Quais São as Consequências do Sedentarismo?

quais são as consequências do sedentarismo

Um terço da população adulta no mundo todo não pratica atividades físicas suficientes.

Isso, por sua vez, afeta a saúde. Esse estilo de vida sedentário vem se espalhando em todo o mundo e especula-se que isso seja influenciado por múltiplos fatores. Os principais incluem, por exemplo, a falta de espaços disponíveis para praticar exercícios físicos, o aumento de comportamentos sedentários ocupacionais (como acontece com quem trabalha diariamente em escritórios), além da utilização excessiva de aparelhos de televisão e celulares. 

Dessa forma, os problemas de saúde associados só aumentam – tanto é que a inatividade física se tornou o quarto principal fator de risco de mortalidade, sendo responsável por 6% da mortalidade global.

O sedentarismo afeta o corpo humano por meio de vários mecanismos. Nesse artigo, você entenderá o lado ruim de ter um estilo de vida sedentário e como isso influencia o seu corpo e seu bem-estar geral.

quais são as consequências do sedentarismo

Consequências do estilo de vida sedentário

Diversos estudos já comprovaram que um estilo de vida sedentário aumenta os riscos para diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, hipertensão e até mesmo doenças malignas, como o câncer de mama e o de cólon. Inclusive, não há discordância na informação de que o tempo de estilo de vida sedentário prolongado está relacionado a desfechos ruins de diversas doenças[1]Park JH, Moon JH, Kim HJ, Kong MH, Oh YH. Sedentary lifestyle: overview of updated evidence of potential health risks. Korean journal of family medicine. 2020 Nov;41(6):365..

O sedentarismo está associado a disfunções metabólicas, como elevados níveis de triglicerídeos e reduzidos níveis de colesterol HDL (que é o colesterol “bom”). Além disso, a atividade da lipoproteína lipase é diminuída devido à falta de atividade física. A lipoproteína lipase é uma proteína que, se estiver em baixa concentração no organismo, diminui o nível de colesterol HDL e afeta a prevalência de hipertensão grave e doenças das artérias coronárias.

Um estudo publicado pelo Journal of Bone and Mineral Research demonstrou que o sedentarismo reduz a densidade mineral óssea. Nesse estudo, alguns homens e mulheres adultos saudáveis foram induzidos a ficar 12 semanas em repouso. Os resultados mostraram que essa inatividade física reduziu a densidade mineral da coluna lombar, do colo do fêmur e trocanter maior em 1% a 4%[2]Zerwekh JE, Ruml LA, Gottschalk F, Pak CY. The effects of twelve weeks of bed rest on bone histology, biochemical markers of bone turnover, and calcium homeostasis in eleven normal subjects. Journal … Continue reading.

O tempo de sedentarismo também possui relações significativas com a circunferência da cintura e escores de risco metabólico, fatores que influenciam na obesidade. Pessoas obesas tendem a ficar mais tempo paradas – então a circunferência da cintura também tende a aumentar conforme o tempo de inatividade física se prolonga, segundo um estudo publicado em 2008 pelo periódico Diabetes Care[3]Healy GN, Wijndaele K, Dunstan DW, Shaw JE, Salmon J, Zimmet PZ, Owen N. Objectively measured sedentary time, physical activity, and metabolic risk: the Australian Diabetes, Obesity and Lifestyle … Continue reading.

A relação entre o sedentarismo e o câncer

Sobre a relação que existe entre sedentarismo e câncer, um estudo no periódico Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention ressaltou que ficar muito tempo sentado aumenta os riscos de câncer colorretal, endometrial, ovariano e de próstata, aumentando a mortalidade, principalmente em mulheres[4]Friedenreich CM. Physical activity and cancer prevention: from observational to intervention research. Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention. 2001 Apr;10(4):287-301..

Além disso, um comportamento sedentário leva a disfunções metabólicas como alterações nos níveis circulantes de hormônios sexuais. Já foi relatado em um estudo publicado pelo Cancer Causes and Control que essas alterações podem estar associadas a cânceres relacionados a hormônios, como o câncer de mama e de endométrio.

Lee e colaboradores, em um estudo publicado em 2019, também relacionaram o sedentarismo à dor crônica no joelho, afirmando que a incidência de dor crônica no joelho é maior em pessoas que passam mais tempo em inatividade física[5]Lee SH, Son C, Yeo S, Ha IH. Cross-sectional analysis of self-reported sedentary behaviors and chronic knee pain among South Korean adults over 50 years of age in KNHANES 2013-2015. BMC Public … Continue reading.

muito tempo sentado

Comportamentos sedentários

Comportamentos sedentários, especialmente aqueles mentalmente passivos – como ficar muitas horas do dia assistindo televisão e falando sentado – estão relacionados aos riscos de depressão. Uma vez que eles bloqueiam a comunicação direta e as interações sociais, isso também reduz o tempo disponível para se envolver em atividades físicas que ajudam a prevenir e tratar a depressão.

Diante de todas essas informações, é indiscutível que os impactos negativos na saúde se intensificam com os comportamentos sedentários. Por isso, é importante reduzir o tempo de inatividade física o máximo que você puder.

Você observará melhores resultados na sua saúde se adotar um curto período sedentário com atividade física intermitente ou com um simples treinamento muscular. Se não for possível realizar exercícios físicos suficientes, é aconselhável pelo menos realizar uma atividade física leve em vez de não praticar nenhuma atividade física. Benefícios à saúde podem ser obtidos através de atividades físicas mínimas – conforme as situações permitirem.

muitas horas do dia assistindo televisão

Medidas simples para reduzir o sedentarismo

Medidas simples podem ajudar você a reduzir as consequências do sedentarismo. Por exemplo, ao invés de ir sentado no transporte público, o que acha de ir em pé? Se o seu local de trabalho for próximo da sua casa, escolha alguns dias da semana para ir caminhando. Durante as pausas para o almoço no trabalho, faça caminhadas ao invés de ficar todo o período sentado. Se você tem o costume usar elevador diariamente, comece a substituir esse hábito por subir as escadas.

Incorporar mais movimento no seu dia a dia vai ajudá-lo a melhorar sua saúde física e mental. Seu corpo irá agradecer!

Referências Bibliográficas

Referências Bibliográficas
1 Park JH, Moon JH, Kim HJ, Kong MH, Oh YH. Sedentary lifestyle: overview of updated evidence of potential health risks. Korean journal of family medicine. 2020 Nov;41(6):365.
2 Zerwekh JE, Ruml LA, Gottschalk F, Pak CY. The effects of twelve weeks of bed rest on bone histology, biochemical markers of bone turnover, and calcium homeostasis in eleven normal subjects. Journal of Bone and Mineral Research. 1998 Oct;13(10):1594-601.
3 Healy GN, Wijndaele K, Dunstan DW, Shaw JE, Salmon J, Zimmet PZ, Owen N. Objectively measured sedentary time, physical activity, and metabolic risk: the Australian Diabetes, Obesity and Lifestyle Study (AusDiab). Diabetes care. 2008 Feb 1;31(2):369-71.
4 Friedenreich CM. Physical activity and cancer prevention: from observational to intervention research. Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention. 2001 Apr;10(4):287-301.
5 Lee SH, Son C, Yeo S, Ha IH. Cross-sectional analysis of self-reported sedentary behaviors and chronic knee pain among South Korean adults over 50 years of age in KNHANES 2013-2015. BMC Public Health. 2019 Dec;19(1):1-1.

Dr. João Arthur Ferreira

CRM-SP 19759 / RQE 3179 Atua no tratamento de reabilitação em atletas, dor aguda e dor crônica (cervicalgia, lombalgia, enxaqueca). Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura Coordenador do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa – Curso de Pós-Graduação em Acupuntura Médica, reconhecida pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (SBMFR).
Ex-Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

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CRM-SP 19759 / RQE 3179 Atua no tratamento de reabilitação em atletas, dor aguda e dor crônica (cervicalgia, lombalgia, enxaqueca). Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura Coordenador do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa – Curso de Pós-Graduação em Acupuntura Médica, reconhecida pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (SBMFR).
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