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Lipotimia: sintomas, causas e quando avaliar

11 de maio de 2023 by Dr. Carlos Roberto Babá

A lipotimia é uma condição onde o paciente perde a consciência. O paciente demonstra uma perda de consciência que pode ser comparada a uma síncope, que ocorre quando há perda dos sentidos.

No caso da lipotimia o paciente não chega a desmaiar, por isso esta condição é considerada como uma alteração súbita na consciência que pode fazer com que o paciente perca a dimensão de local, espaço e tenha uma perda momentânea da memória.

Sintomas de lipotimia

Pacientes com lipotimia tendem a ter alguns sintomas, que não necessariamente são obrigatórios, mas são bastante comuns, sendo eles:

  • Tontura
  • Náuseas
  • Calafrios
  • Escurecimento ocular
  • Dores de estômago e Gases
  • Palidez
  • Sudorese
  • Zumbidos nos Ouvidos e Tremores.
lipotimia: o que é? sintomas, causas e tratamento

Causas de lipotimia

Resumidamente, as causas são:

  • Estresse
  • Dores intensas
  • Jejum indevido
  • Altas temperaturas e
  • Enxaquecas.

Ainda há outros pacientes que possuem uma condição chamada hipotensão ortostática. A hipotensão ortostática se caracteriza por um problema no sistema nervoso autônomo, ou seja, este sistema se autorregula e seu desequilíbrio pode afetar situações que nós não controlamos voluntariamente, mas o sistema nervoso autônomo controla, como por exemplo a pressão sanguínea, a vasoconstrição ou a vasodilatação, a coloração da pele, a quantidade de suor que o corpo deve eliminar para a regulação da temperatura interna.

Pacientes com hipotensão ortostática apresentam uma falha fisiológica na regulação da pressão sanguínea quando há alteração de posição. Pode-se citar como um exemplo, quando o paciente está deitado – na posição horizontal – e se levanta rapidamente, ocorre que a pressão não se mantém estabilizada, ela abaixa e há uma diminuição no fluxo sanguíneo cerebral – por isso pode ocorrer a perda de consciência do paciente, chamada de lipotimia.

Ou seja, movimentos bruscos podem desencadear essa situação.

lipotimia

Diagnóstico

Entender as causas é fundamental para que se chegue à conduta clínica ideal. Quando o paciente refere que está apresentando esses “apagões” o médico faz uma anamnese baseada não apenas nos relatos, mas em quais situações este episódio tende a acontecer.

Os exames solicitados geralmente envolvem exames de imagem, como as ressonâncias magnéticas, para que se avalie se há alguma alteração de ordem neurológica, por exemplo.

Além disso, no consultório médico o especialista poderá fazer exames físicos, como pedir que o paciente se deite e se levante para que a hipotensão postural seja considerada ou descartada. Ou ainda faça outros testes para que a labirintite – inflamação de uma estrutura auricular chamada de labirinto – seja também uma hipótese.

Geralmente, um paciente com lipotimia se recupera após alguns minutos de repouso sem a necessidade de tratamento. Porém, se o paciente apresentar vários episódios de lipotimia, pode ser indicado fazer exames e investigar as possíveis causas do quadro para que o tratamento seja feito.

Tratamento

Não ocorre em todos os casos da lipotimia estar relacionada a uma patologia específica. Pacientes que sofreram traumas, agressões e abusos podem apresentar este quadro de perda de memória e, nestes casos, tratamentos envolvendo terapias podem ser altamente eficientes.

Em outros casos, pacientes com problemas de ordem neurológica precisam de um acompanhamento mais rigoroso, pois os sintomas podem se agravar e o tratamento pode tornar-se mais delicado.

Alguns médicos sugerem que o paciente repouse e outros médicos sugerem que exames de ordem neurológica sejam feitos.

Quando o paciente procura apoio médico em um serviço de pronto atendimento, a conduta clínica mais tomada envolve pedir que o paciente se deite e levante seus membros inferiores, com a finalidade de aumentar a circulação sanguínea. A equipe monitora a oxigenação no sangue e os batimentos cardíacos e pode ser sugerida a execução do exame que se chama eletrocardiograma, o qual irá verificar como estão os batimentos cardíacos do paciente.

Além do que fora citado acima, pacientes que fazem dietas sem acompanhamento nutricional e ficam por muitas horas sem ingerir alimentos podem ficar hipoglicêmicos, tendo como sintomas os tremores, sudorese e até mesmo a perda da consciência.

Pacientes anêmicos possuem certas disfunções nos glóbulos vermelhos sanguíneos, ocasionando uma oxigenação celular e cerebral inadequada. 

Quando o paciente está também em uma condição clínica de desnutrição e até mesmo desidratação, também ocorrem problemas da pressão arterial. Pacientes desidratados tendem a ter um fluxo sanguíneo mais baixo, tendendo a problemas de hipotensão.

Lipotimia

Quando a lipotimia faz com que o paciente caia, a maneira de intervir é manter contato com  o paciente, conversando. Não movimentar o paciente até ter orientações de profissionais da área da saúde, oferecer um ambiente ventilado e dar espaço para o paciente respirar ar fresco, afrouxar as roupas e cintos, se possível, aplicar uma compressa de água fria na nuca do paciente.

De maneira geral, o tratamento será direcionado pelo médico de forma específica. Por se tratar de uma situação sugestiva para muitos diagnósticos, o apoio médico é fundamental, especialmente pensando na prevenção de problemas mais graves – como o infarto.

Pacientes que sofreram traumas, por exemplo, devem procurar a ajuda de um psiquiatra. Além de terapia, pode ser sugerido um tratamento farmacológico com ansiolíticos, a fim de que o paciente não tenha crises de ansiedade e estresse – quando se trata de um trauma.

Alguns medicamentos prescritos são a amitriptilina e a sertralina, podendo também combinar o tratamento com medicamentos para dormir, como o clonazepam (Rivotril®).

A conduta é exclusivamente médica e a automedicação pode gerar danos irreparáveis para a saúde do indivíduo.

Fontes úteis

  • MedlinePlus
  • WHO: temas de saúde
  • Ministério da Saúde

Arquivado em: Clínica Médica, Sintomas de A-Z

Exame de Mineralograma: o que é e para que serve?

11 de maio de 2023 by Dr. João Arthur Ferreira

Mineralograma, especialmente quando feito por fio de cabelo, não deve ser usado isoladamente para diagnosticar intoxicação, deficiência mineral ou orientar suplementação. A interpretação depende do método, contaminação externa, sintomas, exames de sangue ou urina e contexto clínico.

A interpretação do mineralograma depende do material analisado, dos valores de referência e do motivo do pedido.

Exame de Mineralograma: o que é e para que serve?

O nosso organismo realiza diversas reações químicas para o adequado funcionamento de nossas células. Alguns elementos, como o cobre, zinco, ferro, potássio, cálcio, magnésio, manganês e fósforo são essenciais para que ocorra essas reações químicas importantes à nossa vida e saúde. Mas para isso, esses elementos – ou minerais – devem atuar em concentrações adequadas.

O que é Mineralograma?

Atualmente, existe um exame chamado mineralograma que é utilizado para realizar uma análise complementar dos minerais em nosso organismo, ajudando a fornecer informações importantes para o diagnóstico do estado de saúde de uma pessoa.

Usos do mineralograma

Esse exame é usado, principalmente, para se ter uma ideia do estado geral de saúde de um indivíduo, através da análise de elementos nutritivos, além de identificar problemas de saúde, como osteoporose ou distúrbios na tireoide, que podem ser indicados por um desequilíbrio nas concentrações de nutrientes, especialmente o cálcio, magnésio, potássio, ferro e sódio.

Exame-de-Mineralograma

Como fazer o mineralograma?

O mineralograma pode ser realizado através da coleta de qualquer material biológico, como o sangue, a saliva, a urina e até mesmo o cabelo.

O cabelo é o principal material biológico utilizado para a realização desse exame, pois ajuda a fornecer resultados associados à intoxicação a longo prazo dependendo do comprimento do fio. Já a urina e o sangue são materiais que apresentam algumas limitações, pois indicam a concentração de minerais no organismo no momento em que foi realizada a coleta do material.

Coleta do mineralograma

A forma de coleta irá variar dependendo do material biológico escolhido e do laboratório. A análise do sangue e da urina identifica apenas a exposição aguda e recente, então a análise capilar é conhecida por apresentar mais vantagens, até pelo fato de ser menos invasiva.

O material capilar é mais fácil de ser coletado e armazenado, além de também poder ser empregado para monitoramento temporal, já que o cabelo tem uma taxa de crescimento de aproximadamente 1 cm por mês.

Mineralograma capilar

O mineralograma capilar é feito com cerca de 30 a 50g de cabelo, que geralmente são retirados da nuca, diretamente da raiz. Esse material é enviado ao laboratório, onde serão realizados testes com o intuito de dosar a concentração de minerais tóxicos no cabelo e no organismo, indicando uma possível intoxicação. 

Existem alguns fatores que podem influenciar no resultado do teste de mineralograma capilar, como o uso de shampoo anti-caspa, colorações e contato frequente com cloro devido a banhos de piscina. Então, antes de realizar o exame, é recomendado evitar lavar a cabeça com shampoo anti-caspa e usar colorações, pelo menos, duas semanas antes de realizar o mineralograma capilar.

De preferência, a análise deve ser feita em cabelos naturais. Então, deve-se deixar o cabelo crescer sem tratamentos estéticos permanentes, como alisamento e tintura, por pelo menos 3 meses antes da coleta da amostra, já que os produtos empregados podem incorporar ou extrair elementos do cabelo, o que iria dificultar na interpretação correta dos resultados.

Quando o mineralograma é realizado através da amostra de cabelo, isso permite verificar a concentração de minerais nos últimos 60 dias. Já o exame de sangue fornece resultados referentes aos últimos 30 dias. Quando o material escolhido é o sangue, o paciente deve ficar em jejum por cerca de 12 horas antes de realizar o exame.

O exame de mineralograma não é capaz de diagnosticar doenças, mas a partir dos resultados que o exame fornece, o médico consegue verificar a quantidade de minerais presentes no organismo e, dessa forma, torna-se possível elaborar um plano de tratamento para que o paciente se sinta melhor e tenha mais qualidade de vida.

Por que é importante analisar as concentrações dos minerais do organismo?

Os minerais podem afetar a biodisponibilidade de outros minerais. Por exemplo, o aumento da concentração de cobre no organismo pode influenciar na diminuição da concentração de zinco.

Para as pessoas que ingerem álcool, esses indivíduos podem estar se intoxicando com cobre, o que poderia estar causando uma redução nas concentrações de zinco e de outros minerais importantes.

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A deficiência de zinco deve ser investigada, pois afeta no desenvolvimento cognitivo, alterando a atenção, o comportamento neurofisiológico e as atividades motoras. Esse mineral é muito importante para a fisiologia neural, já que atua como um fator modulador da resposta sináptica, gerando modificação na transmissão neural.

Já existem relatos de que quando ocorre desequilíbrio entre zinco e cobre, com níveis altos de cobre e baixas concentrações de zinco, isso pode contribuir para o desenvolvimento de câncer de pulmão.

Pessoas com excesso de ferro no organismo estão mais propensas a desenvolver uma anomalia chamada hemocromatose, onde o excesso de ferro se acumula no fígado, pâncreas e coração, o que pode causar um quadro de cirrose, além de tumores hepáticos, diabetes mellitus e insuficiência cardíaca.

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Altas concentrações de ferro, cobre e manganês no organismo também estão relacionadas a doenças neurodegenerativas, como Doença de Alzheimer, mal de Parkinson e esclerose múltipla.

No exame de mineralograma, a presença de chumbo, bário, mercúrio ou alumínio na amostra coletada, por exemplo, indica intoxicação, pois são minerais não encontrados normalmente no organismo e que não trazem benefícios para a saúde.

Quando ocorre a detecção desses minerais, o médico recomendará que o paciente realize outros exames para que seja confirmado o diagnóstico. Após isso, é indicado o tratamento mais adequado para a desintoxicação e reequilíbrios dos minerais no organismo.

Tratamento para o reequilíbrio dos minerais no organismo

Dietas específicas e suplementos vitamínicos podem ajudar a corrigir o metabolismo e melhorar as condições gerais do organismo, desintoxicando o corpo, caso existam metais tóxicos presentes.

Um estudo publicado no periódico World Cancer Research Journal sugere um tipo de dieta o mais próximo possível da dieta macrobiótica, que inclui feijão integral, vegetais da estação crus e cozidos, legumes, frutas da época, peixe e carne branca. É importante também limitar a quantidade de proteína animal, pois em determinadas condições os aminoácidos podem modular a absorção de metais tóxicos.

Esse estudo afirma que uma mudança no estilo de vida e uma educação nutricional adequada podem melhorar significativamente os parâmetros metabólicos do organismo.

O tratamento dietético promove a fisiologia celular e o reequilíbrio dos minerais nutricionais, ajudando a aumentar a capacidade celular de defesa contra substâncias perigosas. A conduta deve priorizar contexto clínico, alimentação, medicamentos, exposição ocupacional e exames realmente indicados, com acompanhamento de profissional capacitado.

O que muda a interpretação

Um resultado fora da referência pode ser transitório ou estar relacionado a medicamentos. Um resultado normal, por si só, não exclui doença quando os sintomas persistem.

PerguntaPor que ajuda
Por que o exame foi pedido?Liga o número ao sintoma ou acompanhamento correto.
Há resultado anterior?Mostra tendência, não apenas foto de um dia.
Usa medicamentos?Alguns remédios alteram exames e sintomas.
Há sinais associados?Define se o achado é incidental ou exige conduta.

Leve o laudo completo, não apenas um print do valor alterado. Método, unidade, referência do laboratório e histórico do paciente mudam a leitura.

Quando o mineralograma pode confundir

O resultado pode ser influenciado por cosméticos, tinturas, suor, poeira, coleta, laboratório e método de análise. Por isso, não deve ser usado isoladamente para indicar quelação, megadoses de suplemento ou diagnóstico de intoxicação. Sintomas e exames validados pesam mais.

DecisãoMelhor base
Suspeita de deficiênciaHistória clínica e exames laboratoriais adequados.
Suspeita de intoxicaçãoExames específicos de sangue ou urina quando indicados.
SuplementaçãoDose, necessidade real e risco de excesso.
Resultado alterado isoladoConfirmar antes de tratar.

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  • Clínica Médica
  • Radiologia

Fontes úteis

  • MedlinePlus: como entender resultados de exames
  • MedlinePlus: testes médicos

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