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Tratamento para Psoríase

29 de agosto de 2022 by Dra. Juliana Toma Deixe um comentário

Tratamento para Psoríase exige observar tempo de evolução, localização, cor, textura, coceira, dor, sangramento, produtos usados e resposta ao tratamento. A causa provável deve vir antes de pomadas, ácidos, antibióticos ou procedimentos estéticos.

Considerada uma doença autoinflamatória comum, a psoríase provoca manchas recobertas por escamas esbranquiçadas que podem acometer a pele, assim como o couro cabeludo, mucosas e unhas.

Apesar de poder se manifestar em pessoas de todos os gêneros e idades, inclusive durante o período da infância, a psoríase é mais frequente na vida adulta[1]Griffiths CE, Clark CM, Chalmers RJ, Po AL, Williams HC. A systematic review of treatments for severe psoriasis. Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE): Quality-assessed Reviews … Continue reading.

A psoríase é crônica e não contagiosa. Conforme aponta a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença possui ciclos, ou seja, os sintomas apresentados desaparecem e reaparecem de tempos em tempos.

As estimativas afirmam que de 2 a 3% da população mundial sofre com a psoríase, número que representa aproximadamente 190 milhões de pessoas em todo o planeta. Cerca de 3 milhões de brasileiros são acometidos pela condição[2]Kuchekar AB, Pujari RR, Kuchekar SB, Dhole SN, Mule PM. Psoriasis: A comprehensive review. International Journal of pharmacy & life sciences. 2011 Jun 1;2(6)..


Diagnóstico de Psoríase

sintomas psoriase JAMA
Espessamento da pele e eritema, característicos da psoríase, são mostrados. Os painéis A, B e C (paciente A) exibem múltiplas manifestações de psoríase no tronco, extremidades, prega interglútea e unhas dos pés. O painel D (paciente B) mostra manifestações de artrite psoriática, incluindo envolvimento das unhas. Fonte: JAMA[3]Armstrong AW, Read C. Pathophysiology, clinical presentation, and treatment of psoriasis: a review. Jama. 2020 May 19;323(19):1945-60.

Uma  vez que não há um exame sanguíneo para comprovação da doença, o diagnóstico é realizado por um médico dermatologista que considera o histórico pessoal do paciente, assim como seu histórico familiar, e um exame clínico dos sintomas[4]Lowes MA, Suarez-Farinas M, Krueger JG. Immunology of psoriasis. Annual review of immunology. 2014;32:227..

O dermatologista pode solicitar ainda uma biópsia de um fragmento de pele para avaliação microscópica.  

Sabe-se que a predisposição genética tem influência no surgimento de lesões da psoríase, bem como alguns fatores comportamentais e ambientais, a exemplo de estresse, baixa imunidade e exposição a baixas temperaturas[5]Deng Y, Chang C, Lu Q. The inflammatory response in psoriasis: a comprehensive review. Clinical reviews in allergy & immunology. 2016 Jun;50(3):377-89..

No entanto, as causas da doença ainda não são totalmente conhecidas.


Sintomas da Psoríase

sintomas psoriase

Os sintomas da doença podem alterar conforme a gravidade do quadro clínico, porém podem incluir[6]Rendon A, Schäkel K. Psoriasis pathogenesis and treatment. International journal of molecular sciences. 2019 Mar 23;20(6):1475.: 

  • Dor, coceira e queimação;
  • Lesões avermelhadas com escamas brancas ou prateadas;
  • Ressecamento e rachaduras na pele, algumas vezes com ocorrência de sangramento;
  • Apresentação de manchas brancas ou escuras depois da melhora das lesões avermelhadas;
  • Alterações na forma das unhas com surgimento de depressões e sulcos, além de maior espessamento, descolamento e coloração amarelada;
  • Rigidez e inchaço articular, bem como deformidades e destruição das articulações em casos mais graves e avançados.

A psoríase possui associação com o desenvolvimento de doenças cardiometabólicas, doenças gastrointestinais, assim como com vários tipos de cânceres e distúrbios do humor, além de afetar a autoestima do paciente devido à estigmatização e discriminação social.

Leia mais sobre a psoríase aqui.

Quando não tratada, a depender da evolução do quadro clínico, a doença pode diminuir a expectativa de vida.

Embora ainda não haja uma controle sustentado do quadro, quando possível, o tratamento para psoríase oferece uma melhora na qualidade de vida dos pacientes, uma vez que colabora para minimizar os incômodos tanto estéticos, quanto físicos durante as crises da doença.

É sobre ele que falaremos ao longo deste artigo. Acompanhe. 


Conheça as principais opções de tratamento para psoríase 

O tratamento para psoríase é individualizado de acordo com o tipo e gravidade apresentado em cada caso, devendo sempre ser realizado por meio da orientação de um dermatologista que pode inclusive combinar mais de uma terapia[7]Menter A, Griffiths CE. Current and future management of psoriasis. The Lancet. 2007 Jul 21;370(9583):272-84..

Segundo Psoríase Brasil – Associação Brasileira de Psoríase, Artrite Psoriásica e de outras Doenças Crônicas de Pele, as principais opções de tratamento para psoríase incluem:

Tratamento tópico

É realizado por meio de cremes hidratantes e pomadas aplicados diretamente na pele para ajudar a mantê-la úmida e hidratada, geralmente logo após o banho. Costuma ser a melhor opção para casos leves de psoríase e pode ser utilizada isoladamente ou mesmo associado a outros tratamentos.

Entre os produtos mais frequentemente utilizados temos os cremes hidratantes espessos ou a base de vaselina; cremes que possuam na composição retinol, vitamina D e alcatrão; pomadas com corticoides, a exemplo da dexametasona ou hidrocortisona.

Já nos casos de lesões provocadas por psoríase no couro cabeludo,  uma das possibilidades é a utilização de shampoos especiais. 

Tratamentos sistêmicos

Normalmente são recomendados para pacientes com quadros leves que apresentam resistência ao tratamento tópico, ou ainda em casos graves em que o paciente tem artrite psoriásica. 

Ocorre por meio do uso de comprimidos ou injeções que possuem ação anti-inflamatória e buscam evitar o crescimento das lesões que já existem, prescritos só após a análise e avaliação do dermatologista.

Tratamentos biológicos

Este tipo de tratamento por meio de medicamentos injetáveis é recomendado para quadros de psoríase grave. No Brasil, há uma série de tratamentos biológicos aprovados, são os conhecidos anti-TNFs, a exemplo do adalimumabe, certolizumabe-pegol, etanercepte e infliximabe, anti-interleucina 12 e 23 (ustequinumabe), os  anti-interleucina 17 (secuquinumabe e ixequizumabe) e os anti-interleuciina 23 (guselcumabe e risanquizumabe).

Este tipo de tratamento pode oferecer risco para o feto, por isso não é recomendado durante o período gestacional. No entanto, cabe ao médico responsável  pelo acompanhamento do caso avaliar os riscos e benefícios para a paciente. 

O tratamento com agentes biológicos também não é indicado para indivíduos com  alergia aos componentes da fórmula, ou  ainda em casos de insuficiência cardíaca, doença desmielinizante, histórico recente tumor cancerígeno, com infecção ativa ou que fizeram uso há pouco tempo de vacinas vivas atenuadas. 

Fototerapia

Também conhecida como luz ultravioleta, este tratamento é recomendado para casos mais graves de psoríase e só deve ser realizado com o acompanhamento de um dermatologista. Comumente é realizado com três sessões semanais.

O efeito anti-inflamatório da fototerapia atua no controle das lesões, bem como evita o crescimento das células lesionadas. Este tipo de tratamento não é recomendado para crianças.

É preciso que os pacientes com psoríase saibam que na grande maioria dos casos da doença o tratamento é feito em duas etapas, sendo a primeira voltada para supressão das lesões e a segunda para manutenção da pele sem danos.

Seja qual for a opção de tratamento adotada, é fundamental manter o acompanhamento periódico com o dermatologista para caso seja necessário realizar ajustes que possibilitem uma melhor qualidade de vida para o paciente, além de diminuir o risco de novas crises de psoríase. 

Tipos de psoríase 

A manifestação da psoríase pode ocorrer em diversos tipos, a depender das características próprias das lesões, da localização das mesmas e também do nível de gravidade. Entre os principais tipos de psoríase destacam-se:

  • Psoríase em placas ou vulgar: apresenta-se sob a forma de placas secas, avermelhadas com escamas prateadas ou esbranquiçadas, sendo o tipo mais frequente da doença. Pode afetar qualquer parte do corpo, inclusive a área genital, porém são mais comuns as placas nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo, cicatriz umbilical e região lombar. As lesões podem doer, coçar, e em quadros graves, provocar rachaduras e sangramentos.
  • Psoríase ungueal:  este tipo de psoríase pode atingir as unhas das mãos e também dos pés, provocando o crescimento anormal da unha, mudança de coloração, engrossamento, escame e deformação.
  • Psoríase invertida: mais frequente em regiões úmidas e com dobras, a exemplo da virilha, axilas e abaixo dos seios, pode se gravar em indivíduos com obesidade, com excesso de  sudorese ou devido ao atrito na área. As lesões vermelhas e inflamadas não apresentam a descamação característica da psoríase em outras partes do corpo.
  • Psoríase do couro cabeludo: caracterizada pelo surgimento de regiões avermelhadas com escamas esbranquiçadas, podendo se assemelhar a caspa, uma vez que também provoca coceira. Flocos de pele morta nos ombros ou nos cabelos podem ser notados após os episódios de coceira.
  • Psoríase gutata: apresenta-se como pequenas lesões em forma de gota nos braços, pernas, tronco e couro cabeludo, cobertas por escama fina e que podem sumir espontaneamente. Normalmente é provocada por infecções bacterianas, sendo mais frequente em crianças e pessoas com menos de 30 anos de idade.
  • Psoríase artropática:  caracteriza-se pela manifestação da psoríase nas articulações do corpo, provocando dores intensas e podendo acarretar rigidez progressiva e deformidade permanente. Este tipo de psoríase pode acometer qualquer articulação, até mesmo a coluna vertebral.
  • Psoríase pustulosa: tem como características a formação de pústulas e a pele bastante avermelhada, normalmente as bolhas com pus formam-se em pouco tempo após o avermelhamento da pele. Também pode afetar o corpo como um todo ou partes específicas, como pés e mãos. Entre os outros sintomas estão a coceira intensa, febre, calafrios e fadiga. Quando não tratada adequadamente pode causar risco de óbito.
  • Psoríase eritrodérmica: é o tipo menos frequente entre os já citados. Pode ser provocada por outros tipos de psoríase não bem controlados, queimaduras severas, interrupção intempestiva de tratamentos com corticoides ou ainda por infecções. É considerado um tipo grave de psoríase e por vezes requer que o paciente seja internado em ambiente hospitalar.


Fatores desencadeantes e prevenção 

Apesar de ainda ser desconhecida a relação, a psoríase pode estar associada ao acometimento de outras doenças e complicações de saúde, como a diabetes, pressão alta, colesterol elevado e doenças cardiovasculares, como o infarto e derrame.

Muitos pacientes também sofrem com depressão devido à estigmatização social provocada pelas lesões características da psoríase.

Por isso, é tão importante tratar essa doença crônica com seriedade, buscando o devido acompanhamento médico com um dermatologista.

Como pontuamos logo no início deste conteúdo, as causas da psoríase ainda não são totalmente conhecidas pela Medicina, porém sabe-se que as alterações no sistema imunológico podem desencadear a doença.

Entre outros fatores que podem potencializar as chances de um indivíduo desenvolver a psoríase estão:

  • Doenças provocadas por vírus ou bactérias;
  • Hábitos prejudiciais ao sistema imunológico, como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabagismo; 
  • Utilização de determinados medicamentos, entre eles betabloqueadores, lítio e antimaláricos;
  • Queimadura solar;
  • Obesidade;
  • Pancadas fortes e outros traumatismos na pele;
  • Estresse emocional;
  • Fatores relacionados à hereditariedade e a genética.

Pessoas com histórico familiar de psoríase devem redobrar os cuidados, uma vez que apresentam maior probabilidades de ter a doença.

Manter bons hábitos e um estilo de vida mais saudável é de grande importância para que a doença tenha sua progressão controlada e não evolua para um quadro mais grave.

O diagnóstico e o tratamento precoce da psoríase apresentam maior eficiência no combate do desenvolvimento da doença, por isso ressalta-se a necessidade de procurar atendimento médico ao notar os primeiros sinais da psoríase.

Entre os cuidados adotados para prevenir as crises de psoríase ou mesmo aliviar seus sintomas, podemos pontuar:

  • Uma dieta balanceada que priorize a ingestão de alimentos de frutas, legumes, vegetais;
  • Inserir no cardápio peixes ricos em ômega 3, como sardinha e salmão;
  • Eliminar da alimentação o excesso de gorduras e doces refinados;
  • Prática regular de atividades físicas;
  • Abandono do vício do cigarro;
  • Corte ou consumo moderado de bebidas alcoólicas;
  • Hidratação rotineira da derme de modo que a pele não se mantenha ressecada, diminuindo assim as chances de lesão;
  • Evitar tomar banhos excessivamente quentes;
  • Manter o sobrepeso sob controle;
  • Exposição ao raios solares sempre com proteção do filtro solar e seguindo as orientações do dermatologista;
  • Autocuidado com a saúde emocional e controle do nível de estresse;
  • Acompanhamento periódico junto com o dermatologista. 


Quadro prático: observar a pele, cabelo ou unhas

Alterações visíveis ficam mais claras quando a pessoa registra duração, mudança e fatores irritantes antes de escolher produtos ou tratamentos.

O que observarComo registrarQuando valorizar
MudançaCor, tamanho, borda, dor, coceira, secreção ou queda.Mostra se o achado está estável ou evoluindo.
ExposiçãoCosméticos, sol, atrito, depilação, medicamentos e produtos novos.Ajuda a encontrar irritantes ou gatilhos.
AlertaSangramento, crescimento rápido, pus, ferida que não cicatriza ou dor forte.Pede avaliação presencial.
  • Evite cutucar, espremer ou misturar muitos produtos.
  • Fotografe a evolução quando a mudança for visível.
  • Procure avaliação se houver sinais de infecção ou crescimento rápido.

O que observar na pele

Em Tratamento para Psoríase, aparência isolada raramente conta toda a história. Tempo de evolução, crescimento, mudança de cor, sangramento, dor, coceira, exposição solar, atrito e produtos usados ajudam a separar irritação, infecção, inflamação, acne, alergia e lesões que precisam de exame direto.

DadoUso na avaliação
TempoLesões recentes e antigas têm hipóteses diferentes.
MudançaCrescimento, ferida persistente ou sangramento merecem cautela.
ProdutosÁcidos, corticoides, clareadores e antibióticos podem irritar ou mascarar sinais.
Fotos seriadasAjudam a comparar evolução com luz semelhante.

Evite alternar muitos produtos ao mesmo tempo. Quando há piora após uma intervenção, registrar exatamente o que foi usado facilita identificar irritação, alergia, infecção ou expectativa irrealista.

Conclusão

Como você pode ficar informado ao longo deste conteúdo, a psoríase apesar de ser doença relativamente comum pode trazer dor, incômodo estético, além de outras complicações para qualidade de vida e saúde do paciente. 

A psoríase pode acometer qualquer parte do corpo, porém mais frequentemente ocorre no couro cabeludo, pele, unhas, mucosas, membros superiores e inferiores.

Mesmo sendo uma doença crônica e portanto sem uma cura até o momento conhecida, existem diversas possibilidades de tratamento para psoríase.

Além das possibilidades para tratar a psoríase que incluem medicamentos tópicos, tratamentos sistêmicos e biológicos, assim como a fototerapia, existem alguns hábitos que ajudam a minimizar os sintomas da doença e prevenir crises.

Cuidados com a alimentação, abandono de hábitos a exemplo do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas, hidratação frequente da pele e controle do estresse têm um papel significativo para evitar manifestações mais graves da doença.

Do mesmo modo, é de fundamental importância procurar com brevidade as orientações de um dermatologista ao notar os primeiros sintomas da psoríase, pois este é o médico especialista mais recomendado para tratar da doença.

Quanto mais cedo ocorrer o correto diagnóstico da psoríase e mais rápido for iniciado o tratamento da doença, maiores serão as chances de evitar a evolução do quadro da patologia.

Por isso, não deixe de marcar uma consulta com o dermatologista ao notar algum dos sinais da psoríase.

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Confira também nossos outros artigos. 

Referências Bibliográficas[+]Referências Bibliográficas[−]

Referências Bibliográficas
↑1 Griffiths CE, Clark CM, Chalmers RJ, Po AL, Williams HC. A systematic review of treatments for severe psoriasis. Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE): Quality-assessed Reviews [Internet]. 2000.
↑2 Kuchekar AB, Pujari RR, Kuchekar SB, Dhole SN, Mule PM. Psoriasis: A comprehensive review. International Journal of pharmacy & life sciences. 2011 Jun 1;2(6).
↑3 Armstrong AW, Read C. Pathophysiology, clinical presentation, and treatment of psoriasis: a review. Jama. 2020 May 19;323(19):1945-60.
↑4 Lowes MA, Suarez-Farinas M, Krueger JG. Immunology of psoriasis. Annual review of immunology. 2014;32:227.
↑5 Deng Y, Chang C, Lu Q. The inflammatory response in psoriasis: a comprehensive review. Clinical reviews in allergy & immunology. 2016 Jun;50(3):377-89.
↑6 Rendon A, Schäkel K. Psoriasis pathogenesis and treatment. International journal of molecular sciences. 2019 Mar 23;20(6):1475.
↑7 Menter A, Griffiths CE. Current and future management of psoriasis. The Lancet. 2007 Jul 21;370(9583):272-84.

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Tipos de manchas na pele: conheça os principais

30 de junho de 2022 by Dra. Juliana Toma Deixe um comentário

Com o passar do tempo, nossa pele está sujeita a diversos tipos de mudanças. Algumas dessas mudanças apresentam origem genética, outras, são originadas do ambiente ou do nosso estilo de vida, e outras ainda, de uma complexa combinação desses fatores.

Antes do tratamento, diferencie mancha, inflamação e lesão

O cuidado muda conforme a pele mostra pigmentação, inflamação, infecção, cicatriz ou uma lesão em crescimento. O erro comum é tratar tudo como estética: clareador para qualquer mancha, ácido para qualquer relevo ou pomada para qualquer vermelhidão. A melhor leitura combina cor, borda, relevo, sintomas, duração, gatilhos e evolução.

Mesmo quando o objetivo é estético, a primeira pergunta continua clínica: que estrutura mudou e por quê? Essa leitura reduz tentativas em sequência e ajuda a escolher tratamento, observação ou avaliação presencial. Ela também evita usar ácidos ou pomadas em lesões que precisam ser examinadas.

AchadoComo interpretar
Mancha plana e estávelPode ser observada com fotos e proteção solar enquanto se define a causa.
Vermelhidão com coceira ou ardorSugere inflamação, alergia, irritação ou rosácea, não apenas mancha.
Ferida, pus ou crostaMuda a prioridade para infecção, trauma ou cicatrização.
Crescimento, sangramento ou muitas coresPrecisa de exame direto antes de produto clareador.

O que vale registrar

  • Quando começou, velocidade de mudança e se há dor, coceira, sangramento ou secreção.
  • Exposição solar, produtos novos, depilação, acne, ferida prévia ou procedimento recente.
  • Fotos comparáveis e lista de clareadores, ácidos, pomadas ou cosméticos já usados.
  • Histórico de câncer de pele, melasma, queloide, alergias ou manchas após inflamação.

Atenção: procure avaliação se a lesão cresce, sangra, forma ferida, muda várias características ou dói. Nesses casos, o primeiro passo é diagnóstico, não clareamento ou procedimento.

Melasma e manchas exigem fotoproteção consistente, diagnóstico correto e paciência. Ácidos, peelings e clareadores podem piorar irritação e rebote se usados sem avaliar tipo de pele, exposição solar, hormônios e risco de hiperpigmentação.

Um resultado comum dessas mudanças é o surgimento de manchas na pele. Como esse órgão é o mais externo do corpo, e temos capacidade de vê-lo quase por inteiro, mudanças em seu aspecto e composição tornam-se facilmente visíveis. E a mudança local de coloração é muito comum.

Porém, a mudança repentina desse aspecto pode causar certo incômodo. Comumente, é difícil apontar a origem dessa mudança, e é também difícil de saber se a mancha gerada é benigna ou maligna. Essa dúvida pode gerar ou intensificar problemas como ansiedade e hipocondria, e o aspecto da mancha pode também causar problemas de autoestima e de relações interpessoais.

Portanto, o tratamento dessa nova coloração, se possível ou necessário, pode ser feito para retornar ao estado anterior da pele. Porém, para um tratamento correto, é preciso também o diagnóstico correto. Visualmente, a olho nu, vários tipos de manchas apresentam múltiplas similaridades com outros tipos, benignos ou não, dificultando essa identificação.

Para contribuir nessa questão, neste artigo discutiremos sobre os tipos de manchas na pele mais comuns e suas características.


Os principais tipos de manchas na pele

A identificação de uma mancha na pele é um processo relativamente complexo. Devido às possíveis semelhanças entre os diferentes tipos, a identificação visual nem sempre é suficiente para o diagnóstico correto.

Porém, o desconhecimento dos diversos tipos também leva à tendência de imaginar que qualquer mudança desconhecida implique em uma condição maligna. Pelo contrário, as condições mais comuns são benignas, ainda que possam causar certo incômodo visual.

As descrições a seguir, portanto, servem como um guia pré-diagnóstico, de objetivo puramente informacional. Para identificar o tipo de mancha com maior exatidão, especialmente caso haja incerteza quanto à natureza da mancha, procure um dermatologista.


Pintas e marcas de nascença

Pintas e marcas de nascença são as manchas mais comuns, especialmente em pessoas de pele clara.

As pintas (ou nevos, como são conhecidas na literatura científica), são acúmulos localizados de um pigmento, comumente apresentando baixo ou nenhum relevo e com bordas arredondadas e simétricas.

Comumente são marrons, resultado do acúmulo de melanina no local, sendo benignas. Porém, algumas pessoas também podem desenvolver pintas vermelhas, que são resultado do acúmulo de vasos e sangue no local, que também são benignas.

As pintas apresentam certas semelhanças com o melanoma, o que pode causar certa ansiedade. Discutiremos sobre o melanoma posteriormente neste artigo também.

As marcas de nascença são outra mancha comum, caracterizada por apresentar dimensões maiores que as pintas e estarem presentes desde o nascimento. É comum que sejam marrons, assim como as pintas, mas podem apresentar outras colorações, como roxo e vermelho, a depender de sua causa (pigmentada ou vascular).


Sardas

Sardas são outro tipo de mancha benigna. Apresentam origem hereditária, sendo mais comuns em pessoas ruivas e de pele clara, mas apresentam fatores ambientais envolvidos também.

As sardas costumam aparecer no rosto, em especial nas maçãs no rosto e no nariz. Elas são o resultado de exposição prolongada à luz do sol, formando uma coleção de pintas de cor marrom claro na área exposta. Como ocorre devido à exposição solar, podem também surgir sardas no pescoço, nos braços e na parte superior do tronco.

Esse é um dos tipos de manchas na pele que tende a se manter somente enquanto há exposição solar direta, e podem clarear-se naturalmente ao evitar o sol ou utilizar protetor solar regularmente.

A ocorrência de sardas está normalmente associada a maior sensibilidade da pele à radiação UV, e, portanto, maior tendência à formação do câncer de pele. Portanto, o aparecimento de sardas é indicativo de que maiores cuidados com a pele devem ser tomados.


Manchas senis

As manchas senis são também benignas, e apresentam coloração acastanhada. Como indica seu nome popular, são manchas que comumente surgem durante a velhice.

São de certa forma semelhantes às pintas. Porém, tendem a apresentar tons mais claros e ter dimensões maiores e formatos mais irregulares que as pintas comuns.

Assim como as sardas, elas são o resultado da exposição excessiva à luz solar. Porém, demoram muitos anos para começarem a aparecer na pele. Elas não são necessariamente um indicativo de maior propensão à ocorrência de câncer de pele, mas indicam que houve grande exposição à radiação UV durante a vida, por isso, é importante ficar atento.

Essas manchas costumam causar certo incômodo à pessoa que a apresenta, embora sejam benignas devido à sua associação com o envelhecimento. Mas, caso desejado, existem diversos tipos de tratamentos para removê-las.


Melasma

O melasma é outra condição benigna e razoavelmente comum. Apresenta origem genética, mas tende a ser ativado somente em situações de estresse da pele, como exposição excessiva ao sol ou alterações hormonais.

É caracterizado pelo surgimento de manchas acastanhadas descontínuas na pele. Costumam ser claras, mas ainda assim perceptíveis. Surgem principalmente no rosto, sendo normalmente simétricas (isto é, aparecem nas mesmas regiões de ambos os lados do rosto). Porém, podem aparecer em outras partes do corpo também.

Em geral, após o seu primeiro aparecimento, torna-se reincidente, isto é, tende a reaparecer algum tempo após ser removida.

É possível também que o melasma não seja crônico, desaparecendo naturalmente poucos meses após seu surgimento. Isso é comum quando o melasma surge devido à gravidez, caso em que é denominado cloasma.


Psoríase

Ao contrário das condições dos outros tipos de manchas na pele, a psoríase tende a ser mais incômoda, tanto visualmente quanto em relação ao seu aspecto e outros sintomas que pode apresentar.

A psoríase é uma doença autoimune rara, caracterizada pelo ataque a células cutâneas por parte do sistema imunológico. Tipicamente não resulta em complicações graves, porém, causa o surgimento de manchas de diversos tamanhos pelo corpo.

A forma mais comum, conhecida como psoríase vulgar, consiste no aparecimento de manchas avermelhadas, assemelhando-se à queimadura de sol. Porém, diferencia-se dela por se apresentar como um “conjunto de discos” conectados entre si, marcadamente distintos da pele ao redor. A psoríase vulgar representa 90% dos casos.

Porém, diferentes tipos de psoríase podem apresentar diferentes colorações e diferentes formatos e aspectos, tornando difícil sua identificação visual pela pessoa afetada.

O aparecimento dessas lesões, assim como a ocorrência de descamação e formação de placas espessas, tendem a ser os sintomas mais comuns. Porém, ela também pode ocasionar coceira, irritação, dores locais e sensibilidade, especialmente nas articulações.

A condição não tem cura, mas existem tratamentos que são efetivos em diminuir os sintomas e prevenir o aparecimento das lesões, contanto que o tratamento seja mantido e haja acompanhamento médico. Ao contrário das outras condições, a exposição moderada ao sol contribui para prevenir essas erupções cutâneas.

Leia também: Urticária


Dermatite

O termo dermatite é utilizado para nomear todo tipo de inflamação que acomete a pele. São muito mais comuns que a psoríase, e podem ter aspecto semelhante, mas, assim como ela, não são contagiosas. Porém, ao contrário dela, são curáveis, e comumente curadas com certa facilidade.

As dermatites tendem a ser mais incômodas, apresentando, além de vermelhidão e bolhas, secreções, ressecamento da pele, inchaço e dor local, o que tende a prejudicar a qualidade do sono. Podem ocorrer em diversas partes do corpo.

A dermatite atópica é a mais comum. É uma condição crônica, encontrada principalmente em crianças, e que pode-se estender durante boa parte da vida. As causas ainda não foram bem definidas, mas há um componente genético envolvido, assim como outros possíveis fatores, como qualidade e umidade do ar, funcionamento do sistema imunológico e o nível de permeabilidade da pele.

Outro tipo comum é a dermatite de contato. Neste caso, a dermatite ocorre devido ao contato constante com substâncias irritantes. Embora essas substâncias não causem necessariamente irritação na pele logo após o contato, o uso constante pode causar sensibilidade na pele, resultando na ocorrência de dermatite em contatos subsequentes.

Além desses dois tipos, existem também as dermatites seborreicas, herpetiforme e ocre, que apresentam sintomas semelhantes, mas causas diferentes.


Pitiríase

O termo “pitiríase” é utilizado para designar três condições que apresentam consideráveis diferenças: a pitiríase alba, e versicolor e a rósea.

A pitiríase alba envolve a formação de manchas brancas pelo corpo, comumente com certo grau de ressecamento, o que pode resultar em descamação. As manchas formam-se lentamente, iniciando com uma descoloração leve do local e culminando em uma notável ausência de coloração. As causas são desconhecidas, mas ela geralmente não apresenta sintomas além da descoloração.

A pitiríase versicolor, também conhecida como pano branco, consiste no aparecimento de manchas amareladas ou acastanhadas, comumente em locais que foram expostos à luz solar por longos períodos. 

Não consiste na concentração de pigmentos, mas sim na prevenção da pigmentação da região com o estímulo da radiação UV, o que lhe deu seu nome. É causada por um fungo que está sempre presente na pele, e sua ocorrência está associada à exposição ao sol e à baixa imunidade.

A pitiríase rósea, que pode também ser conhecida apenas como pitiríase, consiste no aparecimento de manchas rosadas em algumas partes do corpo, em especial o tronco e as costas. É comum que se inicie com uma mancha maior, e ela seja seguida por manchas menores ao redor dela. A causa também não é conhecida, mas ela tende a desaparecer em até três meses.


Vitiligo

O vitiligo é uma condição benigna caracterizada pela perda da pigmentação em certos locais da pele. É rara, acometendo entre 1 e 2% da população mundial. Embora possa ocorrer independente do tom de pele, costuma ser mais visível em pessoas que apresentem tons mais escuros.

A condição surge da morte dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Comumente se inicia nas articulações ou nas extremidades, e pode se espalhar pelo corpo posteriormente.

A morte desses melanócitos pode ter diversas causas. Pode ser, por exemplo, causada pelo contato com determinadas substâncias, como a hidroquinona, mas também pode ser originadas de disfunções do corpo, como doenças autoimunes, diabetes ou problemas na tireoide. Fatores genéticos também podem estar envolvidos.

A condição apresenta tratamento, mas nem sempre é curável. Os tratamentos geralmente buscam frear a proliferação da despigmentação e repigmentar os locais já afetados. Porém, caso já tenha se espalhado por mais da metade do corpo, o procedimento recomendado é de despigmentação completa, visando diminuir os efeitos estéticos e psicológicos da condição.

Leia também: O Que É Queloide? Cicatriz Hipertrofica – Causas, Sintomas e Tratamentos


Melanoma

Melanoma é o nome clínico de um tipo de câncer de pele. Consiste no aparecimento de nódulos cancerígenos pigmentados, o que permite que sejam visíveis a olho nu. A pigmentação se deve ao fato de se originar de um melanócito.

São semelhantes às pintas, comumente evoluindo delas, mas apresentam notáveis diferenças que facilitam sua identificação entre outros tipos de manchas na pele. Essas diferenças são normalmente resumidas no padrão ABCDE:

  • Assimetria: são pigmentações assimétricas, ao invés de serem redondas ou ovais;
  • Bordas: irregulares, ao invés de serem regulares;
  • Coloração: tende apresentar mais de uma cor ou tom de cor, ao invés de ser homogênea;
  • Diâmetro: maior que o normal, isto é, maior que o diâmetro de um lápis comum;
  • Evolução: tende a crescer continuamente, ao invés de se estabilizar.

Outros possíveis sintomas são sangramentos, coceira e inflamação.

O surgimento do melanoma está associado à exposição à luz solar, portanto, evitar essa exposição e utilizar protetor solar regularmente contribui para sua prevenção. Fatores genéticos também estão envolvidos, e o histórico de melanoma na família indica a presença de predisposição genética.

Ele é um dos tipos de câncer mais comuns, e também um dos mais perigosos e agressivos. Portanto, tomar as devidas precauções e ficar atento ao surgimento de manchas estranhas no corpo é uma forma de preveni-lo e de tratá-lo precocemente.


Tipos de manchas na pele


Identificação das manchas

Para uma correta e definitiva identificação dos tipos de manchas na pele, é importante consultar um dermatologista. Como pode ser notado pela descrição dos tipos de manchas, eles apresentam muitas similaridades entre si, o que pode tornar difícil identificá-las apenas pela análise visual.

O dermatologista, porém, apresenta maior número de ferramentas para a realização do diagnóstico diferencial, incluindo a realização de exames mais específicos, como a biópsia. Com isso, apresenta maior capacidade de chegar a um diagnóstico definitivo.

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