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Vacina da gripe: reações comuns e alertas

29 de maio de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Dor no braço, vermelhidão, pequeno inchaço, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, febre baixa ou náusea podem aparecer depois da vacina da gripe. Em geral, começam nas primeiras horas e melhoram em um ou dois dias. Reação alérgica súbita, febre alta persistente ou piora progressiva não seguem esse padrão e exigem outra conduta.

A relação com o tempo é a pista mais útil: uma reação esperada surge perto da aplicação e perde intensidade; uma infecção respiratória coincidente tende a trazer tosse, coriza, dor de garganta ou piora do estado geral. O informe técnico do Ministério da Saúde descreve as reações locais como autolimitadas em até 48 horas e as manifestações sistêmicas como geralmente resolvidas em um a dois dias.

Reações esperadas

Mão com luva segurando uma seringa

A vacina ativa uma resposta imune contra componentes do vírus influenza. Parte dessa resposta ocorre no músculo e nos tecidos ao redor da injeção; outra parte pode produzir sintomas gerais leves. Ter poucos sintomas — ou nenhum — não significa que a vacina falhou, e sentir mal-estar não prova que ela “deu gripe”.

O que apareceLeitura prática
Dor, vermelhidão ou pequeno inchaço no braçoÉ o padrão local mais comum. Deve perder intensidade, não aumentar continuamente.
Cansaço, dor de cabeça, dor muscular, febre baixa ou náuseaPode ocorrer nas primeiras horas. O esperado é melhora em um ou dois dias.
Tontura ou desmaio logo após a injeçãoPode ser uma reação ao procedimento e à agulha. A pessoa deve permanecer deitada ou sentada e ser observada até recuperar-se.
Tosse, coriza, espirros ou dor de gargantaNão são o padrão típico da vacina injetável. Podem indicar uma infecção que já estava incubando ou começou por coincidência.
O sentido do sintoma depende do momento em que começou e de como evolui.

Dor e inchaço no braço

Curativo sendo colocado no braço após vacinação

A dor costuma ficar concentrada ao redor do ponto da injeção. Também podem ocorrer sensibilidade ao toque, vermelhidão, endurecimento discreto ou coceira local. Isso é diferente de um braço que fica cada vez mais quente, muito inchado, intensamente doloroso ou com secreção, situação em que é preciso examinar se existe uma reação local importante, infecção secundária ou outro problema.

Não é necessário imobilizar o membro. Movimentos habituais, sem forçar uma atividade que aumente muito a dor, ajudam a manter o conforto. Uma compressa fria pode aliviar a sensibilidade; produtos irritantes, fricção vigorosa e manipulação repetida do local tendem a piorar o incômodo.

  • Observe a borda da vermelhidão: a área deve estabilizar e diminuir, não avançar continuamente.
  • Compare função e dor: sensibilidade ao levantar o braço é comum; incapacidade importante, fraqueza ou dor que piora a cada hora não é o padrão esperado.
  • Registre uma foto se a área aumentar: a comparação ajuda a mostrar a evolução em uma avaliação.

Febre, cansaço e náusea

Vacina sendo aplicada no braço

Mal-estar, fadiga, dor no corpo, cefaleia, febre baixa e náusea podem ocorrer depois da aplicação. O informe brasileiro relata que essas manifestações gerais costumam começar entre 6 e 12 horas e se resolver em um a dois dias. A temperatura medida, o horário de início e a tendência de melhora são mais informativos do que a impressão isolada de “estar febril”.

Durante esse período, priorize hidratação conforme a sede, alimentação tolerada e sono. Se dor ou febre interferirem muito nas atividades, a escolha de um analgésico ou antitérmico precisa considerar idade, gestação, doença renal ou hepática, alergias, anticoagulantes e outros medicamentos. Isso evita transformar uma reação curta em um problema causado por automedicação inadequada.

Febre alta, febre que persiste, vômitos repetidos, desidratação, confusão ou prostração importante não devem ser atribuídos automaticamente à vacina. Nesses casos, é preciso avaliar infecção ou outra causa. O mesmo vale para sintomas que melhoram e depois voltam mais intensos.

A vacina pode causar gripe?

Não. A vacina injetável usada na campanha pública brasileira é inativada: o material viral não consegue produzir uma infecção por influenza. Vacinas nasais disponíveis em alguns países ou serviços usam vírus atenuados, modificados para não causar gripe. O CDC resume essa diferença entre as formulações.

É possível adoecer pouco depois da vacinação. Entre os motivos estão: a pessoa já estar incubando influenza ou outro vírus; ter sido exposta antes de a proteção imune se desenvolver; ou contrair uma cepa não coberta de forma suficiente naquela temporada. Por isso, tosse, coriza, dor de garganta e febre progressiva devem ser lidas como um possível quadro respiratório, não como prova de que a vacina causou gripe. Veja também como se organiza o tratamento dos sintomas de gripe.

PadrãoO que sugere
Começa no mesmo dia, com dor no braço e mal-estar leve, e melhoraReação vacinal esperada é mais provável.
Tosse, coriza ou dor de garganta predominam e progridemInfecção respiratória coincidente é mais provável.
Febre alta ou estado geral piorando depois do período inicialPrecisa de avaliação; não é seguro presumir que seja apenas a vacina.
Sintomas alérgicos súbitosNão correspondem a uma reação leve; os sinais de emergência estão descritos na seção seguinte.
A evolução separa melhor os quadros do que um sintoma isolado.

Alergia e sinais de emergência

Uma reação alérgica grave é rara e costuma surgir em minutos ou poucas horas. Ela é diferente de dor no braço ou febre baixa.

Procure atendimento de emergência diante de dificuldade para respirar, chiado ou rouquidão súbita, inchaço de lábios, língua, face ou garganta, urticária disseminada, palidez intensa, fraqueza abrupta ou tontura com sinais de colapso.

Alergia a ovo não é uma proibição automática para a vacina da gripe. Nos Estados Unidos, a orientação do CDC não recomenda precauções extras apenas por alergia a ovo, independentemente da gravidade anterior. No Brasil, a instrução do Calendário Nacional de Vacinação 2026 mantém uma precaução quando a ingestão de ovo já provocou sinais graves de anafilaxia: a vacinação deve ocorrer em ambiente preparado para reconhecer e tratar uma reação alérgica grave. Informe ao serviço o que aconteceu e qual foi a gravidade. Anafilaxia após uma dose anterior ou a outro componente da vacina exige avaliação antes de nova dose.

Precauções antes da dose

O informe brasileiro de 2026 orienta avaliação especializada para quem teve anafilaxia grave após dose anterior. Uma doença aguda moderada ou grave, especialmente com febre, pode justificar adiar a vacinação até melhora; um resfriado leve, por si só, não deve ser confundido com essa situação.

  • Informe reação grave a uma dose anterior e, se souber, o nome da vacina e o componente suspeito.
  • Relate síndrome de Guillain-Barré anterior, especialmente se ela começou até 42 dias após uma dose de vacina contra influenza; esse histórico pede avaliação individual de risco-benefício antes de nova dose.
  • Avise se está com doença febril importante no dia da aplicação.
  • Leve a caderneta para conferir formulação, data e necessidade de dose conforme idade e histórico.

Não existe uma lista genérica de medicamentos que “interagem” com a vacina como se ela fosse um comprimido. Imunossupressores podem reduzir a resposta imune e algumas condições mudam a escolha da formulação ou o momento da aplicação; isso exige conferir o tratamento concreto, e não suspender remédios por conta própria.

Gestação, diabetes, asma, doença cardíaca e idade avançada não são, por si, motivos para evitar a vacina inativada; vários desses contextos aumentam o risco de complicações da influenza e entram entre as prioridades de vacinação. Quando existe imunossupressão, o ponto principal costuma ser o momento e a resposta esperada, não o risco de a vacina inativada se transformar em gripe.

Eventos raros e notificação

O Ministério da Saúde usa o termo Evento Supostamente Atribuível à Vacinação ou Imunização (ESAVI) para uma ocorrência observada depois da vacina. “Depois” não significa automaticamente “causado por”: a relação precisa ser investigada. Eventos graves, raros ou inesperados devem ser avaliados e notificados pelos fluxos de vigilância. A página de segurança das vacinas do Ministério da Saúde explica esse processo.

A síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica que pode causar formigamento e fraqueza ascendente, é muito rara após vacinação contra influenza. A própria infecção por influenza também está associada à síndrome, e uma revisão sistemática encontrou evidência limitada e heterogênea para estimar o risco vacinal. Fraqueza que progride, dificuldade para caminhar ou alteração respiratória dias ou semanas após qualquer infecção ou vacinação requer avaliação rápida.

O que registrar

Um registro curto permite separar uma reação esperada de um quadro que merece investigação:

  1. data, horário, local e nome da vacina, se disponível;
  2. hora em que cada sintoma começou;
  3. temperatura medida, extensão da vermelhidão e impacto nas atividades;
  4. se os sintomas estão melhorando, estáveis ou piorando;
  5. medicamentos usados e resposta obtida;
  6. contato recente com pessoas gripadas ou presença de tosse, coriza e dor de garganta.

Dúvidas frequentes

Posso trabalhar ou me exercitar depois?

Se você está bem, não há obrigação de repouso. Dor local pode pedir redução temporária de exercícios que sobrecarreguem o braço. Febre, tontura ou mal-estar são motivos para interromper treino intenso até a recuperação.

Uma reação leve impede a vacina no ano seguinte?

Em geral, dor local, febre baixa ou cansaço breve não contraindicam doses futuras. Anafilaxia, evento neurológico ou outra reação grave precisa ser esclarecida antes da próxima vacinação.

Não tive reação. A vacina funcionou?

A ausência de sintomas não mede a proteção. A resposta imune não precisa produzir dor ou febre perceptível. A efetividade também varia conforme idade, condição de saúde e correspondência entre as cepas da vacina e as que circulam na temporada.

Fontes

  • Ministério da Saúde: Estratégia de vacinação contra a influenza, 2026.
  • Ministério da Saúde: Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, 2026.
  • Ministério da Saúde: Segurança das vacinas e ESAVI.
  • CDC: Flu Vaccine Safety.
  • CDC: Flu Vaccines and People with Egg Allergies.
  • Organização Mundial da Saúde: Vaccines against influenza — position paper, 2022.
  • Sanz Fadrique R et al. Guillain-Barré syndrome and influenza vaccines: current evidence, 2019.
  • Cochrane: Vaccines to prevent influenza in healthy adults, 2018.

Arquivado em: Infectologia

Agomelatina (Valdoxan): benefícios e cuidados

29 de maio de 2022 by Priscila Beraldo

A agomelatina é um antidepressivo indicado para o transtorno depressivo maior e o transtorno de ansiedade generalizada em adultos, com atenção especial à função do fígado. A decisão não deve ser baseada apenas em sono ou novidade: histórico hepático, álcool, outros remédios, piora do humor e monitorização laboratorial mudam segurança e escolha terapêutica.

A agomelatina (Valdoxan®) é um antidepressivo desenvolvido pela farmacêutica Servier, aprovado na Europa em 2009 e comercializado em diversos países com nomes comerciais distintos; no Brasil, é conhecida comercialmente como Valdoxan®.

A agomelatina é um fármaco antidepressivo, utilizado no tratamento do transtorno depressivo maior e do transtorno de ansiedade generalizada em adultos, incluindo quadros em que a insônia é sintoma importante[1].

Resumo

  • A agomelatina é um antidepressivo aprovado para o transtorno depressivo maior e o transtorno de ansiedade generalizada em adultos.
  • A agomelatina estimula os receptores de melatonina MT1 e MT2 e bloqueia o receptor de serotonina 5-HT2C.
  • A agomelatina é eficaz no tratamento do transtorno depressivo maior e do transtorno de ansiedade generalizada em adultos.
  • A agomelatina pode causar efeitos colaterais, e sua tolerabilidade varia de pessoa para pessoa.
  • Constatou-se que a agomelatina é benéfica no tratamento de pacientes que não responderam a outros medicamentos antidepressivos.

Como a agomelatina age no corpo?

cerebro e antidepressivo

A depressão é um transtorno psiquiátrico associado com sintomas que geralmente incluem tristeza profunda, sentimentos de inutilidade, perda de interesse em atividades favoritas, distúrbios do sono, uma sensação de estar mais lento, sentimentos de ansiedade e alterações no peso

Existem várias hipóteses neurológicas para explicar o desenvolvimento da depressão e dentre elas a mais utilizada para o desenvolvimento de medicamentos eficazes é a hipótese monoaminérgica[2].

Essencialmente, essa hipótese coloca que a depressão é fruto de um desbalanço neuroquímico dos níveis e atividades desses diferentes neurotransmissores, produzindo uma melhoria substancial dos sintomas apresentados na depressão. Esse desbalanço neuroquímico associado com outras alterações estruturais em partes diferentes do cérebro podem causar desbalanços em centros responsáveis pela regulação do sono.

Um dos principais neurotransmissores relacionados com a balança do ciclo sono-vigília, ou seja, ciclo responsável por regular as fases em que estamos acordados e que estamos dormindo, é a Melatonina.

Tabela: Como a Agomelatina funciona?

MecanismoDescrição
Antagonista do receptor 5-HT2CA agomelatina bloqueia o receptor de serotonina 5-HT2C; ela não é um inibidor da recaptação de serotonina.
Agonista do Receptor de MelatoninaA agomelatina é um agonista do receptor de melatonina, o que significa que se liga aos receptores de melatonina no cérebro e pode ajudar a regular o ciclo sono-vigília do corpo.
Modulador de neurotransmissorA agomelatina é um modulador de neurotransmissores, o que significa que pode ajudar a regular os níveis de outros neurotransmissores, como dopamina e norepinefrina.

A depressão é capaz de diminuir drasticamente os níveis e atividades da melatonina, sendo assim um dos responsáveis pelos sintomas de insônia ou sonolência excessiva que são relatados por diversos pacientes na depressão.

Mas o que isso tem a ver com a agomelatina? Tudo! Pois seu principal mecanismo de ação é justamente atuar como agonista dos receptores de melatonina, aumentando a atividade de receptores de melatonina, revertendo esse desbalanço dos reguladores do sono e promove uma melhoria substancial na quantidade e qualidade do sono.

Essa melhoria do sono é crucial para a melhoria do transtorno depressivo uma vez que a ressincronização desses ritmos circadianos auxilia na produção de fatores que são benéficos para o cérebro, bem como melhoram os sintomas de fadiga e cansaço excessivo.

Tabela: Indicações da Agomelatina

IndicaçãoDescrição
DepressãoA agomelatina é usada para tratar transtorno depressivo maior em adultos.
Distúrbios do sonoA agomelatina pode ajudar a melhorar os padrões de sono em pessoas com depressão, mas não é indicada isoladamente para distúrbios do sono.
Transtornos de ansiedadeA agomelatina é indicada para o transtorno de ansiedade generalizada em adultos. Não há indicação aprovada para transtorno de ansiedade social.
Transtorno Afetivo SazonalNão é indicação aprovada da agomelatina na bula brasileira.
Depressão pós-partoNão é indicação aprovada da agomelatina na bula brasileira.
Transtorno disfórico pré-menstrualNão é indicação aprovada da agomelatina na bula brasileira.

Quais são os Efeitos Colaterais da agomelatina?

medicamento antidepressivo

Como todos os medicamentos, agomelatina também pode causar efeitos colaterais, no entanto estes efeitos não se manifestam em todas as pessoas. A maioria dos efeitos colaterais ocasionados por este antidepressivo são caracterizados como moderados e ocorrem geralmente durante as duas primeiras semanas de tratamento, ou seja, efeitos chamados de transitórios, até completa adaptação ao medicamento.

Dentre os efeitos colaterais mais comuns, com o uso da agomelatina temos: náuseas (enjoo), vômitos, dores de cabeça e sonolência, enxaqueca, prisão de ventre, cansaço, excesso de transpiração (hiperhidrose). Já os efeitos menos frequentes são visão turva, inflamação na pele (eczema), inquietação, irritabilidade, agressividade.

Os efeitos colaterais mais frequentes da agomelatina são dor de cabeça, náusea, tontura, sonolência, fadiga, boca seca e constipação. Pensamentos ou comportamentos suicidas estão entre as reações incomuns e exigem atenção: se surgirem ideias de se machucar ou de tirar a própria vida, ou se o humor piorar de forma relevante, procure ajuda médica imediatamente.

A sonolência é um efeito colateral comum da agomelatina.

Lembrando que, se algum dos efeitos colaterais se agravar com o uso do medicamento ou se for detectado qualquer outro efeito colateral não mencionado em bula, informe seu médico ou farmacêutico.

Quando não devo usar este medicamento?

A agomelatina é contraindicada em pessoas com disfunção hepática.
Também é contraindicada em uso concomitante com fluvoxamina ou ciprofloxacina.

Precauções para gestantes

SituaçãoAdvertências da agomelatina
Mulheres planejando a gravidezQuem planeja engravidar deve conversar com o médico para avaliação individual do uso da agomelatina.
GrávidasEvite usar Agomelatina
Mães que amamentamA decisão entre interromper o aleitamento ou abster-se ou interromper a agomelatina deve considerar os benefícios para a criança e para a mulher.

Recomendações durante o uso do Valdoxan®

medicamento remedio antidepressivo

É recomendável evitar o uso de álcool em conjunto com a medicação, porque o metabolismo depende do fígado.

Não é recomendada para uso em pacientes infantis ou adolescentes abaixo de 18 anos, principalmente por existirem poucos dados sobre a eficácia e a segurança nessa população. A exceção prevista em bula é para adolescentes de 12 a 17 anos com episódios depressivos moderados a graves, quando a resposta à psicoterapia isolada foi insuficiente e o uso é combinado com psicoterapia.

Gravidez e Aleitamento

Se estiver grávida ou planeja engravidar durante o uso da agomelatina, informe seu médico para que a situação seja avaliada caso a caso, pois os estudos em gestantes são poucos para calcular eficácia e segurança nessa população.

Durante a amamentação, converse com seu médico sobre o período de aleitamento. A decisão entre continuar o tratamento com agomelatina e manter a amamentação deve ser tomada em conjunto, considerando os benefícios para a criança e para a mulher.

Dose e apresentações da agomelatina

A dose vai de 25 mg a 50 mg. A função hepática deve ser avaliada antes de iniciar o tratamento, após aumento de dose e em intervalos definidos durante o seguimento, não apenas quando se usa a dose máxima.

DosagemFrequência
25 mgUma vez por dia
50 mgUma vez por dia

Quanto custa a agomelatina?

O preço do medicamento Valdoxan® varia entre R$140,00 a R$300,00

Desmame da agomelatina

sistema nervoso cerebro neurotransmissores

Diferente de outros antidepressivos, a agomelatina tem baixo potencial de síndrome de retirada, também chamada síndrome de descontinuação, que pode ocorrer ao interromper o tratamento.

A bula da agomelatina não exige redução gradual da dose ao interromper o tratamento. Ainda assim, não interrompa o medicamento por conta própria: converse com seu médico, que avaliará o momento e a forma adequada de descontinuar, considerando o seu quadro e o tempo de uso.

E é importante deixar claro que você nunca deve utilizar nenhuma medicação sem a devida prescrição médica, uma vez que isso pode acarretar sérios prejuízos para sua saúde.

Agomelatina é vendida somente sob prescrição médica, ou seja, venda com retenção de receita C1 Branca em duas vias.

Perguntas Frequentes sobre Agomelatina

A agomelatina causa dependência?

A agomelatina não é considerada viciante. No entanto, é importante tomar a medicação conforme prescrito e só parar de tomá-la após consultar o seu médico.

A agomelatina é eficaz no tratamento do transtorno afetivo sazonal?

Não há indicação aprovada de agomelatina para o transtorno afetivo sazonal na bula brasileira.

A agomelatina pode ser usada para tratar o transtorno bipolar?

A agomelatina não é aprovada para o tratamento do transtorno bipolar. Em pacientes com histórico de mania ou hipomania, o uso exige cautela e o medicamento deve ser descontinuado se surgirem sintomas maníacos.

Quais são os efeitos a longo prazo de tomar agomelatina?

Os efeitos colaterais comuns da agomelatina incluem dor de cabeça, náusea, tontura, sonolência, fadiga, boca seca e constipação. O uso exige monitorização da função hepática: sinais como pele ou olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal intensa ou cansaço incomum devem levar à avaliação médica imediata. Pensamentos ou comportamentos suicidas estão entre as reações incomuns e, se surgirem ideias de se machucar ou de tirar a própria vida, ou se o humor piorar de forma relevante, procure ajuda médica imediatamente.

Quais são os efeitos colaterais da agomelatina?

Os efeitos colaterais comuns da agomelatina incluem dor de cabeça, náusea, tontura, sonolência, fadiga, boca seca e constipação. A bula também alerta para lesão hepática, por isso a função do fígado é avaliada antes do início e durante o tratamento, com exames periódicos.

Como funciona a agomelatina?

A agomelatina age como agonista dos receptores de melatonina MT1 e MT2 e como antagonista dos receptores de serotonina 5-HT2C, o que contribui para a regulação do ciclo sono-vigília e para o efeito antidepressivo.

A agomelatina é segura?

A agomelatina é geralmente bem tolerada, mas exige controle da função hepática antes e durante o tratamento. Como com qualquer medicamento, os riscos e benefícios devem ser discutidos com o médico antes de iniciar.

Qual é a dosagem recomendada de agomelatina?

A dose inicial recomendada é de 25 mg por via oral uma vez ao dia, à noite. Se necessário, pode-se aumentar para 50 mg uma vez ao dia, com reavaliação da função hepática após o aumento.

Quanto tempo leva para a agomelatina começar a fazer efeito?

A agomelatina normalmente leva várias semanas para começar a fazer efeito. É importante tomar a medicação conforme prescrito e ser paciente enquanto espera que os efeitos sejam vistos.

Agomelatina: benefício esperado e monitorização do fígado

A agomelatina é um antidepressivo indicado para o transtorno depressivo maior e o transtorno de ansiedade generalizada em adultos, e sua segurança depende de monitorização hepática. A leitura clínica não deve ser apenas ‘antidepressivo que ajuda no sono’: é preciso checar fígado, álcool, idade, outros remédios e sintomas depressivos antes e durante o tratamento.

PontoPor que muda a conduta
Função hepáticaA bula profissional exige exames antes do início, após aumento de dose e em semanas específicas do seguimento.
Álcool ou doença no fígadoAumenta a cautela e pode contraindicar ou mudar a escolha do antidepressivo.
Ideação suicida ou piora do humorExige contato rápido com o médico, especialmente no começo do tratamento.
Sono melhor, humor igualMelhorar sono não prova resposta antidepressiva completa.

Sintomas como pele amarelada, urina escura, dor abdominal persistente, coceira intensa, fadiga incomum ou náusea importante durante o uso merecem revisão. O objetivo da monitorização é detectar toxicidade cedo, não assustar o paciente nem banalizar o risco.

Fontes úteis

  • EMA Valdoxan EPAR
  • Valdoxan SmPC
Referências bibliográficas2 fontes
  1. 1.
    Medvedev VE. Use of valdoxan (Agomelatin) in the combined treatment of moderate and severe nonpsychotic depression. Neuroscience and Behavioral Physiology. 2013 Sep 1;43(7):878.
    Voltar [1]
  2. 2.
    IaI L. Clinical experience in using agomelatin (valdoxan) in the neurological practice. Zhurnal Nevrologii i Psikhiatrii Imeni SS Korsakova. 2011 Jan 1;111(11 Pt 1):25-8.
    Voltar [2]

Arquivado em: Farmácia, Psiquiatria

Brincar com aventura e saúde mental infantil

29 de maio de 2022 by Leandro Pessoa Dantas da Silva

O estudo sobre brincadeiras aventureiras é uma pista sobre desenvolvimento infantil, não um convite a expor a criança a perigo. A questão prática é oferecer desafios adequados à idade, com supervisão, espaço seguro e liberdade gradual para lidar com medo e incerteza.

Crianças que passam mais tempo brincando de forma aventureira têm menos sintomas de ansiedade e depressão, é o que aponta um estudo liderado pela Universidade de Exeter, na Inglaterra. A pesquisa perguntou aos pais com que frequência seus filhos se envolvem em brincadeiras “emocionantes e excitantes”, capazes inclusive de levá-los a sentir algum medo e incerteza.

Os resultados foram publicados na Child Psychiatry and Human Development e chegam em um momento em que a formação das crianças têm menos oportunidades para brincadeiras aventureiras fora da vista dos adultos, como subir em árvores, andar de bicicleta, pular de superfícies altas ou brincar em algum lugar fora do alcance da vista dos adultos.

O estudo testou a hipótese de que brincadeiras com desafio adequado podem oferecer oportunidades de aprendizado emocional, autonomia e tolerância à incerteza. Isso não prova prevenção de transtornos, mas ajuda a pensar em ambientes infantis mais ricos.

Com financiamento da UKRI Future Leaders Fellowship, a equipe de pesquisa entrevistou cerca de 2.500 pais de crianças de 5 a 11 anos. Os pais responderam a perguntas sobre as brincadeiras de seus filhos, sua saúde mental geral (pré-Covid) e seu humor durante o primeiro confinamento provocado pela Pandemia de Covid-19.

A pesquisa foi realizada com dois grupos de pais: um grupo de 427 pais residentes na Irlanda do Norte e um grupo nacionalmente representativo de 1919 pais residentes na Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia).

Os pesquisadores descobriram que as crianças que passam mais tempo brincando ao ar livre tiveram menos “problemas de internalização” – caracterizados como ansiedade e depressão. Essas crianças também foram adotaram posturas mais otimistas durante o primeiro período de confinamento.

Os efeitos foram relativamente pequenos, como seria de esperar, dada a gama de fatores que afetam a saúde mental das crianças. No entanto, os resultados foram consistentes mesmo depois que os pesquisadores consideraram uma ampla gama de variáveis ​​demográficas, incluindo sexo da criança, idade, situação de emprego dos pais etc. e saúde mental dos pais. 

O estudo no grupo da Grã-Bretanha também descobriu que o efeito foi mais pronunciado em crianças de famílias de baixa renda do que aquelas que cresceram em famílias de renda mais alta.

A interpretação mais prudente é que oportunidades regulares de brincadeira com desafio apropriado podem apoiar autonomia, confiança e regulação emocional. O estudo não transforma brincadeira em tratamento de saúde mental.

brincadeiras

O resultado é útil porque aponta para oportunidades simples, mas não universais: tempo ao ar livre, espaços públicos seguros, adultos que permitam desafio gradual e brincadeiras que não dependam de consumo. O ponto não é deixar a criança sem supervisão; é calibrar risco, idade, ambiente e habilidade.

“Toda criança precisa e merece oportunidades para brincar. Esta importante pesquisa mostra que isso é ainda mais vital para ajudar as crianças a prosperar depois de tudo o que perderam durante a pandemia de Covid-19. Mais brincadeiras significa mais felicidade e menos ansiedade e depressão”, afirmou Dan Paskins, Diretor de Impacto no Reino Unido da Save the Children.

Exemplos de atividades de aventura que não custam nada são:

  • Subir em estruturas apropriadas para a idade, com adulto por perto.
  • Andar de bicicleta, patins ou skate com capacete e local seguro.
  • Criar obstáculos simples em casa, quintal, escola ou parque.
  • Explorar trilhas curtas acompanhado, combinando limites claros.
  • Brincar com altura, velocidade ou equilíbrio em níveis que a criança consiga tentar e parar.

Como aplicar sem tratar desafio como perigo

Brincadeira aventureira não é abandono. O adulto continua responsável por ambiente, supervisão, equipamentos e limites. O desafio deve ser pequeno o bastante para a criança tentar, errar e aprender, mas não tão grande que exponha a lesão previsível.

Também é importante observar a criança concreta. Crianças ansiosas, impulsivas, com deficiência, dor, atraso motor ou experiências traumáticas podem precisar de adaptação. Se há sofrimento persistente, isolamento, regressão, irritabilidade intensa ou queda escolar, brincar pode apoiar a rotina; sofrimento persistente pede avaliação em saúde mental.

O melhor uso da pesquisa é prático: trocar proibição automática por desafio graduado. Em vez de impedir toda altura, velocidade ou exploração, o adulto pode combinar regras, testar um nível menor, observar a resposta e aumentar autonomia aos poucos. Isso ajuda a criança a aprender avaliação de risco sem tratar risco como exposição desnecessária.

SituaçãoLeitura útil
Medo levePode ser parte do desafio, desde que a criança possa parar.
Perigo previsívelAltura excessiva, trânsito, água sem segurança ou ausência de adulto mudam a conduta.
Sofrimento persistenteBrincadeira não substitui cuidado em saúde mental.

A qualidade do ambiente conta tanto quanto a atividade. Parque conservado, escola com espaço aberto, rua com menos trânsito, adulto que observa sem controlar tudo e tempo suficiente para brincar mudam a experiência. Quando só existe tela, medo ou falta de espaço, a criança perde oportunidades de testar corpo, atenção, negociação e frustração.

Famílias não precisam copiar exemplos extremos. Uma criança pode começar equilibrando em troncos baixos, escalando brinquedos adequados, andando em terreno irregular ou criando regras para um circuito. O critério é desafio manejável: difícil o bastante para exigir tentativa, seguro o bastante para permitir erro.

Para escolas e cuidadores, a pergunta prática é o que pode ser ajustado antes de proibir: piso, distância, altura, capacete, combinação de regras, número de crianças e presença de adulto atento. Essa leitura preserva exploração e reduz riscos previsíveis.

Se a criança evita qualquer desafio ou busca perigo sem medir consequência, o dado relevante é o padrão. Medo intenso, impulsividade, acidentes repetidos ou sofrimento familiar indicam que a brincadeira deve ser adaptada.

O artigo discute ambiente, não prescreve a mesma conduta para toda criança. Idade, maturidade, sono, coordenação, ansiedade e supervisão mudam o limite seguro.

Anote datas, intensidade, medicamentos usados, exames anteriores e mudanças recentes. No atendimento pediátrico ou ginecológico, essa sequência costuma ser mais útil que uma descrição genérica do sintoma.

Quando procurar avaliação

Procure apoio quando o sofrimento interfere em sono, apetite, estudo, trabalho, vínculo, autocuidado ou segurança. Pensamentos de morte, violência, uso de álcool ou remédios para aguentar o dia, crises repetidas ou isolamento importante exigem rede de cuidado mais próxima.

Como acompanhar a evolução

  • Monte uma linha do tempo curta: início, evolução, fatores de piora e melhora.
  • Separe sintoma principal, sinais associados e impacto nas atividades.
  • Defina quando reavaliar se a melhora esperada não acontecer.

Fontes úteis

  • University of Exeter: adventurous play and child mental health
  • Child Psychiatry & Human Development: adventurous play study
  • CDC: child development

Arquivado em: Notícias

Medicamentos em óleogel: pesquisa, usos e limites

29 de maio de 2022 by Leandro Pessoa Dantas da Silva

Óleogel é uma linha de pesquisa/formulação para facilitar administração de alguns medicamentos, mas não autoriza misturar, triturar ou abrir comprimidos em casa. Forma farmacêutica, dose, estabilidade e liberação do remédio precisam ser validadas.

Óleogel: o que é pesquisa e o que é cuidado real

A dificuldade para engolir comprimidos é comum em crianças, idosos e pessoas com disfagia. Ainda assim, a solução não é improvisar com qualquer alimento ou gel: alguns comprimidos têm revestimento entérico, liberação prolongada ou dose que muda quando o produto é partido ou triturado.

Antes de alterar a formaPor que perguntar
Pode triturar ou partir?Alguns medicamentos ficam inseguros ou perdem eficácia.
O veículo muda absorção?Gordura, acidez e volume podem alterar biodisponibilidade.
É criança, idoso ou disfagia?A escolha da formulação deve considerar engasgo e dose precisa.
Existe versão líquida aprovada?Pode ser mais segura que manipulação improvisada.

Óleogel é um veículo farmacêutico estudado para facilitar a administração de alguns medicamentos, especialmente quando comprimidos são difíceis de engolir. A ideia pode ser útil em pesquisa e formulações específicas, mas não autoriza misturar qualquer remédio em óleo, gel ou alimento por conta própria.

O ponto crítico é estabilidade e dose. Alguns comprimidos não podem ser triturados, partidos ou misturados porque têm revestimento, liberação prolongada, gosto muito intenso, risco de irritação ou perda de eficácia. Em crianças, idosos e pessoas com disfagia, o farmacêutico precisa confirmar se existe forma líquida, dispersível, manipulada ou alternativa segura.

O que precisa ser validado antes de misturar

PontoPor que importaRisco se ignorado
Tipo de comprimidoLiberação pode depender da forma.Dose rápida ou incompleta.
CompatibilidadeÓleo, gel e alimento podem alterar estabilidade.Perda de efeito.
PalatabilidadeGosto ruim reduz adesão.Criança cospe parte da dose.
Medida da doseA mistura precisa ser uniforme.Subdose ou dose excessiva.

Quando o óleogel é notícia, não orientação de uso

Uma pesquisa sobre óleogel pode indicar caminho promissor para farmácias, indústria e cuidado de pacientes com dificuldade de deglutição. A tecnologia ainda está em avaliação e não se destina ao preparo doméstico.

Antes de adaptar um remédio, pergunte ao médico ou farmacêutico se ele pode ser partido, triturado, aberto, misturado com alimento ou substituído por outra apresentação. Isso é especialmente importante em antibióticos, anticonvulsivantes, anticoagulantes, remédios de pressão, opioides e medicamentos de liberação prolongada.

Se a pessoa engasga, tosse ao tomar líquidos ou evita comprimidos por medo, a dificuldade de deglutição também merece avaliação. A solução pode envolver forma farmacêutica, mas também postura, volume, textura e causa do engasgo.

Para cuidadores, a regra segura é registrar exatamente como o medicamento foi dado: apresentação, dose, horário, volume misturado e se sobrou parte da mistura. Sem essa rastreabilidade, fica difícil saber se uma falha do tratamento veio da doença, da dose ou da forma de administração.

Pesquisadores do Massachuets Institute e do Brigham and Women’s Hospital criaram um gel que libera compostos químicos e pode facilitar a ingestão de comprimidos por criança e adultos. O gel é muito mais fácil de engolir e pode ser usado para administrar uma variedade de tipos diferentes de medicamentos.

A pesquisa trabalhou com géis feitos de óleos vegetais, como óleo de gergelim, que podem ser preparados com uma variedade de texturas, desde uma bebida mais espessa até um líquido similar a um iogurte. Os géis são estáveis mesmo ​​sem refrigeração, o que torna mais acessível às crianças em países em desenvolvimento. O gel também pode ajudar adultos que têm dificuldade em engolir comprimidos, como idosos ou pessoas que sofreram um derrame.

“Este novo veículo mudará nossa capacidade de atender crianças e também adultos que têm dificuldade em receber medicamentos. Dada a simplicidade da composição e seu baixo custo pode vir a provocar impacto no acesso dos pacientes aos seus medicamentos”, explica Giovanni Traverso, professor assistente de desenvolvimento de carreira de Karl van Tassel de engenharia mecânica no MIT, que é gastroenterologista do Brigham and Women’s Hospital e autor sênior do estudo.

Em estudo com animais, Traverso e seus colegas mostraram que é possível utilizar os géis para ofertar vários tipos de medicamentos no tratamento de doenças infecciosas, mantendo as mesmas doses que seriam ser administradas por pílulas ou comprimidos. A equipe de pesquisa está agora planejando um ensaio clínico que deve começar dentro de alguns meses.

A ex-pós-doutora do MIT Ameya Kirtane, agora instrutora do Brigham and Women’s Hospital; pós-doutoranda do MIT Christina Karavasili; e o ex-associado técnico Aniket Wahane são os principais autores do estudo, que foi publicado no final de maio na Science Advances .

oleogel

Fácil de engolir

Há quase 10 anos, enquanto trabalhava em outros tipos de sistemas de medicamentos ingeríveis, a equipe de pesquisa começou a pensar em novas maneiras de facilitar para as crianças tomar medicamentos que são normalmente administrados como pílulas. 

Já existem algumas outras estratégias que podem ajudar com isso, mas nenhuma resolvia todos os casos de forma simples. Alguns antibióticos e outros medicamentos podem ser suspensos na água, mas isso requer a disponibilidade de água limpa e os medicamentos precisam ser refrigerados após serem misturados. 

Além disso, essa estratégia não funciona para medicamentos que não são solúveis em água.Ao mesmo tempo as dosagens podem ser difíceis de acertar se as pílulas forem destinadas a adultos.

Para tentar resolver esses problemas, os pesquisadores decidiram desenvolver um novo sistema de entrega de medicamentos que fosse barato, palatável, estável em temperaturas extremas e compatível com muitos medicamentos diferentes. Eles também queriam ter certeza de que os medicamentos não precisariam ser misturados com água antes da dosagem e que o sistema poderia ser administrado por via oral ou como supositório.

Como eles queriam que sua formulação funcionasse com medicamentos que não podem ser dissolvidos em água, os pesquisadores decidiram se concentrar em géis à base de óleo. Esses géis, também conhecidos como oleogels, são comumente usados ​​na indústria alimentícia para alterar a textura de alimentos oleosos e também para aumentar o ponto de fusão do chocolate e do sorvete.

“Essa abordagem nos deu a capacidade de fornecer medicamentos muito hidrofóbicos que não podem ser entregues por meio de sistemas à base de água”, diz Kirtane. Isso também permitiu aos pesquisadores fazerem essas formulações com uma variedade muito ampla de texturas.

O estudo explorou vários tipos de óleos derivados de plantas, incluindo óleo de gergelim, óleo de semente de algodão e óleo de linhaça. Eles combinaram os óleos com agentes gelificantes comestíveis, como cera de abelha e cera de farelo de arroz, e descobriram que podiam obter texturas diferentes dependendo da concentração e tipo de óleo e agente gelificante. Alguns géis acabam com uma textura semelhante à de uma bebida espessa, como um shake de proteína, enquanto outros são mais parecidos com iogurte ou pudim.

Para identificar os géis mais palatáveis, os pesquisadores trabalharam com a Sensory Spectrum, uma consultoria especializada em experiências sensoriais do consumidor. Trabalhando com os painéis da empresa de provadores treinados profissionalmente, os pesquisadores descobriram que os géis mais atraentes incluíam aqueles feitos de óleos com sabor neutro (como óleo de semente de algodão) ou um sabor leve de semente (como óleo de gergelim).

Hard-to-swallow: Tips for helping kids swallow pills


Medicamentos Acessíveis

Os pesquisadores optaram por testar seus géis com três medicamentos insolúveis em água retirados da lista de medicamentos essenciais para crianças da Organização Mundial da Saúde: praziquantel, usado para tratar infecções parasitárias; lumefantrina, usada no tratamento da malária; e azitromicina, usada para tratar infecções bacterianas.

“Com base nessa lista, as doenças infecciosas realmente se destacaram em termos do que um país precisa para proteger suas crianças”, diz Kirtane. “Muito do trabalho que fizemos neste estudo foi focado em medicamentos para doenças infecciosas, mas do ponto de vista da formulação, não importa qual medicamento colocamos nesses sistemas”.

Para cada um desses medicamentos, os pesquisadores descobriram, através de testes em animais, que os oleogels foram capazes de entregar doses iguais ou superiores às quantidades que podem ser absorvidas pelos comprimidos. Eles também mostraram que um medicamento solúvel em água, o antibiótico chamado cloridrato de moxifloxacina pode ser administrado com sucesso por um oleogel.

Para possibilitar o uso dessas formulações em áreas que podem não ter refrigeração disponível, os pesquisadores as projetaram para poderem permanecer estáveis ​​a 40 graus Celsius (104 graus Fahrenheit) por várias semanas e até 60 C (140 F) por uma semana. Essas altas temperaturas são incomuns, mas podem ser alcançadas quando os medicamentos estão sendo transportados por caminhões sem refrigeração.

Os pesquisadores obtiveram a aprovação do FDA para realizar um ensaio clínico de fase I de sua formulação olegel de azitromicina, que eles esperam começar a executar no Brigham and Women’s Hospital Center for Clinical Investigation nos próximos meses.

A pesquisa foi financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, através de uma bolsa de pós-doutorado da PhRMA Foundation, uma bolsa da Fulbright e do Koch Institute Support (core) Grant do National Cancer Institute.

Quando procurar avaliação

Fale com médico ou farmacêutico antes de triturar, abrir cápsula, misturar remédio a alimento ou trocar formulação, principalmente em crianças, idosos, disfagia, epilepsia, anticoagulantes, antibióticos, hormônios, remédios de liberação prolongada ou revestimento entérico.

Como acompanhar o próximo passo

Leve o nome do medicamento, dose, forma farmacêutica e motivo da dificuldade para engolir. Pergunte se existe versão líquida, se o comprimido pode ser partido, qual veículo é aceitável e como evitar perda de dose ou engasgo.

Como avaliar segurança da formulação

O ponto técnico não é apenas “ficar mais fácil de engolir”. A forma farmacêutica muda como o medicamento se comporta: dose, posologia, mecanismo de liberação, indicação, contraindicação, estabilidade, biodisponibilidade e risco de efeito adverso precisam ser preservados.

Por isso, comprimidos de liberação prolongada, cápsulas com microgrânulos, medicamentos com revestimento entérico e fármacos de janela terapêutica estreita não devem ser triturados ou misturados sem orientação. A decisão envolve médico e farmacêutico, especialmente quando há criança, idoso, disfagia, polifarmácia ou necessidade de acompanhamento clínico.

Ponto técnicoPor que importa
Liberação prolongada ou revestimentoPode alterar absorção, pico de concentração e segurança.
Veículo lipídicoPode mudar dispersão do fármaco e palatabilidade.
Dose administradaPerdas no preparo podem reduzir ou concentrar a dose real.
Evidência disponívelPesquisa em formulação não equivale a orientação para qualquer remédio.

Fontes úteis

  • FDA: pharmacists and medicine safety
  • MedlinePlus: medicines and children
  • PubMed: oleogel drug delivery research

Fontes e leitura útil

  • PMC: oil-based gels for pediatric drug delivery
  • FDA: Human Drug Compounding
  • FDA/HHS: Use of liquids or soft foods as drug vehicles

Fontes úteis

  • WHO: tecnologias assistivas
  • FDA: pesquisa e medicamentos
  • MedlinePlus: informações de saúde

Arquivado em: Notícias

Ganho de peso saudável: 5 dicas básicas para incluir no dia a dia

29 de maio de 2022 by Renato Fernandes da Silva

Veja como ganhar peso com 5 dicas básicas para o seu dia a dia

Mapa clínico: ganhar peso com saúde exige superávit, proteína e investigação quando há perda

Em resumo: ganho de peso saudável não é só comer mais açúcar ou ultraprocessados. Em geral, precisa de aumento gradual de calorias, proteína suficiente, treino de força quando possível, sono e acompanhamento se houver perda de peso involuntária, falta de apetite ou doença de base.

Diagrama de ganho de peso saudável com aumento gradual de calorias, proteína e treino de força.
Ganho rápido sem qualidade pode piorar digestão e composição corporal.
Fluxo visual de alertas antes de ganhar peso com perda involuntária, diarreia, vômitos, dor, febre e cansaço.
Às vezes a primeira meta é descobrir por que o peso caiu.
MetaEstratégiaCuidado
Aumentar energiaAdicionar lanches densos e porções planejadas.Evitar depender só de açúcar e fritura.
Preservar massa muscularDistribuir proteína e fazer força quando liberado.Ajustar se houver rim, fígado ou doença crônica.
Recuperar peso perdidoInvestigar causa e apetite.Não ignorar perda involuntária.
  • Registre peso semanal, apetite, sintomas digestivos e rotina de refeições.
  • Inclua fontes de proteína, carboidrato, gorduras de boa qualidade e refeições toleráveis.
  • Procure avaliação se a perda foi involuntária, rápida, acompanhada de febre, diarreia, vômitos, dor, sangue nas fezes ou fadiga importante.

Nota de segurança: “engordar” com saúde pode ser tratamento nutricional. Doenças, medicamentos e transtornos alimentares precisam ser considerados.

Para continuar no tema: Nutrição | Como ganhar peso | Inanição | Vitaminas para engordar

São 5 maneiras fáceis e bem acessíveis para quem precisa ganhar peso de uma forma segura e muito saudável.

1- Aumente a oferta de proteínas de alto valor biológico na dieta 

proteina

A maior parte dos alimentos contém algum grau de proteína na sua composição.

Contudo, esses graus dependem do seu valor biológico.

Existem 3 tipos de proteínas:

  • Proteínas de baixo valor biológico;
  • Proteínas de médio valor biológico;
  • Proteínas de alto valor biológico.

Então, para ganhar peso devemos concentrar em consumir mais alimentos fontes de proteínas de alto valor biológico.

Esses alimentos são representados por uma sigla principal, a CPA, que são as iniciais dos principais fornecedores desse tipo de proteína: carnes, peixes e aves.

Esses 3 grupos são os principais alimentos que contém proteínas de alto valor biológico.

Assim, consumir de 2 a 3 porções desses alimentos por dia contribui de maneira significativa para o ganho de peso, sobretudo, massa muscular.

Entretanto, é necessário diversificar o consumo das proteínas desses alimentos e não ficar concentrado apenas em comer um tipo deles apenas.

Além de serem os principais alimentos protéicos da natureza, esses alimentos são os que mais têm ferro na composição.

O ferro é o principal mineral responsável pela saúde das nossas células sanguíneas e previne doenças como a anemia.

2-  Coma mais gorduras saudáveis 

gordura saudavel

As gorduras são quase sempre vistas como vilãs da alimentação.

Porém, o consumo de alimentos ricos em gorduras boas é essencial para o ganho de peso.

Além de serem fáceis de serem encontradas. 

Cerca de 10% da nossa alimentação diária deve ser fonte de gorduras.

Para quem quer ganhar peso, este valor pode se estender mais um pouco, para até 15% da alimentação diária.

Mas, tome cuidado. As gorduras boas são aquelas fontes naturais e excluem as gorduras industriais como as gorduras trans.

Assim, estão liberadas o consumo de gorduras insaturadas diariamente para ganhar peso com mais facilidade.

Veja alguns exemplos de gorduras benéficas abaixo:

  • Oleaginosas como castanhas, amendoins, avelãs;
  • Frutas como abacate, coco, açaí e cacau;
  • Óleos como azeite extra-virgem, óleo de canola ou de girassol;
  • Carnes como peixe, salmão, sardinha e camarão;
  • Ovos e derivados. 

3- Estimule a síntese protéica com a musculação e exercícios físicos

alimentacao e ganho de peso saudavel

Engana-se quem acha que os exercícios físicos e a musculação são efetivos apenas para perder peso.

Pelo contrário, exercícios intensos como musculação e aeróbicos contribuem muito para ganhar peso.

Então, realizar sessões desses exercícios com o apoio de um profissional todo dia pode ajudar no ganho de peso saudável.

Todavia, a massa muscular tem o mesmo peso que a massa de gordura.

 O que significa que se você ganhar mais músculos também vai ganhar mais peso.

Entretanto, é preciso tomar cuidado para não exagerar, principalmente os iniciantes. 

Lesões e tensões podem acontecer caso os exercícios sejam feitos de forma desregulada e sem a nutrição correta.

Para isso, procure ajuda de um personal trainer e de um nutricionista.

4- Tome hipercalóricos e substâncias energéticas

energeticos whey

Os hipercalóricos são os suplementos mais indicados para ganhar peso nos casos mais graves.

Em diversas situações, a pessoa come de tudo e ainda assim por uma questão metabólica não consegue ganhar peso.

Então, os hipercalóricos contêm uma energia extra em forma de nutrientes e vitaminas que vão contribuir para o ganho de peso a longo prazo.

A maioria das pessoas que não conseguem ganhar peso apenas com a alimentação consegue resultados expressivos com o uso dos hipercalóricos.

Entretanto, o mesmo vale para substâncias energéticas como maltodextrina, glutamina e até o whey protein.

Esses suplementos são indicados para dar mais energia ao corpo e estimular o ganho de massa magra que é a forma mais saudável de ganhar peso.

5- Acrescente mais calorias a sua alimentação diária 

comida calorias

Quando precisamos emagrecer o principal caminho para a conquista é o déficit calórico.

Porém, essa tática ao contrário é eficiente para ganhar peso no dia a dia.

Adicionar mais calorias a sua alimentação fará com que seu corpo tenha mais nutrientes para as células, o que fará com que a composição corporal se altere com o tempo.

Se você precisa ganhar muitos quilos é indicado aumentar o valor calórico da sua dieta entre 400 a 600 calorias a mais diariamente.

Contudo, caso precise ganhar uma pequena quantidade de peso, cerca de 250 a 400 calorias extras no dia já serão suficientes.

Contudo, preste atenção. Para ganhar peso é importante saber que este ganho de peso deve ser feito de forma natural e saudável.

Então, não vá saindo comendo tudo que tem vontade, sem se preocupar com a qualidade dos alimentos.

Mais uma vez, o nutricionista deve ser procurado, para o auxílio mais eficiente no ganho de peso.

O que não fazer para ganhar peso de forma errada

ganho de peso saudavel


Comer tudo aquilo que tem vontade 

É correto afirmar que qualquer pessoa que comece a comer tudo que tem vontade vai ganhar peso.

Porém, neste caso ela vai ganhar peso e enfraquecer sua saúde se este consumo não for feito de maneira correta.

Para isso, evite comer alguns grupos alimentares frequentemente com o intuito de ganhar peso.

Esses alimentos fazem ganhar peso, porém esse ganho de peso coloca em risco a nossa saúde.

Para que isso não ocorra, evite esses alimentos para não ganhar peso de forma errada:

  1. Lanches e Fast Foods;
  2. Salgadinhos e biscoitos recheados;
  3. Salgados fritos e com muita gordura no preparo;
  4. Manteiga ou margarina em excesso no dia a dia;
  5. Queijos muito gordurosos (os amarelos) com muita frequência.

Como você viu, para ganhar peso de forma saudável no dia a dia não é muito difícil, basta apenas ter bom senso e inteligência nas escolhas.

Estas foram as nossas 5 dicas para o ganho de peso saudável no dia a dia.

Fontes úteis

Fontes de apoio: Mayo Clinic: underweight | MedlinePlus: extra calories when sick

Arquivado em: Artigos, Nutrição

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