Olá! Hoje vamos falar sobre o cóccix, aquele ossinho na ponta final da nossa coluna vertebral. A dor nessa região é chamada de coccidínia. As duas causas mais comuns para essa dor são uma lesão no cóccix após uma queda ou, em mulheres, após o parto.
Vou responder a estas perguntas: o que você pode fazer para aliviar a coccidínia, quando você precisa procurar um médico e como manejar a coccidínia crônica.
As Funções e Causas da Dor no Cóccix

O cóccix é essa estrutura bem pequena na base da coluna lombar, conectada ao osso sacro. Embora pareça pequeno e sem importância, ele tem uma função crítica: serve de ponto de ancoragem para muitos músculos e ligamentos do assoalho pélvico. O assoalho pélvico, por sua vez, sustenta as estruturas pélvicas, includingo bexiga, útero e reto.
Durante o parto, o cóccix é empurrado para trás para dar espaço para a passagem do bebê. É por isso, em parte, que as mulheres têm cinco vezes mais probabilidade de desenvolver coccidínia do que os homens. Outra função muito importante do cóccix é ser uma das três pontas que sustentam o corpo quando estamos sentados. Portanto, uma pessoa que passa muito tempo sentada em uma superfície dura, como concreto ou uma cadeira rígida, terá mais propensão a ter dor no cóccix.
Aqui parece haver alguma vantagem em ter um pouco de gordura ao redor do cóccix. Algumas pessoas começam a ter dor no cóccix após uma perda de peso rápida; isso ocorre porque elas perdem o acolchoado natural que protege o osso. A causa mais comum da coccidínia é um trauma, geralmente por uma queda para trás. As pessoas podem ou não ter uma fratura no cóccix. Além disso, a hipermobilidade (movimento excessivo) ou a hipomobilidade (movimento reduzido) do cóccix também podem levar à dor. Existem ainda causas raras, como dor referida de outra raiz nervosa ou de um órgão pélvico, uma infecção ou um tumor.
Lembrete: este texto tem fins exclusivamente educativos e não substitui o aconselhamento médico. Se você tem alguma condição que está causando dor, por favor, converse com seu médico.
Quando Procurar um Médico?
A maioria dos casos de coccidínia melhora espontaneamente, sem qualquer intervenção médica, podendo levar de dois a três meses. Geralmente, você não precisa de raio-X ou outras investigações se a dor estiver melhorando e você não tiver outros sintomas preocupantes, como incontinência urinária ou fecal, febre ou dormência na área perineal.
Você deve procurar um médico se a dor começar a interferir nas suas atividades diárias, como ficar sentado por um período prolongado, evacuar ou durante relações sexuais.
Diagnóstico da Coccidínia
Nesses casos, o médico precisará examinar o cóccix para confirmar se ele é realmente a causa da dor. O exame é feito através de um toque retal, segurando o cóccix entre o polegar e o indicador e movendo-o para a frente e para trás. Se esse movimento causar dor, sabemos que a origem é o cóccix. Durante o exame, também verificamos a mobilidade. Movimento excessivo indica hipermobilidade, e movimento muito reduzido indica hipomobilidade. A amplitude normal do movimento fica entre 10 e 15 graus.
Se o exame retal indicar dor ao manipular o osso, podemos solicitar um raio-X para visualizá-lo. O ideal são radiografias dinâmicas, com a pessoa em pé e sentada, para vermos como o cóccix se move e se há subluxações ou movimentos anormais.
Tratamentos Caseiros e Medidas Iniciais
A ótima notícia é que em mais de 90% dos casos, a coccidínia se resolve com medidas simples feitas em casa.
Aplicação de Calor e Frio
Experimente ambos para ver qual traz mais alívio. Uma bolsa de gelo por 15 a 20 minutos pode ajudar a reduzir a inflamação aguda. Uma bolsa de água quente pode ajudar a relaxar os músculos tensos, sendo útil para dores mais crônicas.
Analgésicos e Anti-inflamatórios
Use medicamentos de venda livre por um período curto (3 a 7 dias no máximo sem orientação médica) para controlar a dor e a inflamação iniciais. Opções incluem dipirona, paracetamol, ibuprofeno ou diclofenaco, sempre respeitando a dose indicada na bula.
Cremes e Géis Tópicos
Anti-inflamatórios como diclofenaco tópico podem ser uma alternativa com menor risco de efeitos colaterais sistêmicos, embora seu benefício para dor profunda no cóccix não seja amplamente comprovado.
Ajustes de Postura e Almofadas Especiais

É fundamental corrigir a postura ao sentar. Procure sentar-se ereto, distribuindo o peso sobre as tuberosidades isquiáticas (os “ossinhos do bumbum”) e não diretamente sobre o cóccix. Inclinar o tronco ligeiramente para a frente também pode ajudar. Evite ficar sentado por longos períodos; levante-se e movimente-se regularmente.
Se sua cadeira for dura, troque-a ou alterne com uma bola de equilíbrio. As almofadas coccígeas, com formato de cunha ou recorte traseiro, são as mais indicadas, pois elevam o cóccix, evitando pressão direta. Não use as almofadas redondas tipo “donut”, que não são adequadas para este fim.
Terapias Avançadas e Fisioterapia
TENS (Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea)
Este aparelho usa pequenos impulsos elétricos para modular a percepção da dor e pode ser uma boa opção para quem tem restrições ao uso de medicamentos.
Fisioterapia do Assoalho Pélvico
Para casos mais resistentes, um fisioterapeuta qualificado pode aplicar técnicas como liberação miofascial, massagem, manipulação suave e prescrever exercícios para a musculatura pélvica e do core.
Protocolos de Fisioterapia para dor no Cóccix
Principais pontos
- Realizamos tratamento de dor no Cóccix em nossa Clínica em São Paulo – SP
- O plano deve ser individualizado após avaliação dinâmica do cóccix (radiografia em ortostatismo/sentado) e do assoalho pélvico.
- Combinamos técnicas, como mobilização interna/externa, reeducação postural, terapia miofascial, exercícios de controle motor e recursos eletrofísicos, para gerar os melhores desfechos.
1. Técnicas Manuais
1.1 Mobilização intrarretal e alongamento do levator ani
Procedimento: dedo lubrificado via reto; extensão suave do cóccix + estiramento do levator ani durante 60 s, 3-4 repetições.
Sessões: 3–4 atendimentos (1/sem).
Indicação: cóccix hipermóvel ou luxado.
1.2 Mobilização sacro-coccígea externa
Pressão ou oscilação sobre ápice do cóccix (paciente prono); 3 séries de 30 s. Útil quando há restrição de flexo-extensão.
1.3 Liberação miofascial pélvica
Técnica de “unwinding” em piriforme, obturador interno e fibras sacrotuberais por 90 s cada ponto; reduz hipertonias associadas.
2. Fisioterapia do Assoalho Pélvico
Componente | Detalhes técnicos | Resultados |
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Biofeedback (EMG intranal) | 5 × 5 s contração / 10 s relaxamento, 2 séries, progressão para 60% MVC | Dor média caiu de 5,1 → 1,9 após 9 sessões (n = 79) |
Técnicas de down-training | Respiração diafragmática + alongamento do assoalho pélvico em posição de “child-pose” | 72% de melhora global |
Reeducação comportamental | Uso de almofada tipo donut, pausa de 2-min p/ cada 30 min sentado | Complementa analgesia em até 60% dos casos |
3. Exercícios Terapêuticos
Objetivo | Exercício | Dosagem |
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Sincronizar core-pélvis | Ponte supina com contração submáxima do transverso | 3 × 12 rep., 3-4 x/sem |
Alongar cadeia posterior | Stretch de glúteo sentado (20 s) e de piriforme (joelho ao ombro oposto) | 3 séries, 2 x/dia |
Mobilidade lombossacra | “Gato-vaca” em quadrúpede | 10-15 ciclos, 2 x/sem |
Procedimentos Médicos Intervencionistas
Para a dor crônica e intensa que não respondeu às medidas conservadoras, existem procedimentos realizados por médicos especialistas. As opções incluem:
- Injeções locais de anestésicos e corticoides.
- Bloqueios de nervos específicos (gânglio ímpar).
- Ablação por radiofrequência desses nervos.
- Injeções epidurais caudais.
Esses procedimentos são mais invasivos e reservados para casos selecionados. Como já mencionado, a coccectomia (remoção cirúrgica do cóccix) é verdadeiramente o último recurso, considerado apenas em situações muito específicas devido às suas complicações e resultados nem sempre satisfatórios.