A linguiça de frango é um produto amplamente consumido no Brasil, presente em churrascos, lanches e em diversas receitas do dia a dia. Entretanto, há quem se questione se ela pode ser considerada “remosa”, conceito popular que relaciona certos alimentos ao aumento de inflamações ou à dificuldade de cicatrização.
Neste artigo, vamos explicar o que é “remoso”, como a linguiça de frango é produzida e se existem evidências científicas que respaldem essa classificação.
O Que é “Remoso”?
No senso comum, “remoso” é um termo que se atribui a alguns alimentos considerados capazes de retardar a cicatrização, agravar inflamações e piorar condições de pele. Geralmente, carnes gordurosas, frutos do mar e alimentos muito temperados ou condimentados são incluídos nessa categoria popular.
É importante ressaltar que a ciência médica não faz uso dessa expressão para classificar nenhum tipo de alimento. Ou seja, não existe um parâmetro oficial que defina um alimento como “remoso” de forma conclusiva.
Produção e Composição da Linguiça de Frango
A linguiça de frango é feita, em essência, de carne de frango moída ou triturada, misturada a temperos e, em alguns casos, a gorduras ou outros ingredientes para conferir sabor e textura. O processamento geralmente inclui:
- Cortes de Frango: podem ser usados cortes mais gordurosos ou misturas de peito e sobrecoxa.
- Temperos e Condimentos: sal, pimenta, alho, cebola, ervas, entre outros.
- Conservantes: nitrito e nitrato de sódio podem estar presentes para prolongar a validade e manter a cor.
- Tripas Naturais ou Artificiais: usadas como “invólucro” para o recheio.
De modo geral, ela apresenta teores consideráveis de proteínas, mas também pode conter quantidades relevantes de sódio e gorduras dependendo da receita e do fabricante.
Linguiça de Frango e a Questão do “Remoso”
Para avaliar se a linguiça de frango seria “remosa”, precisamos analisar se haveria algum mecanismo que favorecesse inflamações ou dificultasse a cicatrização. Em linhas gerais:
- Teor de Gordura: algumas linguiças de frango podem ter concentração de gordura relativamente alta, mas nem toda gordura desencadeia processos inflamatórios significativos. O exagero, porém, pode levar a sobrepeso e doenças metabólicas, o que indiretamente afeta a inflamação.
- Teor de Sódio: o sódio em excesso pode contribuir para a hipertensão arterial e inflamações sistêmicas em longo prazo, mas isso depende do contexto dietético e do estilo de vida, não de um efeito “remoso” pontual.
- Processamento: embutidos são, em geral, alimentos ultraprocessados. Embora seja recomendável consumir com moderação, não há comprovação de que dificultem diretamente a cicatrização de feridas.
Nenhuma evidência científica corrobora a noção de que a linguiça de frango, isoladamente, cause efeitos inflamatórios ao ponto de justificar seu enquadramento como “remosa”.
Portanto, a preocupação deve ser mais ampla, levando em conta a dieta como um todo, o nível de atividade física e possíveis condições pré-existentes de saúde.
Consumo Responsável
Apesar de não haver razões científicas que sustentem a classificação da linguiça de frango como “remosa”, é essencial considerar alguns cuidados:
- Moderação: por se tratar de um alimento processado, com teores variáveis de sódio e gordura, o ideal é não abusar.
- Qualidade da Origem: opte por marcas confiáveis, que ofereçam boas práticas de fabricação e higiene.
- Dieta Equilibrada: equilibre o consumo de linguiça de frango com frutas, legumes, verduras e outros ingredientes naturais.
- Preparo: atente para a forma de cocção, evitando frituras para reduzir o consumo de gorduras adicionais.
Conclusão
Não há evidências médicas que justifiquem a classificação da linguiça de frango como “remosa”. Embora seja um alimento processado e deva ser consumido com moderação, especialmente por conter níveis consideráveis de sódio e gordura, não existem estudos que comprovem a associação direta com inflamações ou processos de cicatrização prejudicados.
Assim, a recomendação geral é privilegiar uma dieta variada, equilibrada e atenta à qualidade dos ingredientes, sem necessidade de excluir a linguiça de frango por crendices populares.
Referências:
American Heart Association. “Processed Meats and Heart Health”.
World Health Organization (WHO). “Reducing salt intake in populations”.
National Institutes of Health (NIH). “Dietary Fats and Cardiovascular Health”.