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Plantas Medicinais Contra os Sintomas da Menopausa

19 de julho de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Plantas usadas na menopausa variam em composição e dose. Outros medicamentos e doenças de base influenciam a segurança.

Veja 09 plantas que atuam diretamente no alívio dos sintomas da menopausa

09 plantas medicinais contra os sintomas da menopausa

1- Erva de São Cristóvão

Nome científico:Cimicifuga racemosa

A Erva de São Cristóvão é uma importante aliada para combater os sintomas da menopausa.

Ela é rica em flavonóides, taninos e óleos voláteis e tem um efeito parecido com os medicamentos usados para o alívio dos sintomas.

Assim, o chá de erva de São Cristóvão contribui para diminuir as ondas de calor, ansiedade, insônia e o suor excessivo.

Basta adicionar 1 colher de folhas da erva seca, em 180 mls de água quente. Daí, deixe amornar e tome em seguida.

Contudo, ela também pode ser adquirida em farmácias de manipulação na forma de cápsulas e comprimidos.


2- Erva de São João

Nome científico: Hypericum perforatum

A erva de São João também é conhecida como hipericão.

Ela é rica em hipericina e hiperforina, substâncias que dão à planta um efeito antidepressivo.

Todavia, a erva de São João também contém flavonóides, flavonas e naftodiantronas.

Esses compostos são úteis para aliviar os sintomas como as ondas de calor e a mudança de humor.

Contudo, não pode ser usada por mulheres que estejam tomando qualquer antidepressivo.

Para fazer o chá da planta basta ferver  250 mls de água e acrescentar 1 colher de chá de erva de São João seca na água.

Após amornar, beba após as refeições.


3- Ginseng siberiano

eleutherococcus-herbal

Nome científico: Eleutherococcus senticosus

O chá de Ginseng siberiano possui uma ação antidepressiva, que ajuda a melhorar o humor e aumentar a libido .

Contudo, ele ainda pode ajudar a mulher a se adaptar às mudanças hormonais da menopausa, diminuindo sintomas como o estresse e provocando aumento da energia.

Entretanto, o ginseng siberiano não deve ser utilizado por mulheres com pressão alta, artrite reumatóide, doenças cardíacas e doenças mentais e a doença de Crohn.

Para o preparo do chá é necessário ferver 1 cm da raiz em 200 ml de água. Após, basta coar e tomar morno.


4- Amora Negra

Nome científico: Morus Nigra L.

A Amora Negra e suas folhas auxiliam diretamente no combate aos sintomas da menopausa.

Dentre os sintomas, estão a melhora das ondas de calor e a regulação dos níveis hormonais na corrente sanguínea.

Ela contém fitoestrógenos, que são compostos que impedem o desequilíbrio dos hormônios femininos.

Entretanto, a Amora Negra também pode ajudar na melhora da memória, saúde mental e qualidade do sono.

Portanto, ela é uma opção natural de reposição hormonal na menopausa.

Para fazer o chá, ferva 5 folhas de amoreira em 500 ml de água e tome após 5 minutos de fervura.


5- Salva

Nome científico: Salvia officinalis

Os benefícios que o uso da salva promove na menopausa são diversos.

Os principais são a diminuição do suor excessivo combate às ondas de calor e sobretudo o suor noturno.

Para fazer o chá, adicione 10 gramas de folhas secas de salva em 1 litro de água quente.

Então, após 10 minutos você pode tomar o chá morno.

Para maiores resultados indica-se tomar por até três vezes ao dia.

A salva ainda pode ser usada na forma de tintura ou decocção.


6- Agnocasto

Nome científico: Vitex agnus-castus

O agnocasto é uma poderosa planta medicinal rica em flavonóides, vários óleos essenciais, terpenos e glicosídeos.

Esses compostos têm uma ação sobre os hormônios femininos LH e FSH.

Então, a planta ajuda a estabelecer o equilíbrio hormonal além de facilitar o alívio de sintomas como alterações de humor ou insônia.

Todavia, o agnocasto pode ser encontrado em farmácias e drogarias na forma de cápsulas ou comprimidos.

Para preparar o chá de agnocasto, adicione 1 colher de chá dos frutos da planta em 300 mls de água e deixe ferver por 3 a 4 minutos.

Em seguida, tampe e deixe amornar por 10 minutos. Beba até duas xícaras por dia.


7- Pé de Leão

alchemilla-vulgaris

Nome científico: Alchemilla vulgaris

O pé de leão é uma planta medicinal que contribui bastante para a interrupção da menstruação abundante.

Esta menstruação abundante é comum durante o período da menopausa e muitas mulheres não sabem lidar de maneira calma com o sintoma.

Daí, o chá de pé de leão ajuda muito no alívio do sintoma.

Entretanto, para maiores resultados ele pode ser usado em associação com outras plantas como a Angelica chinesa e o Cohosh-preto, para um efeito mais rápido.

Prepare o chá de pé de leão da seguinte forma: adicione uma colher de folhas secas de pé e leão em 180 mls de água quente.

Em seguida, coe e após 5 minutos tome o chá ainda morno.


8- Agripalma

Nome científico: Leonurus cardiaca

A Agripalma é poderosa por conter alcalóides, esteróides e flavonóides.

Todos os 3 compostos equilibram os hormônios femininos, e a planta se classifica como um repositório natural de hormônios.

Assim, sintomas como a ansiedade, as palpitações cardíacas e sobretudo a insônia são aliviados com o uso da planta.

Contudo, a agripalma não pode ser utilizada por mulheres que tomam remédios antipsicóticos ou anti-inflamatórios não esteroidais.

Para preparar o chá de agripalma, coloque 2 colheres de café da erva seca em uma xícara de água fervente.

Após 5 minutos, tome morno. O ideal é tomar uma xícara de manhã e uma xícara à noite.


9- Trevo Vermelho

Nome científico:Trifolium pratense L

O trevo vermelho é uma planta muito utilizada na agricultura e que também pode ser aproveitada para o alívio dos sintomas da menopausa.

Tudo Graças aos seus compostos poderosos como as isoflavonas formononetina e biochanina A.

Esses dois tipos de isoflavonas acabam com o calor, o estresse e o fogacho da menopausa.

Para o chá, ferva 1 litro de água juntamente com 1 xícara de flores de trevo vermelho.

Após ferver, amornar e beber durante o dia.

Explore também no Blog da Saúde

  • Nutrição
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • WHO: alimentação saudável
  • USDA FoodData Central
  • MyPlate: grupos alimentares

Arquivado em: Nutrição

Formigamento nas mãos por ansiedade: como diferenciar

19 de julho de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Prejuízo persistente no sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado indica necessidade de avaliação e apoio estruturado.

  • A ansiedade pode causar formigamento nas mãos.
  • Não se sabe exatamente porque algumas pessoas apresentam formigamento nas mãos e não em outras.
  • A hiperventilação é provavelmente a causa dessa sensação, mas existem outras causas
  • A crise de ansiedade pode fazer com que a sensação das mãos formigando piore.
  • Aprender a respirar mais intencionalmente, combinado com tratamentos de ansiedade, pode evitar que as mãos formigando piorem.

A ansiedade é um sentimento de apreensão e medo caracterizado por sintomas como dificuldade de concentração, dores de cabeça, problemas de sono, pensamento acelerado e irritabilidade[1]. Os transtornos de ansiedade são doenças médicas graves que afetam aproximadamente 10 milhões de adultos brasileiros.

A ansiedade pode afetar pessoas de todas as idades, ou seja, de crianças a adultos.

As condições de ansiedade – seja transtorno do pânico, fobias ou ansiedade generalizada – envolvem muitos sintomas diferentes e nem todos são emocionais.

Outro sintoma comum inclui dormência e formigamento em várias partes do corpo. Isso pode ser bastante incômodo, ainda mais para quem já está se sentindo ansioso[2].

Dormência ou formigamento podem estar relacionados a patologias que afetam o sistema nervoso, como a neuropatia periférica. Agitação e ansiedade podem acompanhar muitas condições emocionais diferentes, bem como doenças físicas.

O tratamento para ansiedade pode incorporar medicamentos e psicoterapia.


Como a ansiedade causa dormência?

episodio ansiedade

A dormência física é definida como uma perda de sensação ou sensação em algum lugar do corpo.

A ansiedade pode causar dormência de várias maneiras. A dormência física também pode ser descrita como uma sensação de formigamento. Isso é frequentemente descrito como “alfinetes e agulhas” ou ter um membro que “adormeceu”.

A dormência física é geralmente sentida nas mãos, pontas dos dedos, pés, dedos dos pés, rosto e ao redor da boca.


Causas de dormência devido à ansiedade podem incluir:

1. Hiperventilação

Quando você se sente muito ansioso, você pode encontrar-se respirando rápida ou irregularmente. Mesmo que isso não dure muito, ainda pode diminuir a quantidade de dióxido de carbono no sangue.

Em momentos de pânico, os vasos sanguíneos se contraem, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Isso reduz o fluxo sanguíneo para diferentes partes do corpo – mãos e pés em particular – potencialmente causando formigamento, dormência ou sensação de frio.


2. Mudanças de comportamento

Sentir-se ansioso também muda o comportamento. Uma pessoa pode tensionar inconscientemente seus músculos, o que pode levar a sensações musculares incomuns ou dormentes.


3. A resposta de luta ou fuga

Quando você se sente ansioso, estressado ou com medo, seu corpo vê algo em sua vida como uma ameaça. Como resultado, ativa a resposta de luta ou fuga. Essa resposta evoluiu para ajudar nossos ancestrais a sobreviverem a situações de risco de vida[3].

Uma parte importante da resposta de luta ou fuga envolve o redirecionamento do sangue para órgãos essenciais para a sobrevivência, como o coração, os músculos e os pulmões. Isso é iniciado quando o cérebro envia certos sinais.

O fluxo sanguíneo reduzido para partes do corpo não essenciais para a sobrevivência imediata, como rosto, dedos das mãos ou pés, pode causar formigamento ou dormência.

Embora a ansiedade possa comumente causar dormência física, também pode ser devido a várias causas médicas, variando de leve a grave. Se você tiver dormência física inexplicável ou que afete sua vida diária, consulte seu médico.


O que acontece com nosso corpo quando estamos ansiosos?

ansiedade

A ansiedade pode causar muitas sensações em nossos corpos enquanto se prepara para o perigo. Essas sensações são chamadas “reação de alarme”.

Eles ocorrem quando o sistema de alarme natural do corpo (“luta-voo-congelamento”) é ativado. Essas sensações ocorrem porque nossos corpos estão se preparando para nos ajudar a nos defender.

  • Batimento cardíaco acelerado e respiração rápida: Quando seu corpo está se preparando para a ação, ele garante que sangue e oxigênio suficientes circulem para seus principais grupos musculares e órgãos essenciais. Isso permite que você fuja ou lute contra o perigo.
  • Sudorese (suor frio): A transpiração esfria o corpo. Também deixa a pele mais escorregadia e difícil para um animal ou pessoa atacante agarrar você.
  • Náuseas e dores de estômago: Quando confrontado com o perigo, o corpo desliga sistemas/processos que não são necessários para a sobrevivência (sistema parassimpático); dessa forma, pode direcionar a energia para funções críticas para a sobrevivência (sistema simpático). A digestão é um dos processos que não é necessário em momentos de perigo. Por causa disso, a ansiedade pode levar a sentimentos de dor de estômago, náusea ou diarréia.
  • Mal-estar e sensação de tontura ou vertigem: Como nosso sangue e oxigênio vão para os principais grupos musculares quando estamos em perigo, respiramos muito mais rápido para mover o oxigênio em direção a esses músculos. No entanto, isso pode causar hiperventilação (excesso de oxigênio ao respirar muito rapidamente para preparar o corpo para a ação), o que pode fazer você se sentir tonto ou tonto. Além disso, como a maior parte de seu sangue e oxigênio está indo para seus braços e pernas (para “lutar ou fugir”), há uma ligeira diminuição de sangue para o cérebro, o que também pode deixá-lo tonto. Não se preocupe – a ligeira diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro não é perigosa.
  • Peito apertado ou dor na região peitoral: como seus músculos ficam tensos à medida que seu corpo se prepara para o perigo, seu peito pode ficar apertado ou dolorido quando você respira fundo.
  • Alterações na visões, como clareza excessiva: Ao reagir ao perigo, nossas pupilas se dilatam para deixar entrar mais luz e garantir que possamos ver com clareza suficiente. Essa reação faz com que nosso ambiente pareça mais brilhante ou difuso e, às vezes, menos real.
  • Pernas pesadas ou fraqueza nas pernas: À medida que nossas pernas se preparam para a ação (luta ou fuga), o aumento da tensão muscular, bem como o aumento do fluxo sanguíneo para esses músculos, podem causar a sensação de pernas pesadas.


Como melhorar das mãos dormentes ou com formigamento

relaxamento ansiedade

Se você estiver nervoso ou ansioso, acalmar-se interromperá a resposta ao estresse. À medida que seu corpo se recupera das mudanças na resposta ao estresse, você deve ver esse sintoma diminuir.

Se você não estiver respirando normalmente, diminuir deliberadamente a respiração e respirar moderadamente profundamente (não ao ponto de hipoventilação) deve corrigir os níveis de CO2 no sangue. À medida que este nível corrige, você deve ver suas mãos dormentes formigando sentindo diminuir.

A atividade física regular pode ajudar muito a melhorar o sofrimento emocional relacionado à ansiedade. Levantar-se e movimentar-se também pode ajudá-lo a se acalmar quando de repente se sentir muito ansioso[4].

Mover seu corpo pode ajudar a distraí-lo da causa de sua ansiedade, por exemplo. Mas o exercício também faz seu sangue fluir e pode ajudar sua respiração a voltar ao normal também.

A acupuntura é um tratamento complementar utilizado em casos de ansiedade leve a moderada. O tratamento com acupuntura pode ter benefícios como regulação de neurotransmissores, que proporcionam o bem-estar, como serotonina e endorfinas.

Se você esteve sob muito estresse ultimamente, reduzir o estresse e dar ao seu corpo tempo suficiente para se acalmar e se recuperar também deve eliminar esse sintoma.

Como esses sintomas não são prejudiciais, eles não são motivo de preocupação. Tomar as ações acima deve corrigi-los.

5 Maneiras Controlar Ansiedade
5 Maneiras de Controlar a Ansiedade

Quando buscar apoio estruturado

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental
Referências bibliográficas4 fontes
  1. 1.
    Larson GE, Booth-Kewley S, Merrill LL, Stander VA. Physical symptoms as indicators of depression and anxiety. Military medicine. 2001 Sep 1;166(9):796-9.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Henningsen P, Zimmermann T, Sattel H. Medically unexplained physical symptoms, anxiety, and depression: a meta-analytic review. Psychosomatic medicine. 2003 Jul 1;65(4):528-33.
    Voltar [2]
  3. 3.
    Milosevic I. Fight-or-flight response. Phobias: The Psychology of Irrational Fear: The Psychology of Irrational Fear. 2015 Mar 3;196:179.
    Voltar [3]
  4. 4.
    Carek PJ, Laibstain SE, Carek SM. Exercise for the treatment of depression and anxiety. The international journal of psychiatry in medicine. 2011 Jan;41(1):15-28.
    Voltar [4]

Arquivado em: Psicologia, Psiquiatria

Hemoglobina glicada: diabetes e interpretação

19 de julho de 2022 by Fabíola Tavares Lemos

Hemoglobina glicada, ou A1C, estima a média da glicose dos últimos dois a três meses e ajuda a diagnosticar ou acompanhar diabetes. Ela não deve ser lida isoladamente: anemia, doença renal, gravidez, transfusão, perda de sangue, hemoglobinopatias, etnia, medicamentos e diferenças entre glicemia capilar e sintomas podem tornar o resultado menos confiável.

O que a A1C mede de verdade

A glicose circulante se liga à hemoglobina dentro das hemácias. Como essas células vivem por semanas, a A1C reflete uma média aproximada, não o açúcar de um único dia. Isso é útil porque reduz o peso de oscilações pontuais, mas também esconde picos e quedas importantes.

Duas pessoas com a mesma A1C podem ter perfis diferentes: uma com glicose estável e outra com hipoglicemias e picos altos que se compensam na média. Por isso, sintomas, glicemia de jejum, pós-prandial, monitorização contínua e contexto clínico podem ser necessários.

Uso da A1CAjuda em quêLimite
DiagnósticoIdentificar diabetes ou pré-diabetes em muitos adultos.Não vale para todas as situações clínicas.
AcompanhamentoVer tendência de controle em meses.Não mostra variabilidade diária.
Meta terapêuticaOrientar ajuste de plano.Meta muda por idade, comorbidades e hipoglicemia.
Risco de complicaçõesRelaciona-se com risco microvascular.Não substitui pressão, rim, lipídios e exame dos pés.

Quando o resultado pode enganar

A1C depende da vida das hemácias e do tipo de hemoglobina. Anemia por deficiência de ferro, hemólise, doença renal avançada, doença hepática, transfusão recente, gestação, sangramento, eritropoetina e algumas variantes de hemoglobina podem alterar a leitura. Nesses casos, glicemias medidas diretamente ou outros marcadores podem ser mais úteis.

Também é inadequado interpretar uma pequena mudança sem olhar método do laboratório, adesão, remédios, peso, dieta, atividade física, infecção recente e uso de corticoide. Um resultado isolado não conta toda a história do controle metabólico.

Meta individual: por que não existe número único

Metas mais baixas podem ser apropriadas para algumas pessoas com baixo risco de hipoglicemia. Metas menos rígidas podem ser mais seguras em idosos frágeis, doença renal, múltiplas comorbidades, hipoglicemia grave, expectativa de vida limitada ou dificuldade de manejo. A decisão compara benefício de longo prazo com risco imediato.

Evite presumir que A1C “boa” autoriza ignorar pressão, colesterol e rim ou que A1C alta deve ser corrigida rapidamente com qualquer medida. Ajuste rápido demais pode aumentar hipoglicemia ou efeitos adversos se o plano não for acompanhado.

Pergunte: minha A1C é confiável neste contexto?
Compare: sintomas, glicemias, remédios e exames anteriores.
Individualize: idade, rim, coração e risco de hipoglicemia.
Complete: pressão, LDL, albuminúria, olhos e pés.

Como conversar sobre o resultado

Leve uma lista de medicamentos, horários, episódios de hipoglicemia, medidas de glicose, mudanças de peso, infecções recentes e alimentação. Se usa monitor contínuo, relatórios de tempo no alvo podem explicar situações que a A1C não mostra.

Se a A1C está diferente do esperado, pergunte se há anemia, doença renal, gravidez, hemoglobinopatia ou outra condição interferindo. Também pergunte qual mudança concreta será feita e quando repetir o exame. Um número só é útil quando leva a uma decisão segura.

Resumo prático

A hemoglobina glicada é uma ferramenta central no diabetes, mas não é uma sentença. Ela estima média, ajuda a monitorar risco e orientar tratamento, porém precisa ser lida com contexto. Quando há sintomas, hipoglicemias, anemia, rim, gravidez ou discordância com glicemias, a interpretação deve ser mais cuidadosa.

O melhor uso da A1C é acompanhar tendência e ajustar um plano amplo: alimentação, atividade física, remédios, pressão, colesterol, rim, olhos, pés e segurança contra hipoglicemia. Pergunte qual meta faz sentido para você, não apenas se o valor “passou” ou “falhou”.

Quando comparar com glicemia capilar ou sensor

Se a A1C parece boa, mas a pessoa relata tonturas, tremores, sudorese, fome intensa ou glicemias muito baixas, a média pode estar escondendo hipoglicemia. Se a A1C está alta, mas as medições diárias parecem aceitáveis, pode haver picos pós-refeição, problema de técnica, erro de registro ou interferência laboratorial.

Sensores de glicose ajudam em alguns perfis porque mostram tempo no alvo, variabilidade e quedas noturnas. Eles não são necessários para todos, mas podem esclarecer discordâncias e orientar ajustes de insulina, alimentação e atividade.

A1C e complicações: olhar o conjunto

A1C cronicamente elevada se relaciona a maior risco de complicações em olhos, rins e nervos. Mas reduzir esse risco também exige pressão controlada, proteção renal, cuidado com pés, avaliação oftalmológica, colesterol e abandono do tabagismo. Uma A1C melhor não apaga outros fatores.

Na consulta, vale perguntar quando repetir o exame e qual mudança será testada até lá. Se a resposta for apenas “melhorar dieta”, peça especificidade: qual refeição, qual remédio, qual horário, qual meta de segurança e o que fazer se houver hipoglicemia.

Por que pequenas mudanças podem importar

Uma queda modesta na A1C pode representar melhora real quando é sustentada e vem sem hipoglicemia. Por outro lado, uma queda rápida acompanhada de episódios de glicose baixa pode ser perigosa. O contexto importa tanto quanto o número. A pergunta certa é se o tratamento ficou mais seguro e sustentável.

Também vale olhar tendência. Um valor isolado de 7,8% pode ter significados diferentes se antes era 10,5% ou se antes era 6,8%. O histórico mostra direção, adesão, resposta ao remédio e necessidade de ajuste.

Não ajustar remédio olhando só uma tabela

Tabelas de A1C ajudam a entender risco, mas ajuste de remédio depende de hipoglicemia, rotina, alimentação, rim, coração, peso, custo e capacidade de monitorar. Em quem usa insulina, por exemplo, mudar dose sem revisar refeições e medições pode causar quedas perigosas.

Quando houver dúvida, não mude tudo ao mesmo tempo. Ajustar remédio, dieta e exercício simultaneamente pode melhorar o número, mas dificulta saber o que funcionou ou o que causou hipoglicemia. Mudanças graduais são mais interpretáveis.

Essa cautela torna o próximo exame mais útil.

O exame de hemoglobina glicada (HbA1c) pode ser pedido pelo médico em várias ocasiões, para controle de glicemia, avaliação, confirmar uma suspeita ou uma rotina de exames de saúde.

Pelo fato do teste de glicemia comum ser passivo de mudanças em seus resultados rapidamente pois não mostra em seu resultado uma análise longa do quadro de glicemia.

E sim a glicemia em jejum no momento da coleta. A HbA1c é um recurso seguro e muito utilizado para a análise da glicemia em longo período.


Qual A Diferença Entre Hemoglobina Glicada e Glicose?

A glicose é nossa principal fonte de energia. Após a sua ingestão através dos alimentos em forma de açúcar, a glicose chega ao sangue e deve fornecer energia para o funcionamento das vias metabólicas.

Seus níveis intra e extra celulares são modulados por dois principais hormônios chamados de glucagon que é secretado com níveis baixos de açúcar no sangue e a insulina que será secretada quando os níveis de açúcar no sangue estiverem altos, ou seja, o açúcar a nível celular é a glicose, fruto da quebra de sacarose (açúcar refinado disponível no mercado), por enzimas digestivas.

Existem duas vias metabólicas para a formação de energia, uma quando estamos em jejum que é a gliconeogenese, e a outra quando estamos alimentados, que é a glicólise.

A gliconeogenese tem como objetivo quebrar a gordura (transformar o glicogênio) em glicose. E a glicólise é a quebra de açúcares ingeridos na alimentação, como, por exemplo, o amido para a formação da glicose.

O hormônio que sensibiliza a célula a receber a glicose é a insulina produzida no pâncreas. Sem esta sinalização (falta de insulina ou de sensibilidade à ela) a glicose permanece em excesso no sangue, sem ser utilizada pelos tecidos e células que precisam dessa energia, e se liga as hemácias circulantes, formando a hemoglobina glicada (HbA1c).


E O Exame de Hemoglobina Glicada, Como É Feito?

Exame de catecolaminas: para que serve

O princípio consiste no fato de que a glicose em excesso no sangue, liga-se a alguns tipos de hemoglobina específicos presentes nas hemácias.

O exame de hemoglobina glicada consegue dosar a hemoglobina, que é a pigmentação das hemácias composta por grupamento Heme com capacidade de se ligar ao oxigênio e fazer o seu transporte, mas, também podem, eventualmente, se ligar a glicose através de outro tipo de reação química.

 As hemoglobinas presentes nas hemácias detectadas no exame são chamadas de hemoglobinas rápidas, suas características são um pouco diferentes das outras hemoglobinas em relação a sua  morfologia e composição química que permite que açucares reajam com a parte proteica chamada valina, (um aminoácido) produzindo uma função cetona, a quantidade formada é paralela a quantidade disponível de açúcar no sangue, ou seja, quanto maior a quantidade de açúcar no sangue, maior será a formação da hemoglobina glicada.

Esta informação continuará, pois, a hemoglobina glicada (HbA1c) não é capaz de retornar ao estado inicial. O fato é que esse teste pode mostrar como estavam os níveis de glicemia em até, aproximadamente, 120 dias correspondentes ao período que as hemácias sobrevivem.

Sendo assim, esse exame é uma ferramenta de ajuda ao diagnóstico de diabetes em pacientes que não estão, necessariamente, com a glicemia alta no momento da coleta de amostra, mas, ainda apresentam os sintomas de diabetes.

O exame é feito com a coleta de amostra de sangue do paciente, que não precisa estar em jejum. O sangue é colocado no tubo de sangue total com EDTA.

A técnica usada nos laboratórios de bioquímica, mais clássica, é a de reação em látex que consiste em reagir a hemoglobina da amostra com anticorpos para formação do aglutinogeno medido em unidades de absorbância em um aparelho especifico.

E em seguida é feita uma equação linear padrão para obter-se um valor e o resultado.

Muitos pacientes procuram o médico quando sentem sintomas de diabetes, como: fraqueza, tontura, diurese em excesso, fome em excesso e disposição genética.

Existem dois tipos de diabetes melittus:

  • Tipo 1- o pâncreas sessa a secreção de insulina. Ocorre por alguns motivos como, questões autoimunes.
  • Tipo 2- a célula perde a sensibilidade nos seus receptores de insulina, ou a insulina secretada torna-se insuficiente.

Nestes casos para diabetes do tipo 1 o paciente devera administrar periodicamente insulina via subcutânea.

No caso de diabetes tipo 2 deverá tomar medicamentos que irão ajudar a sensibilidade à insulina.

Para o diagnostico destes casos, muitas veze os sintomas não são suficientes, partindo assim a necessidade de fazer exames laboratoriais.

Existem, ainda, outros tipos de diabetes, como a diabetes gestacional que é uma condição, geralmente temporária na qual o corpo da mulher gestante não consegue diminuir sua glicemia em adaptação às mudanças hormonais.


Valores de Referência de Hemoglobina Glicada Para Diabetes Mellitus:

  • Para indivíduos não diabéticos: até 6,0%.
  • Para indivíduos diabéticos que fazem controle de glicemia:
  • Adultos: até 7,0%
  • Criança até 8,0%
  • Idosos: até 8,0%


Existe Como Baixar A Hemoglobina Glicada?

Vale ressaltar que não tem como o paciente “enganar” o exame de hemoglobina glicada, pois ele faz a análise retroativamente em hemácias que já estão no organismo com até 3 meses antes da coleta ser feita.

Para obter um resultado dentro dos valores de referência o paciente teria que, por exemplo, começar uma dieta saudável, fazer o uso regular do medicamento, e realizar o exame em 3 meses a partir dos novos hábitos.

Porém, vale ressaltar que as recomendações do médico devem ser aderidas sempre, em muitos casos de diabéticos apenas a dieta não traz resolução à doença é necessário o uso de medicamentos e de tratamento adequado.

Lembramos que o excesso de açúcar no sangue, pode gerar diversas complicações, a diabetes não tratada causa danos irreversíveis como dificuldades em enxergar e até cegueira, insuficiência renal, hipertensão, aterosclerose, pode culminar em necrose do musculo cardíaco, aumento geral do estresse oxidativo das células, dislipidemia, pé diabético e dificuldades em cicatrizações e cicatrização de feridas.

Uma dieta balanceada e exercícios físicos devem ser hábitos comuns para evitar complicações futuras, principalmente para aqueles que já possuem fatores genéticos ao desenvolvimento da doença.

Fontes úteis

  • NIDDK: interpreting A1C and hemoglobin variants
  • NIDDK: A1C test and race/ethnicity
  • American Diabetes Association: A1C
  • MedlinePlus: Hemoglobin A1C test
  • Mayo Clinic: A1C test
  • MedlinePlus: exames laboratoriais
  • Endocrine Society: pacientes
  • Ministério da Saúde

Arquivado em: Biomedicina, Clínica Médica

Tipos de Ansiedade: O Que Sabemos Sobre O Assunto

19 de julho de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito

A ansiedade faz parte da condição humana e dos animais. Frente aquela oportunidade de emprego ou quando o cachorrinho é exposto a um estímulo que ele adora uma sensação de desconforto surge, porém tende a diminuir.

Mapa clínico: tipos de ansiedade importam porque mudam gatilhos e tratamento

Em resumo: ansiedade pode aparecer como preocupação persistente, crises de pânico, medo social, fobias, ansiedade de separação ou sintomas mistos com depressão, sono e uso de substâncias. O rótulo ajuda quando descreve padrão, duração, prejuízo e gatilhos; sozinho, não define diagnóstico.

Diagrama dos tipos de ansiedade com preocupação constante, crises de pânico, medo social e fobias.
O padrão de sintomas orienta a conversa clínica.
Fluxo visual para observar ansiedade com gatilho, duração, evitação, prejuízo, sono, álcool e cafeína.
Registro simples ajuda a separar ansiedade situacional de transtorno persistente.
PadrãoComo costuma aparecerO que muda
Ansiedade generalizadaPreocupação excessiva em vários temas.Plano de longo prazo, sono e terapia.
PânicoCrises intensas com sintomas físicos e medo de morrer.Descartar urgências quando indicado e tratar recorrência.
Ansiedade social/fobiaEvitação de situações específicas.Exposição gradual e psicoterapia podem ser centrais.
  • Anote frequência, duração, gatilhos, sintomas físicos e o que você passou a evitar.
  • Observe cafeína, álcool, privação de sono, estimulantes e remédios que podem piorar sintomas.
  • Procure ajuda urgente se houver ideação suicida, falta de controle, uso abusivo de substâncias, violência ou incapacidade de realizar atividades básicas.

Nota de segurança: ansiedade tem tratamento. Evite tratar crise recorrente apenas com automedicação ou promessas de alívio rápido.

Para continuar no tema: Psicologia | Psiquiatria | Crise de ansiedade | Falta de ar e ansiedade

Isso é natural, é um processo adaptativo que o organismo promove para nos ajudar ao enfrentamento de situações. Podemos dizer que seria uma forma do organismo sinalizar momentos de bastante agitação, insegurança ou medo.

Desse modo, nos levaria a uma preservação de energia e experiências. Contudo, quando é possível diferençar a ansiedade patológica a uma simples ansiedade do dia a dia?


Como diferenciar a ansiedade?

Sendo uma manifestação fisiológica, é considerada normal quando se torna motivacional e conseguimos lidar com aquele momento, já o contrário desencadearia grande sofrimento significativo na vida social, escolar e profissional da pessoa.


Ansiedade – um problema de saúde pública

Taxas de prevalência de transtornos ansiosos no Brasil se assemelham a de outros países. Cerca de 19,9% da população brasileira concentrada nas regiões sudeste e sul possuem algum transtorno ansioso no ano e 28,1% da população na região metropolitana de São Paulo teria algum transtorno ansioso no decorrer da vida.

Especificamente, a prevalência ao longo da vida dos seguintes transtornos ansiosos pode ser observada como: 1,7% transtorno do pânico, 2,5% agorafobia, 7,7% ansiedade de separação, 3,7% transtorno de ansiedade generalizada, 5,6% fobia social, 12,4% fobia específica e 28,1% para qualquer transtorno de ansiedade.

Em breve análise, os valores obtidos podem indicar altos índices e persistência na progressão do quadro de saúde mental.

Ansiedade – mal do século XXI

É sabido pela ciência o quanto a ansiedade tem trazido malefícios à saúde física e mental para população geral e isso tem corroborado salientando a necessidade sobre o conhecimento das diferenças entre os vários tipos de ansiedade.

Catalogados em bases científicas, os critérios diagnósticos possibilitam avaliar pacientes a partir de métodos criteriosos, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) é utilizado como referência e menciona 11 tipos de ansiedade existentes na atualidade, como é possível observar abaixo.

  • Ansiedade de Separação
  • Mutismo Seletivo
  • Fobia Específica
  • Ansiedade Social
  • Pânico
  • Agorafobia
  • Ansiedade Generalizada
  • Ansiedade Induzida por Substância
  • Ansiedade Devido Outra Condição Médica
  • Outro Transtorno de Ansiedade Especificado
  • Transtorno de Ansiedade Não Especificado

Para entendermos melhor os aspectos relevantes de cada tipo de ansiedade, vale salientar que, pelo menos em algum momento da vida já sentimos esses sintomas ou até já nos identificamos com comportamentos desse tipo, no entanto, isso não nos qualifica como portadores de um ou mais transtornos descritos acima.

Apenas um psiquiatra pode fazer um diagnóstico psiquiátrico.


11 Tipos de Ansiedade

Vejamos então os 11 tipos de ansiedade relacionados pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5):

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1. Transtorno de Ansiedade de Separação:

Se caracteriza pelo forte medo da perda em se separar de um ente querido geralmente experienciado nos primeiros estágios de desenvolvimento da vida, assim causando sintomas excessivos de ansiedade, sofrimento emocional, preocupação, relutância, pesadelos e somatizações;

2. Mutismo Seletivo

Pode ser compreendido como aquela falta de êxito para falar em público de maneira persistente, influenciando na comunicação social não por desconhecimento do assunto em pauta, mas sim por uma imensa perturbação marcada pela ansiedade social;

3. Fobia Específica

É o medo conjunto à ansiedade desproporcional a situações ou objetos específicos, como animais, dirigir (amaxofobia), altura, voar, tomar injeção e sangue.

4. Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

É capaz de trazer bastante prejuízo às pessoas, pois todas às vezes o indivíduo se defronta com o estímulo fóbico e ocorre uma descarga emocional parecida a um ataque de pânico e ansiedade intensa. Existe medo frente à situação aversiva e a esquiva ativa será adotada frequentemente;

5. Transtorno de Pânico

É marcado por episódios ocasionais de intenso medo e ansiedade. Acontece sem motivo aparente, de modo contínuo e curta duração cada. Entre os critérios mais evidentes têm-se: tosse, palpitação, sudorese, tremor, falta de ar, sensação de asfixia, dor torácica, náusea, tontura, calafrio, formigamento, desrealização, despersonalização, medo de perder o controle e medo de morrer;

6. Agorafobia

A agorafobia é um transtorno de ansiedade que geralmente se desenvolve após um ou mais ataques de pânico.

Pode ser explicada como o medo acentuado e ansiedade proeminente de transporte público, espaços abertos, permanência em locais fechados, aglomerações e sair sozinho;

Os tratamentos incluem terapia e medicação.

7. Transtorno de Ansiedade Generalizada

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É compreendido como presença desproporcional de preocupações e ansiedade a atividades reais ou supostamente imaginadas, acompanhada dos sintomas: inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritação, tensão muscular e alteração no sono;

8. Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância/Medicamento

Vale da seguinte normativa: é importante que ocorra sintomas de ansiedade ou pânico acentuados após abuso, ou abstinência da substância, ou medicação;

9. O Transtorno de Ansiedade Devido a Outra Condição Médica

É descrito como efeito direto de outro processo fisiológico do organismo, ocorrendo naturalmente sintomas de ansiedade e até ataques de pânico;

10. Outro Transtorno de Ansiedade Especificado

O paciente não satisfaz os critérios descritos e, portanto, não é elegível para qualquer transtorno de ansiedade específico;

11. O Transtorno de Ansiedade Não Especificado

Geralmente esse diagnóstico é utilizado para nomear pacientes que ainda não possuem critérios bem definidos;


Importância do diagnóstico da ansiedade

A preocupação com o diagnóstico é de suma importância, será ele quem irá nortear o tratamento. Entretanto, tal condição deve ser encarada como balizador de estratégias de cuidado, como escolha de medicamentos, técnicas psicológicas e atividades que possibilitem mudança no estilo de vida.

Por mais desafiador que possa parecer, o diagnóstico de saúde mental ainda enfrenta uma série de tabus, um pouco menos do que antigamente, e cabe a nós disseminar esse olhar de condição clínica de saúde, como enxergamos outras doenças bem estabelecidas, a diabetes ou hipertensão, por exemplo.

Quem sabe, entre tantas dificuldades dentro da saúde mental, o diagnóstico passe a ser um dos menores desafios no tratamento humanizado.

5 Maneiras Controlar Ansiedade
5 Maneiras de Controlar a Ansiedade

Referências

  1. Lenhardtk, G.; Calvetti, P. U. Quando a Ansiedade Vira Doença?: Como Tratar Transtornos Ansiosos Sob a Perspectiva Cogntivo-Comportamental. Aletheia, v. 50, n. 1-2, p.111-122, 2017.
  2. Mangolini, V. I.; Andrade, l. H.; & Wang, Y. P. Epidemiologia dos Transtornos de Ansiedade em Regiões do Brasil: Uma Revisão de Literatura. Revista de Medicina, v. 98, n. 6, p. 415-422, 2019.
  3. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.

Fontes de apoio: NIMH: anxiety disorders | MedlinePlus: anxiety

Arquivado em: Psicologia

Colesterol bom e ruim: entenda LDL, HDL e VLDL

19 de julho de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

LDL, HDL, VLDL e colesterol total não significam a mesma coisa. LDL costuma pesar mais no risco aterosclerótico; HDL não deve ser visto isoladamente como proteção absoluta; triglicerídeos, diabetes, pressão, tabagismo e histórico familiar mudam a meta.

LDL, HDL, VLDL e colesterol total são partes diferentes do perfil lipídico. LDL é a fração mais ligada ao acúmulo de placas nas artérias; HDL participa do transporte de colesterol de volta ao fígado; VLDL carrega principalmente triglicerídeos; colesterol total resume parte desse conjunto.

O resultado não deve ser interpretado por um número isolado. Idade, pressão alta, diabetes, tabagismo, doença renal, histórico familiar, infarto ou AVC prévios e uso de remédios mudam a meta e a urgência do tratamento.

Diferença entre LDL, HDL, VLDL e colesterol total

ExameO que indicaComo interpretar
LDLTransporta colesterol para tecidos e artérias.Quanto menor, melhor em pessoas de maior risco cardiovascular.
HDLAjuda no transporte reverso para o fígado.Níveis baixos podem aumentar risco, mas subir HDL artificialmente não substitui reduzir LDL.
VLDLCarrega triglicerídeos produzidos pelo fígado.Costuma acompanhar triglicerídeos altos, resistência à insulina e excesso de álcool/açúcar.
Colesterol totalSoma frações do perfil lipídico.É útil, mas pode confundir se LDL, HDL e triglicerídeos não forem vistos separadamente.

Por que o LDL recebe tanta atenção?

O LDL participa do processo de aterosclerose, em que placas se formam nas artérias ao longo do tempo. Esse processo pode aumentar risco de infarto, AVC, doença arterial periférica e outras complicações. Por isso, muitas diretrizes definem metas de LDL conforme o risco cardiovascular.

Uma pessoa com baixo risco pode ter meta diferente de alguém que já teve infarto, tem diabetes com outros fatores de risco ou doença renal. O mesmo valor de LDL pode ser pouco preocupante para uma pessoa e inadequado para outra.

Triglicerídeos e VLDL: onde entram?

Triglicerídeos são outro tipo de gordura no sangue. Quando estão altos, podem se relacionar a excesso de calorias, álcool, açúcar, resistência à insulina, diabetes mal controlado, hipotireoidismo, doença renal, medicamentos e genética. Em níveis muito altos, também podem aumentar risco de pancreatite.

O VLDL costuma refletir parte desse metabolismo dos triglicerídeos. Por isso, quando VLDL e triglicerídeos vêm altos, o cuidado geralmente inclui alimentação, redução de álcool, atividade física, controle de glicose e revisão de medicamentos, além de remédios quando indicados.

Jejum ainda é obrigatório?

Nem sempre. Muitos serviços aceitam perfil lipídico sem jejum, mas o médico pode solicitar jejum em situações específicas, especialmente quando triglicerídeos estão muito altos, quando há dúvida de interpretação ou quando o laboratório segue protocolo próprio.

Antes do exame, informe remédios, suplementos, gravidez, doenças recentes, consumo de álcool e mudanças bruscas de dieta. Esses fatores podem alterar resultados e a leitura clínica.

Como ler o resultado passo a passo

  • Veja primeiro LDL e histórico cardiovascular, porque isso costuma guiar metas.
  • Confira triglicerídeos, especialmente se há diabetes, álcool, obesidade, hipotireoidismo ou uso de certos remédios.
  • Não use colesterol total sozinho para decidir tratamento.
  • Compare com exames anteriores para entender tendência.
  • Discuta risco global, não apenas “passou um pouco do valor”.

Essa leitura evita dois erros comuns: tratar qualquer alteração pequena como emergência ou, ao contrário, ignorar um LDL muito alto porque a pessoa se sente bem. Colesterol alto geralmente não causa sintomas, mas pode atuar por anos aumentando risco arterial.

O que costuma melhorar o perfil lipídico

  • Reduzir gordura trans e excesso de gordura saturada.
  • Aumentar fibras, especialmente de feijões, aveia, frutas, verduras e legumes.
  • Praticar atividade física regular, conforme condição clínica.
  • Parar de fumar e reduzir álcool quando triglicerídeos estão altos.
  • Controlar diabetes, pressão, peso e sono.

Medicamentos como estatinas, ezetimiba, fibratos, resinas e inibidores de PCSK9 podem ser indicados conforme risco e tipo de alteração. A decisão depende de benefício esperado, efeitos adversos, interações e meta individual.

Quando o resultado merece prioridade

  • LDL muito alto, especialmente acima de 190 mg/dL.
  • Triglicerídeos muito altos.
  • Histórico pessoal de infarto, AVC, stent ou doença arterial.
  • Diabetes, doença renal ou pressão alta associada.
  • Familiares com infarto ou AVC precoce.

Em resumo, o perfil lipídico é uma ferramenta de risco, não uma etiqueta isolada de “bom” ou “ruim”. O passo seguinte é entender qual fração está alterada, qual é o risco cardiovascular total e que intervenção tem melhor relação benefício-risco para aquela pessoa.

Perguntas para levar ao médico

  • Meu LDL está adequado para o meu risco?
  • Preciso repetir exame em jejum ou investigar causa secundária?
  • Meu resultado sugere risco familiar?
  • Qual meta devemos buscar e em quanto tempo reavaliar?
  • Se houver remédio, quais efeitos adversos e interações devo observar?

Causas secundárias que podem elevar colesterol

Nem toda alteração vem apenas da dieta. Hipotireoidismo, diabetes mal controlado, doença renal, doença hepática, gravidez, álcool em excesso e alguns medicamentos podem alterar colesterol ou triglicerídeos. Quando o resultado muda muito ou não melhora como esperado, investigar essas causas pode ser tão importante quanto mudar alimentação.

Também existe hipercolesterolemia familiar, em que o LDL fica muito alto por causa genética. Suspeita aumenta quando LDL é muito elevado ou há infarto/AVC precoce em familiares. Nesses casos, parentes podem precisar de rastreio.

Se o exame veio alterado, não mude vários fatores ao mesmo tempo sem plano. Anote peso, pressão, atividade física, álcool, dieta e remédios; depois combine prazo de reavaliação. Isso ajuda a saber se a intervenção funcionou ou se será preciso intensificar tratamento.

Resultados muito diferentes do histórico devem ser repetidos ou discutidos antes de decisões definitivas, principalmente se houve doença recente, jejum prolongado ou mudança abrupta de dieta.

Como o médico transforma números em meta

O mesmo LDL pode ter significados diferentes. Uma pessoa jovem, sem tabagismo, sem diabetes e sem histórico familiar forte costuma ter risco diferente de alguém que já teve infarto, AVC, doença renal, diabetes ou placas conhecidas nas artérias. Por isso, interpretar o laudo apenas como “normal” ou “alto” é insuficiente.

FraçãoComo entra na decisão
LDLPrincipal alvo quando o objetivo é reduzir risco cardiovascular.
HDLAjuda a compor o perfil, mas não é “proteção garantida” isoladamente.
VLDL/triglicerídeosRefletem metabolismo de gorduras e carboidratos; valores altos mudam investigação.
Colesterol totalResume frações, mas sozinho não define conduta.

O que muda o efeito na dieta

FatorComo avaliar
PorçãoCompare a quantidade do prato com a porção do rótulo ou da receita.
PreparoFritura, açúcar, creme, óleo e bebidas calóricas mudam bastante o resultado.
FrequênciaConsumo eventual e hábito diário têm impactos diferentes.
Condição clínicaDiabetes, doença renal, alergias, gestação e transtornos alimentares pedem ajuste próprio.

Uma boa decisão alimentar precisa caber no orçamento, na fome, no horário e no prazer de comer. Cortes amplos sem necessidade podem reduzir variedade e aumentar culpa sem melhorar exames ou sintomas.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: colesterol
  • MedlinePlus: resultados do exame de colesterol
  • CDC: colesterol

Arquivado em: Clínica Médica

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