A curetagem uterina, também chamada de dilatação e curetagem, remove tecido de dentro do útero ou obtém uma amostra para análise. Conforme a indicação, o procedimento pode usar aspiração a vácuo, uma cureta, histeroscopia ou uma combinação dessas técnicas. Analgesia, sedação ou anestesia reduzem a dor durante o procedimento; depois, cólica e sangramento leve são comuns e devem melhorar progressivamente.
A maioria das pacientes não fica infértil. A complicação que pode afetar a fertilidade é a formação de aderências intrauterinas clinicamente importantes, chamada síndrome de Asherman. Isso não é igual a pequenas aderências encontradas em estudos de acompanhamento, muitas vezes sem repercussão conhecida.
Também não existe um único número de dias válido após toda curetagem. Depois de uma perda gestacional inicial, a ACOG costuma orientar evitar penetração vaginal e produtos internos por uma a duas semanas, embora sua diretriz reconheça que esse prazo não se baseia em evidência direta. A RCOG orienta retomar quando a pessoa se sentir bem e quando dor e sangramento tiverem diminuído bastante.
O que é curetagem uterina?
Na dilatação e curetagem, o colo do útero é aberto o suficiente para que um instrumento alcance a cavidade uterina. O tecido pode ser retirado por uma cureta ou por sucção. Em determinadas indicações, uma histeroscopia permite visualizar o interior do útero durante a investigação ou o tratamento.
Na prática, a palavra “curetagem” às vezes é usada para procedimentos diferentes. Aspiração manual a vácuo, aspiração elétrica e curetagem com instrumento cortante não têm a mesma técnica nem as mesmas indicações. O relatório de alta deve registrar qual método foi realizado, por que foi escolhido e se o material foi enviado para análise.
Para que serve a curetagem?
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| Contexto | Objetivo | Pergunta útil depois do procedimento |
|---|---|---|
| Sangramento uterino anormal | Obter tecido do endométrio para análise e investigar alterações da cavidade uterina. | Foi feita apenas coleta de tecido ou também histeroscopia? |
| Perda gestacional com tecido retido | Esvaziar o útero quando o acompanhamento expectante ou o tratamento medicamentoso não foi escolhido, não funcionou ou não oferece a rapidez necessária. | Foi usada aspiração a vácuo ou cureta? |
| Procedimento junto de histeroscopia | Visualizar a cavidade e retirar ou amostrar uma área específica. | Havia uma lesão localizada e qual foi o resultado da análise? |
Para perda gestacional incompleta com tamanho uterino equivalente a menos de 14 semanas, a Organização Mundial da Saúde recomenda tratamento medicamentoso ou aspiração a vácuo e orienta contra a curetagem cortante de rotina. Essa recomendação se aplica ao cuidado relacionado à gestação; não significa que toda coleta diagnóstica do endométrio deva ser substituída pelo mesmo método.
Curetagem dói?
O procedimento pode ser feito com anestesia local, sedação ou anestesia geral, conforme a técnica e o ambiente. Por isso, a experiência durante a curetagem varia. A presença de anestesia não significa que todas as pessoas terão a mesma recuperação nas horas seguintes.
Depois, a dor costuma ser leve e parecida com cólica menstrual. Também pode ocorrer pequeno sangramento ou escape. O padrão esperado é de melhora progressiva, não de dor cada vez mais intensa.
Use somente os analgésicos e as orientações fornecidas na alta. O tipo de anestesia, outras doenças, alergias e medicamentos em uso mudam quais remédios são adequados.
Riscos do procedimento
A ACOG inclui sangramento, infecção, perfuração do útero e lesão do colo uterino entre as possíveis complicações. Sedação ou anestesia também acrescentam riscos próprios, que variam com a técnica, o estado de saúde e os medicamentos em uso.
O contexto importa: uma coleta diagnóstica, o esvaziamento após perda gestacional, um procedimento no pós-parto e uma intervenção guiada por histeroscopia não têm o mesmo perfil. Dor ou sangramento em piora, febre e desmaio não devem ser tratados como recuperação habitual.
Sangramento e recuperação
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| Momento | O que pode ocorrer | Conduta prática |
|---|---|---|
| Primeiras horas | Sonolência relacionada à anestesia, cólica e sangramento leve. | Seguir a observação da alta e não dirigir enquanto houver efeito de sedação ou anestesia. |
| Primeiro e segundo dias | Desconforto em melhora e retorno progressivo às atividades leves. | A ACOG informa que muitas pacientes retomam a maior parte das atividades habituais em um ou dois dias. |
| Dias seguintes | Escape ou sangramento que deve diminuir, sem piora progressiva da dor. | Observar a tendência, não apenas a presença de algum sangue. |
| Ciclo seguinte | A menstruação pode chegar antes ou depois da data habitual. | Se a menstruação não retornar em três meses, a ACOG recomenda entrar em contato com o profissional responsável. |
Os prazos variam conforme a indicação. Depois de cirurgia por perda gestacional, a RCOG descreve sangramento por uma a duas semanas, geralmente mais intenso no início e depois em redução. Para dilatação e curetagem em geral, a ACOG informa que pequenos escapes podem durar várias semanas. Esses intervalos descrevem contextos diferentes e não devem virar uma regra única para toda paciente.
Curetagem causa infertilidade?
Na maioria das vezes, não. A ACOG descreve como rara a formação de aderências clinicamente importantes depois de curetagem relacionada a aborto ou perda gestacional. Quando extensas, essas cicatrizes podem unir partes da cavidade uterina, reduzir ou interromper a menstruação e dificultar a gravidez. Esse quadro é chamado de síndrome de Asherman.
É importante separar aderência detectada de infertilidade. Uma revisão sistemática de 2014 encontrou aderências em 19,1% das mulheres avaliadas por histeroscopia após perda gestacional, considerando manejo espontâneo, expectante, medicamentoso e cirúrgico. A maioria era leve, e os estudos não permitiram concluir que 19,1% das pacientes ficaram inférteis. Os próprios autores classificaram como incerta a relevância clínica de muitas dessas aderências.
O achado mais consistente foi a relação entre procedimentos repetidos de dilatação e curetagem e maior frequência de aderências. Isso apoia evitar evacuações desnecessárias e discutir técnicas menos traumáticas quando elas atendem à mesma indicação.
- Ausência de menstruação por três meses depois da curetagem.
- Redução menstrual marcante e persistente depois de um ciclo antes regular.
- Dificuldade para engravidar após o período esperado de tentativas.
Esses achados não comprovam síndrome de Asherman, mas justificam avaliação da cavidade uterina e de outras causas de alteração menstrual ou infertilidade.
Quantos dias depois pode ter relação sexual?
Não existe um prazo único para toda curetagem. Na recuperação de perda gestacional inicial, a ACOG orienta evitar penetração vaginal, absorventes internos e outros objetos na vagina por uma a duas semanas. O objetivo é reduzir a possibilidade de infecção enquanto o colo uterino retorna ao tamanho habitual.
O próprio Practice Bulletin da ACOG esclarece que a recomendação de uma a duas semanas é comum, mas não foi demonstrada diretamente por bons estudos. A RCOG usa um critério clínico: a relação pode ser retomada quando ambos se sentirem prontos, a paciente estiver bem e a dor e o sangramento tiverem diminuído bastante.
Se a alta determinar um prazo específico, siga essa orientação porque ela considera a indicação e o que ocorreu durante o procedimento. O intervalo de uma a duas semanas não deve ser convertido em um prazo maior e rígido para todas as pessoas, nem aplicado automaticamente a uma curetagem realizada por outro motivo.
Nova gravidez e contracepção
A ovulação pode voltar antes da primeira menstruação. Portanto, é possível engravidar poucas semanas depois do procedimento. Se uma nova gestação não for desejada, a contracepção deve ser discutida sem esperar o ciclo retornar.
Depois de uma perda gestacional inicial sem complicações, pequenos estudos observacionais revisados pela ACOG não mostraram benefício em adiar obrigatoriamente uma nova tentativa. A RCOG também informa que tentar novamente quando a pessoa estiver fisicamente e emocionalmente pronta não aumenta o risco de uma nova perda.
O motivo da curetagem ainda pode mudar esse plano. Resultado de anatomia patológica, necessidade de outro tratamento ou uma complicação identificada no acompanhamento devem ser resolvidos antes de definir o momento da próxima gestação.
Sinais de alerta depois da curetagem
Os sinais abaixo pedem contato rápido com o serviço responsável ou atendimento de urgência, conforme a intensidade.
- Sangramento intenso: encharcar dois absorventes grandes por hora durante duas horas seguidas, limiar descrito pela ACOG.
- Febre ou calafrios: temperatura a partir de 38 °C, especialmente com mal-estar.
- Dor forte: dor abdominal, pélvica ou lombar que não melhora com a medicação orientada ou que piora progressivamente.
- Corrimento com odor desagradável: pode acompanhar infecção uterina.
- Desmaio ou sintomas semelhantes aos de gripe por mais de 24 horas.
- Sinais de possível trombose: perna dolorosa, vermelha, quente e inchada; falta de ar, dor no peito ou tosse com sangue exigem atendimento imediato.
Perguntas para o retorno
- Qual foi a indicação exata da curetagem?
- Foi usada aspiração a vácuo, cureta ou histeroscopia?
- O material foi enviado para anatomia patológica e quando o resultado estará disponível?
- Por quanto tempo devo evitar penetração vaginal, absorvente interno ou coletor menstrual?
- Quando posso retomar trabalho, exercícios e direção?
- Preciso de consulta, ultrassom ou exame de sangue para confirmar que a recuperação terminou?
- Quando a contracepção ou uma nova tentativa de gravidez pode começar neste contexto?
Fontes
- American College of Obstetricians and Gynecologists: Dilation and Curettage
- ACOG Practice Bulletin: Early Pregnancy Loss
- World Health Organization: Abortion Care Guideline, segunda edição
- Royal College of Obstetricians and Gynaecologists: Recovery after surgical management of miscarriage
- Hooker et al.: systematic review of intrauterine adhesions after miscarriage



