Sobre Ansiedade dá calafrio? Entenda o sintoma: observe duração, intensidade e prejuízo na rotina, não apenas um dia ruim. Sono, apetite, energia, concentração, uso de álcool, remédios e pensamentos de morte mudam a urgência. Sofrimento persistente ou risco de autoagressão pede ajuda imediata.
A ANSIEDADE está relacionada ao medo, que é um estado de alarme automático caracterizado por uma resposta de luta ou fuga a um perigo iminente que a pessoa percebe ao seu redor. A ansiedade manifesta-se também como um estado de humor focado no futuro, envolvendo um complexo sistema de resposta cognitiva, fisiológica, afetiva e comportamental, que estão relacionadas a eventos ameaçadores.
A ansiedade é um distúrbio comum na população em geral. Existem vários tipos de ansiedade, como a fobia específica, o transtorno de ansiedade social, transtorno do pânico, agorafobia e o transtorno de ansiedade generalizada.
Estudos já comprovaram que a amígdala desempenha um importante papel na moderação da ansiedade. Pessoas com transtornos de ansiedade mostraram uma resposta aumentada da amígdala a sinais de ansiedade.
As estruturas da amígdala e do sistema límbico estão ligadas às regiões do córtex pré-frontal, e as anormalidades da ativação entre essas estruturas podem ser revertidas com intervenções farmacológicas ou psicológicas.
Causas
A ansiedade pode ser causada por uma interação de fatores biopsicossociais. A predisposição genética interage com fatores ambientais que irão produzir sintomas clinicamente significativos.
Dentre as diversas causas de ansiedade, estão: medicamentos; abuso de substâncias; situações estressantes ou traumáticas; experiências na infância e transtornos do pânico.
Sintomas

Se você sofre com ansiedade, provavelmente já conhece os sintomas emocionais que estão associados a isso. Medo irracional, dificuldade em se concentrar, preocupações, nervosismo, dificuldades para dormir, entre outros sintomas. No entanto, a ansiedade também manifesta sintomas físicos, como falta de ar, tontura, sudorese, náuseas, dor no estômago, boca seca e calafrios.
O calafrio é uma resposta involuntária do corpo, ou seja, a pessoa não consegue controlar. O tremor faz os músculos se contraírem e relaxarem, buscando alterar a sensação da temperatura do corpo, sendo um mecanismo que o corpo utiliza para gerar mais calor em situações de frio. Essa sensação é um sintoma físico comum da ansiedade, acompanhada de tremores, indicando a chegada de uma crise.
Durante a ansiedade, o corpo diminui a sua temperatura interna e depois aumenta drasticamente durante o modo de luta e fuga. Essa redução é o que contribui para a sensação de tremores e calafrios. O corpo ajusta-se ao frio, permitindo que depois a pessoa se sinta normal novamente.

Em crises de ansiedade, é comum também o indivíduo suar e a transpiração projetada para resfriar o corpo contribui para o aparecimento dos calafrios, como resultado desse suor.
O mecanismo de hiperventilação, ou seja, o processo de respirar muito é rapidamente desencadeado pelo estresse e ansiedade.
Quando o indivíduo está hiperventilando, o organismo luta para mover sangue, resultando em uma temperatura mais reduzida, provocando consequentemente em sensação de frio ou calafrios, até que o organismo se ajuste à temperatura normal.
Então, quando uma pessoa está com ansiedade, a regulação da temperatura do corpo pode promover e prevenir a perda de calor. Por isso, acontece a sensação de calafrios, conforme também mostra uma pesquisa realizada por Fischer e colaboradores publicada no periódico Frontiers in Physiology, que explica os mecanismos de termosensação e termorregulação em transtornos de ansiedade.
Dicas para aliviar a ansiedade
Se a sua ansiedade não estiver relacionada a uma verdadeira situação de perigo, você pode colocar em prática algumas dicas que o ajudarão a controlá-la e, consequentemente, controlar os calafrios associados.
Quando você sentir que a ansiedade quer tomar conta de você, procure se concentrar no presente, vivendo um dia de cada vez. Tente entender que não adianta se preocupar excessivamente com coisas que ainda nem aconteceram e que, muitas vezes, podem nem acontecer.
Distraia a mente com atividades que você gosta de fazer.
Faça exercícios de respiração diafragmática. Nesse tipo de exercício, o diafragma se contrai durante a inspiração, descendo dentro da cavidade abdominal e estimulando o sistema nervoso parassimpático a relaxar. Pesquise por esses exercícios na internet, pois existem vários vídeos explicativos de como podem ser realizados.

Faça exercícios físicos regularmente e adote uma dieta equilibrada e saudável. Durma o suficiente. Experimente meditação, ioga ou aromaterapia, que são que podem ajudar você a relaxar e sentir bem-estar, aliviando os sintomas da ansiedade.
Quando é necessário consultar um médico
Se os sintomas da ansiedade estiverem intensos a ponto de interferirem na sua qualidade de vida, afetando suas atividades do dia a dia, você deve consultar um médico.
Em casos de ansiedade crônica, procure um médico para a realização de um check-up completo. Ele poderá encaminhá-lo para profissionais que cuidam da saúde mental, que o ajudarão a identificar seus gatilhos estressores e controlar melhor os sintomas da ansiedade.
Quando o calafrio combina com ansiedade
Durante ansiedade intensa ou crise de pânico, o corpo ativa respostas de alerta: adrenalina, respiração mais rápida, tensão muscular e mudança na circulação periférica. Isso pode provocar tremores, suor frio, sensação de calor ou frio, formigamentos e calafrios. O sintoma é real, mesmo quando a origem é emocional. Ainda assim, calafrio também pode ocorrer em febre, infecções, hipoglicemia, alterações hormonais, abstinência ou efeitos de medicamentos.
| Mais compatível com ansiedade | Investigar outras causas |
|---|---|
| Surge com medo intenso, palpitação e falta de ar | Vem com febre, dor localizada ou piora progressiva |
| Dura minutos e melhora ao respirar e se acalmar | Persiste por horas ou volta sem gatilho claro |
| Já ocorreu em crises parecidas | Aparece pela primeira vez com desmaio ou dor no peito |
O que fazer durante a crise
- Nomeie o sintoma: “isso parece uma resposta de ansiedade”.
- Respire mais devagar, sem forçar inspiração profunda repetidamente.
- Encoste os pés no chão e descreva cinco coisas que você vê ao redor.
- Procure ajuda profissional se as crises se repetem ou limitam sua rotina.
Procure urgência se calafrio vier com dor no peito, falta de ar importante, confusão, febre alta, rigidez de nuca, desmaio ou fraqueza em um lado do corpo.
O que observar além do rótulo
Sofrimento psíquico merece cuidado quando passa a limitar escolhas ou aumentar risco. Para Ansiedade dá calafrio? Entenda o sintoma, isso significa olhar para a situação concreta: quem é a pessoa, há quanto tempo a dúvida existe, o que já foi tentado e quais sinais mudariam a conduta hoje.
| Sinal | O que observar |
|---|---|
| Duração | Persistência por dias ou semanas muda a leitura. |
| Prejuízo | Trabalho, estudo, sono e relações mostram gravidade funcional. |
| Risco | Ideias de morte ou autoagressão exigem ajuda imediata. |
| Substâncias | Álcool e drogas podem piorar ou confundir sintomas. |
| Evite concluir | Prefira observar |
|---|---|
| “É só força de vontade” | Duração, prejuízo e risco. |
| “Todo sintoma é transtorno” | Contexto, sono, substâncias e eventos recentes. |
| “Posso esperar se há risco” | Ideias de morte exigem ajuda imediata. |
Procure apoio imediatamente se houver risco de autoagressão, sensação de perda de controle, confusão, uso pesado de álcool ou drogas, ou incapacidade de realizar cuidados básicos.
O acompanhamento fica mais útil quando há um critério claro de melhora, um sinal de piora e um prazo para reavaliar a decisão.
Fonte: NIMH: mental health information.
Referências:
ADWAS, A. A. et al. Anxiety: Insights into signs, symptoms, etiology, pathophysiology and treatment. East African Scholars Journal of Medical Sciences, v. 2, n. 10, p. 580-591. 2019.
CHAND, S. P.; MARWAHA, R. Anxiety. National Library of Medicine. StatPearls. 2022.
FISCHER, S. et al. A systematic review of thermosensation and thermoregulation in anxiety disorders. Frontiers in Physiology, v. 12, p. 1-8. 2021.
SANTOS, G. R. Respiração em psicoterapia corporal: teorias e técnicas para uma prática integrativa. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Psicologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.
Fontes úteis
Atualizado em 15/05/2026 com sinais de alerta e explicação fisiológica. Leituras usadas na atualização: NIMH, NIMH sintomas de pânico e NIH MedlinePlus Magazine.









































