Blog da Saúde

Informações sobre cuidados com a saúde

  • Sintomas
  • Doenças
  • Tratamentos
  • Exames e Medicamentos
  • Especialistas
  • Guias

Arquivos para 5 de outubro de 2022

Síndrome de Tietze: sintomas, causas e tratamento

5 de outubro de 2022 by Dr. Carlos Roberto Babá Deixe um comentário

Síndrome de Tietze é uma causa incomum de dor na parede torácica com inchaço doloroso em uma articulação costocondral, geralmente perto do esterno. Antes de atribuir dor no peito a Tietze, é preciso excluir sinais de coração, pulmão, infecção e trauma.

Como diferenciar de costocondrite e dor cardíaca

Tietze costuma ter inchaço localizado, enquanto costocondrite pode causar dor sem inchaço visível. Ambas podem piorar ao tocar, respirar fundo ou movimentar tronco. Dor cardíaca, porém, pode vir com aperto, falta de ar, suor frio, náusea, desmaio ou irradiação para braço/mandíbula. Esses sinais mudam tudo.

Em dor torácica nova ou intensa, não é seguro decidir sozinho que é muscular. O exame clínico define se é parede torácica ou se precisa investigação cardíaca/pulmonar.

PadrãoSugereAção
Dor reprodutível ao toqueParede torácica.Avaliar contexto.
Inchaço focalTietze possível.Consulta.
Aperto com falta de arCoração/pulmão possível.Urgência.
Febre ou traumaOutra causa.Investigar.

Tratamento e evolução

Quando a causa é confirmada como parede torácica benigna, tratamento pode incluir repouso relativo, analgésicos/anti-inflamatórios quando seguros, compressa, evitar movimentos que irritam e retorno gradual. A dor pode durar semanas. Infiltração é exceção, não primeira resposta para todos.

Se a dor muda, aparece falta de ar, febre, desmaio ou piora progressiva, reavalie. Diagnóstico inicial não deve cegar para mudança de quadro.

Local: dor e inchaço perto do esterno.
Diferenciar: costocondrite, coração, pulmão e trauma.
Tratar: controle de dor e irritação mecânica.
Urgência: falta de ar, suor frio, desmaio, irradiação.

Como a avaliação costuma ser feita

O profissional pergunta início da dor, relação com esforço, tosse, febre, trauma, falta de ar, irradiação, palpitações, fatores de risco cardíaco e resposta ao toque. Exame físico busca dor localizada, inchaço, amplitude de movimento, sinais pulmonares e sinais sistêmicos.

Exames como eletrocardiograma, radiografia, ultrassom ou exames de sangue podem ser usados quando a história não permite concluir que é apenas parede torácica. Em dor no peito, segurança vem antes da elegância diagnóstica.

Autocuidado sem banalizar

Quando o diagnóstico é compatível com Tietze ou costocondrite e não há sinais de gravidade, pode fazer sentido reduzir atividades que irritam, evitar treino pesado de tronco por alguns dias, usar compressas e seguir analgesia orientada. Respiração superficial por medo da dor pode aumentar tensão; respirar calmamente e manter mobilidade leve ajuda alguns pacientes.

Se a dor acorda à noite de modo progressivo, vem com febre, falta de ar, suor frio ou desmaio, a leitura muda. Não force a hipótese musculoesquelética quando os sinais apontam para outro sistema.

Por que não basta “apertou, então é músculo”

Dor que piora ao toque favorece parede torácica, mas não exclui todos os problemas importantes. Uma pessoa pode ter dor musculoesquelética e risco cardíaco ao mesmo tempo. Idade, diabetes, hipertensão, tabagismo, falta de ar, suor frio, náusea e esforço físico mudam a triagem.

Em jovens saudáveis com dor localizada e inchaço costocondral, o raciocínio tende a ser diferente de um paciente mais velho com aperto no peito ao caminhar. O mesmo sintoma descrito como “dor no peito” pode pertencer a histórias clínicas muito diferentes.

O que esperar da evolução

A síndrome de Tietze pode melhorar com medidas conservadoras, mas a duração varia. A dor pode oscilar com tosse, treino, postura, ansiedade, esforço de membros superiores ou respiração profunda. Oscilar não significa necessariamente piora, desde que não surjam sinais sistêmicos.

Se o inchaço cresce, a dor se torna contínua, há febre ou a área fica quente e muito sensível, a hipótese precisa ser revista. Infecção, trauma, doença inflamatória e outras causas podem imitar dor localizada.

Como reduzir recorrência

Depois da fase dolorosa, vale retomar treino de tronco, peitoral e membros superiores de forma progressiva. Aumentos bruscos de carga, tosse persistente, trabalho com esforço repetitivo e má recuperação podem irritar novamente a região.

O objetivo não é parar de se mover por medo da dor no peito. É confirmar segurança e depois reconstruir tolerância ao movimento.

Medicamentos e limites

Anti-inflamatórios podem aliviar alguns quadros, mas não são seguros para todos. Histórico de gastrite, doença renal, anticoagulantes, pressão alta, insuficiência cardíaca e gestação mudam a decisão. Analgésicos simples, calor local ou gelo podem ser preferíveis em alguns casos, conforme orientação.

Se a dor melhora só enquanto usa remédio e volta sempre igual, o plano precisa revisar carga, tosse, postura, treino e diagnóstico. O objetivo é reduzir irritação da articulação costocondral, não mascarar sintoma indefinidamente.

Quando procurar urgência

Procure atendimento imediato se a dor no peito é opressiva, vem com falta de ar, suor frio, desmaio, náusea intensa, palpitações, irradiação para braço ou mandíbula, ou se surgiu após trauma importante. Nesses cenários, a prioridade é excluir causas cardíacas, pulmonares ou traumáticas.

Registro ajuda na reavaliação

Anote se a dor aparece com treino, tosse, respiração profunda, estresse, posição ou esforço de braço. Registre também duração, intensidade e resposta a repouso. Esses dados ajudam a confirmar padrão de parede torácica ou perceber quando a história mudou.

Síndrome de Tietze é uma inflamação dolorosa na região das cartilagens que ligam costelas ao esterno, podendo causar dor no peito e inchaço local. Como dor torácica também pode ter outras causas, avaliação é importante quando o quadro é novo, intenso ou diferente do habitual.

As manifestações clínicas incluem dor, sensibilidade e edema, envolvendo especialmente as articulações esternocostal e esternoclavicular.

As causas da Síndrome de Tietze são pouco compreendidas, mas acredita-se que esteja relacionada a microlesões e infecção das vias aéreas. Essa síndrome foi descrita pela primeira vez em 1921, pelo professor de cirurgia alemão Alexander Tietze.

As manifestações clínicas da Síndrome de Tietze, muitas vezes, são confundidas com os sintomas de outras condições dolorosas dentro das estruturas esqueléticas, como a costocondrite./costocondrite-o-que-e-causas-sintomas-e-tratamentos/


Diferenças entre a Síndrome de Tietze e a Costocondrite

tietze costocondrite

A Síndrome de Tietze é, muitas vezes, confundida com costocondrite. Então, a seguir, você entenderá as diferenças mais significativas entre essas duas patologias.

Prevalência – Enquanto a costocondrite é relativamente uma doença comum, a Síndrome de Tietze é rara.

Sinais de inflamação – Na costocondrite não há sinais de inflamação. Na Síndrome de Tietze os sinais de inflamação estão presentes.

Inchaço – Na costocondrite não há inchaço, enquanto na Síndrome de Tietze há presença de inchaço ou ausência, dependendo da gravidade da condição.

Articulações afetadas – As articulações afetadas na costocondrite são múltiplas e unilaterais, geralmente envolvendo a 2ª à 5ª junção costocondral. As articulações afetadas na Síndrome de Tietze são únicas e unilaterais, atingindo entre a 2ª e 3ª junção costocondral.

Faixa etária mais afetada – Pessoas de qualquer idade podem ser afetadas com costocondrite, mas a Síndrome de Tietze é mais comum na faixa etária jovem.

Dor – Na costocondrite, a atividade física repetitiva costuma provocar dor e é incomum ocorrer em repouso. A dor agrava-se diante de atividades de esforço e movimentos.

Na Síndrome de Tietze, a dor surge em decorrência de alguma atividade nova intensa, como tosse excessiva, causando impacto no peito.


Sintomas da Síndrome de Tietze

Os sintomas da Síndrome de Tietze incluem:

  • Dor localizada na metade anterior da parede torácica, que irradia para o ombro e braço;
  • Dor que se agrava com espirros, respiração profunda e tosse;
  • Sensibilidade e inchaço na articulação esternocostal afetada;
  • Psoríase ou pustulose palmar e plantar, em alguns casos.


Como o diagnóstico é avaliado

A Síndrome de Tietze é uma condição difícil de diagnosticar, visto que os sintomas podem ser confundidos com o de outras patologias, como costocondrite, artrite reumatoide, doenças pulmonares e angina, caracterizada como uma dor no peito que acontece quando os músculos cardíacos não recebem a quantidade de oxigênio suficiente.

O médico fará uma série de perguntas sobre seus sintomas, seguido de um exame físico. Durante o exame físico, geralmente em mais de 70% dos pacientes o médico observa inchaço e sensibilidade palpável em um lado do tórax, mais especificamente entre a segunda e terceira costela.

Para descartar outras patologias, como doenças coronárias, costocondrite e alterações inflamatórias pulmonares, o médico deverá solicitar exames adicionais, como radiografia do tórax, ultrassonografia, ressonância magnética, biópsia ou eletrocardiograma, a fim de analisar a atividade elétrica cardíaca.

imagem raiox

A abordagem mais comum é a ultrassonografia, utilizada para mostrar o inchaço dos tecidos moles no local da inflamação.

A ressonância magnética possibilita mostrar detalhadamente as alterações inflamatórias no tecido adiposo circundante, bem como o edema da medula óssea, que causa compressão e estreita aderência das superfícies articulares que formam a articulação.

Outro exame que pode ser recomendado para o diagnóstico de Síndrome de Tietze é a cintilografia esquelética, utilizando tech netium-99 ou gálio radioativo.

Estudos recentes publicados nos periódicos Nuclear Medicine Review Central & Eastern Europe e Clinical Nuclear Medicine permitiram a visualização da atividade hipermetabólica na articulação afetada com calcificação densa através da tomografia por emissão de pósitrons CT-fluorodesoxiglicose (PET/CT-FDG).

Esse tipo de exame, mesmo não sendo solicitado frequentemente, pode, no futuro, torna-se um recurso regular para o diagnóstico de síndrome de Tietze.


Opções de tratamento

Para o tratamento da Síndrome de Tietze, são utilizados métodos conservadores que incluem o alívio da dor com medicamentos analgésicos orais ou tópicos e anti-inflamatórios não esteroides. O tratamento de primeira linha baseia-se no uso desses medicamentos.

Em casos raros, quando os métodos medicamentosos são forem suficientes, o médico poderá indicar injeção com lidocaína em combinação com um esteroide.

Compressas de aquecimento são recomendadas para aplicar no local doloroso. É importante também que o paciente limite determinadas atividades físicas durante algumas semanas.

O tratamento com esses métodos deve ser continuado até que a dor seja completamente cessada. Geralmente, os sintomas desaparecem após uma ou duas semanas, se o tratamento for realizado de forma adequada.

Existe a garantia de que o processo da doença geralmente se resolve espontaneamente, sem deixar sequelas permanentes no paciente. No entanto, em casos raros, a dor pode permanecer e se tornar crônica, durando meses ou até um ano.


Quando o sintoma muda de prioridade

O nome popular ajuda a começar a conversa, mas não fecha diagnóstico. Para Síndrome de Tietze: sintomas, causas e tratamento, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.

SinalComo interpretar
InícioSúbito, progressivo ou recorrente muda as hipóteses.
IntensidadeDor forte, falta de ar ou desmaio reduzem a margem para esperar.
AssociaçãoFebre, perda de peso, sangramento ou fraqueza importam.
EvoluçãoMelhora, estabilidade ou piora orientam o próximo passo.
Evite concluirPrefira observar
“É só um sintoma comum”Intensidade, duração e sinais associados.
“Se melhorou, acabou”Recorrência e limitação funcional.
“Posso repetir a mesma solução”Resposta anterior, efeitos adversos e causa provável.

Ao buscar atendimento, descreva o sintoma com começo, duração, intensidade, localização, gatilhos, sinais associados e o que já foi tentado. Isso acelera o raciocínio clínico.

Se a dúvida persistir, anote início, frequência, intensidade, fatores que pioram, fatores que aliviam e qualquer efeito indesejado. Esse registro reduz achismos e torna a conversa clínica mais objetiva.

Fonte: MedlinePlus: medical encyclopedia.

Considerações Finais

A Síndrome de Tietze não é uma doença mortal. Para reduzir o desconforto físico, a preocupação mental, o desperdício de tempo e os custos do paciente, é de extrema importância que os profissionais de saúde estejam cientes da apresentação clínica, que identifiquem corretamente a condição, realizando uma investigação completa para quaisquer distúrbios agudos com risco de vida que possam ser possíveis.

A comunicação com o paciente é essencial, para tranquilizá-lo sobre essa patologia incomum, mas geralmente benigna e autolimitada.


Fontes úteis

  • NCBI Bookshelf: Tietze syndrome
  • Cleveland Clinic: Tietze syndrome
  • Mayo Clinic: costochondritis
  • American Heart Association: heart attack symptoms

DOUDOUH, A. et al. A case of Tietze’s syndrome visualized on PET/CT-FDG. Nuclear Medicine Review Central & Eastern Europe, v. 22, n. 2, p. 88-89. 2019.

OH, J. H. et al. 18F-FDG PET/CT and Bone Scintigraphy Findings in Tietze Syndrome. Clinical Nuclear Medicine, v. 43, n. 11, p. 832-834. 2018.

ROKICKI, W. et al. What do we about Tietze’s Syndrome?. Kardiochirurgia i Torakochirurgia Polska, v.15, n. 3, p. 180-182. 2018.

ROSENBERG, M.; CONERMANN, T. Tietze Syndrome. National Library of Medicine, StatPearls, 2022.

  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Doenças de A-Z, Dor, Ortopedia

Apego Emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental

5 de outubro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito Deixe um comentário

Apego Emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental merece atenção quando altera sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado. O ponto não é rotular toda reação emocional, e sim reconhecer quando sofrimento persistente precisa de apoio estruturado.

Estar em relacionamento amoroso pode ser definido pelo apreço e estima no objeto de amor e na relação estabelecida.

O amor é o sentimento que permeia grande parte das relações humanas, entretanto, quando em demasia pode caracterizar sintomatologia ou etiologia semelhante a outras dependências. Nesse sentido, a dependência emocional seria o envolvimento em relacionamentos interpessoais baseados em comportamentos aditivos.

Pesquisas indicam que sentimentos amorosos utilizariam a mesma circuitaria neural que substâncias psicoativas ativando sintomas de dependência, o sistema de recompensa cerebral.

Porém, não necessariamente toda relação caracterizaria esse tipo de ímpeto.

O Apego Emocional se preocupa em estabelecer relações significativas com figuras primárias havendo qualidade nos determinantes dos relacionamentos. O processo de vinculação é de extrema importância, ainda mais se tratando de laços afetivos precoces capazes de criar uma base segura ao ser humano emocionalmente, contribuindo para o funcionamento e desenvolvimento psicológico ou de perturbações que possam indesejadamente romper relações afetivas.

O Apego tem sido considerado comumente um mecanismo básico nas relações humanas. Sendo um comportamento esperado está ligado a uma imagem que oferece respostas disponibilizando segurança para a relação. Acredita-se que as primeiras experiências relacionais de Apego criadas logo na infância influenciam a história de vida da pessoa.

Estudos revelam que o Apego é um comportamento instintivo e com potencial adaptativo. A emoção denota traço principal da comunicação entre as relações de Apego. Tal tipo de linguagem emocional possibilita regular e expressar suas emoções para o estabelecimento das interações com o outro e meio social. Analisando o ciclo vital, o Apego é um processo contínuo sendo de continuidade que se dá pela interação estabelecida dos pais e cuidadores sempre associada a algum grau de segurança.

apego emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental

Teoria do apego

A Teoria do Apego foi desenvolvida para descrever a qualidade da relação entre a criança e seu cuidador, podendo interagir a partir de 4 padrões de Apego: Seguro, Inseguro Evitativo, Inseguro Ambivalente e Desorganizado. Dentre esses, os 3 últimos perfazem relações disfuncionais, apenas o primeiro indicando um fator de proteção.

Na relação, a pessoa demandará ações procurando a aproximação certificando-se de que o outro será o mais apto para manejar as nuances do mundo adequando as necessidades de segurança.


Estilo de cuidado proferido pela Mãe

O estilo de cuidado proferido pela mãe ou cuidador nos primeiros anos de vida e até mesmo educacional derivam características sobre padrões de Apego. Outro fator relevante são as condições de nascimento, desenvolvimento cognitivo, contexto sociofamiliar, aspectos socioeconômicos, estressores familiares e suporte familiar.

A relação de Apego que se estabelece quando criança, a priori, influenciará basicamente grande parte das relações que serão construídas pelo adulto. Por isso, se faz necessário o estabelecimento de relações de Apego seguras tanto nos aspectos emocionais quanto cognitivos para que haja confiança na exploração do mundo, ajudando na organização do comportamento e desenvolvimento de competências.

Nas relações humanas, o tipo de interação que é estabelecida caracteriza o padrão de Apego formada. Gradualmente, as experiências de Apego vivenciadas de antemão são internalizadas e organizadas para funcionar como modelo de funcionamento mental, reverberando na idade adulta.

apego emocional

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

Quando buscar apoio estruturado

Em Apego Emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental, a linha de cuidado aparece quando o sofrimento deixa de ser episódio isolado e passa a limitar decisões, sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado. A intensidade importa, mas duração e prejuízo funcional costumam orientar melhor a necessidade de ajuda.

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) existe a classificação do Transtorno de Apego Reativo*:

A) Um padrão consistente de comportamento inibido e emocionalmente retraído em relação ao cuidador adulto, manifestado por dois aspectos:

1. A criança rara ou minimamente busca conforto quando aflita.

2. A criança rara ou minimamente responde a medidas de conforto quando aflita.

B) Perturbação social e emocional persistente caracterizada por pelo menos dois dos seguintes aspectos:

1. Responsividade social e emocional mínima a outras pessoas.

2. Afeto positivo limitado.

3. Episódios de irritabilidade, tristeza ou temor inexplicados, evidentes até mesmo durante interações não ameaçadoras com cuidadores adultos.

C) A criança vivenciou um padrão de extremos de cuidado insuficiente evidenciado por pelo menos um dos seguintes aspectos:

1. Negligência ou privação social na forma de ausência persistente do atendimento às necessidades emocionais básicas de conforto, estimulação e afeição por parte de cuidadores adultos.

2. Mudanças repetidas de cuidadores, limitando as oportunidades de formar vínculos estáveis (p. ex., trocas frequentes de lares adotivos temporários).

3. Criação em contextos peculiares que limitam gravemente oportunidades de formar vínculos seletivos (p. ex., instituições com alta proporção de crianças por cuidador).

D) Presume-se que o cuidado do Critério C seja responsável pela perturbação comportamental do Critério A (p. ex., as perturbações do Critério A iniciam após a ausência de cuidado adequado do Critério C).

1. Não são preenchidos os critérios para transtorno do espectro autista.

2. A perturbação é evidente antes dos 5 anos de idade.

3. A criança tem uma idade de desenvolvimento mínima de 9 meses.

Especificar se: Persistente: O transtorno está presente há mais de 12 meses.

Especificar a gravidade atual: O transtorno de apego reativo é especificado como grave quando a criança exibe todos os sintomas do transtorno, e cada sintoma se manifesta em níveis relativamente elevados.

*Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.


Pessoas com Apego Seguro apresentam maior facilidade na resolução de tarefas.

Já pessoas com Apego Inseguro demonstram maiores dificuldades em termos de competência social, independência, resiliência e saúde mental, além de sintomas ansiosos, depressivos e de humor. Além do mais, pessoas com esse tipo característico mostram tendência a desenvolver uma referência negativa sobre expectativas acerca do trabalho.

Já adolescentes com Apego Inseguro tendem a se envolver em comportamentos de risco apresentando impasses em traços de regulação emocional como por exemplo, na impulsividade. Jovens com Apego Seguro na relação se beneficiam de menos estresse e mais afeto e autoestima nas interações sociais, além de habilidades interpessoais.

Associações entre Apego e Regulação Emocional tem sido estudadas pelas consequências e pequenas semelhanças. Evidências científicas relatam que indivíduos seguros em suas relações de Apego apresentam mais otimismo e menos pensamentos catastróficos, lidando com desafios de maneira construtiva e expressando suas emoções de modo estratégico. Para indivíduos seguros comunicarem os sentimentos e emoções torna-se uma experiência com menos distorções cognitivas.

A Dependência Emocional é conceituada como uma questão crônica forjada em demandas afetivas insatisfeitas que buscam por intermédio de relacionamentos interpessoais um Apego patológico. Esse comportamento ocorre em decorrência de um funcionamento internalizado e aprendido do indivíduo ao longo da vida, sendo que várias pessoas e fatores se tornaram influenciadores para tal comportamento.

A Dependência Emocional pode ser classificada em dois tipos: a Genuína, quando há o envolvimento de uma patologia que esteja relacionada a Dependência Emocional e a Mediada, pautado no comportamento adicto ou quando o outro sente a necessidade de conviver com outrem.

apego emocional

É possível ainda nomear as principais dependências afetivas dos subtipos Genuínas em: Dependência Emocional, Tendência Dependente, Apego Ansioso, Transtornos de Personalidade e etc.

Já as dependências Mediadas constituem: Codependência e Bidependência. A Codependência é caracterizada pela relação patológica entre uma pessoa não adicta com outra usuária problemática de álcool e outras drogas. Na Bidependência o indivíduo dependente estabelece relação de Apego com outras pessoas que fazem uso de substâncias ou não.

As principais características da Dependência Emocional são: ter cuidado e atenção em excesso com o outro havendo renúncia de interesses pessoais; presença de elementos que evidenciam abstinência pela ausência do parceiro ligadas a tensão muscular, taquicardia e insônia; queixa frequente da falta de atenção do companheiro; dificuldade de controle de si; raiva, mágoa, ressentimento, tristeza, solidão, desânimo e depressão.

Analisando que o Apego elucida tanto um padrão comportamental da personalidade quanto condições psicopatológicas, a dimensão emocional que constitui os modelos psicológicos de vínculos de Apego Emocional constituem conceitos teóricos essenciais ao entendimento da constituição da subjetividade humana.

terapia

Portanto, pesquisas na área do Apego ainda são um desafio e por esse motivo se faz necessário aumentar conceito teórico em detrimento das relações de Apego buscando compreender a influência de vários vínculos e de padrões funcionais internos; validar instrumentos de avaliação sistemática do Apego preferencialmente na idade adulta com objetivo de analisar como a variável altera com o passar do tempo; desenvolver novos instrumentos metodológicos com dados empíricos que auxiliem no entendimento na observação das transformações dos vínculos de Apego na vida adulta, possibilitando a verificação de sequelas; e criar conceitualizações mais complexas acerca de associações válidas.


Quadro prático: padrão, intensidade e impacto

Em saúde mental, frequência, intensidade e prejuízo na rotina ajudam a separar emoção passageira de sofrimento persistente.

DimensãoO que observarPor que importa
PadrãoQuando aparece, quanto dura e o que costuma disparar.Diferencia reação pontual de ciclo repetido.
ImpactoSono, apetite, trabalho, estudo, vínculos e autocuidado.Mostra se há prejuízo funcional.
SegurançaIsolamento, álcool/drogas, autoagressão ou pensamentos de morte.Pode exigir ajuda imediata.
  • Anote situações que pioram e aliviam.
  • Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
  • Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.

Fontes úteis

  1. Bution, D. C., & Wechsler, A. M. Dependência emocional: uma revisão sistemática da literatura. Estudos Interdisciplinares Em Psicologia, 7(1), 77-101, 2016.
  2. Dalbem, J. X., & Dell’Aglio, D. D. Teoria do apego: bases conceituais e desenvolvimento dos modelos internos de funcionamento. Arquivos brasileiros de psicologia, 57(1), 12-24, 2005.
  3. GIMENEZ, J. C. D. C. Autorregulação emocional em criança à luz da teoria do apego: uma revisão da literatura, 2021.
  4. Gomes, A. D. A., & Melchiori, L. E. A teoria do apego na produção científica contemporânea. Coleção PROPG Digital (UNESP), 2012.
  5. Gomes, V. F., & Bosa, C. A. Representações mentais de apego e percepção de práticas parentais por jovens adultas. Psicologia: Reflexão e Crítica, 23, 11-18, 2010.
  6. Kordahji H, Ben-David S, Elkana O. Attachment Anxiety Moderates the Association Between ADHD and Psychological Distress. Psychiatr Q. Dec;92(4):1711-1724, 2021.
  7. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.
  8. Mikulincer M, Shaver PR. Attachment orientations and emotion regulation. Curr Opin Psychol. Feb;25:6-10, 2019.
  9. Mónaco E, Schoeps K, Montoya-Castilla I. Attachment Styles and Well-Being in Adolescents: How Does Emotional Development Affect This Relationship? Int J Environ Res Public Health. Jul 17;16(14):2554, 2019.
  10. Mota, C. P., & Matos, P. M. Apego, conflito e auto-estima em adolescentes de famílias intactas e divorciadas.Psicologia: reflexão e crítica, 22, 344-352, 2009.
  11. OLIVEIRA, A. S. D., CAMILO, C. N., ALMEIDA, H. M. C. D., CORRÊA, S. C. C., & COSTA, T. V. D. P. Dependência emocional: cartilha, 2021.
  12. Saur, B., Bruck, I., Antoniuk, S. A., & de Sá Riechi, T. I. J. Relação entre vínculo de apego e desenvolvimento cognitivo, linguístico e motor. Psico, 49(3), 257-265, 2018.
  13. Scheeren, P., Delatorre, M. Z., Neumann, A. P., & Wagner, A. O papel preditor dos estilos de apego na resolução do conflito conjugal. Estudos e pesquisas em psicologia. Rio de Janeiro. Vol. 15, n. 3, p.835-852, 2015.

Arquivado em: Psicologia, Psiquiatria, Sintomas de A-Z Marcados com as tags: apego emocional, saúde mental

Últimos Posts

fascia muscular

Dor Muscular nas Costas Alta: causas, sinais de alerta e tratamento

Leia mais »
pescoco 1

Dor Cervical Irradiando para Escápula: quando o pescoço explica a dor nas costas

Leia mais »
diagnostico discinesia escapular

Bursite Escapulotorácica: dor atrás da escápula, estalos e tratamento

Leia mais »
teste de retracao escapular

Dor no Serrátil Anterior: lateral das costelas, escápula e ombro

Leia mais »
newsletter

Receba Novidades Por E-mail

Blog da Saúde

Saúde explicada com autoria, fontes e contexto.

Guias para entender sintomas, exames, tratamentos e medicamentos com linguagem clara, autoria e fontes.

Atualizações editoriais

Receba guias e atualizações editoriais

Uma seleção enxuta para ler melhor sobre saúde, com autoria, fontes e contexto.

newsletter

Receba Novidades Por E-mail

Desde 2020
produção editorial contínua
1.476
artigos publicados
50
autores com conteúdo
Fontes
diretrizes, sociedades e órgãos oficiais

Comece pelo seu objetivo

Encontre o melhor ponto de partida

  • Sintomas Comece pelo que você sente
  • Doenças Entenda diagnósticos comuns
  • Dor Cabeça, coluna, articulações e dor crônica
  • Exames Resultados, laudos e próximos passos
  • Medicamentos Uso, efeitos e cuidados práticos
  • Nutrição Alimentos, vitaminas e hábitos

Institucional

  • Sobre o Blog da Saúde
  • Equipe editorial
  • Especialistas
  • Contato

Critérios editoriais

  • Como produzimos conteúdo
  • Política editorial
  • Revisão médica
  • Critérios de fontes
  • Correções e atualizações

Leitura e acesso

  • Guias
  • Independência editorial e publicidade
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

2026 © Blog da Saúde.

Aviso médico: as informações fornecidas neste site visam melhorar, não substituir, a relação direta entre o paciente e os profissionais de saúde.

Ver todos os resultados
categorias

Pesquise por Categoria

Acupuntura

Acupuntura

alergia

Alergia

Artigos

Artigos

biomedicina

Biomedicina

canabidiol

Canabidiol

dermatologia campanha-sbd pele saudavel

Cirurgia Plástica

consulta

Clínica Médica

curiosidades

Curiosidades

dermatologia cuidar da-pele

Dermatologia

dor-no-pe-da-barriga-relacao-scaled

Doenças de A-Z

anti-inflamatorio-para-dor-no-joelho

Dor

educacao fisica

Educação Física

endocrinologia

Endocrinologia

farmacia

Farmácia

fisiatria

Fisiatria

peso fisioterapia triceps

Fisioterapia

gastroenterologia

Gastroenterologia

geriatria

Geriatria

gerontologia

Gerontologia

ginecologia e obstetricia

Ginecologia e Obstetrícia

infectologia

Infectologia

Medicina Esportiva

Medicina Esportiva

Neurologia

Neurologia

Notícias

Notícias

Nutrição

Nutrição

Oftalmologia

Oftalmologia

Ortopedia

Ortopedia

Pediatria

Pediatria

Psicologia

Psicologia

Psiquiatria

Psiquiatria

Radiologia

Radiologia

maos formigamento

Reumatologia

Sintomas

Sintomas de A-Z

Urologia

Urologia