Blog da Saúde

Informações sobre cuidados com a saúde

  • Sintomas
  • Doenças
  • Tratamentos
  • Exames e Medicamentos
  • Especialistas
  • Guias

Arquivos para 28 de outubro de 2022

Infecção urinária é transmissível? Entenda

28 de outubro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Sobre Infecção urinária é transmissível? Entenda: diferencie virose, infecção bacteriana, irritação e sinais de complicação. Febre persistente, falta de ar, piora rápida, desidratação, confusão, dor intensa ou sintomas em pessoas imunossuprimidas reduzem a segurança de observar apenas em casa.

O SISTEMA urinário, ou aparelho urinário, é responsável pela produção, armazenamento e eliminação da urina. Esse sistema é constituído por dois rins, dois ureteres (conduzindo a urina dos rins até a bexiga), uma bexiga (que armazena a urina) e uma uretra (que elimina a urina da bexiga para fora do corpo).

A urina tem como função principal a regulação homeostática da água, modulando os íons do sangue e ajudando a mentar o equilíbrio, além de regular o pH extracelular, osmolaridade, volume do líquido extracelular, pressão sanguínea e a produção hormonal.


Infecção urinária não é contagiosa.

O sistema urinário pode ser acometido por infecções. A infecção urinária é um problema mundial de saúde, caracterizada pela invasão de bactérias, de fungos ou parasitas em qualquer parte do sistema urinário, provocando sintomas ou não. As bactérias são as responsáveis por pelo menos 90% das infecções, tendo como ordem de prevalência: Escherichia coli, espécies de Proteus, Klebsiella e Enterococcus, sendo que geralmente, a Escherichia coli é a principal causadora.

Os fungos têm uma prevalência reduzida, em comparação com as infecções bacterianas. A espécie mais relevante de fungos causadores de infecção urinária é a Candida albicans, associada a indivíduos que passaram por intervenção cirúrgica recente ou imunossuprimidos. A infecção por parasitas é menos comum, mas não são excluídas.

A infecção urinária é uma doença frequente na prática clínica ambulatorial e hospitais, afetando pessoas de todas as idades. No entanto, existem os grupos de risco que incluem: crianças de até 2 anos de idade; pessoas do sexo feminino; mulheres gestantes; diabéticos; portadores de doença arterial coronária; pacientes com problemas renais e transplantados; e idosos.

Meninos de até 2 anos pertencem ao grupo de risco devido a malformações congênitas, utilização de fraldas e prepúcio ocluso. Com relação às meninas de até 2 anos de idade, o risco aumenta pelo uso de fraldas e falta de cuidados com a higiene. Visto que nas mulheres a uretra é mais curta e próxima ao ânus, isso aumenta a probabilidade de risco de infecção urinária nesse grupo.


infecção urinária é transmissível


Nas mulheres grávidas, a prevalência é de aproximadamente 20%, sendo mais no frequente nos primeiros três meses de gestação, estando associada a complicações durante o período gestacional como hipertensão, pré-eclâmpsia e endometrite. Além disso, a gravidez é marcada por fatores mecânicos e hormonais, que desencadeiam alterações no trato urinário feminino, tornando-o mais susceptível às infecções.

Os idosos contraem infecções por diversos motivos, que podem envolver a utilização de cateter vesical, aumento da próstata, uso de fraldas e mudanças fisiológicas causadas pelo envelhecimento. Esses fatores causam a diminuição da capacidade funcional, contribuindo para enfermidades crônicas e debilitantes.

Diante de todos esses fatos já citados e como você já deve ter notado, a infecção urinária é causada por fatores distintos. Mas, uma dúvida que muitas pessoas têm é: a infecção urinária é transmissível? A resposta é não! A infecção urinária não é contagiosa, pois o problema é causado por bactérias que não são transmissíveis.

No entanto, a relação sexual propicia o desenvolvimento da infecção urinária. Homens praticantes de sexo anal sem a utilização de preservativo possuem um risco aumentado de desenvolver infecção urinária. Não porque as bactérias são contagiosas. Na verdade, é devido à exposição ao ânus que possui a colonização de bactérias Escherichia coli, que no trato urinário são capazes de desenvolver infecção.


Como prevenir a infecção urinária?

A prevenção da infecção urinária irá variar de acordo com o agente infeccioso.

A infecção provocada por bactérias pode ser evitada através da higiene em usuários de fraldas, higiene na parte externa do aparelho urinário e cuidados antes e após as relações sexuais.

As infecções por fungos e parasitas podem ser reduzidas por meio do uso de preservativo.


Como é o tratamento da infecção urinária?

O tratamento dependerá do agente etiológico, histórico clínico do paciente e infecções complicadas ou não complicadas.

Geralmente, o médico prescreve medicamentos antibióticos para combater o excesso de bactérias. Analgésicos também são úteis para reduzir os espasmos e anestesiar a bexiga e uretra, o que traz alívio aos sintomas de infecção urinária, como dor e queimação.


infecção urinária é transmissível


Para as infecções urinárias recorrentes é importante otimizar a higiene pessoal, utilizar vitamina C como acidificante urinário, tomar cuidados extras após o contato sexual e usar antibióticos ou antissépticos profiláticos. Uma ótima alternativa natural, tendo sua eficácia já comprovada, é o consumo de uma fruta vermelha chamada cranberry, em forma de suco ou cápsulas.

A duração do tratamento varia entre 3 dias a 6 semanas. Mesmo sem tratamento, a maioria das infecções urinárias tende a se resolver espontaneamente em cerca de 20% das mulheres, principalmente se for usada hidratação aumentada. 


Referências:

BONO, M. J. et al. Urinary Tract Infection. National Library of Medicine. StatPearls. 2022.

NETO, E. L.; SOUZA, L. F. Infecção do trato urinário, morfofisiologia urinária, etiologia, prevalência, sintomas e tratamento: uma revisão bibliográfica. Revista Artigos.Com, v. 31, n. 9166, p. 1-7. 2021.

Fontes úteis

  • CDC: doenças infecciosas
  • MedlinePlus: infecções
  • WHO: temas de saúde

Arquivado em: Clínica Médica, Artigos, Curiosidades Marcados com as tags: aparelho urinário, bactérias, infecção, infecção urinária, uretra

Irritabilidade na gravidez: causas e quando buscar ajuda

28 de outubro de 2022 by Dra. Juliana Toma

Sobre Irritabilidade na gravidez: causas e quando buscar ajuda: considere ciclo menstrual, possibilidade de gravidez, semana gestacional quando houver gestação e sintomas associados. Sangramento, dor pélvica forte, febre, perda de líquido, falta de ar ou redução de movimentos fetais mudam a prioridade.

A GRAVIDEZ é uma condição que representa o período da formação de um novo ser. A mulher aguarda nove meses por uma nova vida. Consequentemente, durante esse período acontecem diversas transformações, sejam biológicas ou psíquicas.

Essa fase é marcada por alterações biológicas, sociais, corporais e emocionais, que preparam o organismo para a chegada da criança. São mudanças bem particulares e até mesmo difíceis, variando de uma mulher para outra, mas geralmente parecidas, que trazem certo grau de angústia, insegurança e dúvidas sobre o que realmente está acontecendo com o seu corpo e emoções.

Durante a gestação, geralmente a mulher entra em um estado de tensão, em razão da expectativa das grandes mudanças que estão e continuarão a acontecer. A mulher fica sujeita a mudanças internas e externas, envolvendo mudanças no corpo, desequilíbrios emocionais, mudanças de humor, ansiedade, medo, sentimentos positivos e negativos, insegurança e irritabilidade.

Da mesma forma que algumas mulheres experimentam irritabilidade antes do período menstrual, é comum sentir esse sentimento durante a gravidez. A grande razão para a irritabilidade antes do período menstrual são as oscilações hormonais. Durante a gravidez, essa oscilação é muito mais intensa. Os hormônios mudam rapidamente, especificamente o estrogênio e a progesterona. 

Um estudo publicado pelo periódico Nigerian Medical Journal salienta que os níveis de estrogênio aumentam durante as primeiras 12 semanas de gravidez, mais de 100 vezes do que o normal.

irritabilidade na gravidez

O estrogênio está associado à serotonina, que é uma substância química do cérebro conhecida como o “hormônio da felicidade”. No entanto, a serotonina não é uma conexão direta com a felicidade, pois desequilíbrios desse hormônio podem causar uma desregulação emocional.

As mudanças nos níveis de estrogênio causam os desequilíbrios de humor na gravidez, em particular, ansiedade e irritabilidade. A progesterona é o hormônio que faz uma mulher grávida chorar em todos os comerciais de televisão. Sabendo que o estrogênio é o que provoca irritabilidade e a progesterona causa sensibilidade, não é de se admirar que a gravidez desencadeie alterações de sentimentos e humor.

Vale destacar que a irritabilidade na gravidez não é resultado apenas das oscilações hormonais, mas também dos desconfortos da gravidez. Enjoos matinais, vômitos, fadiga, além de outros sintomas físicos associados à gravidez podem causar estresse e sofrimento emocional, até porque ninguém se sente bem estando emocionalmente cansada ou enjoada durante a gestação.

Quando não estamos nos sentindo bem, é quase improvável nos sentirmos calmos e tranquilos. Então é natural o desconforto físico contribuir para a irritabilidade na gravidez.

desconfortos da gravidez

A irritabilidade e o estresse são significativos e mais frequentes por volta dos três últimos meses da gestação. Apesar de ser um sentimento comum na fase da gestação, pesquisas revelam que a irritabilidade e o estresse podem ser maléficos para a saúde da gestante e suas relações intrafamiliares, pois torna-se difícil estabelecer o vínculo entre a mãe e o bebê, trazendo prejuízos ao desenvolvimento do bebê em diversos aspectos.

Certamente, a gestação é uma fase bem complicada na vida da mulher, onde ocorrem alterações profundas, envolvendo mudanças no corpo, na mente e no meio social. As mudanças de humor são inevitáveis, mas isso não significa que a mulher não pode fazer nada para tornar essa fase um pouco mais fácil.

Se você se interessou em ler esse artigo, provavelmente é porque está grávida e sofrendo com as oscilações de humor.

A seguir, veja algumas “dicas” que podem ajudá-la a lidar melhor com essas mudanças de humor durante a sua gravidez.

Durma bem

Geralmente, no primeiro trimestre da gravidez, é natural se sentir cansada, não importa quantas horas você já tenha dormido. No terceiro trimestre, pode ocorrer a falta de sono devido ao grande esforço em se sentir confortável. Mas lembre-se: você precisa dormir. O sono e o cansaço são alguns dos caminhos que levam à irritabilidade. Faça o que puder para tornar o seu momento de sono mais tranquilo.

grávida dormindo

Tenha paciência com você mesma

Algumas mulheres grávidas se sentem mal pelas alterações de humor que estão sofrendo. Mas saiba que durante a gravidez, isso é comum. Entenda que os hormônios são os culpados e, com o tempo, as coisas irão voltar ao normal.

Tenha um diálogo com seu companheiro ou familiares à sua volta

A irritabilidade pode fazer você perder a paciência facilmente. Então converse com as pessoas à sua volta e deixe-as conscientes de que o problema não é com elas. Prepare-os antecipadamente para os possíveis períodos momentâneos de irritação e estresse. Quando acontecer, eles entenderão e a sua consciência não ficará tão pesada.

Faça meditação ou ioga

Meditação e ioga ajudam a reduzir a ansiedade e aumentam a sensação de bem-estar. Experimente essas técnicas através dos inúmeros aplicativos gratuitos online disponíveis. Ao decidir fazer aulas de ioga, apenas se certifique de que são apropriadas para mulheres grávidas, realizando aulas suaves e restauradoras.

grávida praticando ioga

Caso as suas alterações de humor se tornem muito intensas e frequentes, é importante conversar com seu médico sobre as opções de como lidar melhor com essas mudanças graves de humor, irritabilidade e ansiedade.


Quando é esperado e quando merece atenção

Oscilações de humor podem fazer parte da gravidez, especialmente quando há náuseas, dor, sono ruim, medo do parto, sobrecarga de trabalho ou insegurança. Mas “comum” não significa que a gestante precise aguentar sozinha. Irritabilidade muito intensa, ansiedade persistente, tristeza, perda de interesse, crises de pânico ou pensamentos de machucar a si mesma exigem conversa direta com o obstetra ou profissional de saúde mental.

SituaçãoO que pode ajudarQuando avisar o médico
Irritação leve e passageiraDescanso, alimentação, apoio e redução de gatilhosSe começar a afetar relações ou autocuidado
Ansiedade frequenteTerapia, rotina de sono e técnicas de respiraçãoSe houver crises, insônia ou medo constante
Tristeza ou desesperançaAvaliação profissionalO quanto antes, especialmente com pensamentos ruins

Checklist de apoio prático

  • Conte ao obstetra como está seu humor, não apenas sintomas físicos.
  • Peça ajuda concreta: comida, transporte, tarefas domésticas ou cuidado com outros filhos.
  • Evite culpa: irritabilidade pode refletir cansaço, dor, medo e alterações biológicas.
  • Procure atendimento imediato se houver ideia de autoagressão ou sensação de perder o controle.

Recado importante: saúde mental perinatal é parte do pré-natal. Ansiedade e depressão na gravidez têm tratamento e devem ser acolhidas sem julgamento.

Referências:

KUMAR, P.; MAGON, N. Hormones in pregnancy. Nigerian Medical Journal, v. 53, n. 4, p. 179-183. 2012.

MARQUES, A. C. M.; SOUZA, L. F. Gestação e seus fatores emocionais. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Centro Universitário de Anápolis – Unievangélica, Anápolis, 2019.

Fontes úteis

Atualizado em 15/05/2026 para reforçar triagem de ansiedade e depressão na gestação. Leituras usadas na atualização: ACOG sobre ansiedade e gravidez, ACOG sobre depressão na gravidez e CDC sobre saúde mental materna.

Arquivado em: Curiosidades, Ginecologia e Obstetrícia, Sintomas de A-Z

Gordura no fígado: causas, riscos e prevenção

28 de outubro de 2022 by Dr. Andrew Seung Ho Park

Gordura no fígado costuma se relacionar a resistência à insulina, peso abdominal, álcool, triglicérides, diabetes, sedentarismo e alguns medicamentos. O risco não depende só do ultrassom: enzimas hepáticas, fibrose, circunferência abdominal e doenças metabólicas orientam a prioridade.

GORDURA no fígado, conhecida pelo termo médico como “esteatose hepática”, é caracterizada por um acúmulo de lipídios, ou gordura, nas células do fígado, sobretudo triglicerídeos, que excede 5% do peso do fígado.

A gordura no fígado é um problema comum que ocorre em todas as idades, sendo mais prevalente na quarta ou quinta décadas de vida. Embora a sua ocorrência atinja igualmente os dois sexos, existe uma tendência maior nas mulheres do que nos homens.

As causas da gordura no fígado são multifatoriais, apresentando várias condições ou fatores associados à predisposição para o seu desenvolvimento:

o que causa gordura no fígado
  • Obesidade: a obesidade é considerada um estado de estresse oxidativo, o que envolve inflamação, gerando então o armazenamento de gordura no fígado.
  • Consumo excessivo de álcool: a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas tem sido associada ao aparecimento de gordura no fígado. Esse órgão possui a capacidade de metabolizar as moléculas de etanol, mas quando os níveis de etanol são elevados, os subprodutos ficam concentrados, tornando-se tóxicos para as células do fígado. Esse dano começa a interferir nas funções do fígado, contribuindo para o acúmulo de gordura.
  • Diabetes mellitus: a resistência à insulina provoca um aumento de ácidos graxos livres no fígado, devido à falha da insulina em suprimir a lipase sensível ao hormônio.
  • Hiperlipidemia: essa condição envolve o aumento dos lipídios, ou seja, gorduras no sangue, principalmente de triglicerídeos e colesterol, que podem acumular-se também no fígado.
  • Sedentarismo: o sedentarismo contribui para doenças como diabetes, obesidade e hipertensão, que quando combinados, tornam-se condições favoráveis para o surgimento de gordura no fígado.
  • Dieta rica em gordura, açúcar e carboidratos: a alimentação está relacionada ao acúmulo de gordura no fígado. O consumo de alimentos ricos em gorduras, açúcares, carboidratos e pobre em fibras resulta em ganho de peso, ocasionando então a esteatose hepática.
  • Hepatite B ou C: essas doenças estão relacionadas ao acúmulo de gordura no fígado, pois a presença de lesões provocadas pela hepatite B e C nos hepatócitos dificultam o trabalho do fígado, contribuindo para o acúmulo de gordura no órgão.
  • Cirurgia abdominal como derivação biliodigestiva e ressecção extensa do intestino delgado: essas são causas secundárias que podem contribuir para gordura no fígado.
  • Uso de medicamentos, como amiodarona, tamoxifeno, cloroquina, corticoides e estrógenos: esses medicamentos podem ocasionar lesões no fígado e, consequentemente, esteatose hepática.
  • Lipodistrofia: pessoas que sofrem com essa distribuição anormal de gordura têm mais chances de desenvolver diabetes, altos níveis de triglicerídeos e fígado gorduroso.
  • Doença celíaca: pessoas que sofrem com essa doença autoimune desencadeada pela ingestão do glúten têm mais chances de desenvolver certas doenças no fígado, como é o caso da esteatose hepática.
  • Doença de Wilson: essa doença é rara, caracterizada pela incapacidade do organismo em metabolizar o excesso de cobre, provocando então um quadro de intoxicação. Geralmente, esse excesso de cobre é armazenado no fígado, causando lesões nos hepatócitos e facilitando o acúmulo de gordura no fígado.
o que causa gordura no fígado

Qual é o tratamento da gordura no fígado?

O tratamento baseia-se em medidas nutricionais visando a redução de peso, o controle da resistência de insulina, o estímulo à desintoxicação do fígado, a melhora dos níveis de triglicerídeos e o incentivo à introdução de uma dieta mais saudável.

O tratamento também inclui a realização de exercícios físicos e administração de medicamentos para reduzir a resistência à insulina, além de medicamentos anti-hipertensivos e hipolipemiantes, caso seja necessário.

Os pilares do tratamento são, portanto, as modificações no estilo de vida e perda de peso, além do controle glicêmico e lipídico.

Como deve ser a dieta para tratar a gordura no fígado?

Uma alimentação inadequada, rica em gorduras, carboidratos simples ou contaminantes externos, contribuem para o surgimento ou agravamento de doenças hepáticas.

É recomendado que o paciente com fígado gorduroso adote uma dieta com restrição moderada de carboidratos para promover a mobilização de lipídios hepáticos. Além disso, dietas com restrição de gordura e carboidratos induzem a perda de peso e melhora o perfil lipídico.

O ideal é que o perfil lipídico seja de aproximadamente 6% de ômega-6 e 1% de ômega-3 do percentual total de energia da dieta. A suplementação de óleo de peixe, diariamente, reduz significativamente a concentração de triglicerídeos e o grau de esteatose hepática.

Alimentos ricos em fibras alimentares também são recomendados por reduzirem a concentração de ácidos graxos livres após as refeições, ajudando inclusive a reduzir os níveis de glicose no sangue.

Alimentos ricos em fibras

Sugere-se também a ingestão de alimentos ricos em nutrientes antioxidantes, como forma de reduzir o estresse oxidativo, incluindo vitaminas C, E, carotenoides, coenzima Q e bioflavonóides. A suplementação de zinco protege contra o dano no fígado, promovendo um efeito protetor que pode ser utilizado no tratamento para fígado gorduroso.

Frutas frescas, vegetais, proteínas e leite com pouca gordura devem ser priorizados na dieta de quem tem gordura no fígado. Alimentos ricos em gorduras saudáveis também devem ser consumidos, mas em quantidades moderadas.

A orientação de um nutricionista é primordial para ajudar a montar um plano alimentar e tirar melhor as dúvidas sobre o que comer para reduzir a gordura no fígado.

Principais caminhos que levam à gordura no fígado

A gordura no fígado costuma aparecer quando há desequilíbrio entre entrada, produção, uso e armazenamento de gordura pelo organismo. Hoje, muitos especialistas usam o termo doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) para destacar o papel de resistência à insulina, diabetes tipo 2, obesidade abdominal, triglicerídeos altos e pressão alta. O álcool, alguns medicamentos, hepatites e outras doenças também podem contribuir e precisam ser considerados.

FatorComo contribuiO que costuma ser avaliado
Resistência à insulinaFacilita acúmulo de gordura no fígadoGlicemia, hemoglobina glicada e cintura abdominal
ÁlcoolPode causar ou agravar esteatoseQuantidade, frequência e padrão de consumo
Colesterol e triglicerídeosRefletem risco metabólico associadoPerfil lipídico e risco cardiovascular

O que ajuda de verdade

  • Redução gradual de peso quando há excesso de gordura corporal.
  • Atividade física regular, combinando treino aeróbico e fortalecimento.
  • Controle de diabetes, triglicerídeos, pressão e apneia do sono quando presentes.
  • Revisão do consumo de álcool e dos medicamentos com o médico.

Atenção: enzimas do fígado normais não excluem gordura no fígado nem risco de fibrose. A decisão sobre ultrassom, elastografia ou outros exames depende do risco individual.

FatorPor que importa
ÁlcoolPode piorar inflamação hepática e precisa ser quantificado.
Diabetes e triglicéridesAumentam risco metabólico e influenciam metas de tratamento.
FibroseÉ o ponto que mais muda prognóstico e necessidade de investigação.
Perda de peso sustentávelMudanças graduais costumam ser mais seguras que dietas extremas.

Fonte: Ministério da Saúde: Guia Alimentar para a População Brasileira.

Referências:

ANTUNES, C. et al. Fatty Liver. National Library of Medicine. StatPearls. 2022.

CARVALHO, M. S. A. Esteatose hepática e fatores associados: um estudo em pacientes atendidos ambulatorialmente em um hospital universitário. 2010. Dissertação (Mestrado em Nutrição) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2010.

Fontes úteis

Atualizado em 15/05/2026 para incluir linguagem metabólica atual e medidas práticas. Leituras usadas na atualização: NIDDK, Mayo Clinic e NIDDK sobre diabetes e fígado gorduroso.

Arquivado em: Artigos, Clínica Médica, Curiosidades, Sintomas de A-Z Marcados com as tags: fígado, gordura no fígado, hepatite, Médico especialista em fígado, ômega-6

Término de relacionamento: apego e idealização

28 de outubro de 2022 by Eduarda Moro

Prejuízo persistente no sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado indica necessidade de avaliação e apoio estruturado.

Diante do término de um relacionamento muita coisa vem à tona. São emoções e pensamentos repetitivos que misturados resultam em uma confusão psíquica. É difícil saber por onde começar quando se termina. Somos inundados por sentimentos que se tornam físicos, é como se a ansiedade tomasse uma forma concreta que reverbera no corpo. A barriga dói, a cabeça dói, o enjoo chega. O corpo dá sinais de que sabe que algo não está bem. E não está. Mesmo quando o término parece a única saída, ainda assim, terminar um relacionamento é uma tarefa complexa, pois demanda um ato de reaver questões pessoais que, em muitos casos, foram deixadas de lado para dar seguimento a relação. Sempre me questiono: por que continuamos então? Das tantas respostas possíveis, o apego emocional parece sempre estar envolvido ante a essa situação.

Conversando com um amigo que há poucos dias terminou um relacionamento, pedi a ele que, livremente, escrevesse algo sobre o final. Não tinha a pretensão de escrever sobre apego emocional, minha questão era com o término, queria esmiuçá-lo, analisar o que se repete na cabeça de quem acabara de acabar, mas parece ficar evidente a conexão do apego em sua escrita.

Vamos ao relato:

“ – ‘Ela não é a única pessoa do mundo’, disse um amigo quando falei sobre o sentimento de que nunca encontraria alguém com as qualidades e com a compatibilidade de valores que tinha a pessoa da qual eu estava acabando de me separar.

Ele ainda complementou: “Sei que parece assim agora, mas isso já aconteceu comigo duas vezes e eu continuei encontrando pessoas maravilhosas”. Aí fiquei parado nesse vácuo do tempo esperando e querendo que o tempo passasse logo pra curar toda aquela dor que eu estava sentindo.

É meio ridículo ter que esperar e acho que desaprendi, já esperei muito na vida, me considero um ser com bastante paciência, pois sendo filho de agricultores sei que hora a safra não vai bem e é necessário esperar 1 ano para tentar de novo. Planejamento a médio e longo prazo são coisas que aprendi desde pequeno, quando eu deixava de brincar com meus primos para ficar na cozinha durante a o café da tarde de domingo, fingindo que estava brincando enquanto estava, na verdade, ouvindo os assuntos dos adultos.

Achava meio mágico tudo aquilo, parecia uma outra vida, um outro tempo, coisa mágica, então óbvio que eu queria ser adulto. A adolescência foi péssima e depois de alguns natais celebrados em família, e outros que eu fugi pedalando de bicicleta, os anos se passaram. Agora estou com 30 anos, me separando de um relacionamento de 1 ano e alguns meses, que sinto com uma intensidade que parece ter sido de uma vida inteira. E claro que a dor deve ser proporcional a intensidade toda…”

Muitas questões se apresentam aí, que não dizem só do término. Esse relato parece, de algum modo, representar a confusão psíquica que é experimentada por vários outros sujeitos diante do fim da relação. O que, em suma, poderia resultar em um método prático para viver o fim –  já que são sentimentos e pensamentos que se repetem em diversos casos de término –, acompanhado de respostas prontas e frases que guiam a um recomeço, mas isso não é possível. E não é possível porque terminar com um outro demanda um reencontro, esse que é muito particular, e que é vivido por cada um de modo diferente.

Término e apego emocional: sobre idealização do outro e o medo do novo

Quando uma relação acaba sentimos que algo de nós acaba também. E de fato acaba, porque o término cinde com a idealização que fazíamos do parceiro e do casal que se formava junto deste.

A idealização é um processo psíquico pelo qual projeta-se aquilo tudo que se deseja em um parceiro, que sempre é da ordem do ideal e sem espaço para falha. É um arquétipo que se organiza entorno de uma imagem, que representa o que consideramos bom e adequado para nós e que precisa ser atendido pelo outro da relação. É junto da idealização que se produz pensamentos como o do relato acima: “nunca vou encontrar alguém igual a essa pessoa”. E de fato, não vai. Mas não vai porque aquela pessoa estava vinculada a um ideal, era nosso desejo refletido e materializado.

A idealização não reflete apenas nossa demanda urgente de que alguém atenda todos nossos desejos e expectativas, mas diz também sobre uma outra idealização: a construção da família. Daí a importância de que alguém corresponda ao nosso ideal de par, dado que estamos buscando um outro para realizar um ato grandioso que é a construção de uma nova família. Essa então, que precisa dar conta de preencher aquilo que “faltou” na família de origem.

A construção de uma nova família com o par idealizado cria uma noção de urgência, de pressa, principalmente quando isso tudo carrega o peso da idade cronológica, que nesses casos é sentida como cobrança. Nos cobramos por não termos encontrado ainda alguém ideal para constituir uma família, porque nossa concepção de vida adulta está frequentemente atrelada a isso: a união com um outro, que comigo irá inaugurar uma nova família.

Precisamos considerar isso tudo quando enfrentamos a dor do término. A dor é real, sentimos falta da presença do outro, da rotina e dos desejos construídos com o par. A intensidade descrita na fala citada também é real. Não há como apressar a dor. Todos os sentimentos e pensamentos que resultam da experiência do término são também decorrentes do apego emocional. Cabe lembrar que o apego emocional não está conectado apenas ao outro e aquilo que foi vivido com esse outro; o apego emocional refere-se também a idealização do par e tudo aquilo que se projetou nessa relação.

Sobretudo, os sentimentos que experimentamos ante a um término são derivados do que está por vir. Até então estávamos acostumados com o outro, com o que éramos junto desse outro, com a rotina. Quando uma relação termina, essas certezas que se construíram terminam também. Não há como saber o que vem depois da dor, depois de um fim. O novo assusta tanto quanto o final. Mas uma certeza podemos ter: existem outras pessoas no mundo.

Resumo visual: padrão, intensidade e impacto

Em saúde mental, o mais útil é observar frequência, intensidade e prejuízo na rotina. Isso evita transformar uma emoção passageira em diagnóstico e também evita minimizar sofrimento persistente.

termino de relacionamento
PontoComo observarPor que ajuda
PadrãoQuando aparece, quanto dura e o que costuma disparar?Ajuda a diferenciar reação pontual de ciclo repetido.
ImpactoSono, trabalho, estudo, relações e autocuidado mudaram?Mostra se o problema está afetando funcionamento real.
ApoioHá risco, isolamento, uso de álcool/drogas ou pensamentos de morte?Indica necessidade de ajuda imediata.
  • Anote situações que pioram e aliviam.
  • Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
  • Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.

Quando buscar apoio estruturado

Em Término de relacionamento: apego e idealização, a linha de cuidado aparece quando o sofrimento deixa de ser episódio isolado e passa a limitar decisões, sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado. A intensidade importa, mas duração e prejuízo funcional costumam orientar melhor a necessidade de ajuda.

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

Arquivado em: Artigos, Psicologia Marcados com as tags: artigos, psicologia

Finitude: como pensar a vida e o cuidado emocional

28 de outubro de 2022 by Eduarda Moro

Prejuízo persistente no sono, apetite, concentração, vínculos, trabalho ou autocuidado indica necessidade de avaliação e apoio estruturado.

Resposta direta: pensar sobre finitude pode ser saudável quando ajuda a reorganizar valores, prioridades e vínculos. O sinal de cautela aparece quando o tema vira medo constante, desesperança, isolamento, perda de sentido ou vontade de desaparecer.

Texto escrito em coautoria da psicóloga Maria Carolina da Silveira Moesch. Mestra em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais

Muitas notícias têm sido veiculadas sobre a saúde mental, ou mais especificamente a falta dela, na pós pandemia, ou na sindemia (termo que vem sendo utilizado para o momento que estamos vivendo, já que sindemia, significa um conjunto de problemas de saúde interligados). Aponta-se para um aumento significativo do sofrimento humano decorrente dos diferentes efeitos da Pandemia, sejam eles efeitos físicos, sociais, culturais e psicológicos.

Sabe-se que a emergência humanitária sanitária que vivemos, acabou descortinando outras fissuras da humanidade: as violências de gênero aumentaram, as violências contra as crianças e adolescentes, a fragilidade atual das diferentes políticas públicas, em especial a educação, assistência social e saúde. Isso sem falar das questões socioeconômicas, a falta de comando dos governos para uma melhor gestão da pandemia, e ainda as questões de saúde e saúde mental que já existiam e que se tornaram mais agudas. Vivemos agora momentos de desastres dentro do desastre.

Enquanto profissionais da psicologia, atuamos como psicólogas em situações de desastres. Maria Carolina de forma mais efetiva do que Eduarda. Contudo, podemos dizer que, profissionalmente e pessoalmente, nossas vidas foram perpassadas por situações de desastres. Ainda assim, não de forma tão expressiva como agora, não de modo tão visível e exposto como os dias que vivemos. Talvez, enquanto humanidade, nos demos conta, de forma muito intensa, da finitude da vida, da finitude dos processos de trabalho, das relações sociais, das relações familiares, do cotidiano conhecido, de nós mesmos. 

Também, muito foi ponderado dentro dos grupos que trabalham com o sofrimento humano (psicólogos, terapeutas, médicos) sobre os processos de perdas, os lutos legitimados e não legitimados, nos atravessaram com intensidade. Não pudemos deixar de olhar para a importância dos rituais fúnebres para as famílias e amigos, para as perdas do cotidiano de ir a escola, de estar juntos a mesa para compartilhar, da vida, do alimento, do abraço que ficou suspenso, do trabalho que mudou de lógica e intensificou-se, perdendo-se em termos de temporalidade e misturando-se com a intimidade do lar.

Viorst (2005) nos diz que o modo como experienciamos nossas perdas, diz muito sobre o modo como vivemos. O que nos leva a reflexão, sobre a presencialidade nos processos afetivos que passam por nós.

Como vivemos e experienciamos nossas perdas? Há experienciamos nesta atualidade fluída? De um compromisso adoecedor por uma felicidade constante que não existe?! Perguntas que cabe a cada um a reflexão.

Cabe aqui, resgatar de forma menos teórica e mais visceral sobre como compreendemos os processos de morte e o enlutar-se. E o que é esse luto?  Partimos das palavras da escritora Chimamanda, de que o luto é uma forma cruel de aprendizado. Para a autora com o luto,

“Você aprende como ele pode ser pouco suave, raivoso. Aprende como os pêsames podem soar rasos. Aprende quanto do luto tem a ver com palavras, com a derrota das palavras e com a busca de palavras” (NGOZI ADICHiE, 2021, p. 14).

Ou ainda:

“O Luto é uma estrada não pavimentada e imprevisivelmente sinuosa. Ele é inflexível e parece desordenado ou “incivilizado”, sobretudo para aqueles que aderem ao “culto da felicidade”. O luto é um antiestabilizador, um processo que viola regras, sendo resistente à contenção. O luto se recusa a seguir protocolo. É um território sagrado que pertence a cada indivíduo” (LUZ, 2021.p. 19-20).

De fato, essa imprevisibilidade atrelada à inflexibilidade nos rouba a falsa sensação de segurança. Não cabe aqui uma explicação teórica sobre o processo da morte, o morrer e o luto. Cabe a nós a reflexão sobre a finitude de processos vividos, e o novo/velho que pode se abrir, já que o mesmo não deixa de ser (uma cruel) aprendizagem, e um caminho que trilhamos só.

Sobre o luto: finitude(s) da vida e de vidas

Nos é estranha a tarefa de pensar, ler, dizer da morte. A morte, do modo como a concebemos conceitualmente, representa o fim da vida orgânica. Refere-se a um processo que não conhecemos por experiência própria, ainda. Da morte, temos apenas a concepção daquilo que se constrói a partir do imaginário coletivo e da observação que ronda a morte de um outro. Somos sujeitos marcados pelas experiências, são elas quem nos conduzem à consciência, das coisas e das coisas da vida. Por isso, talvez, dizer da morte seja tarefa árdua. Enquanto permanecermos vivos, da experiência da morte orgânica não saberemos.

Contudo, a morte não está atrelada apenas ao corpo físico…

Morte é também finitude, mas não é na morte que moram todas as finitudes da vida. Diferente da morte, a finitude é um fim passível de experimentação durante a vida. A finitude comporta a vida, dá contorno a ela e mesmo quando encerra algo, também inaugura. É, inclusive, por sabermos da finitude que nos confortamos com a morte de alguém, compreendendo que também cabe finitude no sentimento e na experiência da dor da perda.

Há muito começo que só é inaugurado pela finitude. Seja de um dia ruim, de um término, de um processo, ou até mesmo de um emprego. Enfrentamos finais mesmo quando não os nomeamos assim. Talvez, não passemos ilesos desta experimentação do fim, a finitude também há de doer, mas certamente, é um final que nos conduz a um novo início. Por isso mesmo a finitude é demarcada por um sentir que é agridoce, vivê-la é sempre encontrar com o amargo e com a doçura, tal como é com a vida.

Nós só sabemos o que é doce porque experimentamos o amargo. Ainda assim, parece não haver mais espaço para viver o que não faz da vida alegre, nos tempos atuais. Buscamos métodos, terapias, vídeos e cursos que de algum modo nos conduzam a um aceleramento do processo do sentir a finitude. A cultura ocidental parece ter vinculado a ideia de produção ao sentimento de fim, de modo que, passar por um processo de finitude nos tornaria improdutivos devido as emoções atreladas aos finais. Sofrer o fim seria então estar contraproducente àquilo que se espera da vida. Justamente por isso, precisamos atentar para a compreensão do que se espera da vida contemporânea.

A vida é perpassada de finitudes. Sejam essas as finitudes orgânicas, emocionais, de experiências. O fim é uma certeza que temos diante de todos os processos de vida. Quando buscamos apressar aquilo que é da ordem do fim, não estamos de modo algum ilesos das emoções que advém das finitudes, mesmo quando acreditamos nisso. Viver o fim é o que nos aproxima da própria vida, e de um viver que se conecta com o mais íntimo do que ainda está vivo em nós.    


Referências:

VIORST, J. Perdas Necessárias. 4ªed. São Paulo. Editora Melhoramentos, 2005. Tradução: Aulyde Soares Rodrigues.

LUZ, R. O luto é outra palavra para falar de amor. 1º Ed. Editora Ágora. 2021

NGOZI ADICHiE, C.. Notas sobre o luto. Tradução Fernanda Abreu. 1º ed. São Paulo, Companhia das  Letras, 2021.

Resumo visual: padrão, intensidade e impacto

Em saúde mental, o mais útil é observar frequência, intensidade e prejuízo na rotina. Isso evita transformar uma emoção passageira em diagnóstico e também evita minimizar sofrimento persistente.

finitude
PontoComo observarPor que ajuda
PadrãoQuando aparece, quanto dura e o que costuma disparar?Ajuda a diferenciar reação pontual de ciclo repetido.
ImpactoSono, trabalho, estudo, relações e autocuidado mudaram?Mostra se o problema está afetando funcionamento real.
ApoioHá risco, isolamento, uso de álcool/drogas ou pensamentos de morte?Indica necessidade de ajuda imediata.
  • Anote situações que pioram e aliviam.
  • Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
  • Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.

Quando refletir sobre finitude ajuda

Refletir sobre finitude pode aproximar a pessoa do que é concreto: relações, tempo, escolhas, despedidas e limites. Em saúde mental, essa reflexão é diferente de ruminação. A reflexão abre espaço para decisão; a ruminação repete medo, culpa ou desespero sem produzir cuidado.

ExperiênciaLeitura útil
Tristeza ao lembrar perdasPode fazer parte do luto e da elaboração.
Medo constante de morrerPode indicar ansiedade, pânico ou trauma.
Perda de sentido persistentePede avaliação se reduz vida social, sono ou autocuidado.
Vontade de sumir ou morrerÉ sinal de risco e precisa de ajuda imediata.

Como conversar sobre o tema sem romantizar sofrimento

A pergunta não deve ser “como transformar dor em aprendizado” a qualquer custo. Uma formulação mais cuidadosa é: que parte dessa experiência pede apoio, que parte pede descanso e que parte pede mudança de ambiente? Nem todo sofrimento precisa ser produtivo para ser levado a sério.

Em luto, doença grave, perda de função ou crise familiar, a pessoa pode precisar de escuta, rotina mínima, suporte prático e acompanhamento profissional. Falar de finitude com seriedade é reconhecer limites, não exigir força permanente.

Quando buscar apoio estruturado

Em Finitude: como pensar a vida e o cuidado emocional, a linha de cuidado aparece quando o sofrimento deixa de ser episódio isolado e passa a limitar decisões, sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado. A intensidade importa, mas duração e prejuízo funcional costumam orientar melhor a necessidade de ajuda.

SinalLeitura clínica
Sintoma persistentePede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos.
EvitaçãoMostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas.
Uso de álcool ou remédios para suportar o diaAumenta risco e pode mascarar o quadro.
Pensamentos de morteExigem apoio imediato e rede de segurança.

O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.

Fontes úteis

  • WHO: saúde mental
  • NIMH: saúde mental
  • MedlinePlus: saúde mental

Arquivado em: Artigos Marcados com as tags: artigos, psicologia

Últimos Posts

Botox para bruxismo: benefícios possíveis, evidência e riscos

Leia mais »

Menstruação prolongada com pouco fluxo: causas e avaliação

Leia mais »

Quem não menstrua mais pode engravidar?

Leia mais »

DIU Mirena e menstruação: escapes, redução e ausência do fluxo

Leia mais »

Informação clara para uma conversa melhor sobre saúde.

Encontre nossos autores, critérios editoriais e canais de contato.

Novos guias, sem excesso

Receba uma seleção editorial no seu e-mail.

Institucional

  • Sobre o Blog da Saúde
  • Equipe editorial
  • Especialistas
  • Contato

Critérios editoriais

  • Como produzimos conteúdo
  • Política editorial
  • Revisão médica
  • Critérios de fontes
  • Correções e atualizações

Leitura e acesso

  • Guias
  • Independência editorial e publicidade
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

2026 © Blog da Saúde.

Aviso médico: as informações fornecidas neste site visam melhorar, não substituir, a relação direta entre o paciente e os profissionais de saúde.

Pesquisar no Blog da Saúde

Exemplos vitamina D exame TGO dor de garganta
Ver todos os resultados