O INFARTO agudo do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco, é uma emergência médica onde o músculo cardíaco começa a morrer por não receber fluxo sanguíneo suficiente, provocado por um bloqueio nas artérias que fornecem sangue ao coração. Caso o fluxo sanguíneo não seja restaurado rapidamente, um infarto poderá causar danos permanentes ao coração, levando a pessoa ao óbito.
Como interpretar os sintomas sem perder tempo
Em homens, o infarto costuma ser lembrado pela pressão ou aperto no centro do peito, mas o quadro não precisa ser “cinematográfico” para ser grave. Dor que dura mais de alguns minutos, volta em ondas, aparece com suor frio, falta de ar, náusea, tontura, palidez ou irradia para braço, mandíbula, costas ou estômago deve ser tratada como urgência.
O ponto central é tempo. Uma artéria coronária obstruída reduz o fluxo para o músculo cardíaco. Quanto mais tempo o tecido fica sem oxigênio, maior o risco de arritmia, insuficiência cardíaca, dano permanente e morte. Por isso, o objetivo do atendimento é confirmar ou descartar síndrome coronariana aguda rapidamente, não observar em casa até ter certeza.
| Padrão percebido | Por que importa | Conduta prática |
|---|---|---|
| Pressão, peso ou queimação no peito | Pode refletir isquemia, especialmente se dura, volta ou aparece ao esforço. | Procure urgência, principalmente se houver fatores de risco. |
| Dor para braço, mandíbula, costas ou estômago | A dor cardíaca pode ser referida para outras regiões. | Não atribua automaticamente a músculo, gastrite ou ansiedade. |
| Falta de ar, suor frio, náusea ou tontura | Sintomas autonômicos aumentam a suspeita quando vêm junto de desconforto torácico. | Acione atendimento, sobretudo se começou de forma súbita. |
| Dor leve, mas com diabetes, tabagismo ou doença cardíaca prévia | O risco basal muda a interpretação do sintoma. | Use margem menor para esperar. |
Por que ansiedade, refluxo e dor muscular confundem
Ansiedade, refluxo, contratura muscular e inflamação das costelas podem causar dor no peito. O problema é que essa semelhança não permite excluir infarto pela internet. O que muda o raciocínio é o conjunto: idade, pressão alta, diabetes, colesterol, tabagismo, história familiar, padrão da dor, duração, esforço, falta de ar e aparência geral.
Dor muscular tende a piorar com movimento local ou palpação. Refluxo pode piorar após refeições e deitar. Crise de ansiedade pode vir com medo intenso, tremor e respiração acelerada. Mesmo assim, se há aperto torácico novo, suor frio, falta de ar, desmaio, dor irradiada ou piora progressiva, a prioridade é descartar causa cardíaca.
O que o pronto atendimento costuma fazer
O eletrocardiograma é um dos primeiros exames porque pode mostrar alterações elétricas compatíveis com isquemia ou infarto. A troponina ajuda a detectar lesão do músculo cardíaco, mas pode precisar ser repetida conforme o tempo de início dos sintomas. Exames normais muito cedo nem sempre encerram o caso; por isso, o acompanhamento em serviço de urgência é parte do diagnóstico.
Se o quadro sugere infarto com obstrução importante, a equipe define a estratégia para restaurar fluxo, geralmente com angioplastia quando disponível e indicada. Em outros quadros de síndrome coronariana aguda, a decisão pode envolver medicação, observação, exames seriados e estratificação de risco.
Apresentações que costumam atrasar a decisão
Alguns homens procuram ajuda rapidamente quando a dor é forte e central. O atraso aparece mais quando o sintoma parece digestivo, muscular ou “só cansaço”. Queimação no peito após esforço, mal-estar com suor frio, falta de ar desproporcional, desconforto no estômago com palidez ou dor que melhora e volta podem ser interpretados como algo menor, mas ainda assim fazer parte de uma síndrome coronariana.
Diabetes, idade avançada, doença renal, histórico de infarto, uso de tabaco e neuropatia podem deixar a apresentação menos típica. Nesses contextos, a ausência de dor intensa não deve tranquilizar demais. O risco individual muda o limiar para procurar atendimento.
| Confusão comum | Por que não basta | Como pensar melhor |
|---|---|---|
| “Deve ser gastrite” | Infarto pode causar náusea, dor alta no abdome e suor frio. | Associe com esforço, falta de ar, irradiação, palidez e risco cardiovascular. |
| “A dor passou” | Isquemia pode oscilar quando a obstrução ou o espasmo muda. | Dor que vai e volta ainda pode ser urgente. |
| “Sou jovem demais” | Jovens também podem ter infarto, especialmente com tabagismo, drogas, histórico familiar ou colesterol alto. | Idade baixa reduz probabilidade, mas não exclui. |
| “Vou tomar remédio e dormir” | Dormir pode atrasar reperfusão e atendimento de arritmias. | Na dúvida razoável, procure serviço de urgência. |
Depois da fase aguda
Sobreviver ao evento inicial não encerra o cuidado. A investigação define extensão da doença coronariana, função do coração, necessidade de reabilitação, ajustes de remédios e metas de pressão, colesterol e diabetes. O acompanhamento também revisa tabagismo, sono, atividade física, alimentação, peso, estresse e adesão ao tratamento.
O retorno ao trabalho, sexo, treino e viagens deve ser individualizado. O que libera a rotina não é apenas “não sentir dor”, mas estabilidade clínica, orientação da equipe, controle dos fatores de risco e progressão segura de esforço.
O que observar em quem já tem risco cardiovascular
Homens com pressão alta, diabetes, colesterol elevado, doença renal, histórico familiar precoce, tabagismo, obesidade abdominal ou infarto prévio precisam de um limiar menor para procurar atendimento. O mesmo vale para quem já usa remédios para o coração, teve stent, ponte de safena, angina ou AVC.
Nesses grupos, o desconforto pode ser descrito como peso, aperto, queimação, falta de ar, queda de rendimento ou mal-estar. A pergunta prática é se o sintoma é novo, diferente do habitual, relacionado a esforço, acompanhado de suor frio ou se não melhora claramente com repouso. Quanto mais respostas positivas, menos sentido faz esperar.
Também é útil separar prevenção de urgência. Controlar fatores de risco reduz probabilidade de infarto ao longo do tempo. Mas quando sintomas suspeitos já começaram, dieta, repouso, antiácido, banho ou “esperar passar” não substituem avaliação de emergência.
Se a pessoa já teve angina, o padrão habitual também importa. Dor mais forte, mais longa, em repouso, com menor esforço ou acompanhada de falta de ar e suor frio deve ser tratada como mudança de risco, mesmo que lembre sintomas antigos.
Outra regra útil: sintomas que aparecem junto com sensação de morte iminente, palidez, sudorese fria ou queda importante de energia merecem urgência mesmo quando a dor não é intensa.
Na prática, dúvida razoável deve favorecer segurança.
Fontes clínicas desta ampliação
É uma das principais causas de morte no mundo, tendo uma prevalência que se aproxima de três milhões de pessoas, com mais de um milhão de mortes nos Estados Unidos anualmente.
É uma emergência com risco de vida.
Quais são os sintomas de infarto em homens?
O infarto pode manifestar vários sintomas, influenciados pelo sexo, pois o perfil cardíaco entre homens e mulheres tem diferenças funcionais e anatômicas.
Então, não é de se admirar que homens e mulheres podem apresentar sintomas diferentes. Nos homens, geralmente a dor do infarto é percebida como uma pressão no peito, acompanhada de suor frio, dor nos braços, na mandíbula e no estômago.
A intensidade da dor percebida pelo paciente pode ainda provocar tonturas e desmaios.
| Sintoma | Descrição |
|---|---|
| Dor no peito | Dor, pressão ou desconforto no peito, que pode se espalhar para o pescoço, mandíbula, costas ou braços |
| Falta de ar | Dificuldade para respirar ou sensação de que não consegue recuperar o fôlego |
| Sudorese | Suor intenso, geralmente acompanhado de pele fria e úmida |
| Náusea | Sensação de enjoado ou vômitos |
| Tontuidade | Sensação de desmaio ou tontura |
| Batimentos cardíacos rápidos ou irregulares | Um batimento cardíaco mais rápido que o normal ou irregular |
| Fadiga | Sentir-se muito cansado ou exausto |
| Palpitações | Sensação de palpitações ou palpitações no peito |
Fatores de risco
São diversos os fatores de risco que contribuem para o infarto agudo do miocárdio.
Entre os fatores não modificáveis, pode-se destacar a idade e o histórico familiar. Já entre os fatores modificáveis, estão incluídos: o hábito de fumar; hipertensão; obesidade; sedentarismo; diabetes; má higiene bucal; presença de doença vascular periférica; e dislipidemia.
| Fator de risco | Descrição |
|---|---|
| Tabagismo | Fumar cigarros ou usar outros produtos derivados do tabaco aumenta o risco de infarto do miocárdio. |
| Pressão alta | Ter pressão alta pode causar danos às artérias, o que aumenta o risco de infarto do miocárdio. |
| Colesterol alto | Altos níveis de colesterol no sangue podem levar ao acúmulo de placas nas artérias, o que aumenta o risco de infarto do miocárdio. |
| Diabetes | Ter diabetes pode aumentar o risco de infarto do miocárdio, pois pode danificar as artérias. |
| Obesidade | O excesso de peso aumenta o risco de infarto do miocárdio, pois pode causar danos às artérias. |
| História Familiar | Ter um histórico familiar de infarto do miocárdio aumenta o risco de desenvolver a doença. |
| Idade | A idade avançada aumenta o risco de infarto do miocárdio, pois as artérias podem ficar mais danificadas com a idade. |
| Gênero | Os homens correm maior risco de desenvolver infarto do miocárdio do que as mulheres. |
| Estresse | O estresse pode aumentar o risco de infarto do miocárdio, pois pode levar ao aumento da pressão arterial e outras alterações. |

Como é diagnosticado o infarto agudo do miocárdio?
Durante o exame físico, deve-se observar os sinais vitais e a aparência do paciente, incluindo a transpiração excessiva, bem como achados pulmonares e ausculta cardíaca.
A frequência cardíaca pode indicar taquicardia, fibrilação atrial ou arritmia ventricular. A pressão arterial geralmente estará alta e as veias do pescoço poderão se apresentar distendidas, indicando insuficiência ventricular direita.
Se o paciente apresentar dor torácica, será realizado o teste de eletrocardiograma (ECG). Esse teste é um dos primeiros a serem feitos quando uma pessoa chega no pronto socorro com sintomas de infarto. O eletrocardiograma utiliza eletrodos que se prendem à pele do peito para captar a atividade elétrica no coração. Em uma tela, aparece a onda que indica a força e o tempo do sinal elétrico. Quando o sinal não se apresenta como deveria, a forma da onda muda, indicando um infarto ou problemas associados.
Testes de laboratório e de imagem também podem ser uteis para analisar essa condição.
O infarto cardíaco faz com que um marcador químico específico apareça na corrente sanguínea. A angiografia envolve tirar um raio-X após injetar um tipo de corante facilmente visto no sangue, permitindo com que sejam visualizadas áreas com pouco ou nenhum fluxo sanguíneo.
A tomografia computadorizada do coração e a ressonância magnética são exames de imagem que utilizam do processamento de computadores para criar uma imagem detalhada do coração.

Tratamento do infarto agudo do miocárdio
Tratar um infarto significa restaurar o mais rápido possível o fluxo sanguíneo para o musculo cardíaco afetado.
Existem vários meios que podem ajudar no tratamento, incluindo oxigênio complementar, medicamentos e cirurgia.
Pacientes com a saturação de oxigênio inferior a 91% devem ter acesso intravenoso e suplementação de oxigênio. Os medicamentos utilizados incluem anticoagulantes, como é o caso da aspirina, para afinar o sangue. Os medicamentos para dor também podem ser usados, como a morfina, para ajudar a aliviar a dor no peito.
Se a pressão arterial for adequada, a nitroglicerina sublingual pode ser recomendada. Como algumas arritmias podem ser fatais, medicamentos antiarrítmicos podem ajudar a parar e prevenir o mau funcionamento do ritmo normal do coração.
A intervenção coronária percutânea é um procedimento realizado para restaurar a circulação para o músculo cardíaco. Esse procedimento utiliza um dispositivo baseado em cateter que é inserido em um vaso sanguíneo principal através de uma pequena incisão. O cateter é enfiado até a artéria bloqueada no coração.
Depois que o cateter chega à artéria obstruída, o balão e, quando indicado, o stent ajudam a restaurar o fluxo. O tempo ideal depende do tipo de síndrome coronariana, do eletrocardiograma, da troponina, da estabilidade do paciente e da estrutura disponível. Em suspeita de infarto, a mensagem prática é não esperar em casa para “ver se passa”.
Antes de receber alta, os pacientes devem receber rotineiramente aspirina, estatina em altas doses, betabloqueador ou inibidor da ECA (enzima conversora de angiotensina).
A PCI, que geralmente inclui a colocação de um stent no local do bloqueio, deve ser feita em até 12 horas. A anticoagulação parenteral e a terapia antiplaquetária são recomendadas para todos os pacientes com infarto agudo do miocárdio.
Como reduzir o risco de ter um infarto?
Existem diversos fatores de risco que não se pode controlar, como é o caso do histórico familiar.
No entanto, há algumas maneiras que podem ajudar você a reduzir as chances de ter um infarto ou então reduzir a sua gravidade.
A mudança de estilo de vida é uma parte central da prevenção, especialmente parar de fumar, tratar pressão alta, controlar diabetes, ajustar colesterol, dormir melhor, reduzir sedentarismo e manter atividade física regular conforme orientação individual. Depois de um evento cardíaco, reabilitação cardíaca e seguimento médico costumam ser mais seguros do que tentar voltar sozinho à rotina antiga.
Adote uma dieta saudável e balanceada. Mantenha um peso adequado para a sua estatura. Gerencie suas condições de saúde, incluindo hipertensão e diabetes. Tome seus medicamentos da forma adequada. E não esqueça de manter suas consultas médicas em dia.
Referências:
MECHANIC, O. J. et al. Acute Myocardial Infarction. National Library of Medicine. StatPearls. 2022.
VIEIRA, M. B. et al. Percepção de homens após infarto agudo do miocárdio. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 30, n. 3, p. 1-9. 2017.









































