Escoliose é uma curvatura tridimensional da coluna, geralmente medida pelo ângulo de Cobb, e a importância clínica depende de idade, grau da curva, crescimento restante, sintomas e progressão. Muitas curvas leves são acompanhadas, mas dor intensa, piora rápida, alteração neurológica, assimetria progressiva ou curvas maiores exigem avaliação mais cuidadosa.
O que muda a gravidade da escoliose
A palavra escoliose não diz tudo. Uma curva pequena em adolescente que ainda vai crescer tem leitura diferente de uma curva estável em adulto. O risco de progressão depende do grau, maturidade esquelética, localização da curva, sexo, histórico familiar e velocidade de crescimento. Por isso, radiografias seriadas e exame físico podem ser mais importantes do que uma foto isolada da postura.
Em adolescentes, a escoliose idiopática muitas vezes aparece sem dor importante. Em adultos, pode vir junto de degeneração, dor lombar, desequilíbrio do tronco ou sintomas nas pernas. O plano muda conforme idade e objetivo: acompanhar, usar colete, reabilitar, controlar dor ou discutir cirurgia em casos específicos.
| Achado | Leitura prática | Próximo passo |
|---|---|---|
| Curva leve e sem progressão | Frequentemente acompanhamento. | Revisar crescimento e sintomas. |
| Crescimento rápido | Maior risco de piora. | Acompanhamento mais próximo. |
| Dor intensa ou neurológica | Pode haver outra causa associada. | Exame médico e possível imagem. |
| Curva alta/progressiva | Risco funcional e cosmético maior. | Ortopedia de coluna. |
Tratamento não é igual para todos
Observação pode ser suficiente em curvas leves. Colete pode ser considerado em adolescentes em crescimento com curvas em determinada faixa, com objetivo de reduzir progressão. Exercícios específicos e fisioterapia podem ajudar postura, dor, função, controle motor e adesão, mas não substituem monitoramento quando há risco de progressão.
Cirurgia é reservada para curvas maiores, progressivas ou com impacto importante, e deve envolver conversa sobre objetivo, riscos, níveis de fusão, recuperação e expectativa. A decisão não deve ser tomada apenas por estética ou medo; precisa comparar história natural, sintomas e risco individual.
O que perguntar na consulta
Pergunte qual é o grau da curva, se ainda há crescimento, qual risco de progressão, quando repetir raio-X e que sinais mudam a urgência. Para adultos, pergunte se a dor vem da curva, de degeneração, disco, quadril, sacroilíaca ou musculatura. Essa distinção evita atribuir toda dor à escoliose.
O leitor deve sair entendendo se o caso é de acompanhamento, reabilitação, colete, avaliação cirúrgica ou investigação de outra causa. A escoliose merece precisão, não alarme automático.
Esporte e rotina
Na maioria dos casos leves, atividade física é permitida e pode melhorar força, autoestima e função. Restrições devem ser individualizadas. Dor ou medo não devem afastar automaticamente a pessoa de escola, esporte ou vida social.
Quando há colete, adesão e ajuste são parte do tratamento. Desconforto, vergonha e dificuldade na rotina precisam ser conversados, porque o melhor colete no papel não funciona se não é usado.
Apesar de se manifestar em qualquer idade, frequentemente é diagnosticada em crianças e adolescentes.
O ângulo da curvatura pode ser pequeno, intermediário ou grande. É considerado escoliose quando mede mais de 10 graus em um raio-X.
Nem sempre a escoliose é perceptível, mas algumas pessoas tendem a se inclinar para um lado ou apresentar ombros, ou quadris irregulares, justamente devido à curvatura da coluna.
Tipos de escoliose

A escoliose pode ser estrutural ou não-estrutural. Quando é estrutural, as curvas são irreversíveis com presença de rotação vertebral. Já a não-estrutural acontece quando a curva pode ser corrigida através do posicionamento corporal e, nesse caso, não se observa rotação vertebral.
A escoliose pode ser classificada segundo a sua origem de formação, dividindo-se basicamente em: escoliose idiopática, escoliose congênita, escoliose neuromuscular, escoliose degenerativa.
A escoliose idiopática não possui uma causa esclarecida e os médicos não encontram uma razão exata para a coluna curvada, mas é o tipo mais comum de escoliose, correspondendo a aproximadamente 70% das ocorrência de escoliose. Nesse tipo está incluída a escoliose infantil, juvenil e do adolescente.
O risco de progressão na curva é maior na puberdade precoce, afetando 1 a 4% dos adolescentes e desproporcionalmente mulheres jovens. Normalmente, esse tipo de escoliose é assintomático e passa despercebido por muitos anos.
| Tipo de escoliose | Descrição |
|---|---|
| Escoliose idiopática | O tipo mais comum de escoliose, causada por fatores desconhecidos e geralmente encontrada em crianças. |
| Escoliose congênita | Presente ao nascimento, devido a uma malformação das vértebras. |
| Escoliose neuromuscular | Resultante de fraqueza muscular ou anormalidades nervosas, geralmente causadas por uma condição médica. |
| Escoliose Degenerativa | Desenvolvendo-se mais tarde na vida devido à degeneração da coluna relacionada à idade. |
A escoliose congênita já inicia antes do nascimento. Os médicos, geralmente, detectam essa condição rara logo quando o bebê nasce, mas também pode ser percebida anos depois, apenas na adolescência.
A escoliose neuromuscular é causada por algum distúrbio neurológico ou muscular, como a paralisia cerebral ou uma lesão na medula espinhal. Essas condições, quando danificam os músculos, fazem as costas se curvarem.
A escoliose degenerativa é o tipo que afeta os adultos. Conforme os anos passam, esse tipo de escoliose desenvolve-se na parte inferior das costas, devido ao desgaste dos discos e articulações da coluna.
Quais são os sintomas da escoliose?

Geralmente, a escoliose se manifesta desde a infância ou adolescência. Mas ao decorrer dos anos, os sintomas podem variar de acordo com a idade do paciente. Os sinais e sintomas da escoliose incluem:
- Curva visível nas costas;
- Ombros irregulares;
- Cintura e quadril irregular;
- Escápula que parece mais proeminente que a outra;
- Dor lombar;
- Dormência nas pernas;
- Fadiga devido à tensão nos músculos.
A coluna geralmente pode girar ou torcer, além de curvar de um lado para o outro. Em adolescentes, é comum as roupas não vestirem uniformemente e as pernas terem comprimentos ligeiramente diferentes.
Quando a escoliose é notada em bebês, as mães observam que o corpo fica curvado mais para um lado, quando a criança está deitada.
Em casos graves, bebês podem apresentar problemas pulmonares e cardíacos, levando a dor no peito e falta de ar. Se o bebê não receber o tratamento adequado, correrá riscos de ter problemas a longo prazo, na vida adulta, como insuficiência cardíaca.
Adultos mais velhos frequentemente relatam dores nas costas, que raramente é grave e não causa nenhuma grande incapacidade para a maioria dos indivíduos.
Tabela: alguns dos sintomas da escoliose
| Sintoma | Explicação |
|---|---|
| Desvio lateral da coluna vertebral | A coluna vertebral pode se desviar para o lado, formando uma curva lateral na parte superior ou inferior das costas. |
| Assimetria dos quadris ou ombros | Como quadris ou ombros podem parecer irregulares ou em alturas diferentes, devido à curvatura lateral da coluna vertebral. |
| Mudança na altura da cintura ou da cabeça | A curvatura lateral da coluna vertebral pode causar uma mudança na altura da cintura ou da cabeça. |
| Dor nas costas ou nas pernas | A escoliose pode causar Dor nas costas ou nas pernas devido à compressão dos nervos e dos músculos pelas curvas da coluna vertebral. |
| Fadiga ou dificuldade para respirar | A escoliose pode causar fadiga ou dificuldade para respirar devido à compressão dos pulmões pelas curvas da coluna vertebral. |
É importante lembrar que esta tabela é apenas informativa e que os sintomas da escoliose podem variar de pessoa para pessoa. Se você tiver algum desses sintomas, é recomendável consultar um médico para um diagnóstico preciso.
Causas e fatores de risco da escoliose

A escoliose é uma doença causada por uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, atuando por meio de mecanismos integrativos biológicos e biomecânicos.
Quando a coluna funciona normalmente, mas parece curvada, a escoliose pode ser causada por comprimentos diferentes nas pernas, espasmos musculares e inflamações, como apendicite. Tratando essas condições, a escoliose geralmente desaparece.
Quando a curva da coluna é rígida e não pode ser revertida, as causas podem envolver distrofia muscular, paralisia cerebral, defeitos congênitos, tumores e condições genéticas, como Síndrome de Down.
A osteoporose também pode causar escoliose, em virtude da degeneração óssea. Além dessas causas citadas, também é importante citar a má postura, lesões que causam curvaturas da coluna vertebral e o hábito de carregar mochilas muito pesadas.
Os fatores de risco incluem: a idade, pois geralmente a escoliose inicia-se durante um surto de crescimento pouco antes da puberdade; sexo, sendo que as mulheres possuem mais tendência a sofrer de escoliose do que os homens; e genética, pois a escoliose comumente surge entre parentes da mesma família.
| Fator de risco | Descrição |
|---|---|
| Gênero | As meninas são mais propensas a desenvolver escoliose do que os meninos. |
| História Familiar | Se um dos pais ou irmão tiver escoliose, o risco aumenta. |
| Idade | A maioria dos casos de escoliose se desenvolve entre as idades de 10 e 15 anos. |
| Outras condições médicas | Certas condições médicas, como paralisia cerebral e distrofia muscular, são fatores de risco para escoliose. |
Se você ou alguém da sua família tem escoliose, certifique-se de que seus filhos sejam examinados regularmente para essa condição.
Diagnóstico
O diagnóstico para escoliose consiste em exame físico da coluna, costelas, ombros e quadris. O médico verificará o grau de escoliose através de um equipamento chamado inclinômetro. Quando o grau é maior que 10, indica escoliose.
Exames complementares de imagem (raio-x, tomografia computadorizada e ressonância magnética) podem ser solicitados para auxiliar o médico a analisar a forma, direção e ângulo da curvatura.
O exame de raio-x mensura o grau que a escoliose apresenta, onde por meio da imagem obtida, mensura-se o Ângulo de Cobb, que é uma medida universal utilizada para quantificar o ângulo frontal da escoliose em uma radiografia de incidência ântero-posterior.
A ressonância geralmente é solicitada para descartar outras patologias, como um tumor que pode estar inclinando e curvando a coluna.
Tabela: exames que podem ser usados para diagnosticar a escoliose:
| Exame | Explicação |
|---|---|
| Raio-X | Um raio-X da coluna vertebral pode mostrar as curvas e os desvios laterais da coluna. |
| Ressonância magnética (RM) | A ressonância pode mostrar as curvas da coluna vertebral em detalhes, além de verificar se há compressão dos nervos e dos músculos. |
| Tomografia computadorizada (TC) | Pode mostrar a forma e o tamanho do canal vertebral, seu conteúdo e as estruturas ao seu redor. Muito bom em visualizar estruturas ósseas. |
Tratamento
- Acompanhamento: Dependendo da gravidade da escoliose, seu médico pode recomendar um período de observação para monitorar a progressão da curva.
- Órtese: Dependendo da gravidade da escoliose, uma órtese pode ser recomendada para ajudar a prevenir o agravamento da curva.
- Exercício: O exercício pode ajudar a melhorar a postura, fortalecer os músculos e aumentar a flexibilidade.
- Fisioterapia: A fisioterapia pode ajudar a melhorar a postura, fortalecer os músculos e aumentar a flexibilidade.
O tratamento clínico da escoliose é realizado com base na magnitude e progressão da curva espinhal, sendo que se a curva piorar, o paciente poderá desenvolver problemas futuros, como dor, aumento da deformidade, aumento do risco de mortalidade precoce e problemas psicossociais negativos.
Geralmente, a magnitude da curvatura aumenta, ao longo da vida do paciente.
Para escoliose leve, durante a infância e adolescência, não é necessário nenhum tipo de tratamento. Crianças com escoliose leve são monitoradas regularmente com raios-x para acompanhar se a curva está apresentando piora.

Dependendo do grau de curvatura da coluna, se o tratamento for necessário, pode ser recomendado uma combinação de órtese e fisioterapia. O objetivo da órtese é evitar que a curva progrida para uma gravidade que exija cirurgia, antes que o paciente atinja a maturidade esquelética.
Com esse tratamento, o risco de progressão da curva e o risco de uma cirurgia diminuem bastante. O tratamento mais comum envolve o uso de uma órtese rígida, como uma órtese toracolombosacral.
Para pacientes de alto risco, é recomendado que utilizem a órtese por mais de 13 horas por dia, até atingirem a maturidade esquelética. O tempo médio utilizando uma cinta é de aproximadamente 3 anos, mas isso não impede o indivíduo de continuar realizando as suas atividades rotineiras.
Quando a escoliose é mais grave, essa condição pode reduzir a quantidade de espaço dentro do tórax, o que dificulta o funcionamento apropriado dos pulmões. Mas isso acontece em casos raros.
Quando acontece, o tratamento é cirúrgico com o objetivo de restaurar o alinhamento da coluna e prevenir as consequências a longo prazo de grandes deformações da coluna e do tórax, que podem incluir dor, desfiguração e redução da capacidade pulmonar.
Importância da fisioterapia motora no tratamento da escoliose
- Melhora a postura: A fisioterapia pode ajudar a melhorar a curvatura da coluna causada pela escoliose ao te ensinar diversos exercícios posturais.
- Aumenta a flexibilidade: A fisioterapia ajuda a alongar a coluna e outros músculos, o que pode aumentar a flexibilidade e ajudar a reduzir a dor.
- Fortalece os músculos: A fisioterapia ajuda a fortalecer os músculos da coluna, o que pode ajudar a reduzir a curvatura da coluna e reduzir a dor.
- Melhora o equilíbrio: A fisioterapia ajuda a melhorar o equilíbrio ensinando exercícios para ajudar a manter o centro de gravidade.
- Reduz a dor: A fisioterapia ajuda a reduzir a dor por meio de exercícios de fortalecimento e alongamento, que podem ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a circulação.
- Previne novas curvaturas: A fisioterapia ajuda a prevenir novas curvaturas da coluna, ensinando-lhe exercícios para ajudá-lo a manter uma boa postura.
- Melhora a mobilidade: A fisioterapia ajuda a melhorar a mobilidade, ensinando-lhe exercícios para ajudá-lo a mover-se com maior facilidade e conforto.
- Melhora a qualidade de vida: A fisioterapia ajuda a melhorar sua qualidade de vida, aliviando a dor e melhorando a mobilidade.
Fontes úteis desta atualização
Referências
BLASIUS, V. A. Verificação do índice de escoliose nos acadêmicos da 10ª fase do Curso de Fisioterapia da UNESC. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Fisioterapia) – Universidade do Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2010.
CHENG, J. C. et al. Adolescent idiopathic scoliosis. Nature Reviews Disease Primers, v. 1, n. 1, p. 1-20. 2015.
TURRA, P. Qualidade de vida de indivíduos com escoliose idiopática. 2015. Monografia (Especialização em Reabilitação Físico-Motora) – Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2015.









































