms. Dev Psychobiol. 2021 Nov;63(7):e22192.

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  • Psicologia
  • Psiquiatria

Fontes úteis

  • CDC: saúde mental
  • CDC: manejando estresse
  • MedlinePlus: saúde mental

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Dor de barriga: alívio, causas e alertas

16 de novembro de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Dor de barriga muda muito conforme local, início, intensidade, febre, vômitos, diarreia, constipação, urina, ciclo menstrual, alimentação e presença de sangue nas fezes. Medida caseira só faz sentido quando o quadro é leve e compatível com causa simples; dor forte ou progressiva precisa de avaliação.

Muitas pessoas buscam ajuda na internet para solucionarem seus problemas, porém é importante que se entenda que nem sempre a experiência de uma pessoa é aplicável às circunstâncias de diversas outras.

É muito relevante caracterizar a dor dentro de diversos aspectos para que o direcionamento clínico seja correto e o diagnóstico seja preciso, excessos são desnecessários, mas a negligência pessoal afeta significativamente o agravamento de problemas e patologias que poderiam ser solucionados antes de se tornarem mais graves.

O tema da discussão de hoje é dor de barriga.

Certamente todos nós já ouvimos várias frases de pessoas mais idosas sobre o tema: “é bom passar óleo morno na barriga”, “vai ao toalete que passa”, “tem que fazer força”, “você deveria tomar o chá de (…)”, “tome esse remédio que é bom” e muitas outras.

O conhecimento popular é muito rico pois revela detalhes da nossa cultura, mas a saúde é um bem de valor imensurável e os médicos são os profissionais mais adequados para que consigamos diagnósticos e tratamentos direcionados à nossa singularidade. Iniciamos então com algumas perguntas, alterando o título da discussão para:

O que fazer quando sinto dor de barriga?

Todos os seres humanos em cada uma das fases de seu desenvolvimento já sentiram – ou sentem com constância – dores abdominais. Mas é importante que tenhamos em mente o que devemos fazer ao sentirmos esse desconforto.

O que é bom para dor de barriga

Quais dados ajudam a entender a dor

Primeiro: Onde está localizada minha dor, na parte inferior, nas laterais ou mais acima? Qual a intensidade da dor? Estou defecando com frequência? Existem alterações na coloração das fezes ou na urina?

Segundo: observe se a dor melhora ao evacuar, se há diarreia, constipação, muco, sangue vivo ou fezes muito escuras. Sangue, febre, vômitos persistentes, desidratação ou dor localizada forte mudam a prioridade da avaliação.

Dor de barriga de origem intestinal

Excluindo as patologias que acometem outros órgãos alocados no abdome, falaremos sobre a dor de barriga de origem intestinal.

Nosso intestino é longo e possui várias partes e pontos de atenção e quando as nossas fezes estão, por exemplo: enrijecidas, existe alguma obstrução, inflamação ou simplesmente estamos com uma alta concentração de gases é comum que sintamos desconfortos.

A necessidade de uma alimentação balanceada não é apenas para pessoas que vivem um processo de reeducação alimentar, mas tudo o que comemos, tudo o que entra por meio da mastigação no nosso organismo e é excretado por meio das fezes, possui vários passos de desintegração, digestão e absorção que, para serem excretados, precisam de uma consistência viável. 

As fezes são o resultado de todo um percurso fundamental à vida, são compostas de bactérias, água, muco, elementos que não foram digeridos, dentre outros.

Estudos dizem que a composição normal das fezes possui cerca de setenta e cinco por cento de água, o que denota a extrema importância de uma dieta rica em água e fibras, que auxiliam na motilidade intestinal e na formação do bolo fecal que será expelido.

dores abdominais

Importância do processo de excreção para a nossa saúde

Conforme discutido acima, quando analisamos o desconforto abdominal temos que ter em mente a importância do processo de excreção para a nossa saúde.

Quando estamos constipados por muitos dias e sentimos desconfortos, a busca por apoio médico se faz totalmente necessária, em alguns casos é necessário que seja feito até mesmo um enema – um tipo de limpeza intestinal à base de glicerina de uso retal – para eliminação das fezes secas e endurecidas. Em casos mais graves o paciente pode ser inclusive submetido a procedimentos cirúrgicos – caso necessário.

Também há casos em que há lesões intestinais que precisam de atenção, como as inflamações e até mesmo patologias que fazem com que as cólicas sejam constantes – ex: colite espástica – fazendo com que o paciente tenha muitas dores e desconfortos recorrentes e precise de medicamentos de uso contínuo (ex: Mesalazina utilizada em pacientes com doença de Crohn e colite ulcerativa).

Além disso, as dores de barriga podem estar demonstrando que nosso corpo precisa de atenção, quando temos intolerâncias alimentares, sentimos desconfortos gástricos e podemos ter um amolecimento anormal da fezes – como a intolerância à lactose.

Medicamentos que podem auxiliar no alívio da dor

Quando a dor é leve e compatível com gases, constipação ou indisposição alimentar, hidratação, alimentação simples e observação podem ser suficientes. Remédios para dor, cólica ou diarreia não devem ser usados para mascarar dor forte, febre, sangue nas fezes ou piora progressiva.

medicamento

Náuseas, vômitos ou refluxo mudam a interpretação. A prioridade é evitar desidratação e reconhecer sinais de alerta; a escolha de remédios depende de idade, gestação, doenças, outros medicamentos e hipótese clínica.

Exames podem ser necessários quando há suspeita de infecção, parasitose, inflamação intestinal, cálculo, apendicite, causa ginecológica ou urinária. Antibióticos, antiparasitários e probióticos não devem ser escolhidos apenas pelo sintoma “dor de barriga”.

A automedicação não é aconselhável quando o problema é persistente.

Como aliviar a dor de barriga em casa?

  • Descanso intestinal. Pare de comer ou coma apenas alimentos fáceis de digerir, como bolachas ou bananas.
  • Hidratação. Beba muita água ou uma fórmula de hidratação.
  • Terapia de calor. Experimente uma garrafa de água morna ou um banho de imersão.

Além de manter uma dieta saudável, consumir frutas, legumes, verduras, fibras e bastante água, o paciente deve sempre fazer exames preventivos para manter a saúde balanceada e com apoio clínico sempre consiga elevar sua qualidade de vida.

Padrão da dorPróximo passo
Cólicas leves com gasesHidratação, alimentação simples e observar evolução podem bastar.
Diarreia ou vômitosPriorize hidratação e sinais de desidratação.
Dor localizada forteApendicite, vesícula, rim e causas ginecológicas precisam ser consideradas.
Sangue, febre ou desmaioNão trate como indigestão comum.

Fontes úteis

  • MedlinePlus
  • WHO: temas de saúde
  • Ministério da Saúde

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Neutrófilos Baixos: O que é? Causas, Sintomas e Tratamento

16 de novembro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Neutrófilos baixos estão relacionados aos níveis baixos de glóbulos brancos que são parte da defesa natural do organismo.

Mapa clínico: neutrófilos baixos importam pelo risco de infecção, não pelo número isolado

Em resumo: neutrófilos baixos podem aparecer por viroses, medicamentos, deficiência nutricional, doenças autoimunes, quimioterapia, problemas da medula ou variação individual. O risco depende do valor absoluto, duração, febre, infecções recorrentes e contexto clínico.

Diagrama de neutrófilos baixos com valor absoluto, duração da queda, febre e infecção.
Febre com neutropenia muda a urgência.
Fluxo visual de causas de neutrófilos baixos com virose, medicamentos, medula e doença autoimune.
Repetir o exame pode ser necessário para confirmar persistência.
AchadoO que sugerePróximo passo
Queda leve sem sintomasPode ser transitória.Repetir conforme orientação.
Febre ou infecçãoRisco maior.Avaliação urgente.
Queda persistente ou intensaExige investigação.Revisar remédios e exames.
  • Confira o número absoluto de neutrófilos, não apenas a porcentagem.
  • Leve hemogramas antigos para comparar tendência.
  • Procure atendimento urgente se houver febre, calafrios, feridas na boca, falta de ar, confusão, dor ao urinar ou infecção que piora rápido.

Nota de segurança: neutropenia com febre é situação de risco e não deve esperar consulta de rotina.

Para continuar no tema: Hemograma | Leucócitos baixos | Leucócitos na urina | Clínica médica

Causas possíveis

Neutropenia, infecção na medula óssea, mas quaisquer pacientes, não apenas os que são neutropênicos, que estiverem com uma contagem baixa de neutrófilos estão suscetíveis a desenvolver infecções simplesmente pelo fato de estarem com a defesa do organismo defasada.

Sintomas principais

Alguns pacientes relatam fraqueza, dores de cabeça e infecções recorrentes em decorrência da baixa defesa do organismo.

Opções de tratamento

A automedicação não é recomendada! Muitas doenças são agravadas e é possível ter graves complicações com essa prática. Consulte sempre um médico.

O tratamento é clínico, mas é frequentemente feita uma reposição vitamínica com vitamina C, E, ômega 3 e vitamina B12.

Aprenda mais sobre os neutrófilos – qual sua importância?

O corpo humano é perfeito e seu funcionamento adequado é fundamental para uma qualidade de vida funcional. Os neutrófilos – que também chamados de glóbulos brancos por serem parte de tais – são também responsáveis pela defesa do corpo humano de agentes patogênicos, infecções e de outras ameaças como bactérias, vírus e outras substâncias que podem ser tóxicas e nocivas à saúde humana e estão presentes em nossos círculos sociais e em objetos nos quais tocamos diariamente.

FunçãoDescrição
Resposta inflamatóriaOs neutrófilos migram para o local da inflamação e ajudam a destruir e remover agentes patogênicos e células danificadas.
FagocitoseOs neutrófilos consomem e destroem bactérias e outros patógenos por meio da fagocitose.
DegranulaçãoA degranulação libera enzimas antimicrobianas contidas nos grânulos dos neutrófilos para eliminar os patógenos.
Rede de fibras de DNAOs neutrófilos podem lançar redes de fibras de DNA para prender e matar bactérias.
Geração de espécies reativas de oxigênioAs espécies reativas de oxigênio produzidas pelos neutrófilos destroem micro-organismos invasores.
Produção de citocinasAs citocinas liberadas pelos neutrófilos atraem e ativam outras células do sistema imune.

Eles fazem o que chamamos de primeira linha de defesa, pois fazem parte do grupo dos leucócitos. Os leucócitos possuem cinco indicadores importantes e com funções orgânicas determinadas: neutrófilos, monócitos, basófilos, eosinófilos, linfócitos.

Neutrófilos baixos: o que é? causas, sintomas e tratamento

Mas a análise de hoje será acerca dos neutrófilos.

Em relação aos neutrófilos, é preciso que eles estejam em uma porcentagem adequada para que o corpo esteja em seu perfeito estado de funcionamento. Quando a saúde está desalinhada da normalidade e não é feito um acompanhamento clínico e um plano terapêutico bem alinhados, algumas funções são comprometidas e intercorrências certamente surgirão.

Prevenir é, de fato, fundamental para a vida humana. Os neutrófilos são consideradas células de defesa que se originam na medula óssea e por meio da circulação estão presentes por toda a corrente sanguínea, cumprindo um papel essencial para a manutenção da vida.

O que é Neutropenia?

Uma condição comum aos pacientes com neutrófilos baixos é o que chamamos na medicina de neutropenia.

Que é uma patologia que se dá devido à baixa quantidade de neutrófilos no sangue, os índices podem apresentar tênues variações, mas a quantidade de neutrófilos abaixo da média que fazem com que se considere que o paciente é neutropênico está entre 2000-1500/µL para baixo, sendo considerado um quadro mais agravado quando os neutrófilos atingem uma quantidade inferior à 500/µL.

Causas comuns de neutrófilos baixos

Existem duas categorias principais de neutropenia: uma resultante da falta de produção de neutrófilos e outra devido à sua destruição. A quimioterapia, por exemplo, interrompe a produção de neutrófilos e também afeta o resto do sistema imunológico, tornando os pacientes mais suscetíveis a infecções.

A neutropenia pode ser adquirida ou congênita. A maioria dos casos de neutropenia é adquirida e transitória, frequentemente causada por infecções virais que suprimem a medula óssea ou por efeitos colaterais de certos medicamentos. A neutropenia congênita, por outro lado, é uma condição com a qual uma pessoa nasce.

CausaDescrição
InfecçõesInfecções virais como gripe, rubéola e varicela podem levar temporariamente à neutropenia. Bactérias, fungos e parasitas também podem causar a destruição ou consumo excessivo de neutrófilos.
Deficiências nutricionaisA falta de vitaminas como ácido fólico, vitamina B12 e cobre pode resultar em produção insuficiente de neutrófilos na medula óssea.
Reação a medicamentosAlguns medicamentos como antibióticos, anti-inflamatórios e antiepiléticos podem suprimir a medula óssea, levando à neutropenia.
Câncer e tratamentosQuimioterapia e radioterapia podem reduzir acentuadamente os níveis de neutrófilos. O próprio câncer, especialmente leucemias, também afeta a produção de células sanguíneas.
Doenças autoimunesCondições como lúpus e artrite reumatoide causam destruição dos neutrófilos. A neutropenia também pode ocorrer na síndrome de Felty, uma complicação da artrite reumatoide.

Sintomas de neutrófilos baixos (neutropenia)

Sobre a neutropenia é interessante ressaltar que a baixa dos neutrófilos não traz sintomas imediatos, então é de suma importância realizar os  acompanhamentos clínicos regulares com exames de sangue gerais para verificar todos os índices sanguíneos.

Para que a pessoa perceba que algo está fora do controle, é necessário associar às diversas patologias adquiridas ao longo do tempo e com grande frequência e é através de infecções, por exemplo, que os sintomas são associados à alguma disfunção.

A maioria dos médicos em suas análises clínicas questiona sobre a incidência e a reincidência de condições patológicas e os esclarecimentos por parte do paciente sobre quaisquer sinais e sintomas fora do normal definirão a conduta que deverá ser tomada diante disto.

Quaisquer pacientes, não apenas os que são neutropênicos, que estiverem com uma contagem baixa de neutrófilos estão suscetíveis a desenvolver infecções simplesmente pelo fato de estarem com a defesa do organismo defasada, mas devemos ter atenção e responsabilidade nos diagnósticos.

Alguns erros técnicos por parte das equipes de saúde – coleta inadequada, transporte inadequado, punção inadequada, armazenamento inadequado, dentre outros – podem afetar os resultados dos exames e expor o paciente a erros diagnósticos, então é fundamental que durante todo o processo o paciente tenha os resultados confirmados com uma nova coleta caso seja necessário – sempre de acordo com critérios clínicos definidos pelo médico.

Neutrofilia (Leucócitos altos) e Neutropenia (Leucócitos baixos): Diferenças

A neutrofilia, ou o aumento do número de neutrófilos, é muitas vezes um indicativo de uma infecção bacteriana. Na verdade, em cerca de 40% dos casos, altas contagens de neutrófilos são causadas por infecções bacterianas. A pneumonia, infecções da pele, infecções do trato urinário, sepse, entre outras infecções, são algumas das causas mais comuns da neutrofilia.

Além das infecções, o estresse fisiológico, causado por cirurgia, trauma ou exercício intenso, pode resultar em alta contagem de neutrófilos em 20% dos casos. Doenças inflamatórias, como artrite reumatoide e doença inflamatória intestinal, também são causadoras.

Em contraste, a neutropenia, ou uma contagem reduzida de neutrófilos, é frequentemente causada por infecções virais, como influenza, hepatite, COVID-19, varicela e sarampo. No entanto, é importante notar que infecções bacterianas agudas podem levar tanto a altos quanto a baixos níveis de neutrófilos, dependendo da gravidade da infecção.

Como o diagnóstico é avaliado

Para diagnosticar a neutropenia, são necessárias contagens repetidas de neutrófilos.

Em muitos casos, um exame da medula óssea é vital para entender a causa subjacente da condição.

Como avaliar neutrófilos baixos?

Os neutrófilos podem ser avaliados no hemograma completo.

Um exame solicitado para a verificação deste possível diagnóstico é a contagem absoluta de neutrófilos (sigla biomédica: ANC), que consiste basicamente em uma estimativa média da capacidade do corpo de combater as infecções naquele momento, especialmente infecções de caráter bacteriano – que precisam de uma atenção especial e de uso de antibióticos específicos para as cepas.

contagem absoluta de neutrófilos

Mas não apenas os neutropênicos possuem uma baixa em seus níveis de neutrófilos. As pessoas acometidas por infecções, problemas na medula óssea e também doenças autoimunes (por exemplo: HIV, hepatites, tuberculose, artrite reumatóide, lúpus, doença de Chron) e até mesmo pacientes imunodeprimidos (que estão expostos às sessões de radioterapia ou quimioterapia) também estão na lista de pacientes com este índice abaixo da normalidade e precisam de cuidados reforçados no seu dia a dia.

Neutrófilos baixos e quimioterapia / radioterapia

Os pacientes que fazem tratamentos de quimioterapia e de radioterapia demonstram níveis baixos de neutrófilos devido aos tratamentos a que são submetidos, infelizmente as drogas utilizadas acabam diminuindo a quantidade de neutrófilos e impedindo grande parte da produção dos mesmos – para estes os acompanhamentos devem ser rigorosos e as medidas de proteção devem ser redobradas, são não apenas mais suscetíveis e se contaminar, mas também são mais frágeis e mais complexos clinicamente. 

Quando pensamos em alguns tipos de cânceres que chegam até a medula óssea (a exemplo: leucemia, mieloma, linfoma e também metástases de possíveis outros tumores), a produção de neutrófilos também pode ser prejudicada, outra causa – mas mais restrita ao ambiente hospitalar – é a sepse que é a infecção generalizada.

Para as pessoas que não são acometidas pelas condições e patologias citadas, é importante que as vacinas sejam administradas corretamente, uma boa alimentação, a prática de exercícios físicos e a higiene nas atividades praticadas no dia a dia auxiliam nosso corpo a manter os índices funcionais.

Possibilidades de tratamento – quais são?

TratamentoDescrição
Suspensão do medicamento causadorSe a neutropenia for causada por uma reação a medicamentos, suspender o uso do medicamento geralmente resolve o problema.
Terapia com fatores estimuladores de colôniasMedicamentos como filgrastim e sargramostim estimulam a medula óssea a produzir mais neutrófilos.
Transfusões de granulócitosA transfusão de neutrófilos de um doador compatível pode aumentar rapidamente os níveis de neutrófilos.
Tratamento da causa subjacenteTratar a infecção, deficiência nutricional ou condição autoimune subjacente pode ajudar a resolver a neutropenia.
Antibióticos profiláticosAntibióticos preventivos são usados para prevenir infecções em pacientes com neutropenia grave e prolongada.

Fontes úteis

Fontes de apoio: MedlinePlus: white blood count | NCI: neutropenia

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Energéticos naturais: benefícios, riscos e limites

16 de novembro de 2022 by Leilane Lilian Araújo Leal

“Energético natural” pode significar cafeína, carboidrato, bebida estimulante, suplemento ou apenas melhora de sono e alimentação. Cansaço persistente não deve ser mascarado com estimulantes sem revisar anemia, tireoide, depressão, infecções, medicamentos, apneia do sono e baixa ingestão alimentar.

Todo alimento exige algum gasto energético para digestão, mas esse efeito é pequeno diante do gasto total do dia. Cafeína, proteína e alguns compostos de plantas podem mudar disposição ou termogênese de forma discreta, sem substituir sono, alimentação suficiente e treino.

Energético natural não significa sempre seguro

Quando alguém procura “energéticos naturais”, geralmente quer melhorar cansaço, foco ou disposição. Antes de escolher bebida, cápsula ou pó estimulante, vale separar três coisas: energia por sono e alimentação adequados, cafeína em quantidade conhecida, e sintomas que podem indicar anemia, tireoide, depressão, infecção, efeitos de remédios ou outra causa clínica.

Como escolher sem cair em promessa fácil

Ponto de cuidadoPor que importa
Cafeína totalCafé, chá, energéticos, pré-treinos e cápsulas podem somar mais do que parece.
Sono insuficienteEstimulante pode mascarar privação de sono, mas não substitui recuperação.
Coração e pressãoPalpitações, arritmia, hipertensão e ansiedade podem piorar com estimulantes.
Adolescentes e gestantesPrecisam de cautela extra e orientação individual.
Cansaço persistenteFadiga que não melhora com rotina adequada merece investigação.

Antes de usar um estimulante

  • Some todas as fontes de cafeína do dia.
  • Desconfie de “misturas proprietárias” sem dose clara de estimulantes.
  • Evite combinar energéticos com álcool.
  • Procure avaliação se houver desmaio, dor no peito, falta de ar, perda de peso ou cansaço incapacitante.

Eles podem ajudar algumas pessoas a se sentir mais alertas, principalmente quando há cafeína, carboidrato ou rotina alimentar melhor organizada. Cansaço persistente, porém, não deve ser tratado apenas com estimulantes.

Alguns alimentos e bebidas aumentam discretamente o gasto energético por digestão ou estimulação, mas o efeito costuma ser pequeno e não determina emagrecimento isoladamente.

Efeito térmico dos alimentos

O efeito térmico dos alimentos, também conhecido como termogênese induzida pela dieta, é a energia gasta para que alimentos ou bebidas consumidas possam ser processados e digeridos pelo organismo. Ela representa cerca de 5% a 15% do gasto energético diário total. Dependendo de quais alimentos o indivíduo ingere, o seu organismo gastará mais ou menos energia para o processo de digestão do alimento.

Cada tipo de alimento possui um fator térmico diferente. As proteínas são as que exigem mais calorias para serem digeridas. Já as gorduras, por outro lado, utilizam menos energia para serem metabolizadas.

Importância dos energéticos e alimentos termogênicos

O termo “termogênico” costuma ser exagerado em marketing. Na prática, o efeito de alimentos e bebidas sobre gasto energético é modesto e deve ser interpretado junto com sono, treino, calorias totais, proteína e saúde cardiovascular.

Um ponto importante é que somente se consegue perceber a melhoria adquirida pela ingestão
desses alimentos quando são frequentemente consumidos.

O consumo exagerado desses alimentos não compensa um estilo de vida sedentário ou com hábitos pouco saudáveis, no que se refere a aumento do gasto calórico para se refletir em uma perda de peso.

dores de cabeça

O consumo em excesso e sem orientação desses alimentos pode causar dores de cabeça, insônia, problemas no aparelho digestivo, tontura, entre outros problemas.

Mas quais são os principais alimentos energéticos naturais?

Pó de Guaraná

Entre os energéticos naturais, o pó de guaraná é um dos mais populares. Ele contém cafeína, por isso pode aumentar alerta e reduzir sonolência por algumas horas, mas também pode piorar ansiedade, palpitações, refluxo e insônia.

Também contém teobromina e teofilina, que ajudam a aumentar a concentração, o raciocínio e o estado de alerta, sendo um bom aliado para os estudos.

O pó de guaraná pode ser encontrado em cápsulas ou em pó, além de estar presente em diversos suplementos com efeitos termogênicos.

O consumo excessivo pode causar insônia, irritabilidade, tremor e palpitações. A dose segura depende da quantidade total de cafeína no dia, peso, idade, gestação, pressão, ansiedade, arritmias e medicamentos.

Chá-verde

O chá-verde é da mesma planta que se extrai os chás branco e o preto, chamada Camellia sinensis. A diferença é que os outros dois passam por um processamento diferente, mas os três contêm cafeína em sua composição.

Chá-verde contém cafeína e catequinas, compostos estudados por efeitos modestos sobre alerta e metabolismo. Extratos concentrados exigem mais cautela do que a infusão comum, especialmente em quem tem doença hepática, ansiedade, arritmia ou usa medicamentos.

Os reais benefícios da Camelia Sinensis são obtidos com a infusão com ervas ou a suplementação
com extrato padronizado. Sucos ou produtos industrializados a base do chá não tem eficácia
comprovada no aumento da termogênese.

energéticos naturais

Gengibre

O gengibre contém compostos como gingeróis e shogaóis, que podem dar sensação de aquecimento e participar de efeitos digestivos discretos. Isso não significa que ele acelere o metabolismo de forma relevante ou queime gordura por si só.

Adicionar gengibre nos sucos e chás, ou até aromatizar a água durante o dia, são ótimas formas de garantir uma reserva de energia para melhorar a disposição e ficar mais alerta para as tarefas do dia a dia.

Assim como a cafeína, o gengibre pode ser consumido também em cápsulas.

Pimenta

Pimentas com capsaicina podem aumentar levemente a termogênese e a percepção de calor em algumas pessoas, mas o efeito é pequeno. Gastrite, refluxo, intestino sensível e tolerância individual importam mais do que usar pimenta como estratégia de emagrecimento.

pimenta

Canela

A canela pode dar sabor e ajudar a reduzir açúcar adicionado em preparações, mas não deve ser vendida como acelerador de metabolismo. Cumarina em excesso pode ser problema para o fígado e merece cautela em quem usa anticoagulantes ou tem doença hepática.

Canela contém compostos bioativos, mas não deve ser usada como tratamento para glicose alta. Diabetes, resistência à insulina e hipoglicemia exigem acompanhamento, alimentação planejada e, quando indicado, medicação.

Fazer um chá com a canela casca ou consumi-la em pó, polvilhada sobre frutas ou no café, por exemplo, traz o mesmo resultado à saúde. O consumo não precisa ser exagerado, basta uma pitada no café ou no leite.

canela

No entanto, a cumarina pode levar a danos no fígado, se tomada em doses elevadas, e se consumida próximo a alguns medicamentos pode interferir na ação dos mesmos.

O efeito desses alimentos no gasto de energia é discreto; isoladamente, nenhum deles emagrece. O resultado depende do conjunto: sono adequado, alimentação suficiente, rotina de atividade física, hidratação e investigação de cansaço persistente quando ele não melhora.

ObjetivoComo decidir
Foco pontualCafeína pode ajudar, mas dose e horário importam.
Cansaço diárioInvestigue sono, alimentação e causas clínicas.
Palpitação ou ansiedadeEstimulantes podem piorar sintomas.
TreinoCarboidrato, hidratação e recuperação podem ser mais úteis que cápsulas.

Fontes úteis

  • FDA: quanto de cafeína é demais?
  • NCCIH: energy drinks

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Dor desproporcional: O que é a Síndrome Complexa de Dor Regional

16 de novembro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

A síndrome complexa de dor regional (SCDR) é uma dor persistente, em geral em um braço ou uma perna, que pode aparecer após fratura, entorse, cirurgia ou outra lesão. A pista não é somente a intensidade: dor ao toque leve, inchaço, diferença de cor, temperatura ou suor, rigidez e perda de uso do membro formam um padrão que precisa ser examinado. Dor forte depois de trauma não confirma SCDR por si só; infecção, trombose, lesão nervosa, problema articular e outras causas também precisam ser consideradas.

Ela pode afetar marcha, sono, trabalho, treino e tarefas simples. O objetivo do cuidado é recuperar função e reduzir sofrimento sem perder de vista uma causa tratável que imite o quadro. Não há um exame isolado ou uma medicação que “prove” ou resolva a síndrome para todas as pessoas.

Causas da dor regional

A SCDR costuma começar depois de um evento no membro, como fratura, cirurgia, imobilização, entorse ou contusão. Às vezes a lesão inicial parece pequena; em outros casos ela é evidente. Isso não quer dizer que todo trauma cause SCDR nem que a intensidade da lesão explique sozinha a evolução da dor.

O mecanismo não é único. Alterações na sensibilidade dos nervos, no processamento da dor, na inflamação local e na regulação autonômica podem participar em proporções diferentes. Em algumas manifestações, a sensibilização adrenérgica é uma hipótese: depois da lesão, sinais simpáticos e vasculares podem amplificar a resposta dolorosa de terminações sensibilizadas. Isso ajuda a interpretar alterações de temperatura, cor e suor em parte dos quadros, mas não é uma causa única comprovada nem um teste diagnóstico.

Eventos e situações que entram na história clínica

Informação Como ela ajuda a interpretação
Fratura, entorse, contusão, cirurgia ou imobilização São eventos frequentemente relatados antes do início; não confirmam o diagnóstico.
Lesão de nervo documentada Ajuda a classificar como tipo 2, se o restante do quadro for compatível.
Dor que se espalha regionalmente O padrão não precisa seguir o território de um único nervo.
Febre, ferida, dor súbita com inchaço importante ou alteração vascular Exige procurar alternativas urgentes, como infecção ou problema circulatório.

A SCDR pode ocorrer em qualquer sexo e idade, mas alguns estudos de incidência encontraram maior frequência em mulheres. Em uma coorte retrospectiva da base de atenção primária IPCI, nos Países Baixos, foram identificados e validados casos ocorridos entre 1996 e 2005; a incidência estimada foi de 26,2 por 100 mil pessoas-ano (IC 95%: 23,0–29,7). Nesse estudo, mulheres tiveram taxa cerca de 3,4 vezes maior que homens, e o pico entre mulheres ocorreu entre 61 e 70 anos. Esse resultado descreve aquela população e aqueles critérios, não estima o risco individual nem se transfere automaticamente a outros países.

Em um estudo caso-controle da mesma base, com 186 casos e 697 controles, osteoporose e enxaqueca apareceram associadas ao início da SCDR; asma apareceu somente em uma análise de sensibilidade. São associações exploratórias: não demonstram que essas condições causem a síndrome nem permitem prever quem irá desenvolvê-la.

Síndrome complexa regional: tipo 1 e tipo 2

A classificação separa a SCDR em tipo 1, quando não se identifica uma lesão nervosa definida, e tipo 2, quando existe lesão de nervo documentada. Os dois tipos podem apresentar dor em queimação, hipersensibilidade, edema, mudanças de pele e dificuldade de movimento. A distinção não significa que o tipo 1 venha do sistema nervoso periférico e o tipo 2 do sistema nervoso central: os mecanismos podem se sobrepor.

Ponto Tipo 1 Tipo 2
Lesão nervosa definida Não demonstrada Documentada
Sintomas regionais Podem incluir dor, alterações autonômicas e limitação funcional Podem incluir os mesmos sinais
O que define o cuidado A combinação de critérios clínicos, exclusão de outra causa melhor e impacto funcional; o rótulo não substitui a avaliação.
Ilustração de pessoa com dor
Pessoas: vetor criado por pch.vector — Freepik.

Sintomas da síndrome complexa de dor regional

A dor é contínua ou recorrente e pode ser descrita como ardor, pontada, latejamento ou sensação elétrica. Ela costuma parecer maior do que o esperado para o evento inicial e pode piorar com toque de roupa, banho, vento ou mobilização. Isso é diferente de dizer que a dor é “psicológica”: alodinia e hiperalgesia são achados que o examinador procura e interpreta junto dos demais sinais.

O membro pode ficar mais quente ou mais frio que o outro, avermelhado ou pálido, inchado ou com sudorese diferente. Rigidez, tremor, fraqueza, espasmos, redução de amplitude e mudanças em pele, pelos ou unhas também podem aparecer. Os sinais podem variar ao longo do tempo e não precisam estar presentes todos no mesmo dia.

  • Sensibilidade: dor exagerada ao estímulo doloroso ou dor ao toque normalmente inofensivo.
  • Vasomotor: diferença de temperatura ou cor da pele.
  • Sudomotor/edema: inchaço, suor aumentado ou reduzido e assimetria.
  • Motor/trófico: rigidez, tremor, fraqueza, dificuldade de usar o membro e alterações de pele, cabelos ou unhas.

Estresse, medo de mexer e sono ruim podem aumentar o sofrimento e a incapacidade, mas não são explicação suficiente para os sinais. A evolução é variável; não é seguro prometer desaparecimento da dor em prazo fixo.

Registro e avaliação clínica
Mulher: foto criada por pressfoto — Freepik.

Diagnóstico da síndrome complexa de dor regional

O diagnóstico é clínico. Os critérios de Budapeste exigem dor contínua aparentemente desproporcional ao evento inicial, sintomas relatados em pelo menos três de quatro categorias e sinais observados no exame em pelo menos duas delas. Também é necessário que nenhuma outra condição explique melhor o conjunto. Exames não “confirmam” a SCDR de forma isolada, mas podem ser importantes para investigar uma hipótese alternativa.

Categoria Exemplos procurados no relato e no exame
Sensitiva Hiperalgesia e alodinia.
Vasomotora Assimetria de temperatura ou mudança de cor.
Sudomotora/edema Edema e diferença de suor.
Motora/trófica Redução de movimento, fraqueza, tremor, distonia ou alterações de pele, unhas e pelos.

O profissional pode pedir exames de sangue, imagem, ultrassom vascular ou estudos de nervo conforme a história e o exame. Eles servem, por exemplo, para procurar infecção, fratura não consolidada, trombose, doença arterial, neuropatia, radiculopatia ou alteração articular. Uma alteração de cor ou temperatura isolada não fecha SCDR e uma radiografia normal não a exclui.

Reabilitação e apoio psicológico
Mulher: foto criada por freepik — Freepik.

Tratamento da síndrome complexa de dor regional

O tratamento não se resume a suprimir uma nota de dor. A restauração funcional costuma organizar o plano: dessensibilizar gradualmente, voltar a apoiar, tocar, movimentar e usar o membro dentro de metas possíveis. A intensidade da dor, a função perdida, a fase do quadro e as hipóteses ainda em investigação orientam quais medidas entram primeiro.

Tratamento não farmacológico para dor complexa regional

Fisioterapia e terapia ocupacional podem trabalhar amplitude, fortalecimento progressivo, dessensibilização, uso do membro e adaptação de tarefas. O avanço não é forçar dor intensa: é retomar atividades com progressão mensurável e reavaliar quando o plano provoca piora persistente ou não devolve nenhuma função.

Educação sobre dor, técnicas de enfrentamento e acompanhamento psicológico podem ser úteis quando medo de movimento, ansiedade, depressão, insônia ou isolamento aumentam a incapacidade. Isso trata consequências e barreiras reais de uma condição dolorosa; não transforma a SCDR em um problema “apenas emocional”.

Como adjuvantes, TENS aplica estímulos elétricos pela pele com a intenção de modular a percepção dolorosa durante atividades; na SCDR, não há evidência suficiente para tratá-la como solução isolada. Biofeedback treina a pessoa a reconhecer e regular respostas como tensão muscular ou ativação fisiológica; a diretriz não encontrou ensaios tradicionais bem controlados específicos para SCDR. Acupuntura pode ser discutida como recurso complementar para alívio, mas a evidência específica também é limitada. Calor ou frio devem ser testados com cautela: sensação alterada, edema e intolerância térmica podem fazer uma dessas opções piorar o desconforto ou lesar a pele. Nenhuma dessas medidas substitui a dessensibilização e o progresso funcional.

Tratamento medicamentoso

Medicamentos podem ter papel de alívio para que a pessoa consiga dormir, participar da reabilitação e recuperar atividades; não corrigem sozinhos o mecanismo da SCDR. Analgésicos simples e anti-inflamatórios não esteroides podem ser considerados para dor associada a lesão ou inflamação, porém a evidência específica para SCDR é limitada e os riscos gastrointestinais, renais, cardiovasculares e de sangramento importam.

Quando a dor tem características neuropáticas, antidepressivos tricíclicos, inibidores de recaptação de serotonina-noradrenalina e anticonvulsivantes como gabapentina ou pregabalina às vezes são usados. A evidência em SCDR é em boa parte extrapolada de outras dores neuropáticas; um ensaio de gabapentina na síndrome não mostrou benefício claro e não há ensaio específico robusto de pregabalina. Por isso, melhora de sono ou alívio parcial não deve ser apresentado como prova de que a doença foi tratada.

Grupo Papel possível Limite que muda a decisão
Analgésicos/AINEs Alívio de dor associada ou componente inflamatório. Evidência específica limitada e riscos próprios da classe.
Fármacos para dor neuropática Podem reduzir sintomas em parte das pessoas. Dados em SCDR são limitados ou extrapolados; exigem revisão de benefício e efeitos.
Anestésico local Lidocaína tópica pode ser considerada para alodinia focalizada. Evidência em SCDR é limitada; adesivo/creme tópico não é o mesmo que bloqueio injetável.
Corticosteroides Curso breve pode ser considerado no quadro precoce com inflamação proeminente. Não é equivalente a AINE; uso prolongado não tem benefício comprovado e traz riscos relevantes.
Opioides Podem ser discutidos em situações selecionadas de dor importante. Benefício sustentado é incerto; tolerância, dependência e efeitos adversos exigem cautela.

Formulação, quantidade, combinações, contraindicações e retirada são definidas pelo diagnóstico, função renal e hepática, risco de queda, uso de álcool e outros medicamentos. Na revisão do tratamento, a pergunta prática é qual função o remédio permitiu recuperar e se esse ganho compensa os efeitos adversos.

Tratamento intervencionista em casos refratários

Bloqueios simpáticos, infusões, estimulação neuromodulatória ou outras intervenções podem ser considerados quando dor e limitação impedem o progresso apesar de um programa de reabilitação bem conduzido. Eles não são etapas automáticas. A evidência varia, e um bloqueio temporariamente útil pode ser usado para abrir uma janela de movimento e terapia, não como prova de cura.

Procedimentos destrutivos, como simpatectomia, têm controvérsias e podem piorar sintomas; por isso não devem ser tratados como solução rotineira. Bombas intratecais e técnicas invasivas exigem seleção cuidadosa, discussão de riscos e objetivo funcional explícito.

Como se organizam as metas de reabilitação

No início, uma pessoa pode não tolerar roupa, banho ou apoio leve no membro. A primeira meta pode ser tocar materiais com texturas diferentes, movimentar poucos graus uma articulação ou usar a mão em uma tarefa curta. Em outro caso, a dificuldade predominante é apoiar o pé, subir escadas ou voltar a dirigir. Registrar o que mudou em cada uma dessas tarefas torna a resposta ao tratamento mais concreta do que perguntar apenas se a dor “está melhor”.

Alongamento, fortalecimento e treino de amplitude são escolhidos conforme a região e o que ainda é seguro após a lesão inicial. Terapia ocupacional pode adaptar utensílios, tarefas domésticas e trabalho enquanto a função retorna. Estratégias como imagética motora graduada e exposição progressiva ao movimento podem entrar quando o medo e a resposta dolorosa impedem que a pessoa use o membro. Elas exigem acompanhamento: piora breve durante exercício não é automaticamente dano, mas dor crescente e perda contínua de função pedem reavaliação da carga e do diagnóstico.

Meta funcional Exemplo de medida útil O que exige rever o plano
Uso da mão Segurar copo, digitar, abotoar roupa ou preparar alimento. Perda de força nova, edema crescente ou incapacidade de executar tarefas antes possíveis.
Marcha Tempo de apoio, distância percorrida, escadas e necessidade de auxílio. Dor súbita, membro frio, mudança vascular marcada ou piora sustentada.
Sono e rotina Despertares por dor e retorno gradual a trabalho ou estudo. Sedação de medicamentos sem ganho de função ou sofrimento emocional intenso.

Por que as alternativas precisam ser excluídas

Uma SCDR pode coexistir com outro problema, e alguns diagnósticos diferenciais exigem outra conduta. Uma trombose ou comprometimento arterial pode causar inchaço, cor e dor no membro; infecção pode causar vermelhidão, calor e dor; lesão de nervo, radiculopatia cervical ou lombar e neuropatia periférica podem explicar sensações anormais. Fratura, lesão de tendão, síndrome compartimental, artrose ou problema articular também podem limitar movimento depois de trauma.

O exame compara lados, temperatura, cor, edema, sensibilidade, força e movimento. A história de início, cirurgia, imobilização, ferida, uso de medicamentos e doença vascular orienta quais exames acrescentam informação. A exclusão não é uma etapa burocrática: evita tratar como SCDR algo que precisa de antibiótico, procedimento vascular, estabilização ortopédica ou outra intervenção específica.

Tratamento e saúde mental sem reduzir a dor a ansiedade

Dor persistente pode produzir ou agravar ansiedade, humor deprimido, medo de movimento, irritabilidade e isolamento. Esses problemas dificultam sono e adesão à reabilitação, e merecem tratamento porque alteram qualidade de vida e participação social. Psicoterapia pode ajudar a lidar com medo, atenção constante ao sintoma e reorganização de atividades; também pode melhorar comunicação com a equipe e com a família.

Isso não substitui exame físico nem permite concluir que alterações autonômicas são “emocionais”. A função da avaliação integrada é reconhecer todas as camadas que sustentam incapacidade e escolher uma meta possível para cada uma. Quando há depressão, pensamento de autoagressão ou uso problemático de álcool e medicamentos, a atenção de saúde mental se torna ainda mais urgente.

Acompanhamento e avaliação multidisciplinar

A equipe pode incluir reabilitação, controle de dor, terapia ocupacional, psicologia e outras áreas conforme o problema predominante. O acompanhamento observa caminhada, destreza, sono, autonomia, retorno a tarefas e participação social, além da intensidade de dor. Se uma estratégia não permite avanço, a hipótese diagnóstica, a meta e o balanço entre benefício e dano precisam ser revistos.

Perguntas frequentes

Quais sintomas exigem avaliação mais rápida?

Febre, ferida, vermelhidão que se espalha, dor ou inchaço súbito, membro frio ou muito pálido, perda de força nova e incapacidade de mover o membro precisam de avaliação sem esperar que sejam atribuídos à SCDR.

Como a SCDR é diagnosticada?

Pelo padrão clínico, critérios de Budapeste e exclusão de uma causa melhor; exames complementares respondem às hipóteses levantadas no exame.

Por que movimento faz parte do tratamento?

Porque desuso, rigidez e medo de mover podem aumentar incapacidade. O movimento é graduado e acompanhado, não uma ordem para ignorar dor intensa ou sinais de outra doença.

Os sintomas podem melhorar completamente?

Algumas pessoas melhoram muito, outras mantêm sintomas ou precisam de tratamento prolongado. A evolução depende do tempo, da função, de lesões associadas e da resposta às medidas; não há percentual ou prazo que preveja o caso individual.

Conclusão

Na SCDR, dor desproporcional ganha significado quando vem acompanhada de alterações sensitivas, autonômicas e funcionais. Reconhecer o padrão cedo permite investigar alternativas urgentes, organizar reabilitação e usar tratamentos de alívio com metas e limites claros.

Referências

  • IASP — Complex regional pain syndrome
  • Harden et al. Practical Diagnostic and Treatment Guidelines, 5ª edição
  • de Mos et al. The incidence of complex regional pain syndrome: a population-based study
  • de Mos et al. Medical history and the onset of complex regional pain syndrome
  • Van der Spek et al. Pharmacological Treatments for CRPS

Arquivado em: Dor, Neurologia

Pomada para unha encravada: quando usar

16 de novembro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Pomada para unha encravada pode aliviar inflamação superficial quando há irritação leve, mas não corrige o canto da unha entrando na pele. Dor pulsante, pus, vermelhidão progressiva, diabetes, má circulação ou recorrência indicam que é preciso avaliar o corte da unha, infecção e necessidade de procedimento.

Pomada pode aliviar dor local ou ajudar em irritação superficial, mas unha encravada acontece quando a borda da unha entra na pele. Se houver espícula presa, inflamação importante, pus ou tecido crescendo ao redor, a pomada não corrige a causa mecânica. O tratamento depende de gravidade, infecção, dor, recorrência e presença de diabetes ou má circulação.

O erro comum é passar antibiótico, corticoide ou anestésico por vários dias enquanto a unha continua penetrando a pele. Isso pode reduzir sintomas e atrasar cuidado. Pessoas com diabetes, neuropatia, imunossupressão ou doença vascular precisam de margem de segurança maior porque feridas no pé podem complicar mais rápido.

Quando a pomada é insuficiente

SinalO que sugerePróximo passo
Pus, mau cheiro ou vermelhidão aumentandoInfecção.Avaliação para drenagem, cuidado local ou antibiótico quando indicado.
Dor ao calçar ou caminharUnha ainda pressionando a pele.Corrigir o corte/espícula, não só medicar.
RecorrênciaFormato da unha, corte inadequado ou calçado contribuindo.Plano preventivo e possível procedimento.
Diabetes ou má circulaçãoMaior risco de complicação.Avaliar cedo.

Cuidados que costumam ajudar no início

Quando o quadro é leve, sem pus e sem doença de risco, medidas como higiene, manter o pé seco, evitar calçado apertado e não cortar os cantos profundamente podem ajudar. Não tente “cavar” a unha com instrumento sem esterilização, porque isso aumenta trauma e infecção.

Se a unha encravada é recorrente, a prevenção também precisa ser mecânica: cortar reto, evitar arredondar demais os cantos, ajustar calçado, tratar micose quando presente e observar formato da unha. Em determinadas situações, o profissional remove apenas a parte que entra na pele ou faz procedimento para reduzir recorrência. A pomada entra como apoio, não como solução principal.

A avaliação é mais urgente quando há vermelhidão subindo pelo dedo, dor pulsátil, febre, diabetes, perda de sensibilidade nos pés ou ferida que não melhora. Nesses contextos, esperar a pomada “fazer efeito” pode ser arriscado.

Veja também: riscos da automedicação.

Até mesmo em relação às unhas encravadas, existem complicações e grupos que devem ter mais atenção.

Em algumas situações os pacientes acabam se confundindo entre a encravação de uma unha e a infecção local de um pequeno tecido epitelial removido e infectado. Pessoas que fazem as unhas em serviços de beleza devem ficar atentas aos instrumentos utilizados e, preferencialmente, devem ter seus cortadores de unhas e alicates de uso pessoal.

Instrumentos compartilhados e mal esterilizados podem transmitir fungos, bactérias e outros agentes infecciosos. Em manicure ou podologia, observe higiene, esterilização e uso de materiais adequados.

Pomada para unha encravada

Quando a unha é considerada inflamada?

A unha é considerada inflamada quando acontece a perfuração da pele por parte da unha.

Logo o encravamento pode acontecer por muitos fatores, sendo eles:

A unha se prender à pele durante o crescimento e perfurá-la, um pedaço pontiagudo de unha não ser removido adequadamente ou se quebrar, sofrer traumas nos dedos, utilizar calçados que pressionam os dedos e dificultam sua posição anatômica usual pressionando-os demais ou devido ao formato das unhas e seu crescimento, pessoas com dedos pequenos e unhas desproporcionais tendem a sofrer estes encravamentos. Toda e qualquer pessoa pode ter suas unhas encravadas, mas é mais comum que ocorra nestas situações.

Possíveis causas do encravamento

Os diabéticos também podem sofrer com o encravamento das unhas, principalmente dos pés, pelo fato que a sensibilidade podal nos diabéticos é muito afetada pela progressão da doença, além disso, a circulação sanguínea é comprometida e há danos nos nervos, o que faz com que o diabético se machuque sem perceber, por isso é importante sempre verificar quaisquer ferimentos nos pés.

unhas encravadas

Mas a grande questão é:

Tenho uma unha encravada e agora, o que fazer? E se a infecção se agravar?

Muitos pacientes tentam cortar as unhas encravadas na tentativa de melhorar o quadro, também são frequentes as tentativas de pressionar o local infeccionado para eliminar a secreção e tentar aliviar a dor e até mesmo recorrer a medicamentos para atenuar os sintomas, afinal é bastante comum sentir dores no local, ficar com a região do encravamento avermelhada e inchada e até mesmo liberar secreções.

Mas afinal, existe pomada para unha encravada?

Pensemos então na composição da unha: resumidamente, as unhas possuem queratina (que é uma proteína), sais minerais e células mortas.

Dizer que uma pomada pode solucionar um problema de unha encravada é um erro farmacológico terrível, atualmente existem outras tecnologias que podem auxiliar na correção do formato das unhas, mas um medicamento não é capaz de alterar a anatomia delas, a ação do medicamento se dá no processo infeccioso.

Caso o paciente possua algum problema na estrutura da unha ou tenha hábitos recorrentes que prejudicam seu crescimento saudável, podem ter infecções recorrentes.

Na questão do encravamento das unhas as pomadas poderão auxiliar no tratamento da infecção e no controle da dor e da inflamação local. As pomadas para unha encravada terão sua ação em aliviar a dor e eliminar bactérias presentes no local e combater a infecção.

Tratamento medicamentoso para unha encravada

Pomadas variam entre antibióticos, anti-inflamatórios, anestésicos e combinações. A escolha depende de haver infecção, inflamação, dor, alergia, diabetes, circulação ruim ou unha ainda presa na pele; por isso não é uma lista para automedicação.

Para a aplicação das pomadas surtir o efeito esperado, é necessário que o paciente higienize a região e mantenha-a seca, além disso a aplicação de uma fina camada é mais eficiente no que diz respeito à absorção do medicamento pela pele.

pomadas para unha encravada

Infelizmente não é em todos os casos que as pomadas são suficientes para tratar o problema, em alguns casos deverá ser feita a remoção do encravamento com uma microcirurgia e dependendo da evolução do encravamento e dos desdobramentos clínicos se dará necessária a associação tópica e oral medicamentosa.

Quando há infecção mais importante, pode ser necessário antibiótico por via oral, drenagem ou correção da espícula da unha. A escolha depende do exame local, presença de pus, vermelhidão progressiva, dor, diabetes, circulação e risco de complicação.

Alguns pacientes relatam a necessidade de drenar o local, pois a formação de um abscesso no local não é incomum. Como fora citado acima, para os pacientes com problemas recorrentes de encravamento de unhas, caso os mesmos precisem constantemente de intervenções farmacológicas, do ponto de vista farmacêutico não é indicado o uso recorrente de antibióticos, o que pode ser um grande problema.

Quando avaliar unha encravada

Pus, vermelhidão aumentando, dor para calçar, febre, diabetes, má circulação ou recorrência indicam que a unha precisa ser examinada antes de repetir pomadas ou antibióticos.

Quanto mais demoramos para consultar um médico, mais lento será o processo para solucionar o problema. Para que o antibiótico e a pomada adequados sejam prescritos, se faz necessária a avaliação médica para definir o que será feito.

Dermatologistas são os profissionais mais indicados para avaliar as causas, mas para tratar o problema apenas o médico poderá analisar qual a conduta mais adequada.

SituaçãoConduta mais segura
Irritação leveHigiene local, calçado folgado e evitar cutucar podem ajudar.
Pus ou calorPode haver infecção; antibiótico ou drenagem não devem ser improvisados.
RecorrênciaA técnica de corte e o formato da unha precisam ser revistos.
Diabetes ou circulação ruimFeridas no pé merecem avaliação mais cedo.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ingrown toenail
  • MedlinePlus: diabetic foot
  • MedlinePlus: foot health

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