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Espondilose cervical: causas e tratamento

29 de janeiro de 2023 by Dr. Carlos Roberto Babá

Espondilose cervical é o conjunto de alterações degenerativas do pescoço, como desgaste de discos e articulações, que pode aparecer em exames mesmo sem dor. Ela ganha importância quando combina rigidez, dor persistente, dor para o braço, formigamento, perda de força, alteração de marcha ou sinais de compressão da medula.

Desgaste no pescoço nem sempre é doença ativa

Com o tempo, discos perdem hidratação, articulações mudam, osteófitos podem aparecer e o canal ou os forames podem ficar mais estreitos. Isso é comum com a idade. O problema é quando essas alterações irritam raízes nervosas, comprimem a medula ou se associam a dor e perda funcional.

Por isso, o laudo precisa ser comparado com sintomas e exame físico. A pergunta clínica é se o achado explica a dor no pescoço, irradiação para o braço, formigamento, fraqueza, desequilíbrio ou dificuldade com movimentos finos das mãos.

QuadroPistasPrioridade
Dor cervical mecânicaPiora com postura e movimento.Tratamento conservador.
RadiculopatiaDor/formigamento para braço.Examinar força e sensibilidade.
MielopatiaMarcha ruim, mãos desajeitadas.Avaliação rápida.
Alerta sistêmicoFebre, câncer, perda de peso.Investigar.

Quando a medula preocupa

Compressão da medula cervical pode causar desequilíbrio, quedas, dificuldade para abotoar, escrever ou segurar objetos, fraqueza, rigidez nas pernas, alteração urinária e piora progressiva. Esses sinais são diferentes de uma dor muscular comum no pescoço.

Quando há suspeita de mielopatia, a avaliação não deve ser adiada por semanas de automedicação. O tratamento pode exigir encaminhamento especializado e imagem adequada.

Laudo: comum com idade, precisa de correlação.
Raiz: dor desce para braço.
Medula: marcha e mãos mudam urgência.
Cuidado: exercício deve respeitar sinais neurológicos.

Tratamento conservador

Quando não há sinais de compressão importante, o tratamento conservador costuma combinar educação, ajuste de ergonomia, atividade tolerada, fisioterapia, fortalecimento cervical e escapular, mobilidade, analgésicos ou anti-inflamatórios quando seguros e acompanhamento. Colar cervical prolongado raramente é solução para dor crônica.

Procedimentos, infiltrações ou cirurgia entram quando há dor radicular persistente, déficit neurológico, compressão relevante ou falha de tratamento conservador bem conduzido. A decisão deve ser baseada em sintomas, exame e imagem juntos.

Como acompanhar

Registre dor no pescoço, irradiação, formigamento, força, destreza das mãos, equilíbrio, sono, trabalho e resposta aos exercícios. Se a dor melhora, mas a fraqueza progride, o plano precisa mudar. Função neurológica pesa mais do que nota de dor isolada.

Ergonomia ajuda, mas não resolve tudo

Altura de tela, pausas e apoio podem reduzir irritação, mas dor cervical persistente não deve ser explicada apenas por celular ou travesseiro. Se há irradiação, fraqueza ou alteração de marcha, o foco passa a ser neurológico.

Radiculopatia: quando o braço entra na história

Quando dor sai do pescoço e desce para ombro, braço, antebraço ou mão, a hipótese de irritação de raiz nervosa ganha força. Formigamento em dedos específicos, perda de força para segurar objetos e alteração de reflexos ajudam a localizar o nível envolvido.

Nem toda dor no braço vem do pescoço. Ombro, cotovelo, túnel do carpo e neuropatias também podem confundir. O exame físico diferencia, e por isso tratar apenas com base na ressonância pode falhar.

O que evitar

Evite manipulações bruscas, tração improvisada ou exercícios agressivos quando há sinais neurológicos progressivos. Também evite ficar parado por medo do laudo quando não há alerta. Entre pânico e descuido existe um plano: movimento graduado, fortalecimento e reavaliação.

Como diferenciar dor muscular de compressão

Dor muscular costuma piorar com postura mantida, palpação e tensão local. Compressão de raiz tende a seguir trajeto para braço ou mão, com choque, dormência ou fraqueza. Compressão de medula pode aparecer como desequilíbrio, quedas e mãos desajeitadas.

Se a dor no pescoço é antiga, mas surgem novos sintomas nas mãos ou na marcha, trate como mudança de padrão. O histórico não deve impedir reavaliação quando a função neurológica muda.

Se o trabalho exige computador, direção ou uso prolongado de celular, organize pausas antes da dor ficar intensa. Pausas curtas, apoio de antebraços e alternância de posição reduzem carga acumulada, mas não substituem avaliação quando há sintomas no braço.

Ao acompanhar, diferencie dor, dormência e fraqueza. Dor pode oscilar com tensão e postura; fraqueza progressiva, tropeços ou perda de destreza manual são sinais de outra gravidade e devem ser relatados de forma objetiva.

Levar uma linha do tempo dos sintomas ajuda a diferenciar crise muscular recente de compressão progressiva. Inclua quedas.

Espondilose cervical: O que é?

Espondilose Cervical é um desgaste natural entre as vértebras da coluna cervical, mais especificamente na região do pescoço.

Atualmente a saúde é um dos temas mais discutidos pela sociedade Seja a adoção de hábitos saudáveis ou a necessidade de estar em um ambiente que auxilie na promoção da saúde.

No trabalho, existem diversas regras que auxiliam na prevenção de acidentes de trabalho, inclusive os acidentes que são causados a longo prazo, como a má postura por conta de mobílias inadequadas para as características físicas individuais.

Praticar atividades físicas monitoradas por um profissional ou até mesmo fazer exercícios de fortalecimento, como o pilates, são medidas eficazes para o fortalecimento da musculatura local e consequentemente melhora na postura e nos desconfortos locais.

A espondilose cervical é também conhecida como “artrite de pescoço” se caracteriza por ser uma patologia que tende a piorar conforme a idade vai avançando, frequentemente os pacientes mais afetados estão na faixa dos cinquenta anos.

Existe também a espondilose dorsal (afetando coluna torácica) e espondilose lombar (que afeta a coluna lombar).

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Causas

A espondilose cervical ou artrite de pescoço pode ser considerada um desgaste natural que tende a avançar com o passar dos anos, a espondilose cervical se dá entre as vértebras da coluna cervical, mais especificamente na região do pescoço.

Pacientes com sobrepeso, problemas posturais ou que façam movimentos repetitivos constantes também podem ter espondilose cervical antes mesmo de avançarem sua idade.

Fatores de risco

cifose toracica
IdadeA espondilose cervical é mais comum em indivíduos com mais de 40 anos.
SexoPode ser mais comum em homens do que em mulheres.
GenéticaTer um histórico familiar de espondilose cervical pode aumentar seu risco.
OcupaçãoAs pessoas que trabalham em profissões que exigem movimentos ou posturas frequentes, ou prolongados do pescoço podem ter um risco aumentado de desenvolver espondilose cervical.
LesãoLesões anteriores no pescoço podem aumentar o risco de desenvolver espondilose cervical.

Sintomas de espondilose cervical

Dor na nuca, dor no pescoço ao movimentá-lo, formigamento no local, dores de cabeça, dormência no local ou nas mãos, estalos, espasmos musculares, dores nas pernas e dificuldades para movimentar braços e pernas.

Sintomas de espondilose cervical
Dor e rigidez no pescoço
Dores de cabeça
Dor ou dormência nos ombros, braços ou mãos
Perda de equilíbrio ou coordenação
Fraqueza nos braços ou pernas
Habilidades motoras finas prejudicadas
Sensações de formigamento ou queimação
Dificuldade de concentração
Fadiga
Tontura

Quando a espondilose cervical já está em um nível mais avançado, o incômodo passa a ter uma intensidade que pode alcançar outros locais, como os ombros, as costas e até mesmo as pernas.

Alguns pacientes apresentam uma compressão dos nervos por parte dos ossos da coluna, onde os nervos são afetados por pequenas compressões, tendendo a ocasionar formigamento e fraqueza nos braços e até mesmo nas pernas.

Sendo um fator de risco para pacientes que desenvolvem atividades de alto risco, como operar máquinas e até mesmo dirigir, por isso é importante que se observem todos os sintomas.

Por outro lado, alguns pacientes não apresentam sintomas e sentem apenas um desconforto na região da nuca, principalmente quando ficam em pé, tentam ficar com a postura ereta ou fazem atividade físicas que envolvam os exercícios dos membros superiores.

Diagnóstico

coluna normal vs artrose

O diagnóstico se dá por meio de uma análise do clínico geral ou do ortopedista sobre o histórico familiar do paciente. No consultório são feitos alguns exames físicos para analisar os movimentos do paciente, do pescoço, dos bracos e das pernas.

Para confirmar o diagnóstico são solicitados exames de imagem, como o raio-X e a tomografia computadorizada.

Alguns profissionais podem solicitar ressonância magnética para verificar não apenas os ossos e os tecidos moles, mas as cartilagens.


Espondilose cervical pode ser grave?

coluna problemas do disco

Como a maioria das doenças, se não forem tomadas medidas à longo prazo o paciente pode ter danos irreparáveis.

Quando a medula espinhal é comprimida, isso faz com que o paciente perca força, coordenação motora e até mesmo equilíbrio.

Quando alguns pacientes relatam problemas de equilíbrio, alguns profissionais tendem a pensar em uma patologia chamada labirintite, que é a inflamação do labirinto auricular, a qual causa no paciente, tonturas e dificuldades em se equilibrar.

Portanto é necessário que se faça uma análise completa dos sintomas que o paciente relata e, caso necessário, fazer todos os exames confirmatórios do diagnóstico de esṕondilose cervical.

Pessoas também relatam alterações na micção, sendo uma certa urgência para eliminar a urina ou até mesmo a incontinência agravada, onde o paciente não consegue controlar a eliminação da mesma, fazendo indispensável o acompanhamento com o médico ortopedista para que se defina qual a melhor maneira de lidar com o processo.


Tratamento

No que diz respeito ao tratamento, em um primeiro momento o médico pode prescrever medicamentos analgésicos (como dipirona, paracetamol e ibuprofeno), anti inflamatórios (diclofenaco) ou relaxantes musculares (ciclobenzaprina) para aliviar a dor e a sensação de endurecimento do pescoço.

Tratamento não farmacológico

Opções iniciais incluem:

  • Exercícios: o exercício regular pode ajudar a fortalecer os músculos do pescoço e melhorar a flexibilidade.
  • Fisioterapia: terapias como massagem, terapia de calor e alongamento podem ajudar a reduzir a dor e melhorar a amplitude de movimento. Alongamento e fortalecimento são necessárias para a reabilitação, tanto na fase subaguda como para casos crônicos e recorrentes.
  • Postura: manter uma boa postura pode ajudar a reduzir a tensão no pescoço e na coluna. Orientações posturais no trabalho, nas atividades diárias e no sono podem ajudar a reduzir compressão muscular e rigidez, que podem sobrecarregar as facetas articulares.
  • Ergonomia: ajustar sua mesa de trabalho e cadeiras para melhor apoiar seu corpo pode ajudar a reduzir a tensão no pescoço e na coluna. Postura estática adequada é essencial para tratamento a médio prazo e prevenção.
  • Técnicas de relaxamento: Técnicas de relaxamento, como ioga e meditação, podem ajudar a reduzir o estresse e a tensão no pescoço e na coluna.

Porém o mais indicado é iniciar procedimentos como: acupuntura, reabilitação e até mesmo pilates, para fortalecer a musculatura da região e alongar os músculos.

Tratamento farmacológico (alívio de dor)

DrogaClasse FarmacológicaDosagem
AspirinaAnti-inflamatório não esteroide (AINE)1-3g/dia
IbuprofenoAINE400-800mg/dia
CetoprofenoAINEAté 300mg/dia
NaproxenoAINE250-500mg/dia
ParacetamolAnalgésico325-1000mg/dia
DipironaAnalgésico1g-4g/dia
CodeínaOpioide30-60mg/dia
MorfinaOpioide10-20mg/dia
OxicodonaOpioide10-20mg/dia
TramadolOpioide50-100mg/dia
AmitriptilinaAntidepressivo tricíclico25-50mg/dia
GabapentinaAnticonvulsivante200-2400mg/dia
PregabalinaAnticonvulsivante75-300mg/dia
CarisoprodolRelaxante Muscular250-350mg/dia
CiclobenzaprinaRelaxante Muscular5-10mg/dia
ClorzoxazonaRelaxante Muscular250-750mg/dia

Cirurgia é necessária?

Em alguns casos pode ser recomendada cirurgia para serem feitas correções nas coluna do paciente.


Suplementos podem ajudar?

Pacientes com problemas nos ossos, com problemas de calcificação ou falta de cálcio, deficiência de vitamina D, obesos ou que façam atividades repetitivas em seu dia a dia devem iniciar o processo preventivo antes da terceira idade para que os danos não sejam tão comprometedores.

Existem diversas vitaminas disponíveis no mercado, além de dietas baseadas no perfil individual. Prevenir é sempre a melhor maneira de cuidar da saúde.

Fontes e leitura útil

  • Cleveland Clinic: Cervical Spondylosis
  • AAOS: Cervical Spondylotic Myelopathy
  • JOSPT: Neck Pain Clinical Practice Guidelines

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Ortopedia, Medicina Esportiva

Estômago queimando: causas, alívio e quando avaliar

29 de janeiro de 2023 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Queimação na parte alta do abdômen pode ser dispepsia; azia costuma ser a sensação de queimação que sobe pelo peito, frequentemente com regurgitação. A sensação, sozinha, não identifica a causa.

Queimação, refluxo e desconforto no estômago podem ter relação com alimentação, anti-inflamatórios, álcool, hérnia de hiato, gastrite, refluxo e outros fatores. Sangue, vômitos persistentes, perda de peso, anemia, engasgos ou dor forte mudam a prioridade.

O desconforto pode surgir em jejum ou após comer; a relação com refeições e a presença de regurgitação ou refluxo ajudam a descrever o padrão, mas não definem a causa.

Queimação persistente ou recorrente merece avaliação conforme duração, intensidade, impacto na alimentação e sintomas associados.

A investigação pode combinar história clínica, exame físico e testes escolhidos conforme os achados; nem toda pessoa precisa dos mesmos exames.

Se os sintomas voltam, é útil reavaliar a hipótese e a resposta ao tratamento; apoio nutricional pode ser considerado conforme o caso.

Digestão dos alimentos e desequilíbrios

O estômago produz ácido para a digestão e protege sua mucosa por mecanismos próprios. A dispepsia pode surgir quando essa função, a interação entre intestino e cérebro ou outras condições digestivas provocam dor ou queimação; isso não significa que o ácido esteja corroendo o estômago.

A dispepsia pode decorrer de refluxo, úlcera, infecção por H. pylori, medicamentos ou dispepsia funcional, entre outras causas. A acidez não “corrói” normalmente a parede do estômago: úlceras pépticas estão relacionadas sobretudo a H. pylori e anti-inflamatórios não esteroides. Refluxo é a passagem do conteúdo gástrico ao esôfago e não é o mesmo que úlcera.

Sintomas principais

Queimação estomacal antes ou após as refeições, que pode ser seguida ou não de um refluxo ácido. Alguns pacientes relatam um sabor amargo na boca.

O cuidado depende da causa; recorrência ou persistência exige identificar o padrão e avaliar se há sinais de alarme, em vez de presumir que seja apenas alimento ou “gastrite”.

PadrãoO que descreve
DispepsiaDor ou queimação no alto do abdômen, saciedade precoce ou plenitude após comer; pode vir com náusea ou arroto.
AziaQueimação atrás do osso do peito, que pode subir em direção à garganta.
RegurgitaçãoRetorno de líquido ou alimento à boca; pode acompanhar refluxo, mas não é obrigatório na dispepsia.

Alimentos que podem resultar em queimação

Alguns alimentos e bebidas podem piorar sintomas em certas pessoas, mas não há uma lista universal de “vilões”. Observe apenas os itens que se relacionam de forma repetida com o próprio sintoma; não é necessário excluir todos preventivamente:

  • Cafeína em suas variações;
  • Alimentos picantes ou ácidos;
  • Alho e cebola (se houver relação repetida com os sintomas);
  • Refeições muito gordurosas (se forem um gatilho individual);
  • Refrigerantes;
  • Bebidas alcoólicas; e
  • Alimentos fritos.
cafe

Causas de queimação no estômago

Discutiremos sobre as possíveis causas da queimação no estômago:

Refluxo: o refluxo se dá basicamente pelo ácido do estômago subir pelo esôfago do paciente, isso gera uma queimação estomacal e até mesmo um desconforto no peito.

Alguns pacientes relatam ter tosse quando têm refluxo, além de dificuldade para engolir alimentos.  

Helicobacter pylori: a infecção pode não causar sintomas, mas está associada a gastrite e úlcera péptica; não é possível confirmá-la pela sensação de queimação.

Pode ser investigada por teste respiratório, exame de fezes ou outros métodos; quando é indicada erradicação, a resposta deve ser confirmada após o tratamento.

Gastrite: é inflamação do revestimento do estômago e pode ter diferentes causas; algumas pessoas não sentem sintomas. Queimação em jejum não confirma gastrite e também pode ocorrer em outras condições.

Úlcera: é uma ferida no estômago ou duodeno. As causas mais comuns são H. pylori e uso de anti-inflamatórios; não é simplesmente uma gastrite “agravada”, e jejum, estresse ou mascar chiclete não são causas estabelecidas.

Câncer gástrico geralmente não causa sintomas no início. Se aparecem, indigestão, desconforto ou azia podem ter muitas outras causas; sintomas persistentes, perda de peso ou outros sinais devem ser avaliados. Queimação isolada não indica câncer. NCI: sintomas do câncer de estômago.

Síndrome do intestino irritável: pode causar dor abdominal associada a alteração do hábito intestinal, mas não é definida por queimação no estômago.

Outros fatores

Existem outros fatores que fazem com que o paciente apresente queimação estomacal, como: fumar (o tabagismo afeta todo o corpo e não apenas os pulmões), alcoolismo (o álcool causa uma irritação estomacal e pode causar uma sensação de queimação, especialmente em pessoas que bebem sem consumir alimentos).

Como o diagnóstico é avaliado

A avaliação começa pela história dos sintomas, exame clínico e medicamentos em uso. Endoscopia não é necessária em todos os casos; pode ser indicada diante de sinais de alarme ou conforme idade e contexto clínico.

H. pylori pode ser investigado por teste respiratório, exame de fezes ou outros testes apropriados.

É importante que a queimação estomacal seja levada a sério e alguns sinais de alerta precisam ser considerados quando sentirem esse desconforto, são eles:

  • Fezes escurecidas podem indicar sangramento estomacal, as fezes mais escuras que o normal podem conter coágulos de sangue vindos do estômago;
  • Dor abdominal intensa;
  • Vômitos com ou sem sangue vivo (sangue avermelhado);
  • Perda de peso sem relação com dietas ou atividades físicas;
  • Inchaço abdominal;
  • Alterações na coloração da pele ou dos olhos. 

Opções de tratamento

O tratamento varia com a causa. Inibidores da bomba de prótons podem ser usados em refluxo ou úlcera quando indicados; antiácidos podem aliviar sintomas leves, mas não devem substituir investigação de sintomas persistentes ou intensos. Espinheira-santa não é tratamento universal para queimação; a escolha de medicamentos depende da hipótese clínica e dos riscos individuais.

A escolha do medicamento depende da causa provável, de outras condições e de possíveis contraindicações.

H. pylori requer combinação prescrita de medicamentos escolhida conforme resistência local e histórico de antibióticos; não se deve repetir automaticamente um esquema fixo. A erradicação deve ser confirmada com teste no intervalo recomendado após o tratamento.

Alguns hábitos ou alimentos podem piorar sintomas em certas pessoas. Observe relações repetidas e faça mudanças pontuais, sem excluir grupos alimentares por precaução; tabaco e álcool também merecem atenção por seus efeitos gerais na saúde.

Além do tratamento farmacológico, em alguns casos é sugerido o acompanhamento nutricional para que o paciente não tenha uma reincidência do mesmo problema por conta dos mesmos hábitos.

Quando há câncer gástrico, o tratamento depende do tipo, estágio e condição clínica; pode incluir cirurgia, quimioterapia e outras modalidades. Queimação isolada não permite inferir câncer.

Práticas de bem-estar como complemento

As práticas abaixo podem apoiar relaxamento ou bem-estar geral, mas não tratam a causa da queimação nem substituem avaliação e tratamento indicados. A evidência para alívio da dispepsia varia e pode ser limitada:

  • Acupuntura – prática que pode ser procurada para dor ou bem-estar; não se deve presumir que trate dispepsia ou elimine sua causa.
  • Yoga – atividade mente-corpo que pode favorecer relaxamento e bem-estar, sem substituir cuidado digestivo quando necessário.
  • Massagem – pode ser relaxante, mas não trata refluxo, úlcera ou outra causa digestiva.
  • Alimentação – ajustes individualizados podem ajudar quando há gatilhos repetidos; evite dietas restritivas sem indicação.
  • Aromaterapia – pode ser usada para relaxamento, mas não há base para apresentá-la como tratamento digestivo.
  • Fitoterápicos – eficácia e segurança variam; podem interagir com medicamentos e devem ser discutidos com profissional de saúde.
  • Atividade física – faz parte do cuidado geral com a saúde, mas não é tratamento específico para queimação.
  • Hidroterapia – banho pode promover conforto ou relaxamento, sem tratar a causa dos sintomas digestivos.
  • Biofeedback – técnica de autocontrole corporal que pode apoiar relaxamento; não é tratamento comprovado para todas as causas de dispepsia.

Conclusão

Dor de estômago em queimação é um sintoma comum de várias condições médicas, incluindo gastrite, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e úlcera péptica.

Sintomas persistentes ou recorrentes precisam de avaliação, sobretudo quando interferem na alimentação ou vêm acompanhados de sinais de alarme.

Vômito com sangue, fezes negras, dificuldade para engolir, vômitos persistentes, perda de peso sem explicação ou dor intensa justificam avaliação rápida.

Um médico pode ajudar a determinar a causa subjacente da dor de estômago e prescrever o tratamento adequado. Com o tratamento certo, a dor estomacal em queimação pode ser controlada com eficácia.

Explore também no Blog da Saúde

  • Gastroenterologia
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • NIDDK: síndrome do intestino irritável
  • NIDDK: sintomas e causas da dispepsia
  • NIDDK: avaliação e diagnóstico da dispepsia
  • NIDDK: refluxo gastroesofágico
  • NIDDK: tratamento de úlcera péptica e H. pylori

Arquivado em: Clínica Médica, Sintomas de A-Z

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