Como é a recuperação da cirurgia para retirar o útero (Histerectomia), o que você pode ou não fazer

A histerectomia, uma operação comum na prática cirúrgica ginecológica, envolve a remoção do útero e, em alguns casos, a remoção parcial ou completa de estruturas associadas, como o colo do útero, ovários e trompas de Falópio.

Este procedimento é empregado na abordagem terapêutica para o câncer de colo de útero, lesões pré-malignas, fibroides uterinos, endometriose, prolapso uterino, e hemorragia uterina anormal refratária a tratamentos menos invasivos.

Entendendo o Pós-Operatório da Histerectomia

A recuperação de uma histerectomia pode ser um processo complexo, e é essencial que pacientes estejam bem informados sobre o que esperar durante este período.

A abordagem correta e a compreensão dos cuidados necessários podem influenciar significativamente no conforto da paciente e na prevenção de complicações.

Sintomas e Manejo da Dor

Após a revisão do procedimento cirúrgico e a alta do ambiente hospitalar, é típico que as pacientes experimentem sintomas como desconforto abdominal e cólicas, se assemelhando às dores menstruais. Para controle da dor, medicamentos analgésicos prescritos pelo especialista devem ser usados conforme orientado.

Contenção do Esforço Físico

O esforço físico após a histerectomia requer atenção especial. Nos primeiros 45 dias, é imperativo evitar atividades que exijam esforço considerável, como musculação ou esportes. A cicatrização dos tecidos internos pode levar até 90 dias, e o retorno às atividades físicas deve ser suave e gradual, com recomendação de iniciar após os primeiros 30 dias do procedimento cirúrgico.

Complicações Urinárias e Sangramentos

Alterações miccionais, como dificuldades para urinar, podem ocorrer, bem como sangramento vaginal de leve a moderado. Estes sintomas devem se atenuar com o tempo, mas se persistirem ou se mostrarem excessivos, um retorno médico imediato é aconselhado.

Constipação Intestinal e Nutrição Apropriada

A constipação é um efeito colateral comum no pós-operatório imediato. Para combatê-la, além do uso de medicamentos prescritos, recomenda-se uma dieta rica em fibras e uma hidratação adequada. Isso ajudará na regulação do trânsito intestinal e na promoção de um melhor conforto digestivo.

Sinais de Alerta: Quando Procurar Ajuda Médica

febre 7

Durante a recuperação, é fundamental estar vigilante a sinais que podem indicar complicações. Sintomas preocupantes incluem:

  • Febre persistente;
  • Vômitos;
  • Dor abdominal severa não aliviada pelos analgésicos;
  • Inchaço, vermelhidão ou sangramento na incisão cirúrgica;
  • Sangramento vaginal significativamente maior do que a menstruação normal.

Se algum desses sinais for observado, o atendimento médico deve ser procurado imediatamente.

Compreendendo as Cólicas Pós-Histerectomia

Mesmo com a ausência do útero e a cessação da menstruação, as mulheres com ovários remanescentes continuam a ovular e podem experimentar sensações similares às cólicas menstruais. Caso os ovários também tenham sido removidos, especialmente em pacientes que ainda estavam no ciclo menstrual ativo, sintomas de menopausa induzida pela cirurgia, incluindo fogachos e alterações de humor, podem emergir.

Orientações para o Período de Convalescença

A duração da recuperação varia de acordo com a extensão e a técnica cirúrgica empregada, podendo oscilar entre uma e oito semanas. O retorno ao trabalho e às rotinas diárias será determinado de acordo com a progressão da recuperação individual e as recomendações médicas específicas.

Cuidados com a Ferida Cirúrgica

Manter a higiene da ferida operatória é de suma importância. A área deve ser limpa cuidadosamente com água e sabão neutro ou de coco. Depois do banho, a região deve ser seca com uma toalha limpa e seca. A atenção às instruções para cuidados com curativos é crucial para prevenir infecções.

A higiene regular com água e sabão neutro, conservando a área seca, constitui a espinha dorsal dos cuidados pós-operatórios. 

Retorno à Vida Sexual

Quanto à atividade sexual, é imprescindível obter a liberação do médico. Isso geralmente ocorre após a confirmação de que a cicatrização interna está adequada e não há risco de lesões ou complicações decorrentes do ato sexual.

Postura Adequada ao Repousar

No que concerne à posição ao deitar, não há uma restrição absoluta pós-histerectomia. Entretanto, para não exercer pressão sobre a região operada durante os primeiros dias, sugere-se que a paciente prefira repousar em decúbito dorsal (barriga para cima).

Atividade Física e Esforços

Durante o período de recuperação, recomenda-se evitar carregar pesos, realizar exercícios de alta intensidade ou movimentos que possam sobrecarregar o abdômen. Um período de três meses é geralmente sugerido como o tempo mínimo de espera antes de retomar tais atividades, garantindo o adequado processo de cura e prevenção de hernias ou outros danos relacionados ao esforço.

Atividades Contraindicadas Após a Cirurgia

Curvas da Coluna Vertebral

É extremamente importante evitar atividades que exijam do corpo ou que demandem elevado dispêndio energético após a histerectomia.

Ações como carregar objetivos pesados, agachamentos ou praticar exercícios de alta intensidade devem ser evitadas, pois incrementam o risco de ruptura dos pontos (deiscência) e podem comprometer o processo de cicatrização da incisão cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Posso varrer após histerectomia?

A atividade deve ser retomada gradativamente, em geral, após 15 a 20 dias. Algumas dicas incluem dividir as tarefas, para não ficar tanto tempo realizando uma mesma atividade repetitiva. Em caso de dor, pare a atividade, e espere para retomar.

Conclusão

A recuperação de uma histerectomia é um período delicado no qual a atenção e o cuidado com o próprio corpo devem ser priorizados para assegurar a melhor convalescença possível. Seguir as orientações médicas e estar atenta às necessidades individuais do seu corpo são etapas essenciais nesse caminho.

Lembre-se: cuidar de si mesma é o primeiro passo para uma recuperação bem-sucedida. Mantenha-se informada, siga os conselhos do seu médico e ouça o seu corpo para uma jornada de cura mais tranquila e segura.

As informações contidas neste artigo são apenas para fins educativos e não pretendem substituir a consulta médica profissional, diagnóstico ou tratamento.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM 158074 / RQE 65523, 65524 | Médico especialista em Acupuntura e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP. Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

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Dr. Marcus Yu Bin Pai

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CRM 158074 / RQE 65523, 65524 | Médico especialista em Acupuntura e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP. Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

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