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Mastopexia com prótese – Como é Feita, Cicatriz e Recuperação

23 de janeiro de 2023 by Dr. Pedro Lozano

Mastopexia com prótese combina levantamento da mama com implante, por isso a decisão deve considerar grau de queda, volume desejado, cicatriz, riscos cirúrgicos, riscos do implante e chance de revisão. A cirurgia pode ser adequada para algumas pacientes, mas não deve ser apresentada como garantia de simetria perfeita, cicatriz invisível ou resultado definitivo.

O que a cirurgia tenta corrigir

Mastopexia reposiciona a mama e a aréola quando existe queda. A prótese acrescenta volume e projeção. Algumas pacientes precisam de levantamento sem implante; outras buscam volume, mas têm pouca queda; outras precisam de combinação. A escolha depende de ptose, pele, posição da aréola, volume mamário, assimetria, histórico de amamentação, tabagismo, peso e expectativas.

A consulta pré-operatória deve separar desejo estético de possibilidade anatômica. Pele fina, grande flacidez, mamas muito assimétricas, cicatrização ruim, doenças não controladas e expectativa de “mama perfeita” mudam a conversa.

SituaçãoPossível caminhoPonto crítico
Queda predominanteMastopexia pode bastar.Cicatriz e reposicionamento.
Perda de volumeImplante pode ser discutido.Riscos e vida útil do implante.
Grande flacidezTécnica com mais cicatriz pode ser necessária.Não prometer marca invisível.
AssimetriaPlanejamento individual.Simetria absoluta não é garantida.

Cicatriz e implante são decisões diferentes

As cicatrizes podem ser ao redor da aréola, verticais e, em determinadas situações, em T invertido. Elas tendem a mudar ao longo de meses, mas são permanentes. O objetivo é uma cicatriz bem posicionada e bem cuidada, não uma cirurgia sem marcas.

O implante traz uma camada própria de decisão: pode haver contratura capsular, ruptura, deslocamento, necessidade de acompanhamento e possibilidade de nova cirurgia no futuro. A FDA reforça que implantes não devem ser tratados como dispositivos para a vida toda. Essa informação não serve para assustar; serve para consentimento real.

Mastopexia: reposiciona tecido e aréola.
Prótese: adiciona volume e risco específico.
Cicatriz: permanente, mas pode amadurecer.
Revisão: pode ser necessária em alguns casos.

Recuperação por fases

Nos primeiros dias, dor, inchaço, roxos e limitação de movimento são esperados dentro de certos limites. Entre duas e seis semanas, a paciente costuma retomar atividades de forma gradual conforme orientação da equipe. Exercícios, carregar peso, dormir de bruços e relação sexual podem exigir restrição temporária.

O resultado não deve ser julgado na primeira semana. A mama muda com edema, cicatrização, acomodação do implante e remodelação tecidual. Fotografias seriadas da equipe ajudam a acompanhar evolução, mas comparação com redes sociais costuma distorcer expectativas.

Riscos que precisam estar claros

Além de riscos gerais de cirurgia e anestesia, podem ocorrer sangramento, hematoma, infecção, abertura de pontos, assimetria, alteração de sensibilidade, necrose parcial de aréola ou mamilo, cicatriz hipertrófica, dor, insatisfação e necessidade de revisão. Com implante, entram contratura capsular, ruptura, mal posicionamento e cirurgias futuras.

Procure a equipe se houver febre, vermelhidão progressiva, secreção, abertura de pontos, dor intensa unilateral, falta de ar, dor na panturrilha, sangramento ou piora rápida. Esses sinais exigem contato direto, não tentativa de resolver com orientação genérica.

Como decidir com mais segurança

Leve lista de medicamentos, tabagismo, doenças, cirurgias prévias, alergias e expectativas. Pergunte qual técnica foi proposta, por que ela faz sentido, onde ficam as cicatrizes, quais riscos são mais relevantes no seu caso, o que pode exigir revisão e como será o acompanhamento.

Em adolescentes ou pacientes com sofrimento intenso com aparência, é prudente avaliar maturidade, motivação, pressão externa e possível dismorfia corporal. Boa cirurgia começa por indicação clara, não por promessa.

O que perguntar sobre implantes

Pergunte tipo de implante, plano de colocação, tamanho, perfil, risco de contratura, como será o acompanhamento, quando investigar ruptura e quais sinais devem ser comunicados. Também vale perguntar o que acontece se houver gravidez, grande variação de peso ou desejo de retirar o implante no futuro.

Essa conversa evita que a mastopexia com prótese seja entendida como evento único. Para muitas pacientes, ela é uma decisão de longo prazo, com necessidade de acompanhar a mama e aceitar possibilidade de novas intervenções.

Quando adiar pode ser melhor

Adiar a cirurgia pode ser prudente quando há tabagismo ativo, diabetes descompensado, infecção, instabilidade de peso, expectativa irrealista ou dúvida importante sobre implante. Perder o timing comercial de uma cirurgia é melhor do que operar sem condições adequadas.

Também é razoável pedir segunda opinião quando a paciente não entende a técnica, não recebeu explicação sobre cicatriz ou sente que riscos foram tratados como detalhe.

Também peça para ver exemplos compatíveis com seu biotipo, não apenas resultados ideais. Fotos ajudam a entender cicatriz e formato, mas não garantem que o mesmo resultado ocorrerá em outra pele, outro volume e outra cicatrização.

O que é mastopexia com prótese

Mastopexia com prótese é uma cirurgia que combina elevação da mama com inclusão de implante. O objetivo é reposicionar a mama, ajustar volume e planejar cicatrizes conforme grau de queda, qualidade da pele, tamanho do implante, anatomia e risco cirúrgico.

O que avaliar antes da cirurgia

A decisão deve considerar objetivo de volume, posição da aréola, excesso de pele, qualidade de cicatrização, tabagismo, peso, diabetes, planos de gravidez ou amamentação e tempo disponível para recuperação.

Febre, falta de ar, dor progressiva, secreção, abertura de pontos ou vermelhidão intensa no pós-operatório exigem contato com a equipe assistente.


Mastopexia sem próteses

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A mastopexia sem próteses mamárias proporciona o reposicionamento da mama, mas vai devolver então o pólo superior e colo mamário, deixando a paciente frustrada, pois a expectativa era de ter a mama quando jovem, que tinha mais gordura na parte superior e interna da mama.


Como ficam as cicatrizes?

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A extensão e posicionamento das cicatrizes em uma mastopexia vai depender de quanto a mama está caída e quanto apresenta de excesso de pele a ser retirado.

Por exemplo: pequenas quedas, a paciente pode ter apenas a retirada da pele ao redor da aréola, ficando assim a cicatriz disfarçada ao redor do aréola. 

Casos com um pouco mais de pele nós podemos fazer uma cicatriz ao redor da aréola e apenas descendo pro sulco inframamário, que nós chamamos de formato em pirulito.

“Mamoplastia em formato de L”. Pacientes com um pouco mais de pele, podemos então realizar uma mamoplastia ou mastopexia em formato de “L”, sendo a cicatriz ao redor da aréola. Ela desce em formato vertical e nós colocamos a cicatriz apenas no sulco inframamário na porção lateral da mama, proporcionando assim uma cicatriz mais escondida, onde a paciente pode utilizar um decote maior ou um biquíni mais cavado sem aparentar a cicatriz na parte interna da mama. 

“T invertido”. Em casos com grande flacidez ou excesso de pele, realizamos assim a cicatriz ao redor da aréola e em “T” invertido ou em forma de âncora, ela pega a parte interna e lateral também do sulco inframamário.

Quais fatores influenciam na cicatrização?

mastopexia-com-protese-beneficios

A qualidade da cicatriz resultante de uma mastopexia, ou seja, o aspecto visual da cicatriz depende de inúmeros fatores.

  1. Da técnica utilizada durante o procedimento cirúrgico, de tensão ou não durante o procedimento cirúrgico e dos materiais utilizados para os pontos.
  2. Dos cuidados da paciente no período pós-operatório. Repouso é fundamental para que a cicatriz não se alargue, por exemplo.
  3. Infecções ou sangramentos no pós-operatório também pode com a qualidade da cicatriz 
  4. Os fatores genéticos de cada paciente (principal).

Existem pacientes que fazem o pós-operatório correto, que são submetidos a uma cirurgia tecnicamente impecável, mas tem uma tendência genética a fazer cicatriz escura ou então cicatrizes elevadas, como por exemplo os queloides, isto não depende do cuidado pós-operatório e nem do cirurgião, pois é a genética de cada um. 

Caso isso ocorra é discutido com a paciente a possibilidade de correção dessa cicatriz com tratamentos para diminuir a recorrência desse tipo de alteração da cicatriz.

Tratamentos possíveis incluem:

  • Beta terapia
  • Laser pós-operatório
  • Uso de ácidos

Como fica a consistência das mamas?

Atualmente com a evolução dos implantes mamários, a consistência da mama no pós-operatório é muito mais natural, é uma mama mais firme, mas não endurecida como antigamente.

O toque é bem natural, o que traz uma grande satisfação para as pacientes.


Como fica o tamanho?

Em relação ao tamanho, é decidido junto com o cirurgião o aspecto final de mama que a paciente deseja ter, dentro de um limite de segurança, por exemplo, grandes implantes podem dar um resultado desarmônico, ou seja, não compatível ao corpo do paciente.

Cabe então ao cirurgião alertar a paciente sobre esse risco, além disso, quanto maior o volume do implante maior o seu peso, logo, maior chance dessa mama consequentemente caírem ao longo dos anos.

É importante obedecer aos limites anatômicos da própria paciente, ou seja, o quanto de prótese cabe dentro desta mama, qual o melhor volume para ter um resultado harmônico, esteticamente bonito e ao mesmo tempo natural para aquela paciente.

Evolução da Mastopexia

As primeiras técnicas de mastopexia com prótese eram um pouco frustrantes, tanto para a paciente quanto para o cirurgião, por quê?

Os implantes, na grande maioria, eram colocados atrás da glândula da paciente, onde a pele e tecido glandular eram responsáveis por manter, ou seja, sustentar os implantes mamários, mas com a gravidade, esses implantes cediam.

Técnicas atuais

Atualmente temos técnicas de maior estabilização de implantes na mama, como por exemplo, técnicas de “dual plane”, onde parte da mama fica atrás do músculo e parte atrás da glândula.

Existem também técnicas de confecção de alças musculares onde o músculo peitoral é dividido, a fim de deixar mais estável a próxima marca.

Além disso, hoje conhecemos melhor a anatomia da mama, e podemos receitar maior quantidade de tecidos flácidos com menores cicatrizes. Resultando assim numa mama com uma duração muito maior, em termos de estética e em termos de queda.

Por quanto tempo sustenta?

Em relação ao tempo não podemos precisar quanto tempo a mama vai ficar parada, mas nós sabemos que com técnicas modernas com sustentação muscular, o resultado é muito mais longevo em relação às técnicas anteriores.

Quanto tempo dura a mastopexia com próteses?

Quanto a troca de implantes mamários, antigamente orientávamos a cada dez anos.

Hoje, com as próteses de sexta geração, acreditamos que esses implantes duram em torno de quinze a vinte e cinco anos. No entanto, como há uma caixa de contratura capsular, ou seja, uma cicatriz espessa ao redor do implante de 1% e uma taxa de rutura desses implantes estão também de 1%, é recomendado que as pacientes procurem seus cirurgiões plásticos anualmente para serem submetidas a ultrassom de mama, e a casa oito anos uma ressonância magnética.

Assim então de ter o acompanhamento da saúde do implante e da sua mama também.

O efeito dura para sempre?

Em relação a manter pra sempre! Não, nada é definitivo.

Então existe um descenso natural dos implantes ao longo dos anos, mas com as sustentações musculares, este descenso é melhor em relação às técnicas habituais.

Cuidados pós-operatórios

Após uma cirurgia plástica, o que fazer?

  • Inicialmente uma boa hidratação e alimentação rica em proteínas e vitaminas, a fim de favorecer a cicatrização.
  • Seguir estritamente e corretamente as orientações médicas para uma boa cicatrização e evitar sangramentos, em caso de dúvidas ou intercorrências, comunicar imediatamente a equipe médica.
  • Fazer o uso correto das medicações pós-operatórias.
  • Não faltar aos retornos médicos.

Cada cirurgia demanda um cuidado pós-operatório específico, como por exemplo, no caso das mastopexias:

  • Evitar elevar os braços na primeira semana acima de quarenta e cinco graus
  • Dormir de barriga para cima, nas primeiras duas semanas em média
  • Não carregar pesos na primeira semana
  • Evitar musculação com a elevação dos braços entre três semanas em média
  • Evitar a exposição solar a fim de evitar cicatrizes escuras.
  • Uso correto do sutiã cirúrgico
  • Evitar banhos quentes para diminuir o inchaço mamário  no pós-operatório
  • Não usar quaisquer medicações ou vitaminas sem procurar antes orientação médica.


Dárcio Arruda e Dr.Pedro Lozano (cirurgião plástico)
Dr. Pedro Lozano

Pedro Lozano, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista (UNESP), Residência (Especialização) em Cirurgia Geral: Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, Botucatu, Residência Médica (Especialização) em Cirurgia Plástica pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Título de Especialista em Cirurgia Plástica: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – SBCP, é Professor de Habilidades Cirúrgicas da Universidade Cidade de São Paulo – (UNICID).

Diretor e responsável técnico da Clínica Vix – Medicina & Saúde, o cirurgião preza pelo bem-estar e satisfação de seus pacientes, para isso utiliza as técnicas mais adequadas a cada caso – realizando assim, intervenções estéticas com segurança e precisão.

 Alameda Francisco Alves, 169 – Jardim, Santo André – SP, 09090-790

CRM-SP: 111.967 / RQE: 44244

O que muda a indicação do procedimento

Em Mastopexia com prótese – Como é Feita, Cicatriz e Recup…, a indicação deve ligar queixa, exame físico, alternativas e risco aceitável. Procedimento não deve ser escolhido apenas por antes e depois, alegação de resultado ou influência comercial; a decisão melhora quando compara benefício provável, tempo de recuperação e possíveis complicações.

PontoPor que importa
IndicaçãoConfirma se o procedimento responde ao problema real.
ContraindicaçõesDoenças, remédios, tabagismo e cicatrização podem mudar segurança.
RecuperaçãoDor, repouso, retorno ao trabalho e restrições precisam caber na rotina.
ExpectativaEvita confundir melhora possível com alegação de resultado.

Na avaliação, pergunte quais alternativas existem, quais riscos são mais relevantes no seu caso, como será o acompanhamento e quais sinais no pós-procedimento exigem contato antes do retorno programado.

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Fontes úteis

  • MedlinePlus: condições de pele
  • AAD: cuidados com pele acneica
  • MedlinePlus: infecções de pele
  • MedlinePlus: breast lift

Fontes e leitura útil

  • ASPS: Breast Lift Risks and Safety
  • Cleveland Clinic: Breast Lift Surgery and Recovery
  • FDA: Things to Consider Before Breast Implants
  • NCBI Bookshelf: Breast Ptosis

Arquivado em: Cirurgia Plástica

Vulvodínia: dor na vulva, causas e tratamento

23 de janeiro de 2023 by Dra. Renata Morato Santos

Vulvodinia é dor vulvar persistente sem causa única evidente após avaliação. Antes de fechar o diagnóstico, é preciso excluir infecção, dermatose, trauma, alterações hormonais, dor pélvica, tensão muscular e fatores neurológicos. Dor na relação não deve ser normalizada.

O que é vulvodínia?

A vulvodinia é uma dor na região da vulva (parte externa da genitália feminina), que tem pelo menos três meses de duração e sem uma causa identificável. 

Essa dor pode ser generalizada, acometendo toda a região vulvar, ou localizada, quando acomete apenas uma região da vulva.

Nos casos de vulvodinia localizada, a área mais acometida é a entrada da vagina, local denominado vestíbulo vulvar (motivo pelo qual recebe o nome de vestibulodinia), mas pode acometer também o clitóris (clitoriodinia).

Como a vulvodinia afeta os níveis de qualidade de vida das mulheres?

A vulvodínia é uma importante causa de dispareunia, ou seja, de dor que ocorre durante a relação sexual. Isso gera um impacto negativo muito importante na vida sexual dessa mulher, podendo provocar traumas dolorosos e fobias, que interferem diretamente no relacionamento tanto sexual quanto afetivo.

Essas mulheres podem perder o desejo sexual como resposta a dor que sentem durante o ato sexual. Isso pode culminar com términos de relacionamentos ou dificuldade para se relacionar com novas parcerias.

Sintomas comuns da vulvodinia

A maioria das mulheres descreve a dor como uma sensação de queimação, entretanto, outras relatam sensação de ardência e irritação e algumas poucas referem uma sensação aguda, “como se uma faca perfurasse a vulva”.

A dor pode ser espontânea e, relativamente, constante com alguns períodos de alívio ou pode ser provocada, quando ocorre após algum estímulo tátil de toque ou pressão como relação sexual, exame ginecológico, posição sentada ou roupas apertadas.

Principais causas da vulvodinia

A etiologia da dor vulvar ainda não é totalmente conhecida, mas acredita-se que seja multifatorial. A principal hipótese é que um evento, como uma infecção ou trauma, inicie uma resposta inflamatória local e, em mulheres suscetíveis, essa resposta provoque a proliferação de fibras nervosas no tecido vestibular e limiares de dor reduzidos, levando a sensibilização da dor.

A vulvodinia não é uma doença contagiosa.

Os fatores que podem causar ou contribuir para a vulvodinia são:

  • Uma lesão ou irritação dos nervos que transmitem a dor da vulva para a medula espinhal.
  • Um aumento no número e na sensibilidade das fibras nervosas sensíveis à dor na vulva.
  • Níveis elevados de substâncias inflamatórias, como citocinas, na vulva.
  • Uma resposta anormal de certos tipos de células a fatores ambientais, como infecção ou trauma.
  • Suscetibilidade genética à inflamação vulvar crônica, dor no corpo e/ou incapacidade de combater a infecção
  • Fraqueza muscular do assoalho pélvico, espasmo ou instabilidade

A relação entre a disfunção psicológica e a vulvodinia tem sido alvo de debates, pois mulheres com dor vulvar apresentam limiares de dor mais baixos, aumento da percepção de dor sistêmica, ansiedade, depressão, hipervigilância e somatização em comparação com mulheressem vulvodinia. No entanto, em geral, não há evidências de causa psicológica primária para essa síndrome de dor vulva.

Diagnóstico de Vulvodínia

Todo diagnóstico inicia-se com uma boa conversa com profissional de saúde para abordagem das características dos sintomas, período em que iniciou e possíveis fatores agravantes.

Em seguida, um minucioso exame ginecológico deve ser realizado para descartar condições que simulem os sintomas da vulvodinia.  O exame cuidadoso da vulva e a vagina permite avaliar as secreções vaginais, para descartar uma infecção ativa, ou identificar algum acometimento de pele. 

O teste do “cotonete” também é um recurso bastante utilizado no exame físico. Durante o teste, é aplicada uma leve pressão com a ponta do cotonete em vários pontos vulvares para avaliar a existência de dor e a sua gravidade.  Se alguma área da pele da vulva parecer suspeita, o profissional pode examiná-la com um instrumento de aumento (vulvoscopia) ou fazer uma biópsia da área.

Nos casos de mulheres na pós-menopausa a avaliação da presença de ressecamento vaginal também é importante.

Tratamentos

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A abordagem da vulvodinia deve ser sempre multidisciplinar, incluindo não apenas o ginecologista, mas um fisioterapeuta de saúde da mulher, um especialista em controle da dor e um psicólogo.

Como não sabemos, exatamente, o que causa a vulvodinia, o tratamento é direcionado para aliviar os sintomas.  Algumas mulheres podem responder a um determinado tratamento, enquanto outras não respondem ou experimentam efeitos colaterais muito desconfortáveis.

O tratamento pode levar vários meses, às vezes anos, até que você encontre uma resposta satisfatória que alivie a dor.

 O tratamento inclui:

 – Descontinuação do uso de  possíveis fatores irritantes representados por produtos femininos de venda livre como banhos de espuma perfumados, sabonetes íntimos, sprays e duchas, que podem irritar o tecido vulvar.  Eliminar irritantes é normalmente o primeiro passo no tratamento. Algumas mulheres referem que comer um determinado alimento aumenta a dor e que eliminá-lo alivia a dor, como por exemplo, alimentos ácidos ou com alto teor de açúcar. 

Medicamentos orais: o uso de alguns medicamentos eficazes no alívio de outros tipos de dor crônica são frequentemente usados ​​no tratamento da vulvodinia.  Eles incluem:

  • Antidepressivos tricíclicos: Para mulheres com vulvodinia, a dosagem recomendada é geralmente muito menor do que a usada no tratamento da depressão.
  • Inibidores da Recaptação de Serotonina-Norepinefrina (SNRIs)
  • Anticonvulsivantes como a pregabalina, gabapentina e axcarbazepina.
  • Opióides: podem ser muito úteis para uso de curto prazo durante crises de vulvodinia. 

Medicamentos Tópicos: cremes e pomadas podem ser aplicados de forma tópica diretamente na vulva para ajudar a aliviar a dor vulvar. Alguns exemplos de medicamentos tópicos incluem:

  • Cremes hormonais tópicos (por exemplo, estrogênio, testosterona); usado, especialmente, nas mulheres na pós-menopausa com queixa de ressecamento vaginal.
  • Anestésicos tópicos (por exemplo, lidocaína): Creme ou pomada anestésico tópico proporciona alívio temporário da dor, podendo ser aplicado diretamente na vulva cerca de 15-30 minutos antes da relação sexual. 
  •  Formulações compostas tópicas: Medicamentos normalmente prescritos para uso oral, como antidepressivos e anticonvulsivantes, também podem ser formulados em creme ou pomada.  As preparações tópicas contêm um único ingrediente ativo ou uma combinação de ingredientes, por exemplo, um anestésico e antidepressivo.  Formulações tópicas compostas podem ser usadas em conjunto com medicamentos orais e outros tratamentos.

Fisioterapia para Vulvodínia

Algumas mulheres com vulvodinia apresentam fraqueza ou espasmo dos músculos do assoalho pélvico.  Além de avaliar a musculatura do assoalho pélvico internamente, o fisioterapeuta deve avaliar as articulações, músculos e nervos na metade inferior do corpo para determinar se eles desempenham um papel na dor vulvar. 

O tratamento pode incluir exercícios e terapias manuais, como massagem, exercícios de Kegel e mobilização articular. 

Modalidades como ultrassom, estimulação elétrica e aplicação de frio/calor também podem ser úteis.

Cirurgia para vulvodínia

A cirurgia é descrita como uma proposta de tratamento em alguns casos muitos seletos, mas os seus  resultados são questionáveis.

Medidas e orientações gerais

vulvodinia-sensibilidade

Enquanto procuramos um tratamento eficaz para a dor vulvar, devemos adotar medidas para aliviar os sintomas e evitar mais irritações.  Mesmo quando os sintomas estão sob controle, devemos sempre orientar em relação:  

 Roupas

  • Use roupas íntimas de algodão totalmente brancas, saias ou calças largas
  • Remova os trajes de banho molhados e as roupas de ginástica imediatamente após o uso
  • Evite amaciante em roupas íntimas.

 Higiene

  • Use papel higiênico macio, branco e sem perfume.
  • Evite o uso de banho de espuma, duchas ou qualquer creme ou sabonete perfumado.
  • Usar água fria ou morna.

Relações sexuais

  • Usar um lubrificante solúvel em água que não contenha propilenoglicol.
  • Evitar espermicidas.
  • Utilizar um anestésico tópico vulvar 5 a 10 minutos antes da relação sexual.
  • Urinar e enxaguar a vulva com água fria após a relação sexual.

Atividades físicas

  • Evitar exercícios que exerçam pressão direta sobre a vulva, por exemplo, andar de bicicleta.
  • Limitar os exercícios intensos que geram muita fricção na região vulvar.
  • Usar frio local por curto período ou um pacote de gel congelado em uma toalha fina e aplicar após o exercício.
  • Aprender exercícios de alongamento e relaxamento da musculatura do assoalho pélvico.

Durante as consultas médicas

vulvodinia

Procure conversar sobre intimidade sexual. A vulvodínia não é um problema que será resolvido em uma única consulta, de uma só vez. È de estrema importância orientar a parceria sexual. Isso pode ser feito estimulando um diálogo em casa entre o casal ou realizando uma consulta com o casal.

É importante que a parceria saiba quais áreas vulvares provocam dor quando tocadas, quais as partes do corpo que dão prazer quando tocadas, quais atividades sexuais lhe dão dor ou prazer e quais posições sexuais são mais confortáveis.

A conversa com a parceria é fundamental para manter um relacionamento sexual saudável.  As pessoas variam muito em suas atitudes e práticas sexuais, então é importante lembrar que “normal” é tudo o que dá prazer a mulher e a sua parceria.

Vulvodínia – Diagnóstico pode ser demorado

É muito comum atendermos mulheres que já passaram por inúmeros profissionais, que já realizaram todos os exames complementares que você possa imaginar e que já realizaram diversos tipos de tratamentos para todos os tipos de infecção genital, mas que nunca tiveram o diagnóstico de vulvodinia.

Normalmente, essas mulheres nunca realizaram o simples exame do “cotonete” que é bastante característico dessa afecção. A demora no diagnóstico, atrasa o tratamento e traz muitas consequências negativas para a vida da mulher.

O que muda a avaliação da dor

Em Vulvodínia: dor na vulva, causas e tratamento, a pergunta clínica é o que a dor impede. Dor que permite caminhar, dormir e trabalhar tem uma leitura; dor com perda de força, queda, formigamento progressivo, febre, trauma ou piora apesar de adaptação exige outra.

ObservaçãoPor que importa
FunçãoMostra impacto real em marcha, força, sono, treino e trabalho.
IrradiaçãoAjuda a suspeitar de nervo, articulação, músculo ou dor referida.
EvoluçãoMelhora gradual sugere caminho diferente de piora progressiva.
Sinais neurológicosFraqueza, dormência extensa ou perda de controle urinário mudam urgência.

Anote início, gatilho, movimento que piora, movimento que alivia, resposta a repouso, remédios e fisioterapia. Esse registro ajuda a ajustar carga com base em função, duração da dor e resposta no dia seguinte.

Fontes úteis

  • ACOG: saúde da mulher
  • CDC: saúde materna e infantil
  • MedlinePlus: saúde da mulher

Arquivado em: Ginecologia e Obstetrícia

Gluteoplastia: indicação, riscos e recuperação

23 de janeiro de 2023 by Dr. André Eyler

Gluteoplastia pode envolver implantes, enxerto de gordura ou outras técnicas, mas não é procedimento simples nem isento de risco. A indicação depende de anatomia, saúde geral, expectativa, cicatrização, risco de trombose, infecção, assimetria, dor e tempo de recuperação.

Antes de escolher técnica, entenda o risco de cada caminho

Gluteoplastia pode envolver prótese, lipoenxertia glútea ou combinação de técnicas, mas cada opção muda cicatriz, recuperação, risco e previsibilidade. O enxerto de gordura depende de gordura disponível, qualidade da pele, segurança da injeção e absorção parcial. A prótese depende de plano de colocação, tamanho adequado, cobertura muscular, risco de infecção, seroma, dor, assimetria e revisão futura.

Ponto da decisãoO que perguntar
Lipoenxertia/BBLOnde a gordura será injetada, se haverá ultrassom, como se evita plano intramuscular e embolia gordurosa.
Prótese glúteaPlano cirúrgico, tamanho, risco de deslocamento, infecção, dor ao sentar e troca/revisão.
ExpectativaO objetivo é volume, contorno, flacidez, simetria ou correção pós-perda de peso?
SegurançaCentro cirúrgico, anestesia, trombose, tabagismo, IMC, doenças e recuperação.
Pós-operatórioTempo sem sentar diretamente, retorno ao trabalho, drenagem, dor e sinais de complicação.

O principal erro editorial em gluteoplastia é vender “bumbum malhado” ou “resultado excelente” como se a técnica resolvesse qualquer anatomia. Cirurgia plástica de contorno corporal deve ser apresentada como decisão médica: benefício estético possível, risco real, limite anatômico e necessidade de acompanhamento.

Procure avaliação com prioridade se, após o procedimento, houver falta de ar, dor no peito, desmaio, dor intensa progressiva, febre, secreção, vermelhidão em expansão, assimetria súbita, panturrilha inchada ou dor que não combina com a evolução esperada.

Quando adiar ou evitar o procedimento

Tabagismo, diabetes descompensado, anemia, infecção ativa, trombose prévia, uso de anticoagulantes, IMC muito elevado, perda de peso ainda instável ou expectativa incompatível com a anatomia podem mudar a indicação. Em determinadas situações, o melhor plano é tratar fatores de risco, estabilizar peso ou escolher técnica menos agressiva antes de operar.

No enxerto de gordura, o risco mais temido é embolia gordurosa quando a gordura atinge vasos profundos. Por isso, documentos de segurança enfatizam técnica, plano anatômico e equipe treinada. No implante, a preocupação muda para infecção, abertura de pontos, seroma, deslocamento, dor persistente, contratura e necessidade de revisão.

A decisão boa deixa claro o que a cirurgia consegue melhorar e o que ela não corrige: celulite, flacidez ampla, qualidade da pele, assimetria óssea, postura e massa muscular têm limites próprios. Essa conversa reduz arrependimento e melhora consentimento.

O pós-operatório também precisa ser realista. Restrições para sentar, dormir, dirigir, treinar, trabalhar e usar roupas compressivas interferem na rotina por semanas. Quem não consegue cumprir essas restrições por trabalho, cuidado de filhos ou viagem próxima deve discutir timing antes de marcar a cirurgia.

Fotografias de antes e depois ajudam a entender possibilidades, mas não substituem avaliação de proporção corporal, pele e risco. O resultado de outra pessoa pode depender de peso, cintura, quadril, musculatura, cicatrização e técnica que não se repetem no seu caso.

Na consulta, uma conversa útil diferencia aumento de volume, melhora de contorno, correção de depressões, tratamento de flacidez e harmonia com cintura e coxas. Cada objetivo pode apontar para técnica diferente. Quando tudo é vendido como “gluteoplastia”, o paciente perde a chance de entender por que uma prótese, enxerto, lifting ou combinação pode ou não fazer sentido.

Também é importante discutir o que acontece se o resultado ficar insuficiente ou exagerado. Enxerto de gordura pode reabsorver parcialmente; prótese pode precisar de revisão; assimetrias podem exigir retoque; cicatrização pode mudar o contorno. Consentimento de qualidade inclui esses cenários antes da cirurgia.

O pós-operatório deve incluir prevenção de trombose, cuidado com feridas, controle de dor, retorno programado e instruções claras para sentar, deitar e dirigir. Sem essa logística, o risco não está apenas na cirurgia; está na recuperação mal planejada.

Relatório fotográfico, medidas e registro do material usado também facilitam seguimento e eventual revisão.

  • A Gluteoplastia é uma cirurgia plástica realizada para aumentar, remodelar e ajustar o contorno, forma e tamanho dos glúteos, tanto por motivos estéticos quanto para correção de deformidades causadas por acidentes ou doenças.
  • A Gluteplastia é geralmente feita através da colocação de próteses, mas existe a possibilidade de introdução de enxerto de gordura, retirado de outra área do corpo, que normalmente fornece resultado estético variável, com cicatrizes menores em alguns casos e riscos próprios da transferência de gordura.

Gluteoplastia é uma cirurgia para alterar o volume ou o contorno dos glúteos, e não um atalho simples para “melhorar o corpo”. A indicação depende de avaliação cirúrgica, expectativa realista, tipo de técnica, riscos, recuperação e condições de saúde da paciente.

Quando a gluteoplastia é indicada?

Com o avanço da idade e independente do biótipo, é normal os glúteos perderem a forma. A falta de atividade física, dietas irregulares, alterações de peso e herança genética podem agravar a condição física. No entanto, na cirurgia plástica existem técnicas que permitem corrigir diferentes problemas relacionados à região dos glúteos, buscando melhora de contorno conforme anatomia, expectativa e segurança cirúrgica.

Entre os tipos mais recorrentes, está o bumbum sem formato definido, ou seja, sem volume muscular. O aspecto murcho evidencia as imperfeições da pele, revelando flacidez, celulite e estrias. A gluteoplastia aprimora o contorno corporal da região, alterando volume e contorno, sem substituir massa muscular, treino ou qualidade da pele. Nádegas achatadas também podem ser beneficiadas com a gluteoplastia.

Portanto, para um bumbum mais empinado, firme e arredondado a indicação é a técnica da gluteoplastia. Com ela, se consegue aperfeiçoar a região, utilizando o implante de prótese de silicone. Mas antes é preciso uma avaliação médica sobre qual o problema, ou seja, se o bumbum é achatado, caído, esparramado ou irregular.

Quais os modelos de prótese que existem? Pode falar sobre a redonda e a oval. Se tiver outras, pode especificar?

harmonia-gluteoplastia

A gluteoplastia melhora a forma e a consistência da região com o implante de próteses de silicone. A técnica busca ainda manter o equilíbrio com o tronco e para tanto o cirurgião plástico indica o tamanho e o modelo mais adequado e proporcional ao corpo. A harmonia entre o volume ideal dos glúteos, a dimensão do tronco e a altura da paciente é sempre priorizada pelo profissional.

Vale destacar que as próteses são feitas de um material extremamente resistente, que se molda até atingir uma adaptação total, além de possuir proteção de uma grande camada de tecido adiposo glúteo e do músculo glúteo máximo, localizados acima da prótese, reduzindo consideravelmente a possibilidade de haver qualquer ruptura em traumas nesta área.

Elas ficam localizadas em um plano intramuscular (dentro do músculo), envolvida pelas fibras do músculo glúteo máximo. Fica bem protegida pelo músculo e pela camada de tecido adiposo, evitando que seja visualizada externamente, proporcionando um aspecto mais natural.

Portanto, a gluteoplastia por meio do implante da prótese de silicone permite deixar o bumbum mais volumoso e firme, com formato mais definido e livre de flacidez. A prótese usada é ainda mais resistente que a da mama, porque é confeccionada para suportar o peso do corpo, quando se está sentado. Os modelos variam e podem ter formato mais arredondado ou oval, mas a escolha do tamanho ou formato da prótese depende da altura, estrutura corporal e biótipo da paciente.

Como funciona a Gluteoplastia de aumento – pode falar sobre o implante de protese ou enxerto de gordura, e suas vantagens?

A lipoenxertia é o procedimento que remove gordura de determinadas áreas do corpo e injeta em outras regiões. Retira-se da região do abdômen, por exemplo, e coloca-se no bumbum. É necessário ter gordura excedente naquele local do corpo para ser feita a retirada. A lipoenxertia glútea é feita com a gordura da própria pessoa, que é tratada e centrifugada e depois aplicada na região. O método melhora, especialmente, o contorno e relevo dos glúteos. A técnica promove o aumento mais discreto das nádegas, que a prótese de silicone, mas em compensação a gordura aspirada para a modelagem pode ser aplicada em pequenas quantidades em depressões que se formam no bumbum.

De todos os citados acima, o tipo mais temido pelas mulheres, é o achatado. Para esse tipo de problema, a lipoenxertia é uma alternativa, por que a técnica permite tirar e colocar gordura de áreas no corpo, onde a genética não foi tão favorável. É uma espécie de remanejamento de gordura corporal. Tira-se da região do abdômen, e coloca-se no bumbum. A lipoenxertia combina retirada e reinjeção de gordura, mas o resultado depende de indicação, técnica, absorção parcial do enxerto, recuperação e segurança.

A prótese de glúteo auxilia no bumbum caído?

gluteoplastia

Geralmente esse formato de bumbum está relacionado àquelas pessoas que emagreceram muito, ou seja, mais de dez quilos. E ainda em mulheres acima de 50 anos, que perderam gordura e tônus muscular, com o avanço da idade.

A gluteoplastia é indicada para reverter esse problema e tem como objetivo elevar o músculo glúteo ou preencher o espaço vazio, promovendo a beleza e harmonia na região.

A depressão trocantérica é uma condição genética, que acomete mulheres magras, de várias raças. O que ocorre é um sulco no glúteo feminino, mais evidente, quando a mulher permanece de pé. Para elas, o que incomoda é a impressão do glúteo de tamanho irregular, sem gordura nas laterais.

A lipoenxertia, com gordura do próprio paciente, pode ser a solução. Após ser retirada do abdome, cintura ou costas pode preencher a região com depressão nas laterais glúteas. A correção da depressão trocantérica com próteses de silicone não é recomendado, pois não é possível colocar o implante na lateral glútea e muito menos promover a simetria em ambos os lados.

Onde fica a cicatriz?

cicatriz-gluteoplastia

A incisão cutânea exige atenção, para que o posicionamento no sulco interglúteo deixe uma cicatriz minimamente perceptível, não comprometendo o âmbito estético.

Como é o pós-operatório apos a cirurgia? Pode dormir de barriga para baixo após quanto tempo?

No pós-operatório da gluteoplastia, ocorrem inchaço e hematomas na região,que desaparecem em cerca de duas semanas. Os resultados definitivos da gluteoplastia ocorrem 18 meses após o procedimento, quando a cicatrização já está completa.

Após uma semana da cirurgia é possível se sentar. Para dormir, o mais indicado é ficar de barriga para baixo por pelo menos dez dias.

A prótese de glúteo precisa ser trocada?

A vida útil do implante de glúteo é eterna, ou seja, uma vez posta, a prótese de silicone dos glúteos não precisará ser trocada, como acontece na cirurgia plástica de implantes de silicone nos seios.

E nunca é demais ressaltar! Para uma aparência natural e proporcional, em qualquer procedimento é fundamental o bom senso para respeitar o equilíbrio e a simetria do corpo.

O cirurgião plástico André Eyler é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da American Society of Plastic Surgeons. Especializado em cirurgia estética e reparadora oncológica, além das intervenções cirúrgicas da especialidade, é uns dos pioneiros da técnica da lipoenxertia e em técnicas como a HLPA, conhecida como Hidrolipo. 

Serviço:

Cirurgião plástico Dr. André Eyler

Instagram e Facebook

São Paulo e Paraíba

O que muda a indicação do procedimento

Em Gluteoplastia: indicação, riscos e recuperação, a indicação deve ligar queixa, exame físico, alternativas e risco aceitável. Procedimento não deve ser escolhido apenas por antes e depois, promessa de resultado ou pressão comercial; a decisão melhora quando compara benefício provável, tempo de recuperação e possíveis complicações.

PontoPor que importa
IndicaçãoConfirma se o procedimento responde ao problema real.
ContraindicaçõesDoenças, remédios, tabagismo e cicatrização podem mudar segurança.
RecuperaçãoDor, repouso, retorno ao trabalho e restrições precisam caber na rotina.
ExpectativaEvita confundir melhora possível com promessa de resultado perfeito.

Na avaliação, pergunte quais alternativas existem, quais riscos são mais relevantes no seu caso, como será o acompanhamento e quais sinais no pós-procedimento exigem contato antes do retorno programado.

Recuperação e riscos da gluteoplastia

PontoPor que importa
IndicaçãoConfirma se o procedimento responde ao problema real.
ContraindicaçõesDoenças, remédios, tabagismo e cicatrização podem mudar segurança.
RecuperaçãoDor, repouso, retorno ao trabalho e restrições precisam caber na rotina.
ExpectativaEvita confundir melhora possível com promessa de resultado perfeito.

Perguntas que devem vir antes do aumento de glúteo

A técnica escolhida muda riscos. Implante, enxerto de gordura e combinações têm limites diferentes para cicatriz, volume, assimetria, dor, infecção, trombose, reoperação e retorno ao treino. A consulta deve separar desejo estético, anatomia possível e risco aceitável.

PerguntaPor que fazer
Qual técnica se aplica ao meu caso?Evita comparar resultados de anatomias diferentes.
Quais são os riscos mais prováveis?Ajuda a decidir com expectativa realista.
Quando volto a sentar e treinar?Planeja recuperação sem improviso.
O que indica complicação?Define sinais para contato precoce.

Fontes e leitura útil

  • ASPS: gluteal fat grafting safety statement
  • PubMed: Practice Advisory on Gluteal Fat Grafting

Fontes úteis

  • American Society of Plastic Surgeons
  • FDA: dispositivos estéticos
  • MedlinePlus: cirurgia plástica

Arquivado em: Cirurgia Plástica

Cicatriz de mastopexia: como fica e como cuidar na recuperação

23 de janeiro de 2023 by Dr. Alexandre Kataoka

A cicatriz da mastopexia é parte esperada da cirurgia: ela não desaparece, mas costuma mudar de cor, espessura e textura ao longo de meses. O resultado depende de técnica, tensão na pele, genética, tabagismo, diabetes, infecção, exposição solar, cuidados de ferida e acompanhamento, sem garantia de cicatriz fina para todas as pacientes.

Cicatriz não é falha da cirurgia

Toda mastopexia que usa incisões deixa cicatriz. O objetivo é posicionar as marcas de forma planejada, reduzir tensão, orientar cuidado e acompanhar a maturação. Dizer que “não fica cicatriz” é inadequado. O que pode acontecer é a cicatriz clarear, achatar e ficar menos evidente com o tempo.

Os formatos mais comuns envolvem cicatriz ao redor da aréola, vertical e, em determinadas situações, em T invertido. O desenho depende do grau de queda, sobra de pele, tamanho da mama, simetria e técnica escolhida.

FaseO que pode ser esperadoO que merece aviso
0 a 2 semanasInchaço, roxo, sensibilidade.Febre, secreção, abertura.
2 a 6 semanasRedução gradual do edema.Dor progressiva ou vermelhidão em expansão.
3 a 6 mesesCicatriz ainda ativa.Espessamento intenso ou dor persistente.
12 meses ou maisMaturação mais clara.Queloide ou retração importante.

Fatores que pioram cicatrização

Tabagismo, diabetes descompensado, infecção, tensão na ferida, abertura de pontos, exposição solar precoce, histórico de queloide, predisposição genética e esforço antes da liberação podem piorar cicatriz. Alguns fatores são controláveis; outros precisam apenas ser reconhecidos para ajustar expectativa.

Curativo, sutiã cirúrgico, restrição de esforço, higiene e retorno programado devem seguir a orientação da equipe. Pomadas, silicone, laser, microagulhamento ou massagem só devem entrar quando liberados, porque cicatriz recente não tolera qualquer intervenção.

Esperado: cicatriz muda por meses.
Controle: tabaco, sol e tração importam.
Alerta: secreção, febre, abertura, pele escura.
Realismo: não existe cicatriz invisível garantida.

Quando a cicatriz indica complicação

Vermelhidão leve e coceira podem acontecer. Já secreção purulenta, mau cheiro, febre, dor que piora, abertura, sangramento persistente, área escurecida na pele ou aréola e assimetria progressiva exigem contato com a equipe. Não é o momento de testar receita caseira.

Algumas complicações exigem revisão precoce; outras pedem acompanhamento e tratamento da cicatriz depois que a ferida está fechada. O tempo certo depende da fase da cicatrização.

Como cuidar sem exagerar

Evite puxar pontos, coçar, expor ao sol, retomar musculação cedo demais ou usar produtos por conta própria. O cuidado bom é repetitivo e simples: proteger a ferida, reduzir tração, avisar sinais de alerta e comparecer às revisões.

Se a paciente é jovem, tem sofrimento intenso com aparência ou espera cicatriz inexistente, a conversa pré-operatória deve ser mais longa. Cirurgia estética também precisa de indicação, consentimento e expectativa realista.

Perguntas úteis antes da cirurgia

Pergunte onde ficará cada cicatriz, qual técnica foi escolhida, como será o curativo, quando pode dirigir, trabalhar e treinar, quais sinais pedem retorno, o que aumenta risco de cicatriz ruim e quando tratamentos de cicatriz podem ser considerados.

O que é cicatriz hipertrófica ou queloide

Cicatriz hipertrófica fica elevada dentro dos limites da ferida. Queloide tende a ultrapassar esses limites e pode coçar, doer ou crescer. Pessoas com histórico pessoal ou familiar precisam avisar antes da cirurgia, porque isso muda expectativa e acompanhamento.

Mesmo quando a cicatriz fica mais espessa, o tratamento costuma ser planejado por etapas. Silicone, corticoide, laser ou revisão cirúrgica podem ser considerados em situações específicas, mas não devem ser iniciados por conta própria logo no pós-operatório.

Por que sol é problema

Exposição solar precoce pode escurecer a cicatriz e dificultar resultado estético. Proteção física e orientação da equipe são mais importantes do que aplicar muitos produtos. Cicatriz recente precisa de calma e acompanhamento.

Consulta de revisão não é formalidade

As revisões permitem ver tensão na ferida, pontos que incomodam, início de infecção, abertura pequena, cicatriz espessando e dúvidas sobre retorno às atividades. Mesmo quando tudo parece bem, a equipe pode ajustar curativo, sutiã, restrições e prazo para produtos de cicatriz.

Leve fotos apenas se a equipe solicitar ou se houver mudança importante entre consultas. A avaliação direta da ferida continua sendo mais confiável do que comparação ansiosa diária no espelho.

Se a cicatriz preocupa muito antes mesmo da cirurgia, isso deve ser conversado antes do consentimento. Algumas pacientes preferem aceitar flacidez ou volume menor a trocar o incômodo por cicatrizes mais extensas. Essa preferência é legítima e deve entrar na decisão.

Sobre Cicatriz de mastopexia: como fica e como cuidar na recuperação: decida por indicação, risco, recuperação e expectativa realista. Procedimentos estéticos ou cirúrgicos variam conforme anatomia, doenças, tabagismo, medicamentos, qualidade da pele e objetivo. alegação de resultado ou sem complicações é sinal para revisar a orientação.

Exemplo ilustrativo de cicatriz de mastopexia e recuperação cirúrgica

A mastopexia é a cirurgia plástica indicada para levantar as mamas quando há ptose mamária, isto é, queda da mama por excesso de pele, alteração da elasticidade ou mudança do volume ao longo da vida. O procedimento reposiciona a aréola, retira pele flácida e busca melhorar o contorno da mama. Em determinadas situações, pode ser combinado com prótese de silicone; em outros, a própria remodelação do tecido mamário é suficiente.

A pergunta mais comum antes da cirurgia é simples: como fica a cicatriz de mastopexia? A resposta depende da técnica escolhida, da quantidade de pele retirada, da tendência individual de cicatrização, do cuidado no pós-operatório e de fatores como tabagismo, diabetes, exposição solar e tensão sobre a pele. Toda mastopexia com retirada de pele deixa cicatriz. A meta realista não é “não ter cicatriz”, mas fazer incisões planejadas, bem acompanhadas e, com o tempo, cada vez menos evidentes.

Como a mastopexia levanta a mama

O procedimento reverte parte da ptose mamária ao retirar pele em excesso, reposicionar o complexo aréolo-papilar e reorganizar o tecido interno. Ao longo da vida, gravidez, amamentação, envelhecimento, variações de peso, anticoncepcionais, alterações hormonais e características genéticas podem mudar o aspecto e a consistência das mamas. Quando a mulher se sente desconfortável com a queda ou com o excesso de pele, a mastopexia pode ser discutida com um cirurgião plástico.

Na mastopexia tradicional, o foco é elevar e remodelar a mama sem necessariamente aumentar o volume. Na mastopexia com prótese, o implante pode ajudar a preencher o polo superior e dar mais firmeza. Mesmo assim, próteses grandes em pele muito flácida podem aumentar o peso sobre o tecido e favorecer nova queda com o tempo. Por isso a decisão deve ser individualizada, baseada em exame físico, qualidade da pele, volume desejado e expectativa realista.

Tipos de cicatriz de mastopexia

Tipo de cicatrizQuando costuma ser usadaO que a paciente deve saber
PeriareolarQueda leve e pouca pele a retirarFica ao redor da aréola; pode não ser suficiente para quedas maiores.
Vertical ou “pirulito”Ptose moderadaCombina cicatriz ao redor da aréola com linha vertical até o sulco mamário.
Em “T invertido” ou âncoraPtose importante, muita flacidez ou redução associadaTem maior extensão, mas permite retirar mais pele e remodelar melhor a mama.

A cicatriz costuma passar por fases. Nas primeiras semanas, pode ficar avermelhada, firme ou sensível. Nos meses seguintes, tende a clarear e amolecer, mas esse processo pode levar de 12 a 18 meses ou mais. Pessoas com tendência a queloide ou cicatriz hipertrófica precisam avisar o cirurgião antes da operação, porque o plano de prevenção e acompanhamento pode mudar.

Recuperação: o que é esperado

Depois da cirurgia, é comum sair com curativos, sutiã cirúrgico e orientações específicas de higiene, repouso, medicamentos e retorno. A American Society of Plastic Surgeons orienta que a paciente receba instruções claras sobre cuidado com as mamas, medicações, sinais de preocupação e consultas de acompanhamento. Pode haver inchaço, roxos, sensação de repuxamento, alteração temporária de sensibilidade e limitação para levantar os braços nos primeiros dias.

A recuperação não deve ser comparada com a de outra pessoa. A extensão da cirurgia, o uso ou não de prótese, o tipo de trabalho, a qualidade da pele e a resposta individual influenciam o tempo de retorno. Em geral, atividades leves são retomadas antes de exercícios intensos, mas o prazo seguro deve vir do cirurgião responsável.

Checklist de cuidados que ajudam a cicatrização

  • Use o sutiã cirúrgico pelo período orientado, sem apertar ou dobrar a área da cicatriz.
  • Evite esforço, treino de membros superiores e carregar peso antes da liberação médica.
  • Não fume; o tabagismo prejudica a circulação e aumenta risco de abertura de pontos e necrose.
  • Proteja a cicatriz do sol, pois a exposição precoce pode escurecer a marca.
  • Não use pomadas, fitas de silicone ou massagens sem autorização do cirurgião.
  • Mantenha retornos, mesmo quando a evolução parecer boa.

Sinais que merecem contato com o cirurgião

Procure orientação se houver febre, vermelhidão progressiva, secreção com mau cheiro, abertura de pontos, dor que piora em vez de melhorar, assimetria súbita, falta de ar ou sangramento importante. Esses sinais não significam necessariamente uma complicação grave, mas devem ser avaliados.

A cicatriz desaparece?

A cicatriz de mastopexia não desaparece completamente. Ela pode ficar fina e discreta, especialmente quando há boa técnica, baixa tensão, cuidados adequados e cicatrização favorável. O objetivo é posicionar as incisões em áreas previsíveis, acompanhar a evolução e tratar precocemente cicatrizes elevadas, doloridas ou muito pigmentadas. Procedimentos como silicone em gel, fitas, laser ou revisão cirúrgica podem ser considerados em casos selecionados, mas não devem ser prometidos como solução garantida.

Para quem está comparando mastopexia, cirurgia de levantamento das mamas e mamoplastia redutora, a melhor pergunta não é apenas “qual cicatriz é menor?”. A pergunta mais útil é: qual técnica corrige melhor a queda, preserva segurança e combina com a anatomia e expectativa da paciente?

Perguntas úteis para levar à consulta

Uma boa consulta pré-operatória deve alinhar desejo estético, anatomia e riscos. Antes de decidir, pergunte qual tipo de cicatriz é mais provável no seu caso, se há indicação de prótese, se a aréola será reduzida, como ficará o acompanhamento das cicatrizes e quais limitações você terá nas primeiras semanas. Também vale perguntar como serão tratados pontos de tensão, se há necessidade de dreno, qual sutiã será usado e quando será possível voltar a dirigir, trabalhar e praticar exercício.

Outra pergunta importante é sobre expectativa de resultado a longo prazo. A mastopexia melhora a posição e o contorno da mama, mas não congela o envelhecimento natural. Variações de peso, gravidez futura, amamentação, qualidade da pele e volume do implante podem modificar o resultado. Uma decisão segura inclui entender esses limites antes da cirurgia, não apenas ver fotos de antes e depois.

O que pode piorar a cicatriz?

Alguns fatores aumentam risco de cicatriz larga, escura, elevada ou de abertura de pontos. Entre eles estão tabagismo, exposição solar precoce, esforço antes da liberação, infecção, diabetes descompensado, deficiência nutricional, uso de certos medicamentos e tendência individual a queloide. A paciente não controla todos os fatores, mas controla muitos comportamentos do pós-operatório. Por isso, seguir orientação não é detalhe estético: faz parte da segurança cirúrgica.

Também é importante não comparar o primeiro mês com o resultado final. Cicatrizes recentes podem parecer mais chamativas e ainda assim evoluir bem. O momento de discutir tratamentos complementares costuma vir depois que a ferida está fechada e o cirurgião avaliou a maturação da cicatriz. Intervenções precoces sem orientação podem irritar a pele ou atrasar a recuperação.

O que muda a indicação do procedimento

Em Cicatriz de mastopexia: como fica e como cuidar na recuperação, a indicação deve ligar queixa, exame físico, alternativas e risco aceitável. Procedimento não deve ser escolhido apenas por antes e depois, alegação de resultado ou influência comercial; a decisão melhora quando compara benefício provável, tempo de recuperação e possíveis complicações.

PontoPor que importa
IndicaçãoConfirma se o procedimento responde ao problema real.
ContraindicaçõesDoenças, remédios, tabagismo e cicatrização podem mudar segurança.
RecuperaçãoDor, repouso, retorno ao trabalho e restrições precisam caber na rotina.
ExpectativaEvita confundir melhora possível com alegação de resultado.

Na avaliação, pergunte quais alternativas existem, quais riscos são mais relevantes no seu caso, como será o acompanhamento e quais sinais no pós-procedimento exigem contato antes do retorno programado.

Fontes úteis

  • ASPS: Breast Lift Risks and Safety
  • Cleveland Clinic: Breast Lift Surgery and Recovery
  • NCBI Bookshelf: Breast Ptosis
  • ACOG: Breast and Labial Surgery in Adolescents

Texto revisado em 15/05/2026 com foco em recuperação, cicatrização e segurança cirúrgica. Fontes consultadas: American Society of Plastic Surgeons, Mayo Clinic e MedlinePlus.

Arquivado em: Cirurgia Plástica

Lipoescultura: contorno corporal, riscos e recuperação

23 de janeiro de 2023 by Prof. Dr. Eduardo Costa Teixeira

Resposta direta: lipoescultura é um termo usado para cirurgia de contorno corporal que combina retirada de gordura por lipoaspiração e, quando indicado, redistribuição dessa gordura por enxertia. Ela busca melhorar proporções em áreas definidas, mas não é tratamento para obesidade, não substitui perda de peso e não corrige flacidez importante sozinha.

O nome pode soar simples, mas o procedimento envolve anestesia, cânulas, trauma cirúrgico, risco de sangramento, seroma, infecção, trombose, irregularidades de contorno e complicações anestésicas. Quando há enxerto de gordura, especialmente em glúteos, entram riscos adicionais e normas de segurança específicas. Por isso, a pergunta principal não é “fica bonito?”, e sim “sou uma boa candidata, para qual área, com qual técnica e com quais riscos?”.

Lipoescultura é contorno, não emagrecimento

Lipoaspiração remove depósitos de gordura localizados por meio de cânulas. O resultado aparece como mudança de contorno, não como tratamento metabólico. Uma pessoa pode perder medidas em uma área e ainda manter o mesmo risco de ganho de peso se hábitos, hormônios, medicamentos ou doenças de base continuarem influenciando composição corporal.

Esse ponto evita uma expectativa perigosa: usar cirurgia para resolver uma meta que deveria ser clínica ou nutricional. Se o problema principal é obesidade, compulsão alimentar, retenção de líquido, flacidez de pele, diástase abdominal ou lipedema, a indicação e a técnica podem ser completamente diferentes. A consulta precisa nomear o problema antes de escolher o procedimento.

Queixa Lipoescultura pode ajudar? Limite importante
Gordura localizada Pode fazer sentido em paciente selecionado. Não impede novo acúmulo se peso mudar.
Flacidez importante Resposta pode ser limitada. Pode exigir retirada de pele ou outra cirurgia.
Celulite Não é alvo principal. Pode persistir ou ficar mais evidente.
Obesidade Não é tratamento adequado isolado. Risco cirúrgico e resultado podem ser piores.

Como a cirurgia é planejada

O planejamento começa com exame físico e histórico médico. O cirurgião avalia distribuição de gordura, qualidade da pele, cicatrizes, hérnias, diástase, assimetrias, doenças, medicamentos, tabagismo, risco de trombose, cirurgias anteriores e expectativa. Fotos podem ajudar a comparar, mas não substituem exame.

Também é preciso definir se haverá apenas retirada de gordura ou se parte dela será processada e reinjetada em outra área. A enxertia de gordura tem comportamento próprio: nem toda gordura transferida permanece, pode haver reabsorção parcial, irregularidades, nódulos, calcificações, assimetrias e necessidade de revisão. Prometer volume exato ou simetria perfeita não é adequado.

A escolha de anestesia e ambiente faz parte da segurança. Procedimentos pequenos podem ter planejamento diferente de lipoaspiração extensa ou combinada. Volume aspirado, número de áreas, tempo cirúrgico, posição do paciente, equipe de anestesia, monitorização, prevenção de trombose e estrutura para intercorrências devem ser considerados. “Menos invasivo” não significa trivial.

Quando há cirurgia combinada, como abdominoplastia, mamoplastia ou enxertia de gordura em grande área, a conversa precisa incluir duração, perda de sangue, dor, limitação de movimento, necessidade de ajuda em casa e retorno ao trabalho. Combinar procedimentos pode reduzir número de anestesias, mas também pode aumentar complexidade e recuperação.

Quem tende a ser melhor candidata

Em geral, melhores candidatas são pessoas com peso relativamente estável, boa saúde clínica, áreas de gordura localizada, pele com elasticidade suficiente, expectativas proporcionais e disposição para seguir recuperação. Isso não significa que a cirurgia seja simples; significa que o risco e o objetivo podem estar mais alinhados.

Pessoas com tabagismo ativo, diabetes mal controlado, anemia, distúrbios de coagulação, histórico de trombose, doença cardíaca, doença pulmonar, obesidade importante, infecção ativa ou expectativa irrealista precisam de avaliação mais cuidadosa. Em determinadas situações, a recomendação correta é adiar ou escolher outro caminho.

Estabilidade de peso não precisa significar um número perfeito, mas variações grandes antes ou depois da cirurgia dificultam resultado. Quem planeja gestação, perda de peso importante ou mudança grande de rotina deve discutir se o momento é adequado. A cirurgia feita no momento errado pode entregar menos benefício e mais frustração.

A saúde mental também entra na indicação. Insatisfação corporal intensa, expectativas de transformação social, pressão de parceiro, comparação com redes sociais ou busca por correção de sofrimento emocional podem exigir pausa e avaliação. Cirurgia pode mudar contorno, mas não resolve sozinha autoestima, relacionamento ou compulsão.

Riscos que precisam estar claros

Toda cirurgia tem riscos. Na lipoaspiração, podem ocorrer sangramento, hematoma, seroma, infecção, alterações de sensibilidade, irregularidades, assimetrias, cicatrizes, queimaduras em algumas técnicas, perfuração de estruturas, trombose, embolia, reação à anestesia e necessidade de nova intervenção. Riscos aumentam com volume maior, tempo cirúrgico prolongado, múltiplas áreas, comorbidades e ambiente inadequado.

A lipoescultura também pode decepcionar quando a pele não retrai como esperado. Se há flacidez importante, retirar gordura pode deixar sobra de pele mais perceptível. Nesse cenário, abdominoplastia, mastopexia, lifting ou outro procedimento pode ser discutido, mas isso muda cicatrizes, recuperação e risco.

Risco Por que acontece Como entra na decisão
Irregularidade de contorno Retirada desigual, pele frouxa ou cicatrização. Pode exigir retoque ou não ter correção simples.
Seroma/hematoma Acúmulo de líquido ou sangue. Pode demandar drenagem e acompanhamento.
Trombose/embolia Cirurgia, imobilidade e fatores pessoais. Exige avaliação de risco e prevenção.
Complicação anestésica Resposta individual e duração do procedimento. Ambiente e equipe importam.

Enxerto de gordura e glúteos exigem cautela extra

Quando a lipoescultura inclui transferência de gordura para glúteos, o risco deve ser discutido de forma específica. Sociedades de cirurgia plástica publicaram alertas sobre segurança em enxertia glútea, porque a injeção em planos inadequados pode estar associada a embolia gordurosa grave. A técnica, o plano de injeção, o volume, a experiência do cirurgião e o ambiente cirúrgico são decisivos.

O paciente deve perguntar claramente se haverá enxerto de gordura, em qual região, qual é o plano de segurança e quais limites de volume serão respeitados. Procedimentos “awake”, ofertas muito baratas, ambientes não hospitalares sem estrutura adequada ou promessas de grande aumento de volume devem ser avaliados com grande cautela.

Recuperação: o resultado não aparece no dia seguinte

Após lipoaspiração, é comum ter inchaço, hematomas, dor, dormência, sensibilidade e saída de líquido nos primeiros dias, conforme técnica. Malhas compressivas, drenagem quando indicada, redução temporária da carga, caminhada precoce orientada e retorno progressivo fazem parte de muitos protocolos. O detalhe exato depende do cirurgião e da extensão da cirurgia.

O inchaço pode demorar semanas ou meses para reduzir. Avaliar resultado final cedo demais gera ansiedade e pode levar a conclusões erradas. Ao mesmo tempo, dor progressiva, falta de ar, febre, vermelhidão importante, secreção, assimetria súbita, panturrilha dolorida ou desmaio não devem ser tratados como “normal da recuperação”.

A recuperação também tem logística. Nos primeiros dias, pode ser difícil dirigir, cuidar de crianças pequenas, subir escadas, dormir em certas posições ou trabalhar sentada por longos períodos. Quem mora sozinho precisa planejar ajuda. Quem trabalha com esforço físico pode precisar de afastamento maior do que alguém com atividade administrativa.

O uso da malha deve ser explicado: tamanho, tempo diário, higiene, sinais de compressão excessiva e quando trocar. Malha apertada demais pode machucar; frouxa demais pode não cumprir o papel esperado. Dor intensa por compressão não deve ser ignorada.

O que perguntar antes de operar

  • Qual é exatamente o diagnóstico estético: gordura, flacidez, diástase, lipedema ou outra condição?
  • Quais áreas serão aspiradas e qual volume aproximado será retirado?
  • Haverá enxerto de gordura? Para onde e com qual limite?
  • Qual anestesia será usada e onde o procedimento será realizado?
  • Qual é meu risco de trombose, sangramento, infecção e irregularidade?
  • O que pode não melhorar mesmo com cirurgia bem executada?
  • Quando volto ao trabalho, exercício e atividades domésticas?

Checklist pré-operatório objetivo

Antes de marcar a data, o paciente deve saber quais exames são necessários, quais medicamentos suspender ou manter, como será a anestesia, quem acompanhará no pós-operatório, onde ocorrerá a cirurgia e como acionar a equipe se houver problema. Também deve informar anticoncepcionais, reposição hormonal, anticoagulantes, anti-inflamatórios, fitoterápicos, tabagismo, histórico de trombose e alergias.

Fotografias e marcações pré-operatórias ajudam a alinhar expectativa. Elas devem mostrar assimetrias prévias, áreas que serão tratadas e áreas que não serão. Isso reduz a chance de o paciente atribuir à cirurgia uma assimetria que já existia, ou esperar mudança em região que não foi planejada.

Como diferenciar boa indicação de promessa comercial

Boa indicação começa com limites. O cirurgião deve explicar o que a cirurgia pode melhorar, o que não muda, quais alternativas existem e por que a técnica escolhida faz sentido para aquela anatomia. Promessa comercial costuma pular essa etapa e vender transformação ampla, recuperação fácil ou resultado padronizado.

Também é sinal de qualidade quando a equipe pergunta sobre saúde geral, remédios, tabaco, trombose, gestações, cirurgias prévias e expectativa. Uma avaliação que só fala de preço, foto de antes/depois e data disponível está incompleta para um procedimento cirúrgico.

Boa conversa Conversa preocupante
Explica limites e riscos. Promete transformação ampla.
Avalia saúde e medicamentos. Foca só em preço e agenda.
Define área, técnica e recuperação. Usa termos vagos como “alta definição” sem explicar.
Discute alternativas. Pressiona decisão rápida.

Alternativas e procedimentos associados

Às vezes a melhor resposta não é lipoescultura. Em flacidez abdominal com sobra de pele, abdominoplastia pode ser discutida. Em contorno com pouca gordura e boa pele, lipoaspiração menor pode bastar. Em celulite, tecnologias ou subcisão podem ser consideradas, mas com expectativas próprias. Em lipedema, a cirurgia tem outro raciocínio, voltado a sintomas e progressão, não apenas estética.

Tratamentos não cirúrgicos podem ajudar em determinadas situações, mas costumam ter efeito mais modesto e também têm limites. O ponto é comparar objetivo, risco, recuperação, custo, evidência e manutenção. Um procedimento menos invasivo não é automaticamente melhor se não trata a queixa principal; uma cirurgia maior não é melhor se o problema poderia ser manejado de modo mais simples.

Depois da cirurgia: como acompanhar

O acompanhamento deve observar dor, inchaço, equimoses, feridas, temperatura, sensibilidade, simetria, mobilidade, sinais de trombose e tolerância à compressão. Fotos em intervalos combinados ajudam, mas devem ser interpretadas junto com exame físico. Uma pequena assimetria inicial pode mudar com edema; uma irregularidade persistente precisa de avaliação.

Manter peso estável é importante. Ganho de peso pode alterar resultado em áreas tratadas e não tratadas. Perda de peso grande depois da cirurgia pode aumentar flacidez. Isso não significa que o paciente precise viver preso ao procedimento, mas que lipoescultura funciona melhor quando faz parte de um plano corporal realista.

Sinais de alerta no pós-operatório

Procure a equipe ou atendimento com rapidez se houver falta de ar, dor no peito, desmaio, febre, dor progressiva, sangramento importante, secreção com mau cheiro, vermelhidão extensa, aumento súbito de volume, panturrilha dolorida, assimetria abrupta, confusão, vômitos persistentes ou mal-estar intenso. Esses sinais não confirmam complicação grave, mas não devem ser acompanhados apenas por mensagens informais ou espera passiva.

Também avise se a malha causar feridas, formigamento intenso, alteração de cor da pele ou dor fora do esperado. Compressão é parte do cuidado em muitos protocolos, mas não deve machucar tecido ou esconder sinais relevantes.

Como avaliar resultado sem precipitar retoques

Retoque ou revisão só deve ser discutido depois de tempo suficiente de cicatrização, salvo complicações. Edema, fibrose inicial e alteração de sensibilidade podem distorcer a aparência por semanas. Avaliar cedo demais aumenta insatisfação e pode levar a intervenções desnecessárias.

Quando a queixa persiste após a fase adequada, a análise deve separar irregularidade, flacidez, gordura residual, cicatriz, assimetria prévia, ganho de peso e expectativa fora do que a técnica entrega. Cada causa tem solução diferente; nem toda insatisfação se resolve aspirando mais gordura.

Como decidir com mais segurança

A decisão melhora quando o paciente compara benefício esperado, risco, tempo de recuperação, custo, necessidade de ajuda em casa e alternativas. Se a principal motivação é urgência emocional, pressão externa ou promessa de transformação rápida, vale desacelerar. Cirurgia estética deve ser planejada em momento de estabilidade, com informação suficiente e liberdade para dizer não.

Uma segunda opinião pode ser útil quando a indicação envolve grande volume, enxerto em glúteos, combinação de cirurgias ou discordância entre expectativa e avaliação médica.

Decidir melhor quase sempre começa por entender exatamente qual problema anatômico está sendo tratado, e qual resultado é plausível para aquele corpo.

Perguntas frequentes

Lipoescultura emagrece? Não deve ser usada como estratégia de emagrecimento. Ela muda contorno em áreas selecionadas, mas não substitui tratamento de peso, alimentação, exercício ou manejo de doenças metabólicas.

A gordura volta? A área tratada pode mudar, e outras áreas podem acumular gordura se houver ganho de peso. O resultado depende de estabilidade do peso, genética, hormônios, idade e rotina.

Drenagem é obrigatória? Protocolos variam. Algumas equipes indicam drenagem, outras priorizam mobilidade, compressão e acompanhamento. O importante é seguir orientação da equipe que operou e não fazer manobras agressivas sem liberação.

Quando vejo o resultado? Parte da mudança aparece cedo, mas edema e cicatrização continuam por semanas ou meses. O prazo final depende da extensão da cirurgia e resposta individual.

Essa clareza protege contra decisões apressadas e melhora a conversa sobre limites, riscos e recuperação.

Resumo para decisão

Lipoescultura pode fazer sentido para contorno corporal em paciente bem selecionado, mas deve ser tratada como cirurgia, não como solução estética simples. A qualidade da decisão depende de diagnóstico anatômico, avaliação de risco, técnica, ambiente seguro, expectativa realista e acompanhamento. Quando envolve enxerto de gordura, especialmente glúteos, a conversa de segurança precisa ser ainda mais específica.

Fontes consultadas

  • Mayo Clinic: Liposuction.
  • Cleveland Clinic: Liposuction.
  • Cleveland Clinic: Fat Transfer.
  • American Society of Plastic Surgeons: Liposuction Recovery.
  • American Society of Plastic Surgeons: Gluteal Fat Grafting Advisories.
  • NHS: Surgical Fat Transfer.

Arquivado em: Cirurgia Plástica

Síndrome de Raynaud (Fenômeno de Raynaud) – O que É? Sintomas e Tratamentos

23 de janeiro de 2023 by Dr. João Arthur Ferreira

Fatos importantes

  • A síndrome de Raynaud é uma condição em que os vasos sanguíneos, geralmente nos dedos das mãos e dos pés, se contraem em resposta a baixas temperaturas ou estresse emocional.
  • A síndrome de Raynaud é mais comum entre mulheres jovens.
  • Sintomas comuns incluem: na cor da pele para branco ou azul, dormência, formigamento e dor nas áreas afetadas.
  • A causa exata da Síndrome de Raynaud é desconhecida, mas acredita-se que esteja relacionada a um problema no sistema nervoso.
  • O tratamento inclui evitar temperaturas frias, usar roupas quentes e tomar medicamentos.

Introdução – Síndrome de Raynaud

A Síndrome de Raynaud é um distúrbio incomum dos vasos sanguíneos, principalmente nos dedos das mãos e dos pés. É caracterizada por episódios de fluxo sanguíneo reduzido para essas áreas, o que pode fazer com que a pele mude de cor e fique dolorida e entorpecida.

Em casos graves, pode causar a morte do tecido devido à falta de suprimento sanguíneo.

Os sintomas do Fenômeno de Raynaud podem durar de alguns minutos a várias horas.

Não é uma ameaça séria à sua saúde, mas pode ser irritante de se conviver, porque pode ser difícil usar os dedos. As pessoas com Raynaud geralmente passam longos períodos sem nenhum sintoma e, às vezes, a condição desaparece completamente.

Outras partes do corpo que podem ser afetadas por Raynaud incluem orelhas, nariz, mamilos e lábios.

A maioria das pessoas com essa condição tem o fenômeno de Raynaud primário, que geralmente é leve e não tem uma causa subjacente clara. Algumas pessoas têm o fenômeno de Raynaud secundário, onde há uma causa subjacente, como uma doença autoimune.

A síndrome de Raynaud é geralmente diagnosticada com base nos sintomas, histórico médico e exame físico. Não existe um único teste para diagnosticar o fenômeno de Raynaud, mas testes adicionais podem ser realizados para distinguir entre as duas formas da condição.

Esses testes incluem microscopia capilar da cutícula das unhas, exames de sangue para verificar distúrbios do sistema imunológico e um teste de estimulação pelo frio.

Fenômeno de Raynaud – mais comum em mulheres

raynaud
(A) Dedos brancos com intensa vasoconstrição no fenômeno de Raynaud; (B) dígitos azuis com estase venosa hipoxêmica; (C) dígitos vermelhos com reperfusão hiperêmica. Fonte: Cleveland Clinic

A Síndrome de Raynaud é mais comum em mulheres e geralmente começa na adolescência ou no início da idade adulta. Pode ter um impacto significativo na qualidade de vida, pois os episódios de dor e dormência podem ser imprevisíveis e incapacitantes.

A causa mais comum da Síndrome de Raynaud é desconhecida, mas acredita-se que esteja ligada a fatores como genética, gatilhos ambientais e estresse. O tratamento geralmente envolve mudanças no estilo de vida para reduzir o estresse e os gatilhos ambientais, bem como medicamentos para abrir os vasos sanguíneos e reduzir a inflamação.

Por que este vasoespasmo ocorre?

Como o fenômeno envolve um comprometimento transitório do fluxo sanguíneo para a área afetada, acredita-se que seja mediada por mecanismos neurais ou vasculares.

Um mecanismo neural postulado para o Fenômeno de Raynaud inclui um aumento da atividade do sistema nervoso simpático após estimulação por frio ou estresse.

A norepinefrina é liberada e causa a ativação de alfa-adrenorreceptores pós-juncionais localizados no músculo liso vascular que medeiam a vasoconstrição.


Sintomas

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O fenômeno de Raynaud é um distúrbio vasoespástico multifatorial caracterizado por uma constrição transitória, recorrente e reversível dos vasos sanguíneos periféricos.

Sintomas podem incluir:

  • Frio A síndrome de Raynaud causa frio nos dedos das mãos e dos pés, pois os vasos sanguíneos se contraem, reduzindo a circulação nessas áreas, levando a isquemia transitória dos dedos expostos.
  • Dormência A falta de fluxo sanguíneo causada pela síndrome pode causar dormência nos dedos das mãos e dos pés.
  • Formigamento Sensações de formigamento podem ser sentidas nos dedos das mãos e dos pés à medida que os vasos sanguíneos se estreitam.
  • Dor Dor nos dedos das mãos e dos pés pode ser sentida quando a circulação é reduzida.
  • Descoloração Pode ocorrer descoloração da pele quando os dedos das mãos e dos pés ficam brancos ou azuis devido à falta de circulação sanguínea.
  • Sensibilidade Sensibilidade a temperaturas frias é um sintoma comum da síndrome de Raynaud.
  • Fadiga Algumas pessoas com síndrome podem sentir fadiga devido à redução da circulação sanguínea.
  • Úlceras Úlceras podem se formar nos dedos das mãos ou dos pés devido à falta de circulação sanguínea.

Em indivíduos com fenômeno de Raynaud, uma ou mais partes do corpo apresentam vasoespasmo intenso com alteração de cor associada e subsequente hiperemia.

Os pacientes geralmente descrevem 3 fases de mudança: branco inicial (vasoconstrição), seguido de azul (cianose) e depois vermelho (refluxo sanguíneo rápido)

Sintomas comuns de Síndrome de Raynaud
Dedos das mãos ou pés frios e doloridos
Descoloração da pele nas áreas afetadas
Dormência ou sensação de formigamento nas áreas afetadas
Inchaço das áreas afetadas
Sensação latejante ou de queimação nas áreas afetadas

Causas da Síndrome de Raynaud

As causas do fenômeno de Raynaud primário e secundário são desconhecidas. Acredita-se que esteja ligada a alguns distúrbios do sangue pelo aumento da espessura do sangue devido ao excesso de plaquetas ou glóbulos vermelhos.

Tanto o controle nervoso anormal do diâmetro dos vasos sanguíneos quanto a sensibilidade nervosa à exposição ao frio também podem ser fatores contribuintes.

Outros fatores de risco incluem:

  • Exposição a temperaturas frias: temperaturas frias fazem com que os vasos sanguíneos se contraiam, reduzindo a quantidade de sangue que pode fluir para a pele.
  • Tabagismo: fumar pode causar constrição dos vasos sanguíneos, prejudicando a circulação do sangue no corpo, principalmente na periferia (mãos e pés)
  • Hormônios (como o estrógeno): Acredita-se que os hormônios, principalmente o estrogênio, estejam associados a uma maior frequência de distúrbios vasculares, pois potencializam a vasoconstrição provocada pelos adrenorreceptores alfa.
  • Medicamentos: certos medicamentos, incluindo betabloqueadores, medicamentos quimioterápicos e alguns medicamentos de venda livre, podem causar Fenômeno de Raynaud.
  • Movimento repetitivo: movimentos repetitivos, como digitar ou tocar um instrumento musical, podem causar Raynaud. A exposição ocupacional a ferramentas vibratórias também está profundamente ligada a um risco elevado
  • Gravidez: a gravidez pode causar um aumento nos hormônios que pode levar à doença de Raynaud.
  • Estresse emocional: o estresse emocional é outro forte gatilho que pode desencadear episódios vasoespásticos
  • Obesidade: o excesso de peso pode causar aumento da gordura corporal, levando a uma diminuição da circulação.
  • Lesão ou trauma: Lesão ou trauma nas mãos, ou pés podem causar Raynaud.
  • Doenças autoimunes: doenças autoimunes, como lúpus, podem causar a doença de Raynaud.

Existem dois tipos de fenômeno de Raynaud – primário e secundário. A forma primária não tem causa conhecida, mas a forma secundária está relacionada a outro problema de saúde, principalmente doenças autoimunes como lúpus ou esclerodermia. A forma secundária costuma ser mais grave e necessitar de tratamento mais agressivo.

Qual a diferença entre Doença de Raynaud e Síndrome de Raynaud?

Doença de Raynaud: Ocorre isoladamente e não está relacionada a outra doença ou condição. Isso também é chamado de síndrome de Raynaud primária.

Fenômeno de Raynaud: Ocorre devido a uma condição subjacente, medicação ou fator de estilo de vida. É também chamada de síndrome de Raynaud secundária. Os episódios afetam os dedos das mãos e pés. Em casos raros, os ataques ocorrem em outras áreas, como orelhas ou nariz


Diagnóstico

exame laboratorial hemograma

O diagnóstico da síndrome de Raynaud envolve um exame físico e uma revisão do histórico médico do paciente. Outros exames que podem ser usados ​para confirmar o diagnóstico incluem a angiografia, que é um exame de imagem que usa corante e raios-X para examinar as artérias, e a termografia, que usa câmeras infravermelhas para medir a temperatura da pele.

Em determinadas situações, exames adicionais podem ser necessários para descartar outras condições, como doenças do tecido conjuntivo ou doenças vasculares. Os exames de sangue também podem ser usados ​para medir os níveis de certas substâncias, como anticorpos antinucleares, que podem ser indicativos de um distúrbio autoimune subjacente.

Outros testes, como a capilaroscopia periungueal, podem ser usados ​para examinar a forma de pequenos vasos sanguíneos no leito ungueal.

Em determinadas situações, pode ser necessário realizar uma biópsia de pele para confirmar o diagnóstico. Durante uma biópsia de pele, uma pequena amostra de pele é retirada e examinada ao microscópio. Isso pode ajudar a identificar qualquer dano aos vasos sanguíneos que possa estar causando os sintomas.

Dada a ampla gama de patologias associadas aos sintomas de Raynaud, não é surpreendente que existam diferenças nas características clínicas e no impacto da doença de Raynaud entre diferentes populações de pacientes.

Pauling JD, Hughes M, Pope JE. Raynaud’s phenomenon—an update on diagnosis, classification and management. Clinical rheumatology. 2019 Dec;38:3317-30.
ExameDescrição
Hemograma CompletoMede os níveis de glóbulos vermelhos e brancos, hemoglobina e outras substâncias no sangue.
Testes de função da tireóideMede o nível de hormônios da tireoide no sangue, como TSH, T4L e T3L.
Taxa de sedimentação de eritrócitos (VHS)Mede a taxa na qual os glóbulos vermelhos se depositam em um tubo de ensaio.
Teste de anticorpos antinucleares (FAN)Mede os níveis de anticorpos antinucleares no sangue.
Capilaroscopia digitalUsa um microscópio para visualizar os capilares (minúsculos vasos sanguíneos) nos dedos.

Diagnóstico Diferencial da Síndrome de Raynaud

  • Esclerose Sistêmica: uma doença do tecido conjuntivo caracterizada por espessamento da pele e acúmulo de tecido semelhante à cicatriz nos pulmões, rins e outros órgãos.
  • Síndrome de Sjogren: uma doença autoimune que causa secura nos olhos, boca e outras partes do corpo.
  • Lúpus: uma doença autoimune que pode afetar diversas partes do corpo, incluindo pele, articulações e órgãos internos.
  • Fibromialgia: um distúrbio crônico caracterizado por dor generalizada e sensibilidade nos músculos, articulações e outras áreas do corpo.
  • Doenças Tireoidianas (Hipo ou Hipertireoidismo): distúrbio endócrino que faz com que a glândula tireoide produza muito ou pouco hormônio tireoidiano.
  • Vasculite: uma inflamação dos vasos sanguíneos que pode fazer com que eles se estreitem ou bloqueiem.
  • Síndrome do Túnel do Carpo: uma condição causada pela pressão no nervo mediano no pulso que pode causar dormência e formigamento nos dedos e na mão.
  • Artrite reumatoide: uma doença autoimune que causa inflamação das articulações e pode levar a lesões e incapacidade nas articulações.

Possibilidades iniciais de tratamento

As opções de tratamento para a síndrome de Raynaud dependem da gravidade da condição e se ela é primária ou secundária. A síndrome de Raynaud primária é tratada com mudanças no estilo de vida, enquanto a síndrome de Raynaud secundária é tratada com medicamentos e cirurgia.

Os objetivos do tratamento são reduzir o número e a gravidade dos ataques, prevenir danos nos tecidos e tratar a doença ou condição subjacente.

O tratamento inicial para a Síndrome de Raynaud é minimizar a exposição a temperaturas frias e estressores ambientais. É importante cobrir as mãos e os pés no tempo frio e usar camisas e calças de manga comprida.

Além disso, o uso de luvas e meias de fibras naturais, como algodão ou lã, pode ajudar a manter as extremidades aquecidas.

Parar de fumar também pode melhorar os sintomas, pois fumar pode afetar sua circulação.

Opções medicamentosas de tratamento são limitados pela fisiopatologia complexa e pela etiologia mal compreendida dessa doença

Podem ser prescritos medicamentos para melhorar a circulação e reduzir a gravidade dos sintomas. Esses medicamentos podem incluir bloqueadores dos canais de cálcio, alfa-bloqueadores e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA)

Além disso, certos medicamentos como sildenafil (Viagra) e tadalafil (Cialis) podem ser prescritos para melhorar o fluxo sanguíneo.

Os ataques podem ser evitados por uma abordagem não medicamentosa, mas a intervenção farmacológica adquire importância à medida que a doença se intensifica.


Medicamentos para tratamento da Síndrome de Raynaud

Não há cura, mas a Síndrome de Raynaud pode ser controlada com um tratamento adequado e bem-planejado com base nos sintomas, idade, gravidade e saúde geral do paciente.

Opções de medicamentos incluem:

  • Bloqueadores dos canais de cálcio: atuam dilatando os vasos sanguíneos e melhorando o fluxo de sangue para as extremidades.
  • Vasodilatadores (alfa-bloqueadores): bloqueiam a constrição dos vasos sanguíneos e bloqueiam a ação de certos hormônios.
  • Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA): ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e reduzir a pressão arterial.
  • Inibidores de fosfodiesterase tipo 5: como o sildenafil

Bloqueadores dos canais de cálcio

Os bloqueadores dos canais de cálcio, como nifedipina, amlodipina, felodipina e isradipina, são medicamentos que podem ajudar a controlar o fenômeno de Raynaud. Esses medicamentos funcionam relaxando os vasos sanguíneos, o que pode melhorar o fluxo sanguíneo para as áreas afetadas. Os bloqueadores dos canais de cálcio são considerados agentes de primeira linha tanto para o fenômeno de Raynaud primário quanto para o secundário que não responde adequadamente a medidas não farmacológicas.

No caso do fenômeno de Raynaud primário, o tratamento com bloqueadores dos canais de cálcio oral foi encontrado como sendo minimamente eficaz, reduzindo a frequência de ataques em cerca de 1,5 por semana. Já no fenômeno de Raynaud secundário, os bloqueadores dos canais de cálcio e os análogos da prostaciclina são as opções farmacológicas. Além disso, a aplicação tópica de nitroglicerina também pode ajudar se aplicada localmente.

Vasodilatadores

Os vasodilatadores são medicamentos que podem ajudar a controlar o fenômeno de Raynaud, relaxando os vasos sanguíneos e melhorando o fluxo sanguíneo para as áreas afetadas. Alguns exemplos de vasodilatadores incluem o losartan (Cozaar), usado no tratamento da hipertensão arterial, o sildenafil (Viagra, Revatio), utilizado no tratamento da disfunção erétil, a fluoxetina (Prozac), um antidepressivo, e uma classe de medicamentos chamados prostaglandinas.

No entanto, a eficácia dos vasodilatadores pode variar de pessoa para pessoa, e há evidências limitadas para o seu uso no fenômeno de Raynaud primário. Um estudo pequeno mostrou que o moxisilito reduziu ligeiramente a frequência e a gravidade dos ataques, mas também com efeitos colaterais aumentados.

Sildenafil

Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como o sildenafil, são medicamentos que podem ajudar a controlar o fenômeno de Raynaud ao relaxar os vasos sanguíneos, melhorando o fluxo sanguíneo para as áreas afetadas. O sildenafil é principalmente utilizado para tratar a disfunção erétil, mas também é indicado para o tratamento de alguns subtipos de hipertensão pulmonar.

Os inibidores da PDE5 atuam bloqueando a ação degradativa da fosfodiesterase tipo 5 específica para o GMP cíclico (cGMP) nas células musculares lisas que revestem os vasos sanguíneos que suprem vários tecidos. Embora todos os inibidores da PDE5 compartilhem o mesmo mecanismo de ação, cada agente possui farmacocinética e farmacodinâmica diferentes.

Prevenção

Infelizmente, não há nenhuma maneira conhecida de prevenir a síndrome de Raynaud. No entanto, existem alguns ajustes de estilo de vida que podem ser feitos para reduzir a gravidade dos sintomas.

Tente se manter aquecido, especialmente durante o tempo frio, usando várias camadas de roupas e aquecedores de mãos e pés.

Evitar fumar, estresse e cafeína também pode ajudar. Além disso, medicamentos como bloqueadores dos canais de cálcio podem ser prescritos para melhorar a circulação.

Outra forma possível de controlar a síndrome de Raynaud é criar um plano de ação com seu médico. Este plano deve incluir estratégias para lidar com o estresse, evitar atividades que possam desencadear um episódio agudo e como responder se ocorrer um ataque.

Qual ​é o prognóstico da síndrome de Raynaud?

O prognóstico da Síndrome de Raynaud é geralmente bom, e a maioria das pessoas pode controlar seus sintomas com o tratamento adequado.

As perspectivas de longo prazo são determinadas pela gravidade de seus sintomas e como eles são administrados.

Na maioria dos casos, os sintomas podem ser controlados com mudanças no estilo de vida, como vestir roupas quentes, evitar temperaturas frias e evitar o estresse. Medicamentos como bloqueadores dos canais de cálcio e vasodilatadores também podem ser usados ​para reduzir a gravidade dos sintomas.

Em determinadas situações, a cirurgia pode ser necessária para melhorar o fluxo sanguíneo para as extremidades.

Possíveis complicações

O Raynaud secundário pode restringir com mais intensidade o suprimento de sangue, trazendo um risco maior de complicações, como úlceras, cicatrizes e até morte do tecido (gangrena) nos casos mais graves.

No entanto, complicações graves são raras.

Cirurgia (simpatectomia) pode ajudar?

A simpatectomia é um procedimento cirúrgico que pode ajudar a controlar o fenômeno de Raynaud ao destruir os nervos responsáveis por desencadear a constrição dos vasos sanguíneos nas áreas afetadas. O procedimento geralmente é realizado por incisão ou por meio de injeções e é recomendado para casos graves de fenômeno de Raynaud que não responderam a outros tratamentos.

A simpatectomia pode ser realizada tanto nos membros superiores quanto nos inferiores. O procedimento frequentemente alivia os sintomas, mas pode ser necessário repeti-lo. Um estudo retrospectivo envolvendo 34 pacientes consecutivos tratados com simpatectomia toracoscópica para o fenômeno de Raynaud, dividido no período de 1996 a 2005, mostrou que a maioria dos pacientes obteve um efeito imediato excelente e um terço deles alcançou um efeito duradouro. No entanto, os efeitos colaterais são frequentes e o procedimento agora é usado apenas em casos graves do fenômeno de Raynaud.

É importante ressaltar que a simpatectomia é um procedimento cirúrgico que envolve riscos, e é fundamental conversar com um médico sobre as melhores opções de tratamento para você.

Arquivado em: Clínica Médica, Doenças de A-Z

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