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Apego Emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental

5 de outubro de 2022 by Adhila Carlos Oliveira de Espírito Deixe um comentário

Apego Emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental merece atenção quando altera sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado. O ponto não é rotular toda reação emocional, e sim reconhecer quando sofrimento persistente precisa de apoio estruturado.

Estar em relacionamento amoroso pode ser definido pelo apreço e estima no objeto de amor e na relação estabelecida.

O amor é o sentimento que permeia grande parte das relações humanas, entretanto, quando em demasia pode caracterizar sintomatologia ou etiologia semelhante a outras dependências. Nesse sentido, a dependência emocional seria o envolvimento em relacionamentos interpessoais baseados em comportamentos aditivos.

Pesquisas indicam que sentimentos amorosos utilizariam a mesma circuitaria neural que substâncias psicoativas ativando sintomas de dependência, o sistema de recompensa cerebral.

Porém, não necessariamente toda relação caracterizaria esse tipo de ímpeto.

O Apego Emocional se preocupa em estabelecer relações significativas com figuras primárias havendo qualidade nos determinantes dos relacionamentos. O processo de vinculação é de extrema importância, ainda mais se tratando de laços afetivos precoces capazes de criar uma base segura ao ser humano emocionalmente, contribuindo para o funcionamento e desenvolvimento psicológico ou de perturbações que possam indesejadamente romper relações afetivas.

O Apego tem sido considerado comumente um mecanismo básico nas relações humanas. Sendo um comportamento esperado está ligado a uma imagem que oferece respostas disponibilizando segurança para a relação. Acredita-se que as primeiras experiências relacionais de Apego criadas logo na infância influenciam a história de vida da pessoa.

Estudos revelam que o Apego é um comportamento instintivo e com potencial adaptativo. A emoção denota traço principal da comunicação entre as relações de Apego. Tal tipo de linguagem emocional possibilita regular e expressar suas emoções para o estabelecimento das interações com o outro e meio social. Analisando o ciclo vital, o Apego é um processo contínuo sendo de continuidade que se dá pela interação estabelecida dos pais e cuidadores sempre associada a algum grau de segurança.

apego emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental

Teoria do apego

A Teoria do Apego foi desenvolvida para descrever a qualidade da relação entre a criança e seu cuidador, podendo interagir a partir de 4 padrões de Apego: Seguro, Inseguro Evitativo, Inseguro Ambivalente e Desorganizado. Dentre esses, os 3 últimos perfazem relações disfuncionais, apenas o primeiro indicando um fator de proteção.

Na relação, a pessoa demandará ações procurando a aproximação certificando-se de que o outro será o mais apto para manejar as nuances do mundo adequando as necessidades de segurança.


Estilo de cuidado proferido pela Mãe

O estilo de cuidado proferido pela mãe ou cuidador nos primeiros anos de vida e até mesmo educacional derivam características sobre padrões de Apego. Outro fator relevante são as condições de nascimento, desenvolvimento cognitivo, contexto sociofamiliar, aspectos socioeconômicos, estressores familiares e suporte familiar.

A relação de Apego que se estabelece quando criança, a priori, influenciará basicamente grande parte das relações que serão construídas pelo adulto. Por isso, se faz necessário o estabelecimento de relações de Apego seguras tanto nos aspectos emocionais quanto cognitivos para que haja confiança na exploração do mundo, ajudando na organização do comportamento e desenvolvimento de competências.

Nas relações humanas, o tipo de interação que é estabelecida caracteriza o padrão de Apego formada. Gradualmente, as experiências de Apego vivenciadas de antemão são internalizadas e organizadas para funcionar como modelo de funcionamento mental, reverberando na idade adulta.

apego emocional

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais

Quando buscar apoio estruturado

Em Apego Emocional: Definindo uma Questão de Saúde Mental, a linha de cuidado aparece quando o sofrimento deixa de ser episódio isolado e passa a limitar decisões, sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado. A intensidade importa, mas duração e prejuízo funcional costumam orientar melhor a necessidade de ajuda.

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) existe a classificação do Transtorno de Apego Reativo*:

A) Um padrão consistente de comportamento inibido e emocionalmente retraído em relação ao cuidador adulto, manifestado por dois aspectos:

1. A criança rara ou minimamente busca conforto quando aflita.

2. A criança rara ou minimamente responde a medidas de conforto quando aflita.

B) Perturbação social e emocional persistente caracterizada por pelo menos dois dos seguintes aspectos:

1. Responsividade social e emocional mínima a outras pessoas.

2. Afeto positivo limitado.

3. Episódios de irritabilidade, tristeza ou temor inexplicados, evidentes até mesmo durante interações não ameaçadoras com cuidadores adultos.

C) A criança vivenciou um padrão de extremos de cuidado insuficiente evidenciado por pelo menos um dos seguintes aspectos:

1. Negligência ou privação social na forma de ausência persistente do atendimento às necessidades emocionais básicas de conforto, estimulação e afeição por parte de cuidadores adultos.

2. Mudanças repetidas de cuidadores, limitando as oportunidades de formar vínculos estáveis (p. ex., trocas frequentes de lares adotivos temporários).

3. Criação em contextos peculiares que limitam gravemente oportunidades de formar vínculos seletivos (p. ex., instituições com alta proporção de crianças por cuidador).

D) Presume-se que o cuidado do Critério C seja responsável pela perturbação comportamental do Critério A (p. ex., as perturbações do Critério A iniciam após a ausência de cuidado adequado do Critério C).

1. Não são preenchidos os critérios para transtorno do espectro autista.

2. A perturbação é evidente antes dos 5 anos de idade.

3. A criança tem uma idade de desenvolvimento mínima de 9 meses.

Especificar se: Persistente: O transtorno está presente há mais de 12 meses.

Especificar a gravidade atual: O transtorno de apego reativo é especificado como grave quando a criança exibe todos os sintomas do transtorno, e cada sintoma se manifesta em níveis relativamente elevados.

*Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.


Pessoas com Apego Seguro apresentam maior facilidade na resolução de tarefas.

Já pessoas com Apego Inseguro demonstram maiores dificuldades em termos de competência social, independência, resiliência e saúde mental, além de sintomas ansiosos, depressivos e de humor. Além do mais, pessoas com esse tipo característico mostram tendência a desenvolver uma referência negativa sobre expectativas acerca do trabalho.

Já adolescentes com Apego Inseguro tendem a se envolver em comportamentos de risco apresentando impasses em traços de regulação emocional como por exemplo, na impulsividade. Jovens com Apego Seguro na relação se beneficiam de menos estresse e mais afeto e autoestima nas interações sociais, além de habilidades interpessoais.

Associações entre Apego e Regulação Emocional tem sido estudadas pelas consequências e pequenas semelhanças. Evidências científicas relatam que indivíduos seguros em suas relações de Apego apresentam mais otimismo e menos pensamentos catastróficos, lidando com desafios de maneira construtiva e expressando suas emoções de modo estratégico. Para indivíduos seguros comunicarem os sentimentos e emoções torna-se uma experiência com menos distorções cognitivas.

A Dependência Emocional é conceituada como uma questão crônica forjada em demandas afetivas insatisfeitas que buscam por intermédio de relacionamentos interpessoais um Apego patológico. Esse comportamento ocorre em decorrência de um funcionamento internalizado e aprendido do indivíduo ao longo da vida, sendo que várias pessoas e fatores se tornaram influenciadores para tal comportamento.

A Dependência Emocional pode ser classificada em dois tipos: a Genuína, quando há o envolvimento de uma patologia que esteja relacionada a Dependência Emocional e a Mediada, pautado no comportamento adicto ou quando o outro sente a necessidade de conviver com outrem.

apego emocional

É possível ainda nomear as principais dependências afetivas dos subtipos Genuínas em: Dependência Emocional, Tendência Dependente, Apego Ansioso, Transtornos de Personalidade e etc.

Já as dependências Mediadas constituem: Codependência e Bidependência. A Codependência é caracterizada pela relação patológica entre uma pessoa não adicta com outra usuária problemática de álcool e outras drogas. Na Bidependência o indivíduo dependente estabelece relação de Apego com outras pessoas que fazem uso de substâncias ou não.

As principais características da Dependência Emocional são: ter cuidado e atenção em excesso com o outro havendo renúncia de interesses pessoais; presença de elementos que evidenciam abstinência pela ausência do parceiro ligadas a tensão muscular, taquicardia e insônia; queixa frequente da falta de atenção do companheiro; dificuldade de controle de si; raiva, mágoa, ressentimento, tristeza, solidão, desânimo e depressão.

Analisando que o Apego elucida tanto um padrão comportamental da personalidade quanto condições psicopatológicas, a dimensão emocional que constitui os modelos psicológicos de vínculos de Apego Emocional constituem conceitos teóricos essenciais ao entendimento da constituição da subjetividade humana.

terapia

Portanto, pesquisas na área do Apego ainda são um desafio e por esse motivo se faz necessário aumentar conceito teórico em detrimento das relações de Apego buscando compreender a influência de vários vínculos e de padrões funcionais internos; validar instrumentos de avaliação sistemática do Apego preferencialmente na idade adulta com objetivo de analisar como a variável altera com o passar do tempo; desenvolver novos instrumentos metodológicos com dados empíricos que auxiliem no entendimento na observação das transformações dos vínculos de Apego na vida adulta, possibilitando a verificação de sequelas; e criar conceitualizações mais complexas acerca de associações válidas.


Quadro prático: padrão, intensidade e impacto

Em saúde mental, frequência, intensidade e prejuízo na rotina ajudam a separar emoção passageira de sofrimento persistente.

DimensãoO que observarPor que importa
PadrãoQuando aparece, quanto dura e o que costuma disparar.Diferencia reação pontual de ciclo repetido.
ImpactoSono, apetite, trabalho, estudo, vínculos e autocuidado.Mostra se há prejuízo funcional.
SegurançaIsolamento, álcool/drogas, autoagressão ou pensamentos de morte.Pode exigir ajuda imediata.
  • Anote situações que pioram e aliviam.
  • Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
  • Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.

Fontes úteis

  1. Bution, D. C., & Wechsler, A. M. Dependência emocional: uma revisão sistemática da literatura. Estudos Interdisciplinares Em Psicologia, 7(1), 77-101, 2016.
  2. Dalbem, J. X., & Dell’Aglio, D. D. Teoria do apego: bases conceituais e desenvolvimento dos modelos internos de funcionamento. Arquivos brasileiros de psicologia, 57(1), 12-24, 2005.
  3. GIMENEZ, J. C. D. C. Autorregulação emocional em criança à luz da teoria do apego: uma revisão da literatura, 2021.
  4. Gomes, A. D. A., & Melchiori, L. E. A teoria do apego na produção científica contemporânea. Coleção PROPG Digital (UNESP), 2012.
  5. Gomes, V. F., & Bosa, C. A. Representações mentais de apego e percepção de práticas parentais por jovens adultas. Psicologia: Reflexão e Crítica, 23, 11-18, 2010.
  6. Kordahji H, Ben-David S, Elkana O. Attachment Anxiety Moderates the Association Between ADHD and Psychological Distress. Psychiatr Q. Dec;92(4):1711-1724, 2021.
  7. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5 (American Psychiatric Association) 5ed. Porto alegre: Artmed, 2014.
  8. Mikulincer M, Shaver PR. Attachment orientations and emotion regulation. Curr Opin Psychol. Feb;25:6-10, 2019.
  9. Mónaco E, Schoeps K, Montoya-Castilla I. Attachment Styles and Well-Being in Adolescents: How Does Emotional Development Affect This Relationship? Int J Environ Res Public Health. Jul 17;16(14):2554, 2019.
  10. Mota, C. P., & Matos, P. M. Apego, conflito e auto-estima em adolescentes de famílias intactas e divorciadas.Psicologia: reflexão e crítica, 22, 344-352, 2009.
  11. OLIVEIRA, A. S. D., CAMILO, C. N., ALMEIDA, H. M. C. D., CORRÊA, S. C. C., & COSTA, T. V. D. P. Dependência emocional: cartilha, 2021.
  12. Saur, B., Bruck, I., Antoniuk, S. A., & de Sá Riechi, T. I. J. Relação entre vínculo de apego e desenvolvimento cognitivo, linguístico e motor. Psico, 49(3), 257-265, 2018.
  13. Scheeren, P., Delatorre, M. Z., Neumann, A. P., & Wagner, A. O papel preditor dos estilos de apego na resolução do conflito conjugal. Estudos e pesquisas em psicologia. Rio de Janeiro. Vol. 15, n. 3, p.835-852, 2015.

Arquivado em: Psicologia, Psiquiatria, Sintomas de A-Z Marcados com as tags: apego emocional, saúde mental

Vida pós-pandemia: impactos emocionais e cuidado

20 de julho de 2022 by Eduarda Moro Deixe um comentário

Vida pós-pandemia: impactos emocionais e cuidado deve ser acompanhado pelo tempo de evolução, febre, intensidade dos sintomas, hidratação, falta de ar, dor forte, sinais de desidratação e grupos de maior risco. A mudança do quadro ao longo das horas ou dias orienta a urgência.

Pandemia. Termo que não tem nada de novo, principalmente agora, anos depois de ouvirmos tanto a repetição da palavra.

Nos últimos dias do ano de 2019, a Organização Mundial de Saúde[1] (OMS) era comunicada sobre os primeiros casos de um vírus do qual ainda pouco se sabia sobre. Não muito tempo depois, em 11 de março de 2020, a OMS decretava a pandemia do novo coronavírus.

Parece ser futuro de onde escrevo hoje. Pessoas tornaram-se números, compondo 32,8 milhões de infectados, cerca de 673 mil mortes no Brasil. No mundo, o total de sujeitos com covid-19 chega a mais de 550 milhões. Dentre eles, amigos, pais, irmãos, mães, tios, sobrinhas, avôs e avós… Não há quem não foi afetado pela pandemia, seja pela perda ou seja pelos efeitos posteriores que deixou em nossas vidas.

Depois de quase dois anos trancafiados em casa, a percepção da vida e do modo como vivemos parece abalada. Não concordo com quem nomeia o momento atual de “novo normal”, ao mesmo tempo em que nada parece igual ao que já foi.

Mesmo quando a rotina volta a operar nos conformes do dito horário comercial, quando a vida volta acontecer presencialmente, um desconforto misturado de desajuste social ganha expressão maior no encontro com a vida e com os outros.

O tempo não parece mais o mesmo de antes.

Falamos muito sobre as dificuldades de voltar, sem nem sabermos ao certo para o que estamos voltando e se é possível voltar, seja voltar para algo, para algum lugar ou para alguém…

O início: relembrando os primeiros tempos da pandemia

Você lembra o curso que sua vida seguia antes da pandemia? O que fazia, como organizava o dia e a noite, com quem saía? Lembra como era pegar o ônibus, ir ao bar, fazer compras no mercado?

Noto que são nas coisas mais banais e cotidianas que a vida parece ter se transformado.

Ainda me sinto confusa com a retomada integral das presencialidades. Com aquela coisa de não saber se continuamos os cumprimentos com precaução, se é possível abraçar ou não. Existe até um sentimento de culpa atrelado a estar no meio de muita gente, quando acontece.

Mas é na organização do tempo que a vida parece ter mudado mais.

Você já parou para pensar sobre como organizamos nosso dia-a-dia de acordo com o horário do comércio? O horário de acordar, almoçar, jantar. Até o horário de lazer fica restrito, por vezes, ao horário comercial – ou o pós, no caso de quem trabalha até às 18h, de segunda a sexta-feira.

A organização da vida em torno do horário de trabalho é uma coisa tão comum para nós brasileiros, que quando nos deparamos com a pandemia, e a necessidade de nos recolhermos, o movimento de viver fora desse padrão se tornou tarefa complicada.

E viver fora de um modelo de vida totalmente organizado, de acordo com um sistema, pode ser muito mais complexo do que parece.

Nos primeiros dias em casa, não era o fato de não poder sair dela que mais afligia – além, é claro, do medo iminente de ser e ter familiares contagiados com o vírus –, mas de como ordenar a vida, e continuá-la, no meio do caos que se instaurava.

Já falamos aqui sobre o vazio existencial, fenômeno pelo qual nossa existência é perpassada e que é iminente ao estado de estar vivo. Contudo, a pandemia agregou sentidos novos a esse acontecimento.

Foram vários os momentos em que me vi em meio a uma crise. Assim como, ouvi, vi e falei muito sobre o assunto com colegas e familiares que viviam o mesmo dilema.

Ver, ouvir, falar, ler e saber sobre quem morria e o quanto morriam pareceu nos colocar em posição de reflexão interna obrigatória. Aquele encontro inadiável com as coisas que vivem apenas na cabeça e que já não podiam mais.

Não podiam mais porque já não vivíamos uma vida em que se podia adiar.

Parece ser só de encontro a morte que a vida ganha expressão, valoração… E os números de vidas morrendo não paravam de aumentar. Ainda não pararam.

A hora era chegada. E dos encontros que não podemos adiar, parece ter sido o que remete a nós mesmos o que por mais tempo se postergou.

As velhas questões, que só tinham vez na agenda dos filósofos de plantão, emergem e nos fazem sentar frente a frente com nosso mundo interno. Voltamos a perguntar, a refletir, a encontrar espaço na vida para a vida em si.

Se é que é possível dizer que voltamos.

Parece ser singular o momento em que vivemos, justamente porque fazemos dele espaço para pensar no que foi antes, no que é agora e nas possibilidades do que será. É da vida que falo, sim. Pois, mesmo hoje, ainda há quem morre pelo vírus. Ainda há quem se recupera, de perdas físicas e materiais.

Mesmo quando parecemos estar seguros – depois de finalmente imunizados –, ainda há quem sofre com os impactos que o vírus espalhou. São inúmeras decorrências e efeitos que perduram em todos nós… O motivo disso sabe qual é?

É que não há como voltar. Não há para o quê voltar. Não depois de ter encontrado com nossas angústias, de termos nos percebido, finalmente. É preciso assimilar o que passou e seguir, mesmo sem saber dos motivos e dos porquês.

Tudo o que nos rodeia, nosso sistema político e econômico, o horário da vida que deve ser submetido ao comércio, tudo, absolutamente tudo parece urgente. Menos nossa existência em sua singularidade.

Em nossas vidas, no plural, não parece haver espaço para reflexões, para questões, para encontros com nós mesmos.

Vivemos de acordo, e com acordos, que foram deliberados antes de nossa chegada aqui. Exatamente por isso foi difícil estarmos sós. Ter tempo para pensar, sobre o que não é mais possível permitir que façam com a gente, é movimento que coloca em risco esses acordos. Acordos sociais que não privilegiam e não respeitam a vida única de cada indivíduo e que, portanto, nos adoecem.

Ao mesmo tempo, o novo normal nos conduz a um reencontro com uma vida de outrora. Somos passageiros de ônibus, frequentadores de barzinho, é permitido novamente aglomerar. E nós sempre fomos de aglomero. Mas não é possível voltar. Uma segunda epidemia vem aí, essa, por sua vez, de adoecimento psíquico!

Continua…


[1]https://www.paho.org/pt/covid19/historico-da-pandemia-covid-19

Resumo visual: padrão, intensidade e impacto

Em saúde mental, o mais útil é observar frequência, intensidade e prejuízo na rotina. Isso evita transformar uma emoção passageira em diagnóstico e também evita minimizar sofrimento persistente.

vida pos pandemia covid
PontoComo observarPor que ajuda
PadrãoQuando aparece, quanto dura e o que costuma disparar?Ajuda a diferenciar reação pontual de ciclo repetido.
ImpactoSono, trabalho, estudo, relações e autocuidado mudaram?Mostra se o problema está afetando funcionamento real.
ApoioHá risco, isolamento, uso de álcool/drogas ou pensamentos de morte?Indica necessidade de ajuda imediata.
  • Anote situações que pioram e aliviam.
  • Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
  • Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.

Como acompanhar a evolução

Em Vida pós-pandemia: impactos emocionais e cuidado, a evolução costuma ser tão importante quanto o sintoma inicial. Febre persistente, piora rápida, falta de ar, sonolência incomum, desidratação, dor intensa, manchas na pele ou queda do estado geral mudam a margem de espera.

MarcadorO que observar
Tempo de febreAjuda a diferenciar quadro autolimitado de infecção que precisa avaliação.
Respiração e hidrataçãoFalta de ar e pouca urina reduzem segurança de observar em casa.
Dor localizadaPode apontar foco específico de infecção ou complicação.
Grupo de riscoCrianças pequenas, gestantes, idosos e imunossuprimidos exigem menor espera.

Não use antibiótico antigo ou de outra pessoa para tentar encurtar sintomas. Antibiótico errado pode atrasar diagnóstico, causar efeitos adversos e dificultar tratamento futuro.

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

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