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Febre após exercício: quando é normal e alerta

18 de julho de 2022 by Dr. João Arthur Ferreira

Febre verdadeira após exercício não deve ser tratada como “normal” automaticamente. Calor corporal sobe durante treino, mas temperatura persistente, calafrios, confusão, desidratação, dor muscular intensa ou urina escura podem indicar doença, exaustão pelo calor, insolação ou rabdomiólise.

Calor do treino não é sempre febre

Durante exercício, o corpo produz calor e a pele pode ficar quente. Isso é diferente de febre persistente medida com termômetro após repouso. A pergunta é: a temperatura normaliza com hidratação, sombra e descanso, ou continua alta com sintomas?

Treino em calor, umidade, roupa inadequada, pouca aclimatação, infecção viral, desidratação, medicamentos e esforço extremo aumentam risco. Em atletas, militares e trabalhadores expostos ao calor, a diferença entre cansaço comum e doença pelo calor pode ser decisiva.

SituaçãoLeituraConduta
Esquenta durante treino e normalizaResposta esperada.Recuperar e observar.
Tontura, náusea, fraquezaExaustão pelo calor possível.Resfriar, hidratar e avaliar.
Confusão/desmaioInsolação possível.Emergência.
Urina escura e dor muscular intensaRabdomiólise possível.Urgência.

Quando procurar atendimento

Procure atendimento rápido se há temperatura alta persistente, confusão, desmaio, pele muito quente, falta de ar, dor no peito, vômitos, desidratação, cãibras intensas, fraqueza importante, urina escura ou dor muscular fora do esperado. Esses sinais não são “só treino pesado”.

Se a febre aparece horas depois ou no dia seguinte com dor de garganta, tosse, diarreia, dor urinária ou mal-estar, pense também em infecção. Exercício pode ter coincidido com o início da doença.

Medir: temperatura após repouso.
Contexto: calor, umidade, hidratação e esforço.
Alerta: confusão, urina escura, desmaio.
Prevenir: aclimatação, pausas e hidratação.

Prevenção prática

Aumente carga e exposição ao calor gradualmente. Evite treinar forte em horários extremos quando não aclimatado. Planeje hidratação, roupas leves e pausas. Medicamentos, álcool, privação de sono e doença recente podem reduzir tolerância ao calor.

Como medir corretamente

Meça a temperatura após parar, sair do calor, manter hidratação se tolerado e descansar alguns minutos. Pele quente, suor e sensação de calor não são o mesmo que febre medida. Se a temperatura continua alta ou sobe, principalmente com mal-estar, a interpretação muda.

Em ambiente quente, a prioridade é resfriamento: sombra, retirar excesso de roupa, hidratar se a pessoa está consciente e iniciar medidas de resfriamento. Confusão mental, desmaio ou suspeita de insolação exigem emergência; não espere “ver se passa”.

Rabdomiólise: quando pensar

Treino muito intenso, especialmente quando a pessoa não está adaptada, pode causar lesão muscular importante. Dor muscular desproporcional, fraqueza, inchaço e urina escura são sinais de alerta. A rabdomiólise pode afetar rim e precisa de avaliação.

Não confunda dor muscular tardia comum com quadro sistêmico. Dor leve a moderada no dia seguinte pode ser esperada; dor extrema, incapacidade de mover, febre, vômitos ou urina cor de coca-cola não são rotina de treino.

Infecção pode coincidir com treino

Às vezes a pessoa treina no início de uma virose e percebe febre depois. Dor de garganta, tosse, diarreia, dor ao urinar, manchas, calafrios ou contato com doentes apontam outra direção. Nesses casos, insistir em treino pode piorar recuperação e aumentar risco de desidratação.

Volte ao exercício depois que febre e sintomas sistêmicos melhorarem, retomando carga aos poucos. Treinar forte febril não é prova de disciplina; é risco evitável.

Exaustão pelo calor versus insolação

Exaustão pelo calor pode causar fraqueza, tontura, náusea, sudorese intensa, dor de cabeça e sede. A pessoa geralmente ainda está consciente e pode melhorar com resfriamento e hidratação. Insolação é mais grave: alteração do estado mental, colapso, temperatura muito alta e disfunção neurológica são sinais de emergência.

Em suspeita de insolação, resfriamento rápido salva vida. A conversa não é sobre “tomar antitérmico e esperar”; é sobre tirar do calor, acionar ajuda e iniciar medidas de resfriamento. Antitérmico não corrige falha de dissipação de calor por esforço extremo.

Quem tem risco maior

Crianças, idosos, pessoas com doença cardíaca, renal ou neurológica, usuários de alguns medicamentos, pessoas desidratadas, sem aclimatação ou com privação de sono podem ter menor tolerância ao calor. Treinos em ambientes fechados sem ventilação ou competições em dias quentes também aumentam risco.

Atletas bem condicionados não estão imunes. Intensidade alta, motivação competitiva e pouca pausa podem empurrar além do limite térmico.

Quando voltar a treinar

Depois de febre por infecção, volte gradualmente quando estiver sem febre e com sintomas sistêmicos resolvendo. Depois de doença pelo calor, a volta deve ser mais cuidadosa e, em casos moderados ou graves, orientada por profissional. Repetir o mesmo treino que causou o episódio aumenta risco de recorrência.

Antibiótico não é resposta automática

Febre depois de treino não significa infecção bacteriana. Usar antibiótico sem indicação pode causar efeitos adversos e resistência, além de esconder a causa real. A avaliação deve diferenciar virose, doença pelo calor, desidratação, rabdomiólise e infecção bacteriana provável.

O dado mais útil é a evolução. Temperatura que normaliza com repouso e resfriamento tem leitura diferente de febre que persiste por 24 horas, vem com calafrios ou aparece junto de foco infeccioso.

Como agir nas primeiras horas

Pare o exercício, saia do calor, remova excesso de roupa, hidrate se estiver consciente e resfrie o corpo. Se houver confusão, desmaio, convulsão, pele muito quente, vômitos persistentes ou piora rápida, acione atendimento. Em situações de calor extremo, esperar em casa pode ser perigoso.

Se houver dor muscular intensa e urina escura, procure avaliação mesmo que a febre não seja alta. A lesão muscular por esforço pode ser silenciosa no começo e ainda assim afetar rim.

Medidas que reduzem risco

Faça aclimatação gradual ao calor, reduza intensidade em dias úmidos, programe pausas, observe cor da urina, evite álcool antes de treino intenso e respeite doença recente. Em eventos esportivos, equipes devem ter plano para resfriamento e remoção rápida.

Quem já teve doença pelo calor precisa de retorno progressivo. Repetir treino intenso logo depois de um episódio aumenta risco, principalmente se a causa não foi corrigida.

O que registrar

Anote temperatura medida, horário do treino, clima, duração, intensidade, hidratação, roupas, sintomas associados, medicamentos e cor da urina. Esses dados ajudam a diferenciar calor, infecção e lesão muscular.

Também registre se outras pessoas no mesmo treino passaram mal. Quando vários atletas adoecem no mesmo ambiente, calor, hidratação, alimentação ou exposição coletiva entram no raciocínio.

Se a febre ocorreu em prova, treino coletivo ou ambiente quente, avise organizadores ou treinador. Ajustes de horário, sombra, hidratação e pausas podem prevenir novos casos. Em grupos, um episódio pode revelar falha de planejamento, não apenas fragilidade individual.

Se a pessoa usa estimulantes, diuréticos, antidepressivos, anticolinérgicos ou substâncias para performance, essa informação deve ser dita. Medicamentos e suplementos podem alterar suor, hidratação, frequência cardíaca e percepção de esforço.

Em crianças e adolescentes, febre após esporte deve ser comunicada aos responsáveis e observada com margem maior. Eles podem ter dificuldade de reconhecer sede, tontura ou confusão. Em idosos, a apresentação também pode ser menos típica, com fraqueza e desorientação antes de queixa clara de calor.

Se sintomas voltam em toda tentativa de treino, reduza carga e investigue. Recorrência é dado clínico, não sinal para insistir mais forte.

Segurança primeiro.

Sentindo-se com febre, mal, fraco e com mal-estar após o exercício? Existem algumas razões lógicas por trás disso, incluindo, infelizmente, ter gripe! Hoje discuto essas razões e dou alguns conselhos sobre como evitar sentir gripado depois de um treino.

Um treino intenso ou evento esportivo que envolve mais esforço físico do que você está acostumado pode levar a uma elevação excessiva da temperatura corporal[1].

Essa sensação é conhecida pelo termo médico doença de calor por esforço. Este calor é mais provável de ocorrer em condições quentes e úmidas. Um ambiente quente e úmido limita a eficácia de resfriar seu corpo através da transpiração.

Quando você se exercita, ocorrem microrupturas nos músculos e, quando seu corpo repara essas lacerações, certas substâncias tóxicas são liberadas. Essas substâncias podem causar dores musculares e outros sintomas semelhantes aos da gripe.

Estes sintomas são relacionados ao calor e intensidade dos exercícios.

Os sintomas variam de menores a mais sérios. O nível de aumento da temperatura corporal junto com outros fatores – incluindo estado de hidratação e equilíbrio eletrolítico – são fundamentais para determinar a gravidade do calor por esforço[2].


A exaustão por calor relacionada ao exercício acontece quando seu corpo não consegue mais se livrar do calor extra produzido durante o exercício, e sua temperatura corporal aumenta mais do que o saudável.

Não beber líquidos suficientes durante o exercício também pode causar desidratação. Juntas, essas coisas podem fazer você entrar em colapso.


Porque o mal-estar após exercício ocorre?

febre exercicio

Durante o exercício, pode haver uma redução de até 80% no fluxo sanguíneo para os órgãos abdominais, pois o corpo envia mais sangue para os músculos e a pele[3].

Este efeito pode resultar em náuseas, vômitos, dor de estômago e diarréia. Comer muito cedo antes de um treino também pode causar náuseas.

Sentir-se enjoado depois de um treino pode definitivamente aliviar uma boa sessão de treinamento, mas geralmente não é nada para se preocupar. Se você se sentir enjoado após o treino, pode ser porque está se exercitando demais, não se aquecendo adequadamente ou comendo os alimentos errados muito antes do exercício.


Qual a temperatura que devo ficar preocupado?

A temperatura corporal é um fator importante para diferenciar a exaustão pelo calor por esforço da insolação.

Uma temperatura de 40.0 oC ou superior normalmente indica insolação por esforço. Uma temperatura corporal elevada inferior a 40 oC sugere exaustão pelo calor por esforço.

No entanto, a capacidade de tolerar a temperatura corporal elevada varia, portanto, os sinais e sintomas associados também são importantes.


Quem está em risco de exaustão pelo calor?

Esses grupos podem ter maior probabilidade de exaustão pelo calor ao se exercitar em condições quentes e úmidas:

  • Mulheres
  • Pessoas que cresceram em climas mais temperados


Sinais e Sintomas de calor por esforço

Cãibras musculares podem se desenvolver com exercícios intensos em qualquer temperatura, mas ocorrem com mais frequência em um ambiente quente.

O surgimento de cãibras musculares pode ser o primeiro sinal de superaquecimento. Descansar e hidratar são os melhores nesta situação.

O exercício contínuo acompanhado por uma temperatura corporal elevada pode levar à exaustão pelo calor, o que requer um tratamento rápido para resfriar e reidratar o corpo. Os sintomas comuns incluem:

  • Tontura
  • Tontura ou desmaio
  • Náuseas, diarreia ou cólicas abdominais
  • Fraqueza e desempenho reduzido
  • Sudorese profusa ou pele fria e úmida
  • Hiperventilação
  • Dor de cabeça


Como é tratada a exaustão pelo calor?

febre pos exercicio
  • Parar a atividade e mudar para uma área mais fria
  • Tirar qualquer roupa e equipamento extra
  • Manter as pernas elevadas quando houver inchaço a um nível acima da cabeça
  • Monitorar sua frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e estado mental.
  • Refresque-se até que sua temperatura diminua. Pode envolver mergulhar em água fria, borrifar-se com água ou sentar na frente de um ventilador.
  • Beba água ou uma bebida esportiva se puder beber, não fique confuso e não sinta náuseas. Se você estiver sendo tratado em um hospital, a equipe pode administrar fluidos IV (intravenosos).


Importante

Uma febre inferior a 40 oC após o treino está geralmente relacionada ao esforço excessivo e normalmente retorna ao normal dentro de uma ou duas horas com descanso e hidratação.

Lembre-se também de que a febre às vezes ocorre coincidentemente após exercícios intensos, mas não está relacionada. Fique atento a outros sinais e sintomas de doenças comuns, como resfriado, gripe ou vírus estomacal.

Fontes e leitura útil

  • CDC: heat-related illness
  • NATA: exertional heat illnesses
  • MedlinePlus: rhabdomyolysis
  • Mayo Clinic: heat exhaustion

Fontes úteis

Referências citadas3 fontes
  1. 1.
    Kenny, G. P., Wilson, T. E., Flouris, A. D., & Fujii, N. (2018). Heat exhaustion. Handbook of clinical neurology, 157, 505-529.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Costrini, A. M., Pitt, H. A., Gustafson, A. B., & Uddin, D. E. (1979). Cardiovascular and metabolic manifestations of heat stroke and severe heat exhaustion. The American journal of medicine, 66(2), 296-302.
    Voltar [2]
  3. 3.
    Armstrong, L. E., Casa, D. J., Millard-Stafford, M., Moran, D. S., Pyne, S. W., & Roberts, W. O. (2007). Exertional heat illness during training and competition. Medicine and Science in Sports and Exercise, 39(3), 556-572.
    Voltar [3]
  • MedlinePlus: ossos, articulações e músculos
  • AAOS OrthoInfo
  • WHO: atividade física

Arquivado em: Clínica Médica, Medicina Esportiva

Sangramento na relação sexual: causas e alerta

18 de julho de 2022 by Dra. Celia Yunes Portiolli

Sangramento durante ou depois da relação sexual pode vir de atrito, ressecamento, infecção, pólipos, alterações do colo do útero, contraceptivos, gravidez, trauma ou lesões que precisam ser examinadas. Quando é recorrente, acontece após a menopausa, vem com dor, mau cheiro, corrimento, febre ou risco de IST, a avaliação ginecológica é importante.

O que o sangramento pode indicar

Sangrar uma vez após relação, especialmente com atrito, pouca lubrificação ou início de método hormonal, pode ter causa simples. Mesmo assim, o padrão importa. Sangramento repetido, volume maior, dor pélvica, corrimento, odor, febre, feridas, gravidez possível ou sangramento após menopausa mudam o grau de atenção.

O colo do útero pode sangrar por inflamação, ectopia, pólipo, trauma, alterações pré-cancerosas ou câncer. A vagina pode sangrar por ressecamento, fissuras, atrofia, infecção, dermatose ou trauma. Útero e endométrio entram no diferencial quando há sangramento fora do ciclo.

PadrãoO que investigar
Com dor e corrimentoCervicite, vaginite ou IST.
Após menopausaAtrofia, pólipos e causas uterinas/cervicais.
Após relação intensa ou ressecamentoAtrito, fissura, lubrificação insuficiente.
Repetido ou sem explicaçãoExame ginecológico e rastreamento em dia.

Como costuma ser avaliado

A consulta pode incluir história menstrual, método contraceptivo, chance de gravidez, exames de IST, exame especular, avaliação do colo, Papanicolau quando indicado, teste de gravidez, ultrassom ou colposcopia conforme achados. A ordem depende da idade, ciclo, risco e exame físico.

Não ignore recorrência. Repetição tem mais peso que um episódio isolado.
Menopausa muda a regra. Sangramento pós-menopausa precisa ser avaliado.
IST pode sangrar. Dor, corrimento e odor direcionam exames.
Rastreamento: colo do útero deve estar em acompanhamento adequado.

O que levar de informação

Anote se o sangramento aparece só após penetração ou também fora da relação, em que fase do ciclo ocorre, volume, cor, dor, corrimento, odor, método contraceptivo, uso de anticoagulante, chance de gravidez, data do último preventivo e risco de IST. Esses dados ajudam a decidir se o foco inicial é vagina, colo, útero, infecção, hormônio ou trauma.

Não use duchas vaginais, antibiótico ou pomadas internas sem diagnóstico. Esses produtos podem irritar a mucosa, alterar sintomas e dificultar a interpretação do exame. Se houver possibilidade de gravidez, o teste deve entrar cedo no raciocínio.

Quando o preventivo está atrasado, quando houve novo parceiro ou quando há sangramento fora do ciclo, a consulta também serve para atualizar rastreamento, testar ISTs quando indicado e reduzir risco de perder uma causa tratável ou uma lesão do colo.

Uso recente de contraceptivo hormonal também pode alterar o padrão de sangramento.

Procure atendimento urgente se houver sangramento intenso, tontura, desmaio, dor pélvica forte, gravidez ou suspeita de gravidez, febre, dor no ombro associada a dor abdominal, ou sinais de violência sexual.

Como acompanhar sintomas ginecológicos com mais clareza

Em “Sangramento Durante a Relação Sexual”, a resposta depende de ciclo menstrual, idade, intensidade, duração, exames prévios, gestação, método contraceptivo, dor, sangramento, corrimento e impacto na rotina. O mais seguro é organizar o padrão antes de concluir que tudo é normal ou que todo achado exige tratamento imediato.

Informações que mudam a interpretação

Ponto observadoPor que importa
Relação com o cicloDor, corrimento ou sangramento podem mudar de significado conforme a fase do ciclo.
Intensidade e duraçãoSintomas fortes, progressivos ou persistentes merecem avaliação mais objetiva.
Exames anterioresPreventivo, ultrassom, laudos e tratamentos prévios ajudam a comparar tendência.
Gestação ou tentativa de engravidarMuda a urgência, os exames possíveis e as opções de tratamento.
Sinais associadosFebre, dor pélvica intensa, sangramento importante, desmaio ou secreção com odor forte mudam a prioridade.

Como se preparar para a consulta

  • Anote data da última menstruação e padrão dos últimos ciclos.
  • Leve resultados de preventivo, ultrassom, exames de sangue e medicações usadas.
  • Registre dor, sangramento, corrimento, febre, sintomas urinários e relação com relações sexuais.
  • Procure atendimento rápido se houver dor pélvica intensa, sangramento volumoso, desmaio, febre ou suspeita de gravidez com dor.

Por que individualizar faz diferença

Uma mesma queixa pode ter condutas diferentes conforme idade, desejo reprodutivo, histórico de endometriose, infecções, contraceptivos, gestação e exames prévios.

Evite usar antibiótico, hormônio ou ducha vaginal por conta própria. Esses caminhos podem mascarar sintomas, irritar a mucosa ou atrasar o diagnóstico correto.

Sangramento durante ou após relação sexual não deve ser normalizado quando se repete, vem com dor, corrimento, odor, febre, atraso menstrual, suspeita de gravidez ou sangramento volumoso. A avaliação costuma olhar colo do útero, infecções, ciclo, contraceptivos e exames preventivos.

Mas, em outras situações, o sangramento pode ser um sinal de um problema mais sério que precisa ser investigado.  

A seguir, listamos algumas razões pelas quais uma mulher pode sangrar durante o ato sexual.


Rompimento do Hímen

O hímen é uma película de tecido localizado na abertura vaginal. Durante a primeira relação sexual, algumas mulheres sentem dor quando o hímen se rompe, enquanto outras não sentem esse desconforto.

É natural algumas mulheres sangrarem na primeira relação sexual, pois como o hímen possui pequenos vasos sanguíneos, quando se rompe pode gerar um pequeno sangramento. Mas, é importante destacar que nem sempre ocorrerá esse sangramento na primeira relação sexual.

Em determinadas situações, a quantidade de sangue é tão mínima que pode passar despercebido quando os fluidos seminais se misturam.


Gravidez

Fazer sexo durante a gravidez é perfeitamente normal, seguro e saudável. Com os hormônios à flor da pele, o sexo pode até ser mais prazeroso do que de costume.

A relação sexual não está associada ao sangramento vaginal na gravidez. No entanto, em determinadas situações, pode acontecer alguns sangramentos durante ou após a relação sexual.

Visto que o corpo da mulher está passando por mudanças significativas durante a gravidez, o colo do útero naturalmente se torna mais sensível, fazendo com que, durante uma penetração profunda ou relações sexuais ásperas, ocorra uma pequena quantidade de sangramento. 

Mas fique atenta, pois o sangramento durante ou logo após a relação sexual na gravidez pode também indicar problemas mais sérios.

O periódico Health Science Journal de 2012 citou que no segundo e terceiro trimestres, o sangramento durante o sexo na gravidez pode estar relacionado ao deslocamento da placenta ou hemorragia anteparto.


Menopausa

menopausa

A menopausa, caracterizada pelo fim dos períodos menstruais, consiste em um processo biológico natural que ocorre na vida de toda mulher.

A idade média em que as mulheres atingem a menopausa é entre os 40 aos 58 anos, que pode também ocorrer precocemente.

A interrupção das menstruações ocorre devido à redução da atividade dos ovários, que deixam, com o tempo, de liberar óvulos mensalmente.

Além disso, ocorrem alterações hormonais importantes, principalmente relacionado ao estrogênio, que começa a ser secretado em menor quantidade.

Quando essa condição se instala – condição esta, que é inevitável e biologicamente natural –, alguns sintomas são manifestados pela mulher, como:

  • Secura vaginal;
  • Sudorese;
  • Aumento de peso;
  • Dor e desconforto durante as relações sexuais, bem como sangramentos;
  • Alterações da libido;
  • Perda da capacidade reprodutiva; e
  • Em determinadas situações, depressão.

IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)

Existem diversas infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia, sífilis e clamídia. Essas infecções estão associadas a sintomas diferentes, que podem envolver coceira, queimação e corrimento vaginal.

Em 2001, um estudo publicado pelo Sexually transmitted diseases demonstrou que a inflamação causada por qualquer uma dessas infecções sexualmente transmissíveis pode causar sangramentos durante ou após o ato sexual[1].


Vaginismo

O vaginismo consiste em um distúrbio sexual caracterizado por contrações involuntárias dos músculos perineais durante as tentativas de relações sexuais.

A mulher quando possui vaginismo, dependendo do grau em que se encontra, apresenta dificuldade persistente em receber qualquer tipo de penetração, seja de um pênis ou da introdução de um dedo e outros objetos pequenos.

Mesmo sentindo o desejo de ser penetrada, ocorre uma fobia. A maiorias das mulheres com essa condição não conseguem realizar exames ginecológicos e nem utilizar absorventes internos[2].

É comum as causas estarem associadas a crenças religiosas rígidas, passando a ideia desde cedo de que o sexo é algo errado e que a penetração causará dor.

Uma criação muito rígida também pode possibilitar o vaginismo na vida adulta.

Outras causas incluem: temer uma gravidez, ou a desejar muito; histórico de abuso sexual; traumas na região vaginal; e doenças orgânicas como anormalidade do hímen, traumas associados ao parto natural ou alguma cirurgia genital, entre outros.

Essa condição impede total ou parcialmente a penetração da vagina, tornando difícil o ato sexual, que por sua vez, pode causar dificuldade na relação sexual, sangramento e sentimentos como frustração e depressão.

Por estar associada a fatores emocionais e psicológicos, o vaginismo é considerado uma doença psicossomática.


Endometriose

A endometriose é uma doença benigna que acomete uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva.

Essa condição ocorre quando o endométrio, tecido que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina, fixando-se em outros órgãos da pelve, o que causa, por sua vez, um processo inflamatório.

Essa inflamação pode ser a causa de dor pélvica e sangramento durante a relação sexual. Outros sintomas associados são: infertilidade, dor na ovulação, fadiga crônica e até mesmo alterações urinárias e intestinais associadas ao ciclo menstrual.


Câncer de Colo de Útero

Depois do câncer de mama, o câncer de colo de útero é a segunda anomalia mais comum na população feminina no Brasil, responsável por 15% das ocorrências de tumores malignos em mulheres.

A principal causa do câncer de colo uterino é definida por uma infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV).

Outros fatores incluem:

  • Hábitos de vida e de higiene inadequados;
  • Início precoce da atividade sexual, que consequentemente promove a pluralidade de parceiros sexuais; e
  • Uso prologando de contraceptivos orais.

No estágio inicial, o câncer de colo uterino é assintomático, sendo descoberto geralmente por meio de exame citopatológico (Papanicolaou).

À medida que o câncer avança, os sintomas podem incluir: sangramento vaginal incomum, que pode acontecer durante ou após a relação sexual; dor durante o ato sexual; aumento do corrimento vaginal; dor pélvica ou nas costas, sem motivo aparente e persistente.


Quando Você Deve Procurar Um Médico?

medico

Você deve procurar atendimento médico quando o sangramento for intenso, frequente e permanecer por muitas horas ou dias após a relação sexual.

Alguns sintomas associados ao sangramento vaginal, também demandam uma consulta ginecológica, como dor pélvica intensa, fraqueza inexplicável, náuseas e vômitos, dores de cabeça e outros sinais incomuns.

A causa do sangramento determinará o tratamento adequado.


Explore também no Blog da Saúde

  • Ginecologia e Obstetrícia
  • Clínica Médica

Fontes úteis

  • MedlinePlus: saúde da mulher
  • MedlinePlus: menstruação
  • MedlinePlus: endometriose
  • MedlinePlus: sangramento vaginal ou uterino

Fontes úteis

Referências citadas2 fontes
  1. 1.
    Røttingen JA, Cameron DW, Garnett GP. A Systematic Review of the Epidemiologie Interactions Between Classic Sexually Transmitted Diseases and HIV: How Much Really Is Known?. Sexually transmitted diseases. 2001 Oct 1:579-97.
    Voltar [1]
  2. 2.
    Dubinsky TJ. Value of sonography in the diagnosis of abnormal vaginal bleeding. Journal of Clinical Ultrasound. 2004 Sep;32(7):348-53.
    Voltar [2]

ANTUNES, S. et al. Fisiopatologia da menopausa. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, v. 19, p. 353-357. 2003.

BERWALD, N. et al. The rate of sexually transmitted infections in ED patients with vaginal bleeding. The American Journal of Emergency Medicine, v. 27, n. 5, p. 563-569. 2009.

CREMA, I. L.; TILIO, R. Repercussões da menopausa para a sexualidade de idosas: revisão integrativa da literatura. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 37, n. 3, p. 753-769. 2017.

FRIGATO, S.; HOGA, L. A. K. Assistência à mulher com câncer de colo uterino: o papel da enfermagem. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 49, n. 4, p. 209-214. 2003.

KONTOYANNIS, M. et al. Sexual intercourse during pregnancy. Health Science Journal, v. 6, n. 1, 2012.

SAADAT, S. H. Vaginismus: a review of literature and recent updated treatments. International Journal of Medical Reviews, v. 1, n. 3, p. 97-100. 2014.

SIVINI, G. B. A.; VELOSO, L. G. Pesquisa em endometriose: atenção às causas e tratamento da dispaurenia. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-graduação em Saúde da Mulher) – Faculdade Pernambucana de Saúde, Recife, 2016.

Fontes e leitura útil

  • Cleveland Clinic: bleeding after sex
  • NHS Inform: cervical cancer symptoms
  • PMC: postcoital bleeding review

Arquivado em: Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia, Sintomas de A-Z

Manchas Brancas Que Aparecem Nas Unhas

18 de julho de 2022 by Dra. Juliana Toma

Você já olhou para suas unhas e se assustou ao ver manchas brancas onde antes não existia? Pode realmente parecer estranho, mas essa condição, muitas vezes, é tão comum quanto se imagina.

Em termos médicos, essas manchas brancas que aparecem nas unhas recebem o nome de leuconíquia, que é a descoloração branca da placa ungueal.


O que é leuconíquia?

Essas manchas são oriundas de alterações na proteína da queratina que compõe a placa ungueal, que é a parte dura da unha.

Geralmente, a principal causa para essa condição é algum trauma que acontece na base da unha, abaixo da pele, danificando a unha em seu processo de crescimento.

Por exemplo, sacudir uma caneta entre os dedos, mordiscar as unhas quando estiver nervoso, bater impacientemente na mesa em algum momento de estresse.

Até mesmo manicures podem, muitas vezes, levar o cliente a apresentar manchas brancas nas unhas.

Como o que fica danificado é a base da pele, ou seja, o dedo, e não a unha em si, talvez pode acontecer de você nem se lembrar de ter machucado algumas semanas antes.


Manchas brancas na unha podem indicar algo mais sério?

Mas, claro, as manchas também podem sinalizar outras condições mais sérias. Nesse caso, normalmente, serão manifestadas uma série de outros sintomas para indicar outras doenças, e não apenas a condição de leuconíquia.

A leuconíquia foi descrita pela primeira vez apenas no final do século XIX. Pode ser congênita ou adquirida. As causas da leuconíquia congênita podem ser: leuconíquia apenas; leuconíquia com coiloníquia; leuconíquia totalis, com múltiplos cistos sebáceos e cálculos renais.

Entre as causas da leuconíquia adquirida, estão as seguintes condições:

  • Traumas;
  • Doença de Addison;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Intoxicação por arsênico;
  • Intoxicação por tálio;
  • Dermatite esfoliativa;
  • Doença de Hodgkin;
  • Infarto do miocárdio;
  • Hanseníase;
  • Malária;
  • Tuberculose;
  • Pneumonia;
  • Pelagra;
  • Herpes zóster;
  • Infecções fungais; e
  • Triquinoses.
trauma

Existem diferentes tipos de leuconíquia: leuconíquia verdadeira, leuconíquia total, leuconíquia parcial e pseudoleuconíquia.

Na leuconíquia verdadeira, a descoloração branca na unha está associada à uma disfunção na matriz. A leuconíquia verdadeira está subdividida em total e parcial.

Geralmente, a leuconíquia total é autossômica, ou seja, herdada. Dentro dessa forma de herança autossômica, as manchas brancas podem fazer parte da Síndrome de Bart-Pumphrey ou da Síndrome de Buschkell-Gorlin, onde há cistos sebáceos e cálculos renais.

Outras condições também podem causar a leuconíquia total, como febre tifóide, cirrose, lepra e drogas citotóxicas.

A leuconíquia parcial pode ser considerada uma fase da leuconíquia total. Uma pessoa pode manifestar leuconíquia parcial em diferentes períodos da vida.


Causas secundárias de leuconíquia

Condições como tuberculose e carcinoma metastático podem causar leuconíquia parcial. Existem três variações morfológicas de leuconíquia parcial: puntiformes, transversais e longitudinais.

A leuconíquia transversal geralmente é observada em mulheres que frequentam manicures, mas também pode ocorrer nas unhas dos pés em virtude de trauma de sapatos.

Na leuconíquia transversal, a placa ungueal apresenta vários opacos transversais brancos em linhas paralelas.

A leuconíquia puntiforme é a mais comum e acontece em indivíduos normais e saudáveis. Nesse subtipo, a placa ungueal apresenta pequenas manchas brancas opacas que se movem distalmente com o crescimento da unha, desaparecendo com o passar do tempo.

Queratinização anormal não é o único fator que explica a leuconíquia puntiforme, até porque paraqueratose pode causar essa aparência.


Alopécia e manchas brancas na unha

Pessoas com Alopecia areata podem apresentar esse tipo de leuconíquia. Na leuconíquia longitudinal surgem linhas longitudinais brancas de 1mm sob a placa ungueal. Esse subtipo pode estar relacionado à doença de Darier.


Pseudoleuconíquia

A pseudoleuconíquia consiste na descoloração branca causada por alterações do leito ungueal, vindo de uma origem externa.

Existem três tipos diferentes de pseudoleuconíquia: unhas de Terry, unhas de Muehrcke e unhas meio a meio (Lindsay).

As unhas de Terry geralmente afetam toda a unha, exceto uma banda distal de 1-2 mm. Acontece por processos hepáticos, associados à cirrose, ocorrendo em até 82% dos pacientes.

As unhas de Muehrcke possuem múltiplas faixas transversais esbranquiçadas, paralela à lúnula. A causa mais comum seria pacientes com hipoalbuminemia (síndrome nefrótica) e desnutrição.

As unhas meio a meio (Lindsay) são definidas com pigmentação marrom-amarelada distal da lâmina ungueal e palidez proximal.

Ocorre em aproximadamente 25% dos pacientes em hemodiálise, mas também pode acometer indivíduos normais.


Por que as manchas brancas na unha surgem?

Alguns estudos também sugerem que a leuconíquia está relacionada com baixos níveis séricos de albumina, sendo que 70% de zinco sérico é associado à albumina.

Isso mostra que as manchas brancas que surgem nas unhas podem ser resultado de deficiência de zinco.

O zinco é um importante mineral que participa de muitos sistemas enzimáticos.

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Muitas condições patológicas estão relacionadas à deficiência de zinco, como distúrbios do funcionamento e desenvolvimento, doenças de pele, problemas de cicatrização, doenças imunológicas, inclusive manchas brancas nas unhas.

Se a leuconíquia realmente tem relação com deficiência de zinco, provavelmente indivíduos com leuconíquia também irão apresentar outros sintomas de deficiências de zinco.

Em 1990, um estudo foi realizado e publicado no periódico Journal of Orthomolecular Medicine com o objetivo de analisar essa relação, com uma amostra de 494 estudantes universitários, que foram divididos em um grupo com leuconíquia e um grupo sem leuconíquia.

Aproximadamente 75% dos indivíduos relataram leuconíquia em pelo menos uma unha. Os resultados desse estudo apontaram que os indivíduos com leuconíquia apresentam maior evidência de confusão e letargia (sintomas de deficiência de zinco) do que aqueles sem leuconíquia.

Essas análises comportamentais apoiam a ideia de que então existe relação entre leuconíquia e deficiência de zinco.

Além do mais, ficou evidente que a eficiência psicológica abaixo do ideal associado à leuconíquia e deficiência de zinco é encontrada mesmo em jovens aparentemente saudáveis, como estudantes universitários.


Conclusão

De modo geral, manchas brancas nas unhas são inofensivas, mas se você notar novos pontos e não se lembrar de ter machucado, o ideal seria consultar um médico dermatologista, principalmente se perceber que muitas unhas estão envolvidas e as manchas brancas continuarem crescendo.

Referências

BAKAN, P. Confusion, Lethargy and Leukonychia. Journal of Orthomolecular Medicine, v. 5, n. 4, 1990.

TUZUN, Y.; KARAKUS, O. Leukonychia. Journal of the Turkish Academy of Dermatology, v. 3, n. 1, 2009.

Arquivado em: Dermatologia, Sintomas de A-Z

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