Cisto dermoide, ou teratoma cístico maduro, é um tumor ovariano
geralmente benigno que pode conter gordura, cabelo, pele e outros
tecidos. Ele não costuma desaparecer como um cisto funcional. Tamanho,
sintomas, crescimento, idade e risco de torção definem observação ou
cirurgia.
Por que contém tecidos
diferentes
O teratoma nasce de célula germinativa capaz de formar vários tipos
de tecido. O aspecto pode impressionar, mas presença de cabelo ou dente
não torna a lesão maligna. A grande maioria dos teratomas maduros é
benigna.
Formas imaturas são raras e têm comportamento diferente, ocorrendo
mais em pessoas jovens. O ultrassom e a anatomia patológica distinguem,
com apoio de marcadores quando há suspeita.
Como aparece no ultrassom
Gordura, calcificação e material sebáceo produzem sombras e padrões
característicos. Às vezes o conteúdo dificulta visualizar todo o ovário.
Tomografia confirma gordura e cálcio; ressonância ajuda quando a imagem
é indeterminada.
Um laudo “compatível com dermoide” é bastante sugestivo, mas o
diagnóstico definitivo vem da peça quando retirada. Seguimento procura
crescimento e mudanças atípicas.
Quais sintomas causa
Muitos são achados incidentais. Quando crescem, podem causar peso,
dor de um lado, aumento abdominal e desconforto na relação. Sintomas
urinários ou intestinais aparecem por pressão em massas grandes.
Dor súbita intensa com náusea e vômito levanta torção. O peso do
cisto facilita o giro do ovário e de seus vasos. Dor pode ir e voltar
antes de se tornar contínua.
Risco de torção
Massas acima de alguns centímetros aumentam risco, mas torção pode
ocorrer em tamanhos variados. Ultrassom avalia aumento e fluxo, porém
fluxo presente não exclui. O diagnóstico é clínico e cirúrgico quando a
suspeita é alta.
Destorcer cedo pode preservar o ovário. Esperar a dor passar em casa
pode levar à perda de tecido. Episódio intenso e unilateral merece
urgência.
Pode virar câncer?
Transformação maligna é rara e ocorre mais em mulheres após a
menopausa e em tumores maiores. Crescimento rápido, componente sólido
irregular e alguns achados elevam suspeita. A maioria em idade
reprodutiva não se transforma.
Marcadores tumorais não confirmam benignidade. Eles são selecionados
quando imagem ou idade sugerem outro tumor germinativo ou epitelial.
Quando apenas acompanhar
Lesões pequenas, com aparência clássica, sem sintomas e estáveis
podem ser acompanhadas por ultrassom. O intervalo depende de tamanho,
idade e qualidade da imagem. A observação evita cirurgia desnecessária e
perda de tecido ovariano.
O fato de não desaparecer não significa que crescerá rapidamente.
Muitos aumentam lentamente. Comparar medidas em exames semelhantes evita
interpretar variação técnica como crescimento.
Quando cirurgia é
considerada
Dor, crescimento, tamanho que aumenta risco de torção, imagem incerta
e planejamento de gestação podem favorecer retirada. Após menopausa, o
limiar pode ser diferente. A decisão inclui reserva ovariana e cirurgia
abdominal prévia.
Laparoscopia é comum. Na cistectomia, retira-se o cisto preservando o
ovário; ooforectomia remove o ovário quando preservação não é viável ou
há preocupação oncológica. Evitar derramamento facilita o procedimento,
e a cavidade é lavada se o conteúdo se rompe.
Fertilidade e gravidez
Um ovário saudável geralmente mantém ovulação e fertilidade.
Cirurgias repetidas ou cistos bilaterais podem reduzir reserva, motivo
para planejamento cuidadoso. Congelamento de óvulos não é necessário
para toda pessoa com dermoide.
Na gestação, muitos cistos estáveis são observados. Cirurgia é
reservada para complicação, suspeita ou tamanho relevante, em período
escolhido conforme risco materno e fetal.
Depois da cirurgia
Anatomia patológica confirma teratoma maduro e avalia componentes.
Recidiva no mesmo ovário ou surgimento no outro é possível,
principalmente em pessoas jovens e lesões bilaterais. O seguimento é
individual.
Dor pós-operatória melhora em dias, mas retorno à atividade depende
da técnica. Febre, dor crescente, vômitos persistentes e ferida com
secreção precisam de avaliação.
Resposta direta
Cisto dermoide não costuma sumir sozinho, mas nem todo dermoide
precisa ser operado imediatamente. A decisão equilibra risco de torção e
crescimento com preservação do ovário e riscos cirúrgicos. Dor súbita é
a exceção que não espera consulta de rotina.
Pode romper?
Ruptura espontânea é rara. Se conteúdo gorduroso se espalha pelo
abdome, pode causar inflamação química intensa. Dor súbita, febre e
sinais peritoneais exigem avaliação. Durante cirurgia, pequeno
derramamento pode ocorrer e a lavagem abundante reduz complicações.
Rompimento não se confunde com a ruptura comum de cisto funcional. A
imagem com gordura fora da lesão e o quadro clínico orientam. Punção
simples não é tratamento, porque deixa cápsula e conteúdo no ovário.
Há dermoide nos dois ovários?
Pode ser bilateral em uma minoria. O ultrassom examina ambos e a
estratégia busca preservar o máximo de tecido saudável. Operar dois
ovários requer atenção ainda maior à reserva e à técnica.
Depois de cistectomia unilateral, encontrar pequena lesão
contralateral não significa metástase. Teratomas maduros surgem de forma
independente e geralmente permanecem benignos.
Marcadores e anatomia
patológica
Alfa-fetoproteína, beta-hCG e LDH são usados quando há suspeita de
tumor germinativo não maduro, principalmente em jovens. Um dermoide
típico não precisa de todos os marcadores automaticamente. A peça
inteira permite ao patologista procurar componentes imaturos e
transformação rara, definindo se o tratamento terminou na cirurgia.
O sintoma agudo precisa ser lido dentro das causas de dor nos ovários; achados urinários
paralelos não devem ser atribuídos à massa sem consultar hemoglobina positiva na
urina.
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Referências
- American College of Obstetricians and Gynecologists. Ovarian cysts.
https://www.acog.org/womens-health/faqs/ovarian-cysts - American College of Obstetricians and Gynecologists. Laparoscopy. https://www.acog.org/womens-health/faqs/laparoscopy


