O peso pode aumentar durante o uso de Mesigyna, mas isso não acontece com todas as mulheres. Um estudo latino-americano incluiu 534 mulheres que começaram a usar essa injeção mensal. Entre as participantes avaliadas após um ano, o ganho médio observado foi de aproximadamente 1 kg. Essa média não diz quanto uma pessoa ganhará nem quanto da variação foi causado pelo anticoncepcional.
A bula profissional brasileira inclui o aumento de peso entre as reações mais relatadas por quem usa Mesigyna. A retenção de líquido é outra possibilidade descrita para contraceptivos hormonais. São observações diferentes. Uma mudança na balança, por si só, não revela se houve aumento de gordura. No caso de inchaço, os anéis podem ficar mais apertados, por exemplo.
Quanto o peso mudou nos estudos com a própria Mesigyna?
O estudo latino-americano acompanhou mulheres que receberam uma formulação com os mesmos dois hormônios e nas mesmas quantidades da Mesigyna vendida no Brasil. A média de 1,02 kg após um ano descreve a diferença entre o peso das usuárias ao longo do acompanhamento. Faltou um grupo semelhante usando um método sem hormônios para mostrar quanto o peso teria mudado no mesmo período sem a injeção.
Em um ensaio na China, o grupo que recebeu Mesigyna apresentou aumento médio de 0,73 kg depois de um ano. A comparação foi com outros dois injetáveis hormonais. Já um estudo no Egito, com 2.252 participantes distribuídas entre Mesigyna e outro injetável mensal, observou ganho médio de 0,33 kg por mês nos dois grupos. As populações e as comparações eram diferentes. Por isso, nenhum desses números funciona como previsão ou limite de ganho para uma pessoa.
Os estudos mediram quantos quilos o peso do grupo variou. Já uma lista de reações adversas informa quais sintomas foram relatados. A tabela da bula para pacientes que apresenta frequências detalhadas, por exemplo, traz relatos de usuárias de pílulas. Ela não fornece uma porcentagem específica de mulheres que ganharão peso por causa da Mesigyna.

O que a balança mostra quando a mudança aparece em poucos dias?
O peso inclui a água do corpo e o conteúdo do intestino. Uma refeição mais salgada, uma pesagem depois do almoço ou alguns dias de intestino preso podem alterar o número em relação a uma pesagem feita de manhã. Assim, uma diferença percebida logo depois da primeira aplicação não basta para identificar ganho de gordura ou uma reação à injeção.
| O que você percebeu | O que pode explicar | Como interpretar |
|---|---|---|
| O peso sobe e desce em poucos dias | A hora da pesagem, a quantidade de líquidos e o funcionamento do intestino podem explicar parte da diferença. | Duas medidas feitas na mesma balança e em condições parecidas são mais fáceis de comparar. |
| A roupa aperta ou a medida da cintura muda | A fita e a balança medem coisas diferentes. Nenhuma das duas, isoladamente, identifica o efeito da injeção. | Se a mudança persiste ou incomoda, é razoável discutir o que mais mudou desde o início das aplicações. |
| O peso sobe ao longo de vários meses | A tendência merece atenção mesmo quando o aumento é diferente da média observada nos estudos. | A avaliação pode incluir sintomas, medicamentos em uso e a possibilidade de outro método, conforme sua preferência. |
Se o peso já estava subindo antes da primeira aplicação, a injeção não explica o início dessa mudança. Se a tendência apareceu depois, importa saber, por exemplo, se outro medicamento foi iniciado ao mesmo tempo. Apetite, sono, atividade física e mudanças de rotina também podem entrar nessa conversa, sem presumir que sejam a explicação. Se já houver medidas de peso anteriores em prontuário ou em casa, elas dão uma referência. A avaliação não depende de começar a se pesar todos os dias.
Se o receio de engordar estiver levando a pular refeições ou a evitar um método de que você gosta, é possível discutir outra opção contraceptiva sem precisar primeiro emagrecer ou demonstrar que os hormônios causaram a mudança.

O que diferencia a Mesigyna da pílula e da injeção trimestral?
Mesigyna combina um estrogênio, o valerato de estradiol, e um progestagênio, o enantato de noretisterona. Cada 1 mL da solução contém 5 mg do primeiro e 50 mg do segundo. A combinação impede principalmente a liberação do óvulo. A aplicação é intramuscular e feita por profissional treinado. Para quem prefere não tomar um comprimido por dia, a conveniência depende de conseguir voltar para as aplicações mensais.
A injeção trimestral de acetato de medroxiprogesterona contém apenas um progestagênio. Estudos sobre variação de peso com essa injeção não fornecem uma estimativa para Mesigyna. A mesma cautela vale para as pílulas combinadas e para o adesivo. A revisão Cochrane mais citada sobre peso e contraceptivos combinados examinou sobretudo pílulas. Os estudos de pílula e adesivo comparados a placebo ou à ausência de intervenção não estabeleceram uma relação causal e não avaliaram diretamente a injeção mensal.
Sangramento, dor nas mamas e outros efeitos durante o uso
Pequenos sangramentos entre as aplicações podem ocorrer nos primeiros meses. Algumas mulheres passam a ter um sangramento mais previsível, outras têm escapes. No estudo latino-americano, alterações do sangramento foram um dos motivos para interromper o método. Sangramento intenso, persistente, acompanhado de dor importante ou que voltou depois de meses de uso estável merece avaliação. Se a queixa principal for cólica menstrual, a intensidade e o momento em que aparece também ajudam a decidir se há outra causa a investigar.
Dor ou sensibilidade nas mamas, náusea, dor de cabeça e alterações de humor estão entre os efeitos descritos na bula. Um sangramento fora do dia habitual não comprova falha do método. Por outro lado, se não houver sangramento nos 30 dias posteriores à aplicação, a bula orienta excluir gravidez por meio de teste adequado. Essa investigação é especialmente importante quando houve atraso ou suspeita de gravidez durante o uso do anticoncepcional.
Em quais situações é preciso rever o método?
O estrogênio muda a escolha quando há antecedentes de trombose, embolia pulmonar, AVC ou enxaqueca com aura. A aura pode provocar alterações visuais ou de sensibilidade associadas às crises. Ela é diferente da dor de cabeça comum. Sintomas súbitos ou inéditos, como perda da fala, diminuição de força em um lado do corpo, falta de ar ou dor no peito, exigem atendimento de emergência. Dor ou inchaço novo em apenas uma perna requer avaliação urgente por possível trombose, mesmo sem mudança no peso total.
Pressão alta, tabagismo a partir dos 35 anos, doença do fígado, câncer de mama atual e sangramento vaginal sem explicação também podem mudar a indicação. No diabetes, por exemplo, importa se já houve lesão de vasos sanguíneos. No lúpus, a presença de certos anticorpos associados à trombose muda a avaliação. Essas diferenças ajudam a decidir se um método sem estrogênio é mais seguro. Alguns medicamentos para epilepsia e a rifampicina, usada contra tuberculose, também podem reduzir a eficácia do anticoncepcional. Quem usa esses tratamentos pode precisar de outra forma de proteção, mesmo com aplicações em dia.
O que acontece se a aplicação atrasar?
As doses de manutenção estão previstas a cada 30 dias. A bula brasileira aceita intervalo de 27 a 33 dias após a última aplicação, independentemente de quando veio o sangramento. Essa janela vale para a dose seguinte. Para iniciar o método ou trocar de outro anticoncepcional, a data depende do ponto do ciclo e do método usado até então.
Se já passaram mais de 33 dias, a bula orienta usar proteção adicional, como preservativo, e procurar o serviço para avaliar a reaplicação. Se houve relação sem preservativo no período de atraso, a data da relação ajuda a definir se ainda cabe contracepção de emergência. A avaliação deve ser feita o quanto antes, pois as opções têm prazo de uso. Um teste feito logo depois da relação não exclui uma gravidez decorrente dela.
Se a mudança de peso incomoda a ponto de querer interromper a Mesigyna, a troca pode ser combinada antes de vencer a próxima aplicação para evitar um intervalo sem cobertura. A injeção não protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Para essa finalidade, o preservativo continua tendo utilidade mesmo com as injeções em dia.
Referências
- Mesigyna — bula para pacientes da Bayer (cópia em PDF)
- Mesigyna — bula profissional da Bayer (cópia em PDF)
- Anvisa — consulta de bulas de medicamentos
- Estudo de Mesigyna em 534 mulheres na América Latina
- Ensaio comparativo de três injetáveis mensais na China
- Ensaio comparativo de Mesigyna e Cyclofem no Egito
- Seguimento de três anos com enantato de noretisterona e valerato de estradiol
- Cochrane — pílulas combinadas, adesivos e variação de peso
- OMS — critérios de elegibilidade para contraceptivos hormonais combinados, incluindo injetáveis
- OMS — contracepção de emergência





