Excesso de sono, o que pode ser?

  • O que é: O excesso de sono pode ser multifatorial, pode ser em decorrência da falta de descanso ou pode ser de origem patológica.
  • Causas: As causas mais comuns são horas insuficientes de sono, apneia do sono, anemia e problemas de ordem neurológica ou psiquiátrica.
  • Sintomas: Os sintomas são excesso de sono durante o dia, indisposição, cansaço e fraqueza. Caso o excesso de sono seja debilitante, o paciente precisa procurar apoio médico com urgência.
  • Tratamento: O tratamento varia conforme o diagnóstico, mas é importante que a causa seja descoberta. Os tratamentos podem ser naturais ou medicamentosos, mas tudo dependerá do diagnóstico.

Não é incomum que a rotina da vida moderna cause sono e cansaço. Estudar, trabalhar, se exercitar e cuidar da vida pessoal são os grandes desafios da vida moderna.

Ainda com tantas facilidades, as vinte e quatro horas do dia podem não ser suficientes para tantas demandas.

Porém existe um ponto no qual o excesso de sono é patológico e precisa de uma intervenção clínica, pois pode denotar problemas de saúde associados.

Todo ser humano precisa do sono para a manutenção da vida, ao longo das vinte e quatro horas o corpo atinge níveis mais altos e mais baixos de energia, variando conforme o estilo de vida, sexo e idade.

O excesso de sono, principalmente durante o dia, pode ser um sinal de que algo está fisiologicamente desequilibrado e se faz necessária atenção para que se entenda qual é o problema.

As causas mais comuns de excesso de sono são: 

Quantidade insuficiente de horas de descanso

Geralmente pacientes que possuem muitas atividades ao longo de seus dias, tenham dois empregos integrais ou dividam suas horas entre um emprego integral e estudos podem estar tirando horas de sono para conseguirem desempenhar todas as atividades.

Por isso é importante pensar em uma rotina que priorize o descanso para que as atividades possam ser desenvolvidas com concentração.

Medicamentos

Alguns medicamentos podem causar efeitos colaterais que o deixam sonolento ou interferem na qualidade do sono.

Estes incluem antidepressivos, anti-histamínicos (medicamentos para alergia), opioides (analgésicos), sedativos (pílulas para dormir), anticonvulsivantes (medicamentos para convulsões) e alguns medicamentos para pressão arterial.

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Apneia do sono ou problemas de respiração noturna

Pacientes que “roncam” excessivamente e em alguns momentos demonstram dificuldade para respirar e acabam acordando, podem ter apneia do sono.

Isso acontece em ocasião de ter a respiração dificultada à noite, então o paciente acaba acordando inúmeras vezes, tendo seu ciclo de descanso prejudicado e, consequentemente, tendo excesso de sono durante o dia.

Pressão baixa

É importante ressaltar que a hipotensão arterial não causa sono, mas os sintomas da pressão baixa podem ser confundidos com a sonolência, geralmente por conta da fraqueza, tontura e da perda da força.

Alguns pacientes ficam com a pressão mais baixa no calor, por exemplo, mas é importante aferir a pressão para ver se o indicador está abaixo do esperado e caso a hipotensão seja constante é necessário procurar um médico

Inclusive porque algumas patologias têm como sintoma a pressão baixa – pode ser um sinal de que o oxigênio não está chegando em quantidades suficientes para os tecidos.

Anemia

A anemia é uma condição causada pela deficiência de ferro no sangue, por meio do ferro o oxigênio é transportado para todas as células do corpo, a deficiência de ferro pode ocasionar sonolência excessiva no paciente e é importante que o tratamento seja iniciado

Dependendo do grau o tratamento pode envolver uma alteração alimentar e inclusão de medicamentos ricos em ferro na dieta (como beterraba, carne vermelha, espinafre, nozes, feijão e outros) ou pode ser necessária a suplementação com sulfato ferroso.

Problemas neurológicos ou psiquiátricos

Depressão, ansiedade ou doenças degenerativas fazem com que o paciente tenha problemas para dormir e fique cansado ao longo do dia, o corpo não consegue sair do modo “ativo e alerta” e por isso o descanso não é conseguido.

Síndrome da Fadiga Crônica

Doença de longo prazo caracterizada por fadiga ou cansaço extremos que não melhora com o repouso e não pode ser explicada por uma condição médica subjacente.

Um dos sintomas da fadiga crônica é a sonolência excessiva, o que significa dificuldade em permanecer acordado ou alerta durante o dia. A sonolência excessiva pode interferir nas atividades diárias e afetar a função cognitiva, o humor e a qualidade de vida.

A causa exata da sonolência excessiva na síndrome da fadiga crônica ainda não é totalmente compreendida, mas alguns fatores possíveis incluem: sono não reparador, interrupção do ritmo circadiano, inflamação no cérebro, desequilíbrio hormonal ou efeitos colaterais de medicamentos.

Síndrome das Pernas Inquietas

A síndrome das pernas inquietas é um distúrbio que causa uma necessidade irresistível de mover as pernas, geralmente associada a sensações desagradáveis durante o sono e aliviadas pelo movimento. A síndrome das pernas inquietas pode causar insônia no início ou na manutenção do sono e, ocasionalmente, sonolência diurna excessiva, levando a morbidade significativa.

A causa exata da síndrome das pernas inquietas não é conhecida, mas pode estar relacionada a anormalidades no cérebro, neurotransmissores, deficiência de ferro ou fatores genéticos. Algumas condições que podem causar ou piorar a síndrome incluem neuropatia periférica, doença de Parkinson, doença renal, gravidez e alguns medicamentos. O tratamento envolve o gerenciamento das condições subjacentes e, às vezes, o uso de medicamentos como reposição de ferro, antidepressivos, reguladores dos canais de cálcio, narcóticos ou sedativos.

Fibromialgia

A fibromialgia é uma doença caracterizada por dor musculoesquelética generalizada acompanhada de fadiga, problemas de sono, memória e humor. Acredita-se que a fibromialgia amplifica as sensações dolorosas afetando a maneira como o cérebro e a medula espinhal processam sinais dolorosos e não dolorosos.

Uma das consequências da fibromialgia é a sonolência excessiva, o que significa ter dificuldade em permanecer acordado ou alerta durante o dia. A sonolência excessiva pode piorar os sintomas da fibromialgia e afetar o funcionamento diário e a qualidade de vida.

Algumas possíveis causas de sonolência excessiva na fibromialgia incluem: insônia, sono não restaurador, apneia do sono, síndrome das pernas inquietas ou efeitos colaterais de medicamentos.

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma patologia na qual a glândula tireoide não produz hormônios tireoidianos suficientes, que regulam o metabolismo e os níveis de energia do corpo. O hipotireoidismo pode causar vários sintomas, como ganho de peso, fadiga, depressão, pele seca, queda de cabelo e sensibilidade ao frio.

Um dos efeitos do hipotireoidismo é a sonolência excessiva, o que significa ter dificuldade em permanecer acordado ou alerta durante o dia. A sonolência excessiva pode prejudicar a função cognitiva, o humor e a qualidade de vida.

Algumas possíveis causas de sonolência excessiva no hipotireoidismo incluem: baixa temperatura corporal, dores musculares ou articulares, apneia do sono, hipersonia (uma condição caracterizada por sonolência diurna extrema) ou coma mixedematoso (uma complicação rara, mas com risco de vida, do hipotireoidismo grave).

Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo que afeta o movimento, a cognição, o humor e o sono. A Doença de Parkinson pode causar sonolência diurna excessiva, descrita como sonolência inapropriada e indesejável durante as horas de vigília. A sonolência excessiva é um sintoma não motor comum na Doença de Parkinson, afetando até 50% dos pacientes, com grande impacto na qualidade de vida dos pacientes com Doença de Parkinson e de seus cuidadores.

Os mecanismos da sonolência excessiva podem envolver alterações cerebrais, medicamentos e outros sintomas. Alterações cerebrais podem incluir degeneração de neurônios produtores de dopamina, disfunção de outros neurotransmissores, como acetilcolina e orexina, e interrupção dos ritmos circadianos. Medicamentos como os agonistas da dopamina podem induzir ou piorar a sonolência, afetando a qualidade do sono ou promovendo ataques de sono.

Outros sintomas como depressão, ansiedade, dor, noctúria, síndrome das pernas inquietas ou apneia do sono também podem contribuir para a sonolência diurna excessiva ao interferir no sono noturno. As opções de tratamento para sonolência excessiva na Doença de Parkinson incluem ajuste de medicamentos, melhora da higiene do sono, uso de estimulantes ou agentes promotores do despertar.

Outras patologias

Algumas doenças físicas também podem causar sono excessivo, afetando seus níveis de energia ou interrompendo seu sono.

Estes incluem diabetes mellitus (alto nível de açúcar no sangue, insuficiência cardíaca (músculo cardíaco fraco), insuficiência renal (função renal deficiente), insuficiência hepática (função hepática deficiente), câncer (crescimento celular anormal), infecções (como mononucleose ou HIV/AIDS), desequilíbrios hormonais (como menopausa ou baixa testosterona), depressão (baixo humor e perda de interesse).

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Tratamentos possíveis

Para isso é importante tratar a causa para que o excesso de sono se resolva, em alguns casos, além de medicamentos ansiolíticos podem ser prescritos medicamentos para dormir.

Uso de algumas classes medicamentosas:

  • Alguns medicamentos têm como reação adversa o sono;
  • Medicamentos antialérgicos;
  • Antitérmicos;
  • Medicamentos para Parkinson;
  • Cardiovasculares;
  • Relaxantes musculares;
  • Medicamentos para convulsões

Dentre outros, podem fazer com que o paciente sinta sonolência no decorrer do dia e isso está relacionado ao tratamento.

Caso os medicamentos estejam fazendo com que o paciente sinta um cansaço debilitante e que esteja prejudicando suas atividades habituais, é importante que o médico seja notificado para que, caso necessário, seja feito um ajuste da dose ou até mesmo sua substituição.

Tratamento – importante avaliar a causa

valeriana remedio

O tratamento para excesso de sono estará relacionado diretamente à causa, caso a causa seja patológica, o direcionamento clínico será tomado com base no diagnóstico do paciente

Por isso, ainda que o excesso de sono aparente ser apenas “falta de descanso”, o paciente precisa notificar o médico se for muito recorrente.

Ao avançar a idade, as pessoas tendem a ter necessidades de menos horas de sono, mas isso não significa que o corpo humano não precisa descansar.

Durante o sono é feita uma economia de energia por parte do corpo, ocorre a restauração dos tecidos, pode ocorrer aumento da massa muscular e é liberado o GH, também chamado de hormônio do crescimento.

Na fase “REM” do sono, o paciente faz com que tudo o que foi aprendido ao longo do dia seja concretizado.

Alguns médicos solicitam exames de polissonografia para ver se o paciente está apresentando algum problema durante o sono ou se os hábitos estão em desacordo com o que se espera para a faixa etária e sexo do paciente.

Caso seja necessário, alguns médicos inserem medicamentos (inclusive podem estimular tratamentos naturais) à base de cafeína, consumo de alimentos estimulantes e fazer uso de chá preto podem auxiliar.

Dra. Celia Yunes Portiolli

CRM-SP 27971 / RQE 5148 – 19469 Médica Pediatra e Especialista em Acupuntura Área de Atuação em Dor pela AMB (Associação Médica Brasileira), Coordenadora do Curso de Especialização em Acupuntura do CEIMEC – Centro de Estudo Integrado em Medicina Chinesa Médica colaboradora do Ambulatório de Acupuntura do Centro de Dor da Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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Dra. Celia Yunes Portiolli

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