Resposta direta: vertigem posicional paroxística benigna, ou VPPB, costuma causar crises breves de sensação de giro quando a cabeça muda de posição, como ao virar na cama, olhar para cima, levantar ou abaixar. A causa mais comum é o deslocamento de pequenos cristais do ouvido interno para canais que detectam movimento. O diagnóstico depende do padrão da crise e de testes posicionais, não apenas da palavra “tontura”.
A VPPB é diferente de desmaio, labirintite inespecífica, enxaqueca vestibular, queda de pressão ou AVC. A duração curta, o gatilho por posição e a repetição do mesmo movimento ajudam, mas sinais neurológicos, dor de cabeça súbita, fraqueza, fala enrolada, visão dupla, desmaio ou perda auditiva nova mudam a prioridade.
Principais Pontos
- A VPPB causa episódios curtos de tontura ao mudar a posição da cabeça
- Os sintomas são causados por partículas deslocadas no ouvido interno
- Testes específicos podem identificar a presença e localização da VPPB
Neste artigo, vamos abordar o que é a vertigem postural, suas causas e opções de tratamento.
O que é a vertigem postural e por que ela ocorre?
A vertigem postural é uma sensação de tontura que ocorre quando uma pessoa muda de posição, como por exemplo, ao levantar-se de uma posição deitada ou sentada. Esse desconforto está relacionado ao nosso sistema vestibular, localizado no ouvido interno, que é responsável pelo nosso senso de equilíbrio e orientação espacial.
No ouvido interno, existe uma estrutura chamada labirinto, que contém um líquido responsável por transmitir informações de movimento e posição ao nosso cérebro. Em algumas situações, podem se formar pequenos cristais no labirinto que, dependendo da posição em que estamos, interferem na circulação adequada do líquido, causando tontura.
Os sintomas geralmente começam rapidamente e duram menos de 60 segundos.
Algumas situações que podem desencadear a VPPB incluem:
- Rolar na cama
- Levantar-se
- Lavar o cabelo
- Jardinagem
- Deitar-se na cadeira do dentista
Após um episódio de VPPB, a pessoa pode sentir:
- Problemas de equilíbrio
- Sensação de flutuação
- Náusea
Anatomia do Sistema Vestibular
Anatomia do sistema vestibular Para entender a VPPB, precisamos compreender a anatomia do sistema vestibular. No ouvido interno, temos os canais semicirculares, que fazem parte do sistema vestibular periférico e são essenciais para manter o equilíbrio. Há três canais semicirculares: anterior, horizontal (também conhecido como lateral) e posterior.
Cada canal possui uma proeminência óssea chamada de ampola, que abriga células sensoriais responsáveis pela comunicação com o sistema nervoso central.
As máculas utriculares, presentes no ouvido interno, contêm cristais de carbonato de cálcio. Em condições normais, esses cristais permitem o bom funcionamento do sistema vestibular. No entanto, na VPPB, um ou mais cristais se deslocam e entram em um dos canais semicirculares, causando vertigem e nistagmo (movimentos rápidos e involuntários dos olhos).
Classificação
A VPPB pode ser classificada em dois tipos: canalitíase e cupulolitíase. A canalitíase, o tipo mais comum, ocorre quando os cristais se deslocam do utrículo e ficam presos em um dos canais semicirculares.
O canal posterior é o mais afetado, seguido pelo canal horizontal. Já a cupulolitíase é menos comum e acontece quando os cristais aderem à cúpula da ampola, dificultando a transmissão de informações sobre a posição da cabeça ao sistema nervoso central.
Quais são as causas da vertigem postural?

A vertigem postural pode ter diversas causas, incluindo:
- Doenças metabólicas, como diabetes e hipertensão;
- Altos níveis de colesterol;
- Infecções virais que afetam o ouvido interno;
- Formação de cristais no labirinto.
Sintomas e Duração da Vertigem Posicional Paroxística Benigna
Início e Duração dos Episódios
A Vertigem Posicional Paroxística Benigna geralmente começa quando a pessoa muda a posição da cabeça. Isso pode ocorrer ao rolar na cama, levantar-se, lavar o cabelo ou inclinar a cabeça para trás. Os episódios de vertigem começam rapidamente após a mudança de posição. Eles duram no máximo 60 segundos. Se a tontura persistir por mais tempo, pode ser outro tipo de vertigem.
Sintomas Pós-Episódio
Após um episódio de VPPB, a pessoa pode sentir:
- Problemas de equilíbrio
- Sensação de flutuação
- Náuseas
- Tontura leve
Esses sintomas podem durar de algumas horas até alguns dias. A VPPB não causa dores de cabeça. Se alguém tiver dores de cabeça junto com vertigem, pode ser outro problema.
Identificação de VPPB através de Testes
Teste de Dix-Hallpike
O teste de Dix-Hallpike é um método importante para diagnosticar a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB). O paciente começa sentado e é rapidamente deitado com a cabeça inclinada 45 graus para um lado. A cabeça fica em extensão de 20 a 30 graus.
Os olhos do paciente devem ficar abertos. Se o teste provocar tontura em até 60 segundos, pode indicar VPPB. O teste é repetido para o outro lado.
Manobra de Epley Segundo os Resultados
A manobra de Epley é usada para tratar a VPPB. Ela é feita com base nos resultados do teste de Dix-Hallpike. Se o paciente sentir sintomas ao virar para a direita no teste, a manobra de Epley é feita para o lado direito. Se os sintomas aparecerem ao virar para a esquerda, a manobra é feita para o lado esquerdo.
Teste para o Canal Horizontal
Este teste é feito se o teste de Dix-Hallpike não provocar sintomas. O paciente fica deitado e vira a cabeça rapidamente para um lado. Espera-se 60 segundos para ver se há sintomas. Depois, a cabeça é virada para o outro lado. Se houver sintomas, pode indicar VPPB no canal horizontal.
Tratamento para a vertigem postural

Ao identificar sintomas de vertigem postural, é fundamental consultar um médico para realizar o diagnóstico adequado e indicar a terapêutica mais apropriada. O tratamento pode envolver medicamentos específicos, mas também pode ser abordado por meio da fisioterapia labiríntica.
Os episódios de vertigem na VPPB geralmente duram menos de 60 segundos. Se durarem mais tempo, pode ser outro tipo de problema. Após a tontura, a pessoa pode ter problemas de equilíbrio por algumas horas ou dias.
A fisioterapia labiríntica consiste em uma série de exercícios que têm como objetivo reposicionar os cristais que estão interferindo na circulação do líquido no labirinto, aliviando assim a sensação de tontura. Esses exercícios são programados por um especialista e, em muitos casos, podem ser suficientes para resolver o problema.
Manobra de Epley
Utilidade Preventiva da Manobra de Epley
A Manobra de Epley é um tratamento eficaz para a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB). Ela ajuda a reposicionar os cristais no ouvido interno. Após o tratamento bem-sucedido, não é necessário realizar a manobra preventivamente. Os cristais tendem a permanecer no lugar correto após serem reposicionados. No entanto, é útil estar preparado para realizar a manobra novamente caso os sintomas retornem.
Preparação para Recorrências
Para reduzir o risco de recorrência nos primeiros dias após o tratamento, recomenda-se:
- Evitar movimentos verticais bruscos da cabeça
- Não dormir sobre o lado afetado por 1-2 dias
- Dormir com a cabeça elevada em pelo menos 30 graus
Estratégias de Prevenção ao Vertigo Pós-Tratamento
Movimentos de Cabeça Verticais
É recomendado evitar movimentos verticais excessivos da cabeça por 24 a 48 horas após o tratamento. Isso inclui não inclinar a cabeça para trás ao lavar o cabelo ou se abaixar para amarrar os sapatos. Movimentos rápidos da cabeça também devem ser evitados neste período.
Posição ao Dormir
Nos primeiros dias após o tratamento, é aconselhável não dormir sobre o lado afetado. Por exemplo, se o ouvido direito foi tratado, deve-se evitar dormir sobre o lado direito por um ou dois dias.
Elevação da Cabeça ao Dormir
Dormir com a cabeça elevada pode ajudar a prevenir recorrências. Recomenda-se uma elevação de pelo menos 30 graus. Isso pode ser feito usando travesseiros extras ou dormindo em uma poltrona reclinável.
Além dessas medidas, alguns estudos sugerem que a suplementação de vitamina D pode ser benéfica para pessoas com níveis baixos e histórico de vertigem recorrente. É importante consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
O que muda a avaliação clínica
Em Vertigem Postural – Tontura ao levantar e abaixar a cabeça, o raciocínio clínico começa pela combinação entre início, duração, padrão de piora, sintomas associados e histórico. O mesmo diagnóstico pode ser leve em uma pessoa e exigir cuidado rápido em outra por idade, imunidade, doenças crônicas ou sinais de perda de função.
| Dado | Como orienta a decisão |
|---|---|
| Início e duração | Diferenciam quadro súbito, recorrente ou progressivo. |
| Sintomas associados | Febre, perda de peso, falta de ar, fraqueza ou sangramento mudam prioridade. |
| Histórico | Doenças, cirurgias, medicamentos e exames anteriores explicam risco. |
| Impacto funcional | Mostra se o problema limita atividades, sono, trabalho ou autocuidado. |
Levar uma linha do tempo curta costuma ajudar: quando começou, o que piora, o que alivia, o que já foi tentado e qual mudança mais preocupa. Essa organização evita tanto atraso quanto intervenções sem alvo claro.
Como diferenciar VPPB de outras tonturas
A palavra tontura mistura sensações diferentes. Vertigem é sensação de rotação; pré-síncope é sensação de desmaio; desequilíbrio é instabilidade ao andar; tontura inespecífica pode vir de ansiedade, remédios, anemia, pressão, glicose ou problemas neurológicos. A VPPB costuma ser mais mecânica: uma posição provoca crise curta e repetível.
| Padrão | Pensa mais em | Por que importa |
|---|---|---|
| Giro por segundos ao virar na cama | VPPB | Teste posicional e manobra podem resolver. |
| Desmaio ao levantar | Pressão/ritmo cardíaco | Precisa medir pressão, pulso e remédios. |
| Vertigem com perda auditiva nova | Ouvido interno ou outra causa | Pede avaliação específica. |
| Vertigem com fraqueza ou fala alterada | Causa neurológica | Não tratar como VPPB simples. |
Por que a manobra certa depende do canal: os canais semicirculares têm posições diferentes. O teste de Dix-Hallpike sugere envolvimento de canal posterior em muitos casos; outros testes avaliam canal horizontal. Fazer manobras aleatórias pode piorar enjoo e atrasar o diagnóstico correto.
O mecanismo também explica por que a crise é intensa, mas curta. Quando os cristais se movem dentro do canal, o ouvido interno envia ao cérebro um sinal falso de aceleração. A visão e a propriocepção dizem outra coisa; esse conflito gera vertigem, náusea e nistagmo. Quando as partículas param de se mover, o sinal falso diminui e a crise tende a ceder.
Remédios para enjoo podem aliviar uma crise muito incômoda, mas não recolocam os cristais no lugar. Por isso, quando o padrão é compatível com VPPB, a avaliação busca identificar o canal envolvido e escolher a manobra de reposicionamento adequada. Se a tontura dura horas, não depende de posição ou vem com sintomas neurológicos, a hipótese precisa ser reaberta.
Um diário curto também ajuda: posição que disparou a crise, duração aproximada, náusea, queda, perda auditiva, uso de remédios e recorrência. Esses detalhes tornam a consulta mais objetiva e evitam chamar toda tontura de “labirintite”.
Conclusão
A vertigem postural é um problema comum, mas nem sempre recebe a atenção necessária. Se você sofre com sintomas de tontura ao mudar de posição, é importante procurar um médico para realizar um diagnóstico adequado e iniciar o tratamento mais indicado para o seu caso. Com orientação médica e, se necessário, a prática de fisioterapia labiríntica, muitas pessoas conseguem eliminar ou minimizar a vertigem postural e melhorar sua qualidade de vida.









































