Eles são sintetizados a partir de moléculas de gordura como o ômega-3, ômega-6 e ômega-9, através dos ácidos EPA (eicosapentaenoico) e DHA (docosahexaenoico).
Sendo assim, quando recebem um estímulo antigênico, o EPA e o DHA fixam-se na membrana das células imunes através de uma enzima, chamada fosfolipase A2[2]Baker RR. The eicosanoids: a historical overview. Clinical biochemistry. 1990 Oct 1;23(5):455-8.
O resultado final é a regulação dos processos inflamatórios que ocorrem no corpo. Além disso, os ácidos graxos competem entre si através das vias enzimáticas como a ciclooxigenase e a lipoxigenase, para formar os eicosanoides.
O ácido araquidônico é o principal precursor dos eicosanóides. Dentre os principais componentes que os eicosanóides combatem estão:
Desse modo, todos esses mediadores contém alto potencial inflamatório em comparação com os demais eicosanóides sintetizados através dos ácidos graxos.
A cicloxigenase e a lipoxigenase são os dois sistemas enzimáticos que possuem as vias para para a formação dos eicosanóides.
Após formado, os eicosanóides contribuem para diminuir os eventos relacionados a inflamação das células como:[3]Tassoni D, Kaur G, Weisinger RS, Sinclair A. The role of eicosanoids in the brain. Asia Pacific journal of clinical nutrition. 2008 Jan 1;17(S1):220-8.
A principal função dos eicosanóides é mediar os processos inflamatórios e sinalizar as células sobre a sua ocorrência.
Por sua vez, o ácido araquidônico é responsável pela síntese dos ácidos linoleico, oleico e linolênico, os três principais ácidos graxos essenciais.
Os ácidos graxos essenciais, ômega-3, ômega-6 e ômega-9 são eicosanóides com estruturas parecidas em carbono[4]Sala A, Folco G, Murphy RC. Transcellular biosynthesis of eicosanoids. Pharmacological Reports. 2010 May;62(3):503-10..
Sendo assim, o organismo não consegue produzi-los de maneira voluntária, isto é, eles precisam ser obtidos através da alimentação.
Portanto, esses ácidos graxos constituem gorduras de boa qualidade que proporcionam inúmeros benefícios para o organismo, sobretudo como mediadores dos processos de inflamação celular.
O ômega-9 é uma gordura monoinsaturada presente em diversos alimentos como:
Sendo assim, seu comportamento neutro proporciona benefícios ao metabolismo lipídico, como na estabilização dos níveis de colesterol e diminuição da agregação plaquetária.
Em suma, o principal representante do grupo de ácido graxo ômega-9 é o ácido oleico.
Está presente em vários óleos vegetais como o óleo de soja, de milho e de canola. Sua importância se dá principalmente devido a sua propriedade de reduzir o colesterol total do corpo, através do ácido linoleico.
Entretanto, o ômega-6 contribui para que ocorra inúmeros processos inflamatórios no corpo, o que é necessário para que o organismo possua condições para lidar com processos inflamatórios.
O ômega-3 está presente em alimentos como peixes de águas profundas: sardinha, salmão, atum e cavala, além de sementes como chia e linhaça.
Se o ômega-6 proporciona inflamação ao corpo, o ômega-3 causa exatamente o contrário. Sua propriedade anti-inflamatória é o principal motivo para a sua grande fama.
Assim, toda inflamação causada pelo ômega-6 deve ser interrompida por doses de ômega-3, embora a cada dia seja mais difícil encontrar ômega-3 de boa qualidade no mercado.
Isso ocorre devido à criação de cativeiro dos peixes de águas profundas, que reduzem os níveis da gordura no corpo desses animais.
Então, o desequilíbrio do consumo de ácido graxo ômega-3 e ômega-6 ocasiona uma condição denominada inflamação crônica subclínica.
A inflamação crônica subclínica proporciona danos sérios ao endotélio, a camada mais profunda e funcional das artérias.
Então, essa condição é uma das principais causas para o aumento das doenças cardiovasculares nos últimos anos.
Logo, é importante saber que não é apenas a descompensação entre os níveis de colesterol que contribuem para o aparecimento dessas doenças de forma isolada.
A desproporção no consumo dos ácidos graxos ômega-3 e ômega-6 é um desequilíbrio alimentar, que deve ser corrigido através da alimentação.
As fontes de ômega-6 são mais acessíveis para grande parte da população, devido à facilidade de obter óleos vegetais.
Então, o correto é reduzir o consumo de alimentos fontes de ômega-6 e aumentar a proporção de alimentos fontes de ômega-3, para garantir a neutralidade da atuação dessas gorduras no corpo.
Por sua vez, o ômega-9 é neutro, não causa inflamação, tampouco é considerado uma gordura anti-inflamatória.
Antes de tudo é preciso readequar as proporções de consumo das gorduras ricas em ômega-3.
Isso significa que devemos priorizar o aumento no consumo de alimentos ricos neste tipo de gordura.
A melhor alternativa é incluir peixes como sardinha, salmão, atum e arenque por no mínimo 3 vezes na semana.
Outra solução inteligente é inserir linhaça e chia no dia a dia, através das refeições. Existem muitas receitas que levam farinha de linhaça no preparo, por exemplo.
Os óleos vegetais são saudáveis, agridem o corpo menos que as gorduras sólidas como banha e manteiga, entretanto, eles aumentam o desequilíbrio entre os níveis de ácidos graxos.
Uma boa alternativa é controlar o uso de óleo de soja no preparo das refeições, a melhor recomendação é que não ultrapasse uma lata de óleo vegetal por pessoa no intervalo de um mês.
Os processos inflamatórios também são causados devido ao uso exagerado de alimentos ultraprocessados.
Dessa maneira, exclua da alimentação qualquer alimento que tenha conservantes, aromatizantes ou realçadores de sabor industriais.
Essas substâncias não são reconhecidas pelo organismo, portanto, elas contribuirão para o aumento dos níveis inflamatórios.
Em geral, o ideal é de que possamos consumir ao dia pelo menos:
Prefira as embalagens de cor escura, pois esta gordura oxida quando fica exposta a longos períodos de luz.
A proporção dos ácidos EPA e DHA também é importante: o total de EPA deve corresponder a pelo menos 2 vezes mais que o total de DHA em cada cápsula do suplemento.
Pessoas acima de 45 anos devem suplementar pelo menos 1 grama de Ômega-3 ao dia, para obter seus benefícios, assim como gestantes e mulheres em período de amamentação.
↑1 | Calder PC. Eicosanoids. Essays in Biochemistry. 2020 Sep 23;64(3):423-41. |
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↑2 | Baker RR. The eicosanoids: a historical overview. Clinical biochemistry. 1990 Oct 1;23(5):455-8 |
↑3 | Tassoni D, Kaur G, Weisinger RS, Sinclair A. The role of eicosanoids in the brain. Asia Pacific journal of clinical nutrition. 2008 Jan 1;17(S1):220-8. |
↑4 | Sala A, Folco G, Murphy RC. Transcellular biosynthesis of eicosanoids. Pharmacological Reports. 2010 May;62(3):503-10. |
Atua como nutricionista clínico a 3 anos e meio em consultório particular, na cidade de São Lourenço, sul de Minas Gerais.
Paralelo a sua profissão principal, é produtor de conteúdo para sites e blogs especializados em saúde, medicina e nutrição onde já presta serviços como redator e copywriter a 1 ano.
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