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Acupuntura para dor na mandíbula (DTM): cuidados

12 de outubro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá

Resposta direta: acupuntura pode ser considerada como parte do cuidado da dor na DTM, mas não substitui diagnóstico odontológico ou médico quando há travamento, trauma, infecção, alteração de mordida, dor intensa ou sintomas neurológicos. O benefício esperado é controle de dor e tensão, não “corrigir” a articulação sozinha.

DTM não é uma causa única

Disfunção temporomandibular pode envolver articulação, músculos da mastigação, bruxismo, apertamento, sono, estresse, postura cervical, trauma, artrite e hábitos como mascar chiclete ou morder objetos. A acupuntura pode modular dor e tensão muscular, mas o diagnóstico define o papel dela.

AchadoPor que importa
Dor muscular ao mastigarAcupuntura pode entrar como adjuvante para dor e tensão.
Estalos sem dorNem sempre exigem tratamento invasivo.
Travamento da bocaPrecisa avaliar disco, articulação e função.
Dor de ouvido sem infecçãoDTM pode irradiar para região auricular.
Mudança de mordida ou traumaAvaliação odontológica/médica ganha prioridade.

O cuidado costuma combinar educação, placas quando indicadas, fisioterapia, controle de hábitos, sono, manejo de dor, exercícios mandibulares e tratamento de fatores associados. Acupuntura não deve ser vendida como solução isolada para todos os tipos de DTM.

Como medir se está ajudando

Use marcadores funcionais: abrir a boca, mastigar alimentos firmes, frequência de dor de cabeça, dor ao acordar, episódios de travamento, uso de analgésico e impacto no sono. Relaxamento durante a sessão é menos importante que melhora sustentada da função.

Agulhamento deve ser feito com técnica limpa, material descartável e avaliação de contraindicações. Pessoas em anticoagulantes, gestantes, imunossuprimidas ou com medo intenso de agulhas precisam de adaptação e conversa prévia.

Procure avaliação se houver febre, inchaço, dor dentária forte, trauma, perda de peso, dor neurológica, formigamento facial, fraqueza, travamento persistente ou dificuldade importante para abrir a boca.

O exame da DTM observa abertura da boca, desvio mandibular, ruídos articulares, dor à palpação dos músculos, desgaste dentário, cervicalgia e hábitos de apertamento. Essa leitura separa dor muscular, articular e causas dentárias.

Quando há bruxismo, a acupuntura pode reduzir tensão percebida, mas não corrige sozinha desgaste, fratura dentária ou sobrecarga mecânica noturna. Placa, odontologia, sono e manejo de estresse podem ser necessários.

O plano deve ter prazo. Se a dor não muda após algumas sessões bem conduzidas, a hipótese precisa ser revista em vez de simplesmente aumentar a frequência indefinidamente.

Também é útil registrar abertura bucal em dedos ou milímetros, alimentos evitados e dor ao acordar. Esses dados mostram se o tratamento está mudando função mandibular, não apenas reduzindo tensão no dia da sessão.

Em dor crônica de DTM, a educação sobre carga mandibular é parte do tratamento: evitar apertamento consciente, morder objetos e mastigação unilateral reduz estímulos que perpetuam irritação muscular e articular.

Essa parte comportamental é simples, mas muda a exposição diária da articulação.

Sem reduzir carga repetida, a melhora tende a ser instável.

Fontes usadas

  • NIDCR: temporomandibular disorders
  • NIDCR: TMD treatment summary
  • NCCIH: acupuncture safety

Durante os últimos vinte anos, uma abordagem multidisciplinar para o tratamento das disfunções crânio-cervicais e temporomandibulares tem sido defendida por muitos especialistas da dor, incluindo médicos e dentistas.

Disfunção Temporomandibular (DTM)

A disfunção da articulação temporomandibular (DTM) é uma condição com uma causa multifatorial complexa que não é totalmente compreendida até o momento. Interferência oclusal, distúrbios musculoesqueléticos sistêmicos, dor e disfunção miofascial, distúrbios emocionais e problemas de saúde geral parecem desempenhar um papel importante.

O desconforto e a dor da DTM podem variar de leves a graves e podem durar anos se não forem tomados cuidados.

Sintoma
Clique ou estalido da mandíbula
Dor na face, área da articulação da mandíbula, pescoço e ombros e dentro ou ao redor da orelha quando você mastiga, fala ou abre bem a boca
Dificuldade para mastigar ou uma mordida repentina e desconfortável, como se os dentes superiores e inferiores não estivessem se encaixando corretamente
Rigidez dos músculos da mandíbula
Travamento da mandíbula ou movimento limitado ou incapacidade de abrir ou fechar a boca completamente
Dor de cabeça
Dor no pescoço
Tontura
Dor de ouvido
Problemas de audição
Zumbido nos ouvidos (zumbido)

As DTM são mais frequentes em mulheres e entre 20 e 40 anos. A DTM pode ocorrer em ambos os lados da face.


Acupuntura para Disfunção Temporomandibular

Uma técnica frequentemente negligenciada no tratamento de disfunções crânio-cervical e temporomandibular e dos sintomas dolorosos resultantes é a acupuntura.

Acupuntura e acupressão têm sido, desde há muito, utilizadas pelos japoneses e chineses no alívio da dor nas regiões temporomandibular e crânio-cervical.

Apesar da acupuntura ser inicialmente usada no tratamento de doença, seu uso foi envolvido como uma modalidade de controle da dor.

Em 1997, o Instituto Nacional de Saúde (NIH) divulgou uma declaração de consenso de apoio ao uso da acupuntura como parte de um plano de tratamento abrangente para algumas condições. Segundo o comunicado, há alguma evidência de eficácia no alívio da dor de fibromialgia, dor pós-operatória, osteoartrite e dor miofascial.

Mecanismo de Acupuntura para Dor na ATM
Neuromodulação (sistema nervoso central e periférico)
Efeito analgésico (local, difuso)
Efeito anti-inflamatório (local, difuso)
Regulação do Sistema Nervoso Autônomo
Circulação local aumentada
Relaxamento muscular
Diminuição da atividade do ponto de gatilho

Alguns pesquisadores recomendam especificamente a acupuntura para a dor facial da neuralgia do trigêmeo (tique doloroso) e de disfunção da articulação temporomandibular (ATM).

Esta modalidade é mais bem sucedida quando a causa da dor é neuromuscular e não devido a lesões articulares. O Painel do NIH (National Institutes of Health) apontou que a acupuntura está associada com um menor risco de eventos adversos do que aqueles associadas com medicamentos ou outra intervenção médica.

A articulação temporomandibular é uma das articulações mais importantes e complexas do corpo, pois permite que a mandíbula se mova livremente e trabalha com os músculos para você poder abrir e fechar a boca. A ATM também protege seus ossos de danos, agindo como um amortecedor.


Sintomas de Distúrbios da ATM

  • Dor ou sensibilidade ao redor da mandíbula, orelhas ou têmporas
  • Dor de cabeça perto das têmporas
  • Incapacidade de mover a mandíbula corretamente e pode até travar quando você abre a boca
  • Dificuldade para mastigar ou dor ao comer
  • Sons de trituração, estalos ou cliques quando você move sua mandíbula
  • Dor facial
  • Dor de dente
  • Zumbido (tinnitus ou zumbido contínuo no ouvido)


Possíveis Mecanismos da Acupuntura na Dor

acupuntura


A estimulação de locais específicos sobre a superfície do corpo exerce uma influência inibidora marcante sobre dor. Os pontos de acupuntura são conhecidos pelos chineses há muitos anos. Sua validade no controle da dor foi verificada por vários investigadores.

Um mecanismo experimentalmente bem documentado para o alívio da dor pela acupuntura é a modulação dos níveis de endorfina.  A dor miofascial é aliviada principalmente por inativação da fonte de dor. A acupuntura aparentemente alivia a consciência da dor.


Benefícios da acupuntura

  • Reduz a dor: A acupuntura é uma maneira eficaz de reduzir a dor associada à ATM. A acupuntura atua visando os músculos e articulações específicos afetados pela ATM, além de promover a liberação de endorfinas, que atuam como analgésicos naturais.
  • Melhora a mobilidade: a acupuntura pode melhorar a amplitude de movimento na mandíbula e reduzir a rigidez associada à ATM. Isso pode ajudar a reduzir o desconforto causado pela ATM, bem como restaurar a função normal da mandíbula.
  • Reduz o estresse: a ATM pode frequentemente ser provocada ou agravada pelo estresse, portanto, reduzir o estresse pode ser uma parte importante da reabilitação. A acupuntura pode ajudar a reduzir os níveis de estresse, o que pode levar à melhoria da saúde geral.
  • Melhora a circulação: a acupuntura pode ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo para a área afetada, o que pode ajudar a reduzir o inchaço e promover a cicatrização.
  • Reduz a inflamação: a acupuntura pode ajudar a reduzir a inflamação na área afetada, o que pode ajudar a aliviar a dor e promover a cura.
  • Promove o relaxamento: a acupuntura pode ajudar a relaxar os músculos da mandíbula, o que pode ajudar a reduzir a dor e melhorar a função da mandíbula.
  • Melhora a qualidade do sono: a acupuntura pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, o que pode ser importante para a reabilitação geral da ATM.

Vários estudos de acupuntura versos terapia com bandagens têm sido relatados na literatura. Estes estudos mostram a eficácia comparativa de acupuntura no tratamento de desordens temporomandibulares.

Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na maioria dos estudos. No estudo de Johansson, quarenta e cinco indivíduos com dor facial de longa data ou dor de cabeça de origem muscular foram alocados aleatoriamente em três grupos.

O primeiro grupo foi tratado com acupuntura, o segundo grupo recebeu uma bandagem oclusiva e o terceiro grupo serviu como controle.  Tanto a acupuntura como a terapia com bandagem oclusiva reduziu significativamente os sintomas e sinais clínicos do sistema estomatognático. Não foram detectadas diferenças nos dois grupos em relação a efeitos de tratamento. Concluiu-se que a acupuntura é um método complementar para pessoas com transtornos craniomandibulares de origem muscular.


Evidências da Acupuntura para dor na ATM

No estudo de Raustia e Pohjola, a acupuntura parece ser uma forma primitiva útil de terapia em pacientes com distúrbios da ATM. A acupuntura pode muito bem ser complementar ao tratamento estomatognático-  antes ou depois – para alcançar a reabilitação neuromuscular completa, facilitar o tratamento ou eliminar outros fatores que contribuem para a doença.

Rosted escreveu um artigo para avaliar a validade científica de trabalhos publicados sobre a eficácia da acupuntura em odontologia com base em critérios metodológicos pré-definidos.  A Acupuntura mostrou-se eficaz no tratamento da Disfunção Temporomandibular (DTM) e como analgesia em 11 de 15 estudos verificados. Rosted concluiu que o uso da acupuntura no tratamento da DTM e da dor facial parece real e pode ser uma alternativa valiosa para tratamento ortodoxo.


Eficácia da acupuntura

acupuntura tratamento


Várias teses foram apresentadas no campo de acupuntura durante os últimos anos. Uma dissertação, estudando a dor facial, comparou o efeito de alívio da dor da acupuntura e da bandagem da mordida. Verificou-se que a acupuntura é tão eficaz quanto uma bandagem da mordida no que diz respeito ao alívio da dor e da tensão muscular após um ano.

Durante os muitos anos de utilização de acupuntura no tratamento diário dos pacientes com distúrbios crânio-cervicais e temporomandibulares, o autor descobriu que os pontos de acupuntura tabulados podem ser eficazes no tratamento das síndromes de dores de cabeça, face e pescoço.

A Evidência dos efeitos da acupuntura sobre a dor em humanos consiste na observação direta da mudança do limiar da dor e evidências da atividade indireta dos neurotransmissores. Um bom conhecimento da anatomia humana é essencial para a utilização da acupuntura.

Há algumas áreas que apresentam um risco maior para a inserção de agulhas.  Estas áreas devem ser sempre evitadas.

O Instituto Nacional de Saúde divulgou uma declaração de consenso em 1997, apoiando o uso de acupuntura como parte de um plano de tratamento abrangente para algumas condições, incluindo dor de fibromialgia, dor pós-operatória, osteoartrite e dor miofascial.


Como tratar DTM pela acupuntura?

As agulhas de acupuntura são inseridas ao redor da orelha, face e mandíbula, e os pontos-gatilho dos músculos masseter, pterigóideo lateral, pterigóideo medial e temporal; este é um grupo de músculos mastigatórios que ajudam a mastigar e triturar os alimentos.

Esses pontos-gatilho da ATM podem causar dor facial, dores de cabeça e restringir a amplitude de movimento na mandíbula.

As agulhas também podem ser colocadas em outros pontos do corpo, como cotovelo, joelhos e dedão do pé.


Diretrizes e Precauções

A seguir estão as diretrizes e precauções para o tratamento de acupuntura:

Se a dor da inserção da agulha persistir, ela deve ser removida.

Os pacientes que são incapazes de permanecer imóveis por qualquer período de tempo não são adequados para tratamento de acupuntura.

A acupuntura não deve ser utilizada se houver qualquer indicação de possível infecção no local que está sendo considerado para agulhamento.

O cuidado é necessário quanto ao agulhamento pacientes diabéticos, devido ao perigo de má circulação periférica e o efeito de alguns pontos sobre os níveis de açúcar no sangue.  Existem também alguns pontos de acupuntura que estão localizados em áreas potencialmente perigosas para realizar o procedimento. O praticante deve estar ciente do risco, e realizar a acupuntura com o cuidado adequado.

Pneumotórax pode ser causada por agulhamento indevido de pontos supra-clavicular ST 11 e ST 12; pontos Infra-clavicular LU 2, ST 13, e KI 27. Os pontos paraesternais, KI 22, KI 23, KI 24, KI 25, KI 26, KI 27 e ST12 a 18 na linha médio-clavicular precisam de um cuidado especial. Tamponamento Cardíaco pode ser causado por agulhamento indevido de CV17.

Precauções gerais, sendo sempre necessárias, devem ser obedecidas estritamente pelos equipe do estudo.

Essas precauções incluem a utilização de agulhas descartáveis e esterilizadas, a utilização de técnicas assépticas com a inserção da agulha, observar os pacientes em relação a algum sangramento, antes e após o tratamento, utilizando posição supina durante o tratamento, e aconselhar os pacientes a não dirigirem após o tratamento.


Resumo

acupuntura dor

O aumento do uso de medicina complementar em geral, e da acupuntura especificamente, traz consigo a possibilidade de resultados benéficos, especialmente quando usado como parte de um plano de tratamento abrangente.

Como toda a medicina complementar, a acupuntura é muitas vezes percebida popularmente como mais holística e natural e, portanto, intrinsecamente segura. 

Apesar disso, mesmo técnicas de acupuntura que parecem relativamente simples só devem ser utilizadas após treinamento adequado e com cautela para evitar complicações graves.

 A acupuntura pode ser uma adição eficaz no tratamento de desordens crânio-cervicais e temporomandibulares.  Além do alívio da dor em si, a acupuntura tem vários pontos positivos para os pacientes, a saber: o tempo com o terapeuta, toque e dedicação pessoal e sensações corpóreas.

Fontes úteis

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Acupuntura, Dor

Amoxicilina dá sono? Efeitos e cuidados de uso

12 de outubro de 2022 by Dr. Marcus Yu Bin Pai

Amoxicilina não é conhecida principalmente por causar sono. Quando a pessoa fica sonolenta durante o tratamento, a causa pode ser a própria infecção, febre, dor, noites ruins, desidratação, uso de outros remédios ou piora clínica. Ainda assim, qualquer sintoma novo durante antibiótico merece ser interpretado junto com o contexto.

O risco é culpar a amoxicilina e ignorar sinais importantes, ou então parar o antibiótico antes do prazo sem orientação. Também é preciso reconhecer alergia: urticária, inchaço de rosto/lábios, chiado, falta de ar ou reação intensa exigem atendimento.

Sono durante amoxicilina: o que revisar

FatorPor que importaExemplo
InfecçãoInflamação e febre causam fadiga.Sinusite, pneumonia, amigdalite.
Outros remédiosAntialérgicos e sedativos dão sono.Combinações de gripe.
Diarreia/vômitosPodem desidratar.Fraqueza e tontura.
AlergiaNão é sonolência comum.Inchaço, urticária, falta de ar.

Quando falar com o profissional

Avise se há sonolência intensa, confusão, desmaio, falta de ar, piora da febre, dor forte, diarreia intensa, sangue nas fezes, vômitos persistentes ou reação na pele. Esses sinais mudam a leitura do tratamento.

Se o sono é leve e a infecção está melhorando, pode ser efeito do quadro geral. Mesmo assim, evite dirigir se houver lentidão ou tontura. Não tome estimulantes para “compensar” sem entender a causa.

Também confirme dose, intervalo e duração. Tomar menos que o indicado, guardar sobra ou usar antibiótico de outra pessoa aumenta risco de falha e resistência.

Se o antibiótico foi prescrito para criança, gestante, idoso ou pessoa com doença renal, a dose e a forma de medir ficam ainda mais importantes. Pequenos erros podem mudar eficácia e segurança.

Também observe a evolução do quadro. Se a infecção deveria melhorar e a pessoa piora, a resposta não é aumentar dose por conta própria; é reavaliar diagnóstico, complicação ou resistência.

Sentir sono durante um tratamento pode atrapalhar trabalho e rotina, mas no caso da amoxicilina a causa costuma ser mais frequentemente a infecção, febre, dor, desidratação, sono ruim ou outro remédio usado junto. A pergunta deve ser lida junto com a evolução do quadro.

Alguns antibióticos como a amoxicilina podem causar “cansaço excessivo” e “falta de energia” em alguns pacientes.

A resposta aos antibióticos – ou a qualquer medicamento – varia de acordo com o indivíduo. Os efeitos colaterais, como fadiga, não são uniformes ou universais[1].


Antibioticoterapia e amoxicilina

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Amoxicilina é um antibiótico eficaz contra uma variedade de bactérias, sendo indicado para o tratamento de infecções bacterianas causadas por germes sensíveis à ação desse medicamento. Esse antibiótico pertence ao grupo das penicilinas e pode ser utilizado para o tratamento, por exemplo, da pneumonia, sinusite, amigdalite, otite, bronquite, infecções no trato urinário e genital, nas mucosas e na pele.

Também pode aparecer no tratamento de alguns abscessos dentários e em esquemas combinados para erradicação de H. pylori, quando essa é a indicação definida pelo profissional.

A amoxicilina, por ser um antibiótico, só pode ser comprada com a apresentação da receita médica.


Amoxicilina e sono

antibioticos-sono-amoxicilina

Normalmente, a amoxicilina é um antibiótico que não causa sonolência, mas alguns pacientes se queixam de sentir muito sono durante o tratamento. Na realidade, o que pode estar causando sono é a própria infecção que o organismo do paciente está tentando combater.[2]

Outra explicação é que um dos efeitos adversos incomuns que a amoxicilina pode causar é a anemia hemolítica, condição em que ocorre a destruição de glóbulos vermelhos, que pode gerar sintomas como dor de cabeça, palidez e cansaço.

Algumas pessoas que estão fazendo tratamento com Amoxicilina confundem o cansaço a algum efeito adverso do medicamento em si, mas vale ressaltar que a sensação de cansaço não é a mesma coisa que sonolência. 

Especificamente, esses três antibióticos podem fazer com que você se sinta cansado:

  • Amoxicilina
  • Azitromicina
  • Ciprofloxacina

Reações adversas comuns pela amoxicilina

As reações mais comuns que a amoxicilina pode causar é diarreia e náuseas. Quando isso acontece, esses efeitos costumam ser leves e evitáveis, se o medicamento for ingerido no início das refeições. Erupções da pele também fazem parte dos efeitos colaterais comuns ao fazer uso de amoxicilina.

Informe seu médico o mais rápido possível se durante o uso de amoxicilina surgir reações incomuns. As reações incomuns incluem vômito, urticária e coceira.

Dentre as reações muito raras, destacam-se: anemia hemolítica; leucopenia; trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas); candidíase mucocutânea que afeta principalmente a boca ou as partes íntimas; inflamação no cólon, acompanhada de cólicas abdominais; e doenças renais.

Pode ocorrer convulsões em pacientes com função prejudicada que estejam recebendo doses altas de amoxicilina. Inchaço na face, nos lábios ou em outras partes do corpo e falta de ar são reações que exigem busca imediata ao pronto-socorro.

Se você for analisar a bula do medicamento amoxicilina, verá que a sonolência não faz parte das reações colaterais que podem acontecer pelo uso deste medicamento.

Dose e duração dependem da receita

A dose, o intervalo e a duração dependem da infecção, idade, peso, função renal, forma farmacêutica, gravidade, cultura quando indicada e orientação da receita. Não use uma faixa genérica de internet para ajustar antibiótico.

É importante seguir as orientações médicas quanto a maneira e o horário correto de tomar o medicamento. O recomendado é ingerir o medicamento durante as refeições, onde as cápsulas devem ser ingeridas inteiras com água, sem mastigar.

Antes de iniciar o tratamento com amoxicilina, é importante informar o médico se você já tiver apresentado reação alérgica a algum antibiótico, se já teve febre glandular, se toma medicamentos anticoagulantes, se apresenta problemas nos rins e se já teve diarreia após o uso de antibióticos. A amoxicilina não deve ser utilizada sem orientação médica durante a gravidez.

Uso prolongado da amoxicilina

Cuidado com o uso prolongado de amoxicilina, bem como de qualquer medicamento antibiótico, pois pode resultar em supercrescimento de microrganismos resistentes. Não use amoxicilina sem o conhecimento do seu médico, visto que pode ser perigoso à saúde, se administrado na dosagem e duração inadequadas para a infecção específica.

Embora não seja comum amoxicilina causar sono, muitos outros medicamentos podem causar sonolência, por exemplo, os antidepressivos tricíclicos. Dentre as classes dos antidepressivos cíclicos estão: os inibidores da monoamina oxidase; inibidores seletivos da recaptação de serotonina; inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina; trazodona; bupropiona e lítio. Muitos desses fármacos, mesmo em doses baixas, causam sonolência e sedação diurnas.


Outros remédios que podem dar sono

Outros medicamentos que afetam o sono são os antipsicóticos, hipnóticos sedativos, anticonvulsivantes, ansiolíticos, anti-histamínicos, relaxantes musculares, analgésicos opióides, antitussígenos e alguns corticóides.

Caso você sinta algum tipo de alteração no sono durante o tratamento com amoxicilina, consulte o seu médico para investigar melhor se esse efeito está associado ao fato de seu organismo não estar habituado ao medicamento, embora a bula do medicamento não mencionar como reação adversa os distúrbios do sono, como sonolência e insônia.

Esses medicamentos antibióticos devem ser administrados com muita cautela, então siga as recomendações médicas corretamente.

Se sono ou cansaço aparecerem durante o antibiótico, leve essa informação à consulta para diferenciar efeito do remédio, infecção e outras causas.

Como interpretar sono durante o antibiótico

Quando o sono aparece durante o tratamento, vale separar três possibilidades. A primeira é o próprio quadro infeccioso: febre, dor, inflamação, desidratação e noites ruins podem derrubar a energia. A segunda é outro remédio usado junto, como antialérgicos, analgésicos opioides, remédios para tosse ou sedativos. A terceira é reação adversa ou piora clínica, que precisa de avaliação.

O sinal mais importante não é apenas “ter sono”, mas a evolução: a febre baixa, a dor melhora, a hidratação está adequada e a pessoa desperta normalmente? Ou há rash, inchaço, falta de ar, diarreia intensa, confusão ou piora do estado geral? Essa diferença muda a conduta.

Fontes úteis

Referências citadas2 fontes
  1. 1.
    Sng WJ, Wang DY. Efficacy and side effects of antibiotics in the treatment of acute rhinosinusitis: a systematic review. Rhinology. 2015 Mar 1;53(1):3-9.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Cerny A. Side effects and consequences of frequently used antibiotics in clinical practice. Schweizerische medizinische Wochenschrift. 1996 Mar 1;126(13):528-34.
    Voltar [2]
  • MedlinePlus: Amoxicillin
  • CDC: antibiotic use
  • MedlinePlus: drug reactions

Arquivado em: Curiosidades, Clínica Médica

Amor romantico: idealizacao, autonomia e relacoes saudaveis

12 de outubro de 2022 by Eduarda Moro

Texto escrito em colaboração com a psicóloga Kelly Gomes – CRP 12/14830. Especialista em avaliação psicológica. Formanda em análise psicodramática e psicologia e intervenções on-line.

Do sentimento ao plano

PontoPergunta prática
FrequênciaIsso acontece em dias isolados ou virou padrão?
ImpactoAfeta sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado?
ControleA pessoa consegue escolher respostas diferentes ou se sente travada?
Rede de apoioHá alguém confiável para conversar sem julgamento?
RiscoExiste ameaça, violência, autoagressão, abuso de substâncias ou ideação suicida?

Passos pequenos e concretos

  • Nomeie o problema em comportamentos observáveis, não em rótulos.
  • Escolha um limite ou rotina simples para testar por uma semana.
  • Reduza exposição a situações que aumentam sofrimento sem resolver nada.
  • Procure ajuda imediata se houver risco de violência ou autoagressão.

Quando pedir ajuda

Ajuda profissional faz sentido quando o sofrimento é persistente, limita a vida, aumenta uso de álcool ou remédios, ou aparece com desesperança intensa.

Em contextos de escola, trabalho ou família, registrar fatos concretos e buscar uma conversa mediada pode ser mais efetivo do que tentar convencer todos de uma vez.

“Não precisamos do amor romântico em nossas vidas”, é o título de uma reportagem da BBC, que dá início a uma série de questionamentos bem pessoais e particulares, que nos faz refletir. A matéria, de Julia Braun, logo no ínicio já entrega um apontamento central para iniciarmos tal discussão:

“Nas sociedades ocidentais, o amor costuma ser apresentado por meio do clichê de duas metades que se encontram para se sentirem completas”.

É preciso então voltar ao início… 

Nossa identidade e tudo aquilo que nos define enquanto nós mesmos, faz parte de uma construção social, que é perpassada pela família, por nossas primeiras experiências, pelo contato com a cultura, etc. Contudo, algo importante a se lembrar é que, tudo isso – e com tudo isso queremos dizer: as coisas, pessoas, saberes, escritos, territórios, experiências e, inclusive, as leis que nos são impostas – são construções sociais inteiramente conectadas ao ocidente. 

Existe todo um modo de pensar, de ensinar os mais novos, de ler e viver o mundo que é constituído pela cultura ocidental.

A antropóloga Anna Machin, citada na reportagem de Braun, aponta que até o início do século 18 as relações, que hoje chamamos de românticas, se davam apenas com o intuito de reprodução da espécie. 

E é nesse mesmo século que um movimento artístico e cultural toma grande proporção na produção de músicas, pinturas, literatura e até mesmo na arquitetura do ocidente: o Romantismo. 

O nome, por si só, já nos revela muita coisa. O Romantismo, por estrutura, tem uma base sentimentalista, o que passa a ser fomentado como prática pelo público.

Isso reverbera ainda nos dias de hoje. Sabe como? Através do contato com a cultura, é claro. 

Lembra das histórias infantis de princesas, que são salvas pelo príncipe encantado e que dão sentido à vida quando encontram esse, que é então sua alma gêmea? Não há como não mencionar as diversas produções hollywoodianas, com suas histórias de amor adolescente – desde aqueles bem clássicos como Lagoa Azul, chegando aos atuais e inebriantes, tal qual o muito celebrado A culpa é das estrelas.

As produções culturais nos fazem não só desejar o amor romântico, como também, introjetam noções como a de alma gêmea, amor eterno, cara-metade. Construindo assim a idealização e a necessidade de ser e ter um par. 

Isso faz com que a ideia do amor romântico ganhe grandes proporções nas nossas vidas, tornando-se, por vezes, algo que nos parece intrínseco ao simples ato de existir. Ou ainda, como se a vida só fizesse sentido ao encontrar um grande amor.

Numa canção de Vanessa da Mata, encontramos um trecho que parece resumir o que entendemos por amor romântico. A letra diz:

“Se você quiser eu vou te dar um amor

Desses de cinema

Não vai te faltar carinho

Plano ou assunto ao longo do dia

Se você quiser eu largo tudo

Vou pro mundo com você meu bem

Nessa nossa estrada só terá belas praias e cachoeiras”

Na arte, é claro, extrapolam-se limites e realidades. Quem já amou sabe, nenhum percurso relacional é feito só de “belas praias e cachoeiras”. Mas nossos desejos e idealizações não comportam as frustrações e paisagens que não são tão bonitas assim.

É chegada a hora do fim do amor romântico?

O mesmo amor que nos envolve, nos tira o fôlego, nos dá ânimo e prazer, pode frustrar, decepcionar e machucar. 

O amor doce, bonito, intenso, aquele amor de cinema, do tipo que pode até passar por maus bocados, mas que supõe-se que superará tudo, é algo que não cabe fora de tela. 

É bonito a imagem mental que se faz do amor que está disposto a tudo. Disposto a atravessar mares e oceanos para permanecer par, de mãos dadas, eternamente. Mas como isso se desenrola na vida cotidiana? Será mesmo que é possível viver um amor assim? 

Nós duas também gostamos de fantasiar e flertar com o romantismo, mas nossa conclusão é de que uma relação vai muito além do amor. 

Para que exista uma relação saudável, outros aspectos precisam ser considerados, como, por exemplo, o respeito, a imposição de limites, a garantia de que, as pessoas envolvidas na relação possam viver coisas que preservem sua singularidade. E que isso não seja visto como uma ameaça ao amor, mas sim, enquanto fortalecimento do sentimento existente entre os envolvidos. 

Para estar em uma relação, muitas coisas precisam ser pesadas na balança. É necessário alinhar expectativas, planos… Tal como uma negociação. Porque, apesar de ser bonito pensar o amor pelo viés do romanticismo, sabemos que o amor em si não basta. 

Talvez a gente coloque tudo na conta do amor para nos eximirmos de certas responsabilidades. 

O amor se trata de insistir, mas também de saber deixar ir. O amor se trata de proteger, mas também dar liberdade. Nos solicita diálogo e, em outras vezes, silêncio. Exige investimento e manutenção diária. 

Não é porque lá no início existiu amor que ele simplesmente continuará existindo. Amor e desejo podem seguir caminhos diferentes.  

Há de se refletir que, quando entramos em um relacionamento, nos dispomos a uma relação com o não dito, com a necessidade do diálogo, da compreensão, da troca, da presença, da falta, do conflito. 

O que os filmes românticos não nos contam

O filósofo Zygmunt Bauman, escreveu que: “Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro.” 

Se fantasiamos uma relação na qual o amor romântico é estruturante, há sempre que se falar sobre a noção de idealização. Essa que se constrói com base em nossas mais íntimas experiências, desejos e devaneios. E que, obviamente, é diferente de sujeito para sujeito. 

Se para você, relacionar-se com alguém está acompanhado da ideia do “felizes para sempre”, é preciso questionar-se: como e o quanto isso te afetará se houver um fim? Mesmo nos casos de relações que perduram por anos e anos, há algo que sempre encontra final. Seja o fim do desejo, da paixão, ou da disposição… Nada permanece igual ou imutável e isso não seria diferente com o amor.

Relacionar-se com alguém, talvez seja mais sobre saber o que não agrada, compreender as limitações do(a) parceiro(a) ante nossas expectativas, do que só enxergar aquilo que faz o olho brilhar. 

Por isso mesmo é que o processo de romper com a idealização, não somente do amor romântico, mas do outro, é tão necessário para viver uma relação saudável. Abandonando assim aquela velha concepção de que há um outro que, supostamente, existe para me completar e fazer de mim uma “pessoa inteira”.

Para isso, talvez seja importante compreender, primeiramente, que o amor romântico é uma invenção ocidental. Daquelas coisas que deveriam ter permanecido apenas na literatura e nas obras de arte. E assim, por fim, compreender que, relações saudáveis são constituídas de muitas coisas que vão para além do amor. E isso não deve ser impeditivo para amar ninguém.

“O amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável”. Zygmunt Bauman

Idealizacao e relacao saudavel: onde esta a diferenca?

O amor romantico pode ser uma experiencia bonita, mas tambem pode virar uma lente que dificulta enxergar limites, incompatibilidades e sinais de controle. Uma relacao saudavel nao exige que duas pessoas deixem de ser individuos. Ela precisa comportar desejo, respeito, liberdade, conversa dificil, limites e possibilidade de mudanca. Quando a fantasia de completude exige isolamento, submissao ou medo, o problema ja nao e falta de romantismo: e perda de autonomia.

Sinal saudavelSinal de idealizacao perigosa
O casal negocia planos e limites.Um lado precisa abrir mao de tudo para provar amor.
Ha espaco para amigos, familia e interesses proprios.A relacao exige isolamento ou vigilancia constante.
Conflitos podem ser conversados.Ciume, humilhacao ou controle sao tratados como prova de amor.

Perguntas para uma relacao mais real

  • Eu posso discordar sem medo de punicao emocional?
  • Meu projeto de vida existe para alem da relacao?
  • Estamos escolhendo ficar juntos ou apenas tentando cumprir um roteiro cultural?
  • Quando ha sofrimento, buscamos conversa, terapia ou apoio, ou apenas repetimos a mesma ferida?

Alerta: romantizar controle pode atrasar pedidos de ajuda. Possessividade extrema, ameacas, coerção, perseguicao, isolamento e agressao emocional, fisica ou sexual sao sinais de relacao insegura e merecem apoio.

Explore também no Blog da Saúde

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  • Psiquiatria

Fontes úteis

  • CDC: saúde mental
  • CDC: manejando estresse
  • MedlinePlus: saúde mental

Revisao e fontes

Revisão deste trecho em 15 de maio de 2026, com atualização das fontes.

  • NHS inform – Healthy relationships
  • CDC – About Intimate Partner Violence
  • CDC – Preventing Intimate Partner Violence

Arquivado em: Psicologia Marcados com as tags: artigos, psicologia

Informação nutricional confiável na internet

12 de outubro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Resposta direta: uma informação nutricional confiável mostra fonte, contexto, população e limite. Desconfie quando a publicação promete emagrecimento rápido, cura, detox, proibição universal de alimento ou suplemento indispensável sem explicar dose, risco e para quem aquilo não se aplica.

Checklist para checar uma promessa nutricional

A pergunta prática é: essa orientação serve para uma pessoa saudável, para alguém com doença específica ou para vender um produto? Informação boa costuma explicar porção, frequência, padrão alimentar e exceções.

FontePrefira diretrizes, órgãos públicos, universidades, sociedades e rótulos oficiais.
AfirmaçãoTransforme a frase em pergunta: qual alimento, quanto, por quanto tempo e comparado a quê?
RiscoDiabetes, doença renal, gestação, alergias e transtornos alimentares mudam a recomendação.

Informação nutricional confiável mostra fonte, contexto, população, dose e limite. Desconfie de conteúdo que promete emagrecimento rápido, cura, detox, proibição universal ou suplemento indispensável sem explicar risco, evidência e para quem aquilo não se aplica.

Informação nutricional confiável não é a que soa mais convincente, é a que mostra fonte, contexto, limites e aplicabilidade. Na internet, dicas sobre dieta, calorias, suplementos e emagrecimento circulam misturadas com publicidade, opinião pessoal e promessas rápidas.

Mapa clínico: informação nutricional confiável precisa de fonte, porção e contexto

Em resumo: um número de calorias, proteína ou vitamina só é útil quando a fonte é clara, a porção está definida e o alimento foi descrito corretamente. Rótulos oficiais, bases reconhecidas e orientação profissional reduzem erro, especialmente em diabetes, doença renal, gestação ou perda de peso.

Diagrama de checagem nutricional com fonte reconhecida, porção, unidade e alimento cru, cozido ou receita.
Sem porção, o dado nutricional perde utilidade.
Fluxo visual de interpretação nutricional com comparar porções iguais, ler ingredientes e evitar regra rígida.
Informação deve ajudar escolhas, não aumentar culpa alimentar.
FonteVantagemLimite
Rótulo do produtoReflete marca específica.Porção pode ser menor que consumo real.
Base oficialPadroniza alimentos.Receitas caseiras variam.
Blog ou rede socialPode explicar contexto.Precisa citar fonte e porção.
  • Confira se a página mostra porção, unidade, data, fonte e se o alimento é cru ou cozido.
  • Desconfie de promessas absolutas como alimento que cura, seca barriga ou intoxica sozinho.
  • Procure nutricionista se a informação será usada para dieta terapêutica, doença crônica, gestação ou transtorno alimentar.

Nota de segurança: dados nutricionais são estimativas; decisão clínica depende de pessoa, objetivo e rotina.

Para continuar no tema: Nutrição | Calorias, proteínas e vitaminas | Como ler rótulos | Carboidratos

Sinais de fonte mais confiável

SinalPor que ajudaCuidado
Autor e revisão identificadosPermite avaliar experiência e responsabilidadeTítulo profissional não substitui fonte científica.
Links para órgãos oficiais ou estudosFacilita conferir a origemEstudo isolado não vira regra universal.
Data de atualizaçãoMostra se o conteúdo pode estar defasadoDatas antigas exigem cautela em medicamentos e diretrizes.
Limites clarosReduz promessa exageradaConteúdo sério admite incerteza.

Procure páginas que expliquem como chegaram à conclusão. Um texto que só diz “cientistas provaram” sem link, sem nome do estudo e sem contexto pode estar usando a autoridade da ciência como decoração. Também desconfie quando o mesmo conteúdo vende o suplemento, o teste ou o protocolo que promete resolver o problema.

Promessas que merecem desconfiança

  • “Detox” para eliminar toxinas sem dizer quais toxinas e por qual via.
  • Dietas que prometem tratar doenças sem acompanhamento.
  • Suplementos vendidos como cura ou substituto de remédio.
  • Antes e depois sem dados, com riscos que precisam ser avaliados e sem acompanhamento.
  • Listas de alimentos proibidos para todo mundo, sem contexto clínico.

Na nutrição, o detalhe muda tudo: dose, frequência, padrão alimentar, objetivo, doença prévia, exames e medicações alteram a recomendação.

Como checar uma informação em três passos

PassoO que fazerExemplo prático
1. Identifique a afirmaçãoSepare a promessa central do texto“Vitamina X emagrece” ou “comer à noite engorda”.
2. Procure fonte primáriaVeja órgão oficial, diretriz ou estudo citadoFDA, CDC, NIH ODS, OMS, sociedades profissionais.
3. Aplique ao contextoPergunte se serve para seu casoGestação, doença renal, diabetes, alergias e remédios mudam tudo.

Para suplementos, verifique se há dose, forma química, interações e limite superior de segurança. Para rótulos, use a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Para dietas, observe se a recomendação melhora o padrão alimentar ou apenas troca medo por regra rígida.

Quando buscar orientação individual

Procure nutricionista ou médico se a informação envolve perda rápida de peso, ganho de peso involuntário, diabetes, colesterol muito alto, doença renal, gestação, lactação, criança, idoso frágil, transtorno alimentar, alergia alimentar, sintomas persistentes ou uso de suplementos em doses altas.

  • Leve prints ou links do conteúdo que gerou dúvida.
  • Anote seus objetivos, rotina, exames e medicamentos.
  • Pergunte o que é prioridade mudar agora e o que pode esperar.
  • Evite iniciar vários suplementos ao mesmo tempo, porque isso dificulta identificar efeitos adversos.

Exemplo: como checar um post antes de mudar sua dieta

Imagine um vídeo dizendo que determinado alimento “inflama o corpo” e deve ser retirado por todos. Antes de mudar a dieta, procure três coisas: qual marcador de inflamação foi medido, em que população o estudo foi feito e se a recomendação considera substituição. Retirar um alimento pode reduzir variedade, fibra, cálcio, ferro ou prazer alimentar se não houver plano. Em nutrição, a pergunta raramente é apenas “faz mal?”; costuma ser “em qual quantidade, para quem, no lugar de quê e com qual objetivo?”.

Afirmação comumPergunta que protege o leitor
“Corta carboidrato”Qual carboidrato? Feijão, fruta e refrigerante não têm o mesmo papel.
“Suplemento acelera metabolismo”Há estudo em humanos, dose segura e benefício clinicamente relevante?
“Alimento X cura”Cura qual doença, medida por qual desfecho e comparada com quê?
“Médicos escondem”A fonte apresenta evidência ou só desconfiança?

Também vale observar linguagem. Conteúdo confiável costuma usar termos proporcionais: “pode ajudar”, “em alguns casos”, “não substitui tratamento”, “evidência limitada”. Conteúdo fraco usa urgência emocional: “proibido”, “milagroso”, “nunca mais coma”, “ninguém te contou”. O leitor não precisa virar pesquisador, mas precisa desenvolver reflexo de verificação.

Como usar a internet a favor da consulta

A internet pode melhorar a consulta quando ajuda a organizar dúvidas. Em vez de chegar com uma lista de regras prontas, leve perguntas: “isso se aplica ao meu exame?”, “essa dose é segura com meus remédios?”, “essa dieta faz sentido para minha rotina?”, “qual mudança traz mais benefício agora?”. Esse tipo de conversa economiza tempo e reduz decisões extremas.

  • Guarde links de fontes que parecem boas e ruins para discutir.
  • Anote sintomas, horários, alimentos e suplementos usados.
  • Evite começar dieta restritiva na semana anterior a exames sem avisar.
  • Se o conteúdo causa culpa intensa ou medo de comer, isso também é um sinal de alerta.

Contexto nutricional da recomendação

FatorComo avaliar
PorçãoCompare a quantidade do prato com a porção do rótulo ou da receita.
PreparoFritura, açúcar, creme, óleo e bebidas calóricas mudam bastante o resultado.
FrequênciaConsumo eventual e hábito diário têm impactos diferentes.
Condição clínicaDiabetes, doença renal, alergias, gestação e transtornos alimentares pedem ajuste próprio.

Uma boa decisão alimentar precisa caber no orçamento, na fome, no horário e no prazer de comer. Cortes amplos sem necessidade podem reduzir variedade e aumentar culpa sem melhorar exames ou sintomas.

Explore também no Blog da Saúde

  • Nutrição
  • Clínica Médica

Fontes usadas nesta revisão

As fontes abaixo ajudam a conferir definições, limites de segurança e pontos de acompanhamento citados no artigo.

  • WHO: healthy diet
  • Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira
  • FDA: Daily Value on Nutrition and Supplement Facts labels

Fontes úteis

Fontes de apoio: USDA: FoodData Central | FDA: Nutrition Facts label

Arquivado em: Clínica Médica, Curiosidades, Nutrição

Quantas calorias para perder 1 kg? Entenda

12 de outubro de 2022 by Renato Fernandes da Silva

A conta de calorias para perder 1 kg é uma estimativa, não uma promessa matemática. O corpo adapta gasto energético, fome, retenção de líquidos e composição corporal; por isso, déficit calórico, proteína, treino, sono e adesão importam mais do que perseguir um número exato.

A conta de calorias para perder 1 kg é uma estimativa, não uma regra exata do corpo humano. Déficit calórico importa, mas o resultado real varia com retenção de líquido, massa muscular, sono, aderência, metabolismo, treino e composição da dieta.

No entanto, enquanto algumas pessoas atingem a meta facilmente, outras apresentam dificuldade absurda para perder 200 gramas.

O melhor jeito de perder peso é uma dieta de baixas calorias associada a prática de exercícios físicos.

Perder um quilo, pode ser um desafio ou algo fácil de atingir, dependendo das suas metas e do funcionamento do seu corpo.


O que é um quilo de peso?

Um quilo equivale a 1000 gramas, então, pode-se afirmar que um quilo de peso equivale a 1000 gramas do seu peso corporal. 

Essas 1000 gramas estão distribuídas entre massa óssea, massa muscular, água, peso dos órgãos internos e das reservas de glicogênio e lipídeos.

De maneira geral, um peso de músculos equivale ao mesmo peso de um quilo de massa adiposa (massa rica em gordura).

Nesse sentido, o volume dos músculos e das gorduras não interferem no total de calorias que devemos queimar para conseguir emagrecer. 

Logo, para perder um quilo de peso você deverá queimar o mesmo tanto de calorias, independente de você perder músculos ou gordura.

No entanto, a melhor forma de emagrecer é perdendo massa de gordura, os músculos e a água são substâncias indispensáveis, logo não é uma boa ideia emagrecer perdendo esses constituintes do organismo. 


Perca peso queimando as calorias certas 

A perda de um quilo envolve cálculos que derivam da taxa metabólica basal e do grau de atividade física diária.

Sendo assim, podemos aproximar nossas necessidades energéticas diárias através da sentença :

  • Perda de peso: 25 calorias por quilo.
  • Manutenção de peso:30 calorias por quilo.
  • Ganho de peso: 35 a 50 calorias por quilo.

O resultado deste cálculo será a quantidade de calorias que devemos consumir num dia para atingirmos o objetivo principal.

Estudos indicam que para perder um quilo de gordura é necessário a queima de 7 mil calorias. Todavia, ninguém consegue queimar 7 mil calorias em um dia.

Então, o que devemos fazer é restringir algumas calorias da nossa necessidade energética diária para eliminarmos peso gradativamente, com o passar dos dias.

Entretanto, é difícil estabelecer o cálculo com exatidão, já que cada organismo funciona de um jeito e cada pessoa possui um peso diferente das demais.


Estratégia aproximada 

Na estratégia aproximada você decide quantas calorias quer deixar de consumir através da alimentação por dia.

Assim, ao diminuir o valor calórico da sua dieta, você vai perder peso gradativamente, consequentemente quanto menos calorias ingerir, maior será sua perda de peso.

Sendo assim, se você pesa 70 quilos e quer emagrecer, deve multiplicar 30 calorias por cada quilo.

Logo: 30 x 70=  2100 calorias.

2100 calorias é o que seu organismo precisa para manter-se nesse peso. Porém, você quer perder peso, portanto, deve diminuir 5 calorias por quilo corporal para obter o total de calorias necessárias para perder peso:

Então: 25 x 70= 1750 calorias.

Como viu, o resultado foi 450 calorias a menos que o cálculo para manter-se no peso, o que indica que para perder peso devemos eliminar calorias da alimentação ou queimar o mesmo tanto fazendo exercícios, que é um processo muito mais difícil e demorado.

Resumo visual: porção, preparo e frequência

Use este quadro para transformar a dúvida sobre alimentação em uma comparação mais concreta, sem rotular um alimento isolado como solução ou problema.

calorias perder um quilo
PontoComo observarPor que ajuda
O que compararPorção real, preparo e frequência na semana.Evita concluir apenas pelo nome do alimento.
O que muda a respostaFritura, açúcar, álcool, molhos e objetivo de peso.Mostra por que duas pessoas podem ter orientações diferentes.
Quando individualizarSintomas persistentes, restrições, gestação ou doença crônica.Ajuda a saber quando buscar orientação personalizada.
  • Compare a porção usual com a porção eventual.
  • Observe o padrão da semana antes de mudar tudo por um único alimento.
  • Evite regras rígidas quando há sintomas ou tratamento em andamento.
FatorPor que muda o resultado
Déficit semanalO balanço de vários dias explica melhor que uma única sessão de exercício.
Massa magraPerder músculo reduz gasto e piora manutenção do peso.
Retenção de líquidosA balança pode oscilar sem refletir gordura corporal.
SustentabilidadeDéficits agressivos aumentam fome, compulsão e abandono.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Fontes úteis

  • WHO: dieta saudável
  • MedlinePlus: nutrição
  • NIH ODS: suplementos alimentares

Arquivado em: Curiosidades, Nutrição

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