Franol Emagrece Mesmo?

remedios

Não é novidade que a luta contra a balança é uma constante na vida de diversas pessoas. Fazer atividade física, manter uma alimentação saudável e dormir direito são alguns dos itens do checklist para quem quer emagrecer. No entanto, nem tudo está ao nosso controle e é necessário levar em conta o fator genético.

Independentemente do motivo (preguiça, falta de tempo, genética…), muitas pessoas acabam tentando “cortar caminho” nessa caminhada em busca da perda de peso, e lançam mão do uso de medicamentos que possam acelerar esse processo. Um desses medicamentos é o franol.

O que é o franol?

Franol é um medicamento do tipo similar, comercializado pelo laboratório Sanofi-Aventis, composto pelas substâncias teofilina (120 mg) e sulfato de efedrina (15 mg), utilizado no tratamento e prevenção de problemas respiratórios.

O uso concomitante das duas substâncias resulta em uma ação complementar que promovem a dilatação dos brônquios e dos vasos pulmonares, aliviando os sintomas de asma brônquica.

Teofilina

A teofilina é uma metilxantina, que são substâncias alcaloides com capacidade de relaxar a musculatura lisa (principalmente a brônquica) por meio da inibição da fosfodiesterase.Em doses terapêuticas, essa inibição causada pela teofilina é fraca e não seletiva.

Ela reduz a responsividade brônquica a histamina, aeroalérgenos e outros. É um potente inibidor dos receptores de adenosina, que apesar de, em indivíduos normais ter pouca ação no músculo liso peribrônquico, em indivíduos asmáticos determina sua constrição.

Em concentrações abaixo da usual, a teofilina pode ter efeitos anti-inflamatórios, agindo na asma e na DPOC.

Efedrina

Os 15 mg de sulfato de efedrina presentes no Franol equivalem a cerca de 11,9 mg de efedrina.

A efedrina é uma amina simpaptomimética, de ação mista (ação direta nos receptores adrenérgicos e indireta pois age por meio da liberação endógena de noradrenalina nos terminais neurais pré-sinápticos). Por ser resistente ao metabolismo da monoaminoxidase (MAO) e catecol-O-metiltransferase (COMT), tem ação prolongada.

Em doses terapêuticas, produz relaxamento da musculatura lisa, estimulação cardíaca e aumento da pressão arterial.

Apesar de ser classificada como uma amina predominantemente vasoconstritora, também é um poderoso broncodilatador.


Liberação de noradrenalina

A noradrenalina possui diversos efeitos no organismo, e está envolvida principalmente no processo de “luta ou fuga”, ativado em situações de estresse ou medo. Algumas das funções desse neurotransmissor são:

Efeito no emagrecimento

emagrecimento 3

A procura do Franol para fins de emagrecimento se deve à presença de efedrina na fórmula. Apesar do principal efeito desse fármaco ser a desobstrução das vias aéreas, como efeito paralelo esse medicamento induz a lipólise.

A lipólise consiste na degradação de triacilglicerol em moléculas de ácidos graxos e glicerol. Em outras palavras, o uso de efedrina induz o corpo a utilizar a camada de gordura como fonte de energia.


Segurança

Como já visto, o mecanismo de emagrecimento do Franol se deve à efedrina em sua composição. Por muito tempo, essa foi uma substância utilizada em medicamentos para emagrecer disponíveis no mercado, até que a proibição para fins estéticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Essa proibição se deve aos efeitos colaterais potenciais.


Efeitos colaterais do Franol

Segundo a bula do medicamento, as reações adversas ao medicamento são leves e não necessitam de tratamento. No entanto, alguns paciente podem apresentar:

  • Vasoconstrição e estimulação cardíaca (acarretando a elevação aguda da pressão arterial e da frequência cardíaca);
  • Arritmia/palpitação;
  • Midríase;
  • Insônia;
  • Vertigem;
  • Cefaleia;
  • Tremor;
  • Agitação;
  • Ansiedade;
  • Fraqueza
  • Náusea e vômito;
  • Dispepsia;
  • Sede;
  • Aumento da sudorese.

Contraindicações do uso terapêutico do Franol

Esse medicamento não deve ser utilizado por pacientes com angina instável, arritmia cardíaca, hipertensão severa, doença arterial coronariana severa, porfiria, hipertireoidismo.

Também não devem ser utilizados por pessoas sensíveis aos componentes da fórmula ou por pacientes que fazem uso de xantinas.

amamentacao

O uso de Franol é contraindicado durante a gravidez e amamentação.


Vale a pena usar Franol para emagrecer?

O emagrecimento não é um objetivo terapêutico do uso do Franol em bula, nem uma utilização off label do medicamento.

Como todo medicamento, oferece riscos além dos benefícios, não devendo ser utilizado sem orientação médica.

Se o seu objetivo é emagrecer, faça isso de forma saudável e procure profissionais da saúde que possam lhe orientar.


Referências

Efedrin. [Bula]. São Paulo: Cristália. José Carlos Modolo.

Filho, P. A. T. Asma brônquica. 2022. Disponível em: https://www.asmabronquica.com.br/medical/tratamento_asma_teofilina.html#:~:text=O%20mecanismo%20molecular%20de%20broncodilata%C3%A7%C3%A3o,lisa%20br%C3%B4nquica%20e%20c%C3%A9lulas%20inflamat%C3%B3rias.

Forte, R. Y., et al. Infarto do miocárdio em atleta jovem associado ao uso de suplemento dietético rico em efedrina. Arq. Bras. Cardiol. v. 87, n. 5, 2006.

Franol. [Bula]. São Paulo: Sanofi-Aventis. Silvia Regina Brollo.

NARDI, A.; et al. Antiasmáticos: agonistas β2-adrenérgicos e metilxantinas. Ação Odonto. v. 3, n. 1, 2015. Disponível em: https://portalperiodicos.unoesc.edu.br/acaodonto/article/view/7148#:~:text=ANTIASM%C3%81TICOS%3A%20AGONISTAS%20%CE%B22%2DADREN%C3%89RGICOS%20E%20METILXANTINAS,-Autores&text=Asma%20%C3%A9%20uma%20doen%C3%A7a%20inflamat%C3%B3ria,aperto%20no%20peito%20e%20tosse.

Marina Goulart da Silva

Graduada em Farmácia e Mestre em Ciências da Saúde: Neurociências pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Pós-Graduada em Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas. Atua como pesquisadora estudando a efetividade de intervenções farmacológicas em transtornos psiquiátricos.

Também é professora do Ensino Superior.

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Marina Goulart da Silva

Marina Goulart da Silva

Graduada em Farmácia e Mestre em Ciências da Saúde: Neurociências pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL). Pós-Graduada em Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas. Atua como pesquisadora estudando a efetividade de intervenções farmacológicas em transtornos psiquiátricos.

Também é professora do Ensino Superior.

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