mentira pode aparecer como defesa, evitação, manipulação, medo de conflito ou tentativa de preservar imagem. O impacto real depende de frequência, dano, intenção, reparação e contexto. Quando vira padrão, afeta confiança, vínculo e saúde emocional.
As pessoas mentem por motivos diferentes: medo, vergonha, proteção, vantagem, hábito, conflito ou tentativa de pertencer. Entender a mentira exige olhar consequência, intenção e repetição, porque uma mentira ocasional não tem o mesmo peso de um padrão que prejudica relações.
Como transformar a reflexão em ação útil
Em “Por que as pessoas mentem? Psicologia e relações”, é fácil cair em frases motivacionais ou julgamentos pessoais. Uma leitura mais útil observa comportamento, contexto, sofrimento, função e apoio disponível. O foco deve ser entender o que está acontecendo, quais limites ou mudanças são possíveis e quando a situação precisa de ajuda profissional.
Do sentimento ao plano
| Ponto | Pergunta prática |
|---|---|
| Frequência | Isso acontece em dias isolados ou virou padrão? |
| Impacto | Afeta sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado? |
| Controle | A pessoa consegue escolher respostas diferentes ou se sente travada? |
| Rede de apoio | Há alguém confiável para conversar sem julgamento? |
| Risco | Existe ameaça, violência, autoagressão, abuso de substâncias ou ideação suicida? |
Passos pequenos e concretos
- Nomeie o problema em comportamentos observáveis, não em rótulos.
- Escolha um limite ou rotina simples para testar por uma semana.
- Reduza exposição a situações que aumentam sofrimento sem resolver nada.
- Procure ajuda imediata se houver risco de violência ou autoagressão.
Quando pedir ajuda
Ajuda profissional faz sentido quando o sofrimento é persistente, limita a vida, aumenta uso de álcool ou remédios, ou aparece com desesperança intensa.
Em contextos de escola, trabalho ou família, registrar fatos concretos e buscar uma conversa mediada pode ser mais efetivo do que tentar convencer todos de uma vez.
Para o autor, a mentira lírica seria uma espécie de permissão, que dá a si próprio, ao contar uma história inofensiva, que tem como intuito tornar mais interessante a crônica contada.
Mas nem só de permissão poética vive a mentira. E isso a gente bem sabe.
Tanto quanto já fomos enganados por pessoas que mentem, também fomos nós, em algum momento da vida, os mentirosos. A mentira é uma daquelas coisas que fazem parte da vida humana. Tive certeza disso quando comecei a escrever esse texto.
Como de costume, antes de iniciar o processo de escrita, fiz uma daquelas buscas despretensiosas no Google. Na barra de pesquisa, digitei a palavra mentira. E eis que, para minha surpresa, o resultado da busca foi esse:

Perceba que, algumas das palavras semelhantes a mentira são: conto, conversa, história. O que demonstra que a mentira está, de algum modo, correlacionada com o ato de falar/contar alguma coisa.
Na maior parte dos outros textos que li – textos de profissionais da área de psicologia – a mentira é abordada como algo preocupante. O que é coerente, visto que a mentira, em alguns casos, pode ser patológica.
Considerando essas buscas, compreendi que a mentira aparece nas produções literárias, culturais e científicas de dois modos. Podendo ser classificada como banalidade, ou um sinal para termos cautela.
Assim, ponderando os dois lados da moeda, seguimos com o texto.
Quando a mentira machuca
Uma célebre e conhecida frase de Nietzsche, diz: “Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te”.
E quando a mentira machuca? O que está contido na história ou fala de alguém que pode fazer doer em nós? Já parou para pensar que talvez não seja apenas o conteúdo da mentira que nos incomoda?
Acredito que o que faz doer, quando alguém nos mente, não é a mentira em si, mas a confiança que temos no outro, que é então quebrada pelo ato da mentira. Nossas relações interpessoais são constituídas de acordos. Tratos que fizemos e estabelecemos, mesmo quando silenciosos, para saber até onde se pode ir com determinada pessoa.
Os casamentos e namoros, por exemplo, são, antes de tudo, acordos. Em um casamento, comumente, existe uma espécie de deliberação sobre a monogamia. Na saúde e na doença, promete-se amor quando os votos são feitos. Nada é dito sobre a mentira, mas não porque não importe e sim porque é entendida através de outra ótica dentro das relações. Faz parte dos acordos silenciosos.
A mentira, quando cometida por alguém com quem mantemos um vínculo relacional, é então sentida como a cisão de um acordo. E é por isso que ela machuca. Ela pode até ser sentida fisicamente, como aquele embrulho no estômago que chega junto de palavras que sabemos conterem inverdades.
É ainda por seu oposto que a mentira machuca. Uma INverdade, a omissão da veracidade. Dói, inclusive, por cogitarmos acreditar, mesmo quando temos a certeza de que o que está sendo contado não é fidedigno a realidade.
Sobretudo, a mentira é sentida como traição. Traição de pacto, de acordo, de confiança. Por isso, a mentira não refere-se apenas ao momento no qual ela acontece. Ela reverbera na relação, chegando a nós como uma dúvida que se instala na psique.
Poucas coisas podem produzir um desassossego tão grande em nosso pensamento quanto a dúvida sobre o outro. O não saber, se ainda é possível ou válido confiar em quem nos mentiu, pois a confiança, que é base em qualquer relacionamento, encontra-se abalada.
É com isso que a mentira opera. Não só com a dissimulação contida nas palavras que se profere, mas também com sentimentos e pensamentos. Existe mentira que conduz quem foi enganado a duvidar de si mesmo (já vimos isso antes aqui). Existe mentira que produz uma insegurança tão grande, que torna difícil não só a tarefa de confiar em quem mentiu, mas de confiar em outras pessoas e até mesmo em relações futuras.
Existe ainda a mentira que é mais grave do que os casos citados. A mentira que se utiliza em vista de manipulação e na prática de crimes, assim como, o estelionatário.
Isso nos mostra que a mentira é multifacetada, pode ser complexa ou comum, criminosa ou cotidiana. Mas é impossível viver em sociedade sem contar mentira.
As mentiras que contamos
Se existe a mentira que machuca, do outro lado, existe a mentira que contamos como forma de manter o convívio social. Aquele tipo de inverdade que é proferida pela relação que se estabelece com a pergunta, sabe?!
Nesses casos, opta-se, conscientemente, pela mentira, porque a opinião verdadeira acabaria sendo mais rude do que a própria realidade.
William Blake, famoso poeta e pintor, escreve que: “Uma verdade que é dita com má intenção derrota todas as mentiras que possamos inventar”. E o pensador Sófocles, complementa: “Não é bom dizer mentiras; mas quando a verdade puder trazer uma terrível ruína, então dizer o que não é bom também é perdoável”.
Esse para mim é o ponto nevrálgico da questão. Existem situações cotidianas, nas quais, uma verdade, quando proferida apenas pelo pacto social e moral, acaba produzindo um sentimento de desconforto muito maior a quem é submetido a tal opinião.
Sabe aquela pergunta que fazemos ao outro, intuindo que a resposta seja exatamente a que desejamos? Um exemplo clássico é quando somos convidados a opinar sobre uma roupa, corte de cabelo, uma refeição. A pergunta que é direcionada a nós é tendenciosa. Não é uma pergunta que busca pela verdade. O que se deseja é uma resposta polida, gentil.
Reflita. O quanto você deseja a verdade quando faz determinada pergunta?
Conheço muitas pessoas que tem um acordo severo com a verdade. E que, diferente do que acreditam, não são consideradas pessoas extremamente confiáveis ou verdadeiras. Uma fala permeada de opiniões grosseiras e de posicionamento pouco empático, ancorado no discurso de que está sendo sincero, pode piorar, e muito, a situação.
Assim como há mentira que machuca, há verdade que machuca também.
Reafirmo, para convivermos socialmente, às vezes, é necessário omitir a verdade. Isso não nos torna mentirosos, só seres humanos coexistindo, em sociedade, com suas diferenças.
[1]Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=R1IUt-CAgSw&t=19s
Resumo visual: padrão, intensidade e impacto
Em saúde mental, o mais útil é observar frequência, intensidade e prejuízo na rotina. Isso evita transformar uma emoção passageira em diagnóstico e também evita minimizar sofrimento persistente.

| Ponto | Como observar | Por que ajuda |
|---|---|---|
| Padrão | Quando aparece, quanto dura e o que costuma disparar? | Ajuda a diferenciar reação pontual de ciclo repetido. |
| Impacto | Sono, trabalho, estudo, relações e autocuidado mudaram? | Mostra se o problema está afetando funcionamento real. |
| Apoio | Há risco, isolamento, uso de álcool/drogas ou pensamentos de morte? | Indica necessidade de ajuda imediata. |
- Anote situações que pioram e aliviam.
- Observe se o padrão se repete por dias ou semanas.
- Busque ajuda urgente se houver risco de autoagressão.
Quando buscar apoio estruturado
Em Por que as pessoas mentem? Psicologia e relações, a linha de cuidado aparece quando o sofrimento deixa de ser episódio isolado e passa a limitar decisões, sono, estudo, trabalho, relações ou autocuidado. A intensidade importa, mas duração e prejuízo funcional costumam orientar melhor a necessidade de ajuda.
| Sinal | Leitura clínica |
|---|---|
| Sintoma persistente | Pede avaliação quando dura semanas ou volta em ciclos. |
| Evitação | Mostra que o medo ou desânimo está comandando escolhas. |
| Uso de álcool ou remédios para suportar o dia | Aumenta risco e pode mascarar o quadro. |
| Pensamentos de morte | Exigem apoio imediato e rede de segurança. |
O cuidado pode combinar psicoterapia, ajustes de rotina, tratamento de sono, revisão de substâncias, suporte familiar e avaliação médica quando há depressão, pânico, risco ou sintomas físicos associados.









































