Dor chamada de “dor nos ovários” é uma dor pélvica baixa, de um ou
dos dois lados. Ovulação e cistos funcionais são causas comuns, mas
intestino, urina, músculos, endometriose, gravidez ectópica e torção
ovariana podem produzir o mesmo local. Dor súbita intensa com náusea ou
desmaio é urgência.
O ovário não é a única
estrutura ali
Ovários ficam na pelve, próximos a trompas, útero, ureteres, bexiga e
intestino. A parede abdominal e o assoalho pélvico também geram dor.
Localização apontada com um dedo não identifica o órgão.
O padrão temporal ajuda: relação com ciclo, urina, evacuação, relação
sexual, movimento ou alimento. Febre, sangramento e atraso menstrual
mudam prioridades.
Dor da ovulação
Algumas pessoas sentem pontada de um lado no meio do ciclo, chamada
mittelschmerz. Dura horas ou até um ou dois dias e pode alternar lados
entre meses. Pequeno sangramento pode acompanhar.
Dor leve e previsível permite observação. Dor incapacitante,
prolongada ou diferente não deve ser atribuída à ovulação sem avaliar
outras causas.
Cistos ovarianos
Cistos funcionais surgem do ciclo e frequentemente desaparecem em
seis a oito semanas. Podem causar peso, dor unilateral e desconforto na
relação. Ruptura causa dor súbita e, se houver sangramento importante,
tontura e fraqueza.
Ultrassom descreve tamanho e se é simples, hemorrágico ou complexo. O
aspecto, idade e sintomas definem acompanhamento. CA-125 não é teste de
triagem isolado e aumenta em doenças benignas.
Torção ovariana
O ovário gira em torno de seus vasos, geralmente quando está
aumentado por cisto ou massa. Dor intensa unilateral, náusea e vômito
são típicos e podem oscilar se torce e destorce. É uma emergência porque
o fluxo pode ser perdido.
Ultrassom com Doppler ajuda, mas fluxo presente não exclui
completamente. Suspeita clínica alta leva à avaliação cirúrgica.
Analgésico que melhora temporariamente não elimina o risco.
Gravidez ectópica
Gestação fora do útero pode causar atraso menstrual, sangramento e
dor de um lado. Ruptura provoca hemorragia interna, dor no ombro,
palidez e desmaio. Teste de gravidez é essencial em pessoa em idade
fértil com dor pélvica, mesmo com uso de contraceptivo.
Beta-hCG seriado e ultrassom transvaginal localizam a gestação. É uma
urgência quando há instabilidade ou suspeita de ruptura.
Endometriose
Dor que piora perto da menstruação, relação profunda dolorosa, dor
para evacuar durante o ciclo e infertilidade sugerem endometriose.
Endometrioma é um cisto ovariano relacionado à doença. Intensidade não
acompanha necessariamente extensão.
Tratamento pode incluir hormônios, analgesia, fisioterapia do
assoalho pélvico e cirurgia em situações definidas. Ultrassom
especializado e ressonância mapeiam doença profunda, mas exame normal
não exclui todas as formas.
Infecção pélvica
Doença inflamatória pélvica causa dor baixa, corrimento, sangramento
irregular, febre e dor na relação. Infecções por clamídia e gonococo
podem ser pouco sintomáticas. Tratamento precoce reduz abscesso,
infertilidade e dor crônica.
Dor intensa, febre e massa podem indicar abscesso tubo-ovariano, às
vezes com necessidade de internação e drenagem. O parceiro e rastreio de
outras infecções entram no plano.
Intestino, urina e músculos
Constipação, síndrome do intestino irritável, apendicite e
diverticulite causam dor pélvica. Ardor e frequência apontam para
bexiga; cálculo pode irradiar da lombar para virilha. Dor reproduzida
por movimento e palpação pode vir de parede ou assoalho pélvico.
Essas causas explicam por que ultrassom ginecológico normal não
encerra toda investigação. A próxima etapa acompanha o padrão de
sintomas.
Quando procurar urgência
Dor súbita muito forte, desmaio, palidez, ombro doloroso, teste de
gravidez positivo, sangramento volumoso, febre alta e vômitos
persistentes exigem atendimento. Barriga rígida e piora rápida
também.
Dor recorrente sem alarme merece consulta programada. Calendário
menstrual e descrição de gatilhos ajudam a escolher exame e tratamento,
sem atrasar quadro agudo para completar anotações.
Dor depois da relação
Dor profunda pode vir de endometriose, aderências, cisto, infecção
pélvica ou tensão do assoalho pélvico. Dor na entrada sugere mais vulva
e musculatura superficial. Sangramento após relação exige examinar colo
e vagina, mesmo que a dor seja percebida no lado do ovário.
Ultrassom pode ser normal em disfunção muscular. Fisioterapia pélvica
entra quando há pontos dolorosos e contração excessiva, depois de
excluir infecção e massa. Analgésico repetido antes de toda relação
mascara sem tratar.
Menopausa muda a avaliação
Após menopausa, ovulação e cistos funcionais deixam de ser
explicações habituais. Massa nova, distensão persistente, saciedade
precoce e alteração urinária merecem exame e ultrassom. A maioria das
dores ainda não é câncer, mas o limiar para investigar é menor.
CA-125 pode auxiliar diante de massa suspeita, não funciona como
teste isolado em toda dor. Resultados normais não excluem câncer inicial
e valores altos aparecem em condições benignas.
Anticoncepcional
elimina toda dor ovariana?
Métodos que bloqueiam ovulação reduzem alguns cistos funcionais e
mittelschmerz, mas não tratam torção, dermoide, infecção ou todas as
formas de endometriose. Dor nova durante uso deve ser avaliada pelo
padrão. Esquecer comprimidos também permite ovulação e gravidez; teste
continua indicado quando há atraso e dor unilateral.
Uma massa com gordura e calcificação segue critérios próprios em cisto dermoide no ovário; ardor
urinário durante tratamento vaginal é diferenciado em exame de urina e pomada
ginecológica.
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Referências
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Ovarian cysts.
https://www.acog.org/womens-health/faqs/ovarian-cysts - American College of Obstetricians and Gynecologists. Chronic pelvic
pain. https://www.acog.org/womens-health/faqs/chronic-pelvic-pain


