A toxina botulínica é uma proteína purificada que bloqueia, temporariamente, a comunicação entre nervo e músculo. A versão usada na clínica é 100 % livre da bactéria Clostridium botulinum, portanto não causa botulismo. Quando injetada em pequenas doses, ela relaxa apenas o músculo-alvo, suavizando rugas de expressão ou tratando doenças que causam contração excessiva.
O efeito cosmético aparece porque o músculo parado deixa de “franzir” a pele, dando tempo para as camadas superficiais se reorganizarem. O resultado costuma ser visível entre 3 e 7 dias após a aplicação e dura cerca de 3 a 4 meses.
Rugas surgem pela soma de três fatores: perda natural de colágeno, exposição solar repetida e movimentos faciais frequentes. A toxina atua apenas sobre o último item, reduzindo o movimento sem preencher o sulco. Para completar o quadro, muitas pessoas associam o procedimento a preenchimentos ou laser.
Reações no ponto da injeção—pequenos hematomas, inchaço ou vermelhidão—desaparecem em poucos dias. Usar agulhas finas e gelo imediatamente após o procedimento reduz esses sintomas. Dores de cabeça leves podem surgir no primeiro fim de semana, mas melhoram com analgésico comum.
A queda da pálpebra (ptose palpebral) é o efeito adverso mais conhecido. Ela ocorre quando a toxina atinge, sem querer, o músculo que abre a pálpebra superior. A pálpebra “dorme”, mas a visão não é danificada. O problema é progressivo nos primeiros 7 dias e se resolve sozinho em até 12 semanas.
Por que a pálpebra cai após o botox?
A ptose quase sempre está ligada a três erros: ponto de injeção muito baixo, volume excessivo ou produto de baixa qualidade. A toxina pode “vazar” alguns milímetros e alcançar o músculo levantador. Fatores do paciente também influenciam: pálpebra já caída, sobrancelha pesada ou pele muito fina aumentam o risco.
Filtre os fatores que se aplicam a você:
Sintomas e diagnóstico
A ptose aparece entre 3 e 14 dias após a aplicação e atinge cerca de 2,5 % dos pacientes. O olho “cansa” ao longo do dia, a sombra da pálpebra pode encobrir parte da íris e, em casos raros, chega a bloquear a visão superior. O teste simples para acompanhar em casa: olhe para um ponto na parede, mantenha a cabeça reta e meça quanto da íris fica coberta; anote o número de milímetros a cada 3 dias. Quando a cobertura aumentar ou persistir após 4 semanas, volte ao médico.

Tratamento: o que pode acelerar a melhora?
Não existe antídoto imediato, mas existem formas de encurtar a duração. Colírios com oximetazolina ou apraclonidina 0,5 % contraem um músculo auxiliar e abrem a fenda palpebral por 6-8 h; podem ser usados 1 gota de 12/12 h, sempre com orientação médica. Massagem leve (para cima) com as costas de uma escova elétrica desligada, 3 × 5 min/dia, estimula o nervo e acelera a formação de novas terminações. Laserterapia de baixa potência ou microcorrentes também reduzem o tempo de recuperação em cerca de 2 semanas.
Linha do tempo típica de recuperação
Como reduzir os riscos na próxima sessão
Converse com o médico sobre todas as aplicações anteriores e sobre qualquer queda de pálpebra na família. Peça para aplicar a menor dose possível e evite exercícios físicos por 24 h após o procedimento. Não deite de cabeça baixa nem faça massagem na região por pelo menos 4 h. Escolha sempre profissionais que possuem registro no CRM e experiência complicada em toxina na face.
Referências
NESTOR, M. S. et al. Botulinum toxin-induced blepharoptosis: Anatomy, etiology, prevention and therapeutic options. Journal of Cosmetic Dermatology, v. 20, p. 3133-3146. 2021.
MERICE, F. P.; BEDIN, V. Acupuntura no tratamento da ptose palpebral causada pela toxina botulínica. BWS Journal, v. 5, p. 1-7. 2022.















































