As extrassístoles supraventriculares são batimentos cardíacos extras que se originam acima dos ventrículos, especificamente nos átrios ou na junção atrioventricular. Consideradas um tipo comum de arritmia cardíaca benigna, afetam até 60% da população adulta saudável em algum momento da vida. Diferente das arritmias ventriculares potencialmente perigosas, as extrassístoles supraventriculares são geralmente inofensivas, embora possam causar sintomas desconfortáveis que preocupam significativamente os pacientes.
O que São Exatamente as Extrassístoles Supraventriculares?
O coração normal segue um ritmo regular controlado pelo nó sinusal, localizado no átrio direito. Nas extrassístoles supraventriculares, um foco elétrico anormal nos átrios ou nó AV dispara prematuramente, interrompendo temporariamente o ritmo cardíaco normal. Este batimento extra é seguido por uma pausa compensatória, criando a sensação característica de “volta” ou “pulo” no peito.
Mecanismo Fisiológico
As extrassístoles ocorrem quando células cardíacas fora do sistema de condução normal desenvolvem automaticidade aumentada ou quando há atividade de disparo precoce. Estas células geram impulsos elétricos que competem com o ritmo sinusal normal, causando a contração prematura do coração.
60%
da população experimenta em algum momento
<1%
são perigosas em corações saudáveis
24.000
extrassístoles/dia ainda podem ser benignas
70-80%
redução com mudanças no estilo de vida
Sintomas e Como Reconhecê-los
Os sintomas das extrassístoles supraventriculares variam desde imperceptíveis até bastante incômodos, dependendo da frequência e sensibilidade individual. A percepção dos sintomas é altamente variável entre diferentes pessoas.
Sintomas Comuns
- Palpitações: Sensação de “pulo”, “volta” ou “tumulto” no peito
- Pausa Perceptível: Sensação de que o coração “parou” por um instante
- Batimento Forte: Batimento cardíaco mais intenso após a pausa
- Tosse Seca: Tosse leve e irritativa durante as extrassístoles
- Falta de Ar Leve: Sensação de “aperto” ou “nó” na garganta
Fatores Desencadeantes Comuns
- Estresse e Ansiedade: Principal fator desencadeante em jovens saudáveis
- Estimulantes: Cafeína, nicotina, álcool e bebidas energéticas
- Fadiga e Privação de Sono: Cansaço extremo aumenta a incidência
- Exercício Físico: Tanto durante o esforço quanto no período de recuperação
- Mudanças Hormonais: Período menstrual, gravidez e menopausa
| Sintomas | Conduta Recomendada |
|---|---|
| Palpitações ocasionais sem outros sintomas | Consulta de rotina com cardiologista |
| Palpitações com tontura leve | Procure atendimento em 24-48 horas |
| Dor torácica associada às palpitações | Procure atendimento urgente |
| Desmaio (síncope) ou quase-desmaio | Procure atendimento de emergência |
| Falta de ar em repouso com palpitações | Procure atendimento de emergência |
⚠️ Mecanismo da Extrassístole Supraventricular
Foco anormal nos átrios dispara precocemente
Contração atrial prematura ocorre
Impulso segue para os ventrículos
Pausa compensatória cria sensação de “pulo”
Como é Feito o Diagnóstico
O diagnóstico das extrassístoles supraventriculares baseia-se na combinação de história clínica detalhada, exame físico e exames complementares. O objetivo principal é diferenciar entre extrassístoles benignas e aquelas associadas a cardiopatias subjacentes.
Exames Complementares
- Eletrocardiograma (ECG): Exame inicial que pode capturar extrassístoles se estiverem presentes durante o registro
- Holter 24 Horas: Monitoramento contínuo do ritmo cardíaco que quantifica a carga de extrassístoles
- Teste Ergométrico: Avalia o comportamento das extrassístoles durante o esforço físico
- Ecocardiograma: Exame essencial para descartar cardiopatia estrutural
- Monitor de Eventos: Dispositivo usado por 15-30 dias para capturar arritmias esporádicas
Características Eletrocardiográficas
No ECG, as extrassístoles supraventriculares apresentam complexos QRS estreitos (semelhantes aos batimentos normais), mas ocorrem prematuramente. São seguidas por uma pausa compensatória incompleta e podem apresentar onda P de morfologia anormal.
Tratamento Não Cirúrgico: Abordagens Baseadas em Evidências
O tratamento das extrassístoles supraventriculares é indicado apenas quando os sintomas são significativamente incômodos ou quando há cardiopatia estrutural associada. Em indivíduos saudáveis com sintomas leves, a reassurance (tranquilização) é frequentemente suficiente.
Modificações do Estilo de Vida
Intervenções não farmacológicas constituem a primeira linha de tratamento:
- Redução de Estimulantes: Eliminar ou reduzir café, chá preto, refrigerantes, energéticos e álcool
- Gestão do Estresse: Técnicas de relaxamento, meditação, ioga e psicoterapia
- Higiene do Sono: Garantir 7-8 horas de sono de qualidade por noite
- Exercício Regular: Atividade física moderada e regular, evitando excessos
- Hidratação Adequada: Manter bom estado de hidratação, especialmente durante exercícios
Tratamento Farmacológico
Quando as modificações de estilo de vida são insuficientes, várias classes medicamentosas podem ser consideradas:
| Classe Medicamentosa | Exemplos | Mecanismo de Ação |
|---|---|---|
| Betabloqueadores | Propranolol, Metoprolol, Bisoprolol | Reduzem efeito das catecolaminas, diminuindo automaticidade |
| Bloqueadores dos Canais de Cálcio | Verapamil, Diltiazem | Deprimem condução no nó AV e reduzem automaticidade |
| Antiarrítmicos Classe IC | Flecainida, Propafenona | Bloqueiam canais de sódio, suprimindo focos ectópicos |
| Ansiolíticos | Alprazolam, Clonazepam (uso limitado) | Reduzem ansiedade que precipita extrassístoles |
Detalhes Farmacológicos Específicos
Betabloqueadores: Propranolol 10-40mg 3x/dia ou Metoprolol 25-100mg 2x/dia. Efeitos colaterais incluem fadiga, bradicardia e broncoespasmo em susceptíveis. Contraindicados em asmáticos graves.
Bloqueadores de Cálcio: Verapamil 40-120mg 3x/dia ou Diltiazem 30-90mg 4x/dia. Podem causar constipação, edema e bradicardia. Verapamil deve ser evitado na disfunção sistólica.
Antiarrítmicos Classe IC: Flecainida 50-100mg 2x/dia ou Propafenona 150-300mg 3x/dia. Requerem avaliação cardiológica rigorosa e são contraindicados em cardiopatia isquêmica.
📈 Linha do Tempo do Manejo Terapêutico
Avaliação inicial e reassurance
Modificações de estilo de vida (4-8 semanas)
Betabloqueadores ou Bloqueadores de Cálcio
Antiarrítmicos Classe IC (se necessário)
Abordagens Não Farmacológicas Específicas
Manobras Vagais
Técnicas que estimulam o nervo vago podem interromper episódios de taquicardia ou reduzir a frequência de extrassístoles:
- Manobra de Valsalva: Prender a respiração e fazer força como para evacuar
- Massagem do Seio Carotídeo: Massagem suave no pescoço (apenas sob supervisão médica)
- Imersão Facial em Água Fria: Estimula o reflexo de mergulho, reduzindo frequência cardíaca
- Tossir Fortemente: Tossir vigorosamente várias vezes
Terapias Comportamentais
Abordagens psicológicas são particularmente eficazes quando há componente ansioso:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Para modificar pensamentos catastróficos sobre as palpitações
- Biofeedback: Aprendizado de controle voluntário das respostas fisiológicas
- Técnicas de Respiração: Respiração diafragmática lenta (6-8 respirações por minuto)
- Mindfulness e Meditação: Redução da percepção negativa dos sintomas
✅ Lista de Verificação: Redução de Gatilhos
- Reduzir café para 1 xícara/dia ou eliminar completamente
- Evitar bebidas energéticas e refrigerantes com cafeína
- Praticar técnicas de relaxamento 10-15 minutos/dia
- Manter horário regular de sono (7-8 horas/noite)
- Beber 2 litros de água por dia
- Evitar álcool, especialmente à noite
- Praticar exercício regular moderado (não extenuante)
Quando Tratar e Quando Apenas Observar
Nem todas as extrassístoles supraventriculares requerem tratamento. A decisão baseia-se na carga de extrassístoles, sintomas associados e presença de cardiopatia estrutural.
Critérios para Iniciar Tratamento Farmacológico
Sintomas Incômodos
+10.000 ESV/dia
Cardiopatia Estrutural
Taquicardia Sustentada
Cenários de Apenas Observação
- Extrassístomes esporádicas (<100-200/dia) em coração estruturalmente normal
- Sintomas mínimos ou bem tolerados pelo paciente
- Ausência de cardiopatia estrutural no ecocardiograma
- Pacientes que compreendem a natureza benigna da condição
Prognóstico e Evolução Natural
O prognóstico das extrassístoles supraventriculares em indivíduos com coração estruturalmente normal é excelente. A maioria dos pacientes experimenta melhora significativa dos sintomas com o tempo, especialmente com as modificações adequadas do estilo de vida.
Evolução Natural
- Resolução Espontânea: Muitos casos resolvem espontaneamente em semanas ou meses Padrão Flutuante: Períodos de melhora alternando com períodos de piora
- Melhora com Idade: Tendência à redução com o avançar da idade
- Resposta ao Tratamento: 70-80% dos pacientes respondem bem às intervenções
Perguntas Frequentes (FAQ)
Extrassístole supraventricular pode matar?
Não, as extrassístoles supraventriculares isoladas são consideradas benignas e não aumentam o risco de morte súbita em pessoas com coração normal. O perigo existe apenas quando associadas a cardiopatias estruturais significativas não tratadas, o que é incomum.
Quantas extrassístoles por dia são consideradas normais?
Em indivíduos saudáveis, até 100-200 extrassístoles supraventriculares por dia são consideradas dentro da normalidade. Valores entre 200-1000/dia são considerados limítrofes, e acima de 1000/dia podem justificar investigação mais detalhada, especialmente se sintomáticos.
Qual a diferença entre extrassístole supraventricular e ventricular?
As extrassístoles supraventriculares originam-se nos átrios ou nó AV, são geralmente benignas e apresentam QRS estreito no ECG. Já as ventriculares originam-se nos ventrículos, têm QRS largo e podem ser indicativas de cardiopatia mais significativa, requerendo avaliação mais cuidadosa.
Posso fazer exercício físico com extrassístoles?
Sim, na maioria dos casos o exercício físico é recomendado e pode melhorar os sintomas. Deve-se preferir exercícios aeróbicos moderados e regulares, evitando atividades extenuantes competitivas. Sempre consulte seu cardiologista antes de iniciar qualquer programa de exercícios.
As extrassístoles podem piorar com o tempo?
Geralmente não. A maioria das extrassístoles supraventriculares mantém-se estável ou mesmo melhora com o tempo. Fatores como aumento do estresse, mudanças hormonais ou piora de condições associadas podem causar exacerbações temporárias, mas a tendência natural é de estabilização.
Preciso tomar remédio para sempre?
Não necessariamente. Muitos pacientes conseguem suspender a medicação após 6-12 meses de controle adequado. A decisão de suspender deve ser sempre tomada com orientação médica, geralmente após Holter de controle demonstrando redução significativa da carga de extrassístoles.
Extrassístoles podem virar fibrilação atrial?
Em corações normais, o risco é muito baixo. No entanto, em pacientes com cardiopatia estrutural, idade avançada ou outros fatores de risco, extrassístores atriais frequentes podem predispor à fibrilação atrial. Esta transição é rara em jovens saudáveis.
Por que sinto as extrassístoles mais à noite?
Este é um padrão comum devido ao ambiente mais silencioso, menor número de distrações e maior percepção corporal. Além disso, a posição deitada pode facilitar a percepção das palpitações. A predominância noturna não indica maior gravidade.
Existe cura para extrassístoles supraventriculares?
Em muitos casos, sim. Através de mudanças de estilo de vida, controle de gatilhos e, quando necessário, medicação temporária, a maioria dos pacientes experimenta resolução completa ou controle adequado dos sintomas. A ablação por cateter é reservada para casos refratários selecionados.
Meu filho tem extrassístoles, é perigoso?
Em crianças e adolescentes com coração estruturalmente normal, as extrassístoles supraventriculares são geralmente benignas e frequentemente resolvem espontaneamente. A avaliação cardiológica pediátrica é recomendada para confirmar a ausência de cardiopatia congênita associada.
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Manobra de Valsalva
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