Sangramento durante ou depois da relação sexual pode vir de atrito, ressecamento, infecção, pólipos, alterações do colo do útero, contraceptivos, gravidez, trauma ou lesões que precisam ser examinadas. Quando é recorrente, acontece após a menopausa, vem com dor, mau cheiro, corrimento, febre ou risco de IST, a avaliação ginecológica é importante.
O que o sangramento pode indicar
Sangrar uma vez após relação, especialmente com atrito, pouca lubrificação ou início de método hormonal, pode ter causa simples. Mesmo assim, o padrão importa. Sangramento repetido, volume maior, dor pélvica, corrimento, odor, febre, feridas, gravidez possível ou sangramento após menopausa mudam o grau de atenção.
O colo do útero pode sangrar por inflamação, ectopia, pólipo, trauma, alterações pré-cancerosas ou câncer. A vagina pode sangrar por ressecamento, fissuras, atrofia, infecção, dermatose ou trauma. Útero e endométrio entram no diferencial quando há sangramento fora do ciclo.
| Padrão | O que investigar |
|---|---|
| Com dor e corrimento | Cervicite, vaginite ou IST. |
| Após menopausa | Atrofia, pólipos e causas uterinas/cervicais. |
| Após relação intensa ou ressecamento | Atrito, fissura, lubrificação insuficiente. |
| Repetido ou sem explicação | Exame ginecológico e rastreamento em dia. |
Como costuma ser avaliado
A consulta pode incluir história menstrual, método contraceptivo, chance de gravidez, exames de IST, exame especular, avaliação do colo, Papanicolau quando indicado, teste de gravidez, ultrassom ou colposcopia conforme achados. A ordem depende da idade, ciclo, risco e exame físico.
O que levar de informação
Anote se o sangramento aparece só após penetração ou também fora da relação, em que fase do ciclo ocorre, volume, cor, dor, corrimento, odor, método contraceptivo, uso de anticoagulante, chance de gravidez, data do último preventivo e risco de IST. Esses dados ajudam a decidir se o foco inicial é vagina, colo, útero, infecção, hormônio ou trauma.
Não use duchas vaginais, antibiótico ou pomadas internas sem diagnóstico. Esses produtos podem irritar a mucosa, alterar sintomas e dificultar a interpretação do exame. Se houver possibilidade de gravidez, o teste deve entrar cedo no raciocínio.
Quando o preventivo está atrasado, quando houve novo parceiro ou quando há sangramento fora do ciclo, a consulta também serve para atualizar rastreamento, testar ISTs quando indicado e reduzir risco de perder uma causa tratável ou uma lesão do colo.
Uso recente de contraceptivo hormonal também pode alterar o padrão de sangramento.
Procure atendimento urgente se houver sangramento intenso, tontura, desmaio, dor pélvica forte, gravidez ou suspeita de gravidez, febre, dor no ombro associada a dor abdominal, ou sinais de violência sexual.
Como acompanhar sintomas ginecológicos com mais clareza
Em “Sangramento Durante a Relação Sexual”, a resposta depende de ciclo menstrual, idade, intensidade, duração, exames prévios, gestação, método contraceptivo, dor, sangramento, corrimento e impacto na rotina. O mais seguro é organizar o padrão antes de concluir que tudo é normal ou que todo achado exige tratamento imediato.
Informações que mudam a interpretação
| Ponto observado | Por que importa |
|---|---|
| Relação com o ciclo | Dor, corrimento ou sangramento podem mudar de significado conforme a fase do ciclo. |
| Intensidade e duração | Sintomas fortes, progressivos ou persistentes merecem avaliação mais objetiva. |
| Exames anteriores | Preventivo, ultrassom, laudos e tratamentos prévios ajudam a comparar tendência. |
| Gestação ou tentativa de engravidar | Muda a urgência, os exames possíveis e as opções de tratamento. |
| Sinais associados | Febre, dor pélvica intensa, sangramento importante, desmaio ou secreção com odor forte mudam a prioridade. |
Como se preparar para a consulta
- Anote data da última menstruação e padrão dos últimos ciclos.
- Leve resultados de preventivo, ultrassom, exames de sangue e medicações usadas.
- Registre dor, sangramento, corrimento, febre, sintomas urinários e relação com relações sexuais.
- Procure atendimento rápido se houver dor pélvica intensa, sangramento volumoso, desmaio, febre ou suspeita de gravidez com dor.
Por que individualizar faz diferença
Uma mesma queixa pode ter condutas diferentes conforme idade, desejo reprodutivo, histórico de endometriose, infecções, contraceptivos, gestação e exames prévios.
Evite usar antibiótico, hormônio ou ducha vaginal por conta própria. Esses caminhos podem mascarar sintomas, irritar a mucosa ou atrasar o diagnóstico correto.
Sangramento durante ou após relação sexual não deve ser normalizado quando se repete, vem com dor, corrimento, odor, febre, atraso menstrual, suspeita de gravidez ou sangramento volumoso. A avaliação costuma olhar colo do útero, infecções, ciclo, contraceptivos e exames preventivos.
Mas, em outras situações, o sangramento pode ser um sinal de um problema mais sério que precisa ser investigado.
A seguir, listamos algumas razões pelas quais uma mulher pode sangrar durante o ato sexual.
Rompimento do Hímen
O hímen é uma película de tecido localizado na abertura vaginal. Durante a primeira relação sexual, algumas mulheres sentem dor quando o hímen se rompe, enquanto outras não sentem esse desconforto.
É natural algumas mulheres sangrarem na primeira relação sexual, pois como o hímen possui pequenos vasos sanguíneos, quando se rompe pode gerar um pequeno sangramento. Mas, é importante destacar que nem sempre ocorrerá esse sangramento na primeira relação sexual.
Em alguns casos, a quantidade de sangue é tão mínima que pode passar despercebido quando os fluidos seminais se misturam.
Gravidez
Fazer sexo durante a gravidez é perfeitamente normal, seguro e saudável. Com os hormônios à flor da pele, o sexo pode até ser mais prazeroso do que de costume.
A relação sexual não está associada ao sangramento vaginal na gravidez. No entanto, em alguns casos, pode acontecer alguns sangramentos durante ou após a relação sexual.
Visto que o corpo da mulher está passando por mudanças significativas durante a gravidez, o colo do útero naturalmente se torna mais sensível, fazendo com que, durante uma penetração profunda ou relações sexuais ásperas, ocorra uma pequena quantidade de sangramento.
Mas fique atenta, pois o sangramento durante ou logo após a relação sexual na gravidez pode também indicar problemas mais sérios.
O periódico Health Science Journal de 2012 citou que no segundo e terceiro trimestres, o sangramento durante o sexo na gravidez pode estar relacionado ao deslocamento da placenta ou hemorragia anteparto.
Menopausa

A menopausa, caracterizada pelo fim dos períodos menstruais, consiste em um processo biológico natural que ocorre na vida de toda mulher.
A idade média em que as mulheres atingem a menopausa é entre os 40 aos 58 anos, que pode também ocorrer precocemente.
A interrupção das menstruações ocorre devido à redução da atividade dos ovários, que deixam, com o tempo, de liberar óvulos mensalmente.
Além disso, ocorrem alterações hormonais importantes, principalmente relacionado ao estrogênio, que começa a ser secretado em menor quantidade.
Quando essa condição se instala – condição esta, que é inevitável e biologicamente natural –, alguns sintomas são manifestados pela mulher, como:
- Secura vaginal;
- Sudorese;
- Aumento de peso;
- Dor e desconforto durante as relações sexuais, bem como sangramentos;
- Alterações da libido;
- Perda da capacidade reprodutiva; e
- Em alguns casos, depressão.
IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)
Existem diversas infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia, sífilis e clamídia. Essas infecções estão associadas a sintomas diferentes, que podem envolver coceira, queimação e corrimento vaginal.
Em 2001, um estudo publicado pelo Sexually transmitted diseases demonstrou que a inflamação causada por qualquer uma dessas infecções sexualmente transmissíveis pode causar sangramentos durante ou após o ato sexual[1]Røttingen JA, Cameron DW, Garnett GP. A Systematic Review of the Epidemiologie Interactions Between Classic Sexually Transmitted Diseases and HIV: How Much Really Is Known?. Sexually transmitted … Continue reading.
Vaginismo
O vaginismo consiste em um distúrbio sexual caracterizado por contrações involuntárias dos músculos perineais durante as tentativas de relações sexuais.
A mulher quando possui vaginismo, dependendo do grau em que se encontra, apresenta dificuldade persistente em receber qualquer tipo de penetração, seja de um pênis ou da introdução de um dedo e outros objetos pequenos.
Mesmo sentindo o desejo de ser penetrada, ocorre uma fobia. A maiorias das mulheres com essa condição não conseguem realizar exames ginecológicos e nem utilizar absorventes internos[2]Dubinsky TJ. Value of sonography in the diagnosis of abnormal vaginal bleeding. Journal of Clinical Ultrasound. 2004 Sep;32(7):348-53..
É comum as causas estarem associadas a crenças religiosas rígidas, passando a ideia desde cedo de que o sexo é algo errado e que a penetração causará dor.
Uma criação muito rígida também pode possibilitar o vaginismo na vida adulta.
Outras causas incluem: temer uma gravidez, ou a desejar muito; histórico de abuso sexual; traumas na região vaginal; e doenças orgânicas como anormalidade do hímen, traumas associados ao parto natural ou alguma cirurgia genital, entre outros.
Essa condição impede total ou parcialmente a penetração da vagina, tornando difícil o ato sexual, que por sua vez, pode causar dificuldade na relação sexual, sangramento e sentimentos como frustração e depressão.
Por estar associada a fatores emocionais e psicológicos, o vaginismo é considerado uma doença psicossomática.
Endometriose
A endometriose é uma doença benigna que acomete uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva.
Essa condição ocorre quando o endométrio, tecido que reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina, fixando-se em outros órgãos da pelve, o que causa, por sua vez, um processo inflamatório.
Essa inflamação pode ser a causa de dor pélvica e sangramento durante a relação sexual. Outros sintomas associados são: infertilidade, dor na ovulação, fadiga crônica e até mesmo alterações urinárias e intestinais associadas ao ciclo menstrual.
Câncer de Colo de Útero
Depois do câncer de mama, o câncer de colo de útero é a segunda anomalia mais comum na população feminina no Brasil, responsável por 15% das ocorrências de tumores malignos em mulheres.
A principal causa do câncer de colo uterino é definida por uma infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV).
Outros fatores incluem:
- Hábitos de vida e de higiene inadequados;
- Início precoce da atividade sexual, que consequentemente promove a pluralidade de parceiros sexuais; e
- Uso prologando de contraceptivos orais.
No estágio inicial, o câncer de colo uterino é assintomático, sendo descoberto geralmente por meio de exame citopatológico (Papanicolaou).
À medida que o câncer avança, os sintomas podem incluir: sangramento vaginal incomum, que pode acontecer durante ou após a relação sexual; dor durante o ato sexual; aumento do corrimento vaginal; dor pélvica ou nas costas, sem motivo aparente e persistente.
Quando Você Deve Procurar Um Médico?

Você deve procurar atendimento médico quando o sangramento for intenso, frequente e permanecer por muitas horas ou dias após a relação sexual.
Alguns sintomas associados ao sangramento vaginal, também demandam uma consulta ginecológica, como dor pélvica intensa, fraqueza inexplicável, náuseas e vômitos, dores de cabeça e outros sinais incomuns.
A causa do sangramento determinará o tratamento adequado.
Explore também no Blog da Saúde
Fontes úteis
- MedlinePlus: saúde da mulher
- MedlinePlus: menstruação
- MedlinePlus: endometriose
- MedlinePlus: sangramento vaginal ou uterino
Fontes úteis
ANTUNES, S. et al. Fisiopatologia da menopausa. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, v. 19, p. 353-357. 2003.
BERWALD, N. et al. The rate of sexually transmitted infections in ED patients with vaginal bleeding. The American Journal of Emergency Medicine, v. 27, n. 5, p. 563-569. 2009.
CREMA, I. L.; TILIO, R. Repercussões da menopausa para a sexualidade de idosas: revisão integrativa da literatura. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 37, n. 3, p. 753-769. 2017.
FRIGATO, S.; HOGA, L. A. K. Assistência à mulher com câncer de colo uterino: o papel da enfermagem. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 49, n. 4, p. 209-214. 2003.
KONTOYANNIS, M. et al. Sexual intercourse during pregnancy. Health Science Journal, v. 6, n. 1, 2012.
SAADAT, S. H. Vaginismus: a review of literature and recent updated treatments. International Journal of Medical Reviews, v. 1, n. 3, p. 97-100. 2014.
SIVINI, G. B. A.; VELOSO, L. G. Pesquisa em endometriose: atenção às causas e tratamento da dispaurenia. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-graduação em Saúde da Mulher) – Faculdade Pernambucana de Saúde, Recife, 2016.
Fontes usadas nesta atualização
Referências Bibliográficas
| ↑1 | Røttingen JA, Cameron DW, Garnett GP. A Systematic Review of the Epidemiologie Interactions Between Classic Sexually Transmitted Diseases and HIV: How Much Really Is Known?. Sexually transmitted diseases. 2001 Oct 1:579-97. |
|---|---|
| ↑2 | Dubinsky TJ. Value of sonography in the diagnosis of abnormal vaginal bleeding. Journal of Clinical Ultrasound. 2004 Sep;32(7):348-53. |









































